sábado, 12 de setembro de 2020

LIÇÃO 11: ESDRAS VAI A JERUSALÉM ENSINAR A PALAVRA

COMENTÁRIO E SUBSÍDIO I

   INTRODUÇÃO

O grande valor do ensino da Palavra de Deus é o assunto desta lição. Veremos como o governo da Pérsia enviou Esdras a Jerusalém, a fim de verificar se a vida eclesiástica dos judeus estava conforme a lei de Deus. – Os capítulos 8 a 10 de Neemias descrevem um dos maiores avivamentos do Antigo Testamento e apontam vários princípios fundamentais para um avivamento e renovação espirituais. O avivamento e a renovação, procedem exclusivamente de Deus. Os instrumentos que o propiciam são: a Palavra de Deus (Ne 8.1-8) a oração (v. 6), a confissão de pecados (cap. 9), um coração quebrantado e contrito (v. 9), renúncia às práticas pecaminosas da sociedade contemporânea (9.2) e renovação do compromisso de andar segundo a vontade de Deus e de fazer da Palavra de Deus o nosso viver (10.29).

   I. ARTAXERXES ENVIA ESDRAS

1. Os judeus sob o domínio dos Pérsas. Quando o reino da Pérsia derrotou Babilônia, os judeus que viviam naquele lugar passaram automaticamente ao domínio do governo persa. Os judeus puderam logo constatar que os persas eram mais brandos do que os babilônicos. – Toda a história humana está sob o controle de nosso Deus. Nada passa desapercebido diante dele, principalmente com a nação judaica que foi ao cativeiro por determinação do Senhor e tinha a promessa do seu retorno. Nabucodonosor pagou caro por não admitir que todo o poder que tinha era pela permissão de Deus. Os reis persas, pelo contrário sabiam que era necessário observar o que a respeito deles estava escrito e simplesmente obedeceram liberando o povo de Deus a retornarem para a sua terra e dando-lhes condições para isso.  

2. Esdras é enviado a Jerusalém, para ensinar a lei de Deus. No seu contato com Esdras, escriba e sacerdote, o rei ficou impressionado com o elevado grau de conhecimento que Esdras possuía da lei do Deus de Israel, e quis, junto com seus sete conselheiros, enviá-lo a Jerusalém a fim de inquirir acerca da situação espiritual dos residentes ali (Ed 7.14). – Esdras foi da Babilônia a Jerusalém, para o bem de sua pátria, e o rei foi amável para com ele, concedendo-lhe todos os seus pedidos, tudo o que ele precisava e desejava para estar capacitado a servir à sua pátria. Quando partiu, muitos o acompanharam; obteve o favor de seu rei através do favor divino. Toda a criatura é para nós o que Deus faz com que seja. Devemos ver a mão de Deus nos feitos que nos acontecem e reconhecê-los com gratidão.

3. A importante carta que o rei enviou com Esdras. O rei enviou com Esdras uma carta escrita em aramaico, que está registrada em Esdras 7.12-26. Através desta carta o rei decretou:

a) Qualquer judeu, que assim desejasse, poderia acompanhar Esdras a Jerusalém (v. 12).

b) Os que fossem a Jerusalém poderiam levar consigo ouro e prata, voluntariamente dados pelo rei e seus conselheiros, ou dados como ofertas voluntárias do povo (v. 15).

c) Os vasos sagrados, que ainda estavam na Babilônia, seriam restituídos (Ed v. 19)

d) Qualquer despesa seria paga pelo tesouro do rei.

e) Não seriam impostos aos servidores do templo: direitos, tributos, rendas (v. 24).

f) Esdras poderia nomear regentes e juízes, para que a vida eclesiástica viesse a funcionar conforme a lei de Deus (v. 25).

Esdras louvou a Deus, que tinha inspirado o rei a fazer tudo isto, estendendo-lhe a beneficência perante o rei (vv. 27,28). – A generosidade dos reis pagãos para apoiarem a adoração a Deus foi uma reprovação para a conduta de muitos reis de Judá, e levantar-se-á em juízo contra a cobiça dos ricos cristãos que professam a fé, mas não promovem a causa de Deus. Porém, as armas dos ministros cristãos não são carnais. Pregação fiel, vidas santas, orações fervorosas e sofrimentos com paciência, quando são chamados a estes, são os meios que levam os homens à obediência a Cristo. – Esdras louvou a Deus por duas coisas: Primeira – Por sua comissão. Se algo bom surge em nosso coração ou no do próximo devemos reconhecer que foi Deus que o colocou, e bendizê-lo por isto. Ele é quem opera em nós tanto o querer como o efetuar algo bom. Segunda – Por seu alento. Deus inclinou até a mim a sua misericórdia. Esdras era um homem valente, mas isto não é atribuído ao seu coração, e sim a Deus. Se Ele nos dá a sua mão, somos ousados e alegres; se Ele a retira, somos frágeis como uma poça de água. Deus deve receber toda a glória em qualquer coisa que sejamos capazes de fazer para Ele, e para os que nos rodeiam.

SUBSÍDIO DIDÁTICO-PEDAGÓGICO

O professor precisa tocar o coração e mente com imagens vivas que façam sentido para a vida do aluno. Essas imagens devem brotar a partir do conteúdo da lição. Saiba que a imaginação é um instrumento poderoso para aplicar o ensino da Palavra de Deus ao coração e mente do aluno. Por isso, sugerimos que você tome exemplos de líderes que atuaram para propagar o ensino da Lei aos rincões de Israel. Use histórias vivas sobre o Moisés, o homem o qual Deus entregou o Decálogo. Também o juiz, sacerdote e profeta Samuel. Você pode encerrar a construção dessas imagens com o Senhor Jesus como a Palavra encarnada de Deus na história. O Pai leva tão a sério a sua Palavra que enviou seu Filho para encarná-la no mundo.

  II. ESDRAS ENSINA A PALAVRA AO POVO

1. Esdras sai da Babilônia e vai a Jerusalém. Conforme a ordem do rei Artaxerxes, Esdras viajou para Jerusalém acompanhado de um grupo de judeus, alguns eminentes líderes do povo (Ed 8.2). Recusando a escolta militar oferecida pelo rei, para garantir-lhes a segurança durante a viagem, Esdras e seus companheiros preferiram confiar na segurança de Deus. Assim sendo, jejuaram e oraram para que tivessem uma boa viagem (Ed 8.21), e Deus os ouviu e os guardou durante todo o trajeto. Assim chegaram em paz a Jerusalém, onde ofereceram holocaustos a Deus (Ed 8.35). –  Esdras reúne os exilados de Israel e os dispersos de Judá. Deus anima um pequeno remanescente para ajudá-lo. É lastimável que os bons homens deixem de realizar uma boa obra por falta de comunicação! – Esdras cuidou de que os levitas fossem com ele; porém, do que serviria isto se não tivesse a Deus consigo? Os que buscam a Deus estão a salvo debaixo da sombra de suas asas, mesmo em seus maiores perigos; porém, os que abandonam a Deus estão sempre expostos. Quando entramos em uma nova etapa de nossas vidas, devemos ter o cuidado de não levar a culpa dos pecados de nossa condição anterior. Quando nos encontrarmos em perigo, estejamos em paz com Deus; então, nada poderá nos causar danos verdadeiros. É nosso dever encomendar a Deus em oração todas as nossas preocupações por nós mesmos, por nossa família e nossos bens; é sábio de nossa parte deixar que Ele cuide de tudo isto. Em algumas ocasiões, devemos recusar algumas vantagens que estejam a nosso alcance, para que não sejamos a causa de tropeço para outros, e por isso o nosso Deus venha a ser desonrado. Peçamos sabedoria a Deus para saber como usar ou recusar as coisas lícitas. Não perderemos se nos aventurarmos, sofrermos ou cedermos por amor ao Senhor. – Suas orações foram respondidas, e o feito o testifica. Os que buscaram fervorosamente a Deus descobriram que jamais o fizeram em vão. Separar um tempo para orar particular ou publicamente é o melhor método que podemos adotar em tempos difíceis e perigosos, para recebermos alivio.

