sexta-feira, 13 de junho de 2014

LIÇÃO 11 - O PRESBÍTERO, BISPO OU ANCIÃO




SUBSÍDIO I

INTRODUÇÃO

Além dos ministérios de Ef. 4.11 existem algumas funções eclesiásticas, que visam a organização das igrejas cristãs, dentre elas destacamos o de presbítero. Na verdade esse seria mais bem caracterizado como um título, e não um ministério eclesiástico. Isso porque os dons ministeriais são provenientes diretamente de Cristo. Os títulos eclesiásticos, por sua vez, são necessidades às quais as lideranças reconhecem, para a organização institucional. Na aula de hoje mostraremos a origem do termo, seu desdobramento no Novo Testamento, e ao final, as qualificações para a escolha dos presbíteros.

1. A ORIGEM DO PRESBÍTERO, BISPO OU ANCIÃO

O termo presbítero remete à palavra hebraica zaqen, com o significado de ancião, utilizada inclusive em contextos mundanos (Gn. 18.11; Js. 6.21; I Sm. 28.14; Sl. 119.100; Ec. 4.13). Os anciãos eram pessoas respeitadas, geralmente por causa da idade, por causa da experiência acumulada (Is. 65.20). Essa é uma alusão à importância que os mais idosos tinham entre os povos antigos. De tal modo que entre os judeus se lamentava a morte de um ancião, pois com ele partia a sabedoria (Lm. 2.21). Mas Deus não faz distinção de pessoas pela idade, há a promessa em Jl. 2.28, que chegaria o dia no qual o Senhor derramaria o Espírito sobre toda carne, incluindo os idosos. Em Israel o zaquen ocupava posição de liderança na comunidade (Ex. 3.16; Nm. 11.16; Dt. 5.23; I Rs. 8.1). Eles são citados nos momentos mais importantes da história daquela nação, especialmente por ocasião da renovação do pacto com Israel (Js. 24.31). A palavra grega presbyteros, no Novo Testamento, também significa ancião, e tinha relação com a liderança na sociedade judaica. O termo presbítero era bastante comum entre os líderes das igrejas de predominância judaica. Enquanto que nas igrejas de maioria gentia o título mais utilizado era o de episkopos, geralmente traduzido por bispo, que significa um supervisor. Isso porque a palavra bispo é uma junção de epi e skopos no grego, que literalmente carrega o sentido “daquele que ver de cima”, entre um grupo de pessoas. Os presbíteros, bispos ou anciãos eram as lideranças das igrejas locais nos tempos da igreja primitiva. O título de pastor, associado aos líderes da igreja, teria surgido posteriormente, adotado como ofício pelos ministérios protestantes. A opção por um modelo institucional de igreja, mesmo nos tempos da igreja primitiva, não tem uma tendência dogmática. Por isso algumas igrejas evangélicas são pastorais, presbiterianas, episcopais, entre outros.

2. O PRESBÍTERO, BISPO OU ANCIÃO NO NOVO TESTAMENTO

Com base em At. 20.17,28 e Tt. 1.5,7 compreendemos que os presbíteros (gr. presbyteros) e bispos (gr. episkopos) tinham a mesma função eclesiástica. Era responsabilidade deles o governo na igreja, sem desprezar o ensinamento, requerendo que alguns desses se afadigassem na palavra e no ensino, tornando-se dignos de honorários dobrados (I Tm. 5.17). Tito fora deixado em Creta, para “por em ordem as coisas restantes”, e instituir uma liderança a fim organizar as congregações locais (Tt. 1.5-9). Para isso precisava atentar para algumas qualificações, que destacamos: 1) ter filhos crentes (v. 6) – Paulo enfatiza esse princípio ao escrever a Timóteo (I Tm. 3.5), isso mostra que a vida e o serviço cristão devem iniciar no lar, evidentemente essa orientação se aplica aos filhos que são de menores e que estão debaixo da responsabilidade do pai; 2) despenseiros de Deus (v. 7) – o presbítero não é proprietário, apenas administrador das coisas de Deus, uma espécie de mordomo (Lc. 16.1-13), não pode dizer que isso ou aquilo lhe pertence, antes reconhece que Deus é o dono de tudo, principalmente do rebanho (At. 20.28,29); 3) não pode ser arrogante – não deve ser impositivo, querer fazer sempre o que deseja, em detrimento da vontade e interesse dos demais, para tanto precisa estar aberto à avaliação, e não ter receio de críticas e sugestões; 4) não irascível (v.7) – não pode se irritar com facilidade, evidentemente existe uma possibilidade de ira, e essa não é pecado (Ef. 4.26), mas a ira não deve controlar o obreiro, nada poderá tirá-lo do centro, que é a moderação, fruto do Espírito Santo (Gl. 5.22); 5) amigo do bem (v.8) – deve se aproximar de coisas boas, principalmente de boas pessoas, não deve perder o seu tempo com coisas que o distanciem de Deus, muito menos que não edificam; 6) justo (v. 8) – justiça, nesse contexto, não diz respeito à justificação em Cristo, mas a uma justiça moral, isto é, uma direção para fazer o que é direito, não o que é errado, se distanciando de práticas escusas que não agradam a Deus, mesmo que sejam consideradas normais pela sociedade; 7) piedoso (v. 8) – alguém que vive em santidade (I Pe. 1.16), sendo, portanto, diferente dos demais, não apenas na aparência, mas principalmente na experiência com Deus, por isso deve cultivar momentos de devoção com o Senhor, para leitura da Bíblia e oração; 8) que tenha domínio de si (v.8) – uma pessoa controlada, isto é, disciplinada, prática que envolve o uso do dinheiro e do tempo, sua mente e corpo estão sob controle, sujeitando-se ao Espírito Santo, em temperança (Gl. 5.22) e 9) apegado à palavra fiel (v. 9) – Deus é verdadeiro, e não há mentira em suas palavras, por isso o presbítero deve voltar-se para a sã doutrina (I Tm. 1.10), a fim de edificar a igreja e rejeitar os falsos ensinamentos.

