sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

LIÇÃO 6: PERSEVERANÇA E FÉ EM TEMPO DE APOSTASIA

SUBSÍDIO I

1. Recapitulando conteúdos anteriores

Caro professor, prezada professora, estamos quase na metade deste trimestre. Nossa sugestão é que você utilize os 10 primeiros minutos da aula para fazer uma recapitulação dos conteúdos vistos desde a lição 1 à lição 5.
Insistimos no tópico de recapitular, pois esse elemento didático é fundamental no aprendizado da classe de Escola Dominical. Portanto, esquematiza o resumo dessas cinco primeiras lições mais ou menos assim:
Lição 1 → Questões de autoria, dos destinatários, propósito da carta, apresentação de Jesus como superior aos profetas e aos anjos.
Lição 2 → Destaque para a importância da salvação anunciada por Cristo, proclamada pelos apóstolos e confirmada pelo Espírito Santo.
Lição 3 → A questão da superioridade do ministério de Jesus em relação ao de Moisés.
Lição 4 → A questão da superioridade do ministério de Jesus em relação ao de Josué.
Lição 5 → A questão da superioridade do ministério de Jesus em relação ao de Arão e da Ordem Levítica. 

2. Texto de subsídio para a Lição 6

Aqui, para auxiliar no processo de preparação de aula, reproduzimos um texto do comentarista José Gonçalves em que ele trata o ponto crucial da presente lição, conforme segue:

“‘Porque é impossível que os que já uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se tornaram participantes do Espírito Santo’ (v.4). O tom exortativo da carta aos Hebreus chega a seu ápice aqui no versículo quatro deste capítulo. Com a palavra “impossível” (gr. adynatos), o autor dá início a uma argumentação que culmina no versículo 6. Dentro desse contexto, o termo “impossível” é usado em relação aqueles que caíram e não podem mais ser restaurados ao arrependimento. Mas que tipo de queda o autor estaria se referindo? Não há dúvida que não se trata de um desvio qualquer, mas aquilo que o próprio autor já havia se referido em Hb 3.12 – o pecado de apostasia. A interpretação que afirma que aqui o autor estaria se referindo a uma mera hipótese, sem possibilidade de realização não consegue ser convincente. Da mesma forma, a interpretação que tenta transformar “os iluminados” que “provaram o dom celestial” e que se “tornaram participantes do Espírito Santo” em descrentes ou crentes salvos, mas não regenerados, não se sustenta por razões contextuais, gramaticais e léxicas!
1. O termo “iluminado” é usado tanto no contexto do Novo Testamento como aqui em Hebreus como se referindo a pessoas salvas (Hb 10.32; Jo 8.12; 2 Pe1.19).
2. A palavra grega dorea traduzia aqui como “dom” é usada outros lugares no Novo Testamento. É usada em referência a Cristo, o Espírito Santo ou alguma coisa dada por Cristo. Este texto, portanto, fala daqueles que experimentam o dom do Filho (Jo 4.10; Rm 5.15, 17; 2 Co 9.15; Ef 4.7) e do Santo Espírito (At 2.28; 8.20; 10.45; 11.17), e que, posteriormente caíram.
3. A expressão “participantes do Espírito Santo” só tem sentido em relação a crentes (Rm 8.9). Hal Harless destaca que os que caíram foram de uma vez por todas feitos participantes (metochous genēthentas) do Espírito Santo (Hebreus 6: 4). Esse particípio passivo mostra que Deus os fez participar do Espírito Santo, e que isso não partiu deles mesmos. O termo grego metochos, significa:  (1) “compartilhando / participando”. (2) “negócios”, “parceiro”, “companheiro”. O particípio acompanhante favorece o primeiro. Eles participam do Espírito Santo, então eles são regenerados (Romanos 8: 9, Tito 3: 5-7). 
‘E provaram a boa palavra de Deus, e as virtudes do século futuro’ (v.5).Os crentes a quem o autor se referiu no versículo 4, também provaram “a boa palavra de Deus” e os “poderes do século vindouro”. Este versículo também só tem sentido quando visto em referência a crentes. Eles já haviam sido iluminados, provado do dom celestial, participado do Espírito Santo. Agora é mostrado que eles também provaram da palavra de Deus e conheceram as virtudes do século vindouro. Eram, portanto crentes de verdade.
‘E recaíram, sejam outra vez renovados para arrependimento; pois assim, quanto a eles, de novo crucificam o Filho de Deus, e o expõem ao vitupério’ (v.6).O autor vai alertar que a queda na fé é uma possibilidade real e que nesse aspecto a apostasia é um caminho sem volta. Aqui ele mostra a causa dessa tragédia espiritual. Tanto Bruce como Hughes destacam que o particípio anastaurountas (crucificar de novo) aqui é causal, indicando a impossibilidade do apóstata se arrepender e recomeçar de novo.  Fritz Rienecker destaca que o particípio paradeigmatizontas (expor à desgraça) soa como um alerta aos leitores para que o mesmo não volte ao judaísmo, pois se assim o fizessem não haveria mais condições de refazer sua vida espiritual. Esse fato iria requerer uma ré-crucificação de Cristo e a exposição dele a vergonha pública. William Barclay ver a apostasia aqui como um fato concreto, mas entende que a mesma acontecia no contexto de uma perseguição onde o cristão era desafiado a negar sua fé. Ainda segundo Barclay, o autor queira mostrar que “era a terrível seriedade de escolher a sobrevivência neste mundo às custas da lealdade a cristo. O autor de Hebreus na continuação diz uma coisa terrível. Os que cometem apostasia crucificam a Cristo outra vez.”. (Texto extraído da obra “Ânimo, Esperança e Fé em Tempos de Apostasia:  Um estudo na carta aos Hebreus versículo por versículo”, editada pela CPAD)

SUBSÍDIO II

INTRODUÇÃO

Na aula de hoje discutiremos a respeito da perseverança e fé em tempos de apostasia. É preciso destacar que alguns crentes hebreus daquela comunidade estavam desertando da fé, e retornando para a religiosidade judaica. Diante dessa realidade, o autor da Epístola os admoesta para seguirem adiante, crescendo em entendimento da fé, tendo cuidado para que não venham a perder o que haviam adquirido por meio de Cristo, tendo como garantias as promessas do Senhor.
                                                                                                       
1. A IMPORTÂNCIA DA MATURIDADE CRISTÃ

Em continuidade à discussão do capítulo anterior, o autor da Epístola aos hebreus amoesta os irmãos para que não fiquem apenas nos “rudimentos da doutrina de Cristo” (Hb. 6.1). Evidentemente não há uma reprovação em relação aos ensinamentos fundamentais da fé, tais como: arrependimento, fé em Deus, doutrina dos batismos, imposição das mãos, ressurreição dos mortos e juízo eterno (Hb. 6.2,3). Algumas dessas práticas religiosas eram conhecidas dos cristãos hebreus, e ao que tudo indica, eles a circunscreviam ao judaísmo, em consonância com o evangelho de Cristo. Essas doutrinas incluíam: 1) arrependimento das obras mortas – a prática das obras é necessária, mas não garante a salvação, pois somente pela fé em Cristo podemos ser salvos (Ef. 2.8-10); 2) fé em Deus – é verdade que sem fé é impossível agradar a Deus (Hb. 11.6), essa fé, no entanto, deve instigar à maturidade, não ao comodismo; 3) doutrina dos batismos – a igreja cristã tem basicamente um batismo (Ef. 4.5), mas entre os judeus eram comuns vários banhos cerimoniais; 4) a imposição de mãos – era uma prática comum no judaísmo, como uma forma de transferência de atribuição, que se dava por meio da oração (Mc. 5.23; At. 6.6); 5) ressurreição dos mortos – Jesus morreu e ressuscitou pelos pecadores, essa se tornou uma doutrina fundamental da fé, e que também os que creem haverão de ressuscitar (I Co. 15.18); e 6) o juízo eterno – o julgamento vindouro é uma realidade bíblica, assegurada no ensinamento dos apóstolos (At. 10.42). Mas fazia-se necessário que eles avançassem, que saíssem do “jardim de infância”, e partissem para a “formação acadêmica”. Na verdade, essa é uma metáfora do significado do crescimento espiritual dos crentes. Há cristãos que ficam muito à vontade no “educandário espiritual”, pois nesse ambiente há muitas diversões, e quase nenhum compromisso.

2. O PERIGO DA APOSTASIA, A DESERÇÃO DA FÉ

A preocupação do autor da Epístola aos hebreus não é com aqueles que passam por altos e baixos na fé Cristo. Mas propriamente neste capítulo, se volta para a apostasia – que se trata da deserção premeditada da fé. O texto trata a respeito daqueles que “uma vez foram iluminados” (Hb. 6.4), por conseguinte, aqueles que tiveram uma experiência real de fé. Há elementos bíblicos suficientes para fazer essa afirmação, considerando que tais crentes: “provaram o dom celestial, e se fizeram participantes do Espírito Santo, e provaram a boa palavra d Deus e as virtudes do século futuro” (Hb. 6.4,5). Esse é um texto cujo significado é disputado por calvinistas – aqueles que acreditam na segurança eterna dos salvos; e arminianos – que defendem a possibilidade da apostasia, mesmo para aqueles que foram salvos. A esse respeito, é preciso ter cuidado para evitar qualquer tipo de extremo. Por um lado, podemos ter convicção de que temos a segurança da salvação, e não podemos viver instáveis em relação à providência divina para a vida eterna. A salvação não depende de nós, é um ato divino do início até ao fim, de modo que temos firmeza que Aquele que iniciou a boa obra a concluirá (Fp. 1.6). De outro modo, não podemos negar a possibilidade da apostasia, inclusive para aqueles que uma vez professaram a fé cristã, esse é justamente o significado da apostasia - deserção. Esse, na verdade, é o pecado contra o Espírito Santo, resultando na impossibilidade do arrependimento, tendo em vista que é o Espírito que convence do pecado (Lc. 12.8-10; Mt. 12.31; Mc. 3.29; Jo. 16.8). Portanto, calvinistas e arminianos devem se render à veracidade desse texto, e não acharem que uma vez salvos, salvos para sempre. E ao mesmo tempo, também não devem achar que a salvação se perde por qualquer motivo.

3. A ESPERANÇA POR COISAS MELHORES

A abordagem do autor da Epístola aos hebreus é a de um pastor-mestre, não apenas está interessado em apresentar uma série de doutrinas, mas também em estimulá-los a seguir adiante. Por isso a eles se dirige afirmando esperar “coisas melhores e coisas que acompanhem a salvação” (Hb. 6.9). O pastor-mestre não apenas adverte os crentes, também os impulsiona a seguirem adiante, admoestando-os a buscarem crescimento espiritual. É bem verdade que, por causa da fé, enfrentamos muitas adversidades, mas “Deus não é injusto para se esquecer da vossa obra e do trabalho de amor que, para com o seu nome mostrastes, enquanto servistes aos santos e ainda servis” (Hb. 6.10). Essa é uma mensagem que os motivou a enfrentarem as lutas, a fim de que perseverassem “até o fim, para completa certeza da esperança” (Hb. 6.10). E, de igual modo, não serem negligentes na caminhada, antes “sendo imitadores dos que, pela fé e paciência, herdam as promessas” (Hb. 6.12). Um desses exemplo é Abraão, pois demorou muito tempo até que ele visse o cumprimento das promessas do Senhor em sua vida. Mas não se desesperou, “esperando com paciência, alcançou a promessa” (Hb. 6.15). O Deus nos qual cremos é de promessas, e Ele vela pela Sua palavra para cumprir (Mt. 24.35). Temos a esperança de que ao Seu tempo Ele fará tudo aquilo que prometeu. Essa deve ser a âncora da nossa alma (Hb. 6.19), a bússola que norteará nossas decisões, ainda que essas sejam contrárias à maioria. Temos ainda um exemplo maior que o de Abraão, o próprio Cristo, que é Sacerdote e Precursor do crente, ou seja, aquele que está adiante de nós, mostrando o caminho que deve ser seguido (Hb. 6.20).

CONCLUSÃO

A perseverança na fé deve ser ensinada nas igrejas, como forma de estimular os crentes a seguirem adiante, não se acomodando nos rudimentos da doutrina. Mas isso precisa ser feito com equilíbrio, a fim de evitar que resulte em insegurança em relação à salvação, que nos foi providenciada graciosamente, através do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, que é Sacerdote e Precursor, daqueles que carregam a cruz do discipulado (Mt. 16.24).
 
Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Extraído do Blog subsidioebd

COMENTÁRIO E SUBSÍDIO III

INTRODUÇÃO

O autor já havia dito que os crentes deveriam ser mestres, mas em vez disso necessitavam que alguém lhes ensinasse de novo os primeiros rudimentos da fé (Hb 5.12). A vida cristã é dinâmica e exige que o discípulo vá além dos primeiros passos. Mas isso não estava acontecendo com a comunidade com a qual o autor sacro se correspondia. Em vez disso, dava sinais de cansaço, indolência, negligência e imaturidade espiritual, o que poderia trazer como consequência o esfriamento e o fracasso na fé. A graça não é irresistível e nem tampouco incondicional. A apostasia é retratada pelo escritor como algo real e não apenas como um perigo hipotético, por isso, ele mostra que para se evitar decair é necessário perseverança, fé e confiança nas promessas de Deus.
Maturidade é a capacidade de se entender e cumprir o projeto de Deus para nossa vida. Todos os cristãos começam suas vidas espirituais como “bebês” em Cristo, mas precisam crescer para amadurecer (6:1). Permanecer um infante espiritual pode resultar em afastar-se de Cristo (6:4-6). O cristão que rejeita Jesus está na realidade agindo justamente como aqueles que realmente crucificaram Jesus! Ele crucifica Jesus de novo e o envergonha abertamente. Se um cristão rejeita Cristo, que mais o evangelho oferece para levá-lo ao arrependimento? O Escritor de Hebreus, contudo, estimula seus leitores, observando que ele não pensa que eles estejam em tal estado. Mas espera que eles continuem nos trabalhos que tinham iniciado (6:9-12). Mas que garantia têm os cristãos de que, depois que tiverem trabalhado diligentemente e suportado as tribulações pacientemente serão, de fato, salvos da eterna destruição? O autor cita o exemplo de Abraão, a quem Deus fez uma promessa (6:13-17). Quando Abraão pacientemente suportou, obteve o cumprimento da promessa, porque a palavra de Deus é imutável. O exemplo de Abraão é um forte encorajamento para aqueles que estão agora confiantes em que Deus lhes dará a vida eterna, como ele prometeu àqueles que o obedecem (Hebreus 5:9).
“Maturidade espiritual é o alvo do discipulado. A grande ênfase de Jesus na grande comissão é “fazer discípulos”. Nosso compromisso, portanto, vai além da evangelização. O Senhor quer mais do que crentes ou novos membros em sua igreja, ele quer discípulos. O discipulado é efetivado através da integração na igreja local, pelo batismo, e através do ensino contínuo. O ensino que Jesus estabeleceu vai além da comunicação verbal da verdade. O princípio estabelecido por Jesus é, “ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado.” O verdadeiro ensino desemboca na obediência. Não se trata apenas de aprender um acervo teológico e doutrinário, mas esse acervo deve ser convertido em vida transformada, ou seja, em maturidade espiritual. O discípulo é um seguidor e imitador de Cristo. Seu alvo é aprender com Cristo e de Cristo. Sua vida deve refletir a vida de Cristo. Ele deve andar assim como Cristo andou. Sem obediência a Deus, não há cristianismo autêntico. Sem santidade, não há evidência de maturidade espiritual. Sem maturidade espiritual, não podemos viver de modo digno de Deus.”. (LOPES, Hernandes Dias: Maturidade Espiritual. Disponível em:http://hernandesdiaslopes.com.br/portal/maturidade-espiritual/. Acesso em 5 fev, 2018)
Vocação Eficaz ou Graça Irresistível é uma doutrina do Calvinismo segundo a qual a graça divina é irresistível para os crentes, isto é, o Espírito Santo acaba convencendo e infundindo a fé salvadora neles; Deus não ama os ímpios. Eles recebem apenas providência comum. Segundo a doutrina arminiana, a Graça é Resistível - Os homens podem resistir à Graça de Deus e não serem salvos; Deus ama os ímpios e eles experimentam a graça comum. A ira de Deus é apenas reflexo do amor rejeitado. Apostasia é: 1) Negação e abandono da fé (1Tm 4.1; 2Tm 2.17-18); 2) A Revolta Final contra Deus (2Ts 2.13); 3) Abandonar a fé em Deus; afastar-se dos caminhos do Senhor; - “As tuas apostasias te repreenderão: [...] vê que mau e quão amargo é deixares ao Senhor teu Deus, e não teres o Meu temor contigo, diz o Senhor Jeová dos Exércitos” (Jr 2.19); “Se ele recuar, a Minha alma não tem prazer nele” (Hb 10.38).
O comentário da revista está sensacionalmente explicado, o conteúdo deste plano de aula vai buscar a visão Reformada em alguns pontos, com o fim de disponibilizar o conhecimento ao leitor, também desta linha doutrinária e não apenas a visão Arminiana/Wesleyana adotada pela revista e pela denominação. Lembro àqueles que fazem uso deste plano de aula que não podemos ensinar às classes doutrina diferente à abraçada pela denominação, seríamos desonestos agindo assim. Mas, enquanto professores, devemos conhecer outros pontos de vista e também orientar os alunos sobre tais. Isso é pensar maduramente a fé cristã!

I. A NECESSIDADE DO CRESCIMENTO ESPIRITUAL
                                
1. Indo além dos rudimentos doutrinários sobre arrependimento e fé. Longe de dizer que a doutrina do arrependimento e da fé não é mais necessária, o autor quer mostrar que ela é importante sim, mas que constitui o "ABC doutrinário" da fé cristã. A vida cristã começa com o arrependimento e fé (Mc 1.15). De fato, a Bíblia mostra que para que uma pessoa possa ser salva, ela primeiro deve crer (Mc 16.16; At 16.31; Rm 1.16; Ef 2.8; l Tm 1.16) e não o contrário. Todavia não deve parar aí. Há um longo caminho a percorrer e os seus leitores, parece, haviam se esquecido desse fato, "estacionando" na jornada.
É necessário infundirmos em nós a certeza de que a Maturidade espiritual não é algo apenas para uma minoria privilegiada, mas é o propósito de Deus para todos os seus filhos. Ela é imperativa para mim e para você! 2º Pedro 3.18: “Cresçam, porém, na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. A ele seja a glória, agora e para sempre! Amém.”
“O grande alvo do ministério de Paulo era conduzir os crentes à maturidade espiritual (Colossences 1:28). O conteúdo de suas orações em favor da igreja sempre foi por maturidade espiritual. A Bíblia nos foi dada para que pudéssemos chegar à maturidade espiritual (2 Timóteo 3:15-17). Os dons espirituais nos foram concedidos para que experimentássemos maturidade espiritual ( Efésios 4:11-16). Sem maturidade a igreja fica vulnerável aos ventos de doutrinas (Efésios 4:14). Sem maturidade espiritual a igreja corre o risco de fazer dos dons esprituais uma matéria de conflito e desarmonia em vez de canal para edificção do corpo (1 Coríntios 12:12-31).” (LOPES, Hernandes Dias: Maturidade Espiritual. Disponível em:http://hernandesdiaslopes.com.br/portal/maturidade-espiritual/. Acesso em 5 fev, 2018)
O crescimento espiritual é um processo e nele todo crente se torna mais parecido com Jesus Cristo. Se inicia no momento do novo nascimento, pelo trabalho incansável do Espírito Santo, de nos “conformar” à Sua imagem. 2º Pedro 1.3-8 nos diz que pelo poder de Deus “... nos deu todas as coisas de que necessitamos para a vida e para a piedade, por meio do pleno conhecimento daquele que nos chamou para a sua própria glória e virtude. Por intermédio destas ele nos deu as suas grandiosas e preciosas promessas, para que por elas vocês se tornassem participantes da natureza divina e fugissem da corrupção que há no mundo, causada pela cobiça. Por isso mesmo, empenhem-se para acrescentar à sua fé a virtude; à virtude o conhecimento; ao conhecimento o domínio próprio; ao domínio próprio a perseverança; à perseverança a piedade; à piedade a fraternidade; e à fraternidade o amor. Porque, se essas qualidades existirem e estiverem crescendo em suas vidas, elas impedirão que vocês, no pleno conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo, sejam inoperantes e improdutivos.”

2. Indo além dos rudimentos doutrinários sobre batismos e imposição de mãos. O segundo bloco de rudimentos doutrinários (Hb 6.2) mostrado pelo autor é formado pelos ensinamentos sobre batismos e imposição de mãos. O contexto mostra que em Hebreus 6.2 a referência é ao batismo cristão em contraste com outros batismos praticados no judaísmo. Na igreja primitiva o batismo em águas era feito em razão do "arrependimento para remissão de pecados" (Mc 1.4; At 10.47,48; 22.16). O batismo não possuía poder salvífico, isto é, não era um sacramento, mas um testemunho público da fé em Cristo. Por outro lado, a doutrina da imposição de mãos é evidenciada em vários lugares na Bíblia, mas era sempre demonstrada como um símbolo exterior da prática da oração (At 6.6; 13.3; 1 Tm 4.14).
O Comentário da Bíblia Reina Valera diz de Hebreus 6.2: “A doutrina de batismos: expressão que pode incluir os lavamentos cerimoniosos judeus, considerados já superados pelo batismo cristão”.
“6.2 dos batismos Ou “das cerimônias de purificação”. Nesse caso, o autor estaria falando sobre as cerimônias de purificação dos judeus (Mc 7.1-4). cerimônia de pôr as mãos sobre os cristãos Provavelmente, a cerimônia em que uma pessoa era separada para o serviço cristão (At 6.6; 1Tm 5.22; 2Tm 1.6); ou, então, pôr as mãos sobre a pessoa para que ela receba o Espírito Santo (At 8.17; 19.6).” (HEBREUS 6 – Interpretação Bíblica. Disponível em:https://bibliotecabiblica.blogspot.com/2015/12/hebreus-6-interpretacao-biblica.html. Acesso em 5 fev, 2018)
A Bíblia de Estudo Cronológica Aplicação Pessoal (CPAD) traz o seguinte: “Alguns ensinamentos básicos são essenciais e devem ser compreendidos por todos os crentes. Estes princípios incluem a importância da fé, a tolice de tentar ser salvo através de boas obras, o significado do batismo e dos dons espirituais, e os fatos da ressurreição e da vida eterna. Para alcançarmos  a maturidade em nosso entendimento, é preciso ir além (mas não para longe) dos ensinamentos básicos, a um compreensão mais completa da fé. Os cristãos maduros devem ensinar os princípios básicos para os novos convertidos. Então, agindo de acordo com o que sabem, os cristãos maduros aprenderão ainda mais sobre a Palavra de Deus”.(Pág.1791)

3. Indo além dos rudimentos doutrinários sobre ressurreição e juízo. Fica patente para o leitor do Novo Testamento que a pregação apostólica se fundamentava primeiramente no fato da ressurreição de Jesus (At 4.33; 17.18). Tanto a doutrina da ressurreição dos mortos como a do juízo vindouro são demonstradas pelo autor como fontes de esperança para os cristãos (Hb 10.36,37; 12.28,29). Elas eram elementos indispensáveis para que o cristão mantivesse sua expectativa no porvir. Mas não deveriam parar aí, antes, tinham de avançar.  
O crescimento e maturidade são um processo contínuo e lógico para o cristão, não há paradas no caminho, o destino final é nos tornarmos ‘até que todos alcancemos a unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, e cheguemos à maturidade, atingindo a medida da plenitude de Cristo’. (Ef 4.13). É lógico que este estado de perfeição não será atingido neste corpo, mas este deve ser o nosso alvo. Esse é um processo que Deus quer que você, conforme for se alimentando com as palavras sólidas, alimentos sólidos, comece a se livrar das coisas de criança.
“O escritor da Carta aos Hebreus viu um paralelo entre a alimentação de um bebê e a condição espiritual dos cristãos. Eles são reprovados por não terem crescido na vida cristã, por continuarem sendo como criancinhas recém-nascidas que necessitam de leite, não suportando ainda alimentos sólidos, ou seja, um ensino espiritual mais profundo. Eles não têm progredido na fé (Hb 5.11-14)”. (Leite ou alimento sólido, Revista Online Ultimato. Disponível em: http://ultimato.com.br/sites/estudos-biblicos/assunto/igreja/leite-ou-alimento-solido/. Acesso em 5 fev, 2018)

SUBSÍDIO DIDÁTICO
                               
Prezado(a) professor(a), faça um resumo do capítulo 6 de Hebreus para a classe, antes de introduzir este tópico. Se possível, reproduza o esquema abaixo:

