SUBSÍDIO I
JESUS – SUMO SACERDOTE DE UMA ORDEM SUPERIOR
1. Recapitulando conteúdos
anteriores
Na lição passada estudamos
acerca da seriedade com que devemos considerar a possibilidade da apostasia.
Vimos que a apostasia é uma possibilidade real e, que, por isso, o crente em
Jesus deve ter ânimo e perseverança de fé para seguir a jornada até o fim.
Na lição desta semana, veremos a
ênfase uma vez mais da imutabilidade, perfeição e eternidade do sacerdócio de
Jesus Cristo, agora, segundo a ordem de Melquisedeque. Por isso, abaixo,
reproduzimos o texto do comentarista José Gonçalves em que ele mostra os
aspecto tipológico de Cristo com muita clareza e habilidade hermenêutica.
2. Texto de subsídio para a
Lição 7
“Tendo terminado a sua seção
parentética no capítulo 6, que havia introduzido no final do capítulo 5, o
autor volta a tratar do assunto que ele acha central em sua argumentação – a
doutrina do sacerdócio de Cristo. Para tal, ele principia resgatando sua
fundamentação histórica e profética.
‘Porque este Melquisedeque, que
era rei de Salém, sacerdote do Deus Altíssimo, e que saiu ao encontro de Abraão
quando ele regressava da matança dos reis, e o abençoou’ (v.1).O autor já havia afirmado (Hb
5.4-6) que Jesus havia sido constituído por Deus como sumo sacerdote de uma
ordem superior -a de Melquisedeque. Aqui ele vai mostrar a importância que teve
essa figura enigmática dentro do plano divino. Ele chama a atenção para o fato
de que Melquisedeque fora rei e sacerdote. Melquisedeque, portanto, é o único
personagem na história do Velho Testamento que fora rei e sacerdote ao mesmo
tempo. Donald Hegner observa que prevalecia no judaísmo primitivo a crença de
que o Messias acumularia essas duas funções.1A intenção do autor é
mostrar, não pelo simples fato de que essa era uma expectativa judaica, mas
sobretudo porque era um fato profético,que Jesus era sumo sacerdote dessa mesma
ordem. Foi esse sacerdote-rei que abençoou o patriarca Abraão.
‘A quem
também Abraão deu o dízimo de tudo, e primeiramente é, por interpretação, rei
de justiça, e depois também rei de Salém, que é rei de paz’ (v.2).De acordo com a Enciclopaedia
Judaica, o nome Melquisedeque é interpretado pelo autor de Hebreus como sendo
“rei de justiça” e “paz” com o propósito de associá-lo à pessoa de Jesus. “Na
epístola aos Hebreus (7.1-7), Melquisedeque (rei de justiça – Zedek; de paz –
Salém) é descrito como único, sendo ambos um sacerdote e rei, e porque ele é
‘sem pai, sem mãe, sem genealogia’; ele é eterno, ‘não tendo começo de dias e
nem fim da vida’. Neste sentido Melquisedeque assemelha-se a Jesus, o Filho de
Deus, e assim é um tipo do Salvador”.
‘Sem pai, sem mãe, sem
genealogia, não tendo princípio de dias nem fim de vida, mas sendo feito
semelhante ao Filho de Deus, permanece sacerdote para sempre’ (v.3).Esse versículo forneceu
combustível para muitos debates em torno da figura enigmática de Melquisedeque.3 Todavia,
a interpretação mais natural, como descreveu a Enciclopédia Judaica, é aquela que a
tradição cristã lhe tem atribuído – um tipo de Cristo. O vocábulo
grego aphomoioo,
traduzido como semelhante,só
aparece aqui no Novo Testamento. A.T. Roberston destaca “que essa semelhança está na
figura tirada do Gênesis e não na própria pessoa”. Melquisedeque
é um tipo do qual Jesus é o antítipo. A ordem sacerdotal e não simplesmente a
pessoa de Melquisedeque está no foco da argumentação do autor. De forma
análoga, Richard Taylor observa que as “descrições dadas sobre a pessoa de Melquisedeque
no versículo 3 (Sem pai, sem mãe e sem genealogia) devem se referir à sua ordem
sacerdotal e não à sua pessoa”. Esse entendimento é confirmado no fato de
que para um judeu conhecedor do sistema levítico, era totalmente inconcebível
alguém reivindicar o sacerdócio sem que seus pais fosse sacerdote. John N.
Darby destaca que “como sacerdote, Cristo era sem genealogia, não como homem.
Sua mãe era conhecida. Uma vez feito sacerdote, não podia ser descartado ao
chegar a uma certa idade, como aqueles sacerdotes. Ele permanece para sempre.
‘Feito semelhante ao filho de Deus” – somente como sacerdote. A realeza está
vinculada com o sacerdócio’. Melquisedeque foi uma pessoa
física, histórica, mas o seu sistema sacerdotal era atemporal, eterno.
Muito barulho tem sido feito em
torno da figura enigmática de Melquisedeque porque se desconhece como a
hermenêutica judaica interpretava o silêncio de determinado texto. Na
interpretação rabínica dos textos sagrados até o silencio falava alto. Filo, um
judeu de Alexandria, por exemplo, se utilizou muito desse recurso.9 Donald
Hegner destaca que ‘Do ponto de vista rabínico, o silencio é tido como
verdadeiramente significativo, em vez de apenas fortuito, de modo especial em
se tratando de uma pessoa tão importante, rei e sacerdote ao mesmo tempo. Visto
não ter registro da morte de Melquisedeque, nem do término do seu sacerdócio
pode se concluir que ele permanece
sacerdote para sempre. Considerando-se, pois, o que as
Escrituras dizem e o que silenciam a respeito de Melquisedeque, torna-se
evidente que ele é semelhante
ao filho de Deus, que também jamais teve início de dias, nem
fim de vida, com um sacerdócio de validade eterna’.”
