sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

LIÇÃO 13: JOSÉ, A REALIDADE DE UM SONHO






SUBSÍDIO I
A história de José é uma das histórias mais belas e famosas de toda a Bíblia. É a última história de família da narrativa dos patriarcas de Israel (Gn 37.2 - 50.26). José é a pessoa que Deus usou para resgatar a nação de Israel da fome intensa daquela época e, assim, preservar a descendência prometida para herdar a terra de Canaã. Se você lê os capítulos 37.2 a 50.26, perceberá que se trata da narrativa mais longa de todo o livro e, principalmente, do gênero literário narrativo de toda a Bíblia.
Nesta grande seção narrativa, é possível verificar três interrupções na história: a história de Judá (Gn 38); a genealogia dos filhos de Israel que foram ao Egito com Jacó (Gn 46.8-27); e a bênção de Jacó (Gn 49). São três interrupções que suspenderam momentaneamente a sequência da narrativa, o que é um recurso comum no gênero literário narrativo. Nesta narrativa da vida de José, visando a preservar o povo judeu, chama atenção a ação interventora de Deus: Ele desfaz o mal maquinado pelos irmãos contra José, permitindo que o filho de Jacó ficasse preso por não pecar deliberadamente, mas, logo depois, o salva e o coloca entre os administradores do Egito por intermédio da habilidade de desvendar sonhos.
O capítulo 39, versículos 2, 3, 21 e 23, chama a nossa atenção para a repetição dessa expressão: “O Senhor estava com José”. A história de José tem uma importância enorme quando levamos em conta a história da salvação presente na Bíblia, por intermédio do advento do Senhor Jesus Cristo. Em José, a nação de Israel foi preservada da fome e sobreviveu, garantindo a existência do povo de Deus. O único Deus, o Deus de Israel, guiou a história do Seu povo para preservá-lo de todo o mal, a fim de deixar o caminho livre para o advento do Cristo.
Sobre a conclusão da história de José, podemos constatar que o livro do Gênesis inicia a história bíblica com Deus como o Criador de todas as coisas; os seres humanos como a glória da criação divina, mas caídos por causa do pecado que demonstrou o quanto o mal se internalizou no homem; mas, por meio da eleição de um povo, o Senhor iniciou o Seu projeto de criação redentora que, apesar das falhas do povo, foi adiante e culminou na pessoa bendita de Jesus Cristo (Gl 4.4). O livro de Gênesis é o início de uma história de todos aqueles que creem no Senhor como o Salvador sonham e anelam em ver a consumação de todas as coisas. Que o Senhor nos permita viver nesta esperança até a Sua gloriosa vinda. Amém!
Fonte: Revista Ensinador Cristão, ano 16 - nº 64 – out/nov/dez de 2015.


SUBSÍDIO II

INTRODUÇÃO

Nesta última lição nos estudaremos a seção do livro de Gênesis que trata a respeito da vida de José, o filho de Jacó que foi vendido como escrevo, e se tornou governador no Egito. Inicialmente meditaremos sobre seus primeiros dias de vida, ao lado dos seus irmãos. Em seguida, refletiremos sobre seus tempos de adversidade, quando foi vendido como escravo. E ao final, destacaremos a soberania divina, a fim de cumprir seus propósitos, através da vida de José, tornando-o governador.

1. JOSÉ, O AMADO

José era um filho amado de Jacó, no contexto de uma família problemática, nos quais seus irmãos o perseguiam (Gn. 37.1-4). Todas as famílias enfrentam seus problemas, temos uma tendência a idealizar demasiadamente o ambiente familiar. No caso de José, seu pai demonstrava certo favoritismo, e isso certamente causava inveja nos irmãos. A predileção pode resultar em transtornos nas famílias, pais que beneficiam determinados filhos, em detrimentos de outros, pode favorecer intrigas (Gn. 37.1-11). É bem verdade que Deus deu sonhos a José, e esses inegavelmente revelavam seu futuro, mas o jovem não teve sabedoria quanto ao momento de expressá-los. Nem todos os sonhos são manifestações divinas, alguns deles são provenientes das inquietações da vida. Há pessoas nas igrejas, principalmente nas igrejas pentecostais, que supervalorizam os sonhos, e desconsideram as instruções da Palavra de Deus (Jr. 23.25-28). A inveja dos irmãos de José resultou em violência, e tomados pelo ódio, decidiram conspirar contra o filho amado de Jacó. A fim de se livrarem de José, venderam o sonhador para o midianitas. Eles não apenas venderam o irmão, mas também arquitetaram um plano, a fim de justificar perante Jacó, a ausência do filho querido. Essa é uma demonstração do nível de malignidade que se apoderou dos irmãos de José. Há pessoas que de modo semelhante endurecem seus corações, e se tornam propensos à violência, indiferentes às pessoas, e incapazes de demonstrar arrependimento (Pv. 28.13). O velho Jacó, por causa da insensibilidade dos seus filhos, acabou por angustiar sua alma (Gn. 42.36). Como ele muitos pais, inclusive cristãos, carregam tristezas na vida, por causa de filhos desobedientes.

2. JOSÉ, O ESCRAVO

José, após ser vendido aos midianitas, acabou sendo escravo no Egito, ali ele se tornaria uma fonte de bênçãos para sua família. Mas antes passou por situações adversas, até que Deus cumprisse Seus desígnios na vida daquele hebreu. José se tornou servo na casa de Potifar, de modo que o Senhor abençoou aquele egípcio (Gn. 39.5). Muitas pessoas descrentes são abençoadas por causa da fé piedosa de um cristão. Para tanto, faz-se necessário que, como José, sejamos sal da terra e luz do mundo (Mt. 5.13-16). A mulher de Potifar tentou o jovem José, incitando-o a trair a confiança do seu senhor. Mas ele sabia que estava na presença de Deus, e que não poderia decepcionar aquele a quem servia (Gn. 39.9). Fugir da tentação é uma orientação bíblica, o exercício do domínio próprio é uma virtude cristã a ser cultivada (II Tm. 2.2). A mulher de Potifar, insatisfeita com a fidelidade do escravo, o denuncia injustamente, acusando-o de tê-la assediado. José foi vítima da injustiça dos homens, acabou ser encarcerado por se negar seguir pelo caminho mais fácil. Mas ao invés de desfalecer, preferiu confiar em Deus, que estava no comando de todas as situações. Na prisão o Senhor o usou para interpretar sonhos, tendo revelado ao copeiro que esse seria restituído ao cargo. Mas esse, quando saiu da prisão, não se lembrou de imediato de José. A confiança nos projetos humanos pode resultar em decepção. A política dos homens é uma demonstração das injustiças que assolam a sociedade, por meio das quais os fieis padecem sem merecer, por isso o melhor é depositar toda confiança em Deus (Sl. 146.3-6). É maravilhoso saber que Ele está trabalhando em prol daqueles que seguem os Seus caminhos, e que tudo coopera para o bem daqueles que amam a Deus, e são chamados seguindo os Seus propósitos (Rm. 8.28).

3. JOSÉ, O GOVERNADOR

Enquanto José permanecia na prisão, Deus deu dois sonhos a Faraó, que o deixou perplexo, principalmente porque seus adivinhos foram incapazes de explica-los. Até que o copeiro, que havia se esquecido de José, se lembrou dele. Apesar das limitações humanas, Deus trabalho no Seu tempo, e concretiza o que propôs fazer. José foi levado á presença de Faraó, dando a apropriada interpretação dos sonhos, não deixando de dar glória a Deus (Gn. 41.16). O próprio Faraó reconheceu que havia algo de especial naquele hebreu, e o colocou como vice-governante do Egito. Mas para chegar a esse posto ele precisou passar por momentos de adversidade, foram treze anos de injustiças, e incompreensão por parte dos homens. Mas José tinha consciência que estava no centro da vontade de Deus. Essa, ainda que não seja compreendida de imediato, é sempre boa, agradável e perfeita (Rm. 12.2). A prosperidade de José não tinha como objetivo a ostentação, nem mesmo a vingança perante seus irmãos. Há pessoas que defendem a prosperidade como um fim em si mesmo, apenas para mostrarem aos outros que são “abençoados”. A família de José, nos tempos da seca, precisaram se dirigir ao Egito, a fim de buscar mantimento. Seus irmãos não sabiam que iriam encontrar naquele lugar o jovem a quem haviam vendido como escravo. Deus é especialista em transformar adversidade em possibilidade. Os próprios irmãos de José demonstraram maturidade, que haviam mudado. Eles estiveram dispostos a reparar o erro cometido, as pessoas sempre podem mudar suas atitudes (Gn. 44.13-44). Por outro lado, a demonstração de graça e misericórdia de José deve servir de inspiração para os cristãos. Ao invés de querer se vingar dos seus irmãos, o vice-governador do Egito reconheceu os propositivos divinos (Gn. 45.1-15)

CONCLUSÃO

A história de José é um exemplo de confiança em Deus, mesmo diante dos momentos difíceis (Hb. 11.1). É confortador saber que servimos ao mesmo Senhor, que está no comando das nossas vidas. Sabemos que nossa leve e momentânea tribulação redundará em glória excelente, pois fiel é Aquele que prometeu, e eternas são as suas palavras (II Co. 14.17). Por, isso, com Paulo, podemos descansar nas riquezas insondáveis de Deus, pois Sua sabedoria vai além do nosso entendimento, os Seus caminhos são inescrutáveis (Rm. 11.33).

Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Extraído do Blog subsidioebd

COMENTÁRIO E SUBSÍDIO III

INTRODUÇÃO

Neste domingo, veremos como Deus usou José para garantir a sobrevivência de Israel. Tudo começou com um sonho que, no devido tempo, fez-se realidade. Mas, do sonho à realidade, o jovem hebreu viu-se reduzido à escravidão até ser exaltado como governador de toda terra do Egito.
José soube esperar com paciência.
Quem tem sonhos dados por Deus não tem pressa. Sabe que tudo haverá de cumprir-se no tempo estabelecido pelo Eterno. [Comentário: Dentre os doze filhos varões de Jacó, um tem-se destacado, por demonstrar excelentes virtudes e por refletir uma beleza interior do coração. É a história de José, o filho mais velho de Raquel, segunda esposa e primeiro amor de Jacó. "E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito” (Rm 8.28) - É impressionante como Deus cuida do seu povo. Através de toda a Bíblia fica evidente a fidelidade e o amor do Senhor. Ele é um verdadeiro Pai, que cuida de cada um de uma maneira única e singular, sempre pensando em nosso benefício e daqueles que nos cercam. Nesta última lição, veremos como esse cuidado, amor e fidelidade do Senhor se evidenciou na vida de José, e através deste, de toda a casa de Israel.]

I. A HISTÓRIA DE JOSÉ

José era bisneto de Abraão, amigo de Deus. À semelhança de seu pai, Jacó, e do avô, Isaque, era um homem de profundas experiências com o Senhor. A seu modo, era um profeta e um especialista em sonhos.