II. A NECESSIDADE DA VIGILÂNCIA ESPIRITUAL

1. Apostasia, uma possibilidade para quem foi iluminado e regenerado. As palavras do autor dão início ao versículo 4 do capitulo 6 de Hebreus com o vocábulo grego adynato, traduzido aqui como "impossível". É a mais forte advertência em o Novo Testamento sobre o perigo de decair da graça. Os gramáticos observam que o seu sentido aqui é enfatizar o que vem colocado depois da conversão (Hb 6.4). O autor fala de pessoas crentes, porque nenhum descrente foi iluminado nem tampouco experimentou do dom celestial. No capítulo 10 e versículo 32 ele usa a expressão "iluminados" para se referir à conversão dos seus leitores. Além do mais, as palavras "uma vez" (Hb 6.4) contrastam com "outra vez" (Hb 6.6), mostrando o antes e o depois da conversão. Essas não são expressões usadas para pessoas não regeneradas. A apostasia, o perigo de decair da fé, é colocada pelo escritor de Hebreus como algo factível, um perigo real a ser evitado por quem nasceu de novo.
Todos os cristão concordam que a salvação é somente mediante a fé em Jesus Cristo. O Novo Testamento mostra que a doutrina dos apóstolos era que ninguém pode ir para o céu a menos que creia somente em Cristo para a sua salvação (Jo 14.6; Rm 10.9-10). O Dr R. C. Sproul comentando sobre a possibilidade de o cristão apostatar da fé, afirma:
 “Historicamente, os cristãos evangélicos têm largamente concordado sobre esse ponto. Onde eles diferem tem sido na questão da segurança da salvação. Pessoas que concordariam que apenas aqueles que confiam em Jesus serão salvos têm, por outro lado, discordado acerca de se alguém que verdadeiramente crê em Cristo pode perder a sua salvação.” (R. C. Sproul. Um Crente Pode Apostatar?
Na Bíblia, apostasia significa o abandono e a negação da fé. Ou seja, a negação daquilo que se crê, ou melhor, que se cria anteriormente. De uma forma bem simples, apostasia é a negação do ensino bíblico e o afastamento das pessoas da vontade de Deus. A apostasia acontece quando a pessoa renega sua fé e deixa para trás tudo aquilo que cria, abandonando totalmente a filosofia de vida pautada na Palavra de Deus - “Além disso, a linguagem deles corrói como câncer; entre os quais se incluem Himeneu e Fileto. Estes se desviaram da verdade, asseverando que a ressurreição já se realizou, e estão pervertendo a fé a alguns.” (2Tm 2.17).
Com relação à apostasia, é fundamental que todos os cristãos compreendam duas coisas importantes:
- (1) como reconhecer a apostasia e professores apóstatas, e
- (2) por que o ensino apóstata é tão mortal.
Com relação à questão doutrinária da perda da salvação o subtópico contempla a visão arminiana, eu acrescento aqui a visão reformada para que o leitor conheça o que estes defendem quanto à segurança da salvação: “Hebreus 6.4- 6 é um trecho que não pode ser tomado como uma interpretação de que o Cristão está sujeito a perder a salvação após tê-la recebido, pois tal proposição traz consigo sérias implicações de cunho hermenêutico e exegético como:
1. Se alguém servir a Jesus e posteriormente “desviar-se” da fé, não haverá possibilidade de arrependimento e estará invariável e eternamente perdido.
2. Por esse prisma, a salvação deixa de ser um dom gratuito para tornar-se uma conquista meritória, cuja responsabilidade por sua manutenção é total e inexoravelmente humana, consequentemente, passível de ser perdida.
3. Seguindo essa linha interpretativa, o crente fraco não poderá encontrar ensejo de salvação, já que vez por outra fracassa na fé, não havendo assim chance de uma suposta comunhão que o conduza ao nível de fé desejável.”
A doutrina Reformada afirma que Hb 6.4 é uma hipótese, e que o crente goza de segurança quanto à salvação, podendo até cair drasticamente da fé, como no caso de Pedro, mas este sempre poderá ser restaurado. A apostasia cabe somente aos que uma vez iluminados contudo, não eram dos eleitos.

2. Apostasia, uma possibilidade para quem vivenciou a Palavra e o Espírito. A possibilidade de decair da graça é posta para aqueles que "se fizeram participantes do Espírito Santo, e provaram a boa palavra de Deus" (Hb 6.4,5). O autor sacro já havia dito como uma pessoa se torna participante de alguma coisa. Os crentes tornam-se participantes da vocação celestial (Hb 3.1); participantes de Cristo (Hb 3.14) e, dessa forma, participantes do Espírito Santo (Hb 6.4). Mais uma vez o texto mostra que a mensagem é dirigida às pessoas regeneradas. Esses crentes haviam se tornado participantes do Espírito Santo e da Palavra de Deus. Somente os nascidos de novo participam do Espírito Santo (Jo 14.17) e provam da Palavra (At 8.14; 1Ts 2.13). Portanto, trata-se de uma advertência para os salvos.
A questão estudada aqui ainda é o texto de Hebreus 6.4, e devemos considerar somente este texto quanto à possibilidade de apostasia, ou outro paralelo. Se o texto estiver falando, que mesmo depois de se conhecer o Evangelho, ter chegado a entender o plano salvífico, desfrutado das bênçãos da comunhão cristã, e depois por algum motivo “desviar-se” se perderia a salvação, seria aberto um precedente de consequências no mínimo desastrosas. Isso implicaria na dedução lógica, que após alguém ter conhecido a verdade e depois tê-la abandonado, não teria mais a possibilidade de arrependimento. Este é o entendimento da grande maioria das igreja evangélicas hoje, que defendem a doutrina arminiana/wesleyana. Mas a questão não é simples, basta examinarmos um dos maiores exemplos neotestamentário da possibilidade de arrependimento: o apóstolo Pedro. Negou não só ser discípulo de Jesus, como até mesmo conhecê-lo! Apostatou? (Mt.26.69-75) - Vale salientar que todos os outros discípulos também abandonaram o mestre - Pedro, porém, foi sensível à voz de Deus, quando do convite ao retorno à comunhão (Mc 16.7), confessando diante dos companheiros sua fé e amor ao Senhor (Jo.21.15-17). O Dr R. C. Sproul defende que o crente pode cair de forma drástica e até passar um longo período longe de Cristo, mas a apostasia não lhe alcança, e ainda, é-lhe facultada a possibilidade de arrependimento. (R. C. Sproul. Um Crente Pode Apostatar? Disponível em:http://www.ministeriofiel.com.br/artigos/detalhes/742/Um_Crente_Pode_Apostatar. Acesso em: 27 jan, 2017). Agora note que, o texto grego fala da impossibilidade de se mudar a “disposição mental” do desviado, pois o termo “caíram” denota um arremessar-se para fora (parapesountás), este verbo está no aoristo ativo apontando para uma ação simples, a ponto de tornar-se avesso a sua pessoa e doutrina, de modo similar aos que rejeitaram ao Senhor, o prenderam, aviltaram de todas as formas, inclusive despindo-o publicamente, e por fim o crucificaram (Mt.27.27-31, Lc.23.11 e Jo.19. 2,3).
“Parece muito patente que o propósito do escritor de Hebreus é falar do perigo da apostasia. É pertinente observar que em nenhum momento do texto ele se referiu a alguém que experimentou a salvação e depois a perdeu, e sim aqueles que experimentaram uma iluminação e algumas das benesses divinas e depois apostataram. Outro fator importante é quando está sendo finalizada a perícope, há uma analogia muito esclarecedora no que concerne a mensagem que se deseja transmitir, pois no versículo sete é dito que a terra que, beneficiada pela chuva, responde positivamente com bons frutos, receberá indubitavelmente a bem aventurança da parte de Deus. Tal analogia lembra as palavras ditas por Jesus: “Toda árvore que não produz bom fruto é cortada e lançada no fogo, assim, pois, pelos seus frutos os conhecereis” (Mt.7.19,20). Isso aclara a premissa de que só se pode dar fruto segundo a sua espécie “[...] não se colhem figos de espinheiro, nem dos abrolhos se vindimam uvas.” (Lc. 6.44). Seguindo tal pensamento, conclui-se que só uma terra boa dará bons frutos. De modo lógico, se chegará à conclusão que só mesmo uma terra má produzirá espinhos e abrolhos, sendo isso uma simples manifestação da sua natureza, cujo destino final segundo a afirmação de Hebreus, é ser queimada”. (Aqueles Que Acabam Se Afastando Podem Dar Muitos Sinais Exteriores de Conversão. Disponível em: https://na-multiforme-graca-de-deus.webnode.com/news/estudos-de-hebreus-6-4-81/. Acesso em 5 fev, 2018).

3. Apostasia, uma possibilidade para quem viveu as expectativas do Reino. Esses crentes, aos quais o autor se referia, também experimentaram "as virtudes do século futuro" (Hb 6.5). Essa expressão é usada no contexto da cultura neotestamentária como uma referência a era messiânica. Ao receber a Cristo como Salvador, os crentes já participam antecipadamente das bênçãos do Reino de Deus. Vigilância mais uma vez é requerida para os salvos que ingressaram nesse Reino. Quem despreza a graça de Deus, não se torna um "cidadão real" desse Reino.
Hebreus 6.4-6 tem deixado seus leitores angustiados e perplexos através dos séculos, por que a primeira vista parecem ensinar que não há esperança de arrependimento ou de aceitação divina para aqueles que aceitaram a Cristo e depois o rejeitaram. Para melhor compreensão do problema, Hebreus 6.4 deve ser estudado juntamente com as declarações que tratam do mesmo assunto em Hebreus 10:26-31 e 12:15-17; 25-29. Devemos considerar o seguinte: em 6.5, provaram traduz a mesma palavra grego do v. 4. Isto quer dizer que gostaram de ouvir a Palavra de Deus. Mundo (aiõn), “era”. Fala do poder sobrenatural exercido nos milagres tão notáveis. O fato de ‘experimentar’ não significa que eram pessoas nascidas de novo.

SUBSÍDIO TEOLÓGICO

Alguns intérpretes combinam 5.11−6.20 como uma unidade exortativa. No entanto, há boas razões para dividir a passagem em duas advertências separadas (embora relacionadas). Enquanto 5.11−6.3 enfoca o perigo da lentidão e da regressão espiritual, com uma exortação para avançar em direção à maturidade, a segunda advertência enfoca a terrível possibilidade de uma apostasia irreparável, se tal regressão prosseguir de modo incontrolável (6.4-8). O autor então encoraja e desafia seus leitores a progredirem, prosseguindo em esperança e fé com perseverança (6.9-20).
Hebreus 6.4-6 constitui uma frase longa e complexa em grego, que adverte solenemente sobre a possibilidade de abandono (apostasia) da fé cristã e da impossibilidade desta vir a ser restaurada, uma vez que tal condição tenha ocorrido.
[...] Quem são os sujeitos desta impossibilidade? [...] O estudioso F. F. Bruce observa corretamente que o texto em 6.4-6 foi tanto ‘indevidamente minimizado’ quanto ‘indevidamente exagerado’. Foi indevidamente minimizado por aqueles que argumentam de uma forma ou de outra que as pessoas descritas 6.4,5 nunca foram cristãos completamente regenerados (por exemplo, Grudem, 1995, 132-182), ou que este foi somente um caso hipotético sendo apresentado pelo autor e não algo que pode realmente acontecer na prática (por exemplo, Hewitt, 1960, 110-11). A passagem também foi indevidamente exagerada por aqueles que ensinam que uma vez que uma pessoa tenha se convertido e sido batizada em Cristo, e em seu corpo, e então por um lapso cair novamente em sua antiga vida pecaminosa, não poderá haver um perdão futuro ou uma restauração ao convívio cristão (por exemplo, Tertuliano sobre o pecado pós-batismal). Estas interpretações estão sendo aplicadas à passagem sem uma consideração de seu contexto, e não fazem nenhuma distinção entre ‘desviarse’ e ‘apostatar’” (ARRINGTON, French L.; STRONSTAD, Roger (Ed.). Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2004, pp.1573-75).
III. A NECESSIDADE DE CONFIAR NAS PROMESSAS DE DEUS

