sábado, 11 de setembro de 2021

LIÇÃO 11: O REINADO DE EZEQUIAS

 

COMENTÁRIO E SUBSÍDIO

 INTRODUÇÃO 

O reinado de Ezequias foi um dos melhores de Judá. Seu governo foi reto, justo, honesto e agradável aos olhos do Senhor. Ele fez importantes reformas no culto e na adoração a Deus. A partir da destruição dos ídolos de Judá, reestruturou todo o sistema religioso, o que culminou num grande avivamento para o povo de Deus.  – Ezequias começou a reinar com 11 anos de idade em 729 a.C. em corregência com o seu pai, Acaz, mas incrivelmente não foi influenciado pela apostasia espiritual promovida pelo seu pai. Aos 25 anos, quando finalmente assumiu o trono sozinho, a sua primeira iniciativa foi promover a reforma das instituições religiosas de Judá. Nos seus anos de corregência, Ezequias provavelmente discerniu que a forma como o seu pai reinou não agradava a Jeová, pois isso havia trazido sérias consequências para o povo de Deus, inclusive o Reino do Norte. Israel já estava em processo final como nação. Essa sensibilidade do rei ao que estava acontecendo com o Norte pode ter sido uma das influências que veremos adiante. – Boa parte do sucesso da reforma de Ezequias deu-se em virtude do impacto que o povo de Judá teve diante das ameaças assírias, bem como a derrota completa que o império estava infligindo no Reino do Norte, que, na época da reforma de Ezequias, estava sendo levado cativo pela Assíria. Mas, para muito além disso, o seu segredo estava em ele dar ouvidos ao seu grande conselheiro, o profeta Isaías (2 Rs 19.6; 20.1-6); ele fez um pacto com o Senhor (2 Cr 29.10); e começou a sua obra reformista assim que assumiu o trono (2 Cr 29.3).

 I. O JUSTO REINADO DE EZEQUIAS

1. Um rei reformista. Ezequias instaurou uma ampla renovação espiritual do povo de Deus, em Jerusalém. Reuniu os sacerdotes e levitas e lhes propôs uma nova aliança com Deus (2 Cr 29.4-11). Esta aliança incluiria uma reforma radical no comportamento e na espiritualidade do povo. O rei mandou destruir os altares pagãos; reabrir as portas do Templo; restabelecer as ofertas e os sacrifícios; reinstituir os ofícios sacerdotais e, ainda, celebrar a Páscoa. A despeito de tudo isso, o que mais se destaca nas atitudes de Ezequias é que ele “se chegou ao SENHOR, não se apartou de após ele e guardou os mandamentos que o SENHOR tinha dado a Moisés” (2 Rs 18.6).

Assim, o rei Ezequias tinha um coração disposto a fazer a vontade de Deus no Reino de Judá. Por isso ele reuniu os sacerdotes, demais levitas e lideranças para reconhecer o verdadeiro estado pecaminoso da nação (2 Cr 29.4-11). Ezequias tinha um coração quebrantado e, por isso, foi reformista.

2. A purificação dos lugares sagrados. Com a convocação de Ezequias, os sacerdotes e os levitas se reuniram e se prontificaram a purificar e santificar a casa do Senhor (2 Cr 29.3-5). Retiraram e jogaram fora todas as coisas impuras que estavam no Templo e restabeleceram o culto e os sacrifícios, conforme a Lei de Moisés (2 Cr 29.18-21). A purificação foi tão completa que, no relato do segundo livro de Crônicas, capítulo 29 e versículos 18 e 19, a palavra “todos” é repetida várias vezes no texto. Nada ficou de fora!

3. A adoração nacional. A fim de restabelecer o culto a Deus, Ezequias convocou os maiorais da cidade para estarem na Casa do Senhor (2 Cr 29.20). Ali foram oferecidos diversos sacrifícios para a reconciliação de todo o Israel. Foi nesse momento de muita comoção, que o rei, seus assessores, e toda a congregação de Israel se prostraram diante do Senhor (2 Cr 29.28,29). Que cenário maravilhoso! Uma nação inteira se prostrando e adorando àquEle que é digno de toda honra, glória e louvor.

Além de toda a reforma, Ezequias também mandou celebrar a Festa da Páscoa, que há muito tempo não se via (2 Cr 30.1). Todos foram convidados a participar, inclusive as tribos do Norte. Houve um grande ajuntamento de pessoas em Jerusalém. Depois, Ezequias, os sacerdotes e os levitas, oraram pela cura e santificação do povo (2 Cr 30.27).

A convocação do rei Ezequias ao povo para a santidade, adoração a Deus e amplas reformas espirituais ocasionou um dos maiores avivamentos do Antigo Testamento. Houve um impacto espiritual tão grande que, ao voltar para a casa, o povo destruiu as estátuas dos falsos deuses, rompeu com a idolatria. Deus ainda levanta líderes para promover verdadeiras reformas espirituais.

