sábado, 6 de maio de 2017

LIÇÃO 6: JÔNATAS, UM EXEMPLO DE LEALDADE




SUBSÍDIO I

Prezado professor, prezada professora,
Amizade. Lealdade. Duas palavras que revelam singeleza e compromisso com o próximo. Como precisamos repeti-las, mas mais que repeti-las, vivê-las!
A história de amizade entre Jônatas e Davi nos mostra esses valores tão importantes para a vida. Essa história é o assunto da lição desta semana. Provavelmente, você conhece bem a biografia de Davi, o homem segundo o coração de Deus. Entretanto, Jônatas não é muito conhecido, nem sua biografia tanto explorada. Por isso, sugerimos que você estude o máximo a biografia dessa personagem tão terna que as Escrituras Sagradas testemunham.
 “JÔNATAS Esse nome ocorre frequentemente na literatura bíblica − [pois além do filho de Saul, há o filho de Gérson e neto de Manassés (Jz 18.30); e o filho de Abiatar e sumo sacerdote do conselho de Davi (2 Sm 15.27,36; 17.15.22); filho de Simeia, irmão de Davi ... e muitos outros ao longo do Antigo Testamento].
2. Filho mais velho do rei Saul de Israel.
Sua bravura militar. Depois da decisiva vitória sobre os amonitas (1 Sm 11), o rei Saul separou o seu exército em duas divisões: cerca de 2000 homens ficaram estacionados em Micmás sob as suas ordens, e cerca de 1000 ficaram acampados sob as ordens de seu filho Jônatas, a aprox. 8 quilômetros aos sul de Gibeá. Entre esses dois acampamentos militares fica um posto avançado dos filisteus em Geba. Jônatas matou o chefe (ou governador) local, o que os filisteus interpretaram como uma revolta das forças israelitas (1 Sm 13.3). Decidiram atacar imediatamente, obrigando Saul abandonar a abandonar Micmás. O rei se retirou para Gilgal para recuperar as forças e, em seguida, retornou à região montanhosa para estabelecer base em Geba (1 Sm 13.16). Jônatas realizou um ataque surpresa contra os filisteus que estavam guardando a passagem ao sul de Micmás e, sozinho, matou a todos (1 Sm 14.6-14). Deus acompanhou o feito de Jônatas com um terremoto e os filisteus fugiram tomados de pânico. Os israelitas, que dispunham apenas de rudes instrumentos agrícolas (1 Sm 13.20), perseguiram o inimigo até derrotá-lo de forma completa.
Essa vitória foi maculada pelo rei Saul que, tomado de superstição religiosa, ordenou a todos os guerreiros que jejuassem até o anoitecer (1 Sm 14.24). Quando Jônatas, de forma desavisada, deixou de cumprir essa ordem, o rei ordenou que o príncipe fosse executado. Mas o povo, lembrando sua bravura militar, interveio e salvou sua vida (1 Sm 14.25-45).
[...] Sua história final. Durante os dias em que Saul perseguiu Davi, Jônatas permaneceu na retaguarda – evidentemente, ele se recusava tomar parte nessa fútil caçada. A atividade dos filisteus obrigou Saul a encerrar a perseguição a Davi e dirigir suas energias à batalha contra o perpétuo inimigo de Israel. Essa batalha foi curta e decisiva – Saul perdeu! E Jônatas, Saul e seus outros filhos Abinadabe e Malquisua foram mortos.
[...] Quando as tristes informações sobre o desastre chegaram a Davi, ele pronunciou uma emocionante elegia lamentando a morte de Saul e a perda de seu verdadeiro amigo Jônatas (2 Sm 1). Mais tarde, Davi transferiu os restos de Saul e de seus filhos para a sepultura de Quis, pai de Saul, em Zela, no território de Benjamim (2 Sm 21.12-14)” (Dicionário Bíblico Wycliffe. Rio de Janeiro: CPAD, 2010, pp.1082,83).
SUGESTÃO DIDÁTICA 

Como sugestão, propomos uma discussão organizada em torno do seguinte tema: A Amizade e a Lealdade: vale a pena vivê-las?
Você pode conduzir a discussão de duas maneiras:

