sábado, 1 de novembro de 2014

LIÇÃO 5: DEUS ABOMINA A SOBERBA






TEXTO ÁUREO

“Agora, pois, eu, Nabucodonosor, louvo, e exalto, e glorifico ao Rei dos céus; porque todas as suas obras são verdades; e os seus caminhos, juízo, e pode humilhar aos que andam na soberba” (Dn 4.37).


VERDADE PRÁTICA

A soberba é o pecado que mais afronta a soberania divina.


HINOS SUGERIDOS

46, 244, 306


LEITURA BÍBLICA EM CLASSE DN 4.10-18


10 - Eram assim as visões da minha cabeça, na minha cama: eu estava olhando e vi uma árvore no meio da terra, cuja altura era grande;
11 - crescia essa árvore e se fazia forte, de maneira que a sua altura chegava até ao céu; e foi vista até aos confins da terra.
12 - A sua folhagem era formosa, e o seu fruto, abundante, e havia nela sustento para todos; debaixo dela, os animais do campo achavam sombra, e as aves do céu faziam morada nos seus ramos, e toda carne se mantinha dela.
13 - Estava vendo isso nas visões da minha cabeça, na minha cama; e eis que um vigia, um santo, descia do céu.
14 - clamando fortemente e dizendo assim: Derribai a árvore, e cortai-lhe os ramos, e sacudi as suas folhas, e espalhai o seu fruto; afugentem-se os animais de debaixo dela e as aves dos seus ramos.
15 - Mas o tronco, com as suas raízes, deixai na terra e, com cadeias de ferro e de bronze, na erva do campo; e seja molhado do orvalho do céu, e a sua porção seja com os animais na grama da terra.
16 - Seja mudado o seu coração, para que não seja mais coração de homem, e seja-lhe dado coração de animal; e passem sobre ele sete tempos.
17 - Esta sentença é por decreto dos vigiadores, e esta ordem, por mandado dos santos; a fim de que conheçam os viventes que o Altíssimo tem domínio sobre os reinos dos homens; e os dá a quem quer e até ao mais baixo dos homens constitui sobre eles.
18 - Isso em sonho eu, rei Nabucodonosor, vi; tu, pois, Beltessazar, dize a interpretação; todos os sábios do meu reino não puderam fazer-me saber a interpretação, mas tu podes; pois há em ti o espírito dos deuses santos.


OBJETIVOS


Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:
· Analisar a soberania divina na vida de Nabucodonosor.
· Saber que Deus falou com Nabucodonosor por intermédio dos sonhos.
· Compreender a fidelidade da pregação de Daniel para o rei.


SUBSÍDIO I



INTRODUÇÃO


Na aula de hoje daremos continuidade ao tema da intervenção divina na história. Os governantes são servos de Deus, a fim de cumprir responsabilidades, principalmente para o bem da maioria. Mas como aconteceu com Nabucodonosor, nem sempre eles atentam para essa missão, e se ensoberbecem. Primeiramente destacaremos a soberba do monarca babilônico, em seguida, mostraremos que essa é abominação aos olhos de Deus, e ao final, refletiremos sobre a importância da humildade na vida cristã, especialmente para aqueles que estão na liderança.


1 A SOBERBA HUMANA


A natureza caída do ser humano o faz propenso à soberba, principalmente àqueles que ocupam posições sociais mais elevadas. Mas Deus, com sua graça maravilhosa, busca alcançar o pecador, mesmo que este esteja caminhando na direção oposta. No caso de Nabucodonosor, Deus colocou pessoas que acreditavam nEle para influenciar suas decisões. Muito embora o rei tenha se distanciado várias vezes para o orgulho, a presença de Daniel, Hananias, Mizael e Azarias oportunizava que o monarca mudasse suas práticas. O papel dos cristãos nas instituições sociais é bastante importante. Eles podem influenciar positivamente as pessoas através do testemunho, não apenas pelas palavras. Isso porque há aqueles que falam demais, mas não vivem o que dizem, sendo instrumento de escândalo para o evangelho. Várias vezes, por causa da influência de Daniel, Nabucodonosor reconheceu que o Deus daqueles jovens era verdadeiro (Dn. 2.47). Mesmo assim, o rei, talvez por se deixar conduzir pela vaidade humana, preferiu o caminho da exaltação pessoal. A construção de uma estátua de ouro, para ser adorada como divindade, demonstrou sua soberba,  o rei queria que seu governo fosse eterno, mas Deus não dá Sua glória aos homens (Is. 42.8). A fixação no poder pode levar qualquer governo à loucura, como aconteceu com o rei da Babilônia. Existem alguns políticos que enlouqueceram por causa do seu fascínio pelo poder (Dn. 4.17,25,32). O poder, assim como o dinheiro e o sexo, podem se tornar ídolos, diante dos quais muitos se dobram. A busca desenfreada pelo poder, como um fim em si mesmo, é tão maléfica quanto o prática do adultério. Não apenas os pecados sexuais devem ser dignos de disciplina na igreja, mas também aqueles de cunho financeiro e de abuso de poder. Não podemos esquecer que somente Jesus tem toda autoridade no céu e na terra (Mt. 28.18), a liderança da igreja deve conduzir o rebanho com mansidão e sabedoria (I Pe. 5.1,2).


