quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

LIÇÃO 8: A BONDADE QUE CONFERE VIDA




SUBSÍDIO I

Na lição de hoje estudaremos mais um aspecto do fruto do Espírito, a bondade. Em oposição a esse aspecto do fruto do Espírito, vamos refletir a respeito da maldade, mas especificamente a respeito do homicídio, que é a destruição do próximo. Temos visto a cada dia a maldade crescendo mais e mais. Falta amor e sobra rancor, ódio, ira, etc. A humanidade sem Deus caminha de mal a pior. Precisamos guardar os nossos corações, enchendo-o com a Palavra de Deus a fim de que venhamos rejeitar toda a forma de crueldade. Que jamais venhamos “acostumar-nos”, ou seja, nos tornarmos insensíveis diante da violência e da crueldade que assola a nossa sociedade. (Seria interessante levar alguns jornais e discutir com os alunos o avanço da violência, da maldade e do número de homicídios nos grandes centros urbanos.)
No livro de Provérbios, um livro prático, encontramos várias referencias a respeito da maldade. Tomemos como exemplo o texto de Provérbios 6.12, pois esse texto afirma que “o homem de Belial, o homem vicioso, anda em perversidade de boca”. O que significa “homem de Belial”? Segundo o Dicionário Bíblico Wycliffe significa homem inútil, sem valor, mau, iníquo. Esse texto nos mostra que a maldade está no falar e no agir. Podemos ferir as pessoas com nossas palavras e até “matá-las”. Jesus afirmou que aquilo que dizemos revela o que existe em nosso interior, coração (Mt 12.34-36). Suas palavras evidenciam um coração bondoso?
A maldade pode ser evitada? Sim! Se mantivermos um firme compromisso com Deus e com sua Palavra. Por isso, guarde a sua mente, não permitindo que seus pensamentos se fixem naquilo que é mal. E já que o tema da lição é bondade X maldade é interessante para a nossa reflexão, que venhamos fazer a seguinte indagação: “Qual é a origem da maldade?” “Como o mal entrou no mundo?” Segundo Charles Colson, importante teólogo, “as Escrituras ensinam que o mal entrou na criação pelas livres escolhas morais feitas pelos primeiros seres humanos, em resposta à tentação de Satanás, um anjo de luz caído. Como uma praga, este mal se espalha por toda a história em virtude das livres escolhas morais que homens continuam a fazer.”
A maldade é resultado da Queda e o primeiro homicídio aconteceu na família do primeiro casal. Abel tinha um caráter justo e oposto ao do seu irmão Caim. Adão e Eva devem ter dado a mesma educação aos dois filhos, todavia o ensino dos pais não foi e não é suficiente para moldar o caráter dos filhos. O ensino é importante, mas somente Jesus pode transformar o nosso verdadeiro eu. Caim tinha um coração mau, dominado pelo ódio e pela inveja, por isso, teve o seu sacrifício rejeitado. Deus não olhou e não olha para a oferta em si, porque o mais importante é o coração, o caráter do ofertante. Por isso, Jesus declarou: “Portanto, se trouxeres a tua oferta ao altar e aí te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa ali diante do altar a tua oferta, e vai reconciliar-te primeiro com teu irmão, e depois vem, e apresenta a tua oferta” (Mt 5.23,24). Jamais poderemos comprar a Deus ou impressioná-lo com as nossas ofertas, pois tudo que existe nos céus e na Terra pertence a Ele. O Senhor não deseja apenas a nossa oferta, Ele almeja ser o primeiro em nossos corações. Somente quando Ele tem o primeiro lugar pode-nos transformar e fazer de nós pessoas melhores, bondosas, cujo caráter revele a sua glória.

Sugestão didática:

Converse com os alunos mostrando que a benevolência torna o crente uma testemunha do amor de Deus e evita que venhamos ferir ou magoar o próximo. Segundo o Senhor Jesus, podemos atentar contra a vida de uma pessoa com nossas palavras (Mt 5.21,22). Quantos não foram feridos e encontram-se espiritualmente mortos devido a uma palavra ou uma ação, ainda que não intencional, de um irmão(a)? Por isso, precisamos ter cuidado!
Peça que os alunos formem duplas. Em seguida, peça que as duplas, sem deixar que o outro veja, escrevam uma tarefa que gostaria que o irmão ou irmã executasse (cantar um hino, falar uma poesia, recitar o texto áureo de cor, etc.). Depois que todos escreverem, peça que formem um único grupo. Em seguida, peça que troquem os papéis (e as tarefas). Depois da troca e leitura das tarefas, pergunte aos alunos: “Se soubesse que a tarefa seria executada por você, teria pedido algo diferente, mais fácil? O objetivo é mostrar que precisamos ser benignos para com o nosso próximo. A bondade faz com que venhamos tratar os outros como gostaríamos de ser tratados. Aquilo que não desejamos para nós, não podemos também desejar ao outro.

Telma Bueno
Editora responsável pela Revista Lições Bíblica Adultos

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A bondade que confere vida

A única forma de um ser humano mau se tornar em um ser humano bom de maneira plena é por intermédio da graça de Deus mediante a fé em Jesus Cristo (Ef 2.8). Somente assim que a pessoa tem a condição de compreender as implicações destes dois mandamentos do Senhor: “O primeiro de todos os mandamentos é: Ouve, Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor. Amarás, pois, ao Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças; este é o primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes” (Mc 12.29-31). Por isso devemos compreender que há somente um Deus todo-poderoso, glorioso e gracioso que devemos amá-lo e honrá-lo com toda a nossa vida. De modo que esse amor seja direcionado ao próximo que está ao nosso lado como o bem que fazemos a nós mesmos. Aqui, a bondade como fruto do Espírito começa a se manifestar.
Neste aspecto, a bondade é um compromisso que tem a ver com o benefício do outro. É viver a bondade de Deus até as últimas consequências. Ora, Deus é bom e deseja que todos manifestemos sua bondade por onde passarmos. Uma bondade extraordinária que não pode ser encontrada em nenhum lugar, senão pela Palavra de Deus, mediante o encontro que tivemos com Jesus, o Nazareno, cuja vocação nos foi dada sem arrependimento. Nosso Deus é bondoso, gracioso, maravilhoso, pois assim criou os céus e a terra. Por isso, no lugar de vingança, oferecemos amor, consolo, disponibilidade para acolher quem mais precisa de nós. Sempre há alguém que precisa de um acolhimento verdadeiro e podemos ser o instrumento de Deus para acolhê-lo.
Diferentemente da bondade, o homicídio como obra da carne não acolhe a ninguém, pelo contrário, destrói a vida alheia, separando para sempre das pessoas queridas. Sobre o homicídio, a proibição de se tirar a vida do próximo remonta o Decálogo (Ex 20.13): não matarás. Ou seja, todo atentado contra a vida humana é um atentado contra o mandamento de Deus. Todo atentado contra o ser humano inocente, o aborto deliberado, o homicídio pensado e planejamento, é um atentado contra a Criação de Deus. Entretanto, para além do homicídio físico, o apóstolo João também se referiu ao homicídio quando disse: “Qualquer que aborrece a seu irmão é homicida. E vós sabeis que nenhum homicida tem permanente nele a vida eterna” (1Jo 3.15).

 Fonte: Revista Ensinador Cristão, Ano 18 - nº 69 – jan./fev./mar. de 2017. 


SUBSÍDIO II

INTRODUÇÃO

Na aula de hoje estudaremos a bondade, veremos inicialmente que essa está diretamente relacionada à benignidade. Em seguida, destacaremos as características dessa virtude do fruto do Espírito. Compararemos também a bondade com o homicídio, enquanto obra da carne, que destrói a vida. Em um no qual predomina a cultura da morte, devemos levar a vida através da bondade, tendo Cristo como o maior exemplo, ainda que não sejamos correspondidos.

1. BENIGNIDADE E BONDADE

Há quem assuma que benignidade (gr. chrestotes) e bondade (gr. Agathosune) sejam virtudes gêmeas do fruto do Espírito. Essa compreensão é justificada porque se pressupõe bondade da benignidade. As pessoas que agem de maneira bondosa assim o fazem porque são conduzidas pelo Espírito, que produz nelas a benignidade. A palavra grega para bondade se encontra apenas quatro vezes no Novo Testamento, especificamente nos escritos paulinos (Rm. 15.14; Gl. 5.22; Ef. 5.9 e II Ts. 1.11). Nos contextos nos quais esse termo se encontra, está relacionado ao serviço cristão, ao exercício da generosidade. Estamos vivendo em um contexto materialista e consumista, no qual as pessoas não querem perder aquilo que possuem. O desprendimento é uma virtude cada vez mais escassa, o individualismo está degenerando a sociedade. Não podemos esquecer que fomos chamados para o amor (gr. agape), que deve ser demonstrando tanto a Deus quanto ao próximo (Mc. 12.29-31). Jesus é o maior exemplo de serviço, Ele mesmo assumiu que veio para servir, e não para ser servido (Mc. 10.45). Mesmo sendo Deus, não teve por usurpação o ser igual a Deus, tomando a forma de servo (Fp. 2.9). Deu exemplo ao lavar os pés dos discípulos, quando esses debatiam a respeito de quem seria o maior (Jo. 13). A igreja cristã deve ter a generosidade como prática constante. A esse respeito Paulo elogiou as igrejas da macedônia, pois aqueles irmãos, “em muita prova de tribulação, houve abundância do seu gozo, e como a sua profunda pobreza superabundou em riquezas da sua generosidade. Porque, segundo seu poder e ainda acima do seu poder, deram voluntariamente” (II Co. 8.2,3). Os cristãos de Jerusalém tinham tudo em comum, e não haviam necessitados entre eles, por causa do exercício da koinonia (At. 4.34,35).

