sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

LIÇÃO 14: VIVENDO COM A MENTE DE CRISTO



SUBSÍDIO I

SERVIÇOS E CUIDADOS: a mente de Cristo

As atitudes de qualquer pessoa revelam seu estado mental; por mais que alguém tente disfarçar o mal, em algum momento ele aparecerá. Ter a mente de Cristo é desenvolver os mesmos pensamentos e atitudes que Ele teve. Não se trata apenas de uma aquiescência mental ou desejo esporádico, mas de um estilo de vida, de uma reordenação dos pensamentos, das vontades, dos desejos e das atitudes, no sentido de refletirem a pessoa de Cristo: “Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também” (Jo 13.15).Organizar a vida em torno desse modelo de Cristo é desenvolver empatia e compaixão para com todos os que sofrem e necessitam da misericórdia divina, mesmo para com os inimigos e opositores. Essa atitude não é fácil, mas Jesus agiu assim com aqueles que se levantaram contra Ele quando bradou na cruz: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem” (Lc 23.34).
Jesus usou sua autoridade para abençoar as pessoas, não para ser servido (Mt 20.28). Sua autoridade era a exsousia, no sentido de alargar e ampliar as possibilidades humanas, e era exercida para beneficiar as pessoas, e não para prevalecer, disputar ou subjugá-las. Seu poder era exercido a favor das pessoas, alargando suas possibilidades de ser e de atuar. Essa forma de poder e autoridade é uma das mais usadas no Novo Testamento e aparece 108 vezes. Já o sentido do verbo kratós, como poder e dominação exercidos pela força, no sentido físico ou por imposição moral, nunca é atribuído a Jesus, e Ele argumenta contra o seu uso (Mc 10.41-43).
A chave hermenêutica para compreender a mente de Cristo nos evangelhos é aprender a observar delicadamente as atitudes, palavras e milagres de Jesus como gestos de cura, perdão e acolhimento, e não somente sob a ótica de moralismos ou religiosidades; não que isso não esteja presente porque também são necessárias. No contexto em que Paulo define que devemos ter a mente de Cristo, ele afirma que “o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente. Mas o que é espiritual discerne bem tudo, e ele de ninguém é discernido” (1 Co 2.14-15). Significa que, para ter a mente de Cristo, é necessária essa hermenêutica do Espírito Santo, que abre os olhos às realidades antes não percebidas.
Assim, Ele deseja ver as pessoas livres de regras religiosas que tiram a vida (Mc 2.27); o coração deve estar livre de ídolos, pois acabamos nos tornando exatamente como os ídolos que veneramos (Lc 12.34). Jesus é capaz de gestos carinhosos para curar (Lc 4.39). Ele chamou o homem da mão mirrada para o meio, ensinando que quem quer fugir de seus problemas precisa aprender a encará-los (Mc 3.4-5). Os sobrecarregados pelos fardos da vida são chamados a olharem (prosphonein – falar olho no olho) para Jesus e andarem eretos (Lc 13.10-13). Prova disso foi quando Ele defrontou-se com o paralítico no tanque de Betesda e perguntou-lhe: “queres ficar são?”. Cristo quer libertar-nos de comodismos, medos e do aparente benefício que o sofrimento pode trazer (Jo 5.5-9); o contato com Deus isenta-nos da contaminação, mesmo quando precisamos tocar nas enfermidades das pessoas (Mc 1.40-42). Na cura dos dez leprosos, Jesus quer que percebamos o extraordinário da transformação cotidiana mesmo fazendo o que é ordinário, além de ensinar-nos a sermos gratos pelo ordinário, ainda que seja difícil cumprir certas liturgias engessadas e costumes ultrapassados (Lc 17.11-16); descobrir quem de fato ocupa o coração humano, porque quem não sabe quem é perdeu a sua identidade, e esta precisa ser restaurada (Mc 5.68). A pergunta de Jesus ao cego Bartimeu (“que queres que te faça?”) instiga-o a largar o manto, que servia de máscara na qual se escondia. A pergunta de Jesus fez com que o cego entrasse em contato consigo mesmo e com o anseio mais profundo da sua alma (Mc 10.49-51). Jesus, em outro momento, separa o surdo-mudo da multidão, num gesto de respeito à individualidade e intimidade, e dá atenção especial num espaço protegido dos críticos e censuradores. Jesus, então, cospe e coloca um pouco de saliva na língua do homem, mas Ele percebe a impossibilidade de aquele surdo-mudo expressar-se. Jesus dá um suspiro abrindo o seu coração em luta por ele (Mc 7.32.35). Em outra ocasião, Ele toma outro cego pela mão e leva-o para longe do povo. Num espaço de confiança e individualidade, toca nos olhos de forma espantosa (saliva), porém carinhosa; depois lhe impõe as mãos e envia-o para sua casa — a casa do pai, onde é o nosso lugar, pois a cegueira pode impedir-nos de ir para casa (Mc 8.23-26). Enfim, nas inúmeras atitudes de Jesus, vimos seu desejo de servir e cuidar.
Não é um método específico que traz a solução, mas o encontro, o relacionamento, a sensibilidade para com cada um. Além dos gestos vistos anteriormente, Jesus utilizou-se do poder das palavras que curam e trazem vida. Através delas, Ele perdoou pecados, trouxe novas possibilidades de vida, apontou novos rumos e caminhos antes desconhecidos, consolou os que sofriam as mais terríveis dores da vida, trouxe esperança aos desalentados e espalhou uma cultura de amor.
Essas atitudes e palavras de Jesus, que também devem estar presentes na vida do cristão, é o que Paulo chama de homem espiritual em seu texto, aquele que entende as coisas do Espírito e sabe discerni-las bem, que não mede a si nem aos outros com as medidas do mundo, nem cogita das coisas do mundo, porque elas invertem a lógica do Reino de Deus, “porque o Reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo” (Rm 14.17).
“Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente” (1 Co 2.14).

Texto extraído do livro “A Obra de Salvação”, Editora CPAD, 2017.

