sexta-feira, 27 de setembro de 2019

LIÇÃO 13: SEJA UM MORDOMO FIEL

SUBSÍDIO I
DECIDA-SE EM SER UM MORDOMO FIEL
A função de mordomo não é bem conhecida nos tempos presentes e no mundo ocidental. Em séculos passados, mesmo no Brasil, havia mordomos entre os nobres e ricos, mais notadamente no tempo do Império ou dos reinos, que dominaram o país. Mas essa figura, ligada a área da administração da nobreza, era bem conhecida nos tempos bíblicos, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento. No AT, Abraão, personagem de destaque na Historia de Israel, tinha um mordomo chamado Eliezer. Este gozava de tanta confiança que, alem de cuidar de todos os seus bens, foi designado para buscar uma esposa para seu filho, Isaque, na terra longínqua de seus parentes. José, filho de Jacó, foi vendido para o Egito como escravo, e Deus fez dele governador daquele reino, e José teve mordomos a seu serviço. Reis e senhores sempre tiveram servos de muita confiança, a quem entregavam a administração de todos os seus bens.
No Novo Testamento, nos tempos de Jesus, também havia mordomos a serviço de senhores ricos ou abastados. Na parábola da vinha, o mordomo é encarregado de fazer o pagamento aos trabalhadores (Mt 20.1-16). Na parábola do servo vigilante, ele é o “ [...] mordomo fiel e prudente, a quem o senhor pôs sobre os seus servos [...]” (Lc 12.42). Na parábola do mordomo infiel, ele e acusado de dissipar os bens de seu senhor (Lc 16.1-13). No livro de Atos, vemos a figura de um alto funcionário do reino da Etiópia, a quem Filipe, o evangelista, foi designado para falar o evangelho: “E levantou-se e foi. E eis que um homem etíope, eunuco, mordomo-mor de Candace, rainha dos etíopes, o qual era superintendente de todos os seus tesouros e tinha ido a Jerusalém para adoração” (At 8.27).
Em todos esses textos, vemos a figura do mordomo aplicada a todos os servos de Deus, a quem são dadas oportunidades e missões das mais importantes no Reino de Deus. Nos exemplos citados, podemos ver que só ha dois tipos de mordomos que são tomados como exemplo para a vida cristã: os fiéis e os infiéis. Todos os mordomos são servos que cuidam dos interesses dos seus patrões ou soberanos. Na vida cristã, há servos a quem são confiadas funções de maior responsabilidade, como cuidar e prover para supervisionar e remunerar os seus conservos, como na parábola da vinha e na do mordomo fiel e prudente. Hoje, tais servos podem ser identificados na pessoa dos pastores, dos dirigentes de departamentos e de outros cargos de liderança. Haverá uma prestação de contas, na qual cada um dará contas do que fez ou não com a obra do seu Senhor: “Porque está escrito: Pela minha vida, diz o Senhor, todo joelho se dobrará diante de mim, e toda língua confessará a Deus. De maneira que cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus” (Rm 14.11,12).
De modo geral, na Igreja, todos os salvos são servos de Deus, tanto homens quanto mulheres. Não há distinção social, sexual ou racial: “Nisto não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo Jesus” (Gl 3.28; Cl 3.11). Na comunidade cristã, os líderes não são “maiores” que os liderados. São servos a serviço dos servos de Deus. Cada crente em particular, mesmo que não tenha cargo eclesiástico ou ministerial, e servo de Deus. Foi chamado para ser salvo e para ser servo. Como tal, ele tem o dever de servir na casa do Senhor conforme a capacidade e as oportunidades que Deus conceder a ele. Seja como for, líder ou liderado, o salvo só é aprovado e recompensado por Deus se for um “servo” ou “mordomo fiel”.
Texto extraído da obra “Tempos, bens e talentos”, editada pela CPAD 

COMENTÁRIO E SUBSÍDIO II
INTRODUÇÃO
Devemos compreender que tudo o que somos e temos vem de Deus, é isso que nos diz o texto do Salmo 24 1-2. “Do Senhor é a terra e tudo o que nela existe, o mundo e os que nele vivem; pois foi ele quem fundou-a sobre os mares e firmou-a sobre as águas”. Logo, se tudo o que somos e temos pertence a Deus, então devemos viver como bons mordomos, administrando bem o que é do Senhor.
O Dicionário Aurélio define “mordomo” como sendo “o serviçal encarregado da administração duma casa”. É alguém que cuida do que não é seu.