2. CONTRA A CULTURA DA MORTE

A bondade é uma virtude que se opõe diretamente à cultura da morte, ao homicídio que é uma obra da carne. Desde o princípio o Senhor havia estabelecido como Lei para o povo de Israel o “Não matarás” (Ex. 20.13), que na verdade, o termo hebraico rasah seria melhor traduzido por “Não cometerás assassinato”. Ao reinterpretar essa palavra, Jesus destacou que há pessoas que atentam umas contra as vidas das outras, não apenas através de objetos que as firam fisicamente, mas também moralmente e espiritualmente, através das palavras (Mt. 5.21,22). Seguindo essa orientação do Mestre, o apóstolo João assume que aqueles que aborrecem seus irmãos estão agindo como homicidas (I Jo. 3.15). Não podemos incitar a cultura do assassinato, existe nos dias atuais uma tendência a favorecer tudo o que é destrutivo. As pessoas se alimentam de práticas mortíferas, elas fazem sucesso nos cinemas e nos jogos eletrônicos. Os cristãos costumam ser criticados porque se posicionam pela vida, sendo contrários ao aborto e a eutanásia, inclusive a pena de morte. Existe violência demais neste mundo, e quanto mais ela for incitada, um tanto pior. As pessoas estão se consumindo, a destruição começa pela ganância, o ódio predomina, ao invés do amor. Devemos ter como fundamento a generosidade de Deus em relação a nós, e nos envolvermos em uma revolução amorosa. De modo que se alguém nos insultar, devemos responder com amor, e não “na mesma moeda”, contrariando a justiça dos homens. Essa é uma atitude que exige renúncia dos seguidores de Cristo, considerando que Ele mesmo deixou o exemplo, ao perdoar seus algozes na cruz. Ele não retribui de acordo com as iniquidades, se assim fizesse todos nós seríamos condenados. Por isso Paulo é categórico ao afirmar que “Ele nos amou sendo nós ainda pecadores” (Rm. 5.8; 12.19-21).

3. PELA PRESERVAÇÃO DA VIDA

Como cristãos devemos propagar a cultura da vida, pois Jesus é a Vida, nEle desfrutamos (Jo. 11.25; 14.6). E por que Ele é a vida, tendo Ele mesmo entregue Sua vida por nós, não podemos difundir a violência. Essa revolução passa pela disposição para perdoar, trata-se de uma condição que somente pode assumir aqueles que foram alcançados pela graça divina. Não devemos incitar à vingança, muito menos a práticas injustas, antes ao amor. É comum os cristãos se oporem ao aborto e a eutanásia, mas são favoráveis à pena de morte. Devemos defender a vida em todas as circunstâncias, pois não nos compete punir com a morte quem quer que seja. Devemos também ampliar nosso horizonte, e perceber que existem pessoas sendo mortas nos hospitais, por falta de assistência médica de qualidade. A violência predomina nas ruas porque os governantes não cumprem o papel que deveriam. Alguns políticos, ainda que indiretamente, estão fomentando a violência, na medida em que tratam com descaso a pobreza e a miséria. A defesa da vida passa por muitos lugares, inclusive por nós mesmos, e não apenas pelas nossas opiniões, mas também pelas ações. Os cristãos que são contra o aborto também deveriam defender a existência de órgãos públicos (ou mesmo religiosos) que recebam crianças de mães que não têm condições de criar seus filhos. Apenas criticar, ou até mesmo criminalizar, não resolve a situações do aborto. Ele vai continuar existindo clandestinamente, precisamos defender a vida sempre, mas criar alternativas viáveis para assistir as mães que engravidaram, mas não podem criar seus filhos.

CONCLUSÃO

Tratar na mesma moeda não resolve, a esse respeito é importante lembrar: “Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira, porque está escrito: Minha é a vingança; eu recompensarei, diz o Senhor. Portanto, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; porque, fazendo isto, amontoarás brasas de fogo sobre a sua cabeça. Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem” (Rm. 12.19-21). Esse procedimento faz toda diferença na sociedade contemporânea, como cristãos não devemos nos opor ao trabalho da justiça, mas temos a opção pessoal de responder com bondade, ao invés do ódio e da vingança.


Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Extraído do Blog subsidioebd

COMENTÁRIO E SUBSÍDIO III

INTRODUÇÃO

Você já teve o coração transformado e regenerado pelo Senhor Jesus? Então, não há mais espaço, em sua vida, para sentimentos e desejos que faziam parte da sua velha natureza. Na lição de hoje, veremos que os maus pensamentos, mortes, adultérios, prostituição, falso testemunho e blasfêmias procedem do interior do homem, ou seja, da velha natureza adâmica (Mt 15.18,19). [Comentário: Gramaticalmente, bondade é um substantivo abstrato. Do latim “bonidate”, é a qualidade de quem tem boa índole. Ter bondade é ser benevolente, ser amável, é procurar ajudar o outro. Benevolente significa demonstrar bondade ou boa vontade em relação às outras pessoas. Bondoso é um adjetivo que qualifica o indivíduo que demonstra bondade, que pratica atos de bondade. Uma pessoa que revela grande bondade pode ser chamada de bonachão https://www.significados.com.br/bondade/. Com base nessa definição entende-se que bondade é uma virtude típica da pessoa que não mede esforços para levar o bem aos outros e nunca o mal. O bondoso sempre estende sua mão para alguém. A palavra bondade na Bíblia se aplica àquilo que proporciona satisfação estética ou moral (veja o relato da criação em Gn). No hebraico, a palavra para expressar este conceito é tobh, literalmente “agradável”, “alegre”. No grego, há duas palavras para traduzir essa idéia: a primeira éagathos (bom), que é o termo usado por Paulo para indicar o fruto espiritual da bondade; a segunda é kalos (belo), que tem a ver com harmonia.Bondade, portanto, tem uma dimensão ética e uma dimensão estética. Na dimensão ética, significa viver de acordo com padrões elevados. Na dimensão estética, pode ser entendida como beleza interior. O Pr Billy Graham no artigo ‘O Fruto do Espírito’, escreve: “A palavra "bom" no entender da Escritura significa literalmente "ser como Deus", porque Ele é o único que é perfeitamente bom. Uma coisa é ter padrões éticos elevados, outra coisa é a bondade que o Espírito Santo produz, que tem suas raízes em Deus. O significado deste fruto é mais amplo do que simplesmente "fazer o bem". Bondade é mais que isto. Bondade é amor em ação. Não somente traz em si a idéia de justiça, mas demonstra esta justiça, este "fazer o que é certo" vivendo diariamente no Espírito Santo. É fazer o bem a partir de um coração bom, é agradar a Deus sem esperar medalhas ou recompensas. Cristo quer que este tipo de bondade seja o normal em cada cristão. Os homens não podem achar substituto para a bondade, e nenhum artista em retoques espirituais pode imitá-la.” http://pastorcasse.blogspot.com.br/2012/05/o-fruto-do-espirito-bondade-billy.html.] Dito isto, vamos pensar maduramente a fé cristã?

I. BONDADE: o firme compromisso para o benefício dos outros

1. A bondade como fruto do Espírito. Podemos afirmar que a bondade e a benignidade são frutos gêmeos. A palavra grega para bondade é agathosüne, e esta palavra pode ser aplicada em relação a Deus como um ser perfeito e completo (Mc 10.18), e em relação à benevolência de alguém (Mt 12.35; At 11.24; 1Pe 2.18). Como um dos aspectos do fruto do Espírito, podemos dizer que a bondade é uma qualidade nobre, gerada por Deus, nos corações daqueles que experimentaram o novo nascimento (Jo 3.3). Quem já experimentou a regeneração, em Jesus Cristo, é nova criatura e naturalmente inclinado a fazer o bem (2Co 5.17). [Comentário: Bondade (agathosune), zelo pela verdade e pela retidão, e repulsa ao mal; pode ser expressa em atos de bondade (Lc 7.37-50) ou na repreensão e na correção do mal (Mt 21.12,13). O significado essencial de agathosune é a generosidade que flui de uma santa retidão dada por Deus. Paulo recomenda: “comunicai com os santos nas suas necessidades, segui a hospitalidade” (Rm 12.13), para “repartir com o que tiver necessidade” (Ef 4.28). “comunicai com os santos nas suas necessidades, segui a hospitalidade;” (Rm 12.13). Se compararmos com o original do termo benignidade, constataremos que aquela é a prática ou a expressão desta, ou seja, é fazer na prática o que é bom.]
2. A bondade de Deus é singular. Ele é bom para todos os homens, independentemente da condição destes (Sl 145.9). A bondade do Pai pode ser revelada na sua provisão, pois Ele faz com que o sol e a chuva se levante sobre os justos e injustos (Mt 5.45). Contudo, a maior prova da bondade de Deus está no fato de Ele ter enviado seu Filho unigênito para morrer por nós, homens pecadores e maus por natureza (Jo 3.16; Rm 5.8). Em geral costumamos agir bondosamente somente com aqueles que nos tratam com benevolência, mas o Criador é bom para com todos; e, como filhos seus, precisamos seguir o seu exemplo. [Comentário: Deus é a fonte da bondade, porque Ele é bom (Na 1.7; Ed 3.11) e toda dádiva dele é boa (Tg 1.17). O Espírito Santo transmite esta virtude como um fruto, para que cada um do bom tesouro possa tirar o bem (Lc 6.45). Barnabé foi cheio do Espírito Santo e por isto se tornou um homem bom (At 11.24). Ele deixou um brilhante exemplo de que maneira este fruto se manifesta. O seu coração era aberto para dar (At 4.37; 2 Co 8.1-3). Ele viu o que a graça de Deus havia operado (At 11.23), por isto conseguiu ajudar a Saulo (At 9.26-28; 11.25,26). Aquele que possui este fruto é feliz (Pv 14.14), pois pode ser uma bênção para outros (Rm 15.14) e até deixa uma herança para os seus descendentes (Js 11.23) e sente o favor de Deus (Pv 12.2). Diante da eternidade será manifestado que Deus deu valor à bondade (Mt 25.23).]
3. Um homem bondoso e uma mulher bondosa. Na Bíblia, encontramos vívidos exemplos de homens bondosos, e Jó é um desses homens. Ele não era somente justo e paciente, mas também bondoso para com os outros (Jó 29.15-17; 31.32) e para com seus filhos, oferecendo a Deus holocaustos por eles (Jó 1.5). Dorcas era uma discípula que usava do ofício de costureira para abençoar os pobres (At 9.36,39). O texto bíblico afirma que “ela estava cheia de boas obras e esmolas” (At 9.36). Suas ações em favor dos necessitados demonstravam a sua bondade e o seu amor e devoção a Deus. Quem ama ao Senhor ama também o próximo, mas esse amor precisa ser manifesto em ações. Não basta dizer que amamos; é preciso mostrar esse amor por meio de ações. O que você tem feito para demonstrar a sua bondade pelo próximo? [Comentário: A excelência da bondade é resumida na denominada Regra de Ouro: "Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós, porque esta é a lei e os profetas" (Mt 7.12). Em outras palavras, devemos tratar os outros da mesma maneira que Deus nos trata - com misericórdia e graça. Devemos ter um cuidado especial com nossos irmãos em Cristo. Disse Jó: “Eu era o olho do cego e os pés do coxo; dos necessitados era pai e as causas de que não tinha conhecimento inquiria com diligência; e quebrava os queixais do perverso e dos seus dentes tirava a presa... O estrangeiro não passava a noite na rua; as minhas portas abria ao viandante” (Jó 29.15,17; 31.32). Jesus equiparou as dádivas repassadas aos irmãos na fé como se fossem a Ele próprio (Mt 25.40, 45). A igreja primitiva estabeleceu uma comunidade que se importava com o próximo, que repartia suas posses a fim de suprir as necessidades uns dos outros (At 2.44,45; 4.34-37). Quando o crescimento da igreja tornou impossível aos apóstolos cuidar dos necessitados de modo justo e equânime, procedeu-se a escolha de sete homens, cheios do Espírito Santo, para executar a tarefa (esta é a essência do Diaconato!) (At 6.1-6). Paulo declara explicitamente qual deve ser o princípio da comunidade cristã: "Então, enquanto temos tempo, façamos o bem a todos, mas principalmente aos domésticos da fé" (Gl 6.10). Deus quer que os que têm em abundância compartilhem com os que nada têm para que haja igualdade entre o seu povo (2Co 8.14,15; cf. Ef 4.28; Tt 3.14). Resumindo, a Bíblia não nos oferece outra alternativa senão tomarmos consciência das necessidades materiais dos que se acham ao nosso redor, especialmente de nossos irmãos em Cristo.]

