sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

LIÇÃO 11 - A ILUSÓRIA PROSPERIDADE DOS ÍMPIOS




SUBSÍDIO I

INTRODUÇÃO

Os livros sapienciais da Bíblia visualizam a prosperidade de modo diferenciado do que costuma ser propagado em muitas igrejas, principalmente entre aquelas pseudopentecostais. Na lição de hoje, mais especificamente com base em Eclesiastes, mostraremos que a prosperidade financeira, ao contrário do que defendem alguns pregadores televisivos, não é garantia da verdadeira espiritualidade, e que os ímpios também prosperam, na maioria das vezes para a perdição das suas almas.
 

1. A PROSPERIDADE DOS ÍMPIOS É ILUSÓRIA
A lógica consumista está moldando as atitudes do homem moderno de tal maneira que o ser humano acaba sendo reduzido à quantidade de quinquilharias que consegue acumular. Ao invés de investirem no Reino de Deus, e mais especificamente, nos outros, os adeptos de algumas igrejas, que absorveram o espírito deste século, transformaram o acúmulo de bens em um fim em si mesmo. Em alguns casos, como vemos nos dias atuais, sacramentalizam a riqueza e transformam a ostentação em bênção divina. Essa é uma teologia da ganância que motiva os fieis de suas igrejas não a buscarem a vontade soberana de Deus, mas tão somente a acumularem riquezas, nas quais depositam sua confiança. O Salmo 73, de Asafe, nos possibilita um vislumbre da ilusória prosperidade dos ímpios. Se não tivermos cuidado, e olharmos para as riquezas dos ímpios, poderemos nos distanciar dos caminhos do Senhor (Sl. 73.21,22). A prosperidade dos ímpios é ilusória porque não passa de um simulacro (Sl. 73.20), isto é, de uma miragem. Isso porque o mundo passa, bem como a sua concupiscência (I Jo. 2.17). O homem secularizado vive no engano do ter, por isso tem dificuldade de se aproximar do Criador (Mt. 19.22-24). Os ímpios têm tudo o que querem, menos a Deus, eles transformam a riqueza em um ídolo, que é pecado (Ex. 34.15,16; I Cr. 5.25). Precisamos ter cuidado para não nos deixar levar pela tendência desse século, e duvidarmos de Deus como fez o autor do Salmo 73. Não podemos ter inveja dos perversos, muito menos dos seus atos de desobediência (Sl. 37.1; Pv. 3.31; 23.17; 24.1,19).


2. A ILUSÃO DA PROSPERIDADE EM ECLESIASTES
Os ímpios fiam sua esperança nas riquezas, mas não percebem que elas são temporárias. A morte chegará, e quando essa bater à porta, os bens acumulados para nada servirão. Morre tanto o justo quanto o injusto, o santo quanto o ímpio (Ec. 9.1,2). No final, ainda que muitos fujam dessa realidade, as pessoas terão que se deparar com a última inimiga (I Co. 15.26). Somente aqueles que estão em Cristo têm a bendita esperança, a certeza de que estarão com Cristo, seja por meio da morte, ou quando a trombeta soar, por ocasião do arrebatamento (Rm. 6.23; Jo. 11.25,26; I Ts. 4.13-18; I Co. 15.51-58). A morte alcança a todo ser humano, indistintamente, mas não tem todos estão cientes dessa realidade. A cultura da longevidade está fazendo com que as pessoas vivam como se não tivessem que morrer. Pior ainda, como se não tivesse a quem prestar contas no futuro. O crente tem sempre a morte diante de si (Ec. 9.5) porque se conduz a partir de uma viva esperança, fundamentada nAquele que conquistou a morte (I Pe. 1.3-5; II Tm. 1.10). Por esse motivo, nós, os cristãos, podemos desfrutar das condições que a vida permite, aproveitá-la, mas sem perder a eternidade de vista. Ao invés de se entregar à tristeza, devemos usufruir de refeições prazerosas (Ec. 9.7), das comemorações alegres em família (Ec. 9. 8), de um casamento fiel e amoroso (Ec. 9.9) e do trabalho árduo (Ec. 9.10). Não é proibido ter alegria, contanto que o fundamento desta seja o Senhor (Fp. 4.4). Tudo que o Senhor permitir, para nossa satisfação, devemos tirar proveito, cônscios que um dia nossas obras serão julgadas, e por cada uma delas receberemos a devida recompensa (I Co. 3.10; Cl. 3.23-25). Não podemos viver também demasiadamente preocupados, tentando controlar todas as situações, pois a vida é imprevisível. Nem mesmo nossas aptidões garantem prosperidade, pois a injustiça prevalece em alguns contextos (Ec. 9.11,12). Algumas pessoas estudam, se dedicam ao seu ofício, mas nem sempre colhem os frutos do seu esforço, por causa da injustiça dos homens. O autor do Eclesiastes nos instiga a aproveitar as oportunidades, reconhecendo que essas também não garantem a prosperidade (Ec. 9.13-18).