1. O serviço cristão e a justiça de Deus. O autor sabia que usou um tom exortativo forte deixando claro que não se pode brincar com a fé. Agora ele vê a necessidade de consolar os cristãos depois desse "tratamento de choque" (Hb 6.9,10). Aos crentes fiéis no seu serviço é dito que Deus, em sua justiça, os recompensará. É bom saber que mesmo não recebendo o reconhecimento dos homens, teremos o reconhecimento de Deus.
Devemos tomar o cuidado de não acrescentar nada às Escrituras no que tange à nossa salvação. Não serão as boas obras, o cuidado zeloso ou o seguir piamente os ditames da denominação que nos garantirá a chegada no Porto Seguro, quem nos garante a chegada é o Senhor – “E estou plenamente convicto de que aquele que iniciou boa obra em vós, há de concluí-la até o Dia de Cristo Jesus” (King James Bible). Hebreus 6.9,10 soa como garantia de que, nós, podemos ter uma certeza concreta de que Deus contempla nossas obras de justiça e que elas são o sinal de que não somos daqueles que apostatam.
“Deus quer que tenhamos a certeza absoluta de nossa salvação. Não podemos viver nossa vida cristã nos perguntando e nos preocupando a cada dia se realmente somos salvos. É por isso que a Bíblia coloca o plano de salvação de forma tão clara. Creia em Jesus Cristo e você será salvo (João 3:16; Atos 16:31). Você crê que Jesus é o Salvador, que Ele morreu para pagar o preço por seus pecados (Romanos 5:8; II Coríntios 5:21)? Você confia somente nEle para a salvação? Se sua resposta for sim, você é salvo! Certeza absoluta significa “além de toda e qualquer dúvida”. Ao levar a sério a Palavra de Deus, você pode saber “além de toda e qualquer dúvida” o fato e realidade de sua eterna salvação. O próprio Jesus declara a respeito de todos os que nEle crerem: “E dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará da minha mão. Meu Pai, que mas deu, é maior do que todos; e ninguém pode arrebatá-las da mão de meu Pai” (João 10:28-29). Mais uma vez, isto enfatiza o “eterno”. Vida eterna é simplesmente isto: eterna. Não há ninguém, nem mesmo você, que possa arrancar de si próprio a salvação, o dom de Deus em Cristo” (Como posso ter certeza absoluta da minha salvação? Disponível em:https://www.gotquestions.org/Portugues/certeza-absoluta-salvacao.html. Acesso em: 5 fev, 2018)

2. A perseverança de Abraão e a fidelidade de Deus. A exortação do escritor de Hebreus toma como parâmetro a pessoa de Abraão. O velho patriarca é o modelo do crente perseverante, que de posse da promessa de Deus, soube esperar com paciência (Hb 6.12,13). Por que voltar atrás se temos as promessas de Deus que nos motivam a caminhar à frente (Hb 6.14,15)?
Em Hebreus 6.9 lemos um contraste significante: “Mas de vós, ó amados, esperamos coisas melhores, e coisas que acompanham a salvação, ainda que assim falamos”. As coisas melhores em vista são listadas em 10-12, coisas como trabalho, amor, serviço, diligência, completa certeza da salvação e fé, paciência, herança das promessas. Estas coisas são melhores que as experiências dos versos 4-6 precisamente porque elas pertencem à ou são acompanham a salvação . Em outras palavras, o autor diz que está confiante de que muitos de seus leitores têm coisas melhores que as pessoas descritas nos versos 4-6, e estas coisas são melhores, pois seus leitores têm coisas que pertencem à salvação. Isto implica que as bênçãos nos versos 4-6 não são coisas que pertencem à salvação (Grudem, 159).

3. Cristo, sacerdote e precursor do crente. O autor sagrado volta-se para Jesus, o nosso exemplo maior de perseverança, fidelidade e esperança. Nessa jornada, Ele se adiantou e foi a nossa frente, tornando-se o nosso precursor (Hb 6.20). O termo "precursor" era usado na cultura antiga em referência a um batedor militar, a alguém que tomava a dianteira para abrir caminho. Jesus entrou na presença de Deus, como nosso sumo sacerdote para nos dar o direito de viver eternamente.
Hebreus 6:20 - Comentado por Matthew Henry: “A esperança aqui aludida é esperar com certeza as coisas boas prometidas por meio dessas promessas, com amor, desejo e valorizando-as. A esperança tem seus níveis, como também os tem a fé. A promessa de bênçãos que Deus tem feito aos crentes está, desde o eterno propósito de Deus, estabelecida entre o Pai eterno, o Filho eterno e o Espírito Santo eterno. Pode-se confiar com toda certeza nesta promessa de Deus, porque aqui temos duas coisas imutáveis, o conselho e o voto de Deus, em que é impossível que Deus minta, pois seria contrário à sua natureza e à sua vontade. Como não pode mentir, a destruição do incrédulo e a salvação do crente são igualmente verdadeiras. Note-se aqui que têm direito por herança as promessas aqueles aos que Deus tem dado seguridade plena da felicidade. Os consolos de Deus são suficientemente fortes para sustentar a seu povo quando está submetido a suas provações mais pesadas. Aqui há um refúgio para todos os pecadores que fogem à misericórdia de Deus por meio da redenção em Cristo, conforme a aliança de graça, deixando de lado a todas as outras confianças. Estamos neste mundo como um barco no mar, sacudido de cima para abaixo e correndo o risco de naufragar. Necessitamos uma âncora que nos mantenha seguros e firmes. A esperança do evangelho é a nossa âncora nas tormentas deste mundo. É segura e firme, pois do contrário não poderia manter-nos assim. A graça gratuita de Deus, os méritos e a mediação de Cristo e as poderosas influências de Seu Espírito, são as bases desta esperança, assim que se trata de uma esperança segura. Cristo é o objeto e o fundamento da esperança do crente. Portanto, depositemos nossos afetos nas coisas do alto e esperemos com paciência sua manifestação, quando nós nos manifestaremos com Ele certamente em glória”.

SUBSÍDIO TEOLÓGICO

“A promessa que Deus fez a Abraão foi fundamento de todas as promessas da aliança e da atividade redentora de Deus (Gn 12.1-3), que foram repetidas em inúmeras ocasiões e de formas diferentes ao longo da história do Antigo Testamento (por exemplo, Gn 15.1-21;26.2-4; 28.13-15; Êx 3.6-10). Porém, numa ocasião em particular, após Abraão quase ter sacrificado Isaque em obediência ao teste de Deus, Deus tornou a veracidade de sua promessa enfática por meio de um juramento (Gn 22.16: ‘Por mim mesmo, jurei, diz o Senhor’). Hebreus 6.13,14 indica que este juramento mais tarde encorajou Abraão a esperar ‘com  paciência’, e assim, posteriormente ‘alcançou a promessa’” (ARRINGTON, French L.; STRONSTAD, Roger (Ed.). Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2004, p.1577).

CONCLUSÃO

O capítulo 6 de Hebreus contém uma das mais fortes exortações encontradas em todo o Novo Testamento - a necessidade de perseverança e vigilância para não se decair da fé. O processo da salvação não se dá de forma mecânica e nem compulsória, mas se firma na entrega e aceitação voluntária a uma dádiva divina. A tudo isso temos que responder com amor, cuidado e zelo (1Co 10.7-13). Essa exortação de forma alguma deve levar-nos ao medo, pavor ou pânico, mas conduzir-nos a confiar inteiramente no Senhor que é poderoso para guardar-nos até o dia final.
Mediante tudo o que foi exposto, pela revista e neste comentário, estamos certos de que o autor de Hebreus deseja nos chamar à razão advertindo sobre a necessidade de permanecermos firmes: "Para que vos não façais negligentes, mas sejais imitadores dos que, pela fé e paciência, herdam as promessas." (Hb 6.12). Devemos ter em mente que o processo bíblico de salvação se dá por meio da justificação, regeneração e santificação do ser humano - "Jesus respondeu: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito não pode entrar no Reino de Deus." (Jo 3.5). É um erro comum entre muitos pensar sobre a salvação somente em termos da experiência de fé. Mas a Palavra de Deus nunca limita a salvação a um tempo, a um lugar ou a uma experiência. Quando Paulo escreve, “porque a nossa salvação está, agora, mais perto do que quando no princípio cremos” (Rm 13.11), ele está claramente falando da salvação como um processo contínuo de graça. É um processo de graça que começou na eternidade passada, antes do começo do tempo, que é experimentado pela fé em Cristo no tempo, e que será consumado na eternidade porvir, quando o tempo não mais existirá. Esta grande obra de salvação é a obra de Deus somente. Ela foi planejada por Deus, adquirida por Deus, produzida por Deus, é preservada por Deus, e será aperfeiçoada por Deus. Do princípio ao fim a “salvação é do Senhor!” (Jn 2.9). Portanto, somente Deus terá o louvor por ela. A obra da graça de Deus que é chamada “salvação” deve ser entendida como uma obra consistindo de três coisas. (Don Fortner; ‘Três Aspectos da Salvação’; Disponível em:http://www.monergismo.com/textos/sotereologia/tres_aspectos_salvacao_fortner.htm. Acesso em: 23 nov, 2017.)

“... corramos, com perseverança, a carreira que nos está proposta, olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus ...” (Hebreus 12.1-2).
Francisco Barbosa
Disponível no blog: auxilioebd.blogspot.com.br





sábado, 3 de fevereiro de 2018

LIÇÃO 5: CRISTO É SUPERIOR A ARÃO E À ORDEM LEVÍTICA

 
SUBSÍDIO I

1. RECAPITULANDO A LIÇÃO ANTERIOR

Na aula passada, o tema que sobressaltou aos olhos foi o contraste do ministério de Jesus em relação ao de Josué, conforme o escritor de Hebreus desenvolveu: 

JOSUÉ → Terreno → Temporário → Incompleto
JESUS → Celestial → Eterno → Completo

O esquema acima mostra que o nosso Senhor proveu uma mensagem superior, um descanso superior e uma orientação superior a de Josué. Ao mostrar para a igreja hebreia a superioridade de Jesus, a Palavra de Deus nos convida a receber a mensagem de Cristo com fé, a obedecê-la, a ter um coração contrito, a ter a certeza de um descanso completo e a experimentar o poder vivificante da Palavra. Essas características nos levam a ter a consciência de que precisamos com urgência perseverar na mensagem uma vez recebida de Cristo. Relembrar esse conteúdo é garantir o bom movimento do fio condutor que perpassa o tema ao longo de todo trimestre: perseverança da fé. Não se distraia acerca dessa importância.

2. INTRODUÇÃO À LIÇÃO

Após expor a superioridade de Cristo sobre Moisés e Josué, o escritor de Hebreus passa a mostrar a superioridade de Cristo em relação ao ministério de Arão, e por consequência, toda a ordem levítica estabelecida na Antiga Aliança. Por isso a lição desta semana tem três aspectos fundamentais: qualificação, serviço e importância teológica. Essas três esferas perpassam a revelação de nosso Senhor como verdadeiro sumo sacerdote conforme atesta estes versículos: “Visto que temos um grande sumo sacerdote, Jesus, Filho de Deus, que penetrou nos céus, retenhamos firmemente a nossa confissão. Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado. Cheguemos, pois, com confiança ao trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia e achar graça, a fim de sermos ajudados em tempo oportuno.” (Hb 4.14-16). Conforme apontado nestes três maravilhosos versículos, nosso Senhor é o sacerdote perfeito por excelência. 

3. Para compreender melhor a qualificação, o serviço e a importância teológica do ministério sacerdotal de nosso Senhor.

“No capítulo 4.14-16, o autor introduziu o assunto da doutrina do sacerdócio. Aqui ele tecerá mais detalhes da ordem sacerdotal levítica para contrastar posteriormente com o sacerdócio de Cristo, que é de uma outra ordem e superior ao levítico. A ideia do autor ao detalhar as qualificações exigidas do sacerdócio arônico tem o propósito de mostrar em primeiro lugar que Jesus havia preenchido esses qualitativos. É bom ter sempre em mente que o autor já havia mostrado Jesus como sendo o Filho de Deus, fato esse que o identifica com a raça humana e o qualificaria para ministrar como sumo sacerdote.

