sábado, 13 de março de 2021

LIÇÃO 11: COMPROMISSADOS COM A EVANGELIZAÇÃO


COMENTÁRIO E SUBSÍDIO I

INTRODUÇÃO

O Reino de Deus cresce à medida que os pecadores vão se convertendo ao Senhor Jesus. A igreja é a única agência do Reino de Deus escolhida pelo Senhor Jesus para levar a mensagem do Evangelho a um mundo que perece por causa do pecado. Com isso nós estamos dando continuidade ao trabalho que Jesus começou. Isso aponta para a importância da evangelização e da obra missionária. – Desde o tempo apostólico, a Igreja teve o entendimento de que a natureza da sua existência é dependente do ato de proclamar o Evangelho a toda a humanidade. Após o derramamento de Pentecostes, a Igreja não teve dúvida de que o seu caminho era proclamar com alegria e amor o Cristo Crucificado e Ressurreto a fim de que todo ouvinte quebrantasse o coração e se rendesse à soberania de Cristo (At 2.37). - Infelizmente, em muitos lugares hoje, a igreja não tem mais anunciado o Cristo Crucificado e Ressurreto, pois tem mudado o foco do seu anúncio. Ora, antigamente, a “fórmula” da pregação apostólica era resumida em “Cristo foi crucificado”, “Mas ressuscitou ao terceiro dia” e “Arrependei-vos e crede no Evangelho!”. Porém, hoje, em muitos lugares, não é mais assim. Graças a Deus, ainda há igrejas que apresentam o convite de salvação com o mesmo propósito com o qual os santos apóstolos apresentavam, honrando a Cristo e às Sagradas Escrituras. Mas, temos a incômoda sensação de que esse comportamento não é mais a regra.

I. A EVANGELIZAÇÃO COM PRIORIDADE

O Evangelho não é uma mensagem alternativa; trata-se de uma questão de vida ou morte. Vida para os que recebem a Jesus como seu Salvador e morte aos que o rejeitam. A divulgação das boas novas de Cristo é tarefa de todos nós.

1. O Evangelho. Essa palavra vem de duas palavras gregas, eu, advérbio, “bem”, e, angelia, que significa “mensagem, notícia, novas”. Assim, a palavra euangelion quer dizer “boas novas, boas notícias, notícias alvissareiras”. É a mensagem de Cristo que salva o pecador (Jo 3.16). É o meio que Deus usa para a salvação de todo aquele que crê (Rm 1.16; 1 Co 15.2). Só por meio do Evangelho é que o ser humano conhece a salvação na Pessoa de Jesus.

2. O único Salvador do mundo. O Evangelho são as boas novas que falam do Reino de Deus, da salvação e do perdão dos pecados na Pessoa de nosso Senhor Jesus Cristo. É o evangelho da graça de Deus (At 20.24). As Escrituras nos ensinam que todos os seres humanos são pecadores e precisam se reconciliar com Deus (Rm 3.23; 5.12).

Não existe um meio de salvação sem Jesus (At 4.12). Ele mesmo disse: “Ninguém vem ao Pai senão por mim” (Jo 14.6) e também afirmou: “o campo é o mundo” (Mt 13.38). A pregação do evangelho é uma necessidade imperiosa porque não existe salvação sem Jesus e o campo é o mundo e isso nos mostra a grande responsabilidade da evangelização local e mundial.

3. Uma agência legítima. O Senhor Jesus constituiu a igreja como única agência do Reino de Deus na terra encarregada de anunciar essas boas novas de salvação. É necessário, pois, a mobilização de toda a igreja para que essas metas sejam alcançadas. Cada crente dos dias apostólicos era um próspero ganhador de almas (At 8.4), devemos seguir o modelo. Jesus foi enviado ao mundo para suprir as nossas necessidades (Mt 11.28-30). Isso é feito mediante o Evangelho, devemos, portanto, agir como o apóstolo Paulo (Rm 1.16). O príncipe dos pregadores, C. H. Spurgeon disse em uma de suas célebres frases: “Todo cristão ou é um missionário ou é um impostor”. Evangelização é o ato, processo ou efeito de evangelizar, de difundir os ensinamentos do Evangelho. Evangelizar (‘dar a boa notícia’) é a grande tarefa da Igreja; é para isso que ela foi fundada, enviada e sustentada pelo poder do Espírito Santo e embora alguns talvez queiram deixar o evangelismo para os pregadores, os especialistas em apologética, ou talvez simplesmente para os que são extrovertidos, o Novo Testamento declara que todos os cristãos são chamados a evangelizar, como diz C. H. Spurgeon, ‘todo cristão ou é um missionário ou é um impostor! Se nós devemos amar o nosso próximo como a nós mesmos (Mc 12.31; Tg 2.8), acaso há algum modo mais importante de amar alguém do que compartilhar o evangelho com ele ou ela? É necessário diferenciarmos os termos ‘evangelismo’ e ‘evangelização’; na palavra evangelismo a partícula ‘ismo’ denota sistema. É todo um sistema para a proclamação do evangelho. Existem vários conceitos para evangelismo, porém aqui está um que é muito coerente: Evangelismo é o sistema baseado em princípios, métodos, estratégias e técnicas tiradas do Novo Testamento, pelos quais se comunica o evangelho de Cristo a todo pecador, sob a liderança e no poder do Espírito Santo, visando persuadi-lo a aceitar a Cristo como seu salvador pessoal, de acordo com o comissionamento de Jesus dado a todos os seus discípulos, levando, ao final, os que crerem, a se integrarem à igreja pelo batismo, preparando-os para a volta de Cristo. Evangelização é a ação de evangelizar. Em resumo, evangelização é a ação de comunicar o evangelho, visando levar os perdidos a Jesus para que sejam por ele salvos. – A maioria da igreja sabe e reconhece que o termo “evangelho” é sinônimo de “boas novas”, e, muitas vezes, essas palavras são usadas alternadamente nos púlpitos. Realmente, trata-se de uma palavra composta de um advérbio e um substantivo gregos, eu, que quer dizer, “bem”, e aggelia, que significa “mensagem, notícia, novas”. De modo que euaggelion quer dizer “boas novas, boas notícias”. O Antigo Testamento emprega o termo hebraico bessorah, “mensagem, boas notícias” (2 Sm 18.20, 25, 27; 2 Rs 7.9), ou “recompensa de mensageiro” (2 Sm 4.10), que a Septuaginta traduz por euaggelion. Com o passar do tempo, o vocábulo passou a ganhar novo significado no mundo romano, de fala grega, em virtude do culto ao imperador, para anunciar o nascimento do imperador ou de sua subida ao trono. Esse vocábulo só aparece no singular em todo o Novo Testamento, 76 vezes; o verbo, euaggelizo¯, “evangelizar”, 54; e euaggeliste¯ s, “evangelista”, três vezes (At 21.8; Ef 4.11; 2 Tm 4.5). O Senhor Jesus Cristo é o conteúdo do evangelho: sua vinda, seu ministério terreno, seu sofrimento, sua morte e sua ressurreição (Rm 1.1-7). É a mensagem de Cristo que salva o pecador (Jo 3.16; Rm 1.16). É o meio empregado por Deus para a salvação de todo aquele que crer (1 Co 15.2). Só através do evangelho é que o ser humano conhece a salvação na Pessoa de Jesus. O evangelho de Jesus Cristo é a única resposta para este mundo que perece por causa do pecado. A evangelização é o ato de comunicar as boas novas de salvação a todas as pessoas por meio de palavras e ações. É o que Jesus fez (Mt 4.23) e nos mandou que fizéssemos também (Mc 16.16, 17). – A salvação em Cristo é acompanhada da libertação: “Ele nos libertou do poder das trevas e nos transportou para o Reino do seu Filho amado” (Cl 1.13). A liberdade cristã oferecida por Jesus é diferente da liberdade apregoada hoje pela imprensa e pelos políticos. É o ato de libertar a nossa consciência da culpa do pecado e das amarras de Satanás. O Senhor Jesus fez essa promessa a todas as pessoas (Jo 8.31-36), ela continua valendo para os dias atuais: “Se, pois, o Filho os libertar, vocês serão verdadeiramente livres” (Jo 8.36). Devemos permanecer nessa liberdade (Gl 5.1). O aparecimento de Jesus trouxe transformação a um número incontável de vidas, mudou a Galileia e alterou todo o curso da história da humanidade. Jesus tem e é a solução de todos os problemas (Mt 11.2830). Ele, e somente Ele, pode dar sentido à vida humana. O mundo está em desespero, mas infelizmente Satanás cegou esses sofredores de uma maneira tal que muitos não conseguem reconhecer Jesus como seu Salvador e Libertador, mas como um concorrente de seus deuses (2 Co 4.4). Hoje, temos de combater o materialismo, o paganismo, a imoralidade, a corrupção e destruir todas as fortalezas do diabo. As pessoas, vítimas dessas coisas, estão gemendo, elas clamam, estão no vale da sombra da morte. Mas, para que a luz do evangelho resplandeça sobre elas, você precisa falar de Jesus, mostrar que Ele é a solução, essa incumbência é nossa. O Senhor Jesus delegou essa tarefa aos seus discípulos, portanto, a cada um de nós (Mt 28.19, 20) e não aos anjos (1 Pe 1.12). Esse é o evangelho que pregamos.