3. A PROSPERIDADE VERDADEIRAMENTE CRISTÃ
Uma leitura cuidadosa dos evangelhos e das epístolas do Novo Testamento nos mostrará que essa lógica nada tem de bíblica. A economia de Deus está distante daquilo que nos é apresentado pelos teólogos da ganância nos canais de televisão. O apóstolo Paulo afirma que quem deseja obter riqueza cai em “muitos desejos descontrolados e nocivos” (I Tm. 6.9,10). Conforme destacou o Senhor Jesus, ser rico pode se tornar um empecilho para segui-LO, tendo em vista que é mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha que um rico entrar no Reino de Deus (Mt. 19.24,25). Enquanto muitos, nestes tempos, buscam confiança nas riquezas, e tantos outros, fazem tudo para tê-las, utilizando até de meios escusos, Jesus chama a atenção para o “engano das riquezas” (Mt. 13.22). Aqueles que somente querem a prosperidade financeira deveriam ler mais os evangelhos, pois Jesus é categórico ao reprovar o acúmulo de tesouros na terra (Mt. 6.19-21). O interesse do Senhor é que acumulemos tesouros no céu (Mt. 6.10), e que coloquemos em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça (Mt. 6.33). A riqueza é perigosa porque o seu poder está relacionado a uma divindade, Mamom, que é rival de Deus (Mt. 16.33), aqueles que adoram a esse deus são chamados por Jesus de insensatos (Lc. 12.16-21). As palavras de Paulo, ao jovem pastor Timóteo, servem de alerta a todos os cristãos, em especial à liderança: “os que querem ficar ricos caem em tentação, em armadilhas e em muitos desejos descontrolados e nocivos, que levam os homens a mergulharem na ruína e na destruição” (I Tm. 6.9), por isso, o líder da igreja não deve ser “apegado ao dinheiro” (I Tm. 3.3) e os diáconos não podem ser amigos de “lucros desonestos” (I Tm. 3.8). 

CONCLUSÃO 
Quando o ser humano se distancia de Deus cria para si mesmo um ídolo, é isso que temos testemunhado na sociedade. Ao invés de dobrarem diante do Criador, as pessoas se voltam tão somente para as riquezas, e nelas colocam sua confiança. O autor do Eclesiastes, assim como os demais escritores bíblicos, lembram que as riquezas são efêmeras, e não são dignas de culto. Aprendamos, pois a confiar no Senhor, pois dEle procedem as insondáveis riquezas celestiais em Cristo Jesus, que nos impulsiona para um viver ético, que não coisifica as pessoas, antes nos coloca em condição de responsabilidade perante elas (Ef. 1.3-7; 3.8). 