· Exposição livre dos participantes.
· Por intermédio da organização de pequenos grupos, em seguida, a apresentação do resultado de cada grupo.
Boa aula!
Marcelo Oliveira de Oliveira

COMENTÁRIO E SUBSÍDIO II

INTRODUÇÃO

Jônatas entrou para a história à sombra do pai, mas pouca coisa herdou de seu genitor. Demonstrou ser um guerreiro cheio de coragem e determinação. E, aliada à sua coragem, está a sua humildade, sua fé e obediência ao Senhor, virtudes indispensáveis a um homem de Deus. Sua amizade por Davi nasceu de forma inesperada, quando assistiu, de perto, a vitória do jovem pastor de ovelhas sobre o imbatível gigante Golias, o campeão dos filisteus, que desafiava os exércitos israelitas, e afrontava o nome do Senhor. [Comentário:Lealdade é a qualidade, ação ou procedimento de quem é leal, sincero, franco e honesto; Fiel aos seus compromissos. Amizade é um sentimento de grande afeição, simpatia, apreço entre pessoas. O Dr. John Mackay, presidente do Seminário de Princeton, em seu livro “O sentido da vida”, disse que não há relação mais espiritual e sublime que a amizade. A relação de amigos é mais elevada que a de irmãos, noivos ou esposos, pois há muitos irmãos, noivos e esposos que não são amigos. Jônatas (יְהוֹנָתָן; Yonatan: “presente de Deus”), filho mais velho do rei Saul. Jônatas e Davi são um exemplo clássico de amizade e lealdade, bem ao estilo das definições postas inicialmente, que deve existir em todas as amizades. (Veja a Árvore Genealógica de Jônatas: https://pt.wikipedia.org/wiki/J%C3%B3natas). Desde o início da amizade entre estes dois vultos da história israelita, vemos a diferença do caráter de Jônatas e do seu pai. Se Jônatas tivesse herdado o caráter do pai, ele teria odiado Davi, já que este estaria tomando o reino do próprio príncipe. Saul se preocupou com essa ameaça aparente e lançou uma campanha para matar Davi e segurar o trono para Jônatas. Ele disse para seu filho, Jônatas: “Pois, enquanto o filho de Jessé viver sobre a terra, nem tu estarás seguro, nem seguro o teu reino; pelo que manda buscá-lo, agora, porque deve morrer” (1Sm 20.31). Jônatas recusou ajudar assassinar Davi, o que o colocou como alvo da fúria de Saul. Aqui começamos a compreender o Provérbio que diz: “...há amigo mais chegado do que um irmão” (Pv 18.24). Dessa amizade e fidelidade, Jônatas não ceifou benefícios imediatos. Pessoas egoístas que só investem nas amizades que oferecem retorno não sabem amar como Jônatas amou, e acabam decepcionando aqueles que se relacionam com elas. Esta amizade rendeu um lugar importante na história e amparou seu filho: “Disse Davi: Resta ainda, porventura, alguém da casa de Saul, para que use eu de bondade para com ele, por amor de Jônatas?” (2Sm 9.1), Mefibosete, recebeu de Davi um lugar na mesa do rei,  e o filho de Jônatas passou a ser sustentado como se fosse membro da família real.] 

I. CIRCUNSTÂNCIAS QUE UNIRAM JÔNATAS E DAVI
                                           
1. Quem era Jônatas. Era o filho mais velho do rei Saul. Seu nome significa "dado por Deus" ou "presente de Deus". Ele tinha todas as condições para ser o substituto do pai. Era valente e hábil no combate. Sua bravura já fora provada, quando, em Micmás, derrotou toda uma guarnição dos filisteus, contando apenas com a ajuda de seu fiel escudeiro, colocando sua fé em ação (1Sm 14.1-14). Entretanto, por direção de Deus, os rumos da história de Saul e de Jônatas foram mudados completamente. E isso ocorreu de forma surpreendente. [Comentário: Certamente Jônatas, herdeiro natural da coroa caso a dinastia de Saul tivesse se consolidado, teria sido um grande rei para Israel, mas sua trajetória ao trono foi interrompida pelo pecado de seu pai. O “presente de Deus” fez jus ao significado de seu nome. Quando Saul assumiu o trono de Israel, Jônatas tinha trinta anos e logo se destacou à frente do exército, embora não fosse o comandante do exército de seu pai que era Abner, primo do rei Saul. Ele foi um guerreiro valente, de grande força física e habilidade com o arco e a funda, uma espécie de estilingue. Como nos conta o relato bíblico, certa vez Jônatas, levando apenas seu pajem de armas e sem que seu pai soubesse, foi até a guarnição dos filisteus e matou cerca de vinte homens. Jônatas os derrubava e o pajem, que vinha atrás dele com as armas, ia matando, um a um, ao fio da espada.]