3. AS QUALIFICAÇÕES DO PRESBÍTERO, BISPO OU ANCIÃO

Ao que tudo indica, com base em At. 14.23, os presbíteros eram nomeados para o cargo eclesiástico, talvez por eleição. Esses deveriam apresentar algumas qualificações para o exercício da função na igreja. A principal delas deveria ser uma experiência pessoal e profunda com Cristo, e identificação com as orientações apostólicas, considerando o testemunho daqueles que andaram com o Senhor (I Pe. 5.1). Fazendo assim os presbíteros seriam participantes da glória que será revelada em Cristo, testemunhada pelo próprio Pedro no monte da transfiguração (Mt. 17.1-5; II Pe. 1.15-18). O verbo “apascentai” (gr. poimanete) mostra uma alusão direta do presbítero com o pastorado. Aqueles que pastoreiam o rebanho de Deus devem fazê-lo seguindo o exemplo de Cristo, o Bom Pastor (Jo. 10.11; 21.15-17). O pastorado somente terá efeito se for desenvolvido por livre e espontânea vontade, não por obrigação, por meio da força, ninguém deve ser coagido a se tornar pastor (I Pe. 5.3). As igrejas seriam mais saudáveis se os pastores estivessem no ministério por vocação, não por interesses os mais diversos, e às vezes, meramente pessoais. Alguns deles continuam diante da igreja apenas como uma profissão, motivados tão somente pelo dinheiro que  haverão de receber. Alguns desses se tornarem dominadores da igreja, às vezes pensam que são donos dela, querem barganhar com o povo de Deus, principalmente nos períodos eleitorais. Em alguns casos essas líderes abusam espiritual do rebanho, resultando em feridas incuráveis, e o pior, em nome de Deus. Os pastores que são pastores têm uma terna preocupação com as ovelhas de Deus, eles alimentam o rebanho do Senhor, protegendo-o dos ladrões e saqueadores (At. 20.28-35). Eles também as supervisionam, acompanhado suas necessidades, não “por sórdida ganância, mas de boa vontade”. É justo que o pastor seja remunerado (I Co. 9.1; I Tm. 5.17, 18), mas esse não pode ser avarento (I T. 3.3), muito menos cobiçoso (Tt. 1.7). O pastor-presbítero deve ser um exemplo para o rebanho, somente assim alcançará a promessa de Cristo, quando Ele retornar em glória (I Pe. 1.7,8).

CONCLUSÃO

Muitas pessoas querem ser pastor, presbítero, bispo ou ancião, mas nem todas estão dispostas a pagar o preço que esse título requer. Aqueles que trabalharem com dignidade receberão do Pastor Fiel uma coroa de glória, uma recompensa perfeita para uma herança incorruptível. Que nesses anos, marcados pela ganância, Deus levante pastores-presbíteros-bispos-anciãos comprometidos com o rebanho, e cientes do julgamento futuro do Supremo Pastor.
Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa

SUBSÍDIO II


INTRODUÇÃO

No início da Igreja do primeiro século havia líderes que orientavam os crentes quanto ao Evangelho, bem como à organização e desenvolvimento da igreja local. O Evangelho frutificou na vida das pessoas, e por isso, surgiam cada vez mais novos crentes. Foi necessário, a fim de garantir o discipulado integral da nova pessoa em Cristo, separar crentes idôneos e maduros na fé para cuidarem desse precioso rebanho. Assim, os apóstolos de Cristo passaram a estabelecer presbíteros para zelar pela administração e a vida espiritual da igreja local. [Comentário: Primeiros anos da era Cristã, a Igreja crescia rapidamente, surgiram os problemas administrativos que tomavam tempo aos apóstolos. Foi preciso eleger homens capacitados para servirem às congregações locais, cuidando do rebanho de Deus. Hoje, teremos uma visão mais aprofundada acerca deste ofício tão especial para a Igreja. Pastores, bispos e presbíteros não são três ofícios diferentes, e sim três palavras que descrevem aspectos diferentes dos mesmos homens. Igrejas que procuram manter distinções entre pastores, bispos e presbíteros não somente fogem do padrão bíblico como também perdem a riqueza das palavras que o Espírito Santo usou para descrever os guias do povo de Deus. “Presbítero” e “pastor” não são dois ofícios diferentes. Como John Piper argumenta na seção cinco do livreto “Biblical Eldership”, essas são simplesmente duas palavras diferentes para o mesmo ofício. Ele dá três razões. Primeiro, em Atos 20.28, os presbíteros são encorajados nos deveres “pastorais” de supervisionar e pastorear. Segundo, em 1 Pedro 5.1-2, os presbíteros são exortados a “pastorear” o rebanho de Deus que está aos cuidados deles, papel que é de um pastor. Terceiro, em Efésios 4.11, a única vez que a palavra pastor ocorre no Novo Testamento, os pastores são tratados como pertencendo ao mesmo grupo dos mestres. Isso sugere que o papel principal do pastor é alimentar o rebanho por meio do ensino, que é um dos papeis principais dos presbíteros (Tito 1.9). Dessa forma, o Novo Testamento parece indicar que “pastor” é outro nome para “presbítero”. Um presbítero é um pastor, e um pastor é um presbítero.] Tenhamos todos uma excelente e abençoada aula!