Extraído do blog: subsidioebd




 SUBSÍDIO II


Lição 11: A ilusória prosperidade dos ímpios
15 de dezembro de 2013
Trimestre comemorativo ao quarto ano do Blog Auxílio ao Mestre
TEXTO ÁUREO
“Tudo sucede igualmente a todos: o mesmo sucede ao justo e ao ímpio, ao bom e ao puro, como ao impuro; assim ao que sacrifica como ao que não sacrifica; assim ao bom como ao pecador; ao que jura como ao que teme o juramento” (Ec 9.2). - O futuro é desconhecido para meros mortais. O Pregador  volta-se a um assunto anterior: um destino espera todos os seres humanos, não importa o seu status. Assim a retribuição como uma verdade eterna é um fracasso. Ao que teme o juramento: O único contra quem o juramento tem sido feito.
VERDADE PRÁTICA
Embora debaixo do sol o fim para justos e injustos pareça o mesmo, as Escrituras deixam claro que, na eternidade, os seus destinos serão bem diferentes.
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Eclesiastes 9.1-6.
1 - Deveras revolvi todas essas coisas no meu coração, para claramente entender tudo isto: que os justos, e os sábios, e as suas obras estão nas mãos de Deus, e também que o homem não conhece nem o amor nem o ódio; tudo passa perante a sua face.
2 - Tudo sucede igualmente a todos: o mesmo sucede ao justo e ao ímpio, ao bom e ao puro, como ao impuro; assim ao que sacrifica como ao que não sacrifica; assim ao bom como ao pecador; ao que jura como ao que teme o juramento.
3 - Este é o mal que há entre tudo quanto se faz debaixo do sol: que a todos sucede o mesmo; que também o coração dos filhos dos homens está cheio de maldade; que há desvarios no seu coração, na sua vida, e que depois se vão aos mortos.
4 - Ora, para o que acompanha com todos os vivos há esperança (porque melhor é o cão vivo do que o leão morto).
5 - Porque os vivos sabem que hão de morrer, mas os mortos não sabem coisa nenhuma, nem tampouco eles têm jamais recompensa, mas a sua memória ficou entregue ao esquecimento.
6 - Até o seu amor, o seu ódio e a sua inveja já pereceram e já não têm parte alguma neste século, em coisa alguma do que se faz debaixo do sol.
OBJETIVOS
Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:
•          Avaliar os paradoxos da vida.
•          Conscientizar-se da imprevisibilidade da vida.
•          Viver por um ideal legítimo.
PALAVRA-CHAVE
Prosperidade: Estado do que é ou se torna prospero; fartura de alimentos e bens de consumo; fortuna, riqueza.
COMENTÁRIO

introdução
A aparente prosperidade dos maus é um tema recorrente em Eclesiastes. Nos Salmos, Davi aborda essa questão fazendo a seguinte pergunta: Por que os justos sofrem e os ímpios prosperam? (Sl 73). Nesse mesmo tom, Salomão observa que, debaixo do sol, os injustos parecem levar vantagem sobre os justos. Mas quando ambos são nivelados por Deus, na arena da vida, constata-se que os justos e os injustos terão o mesmo fim. Mas como o sábio de Eclesiastes, concluímos que a justiça é melhor que a injustiça. É preferível ser sábio do que agir como um tolo, pois seremos medidos pelos padrões de Deus, não pelas circunstâncias da vida. [Comentário:  Por que os justos sofrem e os ímpios prosperam? Quem já não fez esta indagação, ainda que de forma introspectiva? Às vezes parece que os ímpios levam vantagens em relação aos filhos de Deus. Todavia, a prosperidade do ímpio é só nesta vida, enquanto a do justo é eterna. As lutas e dificuldades da vida são para todos, bons ou injustos, fiéis e infiéis, da mesma forma, o sol brilha sobre todos, a chuva cai para todos (Mt 5.45)! Nós temos uma viva esperança, e um consolo em meio à dor: um dia viveremos eternamente com o Senhor, livres de lágrimas e dores (Ap 21.4). Quanto aos ímpios, qual será o destino? Têm eles a mesma esperança? Não podemos nos deixar abalar pelas circunstâncias da vida nem pela prosperidade dos ímpios; precisamos confiar no Deus Todo-Poderoso, pois somente Ele nos fará habitar um dia nas regiões celestes]. Tenhamos todos uma excelente e abençoada aula!