2. Uma batalha que mudou a história. Israel estava no campo de batalha contra os filisteus, num monte, "no vale do carvalho", e os filisteus estavam do lado oposto do vale, também sobre um monte (1Sm 17.1-3). Um gigante filisteu, de nome Golias, campeão de seu povo, desafiava os exércitos de Israel, mas ninguém tinha coragem de enfrentar o inimigo. O clima de medo prenunciava a provável derrota de Israel (1Sm 17.10,11). [Comentário: Golias (גָּלְיָת) natural de Gate (1Sm 17.4), é descrito como um homem medindo cerca de 2,90m. Em 1º Crônicas 20.5, ficamos sabendo que este tinha um irmão chamado Lami, morto em outra batalha por El-Hanã: “E tornou a haver guerra com os filisteus; e El-Hanã, filho de Jair, feriu a Lami, irmão de Golias, o giteu, cuja haste da lança era como órgão de tecelão”. (1Cr 20:5 ACF). Quando lemos 2º Samuel 21.15-22 e 1º Crônicas 20.1-8, aprendemos que Golias teve ao todo quatro irmãos: Isbi-Benobe, Safe, Lami, e um "Homem de alta estatura". Todos estes eram gigantes e filhos do Gigante Rapha em Gate. No site SolaScriptura temos a seguinte descrição: “Então saiu do arraial dos filisteus um homem guerreiro, cujo nome era Golias, de Gate, que tinha de altura seis côvados e um palmo.” (1Sm 17.4 ACF). O cúbito tinha entre 45 e 50 cm, tomemos a média desses valores, 47 cm. Um palmo como o meu tem 25cm. Portanto, Golias tinha cerca de 6 vezes 47 cm, mais 25 cm, igual a 3,07 metros, um gigante sem similar nos dias de hoje! Mesmo sendo somente musculoso mas não gordo, e sendo de proporções normais e não longelíneas e finas como as dos jogadores de basquete de hoje, Golias deveria pesar 400 kg de fortes músculos, ossos, e tendões. Um verdadeiro gigante. Humanamente falando, ninguém teria coragem de enfrentá-lo, ninguém teria a menor chance contra ele. Seria como a briga de um fila brasileiro contra um poodle” http://solascriptura-tt.org/Bibliologia-PreservacaoTT/Absurdo-GoliasNaoAltoSuficienteJogarNBA-NaLxxVaticanus-TGroppi.htm.]