          “Porque todo o sumo sacerdote, tomado dentre os homens, é constituído a favor dos homens nas coisas concernentes a Deus, para que ofereça dons e sacrifícios pelos pecados” (v.1).A primeira condição para alguém exercer o sacerdócio, revela o autor de Hebreus, é que ele tenha sido tomado de entre os homens. Somente um homem, que possui a mesma natureza de um outro homem, poderia oficiar como sacerdote. Nos primeiros capítulos de sua carta, o autor havia exposto uma farta argumentação em favor da humanidade de Jesus. Esses fatos agora se tornam de grande relevância quando ele o apresenta como um sumo sacerdote constituído em favor dos homens. O sacerdote tinha como dever apresenta dons e sacrifícios. Alguns comentaristas, como Robert Gundry, entendem que a expressão “dons e sacrifícios” são usadas como sinônimas. Por outro lado, muitos outros eruditos, como Donald Guthrie, entendem que os sentidos desses termos devem ser mantidos distintos. Guthrie observa, por exemplo, que neste caso os dons (dôra) são uma referência as ofertas de cereais e os sacrifícios (thysias) às ofertas de sangue. Isso parece ser confirmado pelo uso do verbo grego prosphero (oferecer),que ocorre dezenove vezes nessa carta, e mantém esse sentido de apresentar ofertas e sacrifícios diante de Deus. O sacerdote, portanto, deveria ser alguém que se identificasse com seus semelhantes.
“E possa compadecer-se ternamente dos ignorantes e errados; pois também ele mesmo está rodeado de fraqueza”(v.2).O termo grego metriopathein, traduzida como “compadecer” tem o sentido de alguém que consegue moderar suas paixões e sentimentos. A.B. Bruce (1831-1899) destaca que esse vocábulo “significa sentir-se com outro, mas sem abster-se de sentir contra ele; sercapaz de ter antipatia. Foi usado por Philo para descrever o sofrimento sóbrio de Abraão sobre a perda de Sara e a paciência de Jacó sob aflição. Aqui parece ser empregado para denotar um estado de sentimento em relação ao ignorante e errado, com equilíbrio entre a severidade e indulgência excessiva”.O sacerdote lidava com todos os tipos de desvios, erros e pecados cometidos pelo povo. Nessa teia de relacionamentos ele via a fragilidade humana, o fracasso e o desespero. Como um homem colocado por Deus para representar os homens, o sacerdote sentia na sua própria alma o peso da miséria humana. Por outro lado, ele tinha diante de si a palavra de Deus, que o instruiu a dar ao pecado o tratamento adequado, mesmo que o remédio fosse amargo. Era nesse momento que ele precisava agir com metripatheia, isto é, com compaixão!
“E por esta causa deve ele, tanto pelo povo, como também por si mesmo, fazer oferta pelos pecados” (v.3).O sacerdote da antiga aliança vivia um dilema. Ele necessitava fazer expiação não apenas pelos erros dos outros, mas também pelos seus. O sumo sacerdote deveria oferecer sacrifício primeiramente por si e depois pelo povo. “Depois Arão oferecerá o novilho da expiação, que será para ele; e fará expiação por si e pela sua casa” (Lv 16.6). Samuel Perez Millos destaca que na cerimônia da expiação dos sacerdotes e do povo se observa dois aspectos. Primeiramente o sacerdote, por uma questão do direito divino natural que lhe competia, deveria se purificar de toda imundice pessoal já que isso tornava a oferta imunda e o impossibilitava de ministrar diante de Deus. Por outro lado, o direito positivo lhe prescrevia essa obrigação (L 4.3; 9,7; Hb 7.27; 9.7). Essa limitação, observa Millos, não é vista em Jesus Cristo, o eterno sumo sacerdote, que não teve necessidade de se purificar, visto ser imaculado e santo.
“E ninguém toma para si esta honra, senão o que é chamado por Deus, como Arão” (v.4).O autor usa a palavra grega timê, traduzida aqui como honra, para destacar a natureza do sacerdócio.v O sacerdote era alguém chamado por Deus e não pelos homens. Nos dias do Novo Testamento o sistema sacerdotal havia se corrompido e se tornado um cargo político, não mais observando-se as prescrições divinas para o exercício desse oficio (Ex 28.1; Lv 8.1; Nm 16.5; Sl 105.26). Todavia, como observa C.S. Keener, o texto sugere que o autor esteja se referindo ao sistema sacerdotal veterotestamentário, onde as exigências da lei acerca do sacerdócio eram cumpridas, para contrastar com o sacerdócio de Jesus Cristo.
“Assim também Cristo não se glorificou a si mesmo, para se fazer sumo sacerdote, mas aquele que lhe disse: Tu és meu Filho, Hoje te gerei” (v.5).O autor mostra que Jesus cumpriu de uma forma completa todas as prescrições exigidas para o exercício do sacerdócio. Ele não se autoglorificou, constituindo-se a si mesmo como sacerdote. O léxico grego de Walter Bauer expressa bem o sentido do texto: “Ele não se elevou à glória do sumo sacerdócio”. No versículo quatro, o autor fala da honra que teve Arão ao ser escolhido como sumo sacerdote, todavia quando ele fala do sacerdócio de Jesus, mostra que o sacerdócio era algo inseparável de sua natureza. Deus dar testemunho de Jesus dizendo: “Tu és meu filho”. Essa atribuição lhe foi dada por Deus. Embora o autor não entre em detalhes sobre o momento no qual Jesus teria sido constituído sacerdote, os comentaristas destacam que a cristologia de Hebreus revela que Jesus é o filho de Deus desde a eternidade (Hb 1.1,2; 5.8), e que foi vocacionado pelo Pai para ser sumo sacerdote. Nesse aspecto, a vocação aconteceu antes da encarnação, contudo entrando em vigor na paixão e morte, obtendo sua confirmação na ressurreição e ascensão.
“Como também diz, noutro lugar: Tu és sacerdote eternamente, segundo a ordem de Melquisedeque” (v.6).É no capítulo 7 que a relação entre o sacerdócio de Jesus e Melquisedeque será explorada com maior profundidade pelo o autor. Aqui o comentarista bíblico Orton Wiley mostra o que a analogia do sacerdócio de Melquisedeque revela em relação ao de Cristo.
1. Melquisedeque era sacerdote por seu próprio direito, e não em virtude de sua relação com os outros;
2. Era sacerdote para sempre, sem substitutos, sem sucessor;
3. Ele não foi ungido com óleo, mas com o Espírito Santo, como sacerdote do Altíssimo;
4. Não ofereceu sacrifícios de animais, mas pão e vinho, símbolos da Ceia que depois Cristo instituiu; E (talvez o principal pensamento na mente do escritor da Epístola) Ele uniu as funções sacerdotais e reais, coisa estritamente proibida em Israel, mas a ser manifesta em Cristo, Sacerdote no seu trono (Zc 6.13).” (Trecho extraído da obra “Ânimo, Esperança e Fé em Tempos de Apostasia: Um estudo na carta aos Hebreus versículo por versículo”, editada pela CPAD)


SUBSÍDIO II

INTRODUÇÃO

O escritor da Epístola aos Hebreus ressalta a superioridade do sacerdócio de Cristo em comparação com o de Arão. E nesse particular, observamos uma predominância temática, recorrente em várias passagens. Ele destaca, conforme estudaremos na aula de hoje, que Jesus foi chamado por Deus como um Sumo Sacerdote, segundo a ordem de Melquisedeque (Hb. 5.10). A partir dessa temática, o escritor irá mais uma vez admoestar seus destinatários para que não sejam de dura cerviz, e para que deem ouvidos à Palavra de Deus (Hb. 5.11).
                                                                                                       
1. A SUPERIORIDADE DO SACERDÓCIO DE CRISTO

Antes da destruição do Templo de Jerusalém (70 a. C.), o ofício sacerdotal era fundamental na prática do judaísmo. Em tais ocasiões o sangue de animais era derramado e orações eram direcionadas a Deus, pelo pecado dos israelitas. Tais práticas remetem a tempos antigos na tradição hebraica, o próprio Abel e seu irmão Caim, o fizeram. A esses podem ser acrescentados: Abraão, Isaque e Jacó, os patriarcas do povo hebreu. De certo modo, podemos afirmar que o cristianismo tem seu fundamento no próprio judaísmo, pois “visto que temos um grande sumo sacerdote, Jesus, Filho de Deus, que penetrou nos céus” (Hb. 4.14). Ele não é um sacerdote comum, mas um “grande sumo sacerdote”, e essa é a razão pela qual devemos reter “firmemente a nossa confissão”. E mais, na perspectiva negativa, “não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas: porém um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado” (Hb. 4.15). A identificação desse Grande Sumo Sacerdote é importante, pois Ele foi tentado em tudo: na concupiscência da carne, na concupiscência dos olhos, e na soberba da vida. E porque Ele foi tentado em tudo “mas sem pecado”, pode nos representar diante do Pai, pois como caímos todos em Adão, em Cristo igualmente somos vivificados. Ele se identifica com cada um de nós, sendo capaz de entrar não apenas no Santo dos Santos, mas no trono do próprio Deus, nos céus. Oportunizando que: “cheguemos, pois, com confiança ao trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia e achar graça, a fim de sermos ajudados em tempo oportuno” (Hb. 4.16).

2. AS QUALIFICAÇÕES DO SACERDÓCIO DE CRISTO

Para que o sacerdócio levítico fosse aprovado por Deus, bem como o próprio sacerdócio de Cristo, fazia-se necessário que algumas qualificações fossem consideradas. A esse respeito, é preciso destacar que a “ordem” do sacerdócio de Cristo se difere daquele dos sacerdotes levíticos. Em ambos os casos, um homem foi escolhido, para representar o povo, na presença de Deus. Por isso, como sacerdote, Jesus foi “tomado dentre os homens” (Hb. 5.1). E seguindo a prática sacerdotal judaica, “para que ofereça dons e sacrifícios pelos pecados” (Hb. 5.1). Como Sumo Sacerdote, Jesus “pode compadecer-se”, isso mostra que Ele não desconsidera nossa condição humana, e mais que isso, que ele tem simpatia, no sentido etimológico do termo”, sofre conosco. Ele conhece nossa natureza, e sabe que somos pó, e que dependemos de Deus, inclusive para vencer as tentações/provações. Uma das qualificações de Cristo, em comparação ao sacerdócio levítico, é que o sacerdote levítico deveria oferecer sacrifícios “tanto pelo povo como também por si mesmo” (Hb. 5.3). Por oposição, o sacerdócio de Cristo tinha procedência divina, para tanto o autor recorre a Sl. 2.7 e ao 110.4, a fim de mostrar que Jesus, diferentemente do sacerdócio aaronico, seguia a ordem de Melquisedeque. Este foi um sacerdote-rei da cidade estado de Salém – antiga Jerusalém – nos tempos em que Abraão resgatou Ló do cativeiro. E seguindo essa ordem, Jesus mostrou ser superior, pois Ele não apenas morreu pelos pecados da humanidade, também ressuscitou vindo a ser “a causa de eterna salvação para todos os que lhe obedecem” (Hb. 5.9). A obediência é importante no contexto da Epístola aos Hebreus, pois o próprio Cristo “aprendeu a obediência”, e todos aqueles que O seguem também devem aprendê-la.

3. CHAMADOS PARA A MATURIDADE ESPIRITUAL

A maturidade cristã é um dos desafios fundamentais para o desenvolvimento da fé. Espera-se que, com o passar do tempo, os cristãos sejam “mestres” (Hb. 5.12), ou seja, que possam ensinar a outros os fundamentos da verdade. A esse respeito, devemos ressaltar que o ministério do ensino, muito embora seja específico para alguns (Ef. 4.11), também tem sua expressão coletiva, para a totalidade da igreja. Não podemos deixar de destacar que na Grande Comissão Jesus ordenou aos seus discípulos, o ministério do ensino quando os instruir para que “ensinassem todas as nações” (Mt. 28.19). A esse respeito, aproveitamos para ressaltar que uma igreja séria obrigatoriamente estará comprometida com o ensino da Palavra de Deus. Essa não é uma opção, antes uma condição, para a própria existência da igreja. A busca pela maturidade espiritual deve ser perseguida, por isso os pastores, e a liderança em geral, devem envidar esforços, para que a igreja esteja alicerçada na doutrina de Cristo. O problema daquela comunidade cristã, e de muitas outras nos dias atuais, é que eles não estavam avançando, por isso careciam sempre está retornando aos rudimentos das palavras de Deus (Hb. 5.12). Nada há de errado em voltar aos fundamentos da nossa fé, mas é preciso ter cuidado para não ficar apenas neles (II Pe. 3.18; Ef. 4.15). E no caso específico daqueles crentes, eles queriam permanecer na religiosidade judaica, algo que já havia caducado, depois da suprema revelação em Cristo (Hb. 1.1,2).

CONCLUSÃO

Temos um sacerdócio que é superior ao levítico, pois nosso Sumo Sacerdote é “grande”, maior que o de Arão, cujos sucessores precisavam sacrificar não apenas pelo povo, mas por eles mesmos. Cristo é Sumo Sacerdote segundo Melquisedeque, portanto, de uma ordem que não é meramente humana, antes eterna e celestial, por isso deve nos motivar a seguirmos crescendo na fé, e a não permanecermos restritos aos rudimentos antigos da fé.
 
Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Extraído do Blog subsidioebd
COMENTÁRIO E SUBSÍDIO III

INTRODUÇÃO

A doutrina do sacerdócio de Jesus começa a ser exposta a partir de Hebreus 4.14-16. Nessa seção o autor apresenta Jesus como “o grande sumo sacerdote que penetrou os céus”. Jesus, portanto, era um Sumo Sacerdote grandioso, misericordioso e compassivo. Na seção de Hebreus 5.1-10, o autor sacro apresenta de forma detalhada uma discussão sobre as atribuições e qualificações do sacerdócio. A intenção dele é mostrar que o sacerdócio de Jesus superou o sacerdócio arônico e a ordem levítica em grandeza e qualificação. Os sacerdotes humanos eram cobertos de fraquezas e defeitos e, por isso, pouco podiam fazer pelos homens. Todavia, Jesus, como Sumo Sacerdote, era de uma ordem superior e perfeita e, por conta disso, capaz de condoer-se e socorrer os que a Ele recorrem. Por fim, o autor finaliza censurando os crentes pela ignorância deles frente a uma doutrina de tão grande relevância.

A mais completa descrição de Jesus com respeito a sua obra redentora é como sumo sacerdote. No Antigo Testamento o sumo sacerdote levita representava os homens, oferecendo ao Senhor sangue em benefício dos pecadores. No Dia da Expiação [O Dia da Expiação era uma assembléia solene; um dia em que o povo jejuava e se humilhava diante do Senhor (16.31). Esta contrição de Israel salientava a gravidade do pecado e o fato de que a obra divina da expiação era eficaz somente para aqueles de coração arrependido e com fé perseverante (cf. 23.27; Nm 15.30; 29.7). O Dia da Expiação levava a efeito a expiação por todos os pecados e transgressões não expiados durante o ano anterior (16.16, 21). Precisava ser repetido cada ano da mesma maneira], o décimo dia do sétimo mês de cada ano, o sumo sacerdote entrava no Santo dos Santos do tabernáculo para fazer expiação pelos seus próprios pecados e pelos do povo. O autor de Hebreus declara que Jesus também é um sumo sacerdote (2.17; 3.1; 4.14), e o Zacarias afirma que Jesus seria tanto sacerdote quanto rei ao mesmo tempo (Zc 6.12-13). Jesus nasceu judeu, descendente de Davi e, assim, da linhagem da tribo de Judá. Contudo, Deus escolheu os descendentes de Levi para serem sacerdotes. Assim Jesus, vivendo sob a Lei de Moisés, poderia ser rei porque era da tribo real (Judá) e ainda mais da de Davi (veja 2Sm 7.12-16; At 2.29-31). Mas Jesus não poderia ser um sacerdote segundo a Lei de Moisés porque não era levita. Hebreus, então, defende que Jesus é sumo sacerdote não segundo a ordem de Arão (Levitico), mas segundo a ordem de Melquisedeque (5.6,10; 6.20).

Mas porque Melquisedeque? Quem foi Melquisedeque? O escritor de Hebreus nota que ele foi tanto sacerdote como rei de Salém (outro nome de Jerusalém; veja Gênesis 14.18-20; Hebreus 7.1). Ele também observa que as escrituras do Velho Testamento dão a Melquisedeque a aparência de ser eterno, não sendo registrado seu nascimento, linhagem ou morte (7.1-3). Assim, existem algumas semelhanças entre Melquisedeque e Jesus. Melquisedeque parece continuar para sempre como sacerdote, porque as Escrituras nunca registram sua morte. Jesus, sendo divino, vive e serve para sempre como sacerdote (Hebreus 7.23-25). Melquisedeque era tanto rei quanto sacerdote ao mesmo tempo (que era impossível sob a Lei de Moisés). Jesus é tanto rei como sacerdote ao mesmo tempo, em cumprimento da profecia de Zacarias. O autor de Hebreus também observa a consequência inevitável do sacerdócio de Jesus Cristo. Se o sacerdócio for mudado da ordem de Arão para a de Melquisedeque, necessariamente a lei associada com o sacerdócio levítico tem que ser mudada. "Pois, quando se muda o sacerdócio, necessariamente há também mudança de lei (7.12). A Lei de Moisés, associada com o sacerdócio levítico, foi anulada quando o sacerdócio foi mudado (7.18-19)”. (DVORAK, Allen. Jesus: Perfeito Sumo Sacerdote. Disponível em: https://www.estudosdabiblia.net/d48.htm. Acesso em 27 jan, 2018)

Como é importante para a compreensão de nossa fé conhecermos essa doutrina para que conheçamos melhor a Cristo o amemos com amor mais verdadeiro e o sigamos com maior empenho. Em Hebreus ficamos sabendo que Jesus não é aquele que é levado para o sacrifício, mas ele se oferece em sacrifício perfeito (Jo 10.17,18; Hb 2.17; 3.1; 4.14-16; 6.20). O Seu sacrifício não foi igual àquele dos sacerdotes levíticos que deveriam repetir o sacrifício todos os anos, Jesus realizou todo o sacrifício em uma única vez. Ele é o Templo, Ele é o Sacrifício e o Sacerdote ao mesmo tempo. Seu sacrifício foi perfeito, pois Ele é perfeito. Somente Jesus poderia realizar tão grande e maravilhoso ato de amor supremo. É por esta razão que não precisamos de outro mediador, é Jesus que nos conduz em segurança ao Pai Celeste. Vamos pensar maduramente a fé cristã?

I. UM SACERDÓCIO SUPERIOR QUANTO À QUALIFICAÇÃO
                                
1. Por representar melhor os homens diante de Deus. O escritor de Hebreus mostra que o sumo sacerdote do Antigo Pacto era escolhido dentre seus pares (Hb 5.1). Com essa exposição o autor quer chamar a atenção para o mistério da encarnação, quando Deus se humaniza para tratar com os homens. Mesmo porque, como afirma certo teólogo, “é necessário que um homem seja escolhido para representar homens ao tratar dos pecados deles contra Deus”. Jesus, nosso Sumo Sacerdote, é quem nos apresentou diante de Deus. Ao contrário do sacerdócio arônico, que oferecia ofertas e sacrifícios, Jesus ofereceu sua própria vida como oferta a Deus em nosso favor (Hb 4.14-16)

“Eis aqui pois, a tremenda verdade. Jesus é o Sumo sacerdote perfeito porque é perfeitamente Deus e perfeitamente homem; porque conheceu nossa vida pode nos brindar simpatia, misericórdia e poder; Ele trouxe Deus aos homens e pode levar os homens a Deus”. (BARCLAY 48). O próprio Antigo Testamento, escrito durante o período do sacerdócio arônico, predizia que sobreviria uma nova aliança, que tornaria obsoleto ao antigo pacto, segundo o qual funcionava o sacerdócio arônico (Jr 31.31-34).

Os sumos sacerdotes do Velho Testamento, oferecendo sangue pelos pecados do povo, eram, eles mesmos, realmente pecadores (Hebreus 5:1-3; 7:26-27). Antes que o sumo sacerdote pudesse fazer intercessão pelo povo no Dia da Expiação, ele tinha que oferecer um novilho pelos seus próprios pecados. Jesus, contudo, ainda que tentado, era sem pecado (Hebreus 2:18;4:15;7:26). Ainda mais, Jesus não fica impedido pela morte em seu serviço como sumo sacerdote. Os sacerdotes do Velho Testamento, sendo homens, morriam e o serviço de sumo sacerdote era passado ao próximo homem apontado pelo mandamento da Lei de Moisés. Jesus vive para sempre e é assim capaz de continuar com seu serviço sacerdotal tanto tempo quanto for necessário (Hebreus 7:23-25). Até mesmo o local do seu serviço é superior, sendo um tabernáculo celestial em vez de um físico. Jesus pode entrar na presença de Deus sem uma nuvem de incenso para protegê-lo porque ele não tem pecado. Obviamente, o serviço sacerdotal de Jesus é superior em outro ponto importantíssimo. Jesus não ofereceu diante de Deus o sangue de um animal, um sacrifício inadequado para o perdão (Hebreus 10:4). Em vez disso, ele ofereceu seu próprio sangue, assim tornando-se tanto o sacerdote como o sacrifício (Hebreus 9:11-12, 28)! Pelo fato de seu sacrifício ter sido adequado para o perdão dos pecados, precisou ser feito somente uma vez, em contraste com os sacrifícios dos sacerdotes do Velho Testamento, que eram oferecidos ano após ano (Hebreus 9:12,24-28;10:10-14).” )”. (DVORAK, Allen. Jesus: Perfeito Sumo Sacerdote. Disponível em: https://www.estudosdabiblia.net/d48.htm. Acesso em 27 jan, 2018)

2. Por compreender melhor a condição humana. Para melhor compreender a condição humana, o autor prossegue com sua exposição da função sacerdotal. O sumo sacerdote era alguém tirado de entre o povo e com a capacidade de compreender a condição humana. A palavra “compadecer-se” (Hb 5.2,3) traduz o termo grego metriopatheia, que significa escolher um meio termo a fim de se evitar os extremos. Um sacerdote que trabalhava com as exigências da Lei e, ao mesmo tempo com as fraquezas humanas, necessitava, a todo momento, evitar os extremos. Isso se tornava mais emblemático quando ele precisava fazer sacrifícios pelos pecados alheios e os seus próprios. Ele não poderia ser complacente com o pecado nem tampouco agir com extrema severidade. Na mente do autor sagrado somente Jesus, o Sumo Sacerdote perfeito, pôde cumprir esse requisito.

Uma outra tradução para ‘compadecer-se’ é ‘lidar gentilmente com’. Por causa de suas próprias tentações e fraquezas, o sumo sacerdote levítico ficou constrangido a moderar a sua indignação contra os pecados de outros e ‘condoer-se’ deles. A compreensão de Jesus é também fortemente motivada, porque ele identifica-se inteiramente com as lutas de seu povo. Contudo, Jesus nunca se entregou à tentação (4.15). Cristo não tinha necessidade de se purificar através de sacrifícios

Agora o autor de Hebreus elabora a doutrina que constitui sua contribuição particular ao pensamento cristão: a doutrina do sumo sacerdócio de Jesus Cristo. [...] O sacerdote deve ser um com os homens. Deve ter passado pelas experiências do homem para colocar nele toda sua simpatia. A esta altura o autor de Hebreus detém-se para advertir — mais adiante mostrará que esta é uma modalidade pela qual Cristo é superior a todo sacerdote terreno — que o sacerdote terreno é um com os homens a tal ponto que está sob a necessidade de oferecer sacrifícios por seu próprio pecado antes de oferecê-lo pelos pecados do povo. O sacerdote deve ser um homem; deve estar completamente comprometido com a situação humana; deve estar ligado com os homens pelo vínculo da vida; deve viver com eles e sentir com eles conhecendo suas alturas e seus abismos. Com relação a isto usa um termo maravilhoso: metriopathein. Traduzimo-lo que se mostre paciente (NVI: capaz de se compadecer) mas trata-se em realidade de um desses termos gregos intraduzíveis. O grego definia sempre a virtude como o meio termo entre dois extremos. O homem podia cair em qualquer dos dois extremos; no meio estava o justo e o caminho reto. A virtude para o grego era um equilíbrio, um  ponto médio e eqüidistante entre dois extremos. Desta maneira os gregos definiam a metriopatheia (que é o substantivo correspondente) como o meio termo entre a tristeza extravagante e a indiferença absoluta; como a virtude pela que o homem sente da maneira devida.” (BARCLAY, William, HEBREUS. Teologia Sistemática. Pág 50, 51. Disponível em: https://pt.scribd.com/document/368427473/hebreus-pdf. Acesso em 27 jan, 2018)

3. Pela posição que exerceu. Não era sumo sacerdote quem quisesse ser, mas aquele a quem o Senhor chamasse (Hb 5.4). O contexto deixa claro que a palavra “honra” tem o sentido de “cargo” ou “posição” e está relacionada ao ministério sacerdotal ao qual o Senhor delegou a alguém. Ser um ministro do altar era algo extremamente honroso, de grande importância e de muita responsabilidade. Tanto Arão como seus filhos foram escolhidos diretamente por Deus para esse ministério (Êx 28.1; Sl 105.26). Jesus, nosso Sumo Sacerdote, em tudo foi superior e mais honrado do que Arão visto pertencer a uma ordem sacerdotal superior e haver sido enviado do céu para essa missão.

Os sacerdotes levíticos não foram escolhidos por homens, nem poderia se eximir de suas funções, foi o próprio Deus quem chamou Arão para ser ele próprio o Kohen Gadol - o Sumo Sacerdote, e seus descendentes para o ofício sacerdotal, nenhum outro poderia exercê-lo (Êx 28.1), somente aqueles a quem o Senhor chama. As funções sacerdotais de Cristo envolvem as realidades celestiais, mas as dos descendentes de Arão dizem respeito somente a símbolos terrenais.