SUBSÍDIO DIDÁTICO-PEDAGÓGICO

Após expor o tópico primeiro, apresente a classe passagens do livro dos Atos dos Apóstolos, como a pregação de Pedro (Atos 2), a pregação de Filipe aos samaritanos e o Eunuco (Atos 8), a pregação de Pedro na casa de Cornélio (Atos 10), as viagens missionárias do apóstolo Paulo (Atos 13 em diante). Reflita com ela como a evangelização, a pregação do Evangelho aos gentios, era uma prioridade para a igreja primitiva. Aponte também o papel do Espírito Santo no trabalho de evangelização. Ele confirma a pregação da igreja (Atos 10.44-48). Encerre dizendo que assim devemos esperar que o Espírito Santo confirme a nossa prática de evangelização. Que nossa mensagem seja confirmada pelo seu poder!

  II. JESUS MORREU PARA SALVAR TODOS OS SERES HUMANOS

A extensão da obra expiatória de Cristo tem sido debate ao longo dos séculos, mas especialmente depois da Reforma Protestante. Não se pretende aqui fulanizar, pois o que nos importa é a compreensão do assunto à luz da Bíblia.

1. A nossa teologia. Antes convém ressaltar que a nossa teologia é pentecostal e vem diretamente das Escrituras Sagradas, sem intermediação dos teólogos da Reforma Protestante. A teologia pentecostal, que nossos pais nos legaram, não teve nenhum teólogo ou reformador como intermediário. A CPAD vem publicando em vários volumes a coleção de todas as revistas da Escola Bíblica Dominical, publicadas desde 1930. Em nenhuma delas há citação de teólogos ou reformadores para ensinar, esclarecer, ilustrar ou embasar uma interpretação bíblica. A nossa teologia é original e estritamente bíblica. É um dos legados deixados por nossos pioneiros (2 Tm 3.14-17).

2. Por quem Jesus morreu? Essa é uma pergunta interessante. Há muitas discussões teológicas sobre o tema, mas nos últimos tempos, os debates se concentram entre duas interpretações das Escrituras: expiação limitada e expiação ilimitada.

a) Expiação limitada. Trata-se da ideia de que Jesus morreu apenas por um grupo restrito de pessoas escolhidas desde antes da fundação do mundo. Tal pensamento vem de uma visão teológica, a nosso ver, equivocada e baseada numa exegese ruim. Como acontece numa interpretação forçada de 1 Timóteo 2.4, que afirma querer Deus “que todos os homens se salvem e venham ao conhecimento da verdade”. Os teólogos defensores dessa teoria, então, concluem que se trata de “todos os homens crentes”. Rejeitamos essa linha de interpretação. Esse é um dos exemplos entre outras passagens bíblicas que eles interpretam de modo a ajustarem a sua teologia.

b) Expiação ilimitada. Isso significa que o Senhor Jesus morreu por toda a humanidade. Esse ensino recebemos de nossos pais, os quais usaram a Bíblia como fundamento dessa doutrina. Jesus é o Salvador do mundo (Jo 4.42), “testificamos que o Pai enviou seu Filho para Salvador do mundo” (1 Jo 4.14) e não somente de algumas pessoas. A expiação foi realizada em favor do mundo inteiro: “E ele é a propiciação pelos nossos pecados e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo” (1 Jo 2.2). Por isso que Jesus mandou pregar no mundo inteiro e a toda criatura (v.16). É erro teológico afirmar que a expiação é limitada (Jo 3.16; Tt 2.11). Jesus morreu por todos os pecadores. – O Senhor Jesus é o motivo supremo e também é a autoridade que nos manda pescar homens para ele. Entretanto existem discussões teológicas sobre o tema. Tais discussões se intensificaram a partir das disputas entre Jacó Armínio (1560-1609) e Francisco Gomaro (1563-1643), ambos teólogos e professores da recém fundada Universidade de Leiden, Holanda. Os remonstrantes (protestadores) do latim medieval remonstrare, “protestar, expor, manifestar”, eram o grupo apoiador de Armínio que deu continuidade ao seu ensino e estruturou a ideia arminiana. São os cinco pontos da chamada Remonstrância ou “Opiniões dos Remonstrantes”: a) livre-arbítrio ou capacidade humana, b) eleição condicional, c) redenção universal ou expiação geral, d) resistência possível ao Espírito Santo, e) decaimento da graça. Esse documento era um protesto contra os cinco pontos supralapsarianistas, conhecida pela sigla inglesa “TULIP”, (Total depravation, Unconditional election, Limited atonement, Irresistible grace, Perseverance of the saints, “depravação total, eleição incondicional, expiação limitada, graça irresistível, perseverança dos santos”). O Sínodo de Dort foi convocado pelos Estados Gerais da Holanda, em 1618, quando já não existiam os fundadores dos respectivos polos de opinião, Jacó Armínio morrera em 1609, e João Calvino, bem antes, em 1564. Isso significa que o “calvinismo”, conforme o conhecemos, não foi produzido por João Calvino, nem foi um resumo das Institutas. Há muitas discussões ainda hoje sobre o assunto: “muitos calvinistas historicamente e hoje não afirmam a expiação limitada, mas sim confirmam uma forma de expiação ilimitada”. O Sínodo se posicionou contra a Remonstrância. Segundo Richard Muller, “não há associação histórica entre o acrônimo TULIP e os Cânones de Dort... O uso do acrônimo TULIP resultou em uma restrita, se não errônea, leitura dos Cânones de Dort que levou a entendimentos confusos da tradição reformada e da teologia de Calvino” (Was Calvin a Calvinist?, p. 8). – Dada essa explicação introdutória, vamos ao tema, por quem Jesus morreu? Nosso enfoque é sobre a expiação ilimitada e a teologia assembleiana. Quando pregamos que Jesus morreu pelos pecados do mundo inteiro, que a expiação é ilimitada, isto é, todos os seres humanos são salváveis, isso precisa ficar claro para ninguém confundir a redenção universal ou expiação ilimitada com o universalismo. Jesus morreu pelos pecados de toda a humanidade com o mesmo propósito de salvar a todas as pessoas, apesar de ser uma expiação ilimitada, mas a redenção e a aplicação são limitadas. Isso acontece justamente porque a graça pode ser resistida de modo que nem todos aceitam o evangelho de Jesus. Expiação ilimitada significa que a salvação está disponível para todas as pessoas e em todos os lugares, mas que elas precisam crer em Jesus: “Quem crer e for batizado será salvo; quem, porém, não crer será condenado” (Mc 16.16). Essa expiação é aplicada no momento em que o pecador exerce fé em Jesus. – O ensino bíblico é claro para qualquer leitor que o Senhor Jesus morreu por toda a humanidade. Esse ensino recebemos de nossos pais, os quais usaram a Bíblia como fundamento dessa doutrina. Jesus é o Salvador do mundo (Jo 4.42), “o Pai enviou o seu Filho como Salvador do mundo” (1 Jo 4.14) e não somente de algumas pessoas. A expiação foi realizada em favor do mundo inteiro: “Mas, se alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo. E ele é a propiciação pelos nossos pecados — e não somente pelos nossos próprios, mas também pelos do mundo inteiro” (1 Jo 2.1, 2). Por isso que Jesus mandou pregar no mundo inteiro e a toda criatura (Mc 16.16). É erro teológico afirmar que a expiação é limitada (Jo 3.16; Tt 2.11). Jesus morreu por todos os pecadores. A ideia de que Jesus morreu apenas por um grupo restrito de pessoas escolhidas de antemão por Deus desde antes da fundação do mundo não flui naturalmente das Escrituras. A teoria da expiação limitada é externa, ela vem de fora para dentro, não é possível um leigo da Bíblia, por si só, chegar a uma conclusão dessa.