2 É ABOMINAÇÃO


Nabucodonosor teve um sonho que o perturbou bastante, ele viu uma árvore que chegava ao céu, sendo vista em toda terra (Dn. 4.10-18). Aquela árvore, de acordo com a interpretação corajosa de Daniel, era o próprio rei da Babilônia (Dn. 4.19-27). O rei seria retirado do seu cargo e iria viver entre os animais, até reconhecer que Deus é soberano (Dn. 4.25). A restauração do seu reino dependeria da sua disposição para se humilhar diante do Senhor. A soberba tem levado muitos à ruína, não podemos deixar de destacar que esse foi o pecado que transformou Lúcifer em Satanás (Is. 14.14). A soberba de muitos governantes está causando doenças purulentas, alguns deles estão sendo comidos por bichos (At. 12.21-23). A política dos homens se caracteriza pela autopromoção, a propagação dos feitos pessoais, diferentemente do que foi ensinado por Jesus (Mt. 6.3). O princípio bíblico permanece, Deus resiste os soberbos e exalta os humildes (I Pe. 5.5; Tg. 4.6-8). Nabucodonosor, ao invés de dar glória a Deus, colocou-se em primeiro lugar. O uso do pronome exagerado do pronome “eu” pode ser indício de soberba (Dn. 4.30). Toda opulência da Babilônia não foi capaz de resistir ao juízo de Deus. No tempo oportuno o Senhor subjugará todos os reinos da terra, nesse tempo os joelhos se dobrarão para reconhecer que Jesus é o Rei dos reis e Senhor dos senhores (Ap. 19.16). Enquanto esse dia não chega, os governos humanos seguem seu curso, de acordo com a vontade do povo. Do mesmo modo que Deus permitiu que Israel tivesse um rei, escolhendo Saul, nos dias atuais, o Senhor deixa que os homens governem. A democracia é um exemplo de exercício dessa escolha, Deus não toma partido, nem pela esquerda, e muito menos pela direita. Essas ideologias são humanas, o reino de Deus somente se concretizará no futuro, quando Cristo reinar.


3 DIANTE DE DEUS


A queda repentina do governo de Nabucodonosor é uma representação do que virá a acontecer no futuro (Dn. 4.31,32). O governo desse monarca foi marcado pela opulência, e assim tem sido a maioria dos governos humanos. Deus abomina aqueles que governam com injustiça, ai daqueles que criam leis para oprimir os mais pobres (Is. 10.1). Os profetas de Deus denunciaram muitos reis, inclusive os de Israel e Judá, que ao invés de favorecerem os pobres, governaram apenas para eles mesmos. Em um processo democrático, Deus delega aos homens a responsabilidade para escolherem seus representantes. Cabe aos cidadãos, inclusive os evangélicos, saber optar por seus candidatos. Essa escolha passa pelo processo de avaliação de desempenho, a partir de critérios não apenas individuais, mas principalmente sociais. Quando Cristo voltar, todos os governos da terra terão fim, então, o Senhor governará com reta justiça. Vários profetas anteciparam as glórias desse reino eterno, que será marcado pela equidade, sobretudo pela paz (Is. 11). Aqueles que têm posição social, incluindo as lideranças eclesiásticas, devem se colocar na condição de servos (Jo. 13). E saberem que um dia prestarão contas a Deus sobre como lideraram, se com autoridade ou autoritarismo. Nenhuma liderança deve fazer promoção pessoal, como João Batista, devem declarar humildemente a supremacia de Cristo (Mt. 3.11). O culto a celebridade, comum também no contexto evangélico, nos envergonha perante a mídia. A construção de obras salomônicas é uma demonstração da vangloria humana. Alguns apóstolos, bispos e pastores estão indo longe demais em sua ostentação. Esses também serão julgados pelo Senhor, quando o Seu trono for estabelecido para julgar as obras (At. 17.31; Ap. 20.11-15).


CONCLUSÃO


Somente o governo de Jesus é para sempre, todos os reinos da terra estão com os dias contados. Mas nem todos os governantes compreendem sua missão na terra, tendo em vista que, para alguns governar é ter posição elevada sobre os demais. Esses que agem com o espírito de Nabucodonosor, que é o do próprio anticristo, serão julgados pelo Senhor, quando vier em glória para estabelecer o Seu reino sobre a terra. Finalmente todos desfrutarão de um governo eterno, marcado pela paz e verdadeira prosperidade.


