sexta-feira, 19 de setembro de 2014

LIÇÃO 12: OS PECADOS DE OMISSÃO E DE OPRESSÃO







SUBSÍDIO I


INTRODUÇÃO

Vivemos em mundo dominado por Mamom, o deus das riquezas, a adoração a essa divindade tem ceifado muitas vidas. Na aula de hoje estudaremos a respeito desse assunto, ressaltando os perigos de se dobrar diante do dinheiro (Mt. 6.24). Quando se trata de dinheiro, nem sempre os cristãos estão conscientes que podem pecar tanto por omissão quanto por opressão. Por isso, destacaremos nesta aula que há um processo de naturalização desse tipo de pecado, de forma que as pessoas julgam normal a opressão, principalmente dos mais pobres.

1. O PECADO E O PERIGO DAS RIQUEZAS

O mundo jaz no maligno, e o dinheiro pauta as decisões, regidas por Mamom, o deus das riquezas (Mt. 6.24). Há aqueles que querem atenuar o papel do dinheiro nesta sociedade, admitindo que esse é bom. No entanto, a visão de Jesus, em relação às riquezas, é negativa (Mt. 6.19-21), bem como a de Paulo (I Tm. 6.10). Qualquer pessoa sóbria reconhecerá que o dinheiro tem trazido mais mal do que bem à humanidade. Diariamente vidas são ceifadas por causa da busca desenfreada pelas riquezas (Pv. 11.28). Os ricos estão ficando cada vez mais ricos, e os pobres cada vez mais pobres. Entre os cristãos há aqueles que admitem essa realidade como se isso fosse normal. Existem até aqueles que se envolvem em negócios escusos, e querem justificar tais procedimentos como se fosse benção do Senhor. Os recursos que deveriam ser investidos nas necessidades básicas da população, tais como saúde e educação, são desviados para benefício de poucos, resultando em enriquecimento ilícito. A igreja tem sido cúmplice dessa realidade, considerando seu pecado de omissão. Existem até pastores que se beneficiam economicamente das alianças políticas. Na medida em que esses auferem lucros por meio da política corrupta, estão contribuindo para a manutenção de  um sistema opressor, que desfavorece os mais pobres. É uma tristeza chegar aos hospitais públicos, e também atestar as dificuldades pelas quais passa a educação do nosso país. Os filhos dos mais abastados frequentam escolas particulares, nem sempre de boa qualidade, enquanto que as escolas públicas se encontram em condição precária. Se refletirmos a respeito dessa condição, chegaremos à conclusão de que somos todos culpados. Nesses dias que antecedem as eleições, precisamos avaliar bem nossos candidatos. Não adianta votar em um candidato apenas porque é evangélico, é preciso ponderar sobre seu compromisso social. A agenda moralmente evangélica também não é critério suficiente, devemos também averiguar seu preparo para lidar com as demandas dos mais necessitados.

2. PARA OS PECADOS DE OMISSÃO

Tiago destaca o pecado da ilicitude no trato do dinheiro, especialmente quando pessoas são oprimidas (Tg. 5.1). No meio evangélico a famigerada teologia da ganância, geralmente denominada de prosperidade, serve de fomento para propagar a desigualdade social. Existem evangélicos que acham normal ver os pobres passar por carências. Os fundamentalistas tentam até encontra justificativas morais, argumentando que as pessoas são pobres porque se distanciam de Deus. Antigamente se explicava a imponência americana com base em sua formação evangélica. Mas o que dizer da China, que nunca teve um compromisso com a fé cristã, por também desfruta de prosperidade? A relação entre prosperidade e riqueza é falaciosa, não tem qualquer fundamentação bíblica. Existem pessoas simples nas igrejas, que não dispõem de condição financeira favorável, mas que são verdadeiros servos e servas de Deus. Por outro lado, há alguns que têm contas bancárias vultosas, mas que vivem de maneira descompromissada com a palavra de Deus. Os ricos, tanto aqueles que estão dentro das igrejas, quanto os que estão do lado de fora, irão prestar contas diante de Deus (Tg. 5.4). Ter recursos financeiros é mais do que um privilégio, é também uma responsabilidade. Ecoando as palavras de provérbios, Tiago lembra que existem aqueles que se enriquecem usufruindo das carência dos pobres (Pv. 22.16,22). Desde a Antiga Aliança Deus já havia advertido ao povo de Israel para que esse não se aproveitasse dos mais pobres (Dt. 24.14,15; Lv. 19.13). Tiago denuncia o pecado da ostentação, os ricos pecam quando vivem regaladamente, gastam seu dinheiro em coisas supérfluas, apenas para mostrar seu poder de compra (Tg. 5.4). Até mesmo o tráfico de influência é condenado por Tiago, os juízes serão penalizados pelo Senhor, aqueles que se vendem na coorte, para retirar o direito do mais necessitado (Tg. 5.6). Através do profeta Isaias o Senhor chama a atenção dos juristas que criam leis injustas, tão somente visando o desfavorecimento dos pobres (Is. 10.1). Deus já havia orientado os juízes para que não fossem gananciosos (Ex. 18.21), muito menos parciais (Lv. 19.15), e que não aceitassem suborno (Dt. 19.16-19).