SUBSÍDIO TEOLÓGICO

“[…] Quando a Bíblia diz que ‘Deus amou o mundo de tal maneira’ (Jo 3.16) ou que Cristo é ‘o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo’ (Jo 1.29) ou que Ele é ‘o Salvador do mundo’ (1 Jo 4.14), significa isso mesmo.

Certamente a Bíblia emprega a palavra ‘mundo’ num sentido qualitativo, referindo-se ao sistema maligno que Satanás domina. Mas Cristo não morreu em favor de um sistema. Entregou sua vida em favor das pessoas que dele fazem parte. Em texto algum do Novo Testamento, ‘mundo’ se refere à Igreja ou aos eleitos. Paulo diz que Jesus ‘Se deu a si mesmo em preço de redenção por todos’ (1 Tm 2.6) e que Deus ‘quer que todos os homens se salvem’ (1 Tm 2.4). Em 1 João 2.1,2, temos uma separação explícita entre os crentes e o mundo e uma afirmação de que Jesus Cristo, o Justo, ‘é a propiciação’ (v.2) para ambos” (HORTON, Stanley (Ed.). Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal. 10.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2019, pp.360-61).

III. EVANGELIZAÇÃO LOCAL E TRANSCULTURAL

O Novo Testamento nos mostra que evangelismo e missões são tarefas precípuas da igreja. O livro de Atos destaca a obra missionária, registra as missões por todos os ângulos e mostra todas as possíveis atividades de um missionário. Atos ressalta ainda o poder do Espírito Santo, a obra da evangelização e as viagens missionárias do apóstolo Paulo.

1. Evangelização. É o ato de comunicar as boas novas de salvação a todas as pessoas por meio de palavras e ações. É o que Jesus fez (Mt 4.23) e nos mandou que fizéssemos também (vv.16,17). Isso significa testemunhar com ousadia a ressurreição de Jesus pelo poder do Espírito Santo (At 4.33), geralmente é uma ação acompanhada das obras sociais (At 2.42-47), essas coisas são características da autêntica igreja cristã. A visão dos pentecostais clássicos, desde o avivamento da Rua Azusa, era evangelística e missionária. Até se pensava, a princípio, que o dom de línguas era para pregar aos pagãos ao redor do mundo. A xenolalia é isto, a habilidade de falar uma língua que o indivíduo não aprendeu. Mas logo esses pioneiros desistiram dessa ideia xenolálica missionária. Mas, eles continuaram a obra missionária mesmo sem xenolalia.

2. As missões. O trabalho do missionário é a evangelização entre as pessoas de cultura diferente da nossa. A mensagem é a mesma, é necessário ajustar e adaptar estratégias conforme o costume de cada povo ou grupo étnico. Veja como Paulo introduz a sua pregação na sinagoga da Antioquia da Pisídia para se anunciar a Jesus (At 13.16,17,32) e compare com o discurso no Areópago em Atenas (At 17.22-31). O cristianismo não tem o objetivo de padronizar o mundo e nem destruir as culturas; sua mensagem, porém, é universal. No dia do triunfo de Cristo e da igreja, cada povo ou etnia se apresentará louvando a Deus na sua própria cultura (Ap 5.11-13). Por isso, o apóstolo Paulo disse que sendo livre se fez servo de todos, judeu para os judeus, sem lei para os sem lei (1 Co 9.19-22) para ganhá-los para Jesus.