2. O encontro de Esdras com Neemias. Quando Esdras chegou a Jerusalém encontrou Neemias, o qual vinha sendo o líder espiritual dos judeus em Judá. Posto a par da situação, Neemias uniu-se a Esdras na tarefa para a qual este havia sido enviado. – Não há registro Bíblico deste encontro, mas certamente ele ocorreu e houve um acréscimo de forças, juntamente com Ageu e Zacarias, profetas enviado por Deus para guiar o seu povo na reconstrução física e espiritual da nação de Israel. É importante salientar nesse tópico, que a cena descrita não corresponde ao desenrolar histórico. Esdras foi o primeiro a chegar em Jerusalém conduzindo a segunda leva de judeus, e Neemias chegou somente, cerca de treze anos depois, com a terceira leva de judeus repatriados. Assim, seria correto dizer que, quando Neemias chegou a Jerusalém, encontrou Esdras, sacerdote e líder espiritual do povo.

3. Esdras ensina a Palavra ao povo. Na festa dos tabernáculos, no dia primeiro do mês sétimo houve santa convocação (Lv 23.34,35). O povo se ajuntou como um só homem diante da porta das águas (Ne 8.1), e Esdras trouxe o livro da lei. A lei de Deus foi lida ao povo desde a alva até ao meio-dia. Havia sido construído um púlpito de madeira para aquele fim, e em pé, ao lado de Esdras, havia um grupo de 13 auxiliares (Ne 8.4). Ainda cooperava um grupo de levitas, e o objetivo era fazer todo o povo entender o que estava sendo lido no livro da lei de Deus (Ne 8.8). – Os ministros devem levar suas bíblias consigo quando forem ao púlpito, como o fez Esdras. Daí devem eles tirar seu conhecimento, falar conforme esta regra e mostrar que assim o fazem.  Ler as Escrituras em público é uma ordenança de Deus, pela qual Ele é honrado e sua igreja edificada. os que ouvem a Palavra, devem entendê-la; caso contrário, será para eles somente um som oco de palavras. Portanto, é requerido que haja mestres para explicarem a Palavra e clarearem o seu sentido. – Ler é bom, e pregar é melhor; porém, a exposição faz com que a leitura seja mais compreensível e a pregação mais convincente. Aprouve a Deus, levantar em quase todas as épocas da Igreja, não somente os que pregam o Evangelho, mas também os que escrevem os seus pontos de vista a respeito da verdade divina; ainda que muitos tentem explicar as Escrituras e escureçam o conselho com palavras sem conhecimento, outros têm trabalhado de forma excelente. Porém, tudo o que ouvirmos deve passar pela prova da Escritura. Eles ouviram com atenção e ponderaram cada palavra, pois a Palavra de Deus exige atenção. Se por negligência deixarmos que muitos deslizes ocorram ao ouvirmos, existe o perigo de que por esquecimento deixemos que todas as coisas se percam assim que as ouvimos.

4. O ensino foi maravilhoso. O povo ao ouvir a leitura, começou a chorar e a lamentar-se. Neemias e Esdras tiveram que intervir, exortando-os a que se alegrassem no Senhor, porque a alegria do Senhor é nossa força (Ne 8.10). O povo então foi comer, beber e festejar, porque todos entenderam as palavras que lhes fizeram saber (Ne 8.12). – Quando o povo ouviu e entendeu a Palavra de Deus, todos experimentaram uma profunda convicção do pecado e da culpa (1) Os trechos da lei que continham uma clara revelação da condição espiritual do povo podem ter sidos Lv 26 e Dt 28; trechos estes que falam da bênção ou juízo divino, conforme a obediência ou desobediência do povo à Palavra de Deus. (2) Nos avivamentos, o choro, quando acompanhado de profundo arrependimento é um sinal da operação do Espírito Santo (Jo 16.8). Sentir tristeza pelo pecado e abandoná-lo resulta em perdão divino e alegria da salvação (Mt 5.4). – Comei gorduras... Os judeus gostavam muito de alimentos preparados com bastante gordura e bebidas bem doces. Muitos dos vinhos antigos eram fervidos e concentrados, até ficarem muito doces e espessos, como mel ou geleias. Tinham que ser bem diluídos para serem consumidos. A alegria do Senhor é a vossa força: A proclamação da Palavra de Deus, juntamente com um propósito sincero de obedecer aos seus ensinos, resultará em verdadeira alegria na alma. Essa “alegria do SENHOR” vem da nossa reconciliação com Deus e da presença do Espírito Santo em nossa vida. É mantida pela certeza de que fomos perdoados em Cristo e restaurados à comunhão com Deus, e que agora vivemos em harmonia com a sua vontade. Essa alegria age (1) como um forte para nos guardar das aflições e tentações de todos os dias e (2) como poder e motivação para perseverarmos na fé até o fim.      

SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO

"Um dos aspectos mais importantes da experiencia dos israelitas no monte Sinai foi o de receberem a lei de Deus através de seu líder, Moisés. A Lei Mosaica (hb. torah, que significa 'ensino') admite uma tríplice divisão: (a) a lei moral, que trata das regras determinadas por Deus para um santo viver (20.1-17); (b) a lei civil, que trata da vida jurídica e social de Israel como nação (21.1 -23.33 ); e (c) a lei cerimonial, que trata da forma e do r itu a l da adoração ao Senhor por Israel, inclusive o sistema sacrificial (24.12-31.18).

[...] A lei revelava a vontade de Deus quanto a conduta do seu povo (19.4-6; 20.1-17; 21.1-24.8) e prescrevia os sacrifícios de sangue para a expiação pelos seus pecados (Lv 1.5; 16.33). A lei não foi dada como um meio de salvação para os perdidos. Ela foi destinada aos que já tinham um relacionamento de salvação com Deus (20.2). Antes, pela lei Deus ensinou ao seu povo como andar em retidão diante dEle como seu Redentor, e igualmente diante do seu próximo. Os israelitas deviam obedecer a lei mediante a graça de Deus a fim de perseverarem na fé e cultuarem também por fé, ao Senhor (Dt 28.1,2; 30.15-20)" (Bíblia de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2006, p. 146).

  III. A PALAVRA DE DEUS DEVE SER ENSINADA

1. Deus ordenou que a sua Palavra fosse ensinada a todo o povo de sete em sete anos (Dt 31.9-12). Além da leitura da Lei de Moises, que se fazia a cada sábado (At 15.21), os Escritos e os Profetas deveriam ser lidos e explicados ao povo, em convocação solene, a cada sete anos. – Os mandamentos de Deus foram entregues ao povo em forma escrita, por Moisés. A lei incluía, não somente o conteúdo de Deuteronômio, como também a totalidade do Pentateuco. Tratava-se da Palavra de Deus em forma escrita, as Sagradas Escrituras inspiradas, preservadas e compiladas no decurso da história bíblica.

2. Jesus ordenou o ensino da sua Palavra. Na GRANDE COMISSÃO Jesus ordenou que seus discípulos ensinassem todas as nações a guardarem tudo o que lhes tinha mandado (Mt 28.19,20). – Jesus ordenou “Ide... Ensinai... Batizando” Estas palavras constituem Grande Comissão de Cristo a todos os seus seguidores, em todas as gerações. Declaram o alvo, a responsabilidade e a outorga da tarefa missionária da igreja. A igreja deve ir a todo mundo e pregar o evangelho a todos, de conformidade com a revelação do Novo Testamento, da parte de Cristo e dos apóstolos. Esta tarefa inclui a responsabilidade primordial de enviar missionários a todas as nações.

