quinta-feira, 4 de abril de 2019

LIÇÃO 1: TABERNÁCULO – UM LUGAR DA HABITAÇÃO DE DEUS


  

SUBSÍDIO I

O TABERNÁCULO

Uma das lições que aprendemos em Hermenêutica Bíblica é que todos os fatos e princípios do Antigo Testamento constituem-se em sombras ou tipos das realidades das coisas celestiais, uma vez que não há dúvida de que todo o conteúdo da Bíblia é a Palavra de Deus e que ela é proveitosa e útil em sua totalidade para instruir os que desejam conhecer o Senhor (Is 55.11; 2 Tm 3.16,17).
Qual a importância em estudar sobre o Tabernáculo? Que lições podemos tirar dessa história e tipo? Se o sistema sacrificial e o próprio Tabernáculo foram abolidos do sistema de culto dos judeus, que valor terá o estudo sobre esse assunto hoje? A resposta é dada pelo apóstolo Paulo quando ele diz que Israel havia bebido de águas no deserto e que Cristo era a rocha espiritual, da qual beberam os judeus (1 Co 10.4,5). Ora, subentende-se, portanto, que a rocha da qual beberam os israelitas continua sendo a rocha da qual verte água para saciar a sede da Igreja hoje. Quando estudamos sobre o Tabernáculo, que é a figura do próprio Cristo, tornamos evidente que Ele é a realidade do Tabernáculo. Cristo, portanto, é nosso Tabernáculo neotestamentário. Por isso, tudo na história de Israel, desde sua saída do Egito até chegar à terra de Canaã, constitui-se em exemplo e tipo de uma realidade ainda a aparecer. Essa realidade fez-se conhecida em Jesus Cristo. 
Na tradução da Bíblia King James, Paulo diz em sua epístola aos coríntios que “todas estas coisas lhes aconteceram como exemplos, e elas estão escritas para nossa admoestação”; já na ARC, a tradução do texto está assim: “Tudo isso lhes sobreveio como figuras, e estão escritas para aviso nosso [...]” (1 Co 10.11). Ambas as traduções estão corretas quando usam as palavras “exemplos” e “figuras”, que aparecem no grego como typos, referindo-se ao modelo de alguma realidade que está por aparecer. Portanto, typos é, na verdade, um protótipo daquilo que pode ser reconhecido na realidade. No Novo Testamento, um typos pode caracterizar algum fato histórico que serve como modelo e que tenha um propósito didático e interpretativo. Assim sendo, vários textos do Novo Testamento são antytipos que servem como figura de alguma realidade espiritual (Hb 9.24 e 1 Pe 3.21). Em Hebreus 9.24, o santuário verdadeiro é o tipo e o antítipo. Subentende-se, portanto, que esse santuário é a cópia do Tabernáculo que Moisés construiu. 
Devemos ter em mente que nenhum tipo pode existir sem seu correspondente antítipo, assim como nenhuma sombra pode existir sem sua pertinente realidade; por isso, o estudo do Tabernáculo ensina-nos e mostra-nos a realidade das coisas celestiais (Hb 9). Há muita revelação embutida nas Escrituras que requer de quem estuda o cuidado para entender sua linguagem. 
No estudo do Tabernáculo, não devemos apenas considerar a sua bonita história. Devemos entender que o emprego tipológico do Tabernáculo não apenas objetiva a apreciação da sua história, como também oferece lições preciosas que estão implícitas nos elementos tipológicos que revelam verdades espirituais para a nossa vida hoje. 
A tipologia deve ter sua base na autoridade da Bíblia, não na imaginação do intérprete. É lamentável a banalização feita por pretensos intérpretes que, à revelia do que está revelado na Bíblia, engenham interpretações que tornam a Bíblia um livro de historinhas fantasiosas e antibíblicas. 

Texto extraído da obra “O Tabernáculo”, editada pela CPAD 

COMENTÁRIO E SUBSÍDIO II

INTRODUÇÃO

Neste trimestre, estudaremos o Tabernáculo, enquanto símbolo da obra redentora de Cristo. É importante, ao longo das lições, enfatizar os aspectos teológicos do Novo Testamento, a respeito desse assunto. Ao adotar esse procedimento hermenêutico, evitaremos aplicações indevidas dos textos, bem como alegorias que não têm respaldo escriturístico. Na aula de hoje, detalharemos as partes do Tabernáculo, e principalmente, a vontade soberana de Deus em habitar no meio dos homens.

I. A CONSTRUÇÃO DO TABERNÁCULO
                                                                 
O Tabernáculo era uma tenda móvel, cujo projeto foi dado pelo próprio Deus. Esse santuário deveria ser construído para Deus (Ex. 28.9; 29.46,47), por se tratar de um lugar para a manifestação da glória divina. Esse Tabernáculo foi construído através de ofertas voluntárias (Ex. 25.2), o povo demonstrou interesse em contribuir com a edificação daquele projeto, com disposição para ver a obra seguir adiante (Ex. 35.21-26), com muito ânimo (Ex. 35.5; 25.1,2). A obra deveria ser realizada pelos homens, mas se tratava de um projeto divino, por isso o próprio Deus concedeu destreza e habilidade para tal (Ex. 35.10,25; 36.1-8). Deus estabeleceu os critérios para edificação daquela Tenda Móvel, não poderia ser feita de acordo com os interesses humanos. O Espírito Santo atuou diretamente naquela edificação, dando habilidade artística, para executar os trabalhos (Ex. 35.30-35). Por isso, o padrão divino deveria ser observado, tudo deveria ser feito conforme o modelo que foi mostrado a Moisés no monte (Hb. 8.5; Ex. 25.40; Nm. 8.4; At. 7.44). A glória divina – shekinah – somente pode habitar no contexto em que o padrão dado pelo Senhor é respeitado. A Palavra de Deus é a Verdade, é o modelo pelo qual a Igreja se guia (Cl. 4.17; Jo. 17.1-6).