SUBSÍDIO II



INTRODUÇÃO


Na aula de hoje estudaremos o capítulo quatro de Daniel, cujo conteúdo consiste de um testemunho pessoal do rei Nabucodonosor. Ele foi submetido a um estado de loucura, resultante de sua soberba, que o levou a viver como um animal do campo por “sete tempos”, até que Deus o tirou daquela condição. Ao final desse período, Nabucodonosor reconheceu a soberania do Deus dos cativos de Judá. A história revela o que ocorre com os que se exaltam e se tornam soberbos ante a majestade do Todo-Poderoso. A trajetória de Nabucodonosor demonstra a soberania divina sobre toda a criação, pois nenhuma criatura pode usurpar a glória de Deus. O episódio ilustra também que a misericórdia e a justiça divinas são capazes de salvar o homem arrependido. [Comentário: O ano era 606 antes de Cristo (a.C.), o mundo estava sob domínio do Império Babilônico, cujo rei deste império era Nabucodonosor, filho e sucessor de Nabopolassar, rei da Babilônia que libertou o reino da Assíria e destruiu Nínive, seu pai lutou contra Neco, rei do Egito, em Carquêmis, derrotou os egípcios, e conquistou a Síria e a Israel. Nabucodonosor também conquistou a Palestina, tomou Jerusalém, e levou cativos para a Babilônia vários judeus, inclusive o profeta Daniel. Em 598 a.C., após a revolta de Joaquim de Judá, que tinha o apoio do faraó Neco, Nabucodonosor o derrota. Nabucodonosor derrota os judeus uma terceira vez, e leva cativo o rei Jeconias de Judá em 597 a.C. Na última revolta, de Zedequias, Nabucodonosor arrasa Jerusalém (586 a.C.), fura os olhos de Zedequias e o deixa prisioneiro por toda a vida. Nabopolasar (626-605 a.C.) foi o fundador do que se chama Império Neobabilônico, o qual teve sua idade de ouro nos dias do rei Nabucodonosor e durou até que Babilônia caiu nas mãos dos medos-persas no ano 539. Nabucodonosor se orgulhava de "sua Babilônia", que ele dizia ter criado por suas próprias mãos, com a força de seu poder, para glória de sua magnificência. Este soberbo rei foi reduzido ao estado dos animais, completamente humilhado pelo decreto divino que anulou tudo quanto ele era e podia fazer. A graça de Deus é soberana, Seu chamado é irresistível. Os propósitos de Deus não podem ser frustrados. Ele leva a cabo tudo o que determina fazer. Agindo Deus, ninguém o impedirá?. O apóstolo Paulo declara: “Aos que predestinou, a estes também chamou; e aos que chamou, a estes também justificou; e aos que justificou, a estes também glorificou” (Rm 8.30). Daniel, no capítulo 4, mostra a luta de Deus na salvação de Nabucodonozor. Deus move os céus e a terra para levar esse soberbo rei à conversão. Hoje, veremos nesta lição a soberania de Deus na história e também na salvação de cada pessoa!] Convido você para mergulharmos mais fundo nas Escrituras!


I. A PROVA DA SOBERANIA DIVINA (Dn 4.1-3


1. Nabucodonosor, chamado por Deus para um desígnio especial (Jr 25.9). Segundo a história, Nabucodonosor reinou na Babilônia no período de 605 a 562 a.C. Foi um rei que Deus, dominador de todas as nações do mundo, levantou para um desígnio especial, permitindo que o seu reino prosperasse e crescesse em extensão. O profeta Jeremias diz que Deus chamou a Nabucodonosor de “meu servo” (Jr 25.9). Na verdade, Nabucodonosor foi o instrumento divino de punição do povo de Deus. Israel foi castigado por ter abandonado o Senhor e tomado o caminho da idolatria e dos costumes pagãos. [Comentário: Este versículo afirma com clareza que YAHWEH era a causa real dos acontecimentos. Nabucodonosor chega a ser chamado de servo de YAHWEH, e ele saberia realizar bem a sua tarefa. Haveria total destruição de Judá e das nações circundantes. Essas nações tornar-se-iam uma piada internacional, lugares de desolação perpétua. Animais selvagens se mudariam para as desolações que antes tinham sido Jerusalém, a Dourada (Veja Jr 9.11 e 10.22). Quanto a Nabucodonosor como servo de YAHWEH, não significa que o monarca babilônio adorava o Deus de Israel, mas apenas que era usado pelo Senhor para cumprir seus propósitos (como no caso de Ciro, que é chamado de ungido do Senhor, em Isaías 45.1). Jr 40.2 mostra-nos que Nebuzaradã, capitão de Nabucodonosor, tinha alguma consciência da missão divina que o rei da Babilônia cumpria. O Novo Comentário da Bíblia afirma que “Meu servo não está nos LXX, porém seu significado evidentemente é "meu instrumento". O rei babilônio e seus aliados deixariam a terra se perder e levariam para o exílio quem quisessem”. DAVIDSON. F. Novo Comentário da Bíblia.  pag. 55.].

2. A soberba de Nabucodonosor. Apesar de ser um “instrumento” usado pelo Senhor, segundo o pastor Matthew Henry, “Nabudonosor foi o rival mais ousado da soberania do Deus Supremo do que qualquer outro mortal jamais pudesse ter sido”. Traspassado pela presunção, Nabucodonosor ficou longos “sete tempos” numa situação irracional à semelhança dos animais do campo (Dn 4.28-33). Só assim o soberano caldeu viu que o Altíssimo está acima dele. [Comentário: Matthew Henry comenta o seguinte: “Os monarcas mais potentes e absolutos são servos de Deus. Nabucodonosor, que é um instrumento da sua ira, é tão verdadeiramente seu servo quanto Ciro, que é um instrumento da sua misericórdia. Com a terra de Judá prestes a ser desolada, aqui Deus convoca o seu exército que deverá abatê-la. Ele o reúne, toma todas as famílias do norte, pois talvez haja ocasião para elas, e as lidera como seu comandante, trazendo-as contra essa terra, e dá-lhes sucesso, não somente contra Judá e Jerusalém, mas contra todas as nações em redor para que não confiem nelas como aliadas ou auxiliares contra essa força ameaçadora”. HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Isaías a Malaquias. Editora CPAD. pag. 473.].