 I. OS PARADOXOS DA VIDA
1. Os justos sofrem injustiça. Diferentemente dos perversos que parecem estar sempre seguros e cada vez mais prósperos (Sl 73.12), o sofrimento foi uma das mais duras realidades experimentadas por Asafe (Sl 73.14). De igual modo, Salomão lutou contra esse pessimismo ao contemplar o paradoxo da vida na hora da morte. Os perversos tinham uma cerimônia fúnebre digna de honra, mas “os que fizeram bem e saíam do lugar santo foram esquecidos na cidade” (Ec 8.10). O pastor norte-americano, A. W. Tozer, costumava dizer que o mundo está mais para o campo de batalha que para o palco de diversão. Em outras palavras, os justos sofrem na arena da vida (Sl 73; Fp 1.29). Logo, o crente fiel deve estar consciente de que os revezes não significam que ele esteja sob julgamento divino ou que a sua fé seja fraca, mas que se encontra em constante aperfeiçoamento espiritual (2Co 2.4; Cl 1.24; 2Tm 1.8). [Comentário:  O Salmo 73 é um salmo de fé com características de salmo de sabedoria. É um salmo incomum, na medida em que narra a história da luta do salmista contra a inveja e a dúvida e por sua fé em Deus. Por meio dessas batalhas, Asafe, aprendeu a confiar em Deus. Este salmo tem uma qualidade espiritual mais distinta que a maioria dos salmos e pode ser comparado ao Salmo 63. Encontramos aqui uma notável odisseia espiritual, bastante semelhante à que vemos no livro de Jó. O homem era piedoso, mas não podia reconciliar essa qualidade com a sua enfermidade (vs. 14), ao passo que os ímpios gozavam de boa saúde e prosperavam além de qualquer coisa que o salmista já houvesse experimentado. No templo, porém, ele teve uma poderosa experiência mística e chegou a compreender a natureza efêmera da vida dos pecadores. Também obteve uma nova visão de como Deus é a força da vida. e passou a experimentar a presença divina (vs. 23). É provável que o vs. 24 seja uma declaração de fé na imortalidade. Nesse caso, Asafe foi capaz de olhar para além daquilo que outros salmistas viram quanto a uma questão muito importante, com grande ligação com o Problema do Mal, ou seja, por que os homens sofrem, e por que sofrem como sofrem].
2. Os maus prosperam. Enquanto os justos padeciam, Davi e Salomão constataram a prosperidade dos ímpios (Sl 73.1-3; Ec 7.15). Aqui, aprendemos que a espiritualidade de uma pessoa não pode ser medida pelo que ela possui, e sim pelo o que ela é. Ser próspero não significa “ter”, mas “ser”. A régua da eternidade nos medirá tomando como critério a fidelidade a Deus, e não a prosperidade dos homens. A prosperidade bíblica vem como resultado de um relacionamento sadio com Deus (Sl 73.17,27,28) e independe de alguém ter posses ou não. Os ímpios têm posses, mas a verdadeira prosperidade só é possível encontrar em Cristo. [Comentário:  Dois temas fortes se apresentam no texto de Sl 73.1-20: (1) os ímpios prosperam, e os justos se perguntam de que vale seus esforços para serem bons; (2) a riqueza dos ímpios parece tão convidativa a ponto de os fiéis desejarem trocar de lugar com eles. Mas essa riqueza não tem valor diante da morte, enquanto a recompensa dos justos têm valor eterno. O que parecia importante, não e, e o que parecia desprezível é fundamental, pois durará para sempre. Não deseje trocar de lugar com os ímpios para obter riquezas! Um dia os ímpios desejarão trocar de lugar com você e desfrutar da sua herança eterna. BÍBLIA APLICAÇÃO PESSOAL. Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Editora CPAD. pag. 785. O salmista ficou deprimido quando comparou a aparente prosperidade dos ímpios com as dificuldades de se ter uma vida reta. A partir do v. 15, todavia, sua postura muda completamente. Ele olha para a vida a partir da perspectiva].
SINOPSE DO TÓPICO (I)
Os paradoxos da vida se manifestam, por exemplo, na injustiça imposta aos justos e na prosperidade usufruída pelos ímpios.