SUBSÍDIO TEOLÓGICO

“Bondade como fruto do Espírito é tradução de uma palavra grega que é encontrada apenas quatro vezes na Bíblia: agathosune. Quando comparada com chrestotes vemos que a bondade é a prática ou a expressão da benignidade, ou seja, fazer aquilo que é bom. O termo agathosune só é usado nos escritos de Paulo nas seguintes passagens: Romanos 14.14; Gálatas 5.22; Efésios 5.9; 2 Tessalonicenses 1.11.
No primeiro destes textos, Romanos 15.14-16, Paulo reconhece que os cristãos romanos estão prontos para ministrar uns aos outros e, portanto, os exorta a ministrar, lembrando-os de sua chamada para ser ministro (literalmente, servo) de Jesus Cristo. No versículo 16 (NVI), Paulo se compara a um sacerdote que oferece a Deus os gentios salvos como oferta santificada pelo Espírito Santo. Em todos estes versículos é vista a expressão da bondade.
Bondade, então, fala de serviço ou ministério uns aos outros, um espírito de generosidade posto em ação; diz respeito a servir e dar. É o resultado natural da benignidade — a qualidade interior de ternura, compaixão e brandura. Tudo isso está resumido na palavra amor. O amor é benigno, que é o oposto do maligno. O amor é bom, sempre buscando ministrar às necessidades dos outros” (GILBERTO, Antonio. O Fruto do Espírito: A plenitude de Cristo na vida do crente. 2ª Edição. RJ: CPAD, 2004, p.92).


II. HOMICÍDIO, A DESTRUIÇÃO DO PRÓXIMO

1. Não matarás. Em Êxodo 20.13, temos uma ordem de Deus em favor da preservação da vida. A ordenança divina é bem clara, de forma que até uma criança pode compreender: “Não matarás” (Êx 20.13; Dt 5.17). Encontramos, em todo o Pentateuco, várias advertências a respeito da violência contra a vida. Deus é bom. Por isso, Ele estabeleceu leis para os homicídios dolosos, ou seja, quando uma pessoa mata a outra intencionalmente (Dt 27.24,25) e culposos, quando não há intenção de matar (Dt 19.4-6). O Senhor Jesus, nosso maior exemplo de bondade e amor, reforçou a legislação divina ao ensinar que podemos atentar contra a vida do nosso próximo até mesmo por palavras (Mt 5.21, 22). O apóstolo João também deixa claro que quem aborrece o seu irmão é homicida (1 Jo 3.15). Que venhamos a amar o próximo, cuidar dele e preservar a sua vida, pois esta é a vontade de Deus para nós. [Comentário: As Escrituras deixam claro que é impossível alguém odiar seu irmão e andar na luz. Aliás, o simples fato de alguém confessar Cristo como seu Salvador e odiar/aborrecer os seus irmãos, demonstra que esta pessoa está em trevas, isto é, não tem a Cristo. Quando João fala de ódio, transmite a ideia de algo habitual, que caracteriza um estilo de vida, um estado no qual a pessoa vive. Esse estado pode resultar em homicídio (Jo 3.11-15; 4.20,21). A lei condena o homicídio; a graça se antecipa ao expor a força motriz do homicídio - o ódio. É seguindo esta linha de pensamento que João afirma ser homicida qualquer que aborrece ao seu irmão (1Jo 3.15). Assim, pelos padrões cristãos, não é necessário chegar a matar para ser considerado um homicida. O ódio faz parte da galeria dos pecados que levam o homem à morte espiritual (5.16). Contra este pecado, ou a fim de preveni-lo, só há um remédio: o amor. Por outro lado, aquele que ama a seu irmão, permanece na luz e nele não há tropeço (v.10). Se quisermos permanecer na luz, devemos amar uns aos outros assim como Cristo nos amou.]
2. Aborto, a morte de um inocente indefeso. Quando falamos em homicídio, estamos também nos referindo ao aborto. Este ato perverso está inserido no sexto mandamento, pois é um atentado contra a vida de um indefeso, além de ser um ato contra Deus, que é o doador da vida (Is 45.12; Mt 10.28). O aborto, segundo o Código Penal Brasileiro, é também um crime. Embora faça parte do Código Penal, alguns, erroneamente, acreditam que o aborto deve ser uma escolha da mulher. Mas o Criador não permite que nós, seres criados, venhamos a decidir quem deve ou não viver. Deus nos criou, nos conhece e nos ama desde quando nosso corpo ainda estava sendo formado no ventre de nossa mãe (Sl 139.16). [Comentário: O princípio que rege o sexto mandamento é o da proteção da vida. Deus tinha em vista a preservação da maior de todas as Suas criações: o homem, feito à sua imagem (Gn 1.27), portanto, atentar contra a vida, quer a de outro ou a nossa, constitui desrespeito a Deus que imprimiu Sua imagem no homem (Gn 9.6). Independente do motivo alegado para justificar o aborto: médico, ético/judicial, genético e ou social, tanto aqueles que aprovam quanto aqueles que o realizam quebram o sexto mandamento. Deus deixou claro que a vida não pode ser tirada por nós como num caso de aborto, e que não devemos, quando depender de nós, nos omitir, participar de alguma forma ou facilitar que uma vida seja tirada dessa forma. Certamente esta palavra é dura, inaceitável e até inconsequente para aqueles que não pautam sua vida pela Palavra de Deus, mas não deveria ser para um cristão. Quando um cristão cogita o aborto como uma solução para algum problema ocorrido, ele está planejando um assassinato de uma vítima inocente, indefesa. Concordando com qualquer motivo alegado, estamos dando condições para que o pecado triunfe sobre nós e nos jogue na lama da desobediência a Deus.]
3. O primeiro homicídio. Logo no primeiro livro da Bíblia, Gênesis, encontramos o triste relato do primeiro homicídio depois da Queda (Gn 4.8-11). Caim matou seu irmão porque deixou seu coração ser dominado pela inveja e o ciúme. O texto bíblico diz que o próprio Deus amaldiçoou Caim numa forma de punição pelo seu ato (Gn 4.15). Homem algum pode zombar de Deus, porque todo o pecado tem a sua recompensa (Gl 6.7). [Comentário: O Guia do Leitor da Bíblia (CPAD) traz a seguinte informação: “E irou-se Caim fortemente” (Gn 4.5). A ira de Caim mostra quão decidido ele estava em agir por conta própria, sem se submeter a Deus. A ira é uma emoção destruidora. Nunca poderemos nos desculpar por ter ofendido alguém dizendo: 'Tenho um temperamento agressivo'. Precisamos considerar a ira como pecado e conscientemente nos submeter à vontade de Deus" RICHARDS, Lawrence O. Guia do Leitor da Bíblia: Uma análise de Gênesis a Apocalipse capítulo por capítulo. 10. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2012, p 28. Antes deste episódio, a morte física era ainda desconhecida e foi Abel, o justo, o primeiro a ser vitimado por ela. Sob o domínio de um profundo ódio contra o seu irmão Abel, sem que o mesmo tivesse feito qualquer coisa que justificasse sua raiva, ele usou de engodo, ao convida-­lo a ir ao campo, para depois ataca­-lo e matá-lo ((Gn 4.8). O fato de tê-lo levado, indica que o crime fora premeditado, para escapar dos olhos de seus país e, deste modo, evitar testemunhas contra o seu pecado. Caim procurou fugir da responsabilidade de seu crime, como muita gente faz boje, por não querer as­sumir seus próprios pecados. No texto de Genesis 4.11, 12 Deus expressa a sua rejeição e a inevitável maldição, ao dizer-lhe: "E agora maldito és desde a terra, que abriu a sua boca para receber das tuas mãos o sangue de teu irmão". Este fato nos ensina que o ambiente em que vivemos influencia, negativa ou positivamente na formação de nosso caráter. Caim, após matar seu irmão, partiu para urna terra distante, e fez o que era mau aos olhos do Senhor. Por isso, influenciou, negativamente, no comportamento de seus filhos e podemos ver seu descendente Lameque matando por motivo fútil e gloriando-se por isso.]

SUBSÍDIO TEOLÓGICO

O sexto mandamento
“Não matarás (20.13). ‘Assassinar’ é mais precioso aqui do que ‘matar’. A palavra hebraica rasah é a única sem paralelo em outras sociedades do segundo milênio a.C. Ela identifica ‘morte de pessoas’ e inclui assassinatos premeditados executados com hostil intenção e mortes acidentais ou homicídios culposo. Dentro da comunidade da aliança, precisava-se tomar um grande cuidado para que ninguém perdesse a vida, mesmo por acidente. O termo rasah não é aplicado em mortes na guerra ou em execuções judiciais” (RICHARDS, Lawrence O. Guia do Leitor da Bíblia: Uma análise de Gênesis a Apocalipse Capítulo por Capítulo. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2005, p.64).

“Cidades de Refúgio
Entre as 48 cidades dadas aos levitas em Israel, seis, por ordem de Deus, foram indicadas como cidades de refúgio, ou asilo, para o ‘homicida’ (Nm 35.6,7). O próprio Moisés escolheu três delas no lado leste do rio Jordão: Bezer para os rubenitas, Ramote, em Gileade, para os gaditas; Golã, em Basã, para os manassitas (Dt 4.41-43). Mais tarde, na época de Josué, as outras três foram indicadas na parte oeste do Jordão. Elas estavam convenientemente situadas nas regiões norte, central e sul da terra que habitavam. Seriam construídas e mantidas abertas estradas para essas importantes cidades (Dt 19.3).
Em Hebreus 6.18 está indicado que as cidades de refúgio eram um tipo de Cristo. O apóstolo faz alusão a isso quando fala daqueles que fugiram procurando um refúgio, e também da esperança oferecida a eles. Nós procuramos o refúgio em Cristo, e nele estamos a salvo do Vingador do sangue divino (Rm 5.9)” [PFEIFFER, Charles F. (Ed.) Dicionário Bíblico Wycliffe. 7ª Edição. RJ: CPAD, 2010, pp.417-18].