(Texto extraído da obra “Ânimo, Esperança e Fé em Tempos de Apostasia: Um estudo na carta aos Hebreus versículo por versículo”, editada pela CPAD)
(Texto extraído da obra “Ânimo, Esperança e Fé em Tempos de Apostasia: Um estudo na carta aos Hebreus versículo por versículo”, editada pela CPAD)
SUBSÍDIO II
INTRODUÇÃO
O sacerdócio araônico tinha extrema relevância na
religiosidade judaica, de modo que mesmo os cristãos hebreus destinatários da
Epístola se sentiam atraídos por ele. O autor da Epístola, conforme estudaremos
na lição de hoje, argumenta que existe um sacerdócio superior, não da ordem de
Arão, mas de Melquisedeque, o qual tipifica o sacerdócio de Cristo. Ao final da
aula mostraremos, com base no capítulo 7 da Epístola aos Hebreus, os
fundamentos escriturísticos para a superioridade do sacerdócio de Cristo sobre
o de Arão.
1. MELQUISEDEQUE, SACERDOTE-REI
Melquisedeque aparece no livro de Gêneses como um
personagem bíblico, relacionado à história de Abrãao e seu sobrinho Ló, que
habitou na cidade de Sodoma, e acabou se envolvendo na vida política daquela
cidade. No contexto de uma batalha, os sodomitas e seus aliados foram
capturados, entre eles Ló. Abraão, a fim de resgatar seu sobrinho, empreendeu
uma batalha, juntamente com uma coalisão de forças. Após retornar vitorioso
desse desafio, Abraão acampou em Salém, cidade que futuramente seria conhecida
como Jerusalém. Naquele local, se encontrou com Melquisedeque, o sacerdote-rei
da cidade, que abençoou Abraão (Gn. 14.19,20). Do texto apreendemos que ele era
sacerdote de El Elyon, o Deus Altíssimo, e que assim foi reconhecido por
Abraão, que lhe entregou seus dízimos. O autor da Epístola aos Hebreus faz
alusão a esse personagem como um tipo do sacerdócio de Cristo, sendo Ele também
Rei-Justo. Na verdade, Deus é justo, e justificador daqueles que creem em Jesus
(Rm. 3.26). É importante destacar que Deus fez aquilo que o homem não poderia
fazer para ser salvo (Rm. 4.6). O sacrifício de Jesus na cruz do calvário foi
suficiente para salvar os pecadores (Jo. 3.16), trazendo a paz entre Deus e os
homens (Lc. 2.14), justamente por ser Ele o Príncipe da paz (Is. 9.6). Ele é
também o Reconciliador entre Deus e os homens, o que restaura o relacionamento
rompido por causa do pecado (II Co. 5.20). Por isso Melquisedeque é tipo de
Cristo, pois aponta para Aquele que se fez justiça por nós, de eternidade a
eternidade (Jr. 23.6; Ap. 1.8).
2. SUPERIORIDADE
DE MELQUISEDEQUE SOBRE ARÃO
O argumento do autor é que o fato de Abraão ter
entregue dízimo a Melquisedeque é um sinal da grandeza do seu
sacerdócio-reinado em Salém (Hb. 7.4). O patriarca reconheceu que Melquisedeque
tinha autoridade espiritual, pois apenas aqueles que eram instituídos como
sacerdotes recebiam dízimos (Hb. 7.5). O fundamento do sacerdócio, por
conseguinte, remete ao tempo de Abraão, indo além da instituição levítica.
Levi, um dos doze filhos de Jacó, era descendente de Abraão (Hb. 7.5). Por
isso, Melquisedeque, ainda que não fosse descendente de Levi, se antecipou ao
sacerdócio desse, demonstrando ser ainda maior, tendo recebido dízimo do
próprio Levi, através do patriarca Abraão (Hb. 7.6,7). Além disso, o sacerdócio
levítico é composto por homens que morrem (Hb. 7.8), enquanto que o de
Melquisedeque, não há registro da sua morte. O autor da Epístola aos Hebreus
cita Sl. 110.4, para legitimar nas Escrituras o sacerdócio de Cristo, pondo na
ordem de Melquisedeque. Isso mostra também a limitação do sacerdócio levítico,
considerando que os sacerdotes dessa ordem eram imperfeitos, e que precisavam
sacrificar não apenas pelos outros, também por eles mesmos. Jesus é o Grande
Sumo Sacerdote, não da ordem de Levi, pois não era daquela tribo. Ele era da
tribo de Judá (Hb. 7.14), e remete a um sacerdócio ainda mais antigo,
estabelecido anterior a Lei, que estava além do “mandamento carnal” (Hb. 7.16).
O sacerdócio da aliança carnal, para o autor da Epístola, através de Cristo se
tornou “ab-rogado por causa da sua fraqueza e inutilidade” (Hb. 7.18).
3. A SUPERIORIDADE DO SACERDÓCIO DE CRISTO
A referência ao Sl. 110 é bastante enfática no
capítulo 7 da Epístola aos Hebreus, a fim de confirmar a superioridade do
sacerdócio de Cristo. A começar pela necessidade de muitos sacerdotes, que
vinham uns após os outros (Rm. 7.23). A sucessão era uma demonstração de
fraqueza daquele tipo de sacerdócio. O sacerdócio de Cristo, por sua vez, não
carece de sucessor, pois é eterno, estando Ele entronizado para sempre. Por
esse motivo, Ele é capaz de interceder continuamente por aqueles que creem (Hb.
