sexta-feira, 24 de julho de 2020

LIÇÃO 4: A CONSTRUÇÃO DO TEMPLO ENFRENTOU OPOSIÇÃO




COMENTÁRIO E SUBSÍDIO II

   INTRODUÇÃO

O altar havia sido restaurado, a Festa dos Tabernáculos celebrada, e o holocausto contínuo estava sendo oferecido cada dia, conforme o rito (Ed 3.2,4). A vida espiritual dos judeus que haviam retornado do cativeiro seguia o que estava prescrito na Lei de Moisés. Somente esperavam o momento de iniciar a reedificação do Templo. [Lições Bíblicas, 26 Julho, 2020] A expectativa era grande, pois eles precisavam de um lugar para adoração. É chegado o momento para o início dessa grande obra que, sem eles saberem, seria impedida por aqueles que sempre se opõem à obra de Deus. Convém salientar que muitos que se opõem às vezes estão entre os verdadeiros adoradores, porém não têm um coração puro e reto diante de Deus. Com certeza sempre existirão pessoas com essa postura para atrapalhar o bom andamento da obra do Senhor. No entanto, Deus espera de cada um de nós que tenhamos ânimo e coragem para enfrentarmos os adversários e prosseguirmos cumprindo com a sua ordem.

   I. OS ALICERCES DO TEMPLO SÃO LANÇADOS

Depois que os materiais para a construção do Templo chegaram, segundo a concessão feita pelo rei Ciro da Pérsia, Zorobabel e os que haviam voltado do cativeiro lançaram os alicerces do templo (Ed 3.8). Todos apresentavam muita animação para o trabalho.

1. O lançamento dos alicerces foi celebrado com uma solenidade. “[…] Os sacerdotes, já paramentados e com trombetas, e os levitas, filhos de Asafe, com saltérios, para louvarem ao SENHOR, conforme a instituição de Davi, rei de Israel” (Ed 3.10).

Todos os que assistiram o lançamento dos alicerces expressaram seus sentimentos com tão grande júbilo, que as suas vozes se ouviam de mui longe (Ed 3.12,13). [Lições Bíblicas, 26 Julho, 2020] A maior prioridade dos israelitas ao voltarem a Jerusalém, foi reconstruir o templo e assim restaurar a adoração contínua ao Senhor. Os anos que passaram no cativeiro os ensinara que Deus não os protegeria, nem ajudaria, a menos que o colocassem em primeiro lugar nas suas vidas. Agora, diante daquela solenidade, o versículo 12 diz que muitos choraram e outros jubilavam. Embora a Lei de Deus ensinasse que a adoração deve ser metódica, não a limitava a padrões e fórmulas rígidas. Alguns que tinham visto a glória do templo de Salomão, irromperam em lágrimas, por certo aliviados pelo fim da vergonha da sua destruição. Outros irromperam em brados de alegria. A adoração ao Senhor deve ser flexível o suficiente para permitir a espontaneidade do adorador. Deus nos fez todos diferentes. É de se esperar que haja variedade de expressão quando o povo de deus rende-se ao Espírito Santo.

2. A reedificação do Templo. A reedificação do templo foi resultado do despertamento que veio através de Ciro, rei da Pérsia (Ed 1.1,2). Convém lembrar que o despertamento pentecostal, que chegou ao Brasil em 1911, trouxe consigo uma verdadeira renovação da doutrina da Igreja de Deus, que pode ser simbolizada pelo templo de Deus (1 Co 3.16). A Igreja de Deus é um MISTÉRIO (Ef 5.32), que não pode ser compreendido pelo homem natural (1 Co 2.14). [Lições Bíblicas, 26 Julho, 2020] A maneira de Deus trabalhar é de forma espetacular, ou seja, não tem explicação. Ciro, mesmo sendo um rei pagão, mas foi despertado pelo Senhor para liberar o seu povo e recursos para a construção do templo. Quando olhamos para a nossa história, vemos Deus, da mesma forma despertando, não um ímpio, mas dois homens ungidos pelo seu Espírito para uma grande obra em nossa nação. Mesmo em meio a tantas perseguições, eles conseguiram implantar nesta terra brasileira o Evangelho que é o poder de Deus para salvação de todo o que crer.