O projeto de reformas de Ezequias teve sucesso dentro de Judá, porém resultou em desavenças com o rei Sargão II da Assíria, sucessor de Tiglate-Pileser, pois, até então, as alianças entre Acaz e Tiglate-Pileser envolviam os judeus com os cultos pagãos da Assíria. Com a reforma religiosa de Ezequias e o abandono da idolatria, a principal consequência foi a quebra das relações políticas com o rei que governava naquele período, Sargão II. Nesse período, as relações entre os dois reinos ficaram cada vez mais melindrosas, as tensões internas aumentavam devido à instabilidade, e ameaças exteriores e o medo de que o mesmo que aconteceu no Norte pudesse acontecer ali era cada vez mais evidente. – Foi no reinado de Senaqueribe (705 a.C. a 681 a.C.) que aconteceu a independência da Babilônia diante da Assíria. Embora essa independência tenha sido por um breve período de tempo, deu-se o início de uma nova força política que viria dominar o Mediterrâneo, inclusive causar o exílio de Judá dando fim ao projeto e esforços do rei Ezequias. Foi no reinado de Manassés que Judá entrou em declínio total e foi subjugada pela Babilônia. Se os irmãos do Norte foram deportados no primeiro momento, a preocupação de Isaías dá-se em alertar o seu povo de que o mesmo sucederia com eles no Sul, pois eles estavam indo pelo mesmo caminho de abandono da Aliança com Jeová, tal como os irmãos do Norte. O profeta, além de exortar, profetizou sobre um futuro tenebroso que viria, mas também vaticinou que havia esperança no Messias vindouro. – Portanto, apesar do seu zelo religioso, a sua reforma pode também ter sido motivada por questões políticas. Quando do discurso de Rabsaqué no muro da cidade (2 Rs 18.19-25; 28-35), tentando intimidar o povo de Jerusalém a uma sublevação contra Ezequias, a reforma religiosa foi mencionada, o que faz supor que ela pode ter sido utilizada para frear a influência Assíria sobre Judá. A visita dos babilônios e o encantamento de Ezequias diante deles (2 Rs 20.12,13) é outra evidência em direção à sua motivação política na reforma religiosa. A verdade é que o Senhor pode utilizar-se de artifícios humanos para atingir os seus objetivos, como foi no caso da reforma, sem que isso lhe tire o mérito do milagre e da sua intervenção na história

SUBSÍDIO DIDÁTICO-PEDAGÓGICO

O professor deve entender que a forma como conduz os trabalhos na classe e a linguagem utilizada são fundamentais no processo de aprendizagem. Portanto:

II. SENAQUERIBE INVADE JUDÁ

1. As ameaças de Senaqueribe. O Império Assírio estava em franco crescimento. Ele havia invadido várias nações do Oriente Médio, inclusive, Israel, que fora levado para o cativeiro (2 Rs 18.11,12). Agora, Senaqueribe, rei da Assíria, achava que poderia fazer o mesmo com Judá. Foi então que resolveu expedir seu poderoso exército para sitiar Jerusalém e ameaçar o rei Ezequias, visto que ele havia se rebelado contra o governo assírio (2 Cr 32.1).

Durante o cerco a Jerusalém, Senaqueribe, por meio de seus oficiais, usou como estratégia intimista a difamação de Ezequias e o afrontamento da grandeza de seu Deus (2 Cr 32.10-15). Como seu propósito era abalar o moral do rei e do povo, todas essas injúrias foram pronunciadas em hebraico.

2. O temor do rei Ezequias. As ameaças dos assírios pasmaram Ezequias e o medo se espalhou por toda a corte de Judá (2 Rs 18.3719.1); o que levou o rei a consultar o profeta Isaías (Is 37.1-7). E a palavra dele foi de vitória para o povo de Deus. Aqui aprendemos que a obediência a Deus não é sinônimo da ausência de problemas e enfrentamentos. Entretanto, a mão protetora do Altíssimo nunca deixa seu povo desamparado.

As ameaças inimigas sempre usam elementos conhecidos e de confiança tentando abalar a legitimidade da fé. Ameaças inimigas são inflacionadas, exageradas e eivadas de mentiras e meias verdades bem contadas e organizadas; tudo para gerar um clima de insegurança e desconfiança. Mas elas também contêm elementos de verdade para convencer. Por exemplo, Judá não tinha mesmo um poderio militar para fazer jus à Assíria. Segundo o pensamento pagão, se os deuses das nações conquistadas pela Assíria não lhes livraram, como Deus iria fazê-lo? Os oficiais assírios também disseram que o Senhor já havia autorizado a queda de Jerusalém, mas não sabiam eles que estavam afrontando o único Deus verdadeiro com aquelas palavras zombeteiras e difamatórias. – As ameaças causaram medo em toda corte de Ezequias e no povo (2 Rs 18.37; 19.1), ao que Ezequias consultou o profeta Isaías (Is 37.1-7), que vaticinou a vitória do povo de Deus e confortou o rei. Obediência a Deus não é sinônimo de ausência de problemas e enfrentamentos, porém a mão protetora do Senhor nunca deixou o seu povo desamparado.

