quinta-feira, 12 de setembro de 2019

LIÇÃO 11: A MORDOMIA DAS OBRAS DE MISERICÓRDIA

SUBSÍDIO I
AS OBRAS DE MISERICÓRDIA
Misericordioso e piedoso é o Senhor; longânimo e grande em benignidade” (SI 103.8). Misericórdia faz parte do caráter e dos atributos morais de Deus transferíveis ao homem. Ele não transmite ou reparte seus atributos absolutos, o de onipotência, onisciência e onipresença, dentre outros, mas Ele transfere seus atributos relativos para os homens. Sendo misericordioso, Deus quer que seus filhos também o sejam. “Misericórdia e o princípio eterno da natureza de Deus que o leva a buscar o bem temporal e a salvação eterna dos que se opuseram à vontade dele, mesmo a custo do sacrifício próprio”. Se Ele não fosse misericordioso, ninguém subsistiria ante sua santidade. “As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos; porque as suas misericórdias não têm fim” (Lm 3.22). Bancroft diz que a misericórdia era mais enfatizada no Antigo Testamento, enquanto a graça é mais apresentada no Novo Testamento. Ele dizia que misericórdia também é sinônimo da longanimidade de Deus. A misericórdia de Deus é a manifestação do seu sentimento para com os que se acham angustiados, em miséria, seja pelo pecado, seja pelo sofrimento. A misericórdia de Deus age no sentido de livrar o sofredor de seus problemas. A Bíblia diz: “Misericordioso e piedoso é o Senhor; longânimo e grande em benignidade” (SI 103.8); “Piedoso e benigno é o Senhor, sofredor e de grande misericórdia” (SI 145.8).
Com essa visão acerca de Deus, a Bíblia mostra-nos que Ele requer de seus filhos que também sejam misericordiosos, que façam obras que demonstre esse sentimento, que é fruto do amor cristão, que deve dominar os corações dos que o aceitam como Salvador. Assim como Deus deseja livrar o que sofre de suas aflições, da mesma forma, o crente fiel precisa sentir compaixão e misericórdia daqueles que estão ao seu redor ou de que tem conhecimento, no sentido de não só orar por eles, como também fazer o que estiver ao seu alcance para minorar a dor alheia. O salvo precisa cultivar e difundir obras de misericórdia e de amor. São obras que refletem o amor cristão na prática, ou seja, a caridade. O apóstolo João escreveu em sua primeira epístola: “Quem, pois, tiver bens do mundo e, vendo o seu irmão necessitado, lhe cerrar o seu coração, como estará nele o amor de Deus? Meus filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas por obra e em verdade” (1 Jo 3.17,18). João, considerado “o apóstolo do amor”, foi, de fato, o escritor bíblico que mais discorreu sobre a importância de praticar o amor de Deus na vida cristã. A exemplo de Tiago, João questiona se “a caridade de Deus” está naquele que, vendo seu irmão necessitado, fecha o coração. E ele completa com uma solene exortação, ensinando que não devemos amar apenas “de palavra, nem de língua, mas por obra e em verdade”.
Um cristão só pode identificar-se com Deus e com Cristo se praticar a misericórdia. Jesus censurou os fariseus na questão dos dízimos, pois esses se diziam os mais rigorosos no cumprimento da Lei, a ponto de pagarem os dízimos das coisas mínimas, como o “endro e o cominho”; mas eles desprezavam, segundo Jesus, “o mais importante da lei, o juízo, a misericórdia e a fé” (Mt 23.23 – grifo acrescido). A prática da misericórdia é condição determinante para alguém alcançar a misericórdia de Deus no Juízo. Tiago diz: “Porque o juízo será sem misericórdia sobre aquele que não fez misericórdia; e a misericórdia triunfa sobre o juízo” (Tg 2.13).
Texto extraído da obra “Tempos, bens e talentos”, editada pela CPAD 
COMENTÁRIO E SUBSÍDIO II

A MORDOMIA DAS OBRAS DE MISERICÓRDIA

INTRODUÇÃO

Em Mateus 22.37-40 podemos encontrar Jesus falando a respeito do grande mandamento, ao ser indagado ele declara: “E Jesus disse-lhe: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. Este é o primeiro e grande mandamento”. Ele poderia ter parado por aí, todavia, ele complementa sua fala da seguinte maneira: “E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas”. O que Jesus está enfatizando é que é inevitável dissociar o amor a Deus do amor ao próximo, João compreendeu esta mensagem ao declara em sua primeira carta ao escrever (1 Jo 4.20,21).
Tendo em vista o caráter amoroso e misericordioso de Deus, “Misericordioso e piedoso é o Senhor; longânime e grande em benignidade” (Sl 103.8) o cristão é instado a refletir o mesmo sentimento, exercendo amor e misericórdia para com todos os homens sem preconceitos.