II. AS PARTES DO TABERNÁCULO

O Tabernáculo recebe vários nomes nas Escrituras, geralmente é mencionado como uma Tenda (Ex. 25.9), ou um Santuário separado (Ex. 25.8), às vezes, como Tenda do Testemunho (Nm. 9.15), como Casa de Deus (Ex. 34.26) e Tenda do Encontro (Ex. 40.34). Esse Tabernáculo era composto por vários utensílios: a arca da aliança, que estava posicionada no Lugar Santíssimo, as varas de madeira que ficavam nas laterais da arca (Ex. 25.13,14), os querubins que ficavam nas extremidades da tampa do propiciatório (Ex. 25.18), e o propiciatório que ficava direcionado para o leste (Lv. 16.14). O altar do incenso foi colocado em frente do véu (Ex. 30.4), diante da arca (Ex. 40.5), diante do propiciatório (Ex. 30.6). A mesa dos pães foi colocada no lado norte do Tabernáculo (Ex. 40.22), o candelabro no lado sul (Ex. 40.24), em frente à mesa, ambos no Lugar Santo, um em frente do outro (Ex. 26.35). No pátio externo, estava o altar de bronze (dos holocaustos), em frente à porta (Ex. 40.6), também se encontrava nesse pátio a pia de bronze (Ex. 40.7). Vários materiais foram utilizados na construção: ouro, prata, bronze e pedras preciosas. Além de linho finíssimo, madeira de acácia, óleo para iluminação, especiarias para unção e incenso aromático. Tecidos, de várias cores, feitos de peles de animais, também foram usados.

III. DEUS HABITA ENTRE OS HOMENS

O tema da habitação de Deus entre os homens é recorrente ao longo das Escrituras. A Bíblia dedica 43 capítulos consecutivos (Ex. 25 a 40 e Lv. 1-27) e mais algumas partes das Escrituras (Números, Hebreus e Apocalipse) para tratar do assunto da habitação de Deus. O Senhor sempre desejou fazer morada no meio dos homens, desde os tempos do Éden, quando caminhava e conversava com Adão (Gn. 3.8). Posteriormente, Deus conversou com Noé, sendo esse um dos patriarcas da sua época (Gn. 6.9), até a construção do Tabernáculo (Ex. 25.8,22). Mas a perfeita habitação divina entre os homens se deu por intermédio de Jesus Cristo, considerando que Ele é a expressa plenitude da divindade (Cl. 1.19; 2.9). João é enfático ao declarar que “o Verbo se fez carne e habitou entre nós” (Jo.1.14-18), merece destaque o verbo skenoô que significa, literalmente em grego, “tabernaculou”. E porque Deus se fez gente e habitou no meio de nós, a Igreja tornou-se lugar da habitação de Deus, pois Cristo habita individualmente nos coração daqueles que creem (II Co. 5.1; Ef. 3.17 e II Pe. 1.13,14), e também coletivamente em Seu corpo (I Tm. 3.15; Jo. 14.23; I Pe. 2.5; II Co. 6.15-18; I Co. 3.16,17 e Ef. 2.20-24). Essa habitação será plena no futuro, na dimensão escatológica, quando Deus estabelecer seu Tabernáculo com os homens, com os quais Ele viverá (Ap. 21.1-3).

CONCLUSÃO

De acordo com os estudiosos, esse Tabernáculo demorou nove meses para ser construído, tendo se tornado o lugar da habitação de Deus. Talvez essa data seja mera especulação teológica, mas sabemos que Cristo, Aquele que se fez Carne, e habitou no meio os homens, esteve nove meses no ventre de Maria (Mt. 1.21,23; Cl. 1.19). Não podemos esquecer que Jesus é a morada de Deus entre nós, como disse certo mensageiro, o maior evento de todos os tempos não foi o homem ter ido a lua, mas Deus ter posto os pés na terra, através de Cristo.


José Roberto A. Barbosa
Disponível no Blog subsidioebd.blogspot.com

COMENTÁRIO E SUBSÍDIO III

INTRODUÇÃO

Deus sempre desejou se relacionar com o seu povo. Ao longo das Escrituras Sagradas, o Pai Celestial buscou se revelar ao ser humano para relacionar-se com ele. Deus é um ser pessoal. Nesta primeira lição, veremos que o Tabernáculo foi construído para que Deus habitasse nele e se encontrasse com o seu povo. Assim, compreenderemos que essa construção requereu a participação humana por meio de ofertas voluntárias, que esse projeto veio da mente de Deus e que há uma relação tipológica entre o Tabernáculo e a Igreja de Cristo.
O Tabernáculo foi instituído por Deus para ser o local de sua habitação entre os homens, particularmente seu povo, Israel (Êx 25.8 e 29.46,47). Este templo acompanhou o povo de Deus durante toda a peregrinação no deserto e foi substituído pelo Templo de Salomão. O Tabernáculo tipifica o Senhor Jesus Cristo (Jo 1.14; 5.46;  Hb 10.7; Lc 24.44; Ez 3.16,17; Is 8.14), também é tipo da Igreja, que agora é a morada de Deus, sua habitação. Assim, o Tabernáculo é cópia e sombra daquele que está no céu (Hb 8.5; Ef 3.16,17; Cl 1.19, 2.9,17). As escrituras são claras em dizer que o Tabernáculo retrata o santuário celestial (Hb 8.9.21-24; Ap 15.5; Jr 17.12). Durante a narrativa bíblica vemos que Senhor habitou com o homem, entre os homens e finalmente nos homens. O propósito final do Senhor está revelado em Apocalipse 21.3: “Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens, pois com eles habitará, e eles serão o seu povo, e o mesmo Deus estará com eles, e será o seu Deus.” – Dito isto, convido-o a pensar maduramente a fé cristã!