7.25). A demonstração da superioridade, e legitimidade eterna desse sacerdócio,
é demonstrada na ressurreição de Cristo, que se encontra entronizado à direita
do Pai. Esse Sumo Sacerdote se tornou um de nós (Hb. 7.26), cumprindo as
necessidades do Seu povo. E mais, Ele é santo, imaculado, separado dos
pecadores (Hb. 7.26). Ele é digno de confiança, de modo que podemos nos
aproximar do Pai. Os sacerdotes levíticos precisam sacrificar por eles mesmos,
antes de sacrificar pelo povo (Hb. 7.27). O mesmo não ocorre com Cristo, que é
um sacerdócio definitivo. Por isso, apenas Jesus – maior que tudo que Deus
havia concedido como revelação a povo de Israel e ao mundo - constituiu uma
nova aliança, concretizada através do derramamento do seu sangue, dando-nos a
garantia de que somos aceitos pelo Pai, não por causa de nós mesmos, mas porque
Ele foi aceito por nós. Em Cristo podemos ser filhos de Deus, e a Ele nos
dirigir como Aba, mediante o Espírito de adoção, concedido por Sua graça (Gl.
4.5).
CONCLUSÃO
Temos um Sacerdote Eterno, que se identifica com
nossa condição, ainda que não tenha pecado (I Pe. 2.22). Por causa dEle,
sabemos que fomos aceitos por Deus, porque o próprio Cristo, o Sumo Sacerdote
segundo a ordem de Melquisedeque, se fez pecado por nós (II Co. 5.21). Diante
dessa realidade eterna, com a qual fomos agraciados, devemos nos aproximar do
trono da graça, com toda confiança, para receber misericórdia e poder,
sobretudo nos momentos de necessidades (Hb. 4. 16).
Prof. Ev. José
Roberto A. Barbosa
Extraído do Blog
subsidioebd
COMENTÁRIO E
SUBSÍDIO III
INTRODUÇÃO
O capítulo sete de Hebreus
apresenta o sacerdócio de Jesus numa nova perspectiva — Ele é sumo sacerdote
segundo a Ordem de Melquisedeque (SI 110.4. cf. Hb 7-17). O autor mostra que a
profecia do salmista, na qual revela um sacerdócio de outra ordem, superior à
de Arão e à levítica, teve seu fiel cumprimento em Jesus (Hb 7.13). Mas mesmo
pertencendo à mesma ordem sacerdotal, o autor sublinha a proeminência de Jesus
sobre Melquisedeque quando afirma que este "foi feito semelhante ao Filho
de Deus" (Hb 7.3) e não o contrário. O pensamento do autor é mais bem
compreendido se observarmos o sacerdócio de Jesus quanto aos aspectos de sua
tipologia, de sua natureza e de seus atributos. Há muitas especulações sobre a
pessoa de Melquisedeque, mas à luz do contexto bíblico é melhor vê-lo como uma
pessoa histórica de natureza tipológica. Melquisedeque, portanto, deve ser
visto como um tipo que aponta para Jesus Cristo. Nesse aspecto, o escrito
sagrado mostra o sacerdócio de Jesus como de natureza eterna, imutável e
perfeita.
Melquisedeque é um personagem enigmático na
história bíblica. Mas ele foi um verdadeiro adorador, no meio de uma gente
idólatra e corrompida. Exerceu o papel de rei e sacerdote, sem fazer parte da
linhagem de Israel. "E Melquisedeque, rei de Salem, trouxe pão e vinho; e
este era sacerdote do Deus Altíssimo" (Gn 14.18). Sua ordem sacerdotal,
com aspectos peculiares, tornou-se um tipo do sacerdócio de Cristo, que em
tudo, é superior a todas as ordens sacerdotais. O aparecimento e
desaparecimento repentinos de Melquisedeque no livro de Gênesis são
misteriosos. Melquisedeque e Abraão se conheceram pela primeira vez depois da
vitória de Abrão contra Quedorlaomer e seus três aliados. Melquisedeque
ofereceu pão e vinho a Abraão e aos seus homens que estavam muito cansados,
demonstrando amizade. Ele abençoou Abraão em Nome de El Elyon ("Deus
Altíssimo") e louvou a Deus por ter dado a Abraão vitória na batalha (Gn
14.18-20). O Dicionário Bíblico Wycliffe (CPAD, 2006) assim apresenta esta
personagem do Antigo Testamento: "Em hebraico Malkisedeq ou 'rei da
justiça', é mencionado em Gênesis 14.18; Salmo 110.4; Hebreus 5.6,10; 6.20;
7.1,10,11,15,17. No livro de Gênesis ele é um rei-sacerdote cananeu de Salém
(Jerusalém) que abençoou Abrão quando este retornou depois de salvar Ló, e a
quem Abrão pagou o dízimo. Quanto à religião, ele era 'sacerdote do Deus
Altíssimo'" (Dicionário Bíblico Wycliffe. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD,
2006, p. 1247). Este sacerdote é um tipo de Cristo e de seu sacerdócio; seu
sacerdócio não estava limitado à raça humana ou à tribo, sendo, portanto,
universal. Sua realeza não foi herdada de seus pais. E essa realeza também não
foi transmitida a um descendente; e assim ela era eterna. Assim, em
Melquisedeque temos uma tipologia de Cristo e de seu sacerdócio eterno e
universal. O autor de Hebreus identificou Jesus como sumo sacerdote de acordo
com a ordem de Melquisedeque, tanto no capítulo 5 como no 6. Mas quem é
Melquisedeque? Por que Jesus é um sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque,
em vez da ordem levítica? No capítulo 7, o autor responde a ambas as questões.
Melquisedeque aparece na história bíblica durante apenas um curto período (veja
Gênesis 14:18-20). Porque a Bíblia não registra seu nascimento, morte nem mesmo
sua genealogia, Melquisedeque parece ser de natureza eterna, como o Filho de
Deus. Ele é identificado como sendo tanto o rei de Salém como sacerdote do Deus
Altíssimo.
