sábado, 11 de julho de 2015

LIÇÃO 2: O EVANGELHO DA GRAÇA




 



SUBSÍDIO I

INTRODUÇÃO

A Primeira Epístola a Timóteo foi escrita por Paulo, a quem denomina o jovem pastor de “meu verdadeiro filho na fé” (I Tm. 1.2). Com essa declaração objetiva reconhecer e legitimar o ministério espiritual desse obreiro perante a congregação. Na aula de hoje, nos voltaremos para as orientações do Apóstolo à igreja, considerando a necessidade de refutar os falsos ensinamentos. Ao final, destacaremos a importância de não nos apartarmos do evangelho da graça, sob pena de comprometer o evangelho genuíno.

1. A DOUTRINA DOS APÓSTOLOS

Paulo está preocupado em manter a sã doutrina, e refutar os falsos ensinamentos que comprometiam o verdadeiro evangelho. ÉA onda de subjetivismo ainda hoje mina muitas igrejas evangélicas. Há pastores que criticam o liberalismo nas igrejas, mas não sabem que a experiência, distanciada da Palavra também é liberalismo. Os falsos mestres dos tempos de Paulo estavam se infiltrando nas igrejas, trazendo um ensino diferente (gr. heterodidaskaleo). Uma ala desse ensinamento não apostólico se respaldava em uma interpretação equivocada da lei (I Tm. 1.7). Existem movimentos estranhos ao evangelho, semelhantes aos judaizantes do passado, que querem resgatar a prática da lei como condição para a salvação. Paulo reconhece que a Lei é boa, tendo em vista que ela busca orientar o ser humano. Mas essa é incapaz de salvar, pois serve apenas  como um aio, um pedagogo que conduz o aluno à escola, mas não pode modificar seu comportamento (Gl. 3.24,25). O uso equivocado da Lei acaba por favorecer mitos e genealogias intermináveis, lendas que não edificam e contrariam o evangelho (I Tm. 4.7). Essas mitologias e genealogias também causam contendas nas igrejas, e uma espécie de especulação vazia de verdade. Mas a Torah aponta o caminho correto, para que o pecador reconheça suas limitações, e se volte para Deus. Até mesmo na sociedade, as leis servem tão somente para deter os instintos rebeldes do ser humano. Contudo, não podem modificar o caráter, ainda que sejam necessárias para evitar o caos (I Tm. 1.9-10). A mudança na natureza somente acontece a partir do interior (Cl. 3.5-11), quando o novo homem é construído, através do Espírito Santo, em Cristo (Gl. 5.22).  

2. O ENSINAMENTO DOS FALSOS MESTRES

Os falsos mestres dos tempos de Paulo impunham proibições e penalidades, e ao mesmo tempo, as contradiziam, praticando imoralidades. A coerência deve ser buscada pelos servos de Deus, ainda que reconheçam que são incapazes de alcançar o padrão divino por conta própria. Faz-se necessário ter cuidado com o mero moralismo, às vezes, exige-se um padrão moral dos outros, atentando para algumas áreas, principalmente restrita à sexualidade. A hipocrisia é demonstrada quando pessoas exigem demais em uma área, mas transgridem em outras, naturalizando determinados pecados. Esse era o pecado de alguns fariseus dos tempos de Jesus, eles faziam de tudo para conseguir prosélitos, coavam um mosquito e engoliam um elefante (Mt. 23). A sã doutrina identifica a realidade do pecado, sobretudo sua universalidade (Rm. 3.23), ao mesmo tempo em que reconhece que ninguém é salvo pelas obras (Ef. 2.8,9), mas pela graça por meio da fé, gratuitamente (Rm. 6.23), como resultado do amor de Deus (Jo. 3.16; Rm. 5.8). Paulo sabe que foi um dos piores pecadores, um perseguidor da igreja de Jesus Cristo, tendo sido alcançado pela graça maravilhosa de Deus (I Tm. 1.16). Por isso destina a honra e a glória a Deus, não aos homens. Há líderes que pensam que a salvação depende deles, os méritos não são de Cristo, mas das obras que realizam. Esse é outro evangelho, nada tem a ver com o evangelho de Jesus (Gl. 1.7-9). Muitos estão se deixando enfeitiçar por essa falsa doutrina, que defende a salvação pelas conquistas humanas. Somos todos pródigos, é a graça de Deus que nos acolhe, a graça de Deus deve continuar nos causando espanto.

3. O EVANGELHO DA GRAÇA

Desfrutamos da graça e paz de Deus, que excede todo e qualquer entendimento, principalmente o religioso. A graça (gr. charis) é o favor imerecido de Deus, Ele nos dá muito além do que merecemos. Quando somos alcançados pela graça de Deus, podemos não apenar ter paz (gr. eirene) com Deus, mas também a paz de Deus (Fp. 4.7). Essa é uma paz que o mundo não conhece, mas que nos foi prometida por Cristo, antes de partir da terra (Jo. 14.27). Muitos cristãos estão perdendo a surpresa diante da graça de Deus. As responsabilidades eclesiásticas estão naturalizando os relacionamentos. Sem perceber alguns deles pensam que são merecedores das dádivas divinas. Como o fariseu da parábola de Jesus, estufam o peito diante de Deus, e apresentam suas prerrogativas, achando que são dignos (Lc. 18.9). Davi precisou ser advertido pelo profeta Natan, para que percebesse seu pecado, e se voltasse em arrependimento ao Senhor (Sl. 51.8). Com Paulo precisamos lembrar constantemente, que a graça do nosso Senhor transbordou sobre nós, com a fé o amor que estão em Cristo Jesus (I Tm. 1.14). A graça de Deus também nos motiva ao amor (gr. agape), a responder positivamente à providência do Senhor. Amamos a Deus, e uns aos outros, porque Ele nos amou primeiro (I Jo. 4.19), esse é o genuíno evangelho, uma palavra fiel e verdadeira, digna de toda aceitação (I Tm. 1.15). Por isso Timóteo deve pregá-la com ousadia naquela comunidade, para que os ouvintes possam reconhecê-la. Trata-se, na verdade, de um combate, a fim de, apologeticamente, manter a fé e a boa consciência que alguns estão rejeitando (I Tm. 1.18-20).

CONCLUSÃO

Diante da ameaça das falsas doutrinas na igreja, Paulo admoesta Timóteo para que combata contra os mestres do engano. Quando o evangelho está sendo ameaçado por ensinamentos falsos, devemos ser firmes e contundentes na defesa da verdade. Nossa principal arma é a espada do Espírito que é a Palavra de Deus (Ef. 6.17), com ela podemos destruir as fortalezas do erro, e mostrar a direção correta, a fim de defender a fé que uma vez foi entregue aos santos (Jd. 3).

Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa


COMENTÁRIO E SUBSÍDIO II

INTRODUÇÃO

Ao se despedir dos anciãos de Éfeso, Paulo expressou seu sentimento de preocupação com o rebanho de Deus, pois tinha receio de que na sua ausência as ovelhas do Senhor fossem atacadas (At 20.29,30). Sem dúvida, foi um sentimento dado pelo Senhor, pois sete anos depois, Paulo estava deixando Timóteo em Éfeso, para combater os “lobos cruéis”, que queriam “devorar” o rebanho sob seus cuidados pastorais. Nos dias de hoje, há igrejas que abrigam falsos obreiros, que pervertem a sã doutrina matando ou dispersando as ovelhas.  [Comentário:  Quando Paulo despediu-se dos presbíteros de Éfeso, fez um dos mais belos discursos de sua carreira. Com palavras eloquentes, desafiou os líderes daquela igreja a assumirem um compromisso solene com Deus, com a Palavra e com a igreja. Para encorajá-los, deu seu próprio testemunho, como segue: “Porém, em nada considero a vida preciosa para mim mesmo, contanto que complete a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus para testemunhar o evangelho da graça de Deus” (At 20.24). O ministério é regido por um ideal mais alto do que a própria vida. “… para testemunhar o evangelho da graça de Deus”. Quando o ideal é maior do que a vida, vale a pena dar a vida pelo ideal. Testemunhar o evangelho da graça era o grande vetor da vida de Paulo. Ele respirava o evangelho. Vivia pelo evangelho. Estava pronto a se sacrificar e a morrer pelo evangelho. Nenhuma outra motivação governava sua vida. Não buscava grandeza para si mesmo. Não cobiçava ouro nem prata. Não buscava para si riquezas nem fama. Mesmo sofrendo ameaças e passando parte de sua vida encarcerado, jamais perdeu o entusiasmo de viver nem o senso de urgência de proclamar o evangelho. Considerava-se prisioneiro de Cristo e embaixador em cadeias. Mesmo diante das mais terríveis adversidades, Paulo tinha o coração ardente, os pés velozes e os lábios abertos para proclamar Cristo, a essência do evangelho. Adaptado de “O Compromisso com o Evangelho da Graça”, Rev Hernandes Dias Lopes - http://hernandesdiaslopes.com.br/2013/08/o-compromisso-com-o-evangelho-da-graca/#.VZsophtViko. Mas o que é esse Evangelho da Graça pelo qual Paulo ‘gastou’ sua vida? Alguém já disse que se fosse definir, diria que o evangelho “é o anúncio da graça”. E o grande apóstolo Paulo escreveu em Romanos que o evangelho da graça “é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crer” (Rm 1.16 -18). O evangelho da graça é o evangelho de Cristo. O evangelho que livra o homem das algemas da religiosidade, do farisaísmo ferrenho, do tradicionalismo que mata, dos dogmas religiosos que muitas vezes nos oprimem. Em seu livro O Evangelho da Graça (Cultura Cristã), o teólogo americano e ex-pastor da 10ª Igreja Presbiteriana de Filadélfia, James Montgomery Boice, afirma “existir para chamar a Igreja, no meio de nossa cultura decadente, a se arrepender do seu mundanismo, recuperar e confessar a verdade da Palavra de Deus como os reformadores o fizeram e ver tal verdade incorporada em doutrina, culto e vida” (p 14).]. Vamos pensar maduramente sobre a fé cristã?