a. O Espírito Santo quer salientar que JESUS em pessoa quer edificar a sua Igreja (Mt 16.18), e Ele o faz conforme a Palavra de Deus. [Lições Bíblicas, 26 Julho, 2020] Mediante este texto fica explícito que Jesus não veio fundar mais uma religião. Ele veio para edificar a sua Igreja. Esta seria alicerçada em sua Palavra, alicerce esse tão forte que nem mesmo toda a coorte demoníaca é capaz de destruir, pois “portas do inferno” representam Satanás e a totalidade do mal no mundo, lutando para destruir a igreja de Jesus Cristo. A rocha sobre a qual Jesus construiria a sua Igreja seria o próprio Senhor Jesus Cristo que efetuou sua obra de salvação morrendo por nós na cruz.

b. O Espírito Santo quer gerar um sentimento de reverência pela igreja do Senhor, que é a morada de Deus (Ef 2.22). Veja também: Êxodo 3.5; Salmos 89.7; Eclesiastes 5.1. [Lições Bíblicas, 26 Julho, 2020] Todos os crentes e igrejas serão verdadeiros somente à medida em que cultuarem ao Senhor com toda reverência reconhecendo a sua santidade como diz Salomão em Eclesiastes; para se manter em adoração na casa de Deus, faz-se necessário também aceitar o ensino e revelação originais dos apóstolos a respeito do evangelho, conforme o NT registra e, procurar manter-se fiéis a eles. Rejeitar o ensino dos apóstolos é rejeitar o próprio Senhor. Não somente crer na mensagem apostólica, mas também defendê-la e guardá-la contra todas as distorções ou alterações.

c. O Espírito Santo quer adestrar a Igreja porque ela é o instrumento da ação de Deus aqui na terra (Ef 3.10). Deus tem um trabalho para cada servo seu na grande obra de evangelização do mundo (Mc 13.34) [Lições Bíblicas, 26 Julho, 2020] Paulo deseja que pela Igreja a multiforme sabedoria de Deus seja conhecida até pelos principados e pelas potestades nos céus. Esses “principados e potestades” podem referir-se aos anjos bons. Eles contemplam a multiforme sabedoria de Deus, à medida que Ele a demonstra através da Igreja (1 Pe 1.10-12). Podem também referir-se aos poderes dominantes das trevas na esfera espiritual aos quais o “eterno propósito de Deus” está sendo conhecido, através da proclamação da salvação pela igreja e do seu conflito espiritual com Satanás e suas hostes.

SUBSÍDIO BÍBLICO-TEOLÓGICO

Não foi antes da primavera, o segundo mês (abril/maio) do segundo ano da sua volta, que os judeus, sob o comando de Zorobabel, começaram a tarefa de reconstruir o Templo. Nesse ínterim, houve muita coisa a ser feita. Era necessário contratar pedreiros carpinteiros; as pedras deveriam ser cortadas e a madeira obtida nas colinas do Líbano. Esta era a mesma fonte da qual Salomão obteve a matéria-prima para o primeiro Templo (2 Cr 2,8,9). Parte do dinheiro necessário para isto conseguiu-se graças á concessão que lhes tinha feito Ciro, rei da Pérsia. Devido à santidade da tarefa, os Levitas foram designados para supervisionar os trabalhadores. Jesua, ou Josué, era o sumo sacerdote (cf. 2.2; 3.2; Zc 3.1-10). Com a colocação das últimas pedras do alicerce, realizou-se uma elaborada cerimônia. Os sacerdotes e os levitas, vestidos adequadamente, tocaram suas trombetas e seus címbalos, e os corais entoaram em duas vozes o Salmo 136. E o povo jubilou com grande júbilo, louvando ao Senhor pelo que Ele tinha ajudado a realizar” (Comentário Bíblico Beacon. Vol. 2. Rio de Janeiro: CPAD, 2014, p. 493).

