sexta-feira, 12 de julho de 2019

LIÇÃO 2: A MORDOMIA DO CORPO


SUBSÍDIO I

A MORDOMIA DO CORPO
O ser humano, de acordo com a Palavra de Deus, constitui-se de uma tricotomia: espírito, alma e corpo (1 Ts 5.23). O corpo não é, como muitos fanáticos entendem, algo que não tem valor e deve ser destruído. Conforme o que a Bíblia revela, o corpo humano é uma maravilha criada por Deus. Na mordomia cristã, o corpo deve ser objeto de muito zelo e cuidado, tanto no seu aspecto material, quanto no espiritual, e isso por razões muito relevantes.
Primeiro, Deus formou a parte física do homem, o seu corpo, “do pó da terra”. Não com o barro, em estado bruto, ou “um boneco de barro”, como ensinam alguns obreiros de modo infantil. Deus, porém, manipulou os elementos químicos que se encontram no barro, ou na argila, formando, de modo sobrenatural, cada parte do corpo humano, combinando-os de maneira jamais compreendida pela mente humana. Hoje, a embriologia e o estudo da genética têm informações sobre a formação do ser humano no ventre da mãe a partir da união dos gametas masculino e feminino, porém jamais alcançou a formação do primeiro ser humano, que não foi gerado, mas criado por Deus. A forma como o Senhor combinou os aminoácidos, as proteínas, os sais minerais e as demais substâncias para compor o corpo humano é algo que transcende a qualquer especulação científica. Somente após a formação do corpo, Deus infundiu nele o “fôlego da vida”, a alma e o espírito, que constituem sua parte intangível.
Na visão tricotômica do ser humano, o corpo tem papel importantíssimo. É através dele que a alma comunica-se com o mundo exterior. É no rosto que aparecem as expressões de alegria, tristeza, ira, sono, calma, entusiasmo, rancor, mágoa e tantos outros sentimentos próprios da natureza humana. Diz a Bíblia: “[...] o rosto corresponde ao rosto, assim o coração do homem ao homem” (Pv 27.19). Graças à ciência, hoje podemos conhecer — melhor do que qualquer pessoa em tempos passados, inclusive na esfera do tempo em que a Bíblia foi escrita — a grandeza, a perfeição (relativa) e o maravilhoso funcionamento do corpo humano, como obra-prima das mãos de Deus, o Criador Maravilhoso e Absoluto de todas as coisas. 
Davi exclamou diante da formação e desenvolvimento do corpo desde o ventre: “Eu te louvarei, porque de um modo terrível e tão maravilhoso fui formado; maravilhosas são as tuas obras, e a minha alma o sabe muito bem. Os meus ossos não te foram encobertos, quando no oculto fui formado e entretecido como nas profundezas da terra. Os teus olhos viram o meu corpo ainda informe, e no teu livro todas estas coisas foram escritas, as quais iam sendo dia a dia formadas, quando nem ainda uma delas havia” (Sl 139.14-16). 
Neste capítulo, estudaremos sobre a mordomia do corpo, destacando o seu valor espiritual, considerando informações sobre o corpo humano, para que sintamos melhor a grandeza da obra criadora de Deus quando fez o homem das substâncias que há no pó da terra e deu vida a ele, tornando-o sua imagem e semelhança, o que nos torna mais responsáveis perante o Criador pelo cuidado e zelo que devemos ter pelo nosso corpo, que é “templo do Espírito Santo” (1 Co 6.19). 

Texto extraído da obra “Tempos, bens e talentos, editada pela CPAD 

COMENTÁRIO E SUBSÍDIO II

INTRODUÇÃO

Nesta lição, estudaremos a mordomia do corpo. Nela, destacaremos o valor espiritual e a grandeza da obra criadora de Deus. A Bíblia mostra que o Criador fez o homem do pó da terra, dando-lhe vida e tornando-o sua imagem e semelhança. Quando compreendemos essa verdade bíblica, tornamo-nos responsáveis pelo zelo do nosso corpo perante o Criador, pois, segundo sua Palavra, o corpo do cristão é "templo do Espírito Santo" (1 Co 6.19). 
Sob a antiga aliança, Deus aceitava os sacrifícios de animais mortos. Entretanto, devido ao sacrifício final de Cristo, os sacrifícios do Antigo Testamento já não têm mais qualquer efeito (Hb 9.11-12). Para aqueles em Cristo, a única adoração aceitável é oferecer a si mesmo completamente ao Senhor. Debaixo do controle de Deus, o corpo ainda não redimido do cristão pode e deve ser rendido a ele como um instrumento de justiça (Rm 6.1,13; 8.11-13). "Racional" vem do grego "lógica". A luz de todas as riquezas espirituais que os cristãos desfrutam exclusivamente como o fruto das misericórdias de Deus (Rm 11.33,36), segue-se logicamente que eles elevem a Deus a sua mais elevada forma de culto. Aqui está subentendida a ideia de culto espiritual sacerdotal, o qual era parte integral da adoração do Antigo Testamento. O corpo do cristão pertence ao Senhor (v. 13), é um membro de Cristo (v. 15) e templo do Espírito Santo. Todo ato de fornicação, adultério ou qualquer outro pecado é cometido pelo cristão no santuário, o Santo dos Santos, onde Deus habita. No Antigo Testamento, o sumo sacerdote entrava lá apenas uma v e z por ano, e somente após uma extensiva limpeza, caso contrário ele seria morto (Lv 16). 