Jesus usou o conceito de mordomia, aplicando-o a nós: “Disse o Senhor: Quem é, pois, o mordomo fiel e prudente, a quem o senhor confiará os seus conservos para dar-lhes o sustento a seu tempo? Bem-aventurado aquele servo a quem seu senhor, quando vier, achar fazendo assim. Verdadeiramente vos digo que lhe confiará todos os seus bens. Mas se aquele servo disser consigo mesmo: Meu senhor tarda em vir, e passar a espancar os criados e as criadas, a comer, a beber, e a embriagar-se, virá o senhor daquele servo em dia que não o espera, e em hora que não sabe, e castigá-lo-á, lançando-lhe a sorte com os infiéis” (Lc 12.42-46).
No mundo antigo, era dada ao mordomo a responsabilidade de zelar por todas as propriedades, enquanto o senhor estivesse fora. Uma de suas tarefas principais era cuidar que os membros da casa recebessem a partilha de comida. Ele poderia dá-la diário, semanal ou mensalmente. O ponto é que seu trabalho lhe exigia que servisse e não exercesse poder. Seu senhor poderia voltar a qualquer momento.
Quando o senhor volta, um ‘mordomo fiel e prudente’ deve estar desempenhando seus deveres. Jesus louva o servo que serve fielmente na ausência do senhor. Por sua eficiência, o senhor o recompensará (v.44) com uma promoção, dando-lhe responsabilidade não só sobre sua casa e servos, mas também sobre todas as suas propriedades. Jesus deixa sem explicar como este tema da promoção se aplica aos discípulos. Certos textos bíblicos indicam que Cristo reinará por um período de tempo sobre a terra depois que Ele voltar (Lc 19.17; 1 Co 6.1-3; Ap 20.1-6).
Durante esse tempo, Ele precisará de assistentes que servirão com Ele no seu Reino. A recompensa envolve este futuro governo de Cristo, em cujo tempo a fidelidade será recompensada com maiores oportunidades de serviço. Arrington, French L. Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2003, p. 405.
O pastor Elinaldo Renovato declara que “cada crente foi chamado a ser um servo fiel. Não é preciso ter cargo ministerial para isso. Nesta última lição, veremos que o nosso Deus espera encontrar-nos servindo-o prudente e amorosamente, multiplicando os talentos que Ele nos concedeu. Que, em Cristo, nos achemos fiéis na presença do Pai Celeste. Renovato, Elinaldo. Lições Bíblicas: Tempo, bens e Talentos. Sendo mordomo fiel e prudente com as coisas que Deus nos tem dado. Rio de Janeiro: CPAD, 2019. p. 92
I. O QUE DEUS ESPERA DE SEUS MORDOMOS
Na parábola do mordomo fiel (Lc 12.36-51) podemos encontrar algumas características imprescindíveis aos obreiros e servos do Senhor, dentre elas destacamos as seguintes características:
1. Constância, vigilância e prontidão (vv.37,38). Tanto a constância como a vigilância são características daqueles que aguardam o Senhor. Tal fato se dá por conta da vinda inesperada do proprietário de todas as coisas. Estes serão bem-aventurados: “Bem-aventurados aqueles servos, os quais, quando o Senhor vier, achar vigiando! Em verdade vos digo que se cingirá, e os fará assentar à mesa e, chegando-se, os servirá”. Podemos ver essa mesma estrutura narrativa na parábola das dez virgens em Mateus 25.1-13. A constância diz respeito a manutenção de uma conduta correta o que, portanto, denota um caráter perseverante. A perseverança por sua vez é uma condição sem a qual não poderemos usufruir das benesses da salvação conforme o texto de Mateus 24.13 diz: “Mas aquele que perseverar até ao fim, esse será salvo”.
2. Fidelidade. A fidelidade é uma característica também indispensável para aquele que deseja morar no céu. Apocalipse 2.10 temos a seguinte declaração “Nada temas das coisas que hás de padecer. Eis que o diabo lançará alguns de vós na prisão, para que sejais tentados; e tereis uma tribulação de dez dias. Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida”.
3. Prudência. Diz o dicionário que prudência “é a qualidade de quem age com moderação, comedimento, buscando evitar tudo o que acredita ser fonte de erro ou dano”.
II. AS CARACTERÍSTICAS DO MORDOMO INFIEL (Lc 12.45-47).
1. Ele não espera que o Senhor em breve venha. O mordomo infiel simplesmente conjectura em seu coração: “O meu senhor tarda em vir”. Essa imagem tipifica o crente que não se preocupa com a vinda iminente de Jesus. Nosso Senhor alertou quanto ao tempo de sua volta: “Por isso, estai vós apercebidos também, porque o Filho do Homem há de vir à hora em que não penseis” (Mt 24.44). Sua vinda pegará muita gente desprevenida.