1. AS FALSAS DOUTRINAS CORROMPEM O EVANGELHO DA GRAÇA

1. O evangelho da graça. É o Evangelho libertador que Cristo trouxe ao mundo, por bondade de Deus, independente das obras humanas (Ef 2.8,9). Paulo se referiu a esse Evangelho de maneira muito eloquente (At 20.24). Ele conhecia esse Evangelho, não apenas na teoria, mas por experiência própria. De modo inexplicável, o blasfemo e perseguidor dos cristãos, foi escolhido para ser um dos maiores pregadores do Evangelho de Cristo (1Tm 1.12-14). Será que daríamos oportunidade a um indivíduo com tal histórico?  [Comentário:  A nossa salvação é pela graça de Deus e de Cristo (Ef 2.8). E esta graça representa um favor não merecido. O apóstolo anteriormente havia escrito sobre quem ele era alguém que não merecia a misericórdia de Deus, mas que este graça divina lhe alcançou. Sobre o Senhorio de Cristo, podemos encontrar em Filipenses 2.11 e Romanos 1.4. Nesta aliança de misericórdia divina e falhas humanas, entramos com a nossa fé, e o Senhor entra com sua superabundante graça, que supera os nossos pecados, e saímos ganhando em tudo. Assim, a    religiosidade legalista mata e maltrata, ao contrário do evangelho da graça, que é libertador, restaurador (Jo 8.32). Trata-se de um evangelho que traz vida abundante (Jo 10.10). Não o evangelho do peso, nem do jugo (Mt 11.28-30), mas do alívio, da cura, da terapia, do refrigério e da restauração. Não da religiosidade da acusação, mas da graça libertadora do perdão: “Onde é que estão os teus acusadores? Nem eu tão pouco te condeno, vai-te e não peques mais” (Jo 8.9-11). No Evangelho da Graça Cristo pagou, quitou uma vez por todas para nos trazer libertação plena e completa: “Quando ele tomou o vinho, disse: “tudo está completado”. Tudo está quitado e pago” (Jo 19.30).]

2. As falsas doutrinas (v.3). Os falsos mestres seriam presbíteros, a quem cabia a tarefa de ministrar o ensino à igreja (1Tm 5.17; 3.2). As falsas doutrinas eram apresentadas como “fábulas ou genealogias intermináveis” (1.4). As “fábulas” (gr.mythoi) eram narrativas imaginárias, lendas, ficção. Na literatura, têm seu lugar. Mas, na Igreja, não deve haver espaço para fábulas ou mitos. No texto, não fica claro qual o conteúdo das “genealogias”, mas, ao lado das fábulas, eram ensinos que traziam especulações e controvérsias inúteis que não edificavam os irmãos em nada. Timóteo foi o mensageiro, enviado por Paulo, para enfrentar e combater tais ensinos. Há igrejas evangélicas que aceitam esse tipo de ensino e permitem que o emocionalismo tome lugar do verdadeiro avivamento espiritual. [Comentário:  Note-se que Paulo não está proibindo o uso do recurso didático ‘fábulas’ (A fábula é uma narrativa em prosa ou poema épico breve de caráter moralizante, protagonizado por animais, plantas ou até objetos inanimados. Contém geralmente uma parte narrativa e uma breve conclusão moralizadora, onde os animais se tornam exemplos para o ser humano, sugerindo uma verdade ou reflexão de ordem moral.) durante uma exposição das Escrituras ou o ensino delas, mas ele fala de pessoas que estariam se apegando a fábulas como elas fossem um fim ou a verdade em si mesmas. Em outras traduções, ao invés de "fábulas" encontramos "mitos" e "lendas", o que parece fazer mais sentido. Como ele fala de doutrina no versículo 3, acredito que uma leitura mas atual seria: "nem se deem a doutrinas fantasiosas, mitos, lendas ou a genealogias". “OU A GENEALOGIAS INTERMINÁVEIS” - Os Judeus se gastavam em suas intermináveis comprovações genealógicas para demonstrarem de que pertenciam as mais importantes linhagens familiares. Usando instrumentos legalistas da antiga aliança é que se ufanavam de pertencerem às tribos das personagens que se destacaram na história de Israel. Já os gnósticos se utilizavam das árvores genealógicas para batizarem seus filhos em nome dos heróis históricos de suas nações. Na atualidade os mórmons são praticantes destes rituais, é tanto que em Salt Lake, nos Estados Unidos, possuem os mais completos registros genealógicos do mundo e que pertencem aos mórmons. Tudo isso o apóstolo refuta como descartáveis comparados ao evangelho de Cristo. “QUE MAIS PRODUZEM QUESTÕES” - Coisas mais importantes do que as fábulas judaicas e as intermináveis genealogias era se voltar para as coisas que pertencem ao evangelho de Cristo. O religioso se ocupa de coisas pequenas que não levam a nada, enquanto que o cristão verdadeiro se aplica as coisas que produzem edificação espiritual. As escrituras falam sobre mandamentos de homens que são regras religiosas dos líderes tentando dominar os outros com suas intermináveis filosofias e ideologias pessoas. O evangelho é simples e qualquer pessoa que tem o Espírito de Deus tem condições de entender sua mensagem principal. A principal função do gnosticismo dentro das igrejas era para deturpar o evangelho de Cristo. “DO QUE EDIFICAÇÃO DE DEUS” - O evangelho genuíno, esse sim produz na vida da igreja a benéfica edificação espiritual. A tentativa de implantar no cristianismo os elementos confusos da antiga aliança de Deus com Israel, só trazia confusão e divisão dentro da comunidade cristã. Assim como a bagagem mitológica do gnosticismo, nada de bom acrescentava no bem estar da igreja. Pelo contrário, estes chamados mistérios ocultos produzidos por mentes diabólicas, mas trazem confusão e destruição do que edificação da de Deus. Nem tudo que há nas igrejas vem da parte de Deus. “QUE CONSISTE NA FÉ, ASSIM O FAÇO AGORA” - O evangelho de Cristo tem um fator primordial no crescimento de nossa fé, e na esperança que temos segundo nos promete a nova aliança de Deus com a humanidade. Tendo feito muitas atividades missionárias, agora, Paulo se ocupava na edificação das igrejas por ele fundadas. Transmitindo os ensinos do reino de Deus e provando que Cristo era o Messias prometido.]

3. O “fim do mandamento” e a finalidade da Lei. Paulo chamou a atenção de Timóteo, seu enviado a Éfeso, para a doutrina de Deus e de Cristo, a que ele resumiu no “mandamento”, e sua finalidade (1Tm 1.5,6). Em seguida, Paulo ensina acerca do objetivo da Lei, e para quem ela se destinava, discriminando, no texto, uma longa lista de tipos de pessoas ímpias que eram alvo dos preceitos legais (1Tm 1.9-11). [Comentário:  “SABENDO ISTO, QUE A LEI NÃO FOI FEITA PARA O JUSTO” - Os justos no tempo da nova dispensação da graça, diz respeito daqueles que foram comprados pelo sacrifício vicário do Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Justo, não porque é bom ou perfeito, mas porque é justificado por Cristo perante a justiça divina. Então, a lei, seja ela a de Moisés ou dos homens, não foi feita para os remidos por Cristo, porque aquele que vive piamente para o reino de Deus, não vive transgredindo nem as leis religiosas nem as leis governamentais. Quem é verdadeiramente convertido faz sempre o que for possível para viver corretamente. Para quem foi feita a lei? “MAS PARA OS INJUSTOS E OBSTINADOS” - Conforme as escrituras, os injustos são todos aqueles que vivem no paganismo, sem Deus na vida, vivendo sem limites nem regras. Biblicamente falando, os injustos são aqueles que vivem como se Deus não existisse para eles, são os ateus confessos ou práticos. São os incrédulos que vivem para o mundo conforme suas próprias vontades, pensando que não haverão de prestar contas perante o Criador. Já os obstinados, sobre os quais o escritor se refere, diz respeito aos que se mantêm conscientemente no sentimento de rebelião contra Deus. São os alienados das coisas do reino de Deus e das coisas que são de cima. “PARA OS ÍMPIOS E PECADORES” - Conforme os mandamentos e estatutos de Deus, os ímpios são todos aqueles que são dominados pelo mau e pelos prazeres nas coisas erradas da vida. Os ímpios são todos aqueles que vivem continuamente em busca de oportunidades para prejudicar ao seu próximo. São os que tem prazer em fazer o mal aos outros só para tirar proveito de todas as situações. Os pecadores que Paulo cita neste texto, são aqueles que não têm sentimento de erro em suas ações maléficas. Estes nunca se arrependem dos seus atos malignos praticados contra o seu semelhante. Estes são chamados de pecadores obstinados, porque erram por prazer. “PARA OS PROFANOS E IRRELIGIOSOS” - Estes profanos dos quais fala o apóstolo são aquelas pessoas que vivem longe de Deus, voltados completamente para as coisas do mundo, para a devassidão dos vícios e os prazeres da carne. Os irreligiosos são aqueles que desprezam as sagradas escrituras, e nunca se volta para o verdadeiro cristianismo. Ignoram os mandamentos de Deus e não se preocupam em como agradar ao criador. A religião não salva, mas tem ajudado as pessoas a serem melhores. “PARA OS PARRICIDAS E MATRICIDAS, PARA OS HOMICIDAS” - A lei é feita na tentativa de coibir os erros dos injustos e obstinados, dos ímpios e dos prevaricados, dos profanos e dos que não dão importância às coisas de Deus, dos que tiram a vida dos seus próprios progenitores e tem prazer em derramar o sangue do seu próximo, tirando-lhe a vida. Se não fossem as leis, este mundo seria um verdadeiro caos. “PARA OS DEVASSOS” - O escritor continua enumerando a lista dos transgressores para quem foi feita a lei. Estes devassos aos quais Paulo fala diz respeito aos impuros no tocante aos pecados sexuais. São aqueles que valorizam mais os prazeres sexuais desregrados do que os mandamentos de Deus que falam sobre como viver o sexo de forma pura e correta. Certamente o escritor estava denunciando a prostituição, que é o sexo fora do casamento. O adultério que é o sexo entre duas pessoas casadas, mas não entre o marido e mulher, legalmente casados. A prevaricação que é o sexo entre uma pessoa casada e outra solteira. E a fornicação que é o sexo entre duas pessoas solteiras, sem serem casadas, conforme manda a lei do matrimônio. “PARA OS SODOMITAS” - Conforme as sagradas escrituras, este tipo de pecado sexual, diz respeito ao homossexualismo. De acordo com a bíblia esta palavra trata do ato sexual entre dois homens ou duas mulheres, coisa que é reprovada pelas sagradas escrituras e por consequente por Deus, porque as sagradas escrituras expressão a vontade de Deus. Em (Romanos 1:26-27) o apóstolo ataca de forma radical o homossexualismo masculino, como também o feminino. Esta expressão aparece nesta lista de vícios para indicar um desvio sexual irracional e maligno referindo se a um uso extremamente depravado do impulso sexual. Sodomita, também se refere ao que ocorreu com a cidade de Sodoma que foi destruída por causa do homossexualismo. “PARA OS ROUBADORES DE HOMENS” - Em uma interpretação mais simplista, poderia dizer: Para os que roubam os homens. Tanto na época em que foi escrito este conteúdo da epístola pastoral de Paulo a Timóteo, Como nos tempos mais remotos da história da humanidade, era comum a prática da venda de escravos. Felizmente este mal foi extirpado das civilizações modernas. Mas, o escritor se refere aos que capturavam seres humanos para serem vendidos como se fosse uma mercadoria qualquer. Nos tempos das guerras antigas, nações inteiras eram deportadas para os países saqueadores, e os deportados eram transformados em escravos.
“PARA OS MENTIROSOS” - A lei foi escrita para combater os mentirosos. A mentira é vista pelas sagradas escrituras como algo maligno e associada ao Diabo, que é o pai da mentira (João 8:44). A pessoa que é dominada por essa falha grave em sua conduta se torna alguém absolutamente desprovido de credibilidade. A pessoa mentirosa, até mesmo quando fala uma verdade, os outros custam a acreditar em suas palavras. Já se diz que a mentira é amiga gemia da falsidade. A mentira também tem tudo a ver com o falso testemunho, isso quando se inventa algo que não aconteceu só para prejudicar a alguém. Mas, como
se diz um ditado popular: A mentira tem pernas curtas, ela só prevalece ate quando a verdade não aparece. Só se vence a mentira com a verdade. “PARA OS PERJUROS, E PARA OS QUE FOREM CONTRÁRIOS À SÃ DOUTRINA” - A lei foi feita contra os perjuros, ou seja, para aqueles que fazem juramentos falsos para prejudicarem suas vítimas. E para os que são contrários a sã doutrina. O escritor não se refere a um código de ética cristã, mas as boas novas do evangelho de Cristo Jesus.]


SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO

“Sete anos antes de Paulo escrever esta epístola, advertira os presbíteros de Éfeso de que os falsos mestres procurariam distorcer a verdadeira mensagem de Cristo. Agora que isso já estava acontecendo, Paulo exorta Timóteo a confrontá-los com coragem. Este jovem pastor não devia transigir com esses falsos ensinos que corrompiam tanto a lei quanto o evangelho. Ele deveria travar contra eles o bom combate mediante a proclamação da fé original, conforme o ensino de Cristo e dos apóstolos (2Tm 1.13,14). A expressão ‘outra doutrina’ vem do grego heteros e significa ‘estranha’, ‘falsificada’, ‘diferente’” (Bíblia de Estudo Pentecostal, CPAD, p.1864).

2. A GRAÇA SUPERABUNDOU COM A FÉ E O AMOR

1. Gratidão a Deus. Uma das características marcantes do caráter de Paulo é o ser grato a Deus (Rm 7.25; 1Co 1.4; 14.18; 2Tm 1.3). Nesta parte da Epístola, ele expressa sua gratidão a Cristo por tê-lo escolhido e posto no ministério apostólico e pastoral, apesar de ter sido um terrível opositor do Evangelho de Jesus (1Tm 1.12,13). É mais uma demonstração do que o “evangelho da graça de Deus” pode fazer na vida de um homem. Deus tem seus santos caminhos. O evangelho é a expressão do amor de Deus, em Cristo Jesus, que alcança um homem no mais baixo nível de pecado e o faz uma “nova criatura” (2Co 5.17), e mais, ainda, o faz parte da “família de Deus” (Ef 2.19). Paulo reconhece que “[...] a graça de nosso Senhor superabundou com a fé e o amor que há em Jesus Cristo” (1 Tm 1.14). Foi Jesus quem o salvou e o transformou mediante sua graça. [Comentário:  Graça – eucharisteuo; Strong 2168: De eu, “bem”, e charizomai, “dar livremente”. Ser grato, expressar gratidão, estar agradecido. Onze das trinta e nove ocorrencias da palavra no Novo Testamento referem-se à participação na Cia do Senhor, enquanto que vinte e oito ocorrências descrevem as palavras de louvor ditas ao Ente Supremo. Durante o século II, “Eucaristia” tornou-se o termo genérico para a Ceia do Senhor. Não há pensamento mais maravilhoso e mais rico em conforto do que este de sabermos que a graça de nosso Senhor Jesus Cristo superabundou, pela fé, em nossas vidas. Deus não apenas a fez abundar (a graça), mas a fez superabundar em nós. Paulo estava considerando o seu passado de blasfemo, perseguidor, opressor, mas a quem Deus expressou a Sua misericórdia, fazendo habitar nele a Sua superabundante graça. A sua religião judaica tinha sido insuficiente, mas a sua fé em Jesus levou-o ao perdão e à maravilhosa graça de Deus.]


2. Humildade. Paulo não era mais um novo convertido ou neófito quando escreveu suas cartas a Timóteo. Ele não estava usando de falsa modéstia quando declarou ser o principal pecador que Jesus veio salvar (1Tm 1.15). Paulo tinha convicção de que fora salvo pela graça, e não por seus méritos. Mesmo na condição de salvo, o crente deve saber que não merecíamos o dom (presente) da salvação.

Como salvos em Jesus Cristo, não temos mais prazer no pecado. Aquele que ainda tem prazer no pecado, não experimentou o novo nascimento: “Qualquer que é nascido de Deus não vive na prática do pecado; porque a sua semente permanece nele; e não pode viver pecando, porque é nascido de Deus” (1Jo 3.9). [Comentário:  Cristo veio salvar os “pecadores”. E estes pecadores que são beneficiados com a salvação do Cristo de Deus são justamente os que reconhecem que são fracos e falhos e que precisam do perdão de Cristo. São os que se arrependem dos seus pecados e se convertem dos seus maus caminhos para se tornarem em uma nova criatura. Paulo se achava o pior deles. Paulo não se caracterizou assim antes de sua conversão. Pelo contrário, na medida em que crescia em Cristo, Paulo tornou-se mais e mais consciente de sua própria pecaminosidade. Ele não esqueceu o havia sido; não se gloriava em si mesmo, mas sim, no Deus que o redimira e que o mudara! O texto de 1 João 3.9, se não entendido corretamente, entrará em choque com o que ele escreve em 1.8: “Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós”, e 1.10: “Se dissermos que não pecamos, fazemo-lo mentiroso (DEUS), e a sua palavra não está em nós”. É fato bíblico que o crente peca (Pv 20.9; 24.16; Ec 7.20), pois, ele é enfraquecido pela carne (Jo 3.6, “O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito.”). Tanto a realidade da presença do pecado na vida do crente quanto à nova natureza são vistas claramente na doutrina da santificação que envolve a correção de Deus (Hb 12.5-13). O texto de 1º João 3.9 afirma claramente que uma pessoa nascida de Deus não pode pecar. Isto não quer dizer, como alguns ensinam, que tal pessoa não peca. O versículo afirma que aquela parte nascida de Deus, do crente em Jesus
Cristo, não pode pecar. É óbvio que se uma pessoa é incapaz de pecar, ela não pode perder a salvação. Há quem ensine que uma pessoa pode se tornar santificada - a tão chamada segunda bênção - o batismo no Espírito Santo - quando a pessoa é capaz de viver sem pecar. Mas, estes também ensinam que uma pessoa que é capaz de não pecar, também pode pecar e se perder. Mas, nosso texto diz enfaticamente que uma pessoa nascida de novo – nascida de Deus – não pode pecar, isto é, não é capaz de pecar.]


SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO

“Não obtemos por boas obras (a essência da religião legalista) o direito à libertação do pecado e da morte. Jamais! Graça significa que tudo começa e termina com Deus. A salvação é, então, um presente de nosso Criador. Nós criamos a nossa própria ruína, mas nele reside nosso socorro. O Criador restaura com as próprias mãos sua obra-prima arruinada. Enquanto a graça é a origem ou fonte da nossa salvação, a fé é o seu meio ou instrumento. A fé não faz reivindicações, para que não seja dito que foi por ‘mérito’ ou ‘obra’” (Comentário Bíblico Beacon. 1ª Edição. Volume 9. RJ: CPAD, 2006, p.136).