I. A PARCERIA DE COM SEU POVO PARA A CONSTRUÇÃO DO TABERNÁCULO (Êx 25.1-7)
                                                                 
1. Por que construir um Tabernáculo no deserto? O pioneiro pentecostal, Gunnar Vingren, que redigiu uma monografia para sua graduação teológica, na qual foi escrita à mão, e apresentada no Seminário Teológico Sueco, em Chicago, USA, em 1909, iniciou seu texto monográfico assim: “Por ordem divina, o Tabernáculo propriamente dito, a mosaica tenda do Testemunho, constituiria uma morada sagrada, erguida segundo um modelo celestial”. Desde que os israelitas saíram do Egito e caminharam até as cercanias do Monte Sinai, onde Deus falou com Moisés e revelou-lhe suas Leis, o Altíssimo quis habitar entre o seu povo. Para isso, Ele concedeu a Moisés a planta de uma “Tenda”, a fim de construí-la para reunir o povo de Israel diante dEle e, assim, receber sua Palavra. Essa tenda, denominada “Tabernáculo”, era de caráter provisório, pois podia ser armada e desarmada durante a caminhada israelita pelo deserto. Entretanto, conforme escreveu Gunnar Vingren, a razão principal de sua existência era a de servir como uma morada sagrada, o lugar de encontro entre Deus e seu povo.
O elemento histórico fornecido pelo comentarista é interessante, do ponto de vista histórico-denominacional, mas é pouco esclarecedor do por quê Deus ordenou que se construísse um templo desmontável no deserto. O tabernáculo era um aparato muito funcional. O tabernáculo servia como lugar de encontro entre Deus e os homens, e desta forma ficou conhecido como a "tenda da congregação". Aliás, Tabernáculo significa ‘tenda’. O tabernáculo era a tenda onde o povo de Israel se reunia para adorar a Deus. Seu propósito era permitir que as pessoas se aproximassem de Deus, porque o tabernáculo representava a presença de Deus (Êx 25.8-9). Ali, os israelitas poderiam oferecer sacrifícios para o perdão dos pecados e adorar a Deus.

2. A materialização da obra de Deus (Êx 25.1,2). O projeto de Deus teve origem no céu, e se materializou na Terra por meio de seus filhos. A construção do Tabernáculo se efetivou mediante a participação do povo de Deus através de ofertas alçadas e voluntárias como o ouro, prata, cobre, pano azul, púrpura e carmesim. A obra de Deus requer parceria humana! No tempo da graça, o princípio da manutenção da igreja local é o mesmo. O dízimo e as ofertas alçadas são para o sustento das necessidades que envolvem uma igreja: projeto de construções de templo, de sustento de obreiros, de evangelização, de ações sociais, de educação cristã. Em vez de cultivarmos uma postura contrária, deveríamos voluntariamente ofertar à Obra de Deus como fruto de gratidão e reconhecimento de suas bênçãos em nossas vidas (2Co 9.7).
Tabernáculo deriva do verbo "habitar", era o nome apropriado para a construção que seria o lugar da presença de Deus com seu povo. Sua presença estaria entre os querubins, e dali Deus se encontraria com Moisés (Êx 25.22). O Pentateuco registra cinco nomes para o tabernáculo:
1) "santuário", que denotava o lugar sagrado ou posto à parte, ou seja, lugar santo;
2) "tenda", que indicava a habitação temporária ou desmontável;
3) "tabernáculo", de "habitar", que designava o lugar da presença de Deus (bem como outros títulos);
4) "tabernáculo da congregação ou reunião"; e
5) "tabernáculo do testemunho".
Sua origem encontra-se Deus e foi entregue a Moisés por meio de revelação especial (Êx 25.9,40; 26.30; Hb 8.5). Interessante notar que foi dada ao povo a oportunidade de contribuir pessoalmente de maneira voluntária e livre para a construção deste centro cultual, conforme uma lista de 14 componentes e materiais necessários para a construção. É importante frisar que os israelitas saíram do Egito com grande despojo, tinham abundância para contribuir e o fizeram com tanta alegria e entusiasmo que tiveram que ser impedidos de dar mais (35.21-29; 36.3-7). Uma resposta semelhante ocorreu anos depois, quando o rei Davi pediu ofertas para construir o Templo (1Cr 29.1-9).