1. Filho da afeição. José era filho de Raquel, a esposa amada de Jacó (Gn 29.18-20,30). Seu nascimento foi celebrado por sua mãe (Gn 30.22-24). Em hebraico, José significa Jeová acrescenta. [Comentário: Nascido em Padã-Arã, depois de  muito tempo em que Raquel esperou em vão por um filho (Gn 30.1,22 a 24). Os filhos da mulher favorita de Jacó foram José e Benjamim, sendo cada um deles particular objeto da profunda afeição de seus pais. Acredita-se que, em virtude desta parcialidade, surgiram acontecimentos de grande importância. Na primeira referência que a José se faz depois do seu nascimento, é ele um rapaz de dezessete anos, dileto filho de Jacó, tendo já este patriarca atravessado o rio Jordão, e havendo fixado em Canaã a sua residência. Raquel já tinha morrido, e por esta razão era de Jacó que pendia o cuidado dos dois filhos favoritos, e também por ser ainda jovem, servia José de portador de recados para seus irmãos mais velhos, que estavam longe, guardando os rebanhos - e, andando ele vestido com roupa superior à deles, era isso motivo de grande ofensa para os filhos de Jacó. Talvez o seu pai tivesse feito a ‘túnica de muitas cores’ com as suas próprias mãos, em conformidade com o costume ainda em voga entre os beduínos. E explica-se assim o ódio e o ciúme daqueles moços. Tanto a sua mãe como ele próprio tinham sido colocados desde o princípio em lugar de honra. Era Raquel a verdadeira esposa - e por isso só ela é nomeada como ‘mulher de Jacó’ na genealogia, que vem no cap. 46 de Gênesis. Além disso, a retidão de José era tal que eles reconheciam a sua própria inferioridade, comparando as suas vidas com a de José, mais pura e mais tranquila. E então acontecia que ele levava a seu pai notícias dos maus feitos de seus irmãos (Gn 37.2). Mas parece que foi a ‘túnica talar de mangas compridas’ que fez que o ódio de seus irmãos se manifestasse em atos (Gn 37.3).]

2. Filho da decisão. Talvez o seu nascimento tenha levado Jacó a munir-se de uma firme atitude diante de Labão, seu sogro: “Deixa-me ir; que me vá ao meu lugar e à minha terra” (Gn 30.25). O filho do coração mexeu com a alma do patriarca que, por longos anos, achava-se exilado em Padã-Arã. Enfim, chegara a hora de retornar à casa de Isaque, seu pai. [Comentário: Raquel, a mãe de José teve a criança depois de anos de esterilidade (Gn 30.22). Jacó tinha 91 anos quando José nasceu. Deus, então, manda Jacó voltar à terra de seus pais. Atendendo as orientações de Deus, Jacó partiu de Padã-Arã com toda a sua família, para voltar à terra de Canaã (Gn 31.17 e 18). A partida de Jacó e seus filhos de Padã-Arã prenuncia o Êxodo das doze tribos de Israel do Egito; Eles vão, não porque o filho do coração mexeu com a alma do patriarca, mas sim, em resposta a um chamado de Deus para adorar na terra de Canaã (Êx 3.13-18); eles despojaram o inimigo de sua riqueza (Êx 12.35-36); eles são perseguidos por forças superiores e salvos por intervenção divina (Êx 14.5-31). Estes exemplos do Antigo Testamento apontam para a peregrinação do Novo Israel, a Igreja (veja 1Co 10.1-4). Durante sua viagem de retorno à Canaã, Jacó morou em Sucote e depois em Siquém (Gn 33.17-19). Mais tarde foi morar em Betel (Gn 35.1, 5 e 6). Em Betel o próprio Deus anunciou ao idoso Jacó a mudança de seu nome, que passou a ser chamado de - Israel: “aquele que luta com Deus” (Gênesis 35:10). Posteriormente, em caminho de Betel para Efrate (Belém), morreu Raquel, mãe de José, ao dar à luz Benjamim (Gênesis 35:19). ]

3. Filho dos sonhos. Já deixando a adolescência, José teve dois sonhos. Assim ele relata o primeiro deles aos irmãos: “Eis que estávamos atando molhos no meio do campo, e eis que o meu molho se levantava e também ficava em pé; e eis que os vossos molhos o rodeavam e se inclinavam ao meu molho” (Gn 37.7). Embora campesinos e rudes, eles não tiveram dificuldades em interpretar-lhe o sonho: “Tu deveras terás domínio sobre nós?” (Gn 37.8).
Nem sempre nossos sonhos são compreendidos. Mas, se procedem de Deus, certamente se cumprirão no tempo da oportunidade.
O segundo sonho foi ainda mais significativo: “E eis que o sol, e a lua, e onze estrelas se inclinavam a mim” (Gn 37.9). Ao ouvir o relato, indagou-lhe o pai: “Porventura viremos eu, e tua mãe, e teus irmãos a inclinar-nos perante ti em terra?” (Gn 37.10). Por causa disso, seus irmãos vieram a odiá-lo. Jacó, entretanto, tudo guardava no coração. Na qualidade de profeta e sacerdote de Deus, sabia que algo grandioso estava para acontecer com o filho sonhador. [Comentário: A questão retórica foi posteriormente respondida quando José veio a governar "sobre toda a terra do Egito" (41.43) e, então, sobre a família da aliança vivendo no Egito. A posição de José como cabeça da família da aliança foi .confirmada quando ele recebeu o "direito de primogenitura" de seu pai Jacó (1Cr 5.2). Mais insuportável se tornou José para com os seus irmãos quando ele lhes referiu os sonhos que tinha tido (Gn 37.5 a 11). Gn 37.11: considerava o caso consigo mesmo: esta declaração talvez antecipe a decisão posterior de Jacó de dar a José o direito de primogenitura e porção dobrada. Não tardou muito que se proporcionasse a oportunidade de vingança. os irmãos de José tinham ido apascentar os seus rebanhos em Siquém, a 80 km de distância - e querendo Jacó saber como estavam seus filhos, mandou José ali para trazer notícias dos pastores. Mas como estes já se tinham retirado para Dotã, para ali também se dirigiu José, andando mais 24 km. Tinha bebido pela última vez do poço de Jacó. Dotã era uma importante estação, que ficava na grande estrada para caravanas, que ia de Damasco ao Egito. Havia, por aqueles sítios, ricas pastagens, estando a terra bem suprida de cisternas ou poços. Eram estas cisternas construídas na forma de uma garrafa, estreitas por cima e largas no fundo, estando muitas vezes secas, mesmo no inverno. E também eram empregadas para servirem de prisão. Naquela região foi encontrar José os seus irmãos, que resolveram tirar-lhe a vida (Gn 37.19,20). Mas Rúben, ajudado por Judá, fez todo o possível para o salvar, e isso conseguiu, não podendo, contudo, evitar que ele fosse vendido como escravo (Gn 37.36). os compradores eram negociantes ismaelitas ou midianitas, os quais, tendo dado por José vinte peças de prata, tomaram a direção do Egito (Gn 37.25, 28,36). Entretanto os irmãos de José levaram a seu pai a túnica de mangas compridas, com manchas de sangue de uma cabra, para fazer ver que alguma fera o havia devorado. José foi levado ao Egito e vendido como escravo a Potifar, oficial de Faraó (Gn 39.1). Bem depressa ganhou a confiança de seu senhor, que lhe entregou a mordomia da sua casa (Gn 39.4). Depois disto foi José tentado pela mulher de Potifar, permanecendo, contudo, fiel a Deus e a seu senhor (Gn 39.8,9) - sendo falsamente acusado pela dona da casa, foi lançado numa prisão (Gn 39.20). o carcereiro-mor tratava José com certa consideração (Gn 39.21) - e no seu encarceramento foi o moço israelita feliz na interpretação dos sonhos de dois companheiros de prisão, o copeiro-mor e o padeiro-mor de Faraó (Gn 40). o copeiro-mor, quando o rei precisou de um intérprete para os seus sonhos, contou ao monarca que tinha conhecido na prisão um jovem de notável sabedoria (Gn 41.1 a 13). Em consequência disto foi José chamado, afirmando ele que só como instrumento do Altíssimo Deus podia dar a devida interpretação (Gn 41.16). Explicado o sonho de Faraó, ele aconselhou o rei a respeito das providências que deviam ser tomadas, por causa da fome que ameaçava afligir o Egito. Faraó recebeu bem os seus conselhos, e colocou-o na posição própria do seu tino e sabedoria, dando-lhe, além disso, em casamento a filha do sacerdote de om (Gn 41.37 a 45). Nesta ocasião foi-lhe dado por Faraó um nome novo, o de Zafenate-Panéia.]

SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO

“A história de José nos revela como os descendentes de Jacó vieram a ser uma nação dentro do Egito. Esta seção de Gênesis não somente nos prepara para a narrativa do êxodo do Egito, como também revela a fidelidade que José sempre teve para com Deus, e as muitas maneiras como Deus protegeu e dirigiu a sua vida para o bem doutras pessoas. Ressalta a verdade de que nos justos podem sofrer num mundo mau e iníquo, mas que, por fim, triunfará o propósito de Deus reservado para eles” (Bíblia de Estudo Pentecostal. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2006, p.90).

II. UM ESCRAVO CHAMADO JOSÉ

Se em casa era o mais querido dos filhos, no exílio, José teria de experimentar as angústias de um escravo. O Senhor, porém, era com ele.

1. O preço de um jovem. Os irmãos de José venderam-no a uns mercadores ismaelitas por vinte siclos de prata (Gn 37.28). Avaliaram-no abaixo da cotação do mercado para a compra de um escravo (Êx 21.32). As pessoas socialmente aviltantes não tinham muito valor. O valor de José, entretanto, excedia ao do próprio ouro. [Comentário: Midiã e Medã eram filhos que Abraão teve com Quetura (25.1-2), e foram posteriormente considerados por Israel como membros da mesma tribo, assim como o seu meio irmão Ismael (Jz 8.22-24). Esta ação foi uma espécie de sequestro, que em Êx 21.16 e Dt 24.17 classificam como passível de punição com morte. 20 ciclos de prata era o preço médio de um escravo à época. Os mercadores levaram José ao Egito e o venderam a Potifar, comandante da guarda real de Faraó (Gn 37.28, 36; 39.1). Na providência de Deus esta triste viagem rumo à escravidão foi o melhor que poderia ter acontecido a José. Apesar de José não compreender o que estava acontecendo, Deus, contudo, estava utilizando essa situação para conduzir José a um magnífico futuro, que de outra maneira não aconteceria.]