COMENTÁRIO E SUBSÍDIO II

INTRODUÇÃO

A doutrina da glorificação dos salvos, estudada na lição anterior, traz esperança à nossa vida. Ela nos lembra que somos peregrinos e forasteiros neste mundo e, por isso, devemos sempre ter a consciência da fugacidade da vida. A melhor maneira de viver com essa consciência é ter a mente de Cristo. [Comentário. Filipos era uma colônia do Império romano. Os cidadãos viviam como romanos, respeitando as leis de Roma e pagando impostos a César. Eles gozavam da segurança e dos benefícios de serem cidadãos romanos, ainda que vivessem a uma grande distância de Roma. Parte da força de Roma era a união de suas colônias através do mundo antigo: todas elas estavam se esforçando juntas pelo bem comum. Semelhantemente, os cristãos filipenses eram uma "colônia" do céu. Quando Paulo escreveu "vivei de um modo digno" (v. 27), ele estava lhes dizendo para "viverem como cidadãos" de sua cidade capital: o céu (Fp 3.20). Um cidadão tem que manter um certo perfil. Como o resto do mundo saberia que os filipenses eram romanos? Eles viviam como romanos. Como o mundo saberia que eles eram cidadãos do céu? Eles teriam que viver como santos: em união, amor e serviço. O Império Romano era forte, mas no fim caiu. A unidade da cidadania cristã é parte de "um reino inabalável" (Hb 12.28). Para os santos filipenses servirem bem uns aos outros, deixando seus próprios desejos pelo bem comum de todos os santos, eles teriam que aprender a ser desprendidos. Muitos reinos tinham caído por causa do egoísmo e da ganância. Mas o reino do céu estava estabelecido no serviço desinteressado aos outros. Jesus Cristo -- o próprio Rei -- veio como um servo (vs. 6-7), e serviu a toda a humanidade vivendo sem pecado e morrendo numa cruz. Se Jesus pode humilhar-se para descer do céu e servir os homens, estes podem humilhar-se para descer de seu orgulho e servir os outros. A salvação é uma dádiva de Deus (Rm 6.23), mas exige uma resposta por parte dos homens para a receberem. Essa resposta é obediência. Paulo encoraja-os a continuarem obedecendo, justo como tinham feito quando ele estava com eles (v. 12). Ele incita-os a obedecer "porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade" (v. 13). Quando obedecemos a Deus fielmente, ele trabalha em nós para a salvação. A obediência jubilosa e unida dos servos de Deus é "luz" num mundo escuro onde as pessoas vivem com ira e disputa, servindo só a si mesmas. Paulo conclui com três exemplos de serviço desinteressado. Paulo estava feliz (vs. 17-18) por ser "oferecido por libação sobre o sacrifício e serviço da vossa fé". Timóteo (vs. 19-24) não era como os outros, que "buscam o que é seu próprio" (v. 21), mas queria fazer as jornadas perigosas de ida e volta a Filipos para servir a Paulo e seus irmãos. E Epafrodito (vs. 25-30), "por causa da obra de Cristo chegou às portas da morte e se dispôs a dar a própria vida". Que Deus ajude todos nós a sermos um exemplo de serviço desinteressado(1). Vamos pensar maduramente a fé cristã?] 1. Carl Ballard. Estudo Textual: Filipenses 1:27-2:30 A Mente de Cristo. Disponível em: https://www.estudosdabiblia.net/fil2.htm. Acesso em 20 dez, 2017

I. PEREGRINOS NESTA TERRA
                                
1. Peregrinos na terra. O peregrino está de passagem por uma terra que não lhe pertence, ele caminha em direção a um país cujo coração almeja. Para isso, o peregrino se torna nômade, não se apega ao local de estadia porque sabe que ele é provisório. Por onde caminha não experimenta conforto, pois carrega o mínimo de bagagem possível a fim de tornar o trajeto mais leve. O patriarca Abraão é o modelo bíblico dessa imagem peregrina. O nosso pai da fé saiu da sua terra, deixou sua parentela, foi ao encontro da Terra Prometida e fez da peregrinação um estilo de vida (Hb 11.9). Da mesma forma, nós os cristãos somos peregrinos neste mundo. Por isso, não podemos nos embaraçar com as coisas desta vida nem permitir que ocupem o lugar que pertence ao Senhor em nosso coração (1Tm 2.4). Isso não significa irresponsabilidades com o trabalho, os estudos e a família, mas uma motivação correta do coração para priorizar “as coisas que são de cima” (Cl 3.1). [Comentário:Nas meditações de Lutero, ele escreve: “... confessando que eram estrangeiros e peregrinos sobre a terra”. (v. 13) - Assim sendo, o apóstolo Pedro quer mostrar que devemos encarar esta vida como um estrangeiro e um peregrino encaram a terra na qual são forasteiros e visitantes. Um estrangeiro não pode dizer: esta é a minha terra natal, pois não nasceu naquele país. Um peregrino não pensa em ficar na terra por onde peregrina, tampouco, na hospedaria onde está pernoitando, mas, seu coração e pensamentos estão voltados para outra direção. Na hospedaria, ele apenas descansa e faz as refeições e, então, prossegue viagem a seu lar. Por isso, também vocês devem considerar-se visitantes e estrangeiros nesta terra ou hospedaria estranha, da qual vocês não tomam outra coisa senão comida, bebida, roupa, calçado e o que precisam para passar a noite. Mas o pensamento estará voltado exclusivamente para a terra natal, onde está a cidade de vocês. Convém ter isso sempre em mente. Devemos deixar de lado essa ideia de edificar para nós mesmos uma vida eterna neste mundo; lutando e apegando-nos a isso como se fosse o nosso maior tesouro e reino dos céus, como se quiséssemos aproveitar-nos de Cristo, o Senhor, e do evangelho para esta vida, adquirindo riquezas ou poder por meio dele. Ao contrário, já que temos de viver neste mundo tanto tempo quanto Deus quiser, devemos, também, comer, beber, namorar, plantar, construir, ter casa e lar e tudo o mais que Deus dá, ter e usar tudo isso como estrangeiros e peregrinos numa terra estranha, como pessoas que estão conscientes de que têm de deixar tudo isso para trás e seguir viagem, deixando a terra estranha e a hospedaria ruim e insegura, e rumando para a pátria verdadeira, onde tudo é certeza, paz, descanso e alegria eterna(2). Dessa forma, não podemos estar presos às coisas deste mundo. Na luta contra o pecado a perfeição vem somente por Cristo (Cl 2.1-19). Muitos, porém, insatisfeitos com a simplicidade disso, criam rígidos regulamentos físicos para "governar os fiéis" e os mantém "longe do pecado". Os fariseus fizeram isto e Jesus os reprovou (Mt 15.1-9). Hoje alguns continuam seguindo suas próprias regras físicas como se fossem um meio de purificar a alma. Mas Paulo mostra aos Colossenses que a purificação só vem quando morremos com Cristo para uma nova vida espiritual. Morremos com Cristo (Cl 2.20-23). No batismo somos "sepultados" com Cristo (Cl 2.12; Rm 6.1-4), morrendo para o pecado e "para os rudimentos do mundo" (Cl 2.20). Estes "rudimentos do mundo" incluem:
1. a lei de Moisés, com todas as suas sombras "das coisas que haviam de vir" (Cl 2.13-17);
2. as coisas baseadas na "mente carnal", como "culto dos anjos" e "visões", as quais não retêm a autoridade de Cristo (Cl 2.18-19); e
3. ordenanças "segundo os preceitos e doutrinas dos homens" (Cl 2.20-22).
Deus nos revelou "todas as coisas que conduzem à vida e à piedade" para nos livrar "da corrupção das paixões que há no mundo" (2Pd 1.3-4). Qualquer outra coisa – regras humanas sobre alimentos, cortes de cabelo, proibições contra TV, etc. – podem ter "aparência de sabedoria", mas "não têm valor algum contra a sensualidade" (Cl 2.23). Afinal, se um homem não morre com Cristo, ele não vai deixar de pecar nas coisas sensuais só porque não assiste a televisão. Ressuscitamos com Cristo (Cl 3.1-4). No batismo, somos "ressuscitados" com Cristo "mediante a fé no poder de Deus" e recebemos "novidade de vida" (Cl 2.12; Rm 6.1-5). Sendo que Cristo vive "assentado à direita de Deus", nós devemos buscar "as coisas lá do alto" e pensar "nas coisas lá do alto" (Cl 3.1-2). Devemos fazer nossas vidas em Cristo, não em ordenanças (Cl 3.3-4). Quando aprendemos a amar Cristo e viver para ele, então guardaremos os mandamentos dele sem regras de homens para nos "manter fiel" (Jo 14.15,21). Quando somos fiéis a Cristo e não a regras, seremos "manifestados com ele, em glória" (Cl 3.4). A nova vida (Cl 3.5-11). A nova vida vem pela mudança de natureza e não pela mudança de algumas regras externas. "A natureza terrena" com todas as coisas pertencentes a ela tem que morrer (Cl 3.5). Isto acontece quando obedecemos a Cristo em amor, sabendo que "a ira de Deus [vem] sobre os filhos da desobediência" (Cl 3.6). Quando amamos a Deus, não queremos decepcioná-lo. Assim, deixamos de fazer as coisas erradas que fazíamos antes na velha vida de pecado (Cl 3.5-9), e aprendemos a nos revestir "do novo homem" (Cl 3.9-10). A vida deste novo homem é uma vida espiritual, refletindo o amor e a santidade do seu Criador (Cl 1.16, 3.10)(3).
2. Meditações de Lutero. Disponível em: http://www.lutero.com.br/novo/vida_de_lutero_como_pregou2.php?id=337. Acesso em 20 dez, 2017.
3. Buscai as Coisas Lá do Alto. Disponível em: https://www.estudosdabiblia.net/col4.htm. Acesso em 20 dez, 2017.