3. Três verdades bíblicas que o ofertante deve saber (Êx 25.2):
(1) A oferta foi um plano de Deus para o sustento de sua obra. No Antigo Testamento há uma promessa de bênçãos materiais para os que reconhecessem essa verdade. Aqui, não há o estímulo para se negociar oferta e bênçãos, mas a afirmação de que é a vontade do Senhor que contribuamos generosa e voluntariamente para a sua obra, reconhecendo que Ele domina até as nossas finanças. Isso deve ser voluntário, jamais por coação.
É importante esclarecer que a Lei do Antigo Testamento não nos domina hoje, estamos sujeitos às regras da Nova Aliança; o modelo da Antiga Aliança só é aplicável naquilo que o Novo Testamento ratifica. Quando falamos sobre ofertas, achamos exemplos em todas as épocas da história bíblica. Caim e Abel ofertaram ao Senhor (Gênesis 4:3-5; Hebreus 11:4). Além dos dízimos exigidos do povo de Israel, eles levaram ofertas para propósitos definidos por Deus (Êx 25.1-9). No Novo Testamento, dízimo e ofertas também estão com seus propósito bem definidos, por exemplo, temos no Novo Testamento instruções sobre a coleta nas igrejas locais para cuidar dos santos necessitados (1Co 16.1-2). Também, ele falou que o dinheiro ofertado para divulgar o evangelho era um sacrifício aceitável a Deus (Fp 4.18). É assim que alguns evangelistas e presbíteros recebiam sustento de igrejas no primeiro século (1Co 9.14; Fp 4.14-17; 1Tm 5.17-18).
(2) O ato de ofertar é voluntário. O versículo 2 mostra que o Senhor aceitaria a oferta “de todo homem cujo coração se mover voluntariamente” (cf. Êx 35.29). Deus conhece cada um dos seus servos e servas, por isso, reconhece quem faz essa obra de maneira generosa ou egoísta. Jamais nosso Senhor aceitaria ofertas por coação, mas Ele deseja ver, em nós, uma atitude voluntária e amorosa: “Porque, dou-lhes testemunho de que, segundo as suas posses, e ainda acima das suas posses, deram voluntariamente” (2Co 8.3). Portanto, na Igreja de Cristo, não pode haver mercantilismo da fé! Você não pode se deixar coagir para trocar ou negociar o que é espiritual, a fim de receber bênçãos materiais. O que a Palavra de Deus diz é que você precisa amar ao Senhor de todo o coração e, constrangido por esse amor, doar voluntariamente. Essa perspectiva humilde gera bênçãos da parte de Deus.
Todos os israelitas que se dispuseram, tanto homens como mulheres, trouxeram ao Senhor ofertas voluntárias para toda a obra que o Senhor, por meio de Moisés, ordenou-lhes que fizessem. Em 2Co 8.3, Paulo destacou três elementos referentes à oferta dos macedônios, os quais resumiram o conceito da oferta voluntária:
1) "na medida de suas posses". A oferta é proporcional — Deus não estabelece nenhuma quantidade ou porcentagem, e espera que seu povo oferte com base em suas posses (Lc 6.38; 1Co 16.2);
2) "e mesmo acima delas". A oferta é sacrifical. O povo de Deus deve dar de acordo com suas posses, embora deva ser em proporções que sejam sacrificiais (cf. Mt 6.25-34; Mc 12.41-44; Fp 4.19); e
3) "se mostraram voluntários" - literalmente "aquele que escolhe seu próprio curso de ação". A oferta é voluntária - o povo de Deus não deve doar por compulsão, manipulação ou intimidação. À oferta voluntária sempre foi o plano de Deus (2Co. 9.6; G n 4.2-4; 8.20; Fx 25.1-2; 35.4-5,21-22; 36.5 -7; Nm 18.12; Dt 16.10.1 7; 1Cr 29.9; Pv 3.9-10; 11.24; Lc 19.1-8). A oferta voluntária não deve ser confundida com o dízimo, o qual era relacionado com o sistema de tributação nacional de Israel (Lv 27.30-32) e é comparado ao pagamento dos impostos (Mt 22.21; Rm 13.6-7).

(3) Fidelidade ao Senhor trará abundância. A Bíblia nos ensina que quem é fiel no pouco será muito recompensado (Mt 25.21). Moisés foi um líder que compreendeu bem essa verdade e a viveu, pois o povo trouxe tanta oferta em ouro, prata, cobre, pedras preciosas e madeiras, que encheram os depósitos, e “disseram a Moisés: o povo traz muito mais do que é necessário para o serviço da obra que o Senhor ordenou” (Êx 36.5). Seja fiel ao Senhor!
É interessante notar o que diz a passagem de Mateus 25.21, onde temos que, tanto o homem com cinco talentos quanto o que tinha dois receberam exatamente a mesma recompensa, indicando que a recompensa está baseada na fidelidade e não nos resultados. Como mordomos de Deus devemos entender que tudo pertence ao Senhor e que Ele manifestou em sua Palavra os nossos deveres para com sua Criação. É necessário que saibamos que, mordomia é um princípio divino para abençoar as nossas vidas enquanto aqui vivermos. Se formos bons mordomos seremos recompensados pelo Justo Juiz naquele dia, senão, sofrere­mos o dano por nosso desprezo a administração aos bens temporais e espirituais. Precisamos nos certificar de que, como despenseiros, devemos ser fiéis. Agora quanto ao texto de Êx 36.5, a abundância de oferta não derivou da fidelidade de Moisés, mas da disposição do povo em ofertar motivado pelo propósito divino. As ofertas sobejaram não porque Moisés foi fiel, note que o texto diz que o povo levou voluntariamente muito mais do que o necessário para a construção do tabernáculo.

SUBSÍDIO DIDÁTICO-PEDAGÓGICO

Ao introduzir a lição desta semana, revele o propósito do trimestre. Responda a seguinte pergunta: “Por que estudaremos o Tabernáculo?”. A resposta a essa pergunta permitirá que você faça um panorama geral do trimestre. Em seguida, indague aos alunos o que eles esperam acerca desse estudo. Aqui, a ideia é perceber o entusiasmo dos alunos quanto ao tema.
Em seguida, exponha o primeiro tópico com clareza e objetividade. Como o nosso tempo não é extenso, você pode períodos para a exposição do conteúdo e outros períodos para perguntas. Por exemplo: Você pode expor o conteúdo do primeiro tópico e, depois, abrir para uma ou duas perguntas da classe.
Sugerimos que na exposição do primeiro tópico você enfatize a citação do comentarista a respeito da monografia de Gunnar Vingren, a fim de que fique claro o percurso do anúncio do projeto de Deus e da materialização dele no deserto.