I. SIGNIFICADO DE MISERICÓRDIA

Misericórdia é um termo amplo que se refere a benevolência, perdão e bondade em uma variedade de contextos éticos, religiosos, sociais e legais. A palavra Misericórdia é a junção de duas palavras em latim: miseratio (compaixão) + cordis (coração). Assim, pode-se entender literalmente misericórdia, como “coração compadecido”.
A palavra hebraica mais utilizada no Antigo Testamento para significar misericórdia é hesed. Tem (principalmente) dois significados: um mais legalista no sentido de “cumprir aquilo que foi acordado” ou dar ao outro aquilo que lhe é devido segundo o previamente acordado. Num segundo sentido, mais intuitivo, espiritual, assume o significado de ato gratuito e espontâneo de bondade e amor. Convém ainda notar que o termo hesed remete a três raízes: hânan, râham e hâsad que conjuntamente aparecem 369 vezes e os significados destes três termos no Antigo Testamento (AT)  convergem para a tradução como “misericórdia”, mas devido a riqueza e complexidade semântica aparecem, dependendo do contexto e tradução como “bondade”, “benignidade”, “solidariedade”, “graça”, “lealdade”, “agir lentamente”, “amor constante”, “ter misericórdia de”, “ser gracioso”, “misericordioso”, “favor”, “sentimento fraternal e maternal”, “terna misericórdia”, “devoção” e “generosidade”.
No Novo Testamento a palavra utilizada é Éléos, que significa diretamente amor, ou seja, no NT o hesed do Antigo Testamento amplifica seu sentido ao vincular-se a apenas uma palavra, AMOR.

II. A MORDOMIA DA MISERICÓRDIA CRISTÃ

O pastor Elinaldo Renovato de Lima declara que “Misericórdia é como o amor, só tem valor se praticada. As obras de misericórdia são inseridas no contexto das ‘boas obras’, que são inerentes à vida de todos os salvos em Cristo Jesus, e fazem parte da essência do cristianismo, que é a pratica do verdadeiro amor”. Renovato, Elinaldo. Tempo, bens e Talentos. Sendo mordomo fiel e prudente com as coisas que Deus nos tem dado. Rio de Janeiro: CPAD, 2019. p.135
Em outras palavras as obras de misericórdia ou boas obras são inevitáveis àqueles que foram chamados por Cristo. Tiago deixa evidente que o ato de não exercer bondade para com o próximo se mostra um pecado. “Aquele, pois, que sabe fazer o bem e não o faz, comete pecado” (Tg 4.17).
É fato que não somos salvos por meio das obras, mas para as boas obras e é neste prisma que Tiago enfatiza que a fé sem obras é morta (Tg 2.17). Aliás, Tiago vai ser um grande defensor da atuação do cristã no âmbito social de forma que o cristão torna-se, assim como o modelo do próprio Cristo um agente de misericórdia e transformação. Ele será enfático ao dizer que o juízo será sem misericórdia sobre aquele que não fez misericórdia (Tg 2.13), isso porque, como falado anteriormente, é indissociável o caráter da atitude, ou seja, se somos cristãos, logo, refletimos e agimos como Cristo e em seus atos misericordiosos. Todavia, parece que quanto mais crescemos em números, enquanto escrevo estas linhas temos a noticia da participação de aproximadamente 3 milhões de evangélicos na marcha para Jesus em são Paulo, menos estamos engajados em socorrer os órfãos e as viúvas.
O pastor Carlos Queiroz certa vez escreveu:

Quando pessoas exercitam algum tipo de religiosidade com indiferença diante da miséria e da fome do outro, há sinais de ausência de espiritualidade evangélica. Toda a nossa deficiência espiritual é uma deficiência em nossa capacidade de amar. Por isso a falta de pão na mesa do pobre pode ser uma denúncia da falta de espiritualidade no altar dos cristãos. (QUEIROZ, Carlos. Em busca da espiritualidade – O mercado da fé e o Evangelho da Graça. Viçosa/MG: Editora Ultimato. p.15)

Conforme dito anteriormente não somos salvos pelas obras, todavia tais obras evidenciam a fé do salvo. Nesse ponto, Tiago apresenta seu segundo exemplo da necessidade de existir uma consistência entre palavras e obras e, nesse processo, introduz o argumento da inseparabilidade entre a ‘’ e as ‘obras’ que, necessariamente, deve se originar dessa consistência. Ele abre essa seção com duas perguntas retóricas (v.14): ‘Meus irmãos, que aproveita [ou, qual é o benefício] se alguém disser que tem fé e não tiver as obras?’ Fica claro que Tiago tem em vista dois ‘benefícios’ especiais que deveriam se originar da ‘’. O primeiro é apresentado na sua segunda pergunta retórica: ‘Porventura, a fé pode salvá-lo? A fé deveria ser capaz de proporcionar o benefício da salvação àquele que a possui; se não o fizer, então essa fé é, de certo modo, defeituosa (mas não uma falsa fé). Porém, a fé deveria também ter uma segunda finalidade: beneficiar os semelhantes mostrando a bondade de Deus para com eles (vv.15,16). Essa dupla preocupação por tudo de ‘bom’ que a fé deveria proporcionar representa uma importante lembrança para a nossa cultura individualista. Fé não é apenas salvar a alma individual do julgamento eterno, mas também construir comunidades a fim de mostrar o amor de Deus não só no meio dos próprios crentes, mas também no mundo em que vivem”. (ARRINGTON, French L. Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2003, pp.1672-73)
Claro que não estamos dizendo com isso que as obras de misericórdia se manifestam somente em face a pobreza e questões sociais, embora estejam mais aparentes nestas citadas. Na realidade, partilhamos da mesma percepção que nosso comentarista que divide as necessidades humanas em duas áreas.
1. Necessidade humanas, se encaixam as ações de combate a pobreza, fome e outros males produzidos na sociedade. Quem faz obras de misericórdia em prol dos carentes, necessitados e vulneráveis sociais está fazendo ao próprio Cristo (Mt 25.35,36), pois assim as Escrituras afirmam: “E, respondendo o Rei, lhes dirá: Em verdade vos digo que, quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes” (Mt 25.40).
2. Necessidade espirituais, os homens estão separados de Deus e cumpre ao cristão levar a palavra que transforma e salva o pecador.
Tanto a pregação da palavra como uma ação transformadora na sociedade são responsabilidade do cristão e são urgentes. Não pode existir dualismos, corpo, alma e espírito precisam alcançar misericórdia e somente aqueles que foram alcançados pela misericórdia divina pode manifestá-la. Há uma negligência flagrante, por parte de muitas igrejas, na pregação do Evangelho. Isso é falta de misericórdia. A Bíblia mostra que Deus “amou o mundo”, e não um grupo seleto e privilegiado. Ele quer salvar a todos em Jesus Cristo.
O nosso Deus é amor, longânimo e misericordioso. Ele não tem “prazer na morte do ímpio” (Ez 33.11). A ordem do Senhor Jesus é muito clara: “Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura” (Mc 16.15; cf. Pv 24.11). E não somente na área da pregação, mas também na ação social. Que possamos resplandecer as boas obras entre os homens, afim de que Deus seja glorificado (Mt 5.16)