3. O apóstolo Paulo conhecia a importância do ensino da Palavra. Vejamos: “Conjuro-te pois diante de Deus e do Senhor Jesus Cristo... que pregues a palavra..." (2 Tm 4.1,2). "O que de mim, entre muitas testemunhas, ouviste, confia-o a homens fieis, que sejam idôneos para também ensinarem os outros (2 Tm 2.2). "Se é ensinar, haja dedicação ao ensino (Rm 12.7). – A igreja tem a responsabilidade de salvaguardar a verdadeira e original doutrina bíblica que se acha nas Escrituras, e transmiti-las aos fiéis sem transigência nem corrupção. Fica subentendida, assim, a necessidade do ensino bíblico na igreja. – A Bíblia menciona as seguintes razões para o ensino bíblico, ou teológico, quer no lar, na igreja ou na escola: (a) transmitir o evangelho de Cristo a crentes fiéis, para que conheçam (2Tm 3.15;  Jr 2.8), guardem (2Tm 1.14), e ensinem a verdadeira fé bíblica (1Tm 4.6,11; 2Tm 2.2) e a santidade de vida (Rm 6.17); (b) demonstrar aos estudantes a necessidade primacial de “batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos” (ver Jd 3 nota), e dar-lhes os meios pelos quais possam defendê-la contra todas as teologias falsas; Gl 1.9; 1Tm 4.1; (c) guiar os estudantes ao crescimento contínuo no caráter mediante “a doutrina que é segundo a piedade” (1Tm 6.3); (d) preparar os estudantes para fortalecer outros crentes e levá-los à maturidade espiritual de modo que juntos possam refletir a imagem de Cristo no lar, na igreja local e no corpo de Cristo em geral (Ef 4.11-16); (e) levar os estudantes a uma compreensão e experiência mais profunda do reino de Deus na terra e seu conflito contra o poder de Satanás (Ef 6.10-18; (f) motivar os estudantes através das verdades eternas do evangelho, a dedicar-se sem reservas à evangelização dos perdidos e à pregação do evangelho a todas as nações no poder do Espírito Santo (Mt 28.18-20; Mc 16.15-20); (g) aprofundar a experiência que os estudantes têm do amor de Cristo, da comunhão pessoal com Ele e do dom do Espírito Santo (Jo 17.3,21,26), exortando-os a seguir a orientação do Espírito Santo que neles habita (Rm 8.14), a levá-los ao batismo no Espírito Santo, e ensinando-os a orar (Mt 6.9), a jejuar (Mt 6.16) e a adorar, enquanto aguardam o bendito aparecimento de Jesus Cristo com o fervor espiritual dos santos do NT (2Tm 4.8; Tt 2.13).

  IV. RESULTADOS DO ENSINO DA PALAVRA DE DEUS

1. O ensino da Palavra gera temor a Deus:

a) Deus falou: "Ajunta-me o povo e os farei ouvir a minha palavra, para que me temam todos os dias que na terra viverem" (Dt 4.10). "Guarda os mandamentos do Senhor para o temer" (Dt 8.6).

b) Pelo temor a Deus o crente se aparta do mal (Pv 3.7), se desvia do mal (Pv 16.6), e aborrece o mau caminho (Pv 8.13).

c) Como resultado do ensino da lei nos dias de Esdras, o povo confessou os seus pecados, apartou-se de deuses estranhos, adorou ao Senhor seu Deus, e com Ele fez firme concerto (Ne 9.1- 3,38). A Palavra de Deus e o PODER de Deus (Rm 1.16). – Os atos registrados no capítulo 9 de Neemias demonstram que o arrependimento dos judeus era profundo e duradouro. Continuavam buscando a Deus, jejuando, humilhando-se diante dEle, confessando a sua dependência espiritual e separando-se daquilo que ofendia a Ele. – Os temas principais dessa notável oração são: (1) o empenho gracioso de Deus e, providenciar a redenção e a salvação a Israel, e (2) a má receptividade de Israel quanto a esse amor divino, no decurso da história da nação. Esses temas aparecem muitas vezes no Antigo testamento (Dn 9.3-19; Am 2.9-12; Mq 6.1-8)

2. O ensino da Palavra implanta normas espirituais nos crentes. Essas normas dão forma às manifestações da Nova Vida naquele que se converte, naquele que, pela operação do Espírito de Deus, passa a andar nos estatutos de Deus (Ez 36.27). Vejamos algumas destas manifestações da nova vida:

a) O crente é honesto a toda prova (Rm 12.17; 2 Co 8.21; Fp 4.8; 1 Pe 1.12; Hb 13.18).

b) O crente jamais mente (Is 63.8; Ef 4.25; 1 Jo 2.28). O crente tem o testemunho de sua consciência, no Espirito Santo, de que não mentiu (Rm 9.1). Jesus disse: "Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim; não, não, porque o que passa disso é de procedência maligna" (Mt 5.37).

c) O crente jamais se apodera de alguma coisa que não seja dele. "Aquele que furtava não furte mais" (Ef 4.28). Zaqueu depois de salvo queria restituir aquilo que havia defraudado (Lc 19.8).

d) O crente vive uma vida moral que é exemplo de pureza. "A prostituição e toda a impureza nem ainda se nomeie entre vós" (Ef 5.3).

e) O crente jamais dá falso testemunho de alguém (Êx 20.16; Pv 10.18; Tg 4.11).

– “Porei dentro em vós o meu Espírito. Haverá mais em operação do que o velho pacto e a lei de Moisés, que guia (Deu. 6.4 ss.). Haverá atividade incomum do Espírito Santo, que inspira e transforma os homens, criando um novo andar. O povo, inspirado e capacitado pelo ministério do Espírito, andará nos estatutos e guardará os juízos divinos. O profeta não abandona as velhas descrições, mas dá um papel importante à operação direta de Deus no coração do homem. O Novo Pacto exigirá um novo modus operandi de espiritualidade, mas a igreja cristã não está em vista aqui, como supõem alguns intérpretes. Israel, na sua restauração, é o assunto do texto. Existe uma realização ainda mais alta, em Cristo, que transforma os homens à Sua própria imagem (Rom. 8.29); neste processo, o homem redimido participará da natureza divina (II Ped. 1.4), de modo finito, mas real”. (CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 3314). – a) O crente é honesto a toda prova A lei do "olho por olho, dente por dente" do Antigo Testamento nunca foi intencionada para ser aplicada a pessoas, seja no Antigo ou no Novo Testamento; tratava-se de um padrão para a sociedade coletiva usar para reforçar a boa conduta entre as pessoas. Os cristãos têm de respeitar o que é intrinsecamente apropriado e honesto. O "bem" também carrega em si a ideia de se ter um comportamento correto visível e óbvio quando estiverem no meio de outros, especialmente incrédulos. – b) O crente jamais mente Mais do que simplesmente dizer mentiras diretas, mentir também inclui exageros e informações fictícias sobre alguma coisa que é verdadeira. A trapaça, as promessas imprudentes, a traição da confiança e as falsas desculpas — tudo isso são formas de mentira, das quais os cristãos não devem participar. Citando Zc 8.16, “fale cada um a verdade com o seu próximo”, Paulo afirma que a obra de Deus no mundo é baseada na verdade, e nem a igreja nem os cristãos individualmente podem ser instrumentos adequados para o Senhor usar se não forem leais. – c) O crente jamais se apodera de alguma coisa que não seja dele. Qualquer tipo de furto é pecado e não faz parte da vida de um cristão. Em vez disso, que ele trabalhe, produzindo o que é benéfico. A alternativa ao furto é conceder a si mesmo, à sua família e aos outros o que é respeitável a Deus por meios honestos e justos. Um cristão não só não deve prejudicar ninguém como também deve se esforçar, continuamente, para ajudar aqueles que estão necessitados. – d) O crente vive uma vida moral que é exemplo de pureza Num contraste absoluto com a santidade e o amor de Deus, pecados assim como esses existem, por meio dos quais Satanás busca destruir a obra divina de Deus em seus filhos e afastá-los tanto quanto possível de sua imagem e vontade. Como é o caso de muitos outros versículos na Escritura, esse mostra a ligação estreita entre o pecado sexual e os outros tipos de impureza e cobiça. Uma pessoa imoral é inevitavelmente gananciosa. Tais pecados são tão deploráveis que o mundo não deve ter razão para sequer suspeitar da presença deles nos cristãos. – e) O crente jamais dá falso testemunho de alguém Em Tiago 4.11, faleis mal, significa caluniar ou difamar. Tiago não proíbe a confrontação daqueles que estão em pecado, a qual é ordenada em outras passagens bíblicas como Mateus 18.15-17; Atos 20.31; 1Coríntios 4.14; Colossenses 1.28; Tito 1.13; 2.15; 3.10). Em vez disso, ele condena acusações negligentes, depreciativas, críticas e caluniosas contra os outros. Aqueles que falam mal de outros cristãos se colocam como juízes e os condenam. Com isso, difamam e desrespeitam a lei de Deus, que proíbe expressamente essa condenação caluniosa. Ao rejeitarem a se submeter à lei, os caluniadores se colocam acima dela como seus juízes.