I. DIMENSÃO MATERIAL DO CORPO

1. A formação maravilhosa do corpo. A Bíblia relata a criação do corpo do ser humano (Gn 1.26-28; 2.18-25). Foi uma obra maravilhosa, poeticamente expressa nas palavras do rei Davi: "Eu te louvarei, porque de um modo terrível e tão maravilhoso fui formado; maravilhosas são as tuas obras, e a minha alma o sabe muito bem" (Sl 139.14). No mesmo salmo, o autor sagrado traz à memória a contemplação divina do corpo humano ainda informe (Sl 139.15). Louve a Deus por sua maravilhosa Criação! 
O ponto culminante da criação acontece com o ser humano vivente, feito à imagem de Deus para governar a criação. Isso definiu o relacionamento peculiar do homem com Deus. O homem é ser vivente capaz de incorporar os atributos de comunicação de Deus (Gn 9.6; Rm 8.29; Cl 3.10; Tg 3.9). Na sua vida racional, o homem era semelhante a Deus no sentido de que era capaz de raciocinar e tinha intelecto, vontade e sentimento. No sentido moral, ele era semelhante a Deus porque era bom e sem pecado. Na gravidez, período divinamente planejado, o Senhor observa o desenvolvimento tia criança ainda no útero de sua mãe.

2. A estrutura do corpo humano. Quando estudamos a estrutura do corpo humano, percebemos quão maravilhosa foi a obra do Criador. Por exemplo, o organismo humano se constitui de 216 tecidos organizados no esqueleto. Este possui 206 ossos. O cérebro tem um trilhão de células nervosas e seus sinais trafegam ao longo dos nervos até um máximo de 360 km/h. O corpo se constitui de setenta por cento de água; tem 96.500km de veias e artérias; 10 bilhões de vasos capilares; 100 trilhões de células. A estrutura humana revela uma complexidade que a teoria da evolução jamais explicará. Só uma mente onisciente, e um ser infinitamente supremo, pode dar respostas lógicas à origem da vida e do homem: "No princípio, criou Deus os céus e a terra [...] E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; macho e fêmea os criou" (Gn 1.1,27).
Conquanto Deus exista eternamente (SI 90.2), o "princípio" marcou o começo do universo no tempo e no espaço. Ao explicar a identidade de Israel e o propósito do povo nas planícies de Moabe, Deus quis que o seu povo soubesse a respeito da origem do mundo no qual eles se encontravam. Gênesis 1 usa o termo criar para referir-se apenas à atividade criadora de Deus, embora ocasionalmente seja usada em outros lugares para referir-se à matéria já existente (Is 65.18). O contexto exige determinantemente que se tratava de uma criação sem material preexistente (como também acontece em outras referências na Bíblia: cf. Is 40.28; 45.8,12,18; 48.13; Ir 10.16; At 17.24). Foi assim, que o Eterno trouxe à existência a coroa da criação, Conquanto essas duas pessoas compartilhassem de modo igual a imagem de Deus e juntos exercessem domínio sobre a criação, por desígnio divino eles eram fisicamente diferentes a fim de cumprirem o mandamento de Deus de multiplicarem-se, ou seja, nenhum deles podia gerar filhos sem a participação do outro.
O corpo humano é extremamente complexo e maravilhoso, funcionando graças a um conjunto de sistemas que trabalham de maneira coordenada para desempenhar diversas funções. “O corpo humano é constituído por diferentes partes, entre elas, a pele, os músculos, os nervos, os órgãos, os ossos, etc. Cada parte do corpo humano é formada por inúmeras células que apresentam formas e funções definidas. Além disso, existem os tecidos, órgãos e sistemas, os quais funcionam de modo integrado. Podemos comparar nosso corpo a uma máquina complexa e perfeita com todas as suas partes funcionando em sincronia.” (TODAMATERIA)


SUBSÍDIO DIDÁTICO-PEDAGÓGICO

A fim de expor o primeiro tópico com mais propriedade, busque informações técnicas em livros ou em sites especializados. Informar-se sobre o Projeto Genoma, um programa de mapeamento da genética humana, também contribuirá muito para você compreender o sistema complexo do corpo humano. Com base nesses estudos, é impossível pensar que somos fruto do acaso. Só um ser poderoso, majestoso e infinito poderia gerar essa complexidade do corpo humano. Entretanto, tenha em mente que não precisamos de qualquer estudo científico para determinar o que cremos, pois, como diz as Escrituras, “pela fé, entendemos que os mundos, pela palavra de Deus, foram criados; de maneira que aquilo que se vê não foi feito do que é aparente” (Hb 11.3).
II. A DIMENSÃO ESPIRITUAL DO CORPO