3. A presença de Davi. Jessé enviou Davi ao local da batalha para entregar víveres para seus irmãos e para o chefe do exército (1Sm 17.12-21). Contrariando seus irmãos e o próprio rei, Davi se dispôs a enfrentar o filisteu. Com permissão do rei, e confiando em Deus, Davi foi ao encontro de Golias, com apenas uma funda e cinco pedras do ribeiro (1Sm 17.40-47). E com uma única pedra derrubou o gigante, e o matou com a espada deste (1Sm 17.48-58). Uma vitória de desfecho surpreendente. Um gigante vencido por um jovem pastor de ovelhas. Um exército inteiro posto em fuga após um combate inusitado e desigual. Assistindo ao duelo estava Jônatas, o filho de Saul, que ficou profundamente tocado pela vitória de Davi sobre Golias. [Comentário: Assim que Davi matou o gigante filisteu Golias, o texto relata que a alma de Jônatas se apegou a Davi, veja: “E sucedeu que, acabando ele de falar com Saul, a alma de Jônatas se ligou com a alma de Davi; e Jônatas o amou, como à sua própria alma.” (1 Samuel 18:1). Foi uma grande amizade feita nos céus e havia um fim proveitoso, como em tudo o que Deus faz que, neste caso, foi salvar a vida de Davi http://sombradoonipotente.blogspot.com.br/2013/11/a-historia-do-principe-jonatas.html. Do site Web Artigos temos: “De acordo com o histórico de normas e regras das civilizações israelitas, uma lei obrigava os campeões de guerra de suas respectivas nações para estarem presentes nas campanhas de guerra em conquista pelos povos vizinhos. Isso revela que não só Golias se encontrava nos exércitos das milícias filistéias sobre o vale de Elá, nos dias em que afrontava seu oponente Israel, mas também seus 4 irmãos. Golias era um gigante incircunciso. E Golias tinha 4 irmãos incircuncisos com ele também. A circuncisão era a patente de DEUS sobre os homens Israelitas. DEUS tinha uma aliança com Israel. Golias não era circuncidado. Golias era filisteu. Davi tinha um pacto com DEUS. Um incircunciso jamais poderia prevalecer sobre alguém que tem pacto com DEUS. Acreditando nas promessas do DEUS Elohim para com Israel. Davi não contou conversa. Ele estava ali para lutar. Lutar limpo. Fair Play. Sabendo que ia ganhar. A história nos conta que Davi venceu Golias, enquanto esse ainda se aquecia, se adiantando, tacando uma pedra na cabeça do filisteu. E de um modo sobrenatural ainda por cima, porque com uma tacada daquelas o certo seria cair pra trás e não pra frente. Com 1 pedra encravada na testa do herói da nação oponente, lhe restavam mais 4 pedras. Então .. o que se conclui é que ... o menino de boa aparência, simpático, pastor de ovelhas com uma funda e 5 pedras no surrão, não estava ali para matar um gigante. Ele estava ali para matar os cinco!” http://webartigos.com/artigos/as-5-pedras-de-davi-uma-pedra-pra-cada-gigante/35242.]

SUBSÍDIO BIBIOLÓGICO
                               
"A profunda amizade entre Jônatas e Davi é surpreendente por uma série de razões. Primeiro, Deus escolheu Davi e não Jônatas (filho de Saul e príncipe de Israel) para ser o segundo rei de Israel. Segundo, o pai de Jônatas, Saul, sentia intenso ciúme de Davi e tentou repetidamente matá-lo. Terceiro, Davi era um indivíduo multitalentoso, muito popular com as massas do que Saul ou Jônatas.
Jônatas e Davi deviam ter sido pelo menos cautelosos um para com o outro, senão inimigos declarados. Contudo, eles foram capazes de superar esses obstáculos em potencial e construir uma amizade exemplar. Talvez a qualidade excepcional de sua amizade fosse a lealdade. Aquela lealdade estava fundamentada numa profunda devoção a Deus. Esse maior compromisso foi o que capacitou a amizade deles e não apenas sobreviver, mas crescer em tempos de confusão e conflito.
Você é um amigo para todas as horas? Você foge de relacionamentos quando as dificuldades surgem? Se seus relacionamentos humanos são fracos, examine a profundidade de sua lealdade a Deus. Você pode se surpreender com o que vai descobrir" (365 Mensagens Inspiradas em Personagens da Bíblia.12. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2012, p. 103).


