quinta-feira, 2 de março de 2017

LIÇÃO 10: MANSIDÃO: TORNA O CRENTE APTO PARA EVITAR PELEJAS

 

SUBSÍDIO I

De acordo com a Palavra de Deus, ser manso é uma das virtudes do Reino de Deus. No Evangelho e Mateus 5.5 há uma promessa de que os mansos são bem-aventurados porque eles herdarão a terra. Já na época de Jesus, a mansidão era uma virtude não muito aceita no mundo antigo. Ora, num tempo onde a força, a guerra e o heroísmo eram as virtudes cultivadas pela sociedade, o que uma pessoa mansa poderia contribuir de benéfico para a sociedade?! Ser manso não seria sinônimo de fraqueza, de fragilidade?!

O que é mansidão?

Mas o que representa a mansidão na Bíblia? Em primeiro lugar, é o oposto da arrogância, do espírito precipitado, das dissensões, contendas e pelejas. É o oposto das atitudes que constituem a guerra em vez de paz, o descontrole emocional em vez do controle emocional, tudo o que contribui para o apaziguamento da alma. Logo, ser manso, segundo os ensinos de Jesus e dos apóstolos, é cultivar a capacidade de gerar gentileza uns para com os outros, sem fazer acepção de pessoas, alcançando todos os homens e enxergando neles a imagem de Deus.

Uma vida de equilíbrio

Como pentecostais enfatizamos os dons espirituais, e devemos buscá-los de todo coração, a fim de sermos usados pelo Senhor para a edificação do próximo. Entretanto, a manifestação do fruto do Espírito é de igual importância. Ora, manifestar os dons do Espírito Santo e, ao mesmo tempo, apresentarmos uma vida cheia de ambições, de discórdias carnais, de valores que se opõem ao espírito humilde de Jesus Cristo não se encontra de acordo com o Evangelho. Diferentemente do que se pode imaginar, a Palavra de Deus diz que seremos conhecidos pela sociedade se agirmos desta maneira: “nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros” (Jo 13.35).

Um convite a ser manso

Portanto, esta lição nos convida a rejeitar o espírito aguerrido, de pelejas, de discórdias, de ações carnais, de busca por vingança. O presente estudo nos ensina a termos uma atitude diferente a todas as características que andam na contra mão das virtudes do Reino de Deus. Conscientize seus alunos para não se deixar levar pelas discórdias ou falhas de comunicação. Mostrando que devemos ser tolerantes uns para com outros no sentido de vivermos unidos na presença de Deus. Por isso, siga em frente! Não desista!

 Fonte: Revista Ensinador Cristão, Ano 18 - nº 69 – jan./fev./mar. de 2017. 

SUBSÍDIO II

INTRODUÇÃO

Dando prosseguimento ao estudo do Fruto do Espírito, e em comparação com as obras da carne, nos voltaremos na aula de hoje para a mansidão, a fim de evitar as pelejas. Nestas redunda a causa das discórdias, dentro e fora da igreja local. Inicialmente, destacaremos as consequências das pelejas. Em seguida, refletiremos a respeito do cultivo da mansidão enquanto aspecto do fruto do Espírito. Ao final, daremos orientações e exemplos para o desenvolvimento da mansidão na vida cristão.

1. PELEJAS, SUAS CONSEQUÊNCIAS

As discórdias e pelejas são características de pessoas que vivem debaixo da égide das obras da carne. A palavra grega para as discórdias é eritheiai, termo que também é utilizado para descrever desavenças. Caracteriza-se também por um desejo de colocar-se sobe os demais, através de um sentimento partidário e faccioso, demonstrando rancor. A esse respeito Tiago destaca que a sabedoria terrena que se opõe à sabedoria do alto é da natureza humana e diabólica, e essa se manifesta por meio da inveja (Tg. 3.14,15). Existem muitas pelejas na sociedade contemporânea, as pessoas estão se tornando cada vez mais competitivas, a meritocracia nem sempre funciona, e os mais fracos não têm vez. Até mesmo dentro das igrejas as pelejas prevalecem, como já acontecia nos tempos de Paulo. Há quem esteja disputando apenas cargos eclesiásticos, muitas coisas estão mudando nas comunidades de fé, não apenas os usos e costumes. A ganância foi institucionalizada, a politicagem foi assumida naturalmente, os obreiros perderam a simplicidade. Paulo denunciou esse tipo de comportamento entre os “obreiros” da sua época. Alguns deles pregavam a Cristo por “eritheias”, apenas por interesse pessoal. A política eclesiástica está maculando a imagem dos discípulos de Cristo, isso porque as discórdias e pelejas, manifestação de carnalidade, é uma chaga que corrói a unidade da igreja. Evidentemente existe espaço para a discórdia, e até mesmo para o debate, mas não para o desrespeito e a corrupção. As pessoas nas igrejas estão cada vez mais afeitas aos cargos, principalmente se deles puderem tirar proveito financeiro. Poucas querem realmente ser servos e servas, e se gastarem para a expansão do reino de Deus (II Co. 12.15).

2. CULTIVANDO A MANSIDÃO DO ESPÍRITO

A palavra mansidão no grego no Novo Testamento é praotes, e diz respeito à pessoa que se submete à vontade de Deus. A esse respeito o próprio Jesus dá testemunho: “Tomais sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para a vossa alma” (Mt. 11.29). Essa virtude também tem a ver com disponibilidade para aprender, de tal modo que aqueles que assim procedem, recebem “com mansidão a palavra em vós enxertada, a qual pode salvar a vossa alma” (Tg. 1.21). Os crentes devem cultivar essa virtude do fruto do Espírito, considerando que “se alguém chegar a ser surpreendido nalguma ofensa, vós, que sois espirituais, encaminhai o tal com espírito de mansidão, olhando por ti mesmo, para que não sejas também tentado” (Gl. 6.1). A partir do exemplo de Jesus, depreendemos que a mansidão não se trata de aceitação passiva do engano, pois o próprio Senhor foi contundente ao contrariar o erro (Jo. 2.13-16). Paulo também foi enfático ao declarar que podemos até nos irar contra as coisas erradas, mas não podemos permitir que sejamos conduzidos pelo ódio (Ef. 4.26). A mansidão é uma virtude que se manifesta na disposição para aceitar os desígnios de Deus, foi o que Jesus fez quando aceitou a cruz do calvário, e entregou a Sua vida como um cordeiro (Mt. 27.14). Aqueles que são mansos agem com benignidade (II Co. 10.1), são humildes diante do semelhante (Ef. 4.2), e demonstram sabedoria (Tg. 3.13), sobretudo diante das perseguições (I Pe. 3.1-6). Por isso, ao invés de revidar, ou tratar “na mesma moeda”, devemos aceitar o dano, e perdoar até mesmo aqueles que nos perseguem (Mt. 5.43,44).

3. VIVENDO EM MANSIDÃO

Há vários exemplos bíblicos de pessoas que foram guiadas por Deus para viverem em mansidão. Abraão talvez seja o mais destacado, pois decidiu não pelejar contra seu sobrinho Ló, antes decidiu perder, sabendo que poderia ganhar mais com Deus (Gn. 13.8,9). Por ter aprendido com seu pai Abraão, Isaque também não quis contender com seus inimigos. Ele preferiu não disputar os poços, ainda que saísse no prejuízo (Gn. 26.20-26), justamente por isso recebeu a benção do Senhor (Gn. 26.24). Moisés é outro exemplo de mansidão, reconhecido no texto bíblico como um “varão mui manso, mais do que todos os homens que havia sobre a terra” (Nm. 12.3). Paulo é um exemplo de mansidão, tendo em vista que aprendeu, através de um espinho na carne, a depender de Deus e da Sua graça, mesmo em tempos difíceis (II Co. 12.7). Espera-se dos pastores que ajam de igual modo, que não sejam rancorosos, que não incitem a contenda, que não se entreguem às pelejas. Antes que sejam “mansos para com todos, apto para ensinar, sofredor; instruindo com mansidão os que resistem, a ver se, porventura, Deus lhes dará arrependimento para conhecerem a verdade” (II Tm. 2.23-25). A abordagem predominante na sociedade, inclusive no ministério eclesiástico, é a de que as pessoas devem ser fortes. E se possível, devem se sobrepor às demais, justificando pelos seus méritos. Mas no reino de Deus deve ser diferente, os mais fortes são os mais fracos, são aqueles que aprenderam a depender de Deus, que não se impõem sobre os outros. Esse cristianismo moderno, fabricados pelas filosofias contemporâneas, distanciado das Escrituras, nada tem de cristão. As pelejas não podem ser naturalizadas, elas precisam ser combatidas, antes que envergonhem o evangelho.

CONCLUSÃO

O salmista declara que “os mansos herdarão a terra e se deleitarão na abundância de paz” (Sl. 37.11), e Jesus reforça que “os mansos herdarão a terra”, se referindo àqueles que são súditos do Reino de Deus. Precisamos cultivar urgentemente essa virtude do Fruto do Espírito, antes que venhamos a nos engolir uns aos outros (Gl. 5.15). A espiritualidade de uma igreja local é medida pela disposição de conviver com os diferentes, e de se aceitarem mutuamente no amor de Jesus Cristo. 

Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Extraído do Blog subsidioebd

COMENTÁRIO E SUBSÍDIO III

INTRODUÇÃO

Na lição de hoje, estudaremos mais um aspecto do fruto do Espírito, a mansidão. Veremos também as peleja como obra da carne e como a o posição à brandura. Para ser manso, o crente precisa ter outra virtude que é a humildade. A arrogância, assim como as pelejas, são obras da carne e quem as pratica não pode agradar a Deus, pois Ele abomina o altivo de coração (Pv 16.5). Na Palavra de Deus, os crentes são comparados às ovelhas. Por que tal alegoria? Porque as ovelhas são animais dóceis, mansos e submissos ao pastor (Jo 10.14,15). Se você é ovelha de Jesus, então aprenda a ser manso e humildade. Ouça a voz do Bom Pastor. [Comentário: A mansidão é um aspecto do fruto do Espírito que parece esquecido em nossa cultura agressiva e egocêntrica. A mansidão é mal compreendida e subestimada na sociedade de extremos de hoje - onde muitas vezes as pessoas tendem a reagir com raiva ou a reagir passivamente. Talvez por ser associada equivocadamente à fraqueza, hoje a maioria não admira os outros por serem "mansos". O Dicionário Online de Português PRIBERAM define assim: 1. Qualidade de manso. 2. Brandura de .gênio. 3. Quietação. 4. Lentidão, vagar (no .atuar)."mansidão", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://www.priberam.pt/dlpo/mansid%C3%A3o [consultado em 27-02-2017. Nem uma só destas palavras se aplica a Jesus Cristo ou mesmo a Moisés, que a Bíblia afirma que " E era o homem Moisés mui manso, mais do que todos os homens que havia sobre a terra." (Nm 12.3). Esses termos descrevem o rei guerreiro Davi, um homem muito amado por Deus? Ou Paulo, o apóstolo incansável, que corajosamente enfrentou perseguições perigosas e dolorosas? Não, porém, uma vez que compreendemos o que é a mansidão bíblica, podemos facilmente ver que esses homens eram de fato mansos. A mansidão, sendo um aspecto do fruto do Espírito, é um atributo do próprio Deus Todo-Poderoso e importante para o nosso ser conformado à Sua imagem e um verdadeiro testemunho de nossa regeneração. De fato, essa característica determinará em grande parte quanta paz e satisfação estão em nossas vidas e quão bem nós fazemos durante as provações.] Dito isto, vamos pensar maduramente a fé cristã?