III. SEJAMOS BONDOSOS E MISERICORDIOSOS

1. Servindo ao outro com amor. Jesus deve ser o nosso exemplo de serviço e amor. Ele declarou que não veio ao mundo para ser servido, mas para servir e dar a sua vida por nós (Mt 20.28). Vivemos em um mundo egoísta, onde as pessoas só querem ser servidas. Por isso, precisamos, como sal e luz desse mundo, mostrar-lhes o nosso serviço e compaixão (Mt 5.13,14). Paulo exortou os crentes da Galácia para que levassem as cargas uns dos outros (Gl 6.2). Para realizamos tal ato precisamos amar, pois levar a carga do outro significa ajudar o irmão que está enfermo, enfrentando tribulação ou enfrentando necessidade financeira. Você tem ajudado seus irmãos a carregarem suas cargas ou você tem ainda acrescentado mais peso a elas? [Comentário: Se um irmão cair no pecado, outro que "anda no Espírito" (veja 5.16,22-26) tem a responsabilidade de corrigi-lo, evitando que aquele esteja sobrecarregado pelo erro (6.1; veja Tg 5.19-20; Jd 22-23). Ajudando o outro a superar o pecado mostra o amor que cumpre tanto a lei de Moisés como a de Cristo (6.2; veja 5.14). Assim, Paulo orienta a igreja dos gálatas a vencer os conflitos internos, servindo uns aos outros em amor. Desde que nos tornamos cristãos, fomos também dotados por Deus de uma grande variedade de dons espirituais. Entretanto, graças a essa diversidade e por meio dela, todos podemos cooperar para o bem de todos. Seja qual for a espécie de serviço que se deva prestar na igreja, que seja feito de coração com fidelidade pelos que são qualificados por Deus quer seja a profecia, o ensino, a exortação, a administração, as contribuições materiais, a visitação aos enfermos, quer a realização de qualquer outra classe do ministério. O amor, sendo o único contexto em que os dons espirituais podem cumprir o propósito de Deus, deve ser o princípio predominante em todas as manifestações espirituais. Daí, Paulo exortar os coríntios: "Segui a caridade e procurai com zelo os dons espirituais" (14.1). Os crentes devem, com muito zelo, buscar as coisas do Espírito, para que, assim equipados, possam ajudar, consolar e abençoar o próximo neste mundo.]
2. Ajudando o ferido. Vivemos dias difíceis, nos quais o egoísmo tem imperado em nossa sociedade (2Tm 3.1). Precisamos demonstrar ao mundo o amor de Deus mediante as nossas ações enquanto ainda temos tempo, pois sabemos que, em breve, Jesus virá. Que não venhamos a agir como o sacerdote e o levita da parábola do Bom Samaritano, mas que sejamos como aquele que acolhe e ajuda ao ferido (Lc 10.25-37). [Comentário: O Evangelho de Cristo produz em cada crente um comportamento digno e santo diante de Deus e do mundo (Fp 1.27). No texto de Fp 1.27 destaco a palavra, “portai-vos”, que descreve a vida de uma pessoa como cidadão. A cidade de Filipos prezava por sua cidadania romana, mas Paulo relembra seus leitores de que a conduta mais importante é portar-se de modo adequando aos cidadãos do Reino de Deus. “Farinha pouca, meu pirão primeiro” tem sido a tônica na sociedade e também na igreja. Depois de dar primazia a Cristo no capítulo 1 de Filipenses, Paulo revela que o outro deve vir antes do eu. O amor não é egocentralizado, mas outrocentralizado. O segredo da unidade é sempre pôr o interesse dos outros na frente do nosso. No capítulo 2, Paulo cita quatro exemplos daqueles que pensam no outro antes de pensar no eu: Cristo, ele próprio, Timóteo e Epafrodito. O orgulho é competitivo por natureza e tenta elevar uma pessoa acima das outras, promovendo conflitos em lugar de harmonia. Já a humildade aceita um lugar de serviço, preocupando-se com necessidades e interesses dos outros. O amor é essencial à humildade (1.9; 1Co 13.4,5).]
3. Ajudando os irmãos. Paulo ensinou aos gálatas a fazerem o bem a todos, mas principalmente aos domésticos da fé (Gl 6.10). Quantos irmãos, em nossas igrejas, estão carecendo de uma ajuda financeira, de uma oração ou de uma palavra de consolo. Mas, às vezes, nos tornamos indiferentes à dor do outro e nos esquecemos de ajudar aqueles que estão perto de nós. Não espere que seu irmão peça a sua ajuda se você sabe que ele está enfrentando alguma dificuldade e pode ajudá-lo, ajude-o. Também não espere receber recompensa: faça por amor e bondade. A recompensa virá do Senhor quando então recebemos os nossos galardões (Mt 10.41,42). [Comentário: A epístola aos Gálatas chega ao ultimo capitulo expondo o princípio da sementeira e colheita, traduzi­do na máxima popular: "Aqui se faz, aqui se paga". "Dai, e ser-vos-á dado; boa medida, recalcada, sacudida e transbordando vos darão; por­que com a mesma medida com que medirdes também vos medirão de novo" (Lc 6.38). No verso 9 Paulo nos incentiva e nos estimula a fazer o bem. O assunto diz respeito a todos os aspectos da vida, como a ajuda aos necessitados, a hospitalidade, a assistência aos pre­sos e maltratados (leia Hb 13.1-3) — o serviço social. Essa prática do bem deve ser ministrada a qualquer pessoa sem distinção de raça, cor, religião, "mas principalmente aos domésticos da fé" (v.10). Vivendo dessa forma, Deus abençoa, tanto no sentido espiritual como no material aos que ajudam os necessitados. Ele aumenta os bens materiais para que também melhorem as condições para ajudar aos necessitados. Quem dá ao pobre empresta a Deus (Pv 19.17). Quem ajuda ao necessitado Deus o abençoa (2 Co 9.8-12). Temos a promessa de Deus de uma boa colheita — salário abençoado. Por isso que Jesus disse que é melhor dar do que receber (At 20.35). Jesus assegurou que quem ajuda ao necessitado de maneira nenhuma perderá o seu galardão (Mt 10.42). A Bíblia diz que o "que retém o trigo, o povo o amaldiçoa" (Pv 11.26), sempre lembrando que as boas obras é fruto dos que são salvos.]

SUBSÍDIO TEOLÓGICO

“A história do bom samaritano ensina ao doutor da lei que o seu próximo é qualquer um que ele encontrar que tenha uma necessidade. Jesus encerra a história com a pergunta: ‘Qual, pois, destes três te parece que foi o próximo daquele que caiu nas mãos dos salteadores?’. O doutor da lei sabe a resposta, mas ele não pode deixar de falar a menosprezada palavra ‘samaritano’ e ainda querer escolher seu próximo. Por isso ele só se refere a ele como ‘O que usou de misericórdia para com ele’ (v.37).
A resposta do doutor da lei está correta, porque o samaritano é aquele que agiu com o próximo. Mostrando compaixão, ele se alinhou com o amor a Deus e ao próximo. Ao contrário do sacerdote ou do levita, ele se submeteu ao mandamento de amor que resume toda a lei. Semelhantemente, Jesus quer que o doutor da lei responda a Deus e ao próximo de maneira própria de criança. Ele lhe fala: ‘Vai e faze da mesma maneira’. O doutor da lei também pode cumprir a ordem de amar a Deus e ao próximo satisfazendo as necessidades dos outros a despeito de raça, cor ou sexo” (Comentário Bíblico Pentecostal: Novo Testamento. Volume 1. 4ª Edição. RJ: CPAD, 2009, p.91).

CONCLUSÃO

Que possamos demonstrar ao mundo e aos nossos irmãos a bondade de Deus que um dia foi derramada em nossos corações. Que jamais venhamos aceitar qualquer forma de homicídio, pois somos novas criaturas e sabemos que Deus abomina tal prática. [Comentário: Temos o dever de demonstrar ao mundo a bondade de Deus pelo menos por quatro razões:
1) posição em Cristo e a responsabilidade nessa relação;
2) recursos de conforto e encorajamento, por causa do amor de Cristo;
3) a recompensada comunhão dentro do Corpo de Cristo; e
4) a oportunidade de se compadecer.
Aos Filipenses, Paulo demonstra a importância dos relacionamentos que deve haver entre os irmãos, trazendo a visão dos efeitos que esta união vital dos membros traz à Igreja. A verdadeira essência da unidade do Espírito consiste em viver de modo digno (Ef 4.1-3), permanecendo firme num só espírito e propósito (Ef 4.3), combatendo lado a lado como guerreiros pela propagação e defesa do evangelho, segundo a revelação apostólica (v. 17; cf. Ef 4.13-15) e defendendo juntamente a verdade do evangelho contra aqueles que são "inimigos da cruz de Cristo" (3.18). E ainda, nunca devemos perder de vista que a vida cristã deve ser uma vida generosa, cheia de liberalidade. A fé cristã está fundamentada nos dois princípios do grande mandamento: "Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças; este é o primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás a teu próximo como a ti mesmo" (Mc 12.30,31).] “NaquEle que me garante: "Pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus" (Ef 2.8)”.