III. CUIDADOS NA PRÁTICA DAS BOAS OBRAS

Um princípio fundamental que devemos avaliar para sabermos se estamos ou não praticando boas obras, são as nossas intenções. Jesus advertiu severamente aos seus discípulos para que se guardassem de “exercer a justiça diante dos homens, como o fim de serdes vistos por eles” (Mt 6.1) e para que não fizéssemos nada pensando em recompensa (Mt 6.3). O que nos deve motivar à práticas das boas obras é nosso desejo de obedecer a Deus, que o seu nome seja glorificado (Mt 5.16) e que seu reino seja estabelecido. “Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus” (1 Co 10.31). As obras de misericórdia devem ser feitas com humildade e sem buscar a glória para quem as pratica. Elas são parte da prática do amor cristão, que, segundo Jesus, deve ser estendido até mesmo ao inimigo (Mt 5.44). [RENOVATO, Elinaldo. Lições Bíblicas: Tempo, bens e Talentos. Sendo mordomo fiel e prudente com as coisas que Deus nos tem dado. Rio de Janeiro: CPAD, 2019. p. 80.
Contudo, é importante salientar que mesmo trabalhando sempre para a glória de Deus, ele prometeu nos recompensar de uma forma justa no dia do seu juízo (Ec 12.14; Mt 16.27; 1ªCo 15.58; Hb 6.10; 1ªPe 1.17; Ap 14.13; 22.12).

CONCLUSÃO

Não somos salvos pelas boas obras, mas as praticamos porque somos salvos (Mt 5.16). Precisamos testemunhar nossa fé ao mundo por meio das boas obras. Logo, devemos realizar as obras de misericórdias no âmbito material e espiritual. O nosso Deus amou o ser humano por inteiro. Este tem necessidade no corpo e na alma. As obras de misericórdias são o testemunho bíblico da nossa fé.
Bp. Edson Amorim [EBD IEADTC]
COMENTÁRIO E SUBSÍDIO III