3. O desafio hoje. Jesus disse: “o campo é o mundo” (Mt 13.38). Ele não disse que o campo é Jerusalém, nem a Judeia, nem Roma, nem minha cidade e a tua. Jesus não disse para primeiro pregar em Jerusalém, depois na Judeia, depois em Samaria e depois ser testemunha até “os confins da terra”, mas mandou pregar “tanto em Jerusalém como em toda Judeia, Samaria e até os confins da terra” (At 1.8). Isso fala de simultaneidade, do contrário, o Evangelho estaria ainda em Israel, confinado entre os judeus, pois Jesus mesmo disse: “porque em verdade vos digo que não acabareis de percorrer as cidades de Israel sem que venha o Filho do Homem” (Mt 10.23). – Devemos evangelizar porque exercitamos o amor de Deus. A coisa mais amorosa que se pode fazer é apresentar o evangelho na esperança de trazer outros para a salvação. Jesus morreu para salvar o mundo inteiro e, por essa razão, o evangelho precisa ser anunciado a todos os povos da terra. A Bíblia revela que todos os seres humanos são pecadores e precisam se reconciliar com Deus (Rm 3.23; 5.12). Não existe um meio de salvação sem Jesus (At 4.12). Ele mesmo disse: “ninguém vem ao Pai senão por mim” (Jo 14.6); e, “O campo é o mundo” (Mt 13.38). Isso nos mostra a grande responsabilidade da evangelização. No livro de Atos, encontramos o Espírito Santo impulsionando os cristãos daquela geração nesse trabalho da pregação do evangelho. O alcance do evangelho, em tão pouco tempo, foi extraordinário. É o cumprimento da ordem de Jesus: “Até os confins da terra” (At 1.8). – O envio de Jonas a Nínive era o prenúncio das missões mundiais na dispensação da graça. O cristianismo é a primeira religião proselitista e missionária da história, pois o evangelho não é uma mensagem alternativa, é única. Jesus disse que é uma questão de vida ou morte (Jo 17.3). No Antigo Testamento, as missões eram um projeto ainda não colocado em prática. O profeta Jonas, como missionário, é uma figura de Cristo (Mt 12.39-41; Lc 11.29-32). – A obra missionária é uma ordem e não uma recomendação nem um parecer, mas um mandamento direto do Senhor Jesus. É algo que não depende mais de mandamento específico ou de receber uma visão especial da parte de Deus para iniciar a obra missionária. Essa ordem já está na Bíblia (Mt 28.19,20; Mc 16.16-20; Lc 24.47; At 1.8). O que é necessário é buscar a direção do Espírito para saber como, onde e quando realizar tal tarefa. Há uma variedade muito grande de atividades que um missionário pode realizar na missão: na evangelização, na educação cristã, na área social. Nas duas primeiras viagens de Paulo, ele plantou igrejas juntamente com a sua comitiva, isto está registrado em Atos 13 a 18, exceto o longo trecho de Atos 15, que registra o primeiro concílio de Jerusalém, mas o objetivo da terceira viagem foi para preparar e treinar obreiros para a seara do Senhor, isto está em Atos 19. Ser missionário não significa simplesmente apenas levar as boas novas, fundar igrejas e ensinar nas instituições de ensino teológico, há outras atividades de caráter administrativo, logístico e social. – As missões estão em toda a Bíblia. Visto que o propósito fundamental da Bíblia é a redenção humana e missões se inserem nesse contexto, é correto afirmar que estão presentes desde o Gênesis ao Apocalipse. Essa presença pode ser direta ou indireta, nas ilustrações, figuras e profecias. O livro de Atos se sobressai em missões, registra as grandes missões. O livro do SENHOR é o manual de missões. – O encontro de Filipe com o eunuco da rainha da Etiópia era também o prenúncio da evangelização mundial. Antes, o evangelho havia sido pregado a um africano, o etíope, depois a um europeu, o italiano Cornélio. Com o passar do tempo, logo Deus escolheu Antioquia da Síria para ser o centro do cristianismo gentílico e a base missionária do apóstolo Paulo. Nessa cidade estava a primeira igreja gentia e a maior igreja missionária depois de Jerusalém. Também teve o privilégio de ter o apóstolo Paulo como seu pastor (At 11.26). Antioquia é mais uma etapa no plano divino da evangelização mundial para levar o evangelho às nações. – Saulo era de Tarso, grande centro cultural, e conhecia a cultura grega. Antioquia conquistou essa importância na história do cristianismo graças à estrutura bem organizada por Barnabé e Saulo. Barnabé foi o primeiro que entendeu essa nova realidade. Vendo que os costumes daqueles gentios eram muito diferentes das tradições judaicas e que aqueles irmãos estavam alegres e eram fervorosos no espírito, mas que eram provenientes de outra cultura, lembrou-se de Saulo, pois sabia que o Senhor Jesus o havia chamado para pregar e ensinar aos gentios. – O Senhor Jesus constituiu a igreja como única agência do reino de Deus na terra encarregada de anunciar essas boas novas de salvação. É necessário, pois, a mobilização de toda a igreja para que o propósito divino seja alcançado. Cada crente dos dias apostólicos era um próspero ganhador de almas (At 8.4). Jesus foi enviado ao mundo para suprir as nossas necessidades (Mt 11.28- 30). Isso é feito mediante o evangelho, devemos, portanto, agir como o apóstolo Paulo: “Pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê” (Rm 1.16); “Se anuncio o evangelho, não tenho de que me gloriar, pois sobre mim pesa essa obrigação; porque ai de mim se não pregar o evangelho!” (1 Co 9.16). – Os missionários devem respeitar as culturas de cada povo. Paulo entendia que os costumes só devem ser mantidos quando necessários, pois ensinar costumes, culturas e tradições como condição para salvação é heresia e caracteriza seita. Barnabé sabia que a tradição judaica era mais uma forma de manter a identidade nacional e que isso em nada implicaria a salvação desses novos crentes, portanto, não seria necessário observar o ritual da lei de Moisés (At 15.19, 20). Convém lembrar que a importação de inovação para nossas igrejas pode desrespeitar a nossa herança espiritual deixada pelos nossos antepassados. Muitas coisas não servem para nossa cultura, pois já temos a nossa identidade cultural, como também podem não servir para outras etnias. – Essa foi a visão dos pentecostais clássicos desde o avivamento da Rua Azusa. Eles tinham um projeto evangelístico e missionário. Até se pensava, a princípio, que o dom de línguas era para pregar aos pagãos ao redor do mundo. A xenolalia é isto, a habilidade de falar uma língua que o indivíduo não aprendeu. Mas, logo, esses pioneiros desistiram dessa ideia. Mas, eles continuaram a obra missionária mesmo sem xenolalia. – É dever de cada crente incentivar as missões, orar pelos missionários e pelos que estão sendo enviados e contribuir financeiramente para o sustento dos missionários. O evangelho é a mensagem mais atual. Já faz quase dois mil anos que os cristãos vêm pregando as boas novas e elas continuam sendo cada dia uma mensagem nova. Evangelização, discipulado e intercessão são a “máquina” responsável pelo crescimento da igreja. Cada igreja deve elaborar um projeto, com propósitos definidos para alcançar os pecadores. O apóstolo Paulo diz que o evangelho salva, mas é preciso permanecer nele (1 Co 15.1, 2). Esse trabalho é tarefa de todos os crentes.

SUBSÍDIO VIDA CRISTÃ

“Grandes cousas tem feito o Senhor por nós, pelas quais estamos alegres’.

Desejo dar um relatório da obra do Senhor aqui nesta capital. A 15 de fevereiro de 1927, chegamos a esta cidade [Belo Horizonte], enviados por nosso Senhor Jesus Cristo. Não existia aqui nenhum crente da nossa fé, e ninguém tinha ouvido falar do batismo no Espírito Santo.

[…] Abriram-se muitas portas, de maneira que agora temos oito cultos por semana, dentro da cidade, e num lugar chamado Areias surgiu uma nova congregação. Jesus já batizou ali três irmãos no Espírito Santo. Aleluia! Ele está ouvindo as nossas orações.

Estamos debaixo de uma onda de revivificação; nossos cultos são muito concorridos e o poder de Deus se tem manifestado com a salvação de pecadores. Nesses últimos três meses, 47 pecadores se entregaram a Jesus, 19 irmãos foram batizados nas águas e 11 receberam o batismo no Espírito Santo! Aleluia!” (AZA, Clímaco Bueno. Na Seara do Senhor. In: Mensageiro da Paz: Os artigos que marcaram a história e a teologia do Movimento Pentecostal no Brasil. Vol.1. Rio de Janeiro: CPAD, 2004, pp.56,57).

   CONCLUSÃO

A Bíblia afirma que não existe salvação sem Jesus. Ele mesmo declarou: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim” (Jo 14.6). Essas boas novas são o poder de Deus para salvação e libertação disponível a todos os povos. Mas há necessidade de alguém para levar essa mensagem de vida. Já faz quase dois mil anos que os cristãos vêm pregando esta mensagem e ela continua sendo cada dia uma mensagem nova. – A missão primordial da Igreja é fazer discípulos. Na verdade, na expressão grega, não é o ide que é imperativo, mas fazer seguidores do Mestre (Mt 28.19,20). Jesus partiu do pressuposto que sua Igreja iria, caso contrário não seria sua Igreja. Mas é preciso que essa não perca o foco de vista, deve saber que a missão envolve não apenas fazer com que pessoas levantem as mãos, em sinal de aceitação, mas também discipulá-las, ensinando-as a guardar a mensagem de Cristo.