3. UM CONVITE A COMBATER O BOM COMBATE

1. A boa milícia. Depois de orientar Timóteo sobre a difícil missão de combater as heresias, na igreja de Éfeso, Paulo dá uma palavra de ânimo, encorajamento e incentivo ao jovem pastor. Como um verdadeiro “pai na fé”, o apóstolo diz: “Este mandamento te dou, meu filho Timóteo, que, segundo as profecias que houve acerca de ti, milites por elas boa milícia” (1Tm 1.18). Paulo lembra a Timóteo que seu ministério foi confirmado por profecia. Deduz-se, do texto, que as profecias eram tão consistentes, que Timóteo deveria militar “a boa milícia”, ou o bom combate, com base naquilo que Deus lhe havia falado (1Tm 1.18). [Comentário:  Paulo passa a fazer suas recomendações a seu filho na fé Timóteo de como ele devia proceder para combater os legalistas e os falsos mestres do gnosticismo filosófico grego infiltrados no meio da igreja. O fato de o apóstolo falar em termos de mandamento, nos dá a entender que era mesmo uma ordem ou um decreto apostólico de sua parte para que o líder da igreja de Cristo em Éfeso fosse revestido de autoridade em defender a genuína fé crista, em detrimento aos falsos ensinos dos gnósticos. A maioria dos comentaristas bíblicos concordam de que o ministério de Timóteo foi sendo a cada dia confirmado por meio de profecias a seu respeito e do que ele se tornaria no reino de Deus e de Cristo. Neste tempo em que Paulo lhe envia esta epístola pastoral ele já era a uma das principais lideranças da igreja de Cristo em Éfeso, mas isso não foi por um acaso, nem do dia para a noite. Sendo ele Filho na fé do grande apóstolo Paulo, isso não era suficiente para ocupar posições de destaques o quanto ele vinha galgando. Fazia-se necessário a confirmação de Deus para tanto, por meio de profecias. Diante das constantes oposições que se levantavam contra ele naquela igreja, Timóteo precisava desta palavra de apoio da parte de Paulo. O apóstolo usa uma metáfora militar para indicar a tonalidade da tarefa a que o seu filho na fé devia executar. Neste caso, ele Paulo seria um comandante, enquanto que Timóteo seria um soldado, que cumpriria suas ordens. E a ordem dada era que o soldado, combatesse diligentemente contra as heresias que estavam na igreja.]

2. A rejeição da fé e suas consequências (1Tm 1.5). Quem rejeita “a fé não fingida” e a “boa consciência” cristã colhe os resultados de sua má escolha. O resultado é o “naufrágio na fé”. Paulo toma como exemplo Himeneu e Alexandre, obreiros que entraram por esse caminho. Quanto a Himeneu, sua postura é tão terrível que ele é citado em 2 Timóteo 2.17. Seu nome deriva de Himen, “deus do casamento”, na mitologia grega. Não se sabe ao certo qual “doutrina” falsa ele semeava. Estudiosos dizem que ambos eram representantes do gnosticismo no meio da igreja de Éfeso. Com relação a Alexandre, aliado de Himeneu na semeadura das falsas doutrinas, era tão pernicioso, que Paulo o considera desviado ou “naufragado” na fé. Sua influência era tão maliciosa que Paulo os entregou “a Satanás, para que aprendam a não blasfemar” (1Tm 1.20). Que o Senhor livre sua Igreja dos falsos mestres. [Comentário:  “E entre esses foram Himeneu e Alexandre, os quais entreguei a Satanás, para que aprendam a não blasfemar” (1Tm 1.20). A maioria dos teólogos entende que o texto aponta para uma espécie de disciplina ou exclusão da comunhão com a Igreja, O Corpo de Cristo. Como entender o fato de Paulo mandar entregar dois obreiros da Igreja a Satanás?  na igreja de Éfeso. Por conta disso, o apóstolo Paulo lhe escreveu uma carta encorajando-o a manter a ordem entre os irmãos. Os falsos mestres estavam deturpando os ensinos originais nos quais a igreja tinha sido instruída e, entre os tais, Paulo cita dois nomes: Himeneu e Alexandre. Quando recebeu o ministério eclesiástico pela imposição das mãos do presbitério, o jovem Timóteo recebeu juntamente a responsabilidade de combater as heresias que possivelmente surgiriam no seio da igreja (1Tm 1.18; 4.14; 6.12). Não há menção específica a respeito das heresias com as quais aqueles dois falsos obreiros se envolveram. Entretanto, parece que a carta de Paulo a Timóteo visava tratar problemas de crenças religiosas e idéias filosóficas. O contexto sugere que esses obreiros estavam envolvidos com questões pertinentes ao gnosticismo, sendo que Himeneu é citado por Paulo em 2Timóteo 2.17,18 como que ensinando que a ressurreição já tinha acontecido, alegorizando-a e minando a esperança futura dos irmãos. A sentença para esses obreiros seria que fossem “entregues a Satanás”, o que a maioria dos teólogos entende como uma espécie de disciplina ou exclusão da comunhão com a Igreja, o Corpo de
Cristo. Este procedimento visava tanto a correção como a punição. Quanto a este fato, a Bíblia de estudo de Genebra afirma o seguinte: “Portanto, foram devolvidos ao mundo – domínio de Satanás (Jo 12.31; 14.30; 16.11; 2Co 4.4; Ef 2.2)”. No mesmo sentido, a Bíblia de estudo Pentecostal considera: “Ser desligado da Igreja; por outro lado, deixa a vida da pessoa aberta aos ataques destrutivos e satânicos (Jó 2.6,7; 1Co 5.5; Ap 2.22)”. Aprofunde-se mais em http://www.icp.com.br/72responde.asp]


SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO

“Conforme Timóteo 1.18, houve profecias concernentes à vontade de Deus para o ministério de Timóteo na igreja (1Co 14.29). Paulo exorta a Timóteo a permanecer fiel àquela vontade revelada para sua vida. Como pastor e dirigente da igreja, Timóteo devia permanecer leal à verdadeira fé apostólica e combater as falsas doutrinas que estavam penetrando insidiosamente na igreja.
Paulo adverte Timóteo várias vezes a respeito da terrível possibilidade da apostasia e abandono da fé” (Bíblia de Estudo Pentecostal, CPAD, p.1865).

CONCLUSÃO

O cristianismo nasceu debaixo de perseguição e confronto com heresias e ensinos desvirtuados. Na consolidação de igrejas abertas em suas viagens missionárias, Paulo teve que oferecer resistência e ação decidida contra os “lobos vorazes”, que haveriam de surgir, até mesmo no seio das igrejas, como no caso da igreja de Éfeso. Com a graça de Deus e o apoio de homens fiéis, como Timóteo e Tito, o apóstolo Paulo fez frente aos falsos mestres que se levantaram para prejudicar o trabalho iniciado e desenvolvido em muitas igrejas cristãs. [Comentário:  Paulo cuidou zelosamente das igrejas que fundou, isso fica claro nos textos de sua autoria. Não obstante esse cuidado do apóstolo, vemos já em apocalipse, Jesus glorificado fazendo uma análise sincera das igrejas, “tenho porém contra ti ... abandonaste o teu primeiro amor”. Esta igreja tinha mais de quarenta anos quando Jesus ditou esta carta. Outra geração havia surgido. Os filhos não experimentavam aquele entusiasmo intenso, aquela espontaneidade e o ardor que havia revelado os pais quando tiveram o primeiro contato com o evangelho. Não apenas isso, mas faltava à geração seguinte a devoção a Cristo. A igreja de Éfeso tornou-se farisaica, pois ela deixou de herança o zelo pela Palavra, mas como se fosse uma lei, mas não deixou de herança o amor que é o vínculo da perfeição. A igreja havia abandonado o seu primeiro amor. O problema da igreja de Éfeso é, com certeza, o problema da maioria das igrejas de hoje: fazer as coisas sem solidariedade amorosa. Não são poucas as amarras que dificultam o viver em liberdade. Absorvidos por uma sociedade consumista e midiática, somos personagens interpretando um roteiro mal escrito e mal dirigido. Quando abandonamos o primeiro amor, significa que abrimos mão de algo e elegemos outras coisas em seu lugar. Quando fazemos as coisas por fazer, por causa da instituição ou da denominação, pela sedução do crescimento numérico da igreja, pela fama e pelo status que se obterão na cidade ou coisas do tipo, essas são provas evidentes de que nossas motivações são impuras e estão prostituídas. Pense e ajude seus alunos a pensar maduramente a fé cristã!]. NaquEle que me garante: "Pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus" (Ef 2.8)”.

Francisco Barbosa
Disponível no blog: auxilioebd.blogspot.com.br.



SUBSÍDIO DO ENSINADOR CRISTÃO

O Evangelho da Graça

Professor, iniciando a aula, leia o seguinte versículo: “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de Deus” (Ef 2.8). Faça uma reflexão com os alunos mostrando que se hoje estamos firmes com Cristo é porque  um dia nós fomos alcançados pela maravilhosa Graça de Deus. Além de nos salvar pelo ato da sua graça, Deus nos preparou as boas obras para que andássemos por elas. Explique que as boas obras não salvam, mas dá um poderoso testemunho diante da sociedade sobre o quanto fomos alcançados pela graça divina.
A doutrina da Graça de Deus é uma das verdades mais gloriosas das Sagradas Escrituras. A convicção de que não há nada na pessoa humana capaz de preencher o vazio da alma, isto é, o restabelecimento da nossa ligação com Deus e o significado do sentido último da vida, e saber que só Deus é capaz de fazer esse milagre em nós, mostra-nos o quão miserável nós somos e quão misericordioso Deus é.
A doutrina da Graça apresenta-nos o misericordioso Deus, que em Jesus Cristo estava reconciliando o mundo consigo mesmo (2Co 5.19), operando em nós para o reconhecermos Pai amoroso. Por isso, apresentar a doutrina da Graça ao pecador é conceder-lhe libertação da prisão do pecado, a autonomia da fé em Cristo e o privilégio em sabermos que não há nada que pode separar-nos do amor de Deus (Rm 8.33-39).
Caro professor, quando falamos da Graça de Deus, inevitavelmente, chegaremos ao tema da eleição divina. Como a graça de Deus nos alcançou? A graça de Deus é arbitrária sem levar em conta a responsabilidade humana? Qualquer estudo sobre a eleição divina tem de partir obrigatoriamente da Pessoa de Jesus. Em Jesus não achamos qualquer particularidade divina em eleger alguns e deixar outros de fora, resultado de uma escolha divina arbitrária e individualizada antes da fundação do mundo. A escolha de Deus se deu em Jesus (Ef 1.4; Rm 8.29). Nele, a salvação é oferecida a todos (2Pe 3.9; cf. Mt 11.28), e, pela sua presciência, o nosso Senhor sabe quem há de ser salvo ou não. A eleição de Deus leva em conta a volição humana, pois é um dom dEle mesmo à humanidade. Assim, quando levamos em conta a volição humana não esvaziamos a soberania de Deus e da sua Graça. Pelo contrário, afirmamos a sua soberania, pois Deus
m de se arrepender e crer no Evangelho (1Tm 4.1,2; Mt 12.31,32).