II. UMA AMIZADE APROVADA POR DEUS

1. Jônatas torna-se amigo de Davi. O povo de Israel jubilou diante da tremenda vitória. Saul ficou estupefato, e mandou o chefe do exército, Abner, chamar Davi, que levou como troféu da batalha inusitada a cabeça do filisteu (1Sm 17.54). Porém Jônatas, filho de Saul, foi quem mais foi tocado em suas emoções e sentimentos em relação ao jovem pastor, que derrotou o gigante com o uso de uma simples funda e um tiro de pedra. De imediato, aquela admiração despertou em Jônatas um sentimento de amizade e de amor fraternal por Davi. Deus tem seus caminhos, e, quando Ele quer, cria circunstâncias ou muda circunstâncias segundo seus propósitos amorosos e soberanos. [Comentário: Então Jônatas fez um pacto com Davi, porque o amava como à sua própria vida. E Jônatas se despojou da capa que vestia, e a deu a Davi, como também a sua armadura, e até mesmo a sua espada, o seu arco e o seu cinto” (1Sm 18.3,4). A troca de túnica ou Capa significa que tua vida se torna minha vida e que minha vida se torna tua vida. A troca de cinto (ou de armadura, ou de armas) significa proteção, quem luta contra mim luta contra ti e quem luta contra ti, luta contra mim. Por isso Davi ajudou o filho de Jônatas depois da morte deste. A aliança deve ser mantida eternamente, não pode ser quebrada. Davi era homem de Aliança. Davi colocou o filho de Jônatas para comer em sua mesa e devolveu a Mefibosete as terras de seu pai Jônatas, para cumprir a aliança feita (2Sm 9.6-9). O rei Saul buscou incansavelmente matar Davi, escolhido por Deus como seu sucessor. Jônatas, da mesma forma, poderia ter olhado para Davi com inveja ou ódio, pois se Deus não tivesse nomeado Davi, o próprio Jônatas seria rei depois da morte de Saul. No entanto, não mostrou o mesmo sentimento do pai, manteve-se fiel à aliança feita com Davi. Quando Saul tentou matar Davi, Jônatas protegeu seu amigo (1Sm 20). Davi lamentou amargamente a morte desse amigo tão especial (2Sm 1.17-27). Mesmo após a morte de Jônatas, Davi buscou exercer benignidade para com o filho aleijado de seu amigo, Mefibosete (2Sm 9), em cumprimento da aliança firmada por eles.]

2. Uma amizade fiel e duradoura. A Bíblia registra com expressão tocante os sentimentos de Jônatas por Davi. Diz o texto bíblico: "E Sucedeu que, acabando ele de falar com Saul, a alma de Jônatas se ligou com a alma de Davi; e Jônatas o amou como à sua própria alma" e fizeram uma aliança diante de Deus (1Sm 18.1, 3,4). O texto registra expressões que significam que Jônatas não só admirou grandemente a coragem e a audácia de Davi, como sentiu no seu íntimo que deveria nutrir por ele profunda amizade fraternal. [Comentário: Este capítulo todo tem sido interpretado erroneamente por parte de alguns para tentar justificar praticas abomináveis, muitos interpretaram o amor entre Davi e Jônatas como um tipo de homossexualismo, porem se lermos toda a história narrada no livro de 1º Samuel vemos que o sentimento que é demonstrado ali é de uma amizade verdadeira e um amor puro fraternal o amor Ágape. Cada um encontrou no outro a afeição que não tinham em sua própria família. Ligou é a mesma palavra hebraica usada em Gn 44.30 para expressar o amor de Jacó para com Benjamim. Raras naturezas, como a de Jônatas, poucas vezes atingem lugares de destaque, e o registro de suas vidas são muito poucos. Mas conforme passam pelo mundo, fortalecem a fé do homem na humanidade, e deixam atrás de si uma fragrância que perdura.]