2. Cidadãos celestiais. A Bíblia se refere ao fato de que os crentes não são deste mundo (Jo 17.16) e anseiam por sua pátria celestial (Fp 3.20). Dessa forma, não podemos nos conformar com este mundo, pois o nosso estilo de vida deve refletir o exemplo de Jesus revelado nos Evangelhos: uma vida marcada pela prática da justiça, do acolhimento aos sofredores, da libertação dos oprimidos pelo Diabo e, especialmente, da prática de amar o próximo, uma virtude eterna (1Co 13.13). Nesse sentido, podemos viver um pouco do Reino de Deus nesta Terra (Mt 6.33), embora haja uma tensão entre o tempo presente e a esperança da glória futura a ser manifestada brevemente (Rm 8.18,19,25). [Comentário: O ver Hernandes Dias Lopes escreve: “O apóstolo Paulo diz: “E não vos conformeis com o presente século…” (Rm 12.2). O crente não vive numa bolha espiritual, mas no mundo. Ele foi salvo do mundo, está no mundo, mas não pertence ao mundo. Os valores do mundo não são mais os seus valores. A ética do mundo não é mais a sua ética. O crente tem, agora, a mente de Cristo. Conformar-se com o mundo é adaptar-se ao seu sistema. É se com o mundo é adaptar-se ao seu sistema. É abraçar seu relativismo. É entrar no seu esquema. O mundo tem uma fôrma que está sempre mudando de acordo com suas conveniências. O mundo não tem um padrão absoluto de conduta. Ele está entregue ao relativismo moral e à decadência dos costumes. A lei da vantagem prevalece nos acordos comerciais e nos relacionamentos. As pessoas existem para serem exploradas e não para serem servidas. Os desejos da carne existem para serem atendidos e não controlados. O prazer carnal deve ser consumado sem levar em conta a verdade de Deus ou o amor ao próximo. A ética do mundo é egoísta, é imoral, é atentatória contra Deus e contra o homem. Se quisermos, portanto, experimentar em nossa vida a vontade de Deus não podemos nos conformar com esse sistema corrompido de valores. O crente é uma pessoa inconformada com a filosofia prevalecente no mundo. Ele não ama o mundo nem é amigo do mundo. Ao contrário, ele é luz do mundo; tão oposto a ele como a luz é das trevas; tão necessário a ele, como a luz é para trazer claridade na escuridão. Agora, o apóstolo complementa: “… mas, transformai-vos pela renovação da vossa mente…” (Rm 12.2). A ética do mundo está em constante mudança. Aquilo que era vergonhoso ontem é aplaudido hoje. Os princípios de Deus, porém, são imutáveis. Temos um padrão absoluto. Não precisamos ficar confusos e perdidos nos labirintos da dúvida. Jesus Cristo é o nosso modelo. Quando olhamos para ele e estudamos sua Palavra, somos transformados progressivamente em sua própria imagem. Avançamos para o alvo rumo à estatura do varão perfeito. Somos, então, transformados de glória em glória, avançamos de fé em fé e caminhamos de força em força até entrarmos na glória, onde teremos um corpo semelhante ao corpo da glória de Cristo. A vontade de Deus não é conhecida por meios místicos, mas através de uma vida de consagração, onde nos apresentamos a Deus, nos inconformamos com o mundo e somos transformados pela renovação da nossa mente.(4). Como cidadãos dos Céus, devemos representar nossa pátria, o Reino de Deus. O domínio do Rei Jesus Cristo chegou às mentes e corações do povo de Deus durante o primeiro século. E lhes disse: “Em verdade vos afirmo que, dos que aqui se encontram, alguns há que, de maneira nenhuma, passarão pela morte até que vejam ter chegado com poder o reino de Deus” (Mc 9.1). Homens e mulheres ouviram a mensagem do reino e se tornaram cidadãos do reino do Senhor. “Ele nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor” (Cl 1.13). O reino dos céus na terra não é um reino terrestre. Jesus disse: “O meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus ministros se empenhariam por mim, para que não fosse eu entregue aos judeus; mas agora o meu reino não é daqui” (Jo 18.36). O que significa “não é deste mundo”? “Interrogado pelos fariseus sobre quando viria o reino de Deus, Jesus lhes respondeu: Não vem o reino de Deus com visível aparência. Nem dirão: Ei-lo aqui! Ou: Lá está! Porque o reino de Deus está dentro de vós” (Lc 17.20-21). “Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo” (Rm 14.17). O que é o reino? Reino, basileia, significa monarquia, império, poder real, domínio. Portanto, o governo do céu chegou à terra. Mas o reino celestial não é como os reinos mundanos. O governo de Deus se dirige ao coração (espírito) do homem. Deus governa seu povo em seu Filho pela persuasão moral que é dada através de escritos sagrados, a Bíblia. Os cidadãos do reino são aqueles que renasceram. “A isto, respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus...Em verdade, em verdade te digo: Quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus” (Jo 3.3,5). “Tendo purificado a vossa alma pela vossa obediência à verdade, tendo em vista o amor fraternal não fingido, amai-vos, de coração uns aos outros ardentemente, pois fostes regenerados não de semente corruptível, mas de incorruptível, mediante a palavra de Deus, a qual vive e é permanente” (1Pd 1.22-23). Os cidadãos do reino de Deus deixam que a palavra dele tenha domínio sobre suas vidas. Eles seguem a Bíblia e formam hoje, coletivamente, o território da nação de Deus. Assim, nesse sentido, eles são o território que Deus governa. Eles não têm autoridade, pois todo o governo e domínio pertencem a Cristo. “Jesus, aproximando-se, falou-lhes, dizendo: Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra” (Mt 28.18). Assim, quando se olha para a palavra reino, deve-se primeiro estar se lembrando do rei que governa. A igreja forma o território do governo espiritual de Cristo. O que significa igreja? A assembleia de cristãos que foram libertados das trevas do pecado pelo sangue de Cristo. A igreja e o reino são intimamente ligados, mas não são palavras sinônimas. Reino destaca o governo do Rei. Igreja salienta o povo de Deus que está sob o governo de seu Senhor e Rei, Jesus Cristo.(5)
4. LOPES. Hernandes Dias. Como experimentar a vontade de Deus. Disponível em: http://hernandesdiaslopes.com.br/portal/como-experimentar-a-vontade-de-deus/. Acesso em 20 dez, 2017.
5. POARCH Tommy. ‘O Reino dos Céus na Terra’. Disponível em: https://www.estudosdabiblia.net/a15_23.htm. Acesso em 20 dez, 2017..