SUBSÍDIO HISTÓRICO

“Rabsaqué adverte Ezequias (18.19-25). A mensagem de Rabsaqué era uma típica ostentação assíria planejada para destruir a confiança de Ezequias. Deve-se observar a partir de suas advertências que o rei de Judá estava, naquele momento, resoluto e determinado em sua revolta contra Senaqueribe. O grande rei, o rei da Assíria (19) é apenas parte do título frequentemente usado pelos reis da Assíria. Os anais deste rei têm início da seguinte forma: ‘Senaqueribe, o grande rei, o poderoso rei, rei do universo, rei da Assíria…’

A aliança estabelecida entre Judá e o Egito, era tão frágil quanto a palavra de lábios (20), com o bordão de cana quebrada como suporte (21). O Faraó é Tiraca (Taharqo), que foi co-regente com seu irmão a partir de 690/89. Ele era o líder das forças egípcias que Senaqueribe enfrentou (19.9)” (Comentário Bíblico Beacon: Josué a Ester. Rio de Janeiro: CPAD, 2005, pp.376,77).

III. A ORAÇÃO DO REI E O LIVRAMENTO DO SENHOR

1. A oração confiante de Ezequias. Para intensificar ainda mais sua estratégia do medo, o rei assírio enviou cartas atrevidas e ameaçadoras ao rei Ezequias (2 Cr 32.17). A mensagem exigia a rendição de Jerusalém. Mas o rei de Judá apresentou essas cartas diante do Senhor, e orou fervorosamente (Is 37.14-20). Nessa oração Ezequias agradeceu a Deus e declarou sua soberania sobre tudo e todos. E, apresentando as afrontas de Senaqueribe, pediu ao Eterno que o livrasse daquele ímpio.

2. Deus conforta o rei. Deus usou o profeta Isaías para confortar o rei Ezequias e mostrar que estava com ele. O Senhor disse que tinha ouvido as orações do rei a respeito do atrevimento de Senaqueribe (Is 37.6,7,21,22). Aquele ímpio havia afrontado e blasfemado do verdadeiro e único Deus. Naquela mesma noite, sem que Ezequias usasse qualquer arma, o Senhor dos Exércitos lhe deu o livramento. Um anjo do Senhor foi enviado por Deus e matou, de uma só vez, cento e oitenta e cinco mil assírios (2 Rs 19.35). O fim de Senaqueribe não poderia ser mais trágico. Foi assassinado pelos próprios filhos (2 Cr 32.21).

Não se tem certeza se a Assíria cercou Jerusalém uma ou duas vezes no reinado de Ezequias. Alguns estudiosos dizem que o relato bíblico refere-se ao mesmo evento, mas também existem evidências que dizem o contrário, afirmando que a Assíria invadiu duas vezes Judá. Na primeira vez, foi convencida a abandonar o cerco por causa das altas taxas que Ezequias mandou para a Assíria (2 Rs 18.14-16), embora várias cidades tivessem sido tomadas. E a segunda vez foi pela intervenção divina (2 Rs 19.35,36). – A reação de Ezequias às ameaças do grande exército assírio é um modelo para todo crente que sabe que o socorro só pode vir do Senhor, não adiantando confiar em apoios humanos — no caso de Ezequias, a referência é do rei do Egito. Para intensificar as ameaças, o rei assírio enviou uma carta a Ezequias, que a tomou nas mãos e literalmente a apresentou na Casa do Senhor num gesto de fé simples, porém cheio de sinceridade, fazendo, assim, uma oração de quem confia em Deus mesmo em meio a maior angústia. Ezequias engrandeceu ao Senhor Deus, declarou o seu domínio e soberania sobre tudo e todos, apresentou as palavras de Senaqueribe e a afronta diante do Senhor e pediu a ajuda e livramento dEle. Entretanto, o mais importante é que Ezequias expressou a sua alma diante de Deus no singelo gesto de colocar as cartas na presença dEle. - 2. Deus Conforta o Rei Quase imediatamente, Deus enviou uma mensagem a Ezequias por intermédio do profeta Isaías, em forma de poesia, para confortar o rei e dar-lhe garantia de que o Senhor estava do seu lado. Naquela noite mesmo, Deus deu livramento sem que Ezequias tivesse que portar qualquer arma. Um anjo do Senhor matou 185 mil assírios e deu livramento ao seu povo (2 Rs 19.35). Dessa forma, a queda de Senaqueribe começou quando ele tentou afrontar ao Deus vivo e colocar-se como maior do que Ele. O fim de Senaqueribe foi trágico, sendo este assassinado pelos próprios filhos (2 Cr 32.21).

SUBSÍDIO BIBLIOGRÁFICO

“A palavra de Deus referente a Senaqueribe (19.20-28). A resposta de Deus à oração de Ezequias, mais uma vez, veio através de Isaías, o profeta. Para compreender claramente a mensagem, veja o texto bíblico completo. Era uma resposta de esperança para o rei de Judá e a angustiada Jerusalém. A atitude deles com relação a Senaqueribe poderia ser de desprezo e zombaria (21). Jerusalém meneia a cabeça por detrás de ti, isto é, ‘ela balança a cabeça detrás de ti’. O rei da Assíria não só zombava do povo de Jerusalém, mas de Deus, o Santo de Israel (22) – um título para o Senhor, usado principalmente por Isaías (cf. Is 5.24; 30.12, etc). Senaqueribe havia arrogantemente perseguido as suas muitas conquistas (23,24), e contava até mesmo com a aprovação de Deus – não ouvistes que já dantes fiz isto? (25, cf. Is 105-11). A difícil segunda parte do versículo 25 pode ser traduzida como: ‘E agora eu o executei, transformando as cidades fortes em ruínas’ (Moffatt). Entretanto, a Assíria foi além dos planos de Deus. Ela arrogantemente, perseguiu o seu desejo por conquistas, e assim Deus declarou a Senaqueribe: Eu te farei voltar pelo caminho por onde vieste (28, cf. Is 10.12-19)” (Comentário Bíblico Beacon: Josué a Ester. Rio de Janeiro, CPAD, 2005, p.379).