     1. O corpo segundo as Escrituras. A Bíblia usa várias metáforas para designar espiritualmente o corpo:
A Bíblia se refere ao corpo humano sob alguns aspectos, contrastando o “homem exterior” e “homem interior”: 1Ts.5:23: “E todo o vosso espírito, e alma (homem interior) e corpo (homem exterior), sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo”. Embora distintos, espírito e alma (Hb 4.12) nunca são separados. Todos os homens, como seres criados por Deus (Gn 1.26-27). Como escreve o Pr Elienai Cabral: “O homem é um ser tricótomo (1Ts 5.23; Hb 4.12). O termo tricotomia significa “aquilo que é dividido em três” ou “que se divide em três tomos”. Em relação ao homem, o termo tricotomia refere-se às três partes do seu ser: corpo, alma e espírito. Há divergência neste ponto entre alguns teólogos. Há aqueles que entendem o homem como apenas um ser dicótomo, ou seja, que se divide em duas partes: corpo e alma (ou espírito). Os defensores da dicotomia do homem unem alma e espírito como sendo uma e a mesma coisa. Entretanto, parece-nos  mais aceitável o ponto de vista da tricotomia. Esse conceito da tricotomia crê que o homem é uma triunidade composta e inseparável. Só a morte física é capaz de separar as partes: o corpo de sua parte imaterial.
a) O corpo: É a parte inferior do homem que se constitui de elementos químicos da terra como oxigênio, carbono, hidrogênio, nitrogênio, cálcio, fósforo, potássio, enxofre, sódio, cloro, iodo, ferro, cobre, zinco e outros elementos em proporções menores. Porém, o corpo com todos esses elementos da terra, sem os elementos divinos, são de ínfimo valor. No hebraico, a palavra corpo é basar. No grego do Novo Testamento, a palavra corpo é somma. Portanto, o corpo é apenas a parte tangível, visível e temporal do homem (Lv 4.11; 1Rs 21.27; Sl 38.4; Pv 4.22; Sl 119.120; Gn 2.24; 1Co 15.47-49; 2Co 4.7). O corpo é a parte que se separa na morte física.
b) A alma: É preciso saber que o corpo sem a alma é inerte. A alma precisa do corpo para expressar sua vida funcional e racional. A alma é identificada no hebraico do Velho Testamento por nephesh e no grego do Novo Testamento por psiquê. Esses termos indicam a vida física e racional do homem. Os vários sentidos da palavra alma na Bíblia, como sangue, coração, vida animal, pessoa física; devem ser interpretados segundo o contexto da escritura em que está contida a palavra “alma”. De modo geral, em relação ao homem, a alma é aquele princípio inteligente que anima o corpo e usa os órgãos e seus sentidos físicos  como agentes na exploração das coisas materiais, para expressar-se e comunicar-se com o mundo exterior. Nephesh dá o sentido literal de “respiração da vida” (Sl 107.5,9; Gn 35.18; 1Rs 17.21; Dt 12.23; Lv 17.14; Pv 14.10; Jó 16.13; Ap 2.23; Ecl 11.5; Sl 139.13-16);
c) O espírito: No hebraico é ruach e no grego, pneuma. O espírito do homem não é simples sopro ou fôlego, é vida imortal (Ec 12.7; Lc 20.37; 1Co 15.53; Dn 12.2). O espírito é o princípio ativo de nossa vida espiritual, religiosa e imortal. É o elemento de comunicação entre Deus e o homem. Certo autor cristão escreveu que “corpo, alma e espírito não são outra coisa que a base real dos três elementos do homem: consciência do mundo externo, consciência própria e consciência de Deus.” (CPADNEWS)
1.1.    "Corpo do pecado". Note este versículo: "que o nosso velho homem foi com ele crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, a fim de que não sirvamos mais ao pecado" (Rm 6.6). Nele, a expressão "corpo do pecado" refere-se ao "velho homem" que, antes de nascer de novo, usava o corpo como "instrumento de iniquidade" (Rm 6.12-14). Esse corpo também é chamado na Bíblia de "homem exterior", um corpo que se corrompe, adoece e envelhece. 
Os seres humanos foram criados por Deus com espírito, alma e corpo (Gn 1.27; 1Ts 5.23). Tem sido dito que não somos corpos com almas, mas almas com corpos. O corpo - o "homem exterior" - é a nossa habitação física através da qual experimentamos o mundo. Nossos corpos funcionam essencialmente através dos cinco sentidos e atendendo às necessidades inatas que nos levam a comer, beber e dormir. Nossos corpos não são maus, mas são dons de Deus. Ele deseja que entreguemos esses corpos como sacrifícios vivos para Ele (Rm 12.1-2). Quando aceitamos o dom da salvação de Deus através de Cristo, nossos corpos se tornam templos do Espírito Santo (1Co 6.19-20; 3.16). Em Rm 6.6, apóstolo se refere ao nosso velho homem, ao eu do cristão não regenerado. A palavra grega para "velho" não diz respeito a algo velho em anos, mas a algo gasto e inútil, não é referente ao tempo, mas à utilidade. O nosso velho ser morreu com Cristo, e a vida que desfrutamos agora é uma vida dada de maneira divina, a vida do próprio Cristo (Gl 2.20). Fomos retirados da presença e do controle do nosso ser não regenerado, e desse modo não devemos seguir as lembranças remanescentes de nossos velhos caminhos pecaminosos como se ainda estivéssemos sob a influência do mal (Ef 4.20-24; GI 5.24; Cl 3.9-10). Ao utilizar o termo “corpo do pecado”, em sua essência, o e sentido é o mesmo de “nosso velho homem”. Paulo usa os termos "corpo" e "carne" para se referir às tendências pecaminosas interligadas com as fraquezas e os prazeres físicos, como por exemplo, nos textos de Rm 8.10-11,13,23. Embora o velho ser esteja morto, o pecado mantém uma posição em nossa carne profana ou em nossa humanidade não redimida, com seus desejos corrompidos. Agora, é importante que se entenda e se corrija um erro comum no ensino cristão: O cristão não tem duas naturezas conflitantes, a velha e a nova, mas uma nova natureza que ainda está encarcerada numa carne não redimida. Porém, o termo "carne" não equivale ao corpo físico, o qual pode ser um instrumento de santificação (v. 19; 12.1; 1 Co 6.20).