I. A ESCOLHA DOS PRESBÍTEROS

1. Significado da função. De acordo com a Bíblia de Estudo Palavras-Chave, o termo “presbítero” (do gr. presbyteros) é uma forma comparativa da palavra grega presbys, “pessoa mais velha”. Como substantivo, e no emprego dos judeus e cristãos, “presbítero” é um título de dignidade dos indivíduos experientes e de idade madura que formavam o governo da igreja local. É um sinônimo de bispo (gr. episkopos, supervisor); de professor (gr. didaskolos); e de pastor (gr. poimēn). [Comentário: O termo ancião vem do latim antianus via francês arcaico ancien referindo-se a pessoa de idade avançada, antigo, velho, venerável, respeitável. A palavra hebraica equivalente é za·qen e identificava os líderes do Antigo Israel, quer no Âmbito de uma cidade, da tribo ou em nível nacional. Já presbítero vem do grego, πρεσβυτερος, presbyteros, pessoa de idade, ancião. Daí derivam-se outros títulos como preste. Padre, significando pai, é uma forma de tratamento que recebe o presbítero na Igreja Católica, Igreja Ortodoxa e algumas correntes protestantes, como no anglocatolicismo ou nas antigas congregações de língua portuguesa da Igreja Reformada Holandesa, como o notável Padre João Ferreira de Almeida. Boa parte das igrejas protestantes como a Igreja Metodista e Calvinismo chamam seus presbíteros ordenados de pastores. Na Igreja Luterana os pastores são responsáveis pelo rebanho cristão, e os presbíteros das igrejas locais fazem parte do governo eclesiástico, se reunindo e deliberando no respectivo Sínodo Regional em representação das suas comunidades. Nas Igrejas Reformadas e Presbiterianas (ambas de matriz calvinista), o presbítero é o líder espiritual de uma comunidade (ou paróquia) cristã. A Bíblia de Estudo Pentecostal (CPAD) afirma em sua nota sobre "Dons Ministeriais para a Igreja" que: "Os pastores são aqueles que dirigem a congregação local e cuidam das suas necessidades espirituais. Também chamados "presbíteros" (At 20.17; Tt 1.5) e "bispos" ou supervisores (1 Tm 3.1; Tt 1.17)".]

2. A liderança local. O apóstolo Paulo cuidou de organizar a administração das igrejas locais por onde as plantava, separando um grupo de obreiros para tal trabalho. Quando escreve ao seu discípulo, o jovem Tito, Paulo o instrui a estabelecer presbíteros em diversos lugares, de cidade em cidade (Tt 1.4,5,7). Está claro, assim, o aspecto pastoral da função exercida pelos presbíteros nas comunidades cristãs antigas. [Comentário: Presbítero (ancião em algumas versões da Bíblia) descreve alguém de idade mais avançada. A palavra é usada na Bíblia para identificar alguns dos líderes entre os judeus. No livro de Atos e nas epístolas, os homens que pastoreavam e supervisionavam as igrejas locais foram freqüentemente chamados de presbíteros (veja Atos 11:30; 14:23; 15:2,4,6,22,23; 16:4; 20:17; 21:18; 1 Timóteo 5:17,19; Tito 1:5; Tiago 5:14; 1 Pedro 5:1; 2 João 1; 3 João 1). São homens de idade suficiente que tenham filhos crentes. Necessariamente são alguns dos mais maduros dos cristãos na congregação. Usam seu conhecimento e experiência para servir como modelos e ensinar o povo de Deus. O Pr Elinaldo Renovatos, Comentarista deste trimestre, escreve em seu livro que serve de apoio à revista: “O crescimento das igrejas, como fruto da evangelização e do discipulado, exige a delegação de atividades a pessoas que tenham condições de liderar o rebanho do Senhor JESUS (Tt 1.5,7). Os pastores não podem abarcar tudo para si, sob pena de não darem conta das inúmeras responsabilidades que a igreja local requer. Como a referência a presbíteros, no NT, sempre é feita no plural “presbíteros”, “bispos” ou “anciãos”, dá a entender que, em geral, o presbítero não agia isoladamente, mas como um corpo de ministros, ou de líderes, que cuidava da igreja local. “Sempre são citados no plural, isto é, não é mencionada uma só igreja onde houvesse apenas um presbítero (At 11.30; 15.2,4,6; 20.17; Tg 5.l4; 1 Pe 5.1).” Certamente, pela inexistência de pessoas qualificadas com o dom ministerial de pastor, havia a necessidade de uma liderança, formada por um grupo de irmãos mais idosos, para cuidar da igreja local. Entende-se, assim, que os presbíteros têm um ministério de grande importância, auxiliando os pastores, designados por DEUS para apascentarem e cuidarem da Igreja do Senhor sob seus cuidados”. Elinaldo Renovato. Dons espirituais & Ministeriais Servindo a DEUS e aos homens com poder extraordinário. Editora CPAD. pag. 131.]