CONCLUSÃO 

A lição que aprendemos nesta história é que ninguém pode afrontar e zombar do Todo-poderoso e ficar impune. O reinado de Ezequias foi muito diferente da maioria dos reis de Judá, pois ele foi temente ao Senhor e confiou nEle nos momentos mais difíceis de seu reinado. Ezequias nos deixou uma grande lição: Deus sempre ouve os sinceros de coração, que confiam nEle mesmo diante do medo e da insegurança. – O trágico fim de Senaqueribe mostra que ninguém pode zombar nem afrontar a Deus, pois os seus servos, mesmo em desvantagem, têm enorme vantagem quando confiam nEle. O reinado de Ezequias foi muito diferente da maioria dos reis de Judá, especialmente durante a reação às ameaças de Senaqueribe e às reformas que ele fez no culto ao Senhor. Ezequias foi temente a Deus, confiou nEle nos momentos de crise e deixou uma grande lição espiritual para todo crente: o Senhor sempre ouve um coração sincero que confia nEle mesmo nos momentos de medo e insegurança.

REFERÊNCIAS

BÍBLIA, Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Rio de Janeiro: CPAD, 1995, p. 535.

LIÇÕES BÍBLICAS. 3º Trimestre 2021 - Lição 11. Rio de Janeiro: CPAD, 12, set. 2021. 

POMMERENING, Claiton Ivan. O plano de Deus para Israel em meio à infidelidade da nação. Rio de Janeiro: CPAD, 2021. 

STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1997. 

WIERSBE, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo. Antigo Testamento, v. II Históricos, p. 449. Santo André: Geográfica, 2010. 

sexta-feira, 3 de setembro de 2021

LIÇÃO 10: O CATIVEIRO DE ISRAEL: REINO DO NORTE

COMENTÁRIO E SUBSÍDIO

 INTRODUÇÃO 

O cativeiro de Israel ocorreu durante o reinado do rei Oseias. Nessa época, a Assíria começava a crescer e a se tornar um grandioso império, controlando várias nações, inclusive Israel. Durante os últimos trinta anos de Israel, o país foi acometido de muitas tragédias, injustiças e assassinatos, em razão de desprezarem e desobedecerem aos mandamentos de Deus. A nação israelita entrou em decadência política, social, econômica e religiosa. – As advertências de Deus para que os israelitas abandonassem a idolatria e fossem poupados não surtiu efeito. A nação afundava-se nos seus pecados cada vez mais. A solução de Deus para o seu povo escolhido foi a dispersão por meio do cativeiro, não sem antes agir com misericórdia e amor, como demonstrado pelo profeta Oseias. Por causa da sua recusa ao chamado do Senhor e a sua constante idolatria eles experimentaram o cativeiro da Assíria. A Assíria foi um dos primeiros grandes impérios e ficou conhecida pela sua força bélica e a sua crueldade desferida contra os seus inimigos, cortando os seus lábios, língua, membros sexuais, orelha e nariz e, ainda por cima, obrigando-os a trabalhar como escravos. Além disso, eles tinham métodos de matança ainda mais cruéis: os inimigos eram esfolados vivos, queimados ou espetados numa estaca até ficarem totalmente exauridos. Os assírios espalhavam o horror por onde passavam, causando muito medo em todas as nações e fazendo com que quase ninguém lhes oferecesse resistência. O poderio de terror assírio somente seria vencido quando surgiu Nabopolassar e o seu filho Nabucodonosor, que venceram o Império Assírio e fortaleceram o Império Babilônico.

 I. SAMARIA É CERCADA PELO REI DA ASSIRIA

1. Israel sob o reinado de Jeroboão II. A nação de Israel experimentou prosperidade econômica e reconquistas de territórios perdidos para a Síria que, durante algum tempo, dominava a Palestina. Mas infelizmente, conforme nos adverte os profetas Amós e Oseias, esses resultados foram alcançados através de corrupção, injustiça social, hipocrisia religiosa e sincretismo (2 Rs 17.2,29-33). Os períodos de prosperidade não fizeram o povo retornar a Deus para adorá-lo, conforme a Lei.

2. A traição do rei Oseias. O rei da Assíria, Salmaneser, descobriu que Oseias, seu vassalo, o traíra ao buscar apoio do Egito e interromper o pagamento dos tributos ao seu reino (2 Rs 17.3,4). Enfurecido, o soberano mandou prender Oseias, marchou com seus exércitos contra Samaria, e a sitiou por três anos (2 Rs 17.5). A partir daí, Israel não teria mais chances de negociação; só lhe restaria a guerra e a consequente deportação.

