sábado, 13 de fevereiro de 2021

LIÇÃO 7: CULTUANDO A DEUS COM LIBERDADE E REVERÊNCIA

 

COMENTÁRIO E SUBSÍDIO I

INTRODUÇÃO

O Novo Testamento não apresenta um manual de liturgia e nem estabelece regras de cultos. Mas, temos pelo menos uma comunidade cristã do período apostólico que pode dar indicações sobre como devemos organizar o culto: a igreja de Corinto, descrita no capítulo 14 de 1 Coríntios. Com base nesse exemplo, vamos estudar como deve ser nosso culto e os elementos para que ele seja aceitável a Deus. – Atualmente há religião para todos os gostos, sempre foi assim, mas ultimamente têm aparecido criatividades exóticas que chamam atenção até mesmo de público não cristão. Há comunidades religiosas que visam a atender os mais diversos anseios das pessoas e cujas liturgias são adaptadas para vários segmentos da sociedade. São movimentos que não têm compromisso com convenções, não têm tradição e nem história, e seus líderes são praticamente donos dessas instituições e por isso suas mensagens, músicas e forma de adoração são preparadas para agradar o cliente. Alguns desses excessos, às vezes, respingam em nosso meio, daí a necessidade de estudar o assunto. A reverência na casa de Deus não é sinônimo de formalismo, e os nossos cultos combinam os aspectos espontâneos e reverentes.

I. O CULTO PENTECOSTAL: liberdade e reverência

O cristianismo não tem o objetivo de padronizar o mundo e nem destruir as culturas; sua mensagem, porém, é universal. No dia do triunfo de Cristo e da Igreja, cada povo ou etnia se apresentará louvando a Deus na sua própria tradição. Isso se reflete na forma de adoração desenvolvida ao longo dos séculos.

1. A flexibilização cristã. A religião cristã é flexível quanto à forma de adoração e permite várias liturgias. Todos os ramos do cristianismo, incluindo os cristãos nominais, têm sua forma distintiva de culto, desde o cerimonialismo ornamental das igrejas Católica Romana, Ortodoxas e algumas Protestantes, ao modelo simples dos evangélicos, principalmente os pentecostais. Não se deve associar o rigor da liturgia do culto judaico com os vários sistemas de cultos cristãos, nem engessar o ritual cristão em nossos templos, mas essa flexibilidade tem limites, e por isso deve haver respeito pela estrutura já existente (1 Co 14.40)

2. O culto. O termo “culto” é sinônimo de adoração. O nosso enfoque é no sentido de adoração. Essa palavra é uma tradução do grego latreia, “serviço, adoração”, do verbo latreuo, “servir, prestar culto, adorar” (Mt 4.10). A Septuaginta emprega latreia para traduzir o hebraico avodá, “serviço, culto” (Êx 25.25,26; 13.5). Essa palavra aparece com esse sentido três vezes no Novo Testamento (Rm 9.4; 12.1; Hb 9.1). O que queremos dizer com a expressão “culto pentecostal” é a nossa liturgia, isto é, a forma como adoramos a Deus.

3. A reverência no culto. A adoração a Deus é o momento mais sublime na vida humana, significa essencialmente o reconhecimento, a celebração e a exaltação da majestade divina. Por isso deve ser oferecida com reverência: “faça-se tudo decentemente e com ordem” (1 Co 14.40). O apóstolo está se referindo ao culto de adoração. O culto é o diálogo de Deus com o seu povo, é um momento de reverência. Havia acima do púlpito do templo sede da Igreja AD de Jundiaí o versículo “Guarda o teu pé, quando entrares na Casa de Deus” (Ec 5.1). Alguém duvidaria que, se o rei Salomão vivesse em nossos dias, a mensagem seria: “desliga o teu celular quando entrares na Casa de Deus”? A adoração é momento de conexão com o céu e não com a Internet.

Quando Jesus respondeu aos questionamentos da mulher samaritana sobre o lugar em que se deve adorar a Deus, ele deixou claro a adoração verdadeira, ou seja, “em espírito e em verdade” (Jo 4.24). Ele estava se referindo a como e não onde adorar. Era uma questão de reverência, respeito, temor, que se deve por ocasião do culto e não tinha a ver com o lugar da adoração. Havia diversas sinagogas espalhadas em Israel, e Jesus participava da adoração a Deus nelas sem restrição alguma, assim como fazia o mesmo no templo de Jerusalém (Mt 4.23; 9.35; Lc 4.15-28; Jo 6.59; 18.20). – Não temos informações sobre a liturgia das igrejas nos tempos apostólicos, e nem o Novo Testamento estabelece modelo ou qualquer forma litúrgica de adoração, e isso parece não ter sido a preocupação do Espírito Santo. Sabemos como era o ritual da sinagoga, pois alguns detalhes estão no Novo Testamento, como a presença de Jesus na sinagoga de Nazaré, Lucas 4; e, do apóstolo Paulo na sinagoga de Antioquia da Pisídia, Atos 13. Além disso, todo o ritual da sinagoga foi preservado até nos detalhes ao longo dos séculos pelos judeus. Temos em 1 Coríntios 14 uma amostragem incompleta de culto, onde se revelam alguns lampejos do culto. A Didache¯ é um breve documento do segundo século de autoria desconhecida que mostra um pouco da vida da comunidade cristã e fala em poucas palavras sobre a oração, o jejum, o batismo, a Ceia do Senhor, mas não descreve a liturgia. Justino, o Mártir, que viveu neste mesmo período, nos mostra como era a adoração cristã no segundo século, mas não descreve a liturgia local e da época. Ele relata que os cristãos se reuniam aos domingos e o culto público consistia na leitura bíblica, oração, pregação e louvor, diz: “aí se leem. as memórias dos apóstolos ou os escritos dos profetas. Quando o leitor termina, o presidente faz uma exortação e convite para imitarmos esses belos exemplos. Em seguida, levantamo-nos todos juntos e elevamos nossas preces” (Apologia I 67.35). Depois disso, acrescenta, era celebrada a Ceia do Senhor e distribuída ajuda aos irmãos necessitados. Essa informação, além de não acrescentar muito, parece ser uma prática local. – Outra fonte de informações litúrgicas da antiguidade é a obra da peregrina Etéria. Em um relato de sua peregrinação às terras bíblicas por volta do ano 380, ela descreve com abundância de detalhes os rituais da igreja de Jerusalém, na Basílica do Santo Sepulcro, naquela geração. Estamos falando da época de Cirilo de Jerusalém e de sua jurisdição eclesiástica. Apesar de não se conhecer como eram realizados os cultos e as reuniões das igrejas nos primeiros séculos, o relato de Etéria nos surpreende pelos detalhes e pela estrutura litúrgica. Ela conta como funcionam os serviços, que são diários, pelo menos durante a quaresma e a Páscoa, incluindo jejuns, batismo, celebração da Ceia do Senhor. – Liturgia é a adoração pública. O termo vem do grego leitourgia, usado para descrever um ato de serviço público. A Septuaginta emprega essa palavra com referência às atividades sagradas dos sacerdotes levitas, geralmente traduzida por “ministério, serviço” (Nm 8.22, 25; 18.4). No Novo Testamento, ela aparece com o mesmo sentido (Lc 1.23; Hb 9.21), e o verbo leitourgeo¯ é usado para identificar o culto cristão (At 13.2). O termo leitourgia se aplica, também, às obras sociais no Novo Testamento (2 Co 9.12). – O termo “culto” é sinônimo de adoração. Há pelo menos cinco palavras gregas no Novo Testamento pertencentes ao mesmo campo semântico. A principal delas é o verbo proskynéo¯ , “adorar, prestar homenagem”, que aparece 60 vezes no Novo Testamento; em seguida, vem o verbo latréuo¯ , “servir, prestar culto, adorar” (Mt 4.10), ele parece 21 vezes, de onde vem o termo latréia, “serviço, adoração” (Jo 16.2; Rm 9.4; 12.1; Hb 9.1, 6). A Septuaginta emprega latréia para traduzir o hebraico ‘avodá, “serviço, culto” (Êx 12.25,26; 13.5). Outra palavra é o verbo sebomai, cujo significado é mais amplo, está dentro do mesmo campo semântico “adorar” (Mt 15.9; Mc 7.7), mas traz também a ideia de ser piedoso, religioso (At 13.43, 50; 17.4, 17), temente a Deus, servir a Deus e outros termos similares. Aparece dez vezes. O verbo eusebéo¯ só aparece duas vezes e significa “ter ou mostrar profundo respeito, piedade” (At 17.23; 1 Tm 5.4). E, finalmente, sebázomai, “adorar”, uma só vez (Rm 1.25). – Das 60 vezes que o verbo proskyneo aparece, apenas duas vezes parece indicar reverência, homenagem ou deferência (Mt l8.26; Ap 3.9). Nas demais passagens se refere à adoração, que pode ser adoração verdadeira (Jo 4.20-24; Hb 1.6) e também à adoração falsa (At 7.43; Ap 9.20). A Septuaginta emprega proskyneo para traduzir o verbo hebraico hishtah. avá, da raiz h. avah, “prostrar-se, inclinar-se, adorar”, no Antigo Testamento. Esse verbo também é usado em referência ao antigo hábito oriental de se prostrar diante de uma pessoa, com reverência, no caso de Natã e Batseba, diante do rei Davi (1 Reis 1. 16,23). Essa prática não estava mais em uso no período do Novo Testamento (talvez para não se confundir com a adoração). Cornélio se prostrou diante de Pedro, que foi corrigido de imediato. Pedro o alertou de que era homem, pois tal prática é reservada somente a Deus (At l0.25); a mesma coisa aconteceu quando o apóstolo João se prostrou diante do anjo (Ap 22.9). À luz da Bíblia, podemos definir adoração como serviço sagrado, culto ou reverência a Deus por suas obras (Sl 92.1-5) e pelo o que ele é (Sl 100.1-4). Não há diferença entre “servir” e “adorar” e nem de “prostrar-se” e “adorar”.