3. O ensino da Palavra dá conhecimento. A igreja de Corinto foi enriquecida porque, pelo ensino da Palavra de Deus, havia recebido conhecimento (1 Co 1.5). Consideremos:

a) O conhecimento consolida a força (Pv 24.3), porque pelo conhecimento podemos saber o que nos é dado gratuitamente por Deus (1 Co 2.12). Pelo conhecimento da verdade podemos alcançar plena libertação (Jo 8.32). Pelo conhecimento podemos saber que Deus quer que todos os homens venham ao conhecimento da verdade (1 Tm 2.4).

b) Pelo conhecimento podemos saber como agradar a Deus (2 Co 5.9). Agradar a Deus não é resultado da nossa própria força, mas o próprio Deus nos dá graça para agradá-lo.

– “porque, em tudo, fostes enriquecidos nele, em toda a palavra e em todo o conhecimento” - No momento, o cristão tem tudo o que o Senhor tem para dar e, portanto, tudo de que ele necessita. Em particular, as duas bênçãos mencionadas aqui estão relacionadas à apresentação da verdade da Palavra de Deus. No que diz respeito a falar em nome de Deus, os cristãos são capazes de falar quando Deus quer que o façam porque ele os capacita para isso. A oração torna essa habilidade possível, e a diligência no estudo da Palavra de Deus a ajuda. Deus concede aos cristãos todo o entendimento necessário, a fim de que falem em nome dele de maneira efetiva. – “ela abundância de seus dons espirituais. A igreja de Corinto era famosa por isso. Eles não estavam atrás de nenhuma igreja na manifestação de qualquer dom (v. 7). Ele especifica palavra e conhecimento (v. 5). Onde Deus tem concedido esses dois dons, Ele tem dado grande capacidade para o seu uso. Muitos têm a flor da palavra, mas não têm a raiz do conhecimento, e a sua conversão é infecunda. Muitos têm o tesouro do conhecimento, e querem a palavra para usá-lo para o bem dos outros, e, neste caso, ele está por assim dizer envolvido num guardanapo. Mas, onde Deus concede ambos, um homem está qualificado para elevado proveito. Quando a igreja de Corinto foi enriquecida com toda a palavra e todo o conhecimento, era conveniente que muitos louvores fossem dados a Deus, especialmente pelo fato de esses dons serem um testemunho da verdade da doutrina cristã, uma confirmação do testemunho de Cristo entre eles (v. 6). Eles eram “sinais, prodígios e dons do Espírito Santo”, pelos quais Deus levou testemunho aos apóstolos, em sua missão e doutrina (Hb 2.4), de maneira que, quanto mais abundantemente eles eram derramados sobre qualquer igreja, mais pleno testemunho era dado daquela doutrina pregada pelos apóstolos, e maior evidência comprobatória eles tinham de sua missão divina. E não é de admirar que, por terem tal fundamento para a sua fé, eles deviam viver na expectativa da vinda do Senhor Jesus Cristo (v.7). É da natureza dos cristãos que eles esperem a segunda vinda de Jesus Cristo; toda a nossa religião atenta para isso: nós cremos nela, e a esperamos, e ela é a ocupação de nossa vida no sentido de nos prepararmos para ela, se realmente somos cristãos. E quanto mais confirmados estivermos na fé cristã, mais firme será a nossa fé na segunda vinda de nosso Senhor, e mais zelosa será a nossa expectativa por ela” (HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento ATOS A APOCALIPSE Edição completa. Editora CPAD. pag. 429)

SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO

"Quando o povo ouviu e entendeu a Palavra de Deus, todos experimentaram uma profunda convicção de pecado e da culpa. (1) Os trechos da lei que continham uma clara revelação da condição espiritual do povo podem ter sidos Lv 26 e Dt 28; trechos estes que falam da bênção ou juízo divino, conforme a obediência ou desobediência do povo à Palavra de Deus. (2) Nos avivamentos, o choro, quando acompanhado de profundo arrependimento (cf. cap. 9), é um sinal da operação do Espírito Santo (ver João 16.8 nota). Sentir tristeza pelo pecado e abandoná-lo resulta em perdão divino e alegria da salvação (ver v. 10 nota; Mt 5.4)" (Bíblia de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2006, p. 743).

REFERÊNCIAS

BARBOSA, Francisco. Especial Lição 11: Esdras vai a Jerusalém ensinar a Palavra de Deus. Disponível em: https://auxilioebd.blogspot.com. Acesso em 11.09.2020

HENRY, Matthew. Comentário Bíblico Antigo Testamento: Neemias p. 7; 1 Reis; p. 39.  Rio de Janeiro: CPAD, 2010.

LIÇÕES BÍBLICAS. Edição Especial Jovens e Adultos, 3º Trimestre 2020 - Lição 11. Rio de Janeiro: CPAD, 13 setembro, 2020.

STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1997.



sábado, 5 de setembro de 2020

LIÇÃO 10: PROVAI SE OS ESPÍRITOS SÃO DE DEUS

COMENTÁRIO E SUBSÍDIO I

   INTRODUÇÃO

Na lição passada estudamos as diferentes formas de ataques que o Inimigo da obra de Deus usa para lutar contra os servos de Deus. Vamos dedicar esta lição ao estudo de como o Inimigo ataca por meio dos falsos profetas. – É visível através da Palavra de Deus que o inimigo não dá tréguas em seus ataques contra o povo escolhido do Senhor. Ele usa de todas as formas para tentar impedir os andamentos da obra de Deus na terra. Entretanto a Bíblia nos dá instruções como devemos proceder para estarmos atentos a todo instante e sermos vitoriosos, assim como Jesus o foi.

   I. CUIDADO COM OS FALSOS PROFETAS!

1. Os samaritanos observaram que os judeus davam muito valor à palavra dos profetas. Lembravam-se dos profetas Ageu e Zacarias, os quais profetizavam com tanta graça que a construção do templo, que havia estado parada por quinze anos, recomeçou imediatamente, e continuou até a inauguração da casa de Deus. Por ocasião da construção do muro, a comunicação entre judeus e samaritanos estava interrompida. Os judeus recusavam as propostas de cooperação dos samaritanos e não aceitavam as visitas deles. Em vista das constantes recusas das suas ofertas de amizade, os samaritanos procuraram então influenciá-los por meio de profecias. Tobias e Sambalate conseguiram subornar alguns profetas, entre eles a profetisa Noadias, a fim de atemorizar Neemias, dizendo que ele estava em perigo de morte, e deveria fugir para dentro do templo, para assim salvar sua vida (Ne 6.10-14). O exemplo deixado por Balaão prova que qualquer profeta que aceita suborno, ou recebe dinheiro para profetizar, é um falso profeta. Devemos ter cuidado, a fim de que os falsos profetas não encontrem guarida em nossas igrejas. – Talvez esse falso profeta Semaías quisesse imitar a Ezequiel: ficar dentro de casa para demonstrar o perigo, como se fosse uma profecia de tudo o que poderia acontecer a Neemias. Ele estava livre, então, para se oferecer a acompanhar Neemias até ao templo. – O maior mal que os nossos inimigos podem nos fazer é nos assustar, a fim de nos afastar de nosso dever e levar-nos a fazer o que é pecaminoso. Nunca recusemos participar de uma boa obra, e jamais participemos de uma obra má. Devemos provar todo conselho e recusar o que seja contrário à Palavra de Deus. Todo homem deve refletir para que seja consequente: Devo eu, cristão professo, chamado para ser santo, filho de Deus, membro do corpo de Cristo, templo do Espírito Santo, ser cobiçoso, sensual, orgulhoso ou invejoso? Devo render-me à impaciência, ao descontentamento ou à ira? Devo ser preguiçoso, incrédulo ou sem piedade? Que efeito tal conduta terá nos demais? Tudo o que Deus tem feito por nós ou por nosso intermédio, ou tudo o que Ele nos tem dado, deve nos levar a vigiar, negar a nós mesmos, e a ser diligentes.

2. Neemias tinha o dever de examinar a profecia recebida. E ele o fazia! Em primeiro lugar, estranhou a ordem para fugir: "Um homem como eu fugiria?" Além disso, ele observou que não tinha o direito de entrar no templo, uma vez que não era sacerdote. Compreendeu facilmente que tudo não passava de um ardil de Tobias e Sambalate, para atemorizá-lo e seduzi-lo a pecar. Assim, concluído o exame da profecia, Neemias pôde dizer: "Conheci que não era de Deus" (Ne 6.12). – Todos que declaram ser mensageiros de Deus devem ser examinados e provados, se de fato são homens de Deus. Há os que se apresentam como crentes, afirmando que estão empreendendo um ministério determinado por Deus quando, na realidade, os tais buscam apenas glória e prosperidade para si mesmos. O povo de Deus precisa de discernimento para julgar o caráter pessoal e a lealdade a Deus e aos seus padrões, de todos que se apresentam como porta-vozes de Deus. Neemias não tinha o dom do discernimento de espírito, mas conhecia a Palavra de Deus e sabia através do crivo da Palavra que a profecia era algo inventado e não procedia do Senhor. Assim devemos proceder!