3. A advertência dos profetas. O aumento da riqueza nacional, especialmente sob o reinado de Jeroboão II, fez com que pequenos proprietários fossem espoliados pelos mais ricos, até que se tornassem pobres e servos desses usurpadores. Enquanto os mais abastados viviam na extravagância, os pobres eram vilipendiados e permaneciam na miséria. Essas injustiças fizeram com que os profetas Amós e Oseias formalizassem graves denúncias (Am 5.6-9). Todos estes brutais pecados da nação de Israel foram apontados pelos profetas com pesadas advertências ao arrependimento, e apelos à misericórdia e ao amor de Deus (Os 7.11-14).

O Todo-Poderoso sempre abominou o sincretismo em Israel, em que o povo adorava os ídolos e ao mesmo tempo oferecia cultos a Deus. Foi por isso que o profeta Amós advertiu àquela obstinada nação com tanta severidade (Am 5.21-27). Deus não se deixa escarnecer, e não tolera um coração dividido com outros deuses ou objetos de adoração. Esses falsos deuses influenciavam o coração do povo, inclinando-o contra a vontade de Deus declarada em sua Palavra.

Oseias foi considerado um rei rebelado quando buscou apoio do Egito e interrompeu o pagamento dos tributos de reino vassalo. Isso enfureceu tanto o rei Assírio Salmeneser V que ele fez um cerco a Samaria que durou três anos. Agora, Israel não teria mais chances nem negociações, e somente a guerra e a deportação resolveriam a situação. – Os cercos a qualquer cidade na Idade Antiga eram repletos de muitos sofrimentos, pois as entradas da cidade eram fechadas; ninguém podia sair; os campos ficavam sem cultivo; as mercadorias necessárias não entravam na cidade, prejudicando, assim, o comércio e o escambo; a água muitas vezes era racionada e extremamente escassa, de forma que uma pesada angústia era infligida ao povo. Essa estratégia de guerra era utilizada pelo exército inimigo para esvair as forças de resistência da cidade a ser conquistada; portanto, três anos de cerco foi um longo tempo de desespero para uma nação que já fazia tempo que não se importava mais com o culto a Deus.

Incansavelmente, Deus enviou os seus profetas, em especial Amós e Oseias no Reino do Norte, com apelos para que a terrível sentença fosse revogada pelo arrependimento. “Buscai o Senhor e vivei, para que não se lance na casa de José como um fogo, e a consuma, e não haja em Betel quem o apague” (Am 5.6). Deus abominou o sincretismo que o povo estava praticando, adorando os ídolos, sendo injustos e infiéis e, ao mesmo tempo, querendo oferecer culto a Deus, misturando a sua devoção com outros deuses. Por isso, o profeta Amós advertiu: “Aborreço, desprezo as vossas festas, e as vossas assembleias solenes não me dão nenhum prazer. E, ainda que me ofereçais holocaustos e ofertas de manjares, não me agradarei delas, nem atentarei para as ofertas pacíficas de vossos animais gordos. Afasta de mim o estrépito dos teus cânticos; porque não ouvirei as melodias dos teus instrumentos. Corra, porém, o juízo como as águas, e a justiça, como o ribeiro impetuoso. Oferecestes-me vós sacrifícios e oblações no deserto por quarenta anos, ó casa de Israel? Antes, levastes a tenda de vosso Moloque, e o altar das vossas imagens, e a estrela do vosso deus, que fizestes para vós mesmos. Portanto, vos levarei cativos, para além de Damasco, diz o Senhor, cujo nome é Deus dos Exércitos”. (Am 5.21-27)

Deus não se deixa escarnecer. Ele especialmente não tolera quando o coração está dividido com outros deuses que disputam lugar e dão ordens ao coração humano; ou seja, o ser humano passa a fazer escolhas segundo o seu falso deus em detrimento das sábias escolhas da Palavra de Deus, que são vida.

SUBSÍDIO DIDÁTICO-PEDAGÓGICO

O professor deve ser capaz de escolher, usar e eventualmente desenvolver métodos de ensino. Há dois componentes nessa tarefa. Primeiro, o docente deve ser capaz de trabalhar de forma independente com os métodos pedagógicos habituais, abrangendo os seguintes componentes: objetivos, conteúdo, recursos, modo de operar, formas de prover acompanhamento, organização de ensino e avaliação. Segundo, também deve conhecer as diversas formas de se conceber um método pedagógico.

Espera-se do professor que:

• Escolha objetivos pedagógicos e didáticos coerentes com a sua identidade, seu trabalho e com o programa de sua Escola Dominical;

• Escolha e maneje com eficácia as diferentes formas de trabalho e atividades didáticas;

• Conheça diferentes tipos de métodos pedagógicos;

• Assegure um bom manejo de classe.

II.  OS PECADOS DO POVO E SUA QUEDA

1. O terrível pecado da idolatria. Desde que o reino de Israel foi dividido, o Norte se inclinou mais intensamente à idolatria que o Sul. Provavelmente esta foi a razão de Israel ter sido levado para o cativeiro algumas dezenas de anos antes de Judá.