2. Desconsidera e espanca os outros servos. O texto demonstra que o mordomo infiel, além de viver como se seu senhor não fosse mais voltar ainda se utiliza da falta de amor e compaixão para com seus cooperadores e de autoritarismo para espancar e destrata-los. Hoje em dia muitos maus obreiros tem se utilizado de palavras e atitudes rudes e autoritárias que a semelhança do mordomo infiel fere e prejudica a vida espiritual de diversas pessoas. Um fenômeno que vem crescendo a cada dia chama-se desigrejados, um conjunto de pessoas que se dizem cristãs, mas que não são ligadas a alguma denominação. Em 2018 o número de pessoas desigrejadas chegou a 4 milhões no Brasil. Entre os fatores que levaram algumas dessas pessoas a deixarem o convívio congregacional está o fato de que diversos líderes abusando de seu status de liderança espiritual feriram essas pessoas a ponto de elas deixarem a igreja. Devemos como mordomos fiéis fazer a obra de Deus com o zelo que ela merece, todavia caminhado em amor.
3. Age de modo irresponsável. O mau servo, abusando de sua posição, envolve-se com atitudes ilícitas e impróprias para quem é comissionado pelo seu senhor, entregando-se aos vícios e à embriaguez. Acerca disso, a Bíblia nos admoesta: “O vinho é escarnecedor, e a bebida forte, alvoroçadora; e todo aquele que neles errar nunca será sábio” (Pv 20.1). Jeremias declara que maldito aquele que fizer a obra do Senhor relaxadamente ou irresponsavelmente (Jm 48.10).
O obreiro de Deus deve ter responsabilidade enquanto escrevo estas linhas leio a noticia de um pastor/cantor que assume ter caído em adultério e está se divorciando da esposa e deixando o cargo de pastor. Devemos estar em constante vigilância, tratando da nossa vida espiritual de forma responsável, sabendo que de tudo prestaremos contas com o Senhor.
CONCLUSÃO
Só existem duas igrejas ante a vinda de Jesus: a que vai subir e a que vai ficar. A igreja que vai ao encontro de Jesus no arrebatamento é formada de todos os crentes em Cristo, que se comportam como servos ou mordomos fiéis. Eles amam a sua vinda e fazem o possível para guardar a fé com sinceridade, amor e santidade. Por isso, procuram pautar suas atitudes conforme a vontade de Deus.
Os servos ou mordomos infiéis, sem dúvida alguma, estão se preparando para ficar na vinda de Jesus. E pelo que se pode observar nos últimos dias, esses servos infiéis não são poucos. Em muitas igrejas, há crentes, membros do ministério ou não que se comportam irresponsavelmente, não dão testemunho de cristão e ainda causam transtornos e escândalos, afastando muitos do caminho do Senhor. Mas, para estes, fica a advertência de Jesus no ensinamento da parábola do servo vigilante: “Virá o senhor daquele servo no dia em que o não espera, e numa hora que ele não sabe, e separá-lo-á, e lhe dará a sua parte com os infiéis. E o servo que soube a vontade do seu senhor, e não se aprontou, nem fez conforme a sua vontade, será castigado com muitos açoites” (Lc 12.46,47).
Que possamos permanecer fiéis, como diz Paulo: “Examinai tudo. Retende o bem. Abstende-vos de toda a aparência do mal. E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo, sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo” (1 Ts 5.21-23). Renovato, Elinaldo. Tempo, bens e Talentos. Sendo mordomo fiel e prudente com as coisas que Deus nos tem dado. Rio de Janeiro: CPAD, 2019.p.159
Bp. Edson Amorim [EBD IEADTC]

COMENTÁRIO E SUBSÍDIO III

INTRODUÇÃO

Cada crente foi chamado a ser um servo fiel. Não é preciso ter cargo ministerial para isso. Nesta última lição, veremos que o nosso Deus espera encontrar-nos servindo-o prudente e amorosamente, multiplicando os talentos que Ele nos concedeu. Que, em Cristo, nos achemos fiéis na presença do Pai Celeste. Jesus em breve virá. [Lições Bíblicas CPAD, Revista Adultos, 3º Trimestre 2019. Lição 13, 29 Setembro, 2019]
Encerrando este trimestre, veremos que todos nós somos convocados para exercermos a mordomia cristã de uma maneira fiel. A mordomia cristã é a crença de que Deus é Senhor e Criador, sendo Ele mesmo o Dono de todas as coisas (Sl 24.1), e nós, os que cremos, servos fiéis no cargo de depositários das riquezas espirituais de Cristo (1Co 4.2). Como povo de Deus que somos não podemos nos esquecer de que a proclamação das verdades nas quais cremos se dá com muito mais eficácia através de nossas ações do que de nossas palavras. Exerçamos nossa mordomia fielmente, declarando as glórias de Deus, quer seja por palavras, quer seja por ações. O mordomo fiel retrata o crente genuíno, que administra bem as riquezas espirituais que Deus colocou sob o seu cuidado para o benefício de outros, e a administração cuidadosa das propriedades do Mestre. A realização fiel da tarefa dessa administração espiritual resultará em honra o recompensa (Lc 12.44). – Vamos pensar maduramente a Fé Cristã?