INTRODUÇÃO

Nesta lição, veremos que Deus requer de seus filhos obras de misericórdias como o fruto do amor cristão. Os servos de Deus, portanto, devem expressar a virtude da misericórdia divina. Esse sentimento é o que deve dominar o coração dos cristãos: “Misericordioso e piedoso é o Senhor; longânimo e grande em benignidade” (Sl 103.8) [Lições Bíblicas CPAD, Revista Adultos, 3º Trimestre 2019. Lição 11, 15 Setembro, 2019]
O dicionário nos dá a seguinte definição: “Misericórdia é tratar com compaixão um inimigo”. Roberto Haldane diz que misericórdia é uma perfeição adorável de Deus, pela qual Ele Se compadece e alivia os miseráveis. O homem está numa condição de miséria por causa de sua rebelião contra Deus e merece punição. A misericórdia implica que o pecador não tem nada a dizer em sua defesa própria. Entendemos o significado de misericórdia quando o acusado joga-se à misericórdia do juiz. Isto significa que ele é culpado e não tem mérito com que apelar à lei. Esta é a condição exata em que nós nos achamos diante do tribunal de Deus. A misericórdia é a nossa única esperança. Podemos rogar por justiça diante dos homens, mas rogarmos por justiça a Deus (rogarmos que nos dê o que merecemos) é o mesmo que pedirmos uma vaga na região dos condenados ao inferno.(PALAVRAPRUDENTE).
Misericórdia é um atributo moral e um importante aspecto da bondade e amor de Deus (Ef 2.3-5). “Se a graça de Deus vê o homem como culpado diante de Deus e, portanto, necessitado de perdão, a misericórdia de Deus o vê como um ser que está suportando as consequências do pecado, que se acha em lastimável condição, e que, portanto, necessita do socorro divino. Pode-se definir a misericórdia divina como a bondade ou amor de Deus demonstrado para com os que se acham na miséria ou na desgraça, independentemente dos seus méritos. Em Sua misericórdia Deus se revela um Deus compassivo, que tem pena dos que se acham na miséria e está sempre pronto a aliviar a sua desgraça.” (Louis Berkhof, Teologia Sistemática, Editora Cultura Cristã). É um atributo moral de Deus que pode ser repetido pelo homem, e deve ser expressado por todo aquele que experimentou o novo nascimento! Ter misericórdia por alguém, desejar amenizar seu sofrimento, sentir-se triste com a miséria de outra pessoa e querer ajudar, é o sentimento natural para a nova criação. Um cristão que não mostra misericórdia nem compaixão pelos necessitados demonstra que nunca respondeu à grande misericórdia de Deus e, como uma pessoa não redimida, somente receberá o castigo rigoroso e total no inferno (Mt 5.7). A misericórdia triunfa sobre o juízo. A pessoa cuja vida é caracterizada pela misericórdia está preparada para o dia do juízo e escapará de todas as acusações que: a justiça rigorosa poderá apresentar contra ela porque, ao mostrar misericórdia para com os outros, ela dá prova genuína de que recebeu a misericórdia dc Deus. Vamos pensar maduramente nossa fé?
I. SIGNIFICADO DE MISERICÓRDIA
1. Definição. A palavra “misericórdia” vem do latim (misericordia) e significa “compaixão suscitada pela miséria alheia”; “indulgência, graça, perdão”. No Antigo Testamento, o termo está presente em textos como: “Certamente que a bondade e a misericórdia me seguirão todos os dias da minha vida; e habitarei na Casa do Senhor por longos dias” (Sl 23.6)[Lições Bíblicas CPAD, Revista Adultos, 3º Trimestre 2019. Lição 11, 15 Setembro, 2019]
A palavra hebraica mais geralmente empregada para esta perfeição divina é “chesed”; “racham” é outro termo hebraico, às vezes traduzida por “terna misericórdia”. No Novo Testamento temos o termo grego “eleos”. “Quando Moisés viu Deus de costas, ele também ouviu uma proclamação que definia o Deus de Israel como Misericordioso: “Senhor, o Senhor Deus, misericordioso e piedoso, tardio em irar-se e grande em beneficência e verdade; Que guarda a beneficência em milhares; que perdoa a iniquidade, e a transgressão e o pecado…” (Ex. 34:6). No entanto, sempre que observamos as raízes das palavras em Hebraico, podemos encontrar conexões incríveis! Por exemplo, o verbo LeRachem (לרחם), que significa ter misericórdia ou pena, está conectado com outras palavras, como “querido” ou “amado” (Rachim – רחים), que claro significa que para o povo semita alguém que você ama é caracterizado pela misericórdia. Você não pode amar sem ser misericordioso. O mais intrigante é que a raiz da palavra misericórdia também está conectada com a gravidez. Em Hebraico, o útero, órgão que abriga o embrião desde a sua concepção até o nascimento, é chamado de Rechem (רחם). Então o milagre da concepção e proteção do embrião é definido em termos de misericórdia. - Eli Lizorkin-Eyzenberg(CACP.ORG). A expressão misericórdia tem origem latina, é formada pela junção de miserere (ter compaixão), e cordis (coração). "Ter compaixão do coração", significa ter capacidade de sentir aquilo que a outra pessoa sente, aproximar seus sentimentos dos sentimentos de alguém, ser solidário com as pessoas.(SIGNIFICADOS).