  II. OS SAMARITANOS OPÕEM-SE À CONSTRUÇÃO DO TEMPLO

1. Entre os moradores da terra estavam os samaritanos. Quando Nabucodonosor Levou o reino de Judá cativo para Babilônia, os samaritanos passaram a morar na terra. Estes eram descendentes de uma mistura de gente que o rei da Assíria tinha deslocado para as cidades da Samaria, depois de ele ter levado as dez tribos do Reino do Norte em cativeiro para a Assíria (2 Rs 17.23). Eram pagãos que haviam sido ensinados acerca do Deus de Israel. Assim, os samaritanos continuavam servindo a seus deuses, mas também temiam o Senhor (2 Rs 17.23-33). [Lições Bíblicas, 26 Julho, 2020] – Os que são chamados inimigos de Judá e de Benjamim e a gente da região ((Ed 4. 1, 4) eram os descendentes de povos que, depois de os assírios terem derrotado o Reino do Norte de Israel e levado para o exílio a maioria da população masculina, tinham sido importados para a área da Palestina ao norte da Judéia e contraído casamentos mistos com os que haviam permanecido (como descrito em 2Rs 17.24). Houve uma sucessão de tais importações, uma delas feita por Esar-Hadom (v. 2; também mencionada em 2Rs 19.39, e que reinou na Assíria entre 681 - 669 a.C.), e outra por Assurbanipal (v. 10), (669 - 627 a.C.). A comunidade assim formada adorava a Javé (v. 2), mas era caracterizada por crenças e práticas que não se harmonizavam com isso. Mais tarde, tornaram-se conhecidos como os “samaritanos”.

2. Os samaritanos tentam frustrar a construção do Templo (Ed 4.4,5). A maldade dos samaritanos levou-os a enviar uma carta ao rei da Pérsia contendo acusações mentirosas contra os judeus (Ed 4.12,13). O rei que recebeu aquela carta não conhecia bem o assunto, e mandou parar a obra (Ed 4.21). [Lições Bíblicas, 26 Julho, 2020] – Os samaritanos pediram aos líderes dos judeus que lhes permitissem cooperar na reconstrução do templo de Jerusalém (v. 2), afirmando que não havia diferenças essenciais entre as respectivas práticas religiosas. Mas os líderes dos judeus rejeitaram o seu pedido (v. 3), sem dúvida porque consideravam que esses seus vizinhos estavam completamente enganados em relação às suas práticas religiosas (2 Rs 17.32-34) e que permitir essa cooperação conduziria à contaminação da fé dos judeus. Os vizinhos do Norte ficaram indignados com essa recusa e realizaram uma campanha de oposição aos judeus que fez estes abandonarem por um período a obra de reconstrução do templo (v. 4,5).

SUBSÍDIO BÍBLICO-TEOLÓGICO

“Ao ouvir que Jerusalém era reconstruída e o Templo restaurado, os samaritanos e outros povos das redondezas perturbaram-se. Eles temiam que, se permitisse que os judeus se estabelecessem em Jerusalém, representariam uma ameaça à sua segurança e ao seu poder. Traiçoeiramente, pediram a Zorobabel e Jesua que deixassem que eles ajudassem a reconstruir o Templo, alegando que eles, como os judeus, adoravam o Deus verdadeiro. Quando foram rejeitados, como naturalmente devem ter suposto que seriam eles imediatamente começaram a atrapalhar os judeus de todas as formas possíveis. Alugaram contra eles conselheiros e aparentemente deram uma impressão enganosa sobre os judeus ao rei da Pérsia. Em todo caso, os trabalhos de construção foram interrompidos e não foram reiniciados até quinze anos mais tarde, durante a reinado de Dario.