Francisco Barbosa
Disponível no blog: auxilioebd.blogspot.com.br



quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

LIÇÃO 7: BENIGNIDADE: UM ESCUDO PROTETOR CONTRA AS PORFIAS


SUBSÍDIO I

Na lição de hoje estudaremos a benignidade como um aspecto do fruto do Espírito e antídoto contra as porfias. O texto bíblico da lição se encontra em Colossenses 3.12-17. Porém, para aprofundar sua reflexão, é importante que você leia todo o capítulo 3 da carta e destaque o tema central do capítulo. O que Paulo desejava evidenciar? Ele pretende mostrar que nossas atitudes refletem o Deus que declaramos conhecer e servir. Nossa vida cristã precisa ser evidenciada mediante nossas ações. Jesus afirmou que somos o sal e luz deste mundo. Para evidenciar tal ensino, Paulo faz ao longo do capítulo, um paralelo entre morte e ressurreição. Fica evidente que se experimentamos o novo nascimento, precisamos buscar as coisas que são de cima (Cl 3.1-4). Nossos corações e mentes devem estar voltados para o Reino, pois quem tem o coração no Reino de Deus é benigno e certamente rejeitará as porfias.
A nova vida em Cristo exige renuncia e implica em certos princípios de conduta. Por isso, Jesus proferiu o magnífico Sermão do Monte. Neste sermão Ele mostra qual deve ser a conduta dos súditos do Reino. Quando falamos em conduta, é importante ressaltar que não se trata de legalismo, mas segundo o Comentário Bíblico Pentecostal é antes de tudo “uma exortação ao tipo de comportamento que flui da participação do crente na vida ressurreta de Cristo.”
Jesus precisa ser nosso referencial de bondade, pois ensinou a humanidade a amar a Deus e ao nosso próximo (Mt 22.35-39). Mas, infelizmente muitos não querem viver segundo os ensinos do Mestre. Como cristãos precisamos seguir os exemplos do nosso Salvador: “Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu fiz, façais vos também” (Jo 13.15). Temos que ser influenciados não pela nossa cultura, mas por Jesus. Ele é o nosso modelo de caráter. Se observarmos o caráter de Jesus veremos que Ele é o oposto daqueles que praticam maldade e porfias. Observe:
·  Jesus era humilde ao se relacionar com as pessoas, independente de sua posição social ou raça (Mt 9.11). Em geral os que gostam de brigar e querem resolver tudo na base da violência, são arrogantes e se acham superior aos outros. Somos todos iguais perante Deus. Ninguém é melhor ou pior do que ninguém.
·  Jesus era manso e humilde de coração (Mt 11.29). A mansidão é uma virtude que nem sempre todos têm ou compreende. Ser manso não é ser bobo. Ser manso é se opor a toda forma de desumanidade e crueldade. Jesus sempre se mostrou manso e benigno de coração (2 Co 10.1). Diante de seus algozes, Ele não abriu a sua boca, não feriu ou maltratou ninguém. Jesus era inocente, fez tudo por amor a nós e não revidou em momento algum.
·  Jesus era misericordioso. Ele demonstrava compaixão diante das necessidades alheias. Certa, vez Jesus narrou a história do Bom Samaritano a fim de ensinar a respeito do amor e compaixão pelos necessitados (Lc 10.25-37). Nesta história, o sacerdote passa, vê o homem caído no caminho e não faz nada por ele. Muitos também veem pessoas caídas, sofrendo algum tipo de violência e não fazem nada para ajudar. Age com indiferença, finge não ver nada. Na história que Jesus contou quem socorreu o homem ferido foi um samaritano. Um bom cristão faz coisas boas pelos outros.
·  Jesus era pacificador. Na medida do possível, você procura conviver bem com todos ou você é do tipo brigão (Rm 12.8)? Tem gente que em vez de amenizar os ânimos acaba colocando mais fogo e incentivando outros a agirem com violência, a brigarem e maltratarem as pessoas. A Palavra de Deus declara que os pacificadores são felizes (Mt 5.9). A Bíblia também diz que devemos nos despojar da raiva, das focas, xingamentos (Cl 3.8).

Sugestão didática:

Reproduza o esquema abaixo no quadro. Converse com os alunos a respeito da benignidade e porfias (contendas, discussões, brigas). Em seguida, pergunte aos alunos quais seriam os sinais de uma pessoa benigna e uma pessoa que gosta de brigas e discussões. À medida que forem falando vá relacionando no quadro.

     SINAIS DE BENIGNIDADE              SINAIS DE PORFIA 
 Misericórdia              
 Falta de compaixão
 Bondade
 Sempre vê o lado ruim de tudo





Telma Bueno
Editora responsável pela Revista Lições Bíblica Adultos


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Benignidade, um escudo protetor contra as porfias
Ao longo dos Evangelhos, nosso Senhor nos ensina, a partir de seu exemplo, como tratar pessoas que tinham algum desvio moral grave. Em nenhum momento nosso Senhor chegou a detratá-las, condenando-as sumariamente. Embora o mestre de Nazaré jamais tenha corroborado com os pecados dessas pessoas, pois muitas vezes ele afirmava “não peques mais”, Jesus as tratavas com muita benevolência, humanidade e bondade. Isso é ser benigno!

Sobre a benignidade
O termo benignidade remonta a ideia de generosidade, isto é, uma sensibilidade emocional e espiritual para com os outros. E a ideia de discernir o limite de carga de cada pessoa, ajudá-la a aliviá-la. Esse é o sentido de benignidade em Galátas 5.22. Quantas pessoas que nos deparamos estão com uma carga pesadíssima em suas vidas?! Às vezes, com o histórico de erros cometidos no passado, cuja última coisa que elas precisam é de um tratamento desrespeitoso e sem misericórdia. Por isso devemos ser generosos em anunciar o Evangelho ao pecador, com ternura, compaixão e muito respeito, fazendo tudo no “espírito” do Evangelho.

Sobre a porfia
Diferentemente da benignidade, porfiar é discutir, disputar, polemizar, demonstrar superioridade ao outro. Não por acaso, a porfia está fundamentada no orgulho e na inveja. É uma obra eminentemente da nossa velha natureza. Por isso, o único antídoto para não cair na cilada da porfia é firmar um compromisso verdadeiro de imitar a Cristo em tudo. Ora, se olharmos para o Evangelho de nosso Senhor, constatamos que Jesus Cristo sempre evitou a discussão, a disputa, a polêmica, o que não significava ensinar sem convicção e autoridade. Pelo contrário, o exemplo de Jesus era tão retumbante que era impossível as pessoas não se sensibilizarem pela sua benignidade.
Num tempo onde as pessoas não têm muita paciência com as outras, desejam por qualquer motivo sobrepor a opinião das outras pessoas, é importantíssimo olhar para o Evangelho de Jesus, compreendê-lo e aplicá-lo na vida. Os filhos da Igreja precisam ser amados e bem cuidados para glória de Deus. As pessoas que abordamos nas ruas para falarmos do amor de Deus precisam estar em contato direto com esse fruto do Espírito manifestado em nossa vida. Deus abençoe!

 Fonte: Revista Ensinador Cristão, Ano 18 - nº 69 – jan./fev./mar. de 2017. 


SUBSÍDIO II

INTRODUÇÃO

Em continuidade ao estudo das obras da carne e do fruto do Espírito, nos dedicaremos na aula de hoje para a benignidade, que nos protege contra as porfias. Inicialmente destacaremos que essa é uma tendência pecaminosa que incita à discórdia, e à ruptura nos relacionamentos pessoais. Como alternativa à porfia, devemos cultivar a benignidade, que é propriamente, um sentimento amável em relação aos outros. Essa é uma virtude do fruto do Espírito que precisa ser cultivada, caso contrário, estragaremos nossos relacionamentos interpessoais.

1. AS SETAS DA PORFIA

Porfia, no Novo Testamento Grego, é eithia ou eritheia, que poderia muito bem ser traduzida por “ambição, egoísmo ou rivalidade”. Existem pessoas que estão entregues a esse tipo de sentimento, sobretudo por causa da inveja que incita a esse pecado. Essa palavra se deriva de erithos, cuja relação imediata é com “aquelas pessoas que fazem qualquer coisa por dinheiro”. Não podemos esquecer que o amor ao dinheiro, como bem ressaltou Paulo ao pastor Timóteo, é a raiz de todos os males (I Tm. 6.9,10). Há muitas pessoas que não conseguem se desvencilhar desse ídolo, mamom se tornou o deus delas, são presas fácil das setas da ganância. Por causa do dinheiro, muitos cristãos deixaram de amar uns aos outros. Inclusive alguns obreiros perderam o foco do ministério, viraram pastores meramente profissionais, esqueceram a missão precípua diante do rebanho. Algumas igrejas locais estão contaminadas pelas porfias, tivemos em Filipos o exemplo de Evódia e Síntique, antes destemidas na obra de Deus, mas que se indispuseram uma contra a outra (Fp. 4.2). Existem disputas totalmente desnecessárias dentro das comunidades de fé, e que estão destruindo os relacionamentos, comprometendo a unidade da igreja. A começar pelas lideranças, que disputam territórios eclesiásticos, instigados pela ganância, que corrói o ministério e a espiritualidade. Precisamos resgatar na igreja evangélica a vocação genuinamente ministerial, pessoas que se comprometam com a obra. Há líderes que se negam a assumir igrejas menores, dizem que não podem ser rebaixados, como se ministério fosse uma hierarquia. Igrejas não são empresas, ministério não é profissão, riqueza não é seu objetivo. As pessoas mais simples da igreja estão seguindo o mesmo exemplo, muitas delas se debatem por cargos, querem tirar algum proveito das posições.

2. PROTEGENDO-SE COM A BENIGNIDADE

A proteção contra as setas malignas da porfia é a benignidade, cuja palavra em grego é cherestotes, que pode muito bem ser traduzida por “amabilidade, ternura, compaixão ou brandura”. Jesus é o maior exemplo de amabilidade, pois Ele mesmo declarou que seu jugo era suave (gr. cherestotes) em Mt. 11.30. Esse termo tem a ver com a disposição para viver bem com as pessoas, sem que isso se dê por meio da força ou coerção. Existem pessoas que somente se relacionam com outras por meio da imposição. Esse tipo de relacionamento é tóxico, e pode causar muitos estragos, principalmente aos mais frágeis na fé. A base dos relacionamentos deve ser a amabilidade, nunca a coerção. Cristo espera de nós que O amemos, e que esse seja o fundamento do nosso relacionamento com Ele (Jo. 14.21). Assim também deve ser nosso relacionamento com as pessoas da igreja, ninguém deveria se aproximar do outro para tirar algum tipo de vantagem. Esse tipo de relacionamento pode ser exemplificado por meio de um casamento, no qual a esposa e o esposo estão dispostos a viverem juntos, e a se comprometerem um com o outro, não por meio da força, mas do amor que os une (Ef. 5.25). Pastores devem aprender a ser amáveis com as suas ovelhas, não devem trata-las como se fossem servas deles, nem se aproveitaram das suas necessidades e fragilidades emocionais (I Pe. 5.1). Existem pessoas que adoeceram por causa de abuso ministerial, pastores que destrataram injustamente suas ovelhas. Devemos lembrar sempre que as ovelhas são do Senhor, e que essas foram compradas com precioso sangue, e delas prestaremos contas diante de Deus (At. 28,29).