2. Misericordioso. A palavra “misericordioso”, no grego, tem o sentido de “entranhas de misericórdia ou de bondade”. A expressão indica o sentimento que vem do íntimo, “das entranhas”, do “coração”. Ela mostra que servimos a um Deus de misericórdia, longanimidade e benignidade (Sl 103.8). Essas são qualidades morais de Deus. Quem se identifica com Ele, por meio do Espírito Santo, deve manifestar tais qualidades morais (Gl 5.22)[Lições Bíblicas CPAD, Revista Adultos, 3º Trimestre 2019. Lição 11, 15 Setembro, 2019]
O Novo Testamento apresenta uma maneira de viver que é inseparável da misericórdia de Deus - “Sede misericordiosos como o Pai é misericordioso” (Lc 6.36). Os filhos de Deus devem portar a indelével marca do caráter moral divino. Uma vez que Deus é amoroso, gracioso e generoso - até mesmo para com aqueles que são seus inimigos — devemos ser como ele (Mt 5.44-45; Ef 5.1-2). Gálatas 5.22-23 traças as atitudes piedosas que caracterizam a vida somente daqueles que pertencem a Deus pela fé em Cristo e possuem o Espírito de Deus. O Espírito produz o fruto que consiste de nove características ou atitudes as quais estão, de modo insolúvel, ligadas umas às outras e são ordenadas aos cristãos ao longo de todo o Novo Testamento. Assim, ser misericordioso, aos moldes de Deus, é característica única daquele que já experimentou o novo nascimento. Se você é insensível à dor e sofrimento alheio, reavalie a sua salvação. Ser misericordioso é a marca do cristão! No antigo oriente, quando as pessoas queriam se referir ao ‘coração’, ao centro das emoções, usavam o termo ‘entranhas’; órgãos que ficam na barriga e no peito, como os intestinos, o fígado, o coração (2Sm 20.10; At 1.18; Sl 71.6; Jn 1.17; Gn 43.30; Sl 5.9; 62.4; Is 16.11; Cl 3.12).
SUBSÍDIO DIDÁTICO-PEDAGÓGICO
Ao final da exposição de toda a lição, proponha aos alunos uma atividade prática de obras de misericórdia. As possibilidades são inúmeras: (1) arrecadar alimentos para quem precisa; (2) doar sangue; (3) arrecadar roupas para quem precisa; (4) visitar os enfermos no hospital e nas casas; (5) identificar a necessidade concreta de um irmão ou uma irmã, e mobilizar uma ação a fim de resolver tal necessidade. Enfim, essas são algumas sugestões, mas as necessidades e as possibilidades de fazer a diferença na vida das pessoas são de perder de vista. O importante, que após a aula, seus alunos sintam-se mobilizados a agir. Lembre que na perspectiva cristã, o amor não deve ser demonstrado somente por palavras, mas principalmente, pelas obras.
II. A MORDOMIA DA MISERICÓRDIA CRISTÃ
A misericórdia é como o amor, pois ela só tem valor se for praticada. As obras de misericórdia estão inseridas no contexto das “boas obras” inerentes à vida de todos os salvos em Cristo Jesus.
1. Obras de misericórdia na prática. Na parábola do Bom Samaritano (Lc 10.25-37), Jesus respondeu a um “um doutor da lei” acerca da vida eterna. Ele diz que, diante de um homem assaltado, caído à beira do caminho, três personagens se destacam: primeiro, um sacerdote, que, vendo o homem caído, “passou de largo” (Lc 10.31); depois, um levita, que ignorou o enfermo; por fim, um samaritano, que cuidou do homem, e o levou a uma hospedaria. Veja a pergunta de Jesus ao doutor da Lei: “Qual, pois, destes três te parece que foi o próximo daquele que caiu nas mãos dos salteadores?”. O doutor da lei respondeu: “O que usou de misericórdia para com ele. Disse, pois, Jesus: Vai e faze da mesma maneira” (Lc 10.36,37). Nosso Senhor mostrou que a misericórdia não deve ser apenas um “sentimento”, mas uma ação diretiva: “Vai e faze da mesma maneira”. [Lições Bíblicas CPAD, Revista Adultos, 3º Trimestre 2019. Lição 11, 15 Setembro, 2019]
No texto citado de Lucas 10.25-37, Jesus responde a um questionamento de um intérprete da Lei, um escriba que supostamente era um especialista na lei de Deus. Ele havia perguntado ao Mestre: “que farei para herdar a vida eterna?” (v. 25); Esta mesma pergunta é feita por vários outros inquiridores (Lc 18.18-23; Mt 19.16-22; Jo 3.1-15). Naqueles dias, com base no SI 139.21-22, a opinião prevalecente entre os escribas e fariseus era que os próximos de urna pessoa eram apenas os justos. O pensamento comum era de que, os ímpios, os gentios e especialmente os samaritanos, deveriam ser odiados porque eram inimigos de Deus. Jesus ensina ao escriba, que a misericórdia é temperada com um amor genuíno (Lc 6.27-36; Mt 5.44-48). Note aqui que, um entendimento equivocado de um texto bíblico (Sl 139.21-22), levou aqueles doutores a entenderem que a hostilidade para com os ímpios era uma virtude, e de fato, anularam o segundo grande mandamento. Na parábola contada por Jesus, temos um sacerdote, um levita e um samaritano; Os levitas eram da tribo de Levi, mas não descendentes de Arão. Eles ajudavam os sacerdotes nos trabalhos do templo. O samaritano levava em seu alforje óleo e vinho (10.34), levado pela maioria dos viajantes, em pequenas quantidades, como um tipo de estojo de primeiros socorros. O vinho era anticéptico; o óleo era calmante e curativo. Este homem desprezado pelos judeus, dispensou a quantia equivalente ao salário de dois dias de trabalho, que era mais do que suficiente para que o homem ficasse hospedado até se recuperar. Um Denário era o valor de um dia de salário do soldado romano (O Denário da época de Jesus foi cunhado por Tibério. Em um lado havia uma imagem de seu rosto; do outro lado, havia a imagem dele sentado no seu trono em vestes sacerdotais. Os judeus consideravam tais imagens como idolatria, proibida pelo segundo mandamento (Êx 20.4), o que tornava essa taxação e essas moedas duplamente ofensivas). Com esta narrativa, Jesus inverte a pergunta do escriba, que achava que deveria ser iniciativa dos outros mostrarem-se próximos dele. A resposta de Jesus deixa claro que cada um tem a responsabilidade de ser um próximo, especialmente daqueles que estão em necessidade.