SUBSÍDIO DIDÁTICO-PEDAGÓGICO

O professor deve ser capaz de usar bons exemplos da própria Escritura, a Palavra de Deus, para ampliar pedagogicamente o sentido da lição. Para isso é importante que ele seja um leitor permanente das Escrituras Sagradas, a fim de edificar a sua vida espiritual e acumular imagens na memória para ser capaz de apanhar exemplos que sirvam como elementos ressonantes de aprendizado.

Por isso, relate como os apóstolos discerniam as várias manifestações espirituais. Em primeiro lugar, mostre como o apóstolo Pedro desmascarou Ananias e Safira. Em seguida, descreva de que forma Paulo discerniu o espírito daquela jovem adivinha. Hoje, também, devemos estar sempre atentos às várias manifestações espirituais.

  II. A BÍBLIA REVELA A EXISTÊNCIA DOS FALSOS PROFETAS

1. No Antigo Testamento:

a. O trágico exemplo relatado em 1 Reis 13. Um fervoroso homem de Deus, procedente de Judá, profetizou com muita coragem advertindo o ímpio rei de Israel, que estava junto do altar queimando incenso. Ele disse: "Altar, altar! Assim diz o SENHOR: Eis que um filho nascerá à casa de Davi, cujo nome será Josias, o qual sacrificará sobre ti os sacerdotes dos altos que queimam sobre ti incenso, e ossos de homens se queimarão sobre ti" (v. 2). E deu um sinal de que aquela palavra era do Senhor: "Eis que o altar se fenderá, e a cinza [...] se derramará" (1 Rs 13.3).

Ouvindo o rei aquela palavra, estendeu a sua mão sobre o altar ordenando que prendessem o homem de Deus. Todavia a mão que ele estendeu contra o profeta secou-se, e não a podia tornar a trazer a si. O altar se fendeu, e a cinza se derramou, como o profeta havia dito. A pedido do rei, o profeta orou a Deus e a mão lhe foi restituída sã. A ordem de Deus para o profeta era que não comesse pão e nem bebesse água naquele lugar, e que não voltasse pelo mesmo caminho (1 Rs 13.9). Havia, porém, naquele lugar um velho profeta, cujo o filho lhe contou o que fizera o profeta vindo de Judá. O velho profeta foi ao encontro do homem de Deus, e convidou-o para comer pão. Ante a recusa do homem de Deus, o velho profeta argumentou que um anjo lhe havia falado; ordenando que convidasse o profeta de Judá a voltar, para comer pão em sua casa (1 Rs 13.11-15). O homem de Deus não discerniu a mentira e aceitou o convite do velho profeta. E sucedeu que quando ele estava comendo pão, Deus tomou o velho profeta em profecia e disse: "Visto que foste rebelde à boca do SENHOR, [...] antes, voltaste, e comeste pão, [...] o teu cadáver não entrará no sepulcro de teus pais" (1 R s 13.21,22). Depois de ter comido pão, voltou, e no caminho um leão o matou, deixando-o prostrado na estrada (1 Rs 13.23,24). O velho profeta o recolheu, e sepultou-o no seu sepulcro, chorando lágrimas, certamente de fingimento (1 Rs 13.26-28). – A conduta do velho profeta prova que realmente não era um homem bom. Quando a mudança ocorreu sob Jeroboão, ele preferiu o seu conforto e interesse, ao invés de sua religião. Este profeta utilizou um meio extremamente mau para fazer retornar um profeta bom: a mentira. Os crentes estão em maior perigo de serem desviados de seu dever pelas enganosas pretensões de santidade. O profeta morreu porque acreditou em um homem (profeta velho) que afirmou ter uma mensagem do Senhor, em vez de ouvir a voz do próprio Deus. Portanto, confiemos no que a Palavra de Deus diz em vez de acreditarmos naquilo que alguém afirma ser verdade. Desconsideremos o que alguém pode reivindicar ser uma mensagem do Senhor, se suas palavras contradisserem a Bíblia. – Pode chamar a nossa atenção que o profeta mentiroso não tenha sido repreendido, enquanto que o homem de Deus foi castigado imediatamente, o que diremos diante de tudo isso? os juízos de Deus transcendem o nosso poder de compreensão, e há um castigo vindouro. Nada é capaz de escusar um ato voluntário de desobediência. Este fato demonstra o que podem esperar os que dão ouvidos ao grande enganador, que é o Diabo. Os que cedem diante dele, quando se apresenta como tentador, padecerão nas mãos dele como atormentador. Os que o Diabo adula agora serão mais tarde violentamente atacados por ele; e os que forem levados ao pecado serão conduzidos ao desespero.

b. Nos dias de Jeremias havia falsos profetas, os quais com suas profecias combatiam a palavra que Deus havia enviado a Israel, por meio de Jeremias (Jr 29.21-23). – No livro de Jeremias há registro de vários profetas que enganava o povo, dentre eles existiam dois cativos, falsos profetas de Israel, que haviam estado enganando os exilados na babilônia (veja Jr. 29.15) acabariam por trazer sobre si a ira do rei que os havia capturado e que os lançaria numa fornalha de fogo, como em Daniel 3. Eles atraíram para si não apenas a inimizade dos poderosos inimigos, mas também a de Deus, por causa de profecias contra suas palavras e de adultério físico. O castigo contra Semaías, um profeta de quem não sabe mais nada, que se opunha a Jeremias, foi muito parecido com o que aconteceu com Hananias (Jr 28.15-18).

c. Quando o rei Josafá, de Judá, visitou o rei Acabe, de Israel, este tinha um grande número de profetas que profetizavam segundo a vontade de Acabe. Então o rei Josafá perguntou: "Não há aqui ainda algum PROFETA DO SENHOR? E o rei Acabe respondeu que havia o profeta Micaías. Os que foram buscá-lo disseram-lhe: "Vês aqui que as palavras dos profetas, a uma voz, predizem coisas boas para o rei; seja, pois, a tua palavra como a palavra de um deles, e fala bem". Então disse Micaías: “O que o Senhor me disser isto falarei". Como Micaías profetizou, assim aconteceu: Acabe morreu na batalha (1 Rs 22.5-28,35-37). – Aonde quer que for um homem bom, deverá levar consigo a sua fé, sem envergonhar-se de reconhecê-la quando estiver com os que a desdenham. Josafá não deixou para trás de si, em Jerusalém, o afeto e a reverência que tinha pela Palavra do Senhor, mas a confessou e propôs-se a levá-la à corte de Acabe. Os profetas de Acabe, para agradar Josafá, fizeram uso do nome de Jeová; para agradar Acabe, disseram: "Sobe". Porém, os falsos profetas não são capazes de imitar perfeitamente a verdade, porque quem exerce os seus sentidos espirituais, pode discernir a mentira. Um profeta fiel ao Senhor valia mais do que todos eles. – Os homens mundanos de todas as épocas têm tido pontos de vista igualmente absurdos sobre a religião. Quiseram e querem que os pregadores adaptem a sua doutrina à moda de cada época, conforme o gosto dos ouvintes, e acrescentam, contudo, a expressão: "Assim diz o Senhor" às palavras que os homens colocam em seus lábios. Os verdadeiros profetas estão dispostos a alçar a sua voz contra homens tão rudes e néscios, desprovidos de escrúpulos, dispostos somente a assegurar os seus próprios interesses e enganar os demais. – O maior bem que podemos fazer a uma pessoa que anda por um caminho perigoso é falar-lhe sobre o perigo que está correndo. Para deixar sem escusa o criminoso que tem a consciência cauterizada, e dar uma lição útil aos demais, Micaías relatou a sua visão. Este assunto está representado de acordo com o estilo dos homens; não temos que imaginar que Deus alguma vez tolere novos conselhos ou que necessite consultar anjos ou quaisquer outras criaturas, sobre o método que Ele deve adotar. Ou ainda, o que Ele deva fazer em relação ao autor do pecado, ou à causa através da qual alguém profira ou acredite em uma mentira.

d. Ainda nos dias de Jeremias, falsos profetas conseguiram influenciar alguns dos sacerdotes e enganar o povo, por meio deles (Jr 5.31). Dessa maneira, o povo desviava-se dos caminhos de Deus, e recusava-se a ouvir as verdadeiras anunciadas por Jeremias. Moisés, Jeremias, e Ezequiel combateram tenazmente os falsos profetas e seus ensinos heréticos (Dt 13.1-18; 18.20-22; Jr 23.11-32; 28.6-17; Ez 13.1-18). – Aqui estão incluídos os profetas com mensagens falsas, os sacerdotes que querem afirmar a sua própria autoridade e também os seus seguidores, que toleram tais falsidades. Todos são culpados diante de Deus!