3. Nabucodonosor proclama a soberania de Deus (Dn 4.1-3). Depois de ter experimentado a punição de sua soberba, Nabucodonosor se arrependeu do seu pecado e foi restaurado de sua demência. Isso o levou a fazer uma proclamação acerca do eterno domínio de Deus (Dn 4.34-37). O rei babilônio aprendeu que o Senhor, em sua soberania, é aquele “que muda os tempos e as horas; ele remove os reis e estabelece os reis” (Dn 2.21). [Comentário: Experiências incomuns marcam a vida do monarca babilônico. Escreveu um edito a todo o vasto império, e inicia de forma comum nas cartas do antigo Oriente Próximo e Médio. O rei lhes desejou a “paz”. O homem que fizera guerra universal, conquistando cidades e nações, descreve agora seu avanço espiritual, por meio de experiências incomuns. Russell Norman Champlin escreve que “Por assim dizer, essa carta foi uma epistola pastoral, na qual o rei figura como o pastor de seus súditos-ovelhas. Confira a saudação de paz em Ed 4.18 e 7.12. No Novo Testamento, a saudação tornou-se uma saudação espiritualCHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 3387-3388. Para o rei pagão, o Deus Altíssimo comunicara importantes mensagens. Esse título aparece treze vezes no livro. É feito um contraste entre os “deuses” deste mundo, que não passam de ilusão (Dn 2.11). Em contraste, o Deus dos judeus tinha exibido diante do rei grandes sinais e maravilhas, em visões que Daniel autenticara e interpretara. Quão grandes são os seus sinais (Dn 4.3). Os sinais do Deus Altíssimo são grandes, e suas maravilhas são poderosas, em contraste com os deuses-ídolos dos pagãos. O Deus Altíssimo também tem um reino que é eterno e, finalmente, destruirá e substituirá todos os reinos da terra (Dn 2.44,45). Champlin citando Adam Clarke, escreve: “Esses são excelentes sentimentos que mostram quão profundamente sua mente ficara impressionada com a majestade de DeusCHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 3387-3388.].

SINOPSE DO TÓPICO (1)
Nabucodonosor foi chamado por Deus para uma missão especial, todavia ele deixou que a soberba dominasse seu coração.




II.  DEUS FALA NOVAMENTE A NABUCODONOSOR POR MEIO DE SONHOS (Dn 4.4-9)


1. Deus adverte Nabucodonosor através de um sonho. Tanto no Antigo como em o Novo Testamento os sonhos eram um dos canais de comunicação entre Deus e o homem. No caso do sonho que teve Nabucodonosor, seus sábios e adivinhos nada puderam revelar. O rei, então, se lembrou de Daniel, o único capaz de trazer a revelação do sonho que certa vez ele tivera (Dn 2.1-45; 4.8). Obviamente, não se tratava de um sonho comum, pois era uma revelação divina acerca do futuro de Nabucodonosor. Apesar da narrativa, é importante frisar que hoje temos a Palavra de Deus como o canal revelador da vontade de Deus aos homens. [Comentário: Eu, Nabucodonosor, estava tranquilo em minha casa. A Septuaginta data os acontecimentos descritos no décimo oitavo ano do reinado de Nabucodonosor. Trata-se, porém, como é claro, de uma glosa. O rei diz-nos quão pacífica e livre de cuidados era sua vida pagã, a qual foi perturbada pela intervenção do Deus de Israel, o Deus Altíssimo. Ele descansava em seu palácio. Suas conquistas tinham sido essencialmente realizadas. Ele estava apreciando a boa vida, em todos os seus prazeres e excitações. De repente, tornou-se instrumento da revelação divina. O impacto foi tão grande que esta carta saiu inspirada. Ele precisava contar a seus súditos as maravilhas que tinham sacudido sua vida. Tal perturbação espiritual, porém, produziria mudanças para melhor e, através dessa mudança, outras pessoas seriam instruídas. O homem estava florescendo em sua vida material, mas estava em um deserto quanto à sua vida espiritual (Dn 4.5). Tive um sonho, que me espantou. A agitação da revelação, através de um sonho-visão, perturbou a vida descansada do rei. As experiências místicas com frequência aterrorizam no começo, e foi isso o que ocorreu. Após o primeiro susto, a mente do homem foi tomada de ansiedade. Ele sabia que algo importante havia sido comunicado, mas não tinha capacidade de interpretar o sonho. Os fantasmas da visão continuaram a circular por seu cérebro e não lhe deram descanso. Ele estava alarmado e espantado. A mesma palavra também é usada em Dn 5.6,9,10; 7.15,28, sempre para falar de uma mente perturbada. Em contraste com Joel 2.28, este livro não parece fazer diferença entre sonhos e visões espirituais (Dn 4.6,7) Por isso expedi um decreto. Para tentar compreender a nova visão, o rei (ele não mencionou a primeira, sobre a imagem, cap. 2) usou o mesmo procedimento que antes. Ele expediu um decreto, convocando todos os psíquicos profissionais e outras classes de sábios a interpretar o sonho-visão. O vs. 7 lista esses sábios, mas há uma lista mais ampla em Dn 2.2. Aqui foram adicionados os “encantadores", mas devemos subentendê-los no capítulo 2. Os caldeus são a casta coletiva dos sábios. Esta narrativa ignora a questão das ameaças de morte para os sábios e seus familiares, caso houvesse falha na interpretação (ver Dn 2.5). E o apelo passa diretamente a Daniel, uma vez constatado que os sábios não podiam solucionar a enigmática visão do rei (Conferir este versículo com Dn 2.27, onde a enumeração da casta dos sábios se parece mais com a dos presentes versículos). CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 3388.]