3. CULTIVANDO A AMABILIDADE

Devemos aprender a cultivar a amabilidade, e isso se dá por meio do exercício da piedade (I Tm. 4.7,8). A partir de uma espiritualidade sadia, poderemos desenvolver essa virtude do fruto do Espírito, a fim de demonstrar nossa disposição para o serviço ao próximo, fundamentado no genuíno amor cristão (Mc. 12.29-31). A generosidade é uma maneira eficaz de demonstrar amabilidade, precisamos nos dispor a ajudar aqueles que são mais pobres, e que se encontram em condição de necessidade (II Co. 8.2,3). O individualismo egoísta precisa ser vencido por meio da gentileza cristã, que não se preocupa apenas em juntar tesouros na terra, mas que investe também nas riquezas celestiais (Mt. 6.19-21). As pessoas que são amáveis não se indispõem facilmente com as outras, assim como Davi fez com Saul, dependem da beneficência de Deus (II Sm. 9.1-3). Os pastores devem dar o exemplo, considerando o que escreveu Paulo a Timóteo, afirmando que “ao servo do Senhor não convém contender, mas, sim, ser manso (benigno) para com todos (II Tm. 2.24). Jesus, ao ser entregue aos seus inimigos, preferiu depender de Deus, demonstrando amabilidade, e perdoando seus algozes (Lc. 23.34). Estevão, o servo do Senhor, também seguiu Seu exemplo, mesmo sendo apedrejado, perdoou seus perseguidores (At. 7.59,60). Somente seremos amáveis ou benignos se estivermos dispostos a nos colocar na condição de servos do Senhor. O próprio Jesus não veio para ser servido, mas para servir, e dar a sua vida em resgate de muitos (Mt. 20.28). É nesse mesmo sentido que Paulo orienta para que levemos as cargas uns dos outros, a fim de demonstrar quão amáveis e benignos somos para os outros (Gl. 6.2).

CONCLUSÃO

Revelemos, pois, a amabilidade, exercitando misericórdia, não tratando os outros pelo que merecem, mas com graça. Não podemos esquecer que fomos alcançados pela graça maravilhosa de Deus em Cristo. Isso deve ser motivo suficiente para que sejamos amáveis em nossos relacionamentos. Vivamos, então, com altruísmo, não para nós mesmos, mas para os outros, pois para isso fomos chamados, e assim daremos muitos frutos, para a glória de Deus.

Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Extraído do Blog subsidioebd

COMENTÁRIO E SUBSÍDIO III

INTRODUÇÃO

Na lição de hoje estudaremos mais um aspecto do fruto do Espírito, a benignidade e mais um aspecto das obras da carne, a porfia. Veremos que o crente cheio do Espírito tem um coração benigno e procura ter relacionamentos saudáveis, evitando discussões, disputas e polêmicas. O conselho de Paulo a Timóteo foi para que ele fugisse das discussões, polêmicas e debates acerca da lei, pois tais discussões são inúteis e não acrescentam nada à fé dos irmãos (Tt 3.9). [Comentário: O fruto do Espírito é a luz que se opõe às obras infrutuosas das trevas. Os filhos da luz produzem fruto de acordo com a sua natureza santa porque andam na luz, enquanto os filhos das trevas, obras infrutíferas porque trilham nas trevas (Ef 5.8-13). Stanley M. Horton escreve que “a razão básica dos dons é ser uma bênção ao próximo. A bondade, ou generosidade, nos leva à preocupação com as pessoas de modo prático e dinâmico, onde quer que estas se encontrem. A Igreja Primitiva sabia praticar a mútua generosidade, sem medo de exagerar nos cuidados". LIM, David. Os dons espirituais. In HORTON, Stanley M. (ed.). Teologia sistemática: uma perspectiva Pentecostal. RJ: PAD, 1996, p. 490.. Benignidade (gr. chrestotes), isto é, não querer magoar ninguém, nem lhe provocar dor (Ef 4.32; Cl 3.12; 1Pe 2.3). A palavra grega chrestotes nos faz lembrar Cristo, o exemplo supremo da benignidade. Paciência e benignidade estão juntas na primeira linha da descrição do amor de Deus (1Co 13.4). Paulo nos conclama a seguir o exemplo de Cristo, a sermos benignos e compassivos, perdoando uns aos outros (Ef 4.32). A severidade não é o modo de agir do corpo de Cristo. A mútua estima e respeito, sim. A benignidade é o bálsamo que nos une, à medida que aprendemos a dar valor uns aos outros. Até mesmo os dons são resultados da benignidade de Deus para conosco.] Dito isto, vamos pensar maduramente a fé cristã?

I. A BENIGNIDADE FUNDAMENTA-SE NO AMOR

1. O que é benignidade? Você conhece o significado dessa palavra? Benignidade significa índole boa, bom caráter; benevolência, humanidade e bondade. No crente, essas características não são o resultado de uma boa formação acadêmica ou de uma família funcional. É o resultado do fruto do Espírito. Não conseguimos ser bondosos pelo nosso próprio esforço. A bondade que estamos estudando vem de Deus, pois Ele é a fonte de toda benevolência e amor (1Jo 4.8). Deus é amor, logo, a benignidade é uma das características do crente. [Comentário: Benignidade – (Gr. chrestotes) Delicadeza, afabilidade; uma graça muito rara, uma disposição a ser gentil, temperado, culto e refinado em caráter e conduta. A benignidade é uma faceta do amor. "O amor é... benigno", escreveu o apóstolo Paulo (1Co 13.4). Outras passagens associam a benignidade à misericórdia. Ser benigno é ser amoroso, misericordioso e compassivo, até mesmo com quem não merece (Lc 6.35; Mt 5.44-48). É preciso diferenciarmos benignidade e bondade, que embora sejam termos bastante parecidos, têm significados diferentes. Benignidade é a disposição em ser bondoso com o próximo. Significa excelência de caráter, pensar bem a respeito das pessoas. Bondade é a ação de ser bom, gentil e reto para com o próximo. Para facilitar a compreensão, contrário de benignidade é malignidade, ou seja, aquele que não é benigno é maligno. Assim, o benigno produz bondade enquanto que o maligno, maldade. Deus é sempre benigno, pois ele está sempre disposto a agir com bondade para conosco, entretanto, a sua benignidade tem um sentido mais pleno como consequência de sua onisciência. Ele sabe perfeitamente as intenções do coração do homem. Não se esqueça do conceito de benignidade: Disposição em ser bondoso com o próximo; A benignidade fala de uma disposição interior e a bondade fala de consequências ou atos exteriores. Quem é benigno, pratica a bondade. Embora Deus conheça o nosso coração, ele nos ama e sempre está disposto a ser bondoso, isso deve nos servir como modelo, já que a tendência de fazermos o contrário é muito grande.]
2. Jesus, exemplo de benignidade. Jesus, como homem perfeito, é o nosso maior exemplo de benignidade e amor (Jo 3.16). Ele amou os ricos e os pobres e sempre ajudou a todos que foram até Ele, como por exemplo, a mulher Cananéia cuja filha estava miseravelmente endemoninhada (Mt 15.21-28). A princípio, parece que Jesus não estava se importando com o clamor daquela mãe. Porém, o Mestre estava testando a fé daquela mulher. Jesus mesmo declarou: “Ó mulher, grande é a tua fé” (Mt 15.28). Jesus, em sua bondade, não se prendeu a debates religiosos ou políticos, pois sabia que a sua missão era salvar e resgatar os que estavam perdidos (Lc 19.10). [Comentário: Jesus Cristo, com sua alma delicada e benigna, admoesta os seus discípulos que quiseram impedir a aproximação de algumas crianças. Ele disse: "Deixai vir a Mim as criancinhas e não queirais impedi-las"(Mc 10.13,14). Outro exemplo de sua benignidade deu-se após sua ressurreição, quando disse a Maria: "Vai contar aos meus discípulos e a Pedro" (Mc 16.7). A referência a Pedro seria desnecessária, uma vez que Pedro era um de seus discípulos, mas a benignidade de Jesus não o deixava esquecer e menosprezar o remorso que seu discípulo estaria sentindo por tê-lo negado. O espírito benigno de Jesus era capaz de compreender o temperamento vacilante e inconsequente do sanguíneo Pedro, que pergunta quantas vezes deverá perdoar um irmão (Mt 1.8-21). O Espírito Santo lhe responde com uma quantidade que o faz parar de contar, porque Ele não tem limite para perdoar. Os Evangelhos contêm numerosas ilustrações da benignidade que Cristo demonstrou para com os pecadores. Para mencionar apenas algumas, ver Mc 10.13-16; Lc 7.11-17, 36-50; 8.40-56, 13.10-17, 18.15-17, 23.34; Jo 8.1-11, 19.25-27 Extraído de:http://aprendendocomasescrituras.blogspot.com.br/2013/11/o-fruto-do-espirito-benignidade.html. A mulher cananéia não era judia mas tinha qualidades em sua vida que agradavam a Deus. A resposta de Jesus para ela parece menos rude quando se sabe que o termo que Jesus usa neste trecho para "cachorrinhos" não era aquele termo irônico que os judeus geralmente reservavam para os gentios - cães. Pelo contrário, era o termo usado para cãezinhos de estimação". Com um espírito de mansidão e humildade no coração, ela responde ao Senhor com palavras sábias e doces ... "Sim, Senhor; mas também os cachorrinhos comem, debaixo da mesa, as migalhas dos filhos" (Mc 7.28).]
3. A benignidade na prática. O evangelista Billy Graham disse que é muito fácil ser indelicado e impaciente com os que erram e falham. É fácil ser bondoso e gentil com quem nos trata bem, mas precisamos ser benignos com aqueles que erram, tropeçam e ainda nos tratam mal. Para isso, precisamos ser cheios do Espírito Santo (Ef 5.18). A Terceira Pessoa da Trindade, habitando em nosso interior, nos leva a ser bondosos em todas as circunstâncias. Muitas pessoas rejeitam o cristianismo porque alguns cristãos não amam como o seu Mestre. Jesus foi gentil para com os publicanos e os pecadores. Ele se assentava e comia com essas pessoas (Mt 9.11,12). O Mestre também fez questão de pousar na casa do publicano Zaqueu (Lc 19.1-10). Os publicanos, por serem os cobradores de impostos, eram odiados pelo povo, pois em geral, cobravam mais do que as pessoas deviam. Na cruz, Jesus demonstrou benignidade ao atender o pedido de um salteador (Lc 23.42,43). [Comentário: Benignidade é o amor em exercício. Os filhos da luz produzem fruto de acordo com a sua natureza santa porque andam na luz (Ef 5.8-13). Para que saibamos se um ato agrada ao Senhor, devemos testá-lo pelo critério da 'bondade', da 'justiça' e da 'verdade'. Além de sabermos que a vontade do Senhor é boa, perfeita e agradável (Rm 12.2), precisamos perguntar se nossas atitudes são boas, justas e verdadeiras. Se elas forem reprovadas por esses três critérios, não poderemos ser considerados dignos da Luz do Mundo. Portanto, como o texto de Efésios 5.9,10 atesta: "Porque o fruto do Espírito está em toda bondade, e justiça, e verdade, aprovando o que é agradável ao Senhor", o fruto do Espírito está/acha-se/encontra-se em toda bondade, justiça e verdade - os princípios pelos quais devemos julgar não as pessoas, mas suas atitudes. A vida e a graça que Cristo transmite aos que o aceitam produzem amor, misericórdia e compaixão pelos necessitados e aflitos. Esse amor é um dom da graça de Deus através de Cristo. O crente tem a responsabilidade de viver à altura do amor do Espírito Santo tendo, dentro dele, um coração não endurecido. Quem afirma ser cristão, mas tem o coração insensível diante do sofrimento e da necessidade dos outros, demonstra cabalmente que não tem em si a vida eterna (Mt 25.41-46; 1Jo 3.16-20).]