2. No Novo Testamento:

a. Jezabel. Jesus advertiu o anjo da Igreja em Tiatira, por este ter permitido que uma mulher, por nome Jezabel, falsa profetisa, ensinasse e enganasse os membros daquela igreja, prostituindo-os (Ap 2.20-23). – Provavelmente Jezabel aqui seja um pseudônimo de uma mulher que influenciava a igreja do mesmo modo que a rainha Jezabel havia influenciado os judeus do Antigo Testamento, com sua idolatria e imoralidade. Havendo dado tempo para essa mulher se arrepender, Deus estava por julgá-la sobre uma cama. Já que usava uma cama luxuosa para cometer imoralidade, e o divã reclinável na festa do ídolo para comer coisas oferecidas a falsos deuses, Deus lhe dará uma cama no inferno, na qual ela ficará para sempre. Deus tem conhecimento perfeito e íntimo de cada coração humano; nenhum mal pode ser escondido dele (Sl 7.9; Pv 24.12; Jr 11.20; 17.10; 20.12).

b. A Bíblia adverte que nos últimos tempos aparecerão falsos profetas (Mt 24.11,24). 0 espírito do Anticristo estará então operando grandemente (1 Jo 2.18; 4.2,3), e fará esses falsos profetas operarem sinais e prodígios de mentira, com todo engano e injustiça (2 Ts 2.9,10). – O crente da atualidade precisa estar informado de que pode haver, nas igrejas, diversos obreiros corrompidos e distanciados da verdade, como os mestres da lei de Deus, nos dias de Jesus (Mt 24.11,24). Jesus adverte, aqui, que nem toda pessoa que professa a Cristo é um crente verdadeiro e que, hoje, nem todo escritor evangélico, missionário, pastor, evangelista, professor, diácono e outros obreiros são aquilo que dizem ser. A PROVA: Quatorze vezes nos Evangelhos, Jesus advertiu os discípulos a se precaverem dos líderes enganadores (Mt 7.15; 16.6,11; 24.4,24; Mc 4.24; 8.15; 12.38-40; 13.5; Lc 12.1; 17.23; 20.46; 21.8). Noutros lugares, o crente é exortado a pôr à prova mestres, pregadores e dirigentes da igreja (1Ts 5.21; 1 Jo 4.1). Seguem-se os passos para testar falsos mestres ou falsos profetas: (1) Discernir o caráter da pessoa. Ela tem uma vida de oração perseverante e manifesta uma devoção sincera e pura a Deus? Manifesta o fruto do Espírito (Gl 5.22,23), ama os pecadores (Jo 3.16), detesta o mal e ama a justiça (Hb 1.9 nota) e fala contra o pecado (Mt 23; Lc 3.18-20)? – Apesar de tudo que o crente fiel venha a fazer para avaliar a vida e o trabalho de tais pessoas, não deixará de haver falsos mestres nas igrejas, os quais, com a ajuda de Satanás, ocultam-se até que Deus os desmascare e revele aquilo que realmente são.

  III. DEVEMOS JULGAR AS PROFECIAS

1. Deus quer a sua Igreja revestida com todos os dons do Espírito Santo. A igreja em Corinto deve ser o nosso exemplo neste sentido: Paulo dirigiu-se a ela dizendo que nenhum dom lhe faltava (I Co 1.7). O conselho bíblico para nós é: "Segui o amor, e procurai com zelo os dons espirituais, mas principalmente o de profetizar" (1 Co 14.1). –  "Dom" em grego é, especificamente, "um dom da graça". Enquanto as bênçãos da palavra e do conhecimento eram, principalmente, para a evangelização do perdido, os dons edificam a igreja. Como os dons são dados a cada cristão sem considerar a maturidade ou espiritualidade, os coríntios, apesar de pecadores, os tinham em sua plenitude. Paulo deixa um imperativo para todos os cristãos: Segui o amor! Como a falta de amor era a raiz dos problemas espirituais na igreja de Corinto, o amor piedoso descrito deveria ter sido buscado por eles com particular determinação e diligência. Os dons espirituais são concedidos, de maneira soberana, por Deus a cada cristão e são necessários para a edificação da igreja. O desejo por eles, nesse contexto, é em referência ao uso deles, coletiva e fielmente, em seu serviço – e não um anseio pessoal por ter um dom que a pessoa admira, mas não possui. Como uma congregação, os coríntios deveriam estar desejosos de que a expressão plena de todos os dons fosse exercitada. Paulo usa o plural para ressaltar o desejo coletivo da igreja. O dom espiritual de profecia era desejável na vida da igreja para servir de um modo que o dom de línguas não conseguia, ou seja, edificar toda a igreja.

2. O despertamento renova os dons. Quando Deus renova o dom de profecia e os dons de variedade de línguas e interpretação, por meio de um despertamento espiritual, então se torna necessário que a igreja esteja bem doutrinada para saber como usar os dons espirituais, e também como se deve julgar as profecias, conforme a Palavra de Deus nos orienta! (1 Ts 5-19). Nenhuma mensagem tida como profética está isenta de exame por parte da igreja. Conforme o ensino do apóstolo Paulo, na referência supracitada, temos o direito e o dever de julgar as profecias, para ver se elas estão de acordo com as Escrituras. Se não estiverem, são consideradas anátema, pois têm o objetivo de conduzir o povo de Deus ao erro. Fujamos das falsas profecias e dos falsos profetas. – É importante esclarecer que a palavra ‘profecias’ pode se referir a uma revelação proferida da parte de Deus, porém, no mais das vezes refere-se à palavra escrita da Escritura (veja por exemplo Mt 13.14; 2Pe 1.19-21; Ap 1.3; 22.7,10,18-19). Essas "profecias" são mensagens autorizadas dc Deus por meio de um porta-voz, que, devido à sua origem divina, não devem ser tratadas com leviandade. Também deve-se esclarecer quem quando a Palavra de Deus é pregada ou lida, deve ser recebida com grande seriedade, pois é a palavra de Deus sendo verbalizada por um porta-voz. Agora, todos nós somos chamados a julgar todas as coisas, fazer um exame cuidadoso do que está sendo profetizado, à luz das Escrituras. Jamais devemos minimizar a Palavra de Deus, mas examinar cuidadosamente a palavra proclamada (At 17.10-11). O que for "bom" deve ser retido de todo o coração. O que for "mal" ou não bíblico deve ser evitado.

SUBSÍDIO TEOLÓGICO

"1. Devemos exercer o nosso ministério proporcionalmente à nossa fé.

3. Devemos manter atitudes certas: contribuir com generosidade, orientar com diligência e ter alegria em demonstrar misericórdia.

9. Embora exerçamos um dom até à sua próxima capacidade, tudo será fútil sem o amor. Evidentemente, temos apenas o conhecimento parcial, e é só o que conseguimos compartilhar. Os dons são dados continuamente, segundo nossa medida de fé (e não uma vez por todas). Os dons devem ser testados; devem estar sujeitos aos mandamentos do Senhor. O enfoque e o amadurecimento da igreja, e não a grandeza do dom. Estas verdades devem nos levar a humildade, a estima por Deus e pelo próximo e a zelosa disposição de obedecer a Ele" (HORTON, Stanley (Ed.) Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2006, pp.477,76).