SUBSÍDIO DIDÁTICO-PEDAGÓGICO

Procure relacionar Liberdade e Reverência no culto, conscientizando os alunos acerca da importância de participarem do culto ao Senhor sob o Espírito de Deus e com reverência.

É verdade que em muitos lugares encontramos certa falta de reverência nos cultos. Isso de fato é um problema. Mas é possível amenizá-lo, e até solucioná-lo, com uma boa conversa, ensino e conscientização. Não há melhor lugar para isso do que em uma classe da Escola Dominical. Você é um instrumento que Deus colocou ali para fazer exatamente isso.

Ore para que Ele te dê estratégias para tratar sobre esse assunto com amor e cuidado. Aproveite o término da exposição desse tópico para uma conversa mais informal a fim de conscientizar a classe sobre a importância de um culto reverente e na liberdade do Espírito.

  II. O CENTRO DO CULTO PENTECOSTAL

Igreja é toda congregação ou assembleia que se reúne em torno do nome de Jesus Cristo como Senhor e Salvador, professando fé nEle publicamente e de forma diversificada.

1. O centro da nossa adoração. Alguns opositores da obra pentecostal costumam nos acusar de em nossos cultos darmos ênfase ao Espírito Santo acima de Jesus. É uma maneira sutil de nos chamar de montanistas. Trata-se de uma interpretação equivocada a nosso respeito. O Senhor Jesus é o centro da nossa adoração e da mensagem pregada pelas Assembleias de Deus. Os crentes se reúnem em nome de Jesus para adoração ao Deus trino. A Declaração de Fé das Assembleias de Deus diz que “reunimo-nos como corpo de Cristo para adoração pública ao Deus Trino”. Esse é o padrão ensinado nas Escrituras: “Porque nós é que somos a circuncisão, nós que adoramos a Deus no Espírito, e nos gloriamos em Cristo Jesus, e não confiamos na carne” (Fp 3.3 – Nova Almeida Atualizada).

2. Um culto vibrante no poder do Espírito. O assunto de 1 Coríntios 14 é a adoração. A expressão paulina “quando vos ajuntais” (v.26) se refere aos cultos. A exortação paulina à comunidade cristã de Corinto nos ensina muita coisa sobre o culto, entre elas que o culto não era entediante e nem consistia num pregador falando para um rebanho atento e silencioso, pois havia uma interação dinâmica de compartilhar e receber. Os crentes não eram espectadores, mas participantes do culto. Nada há na instrução paulina (vv.26-32) que indique ser essa manifestação dos dons restrita à liderança. O contexto sugere a participação dos crentes em geral.

3. Característica pentecostal. Os primitivos cultos eram espontâneos e diferentes das reuniões das sinagogas, embora muitas características viessem delas (Tg 2.2). A liturgia dos cultos constava de oração e cântico (1 Co 14.15); o louvor parte da adoração a Deus desde os tempos antes dos séculos até a consumação dos séculos (Jó 38.7; Ap 7.9). A leitura e exposição das Escrituras Sagradas aparecem como elementos do culto cristão em outra fonte paulina: “Persiste em ler, exortar e ensinar” (1 Tm 4.13). Esta instrução é uma referência à leitura pública. As ofertas são partes da adoração bíblica desde os tempos do Antigo Testamento (Dt 26.10; 1 Co 16.1,2; 2 Co 9.7). O objetivo delas é levar avante a obra de Deus enquanto a igreja estiver na terra.

O cristianismo não tem o objetivo de padronizar o mundo e nem destruir as culturas, sua mensagem, porém, é universal. No dia do triunfo de Cristo e da igreja, cada povo ou etnia se apresentará louvando a Deus na sua própria tradição. O cântico dos salvos em Apocalipse 5 mostra pessoas de todas as tribos, línguas e povos da terra, cada um na sua cultura, na sua forma de adoração ao Deus verdadeiro. Isso se reflete na forma de adoração desenvolvida ao longo dos séculos. A religião cristã é flexível quanto à forma de adoração e permite várias liturgias. Todos os ramos do cristianismo, incluindo os cristãos nominais, têm sua forma distintiva de culto, desde o cerimonialismo ornamental das igrejas Católica Romana, Ortodoxas e algumas Protestantes ao modelo simples dos evangélicos, principalmente os pentecostais. Não se deve associar o rigor da liturgia do culto judaico com os vários sistemas de cultos cristãos, nem engessar o ritual cristão em nossos templos, mas essa flexibilidade tem limites por isso deve haver respeito pela estrutura já existente (1 Co 14.40).