Muitos estudiosos pensam que a interrupção dos trabalhos de reconstrução do Templo é um simples exemplo de falta de fé por parte daqueles que estavam encarregados da obra. Eles tiveram a autorização de Ciro, a autoridade e a bênção de Deus no início do empreendimento. Eles, como Neemias, deveriam ter continuado firmes no trabalho apesar da oposição, e Deus certamente teria tornado possível a conclusão do trabalho, conforme haviam planejado. Com base em Ageu 1.4, parece que durante esse período de estagnação os judeus se voltaram para a construção e a decoração de suas próprias casas” (Comentário Bíblico Beacon. Vol. 2. Rio de Janeiro: CPAD, 2014, p. 494).

  III. COMO SE EXPLICA A FALTA DE RESISTÊNCIA DOS JUDEUS?

1. Os judeus deveriam ter ido ao rei da Pérsia para assegurar a construção. Uma ordem dada por uma autoridade superior não pode ser invalidada por uma autoridade inferior. A ordem de construir o Templo tinha sido dada pelo Deus do céu, através do rei Ciro, a maior autoridade da época, que assinara o decreto da construção do Templo. [Lições Bíblicas, 26 Julho, 2020]De fato houve uma acomodação ou, porque não dizer, falta de fé por parte das autoridades que estavam em Jerusalém em reivindicar o seu direito junto ao rei, uma vez que tinham autorização para fazer aquela obra. Entretanto Artaxerxes I autorizou a  Reum e Sinsai a ordenarem o seguinte aos judeus: que parem a obra, para que essa cidade não seja reconstruída (v. 21); mas ele acrescentou uma frase condicional: enquanto eu não mandar, o que significava que ele poderia, mais tarde, revogar sua decisão. E, de fato, mais tarde, ele revogou sua decisão, quando, no vigésimo ano do seu reinado, autorizou Neemias a organizar a reconstrução dos muros da cidade (N e 2). Portanto essa ordem deveria ter sido revogada logo no início, mas preferiram deixar o inimigo se exaltar com a obra parada durante 16 anos.

2. Os judeus deveriam ter recorrido a Deus. Toda história dos judeus é rica de exemplos de como Deus ajudou seu povo em tempos difíceis. A própria vinda dos judeus para Jerusalém era uma clara demonstração de que Deus estava neste negócio. [Lições Bíblicas, 26 Julho, 2020] Se Artaxerxes I, se negasse a cumprir o decreto de Ciro, os judeus agora poderiam clamar ao Senhor e com toda a certeza Ele responderia. Talvez haja uma dúvida: não deveriam buscar o Senhor primeiro para depois ir ao rei? É bom lembrar que Deus já havia determinado aquela obra através de Ciro, o que estava faltando era a ação do povo. Desta forma podemos reafirmar o que sempre dizemos nas nossas pregações: Aquilo que podemos fazer, Deus deixa para nós realizar, agora o impossível Ele faz. Nos exemplos abaixo vamos ver que, quando tudo parecia perdido os judeus clamavam ao Senhor e a resposta era certa. Não era preciso multidões, ou um grande exército, mas simplesmente confiar no Senhor!

Vejamos alguns exemplos da história dos judeus, quando foram ajudados pelo Senhor:

a. Nos dias do rei Ezequias, Judá foi cercado pelo exército do rei da Assíria que ameaçava fazer com Judá o que já havia feito com o reino de Israel: levá-los em cativeiro. Nesta hora de perigo, o rei Ezequias buscou o Senhor e foi ouvido, pois um anjo feriu o arraial dos assírios, destruindo cento e oitenta e cinco mil soldados (2 Rs 19.30; 2 Cr 32.21 22). [Lições Bíblicas, 26 Julho, 2020]

b. Nos dias do rei Jeosafá, ameaçados pelos amonitas e pelos moabitas, os habitantes de Judá foram convocados pelo rei para pedirem socorro ao Senhor. Ver o texto em 2 Crônicas 20.1-24. Deus guerreou por eles, e sem terem que lutar, os inimigos foram desbaratados.