  IV. POR QUE DEVEMOS JULGAR AS PROFECIAS?

1. Porque a Palavra de Deus nos manda julgá-las (1 Ts 5.19-21; 1 Co 14.29). – É importante que se diga que não apenas os profetas tinham de julgar os outros com discernimento, como também tinham de exercer controle sobre eles próprios. Deus não quer experiências fora do espírito ou fora da mente. Aqueles que recebiam e proclamavam a verdade tinham de ter a mente limpa. Nada havia de bizarro, extático, transcendental ou espantoso em receber e pregar a Palavra de Deus. Em 1Co 14, Paulo está colocando em ordem algo que era feito na igreja de todo jeito, sem ordem. Aqui, temos quatro regras para a pregação deles: 1) somente dois ou três deviam falar; 2) os outros profetas tinham de julgar o que fora dito;3) se, enquanto um estivesse falando, Deus concedesse a revelação, o que estivesse falando tinha de ceder aquele que ouviu de Deus; e 4) cada profeta tinha de esperar o outro acabar de falar para ter a sua vez.

2. Porque os que profetizam são sujeitos a falhas. Mesmo que a mensagem venha de Deus, pode acontecer que o instrumento esteja sem o fruto do Espírito na sua vida, e a transmissão da mensagem seja prejudicada por esta causa (1 Co 13.1-3). – Os dons espirituais estavam presentes em Corinto; a doutrina correta estava no lugar apropriado (1Co 11.2), mas o amor estava ausente. Isso levava a contendas e exibições de egoísmo e orgulho que contaminavam a igreja – particularmente na área dos dons espirituais. Em vez de desejar, de maneira egoísta e invejosa, os melhores dons não concedidos a eles, os cristãos deveriam procurar o maior de todos: o amor de uns pelos outros. O capítulo 13 de 1º Coríntios é considerado por muitos a passagem literária mais importante que Paulo escreveu. Ela é básica para o tratamento sério que ele faz dos dons espirituais, porque, depois de discutir a distribuição dos dons no capítulo 12, e antes de apresentar as funções deles no capítulo 14, ele aborda a atitude necessária em todos os ministérios da igreja neste capítulo.

3. Porque pode haver conhecimento prévio dos fatos. Quando o que profetiza conhece os problemas da pessoa para quem está profetizando, pode haver o perigo de que a sua opinião pessoal venha a influenciar o conteúdo da mensagem. A Bíblia diz: "Que tem a palha com o trigo?" (Jr 23.28). A mensagem pode ser um produto da opinião daquele que profetiza. Temos na Bíblia um exemplo, quando o profeta Natã, entregou, por conta própria, uma "mensagem profética" ao rei Davi (2Sm 7.2), porém Deus mandou que ele corrigisse a palavra dada (2 Sm 7.4-6). – O profeta Natã incentivou Davi a realizar o projeto nobre que ele tinha em mente e lhe garantiu a bênção do Senhor. Entretanto, nem Davi nem Natã haviam consultado o Senhor. O Senhor revelou sua vontade a Natã nessa questão, a fim de redirecionar os melhores pensamentos humanos do rei. Davi aceitou a sua parte no plano de Deus e não tentou ir além dela. Às vezes, o Senhor diz não aos nossos planos e, quando o faz, devemos lançar mão das outras oportunidades que Ele nos oferece.

4. Existe a possibilidade de que o "profeta", ao enunciar a “mensagem profética", esteja sendo influenciado por um espírito maligno, disseminador de mentiras. Lemos sobre isto em 1 Rs 22.7,11,19,21-23. – Convenhamos que, nessa situação, só pode tratar-se de um falso profeta. Como no caso de Josafá que reconheceu que aqueles 400 profetas não eram verdadeiros profetas do Senhor, e quis ouvir a palavra de um profeta verdadeiro. O espírito mentiroso, como referido em 1Rs 22.22, trata-se do próprio Satanás, a quem o Senhor permitiu que falasse por meio dos 400 demônios que habitavam nos 400 falsos profetas. Por esta razão, é importantíssimo que, na igreja local, haja o dom de discernimento de espíritos, a fim de identificar os falsos profetas.

  V. COMO DEVEMOS JULGAR AS PROFECIAS?

1. Examinando as Escrituras. Uma profecia jamais pode estar em conflito com a Palavra de Deus. A Palavra de Deus é o PRUMO (Am 7.7,8). A Palavra de Deus é perfeita (SI 19.7). Uma mensagem que estiver em desacordo com a Palavra de Deus, seja ela transmitida por quem for, até por um anjo do céu, está reprovada e deve ser rejeitada, pois é anátema (GI 1.8). – Ao longo da História, Deus tem devotado certos objetos, pessoas e grupos de pessoas para a destruição, veja por exemplo Js 6.17-18; 7.1,25-26. O Novo Testamento oferece muitos exemplos de um grupo desses: os falsos mestres (Mt 24.24. Jo 8.44; 1Tm 1.20; Tt 1.16), onde os judaizantes são identificados como membros desse grupo infame. Paulo faz uso de um argumento hipotético, invocando os exemplos mais improváveis para o falso ensino – ele próprio e os santos anjos – trazendo uma mensagem que não se coadune com a sã doutrina. Os gálatas não deveriam receber nenhum mensageiro, independentemente do quão perfeitas fossem suas credenciais, caso a doutrina da salvação que ele anunciasse diferisse, ainda que num ponto mínimo, da verdade de Deus revelada por meio de Cristo e dos apóstolos, tal mensagem deveria ser tida como anátema. A tradução da conhecida palavra grega anathema, a qual se refere a devotar alguém à destruição no inferno eterno (Rm 9.3; 1Co 12.3; 16.22). Essa deve ser nossa conduta na igreja local, não podemos aceitar nada menos que a sã doutrina sendo expostas de forma clara e sem mistura.

2. Através do dom de discernimento de espíritos. A Bíblia diz que “O que é espiritual discerne bem tudo". Devemos buscar, incansavelmente, receber de Deus este dom (1 Co 2.15; Jo 7.17; Fp 1.10; Lc 12.57).

Quando uma profecia é inspirada por Deus, aquele que tem discernimento logo a reconhece (1 Jo 1.5). Todo aquele que "anda na luz, como Ele na luz está" conhece e pratica a sua Palavra, e tem comunhão uns com os outros (1 Jo 1.7). Desse modo, o espirito de mentira não o engana com suas falsas profecias. O crente, que é uma ovelha do Senhor, conhece sempre a voz do seu pastor (Jo 10.4). A noiva conhece a voz do seu amado (Ct 2.8; 5.2). – O discernimento de espíritos é um dos dons espirituais concedidos aos crentes, em Jesus; ele nos capacita a distinguir o real do aparente e a verdade da mentira. Aqueles que estão fundamentalmente comprometidos em fazer a vontade de Deus serão guiados por Ele na afirmação da verdade divina. A verdade de Deus é autoautenticada pelo ministério de ensino do Espírito Santo (1Co 16.13; 1Jo 2.20,27). O cristão genuíno tem por hábito andar na luz (verdade e santidade) e não em trevas (falsidade e pecado). Em todos os lugares e em todas as épocas, sempre existiram falsas imitações, e só com o discernimento do Espírito Santo é possível identificar a fonte de tais manifestações. Isso mostra a importância e a atualidade do dom de discernir os espíritos (1Co 12.10). O dom de discernir os espíritos aparece logo após o dom de profecia (1Co 12.10); por essa razão, muitos associam o referido dom como meio de “julgar” as profecias (1Co 14.29). Mas o contexto do Novo Testamento mostra que essa não é a sua única função. Serve também para distinguir a manifestação do Espírito Santo das manifestações de profecias, línguas, visões, curas provenientes de fontes demoníacas, e para proteger-nos dos ataques satânicos. Manifesta-se em situações nas quais não é possível, com recursos humanos, identificar a origem da manifestação sobrenatural.

3. A profecia se conhece pelo seu "sabor" (Jo 6.6,7; 12.11). Também o "sotaque" de quem fala, faz com que "o filho da terra" conheça quando um "estrangeiro" fala. Compare "sibolet" e "chibolet" (Jz 12.6).  Finalmente, os que são perfeitos têm, em razão de costume, os sentidos exercitados para discernir tanto o bem como o mal (Hb 5.14). – Pronunciar a palavra chibolete era o método usado para descobrir um efraimita, pela maneira como essa palavra era pronunciada. Se pronunciasse mal a palavra, trocando o som de "ch" por "s", a pessoa se revelava por meio do seu dialeto singular, falado pelos efraimitas. – Satanás é perito no engano e no disfarce, na mentira e na aparência: “porque o próprio Satanás se transfigura em anjo de luz” (2Co 11.14). Ele é um ser habilidoso e acima de qualquer ser humano na arte do engano e da mentira; os seus disfarces só são discerníveis pelo Espírito Santo: “porque não ignoramos os seus ardis” (2Co 2.11). Às vezes, até mesmo os crentes, por falta de vigilância, terminam caindo no laço do Diabo.

