quarta-feira, 3 de outubro de 2018

PROFESSOR DESNECESSÁRIO À IGREJA: o leigo que é desleixado

Novos professores e uma nova realidade

Não haverá uma nova safra de crentes se não houver uma nova classe de professores da Escola Dominical! Não se pode imaginar um futuro para a igreja sem educadores. Muitos acreditam que o professor da Escola Dominical é dispensável. E de fato o é, mas de qual docente estamos falando?
Certos professores são dispensáveis, assim como certos pregadores também o são. E claro que assim como não posso generalizar o último também não devo fazê-lo em relação ao primeiro. A falácia de que os professores dominicais são desnecessários à igreja é uma tentativa malsã de, parafraseando Paulo Freire, "retirar a boniteza do sonho de ser professor de tantos jovens cristãos nesse Brasil". Em um país que ideologicamente aprendeu a escamotear e a desvalorizar o professor, não ignoro que muitos líderes cristãos também desprezem esse importante e insubstituível ofício na igreja. Nalgumas vezes, eles parecem ter razão. Alguns docentes há muito deveriam ter pendurado a batuta:
• Ainda continuam lendo integralmente a revista da Escola Dominical diante da classe;
• Não usam qualquer tipo de método;
• São incapazes de comentar com profundidade teológica o tema da lição;
• Reclamam que o assunto é repetido, pois não sabem o que ensinar quando o aluno sabe o que ele sabe;
Sim, esse é o perfil do professor desnecessário, substituível, que não interessa à igreja. Tal ensinante é inútil à renovação da igreja.

Ele é:

• Monocultural, como afirma Luiza Cortesão, incapaz de abrir-se ao novo, à renovação;
• Taciturno, perdeu a alegria de ensinar e, por pouco, não perde a satisfação de viver.
• Incapaz de refletir a teologia, porquanto não compreende o contexto epocal da teologia e, por isso, preserva uma linguagem antiquada sobre a doutrina bíblica;
• Iludido, pensa estar cumprindo os propósitos do Reino de Deus. Na verdade, ele se colocou na porta, da ED e não permite que ninguém mais atravesse.
• Resistente, não admite qualquer mudança de paradigma na educação cristã, embora ele mesmo não saiba explicar suas práticas de ensino-aprendizagem.
Não resta dúvida, o professor desnecessário é aquele que perdeu o rumo, o telos, o sentido da vocação, o sentido que move e dirige toda ação pedagógica: o amor, o respeito e a edificação do indivíduo. Ele se perdeu na formação do ser e não reconstruiu-se no sendo. Ele não faz as perguntas: "Por que ensino?", "Por que sou professor?", e quando as faz não encontra respostas que o recoloque em direção ao telos. O máximo que encontra são feixes de escusas emaranhadas que inebriam sua consciência incorrigível. Todavia, professores renovados produzirão uma igreja viva e saudável.

O leigo-desleixado

Um dos tipos de professores desnecessários à igreja contemporânea é o leigo-desleixado. Leigo, inicialmente, é aquele que não tem formação pedagógica; depois, o professor que não é ordenado ministro. No âmbito da educação cristã, temos milhares de professores valorosos nas igrejas brasileiras que são leigos em ambos os sentidos. Eu mesmo iniciei a prática da educação cristã como professor leigo. Tanto na educação cristã quanto nos corredores da educação brasileira ver-se-á o leigo transitando e atuando na educação. Da reforma pombalina ao final da Década da Educação, a presença do professor leigo é incontestável.
A esta altura de nosso tema, posso correr o risco de classificar alguns tipos de laicado:
a) leigo, em sentido próprio, isto é, não ordenado;
b) leigo, considerando o elemento prático, ou seja, sem qualificação ou formação, mas que exerce uma função no lugar de um qualificado;
c) leigo-desleixado, o negligente, preguiçoso, descuidado.
Assim, não vejo qualquer problema em ser leigo em sentido próprio na igreja. Eu mesmo iniciei o ministério de ensino como leigo durante muitos anos. Contudo, existe uma diferença entre o leigo das categorias "a" e "b" com o da categoria "c", o desleixado. O primeiro não foi ordenado ao ministério, mas, potencialmente, é um obreiro. Ele possui ou está em processo de formação e até mesmo de ordenamento ou, mesmo que não seja assim, ele é qualificado para aquilo a qual é responsável. O segundo exerce uma função - no caso, a docência - mesmo sem estar formalmente qualificado. Ele é, como afirma Martins, "professor prático experimentado-leigo na docência". Essa classe de professor não possui a teoria que deve embalar a formação, mas desenvolveu uma prática que o "qualifica", pela experiência e conhecimento, ao exercício magisterial, mesmo que limitado. Embora o leigo-prático não tenha a formação técnica ou acadêmica, ele se preocupa com sua formação, fazendo aqui e ali cursos de pequena duração para o exercício do magistério eclesiástico. E fácil identificá-lo:
1) Sua presença é certa em seminários para professores da ED;
2) Sempre está presente nas reuniões de professores;
3) Busca capacidade adequada; 
4) Costuma variar os métodos em sala de aula, conforme a necessidade de seus alunos;
5) Busca formação teológica em nível fundamental ou superior;
6) Reconhece suas limitações e, caso não tenha completado os estudos, empenha-se em concluí-los para exercer o ministério mais eficientemente;
7) Não se aparta dos livros de teologia, didática e formação geral;
8) Tem em grande estima aqueles que, como ele, se dedicam ao ministério do ensino;
9) Esforça-se para aprender e melhorar a si mesmo.
O terceiro, o leigo-desleixado, diferente dos anteriores, não tem qualquer interesse em sua própria formação. Ele é fácil de identificar, pois, como o próprio termo designa, é indolente, preguiçoso, relapso e não tem qualquer interesse em ser um docente mais qualificado. Está mais interessado no título e na ocupação, que lhe dão status na comunidade, do que preocupado em exercer o magistério cristão com eficiência. Ele:
1) Falta constantemente aos seminários para professores;
2) Dificilmente aparece nas reuniões de professores;
3) Enfada aos alunos pela falta de método e didática;
4) Não tem qualquer interesse em buscar formação teológica;  na verdade, ele é contra a teologia;
5) Jamais reconhece suas limitações e não tem qualquer interesse em estudar ou concluir os estudos;
6) Não lê qualquer manual didático, com exceção da Bíblia, a qual não entende apropriadamente;
7) Critica os professores que se dedicam ao magistério cristão porque entende que o dom é suficiente para o desempenho do munus docendi;
8) E desleixado com sua própria formação.
 Essa categoria de professor é um estorvo para a formação do aluno e crescimento da Escola Dominical. Todavia, será possível restaurar o sabor do sal depois de insosso? Pergunta o Mestre dos mestres!










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