I. O QUE DEUS ESPERA DE SEUS MORDOMOS
1. Que sejam prudentes na espera do Senhor (Lc 12.37). Na parábola do servo vigilante, o destaque está sobre os servos que esperam pelo seu Senhor de maneira atenta. Semelhantemente, a parábola das Dez Virgens conta que havia dois grupos delas: o primeiro era caracterizado pelas virgens “prudentes” que aguardavam o noivo a qualquer momento para as bodas; o segundo, pelas que não tinham azeite suficiente para a chegada do noivo. De modo semelhante, a Igreja de Cristo anseia pelo seu Senhor. Mas, no dia em que Ele arrebatar a Igreja, dois grupos serão destacados: os que vão subir, e os que ficarão para a Grande Tribulação. A igreja fiel espera o Senhor a qualquer momento. [Lições Bíblicas CPAD, Revista Adultos, 3º Trimestre 2019. Lição 13, 29 Setembro, 2019]
O ponto central aqui é estar o tempo todo de prontidão para a volta de Cristo. A parábola das dez virgens é apresentada para enfatizar a importância de estar preparado para a volta de Cristo a qualquer momento, mesmo se ele demorar mais do que o esperado. Pois quando ele voltar, não haverá uma segunda chance para os que estiverem despreparados. Estas ‘virgens’ eram damas de honra que acompanhariam a noiva no cortejo nupcial. O casamento começaria na casa da noiva quando o noivo chegasse para o ritual do casamento. Então, um cortejo se seguiria, à medida que o noivo leva a noiva para sua casa para as demais festividades. Quando a cerimônia de casamento acontecia a noite, lâmpadas eram requeridas para o cortejo. A prudência as preparou para o encontro com o noivo. Precisamos agir com prudência. Como discípulos de Cristo precisamos viver fazendo a vontade de Deus e em vigilância.
2. Que esperem o Senhor com prontidão (Lc 12.38). Na parábola do servo vigilante, o senhor esperava achar os seus servos de prontidão, para que, quando ele batesse à porta, imediatamente eles a abrissem. Assim, também, a parábola das virgens prudentes mostra que elas estavam prontas, sabendo que, a qualquer momento, o “esposo” chegaria. Esse é o ânimo que o nosso Senhor deseja encontrar quando de sua vinda. Os servos de Cristo precisam estar preparados, como mordomos fiéis, chamados a militar legitimamente (2 Tm 2.5). Não sejamos negligentes como as “virgens loucas” (Mt 25.3). Sejamos prudentes, vigilantes e amorosos. Jesus em breve voltará. [Lições Bíblicas CPAD, Revista Adultos, 3º Trimestre 2019. Lição 13, 29 Setembro, 2019]
É necessário compreendermos que um servo genuíno é servo por natureza e não somente na aparência. Para ser servo fiel é necessário primeiro passar pela experiência de novo nascimento. Depois disso, continuar recebendo com alegria a Palavra de Deus sempre desejando que o caráter de servo, vivido por Cristo, seja moldado em seu ser (Tg 1.21). O servo fiel, que experimentou o novo nascimento, anseia pelo retorno do seu Mestre e se esmera para vencer os embaraços do caminho, servindo até o seu Senhor voltar. “As seduções do mundo, o comodismo, o amor ao dinheiro e tantas outras pedras, se colocam como cilada no caminho de muitos. Mas o prudente saberá se desvencilhar de todas elas e alcançar seu objetivo(IBEMANUEL).