I. MANSIDÃO, O OPOSTO DA ARROGÂNCIA

1. Mansidão não é covardia. Ser manso é ser humilde, amável e cortez. A mansidão, como fruto do Espírito, é uma atitude interior que nos leva a agir com graça e amor, mesmo diante de situações difíceis. Paulo, ao escrever a Segunda Epístola aos Coríntios, estava enfrentando uma situação muito difícil. Alguns falsos apóstolos estavam difamando-o, distorcendo suas mensagens, enfraquecendo sua autoridade e seu apostolado (2 Co 10—13). Contudo, o apóstolo agiu com mansidão e bondade para com os irmãos. Ele inicia a epístola falando a respeito do consolo que recebera de Deus e dos irmãos (2 Co 1.1-6). Muitos podem pensar que Paulo era um tanto rígido com os irmãos, mas ele era muito equilibrado. Quando era preciso usava de firmeza para com aqueles que, não querendo andar na verdade, desafiavam sua autoridade apostólica (1Co 4.21), mas, no trato com os crentes, era como uma paciente e amorosa ama (1Ts 2.7). [Comentário: Quando o apóstolo Paulo lista a "mansidão" como o oitavo aspecto do fruto do Espírito em Gálatas 5.23, ele usa o substantivo grego praotes - e "mansidão" é a tradução mais próxima para a palavra grega usada aqui. A mansidão é uma parte importante do amor verdadeiro. “O amor é sofredor, é benigno..., não se irrita, não suspeita mal” (1Co 13.4,5). É preciso coragem para ser manso e gentil neste mundo maligno. Se a mansidão não é covardia, então o que significa ser manso? Os dicionários definem como "gentil, submisso, manso, ou rendido". Mansidãonão é covardia ou fraqueza, mas sim poder sob controle. John MacArthur identificou três atitudes primárias que são ligadas à mansidão (prautēs) no Novo Testamento: (1) a Submissão à vontade de Deus (Cl 3.12); (2) capacidade de ensino (Tg 1.21), e (3) a consideração dos outros (Ef 4.2). A partir daí podemos entender que a mansidão é a atitude de coração que aceita as situações difíceis como boas, perfeitas e aceitáveis e não estão abertas para disputa ou resistência. Uma Ilustração que poderia elucidar esta questão é aquela do treinamento ou doma de um cavalo selvagem que Foi treinado para seguir as ordens do seu condutor. Diríamos que o cavalo foi "amansado". O treinador foi capaz de deixar aquele animal forte e poderoso sob controle – nesse sentido, diríamos que Paulo foi domado (At 22.1-16). O cavalo selvagem, quando domado, continua tendo tanta força e energia como antes, mas agora pode ser controlado. Ao defender seu apostolado, Paulo escreve em 2Co 1.12 que a sua base para alegrar-se e gloriar-se era a sinceridade e a integridade do seu comportamento. Ele tomara a resolução de que, por toda sua vida cristã, permaneceria fiel ao seu Senhor; recusar-se-ia a conformar-se com o mundo, que crucificou seu Salvador, e perseveraria na santidade, até Deus levá-lo para o lar celestial (Rm 12.1,2). Na vida eterna futura, nossa maior alegria será a consciência de termos vivido a nossa vida "com simplicidade e sinceridade de Deus", por Cristo nosso Salvador.]

2. Ser manso é ser corajoso. A mansidão não faz do crente um covarde ou tímido, mas permite que se oponha ao espírito da arrogância e viva de maneira que o nome do Senhor seja exaltado. Moisés era manso, mas, ao mesmo tempo, demonstrou força e coragem (Nm 11.15; 12.3). Jeremias era um forte proclamador das verdades divinas, mas disse que não passava de um manso cordeiro (Jr 11.19). [Comentário: Não devemos presumir que aquele que é identificado como sendo manso, seja incapaz de exercer justa indignação. Jesus se descreveu como sendo manso (Mt 11.29), no entanto, virou mesas no templo e distribuiu açoites – que coragem para fazê-lo! (Mt 21.12) - por conta da perversidade do pessoas. “Certamente ninguém afirmaria que Jesus estava sendo jactancioso ou orgulhoso quando disse: “sou manso e humilde de coração” (Mt 11.29). Jesus estava apenas declarando fatos. De igual modo, Moisés não estava se vangloriando ou se enchendo de orgulho pela sua mansidão. Não, ele estava simplesmente declarando um fato, porque isso era crucial para se Entender o significado dos evento que ele estava narrando. O capítulo 11 de números relata que depois que o Espírito do Senhor veio sobre Eldade e Medade, fazendo-os profetizar, Josué aproximou-se de Moisés e disse: “Moisés, meu senhor, proíbe-lho” (Nm 11:28). A resposta de Moisés é uma perfeita ilustração de sua mansidão: “Tens tu ciúmes por mim? Quem dera todo o povo do Senhor fosse profeta, que o Senhor lhes desse o seu Espírito!” (Nm 11:29). Moisés demonstrou ter o caráter de um homem manso, que não se irou porque Deus estava usando outros para profetizar; demonstrou ser humilde, não interessado em sua própria glória, mas somente na glória do Senhor. Quando Moisés foi confrontado por Miriã e Arão (12:1), ele não respondeu em defesa própria. Esta é uma característica da mansidão. Por que Moisés não falou com eles? Por que não lhes falou com franqueza? Por que Deus teve de falar com Miriã e Arão, em favor de Moisés? A explicação encontra-se em Nm 12:3. Moisés não estava lá para glorificar-se a si mesmo. Se ele tivesse respondido em sua própria defesa, estaria justificando as queixas que eles tinham feito contra a sua pessoa. Mas Moisés não era o líder do povo por ter tido qualquer espécie de ambição, nem por ter confiado em si mesmo, nem por exercer uma obstinada busca de subir ao poder. Ele foi escolhido por Deus. Assim, a passagem em questão é uma declaração quanto ao caráter de Moisés, que está simplesmente atestando um fato. Não é uma afirmação cheia de orgulho.Extraído do livro MANUAL POPULAR de Dúvidas, Enigmas e “Contradições” da Bíblia. Norman Geisler – Thomas Howe”. http://www.cacp.org.br/era-o-varao-moises-mui-manso/.]

3. A mansidão, fruto do Espírito. Como fruto do Espírito, a mansidão faz parte das qualidades que devem estar presentes na vida dos súditos do Reino de Deus (Mt 5.11). Jesus ensinou a mansidão e ofereceu o seu fardo a todos aqueles que estavam sofrendo com as cargas impostas pelo judaísmo, pelos romanos e por Satanás (Mt 11.29,30). Jesus era simples, humilde e dócil (Mt 11.29). As pessoas tinham prazer em estar ao seu lado. É muito difícil estar ao lado de pessoas altivas. Em geral, os altivos gostam de pelejas, pois acreditam que estão sempre com a razão e que são os donos da verdade. Você conhece alguém assim? Então, ore por ele (a) para que venha a se arrepender, ser cheio do Espírito Santo e desenvolver o fruto do Espírito. [Comentário: É perfeitamente apropriado que na Bíblia o Espírito Santo seja simbolizado pela pomba, Jesus pelo cordeiro e os Seus seguidores sejam simbolizados pela ovelha. Todos esses são símbolos que falam de mansidão – o fruto espiritual da mansidão. De todos os atributos que estamos analisando, provavelmente esse é o mais difícil de definir, porque estamos falando de uma atitude interior e não de algum ato externo. Mansidão ou o Amor Humilde é a característica que se opõe ao orgulho e tem a ver com humildade, mas não com passividade. Como já dito, consiste em moderação, paz e submissão, sem qualquer ideia de fraqueza ou sentimento de inferioridade. Nada há de covardia na mansidão. Na Bíblia vemos que ela está relacionada com coragem, fortaleza moral e resolução. Moisés era homem muito manso; mas, ao mesmo tempo estava sempre pronto a agir em momentos difíceis. É o Espírito Santo que age permitindo que os crentes sejam muito mais mansos e gentis do que jamais poderiam ser, como Paulo mostra em sua carta às igrejas da Galácia. Paulo sabia que os crentes haviam retrocedido e demonstravam atitudes hostis e conflitos pessoais. Ele escreveu: "Mas se vocês se mordem e se devoram uns aos outros, cuidado para não se destruírem mutuamente" (Gl 5.15). Ele os exortou a "por meio do amor, servirem uns aos outros" (Gl 5.13), lembrando-lhes: "Amarás o teu próximo como a ti mesmo" (Gl 5.14). Somos instruídos a vestir-nos com mansidão. Isto é algo que devemos buscar ativamente (1Tm 6.11), e usar como uma vestimenta divina. Paulo disse à igreja Colossense para “Portanto, como povo escolhido de Deus, santo e amado, revistam-se de profunda compaixão, bondade, humildade, mansidão e paciência”. (Cl 3.12); A mansidão produzida pelo Espírito Santo não é uma característica natural da personalidade, nem é ser omisso ou passivo diante dos problemas, tampouco ser uma pessoa que não tem opinião própria ou vive em cima do muro. Esse amor humilde, que só o Espírito pode gerar em nós por meio da Sua graça, é manifesto na nossa vida quando somos completamente submissos à Palavra de Deus (Tg 1.21,22).]

SUBSÍDIO DIDÁTICO

Professor, para iniciar o primeiro tópico da lição, providencie a figura de uma pomba, de um cordeiro e de algumas ovelhas. Você pode conseguir as figuras na internet ou recortar de revistas usadas que não sirvam mais. Mostre a figura da pomba e pergunte aos alunos: "O que vem a sua mente quando vocês veem a figura de uma pomba?" Ouça os alunos.
Em seguida, diga que a pomba é símbolo do Espírito Santo. Depois mostre a figura de um cordeiro e pergunte novamente o que vem a mente deles quando olham a figura. Diga que Jesus é apresentado nas Escrituras como o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (Jo 1.35).
Em seguida, mostre a figura das ovelhas. Diga que somos ovelhas do rebanho de Cristo, o Bom Pastor (Jo 10.14,15). Depois pergunte aos alunos: "O que esses animais têm em comum?" Ouça-os e incentive a participação de todos tornando a aula mais participativa. Explique que eles têm em comum o fato de serem animais dóceis, mansos. Conclua explicando que a mansidão é um aspecto do fruto do Espírito Santo que nos ajuda a evitarmos as pelejas e contendas.
II. EVITANDO AS PELEJAS E CONTENDAS