2. Somos criados para as boas obras. O apóstolo Paulo ensinou aos crentes de Éfeso que a salvação não vem pelas obras, “porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de Deus. [...] Porque somos [...] criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas” (Ef 2.8,10). Assim, devemos praticar as boas obras porque somos salvos, e fomos alcançados pela graça de Deus: “[...] os que creem em Deus procurem aplicar-se às boas obras; estas coisas são boas e proveitosas aos homens” (Tt 3.8). Dentre as boas obras, podemos listar algumas obras de misericórdia:” [Lições Bíblicas CPAD, Revista Adultos, 3º Trimestre 2019. Lição 11, 15 Setembro, 2019]
 As boas obras não podem gerar a salvação, mas seguem imediatamente a salvação e são o resultado dos frutos concedidos por Deus e evidências deles (Jo 15.8; Fp 2.12-13; 2Tm 3.17; Tt 2.14; Tg 2.16-26). Como a salvação, a santificação do cristão e as boas obras foram ordenadas antes que o tempo tivesse início, para que andemos nelas, ou seja, coloquemos em prática.
2.1. Na área das necessidades humanas. Quem faz obras de misericórdia em prol dos carentes, necessitados e vulneráveis sociais está fazendo ao próprio Cristo (Mt 25.35,36), pois assim as Escrituras afirmam: “E, respondendo o Rei, lhes dirá: Em verdade vos digo que, quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes” (Mt 25.40).[Lições Bíblicas CPAD, Revista Adultos, 3º Trimestre 2019. Lição 11, 15 Setembro, 2019]
Em Mateus 25.40, “um destes meus pequeninos irmãos”, refere-se em particular a outros discípulos. Alguns aplicariam isso à nação de Israel; outros às pessoas necessitadas em geral. Mas note que este texto é a sequencia do que está no versículo 34, Jesus está elogiando especificamente os "que estiverem à sua direita" pela maneira como receberam seus emissários. Em Gálatas 6.10, Paulo diz que toda a vida do cristão fornece o privilégio único por meio do qual ele pode servir a outros em nome de Cristo, principalmente aos da família da fé - nosso amor pelos irmãos na fé é a prova principal de nosso amor por Deus. A Bíblia diz que cada crente deve ter misericórdia de outras pessoas, porque Deus tem misericórdia dele(Mateus 5:7). Para isso, precisamos ver os outros como pessoas iguais a nós, com problemas e dificuldades mas com valor. Peça a Deus para tornar seu coração sensível a outras pessoas, sentindo misericórdia de seu sofrimento. Se você se sentir zangado, irritado ou ameaçado por alguém, lembre-se que essa pessoa é humana como você e que também precisa de misericórdia (Oséias 6:6). (RESPOSTAS)
2.2. Na área das necessidades espirituais. As necessidades espirituais do homem são tão urgentes, que Deus enviou o seu Filho para salvá-lo de sua miséria (Jo 3.16). Esse ato nos lembra quando o profeta Jonas entristeceu-se por causa da compaixão de Deus pelo povo de Nínive. Eis, porém, o que o Senhor lhe respondeu: “[...] e não hei de eu ter compaixão da grande cidade de Nínive, em que estão mais de cento e vinte mil homens, que não sabem discernir entre a sua mão direita e a sua mão esquerda, e também muitos animais?” (Jn 4.11). Isso prova, conforme as palavras de Tiago, que “a misericórdia triunfa no juízo” (Tg 2.13)[Lições Bíblicas CPAD, Revista Adultos, 3º Trimestre 2019. Lição 11, 15 Setembro, 2019]
Uma pessoa que não mostra misericórdia nem compaixão pelos necessitados demonstra que nunca respondeu à grande misericórdia de Deus e, como uma pessoa não redimida, somente receberá o castigo rigoroso e total no inferno (Mt 5.7). A pessoa cuja vida é caracterizada pela misericórdia está prepararia para o dia do juízo e escapará de todas as acusações que a justiça rigorosa poderá apresentar contra ela porque, ao mostrar misericórdia para com os outros, ela dá prova genuína de que recebeu a misericórdia de Deus.
2.3. Na área da evangelização e das missões. As Escrituras Sagradas mostram que a obra de evangelização e missões é central no Evangelho: “Não dizeis vós que ainda há quatro meses até que venha a ceifa? Eis que eu vos digo: levantai os vossos olhos e vede as terras, que já estão brancas para a ceifa” (Jo 4.35; cf Mc 6.34). É muito clara a necessidade espiritual do mundo. Infelizmente, o investimento na obra missionária ainda é muito pequeno. De um modo geral, gastamos mais com outros empreendimentos e objetos pessoais do que investimos em missões e na evangelização das almas perdidas[Lições Bíblicas CPAD, Revista Adultos, 3º Trimestre 2019. Lição 11, 15 Setembro, 2019]