3. PARA OS PECADOS DE OPRESSÃO

Amós é um exemplo de profeta que não pactua com os pecados de omissão, e denuncia os pecados de opressão (Am. 5.12,13). De igual modo, Tiago chama a atenção daqueles que acumulam riquezas como um fim em si mesmo. Evidentemente isso nada tem a ver com o cuidado previdente, associado à manutenção da família (II Co. 12.14; I Tm. 5.8; Mt. 25.27). Mas devemos ser cautelosos para não confiarmos nas riquezas, o cristão não pode colocar seu coração no dinheiro. Jesus censurou o rico insensato que pensou ser o dono da própria vida (Lc. 12.15-21). A vida é passageira, e as riquezas não podem garantir vida eterna (I Tm. 6.17). Tiago lembra que as riquezas são passageiras (Tg. 5.2,3), com Paulo assume que nada trouxemos para esse mundo, e que dele nada levaremos (I Tm. 6.7). Portanto, devemos investir na piedade com contentamento (I Tm. 6.6). Há pessoas que estão sendo devoradas pelas próprias riquezas, a paixão pelos bens do presente século está correndo as suas almas (Tg. 5.3). Patrões, sejam eles evangélicos ou não, prestarão contas a Deus quanto à maneira que trataram seus empregados. Os empregadores cristãos têm a responsabilidade de tratar com justiça seus empregados. Eles não podem abusar financeiramente dos seus trabalhadores, atentando para as normas trabalhistas do nosso país. Ao invés de exercitar a ganância, somos orientados pela Palavra a viver com generosidade (II Co. 6.10). E mais que isso, devemos também trabalhar para modificar as estruturas sociais arraigadas neste país. Não podemos acatar com naturalidade práticas que são consideradas normais. Existem pessoas que não fizeram opção pela pobreza, elas se encontram em tal condição por causa da injustiça social. Os cristãos devem dar o exemplo, não apenas “dando o peixe”, mas também “ensinando a pescar”. E quando necessário, denunciar atitudes que cerceie o direito dos pobres e necessitados.

CONCLUSÃO

O pecado é uma realidade, em sua etimologia grega, a palavra significa “errar o alvo”. Fato é que todos pecaram, e por isso foram destituídos de Deus (Rm. 3.23). Mas a graça de Deus, em Jesus Cristo, nos dá gratuitamente a vida eterna (Rm. 6.23). A salvação em Cristo nos impele à responsabilidade social, não podemos nos furtar da defesa pelos mais pobres.  A naturalização da injustiça pode nos conduzir à omissão, e se não estivermos atentos, à opressão. Como crentes em Cristo, devemos fazer a diferença na sociedade, auxiliando aos mais necessitados, e contribuindo para a melhoria e funcionamentos das estruturas sociais, para o bem da coletividade.

Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa





SUBSÍDIO II

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE Tiago 4.17; 5.1-6.


Tiago 4
17 - Aquele, pois, que sabe fazer o bem e o não faz comete pecado.
Tiago 5
1 - Eia, pois, agora vós, ricos, chorai e pranteai por vossas misérias, que sobre vós hão de vir.
2 - As vossas riquezas estão apodrecidas, e as vossas vestes estão comidas da traça.
3 - O vosso ouro e a vossa prata se enferrujaram; e a sua ferrugem dará testemunho contra vós e comerá como fogo a vossa carne. Entesourastes para os últimos dias.
4 - Eis que o salário dos trabalhadores que ceifaram as vossas terras e que por vós foi diminuído clama; e os clamores dos que ceifaram entraram nos ouvidos do Senhor dos Exércitos.
5 - Deliciosamente, vivestes sobre a terra, e vos deleitastes, e cevastes o vosso coração, como num dia de matança.
6 - Condenastes e matastes o justo; ele não vos resistiu.


OBJETIVOS


Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:
  • Conscientizar-se dos perigos do pecado de omissão.
  • Mostrar que adquirir bens à custa da exploração alheia é pecado.
  • Saber que Deus ouve o clamor dos trabalhadores injustiçados


PALAVRA CHAVE


Pecado de comissão: Realizar aquilo que é expressamente condenado por Deus.



COMENTÁRIO


INTRODUÇÃO

Nesta lição, estudaremos a contundente reprimenda da Palavra de Deus à opressão dos ricos contra os pobres. A denúncia de Tiago é semelhante a dos profetas do Antigo Testamento: de Isaías, de Ezequiel, de Amós, de Miqueias e de Zacarias (Is 3.14,15; 58.7; Ez 16.49; Am 4.1; 5.11,12; 8.4-8; Mq 6.12; Zc 7.10) contra os senhores que oprimiam os pobres. É importante refletirmos sobre este assunto, pois alguns pensam que as advertências dos santos profetas ficaram restritas à época da Lei (Lv 25.35; Dt 15.1-4,7,8). Entretanto, o mesmo tema é alvo do ensinamento do próprio Senhor Jesus (Lc 6.24,25). Igualmente, o livro de Atos nos informa que a Igreja do primeiro século cuidava dos pobres (At 2.42-45). Isso significa que o tema abordado nesta lição é atual e urgente. [Comentário: Tiago exorta agora, acerca das consequências trágicas da omissão de crentes mais abastados quanto à condição humilde de outros irmãos (Tg 1.27; 2.15,16). Interessante notar que Tiago , ainda que indiretamente, acusa os omissos de assassinos enquanto o seu pecado é responsável pelas mortes desnecessárias entre os mais necessitados, por não atenderem ‘as suas necessidades (Tg 4.3; 5.4,6). Esta missiva foi escrita por Tiago durante a grande fome que abateu a Judeia, por volta do ano 46 d.C., assim, o apostolo vê que a morte de alguns irmãos poderia ser poupada se não fosse a omissão dos mais ricos. Os bens fazem as pessoas se sentirem autossuficientes e julgarem ter encontrado a felicidade que estavam procurando. Aqueles que escolhem o conforto presente e não o caminho de Deus têm a sua consolação agora. Aqueles que tentam encontrar satisfação por intermédio da riqueza irão descobrir que a riqueza é a única recompensa que terão e que não durará. Vamos esmiuçar esta exortação de Tiago e aplica-la ‘a nossa vida?] Convido você para mergulharmos mais fundo nas Escrituras!