2. A pureza de um jovem. Quem serve a Deus prospera até mesmo na servidão. Não sabemos o preço que Potifar ofereceu por José. Mas logo descobriria ter adquirido um bem mui valioso, pois tudo o que o jovem hebreu punha-se a fazer prosperava (Gn 39.6,7). Quem serve a Deus prospera em qualquer circunstância (Sl 1.3).
Por ser um jovem formoso, não demorou a ser cobiçado pela esposa de seu amo (Gn 37.7). José, porém, temia a Deus, e guiava-se por uma ética superior. Por isso, respondeu à sua senhora: “Como, pois, faria eu este tamanho mal e pecaria contra Deus?” (Gn 39.9). Os Dez Mandamentos ainda não haviam sido decretados, mas a lei de Deus já estava gravada em seu coração (Rm 2.14). [Comentário: No Egito José mostrou ser um diligente e fidedigno escravo, granjeando o respeito e a confiança de seu novo dono. Vendo Potifar que Deus era com José, fazendo prosperar em sua mão tudo quanto ele empreendia (Gn 39.3), decidiu Potifar promovê-lo a supervisor, com responsabilidade sobre todas as questões domésticas. Em Gn 39.2, o texto afirma: "O Senhor era com José que veio a ser homem próspero..." Ainda que isto se refira a tornar-se materialmente próspero, José era também, certamente, bem sucedido espiritualmente. Uma das lições que pode ser aprendida conforme a história se desenvolve é que até mesmo uma pessoa espiritualmente bem sucedida não está isenta da tentação. Paulo adverte: "Aquele, pois, que pensa estar em pé, veja que não caia" (1Co 10.12). Precisamos estar sempre em guarda contra as manobras de Satanás]

3. A prisão de um jovem. Embora muito o assediasse, a mulher de Potifar não conseguiu arrastá-lo ao pecado. Certo dia, porém, estando apenas os dois em casa, ela o agarrou pelas roupas. Ele, desvencilhando-se, deixou-lhes as vestes nas mãos, e fugiu nu (Gn 39.10-12). Só um homem revestido da graça de Deus é capaz de semelhante reação.
Vendo-se rejeitada, a mulher acusa-o de querer forçá-la. Quanto a Potifar, a fim de salvar as aparências, manda-o à prisão, onde eram apenados os oficiais do rei (Gn 39.20). O egípcio poderia ter executado o hebreu. Todavia, apesar de sua ira, preferiu não matá-lo. Apesar do cárcere, José é bem-sucedido. Por isso, o carcereiro-mor entrega-lhe o cuidado dos outros presos, pois “tudo o que ele fazia o Senhor prosperava” (Gn 39.23). [Comentário: Interessante notar que, tivesse Potifar acreditado na acusação feita pela esposa, de que José havia tentado contra sua honra, indubitavelmente a punição teria sido a morte. Há, ainda, outra lição a ser colhida: o registro inspirado informa-nos que a esposa de Potifar instigou José não uma só vez, mas antes "todos os dias" (versículo 10). Isto significa que ela tentou seduzi-lo tanto quando ele estava fraco como quando ele estava forte. Algumas das mais fortes tentações da vida são aquelas que ocorrem "todos os dias". Na prisão, José foi tratado com grande severidade pelos seus carcereiros. A respeito dele disse o salmista: “Feriram-lhe os pés com grilhões; puseram-no a ferros, até o tempo em que a sua palavra se cumpriu; a palavra de Deus o provou.” (Sl 105.18 e 19). Na prisão Deus mais uma vez intervém. O capitão da guarda, por causa da conduta exemplar de José, deu-lhe um cargo de confiança sobre os outros presos, inclusive dois de considerável importância, lançados posteriormente na mesma prisão: o chefe dos copeiros e o chefe dos padeiros.]


SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO

1. José tipo de Cristo. Muitos tomam José como um tipo de Cristo; uma pessoa inocente que sofreu por causa da maldade dos outros e, através do qual, o povo escolhido foi liberto da morte certa. O silêncio de José enquanto seus irmãos deliberam seu destino (Gn 37.12-35) prefigura o silêncio de Cristo perante seus juízes (1Pe 2.23).

2. A mulher de Potifar. O contraste entre Judá e José é forte. Ambos foram tentados sexualmente. Judá procurou o sexo ilícito, enquanto José recusou repetidos apelos da mulher de seu senhor. José lembra-nos que nunca podemos dizer que o sexo nos leva a pecar. A escolha é nossa, agir como Judá ou como José" (RICAHRDS, Lawrence. Guia do Leitor da Bíblia: Uma Análise de Gênesis a Apocalipse capítulo por capítulo. 10ª Edição. RJ: CPAD, 2012, p.45).

III. UM LUGAR DE REFÚGIO PARA ISRAEL

José não se limitava a sonhar; também interpretava sonhos. O seu ministério era parecido com o de Daniel.

1. O intérprete de sonhos. Na prisão, José foi designado a cuidar pessoalmente de dois assessores de Faraó (Gn 40.4). E, certa manhã, ao ouvir-lhes os sonhos, interpretou-os fidedignamente. De acordo com as suas palavras, o copeiro-mor foi restituído ao cargo; o padeiro-mor, enforcado (Gn 40.6-22).
Quem sonha não despreza os sonhos alheios. José, porém, atribuía este poder não a si, mas ao Senhor: “Não são de Deus as interpretações?” (Gn 40.8). Quando atribuímos a glória a Deus, não nos tornamos arrogantes e jamais seremos esquecidos.  [Comentário: Certo dia, quando fazia sua ronda costumeira, José notou que os prisioneiros mais ilustres, o chefe dos copeiros e o chefe dos padeiros de Faraó, ambos tinham uma expressão muito preocupada. Eles disseram que haviam tido um sonho estranho e que não podiam compreender o seu significado. Depois de atribuir a interpretação a Deus, José fez saber a eles a significação: em três dias o chefe dos copeiros seria reintegrado à sua antiga posição, e daria o copo nas mãos de Faraó, como fazia antes. O diligente José pediu ao chefe dos copeiros que se lembrasse dele quando estivesse de volta à corte, pedindo ao Faraó a sua libertação. Quanto ao chefe dos padeiros, em três dias este seria condenado à morte por ordem do rei. E assim aconteceu. “No terceiro dia, que era aniversário de nascimento de Faraó, deu este um banquete a todos os seus servos; e, no meio destes reabilitou o copeiro chefe, mas ao padeiro chefe enforcou, como José lhes havia interpretado.” (Gn 40.20-22). ]

2. Um economista de excelência. Passados dois anos completos, Faraó teve dois sonhos bem agropecuários. No primeiro, viu que sete vacas gordas eram devoradas por outras sete magras e feias. E, no segundo, observou que sete espigas boas e graúdas eram igualmente devoradas por outras sete mirradas e queimadas pelo vento oriental (Gn 41.2-7).
Ao interpretar o sonho ao rei, entregou-lhe também um plano econômico que, embora simples, se mostraria eficaz para salvar não somente o Egito, mas os povos vizinhos, entre os quais, os hebreus (Gn 41.32-36). O plano era bastante prático: a fartura dos primeiros sete anos deveria ser armazenada para socorrer a penúria dos sete anos seguintes. Ao ouvi-lo, Faraó constitui imediatamente José como governador do Egito: “Acharíamos um varão como este, em quem haja o Espírito de Deus?” (Gn 41.38). Seria muito bom se nossos ministros tomassem algum conselho com José. [Comentário: O escravo liberto, agora com 30 anos de idade (Gênesis 41:46), após 13 anos de servidão, foi ritualmente adotado pela corte, recebendo um nome egípcio: Zafenate-Panéia. Também como recompensa, Faraó deu-lhe por mulher Asenate, filha de um sacerdote de Om cidade chamada posteriormente de Heliópolis, o centro do culto ao sol. No devido tempo, os acontecimentos se passaram precisamente como José previra. Durante os primeiros sete anos, José se assegurou de que as abundantes colheitas de grãos em seu país de adoção fossem estocadas. Durante esse período, José tem desfrutado de prestígio e riqueza, bem como de felicidade pessoal. Asenate, sua mulher, deu à luz dois filhos, que receberam os nomes de Manassés e Efraim ]

3. O salvador de seu povo. Foi como primeiro-ministro do Egito que José acolheu a família. Não somente perdoou as ofensas aos seus irmãos, como proveu-lhes toda a subsistência. Ele soube como interpretar as adversidades pelas quais passara. Diante da perplexidade de seus irmãos, declarou-lhes: “Deus me enviou diante da vossa face, para conservar vossa sucessão na terra e para guardar-vos em vida por um grande livramento” (Gn 45.7).
Após encontrar-se com o velho pai, Jacó, instala seus familiares na terra de Gósen, onde os sustenta. E, ali, distante da influência dos cananeus e dos egípcios, os hebreus puderam desenvolver-se até se tornarem uma grande e poderosa nação (Êx 1.6,7). Aquele isolamento seria benéfico a Israel. [Comentário: Mesmo com a ascensão demorada de José, que era cárcere e, depois de Deus o usar como intérprete para os sonhos do Faraó Ramsés, se tornar o 2º na terra do Egito, nunca foi vista uma mudança de ego em José. Após o encontro com sua família, José arranjou a melhor terra no Egito para que sua família morasse. José viveu muitos anos no Egito até sua morte com 110 anos (Gn 50.22), mas nunca se esqueceu da aliança de Deus para o povo de Israel. Essa aliança foi a de que a terra de Canaã, onde morava seu pai Jacó, seria dada à Abraão e seus descendentes. Antes de sua morte, José pediu para que fosse enterrado na Terra de Canaã, pois era a Terra que Deus tinha dado a Abraão e seus descendentes por herança. ]

[O Faraó da história de José (Gn 37.28 e seg.) foi um dos primitivos Reis Hicsos, ou reis pastores. sabemos muitas particularidades a respeito deste soberano, mas não o seu nome. ele reinou cerca do ano 1700 a.C. O fato de ele repentinamente elevar o hebreu José a um lugar próximo do seu, mostra-nos o seu absoluto poder, que ele pôde exercer em beneficio do seu favorito ministro e da família deste. A opressão não principiou na vida de José, mas foi efetuada por um faraó pertencente a uma dinastia que ‘não conhecera a José’ (Êx 1.8). http://iadrn.blogspot.com.br/2012/02/os-faraos-da-biblia.html]

[A Questão da Primogenitura: A primogenitura era concedida geralmente ao filho mais velho. No entanto, nem sempre esse critério se consolidava. Dentre os filhos de Jacó, Rúben era o mais velho, portanto, ele devia ter recebido a bênção mais importante, por ser o filho primogênito da família. No entanto, por ter se deitado com Bila, concubina de seu pai (Gên 35:22), ele perdeu o direito de primogenitura. Ao dirigir sua bênção a Rúben, Jacó disse o seguinte: “Rúben, tu és meu primogênito, minha força e as primícias do meu vigor, preeminente em dignidade e preeminente em poder. DESCOMEDIDO COMO A ÁGUA, NÃO RETERÁS A PREEMINÊNCIA; porquanto subiste ao leito de teu pai; então o contaminaste. Sim, ele subiu à minha cama.” Gênesis 49:3 e 4. Por essa razão o direito de primogenitura lhe foi tirada (ver I Crônicas 5:1). Após a queda moral de Rúben, um outro personagem passou a se destacar naturalmente. Diz o relato bíblico que Jacó amava mais a José do que a todos os seus filhos. Ele presenteou uma túnica real a José, que causou inveja por parte de seus irmãos (Gênesis 37:3 e 4). Tudo leva a crer que Deus o escolheu para desempenhar um papel especial, pois os sonhos de natureza profética que José teve, indicavam a sua distinção em relação aos demais membros da família (Gênesis 37:5-11). Os irmãos de José entenderam o significado daqueles sonhos e responderam-lhe com ódio: “Tu, pois, deveras reinarás sobre nós? Tu deveras terás domínio sobre nós?” Gênesis 37:8. Não desejando ser comandados por José, os irmãos venderam-no para os mercadores midianitas. Na ausência de José, Judá passou a assumir naturalmente, sem conflito com os demais irmãos, a liderança da família. Essa liderança de Judá estendeu-se até o momento do reencontro de José com o seu pai Jacó. Em I Crônicas 5:2, confirma-se que a primogenitura foi concedida a José: “Pois Judá prevaleceu sobre seus irmãos, e dele proveio o príncipe; porém A PRIMOGENITURA FOI DE JOSÉ.” Quando houve o reencontro da família no Egito, as indicações eram muito claras. José teve a preeminência por tornar-se responsável pelo sustento de toda a família (Gênesis 47:12) e por ter assumido a obrigação de preparar o funeral do pai, honrando o desejo dele de enterrá-lo fora do Egito, no campo de Macpela, na terra de Canaã (Gênesis 47:29 e 30; 50:13). http://verdadeemfoco.com.br/estudo.php?id=98]