Apesar do caos espiritual e rejeição de Israel, Deus queria salvar o povo. Foi então que o Senhor convocou o profeta Oseias para uma situação bastante estranha. Pediu que ele se casasse com uma prostituta e tivesse filhos com ela (Os 1.2). Essa prostituta representaria a nação de Israel.

Oseias cumpriu a ordem do Senhor e se casou com Gômer (Os 1.3) e teve três filhos. Cada filho que o profeta tinha com a prostituta mostrava a desaprovação divina com o povo de Israel. Deus colocou o casamento do profeta Oseias como uma lição prática da infidelidade do reino do Norte. Nesta metáfora, a prostituta (Israel) deixa seu marido (Deus) para se deleitar com seus amantes (Egito e Assíria) e ainda pagava para estar com eles. Hoje se pode ver o mesmo padrão de vida imoral sempre que o povo de Deus se desvia da genuína dedicação ao Todo-poderoso (Pv 5.3).

2. Outras causas do cativeiro. Os pecados relacionados à exploração e indiferença para com o pobre foram duramente criticados pelos profetas. Percebe-se que tais iniquidades são colocadas em pé de igualdade com a idolatria. O profeta Amós condenou estas transgressões de maneira implacável: “Ouvi esta palavra, vós, vacas de Basã, que estais no monte de Samaria, que oprimis os pobres, que quebrantais os necessitados […] Ouvi isto, vós que anelais o abatimento do necessitado e destruís os miseráveis da terra (Am 4.18.4). A situação era tão grave que até os sacerdotes fizeram um conluio com os governantes para extorquir o povo (Os 6.9,10). Deus fez um juramento dizendo que jamais se esqueceria das maldades de Israel (Am 8.4-7).

 Para mostrar o seu grande amor pelo povo escolhido, Deus chamou o profeta Oseias como um exemplo vivo daquilo que Ele estava fazendo com Israel. Casou-se com uma prostituta, muito amada por ele, mas o relacionamento deles aconteceu entre as fugas da esposa e os apelos para que voltasse que Oseias fez incansavelmente. A metáfora da sua própria vida que Oseias utiliza é que a prostituta (Israel) deixa o seu marido (Deus) para deleitar-se com os seus amantes (Egito e Assíria) e ainda pagava para estar com eles. Da união com Gômer, nasceram-lhes filhos, cujos nomes que o profeta colocou indicavam o momento em que Israel estava vivendo com Deus por causa dos seus pecados. Assim, os adultérios de Gômer, esposa de Oseias, eram uma ilustração do que Israel estava vivendo em relação a Deus. Ao primeiro filho, Oseias colocou o nome de Jezreel, que significa “Deus semeia”, referindo-se ao local onde Deus julgou os filhos idólatras de Acabe, cumprindo-se a profecia de Elias; ou seja, Deus trataria com a nação idólatra como tratou com Acabe. A segunda filha foi chamada de Lo-ruhamah, que significa “desfavorecida”, simbolizando o sofrimento de Israel por causa da desobediência, mas o Senhor não teria compaixão dela. A terceira filha chamou-se Lo-ammi, que significa “não-meu-povo”, simbolizando que Deus estava rejeitando Israel por causa do seu pecado.

Desde que o reino foi dividido entre o Norte e o Sul, a opção do Reino do Norte foi aplicar-se à idolatria. Além da inclinação natural a esse mal, havia um receio de que o povo do Norte nostalgicamente quisesse ir adorar a Jeová em Jerusalém, o que seria um grave problema político, pois poderia ocasionar a fragilização por meio da religião ao Reino do Norte. Dessa forma, assim que ocorreu a divisão, houve uma preocupação em estabelecer locais de culto a Jeová como em Betel, Gilgal e Jericó, mas também em aproveitar a inclinação à idolatria do povo, e, nesses mesmos locais e em outros de Israel, foram erguidos locais de culto para divindades pagãs. Assim, havia várias opções para o povo não se dirigir a Jerusalém. Essa política foi iniciada por Jeroboão I, motivo pelo qual ele tornou-se referência principal para a idolatria e o sincretismo religioso em todo o livro de Reis. – A inclinação de Israel para a idolatria foi muito maior que a do Reino de Judá. Certamente, esse foi o motivo por que o cativeiro de Israel aconteceu algumas dezenas de anos antes do de Judá. A lista de reis de Israel que constam no livro de Reis não tem nenhum que tenha sido bom no sentido de encaminhar o povo para um compromisso com Deus. A maioria deles praticou idolatria abertamente e ainda incentivou o povo a fazê-lo; já outros adoravam os ídolos e a Deus como se fossem divindades de um mesmo páreo (2 Rs 17.33).