1.2.    "Casa terrestre"(2 Co 5.1). Essa expressão refere-se à "temporalidade do corpo", isto é, sua constituição física, a "fôrma" do espírito. Esse corpo é a casa temporária, a morada passageira, visto que nesta Terra somos "peregrinos e forasteiros" (1 Pe 2.11). 
Em 2Co 5.1, ‘casa terrestre... tabernáculo’, é a metáfora de Paulo para o corpo físico (cf. 2Pe 1.13-14). A imagem era perfeitamente natural para esse tempo porque muitas pessoas eram habitantes nômades de tendas, e Paulo, com o um fazedor de tendas (At 18.3), sabia muita coisa a respeito das características delas. Também, o tabernáculo dos judeus havia simbolizado a presença de Deus entre o povo quando este saiu do Egito e tornou-se uma nação. O que Paulo quer dizer é que, com o uma tenda temporária, a existência terrena do homem é frágil, insegura e modesta (1Pe 2.11). Do mesmo modo, o apóstolo utiliza uma poderosa metáfora para se referir ao nosso corpo glorificado – ‘da parte de Deus um edifício’ (1Co 15.35-50). Um "edifício" sugere solidez, segurança, certeza e permanência, em oposição à natureza frágil, passageira e incerta de uma tenda. Assim com o os israelitas substituíram o taburnáculo pelo templo, do mesmo modo os cristãos devem desejar substituir o seu corpo terreno pelo corpo glorificado (Rm 8.19-23; Fp 3.20-21).

1.3. "Templo do Espírito Santo". Essa expressão aparece numa pergunta retórica de Paulo em 1 Coríntios: "Ou não sabeis que o nosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos?" (6.19). É um alerta do apóstolo aos crentes de Corinto para não darem lugar ao pecado, ou seja, não deixarem que o corpo fosse contaminado pela prostituição. 
1 Coríntios 3.16-17 explica que o corpo do crente é o santuário, ou templo do Espírito Santo. No Antigo Testamento, o santuário era um lugar sagrado, que Deus abençoava com Sua presença. O corpo do cristão é sagrado porque Deus está presente com ele. Quem atenta contra o corpo do crente (contra sua vida), atenta contra Deus. O corpo do cristão pertence ao Senhor, é um membro de Cristo e templo do Espírito Santo. Todo ato de fornicação, adultério ou qualquer outro pecado é cometido pelo cristão no santuário, o Santo dos Santos, onde Deus habita. Ser templo do Espírito Santo implica responsabilidade. O crente deve tratar seu corpo com respeito. Pecar contra o corpo é profanar o templo de Deus! Em 1 Coríntios 6.18-20, esse respeito pelo corpo está diretamente ligado com evitar a imoralidade sexual. A imoralidade sexual é pecado contra o próprio corpo, que deve ser guardado puro. O corpo do crente pertence a Deus e não deve ser profanado com práticas erradas (1 Coríntios 6.15-17).

2. Pecados contra o corpo. A Bíblia adverte acerca dos pecados contra o corpo:
2.1.    Prostituição, adultério, fornicação. Usar o corpo como mercadoria a ser vendida para fins sexuais é prostituição. A Palavra de Deus diz aos crentes com muita clareza: “Mas o corpo não é para a prostituição, senão para o Senhor, e o Senhor para o corpo" (1 Co 6.13b; cf. 1 Ts 4.3)". A Bíblia também tem graves admoestações contra quem comete o pecado de adultério - relacionamento sexual extraconjugal-(1Co 6.10; Hb 13.4) e o de fornicação - relacionamento sexual entre solteiros-(Ef 5.5; 1Tm 1.10; Ap 21.8). 
Em 1Co 6.13, o apóstolo se refere a ‘alimentos... estômago’, que, talvez fosse um provérbio popular para celebrar a ideia de que o sexo é puramente biológico, como comer. A influência do dualismo filosófico pode ter contribuído para essa ideia, visto que tornava mal apenas o corpo; portanto, o que alguém faz fisicamente não podia ser evitado, e assim, era irrelevante. Como a relação entre esses dois era puramente biológica e temporária, os coríntios, como muitos de seus amigos pagãos, provavelmente usavam essa analogia para justificar a imoralidade sexual. Paulo rejeita a conveniente analogia justificadora.

2.2. Homossexualidade. O Antigo Testamento condena explicitamente a união homossexual, considerando-a "abominação" a Deus (Lv 20.13; 18.20). O Novo Testamento confirma essa condenação, reprovando a homossexualidade de modo não menos incisivo: "Não erreis: nem os devassos, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os sodomitas, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os maldizentes, nem os roubadores herdarão o Reino de Deus" (1 Co 6.10; cf. Rm 1.18-32).
1º Co 6,9-10 apresenta uma lista de pecados, que embora incompleta, representa os principais tipos de pecados morais que caracterizam o não salvo. O reino é a esfera espiritual da salvação em que Deus governa como rei sobre todos aqueles que pertencem a ele pela fé (Mt 5.3, 70). Todos os cristãos estão nesse reino espiritual, porém estão aguardando para entrar na plena herança dele no tempo vindouro. As pessoas caracterizadas por essas iniqüidades não são salvas. Conquanto os cristãos possam cometer, e cometam, esses pecados, eles não os caracterizam como um padrão de vida contínuo. Quando isso acontece, fica demonstrado que a pessoa não está no reino de Deus. Os verdadeiros cristãos que pecam ressentem-se do seu pecado e buscam conquistar a vitória sobre ele (Rm 7.14-25). Nesta relação incompleta de pecados apresentada pelo apóstolo, temos ‘efeminados... sodomitas’ - esses termos dizem respeito àqueles que trocam e corrompem os papéis e as relações sexuais normais entre homem e mulher; estão incluídos o travestismo, a mudança de sexo e outras perversões quanto ao gênero (Gn 1.27; Dt 22.5). Os sodomitas são chamados assim porque o pecado do sexo entre homens dominou a cidade de Sodoma (Gn 18.20; 19.4-5). Essa perversão pecaminosa é sempre condenada, de qualquer modo, pela Escritura (Lv 18.22; 20.13: Rm 1.26-27; 1Tm 1.10).