Os muitos exemplos da ajuda de Deus no passado deveriam ter inspirado os líderes do povo à resistência a esta maldade dos inimigos dos judeus. [Lições Bíblicas, 26 Julho, 2020] – As histórias acima são muito conhecidas desses episódios quando houve a intervenção do Senhor a favor do seu povo. No 1º episódio [de EZEQUIAS] o rei assírio se gloriava por já ter levado cativo o reino do sul (Israel) mostrando em suas palavras que assim como Deus abandonou a Israel, assim também abandonaria a Judá, mas isso dizia ele desfazendo do poder do Senhor, esquecendo que Deus permitiu esse episódio por Israel não cumprir com a aliança feita anteriormente e desta forma exaltava os seus deuses! Ezequias, assim como muitos crentes às vezes enfrenta aflições e provações, mas sendo temente e fiel a Deus, diante das ameaças de Senaqueribe recebeu a palavra de garantia da fé: Não temais. Aquele que está conosco é tão grandioso que pode aniquilar tudo que o inimigo venha lançar contra nós (2 Cr 32.7; 1 Jo 4.4). O desfecho desta história de confiança em meio a esta terrível crise foi a vitória do povo de Deus, pois depositou nele a sua confiança. No 2º episódio [de Josafá] Diante da maior crise da sua vida, Josafá enfrentou de modo exemplar uma circunstância que parecia insuportável. Começou a buscar ao Senhor em jejum, reuniu outras pessoas para orar, confessou sua própria incapacidade, obedeceu ao Espírito Santo, confiou totalmente no Senhor e na sua palavra e rendeu graças ao Senhor. A palavra que foi enviada da parte do Senhor foi: Não temais, nem vos assusteis [...]. Nesta peleja não tereis que pelejar, parai, estai em pé e vede a salvação do Senhor para convosco [...]. Observem que nos dois episódios não foi preciso puxar a espada, nem usar lança ou se proteger com escudos, simplesmente obedeceram a Deus e os seus inimigos foram desbaratados. Assim também aconteceria se os judeus tivessem feito, a obra não teria parado e nem os inimigos teriam triunfado sobre eles.    

3. O motivo da falta de resistência dos judeus era de ordem espiritual:

a. ZOROBABEL, o chefe político do povo judeu, até então, tinha confiado em sua própria força (Zc 4. 6). Quando as suas próprias forças se esgotaram, não teve mais condições de resistir, sentindo-se inteiramente desarmado diante do inimigo. [Lições Bíblicas, 26 Julho, 2020] – O desejo de Deus sempre foi que depositemos nele toda a nossa confiança. Parece que Zorobabel estava confiando em sua força ou no poder que recebera do rei para fazer a obra. A mensagem vem direta para ele lhe exortando a confiar inteiramente em Deus: “Não por força, nem por violência, mas pelo meu Espírito”. Essa mensagem entregue a Zorobabel é também aplicável a todos os crentes. Nem o poderio militar, nem o político, nem as forças humanas poderão efetivar a obra de Deus. Só conseguiremos fazer a sua obra se formos capacitados pelo Espírito Santo. Jesus iniciou o seu ministério no poder do Espírito (Lc 4.1,18). E a igreja foi revestida pelo poder do Espírito Santo no dia de Pentecoste para cumprir a grande comissão (At 1. 8; 2. 4). Somente se o Espírito governar e capacitar a nossa vida, é que poderemos cumprir a vontade de Deus. É por isso que Jesus batiza seus seguidores no Espírito Santo (Lc 3.16). As dificuldades, que parecem tão grandes como montanha, serão vencidas pelo poder do Espírito que opera através de nós. Mas se as manifestações do Espírito não se fizerem presentes, o povo de Deus será esmagado pela oposição e pelos problemas espirituais. A máxima continua para a igreja nos dias atuais: “Não por força, nem por violência, mas pelo meu Espírito, diz o Senhor dos Exércitos”.