[Comparações Tipológicas entre José e Jesus:
- O pai de José manda-o à seus irmãos, (Gênesis 37: 13 e 14). Deus enviou Jesus á Israel, (João 3:17 e 1:11).
- Os irmãos de José conspiraram, para matá-lo, (Gênesis 37:18). Os judeus (irmãos de Jesus) conspiraram para matá-lo, (João 5:16).
- José era amado pelo pai, (Gênesis 37: 3 e 4). Jesus também era amado pelo Pai (Lucas 3:22 e Mateus 3:17).
- José foi vendido por seus irmãos, (Gênesis 37:28). Jesus também foi vendido por seus irmãos, (judeus) (Mateus 26:14).
- Deus estava com José, (Gênesis 39:21 a 23 e 41:38 a 39). Deus estava com Jesus, (Lucas 22:43).
- José foi preso, (Gênesis 39:20). Jesus também foi preso, (Mateus 26:50 e 57).
- José sempre servindo o pai, (Gênesis 37:13) a Potifar e a Faraó, (Gênesis 39:11 e 41:10) - Jesus veio para servir, (Mateus 20:28).
- José cumpria a vontade do pai, (Gênesis 37:14). Jesus realizou a vontade do Pai, (Lucas 22:42).
- José recebeu todo poder no Egito, (Gênesis 41:41 e 44). Jesus recebeu do pai todo poder, (João 17:4 e Mateus 28:18).
- José tinha uma túnica, (Gênesis 37:3 e 31). Jesus também tinha uma túnica, (Salmo 22:18 e Mateus 27:35).
- José foi chamado Zafenate-Panéia, que significa salvador do mundo, (Gênesis 41:45). Jesus é o Salvador do mundo, (João 4:42.
- José casa-se com uma gentílica, (Gênesis 41:45). A noiva de Jesus (Igreja) é também dentre os gentios, (João 10:16 e 15:14).
- José não foi reconhecido pelos seus irmãos, (Gênesis 43:3 a 7). Jesus também não foi recebido pelos judeus, (João 1:10 e 11)
- A bênção de José chegou no tempo certo para seus irmãos, (Gênesis 45:18 a 23). A bênção de Jesus também chegará no tempo certo á Israel, (Atos 1:11 e Romanos 11:26).
- José apresenta-se á seus irmãos que o reconhece, (Gênesis 45:3) Jesus aparecerá no monte das Oliveiras e será reconhecido pelos judeus (seus irmãos) como Messias prometido (Zacarias 12:8 a 13, 13:6 e 14:4).
- Os irmãos de José inclinaram se perante ele, (Gênesis 43:26 e 28). Os irmãos de Jesus (os judeus) também se inclinarão perante Jesus, (Romanos 14:11).
- Os irmãos de José suplicaram-lhe, (Gênesis 44:16 a 18). Os judeus, seus irmãos suplicarão a Jesus, (Zacarias 12:10).
- No momento de grande aflição os irmãos de José o encontram e ficam livres dos sofrimentos, (Gênesis 42;2 e 43:1 e 2). Os judeus em momento de grande angustia terão encontro com Jesus e serão livres para sempre. (Zacarias 14:1 a 3)
- José manda seus irmãos chegarem a si, (Gênesis 45:4). Jesus chamará a si seus irmãos, (os judeus) (Zacarias 12:7 e 8)
- Todo povo se ajoelhou perante José, (Gênesis 41:43). Todos os joelhos se dobrarão perante Jesus, (Filipenses 2:10).
- José estava acima de todos no Egito, (Gênesis 41:44). Jesus estará acima de todos e estará no Monte das Oliveiras, (Zacarias 14:4).
- Os irmãos de José viram sua gloria inclusive seu pai. Todos verão a gloria de Jesus.]


SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO

“As Escrituras deixam claro que a separação entre José e o seu povo estava sob o controle de Deus. O Senhor estava operando através de José e das circunstâncias deste, a fim de preservar a família de Israel e reuni-la segundo as suas promessas. Quatro vezes no capítulo 39 está escrito que ‘o Senhor estava com José’ (vv.2,3,21,23). Porque José honrava a Deus, Deus honrava a ele. Aqueles que temem a Deus e o reconhecem em todos os seus caminhos têm a promessa de que Deus dirigirá todos os seus passos (Pv 3.5,6)” (Bíblia de Estudo Pentecostal. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2006, p. 39).

CONCLUSÃO

Se fizermos a vontade de Deus, até as adversidades redundarão em bênçãos e livramentos aos que nos cercam. Todavia, não nos impacientemos se os sonhos que nos dá o Senhor demoram a se cumprir. Para tudo há um tempo determinado. Há tempo para sonhar e também para que cada sonho se realize. Que tudo ocorra, pois, de acordo com a vontade de Deus. [Comentário: José viveu até a idade de 110 anos e morreu no Egito, terra onde passou noventa e três anos da sua vida longe da terra de sua parentela, sem negar sua fé. Antes de morrer, José disse a seus irmãos: “Eu morro, mas Deus certamente vos visitará, e vos fará subir desta terra para a terra que jurou a Abraão, a Isaque e a Jacó.” (Gn 50.24). Em seguida ele pediu que os irmãos dele fizessem uma promessa. Disse José: “Quando Deus vos visitar, levareis os meus ossos daqui.” (Gn 50.25). A história de José é muito mais que um simples retrato de um homem de grande caráter e de fé admirável. É também um marco decisivo na história do povo escolhido de Deus e um modelo de conduta para todos quantos desejam sinceramente ser fiéis ao Senhor.]“ NaquEle que me garante: "Pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus" (Ef 2.8)”.

Francisco Barbosa

Disponível no blog: auxilioebd.blogspot.com.br.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

LIÇÃO 12: ISAQUE, O SORRISO DE UMA PROMESSA





SUBSÍDIO I

O nascimento de Isaque é a confirmação da promessa feita por Deus a Abraão, onde a descendência prometida viria do útero de uma mulher estéril, de sua esposa Sara. Embora a história de Isaque e de Jacó fosse contada simultaneamente, pois o relato de Jacó é contado dentro da história de Isaque (25.19?35.29), as promessas de Deus feitas a Abraão são repetidas a Isaque (26.3-5), como também para Jacó (28.13-15). 
Igualmente, como aconteceu com Sara, o Senhor abriu a madre da mulher de Isaque, Rebeca, conforme está escrito: “E Isaque orou instantemente ao SENHOR por sua mulher, porquanto era estéril; e o SENHOR ouviu as suas orações, e Rebeca, sua mulher, concebeu” (Gn 25.21). Rebeca, não concebeu apenas uma vida, mas duas nações.
No capítulo 26, Isaque repetiu o fracasso de seu pai, Abraão, mentindo sobre a sua esposa (26.6,7), pois ao invés de afirmar ser Rebeca a sua esposa, ele disse a Abimeleque que ela era a sua irmã. Entretanto, Deus interviu na história para proteger a descendência do Seu povo e garantir o cumprimento da promessa feita a Abraão, o seu amigo (Gn 26.11,12). Isaque era o “bem” mais precioso de Abraão. Foi com esse “bem” que o Senhor provou a fé de Abraão. Isaque foi exemplarmente obediente ao seu pai, e não questionou o fato de ser a “oferta” para o sacrifício apresentado por seu pai a Deus.
O convívio com Abraão, seu pai, ensinou Isaque a se relacionar com Deus. Sabendo quem é Deus e o quão importante é viver uma vida que o honre, Isaque foi forjado “aos pés de Abraão”, pois ele daria prosseguimento à promessa: conquistar a terra de Canaã. Perceba que, até aqui, Abraão e Isaque representam aquela fase nômade do povo de Israel. Esse povo não tinha terra, não tinha casa e não tinha raízes. Viver é o grande desafio diário. Entrava numa terra, se estabelecia nela e, logo depois, saía, iniciando esse mesmo ciclo em outro lugar. Mas, em Isaque, esta realidade começa a ser quebrada. Ele é o fi lho da promessa. É o filho da livre e não da escrava.
Com essa imagem, o apóstolo Paulo fundamentou a doutrina da Graça de Deus: “Porque está escrito que Abraão teve dois filhos, um da escrava e outro da livre. [...] Mas a Jerusalém que é de cima é livre, a qual é mãe de todos nós; porque está escrito: Alegra-te, estéril, que não dás à luz, esforça-te e clama, tu que não estás de parto; porque os filhos da solitária são mais do que os da que tem marido. Mas nós, irmãos, somos filhos da promessa, como Isaque” (Gl 4.22,26-28). 

Fonte: Revista Ensinador Cristão, ano 16 - nº 64 – out/nov/dez de 2015

SUBSÍDIO II

INTRODUÇÃO

Na aula de hoje nos voltaremos para a narrativa bíblica a respeito de Isaque, e seu relacionamento com Deus. Inicialmente destacaremos que esse foi prometido a Abraão, quando já em idade avançada. Em seguida, atentaremos para o relacionamento do patriarca com seu filho, especialmente por ocasião do pedido de sacrifício. Ao final, ressaltaremos a benção de Deus sobre a vida de Isaque, para as orientações do Senhor a esse patriarca.

1. ISAQUE, O FILHO PROMETIDO

Abraão e Sara, como muitos outros casais ao longo da Bíblia, tiveram que lidar com a esterilidade. Ainda que o patriarca tivesse recebido a promessa que se tornaria “pai de uma multidão”, o cumprimento da palavra não se deu imediatamente. Apesar de ter passado por
momentos adversos, decorrentes de atitudes precipitadas, o patriarca aprendeu a esperar em Deus. Isso porque muito antes, quando Deus chamou Abraão, prometeu fazer dele uma grande nação (Gn. 12.1,2), que daria a terra de Canaã aos seus descendentes (Gn. 17.7), e que os multiplicaria (Gn. 13.15-17). A promessa do nascimento de Isaque, por causa da esterilidade de Sara, tornou-se algo engraçado, provocando riso ao ouvirem a mensagem divina. O nome Isaque, em hebraico, significa “riso”, esse foi o sentimento experimentado por Abraão e Sara. O patriarca estava com 99 anos de idade, e sara se aproximava dos 90. A Palavra de Deus pode parecer absurda, e às vezes, ir além da racionalidade humana, mas sabemos, pela fé, que podemos confiar nas promessas de Deus (Hb. 6.12). Sabemos disso porque Deus honrou a fé de Abraão, cumprimento no tempo certo sua promessa (Hb. 11.8-11). A Palavra de Deus sempre se cumpre, mas não no tempo dos homens, por isso faz-se necessário cultivar a paciência (Tg. 1.1-8). Nesse particular Abraão precisou amadurecer espiritualmente, por causa da precipitação dele e da sua esposa, decidiram que o patriarca teria um filho com a serva. Em termos aplicativos, o nascimento de Ismael, o filho de Abraão com a escrava, representa o nascimento carnal do ser humano. O nascimento de Isaque, por sua vez, representa o nascimento espiritual do crente. Essa alegoria, umas poucas na Bíblia, é construída por Paulo, em sua Epístola aos Gálatas (Gl. 4.28,29), a fim de admoestar os crentes à santificação espiritual (Gl. 5.22).