3. Esperem a recompensa do Senhor. A Palavra de Deus declara: “Bem- -aventurados aqueles servos, os quais, quando o Senhor vier, achar vigiando! Em verdade vos digo que se cingirá, e os fará assentar à mesa, e, chegando-se, os servirá” (Lc 12.37). Que honra será quando, nas Bodas do Cordeiro, formos servidos por Cristo no Céu! Os servos verdadeiramente fiéis honram o nome de Cristo no lar, no trabalho e nas mais diferentes esferas da sociedade. Sim, o Rei nos recompensará (Hb 6.10). [Lições Bíblicas CPAD, Revista Adultos, 3º Trimestre 2019. Lição 13, 29 Setembro, 2019]
Em Mateus 25.14-30, “a parábola dos talentos ilustra a tragédia de uma oportunidade desperdiçada. O homem que sai em viagem representa Cristo e os servos representam crentes professos aos quais são dados diferentes níveis de responsabilidade. O que se exige deles é fidelidade, mas a parábola sugere que todos os que são fiéis serão frutíferos em um determinado grau. A pessoa infrutífera é desmascarada, vista como hipócrita e será totalmente destruída. Um talento era uma medida de peso, não uma moeda especifica, de modo que um talento de ouro era mais valioso que um talento de prata. Um talento de prata  era uma considerável soma de dinheiro. O significado atual da palavra "talento", indicando uma habilidade natural, baseia-se no fato de que essa parábola é erroneamente aplicada ao bom uso dos dons naturais de uma pessoa. Tanto o homem com cinco talentos. quanto o que tinha dois receberam exatamente a mesma recompensa, indicando que a recompensa está baseada na fidelidade, não nos resultados”. (Bíblia de Estudo MacArthur, SBB, nota textual Mt 25.14-30, pág 1254).
SUBSÍDIO DIDÁTICO-PEDAGÓGICO
Ao preparar a sua aula, leve em conta o seguinte texto: “[...] Jesus agora se volta ao assunto de estar preparado para a v inda do Filho do Homem. A liberdade dos cuidados do mundo e a garantia de que o Pai celeste cuida dos que lhe pertencem podem tentar seus seguidores a ficar preguiçosos e ter uma atitude despreocupada. Mas como Jesus deixa claro, o verdadeiro discipulado inclui ser fiel no serviço e estar preparado para sua vinda. A vida na terra é imprecisa, mas a vinda do Filho do Homem é certa. Jesus apresenta três parábolas para ressaltar a importância da preparação espiritual: a parábola de estar preparado para vinda do Filho do Homem (vv.35-38), a parábola de esperar o Filho do Homem (vv.39,40) e a parábola do mordomo fiel durante a ausência de seu senhor (vv.41-48)” (Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2003, p.404). Assim, trabalhe com segurança, diante de sua classe, os princípios de “espera”, “prontidão” e recompensa apresentados neste primeiro tópico.
II. AS CARACTERÍSTICAS DO MORDOMO INFIEL (Lc 12.45-47)
A parábola denuncia o comportamento do mordomo infiel ante a iminente vinda do seu senhor.
1. Ele não espera que o Senhor em breve venha. O mordomo infiel simplesmente conjectura em seu coração: “O meu senhor tarda em vir”. Essa imagem tipifica o crente que não se preocupa com a vinda iminente de Jesus. Nosso Senhor alertou quanto ao tempo de sua volta: “Por isso, estai vós apercebidos também, porque o Filho do Homem há de vir à hora em que não penseis” (Mt 24.44). Sua vinda pegará muita gente desprevenida. [Lições Bíblicas CPAD, Revista Adultos, 3º Trimestre 2019. Lição 13, 29 Setembro, 2019]
Esta parábola ensina os seguidores de Cristo a estar prontos no caso de ele vir antes do que antecipou e também a estarem preparados no caso de ele demorar mais que o esperado (Mt 25.1-13). Em Lucas 16 encontramos a parábola do mordomo infiel e um elogio de Jesus que, numa leitura rápida, pode levar a um entendimento equivocado de que trata-se de uma autorização para agirmos injustamente. De fato, o que sobressai no texto não é o modo injusto de agir do mordomo ou sua infidelidade, mas o que ele faz com aquilo que obteve durante seu tempo de mordomo vivendo em infidelidade: ele faz provisão para o futuro. Trata-se de um elogio à prudência, não à desonestidade.