2. Daniel é convocado (Dn 4.8). Interpretar sonhos era uma habilidade espiritual de Daniel reconhecida desde quando ele entrou na Babilônia (Dn 1.17). Por isso, Nabucodonosor contou-lhe o sonho que tivera e solicitou-lhe a interpretação. Daniel ouviu atentamente o relato do rei e pediu-lhe um tempo, pois estava atônito e sem coragem para revelar a verdade do sonho (Dn 4.19). [Comentário: O reconhecimento que fez a Daniel a fim de incumbi-lo de interpretar esse sonho. Por fim, Daniel veio à sua presença (v. 8). Pode ser que Daniel tenha se recusado a se associar ao resto dos intérpretes por causa da incapacidade deles, ou talvez o próprio rei tenha preferido que os seus próprios mágicos tivessem essa honra em lugar de Daniel, ou mesmo porque Daniel fosse o governador de todos os homens sábios da Babilônia (cap. 2.48). Mas o fato é que, como era habitual, ele foi o último a ser consultado. Muitos fazem da palavra de Deus o seu último refúgio e somente recorrem a ela quando se sentem privados de qualquer outro auxílio. O rei cumprimenta Daniel com toda consideração, menciona o nome do profeta, cuja escolha ele acredita ter sido muito feliz, pois significava um bom prenúncio: Seu nome é Beltessazar, e vem de Bel, o nome do deus deles. Ele elogia as suas raras qualidades: “Ele tem o espírito dos deuses santos e eu contei o sonho diante dele” (v. 9). Por causa dessas palavras podemos supor que Daniel estava longe de sentir qualquer sentimento de orgulho e, pelo contrário, ficou muito mais preocupado em ouvir que aquilo que possuía como um dom recebido do Deus de Israel, o verdadeiro Deus vivo, estava sendo atribuído a um deus de Nabucodonosor, que era uma divindade falsa e imunda. Eis aqui a estranha mistura de pensamentos e opiniões que encontramos nesse rei. Mas isso é encontrado geralmente naqueles que se colocam ao lado das suas corrupções, e contra as convicções corretas. Ele mantém a linguagem e o dialeto da sua idolatria, portanto, fica claro que não havia no coração do rei uma conversão à fé e à adoração ao Deus vivo. Esse rei é um idólatra, e isso se revela através da sua linguagem. Pois fala sobre muitos deuses e aceita que apenas um seja bastante, mas não para ele que se julga suficiente em tudo. E alguns acreditam que, quando fala sobre o espírito dos deuses sagrados, esteja supondo a existência de algumas divindades malignas que os homens se preocupam em adorar apenas para evitar que elas lhes façam alguma maldade. E também a existência de algumas divindades beneficentes, sendo que essas últimas impulsionavam o espírito de Daniel. Ele reconhece que Bel ainda era o seu deus, embora uma ou mais vezes tivesse reconhecido o Deus de Israel como sendo o Senhor de tudo e de todos (cap. 2.47; 3.29). Ele também elogia Daniel, não por ser um servo de Deus, mas como mestre dos mágicos (v. 9), e supõe que a sua sabedoria seja diferente da deles, não em espécie, mas em grau. Além disso, Daniel não estava sendo consultado como profeta, mas como um mágico notável, extremamente dedicado a salvar o crédito da magia, quando os outros tropeçavam e se confundiam embora fossem mestres nessa arte. Veja como a idolatria estava arraigada em Nabucodonosor. O rei tinha noção da existência de muitos deuses, havia escolhido Bel para ser o seu deus particular, e não conseguia se convencer de que deveria abandonar essa noção ou a sua escolha. A insanidade desta escolha já lhe havia sido demonstrada mais de uma vez, e estava acima de qualquer contradição. Assim como acontece com outros pagãos, ele não iria trocar os seus deuses, embora não fossem deuses (Jr 2.11). Muitos persistem em continuar nesse caminho falso somente por pensarem que não poderiam abandoná-lo com dignidade. Veja como as suas convicções eram frágeis, e com que facilidade foi capaz de abandoná-las. Certa vez, ele havia chamado o Deus de Israel de Deus dos deuses (cap. 2.47). E agora ele está colocando esse Deus precioso e bendito em um nível igual ao daqueles a quem chama de deuses sagrados. Note que se as convicções não forem colocadas em prática rapidamente, existe a chance de, em pouco tempo, serem totalmente perdidas e esquecidas. Como Nabucodonosor não prosseguiu em direção ao reconhecimento da soberania do verdadeiro Deus, ele logo retrocedeu e voltou a cair na mesma veneração que sempre teve pelos seus falsos deuses. No entanto: 2. Ele confessa ter uma grande admiração por Daniel, pois sabe que é um grande servo de Deus, e somente dele. Ele acreditava que o profeta era possuidor de uma grande visão interior como, por exemplo, uma inspiração e capacidade de previsão, que nenhum dos seus mágicos possuía: “Sei que há em ti o espírito dos deuses santos”. Observe que o espírito de profecia é totalmente superior ao espírito de adivinhação, mesmo quando os próprios inimigos são os juízes, como foi manifestado aqui depois de um justo julgamento de habilidades. HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Isaías a Malaquias. Editora CPAD. pag. 487-488.]