I. O PECADO DE OMISSÃO (Tg 4.17)

1. A realidade do pecado. Um dia o homem resolveu voluntariamente desobedecer a Deus (Gn 3.1-24). O pecado, então, tornou-se uma realidade fatal. A partir dessa atitude rebelde, todas as relações dos seres humanos entre si, com o Criador e com a criação, foram distorcidas (Rm 1.18-32). Assim, a humanidade e a criação sofrem e gemem como vítimas da vaidade humana (Rm 8.19-22). Não somos capazes de, por nós mesmos, vencermos o pecado! Contudo, em Jesus toda essa grave realidade pode ser superada, pois o Pai enviou o seu Filho para que morresse por nós e, assim, resgatasse-nos da miséria do pecado (Rm 8.3; Hb 10.1-39). [Comentário: Segundo 1Jo 3.4, pecado é iniquidade. A lei contra a qual se estima o pecado não é simplesmente a lei mosaica, mas sim toda e qualquer revelação de Deus durante todos os tempos. O pecado é descrito na Bíblia como transgressão à lei de Deus e rebelião contra Deus (Dt 9.7; Js 1.18). Lúcifer, a “estrela brilhante, o filho da manhã”, foi o primeiro a transgredir. Não satisfeito com sua glória, desejou tomar o lugar do Eterno, esta foi a causa de sua queda e o começo do pecado (Is 14.12-15). Tornou-se adversário de Deus e foi o causador da queda humana no Jardim do Éden, onde ele tentou Adão e Eva com a mesma fascinação: “sereis como Deus”. Gênesis 3 nos conta a respeito da rebelião de Adão e Eva contra Deus e contra Seus mandamentos. Daquele nefasto momento em diante, o pecado tem sido passado através de todas as gerações. Romanos 5.12 nos diz que através de Adão, o pecado entrou no mundo e assim a morte veio a todos os homens, porque “o salário do pecado é a morte” (Rm 6.23). Pecado não é somente alguma coisa contrária ao que Deus disse que o homem não deveria fazer, mas é também algo contrário ao que Deus não quer que o homem faça, com base nos princípios revelados. Dessa forma, uma definição completa e inclusiva do pecado seria: o pecado é tudo o que é contrário ao caráter de Deus. Como a glória de Deus é a revelação do seu caráter, o pecado é uma insuficiência do homem em relação à glória ou ao caráter de Deus (Rm 3.23). J. C. Ryle escreve em sua obra Santidade – Sem a Qual Ninguém Verá o Senhor (Editora Fiel): “...Naturalmente, não preciso dizer, a qualquer um que lê a sua Bíblia com atenção, que um homem pode quebrar a lei de Deus em seu coração e em seus pensamentos, mesmo quando não há qualquer ato externo e visível de iniquidade Nosso Senhor resolveu a questão sem deixar dúvidas, ao proferir o Sermão do Monte (Mt 5:21-28). Até mesmo um de nossos poetas disse, com toda a verdade: “Um homem pode sorrir, sorrir e ainda ser um vilão. Porém, penso que é necessário relembrar aos leitores que um homem pode cometer um pecado e, no entanto, fazê-lo por ignorância, julgando-se inocente, quando na realidade é culpado. Não consigo perceber qualquer garantia bíblica para a moderna afirmativa de que “o pecado não é pecado, enquanto não o percebermos e tomarmos consciência dele”. Pelo contrário, nos capítulos quarto e quinto daquele livro muito negligenciado, Levítico, bem como em Números 15, vejo Israel sendo distintamente instruído de que havia pecados de ignorância que tornavam as pessoas imundas e que precisavam ser expiados (Lv 4:1-35; Lv 5:14-19; Nm 15:25-29). E também encontro o Senhor ensinando expressamente que o servo que não soube da vontade do seu senhor, e não agiu conforme essa vontade, não será desculpado pela sua ignorância, mas castigado (Lc 12:48). Faríamos bem em relembrar que, ao fazer de nosso conhecimento e de nossa consciência miseravelmente imperfeitos a medida de nossa pecaminosidade, estamos pisando em terreno perigoso. Um estudo mais profundo do livro de Levítico nos faria muito bem."...J. C. Ryle - Santidade – Sem a Qual Ninguém Verá o Senhor, Editora Fiel - p.28-29].

2. O pecado de comissão (Gn 3.17-19). A partir da realidade do pecado algumas formas de pecados podem ser verificadas nas Escrituras. Uma delas é o pecado de comissão, ou seja, realizar aquilo que é expressamente condenado por Deus. Os nossos pais, Adão e Eva, foram proibidos de comer do fruto da árvore do bem e do mal. Entretanto, ainda assim dela comeram. Realizar conscientemente o que Deus de antemão condenou é um atentado a sua santidade e justiça (Sl 106.6). [Comentário: Quando Deus colocou o homem no jardim, Ele lhe deu duas tarefas: lavrá-lo e guardá-lo. Em contexto agrícola, lavrar significa cultivar, ação que inclui o ato de podar videiras. Quando ordenou o Senhor Deus ao homem, Ele deixou claro sua relação soberana com o homem e a relação subordinada do homem com Ele. Deus tinha este direito, porque Ele é o Criador e o homem é a criatura. Para expressar proibição, aqui é empregada a maneira mais forte possível em hebraico para colocar a árvore da ciência do bem e do mal fora da alçada do homem. Visto que o discurso direto é inerentemente pessoal, a ordem: Não comerás, é pessoal e a qualidade do negativo hebraico a coloca em negação permanente. A importância da ordem é aumentada pela severidade do castigo. Isto é muito forte na sintaxe hebraica, sendo que a força é um tanto quanto mantida na tradução com a palavra certamente.].