3. As qualificações. Em o Novo Testamento, as referências aos presbíteros encontram-se no plural: “presbíteros”, “bispos” ou “anciãos” (At 11.30; 15.2,4,6; 20.17; Tg 5.14; 1Pe 5.1). Como a liderança local era formada por um grupo de irmãos experientes na fé para cuidarem da igreja, a função dos presbíteros era pastoral. Portanto, o presbítero é um pastor, um apascentador de ovelhas! A Palavra de Deus expressa qualificações bem objetivas para o exercício fiel dessa função. Tais qualificações estão descritas em Tito 1.6-9 para presbítero, assim como em 1 Timóteo 3.1-7 para “bispo”, denotando o aspecto sinonímico dos dois termos. Uma leitura atenta das duas listas indica a importância da função e como as igrejas não podem descuidar-se quando da ordenação de pessoas para servi-la. O bom conselho do apóstolo Paulo ainda é a maneira mais segura para se separar obreiros. [Comentário: O ministro cristão deve ser pessoa que evita não só o mal, mas a própria aparência do mal. Sob todos os aspectos de conduta, ele tem de estar acima de repreensão. Suas relações matrimoniais não devem ter a mínima nódoa de escândalo. Muitos na igreja primitiva consideravam que marido de uma mulher era proibição de casar-se de novo por qualquer razão. O escândalo do divórcio tem envenenado tão completamente o fluxo da ordem social de nossos tempos, que devemos ser extremamente sensatos e cuidadosos nesta questão de segundo casamento, “para que o nosso ministério não caia em descrédito” (2 Co 6.3, NVI). Que tenha filhos fiéis (6) é expressão que requer algumas considerações. Seu verdadeiro significado foi capturado pela tradução: “que tenha filhos crentes” (BAB, RA; cf. NVI). Barrett observa que “a mudança do plural (presbíteros) para o singular (bispo) é mais bem explicado não pela suposição de que em cada cidade havia um grupo de presbíteros e só um bispo, mas pela interpretação [...] de que, enquanto que presbítero descreve o cargo, bispo descreve sua função: Os presbíteros que você designar devem ter certas qualificações, pois o homem que exerce a supervisão tem de ser não soberbo, nem iracundo, nem dado ao vinho, nem espancador, nem cobiçoso de torpe ganância. A qualidade da irrepreensibilidade — “caráter inatacável” (6) — ocorre novamente, pois a responsabilidade do bispo é servir como despenseiro da casa de DEUS (7). O termo despenseiro quer dizer, literalmente, “o administrador de uma casa ou família” (Kelly). O bispo era o gerente financeiro da igreja local e por isso, se por nenhuma outra razão, deve ser homem de extrema integridade. O apóstolo alista cinco defeitos que devem estar visivelmente ausentes no bispo (7). São falhas de caráter que, caso sejam toleradas em um líder eclesiástico, lhe causarão ruína certa. O soberbo, o iracundo, nem dado ao vinho (“beberrão”, BJ), nem espancador (“violento”, BAB, BJ, CH, NTLH, NVI, RA), nem cobiçoso de torpe ganância (“nem ávido por lucro desonesto”, NVI, cf. BJ, CH). Paulo faz uma lista de seis virtudes a serem cultivadas pelos líderes da igreja: Dado à hospitalidade, amigo do bem, moderado, justo, santo, temperante (8). O apóstolo introduz no versículo 9 uma exigência adicional: Retendo firme a fiel palavra, que é conforme a doutrina, para que seja poderoso, tanto para admoestar (“exortar”, BAB, RA) com a sã doutrina como para convencer os contradizentes. Este é um tema que aparece em 1 Timóteo, embora não com todo este grau de ênfase. Em 1 Timóteo 5.17, Paulo destaca os presbíteros que “trabalham na palavra e na doutrina” como “dignos de duplicada honra”. Mas aqui, na Epístola a Tito, a competência nesta área é de todos os presbíteros. É a um ministério como este que DEUS chama os homens quando os convoca a ir e pregar. E responsabilidade do pregador “oferecer CRISTO aos homens”, como Carlos Wesley gostava de dizer. Neste verso, ele descreve liricamente esta tarefa central de pregar: "Ofereço-lhe meu Salvador; Amigo de publicanos e Advogado: Seus méritos e morte, ele advoga por você; E intercede com DEUS pelos pecadores na terra" Mas pregar CRISTO e oferecê-lo às pessoas é conhecer seguramente a Palavra de DEUS relativa a CRISTO, mantê-la em consideração reverente e declarar sua verdade às pessoas. Nestas Epístolas Pastorais, Paulo está vitalmente interessado na sã doutrina. Por essa época, a mensagem da igreja tomara forma em credos e fórmulas batismais. Vemos fragmentos dessas declarações de credo afloradas nas cartas a Timóteo. Cada nova geração de líderes cristãos tem a necessidade de declarar novamente as doutrinas básicas da fé cristã e justificá-las na mente e consciência dos que as ouvem. Mas a sã doutrina também tem preceitos éticos, que mostram como todos os cristãos, homens e mulheres, moços e velhos, escravos e livres, devem viver em um mundo que rejeita CRISTO. Tudo isto faz parte da tarefa de admoestar e convencer os contradizentes — os que negam e contradizem a verdade. J. Glenn Gould. Comentário Bíblico Beacon. Editora CPAD. Vol. 9. pag. 545-547.]

SINOPSE DO TÓPICO (1)
O termo presbítero (do gr. presbyteros) é um sinônimo de bispo (gr. episkopos), de professor (do gr. didaskolos) e de pastor (do gr. poimēn). Logo, a sua função é pastoral.

II. A IMPORTÂNCIA DO PRESBITÉRIO

1. Significado do termo. “Não desprezes o dom que há em ti, o qual te foi dado por profecia, com a imposição das mãos do presbitério” (1Tm 4.14). Foi dessa forma que o apóstolo Paulo lembrou Timóteo, aconselhando-o acerca do reconhecimento do ministério do jovem pastor pelo conselho de obreiros. O Novo Testamento classifica esse corpo de obreiro de “presbitério” (do gr. presbyterion, substantivo de presbítero, um conselho formado por anciãos da igreja cristã). [Comentário:  Tm 4.14 Ninguém deveria desprezar Timóteo (4.12), nem ele deveria desprezar a si mesmo. Paulo lembrou Timóteo de que ele tinha os requisitos necessários para realizar aquela obra difícil em Éfeso. Entre eles, estava um dom espiritual de Deus. Embora Paulo não defina especificamente este dom, ele estava preocupado com a possibilidade de Timóteo hesitar em usá-lo ou deixar de usá-lo. Quando virmos as capacitações de todos os tipos (espiritual, relacional, técnica) como dons de Deus, será mais fácil vermos a sua mão operando por meio dos esforços humanos. Ele poderia realizar a tarefa porque Deus o tinha chamado para realizá-la, o tinha capacitado para realizá-la, e estaria com ele durante a realização dela. Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. Vol 2. pag. 502. Para Paulo o carisma está no começo e no centro de todo serviço e de toda a vida da igreja. O carisma não é algo acrescentado ao ministério, nem mesmo algo que somente possui certa importância à margem da verdadeira ordem eclesiástica. Dons da graça foram dados a todos para todos, ainda que nem todos recebam os mesmos dons. Em 1Co 12-14 Paulo não fala contra os dons da graça, mas somente contra seu abuso. Timóteo não corre o risco dos carismáticos de Corinto. Pelo contrário, a ele o apóstolo precisa dizer: não negligencies o dom da graça em ti. O próprio DEUS o concedeu a você, não uma instância humana. Por isso utilize esse dom, exercite-se nele, use-o diligentemente! Mediante profecia: por meio de uma palavra profética; profecias que apontam para Timóteo; falam de sua vocação. Desse chamado de DEUS lhe advém força para a luta. No começo do serviço não está o cargo, mas o carisma. No começo do carisma não está a ordenação, mas a vocação pelo próprio DEUS. Tanto o AT como o NT deixam inequivocamente claro que os servos estabelecidos para um serviço específico recebem a dádiva do ESPÍRITO antes de receber os dons do ESPÍRITO para o serviço. Pela imposição de mãos: A imposição das mãos confirma o que aconteceu, a saber, a vocação prévia por DEUS, profeticamente divulgada. A prática da imposição das mãos situa-se no âmbito dos sinais visíveis que acompanham a fé. Paulo lhe impôs as mãos em conjunto com os anciãos (QI 30). Assim como Tito deve instalar presbíteros de cidade em cidade, assim o próprio Paulo havia instalado Timóteo como presbítero. A instalação do presbítero não era uma ação arbitrária do apóstolo, mas ele reconhecera no ESPÍRITO que DEUS já havia posto sua mão sobre o jovem: o apóstolo então agiu de modo correspondente. Embora Timóteo fosse jovem na idade, DEUS o havia chamado como “ancião” e o manifestou mediante profecia. Concedeu-lhe o ESPÍRITO SANTO, incutiu-lhe o carisma para o serviço, confirmou sua vocação pela imposição de mãos por Paulo perante muitas testemunhas. Que carisma específico Timóteo havia, pois, recebido? Será que era pastor, mestre ou evangelista? (“Faça a obra de um evangelista!” 2Tm 4.5). Seria igualmente difícil definir um dom espiritual específico para Paulo. O dom geral da “palavra”, i. é, a vocação para o “serviço à palavra”, podia abranger proclamação, exortação, ensino e evangelização, mas apresentava ênfases diferentes nos diversos servos. Dependendo também das circunstâncias com que se deparavam, um ou outro serviço podia passar mais para o primeiro plano. Essencial para todos os dons espirituais é que cada um carece de complementação. Por mais abrangentes que sejam, ocorrem de forma apenas limitada em cada pessoa, carecendo da permanente complementação por parte de outra. Hans Bürki. Comentário Esperança Cartas aos I Timóteo. Editora Evangélica Esperança.]