1. Pelejas e discórdias. Na língua portuguesa, tais palavras possuem quase o mesmo significado, porém no grego a palavra utilizada para discórdia é eritheiai que significa desavença e desarmonia. Esta palavra também é utilizada para descrever um mercenário, pessoa que luta por posição e glória. Paulo exortou os crentes da Galácia mostrando que as Inimizades, porfias, emulações, pelejas e dissensões são obra da carne (Gl 5.20). [Comentário: A peleja, da maneira como aparece na lista das obras da carne, sugere discórdia ou uma disputa política, busca por primazia, formação de grupos de interesses. Geralmente acontece quando alguém não concorda com um pensamento, com uma tese, com um ponto de vista e quer que o seu ponto de vista prevaleça. Então ele inicia uma campanha para conseguir adeptos de suas idéias. Na igreja em Corinto haviam os adeptos de Paulo, os de Apolo, os de Pedro e os de Cristo. Esse comportamento causa o enfraquecimento da unidade da igreja e gera grandes divisões. Este pecado é mais comumente praticado por líderes, por pastores. Quem não tem o poder ou não o aspira, dificilmente vai se envolver em pelejas, facções. Ou seja, pastores e líderes, em geral, podem praticar as obras da carne, geralmente, revestidos de um sentimento de estar lutando pelo crescimento da obra de Deus. Onde há peleja, não há corações puros. Um coração puro age como o de Abraão, que chamou seu sobrinho Ló e disse: "...Não haja contendas entre nós, porque irmão somos... Se fores para a direita irei para esquerda, se para a esquerda fores, eu irei para a direita... sem mágoas!"http://www.sandovaljuliano.com.br/site/estudos-biblicos/58-as-obras-da-carne-e-o-fruto-do-espirito/632-inimizades-porfias-emulacoes-e-pelejas. O Comentário do Novo Testamento: Aplicação pessoal. Vol.2 (CPAD) traz o seguinte: “Quando nos tornamos crentes, a nossa natureza pecadora continua existindo. Mas Deus nos pede que coloquemos a nossa natureza pecadora sob o controle do Espírito Santo de modo que Ele possa transformá-la. Este é um processo sobrenatural. Nunca devemos subestimar o poder da nossa natureza pecadora, e nunca devemos tentar combatê-la com as nossas próprias forças. Satanás é um tentador ardiloso, e nós temos uma capacidade ilimitada de inventar desculpas. Em lugar de tentar superar o pecado com a nossa própria força de vontade, devemos aproveitar o tremendo poder de Cristo. Deus permite a vitória sobre a nossa natureza pecadora — Ele envia o Espírito Santo para residir em nós e nos capacitar. Mas a nossa capacidade de resistir aos desejos da natureza pecadora irá depender do quanto estamos dispostos a 'viver de acordo' com o Espírito Santo. Para cada crente, este processo diário requer decisões constantes.” Comentário do Novo Testamento: Aplicação pessoal. Vol.2. Rio de Janeiro: CPAD, 2010, p. 294.]

2. Ações do homem carnal. Atualmente, muitos não estão lutando mais pela causa de Cristo, porém apenas por cargos e posições. Um dos sinais de que uma pessoa não está preparada para exercer o ministério cristão é quando manifesta um desejo incontrolável de, passando por cima de todos, alcançar postos e mandatos. O crente que é sábio, e tem dons ministeriais, espera com paciência e mansidão o momento de Deus. Ele não promove pelejas e nem faz politicagem para alcançar aquilo que é divino, pois tem consciência de que tais atitudes pertencem à velha natureza. [Comentário: O vocábulo grego “eritheiai” é o plural de “eritheia”, que significa uma distinção requerida, um desejo de colocar-se acima, um espírito partidário e faccioso, um sentimento de rancor, hostilidade e oposição baseado em inveja e implicando em rivalidade. “eritheia” também indica a feitura de algo com propósitos egoístas e com espírito faccioso. Antes do Novo Testamento, essa palavra é encontrada somente em Aristóteles, significando uma perseguição egoísta do ofício político por meios injustos... Tiago falou que a sabedoria terrena que se opõe à sabedoria do alto é própria da natureza humana e é diabólica (Tg 3.15), a qual se manifesta por meio dos sentimos de inveja amarga e de ambição egoísta (gr. “eritheian”) (Tg 3.14), como também mediante o espírito faccioso (gr. “eritheia”) (Tg 3.16). Em 2 Co 12.20, apóstolo Paulo disse que ia visitar a igreja de Corinto, mas quando chegasse lá não queria encontrar pecados de “eritheiai” (palavra grega traduzida por “ambição egoísta” na AS21 e por “discórdias” na ARA). A exemplo do que ocorrera entre os Filipenses, infelizmente muitos crentes estão caindo nesse tipo de pecado dentro das igrejas atuais, ao brigarem por cargos eclesiásticos e por reconhecimentos humanos, movidos pelos sentimentos de ambição egoísta e de rivalidade. Apóstolo Paulo afirmou, em Fp 1.17, que alguns pregam a Cristo por “eritheias”, ou seja, por “ambição egoísta” (NVI), “discórdia” (ARA) ou por “interesse pessoal” (NTLH). Para nos prevenir desse tipo de pecado, a Bíblia recomenda que a gente faça a obra de Deus sem interesse pessoal (gr. “eritheian”) e sem vaidade (Fp 2.3) Este texto foi extraído do artigo AMBIÇÕES EGOÍSTAS E CONTENDAS DE PALAVRAS, de autoria do Ev. Fábio Henrique. disponível emhttp://www.admossoro.com.br/reflexoes/ambicoes-egoistas-e-contendas-de-palavras/.]

3. Um espírito aguerrido. Ao crente não convém qualquer tipo de peleja ou porfia (2 Tm 2.24). Deus exige santidade do seu povo. Precisamos nos manter incorruptíveis, santos, sinceros e justos em um mundo de trevas (Fp 2.15). Aqueles que estão no mundo têm mentalidade e valores mundanos. Em geral, as pessoas incentivam os outros a brigarem, a contenderem por seus direitos, mas o cristão que tem a vida pautada nos ensinos de Jesus é diferente, pois o Mestre nos manda seguir a segunda milha e amar aqueles que nos perseguem (Mt 5.39-44). A única forma para combater a peleja é ser cheio do Espírito Santo (Ef 5.18). O Consolador nos ajuda a seguir os passos de Jesus Cristo. Ele jamais procurou ser famoso, mas era humilde e amoroso (Fp 2.5-8). A única forma para combater a peleja é ser cheio do Espírito Santo. [Comentário: Ao descrever este conjunto de opostos, Paulo nos lembra de verdades vitais e maravilhosas. O que não conseguimos fazer, Deus consegue e fará, tanto em nós quanto para nós. Nunca nos tornaremos as pessoas verdadeiramente boas que desejamos ser, tentando obedecer à Lei de Deus. Mas, nos tornamos gradativamente mais justas à medida que confiarmos no Espírito de Deus para nos orientar e capacitar" RICHARDS, Lawrence O. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento, 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2012, p. 414. Uma peleja que vale a pena é aquela para se manter incorruptível e justificado diante de Deus (Fp 2.15). Paulo não deixa dúvida em seu comentário final em Gálatas 5.21: "...a respeito das quais eu vos declaro, como já, outrora, vos preveni, que não herdarão o reino de Deus os que tais cousas praticam". Há uma ligação inegável entre nossa conduta e nossa salvação eterna. A pessoa que não permite ao Espírito mudar totalmente sua vida e remover tal carnalidade não receberá o prêmio de um lar eterno com Deus. Devemos ser transformados de dentro para fora (Rm 12.1-2).]

SUBSÍDIO TEOLÓGICO

CONTENDA
Palavra muitas vezes utilizada na Bíblia Sagrada. Foi utilizada em 1 Timóteo 1.6 na expressão 'vãs contendas' (Tt 1.10). Há versões que trazem a expressão 'discursos vãos'. Uma boa tradução da palavra é aquela que transmite a ideia de discussão. Evidentemente significa orgulho, presunção, faiar contra aquilo que Deus revelou e faiar contra o próprio Deus.
Várias palavras gr. e heb. são usadas para sugerir contenda, luta e briga, A contenda pode ser física, oral ou espiritual. Ela pode descrever a natureza de um homem (Jr 15.10; He 1,3). O orgulho pode trazer a contenda (Pv 13.10). Os cristãos são admoestados a evitar as brigas contenciosas (1Co 1.11; Tt 3.9). A intensa disputa entre Barnabé e Paulo (At 15.39) pode referir-se a mais um caso de irritação e incitamento interior do que a uma expressão exterior de contenda" (Dicionário Bíblico Wycliffe. 1.ed. Rio de Janeiro; CPAD, 2009, p. 448).

III. BEM-AVENTURADOS OS MANSOS

1. O Sermão da Montanha. Encontramos nos capítulos 5 a 7 do Evangelho de Mateus os princípios estabelecidos por Jesus para todos os que querem fazer parte do Reino dos Céus. Um dos princípios do Mestre é a mansidão (Mt 5.5). Os judeus estavam sob o jugo dos romanos, por isso, ansiavam por um messias que viesse fazer uma revolução e os libertasse da opressão política. Mas Jesus mostrou que seu reino não era desse mundo, e felizes não eram os que se envolviam em pelejas e motins, mas os mansos e os pacificadores. O que significa ser manso? Ser manso significa ser humilde e submisso a Deus. Significa que entregamos tudo ao Pai. No Sermão do Monte, há uma recompensa para os mansos: "[...] eles herdarão a terra" (Mt 5.5). [Comentário:“O erudito em grego W. E. Vine diz que, na Bíblia, a mansidão é uma atitude em relação a Deus “na qual aceitamos seu trato conosco como algo bom e, portanto, não discordamos ou resistimos”. Vemos isso em Jesus, que se deleitou em cumprir a vontade de Seu Pai. Vine prossegue, dizendo: “a mansidão manifestada pelo Senhor e ordenada àquele que crê é o fruto do poder… O Senhor era ‘manso’ porque tinha os recursos infinitos de Deus sob Seu controle”. Ele poderia ter chamado anjos do céu para evitar Sua crucificação. Jesus disse aos Seus seguidores cansados e sobrecarregados: “Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma” (Mateus 11:29). Ele foi o modelo perfeito de mansidão. Quando estamos cansados e atribulados, Jesus nos convida a descobrir a paz de confiar mansamente nele.” Este trecho foi extraído de: http://paodiario.org/2016/03/30/bem-aventurados-os-mansos-2/. A mansidão como bem-aventurança em Mt 5.5 assemelha-se à do Salmo 37.11 que diz: "Os humildes herdarão a terra e gozarão de paz e prosperidade" e, talvez esteja baseada nela. A mansidão aqui referida é de natureza espiritual! É uma atitude de humildade e submissão a Deus que somente os regenerados podem apresentar como característica. Nosso modelo de mansidão é Jesus, que se submete à vontade do Pai.]

2. Estevão um homem manso. Estevão era cheio de fé e do Espírito Santo. Diante dos seus algozes, ele se colocou de joelhos e clamou ao Senhor por eles dizendo:"[...] não lhes imputes este pecado [...]" (At 7.60). Se Estevão fosse um homem carnal, com certeza desejaria vingança e agiria com ira diante daqueles que o apedrejavam. Somente cheios do Espírito podemos permanecer mansos e tranquilos diante daqueles que desejam e executam o mal contra nós. [Comentário: Quando o trabalho de Estevão ficou conhecido, algumas pessoas se levantaram contra esse servo (At 6.8-14). Discutiam com ele, mas não conseguiam resistir seu ensinamento. Estevão pregava a verdade, mas esses homens não tinham a humildade bastante para admitir seus próprios erros. Ao invés de aceitar e apoiar o trabalho desse servo, os homens usaram táticas desonestas para opô-lo. Subornaram falsas testemunhas para provocar uma reação popular contra Estevão. Ele foi um exemplo de mansidão. Ao invés de praguejar ou vociferar contra seus agressores, orou por eles enquanto estava sendo apedrejado até morrer (At 7.59,60).]