SUBSÍDIO LEXICOGRÁFICO

“Parepidemos, adjetivo que significa ‘peregrinar num lugar estranho, longe do próprio povo’ (formado de para, ‘de’, expressando uma condição contrária, e epidemeõ, ‘peregrinar’; cognato de demos, ‘povo’), é usado acerca dos santos do Antigo Testamento (Hb 11.13, ‘peregrinos’, tanto com o termo xenos, ‘estrangeiro’); dos cristãos (1 Pe 1.1, ‘estrangeiros [dispersos]’; 1 Pe 2.11, ‘peregrinos’, junto com o termo paroikos, ‘estrangeiro, forasteiro, hóspede’); a palavra é usada metaforicamente acerca daqueles a quem o céu é a sua pátria, e que são peregrinos na terra’” (Dicionário Vine. 14.ed.Rio de Janeiro: CPAD, 2011, p. 869).   

II. VIVENDO EM ESPERANÇA COM A MENTE DE CRISTO

1. Passando pelas provações com a mente de Cristo. Enquanto vivermos neste mundo, seremos afetados pelas fraquezas e circunstâncias difíceis. Por isso devemos aprender a viver com a sabedoria do alto (Tg 3.17; Fp 4.8). Nesse aspecto, o apóstolo Paulo exorta a igreja de Filipos a ter o mesmo sentimento de humildade de Cristo, esvaziando-se da prepotência, do orgulho, do apego aos títulos e posições, para cumprir o celestial propósito de servir (Fp 2.5-8). Ora, se temos a mente de Cristo, como ensina o apóstolo dos gentios, logo, sabemos discernir bem as coisas espirituais das materiais; por isso, escolhemos priorizar o Reino de Deus e a sua justiça na esperança de que Deus cuidará de nossas vidas (Mt 6.33). [Comentário: Em tempos que o orgulho deixou de ser um vício para se tornar uma “virtude”. Na cultura dos winners (vencedores) versus loosers (derrotados), a lição da vida de Jesus compreendida pelo apóstolo Paulo soa como uma ofensa aos valores Pós-Modernos. O texto de Filipenses 2.3-5 nos leva a refletir o tipo de cristianismo que estamos vivendo cuja mensagem central abandonou o evangelho da graça para uma busca por realização pessoal. Como uma fórmula mágica, as pessoas têm procurado o segredo do sucesso, ou seja, como ter prosperidade, como ser uma pessoa que vive seu potencial no máximo, etc. Na contramão dessa corrente, ter o sentimento de Jesus implica em não apegar-se na sua condição, não se fiar no seu ego, na sua autoimagem, mas é se despir de seu status e viver para servir os outros. Sucesso na vida com Jesus não está relacionado na quantidade de seus bens ou no seu bem estar, mas no quanto você se entrega, em amor, pelos outros(6). O grande desafio nos nossos dias é REMIR O TEMPO, é nos conduzirmos com aproveitamento máximo, gerando atos que redundem em glória para Deus e satisfação diária para nossas almas. Paulo, em Efésios 5.15,16, recomendou: “Portanto,vede prudentemente como andais, não como néscios, mas como sábios, remindo o tempo, porquanto os dias são maus". Veja também em salmo 90.12: “Ensina-nos a contar os nossos dias, de tal maneira que alcancemos coração sábio”. Remir neste contexto significa aproveitar o tempo e todas as oportunidades com a qual deparamos. Temos que nos disciplinar para não esbanjarmos o tempo com conversas fúteis, leituras que não edificam, programas de TV inadequados (novelas, filmes...). Ao invés de gastar, devemos investir, com sabedoria, o tempo que Deus nos coloca ao dispor. Queridos, amem e priorizem a Deus, honrando-o com amor, com o modo de ser e agir, com a nossa oferta a Ele das primícias de nosso tempo, com nossos dons, talentos e nossos bens materiais, amem o seu próximo como a vocês mesmos, cooperando com o Senhor, a fim de que Seu plano de salvação seja conhecido por todos, e Seu reino seja estabelecido em cada coração. “não ter tempo para Deus é viver a vida perdendo tempo!”(7).
6. DELPHINO Juliano Henrique. ‘Humildade: o mesmo sentimento de Cristo Jesus!’. Disponível em: http://estudosbiblicos.blogspot.com.br/2015/11/humildade-o-mesmo-sentimento-de-cristo.html. Acesso em 20 dez, 2017.
7. Sem. Fábio e Suzana. ‘Tenham tempo para Deus. Priorizem o seu reino’. Disponível em: http://www.igrejabatistagenesis.com.br/mensagens/tenham-tempo-para-deus-priorizem-o-seu-reino-0. Acesso em 20 dez, 2017.

2. Um olhar para além das circunstâncias. Neste tempo presente, com os olhos focados em Cristo, podemos viver em esperança (Hb 11.1). Quando o nosso pensamento está de acordo com os ensinos do nosso mestre, podemos voltar os nossos olhos para além das circunstâncias difíceis. Isso não significa escapismo ou fantasia, mas uma alegre motivação e encorajamento para enfrentarmos as batalhas com a convicção de que Deus nos fortalecerá. Quando temos esperança em Cristo, e por intermédio dEle aprendemos a viver melhor, buscamos uma vida mais simples parecida com Jesus (Mt 6.19-21) e nos lançamos aos seus pés na certeza de que Ele tem cuidado de nós (1Pe 5.7). Assim, a vida fica mais leve (Mt 11.28-30). [Comentário: Jesus nos adverte solenemente contra a ansiedade que a vida cria no homem. Em sua interpretação da parábola do semeador (Lc 8.11-15), as preocupações foram comparadas aos abrolhos e espinhos que sufocam a vida nova em Cristo (v. 14). É somente como crianças que ingressamos no reino (Mc 10.15), e toda criança bem cuidada sabe que não tem motivo algum para se preocupar. Os bons pais inculcam confiança tal que o medo do futuro mantém-se desconhecido. Isso também ocorre com os filhos de Deus que confiam suas vidas aos cuidados do Pai. Mas Deus é invisível. O mundo está presente e é palpável a toda hora, trazendo-nos a tentação de abandonar a vida alicerçada na fé, para buscar a segurança no mundo. Deus acalma os corações daqueles que lhe pertencem, como Jesus, enquanto caminhava em cima das vagas do mar da Galiléia. Os discípulos imaginavam que o desastre brevemente os alcançaria. As palavras de Jesus: “Sou eu, não temais” (Jo 6.20), ainda valem para todos os discípulos do século XX, que veem no mundo uma incontável hoste de ameaças. Se pudermos crer na promessa de Jesus Cristo: “Eis que estou convosco até o fim do século” (Mt 28.20), experimentaremos a paz que ultrapassa todo entendimento: “E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus”. (Fp 4.7). Toda preocupação suscitada pelas condições do mundo é pecado. A ansiedade nos é proibida pelo mandamento inspirado: “Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graças” (Fp 4.6)(8). O imperador Nero incendiou Roma em 64 d.C. Para aplacar as massas enfurecidas, ele culpou um pequeno grupo religioso, os cristãos. Aos poucos, mas de forma constante, os não-cristãos começaram a perseguir os seguidores de Cristo por todo o império. O apóstolo Pedro viu a crescente angústia da igreja. Em 1 Pedro, ele instrui os fiéis a permanecerem alegres e satisfeitos, mesmo quando sofressem perseguições por um tempo. O poder supremo de Deus os sustentaria (1 Pe 1.3-6). Como escreveu o professor de Bíblia Warren Wiersbe: “Deus não prometeu proteger-nos dos problemas, mas proteger-nos nos problemas”. Pedro queria que seus irmãos percebessem que Deus era o único refúgio verdadeiro, como já testemunhou o salmista: “Deus é nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente nas tribulações” (Sl 46.1)(9). Leia mais aqui.
8. Daniel Dutra. ‘Deixe a ansiedade, ele tem cuidado de você’. Disponível em:http://www.ipirondonopolis.com.br/2014/12/mensagem-deixe-ansiedade-ele-tem.html. Acesso em 20 dez, 2017.
9. Peter Colón citando Warren W. Wiersbe, The Bumps Are What You Climb On (Grand Rapids: Baker Books, 2002), 57. Disponível em:http://www.chamada.com.br/mensagens/deus_tem_cuidado.html. Acesso em 20 dez, 2017.