sexta-feira, 3 de julho de 2015

LIÇÃO 1: UMA MENSAGEM À IGREJA LOCAL E À LIDERANÇA






SUBSÍDIO I

INTRODUÇÃO

As Epístolas de Paulo a Timóteo (I e II) e Tito são conhecidas como Epístolas Pastorais desde o século XVIII, por orientarem o pastoreio das igrejas. Ao longo deste trimestre estudaremos essas epístolas, extraindo princípios para o ministério cristão. Na aula de hoje apresentaremos uma panorâmica dessas epístolas, ressaltando o conteúdo, estrutura, conceitos-chave e ênfases teológicas.

1. I TIMÓTEO

A I Epístola de Paulo a Timóteo apresenta orientações para a vida eclesiástica, nesta o Apóstolo exorta em relação ao ensino correto, delega missões aos crentes, estabelece princípios para a organização da igreja, destacando critérios para a escolha dos presbíteros e diáconos. Em seguida, exorta quanto ao tratamento dos idosos e viúvas na igreja, além de admoestar quanto ao perigo das riquezas. Um dos versículos-chave dessa Epístola se encontra em I Tm. 1.15: “Fiel é a palavra e digna de toda aceitação, que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal”. Paulo é bastante específico quanto a estrutura das reuniões e cultos, bem como a separação de novos líderes da igreja, com destaque para suas qualidades. Ele ressalta que os obreiros de Deus devem ser exemplo para os fiéis. Essa Epístola foi escrita por volta do ano 64 d. C., a Timóteo, um dos companheiros de Paulo nas viagens missionárias. O Apóstolo o enviou para Éfeso a fim de deter os falsos ensinamentos que eram propagados pelos adeptos do gnosticismo (I Tm. 1.3,4). Tratava-se de um obreiro jovem, por isso Paulo admoesta a igreja para que “ninguém despreze a tua mocidade”, por outro lado, ele “deveria ser exemplo dos fiéis, na palavra, no trato, na caridade, no espírito, na fé, na pureza” (I Tm. 4.12). Alguns temas são predominantes nessa Epístola: 1) a preservação da sã doutrina, defendendo a fé dos falsos ensinamentos; 2) qualificações dos obreiros para que esses deem testemunho fiel de Cristo; 3) disciplina pessoal, a fim de cumprir os requisitos morais para o ministério; e 4) as responsabilidades da igreja, principalmente em relação aos mais pobres.

2. TITO

A Epístola de Paulo a Tito foi escrita no mesmo período de I Timóteo, após a libertação de Paulo da sua primeira prisão em Roma. Os temas eclesiásticos são basicamente os mesmos tratados naquela Epístola. Paulo trata a respeito dos pré-requisitos para a escolha dos diáconos e presbíteros, tendo em vista o combate aos falsos mestres. Em seguida o Apóstolo orienta quanto à organização das diferentes faixas etárias na igreja, e das camadas sociais distintas, bem como da lealdade a Cristo. Paulo também se preocupa com a relação do crente com o Estado, e destaca a relevância da lealdade a Cristo. Um dos versículos-chave dessa Epístola se encontra em Tt. 2.11: “Porquanto a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens”. O livro de Atos não apresenta informações a respeito de Tito, o que é possível saber a respeito desse cooperador de Paulo se encontra em Gl. 2.1-3. A partir desse texto sabemos que era um cristão-judeu, que recebeu várias atribuições do Apostolo, dentre elas a de ir a Corinto, para orientar a igreja (II Co. 1.12; 8.5-16; 8.1-6). A data foi provavelmente escrita em 64 d. C., depois que Paulo foi libertado da prisão em Roma. Tito recebeu essa Epístola quando se encontrava em Creta, tendo sido deixado ali pelo Apóstolo, “para que pusesse em boa ordem as coisas que ainda restam” (Tt. 1.5).  Alguns temas são mais importantes nessa Epístola, dentre eles destacamos: 1) a importância de uma vida íntegra, principalmente entre os obreiros; 2) a escolha de diáconos e presbíteros, considerando o caráter dos candidatos; 3) o relacionamento entre as pessoas de diferentes faixas etárias na igreja; e 4) a maneira dos cristãos se portarem na sociedade, obedecendo ao governo e trabalhando com honestidade.

3. II TIMÓTEO

Timóteo era um filho de um gentio e de uma cristã-judia de Listra (At. 16.1; II Tm. 1.5). Paulo o levou como colaborador do seu ministério durante a segunda viagem missionária, quando passou por aquela cidade (At. 16.3). O Apóstolo confiava nesse jovem obreiro, por isso delegou-lhe várias responsabilidades (I Ts. 3.2,6), principalmente no período em que se encontrava na prisão (Fp. 2.20). A II Epístola de Paulo a Timóteo foi escrita justamente durante o período em que estava preso em Roma, diante da grande perseguição empreendida por Nero, por volta do ano 67 d. C. Ciente da sua passagem iminente, Paulo instrui Timóteo para que pregue a palavra com ousadia; que esteja preparado para a perseguição, o cuidado com a ameaça dos falsos mestres; a necessidade da fidelidade ao ministério da palavra. Um dos versículos-chave dessa Epístola se encontra em II Tm. 3.16: “Toda Escritura é inspirada por Deus é útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça”. Paulo estava preso, e é comovente saber que ele estava com frio, e tinha necessidade dos livros (II Tm. 4.13). Naqueles que provavelmente seriam seus últimos dias na terra, Paulo conclama Timóteo a apresentar-se como obreiro aprovado, que não tinha do que se envergonhar, que manejava bem a palavra da verdade (II Tm. 2.15). Alguns temas merecem destaque: 1) a coragem, considerando que a perseguição estava se intensificando; 2) fidelidade no ministério, mesmo em momentos de adversidade; e 3) importância do ensino e pregação, para se contrapor às falsas doutrinas que estavam se impregnando na igreja.

CONCLUSÃO

As Epístolas Pastorais de Paulo não servem apenas àqueles obreiros que as receberam no primeiro século: Timóteo e Tito. Na verdade, a intenção do Apóstolo era que esses textos fossem lidos nas igrejas, a fim de orientar os membros do Corpo de Cristo, em relação à sã doutrina. De igual modo, estudar essas Epístolas atualmente serve de orientação para a igreja contemporânea, para que essa se mantenha firme na Palavra, combatendo as heresias que ameaçam a doutrina verdadeiramente evangélica.

Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa


COMENTÁRIO E SUBSÍDIO II

INTRODUÇÃO

Neste trimestre teremos a oportunidade ímpar de estudar as Epístolas de 1 e 2 Timóteo e Tito. Estas cartas, em geral, são consideradas um conjunto, já que foram dirigidas a dois jovens pastores que cuidavam do rebanho do Senhor juntamente com Paulo. O conteúdo delas está repleto de conselhos úteis sobre a estrutura da vida na igreja. Estes conselhos fazem destas cartas verdadeiros manuais eclesiásticos para a liderança das Igrejas de hoje.  [Comentário: As cartas pastorais do apóstolo Paulo são um ponto levemente fora da curva entre os seus outros escritos do Novo Testamento, pela sua própria natureza: 1 e 2 Timóteo e Tito são cartas pessoais de um homem mais velho para jovens a quem ele quer bem, com orientações, comentários sobre conhecidos em comum e pedidos - como por exemplo, para pedir sua capa e pergaminhos. Esse tipo de expressão não é normal na Bíblia, e particularmente com relação a Paulo, de quem sabemos tanto de sua vida"missionária" ou de sua doutrina através do livro de Atos e das outras cartas. É como se o homem Paulo revelasse um pouco de sua vida pessoal, um vislumbre, é certo, que deu margem a muitas especulações, mas um vislumbre. J. N. D. Kelly - Novo Testamento - Vida Nova - Série Cultura Cristã. Timóteo era um nativo de Listra, uma colônia romana na província da Galácia. Filho de um casamento misto, seu pai era gentio e sua mãe, judia (At 16.1). Pouco se sabe sobre seu pai, que parece não ter se tornado cristão, mas sua mãe e avó parecem ter sido convertidas como resultado da visita de Paulo a Listra em sua primeira viagem missionária (2Tm 1.5). Desde sua infancia, elas haviam instruído Timóteo nas Escrituras judaicas (2Tm 3.14,15) e tiveram indubitável influência na própria conversão de Timóteo ao cristianismo. Tito era um cristão gentio que foi, provavelmente, convertido por Paulo (Tt 1.4). Não dispomos de muita informação sobre ele nem seu nome é mencionado em Atos. Paulo o levou consigo a Jerusalém no princípio de sua obra missionária, onde não permitiu que ele fosse circuncidado (Gl 2.1-3). Tito, aparentemente, acompanhou Paulo em sua segunda e terceira viagens missionárias e em parte da quarta. Foi um companheiro confiavel, com quem Paulo podia contar em situações delicadas como aquela de Corinto (2Co 2.13;7.6,13,14;8.6,16,23;12.18).]. Vamos pensar maduramente sobre a fé cristã?