b. JOSUÉ, o sumo sacerdote e líder religioso do povo, estava com suas vestes manchadas (Zc 3.3). Este fato tirou dele toda a autoridade espiritual. Diante do problema causado pelos inimigos, ele não tinha fé para buscar da ajuda de Deus, do Todo-poderoso, uma vez que o mistério da fé é guardado em uma pura consciência (1 Tm 3.9) [Lições Bíblicas, 26 Julho, 2020] – Satanás sempre se aproveita da situação para acusar o servo de Deus e lhe deixar fraco e desanimado. Josué representava a nação de Israel diante de Deus, entretanto Satanás estava sempre pronto para lhe por em rosto que ele tinha suas vestes manchadas. Com as vestes sujas é impossível interceder espiritualmente por alguém, pois a oposição sempre será grande. Diz o versículo 1 de Zacarias 3 que o Satanás estava à sua mão direita para lhe opor. Isto significa que os impedimentos e as oposições contra a reconstrução do templo realmente provinham do Diabo. Ele continua como nosso adversário; é “o acusador de nossos irmãos” (Ap 12.10); o que procura tirar proveito de nós contra a obra de Deus.

SUBSÍDIO BÍBLICO-TEOLÓGICO

“Não por força, nem por violência, mas pelo meu Espírito” (Zc 4.6).

Embora esta mensagem tenha sido entregue a Zorobabel, é aplicável a todos os crentes (cf. 2 Tm 3.16). Nem o poderio militar, nem o político, nem as forças humanas poderão efetivar a obra de Deus. Só conseguiremos fazer a sua obra se formos capacitados pelo Espírito Santo. Jesus iniciou o seu ministério no poder do Espírito (Lc 4.1,18). E a igreja foi revestida pelo poder do Espírito Santo no dia de Pentecoste para cumprir a grande comissão (At 1.18). Somente se o Espírito governar e capacitar a nossa vida, é que poderemos cumprir a vontade de Deus. É por isso que Jesus batiza seus seguidores no Espírito Santo” (Bíblia de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, p. 717).

  IV. A REAÇÃO DOS SAMARITANOS, QUANDO OS JUDEUS CESSARAM A OBRA

1. A tristeza dos judeus. O povo em geral tinha, desde o início da construção, acompanhado o trabalho com simpatia. Os judeus trabalhavam com muito entusiasmo e com muita união. O povo tinha ouvido falar de que o Deus do céu estava do lado dos judeus, ajudando-os. E agora? Onde estava seu Deus? [Lições Bíblicas, 26 Julho, 2020] – Como já afirmamos acima, faltou simplesmente boa vontade e confiança do povo em fazer aquela obra prosseguir, pois o Senhor já havia decretado através de Ciro. Fazer a vontade de Deus não implica que não haverá adversários; a dedicação, às vezes, provoca o ódio do mundo. A oposição de vizinhos hostis fez com que se sentissem desencorajados e negligenciassem o templo; deste modo desprezaram a Deus. Foi necessário o profeta Ageu os encorajar; a sua mensagem os motivou a apanharem suas ferramentas e continuarem a obra que haviam começado.  

2. A alegria dos samaritanos. Os inimigos dos judeus regozijavam-se grandemente. Certamente os conselheiros foram parabenizados pela “sábia e competente ação”. Porém o gozo de ímpios é de pouca duração!

a. O gozo dos filisteus, que haviam prendido Sansão, terminou em tragédia (Jz 16.25-31).

b. A alegria dos sacerdotes, que alugaram Judas para trair Jesus, foi de curta duração. Com a ressurreição de Jesus, seus problemas se agravaram (Mt 28.11-15). [Lições Bíblicas, 26 Julho, 2020]

O nosso inimigo sempre se regozija quando ficamos amedrontados, enclausurados com medo de ameaças, ele sempre fará de tudo para que isso aconteça. Porém quando nós levantamos e entregamos ao Senhor todo o nosso cuidado, venceremos todas as investidas do maligno e seremos mais que vencedores. Os samaritanos regozijaram com as suas astúcias malignas, porém a palavra do nosso Deus tem o seu fiel cumprimento. Como vimos acima que o gozo dos ímpios é de curta duração, logo eles verão que aquele que está com o seu povo é maior e que todos os seus projetos não serão frustrados. Podem se levantar, e pensam em triunfar, mas na hora propícia, vem lá do alto a vitória para os que esperam no Senhor! Entretanto devemos ter o máximo cuidado e estarmos sempre em vigilância para que o episódio de Sansão não se repita nos nossos dias, pois nesse caso brincar como pecado trás sérias consequências, além de causar blasfêmia ao nome do Senhor. A tragédia não foi somente para os inimigos de Sansão, foi também para ele próprio, pois nunca devemos brincar com o pecado.  