O Senhor Jesus Cristo é o centro da nossa adoração. Há sempre entre aqueles críticos que costumam desafiar os pentecostais, que ousam nos acusar da ênfase do Espírito Santo acima de Jesus em nossos cultos. O Pr. George Wood, então presidente da Convenção Americana das Assembleias de Deus, numa entrevista à revista Christianity Today, edição de 29 de junho de 2015, na resposta explicou e esclareceu a posição de Jesus em reuniões assembleianas nos Estados Unidos. A nossa fé no Deus trino e uno é conforme declara o Credo de Atanásio, como a deles também, suponho.

A igreja, no sentido completo da palavra, é toda congregação ou assembleia que se reúne em torno do nome de Jesus Cristo como Senhor e Salvador, professando sua fé nele publicamente e de forma diversificada, aberta a todas as pessoas. Sendo a realização de batismo e as celebrações da Ceia do Senhor nas reuniões específicas. Temos essa promessa diretamente Dele: “Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles” (Mt 18.20); “E eis que estou com vocês todos os dias até o fim dos tempos” (Mt 28.20). Ele está presente na igreja por meio do Espírito Santo.

O que nos distingue das igrejas não pentecostais é a forma de condução do culto e não os pontos principais da fé cristã, que são os mesmos. Eles têm a salvação em Cristo, como nós temos, mas muito deles não têm essas promessas pentecostais porque não acreditam nelas como nós cremos. Não somos diferentes dos primitivos cristãos e podemos ver no Novo Testamento alguns lampejos do que acontece em nossas reuniões. Os cultos nos tempos apostólicos eram espontâneos, não há indicação no Novo Testamento de protocolo ou ordem litúrgica inflexível. Esse modelo se mantém entre nós atualmente como característica dos cultos pentecostais.

As Escrituras nos ensinam que a vida cristã reflete o caráter de Cristo em nossa vida. Este estilo de vida é pautado pela prudência, sabedoria, sensatez, entendimento das coisas do Espírito, alegria e ações de graças. Todos nós temos consciência da nossa responsabilidade sobre a missão da igreja: testemunhar (martyria) do evangelho. Fazemos isso por meio da kerygma, “proclamação” e convite; koinonia, “comunhão”, na comunidade; diakonia, “serviço”; leitourgia, sistema de adoração pública e didaskalia, “ensino”, formação e discipulado. O fervor espiritual do crente vai além das reuniões de adoração, na casa de Deus, é um estilo de vida contínuo como parte essencial da vida doméstica diária.

São basicamente cinco os elementos do culto. Fazia parte da liturgia judaica nas sinagogas do primeiro século d.C. a oração antífona do Shema (Dt 6.4), leitura bíblica e exortação (Lc 4.17-20; At 13.15). Os apóstolos se aproximaram do modelo judaico, havia nessas primeiras reuniões oração: “onde muitas pessoas estavam congregadas e oravam” (At 12.12); cânticos e louvores: “vou cantar com o espírito, mas também vou cantar com a mente” (1 Co 14.15), isso acontecia também na adoração coletiva (1 Co 14.26); leitura e exposição das Escrituras Sagradas: “No primeiro dia da semana, nós nos reunimos a fim de partir o pão. Paulo, que pretendia viajar no dia seguinte, falava aos irmãos e prolongou a mensagem até a meia-noite” (At 20.7); “Até a minha chegada, dedique-se à leitura pública das Escrituras, à exortação, ao ensino” (1 Tm 4.13). A contribuição financeira, dízimos e ofertas, são elementos do culto e partes da adoração a Deus, essa prática vem desde o Antigo Testamento (Dt 26.10) e se continua no cristianismo (1 Co 16.1, 2; 2 Co 9.7). A administração desses elementos no culto acontece com a manifestação do Espírito Santo (1 Co 14.26; Ef 5.18-20) e não de forma mecânica ou formalística.

SUBSÍDIO DOUTRINÁRIO

A adoração individual. Nós adoramos a Deus como crentes individualmente e em todo o tempo: ‘a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem’ (Jo 4.23). Ensinamos que a verdadeira adoração é aquela que nasce no coração e é expressa com obediência à vontade de Deus, sendo percebida pelo testemunho individual que glorifica ao Senhor da Igreja. Negamos que a adoração e a espiritualidade de alguém possam ser medidas, percebidas ou avaliadas exclusivamente pelo exercício dos dons espirituais. Ensinamos que a adoração é uma atividade espiritual e precisa ser efetuada pelo poder e fruto do Espírito Santo na formação do caráter cristão na vida do adorador. Rejeitamos a hipocrisia e toda a aparência de piedade na vida do adorador. Na adoração individual, buscamos a santificação pessoal, servindo a Deus de modo agradável com reverência e santo temor” (Declaração de Fé das Assembleias de Deus. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2017, pp.144-45).

III. COMO SE EXPRESSA A LITURGIA DE NOSSAS IGREJAS?

As reuniões de adoração em nossas igrejas são diversificadas. Temos cultos públicos, chamados por muitos como “culto da família”, de oração, de ensino ou doutrina, escola bíblica dominical, círculo de oração, além de atividade com crianças, adolescentes e jovens.

1. Nossas reuniões de adoração. A nossa liturgia é simples e permite que quaisquer irmãos e irmãs adorem a Deus com liberdade. A nenhum deles é negado o púlpito, todos têm a oportunidade de falar à igreja o que Jesus fez na sua vida; são os testemunhos sobre salvação, cura, libertação e outras bênçãos. A maioria baseia a sua fé nos relatos bíblicos, e são os milagres registrados na Bíblia que inspiram e levam os irmãos a receberem a bênção (Mc 16.15-20). Foi dessa maneira que crescemos e nos tornamos a maior denominação evangélica do país. O Deus que nos trouxe até aqui, Ele mesmo nos conduzirá pelo seu Espírito até a vinda de Jesus. Essa adoração a Deus é em “espírito e em verdade” (Jo 4.24).

2. Culto pentecostal. Nossas reuniões coletivas de adoração apresentam as mesmas características dos cultos em Corinto. As manifestações nos cultos que o apóstolo menciona em 1 Coríntios 14 são reais entre nós: “Quando vos ajuntais, cada um de vós tem salmo, tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação” (v.26).

Nossos irmãos e irmãs entendem essa linguagem com facilidade, pois vivemos essas mesmas experiências. São expressões espontâneas no Espírito Santo. Veja que nos vv.27-32 o apóstolo está tratando de culto pentecostal e se refere aos dons de línguas, interpretação e profecias no culto. É muito comum o visitante sentir a presença de Deus em nossos cultos (1 Co 14.22-25).

Já sabemos que o Novo Testamento não estabelece regras litúrgicas e que há diversas formas cristãs de se adorar Deus. A adoração para ser aceita por Deus não depende de formas litúrgicas ou rituais, mas da disposição do adorador. A nossa liturgia é simples e permite que quaisquer irmãos e irmãs adorem a Deus com liberdade. Os nossos cultos são dinâmicos e espontâneos, em nome de Jesus, com espontaneidade e reverência. Nós não somos expectadores dos cultos, como num teatro ou cinema, antes participamos deles com cânticos congregacionais, corais, conjuntos e grupos de louvores dando glória a Deus e aleluia.