1. AS EPÍSTOLAS PASTORAIS

1. Cartas pastorais. As três epístolas que estudaremos são chamadas de cartas pastorais, e isso se deve ao fato de terem sido elas endereçadas a dois jovens pastores: Timóteo e Tito. Foram escritas por Paulo, um líder itinerante, que estava preocupado com os jovens pastores. Ele os instrui de modo cuidadoso a respeito do trato com a Igreja e com seus ministérios. [Comentário: As Epístolas pastorais são livros canônicos do Novo Testamento, foram escritas por Paulo de Tarso e se dirigem a Timóteo e a Tito. São agrupadas desde os primeiros séculos do cristianismo tal qual temos em nossas Bíblias: Primeira Epístola a Timóteo; Segunda Epístola a Timóteo, e Epístola a Tito. Foram chamadas pela primeira vez de Epístolas Pastorais no século XVIII. O título é apenas parcialmente uma descrição do seu conteúdo, pois não são estritamente pastorais no sentido de fornecer instrução sobre o cuidado das almas. A designação de pastoral é por serem dirigidas a pessoas que tinham responsabilidades pastorais. Diferente das demais epístolas paulinas quando se destinam a uma igreja ou um grupo de igrejas. Não há nada que indique que elas foram escritas na mesma data ou do mesmo local ou que o autor pretendesse que fossem um conjunto, entretanto estudos contemporâneos indicam que devem ser tratadas como um grupo. Possivelmente escritas no período do fim da vida do apóstolo Paulo, apresenta o pensamento dele preparando Timóteo e Tito para continuar a sua tarefa. Por esse motivo introduz uma diferente espécie de correspondência na literatura paulina em comparação com as demais epístolas anteriores https://pt.wikipedia.org/wiki/Ep%C3%ADstolas_pastorais. A biografia presente nessas cartas nos leva a crer que Paulo foi liberto do seu primeiro aprisionamento e preso novamente, algum tempo depois (alternativamente, ele pode ter sido liberto após sua primeira audiência, por um tempo determinado, até a data de uma segunda audiência).].

2. Datas em que foram escritas. A Primeira Epístola de Timóteo foi escrita por volta de 64 d.C., entre a primeira e a segunda prisão de Paulo, e enviada de Roma ou da Macedônia (talvez Filipos). Em seguida, por volta de 65 d.C., foi escrita a Carta a Tito. Já a Segunda Epístola de Timóteo foi escrita em torno de 67 d.C., quando do segundo encarceramento do apóstolo, e antes de sua morte. Faz parte das "cartas da prisão", ao lado de Filipenses, Efésios, Colossenses e Filemon. [Comentário: Recentemente, alguns biblistas e comentaristas têm questionado a autoria, tradicionalmente aceita, de que Paulo é o autor destas epístolas, citando alegadas diferenças no vocabulário, estilo e teologia. Contudo, tais argumentos não convencem, e também não há razão persuasiva para negar que Paulo tenha escrito estas cartas, e de acordo com as saudações, o autor das três cartas pastorais (1º e 2º Timóteo e Tito) foi mesmo Paulo. De acordo com a tradição posterior, Paulo escreveu 1º Timóteo enquanto estava ainda no meio de sua quarta viagem missionária, entre os anos de 62-64 d.C. 2º Timóteo é a última carta escrita por Paulo. Preparou-a logo depois da sua quarta viagem missionária, provavelmente entre 64-68 d.C. Também a carta enviada a Tito foi escrita durante a quarta viagem missionária, entre 62 e 64 d.C.].

3. Conteúdo. Estas epístolas formam um conjunto literário, devocional e doutrinário, em que se observam o mesmo vocabulário, o mesmo estilo e os mesmos propósitos para qual foram escritas. A estrutura foi elaborada com o intuito de alcançar seus destinatários com solenes ensinos e advertências da parte de Deus. O conteúdo pode ser resumido da seguinte maneira:
a) Saudação.  Nas saudações aos destinatários, Paulo demonstra o seu cuidado para com os jovens obreiros (1 Tm 1.2; Tt 1.1-4; 2 Tm 1.1,2);
b) Qualificações ministeriais. Paulo demonstra que para ser Ministro do Evangelho, há requisitos a serem respeitados (1 Tm 3.1-13; Tt 1.5-9);
c) Alerta contra os falsos mestres e as falsas doutrinas (1 Tm 4.1-5; Tt 1.10-16). Falsos mestres e falsas doutrinas já existiam nas igrejas e infelizmente ainda existem em muitos lugares;
d) O cuidado com a "sã doutrina" (1 Tm 1.10; 6.3; 2 Tm 1.13; 4.3; Tt 2.1); a falta desse cuidado contribui para a disseminação das heresias e desvios de toda a espécie;
e) Comportamento e conselhos a diversos grupos (1 Tm 5.1-25; Tt 2.1-10). Paulo fala a respeito dos servos, senhores, pais, filhos, jovens e outros grupos. [Comentário:  Paulo já era um homem mais velho (Filemon 9) e dependia cada vez mais da atuação dos homens que havia treinado durante a época mais ativa do seu ministério. Ele havia deixado Timóteo em Éfeso (1º Timóteo 1:3) e Tito em Creta (Tito 1:5) para continuarem o trabalho no ministério. Lucas ainda estava com ele (2º Timóteo 4:11), Tíquico tinha sido enviado a Éfeso (4:12) e a presença de Marcos era desejada. Paulo, pessoalmente, havia estado em Éfeso (1º Timóteo 1:3), Creta (Tito 1:5), Nicópolis (3:12), Corinto (2º Timóteo 4:20), Mileto (4:20) e Trôade (4:13) e estava em Roma naquele momento (1:17). Ele estava certo de que o fim de sua vida estava próximo (4:6-7). Há uma diferença entre as cartas pastorais, no entanto: I Timóteo e Tito mostram Paulo ainda ativo, viajando entre as cidades e aconselhando os seus aprendizes em questões do ministério. Já 2º Timóteo demonstra um tom de despedida (4:6-8).
É necessário estudar exaustivamente as Epístolas Pastorais pelas seguintes razões:
(1) Porque elas lançam luz sobre o importante problema da administração eclesiástica. Essas cartas contém algumas diretrizes acerca do culto publico que faríamos bem em prestar atenção? Que qualidades deve um homem possuir para ser um bom pastor? Um ancião digno? Um diácono consciente? Até que ponto poderiam as mulheres ser usadas na obra da igreja? Sobre quem repousa a responsabilidade primária de suprir os necessitados? Como o ministro deve tratar os homens de idade avançada que necessitam de conselho pastoral? E as mulheres idosas? E os jovens? E as jovens?
(2) Porque enfatizam a sã doutrina. É verdade que não importa o que uma pessoa creia contanto que seja sincera no que ela crê? A Bíblia é de fato “a Palavra de DEUS” tal como ela se apresenta, ou simplesmente se torna a Palavra de DEUS quando ela o ‘‘toca”? Como deve alguém defrontar-se com hereges? É possível prestar demasiada atenção aos erros deles?
(3) Porque exigem uma vida consagrada. É possível que uma pessoa seja “doutrinariamente sã”, porém “corrompida na prática”? Os homens maus devem ser disciplinados? Com que prontidão? Com que propósito em mente?
(4) Porque respondem a pergunta: "Os credos tem algum valor”? A igreja creu, no período de transição, na formulação de credos, nas declarações concisas e em outros meios de transmitir a verdade do evangelho aos interessados e a juventude? Havia alguns hinos? O lema: “Credos não, CRISTO sim” está em harmonia com o ensino das Pastorais?
(5) Porque nos informam das atividades finais na vida do grande apóstolo Paulo. O livro de Atos apresenta um relato completo de todas as suas viagens? Houve realmente duas prisões em Roma?
(6) Porque são uma valiosa fonte para a compreensão da história da igreja no terceiro quarto do 1º século d. C. (Ver M. C. Tenney, The New Testament, A Survey, p. 354).
(7) Porque nessas Epístolas, tanto quanto nas demais, DEUS nos fala.]


SUBSÍDIO TEOLÓGICO

“O centro do ensino de Paulo a Timóteo concentra-se no modo de vida que é apropriado dentro da igreja. As suas lições falam de oração (2.1-8), mulheres (2.9-15), a escolha de ‘bispos’ (3.1-7) e ‘diáconos’ (3.8-13) e concluem com uma liturgia de louvor (3. 14-16). Estas lições têm o objetivo de ajudar na igreja do Deus vivo’. A seguir, Paulo passa a falar do próprio Timóteo. É aparente que, embora Paulo amasse muito Timóteo, e o enviasse em importantes missões. Timóteo, por natureza, era tímido e hesitante. Por isto as palavras de Paulo parecem, às vezes, ir além do incentivo e da exortação. Paulo lembra Timóteo de que ele pode esperar falsos ensinos infectando as igrejas, e que o seu dever é ‘propor’ a verdade aos irmãos (4.1-10). Mas Timóteo deve fazer ainda mais. Ele deve ‘mandar e ensinar’ a verdade, e não permitir que alguém ‘despreze’ sua ‘mocidade’. E as exortações prosseguem: Timóteo deve ‘meditar nestas coisas’, ‘ocupar-se nelas’ e ‘perseverar nelas’ (4.10-16)” (RICHARDS, Lawrence O. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. 1. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2007, p. 467).
  