3. A mansidão de Cristo. O Senhor Jesus sofreu as piores dores que um homem pode experimentar. Suas dores foram físicas e emocionais, mas em momento algum Ele abriu a boca para reclamar ou murmurar contra o Pai e contra aqueles que o maltratavam. O texto de Isaías afirma que "Ele foi oprimido, mas não abriu a boca; como um cordeiro, foi levado ao matadouro e, como a ovelha muda perante os seus tosquiadores, ele não abriu a boca" (Is 53.7). Como você age diante daqueles que o maltratam e querem o seu mal? Que venhamos a pedir ao Senhor mansidão. [Comentário: “Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém, um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado” (Hb 4.15-16). “Aquele que nos primeiros dias do Seu ministério disse: "Bem-aventurados os mansos", mais tarde também disse "Sou manso" (Mt.5v5; 11v29). Isso foi somente a prerrogativa dEle em poder dizer: "Sou manso", e ainda permanecer assim. Entre os homens, tal alegação à mansidão negaria aquela mansidão fingida. Os outros podem dizer que um homem é manso, mas quando aquele mesmo homem assim fala, deixa de ser a verdade. Com o amado Salvador era diferente. Ele podia dizer: "Sou manso" e ainda permanecer manso. Mansidão é o fruto do Espírito e desejamos ponderá-la na sua perfeição na vida do Senhor Jesus. Os grandes homens do mundo sempre desprezaram mansidão. Eles a confundiram com moleza e fraqueza. Os Faraós do Egito, os Reis da Babilônia, os Imperadores de Roma, os Príncipes da Pérsia, não toleravam mansidão. Mas mansidão não é fraqueza. De fato, mansidão é a verdadeira força e pode ser vista como tal no ministério do Salvador. Alguém o descreveu como "excesso de falta de raiva". A definição pode parecer incômoda, mas é certa. Houve tempos e ocasiões quando o nosso Senhor poderia estar irado. Houve circunstâncias que O tornaram assim (Mc3v5). Mas é dito de amor que não é facilmente provocado, e assim foi com o grande Amante das almas. Existe uma raiva em nós que pode vir de malícia e amargura. Isto é errado, embora que nós, às vezes, podemos também estar com a justa ira, sem pecar (Ef.4v26). Aquele Homem amado, manso e humilde era excessivamente sem ira e sempre desconhecedor da malícia. No Salmo 45, um salmo Messiânico predizendo os triunfos do Cristo, é profetizado do Messias, que Ele prosperaria na causa da verdade, mansidão, e retidão. Sem dúvida, há de ter um cumprimento milenial disso no futuro, mas era verdade durante a Sua estada entre nós. Ele pregava a verdade e vivia em retidão. Mansidão une os dois. Foi o Espírito no qual Ele pregava e vivia enquanto esteve aqui na terra. Outra vez, o profeta havia dito: "Eis que o teu Rei aí te vem, manso e assentado sobre uma jumenta". (Mt.21v5). Isto se cumpriu no dia em que o Salvador entrou em Jerusalém na jumenta, com roupas e ramos de árvores estendidos pelo caminho. "Hosana!" eles clamaram, "Hosana!" Mas o nosso Senhor sabia que a cruz estava perto, e Ele recebeu os seus louvores em mansidão. Ele, que um dia reinará e cavalgará em um cavalo branco em triunfo, assentou mansamente sobre uma jumenta, para ser crucificado dali a alguns dias (Veja Ap.19). Quão mansamente o Salvador tolerou os escárnios injustos dos Seus inimigos. "Odiaram-me sem causa", Ele podia dizer (Jo 15.25). Injustamente o acusavam, eram os Seus inimigos (Sl.69v4). Note quão mansa e gentilmente Ele respondia mesmo às injustiças. "Não dizemos nós bem que és samaritano, e que tens demônio?", eles O acusaram (Jo.8v48-49). "Não tenho demônio", Ele respondeu, mas sem referência aos samaritanos. Bem Ele podia ter dito "Não sou samaritano", mas em mansidão característica Ele não ofenderia. Afinal, uma vez ele viajou para Sicar para trazer salvação a uma samaritana (Jo.4). Mas será que realmente vemos a Sua mansidão quando O vemos no meio de inimigos cruéis acusando-O durante aquela última noite longa e solitária? Ele estava como um cordeiro levado ao matadouro. Ele estava como uma ovelha muda perante os seus tosquiadores. Como eles O despiram de tudo que era dEle, até as Suas próprias vestes, Ele era como a gentil corça da alvorada de Sl.22. Os touros de Basã e os cães de Roma O rodearam. Os líderes orgulhosos e arrogantes da nação e os soldados insensíveis de César O cercaram. No meio de tudo, o objeto da sua crueldade, Ele permaneceu em silêncio e sem queixa. Um tempo antes no jardim, Ele tinha dito a Pedro "Ou pensas tu que eu não poderia agora orar a meu Pai, e que Ele não Me daria mais de doze legiões de anjos?" (Mt.26v53). Mas, sabendo que tudo estava ao Seu comando, Ele suportou mansamente tudo que Lhe fizeram. E quando eventualmente eles O levaram para fora para morrer, e estenderam as Suas Mãos para cravá-las na cruz, em mansidão Ele disse: "Pai, perdoa-lhes" (Lc.23:34). Não foi isto verdadeira força? Foi bem cedo mesmo no Seu ministério que Ele tinha ensinado os Seus discípulos: "Amai os vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem" (Mt.5v44). Esta exortação foi parte daquele mesmo ministério no qual Ele tinha dito "Bem-aventurados os mansos"(Mt.5v5). Quão literalmente Ele cumpriu as instruções que Ele tinha dado aos Seus, enquanto Ele orou pelos que estavam fisicamente O pregando naquela cruz. É gostoso notar que no mesmo Salmo do Seu sofrimento lemos "Os mansos.....se fartarão" (Sl.22v26). O Príncipe de Sofredores um dia será recompensado pela Sua mansidão, porque "Os mansos herdarão a terra" (Sl.37v11). Ele regerá e reinará quando os reis da terra já passaram e são esquecidos. Que nós, que O amamos e que desejamos ser semelhantes a Ele, sejamos sempre achados em "humildade e mansidão"; "modestos, mostrando toda a mansidão para com todos os homens" (Ef.4v2; Tt.3v2). Bem-aventurados são os mansos.”http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/licao9-ofrutodoespirito-mansidao-ofrutodaobediencia.htm] Sugiro a leitura da Lição 9 - O Fruto Do ESPÍRITO - MANSIDÃO - o Fruto Da Obediência, no link:http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/licao9-ofrutodoespirito-mansidao-ofrutodaobediencia.htm

SUBSÍDIO TEOLÓGICO

A mansidão é essencial para o ministério eficaz ao Senhor. Deus nos escolheu para representá-lo perante um mundo perdido e agonizante. O que o mundo vê em nós que atrai as pessoas a Jesus Cristo. Todos os aspectos da mansidão — submissão, elementos necessários de nosso testemunho e serviço cristão, quer testemunhando para os perdidos, fazendo discípulos para Jesus ou restaurando um irmão fraco" (GILBERTO, António. O Fruto do Espírito: A plenitude de Cristo na vida do crente. 2.ed. Rio de Janeiro: CPAD,2004 p. 112).

CONCLUSÃO

Evitemos todo tipo de peleja, pois já somos novas criaturas (Jo 3.3). Sejamos mansos e humildes de coração, sempre seguindo o exemplo de nosso Salvador, procurando em tudo glorificar o seu nome. [Comentário: Como vimos ao longo deste comentário, mansidão é uma disposição do caráter que aceita, sem discutir, a verdade e a vontade de Deus. É uma postura dócil de completa submissão e aprendizado em Cristo (Mt 11.28), logo, só pode ser fruto da atuação do Espírito Santo no crente. Enfatizo que não se trata de simples obediência, passividade ou indolência, mas de transformação moral segundo à obediência de Cristo (1Pe 1.2). Segundo Paulo, aquele que não é capaz de ser manso e se submeter aos seus pastores não é digno da comunhão cristã (2Ts 3.14). Uma virtude que faz parte do caráter de Jesus não pode ser transformada em defeito pelo mundo e pelo diabo. É mentira que o manso é um covarde, que é uma pessoa de caráter fraco, que se deixa levar pelos outros, pelo contrário, o manso é uma pessoa dominada pelo Espírito Santo, que tem um caráter riquíssimo, que sabe dosar as atitudes com a necessária resposta, que tem domínio próprio e que está mais perto, muito mais perto, do perfeito caráter de Jesus.] “NaquEle que me garante: "Pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus" (Ef 2.8)”.

Francisco Barbosa

Disponível no blog: auxilioebd.blogspot.com.br

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

LIÇÃO 9: FIDELIDADE, FIRMES NA FÉ


SUBSÍDIO I

Na lição de número 9, estudaremos a fidelidade, contrapondo com a idolatria, uma das obras da velha natureza. Fidelidade é uma característica daquele que é fiel, leal e que demonstra zelo pelo Senhor. Lealdade também está relacionada à fé, pois são duas palavras cognatas, ou seja, vem da mesma raiz. Podemos definir fé como o “firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que se não veem” (Hb 11.1). É a confiança que temos em Deus. Porém, o significado da palavra fé é amplo. Por isso, é importante destacar alguns aspectos da fé:
a) Fé natural – “Confiança desenvolvida em virtude da íntima comunhão que o crente mantém com o Espírito Santo (Gl 5.22). É uma fé constante e regular que independe das circunstâncias (Hb 3.17,18). Não é uma fé miraculosa; ela nasce como resultado de um relacionamento com o Senhor Jesus.”1
b) Fé salvadora – “Proveniente da proclamação do Evangelho, esta fé leva-nos a Cristo como o nosso único e suficiente Salvador (Jo 3.16). Ao contrário da fé natural, que brota através do labor filosófico, a fé salvadora só há de nascer no coração humano através da pregação do Evangelho (Rm 10.13). Sem a mensagem da cruz, não pode haver fé salvadora.
c) Dom da fé – “Capacidade sobrenatural concedida pelo Espírito Santo, através da qual o crente é levado a exercer a fé de maneira extraordinária (1 Co 12.9; 13.2), visando a expansão do Reino de Deus. O dom da fé induz o crente a fazer grandes petições, e a receber, de igual modo, grandes respostas. Esse carisma porém, não é para ser utilizado em favor de quem o possui; deve visar, antes de mais nada, à expansão do Reino de Deus”.
d) Fruto da fé – Confiança desenvolvida em virtude da íntima comunhão que o crente mantém com o Espírito Santo (Gl 5.22). É uma fé constante e regular que independe das circunstâncias. Não é uma fé miraculosa; ela nasce como resultado de um singular relacionamento com o Senhor Jesus.”
Essas definições nos ajudam a compreender que a fidelidade, fruto do Espírito, abrange a ideia de lealdade, sinceridade e integridade. A fé é o antídoto que nos preserva da idolatria. Idolatria não se fere somente a imagens de escultura, mas é tudo aquilo que ocupa o lugar de Deus em nossos corações. A palavra idolatria é oriunda de eidolon, e latreia, “serviço sagrado, culto, adoração. Tal prática é pecaminosa e quem a comete está roubando e negando a soberania de Deus. Por isso, o primeiro dos Dez Mandamentos é “não terás outros deuses diante de mim” (Êx 20.3). Os quatro primeiros mandamentos são uma referência ao nosso relacionamento com Deus e segundo o Comentário Bíblico Moody “o primeiro mandamento resguarda a unidade de Deus, o segundo a sua espiritualidade, e o terceiro sua divindade ou essência”. 
Para mostrar o quanto a idolatria é prejudicial à fé cristã, copia no quadro o esquema abaixo e leia com os alunos as referências.

Deus proíbe a fabricação de ídolos e deuses de fundição
Lv 19.4
A adoração a Deus deve ser sem imagens e sem figuras
Dt 4.12
Somente Deus deve ser adorado e a Ele devemos servir
Mt 4.10
Deus é espírito e deve ser adorado em espírito e em verdade
Jo 4.24
Deus não habita em templos feitos por mãos humanas
At 17.24,25
O combate à idolatria é mantido pelo apóstolo João
1 Jo 5.21
(Extraído de SOARES, Esequias. Os Dez Mandamentos: Valores divinos para uma sociedade
em constante mudança. Rio de Janeiro: CPAD, 2015, p. 27).