II. A REALIDADE DO PRESENTE E A INCERTEZA DO FUTURO
 
1. A realidade da morte. Uma chave importantíssima para entendermos a mensagem de Eclesiastes encontra-se na expressão: “Esta é a tua porção nesta vida debaixo do sol” (2.10; 3.22; 5.17-19; 9.9). É debaixo do sol que expressamos a nossa existência e constatamos a nossa finitude! É no dia a dia da vida que percebemos a verdade implacável da morte, tanto para quem serve a Cristo quanto para quem não o serve! A sentença já foi decretada e é a mesma para todos (Hb 9.27; Ec 9.3). Com a realidade da morte o futuro parece incerto (Ec 1.1-11). O apóstolo Paulo, porém, diz que se a nossa esperança se limitar apenas a esta vida somos os mais infelizes dos homens (1Co 15.19). Em Cristo, temos a vida eterna. [Comentário:  O homem teme instintivamente a morte. A despeito da fé, a morte abre diante de nós um caminho novo e ainda não experimentado, e os novos começos sempre envolvem algum desconforto e temor. Também tememos o processo da morte física, com as suas dores, com a separação dos entes queridos. Na realidade, porém, a morte não existe, pois tal termo é apenas o nome que empregamos para aludir a uma nova e melhor existência. A vida além-túmulo é um fato bem atestado, que hoje em dia vai sendo demonstrado por estudos feitos em laboratório. Naturalmente a doutrina ensinada pelo apóstolo Paulo vai mais longe do que a mera sobrevivência. Ele garante que nada, durante o processo da própria morte, ou qualquer consequência dai decorrente, poderá nos prejudicar, pois a morte nos pertence e serve de portal para a vida eterna. CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Vol. 4. Editora Hagnos. pag. 363-366. Hebreus 9.27-28. É um pouco inesperada a introdução que o escritor faz da ideia do julgamento a esta altura. Mas estava se delongando sobre a necessidade da morte de Cristo, e assim chega a fazer uma declaração geral acerca do destino do homem. A morte em si mesma é inevitável: aos homens está ordenado morrerem uma só vez. Ninguém está isento desta experiência. A diferença entre a morte de Cristo e todas as demais é que a dEle foi voluntária, ao passo que para todos os demais é ordenada (apokeitai), i.é, armazenada para eles. A expectativa de que alguns escaparão à morte (cf. 1 Ts 4.15ss.) é uma exceção à regra geral declarada, ocasionada pelo evento especial da vinda de Cristo.86 Não está, portanto, em conflito com esta declaração em Hebreus. As palavras e, depois disto, o juízo não visam dar a entender que o julgamento ocorre imediatamente após a morte, mas que o julgamento deve ser esperado subsequentemente à morte. Além disto, não se quer dizer que não acontece nenhum ato de juízo antes da morte. O juízo (krisis) aludido aqui é o juízo final DONALD GUTHRIE, B. D., M. Th., Ph. D. Hebreus. Introdução e Comentário. Editora Vida Nova. pag. 187-188..].
2. A certeza da vida eterna. Salomão escreveu Eclesiastes sob uma análise puramente existencial. Quem está do lado de lá da eternidade não participa do lado de cá da existência. Neste aspecto, “os mortos não sabem coisa nenhuma” (Ec 9.5). Isto não se dá porque eles estão inconscientes, mas porque pertencem a outra dimensão (Ap 6.9; 2Co 5.8), onde nem mesmo o sol é necessário (Ap 22.5). Em vez de negar a imortalidade da alma humana, o Eclesiastes apenas descreve a nossa trajetória nesta vida. É o Novo Testamento que lançará mais luz sobre a imortalidade de nossa alma na eternidade (Lc 16.19-31; 2Co 5.8; Fl 1.23; Ap 6.9). [Comentário:  Já vimos que o sábio Salomão escreveu Eclesiastes sob a perspectiva daqueles que se encontravam “debaixo do sol”. Já que a sua análise é puramente existencial, ele se limita a observar a vida do lado de cá e não do lado de lá. Somos seres de duas dimensões e trilhamos por destinos diferentes. Quem está do lado de lá, na eternidade, não participa das coisas de cá, do que é puramente existencial. Neste aspecto “os mortos não sabem de coisa alguma” (Ec 9.5), não porque estão inconscientes, mas porque pertencem a uma outra dimensão. Pertencem a um outro mundo (Ap 6.9; 2 Co 5.8) onde nem mesmo o sol será mais necessário: “A cidade não precisa do sol” (Ap 21.13; Ap 22.5). Em vez de negar a realidade de um outro mundo, onde a alma é imortal, Eclesiastes (9.5) apenas confirma a sua trajetória nesta vida. É a revelação do Novo Testamento quem jorrará mais luz sobre essa trajetória do lado de lá (Fl 1.23; Lc 16.19-31; 2 Co 5.8; Ap 6.9). Uma frase que aparece 30 vezes no NT, na versão KJV em inglês, das quais 15 usos ocorrem no Evangelho e nas epístolas de João; e 43 vezes na versão RSV em inglês, com 25 ocorrências nos escritos de João. A palavra "eterna" (aionios) é derivada da palavra que significa "era", um período indefinido de tempo, e, dessa forma, duradouro, e consequentemente infinito. A vida eterna refere-se invariavelmente à vida de Deus, ou ao estado futuro dos justos (Mt 25.46). Os escritos de João a definem em termos de conhecimento, fazendo dela um sinônimo da experiência de Deus (Jo 17.3). A vida eterna não pode ser adquirida pelos homens, mas lhes é conferida como uma dádiva em resposta à fé (Jo 3.15,16; 1 Jo 5.11; Rm 6.23), e torna-se uma fonte perpétua de poder e refrigério (Jo 4.14). A vida eterna é a vitalidade que Deus concede à alma humana no momento da conversão pessoal a Cristo. A vida eterna é mediada por Cristo (1 Jo 5.11) e representa a totalidade da experiência cristã em sua vitalidade, duração, qualidade, e em suas associações e conteúdo. Ela permite ao crente entrar diretamente na presença de Deus por ocasião da morte, e desfrutar a eterna alegria do céu. Seu oposto é a morte eterna, ou a separação de Deus (2 Ts 1.9) PFEIFFER .Charles F. Dicionário Bíblico Wycliffe. Editora CPAD. pag. 2016-2017.].
SINOPSE DO TÓPICO (II)
Em vez de negar a imortalidade da alma humana, o Eclesiastes apenas descreve a nossa trajetória nessa vida.