II. O TABERNÁCULO FOI UM PROJETO DE DEUS (Êx 25.8,9)

Após estudarmos a primeira seção de versículos (vv.1-7) que mostra a conclamação do Senhor ao seu povo para a construção do Tabernáculo por meio das ofertas alçadas, agora nos deteremos nos versículos 8 e 9, pois estes revelam como Deus elaborou esse projeto.
1. Deus arquitetou o Tabernáculo (Êx 25.8). “E me farão um santuário, e habitarei no meio deles”. Assim inicia o versículo oito. O Tabernáculo seria um santuário em pleno deserto, onde Deus habitaria entre o seu povo. Desde o início, é perceptível o caráter provisório do projeto divino, pois o povo de Israel não faria uma peregrinação perpétua no deserto. Deus elaborou a engenharia e arquitetou toda a construção do Tabernáculo, dando a Moisés a relação dos materiais que deveriam ser utilizados. Por meio do legislador de Israel, o Senhor conduziu seu povo desde a saída do Egito até o Monte Sinai. Nesse monte, Ele revelou-se a Moisés e aos setenta anciãos do povo, bem como a Arão, Nadabe e Abiú, que viram a glória de Deus (Êx 24.9-11). Ali, a glória do Senhor estava presente e uma nuvem cobria o monte: “o aspecto da glória do Senhor era como um fogo consumidor no cume do monte” (Êx 24.15-17). Por quarenta dias e quarenta noites Moisés entrou no meio da nuvem e subiu até o cume do monte para ouvir a Deus (Êx 24.18). Ali, o Altíssimo deu a Moisés as diretrizes para construir o lugar onde Ele habitaria.
 Deus entregou a Moisés o padrão que deveria ser seguido. Foi Deus quem mostrou a Moisés:
(1) uma estrutura material, fornecida com objetos materiais, como o modelo que ele deveria seguir ao fazer o Tabernáculo e suas dependências;
(2) a representação pictórica do todo;
(3) uma série de visões nas quais as formas foram representadas ao olho da mente. Toda a analogia dos tratos Divinos é a favor da última visão mencionada. O tabernáculo e tudo o que estava relacionado a ele deveria estar em estrita conformidade com as ideias reveladas pelo Senhor a Moisés (compare Êx 25.40; 26.30; At 7.44; Hb 8.5). A palavra aqui traduzida “pattern" também é usado para denotar os planos para o templo que foram dados por Davi a Salomão (1Cr 28.11-12,19), e é em outra parte traduzida como "forma, semelhança”; (Dt 4.16-17; Ez 8.3,10)
Sobre os representantes que acompanharam Moisés no monte, segundo instruções de Deus, foram privilegiados em ver Deus sem serem consumidos pela santidade dele. O que precisamente viram permanece ponto ignorado e deve ser mantido dentro da descrição dada, a qual focaliza somente sobre o que estava sob os pés de Deus. Talvez isso indique que somente houve uma manifestação parcial, como aquela verificada por Moisés (Êx 33.20), ou que os anciãos, na presença da divina majestade, beleza e força (SI 96.6), não ousaram levantar os olhos acima do estrado dos pés. Essa foi a primeira (terminando em 32.6) de duas (40 dias e 40 noites) viagens ao Sinai (cf. 34.2-28). Durante esses dias Moisés recebeu todas as instruções sobre o tabernáculo, sua mobília e adornos (caps. 25—31).

2. O Tabernáculo foi um projeto de Deus. Embora Moisés haja sido formado academicamente no Egito, nenhum item do Tabernáculo era fruto de sua mente engenhosa e disciplinada. Recebendo instruções diretas de Deus, Moisés persuadiu ao povo hebreu a construir o Tabernáculo, pois este era um projeto celestial. O Pai desejava habitar entre os homens e derrubar a parede de separação erguida pelo pecado no Éden. Ele queria fundir o Céu com a Terra. Esse projeto glorioso só alcançaria o objetivo máximo na encarnação e crucificação de Jesus Cristo, seu amado Filho “na plenitude dos tempos” (Gl 4.4; Ef 1.5-10).
O Tabernáculo nos apresenta a obra expiatória de Jesus e como ela se aplica a nós. Por causa do pecado, todos estamos separados da presença de Deus. O altar dos holocaustos, onde sacrifícios eram constantemente queimados, lembrava o povo do preço do pecado – a morte. Somente a morte de um sacrifício podia pagar pelo pecado. Os holocaustos também apontavam para o sacrifício de Jesus na cruz, que paga por todos os pecados e nos purifica (Hb 9.27-28).No tempo designado por Deus, quando as precisas condições religiosas, culturais, e políticas exigidas pelo seu piano perfeito haviam atingido o auge, Jesus veio ao mundo. Deus enviou seu Filho. Assim como um pai marca a data da cerimônia da maioridade de seu filho e da liberdade de seus protetores, curadores e tutores. Deus enviou o seu Filho no momento certo para libertar da escravidão da lei todo aquele que crê — uma verdade que Jesus afirmou várias vezes (Jo 5.30,36-37; 6.39,44,57; 8.16,18,42; 12.49; 17.21,25; 20.21). O fato de o Pai ter enviado Jesus ao mundo ensina a respeito de sua preexistência como o eterno segundo membro da trindade. Veja notas em Fp 2.6-7; Hb 13-5: cf. Rm 8.3-4. nascido de mulher. Enfatiza a plena humanidade de Jesus, e não simplesmente o fato de ter nascido de uma virgem (Is 7.14; Ml 1.20-25). Jesus tinha de ser totalmente Deus para que o seu sacrifício tivesse o valor ilimitado necessário para que pudesse suportar o castigo do pecado como substituto rio ser humano. Veja Lc 1.32,35; Jo 1.1,14,18. sob a lei. Como todos os seres humanos, Jesus foi obrigado a obedecer à lei de Deus. Diferente de qualquer outro, ele obedeceu perfeitamente a essa lei (Jo 8.46; 2Co 5.21; I Ib 4.13; 7.26; lPe 2.22; 1 Jo 3.5). Sua impecabilidade fez dele o sacrifício imaculado pelos pecados, aquele que "cumpriu toda a justiça", ou seja, que obedeceu a Deus em tudo de modo perfeito. E essa justiça perfeita que é imputada àqueles que creem nele.