3. Uma aliança do Senhor. Grupos homossexuais procuram distorcer o sentido desse texto quando a Bíblia diz que Jônatas fez aliança com Davi, porque "o amava como à sua própria alma" e entregou a Davi suas vestes e equipamentos de combate (1Sm 18.3, 4). Eles o fazem de forma desonesta e tendenciosa, afirmando que Jônatas sentiu atração sexual por Davi, e que ambos deram início a uma relação homoafetiva. Nada mais incoerente com a verdade bíblica. Jônatas era casado e pai de um filho, cujo nome era Mefibo-sete (2 Sm 4.4). Em nenhum texto da Bíblia se diz que Jônatas desobedeceu a Deus e a sua Lei. Ele sabia que, se fosse homossexual, estaria cometendo "abominação ao Senhor" (Lv 18.22. 20.13). Na verdade, aquela amizade calorosa foi inspirada por Deus, pois Jônatas haveria de ser, tempos depois, o amigo que iria livrar Davi da sanha ciumenta e sanguinária de Saul. Eles fizeram aliança espiritual, e não uma parceria abominável aos olhos do Senhor (1Sm 18.3). Somente a má fé de quem usa a Palavra de Deus para justificar seus pecados pode afirmar tamanha incoerência e disparate. [Comentário: Se realizarmos uma busca na internet pelo tema ‘Jônatas e Davi’ ficaremos enojados com tantas sandices afirmando que o amor entre estas duas personagens bíblicas era homossexual. Sendo o pecado da homossexualidade claramente condenado pela Lei (Lv 20.13; 18.22), caso Davi e Jônatas realmente tivessem fossem homossexuais, teriam seu pecado condenado, conforme estipulava a Lei, ainda mais considerando a natureza publica desse “amor homossexual” retratado nos textos bíblicos acima. Vemos claramente essa realidade quando Davi foi punido por ter cometido adultério – que também era proibido pela Lei – e tentou manter isso oculto, mas foi desmascarado pelo profeta Natã (2 Sm 12.1-12) e recebeu a punição de Deus pelo seu erro. Assim fica claro que os textos não apontam para uma relação homossexual “apoiada” por Deus. Um outro argumento muito forte dos homossexuais está ligado ao texto onde Davi diz: “Excepcional era o teu amor, ultrapassando o amor de mulheres.” (2 Samuel 1.26). Essa expressão “ultrapassando o amor de mulheres”, segundo os homossexuais, seria um indício de que havia ali uma relação homossexual. A minha pergunta é: Desde quando a relação homossexual ultrapassa o amor de mulheres? Onde está esse parâmetro? Quem o determinou? Fica claro que taxar essa declaração de Davi como sendo um indicio de homossexualidade é um grave erro de interpretação! Uma breve olhada no contexto mostra que Davi presta uma homenagem póstuma a Jônatas, que acabara de morrer. Davi destaca a lealdade e compromisso de Jônatas para com Ele. Tal compromisso de Jônatas, para Davi, não era comparável nem ao amor de um relacionamento amoroso entre homem e mulher. É evidente que Davi não teve a intenção de colocar o amor de amigos como sendo superior ao amor conjugal hetero, mas o de destacar a impressionante abnegação de Jônatas para com ele, o que fez com que a amizade deles fosse especial, forte e únicahttp://oseias46a.blogspot.com.br/2014/06/o-rei-davi-e-jonatas-tiveram-um.html. Quando Jônatas ofereceu seus trajes monárquicos a Davi, estava a oferecendo também a sua aceitação e submissão sob aquele a quem Deus havia escolhido para reinar sobre Israel. Contraiu com este uma aliança no Senhor, aliança que só poderia ser quebrada com a morte. O índice de temas da Bíblia de Referência Thompsom, ALMEIDA (2002, p.1260) descreve as características de Jônatas em três frases: “fé heroica, (1Sm 14:06); valor intrépido, (1Sm 14-7-13) e amizade abnegada, (1Sm 18:04; 19:2)”.]

SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO

“Jônatas
O filho de Saul é uma das personalidades mais admiráveis do Antigo Testamento. Ao descobrir que Davi estava destinado a suceder seu pai no trono, Jônatas, corajosamente, defende Davi como um leal servidor do rei. Quando forçado a tomar posição, Jônatas novamente escolhe apoiá-lo, e enfrenta a fúria de seu pai para salvar a vida do amigo. Quando nos lembramos que Jônatas sucederia naturalmente a Saul como rei de Israel, sua amizade por Davi torna-se particularmente comovente. O Antigo Testamento não tem exemplo mais belo de amizade. A história de como Davi correspondeu à amizade de Jônatas é encontrada em 2 Samuel 9" (RICHARDS, Lawrence O. Guia do Leitor da Bíblia: Uma análise de Gênesis a Apocalipse capitulo por capitulo. 9.ed. Rio de Janeiro: CPAD, p. 192).

III. O CARÁTER DE JÔNATAS E SUAS LIÇÕES

Há um provérbio popular que diz: "Tal pai, tal filho", sugerindo que os filhos tendem a demonstrar o mesmo comportamento de seus pais. Mas tal entendimento não pode ser generalizado. O exemplo de Jônatas é prova disso. Seu caráter praticamente era oposto ao do seu pai. Vejamos alguns aspectos do caráter de Jônatas. [Comentário: Os estudos modernos feitos sobre a herança genética mostram-nos que devemos receber menos crédito quando nossos filhos se saem bem, e menos culpa quando se saem mal. Jônatas era o oposto de seu pai. Jônatas era homem generoso, justo e completamente destituído de inveja. Em contraste com o espírito traiçoeiro de Saul, Jônatas era leal. Era homem dotado de grande coragem e determinação, capaz de amar verdadeiramente. Uma outra característica significativa sua era que, a despeito de todos os erros cometidos por seu pai, ainda assim ele se pôs ao lado de seu pai, combatendo junto com ele até o fim. Os dois foram companheiros na morte. Extraído de: JÔNATAS - Dicionario Champlin.]