As reuniões de adoração das Assembleias de Deus no Brasil são diversificadas. Temos cultos públicos, chamados por muitos como “culto da família”, de oração, de ensino ou doutrina, escola bíblica dominical, círculo de oração, além de atividade com crianças, adolescentes e jovens. A nenhum dos crentes é vedado o púlpito, todos, irmãos e irmãs, têm a oportunidade para falar à igreja o que Jesus fez na sua vida, são os testemunhos sobre salvação, cura, libertação e outras bênçãos. A maioria costuma basear a sua fé nos relatos bíblicos, são os milagres registrados na Bíblia que inspiram e levam os irmãos a receberem a bênção (Mc 16.15-20). Por meio desses testemunhos muitos fortalecem a fé e outros vêm a Cristo. É o que tem acontecido com certa frequência. Foi dessa maneira que crescemos e nos tornamos a maior denominação evangélica do país. O Deus que nos trouxe até aqui ele mesmo nos conduzirá pelo seu Espírito até a vinda de Jesus. Essa adoração a Deus é em “espírito e em verdade” (Jo 4.24).

SUBSÍDIO DOUTRINÁRIO

“Reunimo-nos como corpo de Cristo para a adoração pública ao Deus Trino. Jesus prometeu: ‘onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles’ (Mt 18.20). A adoração pública é a atividade de glorificar a Deus em coletividade e serve também para comunhão, despertamento, exortação e edificação da Igreja. Essa adoração pública é realizada com ordem e decência para que os descrentes reconheçam a presença de Deus no culto e para que somente Deus seja adorado no culto da Igreja. Nenhuma prerrogativa é dada a anjos e a seres humanos, pois Deus não divide sua glória com ninguém: ‘E a minha glória não a darei a outrem’ (Is 48.11). Portanto, confessamos que, na adoração pública, a oração, os cânticos, o ofertório, a pregação e o exercício dos dons espirituais na igreja servem ‘para que em tudo Deus seja glorificado por Jesus Cristo, a quem pertence à glória e poder para todo o sempre. Amém!’ (1 Pe 4.11). Entendemos que a adoração pública é um encontro com Deus para um diálogo: nós conversamos com Ele por meio de nossas orações, cânticos e ofertas, e Deus fala conosco por meio de sua Palavra (pregação e ensino) e das manifestações espirituais” (Declaração de Fé das Assembleias de Deus. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2017, p.144).

CONCLUSÃO

O que precisamos saber é que o Novo Testamento não estabelece forma litúrgica de adoração, porque parece não ter sido essa a preocupação do Espírito Santo. Que os nossos cultos sejam dinâmicos e espontâneos, em nome de Jesus, com espontaneidade e reverência. Nós não somos expectadores dos cultos, como num teatro ou cinema; antes participamos deles com cânticos congregacionais, corais, conjuntos e grupos de louvores dando glória a Deus e aleluia. – A igreja é a mesma e serve ao mesmo Deus desde o Pentecostes. Isso significa que a nossa adoração e a manifestação dos dons permanecem como na antiguidade. Às vezes, surgem meninices, como acontecia em Corinto (1 Co 14.20), mas isso não impede a manifestação dos dons espirituais. – Essa forma dinâmica, espontânea de adoração, somada à nossa prática de ler a Bíblia permite que as verdades contidas nela tornem-se reais em nossas vidas, Deus se torna intensamente real. Daí a importância das experiências pessoais; o uso consciente da música e a aproximação de um Deus pessoal. Isso são consequências da herança basilar, o batismo no Espírito Santo com a evidência no “falar em outras línguas” (1 Co 14.2) e os dons do Espírito Santo (1 Co 12.4-6).

REFERÊNCIAS

LIÇÕES BÍBLICAS. 1º Trimestre 2020 - Lição 7. Rio de Janeiro: CPAD, 14, fev. 2021.

SOARES, Esequias. O verdadeiro pentecostalismo: a atualidade da doutrina bíblica sobre a atuação do Espírito Santo. Rio de Janeiro: CPAD, 2020.

STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1997.

sábado, 6 de fevereiro de 2021

LIÇÃO 6: SANTIFICAÇÃO: comprometidos com a ética do Espírito

 

COMENTÁRIO E SUBSÍDIO I

INTRODUÇÃO

Deus é absolutamente santo; Sua santidade é infinita e inigualável; Ele é santo em si mesmo, em sua essência e natureza (Ap 15.4). Sua vontade é que os crentes reflitam esse caráter de santificação no seu modo de vida. Vamos estudar, então, o que é ser santo e a necessidade de se ter uma vida santa. – A santificação é uma doutrina importante para a vida cristã porque ela surge a partir da revelação de um Deus que é santo em si mesmo, em essência e natureza, em grau infinito. Sendo Deus santo, exige santidade de todos nós. É dever nosso conhecer o verdadeiro significado da palavra “santificação” e seus cognatos como, “santidade, ser santo, santificado”. O que significa todo esse conjunto de palavras? São termos de uso comum entre nós, mas há ainda muitos que confundem santificação com legalismo e práticas exteriores; outros esperam ser santificados por meios de recursos próprios, esquecendo que se trata de uma obra da livre graça de Deus.

I. A SANTIFICAÇÃO NO ANTIGO TESTAMENTO

A santidade de Deus se originou nEle mesmo; ela é a plenitude gloriosa de sua excelência moral. Essa verdade é revelada desde o Antigo Testamento. Deus exige santidade de seu povo porque Ele é santo. Os antigos hebreus levavam a santidade a sério.

1. A santificação. A ideia predominante de santificação ou santidade no Antigo Testamento é de separação tanto de pessoas como de lugares e coisas para o serviço sagrado. Separar daquilo que é comum ou imundo: “para fazer diferença entre o santo e o profano e entre o imundo e o limpo” (Lv 10.10). O profano é alguém que se mostra indiferente no que diz respeito ao sagrado (Ez 22.26). O verbo hebraico qadash, “ser santo, ser santificado, santificar, ser posto à parte”, é o mais usado no Antigo Testamento, aparece 830 vezes, incluindo os seus derivados, e cuja ideia central é separar do uso comum para o serviço de Deus, consagrar (1 Sm 7.1).

2. A consagração. O termo “consagrar” significa investidura de funções sagradas, em outras palavras, é dedicar-se ao serviço de Deus, e isso pode ser pessoas, coisas ou possessões (Lv 27.28,29). Consagração e santificação são termos distintos, mas podem significar a mesma coisa dependendo do contexto: “que façam vestes a Arão para santificá-lo” (Êx 28.3) ou: “que façam vestes para Arão para consagrá-lo” (Nova Almeida Atualizada). O verbo hebraico para “consagrar” é o mesmo para “santificar, ser santo”. Trata-se de uma exigência justa e necessária para os sacerdotes levitas (Êx 30.30) e para o tabernáculo com todos os seus utensílios, pois se baseiam na santidade de um Deus santo: “Santo, Santo, Santo é o SENHOR dos Exércitos” (Is 6.3).

3. A purificação. O termo tahor, “puro, limpo”, derivado do verbo taher, “ser limpo, puro”, e qadosh, “santo”, do verbo qadash, pertencem ao mesmo campo semântico. Ambos se aplicam à santidade de Deus (Is 6.3; Hc 1.13) como também às pessoas que se aproximam dEle e se purificam de toda sorte de pecado e idolatria (Sl 51.10; Ez 36.25). O termo grego equivalente a taher na Septuaginta é katharizo, “tornar limpo, limpar, purificar” e a qadash é hagiazo, “santificar, consagrar”. O adjetivo hagíos, “santo”, traduz 20 palavras hebraicas do Antigo Testamento como qadash, qadosh, qodesh, entre outras. São termos frequentes e importantes no Novo Testamento.