Sugestão didática:
Explique aos alunos que o primeiro mandamento divino ensinava aos israelitas quanto à idolatria. Eles eram o povo escolhido por Deus para revelá-Lo às demais nações pagãs que estavam ao redor. Por isso, deveria adorar somente a Ele de todo o coração a fim de que todas as nações soubessem que o Todo-Poderoso é único. O povo de Deus jamais poderia esquecer que quem os resgatou da escravidão do Egito foi o Senhor. Agora suas vidas pertenciam não mais a Faraó, mas ao Criador e Libertador. Explique aos alunos que assim como Deus libertou Israel e tornou-se o seu Senhor, Jesus Cristo nos redimiu e nos libertou mediante o seu sacrifício na cruz. Agora pertencemos a Ele e devemos adorá-Lo em espírito e em verdade (Jo 4. 23).
Material: Figura de revistas usadas: casa, carro, filhos, líderes evangélicos, crianças.
Procedimento: Mostre as figuras, uma a uma, para a sua turma. Pergunte se estas figuras têm relação com idolatria. Incentive a participação e ouça os alunos. Em seguida pergunte: “O que é idolatria?” Ouça os alunos com atenção. Diga que idolatria é o amor excessivo por alguma pessoa ou objeto. Mostre a figura da casa e explique que sua casa pode se tornar um ídolo. Seu carro também pode se tornar um ídolo. (Mostre todas as figuras dizendo que podem se tornar ídolos.) Qualquer coisa que tome o lugar de Deus em nossos corações é idolatria. Muitos, erroneamente, pensam que idolatria é adorar somente imagens. Mostre que Deus tem aversão à idolatria, por isso encontramos várias referências tanto no Antigo como em o Novo Testamento que nos mostram que precisamos evitá-la. Conclua lendo com seus alunos os seguintes textos bíblicos: Dt 4.23,24; 6.14; Js 23.7; Jz 6.10; 2 Rs 17.35,37,38; 1 Co 10.7,14; Cl3.5; Ap 22.15.

Telma Bueno
Editora responsável pela Revista Lições Bíblica Adultos

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FIDELIDADE, FIRMES NA FÉ

A lição nove aborda sobre a oposição entre fidelidade x idolatria e heresia. O tema é bem contemporâneo, pois nunca estivemos diante de tantas invencionices em nome da pessoa do Senhor Jesus. São doutrinas, estratégias evangelísticas e músicas que nada têm a ver com o Evangelho do nosso Salvador. Por isso, é importante compreendermos bem o primeiro termo de nossa lição: fidelidade.
O significado da palavra fidelidade, conforme se encontra na epístola de Paulo aos Gálatas, se refere a lealdade. Mas é importante ressaltar que, na epístola aos Gálatas, mais precisamente no capítulo quatro e no versículo seis, aparece uma queixa de Paulo pela falta de fidelidade dos gálatas em relação ao Evangelho. Lembre que o apóstolo iniciou a carta lamentando a atitude dos crentes da cidade de Gálatas: “Maravilho-me de que tão depressa passásseis daquele que vos chamou à graça de Cristo para outro evangelho, o qual não é outro, mas há alguns que vos inquietam e querem transtornar o evangelho de Cristo” (Gl 1.6,7). Logo, podemos afirmar que o apóstolo Paulo está recomendando fidelidade e lealdade dos gálatas a Deus e sua vontade. Ora, a vontade de Deus é revelada em sua Palavra. Esta nos dá o norte, a direção e a orientação para vivermos abundantemente na presença dEle.
A idolatria conforme está posta na carta aos Gálatas não se refere somente à adoração de imagens, mas a qualquer prática condenatória em relação aos ídolos. Um exemplo é o que está relacionado em 1 Coríntios 10.14-16 e Colossenses 3.5, onde o apóstolo recomenda a não participarmos de um banquete oferecido aos ídolos. Entretanto, a recomendação aos colossenses aprofunda mais ainda a questão, trazendo à tona a avareza, isto é, o apego ao dinheiro e às coisas materiais como idolatria. Isto vai à contramão da lealdade ao Senhor. Acompanhada da idolatria, vem a heresia. Heresia representa assumir um postulado de ensino totalmente oposto ao que você recebeu outrora, ou seja, o Evangelho de Jesus Cristo recebido pelo Espírito Santo, por intermédio da tradição dos santos apóstolos. Aqui, a nossa fidelidade e lealdade para com Deus, o nosso Pai, também são testadas.
Portanto, após expor o conceito desses três termos — Fidelidade, Idolatria e Heresia — faça uma reflexão com os alunos a respeito da fidelidade ao Evangelho do Senhor Jesus Cristo. Encoraje-os a perseverarem no ensino do Evangelho! Boa aula!

 Fonte: Revista Ensinador Cristão, Ano 18 - nº 69 – jan./fev./mar. de 2017. 


SUBSÍDIO II

INTRODUÇÃO

Na aula de hoje daremos continuidade aos estudos sobre o Fruto do Espírito e as obras da carne. Desta feita, nos voltaremos para a fidelidade, uma virtude necessária a todo cristão, sobretudo nos momentos de adversidade. Estudaremos também a idolatria e as heresias, enquanto obras da carne, que distanciam as pessoas de Deus. Inicialmente destacaremos a condição idólatra do ser humano caído, em seguida, enfocaremos a fidelidade, como uma convicção alicerçada na Palavra de Deus, e gerada em nós pelo Espírito Santo.

1. O PERIGO DA IDOLATRIA E HERESIAS

A palavra idolatria, no grego do Novo Testamento, é eidololatria e tem a ver ao culto direcionado aos ídolos. O ser humano caído é propenso a se prostrar perante deuses falsos, quando não transforma a si mesmo em um deus, como quiseram fazer Adão e Eva no Éden. Está na natureza pecaminosa querer se colocar acima de Deus, bem como materializar sua adoração através de objetos. Até mesmo os israelitas, que receberam a revelação do Senhor, e deveriam se conduzir pela Torah, foram tentados a se prostrar perante deuses fabricados (I Sm. 12.21; Sl. 115.4). Ainda nos tempos de Moisés, quando este subiu ao Sinal, para receber o decálogo, o povo construiu um bezerro de ouro para adorar (Ex. 31.1-18). A política dos homens também se aproveita da idolatria do povo, nos tempos Jeroboão foi construído um sistema religioso, a fim de institucionalizar a idolatria em Israel (I Rs. 12.26-33). No Novo Testamento Paulo se deparou com essa prática religiosa, ele mesmo foi confundido com um dos deuses do panteão, sendo chamado de Mercúrio (At. 14.11-13). Ao passar por Atenas, o Apóstolo ficou impressionado com a quantidade de deuses, principalmente com a religiosidade idólatra das pessoas daquele lugar (At. 17.23). A idolatria é um tipo de heresia, se essa for considerada uma rejeição voluntária da fé, e pode também ser encontrada nos arraiais evangélicos. É bastante comum encontrar adeptos do movimento gospel adorando celebridades, e se prostrando perante supostos pregadores e cantores. As heresias estão se espalhando em algumas agremiações religiosas, algumas delas se dizem evangélicas, mas não passam de sincretismo religioso. Nos movimentos pseudopentecostais, o deus da ganância está sendo adorado, a espiritualidade é mensurada pelos recursos financeiros que alguém dispõe. Isso também é uma heresia, e se manifesta na forma de idolatria, por isso deve ser rechaçada.

2. DEMONSTRANDO FIDELIDADE A DEUS

Devemos ser fieis a Deus, mesmo que as situações não sejam favoráveis, ainda que Ele nos mate, como declarou Jó (Jó. 13.15). Nas palavras poético-proféticas de Habacuque, “ainda que a figueira não floresça” (Hc. 3.17). Essa é uma virtude do Fruto do Espírito, e diz respeito a demonstração de firmeza diante de Deus, mesmo em momentos de adversidades, sobretudo em tempos de perseguição e provação. A palavra grega é pistis, que dependendo do contexto, pode se referir à fé salvífica (Ef. 2.8,9), como crença (At. 6.7), bem como ao dom da fé (I Co. 12.9). Ainda que algumas versões traduzam essa virtude do fruto do Espírito como “fé” o mais apropriado é verter como “fidelidade”, para diferenciar de outros usos desse termo, considerando os diversos contextos em que ocorrem. A fidelidade é uma manifestação de convicção fundamentada na Palavra de Deus (Rm. 10.7). A atuação da fé na vida dos crentes é um dos temas centrais do autor da Epístola aos Hebreus, a fim de consolidar a firmeza dos crentes em meio à perseguição. Para esse autor, a fé é firme fundamento das coisas que se esperam, mas que não podem ser vistas (Hb. 11.1). E mais, sem esse tipo de fidelidade, é impossível agradar a Deus (Hb. 11.6). Deus é o maior exemplo de fidelidade, de modo que podemos reter “firmes a confissão da nossa esperança, porque fiel é o que prometeu” (Hb. 10.23). Esse é o fundamento da nossa bendita esperança, temos a convicção que Deus fará tudo o que prometeu. Por esse motivo, podemos seguir adiante, sem temer os percalços existenciais, sem perder o foco. Quando o Espírito produz essa virtude em nós, somos impulsionados a prosseguir, esquecendo as coisas que para tras ficam, seguirmos rumo ao prêmio da soberana vocação, que se encontra em Cristo Jesus (Fp. 3.13-14). Ainda que os dias sejam difíceis, sabemos que as aflições do tempo presente não se comparam com a glória que em nós haverá de ser revelada (Rm. 8.18).

3. INSPIRANDO-SE NOS EXEMPLOS BÍBLICOS

O autor da Epístola aos Hebreus diz que pela fidelidade “os antigos alcançaram testemunho” (Hb. 11.2). No capítulo 11 dessa Epístola o autor discorre sobre uma nuvem grande testemunhas, que nos motivam a permanecer fiéis, para que não venhamos desperdiçar tão grande salvação (Hb. 2.1-3). Devemos nos inspirar nos exemplos de José, destacado homem de Deus, que se mostrou fiel, mesmo em tempos difíceis (Gn. 37-38), bem como no de Daniel, o servo do Senhor que, mesmo em terras estranhas, não fez concessões em relação a sua fé (Dn. 6). Os apóstolos do Novo Testamento também deixaram um legado de fidelidade para os crentes contemporâneos, que foram ousados diante das ameaças das autoridades religiosas e políticas do seu tempo (At. 4.18-20). A galeria dos heróis da fé de Hb. 11 deve servir de inspiração, de modo que “nós também, pois, que estamos rodeados de uma tão grande nuvem de testemunhas, deixemos todo embaraço e o pecado que tão de perto nos rodeia e corramos, com paciência, a carreira que nos está proposta” (Hb. 12.1). A fidelidade a Deus não deve depender das circunstâncias, é possível que como Jó venhamos a murmurar diante da dor, mas sabemos que o Senhor está no comando das situações. Como diz o hino sacro, “serei fiel, precioso Jesus, serei fiel”, mas para que isso venha a acontecer, devemos nos deixar guiar pelo Espírito Santo. É com Ele que seremos capazes de enfrentar as intempéries da vida, de modo que não venhamos a desfalecer, ainda que nossas forças sejam poucas. Somente nEle podemos todas as coisas, seja nos momentos de abundância ou escassez, seja nas horas de alegria ou de tristeza (Fp. 4.13).