I. QUANTO AO
ASPECTO DE SUA TIPOLOGIA
1. Um sacerdócio com
realeza. O autor sacro
destaca que Melquisedeque era um sacerdote-rei. Como sacerdote, recebeu dízimos
de Abraão e como rei governava sobre Salém (Hb 7.2). Embora os reis tivessem
alguma participação no culto da Antiga Aliança (2 Sm 6.12-14; 1Rs 3.4,15;
9.25), todavia, a função sacerdotal levítica, de oferecer sacrifícios e
representar o povo diante de Deus, cabia somente aos sacerdotes (1Sm 13.9,13; 2
Cr 26.16-18). Eles não eram reis. A ordem do sacerdócio levítico não previa a
existência de um sacerdote-rei. A existência de um sacerdote-rei, portanto, no
contexto bíblico só poderia acontecer se este fosse de outra ordem. Jesus, que
era da tribo de Judá, é levantado por Deus como sumo sacerdote segundo essa
nova ordem, da qual Melquisedeque é o tipo (SI 110.4).
Como já vimos, Melquisedeque é uma figura histórica,
citado em duas passagens do Antigo Testamento e é, em certos aspectos, um tipo
de Cristo (Cf. Gn 14.17-24; Sl 110.4). Salém é Jerusalém - a primeira
referência à cidade de Jerusalém se encontra em Gn 14.18, onde aparece como
Salém. Com o seu nome atual, Jerusalém, aparece pela primeira vez em Josué
10.1, onde reinava Adoni-Zedeque, que se uniu a quatro outros reis para lutarem
contra Jerusalém. A união do rei e o sacerdote em Jerusalém haveria de levar
Davi (o primeiro israelita a sentar-se no trono de Melquisedeque) a entoar
cânticos sobre um Melquisedeque mais grandioso que havia de vir (SI 110.4).
Sobre Melquisedeque, Antônio Neves de Mesquita escreve em sua obra intitulada
Estudo no livro de Gênesis (JUERP): “Alguns querem que seja Cristo, no seu
estado de pré-encarnação, mas esta teoria está em conflito com o Sal. 110:4 e
com o teor geral das Escrituras, que fazem Cristo e Melquisedeque duas
personalidades distintas e dois sacerdotes também distintos, um prefigurado no
outro. Uma coisa não pode ser prefigurada em si mesma. Quem era, pois, esse
homem? Um anjo? Não. Do pouco que sabemos dele, cremos que era um homem pio que
permanecia fiel à religião de Noé, ou ao primitivo monoteísmo e neste caráter
era um sacerdote como Jetro, sogro de Moisés”
“Além dessas passagens esse personagem aparece no
livro apócrifo Enoch, conhecido também como Enoch Eslavo. Neste apócrifo há uma
sessão que se chama “Exaltação de Melquisedec”. Nela se conta como ele nasceu
de uma virgem (Sofonim), esposa de Nir, irmão de Noé. Nasceu depois que sua mãe
morreu. Sentou-se na cama ao lado do corpo da mãe, e, quando nasceu, era já
desenvolvido, vestido e falando bendizia ao Senhor. Havia já os vestidos do
sacerdócio. 40 dias após seu nascimento o arcangelo Gabriel o leva até o Jardim
do Édem, sendo salvo do dilúvio, sem ter que ir para a Arca de Noé. Talvez a
frase em Hebreus 7,3 tenha esse backgroud: Sem pai, sem mãe, sem genealogia,
sem começo nem fim de vida como o Filho de Deus, Melquisedec permanece
sacerdote para sempre. Também em Qumran, na gruta 11, foi encontrado um texto
que fala de Melquisede (1Q13 - 11QMelch). Neste texto ele é visto como um ser
divino a quem é dato também o títolo de Elohim. Segundo esse texto será ele que
proclamará o dia da expiação e julgará os povos.” (ROSA, Luis:
Melquisedeque. Disponível em:http://www.abiblia.org/ver.php?id=732. Acesso em 12 fev, 2018)
2. Um sacerdócio firmado na
justiça. Mostrando a
tipologia sobre o sacerdócio de Melquisedeque, o autor destaca que este fora
"rei de justiça e depois também rei de Salém, que é rei de paz" (Hb
7.2). A figura histórica de Melquisedeque como rei de Salém aparece em Gênesis
14.18-20 no contexto da guerra de cinco reis contra quatro no vale do Rei. O
nome Melquisedeque, cujo significado original era "Sedeque é rei", é
interpretado pelo autor de Hebreus como "rei de justiça" (Hb 7.2). É
fora de qualquer dúvida que Melquisedeque é um tipo de Jesus, que reinaria com
justiça e cujo reinado não teria fim (Is 32.l;Jr 23.5; Lc 1.33).
O significado do nome é muito discutido. Hebreus 7,1
diz que Melquisedeque significa “rei de justiça”; além disso, ele é “rei
de Salém”, isto é, “rei de paz”. O Comentário acima quanto ao nome
Melquisedeque – nome hebraico, ou a junção de duas palavras hebraicas “melqui”
que significa “meu rei” e “sedeque” que significa “justo”. Portanto, e segundo
o Dicionário Wycliffe [Dicionário Bíblico Wycliffe. led. Rio de
Janeiro: CPAD, 2006, p. 1247], Melquisedeque significa, “meu rei justo”
oi “rei da justiça”; o significado normalmente é baseado na palavra
hebraica “melek”, que significa “rei” e “tzedek” (“justo”),
assim, talvez haja um equívoco quando o comentarista afirma acima: ‘cujo
significado original era "Sedeque é rei”’. A opinião tradicional
diz que Melquisedeque era um verdadeiro adorador do Senhor (conforme Josefo,
Irineu, Calvino, KD, Leupold, et ai). Se a data da vida de Abraão (aprox, 2000
a.C.) estiver correta, então Melquisedeque viveu antes da substituição de El
como principal deus dos cananeus. A adoração a Baal-Hadade foi estabelecida
pela invasão dos amorreus no início do 2“ milênio a.C.. Note o leitor que no
mundo cananeu e fenício existe o deus Suduk ou Sudek,
assim, admitir que o significado seja "Sedeque é rei", leva este tipo
ou figura de Cristo ao patamar de sacerdote de uma divindade pagã – Sudek.