3. O plano térreo do Tabernáculo (25.9). O plano térreo do Tabernáculo continha um espaço físico de 100 por 50 côvados aproximadamente, 50 por 25 metros, uma vez que um “côvado” equivale de 45 a 50 centímetros, pois a medida do côvado naqueles tempos era “a distância entre o cotovelo e a ponta do dedo médio de um homem”.
a) O Pátio. Esse espaço do Tabernáculo era chamado “Átrio” (ou Pátio) e era fechado por uma cerca feita de cortinas de “linho fino torcido” e presas por ganchos e pinos em pilares de madeira de acácia (Êx 27.18).
As dimensões do átrio retangular, envolto por cortinas e varais ao redor do tabernáculo, foram fornecidas com precisão (vs. 9-19; 44 m de comprimento por 22 m de largura). As cortinas externas eram altas o suficiente, 5 côvados ou 2,4 m, para bloquear toda visão do interior do átrio (v. 10). O acesso geral e livre pelos lados ao átrio onde Deus habitava não era permitido. A cortina que formava a cobertura, para a entrada no átrio tinha cor diferente daquela que circundava o átrio retangular. Claramente não havia somente um caminho para adentrar-se nesse lugar especialíssimo escolhido por Deus e enfaticamente indicado como o lugar de sua habitação com o povo.

b) O Altar dos holocaustos. No espaço externo dentro do Átrio, desde a Porta de entrada, havia o “altar de bronze” (ou cobre), onde eram feitas as ofertas queimadas e, principalmente, onde era feito o sacrifício pelos pecados do povo (Êx 27.1-8; 38.1-6).
A maior peça de mobília, também conhecida como "altar do holocausto" (Lv 4.7,10,18), situava-se no átrio do tabernáculo. Era coberto não com ouro, como as peças no interior do Santo Lugar, mas com bronze. Semelhante às outras peças de mobília e equipamento, esse altar também foi construído de tal modo a poder ser carregado em varais (vs. 6-7). “x

c) A Pia de bronze (ou cobre). Havia, também, “uma bacia de bronze (ou cobre)” para que os sacerdotes lavassem as mãos e os pés antes de entrarem no interior do Tabernáculo (Êx 30.18-21; 38.8).
Lavar as mãos e os pés era obrigatório antes do envolver-se nos deveres sacerdotais. Novamente, a seriedade de estar cerimonialmente purificado é vista na advertência de morte caso essa lavagem fosse negligenciada. Nada era feito casualmente no santuário ou no átrio!

d) A Tenda do Testemunho. O Tabernáculo, propriamente dito, era a parte interna e ficava dentro do Pátio, composto por duas partes: o Lugar Santo e o Lugar Santíssimo (ou Santo dos Santos).
O tabernáculo (do hebreu mishkan, que significa moradia). Ele era chamado:
● tenda da congregação (capítulo 29.42), ou melhor, de reunião, pois ali o SENHOR desceria para encontrar-se com Moisés e com o povo de Israel (capítulo 29.42-43), substituindo a tenda que Moisés usara até então (capítulo 33.7).
● tenda do testemunho (capítulo 38.21; Números 1.50, 9.15, 17.8), porque nela era guardado o Testemunho: as duas tábuas da Lei (capítulo 25.16, 22).
● casa do SENHOR (Deuteronômio 23.18).
● templo do SENHOR (Josué 6.24).
● santuário (capítulo 25.8).

e) O Lugar Santo. No Lugar Santo havia três elementos: o Candeeiro (Candelabro, ou Castiçal) de Ouro com suas sete lâmpadas; a mesa feita de madeira de acácia e coberta de ouro, era chamada “Mesa dos pães da proposição”. Por fim, ainda no “Lugar Santo”, de frente para a entrada de cortinas bordadas que dava para o “Lugar Santíssimo”, estava o “Altar de Incenso” revestido de ouro, no qual se faziam intercessões pelo povo de Deus (Êx 30.1-6; 37.25-28).
O Candelabro: Em frente à mesa dos pães da proposição, no lado sul do Santo Lugar, localizava-se o candelabro adornado, ou menorá, que tinha a forma de um pé de amêndoa em flor. O candelabro fornecia luz para os sacerdotes enquanto estes serviam no Santo Lugar. De acordo com as instruções de Deus (27.20-21; 30.7-8; Lv 24.1-4), era providenciado para que ele fosse mantido bem abastecido com azeite de oliva para que nunca se extinguisse. O candelabro é interpretado como tipificando o Senhor Jesus Cristo, que é a verdadeira luz que veio ao mundo (Jo 1.6-9; 8.12).
A mesa: A cada semana uma nova fornada de 12 pães era colocada na mesa no lado norte do Santo Lugar. Os utensílios dessa mesa também eram feitos de ouro refinado (v. 29). Esse "pão da sua presença" não era colocado para que Deus alimentasse o seu povo, diferentemente de alimento posto nas colunas e templos pagãos, mas para reconhecer que as 12 tribos eram sustentadas constantemente sob o olhar vigilante e o cuidado do Senhor. A cada sábado, o pão era consumido no Santo Lugar pelos sacerdotes em serviço (Lv 24.5-9). Os pães da proposição tipificavam o Senhor Jesus Cristo como o pão que veio do céu (Jo 6.32-35).
O projeto do Altar do Incenso para o Santo Lugar não foi dado junto com os outros dois (25.23-40), mas segue as instruções sobre o sacerdócio, talvez porque se tratasse da última poça à qual o sumo sacerdote se achegava antes de entrar no Santo dos Santos, uma vez por ano. Logo depois que a cerimônia de consagração de Arão fora observada, receberam atenção seus deveres de 1) garantir que incenso devido fosse oferecido continuamente sobre esse altar e que 2) ele também deveria purificá-lo uma vez por ano com o sangue da oferta de expiação (v. 10).
f) O Lugar Santíssimo (Santo dos Santos). Por último, e de fato, em primeiro lugar, estava “O lugar Santíssimo”, onde se encontrava a única mobília, chamada de “Arca do Concerto” (Nm 10.33) ou “Arca do Testemunho” (Êx 25.22), ou também “Arca da Aliança”, na qual se guardavam as “Tábuas da Lei” (Êx 31.18).
O Santo dos Santos ou Lugar Santíssimo, era a parte do templo onde ficava a Arca da Aliança, que representava a presença de Deus. Neste ambiente, somente o sumo sacerdote podia entrar no Santo dos Santos e uma vez por ano, no dia da Expiação, para oferecer o sacrifício a Deus. Essa era uma ocasião muito solene e ninguém mais podia entrar na presença de Deus (Lv 16.15-17). Mas agora todos que creem em Jesus podem entrar na presença de Deus. O Santíssimo Lugar era particularmente santo porque Deus abençoava esse lugar com Sua presença. Quem entrasse no Santo dos Santos estava chegando o mais perto possível de Deus! E não existe nada mais santo que Deus.