2.3. Transexualidade. Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), a transexualidade é um "transtorno de identidade de gênero" ou "disforia de gênero". Nesse transtorno, um homem "se sente mulher" e, por isso, não aceita o próprio corpo; uma mulher "se sente homem" e, igualmente, não aceita o próprio corpo, desejando assim "mudar de sexo". A tragédia maior é quando se tenta normalizar isso na cabeça de crianças e de adolescentes, trazendo confusão entre eles. Isso é uma estratégia de origem satânica para destruir o plano original de Deus da criação da família como célula mater da sociedade. Trata-se, pois, de uma terrível afronta à sacralidade do corpo criado por Deus com uma identidade binária: "macho e fêmea os criou" (Gn 1.27). 
- “O transexualismo, também conhecido como transgeneridade, Transtorno de Identidade de Gênero (TIG) ou disforia de gênero, é um sentimento de que seu gênero biológico/genético/fisiológico não corresponde ao gênero com o qual você se identifica e/ou se percebe. Os transexuais/transgêneros geralmente se descrevem como se estivessem “presos” em um corpo que não corresponde ao seu verdadeiro gênero. Eles costumam praticar o travestismo e também podem procurar a terapia hormonal e/ou a cirurgia de mudança de sexo para adequar seus corpos ao gênero percebido. A Bíblia em nenhum lugar menciona explicitamente a transgeneridade ou descreve alguém como tendo sentimentos transgêneros. No entanto, a Bíblia tem muito a dizer sobre a sexualidade humana. O conceito mais básico para nossa compreensão de gênero é que Deus criou dois (e apenas dois) gêneros: “homem e mulher os criou” (Gênesis 1:27). Toda a especulação moderna sobre numerosos gêneros ou fluidez de gênero - ou mesmo um “continuum” de gênero com gêneros ilimitados - é estranha à Bíblia. O mais próximo que a Bíblia chega de mencionar a transgeneridade é em suas condenações à homossexualidade (Romanos 1:18-32; 1 Coríntios 6:9-10) e ao travestismo (Deuteronômio 22:5). A palavra grega frequentemente traduzida como “homossexuais passivos ou ativos (NVI)” ou “homossexuais (NTLH)” em 1 Coríntios 6:9 significa literalmente “homens efeminados”. Assim, enquanto a Bíblia não menciona diretamente a transgeneridade, quando menciona outras instâncias de “confusão” de gênero, identifica clara e explicitamente como pecado.” (Leia mais em:GOTQUESTIONS.ORG)

3. A santificação do corpo. É o ponto fundamental na mordomia do corpo. Diz a Bíblia: "Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor" (Hb 12.14). A Bíblia mostra os meios de santificação que levam em conta a ação de Deus e a contribuição do crente:
As palavras "santificar", "sagrado" e "santo" são traduções da mesma palavra grega. Elas significam estar separado para um serviço especial. Na Bíblia muitas coisas além de pessoas são apresentadas como santificadas –- os móveis do Tabernáculo (Ex. 40:10, 11,13); uma montanha (Ex. 19:23); comida (1 Ti. 4:5). Torna-se até possível para um crente santificar a Deus no seu coração (1 Pe. 3:15). Portanto, santificar, ou tornar sagrado, não significa purificar ou tornar sem pecado, mas separar alguma coisa para Deus e o serviço a Deus. Em relação ao Cristão, santificação ou santidade significa estar separado do pecado e para Deus. Existem três aspectos distintamente diferentes desta santificação: passado, presente e futuro. Todo Cristão está autorizado a falar, "fui santificado; estou sendo santificado; ainda serei santificado."
SANTIFICAÇÃO PASSADA significa que o crente já foi posicionalmente separado em Cristo (At. 20:32; 1 Co. 1:2; 1:30; 6:9-11; He. 10:10, 14). No novo nascimento, cada crente está sendo eternamente santificado em Cristo, é retirado do poder do diabo para dentro da família de Deus (Jo. 1:14; Ga. 4:4-6), do reino do diabo para dentro do reino de Cristo (Col. 1:12, 13); da velha criação para a nova criação (2 Co. 5:17). Esta santificação é uma realidade eterna e está baseada numa nova posição spiritual que o Cristão tem em Jesus Cristo. Os crentes de Corinto não estavam sem pecado, e apesar disso foram chamados de santos e foi escrito que foram santificados (1 Co. 1:2, 30). Neste sentido, o Cristão pode dizer, "ESTOU santificado em Cristo."
SANTIFICAÇÃO PRESENTE (ATUAL) indica o processo pelo qual o Espírito Santo gradualmente muda a vida do crente para dar vitória sobre o pecado. Esta é a santificação prática. Trata-se do crescimento cristão, deixando o pecado do lado e vestindo dedicação a Deus (Ro. 6:19, 22; 1 Th. 4:3, 4; 1 Pe. 1:14-16). [Nota do tradutor: A palavra inglesa “godliness” aparentemente não tem tradução própria em português. Ela significa algo parecido como “ser semelhante, ser um reflexo de Deus”. O dicionário somente indica “piedade, dedicação a Deus”.] Este processo atual de santificação nunca acaba nesta vida (1 Jo. 1:8-10). O Cristão precisa resistir ao pecado até ser levado deste mundo através da morte ou na volta de Cristo. Neste sentido, o Cristão pode dizer, "ESTOU SENDO santificado pelo poder de Deus."
SANTIFICAÇÃO FUTURA é a perfeição que o crente vai desfrutar na ressurreição (1 Tes. 5:23). Na vinda de Cristo, cada crente receberá um corpo novo que estará sem pecado. O Cristão não terá mais de resistir ao pecado ou de crescer para a perfeição. Sua santificação estará completa. Ele estará inteira e eternamente separado do pecado e para Deus. Neste sentido, o Cristão ESTARÁ santificado na volta de Cristo.” (SOLASCRIPTURA)