Porém, como lido em Hb 7.1, Melquisedeque era “Sacerdote de El Elion” – o Deus
Altíssimo. Por isso o texto afirma que primeiramente é, por interpretação, rei
de justiça, e depois também rei de Salém, que é rei de paz. (v.2) Assim, seu
ministério era legítimo diante de Deus e reconhecido perante os homens. Justiça
e paz são características do Messias e apontam para Jesus que exerceu os
ofícios de profeta, sacerdote e rei (Cf. Is 9.6, 7; Sl 110.1, 4). E somente por
Jesus podemos ser justificados e termos paz com Deus – Rm 5.1. Segundo
Gardner [LIÇÕES BÍBLICAS CPAD – ADULTOS - 2º Trimestre de 2017, Lição
3], "Melquisedeque conhecia a Deus por meio de uma tradição que se
espalhou após o Dilúvio ou devido a uma revelação sobrenatural. Percebeu que
Abraão servia ao mesmo Deus". O certo é que ele cria em Deus e o servia,
pois era sacerdote "do Deus Altíssimo".
3. Um sacerdócio com
legitimidade divina. O versículo três
de Hebreus sete — "sem pai, sem mãe, sem genealogia" —, deve ser
visto como um contraste entre o sacerdócio levítico e o de Melquisedeque. O
sacerdócio levítico dependia da genealogia para se legitimar. Quem não fosse da
tribo de Levi não podia oficiar como sacerdote. É exatamente isso o que o autor
quer mostrar, pois assim como o sacerdócio de Melquisedeque não dependia de
genealogia para mostrar sua legitimidade sacerdotal, da mesma forma o
sacerdócio de Cristo era também legítimo por pertencer a uma ordem superior, a
ordem de Melquisedeque.
Não há registro de genealogia e sucessão nas
Escrituras em relação a Melquisedeque. Ele aparece do nada e desaparece sem
deixar rastro. Não tem predecessor nem sucessor. O silêncio das Escrituras
nesse ponto é incomum.[Carson, D. A. Comentário Bíblico Vida Nova, Vida
Nova, SP, 2009, p. 2005.] Esta falta de informação a respeito do
nascimento fortalece a tipologia de Melquisedeque em relação a Cristo.[Comentário
Bíblico Moody, Hebreus, p. 38.] Ele é semelhante ao Filho de Deus no
sentido de que ele prefigura o seu sacerdócio singular e que nunca tem fim.
Assim, ele foi semelhante a Cristo no sentido de que o seu sacerdócio foi
universal (v.1); foi real (vv.1, 2; cf. Zc 6.13); foi justo (v.2; cf. Sl 72.2;
Jr 23.5; 1Co 1.30); foi pacífico (v.2; cf. Sl 72.7; Is 9.6; Rm 5.1); e
interminável (v.3; cf. vv.24, 25). Seu nome (meu rei é justiça) e seu título –
rei de Salém (em hebraico “paz”) (rei de paz) indicam o Messias, cuja pessoa e
ministério se caracterizam pela justiça (Is 32.1; Jr 23.5; Ml 4.2; 1 Co 1.30) e
pela paz (1Cr 22.9; Zc 9.10; Ef 2.14,15). Estas duas graças se encontram em
Cristo, de modo perfeito. Quando o autor da Epístola aos Hebreus escreve: “Sem
pai, sem mãe” (Hb 7.3) não significa que este personagem literalmente não
tivesse pais nem parentes, nem que era anjo. Significa tão somente que as
Escrituras não registram a sua genealogia e que nada diz a respeito do seu
começo e fim. Por isso, serve como tipo de Cristo eterno, cujo sacerdócio nunca
terminará. Vivendo sempre para interceder (Hb 7.25). Cristo vive no céu, na
presença do Pai. (8.1), intercedendo por todos os seus seguidores,
individualmente, de acordo com a vontade do Pai (cf. Rm 8.33,34; 1Tm 2.5; 1 Jo
2.1 Lição 11; 13 de Dezembro de 2015; Melquisedeque Abençoa
Abraão. [http://auxilioebd.blogspot.com.br/2017/04/licao-3-melquisedeque-o-rei-de-justica_9.html]
SUBSÍDIO DIDÁTICO
Neste
tópico é importante que você explique quem foi a pessoa histórica de
Melquesedeque. Comece o tópico abordando que “Melquisedeque, contemporâneo de
Abraão, foi rei de Salém e sacerdote de Deus (Gn 14.18). Abraão lhe pagou
dízimos e foi por ele abençoado (vv.2-7). Aqui, a Bíblia o tem como uma
prefiguração de Jesus Cristo, que é tanto sacerdote como rei (v.3). O sacerdócio
de Cristo é ‘segundo a ordem de Melquisedeque’ (6.20), o que significa que
Cristo é anterior a Abraão, a Levi e aos sacerdotes levíticos e maior que todos
eles’. As Escrituras mencionam também que o rei de Salém não tinha pai nem mãe,
o que não ‘significa que Melquisedeque, literalmente, não tivesse pais nem
parentes, nem que era anjo. Significa tão-somente que as Escrituras não
registram a sua genealogia e que nada diz a respeito do seu começo e fim. Por
isso serve como tipo de Cristo eterno, cujo sacerdócio nunca terminará” (Bíblia
de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1995, pp.1907,08).