3. O pecado de omissão (Tg 4.17). Outra forma muito comum é o pecado de omissão. Essa forma de transgredir as leis divinas, muitas vezes, é ignorada entre o povo de Deus. Porém, as consequências do seu julgamento não serão menores diante do Altíssimo (Mt 25.31-46). Não é apenas deixando de obedecer a lei expressa de Deus que incorremos em pecado, mas de igual modo, quando omitimo-nos de fazer o bem, pecamos contra Deus e a sua justiça (Lc 10.25-37; Jo 15.22,24). [Comentário: Somos ensinados a viver à altura das nossas convicções em toda a nossa conduta, e, não importa se estamos tratando com Deus ou com os homens. Que nos empenhemos em nunca agir contra o nosso próprio conhecimento (v. 17): “Aquele, pois, que sabe fazer o bem e o não faz comete pecado”. E o pecado agravado; é pecado com testemunha; e significa ter a pior testemunha contra a sua própria consciência. Observe: (1). Isso está imediatamente conectado com a lição clara de dizer: “Se o Senhor quiser, e se vivermos, faremos isto ou aquilo”. Eles talvez estejam dispostos a dizer: “Isso é uma coisa muito óbvia; quem não sabe que todos dependemos do Deus Todo-poderoso para viver, para respirar e para todas as coisas?” Se você de fato sabe isso, então sempre que você agir de forma contrária a essa dependência, lembre-se disto: “Aquele, pois, que sabe fazer o bem e o não faz comete pecado”. (2). Os pecados de omissão serão julgados, assim como os pecados cometidos. Aquele que não faz o bem que ele sabe que deve fazer e aquele que faz o mal que ele sabe que não deve fazer serão condenados. Que então nos empenhemos para que a consciência seja corretamente informada, e que então seja fiel e continuamente obedecida. Pois, “...se o nosso coração nos não condena, temos confiança para com Deus” (1 Jo 3.21); mas se “...dizeis: Vemos (e não agimos de acordo com nossa vista), por isso, o vosso pecado permanece” (Jo 9.41). HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento ATOS A APOCALIPSE Edição completa. Editora CPAD. pag. 846. A fim de resumir seu pensamento, Tiago acrescenta um provérbio conclusivo que alguns supõem poderia ter sido um ensino de Jesus, por causa do tom e do tema: Aquele, pois, que sabe o bem que deve fazer e não o faz, comete pecado. Aparentemente, apenas reprova o pecado da omissão: Quando uma pessoa sabe o que deveria fazer (e.g., dar algo a um pobre), mas negligencia esse ato de caridade, não desperdiçou apenas uma oportunidade de obedecer — tal pessoa pecou. No entanto, o contexto levanta esse ensino da arena da verdade genérica e coloca-o nas vidas desses negociantes. Há claramente algo que eles “sabem” que “devem” fazer e pelo que são responsáveis (Lucas 12:47-48), que é obedecer a Deus e segui-lo nos negócios. Entretanto, seus interesses comerciais com frequência os induzem a planejar segundo os padrões do mundo, e a acumular bens, à semelhança do rico louco (Lucas 12:13-21). Nas Escrituras, fazer o bem frequentemente é praticar atos de caridade (Tiago 1:21-25 e Gálatas 6:9). Portanto, Tiago pode estar sugerindo que eles planejam segundo o mundo porque são motivados pelo mundo, visto que Deus tem seu próprio modo de investir dinheiro: dá-lo aos pobres (Mateus 6:19-21). Se levassem a Deus em consideração, não estariam, com certeza, tentando melhorar seu padrão de vida; Deus os conduziria ao alívio dos que sofrem ao seu redor, isto é, a fazer o bem. Tendo falado a cristãos cujos corações estavam sendo seduzidos pelo mundo, Tiago dirige a atenção, a seguir, aos incrédulos ricos. Tiago os condena sem rebuços, com linguagem parecida à do Senhor Jesus (Lucas 6:20-26), a fim de desviar os cristãos da sedução das riquezas, e prepará-los para suportar o teste do sofrimento nas mãos dos ricos. Peter H. Davids. Comentário Bíblico Contemporâneo. Editora Vida. pag. 148.].


SINOPSE DO TÓPICO (1)
Deus é santo e abomina tanto o pecado de comissão como o de omissão.