O profeta Oseias faz um brilhante trocadilho com a falsidade existente na adoração aos deuses, referindo-se ao fato de que os falsos deuses adorados por Israel não lhes socorreram no momento de maior aflição. Tais deuses, ante os quais a nação de Israel prostrava-se com rituais, cultos e sacerdotes, eram impotentes para socorrê-la: “Os moradores de Samaria serão atemorizados pelo bezerro de Bete-Áven, porquanto o seu povo se lamentará por causa dele, como também os seus sacerdotes (que nele se alegravam), e por causa da sua glória, que se apartou dela.” (10.5) – Especialmente grave era a forma como os sacerdotes entraram em conluio com os administradores e governantes para extorquir o povo. Vejamos o que escreveu Oseias sobre isso: “Como hordas de salteadores que espreitam alguém, assim é a companhia dos sacerdotes que matam no caminho para Siquém; sim, eles têm praticado abominações. Vejo uma coisa horrenda na casa de Israel: ali está a prostituição de Efraim; Israel é contaminado.” (Os 6.9,10)

Tempo depois, o profeta Jeremias profetizou algo parecido para Judá: “Coisa espantosa e horrenda se anda fazendo na terra: os profetas profetizam falsamente, e os sacerdotes dominam pelas mãos deles, e o meu povo assim o deseja; e que fareis no fim disso?” (Jr 5.30,31). Jeremias aponta para um faz-de-conta, como num acordo coletivo silencioso e subjetivo, em que o clero e o povo fazem de conta que servem a Deus. Além das causas morais, sociais e espirituais descritas anteriormente e que ocasionaram o cativeiro, outras causas também podem ser apontadas, mas que certamente são consequências do declínio moral e espiritual: “A divisão do reino deixou Israel enfraquecido e este não pode enfrentar sozinho os seus inimigos. As alianças que Israel fez com as nações vizinhas também o enfraqueceram, pois muitas vezes ele teve que pagar elevados tributos. Além do mais, enfraqueceu-se lutando contra Judá. Sobretudo, os reis do norte eram indignos. Houve várias revoltas, acompanhadas muitas vezes de regicídios e mudanças de dinastia. Dezenove reis e nove dinastias reinaram nos dois séculos de sua existência, e dentre estes reis, dez morreram de forma violenta. 

Essa situação espiritual calamitosa de Israel atraiu a indignação divina, até que, conforme relato de Reis, Ele expulsou-os da sua presença. Os israelitas foram levados cativos pela Assíria em 722 a.C., ao final do cerco a Samaria, que durou três anos. Segundo os registros do rei assírio Sargão II, foram exilados 27.280 cativos. Os deportados nunca mais voltaram, exceto alguns poucos para repovoar Samaria; certamente, os exilados desapareceram para sempre, absorvendo as práticas pagãs e misturando-se com os demais povos.

SUBSÍDIO DOUTRINÁRIO

“A Aversão de Deus à Idolatria. Deus não tolerará nenhuma forma de idolatria.

(1) Ele advertia frequentemente contra ela no AT.

(a) Nos dez mandamentos, os dois primeiros mandamentos são contrários diretamente à adoração a qualquer deus que não seja o Senhor Deus de Israel (ver Êx 20.3,4 notas). (b) Esta ordem foi repetida por Deus noutras ocasiões (e.g., Êx 23.13,24; 34.14-17; Dt 4.23,24; 6.14; Js 23.7; Jz 6.10; 2 Rs 17.35,37,38). (c) Vinculada à proibição de servir outros deuses, havia a ordem de destruir todos os ídolos e quebrar as imagens de nações pagãs na terra de Canaã (Êx 23.24; 34.13; Dt 7.4,5; 12.2,3).

(2) A história dos israelitas foi, em grande parte, a história da idolatria.

Deus muito se irou com o seu povo por não destruir todos os ídolos na Terra Prometida. Ao contrário, passou a adorar os falsos deuses. Daí Deus castigar os israelitas, permitindo que seus inimigos tivessem domínio sobre eles. (a) O livro de Juízes apresenta um ciclo constantemente repetido, em que os israelitas começavam a adorar deuses-ídolos das nações que eles deixaram de conquistar. Deus permitia que os inimigos os dominassem; o povo clamava ao Senhor; o Senhor atendia o povo e enviava um juiz para libertá-lo. (b) A idolatria no Reino do Norte continuou sem dificuldade por quase dois séculos. Finalmente, a paciência de Deus esgotou-se e Ele permitiu que os assírios destruíssem a capital de Israel e removeu dali as dez tribos (2 Rs 17.6-18). (c) O Reino do Sul (Judá) teve vários reis que foram tementes a Deus, como Ezequias e Josias, mas por causa dos reis ímpios como Manassés, a idolatria se arraigou na nação de Judá (2 Rs 21.1-11). Como resultado, Deus disse, através dos profetas, que Ele deixaria Jerusalém ser destruída (2 Rs 21.10-16). A despeito dessas advertências, a idolatria continuou (e.g., Is 48.4-5; Jr 2.4-30; 16.18-21; Ez 8) e, finalmente, Deus cumpriu a sua palavra profética por meio do rei Nabucodonosor de Babilônia, que capturou Jerusalém, incendiou o templo e saqueou a cidade (2 Rs 25).