2. A atuação do presbitério. No Concílio de Jerusalém, em relação às sérias questões étnicas e eclesiásticas que podiam comprometer a expansão da igreja, os apóstolos e os anciãos (presbíteros) foram chamados para debater e legislar sobre o assunto (At 15.2,6,9-11). Em seguida, os presbíteros foram enviados à Antioquia para orientar os irmãos sobre a resolução dos problemas que perturbavam os novos convertidos: “E, quando iam passando pelas cidades, lhes entregavam, para serem observados, os decretos que haviam sido estabelecidos pelos apóstolos e anciãos em Jerusalém” (At 16.4). [Comentário:  De acordo com o Novo Testamento, os presbíteros são responsáveis pela liderança e supervisão de uma igreja local. A função e o papel de um presbítero é bem resumida por Alexander Strauch em seu livro Biblical Eldership: “Os presbíteros lideram a igreja [1Tm 5.17; Tito 1.7; 1 Pedro 5.1-2], ensinam e pregam a Palavra [1 Timóteo 3.2; 2 Timóteo 4.2; Tito 1.9], protegem a igreja de falsos mestres [Atos 20.17, 28-31], exortam e admoestam os santos na sã doutrina [1 Timóteo 4.13; 2 Timóteo 3.13-17; Tito 1.9], visitam e oram pelos doentes [Tiago 5.14; Atos 20.35], e julgam questões doutrinárias [Atos 15.16]. Em terminologia bíblica, presbíteros pastoreiam, supervisionam, lideram e cuidam da igreja local”. No livro "Introdução à Teologia Sistemática", de Eurico Bergstén, publicado pela CPAD em 1999, lemos na pg. 270 (pg. 229 da atual edição): "Os presbíteros tomavam parte ativa no apascentamento da igreja (cf. At 20.28) e também no ensino, pois uma das qualidades exigidas do candidato ao presbitério era que fosse 'apto para ensinar' (cf. 1 Tm 3.2). Os presbíteros constituíam um corpo auxiliar no governo da igreja, sob a presidência do pastor. Convém salientar que os ministros também se consideravam presbíteros. O apóstolo Pedro escreveu para os presbíteros que ele também era presbítero (cf. 1 Pe 5.1), e o apóstolo João considerava-se ancião (cf. 2 Jo 1) ou presbítero (cf. 3 Jo 1). Apesar de os presbíteros não serem ministros da Palavra, os ministros, necessariamente, eram presbíteros. Assim ficava distinguida a liderança que lhes fora dada por Deus."]

3. A valorização do presbitério. O presbitério deve ser valorizado, pois desde os primórdios da Igreja cristã, a sua existência tem fundamento na Palavra de Deus. O rebanho do Senhor será ainda mais bem atendido se o presbitério das nossas igrejas for preparado para uma atuação mais efetiva no governo da igreja e no ministério de ensino, tal como instruiu o apóstolo Paulo: “Os presbíteros que governam bem sejam estimados por dignos de duplicada honra, principalmente os que trabalham na palavra e na doutrina” (1Tm 5.17). O Novo Testamento mostra que, apesar de haver um pastor titular, o governo de uma igreja não era exercido por um único líder, mas pelo conselho de obreiros (At 20.17-37; Ef 4.11, 1Pe 5.1). O presbitério é de vital importância ao desenvolvimento das igrejas locais e ao bom ordenamento do Corpo de Cristo. [Comentário:  As palavras “anciãos” (1) e presbíteros (17; aqui quer dizer “pastores”, cf. BV) são tradução da mesma palavra grega; os significados, embora distintos, estão correlacionados. No versículo 1, significa os membros mais idosos da congregação; mas aqui diz respeito aos indivíduos separados para a obra do ministério: Os presbíteros que governam bem sejam estimados por dignos de duplicada honra, principalmente os que trabalham na palavra e na doutrina (17). Há comentaristas que entendem que este versículo antecipa a distinção entre “pastores” que governam e “pastores que ensinam”, que é a prática em certas igrejas reformadas. Mas isso é improvável, quando lembramos que Paulo já havia declarado especificamente que todo bispo (ou pastor) tem de ser “apto para ensinar” (3.2). O apóstolo está estipulando a Timóteo que o pastor que combina igreja com o serviço fiel e talentoso como pregador e professor de honra. Junto do honorário deve ser incluída a honra. Ainda não havia chegado o dia em que os ministros da igreja seriam totalmente sustentados. O costume que então vigorava era que os líderes da igreja se sustentassem, da mesma maneira que o apóstolo o fazia. Na opinião de Paulo, o bom serviço merece reconhecimento e recompensa. Aquele cujo tempo era tomado quase todo pelo trabalho da igreja deveria receber maior compensação. Paulo sustenta seu conselho com um argumento que lembra 1 Coríntios 9.9: Porque diz a Escritura: Não ligarás a boca ao boi que debulha. E: Digno é o obreiro do seu salário (18). A primeira destas passagens é um preceito do Antigo Testamento encontrado em Deuteronômio 15.4, e em sua situação original é uma ordenação humanitária. Mas em outro texto Paulo argumenta que tem um significado mais profundo: “Porventura, tem DEUS cuidado dos bois? Ou não o diz certamente por nós?” (1 Co 9.9,10). O apóstolo também cita outra passagem para a qual dá importância igual: Digno é o obreiro do seu salário. Esta é declaração de nosso Senhor registrada em Lucas 10.7. O fato surpreendente é que os estudiosos do Novo Testamento não conseguem achar evidências para provar que o Evangelho de Lucas tinha acesso geral quando estas palavras foram escritas. Provável é que o Evangelho de Lucas fosse conhecido por Paulo e também por Timóteo. E. K. Simpson assume a posição, junto com B. B. Warfield, de que “temos aqui uma citação verbalmente exata do Evangelho de Lucas, tratada como porção integrante das Santas Escrituras”. Nesta passagem, o apóstolo deixa clara sua opinião de que o serviço fiel e eficaz merece reconhecimento e remuneração adequada. E óbvio que a igreja começava a mudar rumando para um ministério assalariado. J. Glenn Gould. Comentário Bíblico Beacon. Editora CPAD. Vol. 9. pag. 490-491.]