II. O PECADO DE ADQUIRIR BENS ÀS CUSTAS DA EXPLORAÇÃO ALHEIA (Tg 5.1-3)

1. O julgamento divino sobre os comerciantes ricos (v.1). Não é a primeira vez que Tiago menciona os ricos em sua epístola (Tg 1.9-11; 2.2-6). Entretanto, aqui há uma particularidade. Enquanto nos outros textos o meio-irmão do Senhor faz advertências ou denúncias contra os ricos, o quinto capítulo apresenta o juízo divino contra eles. Da forma em que o texto da epístola está construído, percebemos que não há indício algum de que a sentença divina é exclusiva para os que conhecem a Deus, deixando “os ricos ignorantes” de fora do juízo divino. O alvo aqui são todos os ricos, crentes ou descrentes, que conduzem os seus negócios de maneira desonesta e opressora contra os menos favorecidos. [Comentário: O Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal (Editora CPAD), comentando Tg 5.1, afirma o seguinte: “Estes ricos provavelmente não são crentes, mas pessoas não-crentes e ricas (talvez as mesmas pessoas a que se fez referência em 2.6). Muito provavelmente, os ricos proprietários de terras são o objeto da repreensão mordaz de Tiago. Estas pessoas vivem em ambientes de luxo, repletas de alimentos e dinheiro. Mas há terríveis misérias, que sobre eles hão de vir não se tratando de sofrimentos terrenos, mas eternos -, e eles devem se lamentar de tristeza pelo que perderão. As palavras “chorai e pranteai” eram frequentemente usadas no Antigo Testamento pelos profetas para descrever a reação dos ímpios quando o Dia do Senhor (o dia do juízo de Deus) chegasse (veja Is 13.6; 15.3; Am 8.3). Jesus disse que entre aqueles que fossem excluídos do reino de Deus haveria pranto e ranger de dentes (Mt 8.12; 22.13; 24.51; 25.30)”. Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. Vol. 2. pag. 687. Russell Norman Champlin escreve: «...Atendei agora...» Literalmente temos aqui «Vinde, agora...», no sentido de «Vede, agora...», uma incisiva chamada à atenção, no estilo da diatribe. «... chorai lamentando...» Em Tg. 4:9, a lamentação e o choro são vinculados ao arrependimento, o que conduz à restauração da alma. Em contraste com isso, aqui temos uma lamentação provocada pelo julgamento inevitável. Não há aqui qualquer chamada ao arrependimento. «As lamentações, diferentemente de Tg. 4:9, não são uma expressão de humilde arrependimento, e, sim, de remorso e terror sem alívio» (Poteat, in loc.). Tudo isso, naturalmente, mostra a intensidade com que o autor sagrado sentia os erros sociais em que os pobres eram oprimidos pelos ricos. Não é verdade que muitos são reduzidos a escravos virtuais, que recebem salários ridículos por um trabalho árduo, que lhes consome longas horas? O avanço do comunismo no mundo não tem resultado essencialmente do fato de ser um bom sistema econômico, pois a experiência não tem demonstrado isso; pelo contrário, seu progresso se deve aos abusos do capitalismo. Consideremos os aluguéis que são cobrados, o preço das consultas aos médicos, etc. Nessas, e noutras áreas, exerce-se uma feroz pressão econômica, que muitos governos não conseguem controlar, ou se recusam a fazê-lo. «...chorai...» No grego é Maio», «chorar», com frequência usada com o sentido de «chorar pelos mortos», sentido tristeza e desespero. Esse é: o choro daqueles que antecipam um juízo severo, e não o choro dos penitentes. (Comparar com Ap 6.15-16 e Jl 1.5). «...lamentando...» No grego, «ololudzo», termo usado para indicar «chorar em voz alta», «uivos de lamentação». Era termo usado para descrever a palavra anterior. O «choro» será em altos uivos de lamentação. «...desventuras...» No grego é «talaiporia», «misérias». Há uma alusão direta aos «sofrimentos dos condenados», ao julgamento, embora certas tristeza, provocadas pelo infortúnio, talvez não estejam excluídas do pensamento do autor sagrado. «...sobrevirão...» No grego é usado o particípio presente—agora mesmo elas começam a concretizar-se, imediatamente antes da «parousia» (ou segundo advento de Cristo). CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 6. pag. 73.].

2. O mal que virá (v.2). De modo geral, onde se encontra a confiança dos ricos? A Bíblia afirma que a confiança dos ricos está amparada nos bens que possuem (Pv 10.15; 18.11; 28.11). Não atentando para a brevidade da vida e a transitoriedade dos bens materiais, eles orgulham-se e confiam na quantidade de bens que possuem (Jr 9.23; 1Tm 6.9,17). Tiago diz que as riquezas dos ricos desonestos e arrogantes estão apodrecidas e as suas roupas comidas pela traça, isto é, brevemente elas se mostrarão ineficazes para garantir-lhes o futuro. Os ricos opressores terão uma triste surpresa em suas vidas! [Comentário: Note o seguinte: “gastos de ferrugens” - ouro e prata não se desgastam pela ferrugem (que é o resultado da oxidação do ferro que em contato com o oxigênio se oxida e se deteriora pouco a pouco), pelo que sabemos que o autor sagrado falava sobre a ferrugem sobrenatural, sobre o eventual poder consumidor do julgamento, que reduzirá as falsas riquezas dos homens ao nada. riqueza de vocês apodreceu, e as traças corroeram as suas roupas (Tg 5.2) Ambos os verbos deste versículo e o primeiro verbo do versículo seguinte (enferrujaram) estão no tempo perfeito. Figuram a verdadeira inutilidade desta riqueza à vista daquele que conhece o valor do que é permanente e eterno. A riqueza deve ser usada para bons propósitos, não entesourada. Para aqueles ricos a quem Tiago se referia, era muito melhor guardar esses estoques do que dá-los aos pobres (Sl 41.2; Pv 19.17; Sir 4.1-6; Mt 5.42; 25.40; Lc 6.38; Gl 6.9s; Hb 13.16). Talvez também se visasse aguardar tempos em que se poderia vendê-los a preços vis. – “Vossas roupas estão comidas de traças”: os antigos não tinham dinheiro em moeda, como hoje. Acumulavam-se sobretudo valores materiais, tecidos, vestes preciosas etc. Também João Batista convocou – de forma audível para muitos em Israel – a um comportamento diferente (Lc 3.11). Novamente somos lembrados aqui do Sermão do Monte (Mt 6.20).].