II. QUANTO
AO ASPECTO DE SUA NATUREZA
1. Um sacerdócio perfeito. A palavra teleiôsis (perfeição) usada pelo autor em Hebreus
7.11, quer dizer também um "alvo a ser atingido". Nesse contexto ela
é usada para se referir ao relacionamento com Deus. Nem a Lei nem o sistema
sacerdotal do Antigo Testamento puderam resolver o problema da culpa e produzir
o perdão que a santidade de Deus exigia. O autor sacro destaca que o problema
do relacionamento do homem com Deus só pode ser resolvido por um sacrifício
perfeito, algo que o sistema levítico não tinha possibilidade de realizar.
Em Hb 7.11 esse "outro sacerdote", que
seria levantado, é nosso Senhor Jesus Cristo, de quem foi dito: "Jurou
o Senhor e não se arrependerá: Tu és um sacerdote eterno, segundo a ordem de
Melquisedeque" (SI 110.4). Era uma mensagem profética e messiânica,
que apontava para Cristo, através de Davi. Essa "ordem de Melquisedeque"
não era reconhecida pelos judeus, que só aceitavam e reconheciam a "ordem
de Arão" ou "levítica". Em Hebreus, o autor se refere à mensagem
profética de Davi sobre Cristo, dizendo: "Assim, também Cristo não se
glorificou a si mesmo, para se fazer sumo sacerdote, mas glorificou aquele que
lhe disse: Tu és meu Filho, hoje te gerei. Como também diz noutro lugar: Tu és
sacerdote eternamente, segundo a ordem de Melquisedeque" (Hb 5.5,6).
O sacerdócio de Melquisedeque não estava limitado à
raça humana ou à tribo, sendo, portanto, universal. Sua realeza não foi herdada
de seus pais. E essa realeza também não foi transmitida a um descendente; e
assim ela era eterna. Portanto, Melquisedeque é uma tipologia de Cristo e de
seu sacerdócio eterno e universal'" [Dicionário Bíblico
Wycliffe.1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2006, p. 1247]. O Rev. Ronaldo
Éber de Oliveira Brito, (pastor da Igreja Presbiteriana do Jardim Elba (http://www.jardimelba.cjb.net) - São Paulo-SP) escreve no artigo
“Jesus e Melquisedeque”: “A clara alusão do Salmo 110:4 na descrição de
Cristo como nosso Sumo-Sacerdote celestial em Hebreus 6:20 põe a base para o
midraxe que temos em 7:1-10. Nesse texto o autor introduz Gênesis 14:17-20 para
identificar o Melquisedeque do Salmo 110:4 (verso 1 a 3) e para exibir a base
na história para a superioridade do Sumo-sacerdócio de Cristo dobre o
sacerdócio levítico (versos 4 a 10). [...] Ao analisarmos mais de perto esses
três versículos podemos ver que logo no início do capítulo 7 temos a conjunção
"Porque". Essa conjunção põe essa frase em relação com a expressão
com a qual termina Hebreus 6:20, aonde se proclama o sacerdócio eterno de
Jesus. Podemos captar em tudo isso o caminho do pensamento do autor, que é
certamente o seguinte: para comentar os versículos de Gênesis 14:18-20 ele os
relaciona com o oráculo do Salmo 110:4 e descobriu que esses textos se iluminam
mutuamente.” [Leia mais acessando o link: http://www.webservos.com.br/gospel/estudos/estudos_show.asp?id=303.]
2. Um sacerdócio imutável. O capítulo sete ainda destaca que "mudando-se o
sacerdócio, necessariamente se faz também mudança da lei" (Hb 7.12). O
Espírito Santo havia falado por boca de Davi que seria levantado um sumo
sacerdote de outra ordem, a ordem de Melquisedeque (SI 110.4). Se uma nova
ordem se instauraria, consequentemente a antiga passaria. Essa profecia quando
cumprida, necessariamente, tornava obsoleta a lei mosaica e o sacerdócio
levítico, demonstrando dessa forma o seu caráter transitório. Somente o
sacerdócio de Jesus seria imutável e de caráter não transitório.
Como visto no tópico anterior, por ser o sacerdócio
levítico imperfeito (cf. 10.4) e exercido por homens pecadores (vv. 27,28), foi
substituído pelo sacerdote perfeito, o Filho de Deus. Cristo é um sacerdote
perfeito porque é totalmente justo. Precisou morrer uma só vez como sacrifício
pelos nossos pecados. Permanece como nosso sacerdote eterno diante de Deus no
céu, e vive para sempre (vv. 24-28). Por isso, Ele pode salvar completamente e
para sempre todos aqueles que por Ele se chegam a Deus.
“Porque, sendo imperfeitos, o
sacerdócio e a Lei não poderíam continuar para sempre (w. 15-19). O termo
"outro", em Hebreus 7:15, significa "outro de um tipo
diferente". Os sacerdotes levíticos foram ordenados para o sacerdócio pela
autoridade temporária e imperfeita da Lei. JESUS CRISTO foi feito Sacerdote por
uma declaração de DEUS. "Por causa [da] fraqueza e inutilidade" da
Lei (Hb 7:18), ela não poderia continuar para sempre. Mas, uma vez que JESUS
CRISTO é o Filho eterno de DEUS, ele vive "segundo o poder de vida
indissolúvel" (Hb 7:16). Que contraste entre a Lei inútil e a vida
indissolúvel!” [Luiz Henrique.
Disponível em:file:///C:/Users/Familia/Downloads/2T2017_L3_luiz%20atualiz.pdf. Acesso em 12 fev, 2018].
3. Um sacerdócio eterno. Assim, o sacerdócio de Cristo "não foi feito segundo a
lei do mandamento carnal, mas segundo a virtude da vida incorruptível" (Hb
7.16). A expressão "vida incorruptível" é uma referência a
ressurreição de Jesus e seu triunfo sobre a morte, demonstrando assim o caráter
eterno do seu sacerdócio. Cristo não era sacerdote por uma imposição humana ou
mandamento carnal, mas por atribuição divina. Como diz o versículo 17:
"Porque dele assim se testifica: Tu és sacerdote eternamente, segundo a
ordem de Melquisedeque" (Hb 7.17).