III. A IMPREVISIBILIDADE DA VIDA
1. As circunstâncias da vida. Nenhum outro texto descreve tão bem a imprevisibilidade da vida como o de Eclesiastes 9.11,12. Catástrofes naturais e vicissitudes sociais ocorrem em países habitados quer por pecadores, quer por crentes piedosos, pois ambos habitam em um mundo decaído. Mas em todas as circunstâncias, o Senhor se faz presente (Sl 46.1; 91.15). [Comentário:  Possivelmente nenhum outro texto detalhe a imprevisibilidade e contingência da vida como este: “Vi ainda debaixo do sol que não é dos ligeiros o prêmio, nem dos valentes, a vitória, nem tampouco dos sábios, o pão, nem ainda dos prudentes, a riqueza, nem dos inteligentes, o favor; porém tudo depende do tempo e do acaso. Pois o homem não sabe a sua hora. Como os peixes que se apanham com a rede traiçoeira e como os passarinhos que se prendem com o laço, assim se enredam também os filhos dos homens no tempo da calamidade, quando cai de repente sobre eles” (Ec 9.11,12). A vida é imprevisível! Totalmente contingencial! Ricos e pobres, brancos e negros, estão sujeitos às suas vicissitudes. Terremotos, furacões, secas, desempregos, etc., ocorrem não somente em países habitados por pecadores, mas também por crentes piedosos. “A vida é incerta” observa Ed René Kivitz “e de vez em quando somos nós suas vítimas. A imprecisão entre o que fazemos e o que colhemos pode transformar em fatalidade o que sempre teve cara de sucesso. Quem se prepara, estuda e se esforça consegue sempre as melhores posições, certo? Nem sempre, diria o Eclesiastes. Mas não adianta nada se preparar, estudar e se esforçar? Sim, adianta bastante, mas não é suficiente para garantir o sucesso e o conforto merecido. Que o digam os professores universitários”. Habitamos em um mundo caído. Todavia o Senhor se faz presente no meio das intempéries da vida (SI 46.1; 91.15). GONÇALVES. José,. Sábios Conselhos para um Viver Vitorioso Sabedoria bíblica para quem quer vencer na vida. Editora CPAD. pag. 133-134.].