SINOPSE DO TÓPICO (2)
Fundamentado na Palavra de Deus desde os primórdios cristãos, o presbitério atua no governo da igreja local junto ao pastor titular.

III. OS DEVERES DO PRESBITÉRIO

1. Apascentar a igreja. Os presbíteros têm o dever de alimentar o rebanho de Deus com a exposição da Santa Palavra. O apóstolo Pedro bem exortou aos presbíteros da sua época acerca desta tarefa: (1Pe 5.2a). O apascentar as ovelhas do Senhor se dá com cuidado pastoral, não pela força ou violência, como se os obreiros tivessem domínio sobre o Corpo de Cristo. Esse ato ocorre voluntariamente, sem interesse financeiro, servindo de exemplo ao rebanho em tudo (1Pe 5.2,3). Os presbíteros formam o conselho da igreja local cujo objetivo maior é atuar na formação espiritual, social, moral e familiar do povo de Deus. [Comentário:  A Bíblia de Estudo Pentecostal (CPAD) afirma em sua nota sobre "Dons Ministeriais para a Igreja" que: "Os pastores são aqueles que dirigem a congregação local e cuidam das suas necessidades espirituais. Também chamados "presbíteros" (At 20.17; Tt 1.5) e "bispos" ou supervisores (1 Tm 3.1; Tt 1.17)". "Obedecei a vossos guias, sendo-lhes submissos; porque velam por vossas almas como quem há de prestar contas delas; para que o façam com alegria e não gemendo, porque isso não vos seria útil" (Hb 13.17). Este versículo não diz especificamente "presbíteros", mas o contexto trata dos líderes da igreja. Eles são responsáveis pela vida espiritual da igreja. I Ped 5.2,3 O mandamento de Pedro para que os presbíteros apascentem o rebanho de DEUS é uma repetição das palavras que o Senhor JESUS disse ao próprio Pedro: “Apascenta as minhas ovelhas” (Jo 21.16). A mesma palavra grega é usada nas duas passagens, significando “guiar”, “atender”, “cuidar”, ou “pastorear”. O “rebanho” são os crentes; os presbíteros tinham responsabilidades sobre as igrejas individuais e, consequentemente, sobre uma certa parte do “rebanho” de DEUS. Os presbíteros deviam ser como pastores, que conduzem, orientam e protegem as ovelhas que estão sob os seus cuidados. Os crentes precisariam de bons líderes quando enfrentassem a perseguição. Pedro esperava que eles fizessem a vontade de DEUS à sua maneira, tentando agradar a DEUS com fervor. A fórmula que JESUS usava sempre era que aqueles que lideram devem ser os melhores servos (Mc 10.42-45). Os líderes devem ser exemplos de humildade e de servilismo. Os líderes não devem intimidar nem coagir as pessoas. Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. Vol 2. pag. 732-733. “...admoesto eu”. E, para reforçar essa exortação, ele lhes diz que é presbítero com eles, e assim não impõe nada a eles que ele não esteja disposto a fazer também. Ele é também “...testemunha das aflições de CRISTO”, tendo estado com Ele no jardim, acompanhando-o ao palácio do sumo sacerdote, e muito provavelmente tendo sido testemunha do seu sofrimento na cruz, à distância, entre a multidão (At 3.15). Ele acrescenta que é também “...participante da glória” que em certa medida foi revelada na transfiguração (Mt 17.1-3), e vai ser completamente desfrutada na segunda vinda de JESUS CRISTO. HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento ATOS A APOCALIPSE Edição completa. Editora CPAD. pag. 882.]