2. ISAQUE, UM FILHO A SER SACRIFICADO

Mas o filho prometido a Abraão foi pedido em sacrifício, para que Deus desse ao patriarca a oportunidade de amadurecer na fé. A prova é algo normal na vida dos crentes, e tem propósitos diversos: purificar nossa fé (I Pe. 1.6-9), aperfeiçoar nosso caráter (Tg. 1.1-4), ou proteger do pecado (II Co. 12.7-10). A prova de Abraão seria uma demonstração, para ele mesmo, da sua capacidade para confiar em Deus. O Senhor pediu ao patriarca que oferecesse seu filho em sacrifício, e esse obedeceu, crendo que Deus haveria de ressuscitá-lo (Gn. 22.5; Hb. 11.17-19). Abraão caminhou vários dias até chegar ao Monte Moriá, durante essa jornada teve a oportunidade de se aproximar de Deus. O Senhor permitiu que o patriarca cumprisse o ritual, amarrasse o filho e o preparasse para o sacrifício. Mas não que o sacrifício fosse consumado, pois Deus já havia provido um cordeiro para o holocausto (Gn. 22.14). É possível extrair algumas lições espirituais dessa relação entre o pai (Abraão) e o filho (Isaque), “ambos caminharam juntos” (Gn. 22.6), fazia-se necessário que o pai se desprendesse do filho (Gn. 22.16). Esse texto tem relação com Cristo, o filho de Deus, que foi sacrificado pelos nossos pecados. Jesus é o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (Jo. 1.29), Ele levou o fardo do pecado por nós (I Pe. 2.24). No que tange à prova de Isaque, há sempre um depois (Hb. 12.11; I Pe. 5.10), pois dela resulta o amadurecimento. De igual modo, precisamos estar cientes da realidade das aflições na terra, o próprio Jesus advertiu Sua igreja a esse respeito (Jo. 16.33). O sofrimento tem um caráter pedagógico, dependendo da maneira que for abordado, poderá oportunizar amadurecimento espiritual (II Co. 4.17).

3. ISAQUE, UM FILHO ABENÇOADO

Isaque recebeu a promessa da benção que foi dada por Deus inicialmente ao seu pai Abraão. Para tanto, fazia-se necessário que tivesse uma esposa, com a qual teria filhos para cumprir o estabelecido pelo Senhor. Por isso enviou Abraão enviou seu mais antigo servo Eliezer a fim de escolher uma esposa para Isaque. O servo do patriarca demonstrou fé diante dessa empreitada, demonstrada em sua oração. A escolha de um cônjuge é sempre uma tarefa complexa, faz-se necessário que os jovens não desprezem o valor da oração. Mas apenas essa não é suficiente, por esse motivo o servo ficou atento às características da jovem a ser escolhida como esposa. Primeiramente deveria ser dentre a parentela de Abraão, isso revela o cuidado dos jovens em relação ao perigo de um jugo desigual (II Co. 6.14). Além disso, o servo observou a disponibilidade para o serviço da jovem Rebeca. Apenas orar não é suficiente, faz-se necessário usar sabedoria, avaliar as características da pessoa com quem se pretende casar. O casamento entre Isaque e Rebeca pode ser comparado ao relacionamento amoroso de Cristo com a igreja (Ef. 5.26). Por aplicação, Eliezer pode representar o Espírito Santo, que nos dá as primícias como penhor dass riquezas em Cristo (Ef. 1.13,14). Rebeca pode simbolizar a noiva, que não tinha visto o noivo, mas que nele confia (I Pe. 1.8). Jesus é o Noivo, a quem aguardamos com expectativa, pois Ele mesmo prometeu (Jo. 14.1,2). Esse encontro é a bendita esperança da igreja, o momento no qual o noivo se voltará para buscar sua noiva amada (I Ts. 4.13-18).

CONCLUSÃO

A narrativa bíblica sobre a vida de Isaque é relevante não apenas para os judeus. Através desses capítulos de Gênesis, compreendemos os propósitos de Deus para a humanidade. Ele sempre cumpre suas promessas, seus planos jamais serão frustrados. E mais, sabemos que tudo coopera para o bem daqueles que amam a Deus, e que são chamados segundo o Seu desígnio (Rm. 8.28). Faz-se necessário, portanto, crer contra toda descrença (Rm. 4.18-21), e se fundamentar na Palavra de Deus (Hb. 4.12), convictos da sua fidelidade, com esperança na mensagem profética (II Pe. 1.21).

Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Extraído do Blog subsidioebd

COMENTÁRIO E SUBSÍDIO III

INTRODUÇÃO

Já haviam se passado 24 anos desde que Abraão saíra de Ur dos Caldeus. E, apesar da promessa que o Senhor lhe fizera quanto à posse das terras de Canaã, o patriarca continuava sem herdeiros. Ele já estava com 99 anos e Sara beirando à casa dos 90. Numa idade tão avançada, teriam eles ainda o prazer de embalar o próprio filho? Para Deus nada é impossível. O Senhor prometeu ao patriarca que um filho haveria de nascer-lhe do ventre amortecido de Sara. Esta, ao ouvir a boa-nova, ri-se do que Deus disse. Logo ela veria que apesar de seu riso, o Senhor cumpriria sua promessa. Ele sempre nos surpreende em nossas limitações. [Comentário:“ Sabemos, pelas palavras de Estêvão, de fato, que Deus chamou(1) Abrão enquanto ele ainda morava em Ur(2)dos caldeus, na Mesopotâmia, antes que ele viesse a Harã (At 7.2,3). Com 75 anos de idade, Abraão deixa Harã e segue para Canaã levando consigo a Sarai, esposa e sua meia-irmã, e seu sobrinho, Ló, e no coração, a fé na promessa de Deus – hoje, com esta idade, há muito já estaríamos aposentados e sem esperar mais das promessas do Senhor. Há alguns estudiosos que afirmam que ele estava errado em levar Ló consigo, já que lhe foi dito para deixar sua família. Observe Gênesis 13.14-15. No capítulo 12 de Gênesis, Deus chama Abraão, faz com ele aliança e promete-lhe que ele seria pai de uma multidão de nações. Contudo, sem filhos seria impossível que a promessa de Deus se cumprisse, Abraão não podia crer que um Deus tão poderoso deixaria que um servo herdasse as promessas; ele cria que Deus poderia lhe dar um filho. Esta promessa exigia fé por parte de Abrão, pois era óbvio que ele já era idoso, e que Sarai, sua esposa, era incapaz de ter filhos (Gn 11.30). Passar-se-iam muitos anos antes que Abrão entendesse inteiramente que este herdeiro que Deus prometera viria da união dele com Sarai. Em Gênesis 17.1, treze anos após o nascimento de Ismael e vinte e quatro anos depois da promessa original, Deus renova suas promessas “...Sendo, pois, Abrão da idade de noventa e nove anos”; Isaque (que significa ele riu, em alusão aos risos de incredulidade de Abraão (Gn 17.17), de Sara (Gn 18.12-15), e de alegria pelo nascimento do filho (Gn 21.5-7).), o filho da promessa, finalmente nasceu no lar do centenário Abraão “...E disse Sara: Deus me tem feito riso; e todo aquele que o ouvir se rirá comigo.” (Gn 21.6).]

(1) Embora pareça, por uma leitura superficial de Gênesis (11:31-12:1), que Deus chamou Abrão quando este estava em Harã, pelo relato contraditório de Estêvão, Deus o chamou na Mesopotâmia, antes dele viver em Harã; os dois relatos podem ser harmonizados ao se notar que Gn. 11:27-32 é um parêntese da geração de Terá, introduzido por um waw disjuntivo, e que Gn. 12:1, introduzido por um waw consecutivo, continua a narrativa principal que foi interrompida em Gn. 11:26.” Bruce Waltke, Unpublished Class Notes, Dallas Theological Seminary, pp. 14-15.
(2) “A cidade de Ur, no baixo Eufrates, foi um grande centro populacional, e rendeu extensas informações das tumbas reais que foram escavadas sob a direção de Sir Leonard Wooley e o patrocínio do Museu Britânico e do Museu da Universidade da Pensilvânia. Embora nenhuma evidência direta da residência de Abraão esteja disponível, o importante é que a cidade de Ur reflete a longa história anterior à época de Abrão, possuindo um elaborado sistema de escrita, instalações educacionais, cálculos matemáticos, registros religiosos, de negócios e de arte. Isto demonstra o fato de que Ur possa ter sido uma das maiores e mais abastadas cidades na área do Tigre-Eufrates quando Abraão emigrou da região norte para Harã.” Schultz, “Abraão”, ZPEB, I, p. 22

I. ISAQUE, O SORRISO TÃO ESPERADO

Da promessa ao nascimento de Isaque, passou-se um ano (Gn 18.10). Para quem já havia esperado tanto tempo, aqueles meses correram rapidamente.

1. O nascimento do “riso”. No tempo apontado pelo Senhor, eis que Sara dá à luz o seu unigênito. Na tenda do patriarca, ouve-se agora o choro do filho da promessa, através do qual viriam heróis, reis e o próprio Cristo (Mt 1.1,2). Ao embalar o filhinho, Sara comenta: “Quem diria a Abraão que Sara daria de mamar a filhos, porque lhe dei um filho na sua velhice?” (Gn 21.7). [Comentário: Embora Abraão tenha tido um filho com a serva Agar (Ismael), encontramos em Gn 22.15-16 uma alusão a um único filho, assim como, também, o autor do livro de Hebreus se refere a Isaque como o filho unigênito, que significa único filho gerado por seus pais (Hb 11.17). É interessante notar, ainda, que a vida de Isaque se situa no meio da história de dois patriarcas mais famosos: Abraão tem 287 referências na Bíblia, Jacó tem 365 e Isaque tem 131. Embora não tenha sido tão proeminente quanto seu pai e seu filho na narrativa de Gênesis, Isaque foi fundamental no desenvolvimento da nação de Israel e no cumprimento da aliança de Deus com Abraão e seus descendentes. É através desse patriarca que se desenha o plano redentor do Senhor: Isaque foi oferecido como sacrifício voluntário; é um tipo de Cristo em sua morte: ele carregou em sues ombros a lenha para o holocausto até o Monte Moriá; Cristo carregou a sua cruz ao Calvário, local próximo a Moriá. Orígenes comentou que levar a lenha para o holocausto era dever do sacerdote. Portanto Isaque foi ao mesmo tempo vítima e sacerdote, prefigurando o trabalho de Cristo na cruz. Isaque mostra que Deus cumpre as promessas que faz. Os quatro elementos da promessa feita a Abraão (12.1-3) começam a cumprir-se em Isaque: 1) terra - ele permanece em Canaã após a morte de seu pai aprofundando ali as raízes familiares em obediência a Deus; 2) descendentes – continua a linhagem através de Jacó, após o qual a multiplicação de descendentes acelerou; 3) relacionamento especial com Deus - foi temente a Deus e por ele grandemente abençoado; d) bênção às nações – durante o tempo que Isaque morou em Gerar, já aparecem pequenos sinais de bênção para as nações. Enfim, embora não tão proeminente quanto seu pai ou seu filho na narrativa de Gênesis, Isaque foi um elo fundamental no desenvolvimento da nação de Israel e no cumprimento da aliança de Deus com Abraão e seus descendentes. Sua história tem muito a nos ensinar.leia mais sobre isto em: http://ibmorumbi.com/descobertas/view.asp?CID=54&ID=754]