1. Um homem de coragem. Saul era um homem inseguro e ciumento. Jônatas não herdou nem desenvolveu esse traço da personalidade do pai. Era corajoso. Em Micmás, ele lutou contra a guarnição dos filisteus, com seu pajem de armas, e os derrotou, confiando em Deus. Revelou-se um comandante de tropas, um herói e um homem de fé (1Sm 14.6). Mas sua coragem não era apenas física e emocional. Ele tinha a grandeza espiritual que lhe dava confiança, diante das adversidades (1Sm 14.1-4). Ele revelou firmeza diante dos inimigos, e lealdade diante dos amigos. [Comentário: Em Micmás, a liderança fraca de Saul quase põe tudo a perder. No entanto, a fidelidade e o compromisso com Deus de seu filho Jônatas, leva a vitória a Israel, mesmo diante de uma situação impossível de ser vencida! Jônatas não levou em conta a superioridade numérica do inimigo, pois sabia que o Senhor estava ao seu lado. A coragem do anônimo pajem de Jônatas deve ser destacada, também. Ele respondeu: “Faze tudo o que tiveres em mente; eu irei contigo” (1Sm.14.7). Quando Saul chegou, não precisou lutar. Deus não traria vitória através de Saul. Deus suscitou um exército do próprio exército inimigo! Um exército que eles não sabiam que tinham!]

2. Um homem humilde. Sua coragem moral fê-lo não ter medo de perder a posição, como herdeiro do trono para Davi. Soube reconhecer que seu amigo tinha a direção de Deus, e as condições humanas para substituir Saul no cargo de monarca de Israel (1Sm 16.1,12,13). Um exemplo para os dias presentes. Há muitos, em igrejas evangélicas, que brigam por cargos e posições, agindo, muitas vezes, com métodos carnais, seguindo o exemplo dos ímpios. São obreiros carnais, dominados por "torpe ganância" (1Tm 3.3). A humildade é qualidade que só possuem os que têm grandeza de alma. E Deus se agrada dos humildes (1Pe 5.6). [Comentário: A Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal (CPAD) traz a seguinte nota: “Esta amizade é uma das mais profundas e legítimas na Bíblia. (1) Eles basearam este pacto no compromisso para com Deus, não apenas para com o outro. (2) Não permitiram que qualquer coisa se colocasse entre eles, nem mesmo o interesse próprio ou os problemas familiares. (3) Aproximaram-se ainda mais quando a amizade foi testada. (4) Permaneceram amigos até o fim. Jônatas o primogênito do rei, mais tarde predisse que Davi, e não ele, seria o próximo monarca. Mas isso não enfraqueceu sua estima pelo amigo. Jônatas preferia a amizade de Davi ao trono de Israel.” Para conhecer mais leia, Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal, CPAD, p. 394.]