3. Daniel ouve o sonho e dá a sua interpretação (Dn 4.19-26). Dos versículos 9 a 18, Nabucodonosor conta a Daniel todo o seu sonho. O rei viu uma grande árvore de dimensões enormes que produzia belos frutos e que era visível em toda a terra. Os animais do campo se abrigavam debaixo dela e os pássaros faziam ninhos em seus ramos (vv.10-12). O monarca caldeu “viu” também descer do céu “um vigia, um santo” (v.13). Esse vigia clamava forte: “Derribai a árvore e cortai-lhe os ramos” (v.14).
a) Uma árvore majestosa (vv.11,12). A árvore indicava a formosura, a grandeza, o poder e a riqueza do reino de Nabucodonosor. Ninguém na terra havia alcançado todo esse poder antes dele. Daniel declarou que aquela árvore que seria cortada era o rei babilônio (Dn 4.22). Assim é a glória dos homens, como uma árvore que cresce e se torna frondosa e, de repente, é derribada. Da mesma forma, Deus destrói os soberbos.
b) Juízo e misericórdia são demonstrações da soberania divina. O texto do versículo 15 diz que a ordem divina era que “o tronco com suas raízes seriam deixadas na terra”, indicando que a intenção não era destruir a Nabucodonosor, e sim dar-lhe a oportunidade de se converter e reconhecer a glória de Deus. O rei foi tirado do meio dos homens e ficou completamente louco, indo conviver com os animais do campo por “sete tempos” (Dn 4.25). Depois, Nabucodonosor voltou ao normal, mas logo em seguida seu reino foi sucedido por Belsazar que, por profanar as coisas de Deus, perdeu o trono para Dario, o rei dos medos (Dn 5.1-31).
c) O papel dos anjos nos desígnios divinos. No sonho do rei, ele viu “um vigia” que descia do céu com a missão de proclamar os juízos de Deus (vv.14,15). No Antigo Testamento, os anjos tinham uma atividade mais presente na vida do povo de Deus. Em o Novo Testamento, eles continuaram suas atividades em obediência ao Criador, porém, para a orientação da igreja de Cristo, Deus concedeu o Espírito Santo que a assiste em tudo. [Comentário: Não é fácil prever uma grande provação sobre um ente amado, ou um amigo, e é ainda menos fácil contá-la. Não obstante, a oração é mais forte que a profecia, de modo que a profecia pode ser anulada. Que esse sempre seja o nosso caso! Nabucodonosor tinha de passar por uma provação, da qual sairia melhor. Os julgamentos de Deus são dedos de Sua mão amorosa. Dn 4.20,21 A árvore que viste, que cresceu. Os vss. 20-21 retomam os detalhes da visão explicada nos vss. 10-12. O profeta repetiu todos os detalhes, antes de dizer o temível “és tu, ó rei” (vs. 22). “Daniel recapitulou a questão do sonhos. As pequenas variações em relação ao que é dito nos vss. 10-17 não devem ser consideradas significativas” (Arthur Jeffery, In loc.). A interpretação adiciona alguns detalhes que não aparecem no relato original. Dn 4.22 És tu ó rei, que cresceste. A árvore, antes tão exaltada, mas depois humilhada até o quase nada, falava do próprio rei. Para apreciar a grandeza da Babilônia e de seu rei, ver no Dicionário o artigo chamado Babilônia. O rei era alto e forte e espalhou-se como os galhos de uma árvore por todas as partes do mundo então conhecido. Neste ponto, a Septuaginta tem uma longa adição que quase certamente relaciona o texto presente ao período dos macabeus. O império babilônico foi o maior e mais poderoso que houve até aquele tempo, conforme demonstra o artigo citado. Era pequeno segundo os padrões modernos, mas gigantesco para os padrões antigos. Cf. este versículo com Jer. 27.6-8. “Ele ultrapassou a todos os reis da terra, em poder e honra, e aspirou atingir a própria divindade, conforme seus galhos se estendiam até os confins da terra (vs. 11)” (John Gill, in loc.). Dn 4.23 Quanto ao que viu o rei, um vigilante. Este versículo repete os elementos dos vss. 13-16. A repetição faz parte do estilo literário do autor. Dn 4.24 Esta é a interpretação, ó rei. Os vss. 24-25 passam a interpretar os vss. 13-16 (repetidos no vs. 23). O que aconteceria ao rei devia-se a um decreto do Deus Altíssimo. (ver Dan. 3.26). Nabucodonosor tinha de pagar por todos os tipos de pecados, especialmente o pecado do orgulho (vss. 27,30,31). Assim sendo, o decreto divino era justo e precisava ser cumprido. Cf. o vs. 17. O Rei verdadeiro e celestial tinha de ser exaltado e não toleraria competição. Nabucodonosor precisava ser derrubado. Ver o vs. 25. Dn 4.25 Serás expulso de entre os homens. A derrubada da árvore faria com que as aves que se tinham alojado em seus ramos saíssem voando. E quando a árvore caísse, os animais que tinham feito suas covas ao pé da árvore correriam para lugares seguros. Os frutos que cresciam em seus ramos cairiam de súbito. Tal descrição pode parecer significar a destruição do império babilônico pelos medos e persas. Mas sabemos que a confusão dizia respeito ao próprio rei. Em sua insanidade temporária (que o deixaria completamente arrasado pelo golpe divino), o rei correria para a floresta e viveria como um animal. Comeria relva como um boi e viveria exposto à chuva e aos elementos da natureza em geral. Nabucodonosor continuaria nesse estado por sete anos. E assim viria a reconhecer quem é o Rei verdadeiro, a saber, o Deus Altíssimo (Dn 3.26). Ver os vss. 14-16, que este versículo interpreta. O governo e os governantes terrenos são levantados e derrubados, conforme chega o tempo de seu governo (ver Atos 17.26), por meio de decretos divinos, e não pelo poder e pelo engenho humano. Jz 3.8 dá a entender que Nabucodonosor se estabelecera como se fosse um deus e requeria honrarias correspondentes. Foi lembrado pelos judeus não como um grande construtor, mas como quem tinha destruído a cidade sagrada e reduzido a nação a praticamente nada, em seus ataques e subsequentes cativeiros. Portanto, se havia alguém que precisava ser derrubado, esse homem era Nabucodonosor. Existe uma desordem mental conhecida como zoantropia, segundo a qual a pessoa se imagina um animal e passa a agir como um ser irracional. Talvez esse tenha sido o caso de Nabucodonosor. Sem importar a natureza específica da sua enfermidade, o fato é que ela foi um instrumento da mão de Deus, primeiramente para humilhar e então para restaurar Nabucodonosor. Todos os juízos de Deus são restauradores. Dn 4.26 Quanto ao que foi dito, que se deixasse a cepa. Nabucodonosor voltaria; ele se recuperaria; ele aprenderia a lição e então receberia de volta seu poder e glória. É esse o símbolo da cepa da árvore, que restaria e teria o poder de reproduzir-se, formando um a nova árvore, desde as raízes, Este versículo interpreta o vs. 15. O rei precisava aprender que o céu é que governa, conforme se lê a respeito do Deus Altíssimo no vs. 25. Esse uso não se acha em nenhum outro trecho do Antigo Testamento, embora seja bastante com um nos livros dos Macabeus. “Deus governa! Essa é a palavra de esperança para a nossa loucura. Devemos aprender que o Altíssimo governa sobre a terra, e que os reis não formam exceção... É uma lição de mordomia... Quando rei Tiago VI, da Escócia, se jactava de seus direitos, Andrew Melville segurou a fímbria de suas vestes e disse; ‘Você, tolo vassalo de Deus! Existem dois reinos na Escócia e existem somente dois reis: o rei Tiago e o Rei Cristo Jesus. Nesses reinos, você não é nem Senhor nem Cabeça, mas súdito'” (Gerald Kennedy, in loc.). CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 3388-3389.]