SUBSÍDIO TEOLÓGICO

“A palavra benignidade em Gálatas 5.22 é tradução do termo grego cherestotes, que significa bondade como qualidade de pureza e também como disposição afável de caráter e atitudes. Abrange ternura, compaixão e brandura.
Em Mateus 11.30, a palavra chrestotes é usada para descrever o jugo de Jesus. Ele disse: ‘Porque o meu jugo é suave [chrestos], e o meu fardo é leve’. O jugo de Cristo fala do desenvolvimento de uma vida disciplinada através da obediência, submissão, companheirismo, serviço e cooperação. É uma relação cortês, gentil e aprazível (benigna) porque está baseada no compromisso e amor, e não na força e servidão. Temos um Mestre a quem servir, porque o amamos, e também servimos uns aos outros em razão de nosso amor por Ele. Servir sem amor é intolerável — servir por amor é o mais alto privilégio.
A palavra chrestos também é usada em Lucas 5.39 para descrever o vinho velho, que é melhor ou doce. Não há amargura nesse vinho. Esta ideia nos ajuda a entender melhor o que o apóstolo Paulo nos diz em Efésios 4.31,32 e 5.1,2” (GILBERTO, Antonio. O Fruto do Espírito: A plenitude de Cristo na vida do crente. 2ª Edição. RJ: CPAD, p.90).
II. A PORFIA FUNDAMENTA-SE NA INVEJA E NO ORGULHO

1. Inimizade e porfia. Embora estas duas palavras pareçam ter o mesmo significado, elas são distintas. Segundo o Dicionário Houaiss, inimizade é ódio, indisposição e malquerença; porfia significa contendas de palavras, discussão, disputa e polêmica. Embora tenham significados distintos, elas são obras da carne, da velha natureza, por isso, devemos fugir de tais ações (Gl 5.20,21). [Comentário: ECHTHRA: inimizade, ódio, hostilidade. Inimizade é o antônimo exato de amor. Echthra (inimizade) é a atitude da mente e do coração que coloca barreiras entre um homem e outro ou entre um povo e outro ou ainda entre uma classe e outra enquanto que o amor (ágape) é a atitude da mente e do coração que alarga o círculo, que estende a mão da amizade e que abre os braços do amor. O primeiro é uma obra da carne o segundo é fruto do Espírito. ERIS: contendas, porfias, rixas, brigas. Pode-se dizer que inimizade (echthra) e porfia (eris) têm uma  ligação muito grande uma com a outra. Inimizade é uma atitude da mente e do coração para com a outra pessoa; e porfia é o resultado na vida real deste estado mental. Inimizade é um dos males que caracteriza o mundo pagão (Rm 1.29). Quando alguém começa a pregar, não para glorificar a Jesus Cristo, mas para exaltar seu próprio conceito pessoal sobre a pessoa de Jesus; quando prega a teologia ao Ives do evangelho, quando prega a fim de demolir seu oponente ao invés de ganhá-lo então entra ai a inimizade Texto extraído de: http://reflexao-biblica.blogspot.com.br/2012/12/o-texto-que-segue-e-na-verdade.html. Porfia é discussão, briga, insistência. A porfia é uma briga que acontece quando as pessoas são teimosas e insistem em ganhar a discussão e Paulo exorta que devemos evitá-la (2Tm 2.23-24). A porfia só acontece quando as pessoas se esquecem do amor e respeito. A Igreja de Jesus é um corpo espiritual no qual a unidade do Espírito só pode ser conservada pelo vínculo da paz (Sl 133.1).]
2. Evódia e Síntique. Eram irmãs valorosas que serviam a Deus na igreja de Filipos (Fp 4.2). Tudo indica que essas irmãs se deixaram levar pela velha natureza e estavam envolvidas em alguma porfia. Não sabemos ao certo o motivo da diferença entre elas. Alguns autores dizem que foram questões pessoais, outros que se tratava de uma disputa por questões eclesiásticas. Porém, tal atitude era reprovável. Então, Paulo exorta ambas para que acabem de uma vez por todas com as diferenças. O apóstolo, como líder daquela igreja, não procurou saber quem estava com a razão, mas com amor e firmeza ordenou que elas parassem com tal atitude. Em meio às porfias não existem vencedores. Todos acabam perdendo e dando lugar ao Diabo (Ef 4.27). [Comentário: Evódia (que quer dizer “boa viagem”) e Síntique (“afortunada”) foram duas conceituadas mulheres macedônias que gozavam de grande destaque na igreja de Filipos. Ambas possuíam forte personalidade e a desavença entre elas quebrava a harmonia e o bem-estar daquela Igreja minimizando, por assim dizer, o dom da alegria, do gozo e do regozijo redobrado. Com o desejo de sanar o problema, Paulo, no versículo 3, apela para um companheiro que ajudasse aquelas mulheres. Não temos como saber o que realmente acontecia entre Evódia e Síntique. Eram obreiras esforçadas pela causa do evangelho e crentes de fato. Paulo as incluiu no grupo de cooperadores que têm seus nomes escritos no Livro da Vida (v.3). A tentação que temos ao lidar com o desentendimento entre pessoas da igreja é tentar polarizar, ou seja, tentar definir quem está certo e quem está errado, quem é de Deus e quem é o inimigo. A igreja de Filipos nos ensina que até mesmo duas obreiras cristãs e convertidas de fato podem entrar em discórdia.]
3. Miriã e Arão. Moisés havia sido escolhido pelo Senhor para conduzir o seu povo até Canaã, e uma das suas características mais marcantes era a mansidão e a humildade (Nm 12.3). Todo líder precisa dessas duas características para que tenha uma liderança bem-sucedida. Certo dia, Miriã e Arão, irmãos de Moisés, ficaram indignados pelo fato de ele ter se casado com uma mulher cuxita (Nm 12.1). Eles não estavam preocupados com Moisés, mas, por trás da porfia, também havia outro sentimento, a inveja. Eles certamente desejavam a liderança do irmão. Um sentimento carnal traz consigo outros sentimentos, despertando o que há de pior em cada pessoa. As consequências da inveja e da porfia foram terríveis para Miriã e para todo o povo, pois tiveram que ficar retidos, em um lugar, até que Miriã pudesse se ajuntar novamente à congregação (Nm 12.15). Tenha cuidado com a porfia, pois ela trará prejuízos a você e ao povo de Deus. [Comentário: Qual a ligação entre os últimos acontecimentos e aquela mulher Cuxita (esta é a palavra hebraica para etíope? Nenhuma. O fato é que precisavam encontrar algum motivo para julgar a liderança de seu irmão Moisés. Parecia ser um problema familiar, mas trouxe à tona os ciúmes que sentiam pela posição e influência de Moisés sobre o povo e eles próprios. A grande responsável pela sobrevivência de Moisés, seu irmão mais novo, Miriã, mais velha que seus irmãos, agora protagoniza uma cena de críticas e ciúmes. Arão havia acompanhado Moisés em seu ministério, e fora designado por Deus para o alto cargo de titular do sacerdócio entre o seu povo, cargo esse que deveria continuar a ser desempenhado exclusivamente pelos seus descendentes. Eles começaram a por em dúvida a posição de líder de Moisés (Nm 12.2). e não foi Moisés quem “se escolheu” para liderar os hebreus, aliás, ele nem queria tal missão. A escolha foi de Deus e Ele ficou muito bravo com Miriã e Arão. Miriã sofreu a ira de Deus, ficou leprosa e Arão passou pela dor de ver sua irmã querida neste estado teve que humilhar-se àquele que antes criticava, para que Moisés interceda ao Senhor por Miriã. O pecado é como a lepra, destrói nossa vida e atinge em cheio nosso relacionamento com Deus e nos afasta Dele. Um leproso nos tempos bíblicos era um morto vivo, que perdia sua casa, seu trabalho, sua família e era obrigado a vagar por lugares distantes das aldeias. Um pecador em estado bruto perde tudo o que tem de mais precioso e vaga por lugares que são os caminhos do diabo e seus demônios.]

SUBSÍDIO TEOLÓGICO

"Porfia
Erithia ou eritheia denota 'ambição egoísmo, rivalidade', sendo voluntariosidade a ideia subjacente na palavra; por conseguinte, denota 'fazedor de partido de divisões'. É derivado, não de erís, "discussão', mas de erithos, 'mercenário, pessoa capaz de tudo por dinheiro'; por conseguinte, o significado de "buscar ganhar seguidores', "facções, porfias, contendas'. É traduzido em 2Co 12.20 por "porfias', não é improvável que o significado aqui seja rivalidade ou ambições vis (todas as outras palavras na lista expressam ideias abstratas em vez de facções). Também ocorre em Gálatas 5.20; Fp 1.17; 2.3; Tg3.1A,l6. Em Romanos 2.8, é traduzido como adjetivo, 'contencioso'. A ordem 'pendências, invejas, iras, porfias', é a mesma em 2Co 12.20 e Gl 5.20. A "porfia' é fruto do ciúme. Contraste com o adjetivo sinônimo hairetikos, que ocorre em Tito 3.10, "faccioso' (ARA), que causa divisão, não necessariamente 'herege' (RC), no sentido de manter falsa doutrina" (Dicionário Vine: O significado exegética e expositivo das palavras do Antigo e do Novo Testamento, l.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2002, pp. 884-85).