2. Ele “espanca” outros servos. A parábola também revela que o mau servo abusa de sua missão, passando a maltratar os outros servos de seu senhor. Ele passa a tratá-los com rigor tirânico e autoritarismo, espancando-os com palavras e atitudes brutais. Quantas pessoas já não deixaram o nosso meio por causa de tal comportamento? Uma das qualidades do mordomo fiel é o amor e o acolhimento. [Lições Bíblicas CPAD, Revista Adultos, 3º Trimestre 2019. Lição 13, 29 Setembro, 2019]
O Mau servo quando pensa que seu senhor demoraria, começou a “espancar os seus companheiros, e a comer e beber com os ébrio.” Em outras palavras, ele começou a viver como se não tivesse mais um Senhor. Mas de fato, o seu Senhor retornará, “e castigá-lo-á, lançando-lhe a sorte com os hipócritas; ali haverá choro e ranger de dentes”. O ensino é claro, devemos estar atentos, certos de que estaremos na fé quando o Senhor voltar. Se formos encontrados na fé seremos abençoados e grande será nossa recompensa. No entanto, aquele que por pensar tardar a volta do Senhor e começar a viver como os hipócritas, receberá também, conforme a passagem acima, o fim dos hipócritas.
3. Age de modo irresponsável. O mau servo, abusando de sua posição, envolve-se com atitudes ilícitas e impróprias para quem é comissionado pelo seu senhor, entregando-se aos vícios e à embriaguez. Acerca disso, a Bíblia nos admoesta: “O vinho é escarnecedor, e a bebida forte, alvoroçadora; e todo aquele que neles errar nunca será sábio” (Pv 20.1).
A prudência cristã leva-nos a abster das bebidas alcoólicas de qualquer espécie. A experiência demonstra que os riscos de um descaminho é grande para quem faz uso do álcool. [Lições Bíblicas CPAD, Revista Adultos, 3º Trimestre 2019. Lição 13, 29 Setembro, 2019]
Provérbio 20.1 trata sobre temperança, juntamente com outros textos como 23.20-21,29-35; 31.4-5. O vinho era o suco da uva misturado com água para diluí-lo, mas a bebida forte não tinha diluição (Ef 5.18). O uso dessas bebidas não é especificamente condenado na Escrituras (Dt 14.26), mas ficar embriagado sim (Is 28.7). Os governantes não deveriam beber para não ter sua capacidade de julgamento comprometida nem apresentar um comportamento menos que exemplar (Pv 31.4-5). "Escamecedor" é a mesma palavra usada em Pv 19.25,29; "alvoroçadora" significa violenta, insistente e incontrolável. As duas palavras descrevem a personalidade da pessoa embriagada. O servo infiel administra sua vida sem qualquer senso de responsabilidade, por acreditar que seu senhor irá demorar. Note que ele se sente melhor na ausência do seu senhor do que na sua presença. Nos versículos 50 e 51, que representam a vinda de Cristo para reinar, ele é pego de surpresa; é surpreendido como se um ladrão invadisse sua casa para privá-lo das coisas que ele mais preza. O mau servo devido a sua negligência, descompromisso e imprudência será surpreendido pela volta do senhor que o condenará pelo mau uso da responsabilidade que recebeu e porque se colocou na posição de senhor diante dos seus conservos. Todas as vezes que tentamos ocupar o lugar que o Senhor não nos reservou, atraímos a Sua ira e juízo. Ser um bom ou mau servo depende de nossa escolha (Nm 12.1 – 16; 16.1 – 50; 1Sm 15.1 – 35).
SUBSÍDIO TEOLÓGICO
“Deus promete recompensar os fiéis, mas o resultado pode ser diferente. O mesmo mordomo pode pensar que levará muito tempo antes de o senhor chegar. Assim, ele se descuida e desenvolve uma falsa sensação de independência. Em vez de cuidar dos servos que estão abaixo dele, ele abusa deles e se entrega a comer, beber e se embebedar. A volta do seu senhor ocorre em completa surpresa. O senhor o apanhará em sua loucura e verá sua maldade, e o servo arrogante e infiel será responsabilizado por seus pecados.
A Nova Versão Internacional, em inglês, expressa a severidade do castigo: ‘Ele o cortará em pedaços e lhe dará um lugar com infiéis’ (v.46). O quadro é de desmembramento e indica que o castigo é mais que mero açoite. Envolve execução e morte. Ele compartilhará o mesmo destino com os incrédulos. De acordo com Mateus 24.51, a este servo será designado ‘a sua parte com os hipócritas; ali haverá pranto e ranger de dentes’” (Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2003, p.405).
III. AS QUALIDADES DO MORDOMO FIEL
  1. Fidelidade. Uma das virtudes do mordomo fiel da parábola é, justamente, a sua fidelidade, que pode ser definida como a qualidade, ou caráter de quem é fiel, lealdade, firmeza e constância. No Apocalipse, Jesus disse: “Nada temas das coisas que hás de padecer. Eis que o diabo lançará alguns de vós na prisão, para que sejais tentados; e tereis uma tribulação de dez dias. Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida” (Ap 2.10).