3. Um homem leal. Em todas as ocasiões, depois que se tornou amigo de Davi, Jônatas demonstrou sua lealdade. Poderia ter ficado ao lado do seu pai, mas não cedeu aos caprichos de Saul, quando este, injustamente, quis eliminar a vida de Davi. Quando soube do plano de Saul para matar Davi, Jônatas procurou o amigo e lhe advertiu do perigo de morte (1Sm 19.1-3; 20.11-17,32,33). Jônatas teve um último encontro com Davi, onde mais uma vez selaram o pacto de lealdade diante de Deus (1Sm 20.41-43). Até o dia da sua morte, Saul continuou perseguindo Davi. Jônatas também veio a morrer em Gilboa ao lado de seu pai (1 Sm 31.8). [Comentário: A profunda amizade entre Jônatas e Davi é surpreendente por uma série de razões. Primeiro, Deus escolheu Davi e não Jônatas (filho de Saul e príncipe de Israel) para ser o segundo rei de Israel. Segundo, o pai de Jônatas, Saul, sentia intenso ciúme de Davi e tentou repetidamente matá-lo. Terceiro, Davi era um indivíduo multitalentoso, muito popular com as massas do que Saul ou Jônatas. Jônatas e Davi deviam ter sido pelo menos cautelosos um para com o outro, senão inimigos declarados. Contudo, eles foram capazes de superar esses obstáculos em potencial e construir uma amizade exemplar. Talvez a qualidade excepcional de sua amizade fosse a lealdade. Aquela lealdade estava fundamentada numa profunda devoção a Deus. Esse maior compromisso foi o que capacitou a amizade deles e não apenas sobreviver, mas crescer em tempos de confusão e conflito. Você é um amigo para todas as horas? Você foge de relacionamentos quando as dificuldades surgem? Se seus relacionamentos humanos são fracos, examine a profundidade de sua lealdade a Deus. Você pode se surpreender com o que vai descobrir" (365 Mensagens Inspiradas em Personagens da Bíblia.12.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2012, p. 103).]

SUBSÍDIO DIDÁTICO


Professor, reproduza o esquema abaixo no quadro. Utilize-o para enfatizar as características de Jônatas

QUALIDADES E REALIZAÇÕES
LIÇÕES DE VIDA
Corajoso e um líder natural.
Lealdade é uma das partes mais forte da coragem.
O amigo mais íntimo que Davi teve.
Lealdade a Deus coloca todos os outros relacionamentos em perspectiva.
Confiava em Deus.
Trabalhador.
Leal.
Grandes amizades são custosas.

CONCLUSÃO

Deus não está sujeito às leis nem aos costumes dos povos. Ele estabelece sua vontade diretiva de forma implacável, contrariando todas as expectativas e previsões históricas ou políticas. Assim, em meio a um grave desafio contra o povo de Israel, levantou o jovem Davi para derrotar o gigante filisteu. Assistindo a extraordinária vitória, Jônatas sentiu profunda admiração pelo jovem pastor de Belém, e compreendeu que ele seria o escolhido por Deus. Em lugar de inveja ou ciúme, Jônatas tornou-se o maior e mais leal amigo de Davi. [Comentário: (VONTADE DIRETIVA -- Essa vontade determinativa é, por vezes, diretiva, através da qual Deus guia as nossas vidas. Ele lança mão de nós para que Sua vontade determinativa se cumpra. Foi Sua vontade determinativa, por exemplo, salvar o Eunuco etíope. Para realizar esta vontade, Ele enviou o evangelista Filipe ao seu encontro (Atos 8.26). Se nós dissermos "não", Ele inspirará a outra pessoa ou mesmo as pedras (Lucas 19.40). Ele fez o mesmo com Ananias, a quem enviou para discipular o recém-convertido Saulo (Atos 9.15).  Somos, portanto, chamados para fazer a obra de Deus e este chamado pode ser geral, a partir dos ensinos da Palavra de Deus, ou específico, através de uma instrução particular, modo cotidiano (uma visão da necessidade) ou miraculoso (um sopro do Espírito Santo em nossos corações)http://www.prazerdapalavra.com.br/component/content/article/3806-romanos-828-deus-intervem-mas-as-vezes-nao-intervem-.html). A amizade entre Jônatas e Davi foi um tipo do amor de Jesus por Sua Igreja. Quando Jônatas encontrou com Davi, depois que ele matou Golias e firmou com ele uma aliança perpétua, a primeira coisa que Jônatas fez foi se despojar, se despir de suas vestes de príncipe e entregá-las a Davi, veja: “E Jônatas se despojou da capa que trazia sobre si, e a deu a Davi, como também as suas vestes, até a sua espada, e o seu arco, e o seu cinto.” (1Sm 18.4).] “Ora, àquele que é poderoso para vos guardar de tropeçar e apresentar-vos irrepreensíveis, com alegria, perante a sua glória. Ao único Deus sábio, Salvador nosso, seja glória e majestade, domínio e poder, agora, e para todo o sempre. Amém”. (Judas 24-25).

Francisco Barbosa

Disponível no blog: auxilioebd.blogspot.com.br

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