A santificação no Antigo Testamento foi a vontade manifesta de Deus para os israelitas; eles tinham o dever de levar uma vida santificada, separada da maneira de viver dos povos à sua volta (ver Êx 19.6 nota; Lv 11.44 nota; 19.2 nota; 2Cr 29.5). De igual modo a santificação é um requisito para todo crente em Cristo. As Escrituras declaram que sem santificação ninguém verá o Senhor (Hb 12.14). – Os filhos de Deus são santificados mediante a fé (At 26.18), pela união com Cristo na sua morte e ressurreição (Jo 15.4-10; Rm 6.1-11; 1 Co 130), pelo sangue de Cristo (1Jo 1.7-9), pela Palavra (Jo 17.17) e pelo poder regenerador e santificador. – Há pelo menos seis palavras derivadas da raiz do verbo hebraico qa¯dash, “santificar, ser santo, ser santificado, consagrar, ser consagrado, dedicar, preparar”. 89 A ideia central dessa palavra é “separar do uso comum”, mas, segundo o Dicionário Vine, o termo “no babilônico antigo, qada¯ su quer dizer ‘brilhar’”. 90 Essa é uma sugestão de alguns pesquisadores com base na combinação de yqd, “queimar”, e de ’¯esh, “fogo”, que formam qa¯ dash. O que de fato acontece é que o verbo cognato acádico, língua da antiga Mesopotâmia, falada na Babilônia no período dos patriarcas, seria uma provável combinação de “queimar no fogo”, como referência à oferta queimada, ou “brilho, brilhante”. Parece haver resquícios disso no Antigo Testamento “terrível em feitos gloriosos” (Êx 15.11). A Septuaginta emprega uma só vez a palavra grega doxa, “glória, brilho, esplendor”, para traduzir o termo hebraico qo¯ desh: “dignidade de sua glória” (Jr 23.9 LXX). A santificação é o ato, o estado e o processo de se tornar santo realizado na vida do salvo pela ação do Espírito Santo. O termo “santificação” e seus derivados trazem a ideia de “separado do uso comum, tratado com cuidado especial, consagrado”. Os termos “santificação, santidade” representam qualidades morais e espirituais que comunicam ideia de posição ou relação existente entre Deus e a pessoa ou coisa consagrada a ele. Os termos qa¯ do¯ sh, “santo”, do verbo qa¯ dash, e taho¯ r, “puro, limpo”, derivado do verbo taher, “ser limpo, puro”, pertencem ao mesmo campo semântico: “para que vocês façam diferença entre o santo e o profano e entre o impuro e o puro” (Lv 10.10). Há nesse paralelismo um par de antônimos, qo¯ desh/h.¯ol, “santo/profano”, e tame’/taho¯r, “impuro, imundo/puro, limpo”, que mostra o significado de “santo”. O profano é alguém que se mostra indiferente no que diz respeito ao sagrado (Ez 22.26; 44.23). Os objetos, as pessoas e os lugares consagrados a Deus eram santos como os instrumentos e os utensílios do tabernáculo, ou do templo, posteriormente, as ofertas e os sacrifícios no altar, o sangue de animais para o sacrifício e também os sacerdotes no tabernáculo. Deus é a fonte da santidade: “Ninguém é santo como o SENHOR” (1 Sm 2.2).

O uso mais comum do termo taher e seus derivados é nos rituais de purificação, principalmente no ministério dos sacerdotes, mas, às vezes, aparece como sinônimo de perdão divino e santificação (Sl 51.7, 10). Raramente o termo se aplica a Deus (Sl 51.4; Hc 1.13). Deus é quem purifica os pecadores e há diversas promessas nesse sentido no profeta Ezequiel (Ez 36.25, 33). O termo grego equivalente a taher na Septuaginta é katharizo¯, “tornar limpo, limpar, purificar”, e para qa¯dash é hagiazo¯, “santificar, consagrar”. O adjetivo hagíos, “santo”, traduz 20 palavras hebraicas do Antigo Testamento como qa¯ dash, qa¯ do¯ sh, qo¯ desh, entre outras. São termos frequentes e importantes no Novo Testamento.

Consagração e santificação são termos distintos, mas podem significar a mesma coisa dependendo do contexto: “que façam vestes para Arão para consagrá-lo” (Êx 28.3). O verbo hebraico para “consagrar” é o mesmo para “santificar, ser santo”. A consagração tem vínculo com a santificação. O termo “consagrar”, significa investir de funções sagradas, em outras palavras, é dedicar-se ao serviço de Deus, isso pode ser pessoas, coisas ou possessões (Lv 27.28, 29; Ez 44.29). Trata-se de uma exigência justa e necessária para os sacerdotes levitas (Êx 30.30) e para com todos os seus utensílios, pois se baseiam na santidade de um Deus santo: “Santo, Santo, Santo é o SENHOR dos Exércitos” (Is 6.3). A santificação distingue a lei de Moisés dos demais códigos de lei da antiguidade: “O sistema mosaico é o código de lei que se destaca diante dos códigos da antiguidade por diversas razões. Entre elas, estão a fonte de autoridade, o próprio Deus; Moisés é o mediador, pois os demais códigos da época eram ditados pelos reis; e, finalmente, a lei de Moisés é o único código que exige santidade do povo”.

A lei e os profetas deram especial atenção ao assunto. A santidade de Deus é singular por causa de sua majestade infinita, também em virtude de tratar-se de um Ser totalmente distinto e separado, em pureza, de suas criaturas (Sl 99.1-5). Essa santidade é a plenitude gloriosa da excelência moral de Deus, que existe nele e que se originou nele e não foi derivada de ninguém: “O SENHOR Deus jurou pela sua santidade” (Am 4.2). Essa santidade é absoluta; Deus é santo em seu caráter e essência.

O incrédulo não tem esse discernimento entre o sagrado e o comum, essa era a situação dos sacerdotes por ocasião da apostasia generalizada do Reino de Judá nos anos que precederam a destruição de Jerusalém: “Os seus sacerdotes transgridem a minha lei e profanam as minhas coisas santas. Não fazem distinção entre o santo e o profano e não ensinam a diferença entre o puro e o impuro” (Ez 22.26). O profano é aquele que trata o sagrado como se fosse comum. É a vontade de Deus que todos aprendam a separar o certo do errado, Deus espera que os líderes ensinem essa verdade: “Os sacerdotes ensinarão o meu povo a distinguir entre o santo e o profano e lhe darão entendimento quanto à diferença entre o impuro e o puro” (Ez 44.23). Ser santificado é ser separado de tudo aquilo que é comum ou pecaminoso. Um Deus santo exige santidade de seu povo: “Santos sereis, porque eu, o SENHOR, vosso Deus, sou santo” (Lv 19.2). Isso é reiterado mais adiante (Lv 11.44; 20.7, 26).

Para os primitivos cananeus, o termo era usado como devoção aos deuses sem o sentido ético especial e nem de pureza. O culto de Baal como de outros deuses e deusas era orgíaco, por isso é chamado de “prostituição cultual” (Jz 8.33; Os 4.13, 14). Muitos estudiosos usam a expressão “prostituição sagrada”, o que na cultura cristã parece um contra senso, pois, se é prostituição, não pode ser sagrada. É que a ideia dos cananeus para “sagrado” é de dedicação. Os termos qa¯ de¯ sh e qede¯ shâ aparecem no Antigo Testamento para se referir à prostituição cultual no paganismo como “prostituto e prostituta cultual, sodomita, rameira”, isso devido à licenciosidade da adoração aos deuses cananeus (Dt 23.17; 1 Rs 14.24; 15.12). Os sacerdotes e as sacerdotisas no sistema religioso cananeu eram consagrados a Baal e aos demais deuses dos povos vizinhos de Israel.