“A terceira qualidade essencial do sacerdote é a seguinte: ninguém se destina a si mesmo ao sacerdócio; sua nomeação provém de Deus. O sacerdócio não é um ofício que o homem assume, mas sim um privilégio e uma glória ao que é chamado. O ministério de Deus entre os homens não é um ofício ou uma carreira, mas sim uma vocação e um chamado. A pessoa deveria ser capaz de olhar para trás e dizer, não "eu escolho este trabalho", mas antes, "Deus me escolheu e me concedeu desempenhar este trabalho". E agora o autor de Hebreus passa a demonstrar como cumpre Jesus Cristo as grandes condições do sacerdócio. (1) Em primeiro termo considera que Jesus não escolheu sua missão. Deus o escolheu para ela. No batismo, Jesus ouviu a voz que lhe dizia: “Tu és meu Filho, eu, hoje, te gerei.” (Salmo 2:7). (2) Jesus atravessou pelas experiências mais amargas dos homens e entende a humanidade em toda sua fortaleza e sua fraqueza. O autor de Hebreus tem quatro grandes pensamentos sobre Jesus. (a) Lembra a Jesus no Getsêmani. Pensa nisto quando fala de suas  preces e súplicas, de suas lágrimas e seu clamor. A palavra usada para clamor tem muito significado. O termo grego krauge designa esse clamor que o homem não tenta expressar, mas sim que arranca quase involuntariamente de seu ser pela angústia e agonia de alguma tremenda tensão ou alguma dor dilaceradora. De modo que, o autor de Hebreus diz que não existe agonia do espírito humano pela qual Jesus não tenha  passado. Os rabinos tinham o dito: "Há três tipos de súplica uma mais elevada que a precedente: oração, clamor e lágrimas. A oração faz-se em silêncio; o clamor em alta voz; mas as lágrimas superam tudo". Não há  porta através da qual as lágrimas não passem. Jesus Cristo conheceu até a oração desesperada das lágrimas. (b) Jesus aprendeu de todas as experiências humanas pelas que aconteceu as enfrentou a todas com reverência. A frase grega traduzida "por isso padeceu aprendeu..." é um trocadilho: emathen afjon epathen . Este é um pensamento corrente entre os escritores gregos: sempre ligam mathein , aprender, e  pathein , sofrer. Tosquio, o mais antigo dos grandes dramaturgos gregos, tem incessantemente o texto: "a aprendizagem vem do sofrimento" (pathei mathos). Chama o sofrimento uma sorte de graça brutal dos deuses. Heródoto declarava que estes sofrimentos eram acarista mathemata, um modo desgraçado de aprender. Um poeta moderno diz dos poetas: "Aprendemos sofrendo o que ensinamos cantando”.(BARCLAY, William, HEBREUS. Teologia Sistemática. Pág 52, 53. Disponível em: https://pt.scribd.com/document/368427473/hebreus-pdf. Acesso em 27 jan, 2018)

SUBSÍDIO DIDÁTICO
                               
Enfatize a superioridade da qualificação do sacerdócio de Cristo em relação ao de Arão e ao da ordem levítica. Utilize o auxílio do esquema abaixo.
  
II. UM SACERDÓCIO SUPERIOR QUANTO AO SERVIÇO

1. Pela realeza e o propósito pelo qual viveu. Em sua exposição sobre o sacerdócio de Cristo, o autor combina o Salmo 2.7 com o 110.4. Essas citações servem para o autor sacro argumentar a favor da filiação divina e da realeza do sacerdócio de Jesus. Respeitados especialistas em Antigo Testamento ressaltam que o tipo de “messias” que os judeus da época de Jesus esperavam era de natureza político-religiosa. Entretanto, os textos dos Salmos mostram que Jesus Cristo não era um messias político nem meramente religioso, mas o Messias aclamado por Deus em Salmos 2.7 e reconhecido pelo Pai como Sumo Sacerdote em Salmos 110.4: o Messias que os cristãos reconhecem como o Filho de Deus, Rei e Sumo Sacerdote do Novo Pacto. Nosso Cristo, mesmo sendo Filho de Deus, não glorificou a si mesmo nem tampouco buscou honra para si, mas exerceu o sacerdócio por meio da vontade do Pai (Fp 2.5-7).

Há várias coisas que o povo judeu que antecipava a chegada do Messias esperava que ele fosse, com base em profecias do Antigo Testamento. O Messias seria um homem hebraico (Isaías 9:6), nascido em Belém (Miqueias 5:2), de uma virgem (Isaías 7:14), um profeta semelhante a Moisés (Deuteronômio 18:18), um sacerdote da ordem de Melquisedeque (Salmos 110: 4), um rei (Isaías 11:1-4), o Filho de Davi (Mateus 22:42) que sofreu antes de entrar em sua glória (Isaías 53). Jesus realizou cada uma destas exigências messiânicas. O que vemos claramente nas narrativas bíblicas é que os judeus esperavam um Messias libertador político, já que, naquele tempo, Roma os oprimia. Esperavam alguém para restabelecer o seu domínio sobre aquela terra.

 “A Bíblia revela que o povo Judeu, povo para o qual Jesus se revelou primeiro, não O recebeu como Messias. O apóstolo João enfatizou este fato ao declarar: “(Jesus) veio para o que era seu, e os seus não o receberam” (João 1.11). Pelas Escrituras Sagradas podemos perceber que os Judeus rejeitaram a Jesus, o tão esperado Messias que os profetas antigos anunciaram que estava por vir, séculos antes de Seu nascimento. Entretanto, se o povo de Israel estivesse atento as profecias das Escrituras a respeito do Messias, certamente eles não O teriam rejeitado. [...]Na verdade o povo Judeu esperava um Messias guerreiro, com grande poder militar e político. Os Judeus esperavam um Messias que viria libertá-los do domínio político e social que o Império Romano exercia sobre Israel. Porém, a Bíblia mostrava que o Messias viria primeiramente como Servo, estabelecendo um Reino Espiritual (Isaías 42.1-7). Por isso que há 2000 mil anos Jesus veio ao mundo para exercer domínio espiritual e não político (João 18.36). Jesus não veio Se rebelar contra o Império Romano, mas cumprir a Sua missão expiatória.” (A História de Israel: guerras e conflitos. Disponível em: http://www.cacp.org.br/a-historia-de-israel-guerras-e-conflitos/.. Acesso em: 27 jan, 2017)

Os judeus do tempo de Jesus esperavam um ‘salvador político e cultural’, não um Salvador do pecado. Na verdade, o que estes líderes judeus esperavam era um líder que os libertasse do jugo de Roma e estabelecesse Sião como a capital do mundo (At 1.6). Eles não conseguiam enxergar como o manso e humilde Jesus poderia fazer isso.
Jesus, sendo Deus desde a eternidade, tornou-se homem para sofrer a morte e servir como o nosso Sumo Sacerdote (Hb 2.9). Como homem, Ele estava sujeito a todas as fraquezas e tentações às quais também somos a fim de poder pessoalmente Se relacionar conosco em nossas dificuldades (Hb 4.15). Jesus é maior do que qualquer outro sacerdote, por isso é chamado do nosso "Grande Sumo Sacerdote" em Hebreus 4.14, o que nos dá a coragem de vir ao "trono da graça com toda a confiança, a fim de recebermos misericórdia e encontrarmos graça que nos ajude no momento da necessidade" (Hb 4.16).

2. Pela vida santa que possuía. A primeira parte do versículo sete do capítulo cinco de Hebreus é usada pelo autor sacro para se referir à vida piedosa de Jesus. Intercessão, compaixão, oração e súplicas são qualidades presentes em um verdadeiro sacerdote. O autor destaca que os fatos por ele levantados aconteceram quando Jesus ainda exercia seu ministério terreno, revelando dessa forma o seu viver santo. Os intérpretes destacam que esses fatos estão relacionados com a oração de Jesus no Getsêmani (Mc 14.33-36), conforme narra os Evangelhos e serve para mostrar que um sacerdote assim, santo, piedoso e compassivo, é capaz de condoer-se das fraquezas humanas e dos que sofriam.

“A declaração principal acerca da vida humana de Jesus diz respeito às Suas poderosas orações. As duas palavras usadas para isto; orações e súplicas, são estreitamente ligadas entre si, mas não deixa de haver distinção entre elas. A primeira (deèsis) é a palavra neotestamentária geral para as orações, mas a última (hiketêria) tem um elemento mais forte de súplica e é derivada da antiga prática de estender um ramo de oliveira como sinal de apelo. Estas são palavras notáveis para descrever a oração do Filho ao Pai, mas demonstram o quão completamente identificado Ele está com Seu povo. O forte clamor e lágrimas parecem ser uma alusão inegável à agonia de Jesus no jardim de Getsêmane, onde Suas orações foram acompanhadas por um suor de sangue, revelando a intensidade interior da luta pela qual passava. Os relatos nos Evangelhos não mencionam as lágrimas, mas estas não estariam fora de harmonia naqueles relatos. Aquele que podia chorar ao lado do túmulo de Lázaro não estaria longe de poder expressar-Se de modo semelhante noutras ocasiões de profunda emoção. Embora as lágrimas geralmente sejam consideradas um sinal de fraqueza, não deixam de ter propriedades curativas. Nosso Sumo Sacerdote não estava tão alto acima de nós que as lágrimas estivessem distantes dEle nas ocasiões em que Sua mente estava cruelmente aflita”. (GUTHRIE, Donald. A Carta aos Hebreus - Introdução e Comentário por - Sociedade Religiosa Edições Vida Nova e Associação Religiosa Editora Mundo Cristão. Disponível em: https://teologiaediscernimento.files.wordpress.com/2014/08/hebreus-introduc3a7c3a3o-e-comentc3a1rio-donald-guthrie.pdf. Acesso em 20 jan, 2018).

Em Hebreus 5.1 o autor demonstra que o nosso Sumo Sacerdote, mesmo provindo de uma linhagem especial, encarnou-se, tomando a forma de homem, como vemos no Evangelho de João (1.14): “E o verbo se fez carne...”. (cf. Ap 19.13). No versículo 7 a Escritura diz que Jesus clamou a Deus, com “lágrimas, orações e súplicas ao que o podia livrar da morte”. Em João 11.35 está escrito que Jesus chorou, mas aquela não foi a única vez, como atesta o v.7. É por isso que Jesus entende de lágrimas e, um dia, como Deus, enxugará dos olhos toda a lágrima (Ap 7.17;21.4).

3. Pela submissão que demonstrou. A expressão “foi ouvido quanto ao que temia” (Hb 5.7, ARC) é traduzida na Almeida Revista e Atualizada (ARA) como “tendo sido ouvido por causa da sua piedade”. A razão da diferença nas traduções é a palavra eulabeia usada pelo autor. Essa palavra só aparece duas vezes no Novo Testamento grego e as duas ocorrências encontram-se em Hebreus: uma aqui no capítulo 5 e outra em Hebreus 12.28. Em Hebreus 12.28, tanto a ARC como a ARA traduzem como “reverência”. Não há dúvida que este último sentido deve ser mantido aqui. Eulabeia, portanto, mantém o sentido de um temor piedoso e reverente. O viver temente de Jesus o conduziu a suportar o sofrimento em favor da humanidade e, dessa forma, a completar a obra expiatória em favor de todos.

STRONG 2124: ευλαβεια eulabeia, de eulabes (que reverencia a Deus, piedoso, religioso):
1) precaução, circunspeção, prudência, discrição
1a) fuga
1b) distância prudente
2) reverência, veneração
2a) reverência a Deus, temor divino, piedade
3) medo, ansiedade, temor.