3.1. Os meios da santificação que vêm da parte de Deus. É Deus que age diretamente na santificação integral do crente: "espírito, e alma, e corpo" (1 Ts 5.23). O Altíssimo também o santifica através de Cristo (Ef 5.25,26; Hb 9-14; 13.12; 1 Jo 1.7), do Espírito Santo (1 Co 6.11; 2 Ts 2.13; Rm 15.16) e da Palavra de Deus (Jo 17.17).
É maravilhoso e ao mesmo tempo confortador sabermos que Deus tem, pela sua graça, providenciado os recursos para experimentarmos a vida de santidade. Quais sãos esses meios?
1. O Sangue de Cristo “Se, porém, andarmos na luz, como ele está na luz, mantemos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado”(1 Jo 1.7). O Sangue fala da nossa posição perante Deus. É uma obra consumada que concede ao pecador arrependido um lugar na presença de Deus (Hb 13.12; 10.10, 14; 1 Jo 1.7). Observemos que, como resultado da obra consumada de Cristo, o pecador arrependido é transformado de pecador impuro em adorador santo. A santificação é o resultado dessa maravilhosa obra redentora do Filho de Deus, ao oferecer-se no Calvário para aniquilar o pecado pelo seu sacrifício. Em virtude desse sacrifício, o crente é eternamente separado para Deus; sua consciência é purificada e ele próprio é unido em comunhão com o Senhor Jesus Cristo (Hb 12.11; 9.14). À luz de 1 Jo 1.7 fica claro que o que remove essa barreira, que é o pecado, entre o ser humano e Deus, para que flua entre ambos  a comunhão, é o Sangue eficaz de Jesus Cristo. Não há ninguém perfeito, mas é possível andar em comunhão com Deus, desde que o Sangue do Cordeiro esteja nos purificando. Não há comunhão com Deus se não debaixo do sangue de Cristo (1 Jo 1.9).
2. O Espírito Santo “E não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito”(Ef 5.18). É impossível a santificação sem a operação do Espírito Santo. Diríamos que Ele é o agente, o dinamizador. O ensino bíblico deixa bem claro este fato (1 Co 6.11; 1 Pe 1.1, 2; Rm 15.16). “Da mesma forma que o Espírito Santo pairava sobre o caos original (Gn 1.2), seguindo-se o estabelecimento da ordem pelo Verbo de Deus assim o Espírito paira sobre a alma humana, fazendo-a abrir-se para receber a luz e a vida de Deus” (2 Co 4.6). O Espírito Santo toma o imundo e o leva ao santo. Fez o que aconteceu na casa de Cornélio (At 10). E agora os gentios são aceitos na família de Deus porque foram santificados, separados pelo Espírito Santo. Para uma vida de santidade o Espírito Santo terá de entrar em cena. Homens e mulheres santos são aqueles em que o Espírito Santo trabalha.
3. A Palavra de Deus “Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor. Todo ramo que, estando em mim, não der fruto, ele o corta; e todo o que dá fruto limpa, para que produza mais fruto ainda. Vós já estais limpos pela palavra que vos tenho falado”(Jo 15.1-3). Os cristãos são descritos como sendo gerados pela Palavra de Deus (1 Pe 1.23). A Palavra de Deus desperta as pessoas para compreenderem a insensatez e impiedade de suas vidas. Quando dão importância à Palavra, arrependendo-se e crendo em Cristo, são purificados pela Palavra que lhes fora falada. Esse é o início da purificação, que deve continuar através da vida do crente. No início de sua consagração ao ministério, o sacerdote israelita tomava um banho cerimonial completo, banho que nunca se repetia, era uma obra feita uma vez para sempre. Todos os dias, porém, era obrigado a lavar as mãos e os pés. Da mesma maneira, o regenerado foi lavado (Tt 3.5, Jo 13.10); mas precisa de uma separação diária das impurezas e imperfeições conforme lhe foram reveladas pela Palavra de Deus, que serve como espelho para a alma (Tg 1.22-25). Deve lavar as mãos, isto é, seus atos devem ser retos; deve lavar os pés, isto é, “guardar-se das imundícias em que tão facilmente tropeçam os pés do peregrino, que anda pelas estradas deste mundo.” (ESTUDOSGOSPEL)