SUBSÍDIO DIDÁTICO-PEDAGÓGICO

Reflita com a classe o que conversamos na interação acima. A santidade revela a plenitude gloriosa da excelência moral de Deus e, por isso, ela é elevada. O fracasso de muitos em vivê-la não altera em nada o santo ideal de Deus para o homem, que é a sua imagem e semelhança. Nesse sentido, mostre a beleza da santidade, o valor elevado de representar o Reino de Deus com coerência e sinceridade de coração.

O ideal santo está em Deus, não no homem. Ainda temos o Espírito Santo como a fonte de toda a santidade, que nos ajuda a manifestar o caráter de Cristo. Apresente esse santo ideal a sua classe, e ore com ela, a fim de que o Santo Espírito esclareça o padrão bíblico de uma vida santa.

  II. A SANTIFICAÇÃO NO NOVO TESTAMENTO

Santificação, santidade e seus cognatos são termos comuns ao Antigo e ao Novo Testamento e trazem o mesmo conceito. Na nova aliança, santificação é a semelhança do caráter de Cristo e o efeito real da salvação na vida cristã.

1. Uma obra da Trindade. O Novo Testamento torna explícito o que antes estava implícito no Antigo, e isso diz respeito também à obra salvífica do Deus trino. A fé cristã confessa a existência de um único Deus, que subsiste eternamente em três Pessoas distintas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo, iguais em poder, glória e majestade (Mt 28.19). De modo que a obra da santificação, um atributo divino, é realizada pela unidade na trindade como pela trindade na unidade (1 Co 6.11; 1 Ts 5.23; 2 Ts 2.13). São as três Pessoas atuando na obra da redenção (1 Pe 1.2)

2. Natureza da santificação. Não há no Novo Testamento ritual de purificação cerimonial ou legal de santificação, diferentemente da realidade do sistema mosaico. A santificação pode ocorrer de maneira instantânea, isso quando o pecador recebe a salvação em Jesus pela fé (1 Co 1.30). Ela é chamada teologicamente de santificação posicional referente à mudança da posição de pecador para santificado (1 Co 1.2). Isso é obra do Espírito Santo que passa a habitar no interior do crente (1 Co 3.16; 2 Tm 1.14).

3. Uma necessidade. A nova vida em Cristo é o novo nascimento (Jo 3.3). Ao nascer, a criança continua o seu crescimento físico e mental, e isso se aplica também à vida espiritual (Hb 5.12,13; 1 Pe 2.2). Apesar de a santificação ser instantânea, ela é ao mesmo tempo progressiva (Pv 4.18; 2 Co 3.18). A salvação em Cristo é acompanhada da santificação, e seu agente ativo é o Espírito Santo. A vida cristã é uma carreira (Gl 5.7; Fp 3.13,14). Assim, é a santificação progressiva que nos torna mais semelhantes a Cristo. Não se trata de um tema secundário, pois sem ela “ninguém verá o Senhor” (Hb 12.14).

No Novo Testamento, a santificação não é descrita como um processo lento, de abandonar o pecado pouco a pouco. Pelo contrário, é apresentada como um ato definitivo mediante o qual, o crente, pela graça, é liberto da escravidão de Satanás e rompe totalmente com o pecado a fim de viver para Deus (Rm 6.18; 2Co 5.17; Ef 2.4,6; Cl 3.1-3). Ao mesmo tempo, no entanto, a santificação é descrita como um processo vitalício mediante o qual continuamos a mortificar os desejos pecaminosos da carne (Rm 8.1-17), somos progressivamente transformados pelo Espírito à semelhança de Cristo (2Co 3.18) crescemos na graça (2Pe 3.18), e devotamos maior amor a Deus e ao próximo (Mt 22.37-39; 1Jo 4.10-12, 17-21). – Desta forma, na nova aliança, santificação é a semelhança do caráter de Cristo e o efeito real da salvação na vida cristã. Não há no Novo Testamento ritual de purificação cerimonial ou legal de santificação. A esfera de santidade ou santificação é profética e não cultural, não tem vínculo com coisas, locais ou ritos, trata-se de algo produzido pelo Espírito Santo.

Como no Antigo Testamento, Deus é descrito reiteradas vezes no Novo Testamento como Santo: “Pai santo, guarda-os em teu nome” (Jo 17.11). A tríplice doxologia de Isaías 6.3 reaparece em Apocalipse: “E os quatro seres viventes, tendo cada um deles, respectivamente, seis asas, estavam cheios de olhos, ao redor e por dentro. Não tinham descanso, nem de dia nem de noite, proclamando: Santo, santo, santo é o Senhor Deus, o Todo-Poderoso, aquele que era, que é e que há de vir” (Ap 4.8). A revelação da santidade absoluta de Deus reivindicada em Levítico 11.44; 19.2; 20.7, 26 reaparece em 1 Pedro 1.15.

O mesmo é dito sobre o Senhor Jesus (At 3.14; Ap 3.7; 15.4). “Vocês negaram o Santo e o Justo e pediram que fosse solto um assassino” (At 3.14); “Estas coisas diz o santo, o verdadeiro, aquele que tem a chave de Davi, que abre, e ninguém fechará, e que fecha, e ninguém abrirá” (Ap 3.7); “Mas vocês têm a unção que vem do Santo e todos têm conhecimento” (1 Jo 2.20).

Há um paralelismo sinônimo entre o cântico de vitória dos salvos por Jesus Cristo em Apocalipse 15 e o cântico de Moisés e dos filhos de Israel em Êxodo 15. De um lado, a vitória sobre o Faraó, e de outro, a vitória sobre as nações.

E entoavam o cântico de Moisés, servo de Deus, e o cântico do Cordeiro, dizendo: Grandes e admiráveis são as tuas obras, Senhor Deus, Todo-Poderoso! Justos e verdadeiros são os teus caminhos, ó Rei das nações! Quem não temerá e não glorificará o teu nome, ó Senhor? Pois só tu és santo. Por isso, todas as nações virão e se prostrarão diante de ti, porque os teus atos de justiça se fizeram manifestos (Ap 15.3, 4).

O poema começa com Moisés e culmina com o Cordeiro. Cada verso é extraído do Antigo Testamento, vocabulário e estrutura. Deus é louvado pelas suas obras, justiça e fidelidade, e a santidade absoluta. Compare: “Quem não temerá e não glorificará o teu nome, ó Senhor? Pois só tu és santo” com o poema de Moisés: “Ó Senhor, quem é como tu entre os deuses? Quem é como tu, glorificado em santidade, terrível em feitos gloriosos, que operas maravilhas?” (Êx 15.11). A glória e a santidade do grande Deus Javé de Israel é a mesma de Jesus. O cântico dos salvos é o reconhecimento universal do senhorio de Jesus (Fp 2.8-11).

O Espírito Santo é santo a começar pelo nome, Ele é Santo e Santificador. O Espírito está do mesmo nível do Pai e do Filho, de modo que a sua santidade é a mesma do Pai e do Filho: “Essa santidade do Espírito é única e real, absoluta e perfeita; não se trata, pois, de uma santidade cerimonial, mas de algo inerente à sua natureza”. As três pessoas da Trindade atuam na santificação dos fiéis (Rm 15.16; 1 Co 6.11; 2 Ts 2.13; 1 Pe 1.2). Só pode santificar alguém quem possui santidade por si mesmo sem interferência externa.