SINOPSE DO TÓPICO (2)
Deus, por intermédio de um sonho, falou com Nabucodonosor e o advertiu de sua soberba.



III. A PREGAÇÃO DE DANIEL


1. A pregação de Daniel. Apesar de inicialmente ter sentido certo temor após interpretar o sonho, Daniel deu um conselho a Nabucodonosor que lembra a mensagem neotestamentária de Cristo à Igreja de Éfeso (Dn 4.27 cf. Ap 2.5). Será que temos coragem de fazer o mesmo diante dos poderosos dessa terra? [Comentário: A conclusão da interpretação descreve o piedoso conselho que Daniel, como profeta, deu ao rei (v. 27). Caso o rei se mostrasse preocupado com a interpretação desse sonho seria muito adequado que nesse momento o profeta lhe oferecesse algum conselho se estivesse despreocupado, as suas palavras teriam a finalidade de despertá-lo. Caso contrário, usaria palavras para consolá-lo, e elas deveriam ser consistentes com o sonho e a sua interpretação, pois Daniel sabia que a interpretação não poderia ser condicional, como no caso da destruição de Nínive. Observe: 1. A humildade com que Daniel oferece o seu conselho, e também a sua grande ternura e respeito. E como se ele dissesse, em outras palavras: “Portanto, ó rei, aceite o meu conselho com um coração aberto, pois ele é dado com boa intenção e vem de um sentimento de amor, e não permita que seja mal-interpretado”. Note que devemos procurar os pecadores visando o seu próprio bem, e eles devem ser respeitosamente solicitados a agir corretamente. O profeta está suplicando aos homens que suportem uma palavra de exortação (Hb 13.22). Creio que seremos bastante úteis se as pessoas forem persuadidas a aceitar de boa vontade o nosso conselho e se o aceitarem com muita paciência. 2. Qual era o seu conselho. Daniel não está aconselhando o rei a tomar qualquer remédio a fim de evitar o desequilíbrio da sua mente, mas a se desfazer dos pecados que estava cometendo, e reformar a sua vida. HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Isaías a Malaquias. Editora CPAD. pag. 851.]