3.2. A responsabilidade humana na santificação. Deus não entrega ao homem "um pacote" de salvação pronto e acabado. Ele faz a sua parte no lado divino, mas o homem tem de ser um participante ativo desse processo. Na santificação, o homem precisa dar lugar à vontade de Deus:"[...] quem é santo seja santificado ainda" (Ap 22.11). Logo, o crente pode participar do processo de santificação mediante os seguintes elementos: a fé em Cristo (Rm 1.17); dedicação a Deus (Rm 12.1,2); andando em espírito (Gl 5.16,17); renunciando ao pecado (Mt 16.24; Rm 6.18,19). 
A santificação é o processo pelo qual o crente se afasta (separa) do pecado para viver uma vida inteiramente consagrada a Deus, desenvolvendo nele a imagem de Cristo (Rm 8.29). É um processo de cooperação entre o crente e o Espírito Santo que se inicia no momento da justificação do salvo, isto é, Deus vê o crente como santo, ainda que a santidade dele precise ser aperfeiçoada (Ef 4.12). No processo de conversão, a santificação é outorgada ao cristão porque Deus o vê santo, separado e amado por Ele, o nosso Pai (Cl 3.12). Nesse sentido estamos firmados em Cristo e os pecados não têm mais lugar em nossas vidas (1Jo 3.6). As Escrituras revelam que devemos almejar e priorizar a santificação (Hb 12.14), pois a nossa natureza pecaminosa insiste em resistir a esse processo (Rm 7.14,21). Deus anela pela santificação dos seus filhos, não por capricho divino, mas porque o pecado nos fere de morte e o nosso Pai de amor não quer ver os seus filhos feridos, mortos no pecado, pois isso contraria sua natureza amorosa. Assim, para sarar a ferida do pecado, Ele enviou o seu filho para nos libertar do pecado a fim de vivermos uma vida santa. Às vezes achamos que podemos ser continuamente bons e santos (1Jo 1.10). Na verdade, a nossa meta deve ser essa, mas não podemos deixar de reconhecer que somos simultaneamente justos e pecadores, ou seja, em Cristo, Deus nos vê absolutamente santos; no entanto, em relação à nossa natureza inclinada ao pecado, nossa santificação sofre revezes (Rm 7.15). Por isso é exigido um esforço pessoal e dependência contínua do Espírito Santo para sermos santos.”(LIÇÕES BÍBLICAS CPAD ADULTOS 4º Trimestre de 2017. Título: A Obra da Salvação: Jesus Cristo é o Caminho, a Verdade e a Vida. Comentarista: Pr. Claiton Ivan Pommerening. Lição 10:O Processo da Salvação; 3 de Dezembro de 2017)

SUBSÍDIO DOUTRINÁRIO

      “Atualmente, há urgente necessidade de renovada ênfase à doutrina da santificação nos círculos pentecostais. Em primeiro lugar porque são raros os pentecostais que hoje aceitaram a ideia de estar precisando de renovação espiritual. A despeito de muitíssimos crentes terem sido batizados no Espírito Santo, são muitas as igrejas pentecostais que não possuem a vitalidade e a eficácia que nelas se evidenciavam em anos anteriores. Em segundo lugar, a ênfase pentecostal ao batismo no Espírito e aos dons sobrenaturais do Espírito tem resultado numa falta de ênfase ao restante da obra do Espírito, inclusive a santificação. Em terceiro lugar, a aceitação mais generalizada dos pentecostais e dos carismáticos parece ter ameaçado a distinção tradicional entre a Igreja e o mundo, lançando dúvidas sobre muitos dos antigos padrões de santidade. E, finalmente, os pentecostais de hoje dão muito valor à popularidade que acabaram de conquistar e, no afã de preservá-la, zelam por evitar qualquer aparência de elitismo espiritual” (HORTON, M. Horton (Ed.). Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2018, p.412).

III. O CULTO RACIONAL E A MORDOMIA DO CORPO

De acordo com as Escrituras, devemos nos apresentar em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus. Nesse sentido, o nosso culto a Ele, segundo Romanos 12.1,2, deve considerar o seguinte tripé:

1. “Um sacrifício vivo". A imagem do sacrifício, em Romanos, remonta ao Antigo Testamento. Mas, no Novo Testamento, o cristão deve apresentar-se a Deus como um sacrifício vivo e agradável - sacrifício de louvor (Hb 13.15) -, pois todos os que cremos fomos crucificados com Cristo (Gl 2.19). 
O texto de Romanos 12.1 trata de como poderemos experimentar qual a vontade de Deus. E a vontade de Deus é boa, perfeita e agradável. Mas, como conhecê-la e experimentá-la? O apóstolo Paulo nos oferece três princípios para conhecermos e experimentarmos a vontade Deus. “Depois de expor sobre a gloriosa salvação que recebemos pela fé em Cristo, Paulo insta a igreja para demonstrar essa verdade através de uma vida de consagração. Nossa consagração a Deus é uma resposta ao seu amor, uma reação à ação da sua misericórdia dispensada a nós. Na antiga dispensação os animais do sacrifício iam arrastados ao altar, involuntariamente, mas nós devemos voluntariamente oferecer o nosso corpo a Deus como um sacrifício vivo, santo e agradável. Nosso corpo foi comprado pelo sangue de Cristo; é morada do Espírito e habitação de Deus. Portanto, deve ser oferecido a ele como um sacrifício vivo. Nosso corpo não é destinado à impureza, por isso sua entrega precisa ser um sacrifício santo. Nosso corpo é para o Senhor e por isso, seu sacrifício precisa ser agradável, ou seja, sem mácula. O apóstolo Paulo diz que essa consagração é que constitui o nosso culto racional. A palavra “racional” significa lógico, coerente, autêntico. O culto que agrada a Deus é aquele onde há coerência e consistência entre o altar e o trabalho, entre o templo e o lar, entre a adoração e a vida. O culto que prestamos a Deus no altar é vazio de significado se não é acompanhado por uma vida de obediência e fidelidade a Deus (Is 1.15; Am 5.21-23; Ml 1.6-10).” (HERNANDESDIASLOPES)