SUBSÍDIO APOLOGÉTICO

“Os cristãos também estão familiarizados com o conceito de santidade. Quando ensinou os discípulos a orar, o Senhor Jesus disse que deveriam começar com as palavras: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome (Mt 6.9). A palavra ‘santificado’ é antiga variante da palavra ‘santo’. A primeira e mais importante coisa que os crentes têm de fazer é deliberadamente separar o nome de Deus como algo especial. Deus tem de ser o valor supremo dos crentes, os quais devem lembrar-se desse fato quando se dirigem a Ele. (É, então, muito triste quando esse conceito, fundamental para a expressão da vida cristã, se perde em uma oração formal, murmurada sem pensar pela congregação eclesiástica).

[…] Não precisamos pensar muito para perceber que, aos olhos de muitas pessoas, Deus perdeu sua glória e valor. A santidade degenerou-se em um conceito exclusivamente negativo. Longe de pensar-se na santidade de Deus como algo glorioso, elas associam a santidade com a monotonia e ausência de vida e cor – o oposto da glória” (LENNOX, John C. Contra a Correnteza: A inspiração de Daniel para uma época de Relativismo. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2017, pp.49-50).

III. A SANTIFICAÇÃO APLICADA AO CRENTE

O Espírito Santo é a fonte de santidade, e o Senhor, o seu padrão. Todos os crentes desejam se parecer com Jesus e viver de maneira a agradar a Deus. A santificação do crente é obra do Deus trino.

  1. A comunidade de Jesus. As epístolas do Novo Testamento visam fortalecer as igrejas e exortá-las à uma vida santa diante de Deus e da sociedade.  O texto (1 Pe 1.13-16) não é diferente. O status de Israel como propriedade peculiar de Deus, “reino de sacerdotes e nação santa” (Êx 19.6), é revigorado na igreja (1 Pe 2.9). O ensino petrino mostra que o estilo de vida dos crentes revela o caráter de Cristo. Aqueles irmãos que vieram do paganismo são agora norteados pelo Espírito Santo, que vive neles e, por isso, renunciaram às práticas dos gentios.

   2. Uma vida santificada. Somos santificados pela Palavra (Jo 17.17), pelo sangue (Hb 9.12) e pelo Espírito (1 Pe 1.2). Podemos afirmar com Donald Gee que a “santificação é a semelhança do caráter de Cristo; é o efeito real da salvação através do qual a própria vida de Cristo permanece para sempre na vida e no caráter do crente”. Isto está muito longe de violência doméstica, mentiras, palavrões, intrigas e mexericos. Uma vida de santidade e cheia do Espírito mantém distância dessas coisas: “se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele” (Rm 8.9). Deus é santo e por isso exige santidade de seu povo: “mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver, porquanto escrito está: Sede santos, porque eu sou santo” (vv. 15,16).

   3. O que é ética? A ética é o estudo da conduta. O termo vem da palavra grega ēthos, “hábito, costume”, que aparece somente uma vez no Novo Testamento, no plural, em um provérbio popular usado pelo apóstolo Paulo: “As más conversações corrompem os bons costumes” (1 Co 15.33). A ética cristã é um estudo sistemático sobre os princípios e as práticas do que é certo e errado à luz das Escrituras Sagradas. Trata-se da parte da teologia que estuda o padrão de conduta conforme a vontade de Deus (Rm 12.1,2). O fruto do Espírito tem implicações éticas, e tal prática precisa ser treinada e se tornar hábito. Isso agrada a Deus e as pessoas, e por meio de nossa conduta até os incrédulos glorificam a Deus (Mt 5.16).

A santificação pode significar uma outra experiência específica e decisiva, à parte da salvação inicial. O crente pode receber de Deus uma clara revelação da sua santidade, bem como a convicção de que Deus o está chamando para separar-se ainda mais do pecado e do mundo e a andar ainda mais perto dEle (2Co 6.16-18). Com essa certeza, o crente se apresenta a Deus como sacrifício vivo e santo e recebe da parte do Espírito Santo graça, pureza, poder e vitória para viver uma vida santa e agradável a Deus (Rm 12.1,2; 6.19-22). – A santificação do crente, do irmão e da irmã, significa que o Deus Trino torna a pessoa santa, ela é santificada, todos os que aceitaram a Cristo são os santos. É nesses termos que o apóstolo Paulo se dirige aos crentes: “A todos os amados de Deus que estão em Roma, chamados para ser santos” (Rm 1.7); “à igreja de Deus que está em Corinto, aos santificados em Cristo Jesus, chamados para ser santos, com todos os que em todos os lugares invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso” (1 Co 1.2) e fraseologia similar na introdução da maioria de suas epístolas. Todo aquele que se converte a Cristo é santo, homens e mulheres de todos os lugares.

O conceito bíblico de “santo” destoa do pensamento dos católicos romanos que pensam se tratar de alguém especial acima das outras pessoas para interceder por elas. Essas pessoas, às vezes, nos consideram arrogantes porque afirmamos que fomos santificados. Deus nos chamou para a santificação e essa é a sua vontade: “Pois a vontade de Deus é a santificação de vocês” (1 Ts 4.3). Isso não é mérito nosso, assim como a salvação é pela graça de Deus (Ef 2.8-10) do mesmo modo tudo o que a acompanha é nos dados pela graça, como justificação e santificação. Não há salvação sem santificação (Hb 12.14). A graça salvadora também é santificadora ela vem do Pai (2 Co 1.12; 1 Tm 1.2); do Filho (Jo 1.16; Gl 1.16) e do Espírito Santo (Zc 12.10; Hb 10.29). A salvação em Cristo é acompanhada da santificação, e seu agente ativo é o Espírito que habita no interior do crente (1 Co 3.16; 2 Tm 1.14).

Na nova aliança, santificação é a semelhança do caráter de Cristo e o efeito real da salvação na vida cristã. Santificar todas as pessoas que se convertem a Cristo é especialidade do Espírito Santo. Essa santificação é instantânea, mas é ao mesmo tempo progressiva, pois esse processo continua na vida do crente. É desejo de todo cristão se parecer com Jesus e ter uma vida santa como Jesus teve. Pela sua infinita graça, Deus concede vida santa a todos os pecadores, desde que eles se arrependam e confessem o nome de Jesus (Rm 10.9, 10). Assim Deus disponibilizou três meios para a santificação – o sangue de Jesus (Hb 13.12), o Espírito Santo (2 Ts 2.13) e a Palavra de Deus (Jo 17.17; Ef 5.26).

O conceito de santidade ou santificação é o mesmo no Antigo e no Novo Testamento. Uma diferença significativa é que não há na nova aliança rituais de purificação e nem a ideia de santificação legal ou cerimonial. A santificação é interior e vem do Espírito Santo. Ela se manifesta de três modos pelos quais o Espírito age na vida cristã: santificação posicional, santificação real ou progressiva e a santificação futura.