2. Liderar a igreja local. A liderança da igreja local tem duas esferas principais de atuação: o governo e o ensino. O presbítero, quando designado para essas tarefas, tem o dever de exercê-las na “Igreja de Deus” (1Tm 3.5). Para isso, ele precisa saber “governar a sua própria casa” e ser “apto a ensinar” (1Tm 3.2,4). Liderar o rebanho de Deus, segundo o Novo Testamento, é estar disponível “para servir” e “não para ser servido” (Mt 20.25-28; Mc 10.42-45). Com o objetivo de exercer competentemente esta função, o presbítero deve ser uma pessoa experiente, idônea e pronta a ser exemplo na igreja local. Ensinar e governar com equidade e seriedade é o maior compromisso de todo homem de Deus chamado para tão nobre tarefa. [Comentário: “Indignaram-se contra os dois irmãos” ; não porque desejassem ser preferidos antes deles - que foi o pecado de Tiago e João, pelo qual CRISTO se entristeceu - , mas porque queriam ter a honra para si mesmos, o que revelava descrédito em relação aos dois irmãos. Muitos parecem ter uma indignação pelo pecado; porém, não a sentem pelo pecado em si, mas porque tal pecado os toca. Eles se indignarão contra um homem que amaldiçoa; mas somente o farão se ele lhes amaldiçoar, e lhes afrontar, não porque tal homem esteja desonrando a DEUS. Esses discípulos estavam com raiva da ambição de seus irmãos, embora eles mesmos fossem igualmente ambiciosos. E comum que as pessoas se enfureçam com os pecados dos outros, os quais elas permitem e toleram em si mesmas. Aqueles que são orgulhosos e cobiçosos não gostam de ver outros assim. Nada causa mais dano entre irmãos, ou é a causa de mais indignação e contenda, do que a ambição e o desejo de grandeza. Nós nunca encontramos os discípulos de CRISTO discutindo; mas eles enfrentaram uma situação de contenda essa ocasião. B. A correção que CRISTO lhes fez foi muito suave, por meio da instrução sobre o que eles deveriam ser, e não por meio da repreensão pelo que eles eram. Ele havia reprovado esse mesmo pecado antes (cap. 18.3), e lhes dissera que deveriam ser humildes como crianças pequenas; no entanto, eles reincidiram nesse pecado, mas CRISTO os repreendeu de forma moderada. “Então, JESUS, chamou-os para junto de si”, o que sugere um grande carinho e familiaridade. Ele não lhes ordenou, com raiva, que saíssem de sua presença, mas os chamou, com amor, para virem à sua presença. Ele está sempre pronto a ensinar, e nós somos convidados a aprender dele, porque ele é “manso e humilde de coração”. O que Ele tinha a ensinar dizia respeito tanto aos dois discípulos como aos outros dez; portanto, ele reúne todos. E lhes diz que enquanto estavam perguntando qual deles deveria ter o domínio em um reino temporal, não havia realmente tal domínio reservado para nenhum deles. Porque: (1) Eles não deveriam ser como os “príncipes dos gentios”. Os discípulos de CRISTO não deveriam ser como os gentios, nem como os príncipes dos gentios. O principado não torna ninguém ministro, da mesma forma que o “gentilismo” não torna ninguém cristão. A pompa e a grandeza dos príncipes dos gentios não convém aos discípulos de CRISTO. Então, se o poder e a honra não foram planejados para estar na igreja, era uma insensatez deles estarem disputando quem deveria tê-los. Eles não sabiam o que pediam. Em segundo lugar, então qual será o relacionamento entre os discípulos de CRISTO? O próprio CRISTO havia sugerido uma grandeza entre eles, e aqui Ele explica: “Todo aquele que quiser, entre vós, fazer-se grande, que seja vosso serviçal; e qualquer que, entre vós, quiser ser o primeiro, que seja vosso servo” (w. 26,27). Observe aqui: 1. Que é dever dos discípulos de CRISTO servirem uns aos outros, para a edificação mútua. Isto inclui tanto a humildade como a utilidade. O grande apóstolo se comportou como servo de todos (veja 1 Co 9.19). 2. A dignidade dos servos de CRISTO está relacionada ao fiel cumprimento dessa obrigação. O modo de ser grande, e o primeiro, é ser humilde e servil. Assim como o que quer ser sábio deve se fazer de tolo, quem quiser ser o primeiro deverá se comportar como servo. O apóstolo Paulo foi um grande exemplo disso; ele trabalhou mais abundantemente do que todos, tornou- se (como diriam alguns) um escravo do seu trabalho. E ele não é o primeiro? Não o chamamos por unanimidade de “o grande apóstolo”, embora ele se autodenomine o menor entre os menores? E talvez o nosso Senhor JESUS estivesse pensando em Paulo quando disse: “Haverá derradeiros que serão primeiros”; porque Paulo nasceu fora do tempo devido, como um abortivo (1 Co 15.8). Talvez fosse para ele que o primeiro posto de honra no reino de CRISTO estivesse reservado e preparado por DEUS Pai, e não para Tiago e João, que o buscaram. [1] Nunca houve um exemplo de humildade e condescendência como houve na vida de CRISTO, que não veio para “ser servido, mas para servir”. Quando o Filho de DEUS entrou no mundo - o Embaixador de DEUS para os filhos dos homens alguém poderia pensar que Ele deveria ser servido, que deveria ter se apresentado em um aparato que estivesse de acordo com a sua pessoa e caráter; mas Ele não fez isso; Ele não agiu como uma celebridade, Ele não teve nenhum séquito pomposo de servos de Estado para servi-lo, nem se vestiu em túnicas de honra, porque tomou sobre si a “forma de servo”. Ele, na verdade, viveu como um homem pobre, e isto fez parte da sua humilhação. Houve pessoas que o serviram com as “suas fazendas” (Lc 8.2,3); mas Ele nunca foi servido como um grande homem. Ele nunca tomou a pompa sobre si, não foi servido em mesas, como um dos grandes deste mundo. JESUS, certa vez, lavou os pés dos seus discípulos, mas nunca lemos que eles tenham lavado os pés dele. Ele veio para ajudar a todos quantos estivessem em aflição. Ele se fez servo para os doentes e debilitados; estava pronto para atender aos seus pedidos como qualquer servo estaria pronto para atender à ordem do seu senhor, e se esforçou muito para servi-los. O Senhor JESUS serviu continuamente visando este fim, negando a si até mesmo o alimento e o descanso para cumprir essa tarefa. [2] Nunca houve um exemplo de beneficência e utilidade como houve na morte de CRISTO, que “deu a sua vida em resgate de muitos”. Ele viveu como um servo, e fez o bem; mas morreu como um sacrifício, e com isso Ele fez o maior bem de todos. Ele entrou no mundo com o propósito de dar a sua vida em resgate; isto estava primeiro em sua intenção. Os aspirantes a príncipes dos gentios fizeram da vida de muitos um resgate para a sua própria honra, e talvez um sacrifício para a sua própria diversão. CRISTO não age assim; o sangue daqueles que lhe são sujeitos é precioso para Ele, e Ele não é pródigo nisso (SI 72.14); mas, ao contrário, Ele dá a sua honra e a sua vida como resgate pelos seus súditos. Então esse é um bom motivo para não disputarmos a precedência, porque a cruz é a nossa bandeira, e a morte do nosso Senhor é a nossa vida. Esse é um bom motivo para pensarmos em fazer o bem, e, em consideração ao amor de CRISTO ao morrer por nós, não hesitarmos em “sacrificar as nossas vidas pelos irmãos” (1 Jo 3.16). Os ministros devem estar mais ansiosos do que os outros para servir e sofrer pelo bem das almas, como o bendito apóstolo Paulo estava (At 20.24; Fp 2.17). Quanto mais interessados, favorecidos e próximos estivermos da humildade e da humilhação de CRISTO, mais prontos e cuidadosos estaremos para imitá-las. HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento MATEUS A JOÃO Edição completa. Editora CPAD. pag. 260-262.]