Diante das dificuldades e das perseguições, Deus chama o cristão para ser-lhe fiel em todas as coisas. Não desista; seja perseverante. [Lições Bíblicas CPAD, Revista Adultos, 3º Trimestre 2019. Lição 13, 29 Setembro, 2019]
É a coroa que é vida, ou a recompensa que é vida, não uma coroa em si para adornar a cabeça. "Coroa", no presente caso, não se refere a algum tipo de adorno usado por reis, mas a uma coroa dada a atletas vitoriosos. “Você já ouviu alguém dizer que “quem não vive para servir, não serve para viver”. A ênfase dessa palavra é que o propósito de Deus para nossas vidas é que sejamos ministros e servos fieis, pois o maior exemplo foi o do Senhor Jesus, que se tornou Servo, o qual sobre si mesmo dizia: “O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos.” (Mateus 20:28) Paulo também tinha esse sentimento, ele sabia qual era a sua responsabilidade de Servo de Deus, daí usar duas palavras especiais e um adjetivo, que do grego são traduzidas por ministros, servo e fiel. Elas nos ajudam a entender melhor o que significa ser ministro e servo fiel: A primeira palavra que Paulo usa para ministro é uphreths, que fazia referência ao escravo remador da última galera, o qual só seguia o ritmo dos tambores. Esta palavra também foi utilizada para aquele que recebe ordens diretas do seu Senhor e deve cumpri-las sem questionar, logo ministro não é o que tem função de poder, mas de serviço em obediência. A segunda palavra que Paulo utiliza é oikonomos, que fazia referência ao encarregado de cuidar dos suprimentos da casa, ele deveria não apenas prover, mas cuidar dos pertences do seu Senhor na bíblia traduzida por despenseiros ou mordomos, mas nesse texto o Apóstolo Paulo diz que precisamos ser “despenseiros dos mistérios de Deus”, Isto significa que Ele disponibilizou os recursos espirituais para a salvação e orientação espiritual de todos ao nosso alcance. Ele nos confiou seus tesouros e recursos eternos para que os compartilhemos aqui na terra, pela ação do Espírito Santo em nós e através de nossas vidas. A palavra grega que qualifica a condição de servos é pistós, que se traduz por fiel e que significa comprometido, leal, confiável, que honra a sua obrigação, dedicado, que tem credibilidade, que honra um acordo ou contrato e que tem palavra. Essa é a maior exigência de Deus: que seu ministro seja fiel. Nesse sentido, atributos humanos não têm relevância. Deus não requer capacidade, eloquência, brilhantismo, inteligência, ou que você seja cheio de dons, o que Ele espera de nós é fidelidade. Quando formos avaliados por Deus, seu critério será: Você foi fiel ao Seu comando e chamada? Quando Paulo disse: “Que os homens nos considerem, pois, como ministros de Cristo, e despenseiros dos mistérios de Deus.” A exigência é que as pessoas ao seu redor precisam ver que você é um servo fiel de Cristo, um ministro que como um remador subordinado, somente obedece ao seu Senhor e faz a sua parte. (BATISTAFLUMINENSE)
2. Prudência. Outra qualidade apresentada na parábola é a prudência: a virtude de quem age com moderação e comedimento, evitando erros e danos tanto para si quanto para o seu semelhante. Quantos ministérios não têm sido destruídos por falta de prudência? Principalmente, no falar. Tiago aconselha-nos: “Sabeis isto, meus amados irmãos; mas todo o homem seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar” (Tg 1.19). Nas palavras do sábio Salomão, “quanto mais excelente, adquirir a prudência do que a prata” (Pv 16.16b). [Lições Bíblicas CPAD, Revista Adultos, 3º Trimestre 2019. Lição 13, 29 Setembro, 2019]
Prudência é a virtude que faz prever e procura evitar as inconveniências e os perigos; cautela, precaução; calma, ponderação, sensatez, paciência ao tratar de assunto delicado ou difícil. “Ainda, o conceito cristão de mordomo fará crescer o senso de nossa responsabilidade. Aqui está perante nós um mundo criado por Deus, com tudo quanto nele há, por cujo desenvolvimento somos responsáveis. Aqui estamos nós mesmos, criados a imagem de Deus, e tendo de prestar contas da nossa vida, em toda a riqueza de suas manifestações. Aqui estão almas imortais, sem conhecimento da graça salvadora de Cristo, às quais nos cabe levar a boa nova. Tremendas são as nossas responsabilidades como mordomos de Deus!(PALAVRAPRUDENTE).