SUBSÍDIO DIDÁTICO-PEDAGÓGICO
Reserve para o dia da aula um gráfico sobre o Tabernáculo que reproduzimos na página seguinte. Antes de iniciar o subtópico três, “O plano térreo do Tabernáculo”, faça a seguinte pergunta: “Para você, como era o Tabernáculo?”. Ouça as respostas dos alunos, anote algumas na lousa. Em seguida, apresente o gráfico do Tabernáculo à medida que você expõe o conteúdo do subtópico.
O objetivo dessa atividade é dar um panorama geral acerca da estrutura do santuário, pois a veremos detalhadamente ao longo da lição. Por isso, essa imagem panorâmica ajudará os alunos a compreender as partes específicas da “Tenda da Congregação”. O Método que usaremos neste trimestre é simples: partiremos do todo para o específico.

III. RELAÇÃO TIPOLÓGICA ENTRE O TABERNÁCULO E A IGREJA

1. A importância dos aspectos tipológicos do Tabernáculo. O apóstolo Paulo deu importância a essa relação tipológica quando escreveu: “tudo que dantes foi escrito para nosso ensino foi escrito, para que, pela paciência e consolação das Escrituras, tenhamos esperança” (Rm 15.4). O Tabernáculo de Moisés, no deserto, deixou profundas lições para a Igreja. Nessa tipologia, descobrimos uma relação com a Igreja e com o Senhor Jesus. Nas lições seguintes, veremos a importância simbólica do Tabernáculo em seus adereços, utensílios e cultos, seus ministros e ajudantes, sua ordem e o significado de cada item na relação espiritual-tipológica com a Igreja de Cristo.
O Antigo Testamento revelado de maneira divina, para o nosso ensino foi escrito. Embora os cristãos vivam debaixo da nova aliança e não estejam debaixo da antiga aliança, a lei moral de Deus não mudou e toda a Escritura é para benefício espiritual (1Co 10.6,10-11; 2Pe 1.20-21). A descrição de Paulo dos benefícios da Escritura certamente inclui o Novo Testamento, mas fala, em especial, a respeito "das sagradas letras" — ou o Antigo Testamento (2Tm 3.1 5-17). Como já vimos, o tabernáculo era uma tenda onde o povo de Israel se reunia para adorar a Deus. Seu propósito era permitir que as pessoas se aproximassem de Deus, porque o tabernáculo representava a presença de Deus. Hoje em dia, não precisamos mais de um tabernáculo, porque esse era apenas um símbolo da realidade espiritual. Jesus cumpre todas as funções do tabernáculo dentro de nossos corações.