2. Aproveitando a vida. Cientes de que teremos dissabores na vida, o que podemos fazer a respeito? Mergulhar em um sombrio pessimismo, ou tornar-se indiferente aos problemas? É bem verdade que muitos se deprimem quando a calamidade chega. Ela assusta, amargura-nos. Faz com que nos isolemos. Mas o rei Salomão sabia que a vida “debaixo do sol” não era fácil nem justa. Ele não negou esse fato e muito menos fugiu da sua realidade. Contrariamente, o Pregador incentivou-nos a viver, em meio à imprevisibilidade da vida, aquilo que nos foi dado como porção (Ec 9.7,9). Em Cristo, somos chamados a viver a verdadeira vida, conscientes de sua finitude terrena, mas esperançosos quanto a sua eternidade celeste (1Co 15.19). [Comentário:  Ec 9.7 Vai, pois, come com alegria o teu pão e bebe gostosamente o teu vinho. Temos aqui a conclusão do pessimismo precedente. Os vss. 7-10 reiteram o triste summum bonum do filósofo: desfrutemos os pequenos prazeres da vida, porquanto esses prazeres também são vaidade e não têm valor real, ou seja, são o melhor que podemos fazer nesta vida miserável. Esses prazeres ordinários podem aliviar um pouco a agonia da existência humana. Portanto, avancemos e tiremos vantagem deles. Nada mais existe pelo que se deva viver. Há notas expositivas detalhadas sobre esse ponto de vista em Eclesiastes 2.24-25. Ver também Eclesiastes 3.12,22; 5.17 e 8.15. É um equívoco pensar que o mau filósofo terminou como um epicurista, Ele era um niilista que balançava a cabeça na direção do epicurismo (prazeres moderados) como o summum bonum da vida, como o menor dos males que o homem encontra na vida. Ele já havia demonstrado que o hedonismo (busca desenfreada pelos prazeres) é fútil (Eclesiastes 2.1- 11). Ele valorizava mais o epicurismo (os prazeres moderados), mas não afirmava haver valor real nisso.].
SINOPSE DO TÓPICO (III)
As circunstâncias da vida revelam a sua imprevisibilidade e, por isso, devemos aproveitá-la da melhor maneira possível.


IV. VIVENDO POR UM IDEAL
1. A morte dos ideais. Eclesiastes 9.14,15 narra a história de um povo que se esqueceu de um sábio idealista por ele ser pobre. Tal fato denota uma cultura onde os ideais não mais existem. Como é atual a leitura do Eclesiastes! A cultura contemporânea também perdeu os seus ideais. Lembremo-nos de que uma das marcas de nossos dias é a relativização do absoluto, e cada pessoa vai buscar uma verdade para si mesma. Isso tende a tornar as pessoas mais individualistas e narcisistas, preocupadas apenas consigo mesmas e tremendamente desinteressadas pelo próximo. [Comentário:  As palavras de Salomão em Eclesiastes 9.14,15 mostram uma cultura para a qual já não existem mais ideais: “Houve uma pequena cidade em que havia poucos homens; veio contra ela um grande rei, sitiou-a e levantou contra ela grandes baluartes. Encontrou-se nela um homem pobre, porém sábio, que a livrou pela sua sabedoria; contudo, ninguém se lembrou mais daquele pobre” (Ec 9.14,15). O pobre agiu com sabedoria e idealismo, mas foi esquecido! Parece até mesmo que o Sábio fazia uma leitura da nossa cultura. Nesse ponto, Eclesiastes demonstra ser mais atual do que nunca. A nossa cultura contemporânea ou pós-moderna também não tem mais ideais. Como bem observou Antônio Cruz, teólogo espanhol, ela não se fundamenta mais em nada, visto não possuir certezas absolutas. Tornou as pessoas individualistas e narcisistas, preocupadas consigo mesmas e não com o outro GONÇALVES. José,. Sábios Conselhos para um Viver Vitorioso Sabedoria bíblica para quem quer vencer na vida. Editora CPAD. pag. 134-135.].