Por intermédio de Abraão, toda a nação hebreia
reverenciou Melquisedeque, até mesmo os sacerdotes da tribo de Levi, que sequer
haviam nascido (Hb 7.9). Ora, se o sacerdócio levítico era temporário, o de
Melquisedeque não podia ser interrompido pela morte, pois é eterno. Um
sacerdócio, aliás, que haveria de ser exercido por Cristo (Sl 110.4).
“JESUS, desse, sim, pode-se
testificar: “Tu és sacerdote eternamente”. Em várias passagens das Escrituras
nos é dito que CRISTO seria um sacerdote eterno e não temporário. Isso indica
claramente que a extensão maior de seu sacerdócio era divina, e não humana.
Portanto, na sua morte não houve nenhuma mudança de comportamento em seu sacerdócio,
pois Ele permaneceu o mesmo, não sofrendo nenhuma mudança, a não ser a
glorificação de seu corpo, de mortal para a imortalidade perene.
JESUS continua seu sacerdócio no céu
- continua intercedendo - Quem é que condena? Pois é CRISTO quem morreu, ou antes
quem ressuscitou dentre os mortos, o qual está à direita de DEUS, e também
intercede por nós. Romanos 8:34”.[Luiz Henrique.
Disponível em:file:///C:/Users/Familia/Downloads/2T2017_L3_luiz%20atualiz.pdf. Acesso em 12 fev, 2018].
SUBSÍDIO HISTÓRICO-CULTURAL
“Porque,
mudando-se o sacerdócio, necessariamente se faz também mudança da lei (7.12).
Este é um dos versículos mais significativos desta seção da carta aos Hebreus. Ele
lembra os leitores de que a torah é uma só. A revelação mosaica retrata
um sistema interligado no qual o relacionamento de Deus com Israel é definido,
um sistema de concerto que define as exigências de Deus e que equilibra os
pecados do homem com sacrifícios oferecidos pelos sacerdotes Arônicos.
O
que o autor destaca é que uma mudança no sacerdócio destrói o equilíbrio do
sistema do Antigo Testamento, e claramente implica numa mudança em todos os
demais aspectos também – uma mudança na Lei e uma mudança no sacrifício.
À
medida que saímos do capítulo 7, vemos que o autor desenvolve este mesmo tema:
houve uma mudança dramática na Lei (capítulo 8) e também uma mudança no
sacrifício (capítulos 9−10)” (RICHARDS, Lawrence O. Comentário Histórico-Cultural
do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2004, p.501).
III. QUANTO
AS ASPECTO DE SEUS ATRIBUTOS
1. Um sacerdócio santo. Santidade é um dos atributos de Deus (Is 6.3). Em outro
ponto da carta aos Hebreus, o autor sagrado afirma que sem "a santificação,
[...] ninguém verá o Senhor" (Hb 12.14). Esta era uma das exigências da
lei mosaica: que o sumo sacerdote não apresentasse nenhum defeito, inclusive
físico (Lv 21.16-23). Assim, devido à condição humana, não apenas os sacerdotes
não eram perfeitos, mas todo sistema sacerdotal levítico era imperfeito.
Somente Cristo podia atender as exigências de um sacerdócio inteiramente santo
e perfeito (Hb 7.26).
Os sacerdotes levíticos eram fracos porque pecavam
assim como os homens pelos quais eles faziam intercessão. Jesus, contudo, é
santo, imaculado e separado dos pecadores. Ele não tem que fazer oferenda por
si mesmo, como os sacerdotes levíticos tinham que fazer. De muitas maneiras,
Jesus é verdadeiramente o sumo sacerdote superior! [https://www.estudosdabiblia.net/heb6.htm] Pelo fato de ser
santo, isto é, sem pecado algum, Jesus Cristo fez apenas um sacrifício, uma
única vez por todos os homens por toda a eternidade. A obra de Cristo nunca
precisou nem precisará ser repetida, pois ele é perfeita. (cf. Hb 9.12, 26, 28;
10.1, 10; 1Pe 3.18).
2. Um sacerdócio
inculpável. Vimos que Jesus
cumpriu todas as exigências de uma vida santa requerida para o sumo sacerdote.
Mas além desse atributo, Ele deveria ser também "inocente" (Hb 7.26).
A palavra akakos, traduzida aqui como "inocente", significa também
"sem maldade" e é descrita pelos lexicógrafos como ausência de tudo o
que é ruim e errado. O apóstolo Pedro afirmou sobre Jesus que Este "não
cometeu pecado, nem na sua boca se achou engano" (1 Pe 2.22). Não havia
culpa nem imperfeição no sacerdócio de Cristo Jesus.
Por mais devotos e obedientes que fossem os
sacerdotes arônicos, nem sempre poderiam suprir as necessidades de todo o povo.
Mas JESUS CRISTO supre perfeitamente todas as nossas necessidades. "Um
sumo sacerdote como este" significa que ele é "adequado para
nós e supre nossas necessidades completamente". A ênfase aqui é sobre
seu caráter impecável. Uma vez que ele é perfeito, é capaz de exercer um
ministério perfeito para seu povo. Por causa de seus pecados, alguns sacerdotes
do Antigo Testamento não apenas se mostraram incapazes de servir o povo como
também o prejudicaram. Isso jamais poderia acontecer com JESUS CRISTO e seu
povo. Os sacerdotes do Antigo Testamento eram "separados" para seu
ministério, de modo que, em certo sentido, eram "santos". No entanto,
nem sempre eram santos em seu caráter. Eram pecadores como as pessoas às quais
ministravam. "Inculpável" (Hb 7:26) é o mesmo que "irrepreensível".