SUBSÍDIO BIBLIOGRÁFICO

“Como ovelhas para o matadouro (Rm 8.36) As adversidades alistadas pelo apóstolo nos versículos 35,36 de Romanos 8, têm sido experimentadas pelo povo de Deus através dos tempos. Nenhum crente deve estranhar o fato de experimentar adversidades, perseguição, fome, pobreza ou perigo. Aflições e calamidades não significam, decerto, que Deus nos abandonou, nem que Ele deixou de nos amar. Pelo contrário, nosso sofrimento como crentes, abrir-nos-á o caminho pelo qual experimentaremos mais do amor e do consolo de Deus (2 Co 1.4,5). Paulo nos garante que venceremos em todas essas adversidades e que seremos mais que vencedores por meio de Cristo” (Bíblia de Estudo Pentecostal. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2009, p. 1714).

CONCLUSÃO

Somos peregrinos em terra estranha. Sentimos saudades de uma terra que ainda não conhecemos, como canta o poeta: “Oh! que saudosa lembrança / tenho de ti, ó Sião” (Harpa Cristã, nº 2). Portanto, vivamos sabiamente com a mente de Cristo até o nosso Salvador voltar para nos buscar. Maranata! [Comentário: Eclesiastes 3.11 diz: "Também pôs no coração do homem o anseio pela eternidade". Deus nos criou com este sentimento! E, por causa disso, nunca estaremos plenamente satisfeitos nesta vida. Nada chega à altura do céu. Aquele dito popular "vazio do tamanho de Deus" que o homem carrega dentro de si, nada mais é do que ‘Saudades da Pátria Eterna’, ‘Saudades do Céu’, ‘Saudades de Deus’. C. S. Lewis em seu livro Cristianismo Puro e Simples, escreve na página 179: “foi quando os cristãos deixaram de pensar no outro mundo que se tornaram tão incompetentes nesse aqui. Se você aspirar ao Céu, ganhará a terra “de lambuja”: se aspirar a Terra, perderá ambos”. Fomos criados para conhecer a Deus. Fomos criados para irmos ao céu. Deus pôs em cada homem esse instinto de voltar ao lar e somente estaremos completos quando O virmos face a face.] “... corramos, com perseverança, a carreira que nos está proposta, olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus ...” (Hebreus 12.1-2).

Francisco Barbosa

Disponível no blog: auxilioebd.blogspot.com.br

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

LIÇÃO 13: GLORIFICADOS EM CRISTO


 
SUBSÍDIO I

GLORIFICADOS EM CRISTO

Uma das características da soteriologia pentecostal é a devoção à espera do porvir. Por causa dessa devoção, os pentecostais são acusados injustamente de escapistas, pessoas despreocupadas com as grandes questões do nosso tempo e não engajadas em determinadas agendas políticas. É verdade que os pentecostais, somos “pessimistas” em relação à natureza humana e à sua capacidade de fazer o caminho ético necessário à vida. Esse pessimismo, em parte, reluz mediante a doutrina do pecado original, bem como a certeza escatológica de que só quando Cristo Jesus retornar gloriosamente é que o mundo experimentará uma paz perfeita — Apocalipse 21.4. Para nós, a salvação em Cristo será plenamente realizada quando estivermos para sempre com Cristo — Filipenses 3.20,21. Ora, como diz a Palavra 1 Coríntios 15.19. Para nós, os pentecostais, essa espera é inegociável; tal esperança move a nossa fé.