2. Vivendo por um ideal. Mesmo sabendo que as boas ações nem sempre serão reconhecidas, Salomão acredita que devemos ter um ideal elevado e firmado em Deus (Ec 9.16-18). Vivendo em uma sociedade relativista e vazia de idealismo, não há garantia de qualquer reconhecimento pelo fato de crermos e vivermos os valores morais e espirituais prescritos pela Bíblia. Contudo, vale a pena viver por um ideal. O cristão maduro sabe das causas pelas quais devemos lutar (At 20.24; Ef 3.14; 2Tm 4.7). [Comentário:  Acreditar em valores morais e espirituais e procurar viver à altura deles em meio a uma sociedade relativista e vazia de idealismo não tem garantia nenhuma de algum reconhecimento. Todavia ainda assim vale a pena viver por um ideal. Mais do que qualquer outro, o cristão sabe que nesta vida há causas pelas quais vale a pena lutar (Ef 3.14; At 20.24; 2 Tm 4.7). Debaixo do sol a vida se mostra como ela é. Às vezes parece totalmente sem sentido, e em muitas outras, cheia de paradoxos. Mas é a vida e precisa ser vivida. Salomão não somente observou essa dura realidade, mas também a experimentou. Para não cairmos em um pessimismo impiedoso e nem tampouco em um indiferentismo frio, devemos então viver a vida a partir da perspectiva da eternidade. É a partir daí que tomaremos consciência de que há uma causa digna pela qual lutar e assim evitaremos cair nas malhas do pessimismo. GONÇALVES. José,. Sábios Conselhos para um Viver Vitorioso Sabedoria bíblica para quem quer vencer na vida. Editora CPAD. pag. 135-136.].
SINOPSE DO TÓPICO (IV)
O cristão maduro, através do Evangelho, sabe bem das causas pelas quais devemos lutar nesta vida.
CONCLUSÃO
A vida “debaixo do sol” mostra-se como ela realmente é. Às vezes parece sem sentido e, em muitas outras, cheia de paradoxos. Mas a vida precisa ser vivida. Salomão não apenas observou essa dura realidade, mas também a experimentou. Para não cairmos num pessimismo impiedoso e, tampouco, num indiferentismo frio, devemos viver a vida a partir da perspectiva da eternidade. Então tomaremos a consciência de que, na vida terrena, há ideais dignos pelos quais devemos lutar. Assim, evitaremos as armadilhas do pessimismo. Vivamos, pois, a nossa vida de maneira a glorificar o Pai Celeste. [Comentário:  At 20.24 “Aliás, eu na verdade não atribuo valor algum à minha vida. Minha meta é levar a bom termo a minha carreira e o serviço que o Senhor Jesus me confiou” [TEB]. Muitas vezes Paulo caracterizou a existência do cristão com a metáfora da “corrida para o alvo” (1Co 9.24-27; Fp 3.13s; 2Tm 4.7). Estava profundamente preocupado em “consumar” a corrida até o alvo. Além disso, o “serviço” não era para ele um dever penoso, mas a expressão da admirável graça que seu Senhor lhe “confiou” (1Tm 1.12s; 2Co 4.1). Apesar de seus múltiplos aspectos, esse serviço é somente um único: “testemunhar o evangelho da graça de Deus”. A única coisa que importa é que esse serviço confiado a ele e do qual depende a vida eterna de pessoas seja executado. Diante da magnitude e importância desse serviço, “não atribui valor algum” ao destino pessoal. Para Paulo a vida não tem um valor em si mesma, em detrimento de seu serviço. Aqui a palavra de Jesus de Mc 8.35 foi cumprida de forma genuína, e não como “moral cristã”].
NaquEle que me garante: "Pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus" (Ef 2.8),
Graça e Paz a todos que estão em Cristo!


Extraído do blog: Auxílio ao Mestre

Nenhum comentário:

Postar um comentário