O centro das boas novas anunciadas por Jesus Cristo, que é a suma da esperança e da fé dos crentes do Antigo Testamento, é a apresentação do Deus das misericórdias. Deus se compraz em mostrar misericórdia para com os pecadores arrependidos. Deus revela-se misericordioso sempre que invocado, pela fé, por homens e mulheres ruborizados pelo pecado, impotentes frente ao mal e incapazes de fiados em justiça própria, consertar a própria vida. A misericórdia da parte de Deus é uma ação criadora, que transforma a realidade, que cria nova oportunidade, nova vida, novas energias para continuarmos seguindo em frente. (ULTIMATO). A única maneira que o mundo tem para enxergar a salvação e ter acesso às infinitas misericórdias de Deus é através da Igreja. Cientes disto, o cristão deve exercer misericórdia também com a obra missionária. Quantos missionários estão ‘gastando’ suas vidas e sacrificando a vida de seus familiares no Campo, e em sua imensa maioria, padecendo necessidades? A misericórdia é um santo antídoto contra as mais variadas enfermidades que grassam em nosso mundo, e ela deve ser manifestada no amor por Missões, por aqueles que estão na ponta da linha levando o Evangelho.
2.4. A falta de misericórdia pelos pecadores. Há uma negligência flagrante, por parte de muitas igrejas, na pregação do Evangelho. Isso é falta de misericórdia. A Bíblia mostra que Deus “amou o mundo”, e não um grupo seleto e privilegiado. Ele quer salvar a todos em Jesus Cristo. O nosso Deus é amor, longânimo e misericordioso. Ele não tem “prazer na morte do ímpio” (Ez 33.11). A ordem do Senhor Jesus é muito clara: “Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura” (Mc 16.15; cf. Pv 24.11)[Lições Bíblicas CPAD, Revista Adultos, 3º Trimestre 2019. Lição 11, 15 Setembro, 2019]
O ensino das Escrituras é que Deus não tem nenhum prazer em ver o pecador sendo entregue à morte por causa de seus pecados, mas seu desejo era que ele se arrependa e viva (2Pe 3.9). A resposta divina para os questionamentos humanos é "arrependa-se e seja salvo". Aqui temos uma mistura de compaixão e de exigência da santidade de Deus. O arrependimento e o perdão são oferecidos a todos.
SUBSÍDIO TEOLÓGICO
“[...] Em Efésios 2.10, Paulo se refere às boas obras como indispensáveis à salvação – ‘não como sua razão ou seus meios, no entanto, mas como sua [necessária] consequência e evidência’. Tito 2.14 apresenta o melhor comentário: Cristo ‘se deu a si mesmo por nós, para nos remir de toda iniquidade e purificar para si um povo seu especial, zeloso de boas obras’. Assim como em Cristo fomos predestinados à adoção (1.4), também em Cristo fomos predestinados a fazer boas obras.
Em Efésios 2.1-10, o texto termina com a frase ‘para que andássemos nelas’. Esse parágrafo começa com pessoas ‘andando’ (peripateo) na morte das transgressões e do pecado (2.1-2) e estas terminam ‘andando’ (peripateo) nas boas obras que, antecipadamente, Deus planejou para todos os que foram redimidos em Cristo. Assim o forte contraste entre uma vida sem Cristo e uma vida em Cristo está completo. É um contraste entre duas formas de vida (no pecado ou pela graça), e entre dois senhores (Satanás ou Deus)” (Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2003, pp.1217-218).
III. CUIDADOS NA PRÁTICA DAS BOAS OBRAS
1. As boas obras devem glorificar a Deus. No Sermão do Monte, Jesus disse: “Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o vosso Pai, que está nos céus” (Mt 5.16 – grifo meu). Por isso, as obras de misericórdia devem ser feitas com humildade e sem buscar a glória para quem as pratica. Assim, o Senhor ensinou como devemos ajudar o necessitado: “Quando, pois, deres esmola, não faças tocar trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem glorificados pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão” (Mt 6.2)[Lições Bíblicas CPAD, Revista Adultos, 3º Trimestre 2019. Lição 11, 15 Setembro, 2019]
Uma vida piedosa dá um testemunho convincente do poder salvador de Deus e isso lhe traz glória (1Pe 2.12). Jesus mostra como a justiça dos fariseus era deficiente ao expor a hipocrisia deles nas questões de atos de caridade (Mt 6 1-4). A palavra ‘hipócrita’ tem sua origem no teatro grego, descrevendo um personagem que usava uma máscara. O termo, conforme usado no Novo Testamento, normalmente descreve uma pessoa não regenerada que engana a si mesma, eles já receberam a recompensa. Sua recompensa é que eles eram vistos pelos homens, e nada mais. Deus não recompensa a hipocrisia, mas a pune (Mt 23.13-23).
2. As obras de misericórdia são obras de amor. Elas são parte da prática do amor cristão, que, segundo Jesus, deve ser estendido até mesmo ao inimigo (Mt 5.44). Nesse sentido, o apóstolo expressa esse ensino: “Portanto, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; porque, fazendo isto, amontoarás brasas de fogo sobre a sua cabeça” (Rm 12.20). Somente com a graça de Deus, e na força do Espírito Santo, o cristão pode cumprir o mandamento de amar o inimigo[Lições Bíblicas CPAD, Revista Adultos, 3º Trimestre 2019. Lição 11, 15 Setembro, 2019]