2. Isaque e Ismael. Se Isaque era o filho da promessa, Ismael estava ali na conta do filho da desesperança e do arranjo carnal. Por isso, o filho de Abraão com Agar, sentindo-se enciumado com a chegada do meio-irmão, põe-se a zombar dele. A situação ficou tão insustentável que, quando do desmame de Isaque, Sara diz ao esposo: “Deita fora esta serva e o seu filho; porque o filho desta serva não herdará com meu filho, com Isaque” (Gn 21.10).
Embora a palavra de Sara fosse-lhe dura, Abraão, orientado por Deus, despede a escrava e seu filho. O Senhor, no entanto, já tinha um plano para Agar e Ismael. Afinal, aquele menino também era descendência do patriarca (Gn 21.15-21). [Comentário: Uma pergunta deve ser feita aqui: por que Sara ofereceu sua serva Agar para que Abraão deitasse com ela? E por que o patriarca consentiu? Sara entrega sua serva egípcia Agar para coabitar com seu marido - isso é escandaloso em nossa maneira ocidental moderna de pensar, mas era uma coisa comum naquela região do oriente, quando um homem podia ter muitas esposas e concubinas. A ideia era fazer Agar conceber de Abraão, numa espécie de “barriga de aluguel” antiga, e assim suscitar descendência à sua casa, já que pelo costume da época, um filho concebido por uma serva era considerado filho de sua senhora. Foi um passo errado, indicando uma falta de confiança em Deus e Sara foi a primeira a colher os frutos amargos de seu plano. O nome Ismael significa Deus ouve e significa que Deus viu o modo injusto de Abrão e Sarai tratarem Agar, e que também agiu a respeito disso. Aquele nome dado antecipadamente foi um julgamento sobre Abrão, e revela que Deus abomina toda e qualquer injustiça entre os seus. Ismael, juntamente com os seus descendentes, seria um povo aguerrido, forte e corajoso. Sua disposição para a luta poderia ser usada na peleja espiritual, em favor de Deus ou contra Deus. A escolha seria dele – Aqui está a origem belicosa entre árabes e judeus, ambos descendem de Abraão, e o fato da belicosidade árabe reside nesta passagem bíblica: “Contudo ele será como um jumento selvagem do deserto; ele lutará contra todos e todos guerrearão contra ele. Ele viverá em hostilidade contra todos os seus parentes!” (Gn 16.12 BKJ). Abraão e seus descendentes, Isaque, Jacó, deram origem aos Hebreus de onde vieram os judeus. Ismael e a sua descendência, Nebaiot, Cedar, Abdiel, Mabsão, deram origem aos árabes. Referindo-se aos dois filhos de Abraão, Paulo vai dizem que “Não são os filhos da carne que são filhos de Deus, mas os filhos da promessa são contados como descendência” (Rm 9.8).]

SUBSÍDIO DEVOCIONAL

“Idade de Noventa e Nove Anos
Abraão agora estava com noventa e nove anos e Sarai já há muito ultrapassara a idade de ter filhos. Mas treze anos após o nascimento de Ismael e vinte e quatro anos depois da promessa original de Deus, o Senhor apareceu a Abraão com uma mensagem e exigência. (1) Deus se revelou como o ‘Deus Todo-Poderoso’, significando que Ele era onipotente e que nada lhe era impossível. Como Deus Todo-Poderoso, Ele podia cumprir suas promessas, quando na esfera natural tudo dizia ser impossível o seu cumprimento. Então, seria por um milagre que Deus traria ao mundo o filho prometido a Abraão. (2) Deus ordenou que Abraão andasse diante dEle e que fosse ‘perfeito’. Assim como a fé de Abraão foi necessária na efetuação do concerto com Deus, assim também um esforço sincero para agradá-lo era agora necessário, para continuação das bênçãos de Deus, segundo o concerto feito. A fé de Abraão tinha que estar unida à sua obediência (Rm 1.5); senão ele estaria inabilitado para participar dos propósitos eternos de Deus. Noutras palavras, as promessas e os milagres de Deus somente serão realizados quando o seu povo busca viver de maneira irrepreensível, tendo o seu coração voltado para Ele” (Bíblia de Estudo Pentecostal. RJ: CPAD, 2006, p.56).


II. ISAQUE, O BEM MAIS PRECISOS DE ABRAÃO

Em Moriá, o Senhor não somente provou a fidelidade de Abraão, como também introduziu Isaque na dimensão da fé confessada por seu pai.
1. A provação das provações. Certa noite, o Senhor ordenou a Abraão: “Toma agora o teu filho, o teu único filho, Isaque, a quem amas, e vai-te à terra de Moriá; e oferece-o ali em holocausto sobre uma das montanhas, que eu te direi” (Gn 22.2). Na manhã seguinte, ainda de madrugada, o patriarca conduziu o filho amado ao sacrifício supremo.
O patriarca, todavia, tinha absoluta certeza de que retornaria do Moriá com o filho, pois aos servos ordenou claramente: “Ficai-vos aqui com o jumento, e eu e o moço iremos até ali; e, havendo adorado, tornaremos a vós” (Gn 22.5; Hb 11.17-19). [Comentário: Por que Deus pediu a Abraão que sacrificasse seu filho, tendo o próprio Deus condenado o sacrifício humano em Levítico 18 e 20? Esse foi um pedido impressionante porque Isaque era o seu filho da promessa. Como Abraão respondeu? Com obediência imediata; na manhã seguinte, Abraão começou a sua jornada com dois servos, um jumento, seu amado filho Isaque e com a lenha para o holocausto. Sua obediência inquestionável ao comando aparentemente confuso de Deus deu a Deus a glória que Ele merece e nos deixou um exemplo de como devemos glorificá-lO. Abraão confiou no amor e no poder de Deus de tal maneira que voluntariamente obedeceu, crendo que o Senhor ressuscitaria Isaque dentre os mortos (Hb 11.17-19). Isto está implícito no fato de que, embora Abraão pretendesse matar Isaque, ele disse aos seus servos: “eu e o rapaz [nós] iremos até lá e, havendo adorado, voltaremos para junto de vós” (Gn 22.5), e de fato, Deus não estava interessado em que Abraão viesse de fato a matar o seu filho, nem era esse o seu plano. O fato de o anjo do Senhor ter impedido que Abraão matasse Isaque (Gn 22.12) revela isso. O propósito de Deus foi provar a fé de Abraão, com o pedido de que entregasse completamente aquele seu único filho a Deus. O anjo do Senhor declarou que era a disposição de Abraão de entregar o seu filho, e não o ato de realmente matá-lo que satisfez as expectativas de Deus com respeito a Abraão. Deus disse explicitamente: “Não estendas a mão sobre o rapaz… pois agora sei que temes a Deus, porquanto não me negaste o filho, o teu único filho” (Gn 22.12). ]

2. O encontro de Isaque com Deus. Não há dúvida de que o Senhor queria provar a fé do patriarca. Todavia, era sua intenção também levar o jovem Isaque a um encontro pessoal e fortemente experimental com o Deus de seu pai.
A primeira lição que Isaque aprende é que Deus proverá todas as coisas (Gn 22.8). Por isso, deita-se e deixa-se amarrar pelo pai ao altar do holocausto (Gn 22.9). No momento certo, o Senhor haveria de intervir, como de fato interveio. Deus tinha planos para Isaque, e mostraria ao jovem que Ele cumpre suas promessas. O Deus de Abraão seria também o Deus de Isaque. [Comentário: No caminho para Moriá(3), Isaque pergunta: Meu pai, eis aqui o fogo e a lenha, mas onde está o cordeiro para o holocausto? Abraão responde-lhe: “Deus proverá”. Chegaram ao local determinado e prepararam o altar, então Abraão contou a Isaque todas as coisas e o amarrou para ser sacrificado e ao levantar o cutelo para imolá-lo, Deus impediu Abraão de sacrificar Isaque e providenciou um cordeiro para isso. Isaque, o filho da promessa, agiu em obediência ao seu pai em se tornar o sacrifício (v.9); Jesus orou: “Pai meu, se este cálice não pode passar de mim sem eu o beber, faça-se a tua vontade” (Mt 26.37) - Isaque é “padrão”, “ilustração”, “exemplo” ou “tipo”. de Cristo - o padrão do sacrifício de Isaque por Abraão prefigura muitos eventos que espelham a morte e a ressurreição de Jesus.]

(3)Acredita-se que o monte Moriá seja a mesma colina em Jerusalém onde Salomão construiu a casa do Senhor; onde Deus apareceu a Davi, pai de Salomão; Davi preparou a eira (o lugar) que pertenceu a Araúna, o jebuseu, para a construção do Templo do Senhor por seu filho, segundo prometeu. Atualmente, é o local onde está a Mesquita de Omar, sobre a Cúpula da Rocha, de onde os muçulmanos acreditam teria sido o lugar de partida da Al Miraaj (viagem aos céus realizada pelo profeta Maomé) e permanece hoje como um templo da fé islâmica.
  
SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO

“Isaque
O nome dado por Deus antes do nascimento da criança (Gn 17.19) significa ‘ele ri’, ‘aquele que ri’, ou simplesmente ‘riso’.
Nada é conhecido sobre os dias da infância de Isaque. Em seguida, vemo-lo grande e forte o suficiente para carregar a madeira para o fogo do altar subindo a montanha, não sabendo que ele mesmo seria colocado no altar. A experiência de ter sido amarrado como uma vítima de sacrifício e então liberto pela intervenção divina deve ter afetado profundamente toda a sua vida” (Dicionário Bíblico Wycliffe. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2006, p.989).

III. O CASAMENTO DE ISAQUE

Se Isaque quisesse, poderia ter se casado com uma das jovens daquela terra. Entretanto, ele sabia que as cananeias eram idólatras e dadas ao pecado. Por isso, resolveu confiar no Deus que tudo provê.