SUBSÍDIO BÍBLICO-DIDÁTICO

Como era possível distinguir o verdadeiro do falso profeta no Antigo Testamento? O capitulo 8 de Deuteronômio foi um recurso revelado por Deus ao povo, por intermédio de Moisés, a fim de se estabelecer algumas d ire trizes para identificar o falso profeta. Podemos aprender com elas também:

1. O verdadeiro profeta falava em nome do Senhor dos Exércitos. Aliás, era costume dos profetas em Israel iniciar suas mensagens desta forma: "Assim diz o Senhor dos Exércitos". Embora nem sempre os verdadeiros profetas usassem esta fórmula, esta caracterizava o verdadeiro profeta. Daniel, por exemplo, não a usou; isto, porém, não lhe descaracteriza a profecia.

2. As palavras enunciadas pelos profetas deveriam estar em conformidade com a Palavra de Deus. Caso contrário, o mensageiro seria execrado da comunidade de Israel. Em Isaías 8.20, lemos que todos deveriam se ater à Lei e ao Testemunho. E, se não falassem de acordo com estas palavras jamais veriam a alva.

3. As profecias teriam que ter, necessariamente, um cabal cumprimento. Caso contrário: seriam descaracterizadas como palavras de Deus. Note bem: o cumprimento profético não poderia ter um cumprimento casuístico nem circunstancial, como acontece hoje em muitas igrejas. O cumprimento deveria ser atestado por todo o povo de Deus

4. Se o profeta tentasse levar os israelitas ao erro, seria considerado imediatamente um impostor. E jamais haveria de achar lugar entre os eleitos. Alguns, de fato, mostravam-se seguidores de Jeová. No entanto, não passavam de filhos de Belial: não somente induziram os israelitas ao erro, como também nos levavam à derrocada nacional.

Embora vivamos noutra dispensação, as mesmas regras continuam válidas para aferirmos a autenticidade dos mensageiros do Senhor. Afinal, como afirma o apóstolo Paulo, tudo quanto foi escrito, para nossa instrução foi escrito. Se nos dedicarmos mais ao estudo das Sagradas Escrituras, não seremos tão facilmente enganados. Infelizmente, muitas igrejas, hoje, são ludibriadas porque não têm mais as Sagradas Escrituras como a sua única regra de fé e conduta (Texto adaptado da revista Lições Bíblicas: Maturidade Cristã, Jovem e Adultos (Professor). Rio de Janeiro, CPAD, 1993, pp. 32,33).

  VI. CONCLUSÃO

1. Quando as profecias são provadas, o conceito e a consideração dos dons espirituais são conservados. Deste modo, a sã doutrina é preservada de qualquer influência e erros humanos, e o Espírito Santo tem liberdade de usar os seus servos, conforme a sua soberana vontade. – Pedro afirma a divina origem e autoridade das profecias da Escritura (1Pe 1.21). Todos os crentes devem, de modo semelhante, manter um conceito firme e final da inspiração e autoridade das Sagradas Escrituras. Há várias razões para isso: (1) É a única maneira de ser fiel ao que Jesus Cristo, os apóstolos e a própria Bíblia ensinam a respeito das Escrituras (ver Sl 119; Jo 5.47). (2) Sem uma convicção inabalável nas Sagradas Escrituras, a igreja fica sem alicerce autêntico e seguro para sua fé, sem certeza da salvação, sem valor moral absoluto, sem mensagem garantida para pregar, sem nenhuma certeza do batismo no Espírito Santo e da operação de milagres e nenhuma esperança da volta iminente de Jesus Cristo. (3) Sem uma convicção inabalável nas Sagradas Escrituras, os cristãos fiéis à Bíblia não têm nenhuma verdade absoluta e objetiva, baseada na autoridade do próprio Deus, com a qual possam julgar e rejeitar os valores movediços deste mundo, as filosofias humanas e as práticas ímpias da cultura mundana (Sl 119.160). (4) Sem uma convicção inabalável nas Sagradas Escrituras, o cristão não tem condições de suportar as terríveis dificuldades dos últimos dias (ver 1 Ts 2.1-12; 1 Tm 4.1; 2 Tm 3.1). (5) Sem uma convicção inabalável nas Sagradas Escrituras, ficam enfraquecidas a plena autoridade e as doutrinas da Bíblia; em consequência disso, ela será substituída pela experiência religiosa subjetiva humana, ou pelo raciocínio independente e crítico, também humano (2.1-3).

2. Quando provamos as profecias, estamos em condições de corrigir e doutrinar a pessoa que usou erradamente o dom de profecias. Assim, doutra vez, ele dará lugar ao Espírito Santo e irá usar o dom profético de modo correto. – É fundamental à comunhão do crente com o Senhor, a sua fidelidade a Deus e à Palavra revelada dEle (8.3). No texto de Dt 13.1-5 vemos que a tentação visando a destruir nossa lealdade a Deus, às vezes surge através de pessoas parecendo espirituais. Várias inferências decorrem disso, para nossa vida como crentes. [1] Deus, às vezes, testa a sinceridade do nosso amor e dedicação a Ele e à sua Palavra (cf. 8.2). [2] Deus, às vezes, nos prova permitindo que surja entre o seu povo, pessoas afirmando que são profetas de Deus, e que realizam "sinal ou prodígio" (vv. 1,2). Tais pessoas, às vezes, falam com muita "unção", predizem corretamente o futuro, e operam milagres, sinais e prodígios. Ao mesmo tempo, porém, podem pregar um evangelho contrário à revelação bíblica, acrescentar inovações à Palavra de Deus ou subtrair partes dela (cf. 4.2; 12.32). Aceitar esses falsos pregadores, significa abdicar da fidelidade total a Deus e à sua Palavra inspirada (v. 5). [3] O Novo Testamento também, por sua vez, adverte que falsos profetas e falsos mestres perverterão grandemente o evangelho de Cristo nos últimos dias desta era. O crente deve ter firme determinação quanto a sua fidelidade à revelação escrita de Deus, como a temos na Bíblia. A autenticidade do ministério de uma pessoa e do seu ensino não deve ser avaliada apenas pela sua pregação talentosa, alocuções proféticas poderosas, realização de milagres ou número de decisões. Esses critérios tornam-se cada vez menos dignos de confiança à medida que se aproximam os tempos do fim. O padrão da verdade sempre deverá ser a infalível Palavra de Deus. (Extraído de apazdosenhor.org.br)

3. Quando provamos as profecias recebemos as bênçãos que Deus, por meio delas, quer nos dar. Ficamos com o bom e rejeitamos o que não veio de Deus (1 T s 5.21). – Em 2Pe 1.19, Pedro contrasta as ideias humanistas com a Palavra de Deus (v. 16). Ele atesta a origem divina das Escrituras e afirma que toda a profecia teve sua origem em Deus, e não no ser humano (cf. v. 16). Assim, temos a certeza de que a mensagem de Deus é infalível (não é passível de conter erros ou enganos) e inerrante (livre de erros, falsificação ou logro). A infalibilidade e a inerrância da Bíblia são inseparáveis, porque a inerrância é o resultado da infalibilidade da própria Palavra de Deus. As Escrituras, na sua totalidade, são verdadeiras e fidedignas em todos os seus ensinos (2 Sm 23.2; Jr 1.7-9; 1 Co 14.37). Portanto, não há como recebermos uma parte da profecia e descartarmos o resto, ou é Palavra de Deus ou não é, ou recebemos ou rejeitamos, anátema!

REFERÊNCIAS

BARBOSA, Francisco. Especial Lição 10: Provai se os espíritos são de Deus. Disponível em: https://auxilioebd.blogspot.com. Acesso em 05.09.2020

BÍBLIA, Bíblia SHEDD. São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil, 2008.

HENRY, Matthew. Comentário Bíblico Antigo Testamento: Neemias p. 7; 1 Reis; p. 39.  Rio de Janeiro: CPAD, 2010.

LIÇÕES BÍBLICAS. Edição Especial Jovens e Adultos, 3º Trimestre 2020 - Lição 10. Rio de Janeiro: CPAD, 06 setembro, 2020.

STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1997.