3. A corrosão das riquezas e o juízo divino (v.3). Jesus de Nazaré falou do mesmo assunto no Sermão da Montanha, ao advertir que “não [devemos ajuntar] tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam” (Mt 6.19). Sabemos que nos dias atuais, muitos ignoram esta admoestação do Senhor, dizendo que não é bem isso que Ele quis dizer. Ora, então do que se tratava o assunto do nosso Senhor, senão do perigo de se acumular bens neste mundo? A arrogância demonstrada pelo rico insensato revela esse desvario do nosso tempo (Lc 12.15-21). Olhando para os dois textos citados, tanto o de Mateus quanto o de Lucas, é impossível não atentarmos para essas duas perspectivas: a denúncia para o mal da riqueza e a revelação profética do juízo divino contra a confiança nela (Ap 3.17; 6.15; 13.16). [Comentário: No capítulo 5, Tiago mais uma vez chama a atenção para a transitoriedade e a deterioração natural das riquezas. Ele já havia feito essa alusão no capítulo 1, usando como analogia a beleza passageira da flor (w. 10,11). E nota ao texto de Tg 5.3, o Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal (Editora CPAD) afirma: “Os metais preciosos acumularam-se e estragaram-se sem ter sido usados. Quando a riqueza não é usada para ajudar os outros, ela perde o seu valor. Tiago nos adverte de que até mesmo o que parece ser mais indestrutível (ouro e prata) estará condenado se não for colocado em um bom uso. A inutilidade do ouro e da prata acumulados os comerá como fogo no inferno. Então, se revelará a avareza, o egoísmo e a maldade dos ricos. Eles deixaram de fazer o bem com o que tinham, e isto é pecado (4.17). Poucas pessoas no mundo ocidental podem ler esta passagem com entendimento e não ficar pelo menos marcadas pela sua verdade. Nós provavelmente adicionamos uma nova dimensão ao problema, porque não acumulamos para preservar para mais tarde, mas acumulamos para gastar, ou até mesmo para desperdiçar. Os crentes da atualidade encontram-se participando da tendência da sociedade de consumir tanto quanto possível sem considerar as condições em outras partes do mundo, ou até mesmo o que vamos deixar para os nossos filhos e netos. Será que a nossa ferrugem não dará testemunho contra nós nos últimos dias?Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. Vol. 2. pag. 687-688.]

SINOPSE DO TÓPICO (2)
A Palavra de Deus condena àqueles que adquirirem riquezas às custa da exploração dos pobres e necessitados.


III. O ESCASSO SALÁRIO DOS TRABALHADORES “CLAMA” A DEUS (Tg 5.4-6)

1. O clamor do salário dos trabalhadores (v.4). O Evangelho alcança pessoas de todos os tipos e classes sociais. Muitos que constituem a classe alta econômica de nossa nação têm crido em Cristo. Outros filhos do nosso meio têm emergido e alcançado altos patamares econômicos. De funcionários, tornaram-se patrões, juízes, políticos, etc. Por isso, é preciso advertir que a Bíblia tem conselhos divinos claros para a ética do homem cristão que se tornou rico ou do rico que se tornou cristão. Neste quarto versículo, com tons graves, o líder da igreja de Jerusalém levanta-se como um profeta veterotestamentário bradando contra a injustiça social (Jr 22.13; Ml 3.5). Para tal exercício, Tiago evoca a Lei, isto é, utiliza a Escritura do primeiro testamento para fundamentar a sua redação epistolar (Dt 24.14,15). O meio-irmão do Senhor adverte que o Todo-Poderoso certamente se levantará contra toda a sorte de opressão e injustiça! [Comentário: Os trabalhadores descritos em Tg 5.4, trabalhavam e deveriam receber seu salário ao fim da jornada daquele dia. Caso o patrão não efetuasse o pagamento daquela jornada, certamente toda a família passaria fome. Se o proprietário se recusasse a pagar, havia pouca coisa ou nada que o trabalhar pudesse fazer. O dinheiro que deveria ter sido entregue ao trabalhador também era uma evidência contra estas pessoas ricas. O clamor pelo salário retido dos trabalhadores e dos que ceifaram entraram nos ouvidos do Senhor dos Exércitos. O único recurso que os pobres tinham era clamar a Deus. Se estivermos enfrentando a opressão, a fé exige que nós nos lembremos de que Deus é a nossa força e o nosso defensor. Circunstâncias temporárias não alteram a soberania de Deus. Deus nos protegerá do mal espiritual nesta vida e nos dará as alegrias que nós desejamos na vida porvir. Ele nos assegurará que a justiça será feita e julgará os opressores.].