REFERÊNCIAS

LIÇÕES BÍBLICAS. 1º Trimestre 2020 - Lição 10. Rio de Janeiro: CPAD, 7, mar. 2021.

SOARES, Esequias. O verdadeiro pentecostalismo: a atualidade da doutrina bíblica sobre a atuação do Espírito Santo. Rio de Janeiro: CPAD, 2020.

STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1997.


sábado, 6 de março de 2021

LIÇÃO 10: O SENHOR JESUS CURA HOJE

COMENTÁRIO E SUBSÍDIO I

INTRODUÇÃO

Assim como Jesus fez no passado, Ele deseja atualmente curar e libertar os enfermos e os oprimidos. Ele demonstrou misericórdia e compaixão ao tomar sobre si as nossas enfermidades e dores. O caráter e a compaixão de Jesus permanecem imutáveis na atualidade. Deus é fiel para curar as nossas enfermidades. – A cura divina de enfermidades em todas as áreas, como físicas e emocionais, é um fato inquestionável entre nós na atualidade. O nosso desafio não é com os não cristãos e ateus, pois não se espera deles essa mesma crença pentecostal. Há dois problemas maiores mesmo entre os evangélicos, os cessacionistas que não acreditam nesses dons de cura para os nossos dias. O outro problema é que há ainda, os que negam até mesmo os milagres de Jesus registrados nos evangelhos. Rudolf Bultmann (1884-1976) é um deles, pois que “considerava os relatos de acontecimentos sobrenaturais no Novo Testamento apenas mitos edificantes”. Segundo Jack Deere, professor do Seminário Teológico de Princeton, Benjamin Breckinridge Warfield foi quem popularizou a ideia de que “os dons do Espírito haviam sido dados somente aos apóstolos... Morrendo os apóstolos, os dons desapareceram juntamente com eles”. Nós, pentecostais, enfrentamos esse tipo de ideia o tempo todo.

I. A CURA DIVINA NA BÍBLIA

A cura divina na Bíblia tem a ver com a saúde pública no Antigo Testamento, a prevenção de doenças como uma orientação bíblica e as curas de Jesus no Novo Testamento.

1. A saúde pública no Antigo Testamento. Em Israel, a saúde era uma promessa de Deus, mas o povo tinha que fazer a sua parte. Deus garantiu a saúde dos filhos de Israel desde que eles cumprissem os termos do Pacto do Sinai: “nenhuma das enfermidades porei sobre ti, que pus sobre o Egito; porque eu sou o SENHOR, que te sara” (Êx 15.26). A vida dos israelitas era centrada no seu Deus (Dt 6.4-9; 30.20). A cura de enfermidades em Israel era essencialmente milagrosa, principalmente acerca das doenças graves. O remédio não estava nos médicos como nos povos vizinhos, mas em Deus (Jr 17.14; 30.17).

2. A prevenção de doenças é bíblica. A alimentação saudável e a higienização adequada são bons hábitos que contribuem para a boa saúde. Quando a lei de Moisés instrui o povo sobre o padrão de higiene em Levítico 15 e os preceitos dietéticos no capítulo 17, embora parte da purificação fosse cerimonial, o objetivo principal era saúde da população. Isso mostra o interesse divino na saúde pública e individual (Jr 8.22). A religião, nesse caso, se constitui num veículo eficaz para a conscientização coletiva. O Novo Testamento mostra que a finalidade era uma questão de saúde pública e não purificação espiritual para a salvação ou santificação (Mt 15.17-20; Rm 14.2; 1 Tm 4.3-5).

3. O Novo Testamento: as curas de Jesus. Israel dependia mais de Deus, e a sua garantia da saúde estava na obediência. O número de enfermos era alto, e as curas efetuadas por Jesus logo chamaram a atenção do povo (Mt 4.23-25). Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores (1 Tm 1.15), no entanto, por causa da miséria humana, operou muitos milagres, prodígios e maravilhas. O Senhor se compadecia dos enfermos, dos oprimidos e de todos os de espírito abatido, porque essas pessoas andavam como ovelhas que não têm pastor (Mt 9.36; Mc 6.34). A compaixão era a principal motivação de Jesus para ministrar ao povo, e isso não mudou com o tempo, pois a promessa de cura divina continua valendo (Mc 16.17-20). – Em Israel, a saúde era uma promessa de Deus, mas o povo tinha que fazer a sua parte. Deus garantiu a saúde dos filhos de Israel desde que eles cumprissem os termos do Pacto do Sinai: “Se vocês ouvirem com atenção a voz do SENHOR, seu Deus, fizerem o que é reto diante dos seus olhos, derem ouvidos aos seus mandamentos e guardarem todos os seus estatutos, nenhuma enfermidade virá sobre vocês, das que enviei sobre os egípcios; pois eu sou o SENHOR, aquele que cura vocês” (Êx 15.26). O povo dependia mais de Deus do que dos médicos, pois não há evidência de conhecimentos científicos no campo da matemática, da lógica, da medicina, da astronomia entre outros ramos do saber em Israel como em seus vizinhos egípcios, assírios, babilônios, gregos. A presença de médicos em Israel no período do Antigo Testamento parece ter sido escassa, eles são citados apenas seis vezes (Gn 50.2; 2 Cr 16.12; Jó 13.4; Is 3.7; Jr 8.22). – Os médicos que embalsamaram Jacó eram egípcios: “José ordenou a seus servos, aos que eram médicos, que embalsamassem o corpo de seu pai. E os médicos embalsamaram Israel” (Gn 50.2). O termo aparece duas vezes nessa passagem. Os médicos mencionados metaforicamente no livro de Jó são também estrangeiros (Jo 13.4). O relato da doença do rei Asa parece ser a única consulta que seria no padrão da ciência médica registrada em Israel no período do Antigo Testamento: “No trigésimo nono ano do seu reinado, Asa contraiu uma doença nos pés, e essa doença era muito grave. Porém, na sua enfermidade ele não recorreu ao SENHOR, mas confiou nos médicos” (2 Cr 16.12). O tom dessa linguagem parece ser de repreensão e não ficamos sabendo se o rei foi curado e tudo indica que esses “médicos” eram estrangeiros. Em Jeremias: “Será que não há bálsamo em Gileade? Ou não há lá médico? Por que, então, não se realizou a cura da filha do meu povo?” (Jr 8.22). O Dicionário Bíblico Unger dá a entender que “médico”, nessa passagem, representa “mais que tratadores de feridas e aplicadores de bálsamo e unguentos”. Parece ser esse também o sentido em Isaías 3.7. O Dicionário Bíblico Conciso Holman afirma que esses médicos são alusões não do “ponto de vista da medicina (Jr 8.22; Jó 13.4)”.