3. Ungir os enfermos. “Está alguém entre vós doente? Chame os presbíteros da igreja, e orem sobre ele, ungindo-o com azeite em nome do Senhor” (Tg 5.14). O ato da unção dos enfermos não pode ser banalizado na igreja local. Ele revela a proximidade que o presbítero deve ter com as pessoas. O membro da igreja local tem de se sentir à vontade para procurar qualquer um dos presbíteros e receber oração ou uma palavra pastoral. Tal obreiro foi separado pelo Pai e pela igreja para atender a essas demandas. [Comentário: "Está doente algum de vós? Chame os anciãos da igreja, e estes orem sobre ele, ungido-o com óleo em nome do Senhor" (Tg 5.14). Um presbítero biblicamente qualificado tem uma vida piedosa, e "a súplica de um justo pode muito na sua atuação" (Tg 5.16). Uma das necessidades desse campo é orar para que a vontade do Senhor seja feita, e espera-se que os presbíteros façam isso. A unção com óleo é um ato de fé que acompanha a “oração da fé”, feita por homens de Deus, que, liderando a igreja local, ou auxiliando os pastores-líderes, atendem aos que se encontram enfermos, e oram por sua cura, “em nome de Jesus” (Mc 16.18c). Orar pelos enfermos e curá-los é sinal de fé para “os que crerem”, independente de serem obreiros regulares. Mas orar com unção com óleo é confiado aos presbíteros. Elinaldo Renovato. Dons espirituais & Ministeriais Servindo a DEUS e aos homens com poder extraordinário. Editora CPAD. pag. 137. Uma característica da igreja primitiva era a sua preocupação com os doentes e o cuidado para com eles. Aqui Tiago incentiva os doentes para que chamem os presbíteros da igreja, pedindo aconselhamento e oração. Os presbíteros eram pessoas espiritualmente amadurecidas, responsáveis pela supervisão das igrejas locais (veja 1 Pe 5.1-4). Os presbíteros iriam orar sobre a pessoa doente, pedindo a cura ao Senhor. A seguir, eles a ungiriam com azeite em nome do Senhor. Enquanto oravam, os presbíteros deviam pronunciar claramente que o poder da cura residia no nome de Jesus. A unção era frequentemente usada pela igreja primitiva nas suas orações pedindo cura. Nas Escrituras, o azeite era tanto um remédio (veja a parábola do bom samaritano, em Lucas 10.30-37) como um símbolo do Espírito de Deus (como quando usado para ungir reis; veja 1 Sm 16.1-13). Desta forma, o azeite pode ter sido um sinal do poder da oração, e pode ter simbolizado a separação da pessoa enferma para a atenção especial de Deus. Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. Vol 2. pag. 691.]

SINOPSE DO TÓPICO (3)
Apascentar a igreja de Cristo, liderar uma igreja local e ungir os enfermos são algumas das muitas responsabilidades do presbítero.

CONCLUSÃO
Vimos que os termos presbítero, bispo e pastor são sinônimos. Os presbíteros, ou bispos, sempre formaram um corpo de obreiros com a finalidade de contribuir para a edificação da igreja local. Eles exercem uma função pastoral. Nas Assembleias de Deus no Brasil, os presbíteros exercem este serviço, pastoreando as congregações. Eles ainda cuidam da execução das principais tarefas da Igreja: a evangelização e o ensino da Palavra. Portanto, esses obreiros precisam ser bem selecionados e valorizados pela igreja local. [Comentário: Estamos habituados a ver uma categoria de líderes eclesiásticos que querem estar acima de pastores/presbíteros: os chamados “bispos” de hoje. Quando olhamos para as Escrituras, a evidência bíblica indica que “bispo” é simplesmente outro termo para presbítero. Paulo se refere aos presbíteros em Éfeso como “bispos” em seu sermão de despedida de Atos 20.17-35. Da mesma forma, “bispo” em Tito 1.7 parece ser um sinônimo para o termo “presbítero” usado no versículo 5. Na linguagem do Novo Testamento o mesmo ofício na Igreja é chamado indiferentemente de ‘bispo [supervisor]’ (episkopos) e ‘ancião’ ou ‘presbítero’ (presbyteros)”. Meu entendimento é que os presbíteros não constituíam apenas um "corpo auxiliar no governo da igreja sob a presidência do pastor". Pelo que foi estudado, o presbítero poderia ser o próprio pastor (1 Pe 5.1-4). O Termo "pastor" (poimen; ποιμήν; hb. Ra’a), designa aquele que “alimenta”, que "cuida do rebanho", que “guiar”, que “guarda e protege”. Para um “aprofundamento” acerca desse tema e a origem do título hierárquico nas IEAD, sugiro uma leitura do excelente artigo do Pr Altair Germano “PRESBÍTEROS SÃO MINISTROS DA PALAVRA? (2ª PARTE)”, no link http://www.altairgermano.net/2011/12/presbiteros-sao-ministros-da-palavra-2.html] “NaquEle que me garante: "Pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus" (Ef 2.8)”,
Graça e Paz a todos que estão em Cristo!


Francisco Barbosa

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