1. Uma esposa para Isaque. Sabendo que Isaque era um homem espiritual e
seletivo, Abraão encarregou seu mais antigo servo para buscar uma esposa na Mesopotâmia para seu filho (Gn 24.1-7).
Na cidade de Naor, o mordomo orou ao Eterno: “Seja, pois, que a donzela a quem eu disser: abaixa agora o teu cântaro para que eu beba; e ela disser: Bebe, e também darei de beber aos teus camelos, esta seja a quem designaste ao teu servo Isaque” (Gn 24.14). A moça que assim procedesse revelaria as seguintes virtudes: espiritualidade, gentileza, respeito, disposição e amor ao trabalho. Eis que aparece Rebeca, bela e formosa virgem, preenchendo todos esses requisitos. [Comentário: Nos dias do Antigo Testamento, o casamento era negociado pelos pais dos noivos. O homem que desejasse uma esposa tinha de comprá-Ia, e o preço estabelecido, de acordo com o que se lê na Bíblia (Dt 22.29), era de cinquenta siclos de prata, cujo pagamento poderia ser feito em camelos, ovelhas ou em dinheiro. Esse pagamento era chamado "mon­har". Se o casamento fosse pacífico, não era tratado diretamente pelo noivo nem pela noiva. Os intermediários no trato do consórcio eram os amigos do noivo. O contato dos intermediários com a família da noiva exigia que estes "levassem presentes para a noiva e não podiam ir de mãos vazias. A noiva não tinha a menor interferência nas negociações de seu casamento com o noivo. Não tinha o direito de recusar o homem que lhe escolhessem para marido. [...] No contrato de casamento não estava a ação de qualquer mulher, nem mesmo da mãe da noiva. Todos os assuntos relacionados com o enlace eram realizados pelo pai da noiva e, na falta deste, pelo irmão mais velho; na falta do irmão, um amigo de confiança ou mesmo um servidor da casa poderia ser o intermediário. Em Gênesis 24, aparece Abraão dando instruções ao seu servo para procurar uma esposa para Isaque. O próprio Isaque desempenhou papel secundário. Convém lembrar que os casamentos desses dias distantes deviam realizar-se entre pessoas da mesma tribo; não se admitiam casamentos com estrangeiros (portanto, Isaque não poderia ter se casado com uma das jovens daquela terra). [...] A esposa era levada ao esposo coberta com um véu (Gn 24.65; 29.25). Enfeitada para o esposo, tendo um cinturão próprio do casamento (Jr 2.32), ela aguardava o esposo no quarto das mulheres, o tálamo nupcial (JI 2.16). Em grego, os noivos recebem o nome de "nymphios". Conde, Emílio, 1901-1971 - Tesouro de conhecimentos bíblicos / Emílio Conde. - 2' ed. ­Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembleias de DEUS, 1983. Note o leitor que a oração do servo de Abraão, Eliezer, quando já se encontrava nos arredores da cidade de Naor, foi uma oração de quem estava necessitando da ajuda de Deus. Era uma oração onde ele não pedia que o Senhor mostrasse a ele uma mulher perfeita, bonita mas uma mulher que fosse piedosa e que Ele (Deus) estivesse preparando para Isaque, filho do seu senhor Abraão. Esta é a oração que deveríamos fazer em favor de nossos filhos. Que o Senhor coloque na vida deles pessoas crentes, piedosas, bondosas, compassivas, fiéis e de beleza interior sem igual. Que os atributos de uma mulher ou de um homem de Deus, encontrados em 1 Pedro 3.3-4, façam parte da vida daqueles que almejamos para nossos filhos... "O enfeite delas não seja o exterior, no frisado dos cabelos, no uso de jóias de ouro, na compostura dos vestidos; Mas o homem encoberto no coração; no incorruptível traje de um espírito manso e quieto, que é precioso diante de Deus."]

2. O casamento de Isaque. Tendo consultado sua família e recebido o consentimento desta, Rebeca acompanha Eliezer até chegarem onde Isaque morava. O encontro de Isaque com Rebeca foi singular e romântico. Ele saíra a orar, à tarde, quando avistou a jovem na feliz comitiva. Depois de ouvir o servo do pai, ele a conduz à tenda da mãe e a toma por esposa (Gn 24.67). Assim Isaque foi consolado da perda de sua mãe, Sara. [Comentário: Por causa da forte influência tribal e da unidade do clã na sociedade patriarcal, os pais consideravam seu dever e prerrogativa assegurar esposas para seus filhos (Gn 24.3; 38.6). Normalmente, a noiva em perspectiva, assim como o noivo, simplesmente concordava com os arranjos feitos de acordo com os interesses da família e da lealdade à tribo. Não é de admirar que muitas vezes os pais procurassem o casamento entre primos em primeiro grau, como por exemplo, no caso de Rebeca e Isaque. O casamento com mulheres estrangeiras era desaconselhado (Gn 24.3; 26.34,35; 27.46; 8.8) e mais tarde foi totalmente proibido (Ex 34.16; Dt 7.3; Ed 10.2,3,10,11) pelo perigo de uma volta à prática da idolatria das demais nações. Casamentos mistos eram tolerados apenas no caso dos exilados (por exemplo, José, Gn 41.45; Moisés, Ex 2.21) e dos reis apenas por razões políticas. Por outro lado, havia em Israel a oportunidade para casamentos baseados no namoro. O jovem podia declarar a sua preferência (Gn 34.4; Jz 14.2). Por exemplo, Mical se apaixonou por Davi (1 Sm 18.20). Na época do AT as mulheres não eram mantidas como reclusas, como nos países muçulmanos, e podiam sair às ruas com o rosto descoberto (cf. 1 Sm 1.13). Elas cuidavam das ovelhas (Gn 29.6; Ex 2.16), carregavam água (Gn 24.13; 1 Sm 9.11), colhiam nos campos (Rt 2.3) e visitavam outros lares (Gn 34.1). Dessa maneira., os jovens tinham a liberdade de procurar a futura noiva sozinhos. [...]A essência da cerimônia do casamento ou das festividades era o ato de retirar a noiva da casa do pai e trazê-la para a casa do noivo ou de seu pai. Dessa forma, havia uma verdade literal na expressão hebraica "tomar" uma esposa (por exemplo, Gn 4.19; 12.19; 24.67;38.2; Nm 12.1; 1 Sm 25.39-42; 1 Rs 3.1; 1 Cr 2.21)..Dicionário Bíblico Wycliff – Charles F. Pfiffer, Howard F. Vos, John Rea.. Também é importante frisar que, o casamento de Isaque e Rebeca não foi simplesmente terem tido relações na tenda, sem nenhuma formalidade, como fica evidenciado em uma leitura rápida do texto fora do contexto. Explico: Já foi explicado acima que naquela época os casamentos eram geralmente arranjados pelos pais e por vezes se usava a figura de um representante legal. Aliás, até hoje, é possível casar por procuração. O servo-procurador foi, orando para que Deus mostrasse quem seria a esposa para Isaque (Gn 24.12-14). Quando ficou claro que era Rebeca, o servo-procurador lhe entregou presentes, que já apontavam para um pedido oficial de casamento (como alianças de noivado, por exemplo), e pediu para conhecer a família dela (Gn 24.22-26). A família era composta da mãe e do irmão Labão, que era o patriarca da família (o pai havia morrido), o que naquela época significava aquele que fazia o papel do líder religioso e civil. É só verificar o episódio mais adiante, em que ela casa as suas duas filhas, Lia e Raquel, com Jacó (Gn 29). Voltando ao relato... Diante da mãe e do irmão de Rebeca, o servo-procurador fez a proposta de casamento, repetindo a missão que lhe fora dada: achar uma esposa para Isaque (Gn 24.28-49). Houve a permissão da mãe e do irmão (Gn 24.50-51) e em seguida perguntaram a Rebeca: “queres ir com este homem?”, ao que ela respondeu “irei” (Gn 24.57-58) – algo bastante parecido com “você aceita este homem como seu legítimo esposo?” – “sim, aceito”. E não faltou nem bênção: Labão, como patriarca da família, abençoou Rebeca na saída (Gn 24.60 – a frase “és nossa irmã” sugere que foi Labão quem deu esta bênção). Augustus Nicodemus Lopes , http://tempora-mores.blogspot.com.br/2013/10/isaque-e-rebeca-base-para-viver-juntos.html.]

3. Os filhos que não vinham. Rebeca também era estéril. Isaque, todavia, ao invés de arranjar um herdeiro através de um ventre escravo, como haviam feito seus pais, foi buscar a ajuda de Deus. Ele orou insistentemente ao Senhor por sua mulher (Gn 25.21). Isaque se casou com Rebeca quando tinha quarenta anos (Gn 25.20), e foi pai aos sessenta anos (Gn 25.26). Pela Palavra de Deus, entendemos que Isaque orou por vinte anos, até ter sua oração respondida. Ele era um homem de oração, e não se deixou abater pelo passar do tempo, pois tinha uma promessa de Deus para sua família. E Deus lhe deu dois filhos: Esaú e Jacó. [Comentário: O casamento de Isaque e Rebeca continuava sendo dirigido por Deus. Diante da esterilidade de Rebeca, que era um obstáculo ao desenvolvimento da família da aliança, Isaque se colocou diante de Deus em oração por sua esposa. Essa atitude não apenas demonstra sua fé em Deus, como também seu amor por sua esposa (Gn 25.21). O resultado disto foi que Deus os abençoou, ouvindo e atendendo essa oração. Rebeca, então, concebeu. Era preciso exercitar a fé na promessa e a ferramenta utilizada por Deus para isso foi mais uma vez a esterilidade! Rebeca foi estéril por cerca de vinte anos. Isso deu a Isaque a oportunidade de mostrar a sua fé na promessa de Deus a Abraão, de abençoar todas as famílias da terra por meio de um descendente seu que ainda não havia nascido (Gn 12.3).]

SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO

Professor, procure enfatizar as características de Isaque. Mostre que a sua mansidão “é vista em sua submissão sem resistência a seu pai ao tornar-se o sacrifício sobre o altar de Moriá, e em sua recusa a discutir quando os pastores de Gerar reivindicavam os poços. Ele possuía uma natureza afetuosa, profundamente ligado à mãe, chorando por sua morte, e sendo depois confortado em seu amor por Rebeca. Seu espírito mediador pode ter contribuído para seu afeto expansivo.
Ele era um homem que vivia em contato com Deus. Embora não tenha as visitações dramáticas que foram concedidas ao seu pai, Abraão, Isaque obedeceu aos mandamentos de Deus. O altar, a tenda e o poço simbolizavam os principais interesses de sua vida” (Dicionário Bíblico Wycliffe. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2006, p.990).