O cuidado com a saúde pública pertence à esfera da preservação de Deus para o bem-estar dos seres humanos, antes que isso se tornasse preocupação dos governantes do mundo, como agora ficou demonstrado mais uma vez com a chegada da pandemia da Covid-19. A prevenção de saúde é dever individual de cada pessoa e isso é bíblico. A alimentação saudável e a higienização adequada são bons hábitos que contribuem para a boa saúde. O khasherut é o nome que se dá aos preceitos dietéticos estabelecidos na lei de Moisés, são prescrições judaicas tradicionais acerca do ritual e dos preparativos de alimentos e refeições. O termo vem da palavra hebraica khasher, cuja ideia é: “apropriado para comer, limpo”, khósher é a forma em yídiche, muito usada entre os judeus. O texto básico da lei de Moisés que descreve o tipo de alimentação que se deve comer e o que não se deve comer está em Levítico 11. As instruções sobre o período pós-parto estão em Levítico 12, e os dois capítulos seguintes ensinam o povo e as autoridades religiosas em Israel como deviam lidar com a lepra. O padrão de higiene íntima está em Levítico 15. Todos esses preceitos são alguns exemplos de prevenção de saúde. Essa parte da Lei de Moisés é classificada como preceitos cerimoniais. – É possível que os antigos hebreus considerassem todos esses preceitos cerimoniais e rituais de purificação com efeitos soteriológicos. O Novo Testamento mostra que a finalidade era uma questão de saúde pública e não purificação espiritual para a salvação ou santificação. Jesus deixou claro que não é a inobservância do khasherut que contamina a pessoa (Mt 15.17-20); o apóstolo Paulo segue nessa mesma linha (Rm 14.2; 1 Tm 4.3-5). – Deus mandou Moisés incluir esses assuntos como parte do sistema sanitário na lei como preceito religioso, pois do contrário à população não levaria tudo isso a sério. A pandemia da Covid-19 é uma evidência dessa realidade ainda hoje, pois são muitos, no mundo inteiro, que não gostam de seguir as orientações das autoridades sanitárias. A religião, nesse caso, se constitui num veículo eficaz para a conscientização coletiva. A obediência ao Pacto de Sinai era uma garantia contra as enfermidades. No período do Novo Testamento, Israel demonstrava maior conhecimento no campo da medicina por causa do contato com os egípcios, gregos e romanos. A atividade médica era profissional. Mas, a ciência médica era ainda muito rudimentar, e o número de enfermos era grande e não havia recursos na medicina para muitos tipos de doenças, a cura dependia somente do poder de Deus. Era a fé em ação, por essa razão Jesus se compadecia dessas pessoas enfermas, pois o número delas era muito grande. Jesus faz menção aos médicos e nos ensina que os enfermos precisam deles (Mt 9.12; Mc 2.17; Lc 4.23; 5.31). Lucas era médico (Cl 4.14). Reconhecemos a importância da ciência médica, ela é uma bênção para a humanidade, mas ela tem as suas limitações. A pandemia da Covid-19 é uma amostra visível disso. Sabemos também que os resultados promissores no tratamento e na cura de enfermidades por meio de recursos científicos não deixa Deus de fora. O Espírito Santo guia os médicos nos tratamentos desde as consultas até as cirurgias, sem que muitos deles tenham consciência disso.

SUBSÍDIO DIDÁTICO-PEDAGÓGICO

Ao se preparar para a aula, procure relacionar o maior número possível de passagens sobre cura na Bíblia. Organize essas passagens de um jeito que fique claro todo o processo progressivo da cura nas Sagradas Escrituras até atingir sua plenitude no ministério de Jesus e dos apóstolos. Use uma boa concordância bíblica para lhe auxiliar nessa organização.

À medida que for expondo o primeiro tópico, apresente essas passagens em ordem, a fim de que os alunos confirmem na Bíblia o conceito da cura divina.

  II. A CURA DIVINA COMO PARTE DA SALVAÇÃO

O discurso profético de Isaías 53 anuncia a obra redentora de Jesus no Calvário. Encontramos alguns detalhes dessa palavra profética no Novo Testamento, que mostram com clareza que salvação e cura divina caminham juntas.

1. Salvação. É um termo que se aplica a diversas ações de Deus no Antigo Testamento em favor de seu povo, como o livramento da escravidão, da fome, da espada e das enfermidades. A salvação da condenação eterna é o livramento do poder da maldição do pecado e a restituição do ser humano à comunhão com Deus (2 Co 5.19; Hb 2.15). Deus propôs a salvação para todas as pessoas (Tt 2.11), e as condições para isso são a fé em Jesus e o arrependimento dos pecados (At 3.15-19). A vontade de Deus é a salvação de todos os seres humanos, mas para isso cada pessoa precisa se arrepender de seus pecados e se converter ao Senhor Jesus (At 17.30; 1 Tm 2.4).

2. Cura divina. A Declaração de Fé das Assembleias de Deus define a cura divina como “um ato da soberania, graça e misericórdia divina, que, através do poder do Espírito Santo, restaura física e/ou emocionalmente aqueles que demonstram fé em Jesus Cristo” (Mt 14.14; Lc 4.18,19; At 10.38). É tendência nossa procurar logo os médicos em caso de doença, isso não é errado, Jesus mesmo disse que os doentes precisam de médicos (Mt 9.12; Mc 2.17; Lc 4.23; 5.31). Lucas era médico (Cl 4.14). Mesmo assim, o milagre acontece também pelos recursos científicos da medicina. Mas convém salientar que temos um recurso divino seguro para a cura das enfermidades, a ministração da unção com óleo em nome do Senhor sobre os enfermos (Mc 6.13; Tg 5.14,15).

3. Salvação e cura. A obra de Jesus é completa, a expiação no Calvário resulta na nossa redenção e alcança também a cura do corpo físico (Is 53.4; 1 Pe 2.24). Desde o Antigo Testamento que a salvação e a cura andam juntas (Jr 17.14). A cura espiritual geralmente precede a cura física: “É ele que perdoa todas as tuas iniquidades e sara todas as tuas enfermidades” (Sl 103.3). A cura do paralítico de Cafarnaum (Mt 9.1-8) e passagens paralelas nos evangelhos sinóticos revelam essa verdade. A vontade de Deus é, portanto, curar tanto a alma como o corpo (Tg 5.15).