3. O desânimo dos judeus. Os judeus, que tinham voltado do cativeiro para construir o Templo, sentiram-se humilhados e tristes. Mas, passado algum tempo, acomodaram-se com a situação e não lutaram pela continuação da construção do Templo. Deixaram-se dominar peto desânimo. O desânimo é uma das mais eficazes armas usadas por Satanás, contra os crentes. Lutemos contra o desânimo, em nome de Jesus!

a. Alguns conformaram-se, pensando que talvez ainda não era a vontade de Deus construir o Templo (Ag 1.2).

b. Outros aproveitaram a interrupção da obra para dedicar-se as suas próprias casas (Ag 1.9). Outros chegaram a faltar com as suas obrigações espirituais, deixando de contribuir para a casa de Deus (Ag 1.6).

c. Talvez alguns judeus sinceros estivessem tristes, e buscassem a Deus em oração, pedindo solução para a dificuldade, de modo que o Templo pudesse continuar a ser construído. [Lições Bíblicas, 26 Julho, 2020]

A missão desses judeus que voltaram do cativeiro em 538 a.C., era de reconstruírem o Templo com as investidas dos seus inimigos não conseguiram concluir a obra. Depois que os opositores conseguiram prejudicar o progresso da obra, nenhum trabalho adicional foi feito no santuário por mais de 15 anos. Ageu e Zacarias que são citados no livro de Esdras, entregaram a mensagem que tinha a finalidade de encorajar o povo a reconstruir o Templo. Ageu sabia o que era importante e o que deveria ser feito, e desafiou o povo de Deus a reagir. O povo em seu desânimo para com a obra do Senhor estava agora preocupado simplesmente com suas próprias necessidades do que fazer a vontade de Deus e, como resultado, sofreram. A mensagem de Deus através do seu profeta tornou-se o catalisador para o término da obra.

SUBSÍDIO BÍBLICO-TEOLÓGICO

“Os samaritanos

No período do Antigo Testamento, este era um termo que se referia aos residentes da cidade ou da província de Samaria (2 Rs 17.29). Algumas desavenças entre os residentes da Palestina média e do Sul eram evidentes no período dos juízes, mas os sentimentos foram intensificados com a formação do reino do norte de Israel sob Jeroboão I.

De uma forma geral, os residentes de Israel e os cananeus praticavam uma mistura racial, social e religiosa.

Os descendentes dessa população mista desejaram ajudar Zorobabel na construção do Templo, afirmando que adoravam ao mesmo Deus. Mas, quando tiveram seu pedido negado, eles se opuseram a construção. Depois que Neemias começou a reconstruir os muros de Jerusalém, este servo do Senhor sofreu forte oposição por Sambalate, Gesém e Tobias. Sambalate era governador de Samaria” (Dicionário Bíblico Wycliffe. 7. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2010, p. 1748).

REFERÊNCIAS

BÍBLIA, Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Rio de Janeiro: CPAD, 1995.

BÍBLIA, Bíblia Shedd. São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil, 1995.

BRUCE, F. F. Comentário Bíblico NVI: Antigo e Novo Testamento - Esdras. p. 672, São Paulo: Vida, 2009.

LIÇÕES BÍBLICAS. Edição Especial Jovens e Adultos, 3º Trimestre 2020 - Lição 4. Rio de Janeiro: CPAD, 26 Julho, 2020.

STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. p. 1357. Rio de Janeiro: CPAD, 1997.


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