CONCLUSÃO

A fidelidade a Deus é condição necessária para que possamos agradá-LO, mas essa somente é produzida ao longo da experiência, resultante das adversidades enfrentadas na vivência cristã. É assim que o Espírito trabalha em nós produzindo essa virtude, que se manifesta não apenas em relação a Deus, mas também ao próximo. É isso que Deus requer de nós, que sejamos despenseiros fieis (I Co. 4.2), e assim nos manteremos distantes dos ídolos, e das heresias, que tendem a nos afastar do verdadeiro Deus.

Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Extraído do Blog subsidioebd

COMENTÁRIO E SUBSÍDIO III

INTRODUÇÃO

Nesta lição, estudaremos outro aspecto do fruto do Espírito, a fidelidade. Veremos também a idolatria e as heresias como obras da carne e como oposições, ou seja, contrárias à fidelidade. Como novas criaturas, precisamos crer e confiar em Deus de todo o coração, pois a nossa fé vai nos ajudar a permanecer fiéis até o dia em que nos encontraremos com o Senhor. Aquele que realmente crê no Pai e no Filho não se deixa levar por qualquer sorte de doutrina, pois está sempre vigilante e atento à voz do Senhor. [Comentário: Fidelidade é uma das palavras mais empregadas na Bíblia. Está relacionada à probidade, integridade, fidedignidade, lealdade, honestidade e sinceridade. Frequentemente ela é associada a Deus, cujo atributo mais caro ao ser humano é precisamente a Sua fidelidade, pelo que muitas vezes é chamado de Rocha, numa indicação de Sua imutabilidade (Dt 32.4). Como aprendemos no Novo Testamento, “fiel é Deus, pelo qual fostes chamados à comunhão de seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor” (1Co 1.9). Nele, fidelidade é a Sua persistência no propósito de ser misericordioso e bondoso para conosco. Como o salmista, sabemos que a Sua “misericórdia se eleva até aos céus e a Sua fidelidade, até às nuvens” (Sl 57.10). Por isto, cada um de nós pode elevar a Ele a sua voz em termos semelhantes ao dos Salmos 69.13 e 89.1. Tal é essa verdade que, em Deus, misericórdia e fidelidade são sinônimas. Como fruto de Espírito, fidelidade (Gr. Pistis; fé, lealdade constante e inabalável a alguém com quem estamos unidos por promessa. A fé é o princípio vivo, a essência das coisas que se esperam e a certeza das coisas que se não veem (Hb 11.1). É a dependência absoluta e a confiança na Palavra de Deus e de Cristo (Mt 15.28). É entregar-se a um novo modo de vida, é uma das coisas mais importantes na vida de todo cristão: "ai de vós escribas e fariseus hipócritas! Pois que dais o dizimo da hortelã e endro e do cominho e desprezais o mais importante da lei, juízo, a misericórdia e a fé.”(Mt 23.23).]

I. O SIGNIFICADO DE FIDELIDADE

1. Definição. Fidelidade, segundo o Dicionário Houaiss é a “característica do que é fiel, do que demonstra zelo, respeito por alguém ou algo, lealdade”. Logo, podemos afirmar que a fidelidade é a característica de quem é leal. [Comentário: Em termos bíblicos, fidelidade é uma convicção e não um sentimento; é uma decisão de permanecer firme no propósito que Deus tem para cada um de nós, sem jamais fraquejar ou desistir, porque no final de tudo há um galardão: a vida eterna. Assim, fidelidade é um exercício da fé, é serviço prestado a Deus a despeito de qualquer situação, como Tiago escreve: “Bem - aventurado é o homem que suporta a provação com perseverança, porque após ter sido aprovado receberá a coroa da vida a qual o Senhor prometeu para aqueles a quem Ele ama” (Tg 1.12). Quando temos fé em Deus, agimos com fidelidade; os atos de fidelidade são a demonstração de nossa fé e as linhas que dão coesão ao nosso sistema de crenças e comportamento.]
2. A fidelidade como fruto do Espírito. Já vimos que a fidelidade é a característica de quem é leal, mas, como fruto do Espírito, tal virtude é desenvolvida em nós pela ação do Espírito Santo (Gl 5.22). À medida que confiamos em Deus e passamos a ter uma maior comunhão com Ele, mediante a leitura da Palavra, oração e jejum, desenvolvemos o fruto do Espírito. [Comentário: Como dito acima, fidelidade é a característica de quem possui fé. A fé que não conduz o crente à fidelidade, não tem valor nenhuma para a prática na vida cristã, portanto é uma fé morta (Tg 2.14-26). Nas Escrituras Sagradas vemos Deus a procura de pessoas fiéis para habitar com Ele(Sl 101.6). Temos que ser fiéis em tudo, pois Deus habita em nós e Ele é fidelidade: “Eis a Rocha! Suas obras são perfeitas, porque todos os seus caminhos são juízo; Deus é fidelidade, e não há nele injustiça; é justo e reto.”(Dt 32.4). A fidelidade como parte do fruto do Espírito, faz do cristão uma pessoa confiável e sua palavra digna de crédito. Essa virtude torna o cristão capaz de manter-se fiel ao Senhor em quaisquer circunstâncias. Implica em ser fiel a Deus ainda que nos custe a vida. É sempre ter em mente a fidelidade a Deus acima de qualquer outra autoridade ou poder – “Todavia, não me importo, nem considero a minha vida de valor algum para mim mesmo, se tão-somente puder terminar a corrida e completar o ministério que o Senhor Jesus me confiou, de testemunhar do evangelho da graça de Deus” (At 20.24). A fidelidade como parte do fruto do Espírito é imprescindível ao cristão em seu relacionamento com Deus, com os outros e consigo mesmo. Através da fidelidade, tornamo-nos diferentes dos outros que não temem a Deus. O Senhor está procurando os fiéis para andarem com ele e servi-lo (Sl 101.6).]
3. A fidelidade de Deus. Fidelidade é um dos atributos morais de Deus. Ele é fiel em sua natureza (2Ts 3.3). O Deus que é fiel, pela sua graça, nos salvou e nos deu uma nova vida a fim de que tenhamos comunhão com Ele e com o seu Filho (1Co 1.9). Como filhos de Deus e novas criaturas, precisamos ter para com Deus a mesma atitude de lealdade que Ele tem para conosco. A nossa fidelidade ao Senhor nos ajuda a resistir à idolatria e às heresias que tão de perto nos rodeiam. É importante ressaltar que idolatria não é somente adorar imagens de escultura, mas é tudo que toma o lugar de Deus em nossos corações, sejam pessoas, sejam objetos. Que Deus ocupe sempre o primeiro lugar em nossas vidas. Muitos infelizmente têm deixando que os bens materiais, os talentos e os cargos eclesiásticos ocupem o lugar em seus corações, lugar que deve ser somente do Pai (Dt 6.5). Que o Senhor nos livre de cometer tal loucura. [Comentário: “Saberás, pois, que o Senhor teu Deus, ele é Deus, o Deus fiel”. (Dt 7.9). A fidelidade é um atributo da Trindade; consiste no exato cumprimento de Suas promessas e/ou ameaças. A fidelidade fundamenta-se na Sua onipotência e imutabilidade (Dt 7.9; Sl 36.5; 1Co 1.9; Hb 10.23; Dt 4.24; 2Tm 2.13 1Ts 5.24; 1Pe 4.19; Hb 10.23). Deus Pai é fiel (Dt 7.9; 1 Co 10.13); o Senhor Jesus é chamado “Fiel e Verdadeiro” (Ap 19.11); e o Espírito Santo tem o mesmo atributo (Gl 5.22). Deus se veste de fidelidade. A fidelidade faz parte de Sua natureza pessoal (Is 11.5). É uma bênção perene para o crente fiel, mas ela é ineficaz para com aqueles que resistem à sua graça (ver 2.13, 2 Tm 2.13). A fidelidade de Deus, juntamente com Seu imenso poder é nossa esperança eterna. Podemos enfrentar a infidelidade e decepções em nossos relacionamentos, mas podemos confiar além destas e avistarmos Um que é grande em fidelidade, “Porque fiel é o que prometeu”. (Hb 10.23) - O que Ele propôs, isto fará, e o que prometeu, isto executará. A respeito de Deus lemos que “Se formos infiéis, ele permanece fiel; não pode negar-se a si mesmo” (2Tm 2.13). Isto significa que Ele efetuará tudo o que propôs. Romanos 8.28 diz que tudo opera para o bem dos que amam a Deus e são chamados segundo seu propósito.]

SUBSÍDIO TEOLÓGICO

“Fidelidade
Esta palavra é corretamente traduzida em Romanos 3.3 (fidelidade). Em Gálatas 5.22, a ARA corrige fé (ARC) por fidelidade.
Fé, pistis, primeiramente, ‘persuasão firme’, convicção fundamentada no ouvir (cognato de peitho, ‘persuadir’, sempre é usado no Novo Testamento acerca da ‘fé em Deus ou em Jesus, ou às coisas espirituais’. A palavra é usada com referência: (a) à confiança (por exemplo, Rm 3.25); (b) à fidedignidade, fidelidade, lealdade (por exemplo, Mt 23.23); (c) por metonímia, ao que é criado, o conteúdo da crença, a fé (At 6.7); (d) à base para a ‘fé’, a garantia, a certeza (At 17.31); (e) a um penhor de fidelidade, fé empenhada (1Tm 5.12).
Os principais elementos da fé em sua relação com o Deus invisível, em distinção da fé no homem, são ressaltados sobretudo no uso deste substantivo e do verbo correspondente, pisteuo. Tais elementos são: (1) uma firme convicção, produzindo um pleno reconhecimento da revelação ou verdade de Deus (por exemplo, 2Ts 2.11,12); (2) uma entrega pessoal a Ele (Jo 1.12); (3) uma conduta inspirada por tal entrega (2Co 5.7)” (Dicionário Vine: O significado exegético e expositivo das palavras do Antigo e do Novo Testamento. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2002, p.648).