2. A regalia dos ricos que não temem a Deus cessará (v.5). O versículo cinco lembra a denúncia proferida por Jesus em Lucas 16.19-31, quando o Senhor fala acerca do mendigo Lázaro e do rico opressor: uma vida regalada que não se importava com o futuro e com o próximo, vivendo festejos como se o fim nunca fosse chegar. Deleitando-se em suas riquezas, mal pensava o rico que entesourava para si juízos de Deus. [Comentário: Os estilos de vida dos ricos e famosos podem interessar aos meios de comunicação, mas são nocivos para Deus. Estes ricos, que tomaram as terras dos pobres e depois se recusaram a pagar os seus merecidos salários, mostraram uma enorme falta de consideração e um grande egoísmo. A isto, eles acrescentaram uma atitude de desperdício e autoindulgência que Deus detesta. Uma vida de luxo e de satisfação de cada capricho não tem basicamente nenhum valor. O dinheiro não significará nada quando Cristo retornar, de modo que nós devemos passar o nosso tempo acumulando tesouros que terão valor no reino eterno de Deus. O dinheiro em si não é o problema; os líderes cristãos precisam de dinheiro para viver e sustentar as suas famílias; os missionários precisam de dinheiro para ajudar a transmitir o Evangelho; as igrejas precisam de dinheiro para realizar eficazmente o seu trabalho. E o amor ao dinheiro que leva à iniquidade (I Tm 6.10) e que faz com que alguns subjuguem a outros para conseguir mais. Esta é uma advertência a todos os cristãos que são tentados a adotar padrões mundanos em lugar dos padrões de Deus (Rm 12.1,2) e um encorajamento a todos aqueles que são oprimidos pelos ricos. Para estas pessoas ricas, o seu tesouro é a riqueza mundana. Elas aproveitaram a vida, banqueteando-se como no dia da matança de um animal. Ironicamente, Tiago diz que elas são como animais gordos preparados para a matança, no dia em que vier o julgamento de Deus (veja Jr 12.1-3). Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. Vol. 2. pag. 688. O mal do versículo 5 é mais uma faceta do espírito egoísta refletido nos versículos 2-3. As riquezas condenam todo aquele que as usa para um prazer puramente pessoal. A Bíblia Viva parafraseia as palavras de forma correta: “Vocês gastaram seus anos aqui na terra divertindo-se, satisfazendo todos os seus caprichos”. Há várias interpretações da frase num dia de matança (cf. Jr 12.3). As diferenças dependem do significado da preposição. Num (em um) pode significar “em”, “no”, “por meio de”, “para”. Matthew Henry viu nessa frase uma referência às festas judaicas em que muitos sacrifícios eram oferecidos. “Vocês vivem como se cada dia fosse um dia de sacrifícios, uma festa; e, dessa forma, seus corações são engordados e nutridos para a estupidez, imbecilidade, orgulho e insensibilidade, em detrimento da miséria e aflição dos outros”. De acordo com o contexto parece que a preposição en em relação ao dia do julgamento pode ser melhor traduzida por “para”. Uma tradução recente interpreta esse versículo da seguinte maneira: “Vocês viveram na terra luxuosamente, engordando-se como gado — e o dia para a matança chegou”. Moffatt ressalta e aguça o conceito: “como para o dia de matança”. A finalidade dessa seção inteira é resumida por Moffatt da seguinte maneira: “Vocês precisam pagar com a sua vida pelo deleite cruel que custou a vida de suas vítimas, as vítimas da sua opressão social e judicial”. A. F. Harper. Comentário Bíblico Beacon. Tiago. Editora CPAD. Vol. 10. pag. 190.].

3. O pobre não resiste à opressão do rico (v.6). Há severas condenações no Antigo Testamento contra a opressão dos menos favorecidos (Êx 23.6; Dt 24.17). O fato de essa advertência aparecer em o Novo Testamento indica a gravidade dessa atitude (1Tm 6.17-19). Muitos podem se perguntar por que a Bíblia é tão dura contra os ricos injustos. Uma vez que eles estão economicamente bem posicionados, o pobre, ou “justo”, sucumbe à sua opressão, restando a eles apenas Deus para defendê-los. Assim, mesmo que o pecado de opressão continue sendo consumado, entendemos biblicamente que o Senhor dos Exércitos continua a ouvir o clamor dos pobres! [Comentário: A condenação e a morte de pessoas justas provavelmente eram tanto ativas como passivas. As pessoas inconvenientes podem realmente ter sido assassinadas, mas é mais provável que as pessoas pobres que não podiam pagar as suas dívidas fossem lançadas na prisão ou forçadas a vender todas as suas posses. Sem meios de sustento, e sem oportunidades até mesmo para trabalhar para pagar suas dívidas, estas pessoas pobres e suas famílias frequentemente morriam de fome. Deus também considerava isto um assassinato. De uma maneira ou de outra, no sistema injusto, isto era legal. O pobre não tinha como resistir. O seu único recurso contra os ricos iníquos era clamar a Deus. As condições que Tiago está descrevendo podem parecer desesperadoras. Muitos dos ricos não se arrependerão. Entretanto, os crentes podem viver com esperança, porque Cristo está voltando. Ele trará juízo e justiça. Tiago agora passa a falar a respeito da volta de Cristo. Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. Vol. 2. pag. 688-689. O versículo 6 reflete a riqueza desonesta adquirida por meio de ações fraudulentas da justiça. Em 2.6, Tiago refere-se aos ricos que “vos arrastam aos tribunais”. Ele não vos resistiu provavelmente significa que o pobre não tinha uma defesa legal adequada. Nos tribunais, os ricos influentes têm “condenado e devastado” o pobre que não tem condições de pagar o salário de um advogado ou o suborno para o juiz. O desamparo da vítima somente aumenta a culpa do opressor. Quando o desejo por riqueza se torna tão intenso a ponto de planejar tirar a vida de outra pessoa, a ganância tornou-se assassina. O poder propiciado pela riqueza também é malversado em relação à liberdade, honra e vida de terceiros.]

SINOPSE DO TÓPICO (3)
Deus ouve o clamor dos trabalhadores injustiçados. Ele é justo e não aceita nenhuma forma de opressão e injustiça.