2. O pecado de Nabucodonosor em relação aos pobres. Daniel diz ao rei que ele deveria desfazer os seus pecados praticando a justiça, “usando de misericórdia para com os pobres” (Dn 4.27). Em outras palavras, antes do pecado pessoal da soberba, o rei estava pecando social e estruturalmente em relação aos menos favorecidos do reino. A atualidade desse ponto é tão verdadeira que a mesma recomendação de cuidado aparece em o Novo Testamento, no contexto da igreja (Gl 2.10). [Comentário:  O rei costumava ofender os seus súditos e se comportar injustamente com seus aliados, mas devia mudar tudo isso agindo com justiça, concedendo-lhes tudo aquilo a que tinham direito, consertando o que havia feito de errado sem triunfar sobre o direito através do abuso de seu poder. Ele havia sido cruel para com os pobres, para com os pobres de Deus, para com os pobres judeus. E agora devia acabar com essa iniquidade mostrando-se misericordioso com esses pobres, compadecendo-se dos oprimidos, libertando-os ou tornando o seu cativeiro um pouco mais fácil para eles. Observe que, quando se trata do arrependimento, não é necessário apenas parar de fazer o mal, mas aprender a fazer o bem. Não só deixar de fazer o mal, mas passar a fazer o bem a todos. Qual foi o argumento que Daniel usou para justificar o seu conselho: ele iria prolongar a tranquilidade do rei. Embora o seu conselho não fosse evitar totalmente o castigo, ainda assim ele poderia ser uma forma de obter a suspensão temporária da sentença, como aconteceu com Acabe quando se humilhou (1 Rs 21.29). O transtorno poderia ser mais longo ou mais curto, quando chegasse, e isso Daniel não detalharia. Observe que a simples possibilidade de evitar um castigo temporal é uma razão suficientemente válida para se praticar uma obra tão boa como abandonarmos os nossos pecados e reformarmos a nossa vida. Quanto mais importante é agirmos deste modo com a finalidade de evitarmos a nossa ruína eterna! “Essa será a cura dos teus erros” (alguns entendem o texto sagrado deste modo), “dessa maneira o desentendimento será interrompido, e tudo ficará bem novamente”. HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Isaías a Malaquias. Editora CPAD. pag. 851.]
SINOPSE DO TÓPICO (3)
Deus usa seu servo Daniel para revelar o sonho de Nabucodonosor e aconselhá-lo a respeito do seu pecado.




CONCLUSÃO


Que Deus nos livre da soberba, pois ela é como uma doença contagiosa que se aloja no coração do homem e faz com que ele perca o senso de autocrítica, passando a agir irracionalmente (Sl 101.5; 2Cr 26.16). Estejamos atentos, pois a Palavra de Deus nos mostra que a soberba nos cega (1Tm 3.6; 6.4), nos afasta de Deus e traz ruína. [Comentário: Soberba é um substantivo feminino, do latim supervia, que significa elevação, presunção, orgulho. É uma manifestação de orgulho, de pretensão, de superioridade sobre as outras pessoas. É a arrogância, a altivez, a autoconfiança exagerada. A soberba do teu coração te enganou, ó tu que habitas nas fendas das rochas, na tua alta morada, e dizes no teu coração: Quem me deitará por terra? Se te remontares como águia e puseres o teu ninho entre as estrelas, de lá te derribarei, diz o Senhor (Ob 1.3-4). Nesse sentido, a oração de Davi se torna ainda mais relevante quando suplica: Também da soberba guarda o teu servo, que ela não me domine; então, serei irrepreensível e ficarei livre de grande transgressão e completa: As palavras dos meus lábios e o meditar do meu coração sejam agradáveis na tua presença, Senhor, rocha minha e redentor meu! (Sl 19.13 e 14). A Bíblia diz que A soberba do homem o abaterá, mas o humilde de espírito obterá honra (Pv 29.23). O homem com coração endurecido rejeita os ensinamentos da Palavra de Deus colherá os frutos da sua desobediência. Na visão do profeta Obadias a soberba precede ao engano e a humilhação (vs. 2-4 e 8-9). A Bíblia afirma: Quem a si mesmo se exaltar será humilhado (Mt 23.12); A vaidade e a opulência precedem a miséria (vs.5-7). Na plenitude da sua abastança, ver-se-á angustiado; toda a força da miséria virá sobre ele (Jó 20.22); A desobediência precede a ruína e o castigo de Deus (vs.10-14). Assim diz o Senhor: Maldito o homem que confia no homem, e faz da carne o seu braço, e aparta o seu coração do Senhor! (Jr 17.5). Livra-nos, Senhor desta manifestação de orgulho, de pretensão, de superioridade sobre as outras pessoas!]
“NaquEle que me garante: "Pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus" (Ef 2.8)”.

Graça e Paz a todos que estão em Cristo!

Francisco Barbosa

Nenhum comentário:

Postar um comentário