II. IDOLATRIA E HERESIA: um perigo à fidelidade

1. O que é idolatria? O vocábulo idolatria, no grego, é eidololatria e significa culto destinado a adoração de ídolos. A idolatria aparece na relação de obras da carne apresentada por Paulo aos Gálatas (Gl 5.20). Ela é proveniente da falta de conhecimento das Escrituras e de Deus, pois quem conhece a Bíblia sabe que tal prática é condenada pelo Senhor (Lv 26.1; 1Sm 12.21; Sl 115.4; At 15.20; 1Jo 5.21). Os israelitas, embora tivessem visto de perto a glória e o livramento de Deus, por diversas vezes se deixaram levar pela idolatria. Ainda na travessia do deserto, quando Moisés estava no monte Sinai para encontrar-se com o Senhor, o povo fez um bezerro de ouro e o adorou (Êx 32.1-18). Já no período monárquico, depois da morte de Salomão e a divisão do reino, todos os reis do Reino do Norte fizeram o que era mal aos olhos do Senhor, levando o povo à adoração de ídolos (1Rs 16.25,30; 22.52-54; 2Rs 3.3). Jeroboão fundou um sistema religioso idólatra, mandando fazer dois bezerros de ouro, institucionalizando a idolatria em Israel (1Rs 12.26-33). [Comentário: O termo “idolatria” vem de eidolon, “ídolo”, e latreia, “serviço sagrado, culto, adoração”. Idolatria é a forma pagã de adoração a ídolos, de adorar e servir a outros deuses ou a qualquer coisa que não seja o Deus verdadeiro. É prática incompatível com a fé judaico-cristã, pois nega o senhorio e a soberania de Deus. Moisés e os profetas viam na idolatria a destruição de toda a base religiosa e ética dos israelitas, além de negar a revelação (Dt 4.23-25). Podemos definir idolatria em um sentido mais abrangente, como qualquer dedicação ou amor excessivo prestado a alguém ou algo sem ser Deus; em outras palavras: colocar Deus em segundo plano. Idolatrar se refere ao reconhecimento público dado aos “deuses”, ou ainda ao reconhecimento público de que algo é mais valioso do que Deus para uma pessoa, ainda que muitas vezes não declare isso, mais os seus gestos demonstrem. Esse pecado era considerado pelos judeus como o motivo básico da corrupção do homem aquele que aliena o homem de Deus, servindo de alicerce para todos os demais pecados. (Rm 1.18-32). A idolatria é uma obra da carne (1Co 8.4-6 e 1Co 10.19-21, 1Co 5.10). Mediante a idolatria a natureza humana não regenerada cria suas divindades segundo a imagem humana e conforme os desejos mundanos, edificando uma teologia capaz de racionalizar a maneira como os pagãos viviam e como tencionavam continuar vivendo. Por todo o discurso da história da humanidade a sua forma mais sutil e perigosa tem sido sempre o estado da adoração ao próprio eu (1Co 5.10). OBS.: Os idólatras são os violadores do direito mais alto, isto é, de Deus. Essa é a instância mais antiga que se conhece do uso dessa palavra. Idolatria é tudo aquilo que usurpa o lugar que por direito cabe a Deus. A palavra diz-nos que a cobiça ou avareza é idolatria, e que aquele cobiçoso é um idólatra. Algumas pessoas adoram o dinheiro, outras adoram a posição social, outras ainda, o prestígio, e ainda outras, os prazeres carnais. Existem inúmeras formas de idolatria, e quase todas as pessoas, se não sempre, pelo menos ocasionalmente, se tornam culpadas desse pecado Leia mais acessando o link: http://solascriptura-tt.org/VidaDosCrentes/ComDeus/ObrasCarneFrutoEspirito-IBR-StaCatarina.htm.]
2. A idolatria no Novo Testamento. Na Roma antiga adorar aos imperadores era uma forma de lealdade e devoção. Por isso, os primeiros cristãos foram severamente perseguidos e mortos, pois eles não aceitavam que o homem ocupasse o lugar de Deus. Além dos imperadores, os romanos (e também os gregos) tinham uma variedade muito grande de ídolos. Na cidade de Listra, Paulo foi confundido com o deus Mercúrio, e Barnabé com o deus Júpiter (At 14.11-13). Passando por Atenas, Paulo encontra um altar onde estava escrito: “Ao Deus Desconhecido” (At 17.23). Contudo, tanto no Antigo Testamento quanto no Novo, a idolatria é condenada (Êx 20.3; Lv 26.1; Cl 3.5; Ap 22.15). Não podemos jamais esquecer que tudo aquilo que usurpa o lugar de Deus, em nosso coração, é idolatria. Qualquer pessoa ou objeto a que nos dedicamos com extremada atenção, e que não podemos viver sem os quais, podem se tornar um ídolo. A idolatria é a quebra da nossa fidelidade ao verdadeiro Deus. [Comentário: O primeiro mandamento estabelece a adoração somente a Deus e a mais ninguém. A ordem do segundo mandamento é para adorar a Deus diretamente, sem mediação de qualquer objeto. A idolatria é o primeiro dos três pecados capitais na tradição judaica, “a idolatria, a impureza e o derramamento de sangue”. Os cristãos devem se abster da contaminação dos ídolos (At 15.20). Certa ocasião Lutero disse: “As pessoas que confiam e se apoiam na sua grande habilidade, na sua inteligência, no seu poder, no seu trabalho, na sua misericórdia, nas suas amizades, na sua honra também tem deuses, mas tal deus não é o único Deus verdadeiro.” MARTINHO, Lutero. In: PEIXOTO, Leandro B. Deus somente Deus. Disponível em: http://ibcentral.org.br/mensagem/i-deus-somente-deus/. A tradição: “E, acercando-se dele os discípulos, disseram-lhe: Por que lhes falas por parábolas? Ele, respondendo, disse-lhes: Porque a vós é dado conhecer os mistérios do reino dos céus, mas a eles não lhes é dado; Porque àquele que tem, se dará, e terá em abundância; mas àquele que não tem, até aquilo que tem lhe será tirado. Por isso lhes falo por parábolas; porque eles, vendo, não veem; e, ouvindo, não ouvem nem compreendem. E neles se cumpre a profecia de Isaías, que diz: Ouvindo, ouvireis, mas não compreendereis, e, vendo, vereis, mas não percebereis. Porque o coração deste povo está endurecido, E ouviram de mau grado com seus ouvidos, E fecharam seus olhos; Para que não vejam com os olhos, E ouçam com os ouvidos, e compreendam com o coração, e se convertam, e eu os cure.” (Mt 13.10-15). Perceba que o juízo que Jesus pronuncia sobre o povo de sua época é o mesmo do profeta Isaías. Sendo assim, sobre que idolatria Jesus condenara? O Evangelista Marcos responde: “E ele, respondendo, disse-lhes: Bem profetizou Isaías acerca de vós, hipócritas, como está escrito: Este povo honra-me com os lábios, Mas o seu coração está longe de mim; Em vão, porém, me honram, Ensinando doutrinas que são mandamentos de homens. Porque, deixando o mandamento de Deus, retendes a tradição dos homens; como o lavar dos jarros e dos copos; e fazeis muitas outras coisas semelhantes a estas. E dizia-lhes: Bem invalidais o mandamento de Deus para guardardes a vossa tradição.” (7.6-9). Quando Jesus cita Isaías 29, sabia que o mandato profético de Isaías 6 se cumprira em Isaías 29.9-14 e 63.17,[8] assim podemos entender o que o profeta Isaías tinha predito sobre sua nação que prefiguravam aquilo que ocorreria no Novo Testamento. Sendo assim, podemos ver que o pecado de idolatria cometido pelos judeus da época de Jesus era invalidar a Palavra de Deus em nome de suas tradições, ou daquilo que chamamos de “boa intenção”. No entanto, a “boa intenção” da tradição, quando nos leva a desobedecer a Deus é pecado. Veja, por exemplo, o caso do Rei Saul que recebera a ordem de Deus para destruir todos os amalequitas e seus animais (1Sm 15.3,8). Não obstante, Saul poupou “tudo o que era bom” (1Sm 15.9) para “oferecer ao Senhor” (v.19). A “boa intenção” de Saul não agradou a Deus, pois Deus o respondera: “Não cumpriu as minhas palavras” (v.11), que é a mesma coisa de invalidar “o mandamento de Deus” (Mc 7.9). Mas alguém poderia dizer: “sacrificar animais não era mandamento de Deus?”. Sim. No entanto, a ordem de Deus era eliminar tudo e Saul não obedecera e, ainda mais, criou para si um estilo próprio e regra de adoração não obedecendo a Deus.  Portanto, invalidar ou desobedecer a Palavra de Deus é pecado de idolatria, assim como Saul o fez (cf. 1Sm 15.23) os judeus da época de Jesus também o fizeram. A glória dos homens: Outra passagem a qual também cita Isaías 6 é João 12.37-43: “E, ainda que tinha feito tantos sinais diante deles, não criam nele; Para que se cumprisse a palavra do profeta Isaías, que diz: Senhor, quem creu na nossa pregação? E a quem foi revelado o braço do Senhor? Por isso não podiam crer, então Isaías disse outra vez: Cegou-lhes os olhos, e endureceu-lhes o coração, A fim de que não vejam com os olhos, e compreendam no coração, E se convertam, E eu os cure. Isaías disse isto quando viu a sua glória e falou dele. Apesar de tudo, até muitos dos principais creram nele; mas não o confessavam por causa dos fariseus, para não serem expulsos da sinagoga. Porque amavam mais a glória dos homens do que a glória de Deus.” A passagem acima faz duas referências a Isaías. Uma (Is 53.1) para indicar o cumprimento de que Israel não creria no servo, e a menção de Isaías 6 indica o cumprimento de juízo sobre aqueles que não creram. E, sendo assim, a preferência pela glória dos homens do que à glória de Deus é uma prova de idolatria. Pois, eles rejeitaram o Filho de Deus e Seus sinais, se assemelhando mais aos homens do que a Deus, preferindo a glória dos homens à glória de Deus. J.C. Ryle comenta: “O temor dos homens os impede de abandonar seu caminho. Têm receio de serem zombados, escarnecidos e desprezados pelo mundo. Odeiam perder a boa reputação da sociedade e o julgamento favorável de homens e mulheres semelhantes a eles.” Este texto foi extraído de: http://bereianos.blogspot.com.br/2015/11/a-idolatria-nossa-de-cada-dia.html]
3. O que significa heresia? No grego, esta palavra é hairesis e significa preferência, escolha. Segundo o Dicionário Teológico (CPAD) podemos definir heresia “como uma rejeição voluntária de um ou mais artigos da fé”. Precisamos ter cuidado, pois atualmente, muitos estão se utilizando de argumentos falsos para enganar e macular a Igreja do Senhor. Precisamos de homens como Paulo, que não usavam de engano nem fraudulência (2Ts 2.3). Contudo, também precisamos investir mais no ensino sistemático da Escrituras Sagradas, pois as heresias só podem ser rechaçadas pelo conhecimento bíblico (Mc 12.24). Estamos vivendo tempos difíceis, nos quais muitas igrejas já não conservam mais a sã doutrina, sendo os crentes enganados por filosofias humanas e ensinos de demônios contrários à Palavra de Deus. [Comentário: As palavras “herege”, “heresia” e “seita” vêm de palavras gregas usadas no Novo Testamento, derivadas da mesma raiz. A idéia fundamental atrás destas palavras é “escolher” ou “escolha”. Assim a forma de verbo é usada quando Deus diz que escolheu seu servo (Mt 12.18). Também, estas palavras se aplicam quando homens decidem seguir suas próprias opiniões, criando novas doutrinas e facções religiosas. É neste sentido que lemos no Novo Testamento sobre seitas como a dos saduceus em Atos 5.17 e fariseus em Atos 15.5, grupos que escolheram defender falsas doutrinas e tradições humanas. A melhor definição do que significa heresia / herético / herege não são aqueles encontrados nos dicionários de grego e português, nos léxicos do grego, talvez na etimologia da palavra e nos livros de teologia, mas a definição desses termos está na própria Bíblia, somente nela, comparando as coisas espirituais com as espirituais. Heresia é o ensino de algo que está frontalmente contrário a pelo menos um claro e explícito verso da Bíblia, cujo significado literal, é indiscutível entre os verdadeiramente salvos que sejam verdadeiramente sinceros, que sejam realmente seguidores do lema da Reforma "Sola Scripturæ". Nesse sentido, em Gálatas 5.20, os apóstolos condenaram o espírito faccioso, em 2Pe 2.1 alertaram sobre heresias destruidoras e Tito 3.10 ensina os cristãos a admoestarem e depois rejeitarem os hereges, ou homens facciosos. Escolher seguir qualquer doutrina que não vem de Deus é uma infração gravíssima da vontade do Senhor.]