2. PROPÓSITO E MENSAGEM

As cartas pastorais de 1 Timóteo, 2 Timóteo e Tito tinham em comum os seguintes propósitos:

1. Orientar os líderes quanto à vida pessoal. Paulo exorta o jovem pastor Timóteo dizendo que ele deveria servir como exemplo em tudo (1 Tm 4.12, 16). Para estar na liderança de uma igreja local é imprescindível ter uma vida exemplar. Também é necessário  e importante que o líder saiba cuidar bem de sua vida familiar (1 Tm 3.1-13), a fim de que sua esposa e filhos tenham uma boa conduta. [Comentário:  As cartas pastorais nos dão uma perspectiva profunda sobre a autoridade bíblica que foi concedida aos líderes das igrejas. Paulo, em I Timóteo, já dizia: “Saiba como as pessoas devem comportar-se na casa de Deus, que é a igreja do Deus vivo, coluna e fundamento da verdade” (I Timóteo 3:15). Para que as pessoas soubessem como se comportar, era necessário que alguém as ensinasse e esperasse delas o tipo de comportamento adequado. Hoje, esses ensinamentos se fazem ainda mais necessários, porque saímos de um passado onde tínhamos um excesso de autoridade para um presente onde há escassez dela. Quais princípios norteavam a autoridade que Paulo exerceu sobre Timóteo e Tito e os ensinou a exercerem sobre os outros? Paulo sabia que a essência da liderança era a servidão (I Timóteo 4:10-12, Tito 2:7-8). Ele deu o exemplo a Timóteo e o chamou a imitá-lo (II Timóteo 3:10-11). Em muitas ocasiões, ao invés de ordenar algo a Timóteo ou a Tito, Paulo simplesmente pediu, recomendou, lembrou ou simplesmente os instruiu (I Timóteo 1:3, 1:18, 2:1, 4:6-7, 15, 5:1-2, 14, 21, 6:20, II Timóteo 2:14, 2:25, 4:1, Tito 2:2-6, 9, 3:1).].

2. Combater as heresias. Paulo sabia das diversas heresias que ameaçavam as igrejas locais. O apóstolo estava preocupado com os crentes que já haviam sido seduzidos pelo judaísmo. O judaísmo exigia o cumprimento de vários rituais e liturgias, contudo Jesus nos ensinou uma nova maneira de cumprir a Lei e de viver. Jesus fez uma Nova Aliança com a humanidade mediante seu sacrifício na cruz. Naquele tempo havia também o perigo do gnosticismo, ou seja, uma filosofia herética, que defendia o dualismo, segundo o qual a matéria é má e o espírito é bom. Por isso, negava a encarnação de Cristo, pois o corpo, sendo matéria, contaminaria seu espírito. Paulo deixou Timóteo em Éfeso para amenizar os estragos dessa heresia, que se infiltrou no meio dos crentes, sob influência de Himeneu e Alexandre (1 Tm 1.19,20). [Comentário:  Paulo preparou a Timóteo ensinando-o como ministrar aos que tinha sob seu cuidado. Seus ensinamentos foram claros e específicos. Timóteo não teve que adivinhar o que seu mestre ou discipulador esperava dele. Estas instruções surgiram da experiência e sabedoria de Paulo. Os líderes servidores preparam a outros instruindo-os nas áreas específicas de seu ministério. Paulo faz apelo angustiado a Timóteo para que este guarde fielmente a fé genuína, ante a apostasia vindoura (1 Tm 4.1; 6.20; 2 Tm 1.14). Cada crente deve imitar um Paulo em sua vida porque “você necessita de alguém que tenha atravessado o caminho”. Cada crente necessita de um Barnabé porque precisa de alguém “que o ame, mas que não se deixe impressionar por você”. Necessita de um Timóteo “cuja vida está edificando”. (Fp 2.19 - ARA). Há pastores que pregam, ensinam, pastoreiam ou escrevem, não com solicitude genuína pela propagação do evangelho, mas visando aos seus próprios interesses, honra, glória e prestígio. Ao invés de procurarem agradar ao Senhor JESUS, procuram agradar aos homens e conquistar o favor deles (1.15; 2.20,21; 2 Tm 4.10,16). Tais pastores não são verdadeiros servos do Senhor. Sabendo que está
com os dias contados e seu ministério acabado, ele escreve para Timóteo: Procure vir logo ao meu encontro, pois Demas, amando este mundo, abandonou-me e foi para Tessalônica. Crescente foi para a Galácia, e Tito, para a Dalmácia. Só Lucas está comigo. Traga Marcos com você, porque ele me é útil para o ministério (2 Tm 4.9-11). Quando seu tempo se esgotava, quando se sentiu abandonado e quando possivelmente se deixava abater pelo desânimo, Paulo queria ter duas pessoas a seu lado: Timóteo, seu amado filho, e Marcos, “porque ele me é útil para o ministério”.].

SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO

“A responsabilidade imediata de Timóteo era esta: ‘Para advertires a alguns que não ensinem outra doutrina’. O apóstolo não nos informa a quem ele se referia quando emitiu esta ordem; Timóteo provavelmente já sabia muito bem quem eram os envolvidos. Paulo usa termos vagos para descrever a natureza destas heresias: Fábulas ou... genealogias intermináveis, que mais produzem questões do que edificação de Deus, que consiste na fé. Mesmo que seja impossível concluir com plena certeza quais eram esses ensinos que o apóstolo percebia que estavam minando a fé dos cristãos efésios, não é forçar a interpretação sugerir que se tratava de um começo de gnosticismo. A heresia conhecida por gnosticismo, que no século II se tornou ameaça séria à integridade do ensino cristão, tinha raízes judaicas e gentias. Houve três fases sucessivas da influência judaica na igreja primitiva. A segunda era a fase judaizante que Paulo combateu com tanta eficácia na Epístola aos Gálatas. É sobre a terceira fase, em que havia ‘revelações fingidas sobre nomes e genealogias de anjos’, que o apóstolo procura avisar Timóteo” (RICHARDS, Lawrence O. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. 1. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2007, p. 452).
  
3. UMA MENSAGEM PARA A IGREJA LICAL E A LIDERANÇA DA ATUALIDADE

Estamos vivendo os tempos trabalhosos que Paulo falou em 1 Timóteo 4.1,2. Precisamos estar atentos, por isso, vamos estudar duas heresias da atualidade. Estas precisam ser confrontadas com a Palavra de Deus.

1. O "evangelho" da prosperidade. Um dos mais eminentes defensores, desta falsa doutrina ensinou que "você é tanto uma encarnação de Deus quanto Jesus Cristo o foi. Você não tem um deus dentro de você. Você é um deus". Se o crente é "deus" pode tudo; tudo o que disser tornar-se-á realidade (confissão positiva); e terá o mundo e as riquezas que desejar, sem pobreza nem enfermidades. À luz da Palavra de Deus, tal ensinamento equivale a orgulho, presunção e soberba. Sabemos que Deus abomina toda altivez (Pv 6.16-19) e que tal ensino é contrário as Escrituras Sagradas. Somos criaturas, temos falhas e sem Deus nada somos e nada podemos. O poder e a majestade são dEle. [Comentário:  Embora os adeptos da teologia da prosperidade considerem Kenneth Hagin o pai desse movimento, pesquisas cuidadosas feitas por vários estudiosos, como D. R. McConnell, demonstraram conclusivamente que o verdadeiro originador da confissão positiva foi Essek William Kenyon (1867-1948). Esse evangelista de origem metodista nasceu no condado de Saratoga, Estado de Nova York, e se converteu na adolescência. Em 1892 mudou-se para Boston, onde estudou no Emerson College, conhecido por ser um centro do chamado movimento “transcendental” ou “metafísico”, que deu origem a várias seitas de orientação duvidosa. Uma das influências recebidas e reconhecidas por Kenyon nessa época foi a de Mary Baker Eddy, fundadora da Ciência Cristã. Kenyon iniciou o Instituto Bíblico Betel, que dirigiu até 1923. Transferiu-se então para a Califórnia, onde fez inúmeras campanhas evangelísticas. Pregou diversas vezes no célebre Templo Angelus, em Los Angeles, da evangelista Aimee Semple McPherson, fundadora da Igreja do Evangelho Quadrangular. Pastoreou igrejas batistas independentes em Pasadena e Seattle e foi um pioneiro do evangelismo pelo rádio, com sua “Igreja do Ar”. As transcrições gravadas de seus programas serviram de base para muitos de seus escritos. Cunhou muitas expressões populares do movimento da fé, como “O que eu confesso, eu possuo”. Antes de morrer, em 1948, encarregou a filha Ruth de dar continuidade ao seu ministério e publicar seus escritos. Quais eram as crenças dos tais grupos metafísicos? Eles ensinavam que a verdadeira realidade está além do âmbito físico. A esfera do espírito não só é superior ao mundo físico, mas controla cada um dos seus aspectos. Mais ainda, a mente humana pode controlar a esfera espiritual. Portanto, o ser humano tem a capacidade inata de controlar o mundo material por meio de sua influência sobre o espiritual, principalmente no que diz respeito à cura de enfermidades. Kenyon acreditava que essas idéias não somente eram compatíveis com o cristianismo, mas podiam aperfeiçoar a espiritualidade cristã tradicional. Mediante o uso correto da mente, o crente poderia reivindicar os plenos benefícios da salvação. Leia mais em: http://www.ultimato.com.br/revista/artigos/313/raizes-historicas-da-teologia-da-prosperidade].