IV. ISAQUE, O BENDITO DO SENHOR

Desde a sua experiência no Moriá, Isaque fez-se ousadíssimo na fé. As bênçãos sobre a sua vida multiplicaram-se de tal forma, que ele já era visto pelos reis de Canaã como um príncipe de Deus.
1. Príncipe de Deus. Embora não fosse rei, Isaque tornou-se tão grande que chegou a incomodar até mesmo o poderoso Abimeleque, rei de Gerar (Gn 26.16). Este, vendo que o patriarca já lhe era superior em bens e força, pediu-lhe uma aliança chamando-o de “bendito do Senhor” (Gn 26.29). Naquela época, tal título equivalia a ser chamado de príncipe de Deus. [Comentário:As Bênçãos de Deus são tão evidentes sobre Isaque, o sucessor escolhido para as promessas de Deus, como fora sobre seu pai Abraão (Gn 21.22), assim, tornou-se muito rico (poderoso): “Isaque semeou naquela terra, e no mesmo ano colheu o cêntuplo; e o Senhor o abençoou. E engrandeceu-se o homem; e foi-se enriquecendo até que se tornou mui poderoso; e tinha possessões de rebanhos e de gado, e muita gente de serviço; de modo que os filisteus o invejavam” (Gn 26.12-14). Ao fixar-se naquela terra e por ser um homem abençoado por Deus, agraciado com muitos animais e com muita gente de serviço, Isaque despertou grande inveja nos filisteus, que se voltariam contra ele em forma de retaliação. Seus inimigos começaram a entulhar os poços de água, anteriormente construídos pelo seu pai Abraão. Diante daquela situação conflituosa, o Rei dos filisteus, Abimeleque, pediu que Isaque saísse do meio deles, pois achava que o centro da contenda fosse Isaque e sua gente. Que lição maravilhosa para nós. Não o fato de ter enriquecido, mas o fato de ser, Isaque, um pacificador! Mateus 5.9: “Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus”. Estamos diante de uma qualidade imprescindível para aquele que quer fazer parte do reino. O integrante do reino deve ser um "pacificador". Esta palavra vem do grego "eirhnopoiov" – eirenopoios (esta palavra é uma derivação de "eirhnh" (eirene) – "paz") e tem como significado "promotor da paz". Não significa somente fugir de discórdias e contendas, mas também detectar o foco delas e jogar água, pacificando irmãos em disputas, criando um clima de amizade e união no meio do povo de Deus. É verdade que há situações onde a pacificação não depende somente de nós. Podemos ser "agraciados" com um inimigo gratuito, que nos odeia sem causa! Porém, o apóstolo Paulo é claro: "... se depender de vós, tende paz..." (Rm 12.18). Observe que Paulo não fala somente da paz entre os irmãos, mas também da paz com "todos os homens", ou seja, estão envolvidos também aqui, aqueles que não são convertidos, no meio dos quais precisamos ser promotores da paz. O escritor aos Hebreus assevera que a paz deve ser "perseguida" a qualquer custo (Hb 12.14). O verbo "seguir" é o termo grego "diwkw" – dioko, que quer dizer "correr rapidamente para pegar uma pessoa ou coisa", "buscar avidamente". Devemos buscar a paz a qualquer custo! Procurar avidamente por ela! Note que a palavra paz é colocada junto com a palavra santificação, onde o autor nos diz que "... sem a santificação ninguém verá o Senhor". Não é isso sugestivo a nós? Sejamos pacificadores, promotores de paz não somente na igreja, mas também no meio em que vivemos!]

2. Profeta de Deus. A bênção de Isaque impetrada sobre os gêmeos, antecipa profeticamente o destino de cada um deles. Mesmo Jacó havendo-o enganado, fingindo ser Esaú a fim de roubar a primogenitura do irmão, o patriarca não pôde anulá-la, pois suas palavras eram, na verdade, de Deus. Por isso, diante dos rogos de Esaú, foi categórico: “Eis que o tenho posto por senhor sobre ti, e todos os seus irmãos lhe tenho dado por servos; e de trigo e de mosto o tenho fortalecido; que te farei, pois, agora a ti, meu filho?” (Gn 27.37).
Naquele momento, Isaque profetizou não acerca de Jacó e Esaú, mas dos povos que estes representavam. [Comentário: A primogenitura era ritual e estatuto em Israel, o filho mais velho recebia herança em dobro dos bens de seu pai, além de ser o herdeiro do título do pai e, o mais importante, o sucessor do pai no sacerdócio familiar. Isto incluiu a herança da terra, assim como a autoridade para seguir com as bênçãos Divinas. O primogênito dos rebanhos e de famílias humanas era considerado como pertencendo ao Senhor, e esperado que lhe fosse dedicado. Esaú perdeu seu direito de primogenitura para seu irmão Jacó por causa de uma refeição de lentilhas, isso aponta para o caráter dele, note que somente em dois lugares nas Escrituras um homem é chamado um caçador, (Tzayid): o primeiro homem intitulado como caçador, para identificar o seu caráter foi Nimrode; o outro é Esaú; quando a Bíblia o usa a palavra Tzayid é sempre em sentido negativo. Note, ainda, o seguinte: A palavra Hebraica para a benção (brachah – lê-se brarrá) carrega a mesma raiz Hebraica da palavra que significa primogenitura e primogênito (bekorah), assim, de fato, Jacó não roubou a bênção que cabia ao seu irmão mais velho. Deus usou seus servos, geralmente profetas, no passado, para transmitir sua mensagem de bênção ou maldição; o Senhor separou a tribo de Levi para abençoar em Seu nome (Dt 10.8) e deu-lhes as palavras exatas, que consistem em desejar que o Senhor lhes seja propício (Nm 6.23-27). A bênção de Isaque, neste caso, só teria valor se procedesse de Deus. Mesmo no caso de seu pai Abraão, Deus prometeu: "abençoarei os que te abençoarem (te desejarem o bem) e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem (te desejarem o mal) ..." (Gn 12.3): nunca "abençoarei os que abençoares". O Pr Ciro Sanches Zibordi escreve em sua obra Erros que os Pregadores devem Evitar – CPAD: “Você já percebeu como a expressão "Deus te abençoe" está caindo em desuso? É comum ouvir crentes dizendo: "Eu te abençôo, meu irmão". Antigamente, os pais respondiam aos filhos: "Deus te abençoe, meu filho". Hoje, orientados por alguns "mestres", dizem: "Eu te abençôo". E muitos sequer acrescentam o complemento "em nome de Jesus". O que é bênção? A luz da Bíblia Sagrada, é algo que somente Deus pode dar! Não há nenhum ser humano capaz de conferir bênçãos diretamente às pessoas! E o Senhor nunca teve interesse em transferir isso aos pregadores, pois eles certamente se ensoberbeceriam. Sem conseguir abençoar alguém, de fato, os homens já se vangloriam (Mt 7.22)! Já pensou se houvesse algum "apóstolo" ou "missionário" dessa última hora capaz de entregar bênçãos diretamente ao povo? O pior é que alguns pensam que fazem isso. Todas as bênçãos vêm dEle (Tg 1.17). É o Senhor quem nos abençoa com as bênçãos espirituais, nos lugares celestiais (Ef  1.3). Contudo, muitos pregadores parecem se considerar deuses. Determinam e profetizam vitória na hora que querem e não se constrangem em "abençoar" as pessoas!”]

SUBSÍDIO DIDÁTICO

Professor, enfatize as características de Isaque e as lições de vida que aprendemos com Ele. Mostre aos alunos que Isaque demonstrou ser um filho obediente, um homem paciente e um marido cuidadoso. Observe algumas das lições que aprendemos com o filho da promessa, Isaque. Se desejar, leia para os alunos e discuta com eles cada lição:
  A paciência sempre produz recompensas;
 As promessas e os planos de Deus são maiores que os das pessoas.
 Deus sempre cumpre suas promessas! Ele permanece fiel embora nossa fé seja pequena.
 Exercer favoritismo certamente produz conflitos familiares” (Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. RJ: CPAD, 2005, p.35).

CONCLUSÃO

A história de Isaque não é uma simples biografia. É um relato de fé e de superações no campo pessoal, doméstico e nacional. Do monte Moriá, onde se encontrou pessoal e experimentalmente com Deus, até a sua morte, ele viveu como um príncipe de Deus.
Portanto, não se deixe abater pelas provações. Exerça a sua fé no campo das impossibilidades. [Comentário: Na vida de Isaque temos a base do ensino do Novo Testamento sobre a Expiação, a oferta do sacrifício do Senhor Jesus na cruz pelo pecado da humanidade. Mesmo assim, não foi isento de defeitos. De fato, Isaque foi um herói da fé, porém, as Escrituras Sagradas tanto mostram os exemplos de fidelidade dos personagens bíblicos, como também seus pecados. A seguir, como conclusão desta lição e para ser honesto com o conteúdo bíblico, isto é, não falando apenas dos acertos, mas mostrando também os erros, transcrevo um artigo de autoria do Pr Paulo Rogério Petrizi, Líder da Igreja Batista Vida Nova, na cidade de Campinas-SP, publicado no site Prega a Palavra: “E Isaque cometeu pelo menos três erros em relação a sua esposa e família que estão registrados na Palavra para nos servirem de alerta. Em Gênesis 26.1-11, houve um período de seca e fome em toda Canaã. Seria natural que Isaque e sua família fossem para o Egito, porém foi Deus quem impediu Isaque de seguir naquela rota (pois no passado Abrão foi ao Egito e também cometeu erros lamentáveis). Ao mesmo tempo em que mandou Isaque desistir de ir buscar abrigo no Egito, o Senhor lhe fez uma promessa muito clara: Eu estarei com você e o abençoarei. (Gn 26.3). Eis aqui uma lição para nós: o melhor lugar para estarmos com nossos familiares é onde o Senhor nos coloca e abençoa. Nenhum lugar da Terra é mais seguro do que sob a bênção de Deus. Em Gerar, território filisteu, Isaque buscou abrigo junto ao rei Abimeleque. Foi ali que cometeu pelo menos três erros:
1º. O pecado de não confiar em Deus. Foi tão clara a promessa do Senhor: Estarei com você e o abençoarei. Ainda assim Isaque não confiou o suficiente. Teve medo de morrer assassinado em face de sua esposa ser uma mulher muito bonita. Daí, mandou que ela mentisse e dissesse que era sua irmã.  Honramos ao nosso Deus e Pai quando nEle confiamos. Há inúmeros textos nas Escrituras que nos conclamam a confiarmos no nosso Deus. Um deles, o Salmo 62.8: Confie nele em todos os momentos, ó povo; derrame diante dele o coração, pois Ele é o nosso refúgio.
Como marido, cabeça de sua família, mantenha uma fé fervorosa em Deus. Confie nEle sempre.
2º. O pecado de mentir.  Isaque mentiu vergonhosamente, algo que um homem de Deus jamais deveria consentir-se fazer. E sua mentira lhe custou muita vergonha quando foi desmascarado pelo rei filisteu. Aliás, até hoje o patriarca é lembrado pela mentira que contou. Foi o Senhor Jesus quem afirmou que o Diabo é "pai da mentira". Aliás, a mentira é o único "filho" do Diabo. Por isso o Senhor Deus tem um sério problema com a mentira - a tal ponto de excluir do ambiente celestial todos os mentirosos (cf. Ap 21.8).
Como marido, seja fiel e verdadeiro. Fale sempre a verdade e conserve seu lar livre da mentira, cuidando para que seus filhos aprendam desde cedo este Princípio.
3º. O pecado do egoísmo. O rei de Gerar, Abimeleque, ao confrontar Isaque com seu pecado, advertiu-o das consequências que Rebeca poderia ter sofrido. Ou seja, Isaque pensou mais nele do que na esposa e com a finalidade de proteger-se, expôs sua mulher a ser cortejada por ímpios. O amor que aprendemos com Jesus é sacrificial, conforme expôs Paulo em Efésios 5.25. O marido deve amar sua esposa como Cristo amou a Igreja, dando sua vida por ela. Um marido aprovado por Deus não pode ser egoísta, mas sim altruísta.
Como marido, ame sua esposa e seus filhos e demonstre este amor com honra, afeto, zelo, atenção, dedicação, esforço e paciência.
O propósito desta narrativa nas Escrituras é nos servir de alerta. Por favor, aprenda com os erros que Isaque cometeu e não incorra neles. Confie sempre em Deus. Fale somente a verdade. Ame com amor sacrificial”http://paulopetrizi.blogspot.com.br/2012/10/os-tres-erros-que-o-patriarca-cometeu.html.] NaquEle que me garante: "Pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus" (Ef 2.8)”.


Francisco Barbosa

Disponível no blog: auxilioebd.blogspot.com.br.