SUBSÍDIO TEOLÓGICO

Idolatria
“Esta é uma transliteração da palavra gr. eidolatria, cujo significado entendemos ser ‘a adoração a ídolos; a adoração a imagens como divinas e sagradas’.
Como uma criatura ligada ao tempo e ao espaço, o homem tem estado especialmente inclinado a prestar adoração a algum tipo de símbolo visível de divindade. Ele aparece anelar por manifestações tangíveis da presença divina. Durante a história humana, esta atitude tomou várias formas e manifestações. Mesmo que o homem tenha abandonado a adoração ao verdadeiro Deus, ele não renunciou à religião, mas procurou substituir o verdadeiro Deus por um deus falso que tivesse de acordo com seu próprio gosto.
A proibição da idolatria é um dos poucos conceitos absolutos e imutáveis no sistema judaico de ética (juntamente com o incesto e o assassinato). A adoração sem a imagem de Jeová anunciava não meramente que Ele era maior do que a natureza, mas que também não era limitado por ela. No Antigo Testamento, há muitos termos hebraicos usados como escárnio à idolatria, indicando sua infância e obscenidade, bem como seu absoluto vazio.
Todas as camadas da lei judaica dão testemunho da oposição a se fazer um retrato de Deus. Os dois primeiros mandamentos proíbem a adoração de imagens, bem como a adoração a qualquer outro deus (cf. Êx 20). A idolatria era classificada como uma ofensa de estado e cheirava a traição, devendo ser punida com a morte (Dt 17.2-7)” (Dicionário Bíblico Wycliffe. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2009, p.946).
III. SEJAMOS FIÉIS ATÉ O FIM

1. Olhando para o passado. Para se conquistar um bom futuro é imprescindível ter estabelecido alicerces sólidos no passado. Por isso, o escritor aos Hebreus pede que os crentes deem uma olhadinha no passado. O propósito era que eles não se esquecessem das bênçãos que já haviam recebido da parte de Deus e dos muitos combates e aflições quais enfrentaram e saíram vitoriosos (Hb 10.32). O Senhor também cuidaria dos seus servos, dando-lhes novamente força e vigor para permanecerem fiéis até o fim. A fé que recebemos como fruto do Espírito nos ajuda a continuar firmes e fiéis a Cristo diante das circunstâncias contrárias. [Comentário: É interessante olharmos para aqueles memoriais do Antigo Testamento e sua finalidade. Estes memoriais destinavam-se a lembrar Israel da vontade de Deus, Sua bondade, graça e bênçãos da aliança. Eles apontavam para Deus, para o alto, em direção ao Senhor. Nesse sentido temos o arco-íris depois do Dilúvio (Gn 9.13), a circuncisão (Gn 17.10-17), a festa da Páscoa (Nm 9.1-14), as borlas azuis nas roupas (Nm 15.38-41) e as pedras comemorativas que Josué erguera na travessia do Jordão (Js 4.3-9). Precisamos erguer nossos memoriais para não esquecermos a doutrina que temos aprendido dos pioneiros. João exorta "a senhora eleita e seus filhos" (2 Jo 1) a não confraternizarem com hereges e a não darem nenhum crédito à falsa doutrina deles. Ele busca ajudá-los a manter sua fé em face da oposição, como o escritor de Hebreus exorta em Hebreus 10.35: "Não abandoneis, portanto, a vossa confiança; ela tem grande galardão."]
2. A fé que nos ajuda a permanecermos fiéis. Já fomos justificados perante Deus pela nossa fé em Jesus (Rm 3.21,22). Esta é a chamada fé salvífica que vem pelo ouvir a Palavra de Deus (Rm 10.17). Mas, à medida que buscamos ter maior comunhão com Deus, desenvolvemos a fé como fruto do Espírito. Essa fé cresce em nós com o tempo e nos livra da idolatria, das heresias e da apostasia (2Co 10.15; 2Ts 1.3). A nossa confiança em Deus nos ajuda a permanecer fiéis em tudo até o dia em que iremos nos encontrar com o Senhor (Ap 2.10). [Comentário: A nossa fé constante e inabalável em Deus confere-nos a certeza de que Ele cumpre sua Palavra no tempo próprio. Para se ter Fidelidade é preciso ter fé e vice-versa; na bíblia a fé é o tema central, tendo como fim a salvação de todos os seres humanos. A fé é a expressão da fidelidade. Desde Gênesis 4, Abel apresentou sua oferta a Deus e o Senhor a aceitou por sua fé ou fidelidade. (Hb 11.4). A partir daí Deus vem procurando e encontrando, apesar de poucos, homens que se aproximam D'Ele por fé, dispostos a permanecerem fiéis em todas as situações advindas. Já foi esclarecido que a fidelidade é uma característica de quem tem fé, ou seja, de quem recebeu o fruto do Espírito Santo pela fé em Deus, através do sacrifício de Jesus Cristo. A fé é um dom de Deus (Rm 12.3; Ef 2.8; 6.23; Fp 1.29),  exclui a vanglória pessoal (Rm 3.27) e  a sua operação é pelo amor (Gl 5.6; 1Tm 1.5; Fl 5). Na prática da vida como proteção a fé é compara a um escudo: "tomando, sobretudo, o escudo da fé, com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados do Maligno" (Ef 6.16). Ou a uma couraça: "mas nós, porque somos do dia, sejamos sóbrios, vestindo-nos da couraça da fé e do amor, e tendo por capacete a esperança da salvação; (1Ts 5.8). A fé produz: salvação (Mc 16.16; At 16.31; Rm 1.17); esperança (Rm 5.2); alegria (At 16.34; 1Pe 1.8); paz (Rm 15.3); confiança (Is 28.16 com 1Pe 2.6); ousadia na pregação (Sl 116.10 com 2Co 4.13).]
3. Seja fiel. O Deus fiel e imutável a quem adoramos deseja nos ajudar a permanecer fiéis em toda a nossa maneira de viver, neste mundo tenebroso, mau e que jaz no maligno (1Jo 5.19). Se quisermos permanecer fiéis não podemos descuidar da nossa comunhão com o Senhor. Precisamos buscá-lo enquanto é tempo, enquanto podemos achá-lo (Is 55.6). Noé, durante um bom tempo, anunciou que o dilúvio viria. Mas aquela geração não deu crédito à pregação do servo do Senhor. O dia do juízo chegou e somente ele e sua família foram salvos da fúria das águas. Mesmo vivendo em uma sociedade corrompida pelo pecado, Noé permaneceu fiel ao Senhor e cumpriu a sua missão com zelo e temor até o fim dos seus dias. [Comentário: “Sem fé é impossível agradar a Deus” (Hb 11.6,8). Como já foi bem definido, a palavra fé, no original do Novo Testamento, significa plena persuasão ou certeza fundamentada no ouvir (Rm 10.17). Já em Mateus 23.23, está relacionada à confiança ou fidelidade. É interessante observar que Jesus enfatizou ser a verdade e digno de toda confiança, ao introduzir suas declarações no Evangelho de João com a frase “na verdade, na verdade”, “em verdade, em verdade”, “digo-lhes a verdade” (Jo 1.51). Assim, o fruto da fidelidade abrange as ideias básicas de integridade, fidelidade, lealdade, honestidade e sinceridade. No novo concerto, a bênção de Deus e o relacionamento certo com Ele também são concedidos mediante a fé. Aqui está uma verdade fundamental no Novo Testamento (Rm 4.3; Gl 3.6; Tg 2.23;). É pela fé que somos tornados descendência de Abrão, o pai de todos os que creem (Rm 4.11). A fidelidade como parte do fruto do Espírito é imprescindível ao cristão em seu relacionamento com Deus, com os outros e consigo mesmo. Através da fidelidade, tornamo-nos diferentes dos outros que não temem a Deus. O Senhor está procurando os fiéis para andarem com ele e servi-lo (Sl 101.6). A fidelidade de Deus é uma bênção perene para o crente fiel, mas ela é ineficaz para com aqueles que resistem à sua graça (ver 2.13, 2 Tm 2.13).]

SUBSÍDIO TEOLÓGICO

“A fidelidade como fruto do Espírito tem muito a ver com a moral e ética cristã. Esse fruto abençoado coloca o padrão cristão no nível de responsabilidade em palavras e ação. Houve um tempo em que a palavra de um homem tinha grande valor, e um aperto de mão era tão bom quanto um contrato assinado. Isto não parece ser verdade em nossos dias. Mas o homem que anda com Deus é diferente, porque nele está o fruto que é lealdade, honestidade e sinceridade. O Espírito Santo sempre concede poder para o cristão ser um homem de palavra. A fidelidade como fruto do Espírito nos torna leais a Deus, leais a nossos companheiros, amigos, colegas de trabalho, empregados e empregadores. O homem leal apoiará o que é certo mesmo quando for mais fácil permanecer calado. Ele é leal quer esteja calado. Ele é leal quer esteja sendo observado, quer não. Este princípio é ilustrado em Mateus 25.14-30. Os servos que eram fiéis e fizeram como foram instruídos mesmo na ausência do senhor foram elogiados e recompensados. O servo infiel foi castigado” (GILBERTO, Antonio. O Fruto do Espírito: A plenitude de Cristo na vida do crente. 2ª Edição. RJ: CPAD, 2004, p. 112).

CONCLUSÃO

Que Deus nos ajude a permanecer fiéis até o fim (Ap 2.10). A infidelidade ao Senhor tem feito com que alguns ensinem heresias, levando muitos a apostatarem da fé. A fidelidade, como fruto do Espírito, nos ajuda a não abrir mão de nossas convicções cristãs. Que em nossa caminhada de fé possamos dizer como o apóstolo Paulo: “Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé” (2Tm 4.7). [Comentário: Apesar de o Antigo Testamento ser de uma gigantesca extensão, a palavra “fé” somente aparece por duas vezes. A primeira delas, em I Samuel 21.5, quando, questionado pelo sacerdote Aimeleque no tocante à pureza moral dos mancebos, Davi responde: “Sim em boa fé, as mulheres se nos vedaram desde ontem; e, anteontem...” Porém como substantivo, ela somente é vista em Habacuque 2.4, quando o profeta diz: “... mas o justo, pela sua fé, viverá”; citação esta que é reiterada por três vezes no Novo Testamento (Rm 1.17; Gl 3.11; Hb 10.38). Neste ponto, a idéia é que aquele que é verdadeiramente justo confia inteiramente em Cristo, seja na abundância, seja na necessidade. Em todos os aspectos de sua vida Cristo ocupa o primeiro lugar (cf. Fp 4.11-13). A fé deve estar presente em nosso viver, devendo também nos acompanhar quando chegar a hora da partida desta vida para a outra. O sucesso daquelas testemunhas que são mencionadas no capítulo 11 de Hebreus, é que todas elas viveram e morreram na “fé” (11.13) - lealdade constante e inabalável a alguém com quem estamos unidos por promessa, compromisso, fidedignidade e honestidade (Mt 23.23; Rm 3.3; 1Tm 6.12; 2Tm 2.2; 4.7, Tt 2.10). É importante entender que esta fidelidade está relacionada ao conhecimento da Palavra, a vontade revelada de Deus. É preciso batalharmos por esta fé que nos foi entregue de uma vez por todas (Jd 3) – fé aqui é o conjunto das verdades em que cremos acerca da salvação. É claro que os salvos têm uma confiança viva em Jesus como seu Salvador e Senhor, e por isso adotam um conjunto de verdades sobre Deus Pai, Filho e Espírito Santo, sobre o homem, sobre o pecado, sobre a igreja e o mundo, enfim, um conjunto de verdades que é inerente ao cristianismo; é o corpo doutrinário do cristianismo, “a fé que uma vez por todas foi entregue aos santos”.] “NaquEle que me garante: "Pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus" (Ef 2.8)”.


Francisco Barbosa
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