Quando no sermão do monte, Jesus ensina - “amai os vossos inimigos... para que vos tomeis filhos do vosso Pai celeste” - claramente que o amor de Deus se estende até mesmo aos seus inimigos. Podemos ver esse amor universal de Deus manifesto em bênçãos concedidas a todos de maneira indiscriminada. Os teólogos chamam isso de graça comum, o que não é a mesma coisa que o amor eterno de Deus pelos seus eleitos (Jr 31.3), mas trata-se, de qualquer maneira, de boa vontade sincera (cf. SI 145.9). Quando fazemos o bem aos nossos inimigos, amontoaremos “brasas vivas sobre a sua cabeça”. ‘Amontoar brasas’ refere-se a um costume antigo dos egípcios no qual uma pessoa que quisesse demonstrar público arrependimento carregava uma panela de brasas vivas sobre a cabeça. As brasas simbolizavam a dor ardente de sua vergonha e culpa. Quando os cristãos ajudam seus inimigos com amabilidade, esse procedimento causa vergonha para essas pessoas pelo seu ódio e animosidade (Pv 25.21-22).
3. Obras de quem é salvo. Tiago diz que as obras dos salvos devem ser a expressão da fé, a qual, sem elas, de nada aproveita. Ele exemplifica esse ensino referindo-se ao caso de um irmão ou irmã, carentes, sendo despedidos de mãos vazias. Neste caso, nenhum proveito se materializa. E conclui: “Assim também a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma” (Tg 2.17; cf. 2.14-20; Mt 5.16). Segundo Tiago, as boas obras é o testemunho da fé perante os homens[Lições Bíblicas CPAD, Revista Adultos, 3º Trimestre 2019. Lição 11, 15 Setembro, 2019]
Contemplar a misericórdia de Deus enche a alma redimida de humildade e louvor, duas virtudes de grande valor à vista de Deus. E o que Deus valoriza, certamente deve ser buscado por nós. Se Deus despreza o orgulho, devo buscar a humildade. Se Deus apraz-Se com um espírito de gratidão, devo buscar um espírito de gratidão. É natural buscarmos as coisas estimadas pelos homens; é sobrenatural buscarmos as coisas aprovadas por Deus. O mundo admira um espírito de orgulho e de autossuficiência e, portanto, são homens como Napoleão e outros valentes de guerra que são heróis para o mundo. Mas é o espírito quieto e humilde que é de grande preço à vista de Deus. 1 Pedro 3:4. E nada nos fará mais humildes e gratos que a contemplação da misericórdia de Deus. A misericórdia nos faz relembrar nosso estado de miséria como filhos da ira. Misericórdia explica nossa salvação. Sem misericórdia seríamos consumidos pela ira da justiça divina.(PALAVRAPRUDENTE). Assim como a compaixão professada sem ações é falsa, o tipo de fé que carece de obras é uma mera profissão vazia, e não a genuína fé que salva.
SUBSÍDIO TEOLÓGICO
“As Obras São a Evidência da Fé [Tiago] (2.14-19). Nesse ponto, Tiago apresenta seu segundo exemplo da necessidade de existir uma consistência entre palavras e obras e, nesse processo, introduz o argumento da inseparabilidade entre a ‘fé’ e as ‘obras’ que, necessariamente, deve se originar dessa consistência. Ele abre essa seção com duas perguntas retóricas (v.14): ‘Meus irmãos, que aproveita [ou, qual é o benefício] se alguém disser que tem fé e não tiver as obras?’ Fica claro que Tiago tem em vista dois ‘benefícios’ especiais que deveriam se originar da ‘fé’. O primeiro é apresentado na sua segunda pergunta retórica: ‘Porventura, a fé pode salvá-lo? A fé deveria ser capaz de proporcionar o benefício da salvação àquele que a possui; se não o fizer, então essa fé é, de certo modo, defeituosa (mas não uma falsa fé). Porém, a fé deveria também ter uma segunda finalidade: beneficiar os semelhantes mostrando a bondade de Deus para com eles (vv.15,16).
Essa dupla preocupação por tudo de ‘bom’ que a fé deveria proporcionar representa uma importante lembrança para a nossa cultura individualista. Fé não é apenas salvar a alma individual do julgamento eterno, mas também construir comunidades a fim de mostrar o amor de Deus não só no meio dos próprios crentes, mas também no mundo em que vivem” (Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2003, pp.1672-73).
CONCLUSÃO
Não somos salvos pelas boas obras, mas as praticamos porque somos salvos (Mt 5.16). Precisamos testemunhar nossa fé ao mundo por meio das boas obras. Logo, devemos realizar as obras de misericórdias no âmbito material e espiritual. O nosso Deus amou o ser humano por inteiro. Este tem necessidade no corpo e na alma. As obras de misericórdias são o testemunho bíblico da nossa fé. [Lições Bíblicas CPAD, Revista Adultos, 3º Trimestre 2019. Lição 11, 15 Setembro, 2019]
Tiago escreve em 2.19: “Crês, tu, que Deus é um só?” - uma referência clara à passagem mais conhecida pelos seus leitores judeus: a Shemmah (Dt 6.4-5), a doutrina mais básica do Antigo Testamento; e ele continua: “Fazes bem. Até os demônios creem e tremem”. Até os anjos caídos afirmam a unicidade de Deus e tremem diante das implicações dessa unicidade. Isso é importante para nós porque esclarece que a ortodoxia somente, não é prova suficiente de que somos salvos! Os demônios são, em essência, ortodoxos em sua doutrina (Mt 8.29-30; Mc 5.7; Lc 4.41; At 19.15). Eles conhecem a verdade acerca de Deus, de Cristo e do Espírito, mas odeiam tanto a verdade como ao Deus Trino. Logo, a fé verdadeira é demonstrada através da prática das boas obras, do exercício daquilo para o que fomos preparados. É preciso exercitarmos o dom de misericórdia, o dom de mostrar interesse por aqueles que sofrem dor e passam por dificuldades, como também a capacidade de perdoar rapidamente (Mt ,5.7; Rm 12,8).

Francisco Barbosa
Disponível no blog: auxilioebd.blogspot.com.br

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