4. Isaías 53.3,4. O Novo Testamento interpreta Isaías 53 como a provisão de Deus em Cristo para cura física e espiritual. O Evangelho de Mateus aplica a palavra: “Ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si” (Is 53.4) ao ministério de cura do Senhor Jesus (Mt 8.17). O verbo “sarar” em “pelas suas pisaduras, fomos sarados” (53.5) indica a cura física, isso está muito claro nas inúmeras curas físicas de enfermos efetuadas por Jesus (Mt 8.16,17). Essa cura é também espiritual e isso diz respeito à salvação: “levando ele mesmo em seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro, para que, mortos para os pecados, pudéssemos viver para a justiça; e pelas suas feridas fostes sarados” (1 Pe 2.24). – Lendo a Palavra de Deus vemos que os evangelhos tornam realidade as expectativas messiânicas do Antigo Testamento. Cura e salvação já estavam no radar do Espírito Santo desde os profetas: “Cura-me, SENHOR, e serei curado; salva-me, e serei salvo” (Jr 17.14); “Ele é quem perdoa todas as suas iniquidades; quem cura todas as suas enfermidades” (Sl 103.3). Geralmente o perdão dos pecados vem antes da cura física. Isso se evidencia também na cura do paralítico de Cafarnaum, Jesus primeiro perdoou seus pecados e só depois é que efetuou a cura física (Mt 9.1-8; Mc 2.1-12; Lc 5.18-26). – A combinação desses dois temas é visível no discurso profético de Isaías 53. Isso fica ainda mais evidente no Novo Testamento. A passagem do profeta: “Certamente ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si; e nós o considerávamos como aflito, ferido de Deus e oprimido” (Is 53.4) é aplicada à cura física por ocasião do ministério de cura do Senhor Jesus, “expulsou os espíritos e curou todos os que estavam doentes” (Mt 8.17). Temos nessa passagem cura e libertação como cumprimento da profecia de Isaías: “para se cumprir o que foi dito por meio do profeta Isaías: ‘Ele mesmo tomou as nossas enfermidades e carregou as nossas doenças’” (Mt 8.17). Mas, essa cura é também espiritual, ou seja, diz respeito à salvação. O apóstolo Pedro cita a continuação da mensagem de Isaías, “o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas feridas fomos sarados” (Is 53.5), que explica de maneira categórica essa cura como salvação, “carregando ele mesmo, em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados, para que nós, mortos para os pecados, vivamos para a justiça. Pelas feridas dele vocês foram sarados” (1 Pe 2.24). De modo que a cura de enfermidades é um dos benefícios da obra redentora do Calvário. Dos 36 milagres específicos de Jesus registrados nos evangelhos, 27 deles envolvem cura e libertação, ou seja, salvação. – A Bíblia nos ensina que o propósito principal da vinda de Jesus ao mundo foi a redenção humana (1 Tm 1.15). Apesar disso, o Senhor Jesus jamais deixou de socorrer os necessitados e aflitos, pois se compadecia deles: “Jesus viu uma grande multidão, compadeceu-se dela e curou os seus enfermos” (Mt 14.14). Ele tinha compaixão dos enfermos, dos oprimidos e de todos os de espírito abatido, porque andavam como ovelhas que não têm pastor (Mt 9.36; Mc 6.34). Ele veio para salvar os pecadores, no entanto, por causa da miséria humana, operou muitos milagres, prodígios e maravilhas. – Assim como Jesus fez no passado, Ele deseja nos dias atuais curar e libertar os enfermos e os oprimidos. Ele demonstrou misericórdia e compaixão ao tomar sobre si as nossas enfermidades e dores. O caráter e a compaixão de Jesus permanecem imutáveis na atualidade. Deus é fiel para curar as nossas enfermidades. A cura de enfermidades era essencialmente milagrosa, principalmente das doenças graves sem tratamento pelos recursos médicos da época.

SUBSÍDIO DEVOCIONAL

“E correndo toda terra, em redor, começaram a trazer-lhe enfermos em leito, onde quer que sabiam que Jesus se achava. Assim, aonde quer que entrasse, Jesus, em cidades, aldeias ou pequenos lugares, lhe apresentavam enfermos nas praças e rogavam-lhe ao menos tocar a orla de seus vestidos: e todos que lhe tocavam eram sarados.

E essa mesma autoridade Jesus tem dado aos seus servos, até ao dia de hoje: de pregar o Evangelho, curar os enfermos e expelir os demônios. Jesus disse aos seus discípulos: ‘Ide por todo mundo, pregai o Evangelho a toda a criatura… e estes sinais seguirão aos que crerem: em meu nome expulsarão os demônios… e porão as mãos sobre os enfermos e os sararão’, Mc 16.15-18. ‘E, saindo eles, pregavam que se arrependessem. E expulsavam muitos demônios e ungiam muitos enfermos com azeite e os curavam’, Mc 6.12-13.

[…] Ninguém pense que, com estas palavras, queiramos dizer que possuímos em nós aquela virtude que havia nos crentes do tempo dos apóstolos, mas sim, que nos esforçamos para alcançar este fim, pois que estamos certos de que Deus é poderoso para restabelecer a sua igreja hoje, assim como no tempo dos apóstolos. E eu posso testemunhar o que tenho visto, em minhas viagens às ilhas do Baixo-Amazonas, que multidões de crentes têm sido curadas pela eficácia da oração. Por isso, quero sempre render honra e glória a Deus, agora e sempre. Amém” (BERG, Daniel. O Senhor é o nosso Médico. In: Mensageiro da Paz: Os artigos que marcaram a história e a teologia do Movimento Pentecostal no Brasil. Vol. 1. Rio de Janeiro: CPAD, 2004, pp. 24,25).

III. A CURA DIVINA E OS DESAFIOS ATUAIS

Os desafios atuais são diversos, e dentre eles, saber sobre a natureza da enfermidade, se o problema é físico ou espiritual, e ter o discernimento sobre a vontade de Deus.

1. As doenças. As enfermidades são uma das causas de maior sofrimento ao ser humano. Elas são consequências, direta ou indireta, do pecado, pois, se não existisse pecado, não existiriam enfermidades. Mas isso não significa que todos os enfermos estejam em pecado. Há enfermidades que são consequências diretas do pecado (Jo 5.14), no entanto, não se pode generalizar, visto que cada caso tem suas peculiaridades.

2. As enfermidades entre os crentes. Grandes homens de Deus não conseguiram se livrar das doenças. Esse é um desafio, às vezes, fora da compreensão humana. O apóstolo Paulo tinha um “espinho na carne” (2 Co 12.7-10), e qualquer que seja a natureza desse problema, era sem dúvida uma enfermidade (Gl 4.13-15). Timóteo tinha problemas no estômago (1 Tm 5.23); Paulo deixou “Trófimo doente em Mileto” (2 Tm 4.20).

3. Não confundir doença com possessão maligna. Jesus conferiu à sua igreja o poder de curar enfermos e libertar os oprimidos do Diabo (Mt 10.8; Mc 16.15-20). É dever nosso usar essa autoridade do nome de Jesus para diminuir o sofrimento humano. Jesus tem saúde para dar a todos os enfermos, mas nem sempre compreendemos o plano de Deus para determinada pessoa. Duas coisas básicas devemos observar: primeiro, se a enfermidade é opressão maligna ou uma questão médica, para não “expulsar demônio” onde não há demônio. Isso machuca as pessoas, e não é tão incomum entre nós. Segundo, entender que Jesus é Senhor, e não servo, Ele cura como quer e onde quer de acordo com a sua vontade (Mt 6.10). – Cremos plenamente que a cura divina é real e atual, mas é um milagre, isso significa que ela acontece quando Deus quer. Não se trata de um resultado de um programa ou um projeto. É importante o cristão entender que não temos todas as respostas, e às vezes, ficamos sem entender como que grandes homens de Deus não conseguiram se livrar das doenças. Esse é um desafio, às vezes, fora da compreensão humana. O apóstolo Paulo tinha um “espinho na carne” (2 Co 12.7-10), qualquer que seja a natureza desse problema, era sem dúvida uma enfermidade (Gl 4.13-15). Timóteo tinha problemas no estômago (1 Tm 5.23); Paulo relata: “Quanto a Trófimo, deixei-o doente em Mileto” (2 Tm 4.20). – Hoje, isso não é diferente, quantos servos e servas de Deus perderam a vida para a Covid-19? A verdade é, como já ouvi várias vezes o nosso pastor José Wellington Bezerra da Costa falar em cultos fúnebres, que não devemos colocar um ponto de interrogação onde Deus colocou um ponto final. Talvez um dia venhamos a compreender esses mistérios da vida, talvez nunca enquanto vivermos neste mundo. São coisas que pertencem a Deus (Dt 29.29). Assim como as grandes personagens da Bíblia experimentaram todas essas vicissitudes, altos e baixos, da mesma forma as bênçãos são extensivas à igreja e os milagres para os dias atuais. A enfermidade é uma das causas de maior sofrimento ao ser humano. – As pessoas dariam tudo pela saúde. As doenças são consequências, direta ou indireta, do pecado, pois, se não existisse pecado, não existiriam enfermidades. Mas, isso não significa que todos os enfermos estejam em pecado. Há enfermidades que são consequências diretas do pecado (Jo 5.14), no entanto, não se pode generalizar.