“[...] piedade... não fica imediatamente claro como as palavras devem ser compreendidas. Muitos comentaristas consideram que a forma das palavras significa que Sua piedade — Sua Paixão — foi transformada em meio para lançar fora todo o medo. As palavras, no entanto, pareceriam ser uma alusão mais direta à agonia no jardim, onde o clímax era a aceitação da vontade divina por Jesus (“contudo, não se faça a minha vontade, e, sim, a tua”), e neste caso a palavra (apo) significaria por causa da (sua piedade). Outro meio de entender a mesma preposição seria o significado mais usual “fora de,” o que daria o significado: “liberto do seu temor piedoso,” mas este pensamento parece estranho ao contexto. O escritor toma cuidado com a palavra que emprega para expressar temor (eulabeia - piedade, ARA) e não usa a palavra mais comum (phobos). De fato, é só nesta Epístola, em todo o Novo Testamento, que ocorre esta palavra (cf. também 12.28 onde o significado é “reverência”). Sobre seu uso aqui, Westcott observa: “mais comumente expressa a reverente e bem-pensada hesitação de ser demasiadamente atrevido, que é compatível com a verdadeira coragem.”48 A idéia, portanto, é aplicável à experiência do Getsêmane. Tem sido imaginado que um problema surge pelo fato de os relatos nos Sinóticos declararem que a oração no Getsêmane, pedindo a remoção do cálice, não foi feita assunto de insistência até ao fim. Em que sentido, portanto, Jesus foi ouvido? A resposta acha-se, decerto, na Sua perfeita aceitação da vontade divina”.(GUTHRIE, Donald. A Carta aos Hebreus - Introdução e Comentário por - Sociedade Religiosa Edições Vida Nova e Associação Religiosa Editora Mundo Cristão. Disponível em: https://teologiaediscernimento.files.wordpress.com/2014/08/hebreus-introduc3a7c3a3o-e-comentc3a1rio-donald-guthrie.pdf. Acesso em 20 jan, 2018).
“Ainda que era Filho, aprendeu a obediência, por aquilo que padeceu” (Hb 5.8). Ele, sendo divino, obedeceu a Deus. A prova suprema da obediência de Cristo foi a sua paixão e morte. Quando Lucas diz que Jesus crescia em sabedoria (2.52), quer dizer que por um processo progressivo demonstrou pela Sua obediência à vontade do Pai um processo contínuo de tomar a vontade de Deus Sua própria, chegando ao seu clímax na Sua maneira de abordar a morte.
 
SUBSÍDIO TEOLÓGICO

“Filho e sacerdote (5.5,6). O autor cita duas passagens. A primeira estabelece o direito de Jesus, na condição de filho, de ministrar no próprio céu (cf.8.3-6). A segunda, estabelece seu direito de servir na terra como Sumo Sacerdote. A razão pela qual é importante traçar o sacerdórcio de Jesus desde Melquisedeque é discutida no capítulo 7.
Obediência (5.7,8). Obedecer é responder de acordo com o pedido ou o comando de outra pessoa. Ambos os Testamentos deixam claro que a obediência a Deus cresce em direção ao relacionamento pessoal com Ele e é motivado pelo amor. Duas das mais importantes passagens das epístolas examinam a obediência de Cristo. Filipenses 2 focaliza a atitude de humildade e renúncia, expressas na encarnação de Cristo. E sua trajetória até a cruz. Essa passagem, Hebreus 5, discute o significado da obediência de Cristo. Ao aprender a obedecer ele estabeleceu suas credenciais como um verdadeiro ser humano, vivendo da mesma maneira que vivemos, no que diz respeito à obediência a Deus. Assim qualificado, Jesus tornou-se o ‘Autor da salvação eterna para todos os que lhe obedecem’” (RICHARDS, Lawrence O. Guia do Leitor da Bíblia: Uma análise de Gênesis a Apocalipse capítulo por capítulo. Rio de Janeiro: CPAD, 2010, p.859).

III. UM SACERDÓCIO SUPERIOR QUANTO À IMPORTÂNCIA TEOLÓGICA

1. Uma doutrina transcendente. A última parte da seção de Hebreus 5.11-14 forma um parêntese feito pelo autor para chamar a atenção da importância teológica que possuía essa doutrina — o sacerdócio de Jesus Cristo. A compreensão dessa doutrina era de suma importância para o viver cristão, mas a falta de crescimento por parte dos leitores tornava difícil para o autor torná-la compreendida. Era uma doutrina que transcendia em muito aqueles princípios formadores da fé cristã. Requeria maturidade, o que só teria sido possível se eles exercitassem suas mentes na meditação da Palavra. (LB CPAD, 1º Trim 2018, Lição 5, 4 fev 18)

“Quando diz: A esse respeito temos muitas coisas que dizer, e difíceis de explicar, refere-se especialmente ao tema de Melquisedeque, que não deve ter sido um dos temas mais familiares no judaísmo contemporâneo, embora haja alguma menção dele nos escritos de Filo, e nos documentos de Cunrã. Pode ser notado aqui que um relacionamento direto e' pressuposto entre a condição espiritual e o entendimento. Este último não é meramente uma questão de intelecto. A dificuldade é essencialmente um problema de comunicação, como expressar verdades de uma maneira que fique dentro do alcance dos leitores. Indubitavelmente, o problema que o escritor enfrenta é enfrentado por todo expositor da verdade divina. (GUTHRIE, Donald. A Carta aos Hebreus - Introdução e Comentário por - Sociedade Religiosa Edições Vida Nova e Associação Religiosa Editora Mundo Cristão. Disponível em: https://teologiaediscernimento.files.wordpress.com/2014/08/hebreus-introduc3a7c3a3o-e-comentc3a1rio-donald-guthrie.pdf. Acesso em 20 jan, 2018).

As verdades concernentes ao sacerdócio de Cristo, segundo a ordem de Melquisedeque, requerem exposição muito detalhada (V. 11). Tais verdades são alimento sólido (12-14), que só pode ser compreendido ou digerido pelos que já estão espiritualmente maduros. O assunto inteiro, portanto, era difícil de ser esclarecido para aqueles leitores particulares visto que, embora já fossem Cristãos há bastante tempo, se tinham tornado relaxados e atrasados em sua resposta à palavra dada por Deus. Note-se os termos tardios em ouvir (Hb 5.11) e indolentes (Hb 6.12); Os oráculos de Deus (Hb 5.12) provavelmente são palavras que, neste contexto, significam o Evangelho, cujos rudimentos são indicados em Hb 6.1-2. Essa mensagem e as Escrituras do Antigo Testamento são assim reputados ambos como declarações proferidas por Deus. Cfr. Rm 3.1-2; 1Pe 1.23-25. Nos vers. 13 e 14, note-se o detalhado contraste entre os dois tipos (“adultos” e “bebês”), suas respectivas condições (“faculdades exercitadas” e “inexperiente”), e suas respectivas dietas (“alimento sólido” e “leite”).

2. Uma doutrina essencial. Se por um lado essa doutrina era por natureza transcendente, por outro, formava o âmago da fé cristã. A sua compreensão traz substância à nossa fé. Não era de admirar que os hebreus estavam indolentes, desanimados e fracos. Não possuíam uma fé substancial (Hb 5.13,14). Quando não se tem maturidade suficiente na vida cristã fica difícil e, às vezes, impossível de se fazer escolhas acertadas. (LB CPAD, 1º Trim 2018, Lição 5, 4 fev 18)

Em Hebreus 5.13,14 o autor usa de metáfora para explicar a fraqueza de fé dos seus leitores bem como o desinteresse deles em buscarem a maturidade espiritual. O cenário aqui é o mesmo dos nossos dias, nossas igrejas são um misto de ‘graus de maturidade’. O crente que não busca desenvolver seus talentos na obra de Deus, vai sempre depender dos outros, como se fosse criança recém-nascida e nunca vai alcançar o pleno amadurecimento na fé.
“O cristão “de leite” é aquele que é inexperiente na palavra da justiça, expressão esta que merece comentário. Em primeiro lugar, a palavra “inexperiente” (apeiros) significa literalmente “não provado,” e daí, “inexperiente,” e sugere que a falta de perícia estava ligada com a falta de prática. É uma situação distinta de um estado de completa ignorância. As coisas de Deus exigem algo mais do que um mero conhecimento casual. O escritor não hesita em colocar seus leitores na categoria do leite. Nunca chegaram a desenvolver as habilidades necessárias”.
A idéia da maturidade está ligada com a perfeição, embora certamente não esteja identificada com ela a não ser no caso de Cristo. A maturidade aqui é vista como o desenvolvimento desejável a partir da infância espiritual. Esta é uma idéia familiar nas Epístolas paulinas (cf.Ef 4.13ss).

SUBSÍDIO TEOLÓGICO

“Resumo do capítulo [5]. O sumo sacerdote ocupava uma posição única na religião de Israel, um cargo acessível tão somente a um descendente de Arão. Por isso, o escritor se mostra cauteloso ao enumerar as qualificações de Cristo para esse papel na fé, no Novo Testamento. O sumo sacerdote é tomado dentre os homens. Sua comissão de representar a outros homens diante de Deus exige que Ele seja uma pessoa sensível às necessidades dos seres humanos (v.4). Cristo foi ordenado por seu Pai ao sacerdócio (vv.5,6). Cristo também cumpre as qualificações de sensibilidade diante da fraqueza humana. Como homem, Jesus aprendeu a obediência pelas cousas que sofreu (vv.7,8). Devidamente qualificado, foi nomeado sumo sacerdote, segundo a ordem de Melquisedeque e se transformou na fonte de nossa salvação (vv.9,10). Isto posto, o autor lança mais uma advertência devido à aparente incapacidade de seus leitores de perceberem até mesmo as mais elementares verdades do cristianismo. Para caminhar em direção à maturidade, devem se valer das verdades que têm ensinado, como guia a distinguir o bem do mal. Para ser considerada alimento sólido e não leite, a verdade deve ser explicitada na prática (vv.11- 14)” (RICHARDS, Lawrence O. Guia do Leitor da Bíblia: Uma análise de Gênesis a Apocalipse capítulo por capítulo. Rio de Janeiro: CPAD, 2010, p.859).

CONCLUSÃO

O final do capítulo quatro de Hebreus e todo o capítulo cinco trazem aspectos relevantes sobre o sistema sacerdotal nos dias bíblicos. Vimos que o autor apresentou, primeiramente, as qualificações que eram exigidas para um sacerdote e depois as contrastou com o Sumo Sacerdote perfeito, Jesus. O Filho de Deus viveu toda a nossa condição humana e, como sacerdote perfeito, está habilitado para interceder por nós. Esta é uma doutrina que todos devemos conhecer bem.

A Lei previa a possibilidade de erro ou pecado por parte dos sacerdotes (v.3; Lv 4.3). O próprio sumo sacerdote Arão tinha a orientação de Deus para oferecer sacrifícios não só pelo povo (Lv 16.15 ss.), mas por si próprio (Lv 16.11-14). Enquanto o sumo sacerdote do Antigo Testamento estava sujeito a pecar, Jesus nunca pecou. Ele é perfeito. Satisfez todas as condições para o perfeito sacerdócio. Foi ungido como Rei, como Filho (Sl 2.6,7); e Sacerdote Eterno (Sl 110.4); foi enviado por Deus (Jo 5.30); veio em nome do Pai (Jo 5.43). Jesus não se glorificou a si mesmo para fazer-se sumo sacerdote (v.6). Diante de todas essas qualificações, o Mestre nunca ofereceu sacrifícios por si próprio. Ele deu-se a si mesmo por nossos pecados (Gl 1.4). O escritor aos hebreus faz referência a dois textos bíblicos no livro de Salmos para demonstrar o caráter especial do sacerdócio de Cristo: um sacerdócio que não tem fim: “Tu és meu filho; hoje te gerei” (Sl 2.7); e “Tu és um sacerdote eterno, segundo a ordem de Melquisedeque” (Sl 110.4). Jesus Cristo no céu é o nosso eterno Sumo Sacerdote, sempre intercedendo por nós perante a face de Deus.

A POSIÇÃO DE CRISTO NO CÉU

1. “Um sumo sacerdote tal…” (v.1a). Com esta expressão, a Palavra de DEUS visa mais uma vez enfatizar a singularidade de CRISTO como Sumo Sacerdote, destacando-o e diferenciando-o dos sumo sacerdotes comuns, frágeis, mortais, da Antiga Aliança. A expressão “tal”, aqui, evidencia a incapacidade das palavras humanas para descrever a grandeza de CRISTO. É o que ocorre também em Jo 3.16 (de “tal” maneira).
2. “Assentado nos céus”. Esta expressão que também aparece em 1.3; 10.12 e 12.2, indica CRISTO, como Sumo Sacerdote perfeito, que realizou sua obra de tal forma que tem o direito de assentar-se no seu trono, ao lado direito do Pai. Já os sacerdotes do Antigo Pacto não podiam assentar-se, pois sua obra nunca terminava. Por isso nunca são descritos como sentados.
3. “À destra do trono da majestade” (v.1b). CRISTO, à direita de DEUS, está na posição da mais alta honra, nos céus. Em Mc 16.19, está escrito: “Ora, o Senhor, depois de lhes ter falado, foi recebido no céu e assentou-se à direita de DEUS”. JESUS  CRISTO é o único ser que tem essa posição de extremo destaque nos céus. Tal verdade nos é transmitida, para que saibamos que o nosso mediador não é um ser celeste qualquer, mas aquele que tem posição de honra, única e destacada, diante de DEUS. As nossas orações são levadas a Ele, que por nós intercede junto ao Pai. (http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/licao7-jc-osacerdocioeternodecristo.htm)

“... corramos, com perseverança, a carreira que nos está proposta, olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus ...” (Hebreus 12.1-2),

Francisco Barbosa
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