2. A Igreja de Cristo é o Tabernáculo de Deus na Terra. O Tabernáculo e o Templo de Salomão simbolizam a Igreja de Cristo edificada para “morada de Deus em Espírito” (Ef 2.22). Alguns textos do Novo Testamento fazem da tipologia o modo de comparação entre o Tabernáculo e a Igreja. Paulo tipificou a Igreja como edifício de Deus para falar de crescimento coerente e organizado da comunidade cristã (1Co 3.9). Neste edifício, os crentes em Cristo são identificados como “pedras vivas”, as quais são edificadas umas sobre as outras. Portanto, a Igreja é o edifício espiritual construído para morada de Deus como o Tabernáculo no Antigo Testamento. Ela também é tratada como “Templo de Deus” (1Co 3.16). A figura do templo, aqui, tem dupla referência, pois refere-se à Igreja e, também, ao lugar da presença de Deus. A Igreja é tipificada como a Casa de Deus, de caráter familiar, porque a palavra “casa”, nesse contexto, refere-se à família que mora na casa (1Tm 3.15). O tabernáculo de Moisés era material, e Deus habitava nele; a Igreja é o tabernáculo espiritual onde o Altíssimo habita e se manifesta gloriosamente (Ef 2.22).
- “Ao considerarmos o significado do tabernáculo (e depois do templo) nas Escrituras, será útil manter dois pontos em mente. Primeiro, o tabernáculo era a casa de Deus, o lugar de sua morada. Cortinas azuis, púrpura e com fios carmesim, uso abundante de ouro puro e um véu dividindo suas duas salas definiam o tabernáculo como o palácio do mais sagrado rei. Segundo, o tabernáculo era também o caminho para Deus, os rituais de sacrifício proporcionavam a expiação e a purificação necessárias para habitar com Deus. Uma visão geral simplificada do sistema sacrificial apresenta o caminho para Deus como envolvendo um movimento triplo na presença de Deus, uma “jornada” traçada através da ordem ritual de três sacrifícios primários. A adoração frequentemente começava com a oferta de purificação, com sua ênfase no sangue, ressaltando a necessidade de expiação pela humanidade, isto é, ser perdoado e purificado por Deus. Então seguia-se todo o holocausto que, com sua ênfase em queimar o animal inteiro à parte de sua pele, simbolizava uma vida de total consagração a Deus. A liturgia terminaria com uma oferta de paz na qual o adorador banqueteava-se com uma refeição sagrada, juntamente com a família e amigos, na presença de Deus. A expiação, então, como a jornada do sacrifício ensina, leva à santificação, e a santificação produz comunhão jubilosa com Deus. Em suma, o relacionamento de Israel com Deus foi preservado e cultivado pelo ritual sacrifical do tabernáculo, possibilitando que o Criador do céu e da terra habitasse com seu povo em comunhão. Para entender a profundidade e a maravilha de tal propósito, refletiremos sobre o significado do tabernáculo primeiro dentro do propósito de Deus para a criação e depois representando o coração da aliança de Deus com o Seu povo – um propósito assumido e cumprido por Jesus Cristo.” (VOLTEMOSAOEVANGELHO).
 Todo cristão nova é uma nova pedra no templo de Cristo, a igreja, o corpo de Cristo formado pelos crentes (1Pe 2.5). A edificação de Cristo da sua igreja não se completará até que cada pessoa que deverá crer nele o tenha feito (2Pe 3.9). O termo para "habitação" indica um lar permanente. Deus, o Espírito Santo, passa a residir de modo permanente no seu santuário terrestre, a igreja, o vasto corpo espiritual formado por iodos os remidos (cf. ICo 6.19-20; 2Co6.16). Como pedras que vivem, os cristãos têm uma identificação e união tão íntima com Cristo que a vida que existe em Cristo existe neles também (Cl 2.20; 3.3-4; 2Pe 1.4). No sentido metafórico, “edificados casa espiritual” implica em que Deus está edificando uma casa espiritual, colocando todos os cristãos no devido lugar e integrando-os uns com os outros e cada um deles com a vida de Cristo (Ef 2.19; Hb 3.6).



SUBSÍDIO TEOLÓGICO

A obra de Gunnar Vingren acerca do Tabernáculo está dividida em três capítulos: (1) Introdução, (2) O Tabernáculo e (3) Comparações e contraposições ao Tabernáculo. No terceiro capítulo, ele faz uma comparação do Tabernáculo, pelo qual o chama de “tenda do testemunho”, com a Igreja de Cristo. Veja:
“Assim como a tenda do testemunho, com todos os seus utensílios, foi ordenada por Deus, a igreja cristã recebeu de Deus suas normas e seus mandamentos. A tenda no Antigo Testamento era o lugar onde Deus se revelava, enquanto as igrejas cristãs são, hoje, o lugar da presença de Deus, o lugar onde se faz a sua vontade. O primeiro era constituído de riquezas e material precioso, o segundo é constituído também de material precioso, isto é, de almas humanas redimidas do pecado por meio da graça de Cristo Jesus. Desta forma, à tenda do Antigo Testamento se contrapõe a igreja cristã do Novo Testamento. A bacia com água ficava em frente da tenda e, na água, Arão e seus filhos limpavam seus pés e suas mãos antes de adentrarem o santuário para que não morressem. Já o batismo é a maneira pela qual o cristão ingressa na Igreja de Deus. Aquele que crê e recebe o batismo será salvo. Após o batismo, seremos sepultados com Deus, e assim como Cristo ressuscitou dos mortos, passaremos a caminhar em uma nova vida” (VINGREN, Gunnar. O Tabernáculo e Suas Lições: Monografia de graduação em Teologia do fundador das Assembleias de Deus no Brasil, defendida em 1909 no Seminário Teológico Sueco de Chicago (EUA). Rio de Janeiro: CPAD, 2011, pp.76-77).

CONCLUSÃO

Esta lição teve por objetivo levar ao aluno à compreensão da tipologia do Tabernáculo em relação à Igreja. O Tabernáculo seria mais do que um protótipo ou modelo futuro da Igreja, no qual Deus revelaria a sua glória. Esse Tabernáculo aparece como “um bem futuro” (Cl 2.17), que aponta para a Pessoa de Jesus Cristo, que veio a esse mundo mostrar, na prática, o desejo de Deus em habitar com os homens. Ele fez isso na encarnação de seu Filho, o tabernáculo divino.
O tabernáculo e o templo revelavam não apenas que Deus viria na carne para habitar conosco, mas também que, por seu Espírito, faria de seu povo o templo em quem ele habitaria para sempre. Somos agora o templo de Deus pela obra regeneradora, interior e purificadora do Espírito Santo. Paulo escreve que em Cristo “todo o edifício, bem ajustado, cresce para santuário dedicado ao Senhor” (Ef 2.21). O Espírito nos transformou em uma habitação santa para o nosso santo Senhor. Somos a casa de Deus, composta de membros de todas as tribos e nações, edificada sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, tendo Cristo como a principal pedra angular. Pedro, para quem o grande templo de Jerusalém era uma visão familiar, diz: “Vós também, como pedras vivas, sois edificados casa espiritual e sacerdócio santo, para oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por Jesus Cristo” (1Pe 2.5). (VOLTEMOSAOEVANGELHO)
   
Francisco Barbosa
Disponível no blog: auxilioebd.blogspot.com.br

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