2. “Um sacrifício santo". Essa perspectiva leva o crente à santificação. E uma vez que ele se coloca como sacrifício vivo, demonstra pertencer a Deus, consagrando-se inteiramente ao Pai, para viver uma vida santa e pura no corpo, na alma e no espírito (1 Ts 5.23). Uma vida santa é um culto ao Senhor. 
Não se trata de sacrifícios de animais, pois Cristo os invalidou (Hb 10:4,9,10). Trata-se de uma ilustração para sacrifício de louvor, ação de graças (Sl 50.14). Devemos nos consagrar totalmente a Deus, vivendo para Sua glória em cada detalhe de nossas vidas. Sacrifício vivo é a vida do crente que morreu para o pecado e agora vive para Deus, por meio de Cristo, pela própria vida do Cristo e pela fé nEle. Somos “corpo de Cristo” (1Co 12.27), e “pedras vivas” (“Vós, também, como pedras vivas, sois edificados casa espiritual e sacerdócio santo, para oferecerdes sacrifícios espirituais, agradáveis a Deus, por Jesus Cristo” – 1Pd 2.5). Isso é agradável a Deus, pois a justiça e santidade de Cristo são perfeitas, e satisfazem a perfeita vontade do Deus perfeito.

3. “Um sacrifício agradável". Oferecendo-se em sacrifício vivo, o salvo é visto pelo Senhor como oferta de grande valor (Sl 51.17). Uma das coisas mais belas da vida cristã é quando a nossa vontade está alinhada à vontade de Deus. Esse é o verdadeiro estágio de total entrega ao Pai. A imagem de sacrifício mostrada didaticamente em Romanos 12, ensina como deve ser a nossa mordomia no campo espiritual e material. Ela passa por uma mente renovada, não conformada com o "espírito" deste mundo, em que o cristão é instado a viver em "sacrifícios" cotidianamente. Assim, o nosso culto racional. [Lições Bíblicas CPAD, Revista Adultos, 3º Trimestre 2019. Lição 2, 14 julho, 2019]
- Deve-se tomar cuidado ao usar essa linguagem ‘Oferecendo-se em sacrifício vivo’, é importante lembrar que não podemos oferecer mais sacrifício, Cristo já o fez de uma vez por todas. O único sacrifício que podemos oferecer agora é o nosso culto racional. Culto racional significa adoração consciente, com amor mas também com entendimento. No Antigo Testamento, as regras de adoração centravam muito em ações exteriores e muitas pessoas se esqueciam que nada disso tinha valor sem um coração voltado para Deus (Rm 9.30-32). No Novo Testamento, a adoração começa no coração, que depois se reflete na vida e nas ações exteriores.

SUBSÍDIO VIDA CRISTÃ

“O apóstolo Paulo traz ordem ao culto (1 Co 14.26-39), sugerindo haver um ‘ritual livre’ e a Igreja Primitiva também teve formas apropriadas de culto: ‘E perseveravam na doutrina dos apóstolos, na  comunhão, no partir do pão e nas orações’ (At 2.46).
No Novo Testamento, encontramos algumas formas litúrgicas como ‘saudação’; ‘doxologia’; aclamações como ‘Abba, Aleluia, Amém, Hosana, Maranata’; ‘a coleta semanal’; ‘o serviço social’ (At 6.1); ‘a santa ceia’; ‘os cânticos de salmos e hinos’ (Ef 5.19; Cl 3.16) e essas práticas e muitas outras permanecem hoje em nossas igrejas. O próprio Jesus Cristo, chegando em Nazaré, entrou num dia de sábado na sinagoga, tomou o livro e achou o lugar onde estava escrito a respeito dele mesmo (Lc 4.16-18; Is 61.1). Paulo diz: ‘Prega a Palavra’ (2 Tm 4.1,2)” (KESSLER, Nemuel. O Culto e suas Formas. Rio de Janeiro: CPAD, 2007, p.21).

CONCLUSÃO

O nosso corpo tem uma dimensão material e outra espiritual. Nesse aspecto, a Palavra de Deus tem orientações diretas sobre o perigo do pecado contra o nosso corpo e a necessidade de vivermos em santidade diante de Deus. Assim, para glorificá-lo, precisamos prestar um culto racional a Deus, apresentando-nos em sacrifício vivo, santo e agradável ao Eterno. Que Ele nos faça mordomos fiéis de seus bens tão preciosos em todo o nosso espírito, alma e corpo! 
O ato de apresentar envolve a decisão da mente. Entregamos nossas vidas a Deus, e isso racionalmente. Decidimos que viveremos para Ele, o que só é possível por meio dEle, mas que também não aconteceria sem a participação da nossa vontade. Existe aqui uma cumplicidade entre a vontade de Deus e a vontade do homem. É bem verdade que quase tudo em nossa salvação e espiritualidade depende da vontade dEle, mas também é verdade que Deus optou por posicionar-se eticamente diante da nossa vontade/escolha. Em outras palavras, apesar de o culto racional depender de Deus, ele também requer (em um segundo momento) a nossa contribuição e decisão. O “sacrifício vivo, santo e agradável”, é o “culto racional”, e ambos podem também ser chamados de “verdadeira adoração em espírito e em verdade”

Francisco Barbosa
Disponível no blog: auxilioebd.blogspot.com.br

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