3. Constituído pelo seu Senhor. Quem constitui posições e ministérios na Obra de Deus é o próprio Deus. É o que revela a parábola do Divino Mestre. Nosso Senhor não comissiona interesseiros, ambiciosos e prepotentes. Ele comissiona santos para o santo ministério; homens que, como Paulo, se entregam de corpo e alma ao Salvador Amado (Gl 1.1). É preciso estar no centro da vontade de Deus. Por isso, estejamos firmados na Bíblia Sagrada, para termos um ministério cristocêntrico, no qual Cristo seja o centro de tudo. [Lições Bíblicas CPAD, Revista Adultos, 3º Trimestre 2019. Lição 13, 29 Setembro, 2019]
Os apóstolos de Jesus Cristo (os 12 e Paulo) eram embaixadores especiais ou mensageiros escolhidos e treinados por Cristo para estabelecerem a base da Igreja primitiva e de serem canais de toda a revelação de Deus (Rm 1.1; At 1.2; 2.42; Ef 2.20). A fim de defender o seu apostolado contra o ataque dos falsos mestres, Paulo enfatizou que o próprio Cristo o havia designado como apóstolo antes de ele ter se encontrado com os outros apóstolos (Gl 1.17-18; At 9.3-9). Paulo ainda enfatiza o fato de que foi comissionado pelo próprio Cristo ressurreto (Rm 1.4; At 9.1-3,15), de modo que era uma testemunha qualificada da ressurreição (At 1.22). “Se você quer saber por que você está aqui neste planeta, você tem que começar com Deus. Você nasceu por seu propósito e para seu propósito” (Rick Warren).
SUBSÍDIO VIDA CRISTÃ
“No mundo antigo, era dada ao mordomo a responsabilidade de zelar por todas as propriedades, enquanto o senhor estivesse fora. Uma de suas tarefas principais era cuidar que os membros da casa recebessem a partilha de comida. Ele poderia dá-la diária, semanal ou mensalmente. O ponto é que seu trabalho lhe exigia que servisse e não exercesse poder. Seu senhor poderia voltar a qualquer momento. Quando o senhor volta, um ‘mordomo fiel e prudente’ deve estar desempenhando seus deveres.
Jesus louva o servo que serve fielmente na ausência do senhor. Por sua eficiência, o senhor o recompensará (v.44) com uma promoção, dando-lhe responsabilidade não só sobre sua casa e servos, mas também sobre todas as suas propriedades. Jesus deixa sem explicar como este tema da promoção se aplica aos discípulos. Certos textos bíblicos indicam que Cristo reinará por um período de tempo sobre a terra depois que Ele voltar (Lc 19.17; 1 Co 6.1-3; Ap 20.1-6). Durante esse tempo, Ele precisará de assistentes que servirão com Ele no seu Reino. A recompensa envolve este futuro governo de Cristo, em cujo tempo a fidelidade será recompensada com maiores oportunidades de serviço” (Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2003, p.405).
CONCLUSÃO
A parábola contada pelo Senhor Jesus diz respeito a todos nós. A Palavra de Deus nos alerta: “virá o Senhor daquele servo no dia em que o não espera e numa hora que ele não sabe, e separá-lo-á, e lhe dará a sua parte com os infiéis. E o servo que soube a vontade do seu senhor e não se aprontou, nem fez conforme a sua vontade, será castigado com muitos açoites” (Lc 12.46,47). A vinda do Filho do Homem é certa. Que Ele nos encontre fiéis, prudentes e vigilantes para o Arrebatamento! Ora vem, Senhor Jesus. [Lições Bíblicas CPAD, Revista Adultos, 3º Trimestre 2019. Lição 13, 29 Setembro, 2019]
O servo fiel administra sua vida na expectativa de que seu senhor pode voltar a qualquer momento. Esse modo de vida é premiado no versículo 46, onde é chamado de bem aventurado ou feliz. Assim será no arrebatamento da Igreja. A humildade, a obediência e a renúncia estão presentes na vida de uma pessoa compromissada com Deus. Uma pessoa humilde deixa-se transformar pelos ensinos de Jesus e a eles se submete em obediência. Nessa ação renuncia os seus interesses e se submete consciente e voluntariamente aos interesses de Deus e do Seu Reino. Essa atitude a leva a viver em excelência a sua humanidade e com isso agrada a Deus do jeito que Ele deseja ser agradado. Neste mister, temos o exemplo de Paulo, que administrou sua vida nessa expectativa do breve retorno do Seu Senhor, e também fez o convite a o imitarmos (At 20. 24; 1Co 11.1; Gl 2.20).
Francisco Barbosa
Disponível no blog: auxilioebd.blogspot.com.br

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