Os milagres - A definição de milagre no meu livro Cristologia “é a intervenção do sobrenatural na lei da natureza que Deus opera para mostrar o seu poder e ajudar o ser humano. Em cada milagre acontece uma intervenção na ordem natural do universo”. Mas, isso deve ser entendido de maneira correta, para não confundir o sentido do sobrenatural. – Qual o significado de sobrenatural? O Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa define o termo como aquilo “que ultrapassa o natural, fora das leis naturais, fora do comum; extranatural”. O Dicionário de Filosofia de Nicola Abbagnano atribui a origem do termo “sobrenatural” a Tomás de Aquino e define essa palavra como “o que acontece na natureza, mas não decorre das forças ou dos procedimentos da natureza e não pode ser explicado com base neles. É um conceito próprio da teologia cristã, que atribui à fé a crença no Senhor assim entendido”. Essa definição de Abbagnano é filosófica e nos faz pensar sobre o uso que fazemos da palavra sobrenatural. Não parece que o apóstolo Paulo e Lucas tratassem da ação do Espírito Santo e dos dons como algo fora do funcionamento regular do mundo, porque para Deus nada é impossível (Lc 1.37; Ef 3.20). Na experiência pentecostal, o milagre não é algo inatingível, é algo esperado da ação divina que depende da vontade de Deus. O Deus trino é a fonte dos milagres, são obras poderosas em Cristo, mas não está fora da ordem do dia, do funcionamento do universo. Assim, é melhor usar a palavra “milagre” indicando ação especial proveniente de Deus.

– Encontramos seis termos bíblicos traduzidos em nossas versões como “milagre”, dois são hebraicos, no Antigo Testamento e quatro são gregos no Novo Testamento. A palavra ’ôth, “sinal”, é genérica que significa “sinal, marca, insígnia, indício, estandarte, sinal miraculoso, prova, advertência”, geralmente traduzido por se¯meion, na Septuaginta. Quando o sentido é de sinais miraculosos, ’ôth vem geralmente acompanhado do termo hebraico môphe¯th, “maravilha, milagre, sinal, feito” (Êx 7.3; Dt 4.34; 6.22). No Novo Testamento, as palavras são: teras, “milagre, maravilha, sinal milagroso, portento”; se¯ meion, “sinal”; dynamis, “poder”, como aparece no discurso de Pedro no dia de Pentecostes: “Jesus, o Nazareno, homem aprovado por Deus diante de vocês com milagres, prodígios e sinais, os quais o próprio Deus realizou entre vocês por meio dele, como vocês mesmos sabem”. A outra palavra é ergon, “trabalho, obra, feito”, como em Mateus 11:2: “ouviu falar das obras de Cristo”, ou: “dos feitos de Cristo” (ARC). Quais são esses feitos ou essas obras? Jesus esclarece: “Voltem e anunciem a João o que estão ouvindo e vendo: os cegos veem, os coxos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos são ressuscitados e aos pobres está sendo pregado o evangelho” (Mt 11.4,5). – Tanto Israel na antiguidade como a igreja do período apostólico viam os milagres dentro da normalidade. É verdade que se trata de algo grandioso e que chama a atenção, mas nada disso nunca esteve fora do controle divino, esses sinais vêm de Deus, são obras de Deus, mas não estão fora do nosso mundo. Os pentecostais veem as obras de Deus dessa maneira, afinal, Deus não está “longe de cada um de nós” (At 17.27). – Eu pergunto a você como pentecostal. Você acha essas coisas fora no universo, fora da nossa realidade? Não. Tudo isso está dentro do raio de ação de Deus. Jesus disse: “Estes sinais acompanharão aqueles que creem: em meu nome, expulsarão demônios; falarão novas línguas; pegarão em serpentes; e, se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará mal; se impuserem as mãos sobre enfermos, eles ficarão curados” (Mc 16.17,18). Não cabe no presente contexto qualquer avaliação sobre a posição da Crítica Textual sobre essa passagem, a experiência histórica da igreja a partir dos 20 milagres registrados em Atos nos é suficiente. Mesmos antes da volta de Jesus ao céu, ele havia concedido poder aos discípulos para realizarem milagres, pelo menos, por três vezes, como estágios (Mt 10.1-8; Lc 9.1-6; 10.1-12, 17-20). Há no livro de Atos o registro de 20 milagres, sinais e prodígios, dentre os quais 13 deles são de cura e libertação. A obra da salvação continuou sendo completa depois da volta de Jesus ao céu. O relato final de Marcos continua valendo: “E eles foram e pregaram por toda parte, cooperando com eles o Senhor e confirmando a palavra por meio de sinais, que se seguiam” (Mc 16.20). – O poder de Deus é o mesmo, a igreja de Jesus é a mesma, a dispensação é a mesma. Não faz sentido algum alguém imaginar que os dons do Espírito Santo e os milagres tenham cessados. Como disse Craig S. Keener, como Deus derramaria o seu Espírito para depois “desderramar”? Nós vivemos na Era do Espírito.

SUBSÍDIO TEOLÓGICO

“Por que alguns são curados, e outros, não? A resposta a essa pergunta pertence à sabedoria soberana de Deus, mas podem ser feitas algumas observações. Alguns estão doentes por causa do efeito do pecado. Encontramos um exemplo no Novo Testamento, em 1 Coríntios 11.27-30. Esta a razão por que devemos pedir ao Espírito Santo para perscrutar nosso coração e apontar-nos possíveis áreas ocultas de pecado, que nos impedem de receber a cura.

Outra possibilidade é a de que o Senhor está procurando ensinar alguma coisa, assim como a Paulo (2 Co 12.7) e a Jó. Nesse caso, precisamos buscar entendimento da parte do Senhor.

Além disso, existe a questão do momento certo. Muitos não recebem imediatamente a cura. Em semelhantes casos, é preciso lembrar as palavras do Senhor, quando Ele nos admoesta que devemos orar sempre e não desanimar (Lc 18.1). Deus tem seu momento certo.

[…] A falta de fé também pode impedir o recebimento da cura. O autor da Epístola aos Hebreus, em vários trechos, nos admoesta a conservar firme a fé em Deus” (HORTON, Stanley (Ed.). Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal. 10. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2019, p. 528).

   CONCLUSÃO

Precisamos saber que a cura divina é real e atual. Além disso, devemos entender que o Senhor Jesus cura quando, como e onde quer e não da maneira que, às vezes, pensamos (2 Rs 5.10-14). – A cura de enfermidades é um milagre, direta ou indiretamente. A ciência médica é intermediária nesse processo que vem evoluindo ao longo dos séculos e os médicos, independentemente de sua confissão religiosa, consciente ou não, estão nas mãos de Deus. É que Deus trabalha no silêncio. O poder de Deus é o mesmo, a igreja de Jesus é a mesma, a dispensação é a mesma. Não faz sentido algum alguém imaginar que os dons do Espírito Santo e os milagres tenham cessados. Como disse Craig S. Keener, como Deus derramaria o seu Espírito para depois “desderramar”? Nós vivemos na Era do Espírito.

REFERÊNCIAS

LIÇÕES BÍBLICAS. 1º Trimestre 2020 - Lição 10. Rio de Janeiro: CPAD, 7, mar. 2021.

SOARES, Esequias. O verdadeiro pentecostalismo: a atualidade da doutrina bíblica sobre a atuação do Espírito Santo. Rio de Janeiro: CPAD, 2020.

STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1997.