Ensinador Cristão, Ano 18, nº 72, out./dez. 2017.
SUBSÍDIO II

PEREGRINOS NA TERRA

O anseio verdadeiro de todo crente é poder chegar ao seu destino final, que é o céu. Esse anseio é totalmente possível através da plenitude da salvação que se dará nesse momento quando a essência do ser humano atingirá seu clímax de potencialidades positivas e santas e quando cessarão as coisas próprias da humanidade decaída. Todavia, enquanto espera esse dia glorioso, o crente é conduzido a peregrinar (Sl 119.19; Hb 11.13) na terra da mesma forma como tantos heróis da fé já o fizeram, como escreve o autor aos Hebreus: “Todos estes [Abraão, Sara, Isaque, Jacó, Moisés, etc.] morreram na fé, sem terem recebido as promessas, mas, vendo-as de longe, e crendo nelas, e abraçando-as, confessaram que eram estrangeiros e peregrinos na terra. Porque os que isso dizem claramente mostram que buscam uma pátria” (Hb 11.13.14).
O peregrinar é cheio de vida e alegrias no Senhor, mas também é permeado por circunstâncias difíceis, as quais nos desafiam a respostas, soluções, resignações, processos de cura, resiliência e fé. É o olhar fito no além que dá as condições necessárias para suportar as dificuldades, assim como fez Abraão, que, “pela fé, habitou na terra da promessa, como em terra alheia, morando em cabanas com Isaque e Jacó, herdeiros com ele da mesma promessa” (Hb 11.9). O crente Abraão é o modelo bíblico ideal dessa realidade, pois fez da peregrinação o seu estilo de vida (Hb 11.9). Da mesma forma, nós, cristãos, somos peregrinos aqui e precisamos adquirir esse estilo de vida. Por esse motivo, não podemos ficar embaraçados com as coisas do mundo, nem permitir que elas ocupem o lugar que pertence ao Senhor em nossos corações. “Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração” (Mt 6.21). Isso não significa relaxamento quanto ao trabalho, estudos e família, mas, sim, um direcionamento correto do coração, buscando, em primeiro lugar, as coisas que são de cima (Cl 3.1).
A Bíblia refere-se ao fato de que os crentes não são deste mundo (Jo 17.16) e anseiam por sua pátria celestial, como disse Paulo: “Mas a nossa cidade está nos céus, donde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo” (Fp 3.20). Dessa forma, nossos valores não podem conformar-se com este mundo, e nosso estilo de vida deve refletir o exemplo de Jesus presente nos evangelhos, marcado pela prática da justiça, do acolhimento aos que sofrem, de libertação dos oprimidos do Diabo e, especialmente, em praticar em todos os atos o amor de Deus, que será uma das poucas coisas da terra presentes no céu (1 Co 13.13). Assim, antecipa-se o Reino de Deus na terra na tensão entre o que vivemos agora e o que há de vir (Mt 6.33), pois sabemos que tudo aqui na terra é transitório e passageiro.
O peregrino é aquele que está de passagem por uma terra que não lhe pertence. Ele caminha em direção a um país que seu coração almeja e, então, sacrifica-se para isso, não tendo lugar permanente por onde caminha, não experimentando conforto e ainda carregando o mínimo de bagagem para tornar o trajeto mais fácil. “Amados, peço-vos [exorto-vos], como a peregrinos e forasteiros, que vos abstenhais das concupiscências da carne, que combatem contra a alma” (1 Pe 2.11).
Paulo exorta-nos a termos o mesmo sentimento que houve em Cristo, o de esvaziar-se (Fp 2.5) para poder cumprir o propósito de Deus, que é servir. Isso significa que devemos abandonar toda prepotência, orgulho e apego a títulos, cargos e posições para servir às pessoas necessitadas à nossa volta em obediência completa a Jesus (Jo 13.1ss; Fp 2.7-8); o que passar disso assume a prepotência de querer ser igual a Deus (Fp 2.6).
Aqui, somos constantemente levados à ganância, ao consumismo, ao poder e às riquezas, as quais estão traindo a esperança futura de muitos crentes na vinda de Cristo e também nas bem-aventuranças eternas, fazendo com que queiram desfrutar (embora seja lícito dentro de limites) inadvertida e completamente focados nas coisas da terra, esquecendo-se das celestiais, que, de fato, tem valor eterno. Jesus disse para buscarmos “primeiro o Reino de Deus, e a sua justiça, e todas essas coisas [nos] serão acrescentadas” (ver Mt 6.33).
Essa mudança de foco por parte daqueles que deveriam estar esperando e ansiando pelo Reino vindouro torna-se num secularismo religioso1, o qual afasta as esperanças do Reino, fazendo-os focar em ídolos criados pelos homens. Nesse sentido, os ídolos podem ser qualquer coisa que tome o lugar do Senhor como prioridade última na vida. O ídolo sempre é opaco, ou seja, ele ofusca aquilo que se quer buscar, passando a apontar para si mesmo. O ídolo serve como um substituto muito fútil para Deus. A religiosidade e as denominações religiosas podem, inclusive, tornar-se um ídolo quando passam a manipular o povo para obter vantagens próprias e adquirir poder (não do Espírito Santo, mas de forças humanas), ou, quando elas tornam-se um fim em si mesmas 2.
Algumas religiões atuais que crescem vertiginosamente — em especial as neopentecostais — secularizaram Deus a um mero atendedor de desejos humanos e instrumentalizaram-no para fins de interesses duvidosos, extirpando qualquer possibilidade de esperança futura, pois a religião nem sempre está em busca de Deus e nem sempre cumpre seu propósito de religare3 com Deus. Isso faz com que um falso reino de Deus seja implantado aqui e agora. O deus-ídolo que a religião criou para atender esses desejos humanos, alguns até legítimos, porém obtusos, não coincide com o Deus bíblico4 e escatológico.
Há, portanto, uma imensa crise de esperança futura do Reino de Deus, fazendo muitos acharem que esse Reino não é mais necessário. O neopentecostalismo já criou seus anticristos, que proclamam que o reino já chegou materialmente. Trata-se de um reino que está esplendidamente cheio de promessas de riqueza e que já está na concretude da espoliação religiosa, da exploração de mentes e corações idólatras. Houve uma aliança perfeita entre a ganância do mundo capitalista expressa nos desejos do povo e na ganância por poder de líderes religiosos inescrupulosos que constroem grandes impérios de um reino idolátrico. Trata-se de uma sutil combinação malévola entre esses líderes e o povo idólatra num imenso e falso conto de fadas religioso, praticando-se, assim, um ateísmo prático onde se fala de Deus, mas Ele é totalmente desnecessário.
É lógico que o fenômeno de buscar refúgio5 em igrejas para obter favores de Deus (sejam eles financeiros ou de sanidade física) também reflete a falta de políticas públicas que deem conta dos milhares de pobres e desamparados que não têm acesso à medicina de forma digna e têm de submeter-se às promessas de curandeirismo evangélico. É óbvio que não somos contra a cura como um milagre legítimo através dos vários dons e ministérios conferidos por Cristo à sua igreja, mas também não podemos concordar com ilusões e curas midiáticas que apenas atraem mais povo para a igreja e, assim, extorquem-no de alguma forma.
Aqueles que professam a fé cristã não escapam ao feitiço da religião do mercado. [...] O sistema religioso, [muitas vezes o mesmo] que regula e controla o mercado exerce hoje uma influência muito significativa sobre o povo de Deus das diferentes igrejas e confissões cristãs. Isso equivale a dizer que, consciente ou inconscientemente, a espiritualidade dessa parte do povo de Deus vive em aliança com os ídolos do mercado 6.
Cientes de que somos peregrinos na terra, aguardamos a pátria celestial, mantendo-nos fieis ao que a Palavra de Deus ensina para, então, ficarmos livres dessas formas de secularismo e ateísmo prático. A vida simples de Cristo, que nos serve de exemplo, tinha um único objetivo apenas: fazer a vontade do Pai (Jo 5.30). Ele fazia dessa vontade sua vida e, portanto, não tinha preocupações desnecessárias e nem as complicadas demandas que esvaziam a simplicidade cristã de desfrutar a vida de maneira despretensiosa e, ao mesmo tempo, de esperar a gloriosa morada celestial.
É preciso, entretanto, ter equilíbrio entre o que se espera no além e as demandas normais da vida. Não se pode viver apenas de forma etérea e esquecer as necessidades e obrigações que temos nesta vida — como outrora, em que até mesmo os estudos eram desmotivados —, mas também não podemos render-nos aos encantos do mundo como visto acima. Nesse sentido, Albano afirma que:
Outrora, para muitos pentecostais, a salvação era entendida como sinônimo de fuga do mundo. Assim, depreciava-se a criação e assumia-se uma postura de desconfiança frente à vida nesta terra. Essa espiritualidade podia ser resumida pela palavra não! Hoje, essa concepção vem mudando, tem havido uma espiritualidade marcada pelo sim à vida. Isso ocorre por obra do Espírito Santo, cuja atuação nas igrejas Assembleias de Deus, sobretudo, no âmbito da educação teológica tem favorecido a abertura à estética, artes e às questões públicas e políticas. Portanto, vivencia-se a salvação que conduz ao encontro do mundo, em liberdade, santidade e responsabilidade (cf. Jo 17.15-18; Rm 8) 7.
A postura de esperança faz-nos buscar uma vida simples como Jesus ensinou e viveu (Mt 6.19-21), confiando nos cuidados que Deus tem para com seus filhos. Somos também livres das fúteis tentações da Teologia da Prosperidade, que inverte (1 Co 15.19) a ordem certa de prioridades do Reino de Deus e faz-nos querer buscar as coisas que perecem (Mt 6.21), esquecendo-nos das que hão de vir (Ap 22.6).

Texto extraído do livro “A Obra de Salvação”, Editora CPAD, 2017.