2. Apostasia dos últimos dias. Paulo adverte aos crentes quanto ao que está acontecendo nos dias atuais, onde muitos estão abandonando a fé em Cristo. Em Tito, ele faz advertência semelhante sobre falsos líderes, contradizentes e de torpe ganância (Tt 1.9-13). Precisamos estar atentos para que os ensinos heréticos e a apostasia não alcancem a Igreja do Senhor.  O líder tem a responsabilidade de zelar pela sã doutrina. [Comentário:  A apostasia, da palavra grega apostasia, significa "um desafio de um sistema estabelecido ou autoridade; uma rebelião; um abandono ou falta de fé." No mundo do primeiro século, a apostasia era um termo técnico para a revolta política ou deserção. E, assim como no primeiro século, a apostasia ameaça o Corpo de Cristo hoje. Ninguém de maneira alguma vos engane; porque não será assim sem que antes venha a apostasia, e se manifeste o homem do pecado, o filho da perdição” (2 Ts 2.3). O verso referido diz que chegará um tempo nos últimos dias quando os fundamentos da doutrina cristã serão contemporizados e derribados pela aceitação do erro e da heresia. Os homens esquecerão o ensino bíblico sadio. Bem, estamos atualmente vivendo nesses dias! Estamos vivendo em dias de uma terrível apostasia da sã doutrina bíblica e dos valores de Deus. Adivinhe quem está liderando essa tendência para a apostasia. São os pastores que contemporizaram na fé e que realmente não estão nem aí. Eles rejeitaram a sã doutrina e estão desejosos de agradar e de alcançar a aprovação dos homens. Não são como os bereanos, que diligentemente examinaram as Escrituras e que procuraram agradar a Deus. Infelizmente, pastores maus, que contemporizam na doutrina, estão na liderança de muitas igrejas. Esses 'pastores' procuram agradar aos homens e nem querem saber se estão caminhando em obediência a Deus e à firmeza de sua palavra, a Bíblia. Participando como membros dessas igrejas, estão todos os tipos de pessoas que rejeitam a sã doutrina bíblica. A Bíblia adverte: “Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências; e desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas” (2 Tm 4.3-4). Estamos atualmente vivendo nesses dias quando os homens rejeitarão a sã doutrina. Não somente muitos que chamam a si mesmos de 'cristãos' rejeitam a sã doutrina, mas também muitos que se atrevem chamar a si mesmos de 'pastor'. Esses maus pastores causam grandes danos à igreja e já feriram muitas pessoas do povo de Deus. Os pastores têm poder; podem levar o povo mais para perto de Deus e torná-lo mais forte, ou podem fazer o contrário. Aqui está um versículo que ilustra esse fato: “E disse-lhes: Está escrito: A minha casa será chamada casa de oração; mas vós a tendes convertido em covil de ladrões” (Mt 21.13). Esse verso tem um significado real nestes dias, à luz da crescente tendência à apostasia. Deus não quer que seu templo seja um covil de ladrões; quer que seja um lugar santo, ao qual as pessoas possam vir e humildemente adorar a Deus. Entretanto, os líderes religiosos o transformaram em outra
coisa. O versículo diz, "vós a tendes convertido" referindo-se ao fato que os líderes religiosos permitiram que o templo deixasse de ser uma casa de oração para se tornar um covil de ladrões. Deus também atribui a responsabilidade por essa mudança aos líderes religiosos, que deveriam ter mais discernimento. Esse verso tem uma aplicação muito importante para hoje! Poucos pastores encaram
seu trabalho com seriedade. A maioria está preocupada em buscar os louvores dos homens, jactando-se dos 'grandes números' obtidos no último domingo, e outros estão enriquecendo e vivendo como 'filhos do Rei'. Aprofunde-se mais lendo o artigo completo em http://solascriptura-tt.org/SeparacaoEclesiastFundament/MausPastoresUltimosDias-Yusko.htm].
  
SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO

"O Espírito Santo revelou explicitamente que haverá, nos últimos tempos, uma rebeldia organizada contra a fé pessoal em Jesus Cristo. Aparecerão na igreja pastores de grande capacidade e poderosamente ungidos por Deus. Alguns realizarão grandes coisas por Deus, e pregarão a verdade do evangelho de modo eficaz, mas se afastarão da fé e paulatinamente se voltarão para espíritos enganadores e falsas doutrinas. Por causa da unção e zelo por Deus que tinham antes, desviarão muitas pessoas.
Muitos crentes se desviarão da fé porque deixarão de amar a verdade (2 Ts 2.10) e de resistir às tendências pecaminosas dos últimos dias. Por isso, o evangelho liberal dos ministros e educadores modernistas encontrará pouca resistência em muitas igrejas" (Bíblia de Estudo Pentecostal, CPAD, p. 1870).

4. MENSAGEM PARA A LIDERANÇA

1. Administração eclesiástica. Em 1 Timóteo 3.1-12 e em Tito 1.5-9, vemos um conjunto de qualificações que aqueles que desejam liderar uma igreja necessitam ter. Infelizmente, em muitas igrejas, nem sempre estas recomendações são observadas. Porém, a liderança exige esforço. É necessário que o pastor tenha uma vida santa e irrepreensível.  É preciso esforço e disciplina. Observe com atenção, algumas das qualificações necessárias ao líder: Irrepreensível, marido de uma só mulher, que tenha filhos fiéis, não soberbo, não iracundo, não dado ao vinho, não espancador, não cobiçoso de torpe ganância, dado à hospitalidade, amigo do bem, moderado, justo, santo, temperante, retendo firme a Palavra, capaz de admoestar com a sã doutrina, etc. [Comentário:  Cuidar do rebanho de Deus é uma das mais nobres tarefas dadas por Deus ao homem. Representa, também, enormes e pesadas responsabilidades, pois quem administra uma igreja está lidando não só com as questões administrativas do dia-a-dia, mas sobretudo com o preparo de almas para a vida eterna. Daí há quem pense que basta atender as necessidades espirituais do rebanho para cumprir o propósito divino, deixando as questões administrativas em plano secundário. Embora as necessidades espirituais sejam mais importantes, há o lado humano, a organização, o modo de fazer as coisas, que também não podem ser desprezados.].

2. Ética ministerial. Na Segunda Epístola a Timóteo, Paulo diz que o ministro deve apresentar-se a Deus "aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar; que maneja bem a palavra da verdade" (2.15). A verdadeira liderança se estabelece pelo exemplo, pelo testemunho, muito mais do que pela eloquência, pela oratória ou pela retórica. Não são os diplomas de um pastor que o qualificam como líder cristão, mas seu exemplo, sua ética, diante de Deus e da igreja local. Paulo tinha condições de ensinar liderança e ética, pois sua vida era exemplo para a igreja e para os de fora  (Fp 3.17; 1 Co 11.1). O líder cristão não é o que "manda", mas o que serve. Não é o maior, e sim o menor (Mt 20.24-28). [Comentário:  “Olhai, pois, por vós, e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que ele resgatou com seu próprio sangue. Porque eu sei isto que, depois da minha partida, entrarão no meio de vós lobos cruéis, que não pouparão o rebanho; e que de entre vós mesmos se levantarão homens que falarão coisas perversas, para atraírem os discípulos após si.” (At 20.28-30). Quando o Espírito Santo orientou a Paulo nos critérios de escolha dos candidatos ao Presbitério ele estava estabelecendo os critérios éticos para tal função homens de boa reputação isso nos mostra como o candidato deveria ser visto pela sociedade, (I Tm 3.7 ) cheios do Espírito Santo, (Gl 5.22 -26) isso mostra que seu caráter deveria estar moldado pela pessoa do Espírito Santo, cheios de sabedoria a Bíblia diz em Salmos 111.10 que o temor ao Senhor é o principio da sabedoria. Então no contexto cultural da Igreja Cristã, o Presbítero deveria ser um homem temente a Deus. Ao referir-se aos Presbíteros em I Tm 3.1-8, Paulo norteia o
padrão de comportamento ético, e este padrão é o mesmo seja para o Pastor, Presbítero ou Diácono. Falando aos Presbíteros no versículo 4 do mesmo capitulo, Paulo foi bem claro: que saiba governar bem a sua casa - isso reforça o cuidado bíblico com a família; o apostolo esta mostrando que a liderança deve começar em casa; e no versículo 15 ele diz: “para que saibais como convém andar na casa de Deus”, o apostolo estava falando de comportamento ético, de como exercer o ministério, seja como Diácono, Presbítero ou Pastor.].

CONCLUSÃO

As cartas pastorais contêm doutrinas e exortações quanto a assuntos práticos, mas também diretrizes gerais sobre liderança, designação de obreiros, suas qualificações, as responsabilidades espirituais e morais do ministério; do relacionamento com Deus, com os líderes e das relações interpessoais. São riquíssimas fontes de ensino para edificação das igrejas locais nos tempos presentes. [Comentário:  No conjunto de Cartas de autoria do apóstolo Paulo, as que são dirigidas a Timóteo e a Tito formam um grupo à parte que se distingue pela forma e pelo conteúdo e que, desde o séc. XVIII são designadas por Cartas Pastorais. Timóteo e Tito são dois dos mais fiéis colaboradores do Apóstolo, e nestas Cartas são visadas as qualidades dos pastores, a natureza e a extensão das suas funções. Foram as últimas cartas que Paulo escreveu e contém conselhos, a serem seguidos por nós hoje também (1 Tm 3.14-15), tendo em vista que o problema comum entre as igrejas de Éfeso e Creta era as falsas doutrinas, tal qual temos hoje. Havia, ainda, muitas contendas e discussões nas igrejas (Tt 2.9-11). Para combater as falsas doutrinas, Paulo recomenda a nomeação de oficiais qualificados, em cada igreja (Tt 1.5). É importante que o oficial nomeado seja irrepreensível (1 Tm 3.1-13, Tt 1.5-9). No combate contra as heresias, Paulo reafirma as verdades centrais do cristianismo:
-Salvação pela graça, através da fé em Cristo;
-Vida santificada, livre do pecado;
-O juízo de Deus, etc. É a chamada “sã doutrina” (1 Tm 1.15, 2.5, 2 Tm 2.11,12, Tt 2.-11-14, 3.3-8). E esta sã doutrina deve ser ensinada para o povo (2 Tm 2.2, 3.25, Tt 2.1).
Enfim, teremos um trimestre abençoado e a oportunidade de firmarmos a fé que temos abraçado. Bons estudos.]. NaquEle que me garante: "Pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus" (Ef 2.8)”.


Francisco Barbosa
Disponível no blog: auxilioebd.blogspot.com.br.