CONCLUSÃO

As advertências de Tiago são relevantes e oportunas para os nossos dias. Quanto engano tem sido cometido por ensinamentos deturpados em nome de uma suposta prosperidade. Tal teologia tem levado muitas pessoas a tornarem-se materialistas. Tiago nos exorta a demonstrarmos uma fé verdadeira, não apenas de palavras, mas principalmente em obras (Tg 2.14-26). De igual maneira, conforme a lição de hoje, o nosso desafio é vivermos um estilo de vida segundo o Evangelho, onde a simplicidade, a modéstia e o contentamento devem ser as suas marcas. [Comentário: Tiago não demoniza a riqueza, mas se opõe ao coração centrado nelas. A Bíblia Sagrada traz muitas advertências para que não depositemos a nossa confiança nas riquezas materiais (Sl 49.6,7). Tiago defende que a nossa confiança deve está posta em Deus, que tudo pode e graciosamente derrama Suas chuvas de bênçãos sobre o Seu povo. O crente jamais deve esquecer que os que confiam no Senhor serão como o monte de Sião, que não se abala, mas permanece para sempre! (Sl 125.1), somente Ele pode conceder aos Seus a segurança eterna, paz, prosperidade, proteção e vida abundante tanto nesta vida como na vindoura!]
“NaquEle que me garante: "Pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus" (Ef 2.8)”,
Graça e Paz a todos que estão em Cristo!

Francisco Barbosa



AUXÍLIO BIBLIOGRÁFICO I


Subsídio Bibliológico
“Por que contra o rico? (5.1-6)
Em Jerusalém, eram poucas as pessoas da classe alta que se mostravam sensíveis ao Evangelho. Enquanto crescia a perseguição contra a igreja primitiva, muitos crentes perderam sua fonte de subsistência e passaram a ser explorados pelos poderosos. As investidas de Tiago contra os ricos são: 1) eles anseiam aumentar a riqueza com o sofrimento dos outros; 2) defraudam seus empregados; 3) vivem de maneira extravagante, e amam a boa vida; e, 4) matam os justos.
Temos condições de ser pacientes até mesmo quando provocados pela avidez dos exploradores da riqueza. Pois, sabemos que Cristo, o Juiz, está às portas (Tg 5.7-9)” (RICHARDS, Lawrence O. Guia do Leitor da Bíblia: Uma análise de Gênesis a Apocalipse capítulo por capítulo. 9ª Edição. RJ: CPAD, 2010, p.875).


AUXÍLIO BIBLIOGRÁFICO II


Subsídio Bibliológico
“Riqueza
A Bíblia Sagrada traz muitas advertências para que não depositemos a nossa confiança nas riquezas materiais (Sl 49.6,7). Também não podemos colocar o nosso coração nas riquezas.
Tiago deixou registradas fortes palavras de advertência aos ricos (Tg 5.1), que também servem, sem dúvida, para os ricos de todas as épocas. Estes, a quem Tiago se referiu, não foram julgados por serem ricos, mas porque haviam feito um mau uso de suas riquezas. Os cristãos também podem fazer um mau uso da riqueza que possuem, seja ela pequena ou grande. Eles também podem, sem dúvida, como vários crentes nos dias de Tiago, invejar aqueles que possuem riquezas. A inveja é um pecado tão grande quanto o mau uso da riqueza. É também muito importante que os meios utilizados para se alcançar a riqueza sejam adequados. Evidentemente, aqueles a quem Tiago se dirige em 5.1 haviam enriquecido às custas da exploração dos trabalhadores” (PFEIFFER, Charles F.; REA, John; VOS, Howard F. (Eds.). Dicionário Bíblico Wycliffe. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2009, p.1680).


SUBSÍDIOS ENSINADOR CRISTÃO


Os Pecados de omissão e de opressão
O amor cristão deve se manifestar em todo e qualquer ambiente que demanda o relacionamento humano. Principalmente nos círculos cristãos. Naturalmente, o amor de Cristo, não é nem pode ser um amor de viés obrigatório, pois amor compelido não é amor verdadeiro. O amor demonstrado por Jesus nos designa a ser um e somente um corpo com Ele. Por isso podemos destacar alguns desdobramentos do amor na relação profissional entre funcionário e patrão.
Enquanto funcionários de uma empresa, nossa real motivação deve ser a do respeito, pois somos chamados a viver numa dimensão de serviço a Deus, mas também aos homens. De sorte, não há como honrar a Deus se a minha dimensão relacional com os homens de autoridade está confusa ou quebrada. É impossível viver um dualismo entre “servir a Deus” e “não servir o próximo”.
O discípulo de Jesus é convidado a fazer o bem e a se aperfeiçoar naquilo que faz, não somente por causa do patrão, mas acima de tudo por Cristo. E aí que se revela a própria realização humana, pois patrão e funcionário têm um mesmo Senhor! Não há favoritismo de Deus nessa relação. O mesmo Senhor que auxilia o patrão é o mesmo que auxilia o funcionário. NEle, ambos são irmãos.
Prezado professor, trabalhe estas questões com a classe perguntando o seguinte: Se você é patrão o que pensar sobre o que a Palavra diz a respeito da tua relação com o teu funcionário? E você que é funcionário, como enxergar esta relação com o teu patrão? Certa feita o nosso Senhor disse que o mais forte subjugava o mais fraco no mundo gentílico, e isso, era perfeitamente normal. Mas entre nós, não! Entre os cristãos, o amor mútuo dos irmãos é o que deve sobrepujar. Cada qual exercerá o seu próprio papel, seja na função de patrão ou na de funcionário.
Ambos não podem esquecer: “Sujeitai-vos um ao outro em amor” a qualquer tempo e em qualquer dimensão profissional, seja ou não cristã. Professor lembre a classe de que o que Tiago está condenando em sua epístola é a injustiça, a exploração econômica e toda sorte de males que os ricos deste mundo, crentes ou não, poderiam evitar se assumissem a consciência “de ter fome e sede de justiça” que emana do Evangelho.

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