COMENTÁRIO E SUBSÍDIO III

INTRODUÇÃO

        A glorificação dos salvos é o evento futuro e final da obra salvadora de Cristo. Será um momento de extraordinária grandeza e felicidade, que se dará na segunda vinda de Cristo. Nesse evento, os salvos experimentarão a glorificação completa da natureza humana, pois seremos todos revestidos da glória de Deus. [Comentário.Podemos iniciar esta aula fazendo a seguinte pergunta: o que é glorificação? A resposta curta é que a "glorificação" é quando Deus remove por completo o pecado da vida dos santos (isto é, todos os que são salvos) no estado eterno (Rm 8.18; 2Co 4.17). Na vinda de Cristo, a glória de Deus (Rm 5.2) – a Sua honra, louvor, majestade e santidade - será realizada em nós; em vez de sermos mortais sobrecarregados com a natureza pecaminosa, seremos transformados em imortais santos com acesso direto e irrestrito à presença de Deus, e vamos gozar da sagrada comunhão com Ele por toda a eternidade. Ao considerar a glorificação, devemos nos concentrar em Cristo, pois Ele é a "bendita esperança" de todo cristão; também podemos considerar a glorificação final como a culminação da santificação1. Assim, a glorificação dos santos é o final da corrente de ouro da graça divina, é o futuro recebimento de absoluta e definitiva perfeição (física + mental + espiritual) por todos os crentes (Rm 8.22-23; 1Co 15.41-44,51-55; 2Co 5.1-4; 4.14-18; Jd 1.24-25). Pelas passagens de 1Co 15.51-53; 1Ts 4.13-18, entendemos que nossa glorificação começará no Arrebatamento e continuará através de toda a eternidade. Podemos, ainda, perguntar: Qual o propósito da glorificação? “O propósito da glorificação do corpo do crente é radiar o brilho da graça, das riquezas, do poder, da bondade e do amor, enfim de todos os atributos de Deus, para que, pelos séculos dos séculos, Ele (totalmente e exclusivamente) seja admirado, magnificado, adorado e louvado por todos os anjos, homens, e criação”2Vamos pensar maduramente a fé cristã?]
1. "O que é a glorificação?" Disponível em: https://www.gotquestions.org/Portugues/glorificacao.html. Acesso em: 18 dez, 2017.

I. A GLORIOSA ESPERANÇA DA RESSURREIÇÃO DOS SANTOS
                                
1. A ressurreição dos santos. Há uma esperança celestial para os salvos em Cristo quando da gloriosa ressurreição dos mortos, onde estaremos para sempre com o Senhor (1Ts 4.14; Is 26.19). Essa é uma esperança do crente que tem como seu fundamento a ressurreição de Cristo, pois do mesmo modo que Ele ressuscitou, nós ressuscitaremos: "que transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso, segundo o seu eficaz poder de sujeitar também a si todas as coisas" (Fp 3.21). Hoje, o nosso corpo está sujeito às enfermidades e demais fragilidades, mas na ressurreição ele será revestido de incorruptibilidade; nunca mais morreremos, pois a ressurreição dos santos será a vitória final sobre a morte e o inferno (1Co 15.54,55). [Comentário. Na última trombeta, quando Jesus vier, os santos serão submetidos a uma transformação instantânea fundamental "transformados seremos todos, num momento, num abrir e fechar de olhos" (1Co 15.51); em seguida, o "corruptível" se revestirá da "incorruptibilidade" (1Co 15.53). No entanto, 2 Coríntios 3.18 indica claramente que, em um sentido misterioso, "todos nós", no presente, "com o rosto desvendado" estamos "contemplando a glória do Senhor" e estamos sendo transformados à Sua imagem "de glória em glória" (2Co 3.18). Para que ninguém fique pensando que esta contemplação e transformação (como parte da santificação) sejam o trabalho de pessoas especialmente santas, a Escritura acrescenta a seguinte informação: "como pelo Senhor, o Espírito." Em outras palavras, é uma bênção concedida a cada crente. Isto não se refere a nossa glorificação final, mas a um aspecto da santificação através do qual o Espírito está nos transfigurando agora. A Ele seja a glória pelo Seu trabalho em nos santificar em Espírito e em verdade (Jd 24-25; Jo 17.17; 4.23). De acordo com Filipenses 3.20-21, a nossa pátria está nos céus, e quando o nosso Salvador retornar, Ele vai transformar os nossos corpos de humilhação para "ser igual ao corpo da sua glória." Embora ainda não sido revelado o que havemos de ser, sabemos que, quando Ele retornar em grande glória, seremos semelhantes a Ele, porque O veremos como Ele é (1Jo 3.2). Vamos ser perfeitamente transformados à imagem de nosso Senhor Jesus e seremos como Ele porque a nossa humanidade estará livre do pecado e de suas consequências. A nossa esperança abençoada deve nos encorajar a viver em santidade, com o Espírito nos ajudando. "E a si mesmo se purifica todo o que nele tem esta esperança, assim como ele é puro" (1Jo 3.3)3.]
3. "O que é a glorificação?" Disponível em: https://www.gotquestions.org/Portugues/glorificacao.html. Acesso em: 18 dez, 2017.

2. O destino eterno dos salvos. Os que foram alcançados pela obra salvífica de Jesus Cristo entrarão no Reino Celestial, onde haverá um eterno tempo de alegria, felicidade e bem-estar diante do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Sua presença encherá a Terra com sua glória e majestade, conforme a visão do apóstolo João: "E a cidade não necessita de sol nem de lua, para que nela resplandeçam, porque a glória de Deus a tem alumiado, e o Cordeiro é a sua lâmpada" (Ap 21.23). [Comentário. E os que não foram, alcançados? E quanto àqueles que ouviram e experimentaram o novo nascimento? “Todos aqueles que colocaram a sua confiança em Jesus Cristo durante a Era da Igreja e morreram antes de Jesus voltar serão ressuscitados no arrebatamento. A Era da Igreja começou no Dia de Pentecostes e terminará quando Cristo voltar para levar os crentes de volta ao céu com Ele (Jo 14.1-3, 1Ts 4.16-17). O apóstolo Paulo explicou que nem todos os cristãos morrerão, mas todos serão transformados, ou seja, receberão novos corpos na ressurreição (1Co 15.50-58), alguns sem ter que morrer! Os cristãos que estão vivos, e aqueles que já morreram, serão arrebatados ao encontro do Senhor nos ares, e estarão com Ele sempre!”4. Para responder uma pergunta que poderá surgir na aula: Conheceremos Nossos Entes Queridos na Vida futura?]
4. O texto entre aspas foi extraído de: "Quando é que a Ressurreição acontecerá?" Disponível em: https://www.gotquestions.org/Portugues/quando-ressurreicao.html. Acesso em: 18 dez, 2017.
SUBSÍDIO TEOLÓGICO

“A nossa salvação traz-nos a um novo relacionamento que é muito melhor do que aquele que Adão e Eva desfrutavam antes da Queda. A descrição da Nova Jerusalém demonstra que Deus tem para nós um lugar melhor do que o Jardim do Éden, com todas as bênçãos do Éden intensificadas. Deus é tão bom! Ele sempre nos restaura a algo melhor do aquilo que perdemos. Desfrutamos da comunhão com Ele agora, mas o futuro reserva-nos a ‘comunhão intensificada com o Pai, o Filho e o Espírito Santo e com todos os santos’. A vida na Nova Jerusalém será emocionante. Nosso Deus infinito nunca ficará sem novas alegrias e bênçãos para oferecer aos redimidos. E posto que as portas da cidade sempre estarão abertas (Ap 21.25; cf. Is 60.11), quem sabe o que os novos céus e terra terão para explorarmos?” (HORTON, Stanley. Teologia Sistemática. 1ª Edição. RJ: CPAD, 1996, p.645).                                        