III. REVESTIMO-NOS DE BENIGNIDADE

1. Retirando as vestes velhas. Paulo exorta os crentes de Colossos a se despirem da velha natureza, deixando de lado a ira, a malícia, a maledicência e as palavras torpes (Cl 3.8). Como filhos de Deus, precisamos nos revestir de vestes novas, ou seja, novas atitudes, a fim de anunciar ao mundo a benignidade de Deus (1Pe 2.9). Vivemos neste mundo, mas não podemos nos conformar com a sua maneira de viver e pensar (Rm 12.1). Precisamos de santidade, pois sem ela jamais poderemos agradar ao Senhor e nem vê-lo (Hb 12.14). [Comentário: Parece estranho vermos Paulo exortando crentes a não usarem palavras torpes (que contraria ou fere os bons costumes, a decência, a moral; que revela caráter vil; ignóbil, indecoroso, infame) e sim somente a que for boa para edificação, conforme a necessidade, e, assim, transmita graça aos que ouvem (Ef 4.29). Ainda mais quando vemos Tiago escrevendo que isto não deveria ser assim (Tg 3.10). Paulo utiliza o grego sarpós que significa corrompido, indicando toda palavra ou conversa que em si seja prejudicial, desvirtue ou ofenda os ouvidos de quem a recebe (envolve desde palavrões, mentiras, até a maledicência). Continua sendo estranho um crente fazer uso de palavras torpe dado que a boca fala do que o coração está cheio (Mt 15.18-19). Assim, quando um crente fala uma palavra torpe, ou corrompida, ele está manifestando uma condição de corrupção em seu coração, isto é, algo que ainda não foi transformado pelo Espírito Santo! (Rm 3.14). Deste modo, o seu testemunho é falso, porque as suas palavras contradizem a santidade de Deus. Por esta razão nenhum cristão deve usar palavras torpes, palavrões, mentiras, falar mal ou enfatizar os defeitos da vida dos outros, piadas indecentes. É nosso dever transmitir graça aos que nos ouvem, e não pecado. A nossa conversa deve nutrir as necessidades das pessoas e não corrompê-las.]
2. Sede benignos. A benignidade é um antídoto e um escudo contra as porfias. Tornamo-nos benignos porque fomos perdoados e justificados por Jesus Cristo e agora o Espírito Santo habita em nós e nos ajuda a viver de modo santo e justo. Fomos perdoados por Cristo. Por isso, precisamos também conceder o perdão àqueles que nos ofendem e magoam (Mt 6.12,14,15). De certa forma, é até fácil agir com bondade com aqueles que agem conosco dessa mesma forma, mas precisamos ser benignos com aqueles que nos odeiam e nos maltratam. Jesus nos ensinou a amarmos até mesmo os nossos inimigos (Mt 5.44). [Comentário: Aos Colossensses Paulo dá orientações quanto às atitudes para a vida cotidiana: “Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de compaixão, de benignidade, de humildade, de mansidão, de longanimidade.” (Cl 3.12). A benignidade é o amor (ágape) em ação. “O homem bondoso faz bem a si mesmo, mas o cruel a si mesmo se fere” (Pv 11.17). Não esqueçamos que éramos merecedores da justa ira de Deus, mas Sua benignidade proveu salvação para nós, mesmo sem merecê-la – por isso é graça. Como reconhecimento desta benignidade e por sermos semelhantes a Deus, devemos ser benignos também. Também aos Filipenses Paulo orienta: “Não tenha cada um em vista o que é propriamente seu, senão também cada qual o que é dos outros” (Fp 2.4).]
3. Imitando a conduta de Paulo. O apóstolo Paulo tinha uma vida ilibada, e como líder, era um exemplo para os crentes de Corinto. Sua maneira de viver era tão santa que ele desafiou os crentes a serem seus imitadores (1Co 11.1). Sua família, seus amigos e seus irmãos em Cristo podem imitar seus atos e suas ações? Paulo seguia o exemplo de Jesus. Precisamos também seguir o exemplo do Mestre e nos tornarmos semelhantes a Ele. Não podemos nos esquecer que ser cristão é ser semelhante a Cristo. Jesus deve ser o padrão para o nosso viver. Ele tinha uma vida social intensa; ia a casamentos (Jo 2.1-12), jantares na casa dos amigos (Jo 12.1-11), mas não se deixou seduzir pelas coisas desse mundo. [Comentário: Paulo foi salvo por Cristo e dele se tornou imitador, palavra cujo sentido original refere-se ao compromisso de ser discípulo. Todo aquele que vive segundo o exemplo supremo de Cristo deve ser, igualmente seguido (1Pe 2.21). Não podemos esquecer que o termocristão (aparece três vezes no Novo Testamento (At 11.26; 26.28; 1Pd 4.16)) é um apelido e que este apelido referia-se aos crentes que andavam de uma forma digna. Foi em Antioquia da Síria que os discípulos começaram a ser chamados assim (At 11.26), tamanha era a transformação que se tornavam impossíveis de não serem notados. Então a própria sociedade, testemunhando esta transformação, chamava-os de "cristãos". Assim, ser apelidado de cristão seria uma grande honra a qualquer crente. No sitegotquestions.org, no artigo O que é um Cristão?, temos o seguinte: “A Bíblia nos ensina que as boas obras que fazemos não são capazes de nos tornar aceitáveis para Deus. Tito 3:5 nos diz que “não por obras de justiça praticadas por nós, mas segundo Sua misericórdia, Ele nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo.” Então, um Cristão é alguém que foi renascido por Deus (Jo 3.3; Jo 3.7; 1Pd 1.23) e colocou a sua fé e confiança em Jesus Cristo. Efésios 2.8 nos diz que “pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus.” Um verdadeiro Cristão é alguém que se arrependeu do seu pecado e colocou sua fé e confiança somente em Jesus Cristo. A sua confiança não é em seguir uma religião ou um conjunto de códigos morais, ou uma lista de faças e não-faças. Um verdadeiro Cristão é alguém que colocou a sua fé e confiança na pessoa de Jesus Cristo e no fato de que Ele morreu na cruz como pagamento por nossos pecados e ao terceiro dia ressuscitou dos mortos para obter vitória sobre a morte e dar vida eterna a todos os que Nele creem. João 1:12 nos diz: “Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que creem no seu nome.” Um verdadeiro Cristão é de fato um filho de Deus, uma parte da verdadeira família de Deus, e alguém que recebeu vida nova em Cristo. A marca de um verdadeiro Cristão é o amor pelos outros e obediência à palavra de Deus (1Jo 2.4; 1Jo 2.10).https://www.gotquestions.org/Portugues/que-Cristao.html]

SUBSÍDIO TEOLÓGICO

“Cristo é nosso exemplo de como andar em amor, como oferta de cheiro perfumado. As ofertas pelo pecado descritas no Antigo Testamento não eram perfumadas. Mas isto é dito acerca de Jesus, nossa oferta pelo pecado, que se deu em ternura, compaixão e brandura, porque Ele nos amou. Jesus demonstrou em sua forma mais elevada o significado de ser benigno e misericordioso uns para com os outros. É por isso que para o apóstolo Paulo Ele era a oferta de cheiro perfumado, oferecida em amor.
Em 1 Pedro 2.3, a versão Almeida Revista e Atualizada traduz o termo grego chrestotes (ou chrestos) por ‘bondoso’; ‘Se é que já tendes a experiência de que o Senhor é bondoso’. Referência semelhante no Antigo Testamento ocorre em Salmos 34.8: ‘Provai e vede que o Senhor é bom’, o que fala de brandura. Estes versículos bíblicos dizem respeito a experimentar de modo pessoal a benignidade de Deus” (GILBERTO, Antonio. O fruto do Espírito: A plenitude de Cristo na vida do crente. 2ª Edição. RJ: CPAD, 2004, p.91).

CONCLUSÃO

Se realmente desejamos expressar um cristianismo vivo, autêntico, precisamos excluir do nosso meio as porfias, pois são obras da carne e maculam corpo de Cristo. Precisamos seguir o exemplo de Jesus Cristo, que, com sua benignidade, atraía as pessoas para se reconciliarem com Deus. Jesus manifestou sua benignidade curando os enfermos, libertando os oprimidos pelo Diabo e morrendo na cruz pelas nossas ofensas e delitos. [Comentário: “Discórdias, dissensões e facções. Aqueles que praticam tais coisas não herdarão o reino do céu” - esta advertência de Paulo em Gálatas 5.19-21 é clara. Deus não aceita o espírito partidário divisor que domina tantas pessoas religiosas de hoje. Estes pecados correm diretamente contra a oração de Jesus e a verdadeira natureza de Deus (Jo 17.20-23). Quem se dá às porfias precisa experimentar um encontro real com Cristo. Nenhuma carta do Novo Testamento fala mais sobre divisão do que 1º Coríntios. As facções na igreja coríntia eram o resultado de comportamentos carnais de pessoas que estavam mais preocupadas com suas próprias reputações e influências do que estavam com o povo de Deus (leia cuidadosamente 1 Coríntios 3.1-17). Quando os homens são apanhados na carnalidade de tentar mostrar que nossas igrejas são maiores do que as igrejas deles, que nossos projetos são melhores do que os projetos deles e que nossos pregadores são mais eloquentes do que os pregadores deles, as contendas são inevitáveis. Se pensarmos que somos maiores e melhores, seremos dominados pelo orgulho. Se temermos que outros estejam ganhando a corrida, seremos dominados pela inveja e o ciúme. Não importa quem está na frente; todos que estão na corrida estão errados! Vergonha para aqueles que rebaixarem a obra do Senhor ao nível de uma competição atlética. Deixem as competições e a busca de reconhecimento humano na planície de Sinear e retornem à pregação da mensagem simples da cruz de Cristo (1Co 2.1-5; veja Gn 11.1-9). É interessante que Jesus frequentemente nos diga para buscarmos as bênçãos que ele promete em lugares inesperados. Àqueles que queriam ser exaltados, ele disse que olhassem para baixo e lavassem os pés de seus irmãos (Jo 13.14-15). Àqueles preocupados com necessidades físicas, ele disse que buscassem as coisas espirituais (Mt 6.31-34). E àqueles que querem a paz com os homens, ele diz que busquem a sabedoria pura que vem de cima. Se começarmos a buscar a paz, é bem provável que acabemos com nada mais do que alianças impuras com pessoas infiéis. Mas se partirmos para buscar e seguir a Verdade, receberemos o benefício extra da paz com Deus e seu povo. "A sabedoria, porém, lá do alto é, primeiramente, pura; depois, pacífica..." (Tg 3.17). Não podemos reverter a ordem. Se pusermos a paz acima da pureza na pregação e na prática, terminaremos em desavença com Deus. Mas se nos devotarmos a proclamar e a seguir a pura mensagem de Jesus Cristo, gozaremos paz eterna com Deus e seu povo (1Co 1.10; Ef 2.11-22). "Assim, pois, seguimos as cousas da paz e também as da edificação de uns para com os outros" (Rm 14.19).] “NaquEle que me garante: "Pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus" (Ef 2.8)”.

Francisco Barbosa

Disponível no blog: auxilioebd.blogspot.com.br