Nenhum sacerdote de Israel poderia afirmar ser inculpável. [Luiz
Henrique. Disponível em: file:///C:/Users/Familia/Downloads/2T2017_L3_luiz%20atualiz.pdf. Acesso em 12 fev, 2018].
3. Um sacerdócio
imaculado. O autor sacro usa
o termo amiantos (Hb 7.26), para dizer que Jesus é um sacerdote sem
"mácula". Essa palavra, que também tem o sentido de "sem
manchas", era usada no contexto bíblico para se referir tanto a pureza
ritual como ética. Foi a essa vida santa, no seu sentido ético, e não apenas
ritual, que o autor alude para retratar o Senhor como "separado dos
pecadores". O Filho de Deus assumiu a condição humana e se fez pecado
pelos homens (2 Co 5.21), mas sem pecar. Cristo é o sacerdote imaculado e sem
manchas.
"Sem mácula" pode significar
"incontaminado", uma característica própria somente de JESUS CRISTO.
Quando estava ministrando na Terra, JESUS foi amigo de publicanos e de
pecadores (Mt 9:10; 11:19), mas seu contato com eles não contaminou sua conduta
nem seu caráter. Havia contato sem contaminação. Ele permaneceu separado, mas
não isolado. Hoje, ele é "separado dos pecadores" por causa de sua
posição ("feito mais alto do que os céus"); mas não é separado das
pessoas para as quais ministra. Está sempre a nossa disposição em seu trono da
graça. [Luiz Henrique. Disponível em:file:///C:/Users/Familia/Downloads/2T2017_L3_luiz%20atualiz.pdf.
Acesso em 12 fev, 2018].
SUBSÍDIO TEOLÓGICO
“[7.26-28]
O autor continua a descrever a principal realização de Jesus como Sumo
Sacerdote Perfeito, isto é, seu sacrifício único e suficiente pelo pecado (27):
não necessita ‘oferecer cada dia sacrifícios, primeiramente, por seus próprios
pecados e, depois, pelos do povo’, como fizeram ‘os sumos sacerdotes’. Isto é
verdade por duas razões: (1) porque Ele próprio era sem pecado, e (2) porque
sua inigualável oferta de si mesmo pelo pecado pôs fim a todo o sistema de
sacrifícios levíticos (tanto aos sacrifícios diários como ao Dia da Expiação, a
cada ano). Como Sacerdote espiritualmente e moralmente perfeito (v.26), Jesus
podia oferecer o sacrifício perfeito e definitivo (v.27), e isto Ele fez. Quando
a Bíblia nos diz que seu sacrifício pelos pecados foi feito ‘uma vez por todas’
ou ‘uma vez’ (ephapax), significa que Ele foi tanto completo quanto
permanentemente válido, sem necessidade de repetição. O caráter decisivo da obra
de Cristo é uma legitimidade de Hebreus [...]” (ARRINGTON, French L.; STRONSTAD,
Roger (Ed.). Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento. Rio de
Janeiro: CPAD, 2004, p.1583).
CONCLUSÃO
A Carta aos Hebreus é o único texto do Novo
Testamento que apresenta uma doutrina sistematizada do sacerdócio de Cristo. A
carta mostra aos leitores que Jesus é o Sumo Sacerdote-Rei predito nas
Escrituras e que, como tal, superior ao sistema levítico. Melquisedeque, rei de
Salem, a quem Abraão entregou o dízimo, tornou-se um tipo desse sacerdócio
eterno. E não só isso, mas todo o sistema levítico tornara-se obsoleto visto
que a nova ordem sacerdotal havia suplantado a antiga.
O autor tem em vista aqui a possibilidade de
abandono de Cristo e um retorno ao judaísmo, assim, ele discorre sobre a
superioridade Cristo. Nesta lição, vimos que o autor da carta agora reverte ao
argumento deixado no capítulo 5, versículo 10, no qual se referia a Cristo como
Sumo Sacerdote de um serviço divino, de ordem mais elevada do que aquela
estabelecida sob a lei mosaica. Jesus Cristo ofereceu apenas um sacrifício por
nossos pecados. É desse Sumo Sacerdote que precisamos! Estamos sujeitos a pecar
diariamente, até várias vezes por dia; precisamos, portanto, ter a
possibilidade de nos voltar para ele em busca de socorro espiritual. Como nosso
Sumo Sacerdote, Jesus Cristo nos dá a graça e misericórdia de que precisamos
para não pecar. Mas, se pecarmos, ele é nosso Advogado junto ao trono de Deus
(1Jo 2.1,2). Quando confessamos nossos pecados, ele nos perdoa e nos restaura
(1 Jo 1:9). A aplicação é óbvia: por que dar as costas a um Sumo Sacerdote tão
adequado? O que mais poderíamos encontrar em qualquer outra pessoa? Os homens
que serviram sob a Lei de Moisés tinham fraquezas humanas e falhavam com
freqüência. Nosso Sumo Sacerdote celestial é "perfeito para sempre"
(Hb 7:28) e não tem qualquer mácula nem defeito. Tal Sumo Sacerdote é
"perfeito para nós"!
“...Ele é poderoso para salvar definitivamente
aqueles que, por intermédio dele achegam-se a Deus, pois vive sempre para
interceder por eles” (Hebreus 7.25).
Francisco Barbosa
Disponível no blog: auxilioebd.blogspot.com.br
Bom dia.A paz do Senhor Jesus. Irmão Você sabe quem pode me vender esse livro mencionado no vídeo?
ResponderExcluirPorque ao estudar essa lição eu lembrei que alguns teólogos falam que melquisedeque é Cristo encarnado, porém temos essa impressão ao olharmos para sua tipologia, mas pelo que vi na lição não é por essa linha de pensamento que devemos ir. E o livro nos aprofunda um pouco mais.
Sim, meu amado, no momento não tenho mais. Mas podemos conseguir.
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