II. A PLENA SALVAÇÃO NOS CÉUS

1. Ausência de pecados e dores. A salvação plena foi garantida pela obra de Cristo na cruz e confirmada pelo Espírito Santo que nos foi dado (2 Co 5.5), tornando Ele assim, o selo dessa herança eterna que está nos céus (Ef 1.13-14). No lugar celestial não experimentaremos mais a dor dos pecados cometidos, bem como os males e dores que outros podem nos provocar. As enfermidades, moléstias, catástrofes, decepções ou qualquer tristeza humana desaparecerão para sempre (Ap 21.4). No céu experimentaremos a eterna alegria, paz, fé, esperança e amor (Ap 22.1-5; 1Co 13.13). [Comentário. O corpo glorificado, do crente será como o de Cristo (1Co 15.49, 50; Fp 3.21; 1Jo 3.2); Na encarnação, Cristo tomou carne e sangue (Hb 2.14); seremos reconhecíveis (1Co 13.12 além dos episódios de ressurreição narrados nas Escrituras: foram fácil e imediatamente reconhecidos depois de mortos (mesmo sem a ajuda de fotografias, pinturas, etc.): Samuel pela pitonisa; Moisés e Elias na transfiguração de Cristo; Lázaro e o rico e Abraão; Cristo e os 12 apóstolos em Apocalipse, etc. Eterno (2Co 5.1); Glorioso (1Co 15.43; Rm 8.18); Semelhante ao de Cristo como visto na transfiguração (Mt 17.2) e como visto glorificado no céu (Ap 1.13-16). Os usos de "glória" ("kabod" e "doxa"), e a Bíblia como um todo, indicam que o corpo glorificado do crente será perfeito, sobrenatural e supremamente enriquecido e capacitado a servir a Deus em uma posição designada para radiar o brilho da graça, das riquezas, do poder, da bondade e do amor, enfim de todos os atributos de Deus, para que, pelos séculos dos séculos, Ele (totalmente e exclusivamente) seja admirado, magnificado, adorado e louvado por todos os anjos, homens, e criação. Incorruptível, imperecível (1Co 15.42,53-54). Portanto, um corpo que permanecerá para sempre, não sujeito a doença, morte, envelhecimento e degradação. Poderoso (1Co 15.43), que nunca se cansa mas sempre faz poderosas proezas no serviço de Cristo (Ap 22.3-5)5.]
5. 21. GLORIFICAÇÃO. Disponível em: http://solascriptura-tt.org/SoteriologiaESantificacao/21-Glorificacao-Helio.htm. Acesso em: 18 dez, 2017.
2. A plenitude nos céus. Nesta vida vivemos a tensão entre as possibilidades precárias da Terra e a alegre esperança da vida eterna nos Céus, onde estaremos para sempre com Deus (Mt 25.34). Ora, a tribulação e as dificuldades deste tempo não podem se comparar com o melhor da glória reservado para nós (Rm 8.18). A vida plena nos céus é um direito adquirido quando fomos adotados pelo Pai como filhos. Logo, a herança divina não se limita a bênçãos materiais ou espirituais do tempo presente, mas, sobretudo, a bênçãos eternas do porvir, onde viveremos numa dimensão celestial gloriosa (Rm 8.23,30). [Comentário. Então, o que vamos fazer no céu? Uma coisa que faremos é aprender. "Quem, pois, conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi o seu conselheiro?" (Rm 11.34), “em quem todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento estão ocultos" (Cl 2.3). Deus é o "Alto, o Sublime, que habita a eternidade" (Is 57.15). Deus é maior do que a eternidade, e levará a eternidade para "compreender, com todos os santos, qual é a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade e conhecer o amor de Cristo" (Ef 3.18-19). Em outras palavras, nunca pararemos de aprender. A Palavra de Deus diz que não estaremos no Seu paraíso sozinho. "...então, conhecerei como também sou conhecido" (1Co 13.12). Isto parece indicar que não só iremos reconhecer nossos amigos e familiares, mas vamos conhecê-los de "forma plena". Em outras palavras, não há necessidade para segredos nos céus. Não há nada para se envergonhar. Não há nada a esconder. Nós teremos a eternidade para interagir com "grande multidão que ninguém podia enumerar, de todas as nações, tribos, povos e línguas" (Ap 7.9). Não é de admirar que o céu será um lugar de aprendizado infinito. Conhecer todos plenamente vai levar toda a eternidade! Qualquer outra expectativa sobre o que faremos no parque eterno de Deus, o céu, será muito ultrapassada quando "dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai! Entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo" (Mt 25.34). Qualquer que seja a nossa atividade no céu, podemos ter certeza de que será mais maravilhosa que a nossa imaginação!6]
6. O que vamos fazer no Céu?. Disponível em: https://www.gotquestions.org/Portugues/fazer-no-ceu.html. Acesso em: 18 dez, 2017.

SUBSÍDIO TEOLÓGICO

“As Escrituras prometem que o céu será um Reino de per feita bem-aventurança. Nos novos céus e na nova terra não haverá lugar para lágrimas, dor, tristeza e pranto. Lá o povo de Deus habitará com Ele por toda a eternidade, completamente livre de todos os efeitos do pecado e do mal. Deus é retratado secando pessoalmente as lágrimas dos remidos. No céu, a morte estará completamente aniquilada (1 Co 15.26). Ali não haverá doença, fome, problemas ou tragédias. Haverá apenas a alegria completa e bênçãos eternas” (LAHAYE, Tim. Enciclopédia Popular de Profecia Bíblica. 1.ed.Rio de Janeiro: CPAD, 2008, p. 112).

CONCLUSÃO

A salvação em Cristo é um evento passado, presente e futuro. É uma obra completa, perfeita e universal. Por isso, o autor bíblico a denomina de "tão grande salvação" (Hb 2.3). Alguns aspectos dessa gloriosa doutrina são imensuráveis e inexplicáveis, por melhor que se tente explicar (1Co 13.12). São aspectos que transcendem a compreensão humana e que serão revelados em sua totalidade somente no Reino vindouro. Glória a Deus! [Comentário. Vimos ao longo do trimestre que a doutrina bíblica da “salvação” (Gr. sotēria) refere-se à ampla gama da atividade de Deus em salvar pessoas da rebelião e restaurá-las para que tenham um relacionamento bom e correto com ele. Ela tem três tempos: passado, presente e futuro. No passado fomos salvos da penalidade do pecado, no presente estamos sendo salvos do poder do pecado e no futuro seremos salvos da presença do pecado. Cada um desses três tempos da salvação é identificado por uma palavra: no passado, justificação – Salvação da Penalidade do Pecado; no presente,santificação – Salvação do Poder do Pecado, e no futuro, a glorificação – Salvação da Presença do pecado. Na doutrina Cristã da salvação, somos salvos da “ira”; quer dizer, do julgamento de Deus sobre o pecado (Rm 5.9; 1Ts 5.9). Por fim, a salvação é libertação espiritual e eterna que Deus concede imediatamente àqueles que aceitam Suas condições de arrependimento e fé no Senhor Jesus. Salvação só é possível através de Jesus Cristo (Jo 14.6; At 4.12), e depende de Deus para a sua provisão, garantia e segurança. Minha oração é que esta lição e tudo o que temos estudado até aqui nos chame ao trabalho missionário, ao envolvimento e comprometimento com a Grande Comissão, já que não há outro meio de salvação que não por meio da fé em Cristo Jesus, e sobre nós pesa essa responsabilidade! - O método de Cristo é a igreja: “A estória: Quando Cristo terminou sua obra, e chegou ao céu, os anjos o receberam com exultante celebração. Um anjo perguntou-lhe: “Senhor, tu consumaste a obra da redenção, mas quem vai contar essa boa nova para o mundo inteiro?” Jesus respondeu: “Eu deixou doze homens preparados para essa tarefa”. Retrucou o anjo: “Mas, Senhor, e se eles falharem?”. Jesus respondeu: “Se eles falharem eu não tenho outro método.” Hernandes Dias Lopes.] “... corramos, com perseverança, a carreira que nos está proposta, olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus ...” (Hebreus 12.1-2).

Francisco Barbosa

Disponível no blog: auxilioebd.blogspot.com.br