Santificação posicional ou passada A santificação posicional é também conhecida como santificação passada, ou ainda, santificação instantânea. É uma obra do Espírito que nos posiciona como separados para Deus quando aceitamos a Cristo como Salvador. Trata-se de uma mudança moral que ocorre no momento da regeneração (Tt 3.5), de pecador para santificado em Cristo. A iniciativa e a execução dessa santificação são unicamente de Deus (At 26.18; 1 Co 1.2). O catolicismo romano aplica o termo “santo” a certas pessoas que foram canonizadas, mas isso não é bíblico. Todos nós, os salvos em Jesus, somos santos; é assim que somos reconhecidos no Novo Testamento (At 9.13, 32, 41) e é dessa maneira que o apóstolo Paulo se dirige aos crentes nas suas epístolas (Rm 1.7). A base dessa santificação é o sacrifício de Jesus (Hb 10.10, 14). Essa santificação é instantânea, mas é também o começo de uma vida progressiva de santificação.

Santificação real ou progressiva – Essa santificação é chamada progressiva porque nela o crente cresce em vitória sobre o pecado e em Cristo. O nosso crescimento espiritual começa com a santificação posicional no momento em que recebemos o Senhor Jesus como salvador e isso continua durante toda a nossa vida em direção à maturidade cristã (Fp 3.12, 13). Diferente da santificação posicional, que é obra exclusiva de Deus, a santificação progressiva “envolve uma parceria com Deus”. – Quem nasceu de novo foi transformado pelo poder de Deus, seu estilo de vida agora é outro, de modo que a santificação não pode ficar estagnada: “Todo aquele que é nascido de Deus não vive na prática de pecado, porque nele permanece a semente divina; esse não pode viver pecando, porque é nascido de Deus” (1 Jo 3.9). A santificação real é progressiva e se desenvolve no nosso dia a dia (Pv 4.18). A cada dia avançamos em santidade (2 Co 3.18), lembrando que jamais chegaremos à santidade plena enquanto estivermos vivos (Ef 4.13). Todos nós precisamos de crescimento espiritual (2 Pe 3.18). O apóstolo Pedro exorta à santificação (1 Pe 1.15,16). Essa santificação é possível porque somos nascidos de Deus (1 Jo 4.7; 5.1) e o Espírito Santo está em nós e habita em nós (Jo 14.17; 2 Tm 1.14). Isso não significa que os crentes santificados se tornam perfeitos, não é isso (Ec 7.20; 1 Rs 8.46), mas nos tornamos irrepreensíveis diante de Deus, num estilo de vida de que Deus se agrada (Rm 12.1, 2; 1 Ts 5.23). Observe que havia crentes carnais na igreja de Corinto (1 Co 3.3) e, mesmo assim, eles eram “santificados em Cristo Jesus, chamados para ser santos” (1 Co 1.2). – O papel do crente na santificação é passivo, sim, porque dependemos de Deus (Fp 2.12, 13), pois sem o Espírito não há santificação, e, ao mesmo tempo, ativo, isso porque nos esforçamos para obedecer a Deus (Rm 12.1,2; 2 Co 6.14; 7.1; 1 Ts 4.3; Hb 12.14). É claro que o progresso da santificação não pode acontecer sem a atuação do Espírito Santo. Nada podemos fazer sem a ajuda divina, mas temos os recursos espirituais para o desenvolvimento da santificação. A leitura da Bíblia e a meditação, a oração, a adoração, o testemunho, o autodomínio, tudo isso faz parte da vida cristã. Somos nós que devemos nos esforçar para o crescimento espiritual (Ef 4.1-3; 1 Ts 5.11). Deus já fez a sua parte.

A santificação futura ou glorificação – Essa é a santificação perfectiva, quando o Senhor Jesus nos transformar de modo que sejamos semelhantes a Ele na sua vinda (1 Ts 5.23). Essa santificação é chamada também de “glorificação” (Rm 8.29, 30; Fp 3.21). Na ressurreição seremos completos, e isso é extensivo à santificação, quando o Senhor Jesus declarar “que transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso” (Fp 3.21). É nessa ocasião que veremos a Deus como ele é (1 Jo 3.2). Essa é a nossa esperança.

Ética – Não confundir ética com santificação. A ética é o estudo da conduta. É geralmente definida como um código moral ou série de práticas que se consideram moralmente aceitáveis. O termo vem da palavra grega e¯ thos, “hábito, costume”, que aparece somente uma vez no Novo Testamento, no plural, em um provérbio popular usado pelo apóstolo Paulo: “As más companhias corrompem os bons costumes” (1 Co 15.33). A ideia original de e¯ thos era de “morada, estábulo, lugares habituais”, e isso sugere que a ética diz respeito ao “modo de vida” como uma estabilidade segura, conduta ética, moral. Não confundir com outro termo grego parecido, ethos. A ética do Espírito é diferente da ética legalista. O legalismo é diferente de legalidade. A legalidade significa estar conforme à lei, refere-se à prática legal. O legalismo é a dependência da lei como condição para a salvação, a escravidão excessiva à letra da lei. Para o legalista prevalece a letra da lei e não o espírito da lei, vale o amor ao dever, uma observância fanática dos preceitos legais. Não é isso que acontece com o irmão ou irmã que anda no Espírito em cujas vidas o fruto do Espírito manifesta o caráter de Cristo.

SUBSÍDIO TEOLÓGICO

“É impossível e não há base bíblica para se crer que um avivamento que só recebe o Espírito Santo como inspirador da Palavra ou da ação, e não da santificação pessoal também, continue no seu poder. ‘Entristecer’ o Espírito de Deus por falta de santificação (Ef 4.30) com certeza termina também na ‘extinção’ do Espírito de Deus na sua manifestação (1 Ts 5.19). O plano divinamente equilibrado revelado no Novo Testamento é onde o Espírito Santo se assemelha na origem tanto do fruto como do dom; e para as duas abençoadas fases da nossa redenção Ele é bem-vindo e obedecido.

[…] [Também] existe o erro de que receber o batismo com o Espírito Santo torna o crente sem pecado, perfeito ou algo parecido com isso. A verdade bíblica é a de que, em seguida ao batismo com o Espírito, haja uma grande ‘porcentagem’ de santificação pessoal ainda necessária no crente, e isso se processa à medida que os filhos de Deus agora continuem a ‘andar em Espírito’ (Gl 3.2,3; 5.16-25). É inútil pensar que qualquer ‘benção’ ou ‘experiência’ possa substituir um ‘andar’ contínuo no Espírito – por mais útil que tal bênção possa muitas vezes ser” (GEE, Donald. Como Receber o Batismo no Espírito Santo: Vivendo e testemunhando com poder. Rio de Janeiro: CPAD, 2013, pp.60,61).

CONCLUSÃO

Sobre a santificação precisamos saber o significado, a sua importância e a sua necessidade. Isso evita confundir a santificação com regras externas típicas de religiões legalistas. A santificação é a marca de uma vida na plenitude do Espírito. – Os cristãos são desafiados a levar vidas santas e servir fielmente ao Senhor por causa da obra extraordinária que Ele fez por nós na cruz e porque nosso tempo nesta terra é muito curto. Há três motivos pelos quais devemos ser santos. Deus é santo (v. 15,16); Deus nos conhece e julga cada um de maneira justa (v. 17); e somos remidos pelo sangue de Jesus (v. 18,19).

REFERÊNCIAS

LIÇÕES BÍBLICAS. 1º Trimestre 2020 - Lição 6. Rio de Janeiro: CPAD, 06, fev. 2021.

SOARES, Esequias. O verdadeiro pentecostalismo: a atualidade da doutrina bíblica sobre a atuação do Espírito Santo. Rio de Janeiro: CPAD, 2020.

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