(3) O Novo Testamento também adverte todos os crentes contra a idolatria. (a) A idolatria manifesta-se de várias formas hoje em dia. Aparece abertamente nas falsas religiões mundiais, bem como na feitiçaria, no satanismo e noutras formas de ocultismo. A idolatria está presente sempre que as pessoas dão lugar à cobiça e ao materialismo, ao invés de confiarem em Deus somente. Finalmente, ela ocorre dentro da igreja, quando seus membros acreditam que, a um só tempo, poderão servir a Deus, desfrutar da experiência da salvação e as bênçãos divinas, e também participar das práticas imorais e ímpias do mundo. (b) Daí, o NT nos admoestar a não sermos cobiçosos, avarentos nem imorais” (Bíblia de Estudo Pentecostal, CPAD, p.447).

III. OS ESTRANGEIROS OCUPAM SAMARIA

1. A mistura de gente e o sincretismo. Após o exílio, alguns israelitas pobres permaneceram em Samaria e região. A política dos assírios era que os territórios espoliados fossem reocupados por povos de outras etnias e origens; promovendo assim, uma grande migração e reassentamento de pessoas. O objetivo era misturar as nacionalidades para evitar possíveis rebeliões e enfraquecer as províncias. Essa mistura de gente (Ne 13.3Jr 25.20) fez com que o povo de Israel, que restou em Samaria junto aos deportados de outras nações, tornasse a religião israelita ainda mais sincrética. É por isso que lemos no Evangelho de João: “os judeus não se comunicam com os samaritanos” (Jo 4.9).

2. Jesus e os samaritanos. Apesar do antagonismo entre judeus e samaritanos, Jesus os contemplou com muito amor. Ele deu atenção à mulher samaritana e lhe anunciou o Reino, fazendo-a conhecedora da Fonte de Água que sacia a sede humana de forma definitiva (Jo 4.13,14). E, em razão da dúvida daquela mulher sobre o legítimo lugar de adoração a Deus, Jesus foi enfático em dizer que o lugar não é físico ou geográfico, e sim espiritual: o coração do homem (Jo 4.23,24).

Na parábola do “bom samaritano”, Jesus contrasta a religiosidade excessiva dos líderes religiosos judeus com a natural espiritualidade de um samaritano. Foi aquele homem, considerado indigno, que mostrou compaixão para com o ferido à beira do caminho: “Mas um samaritano que ia de viagem chegou ao pé dele e, vendo-o, moveu-se de íntima compaixão” (Lc 10.33). O Mestre quebrou paradigmas de religiosidade e espiritualidade ao se relacionar de forma amável e acolhedora com os samaritanos.

Havia sobrado uns poucos israelitas pobres que ficaram após o exílio em Samaria e região. A política Assíria era de que o território espoliado e vencido seria reocupado por povos de outras regiões e etnias, provocando, assim, uma grande migração e reassentamento de pessoas, misturando-se às nacionalidades para evitar rebeliões e enfraquecer as províncias. – Esse procedimento do império fez com que o povo que restou em Samaria, aliado aos que foram para ali deportados pelos assírios, tornasse a religião ainda mais sincrética. Veja a lista de deuses que eram adorados nesse novo momento da história samaritana: Sucote-Benote, Nergal, Asima, Nibaz, Tartaque, Adrameleque e Anameleque (2 Rs 17.30-31). – Essa mistura de gente em Israel após o cativeiro assírio deu início ao povo samaritano, uma raça mista e odiada pelos judeus, em que qualquer pessoa era nomeada sacerdote ao bel-prazer daquele que tinha condições de sustentar um sacerdote. Como a terra ficou muito menos habitada do que era antes, leões começaram a proliferar e atacar as pessoas. Foi daí que surgiu a lenda de que atacaram pelo motivo de que não estavam adorando o deus da terra. Por causa disso o imperador assírio enviou um sacerdote a Betel que conhecia os costumes judaicos para tentar aplacar a ira de Deus. Israel, no entanto, já não adorava mais ao Senhor Deus fazia muito tempo. “Mesmo quando esses povos adoravam o Senhor, também prestavam culto aos seus ídolos. Até hoje seus filhos e seus netos continuam a fazer o que os seus antepassados faziam” (2 Rs 17.41, NVI).    

A mistura de etnias, culturas e religiosidades em Samaria após o cativeiro assírio gerou uma mistura de gente e um sincretismo tão grande que Judá, o Reino do Sul, passou a não suportar mais essa situação e condenou tal atitude — embora alguns reis posteriores tenham chamado algumas pessoas do Norte para adorarem a Deus em Jerusalém. É por esse motivo que a Bíblia afirma que “os judeus não se comunicam com os samaritanos” (Jo 4.9). Embora houvesse uma preocupação com a mistura e a adoração a falsos deuses por parte dos judeus, isso também criou uma cultura de intolerância religiosa que Jesus Cristo utilizou para denunciar muitas práticas hipócritas dos judeus da sua época. – O antagonismo com os samaritanos era tão grande que as autoridades religiosas de Israel dos tempos de Jesus afirmaram: “[...] Não dizemos nós bem que és samaritano e que tens demônio?” (Jo 8.48). Essa afirmação foi feita pelas autoridades quando Jesus falou-lhes que tinham por pai o Diabo e que lhes faziam as vontades, e não a vontade do seu Pai (Jo 8.42-47). - Apesar desse antagonismo entre judeus e samaritanos, Jesus olhou com muito carinho para estes. Certa vez, Ele intentou passar a noite numa aldeia samaritana, mas foi impedido por eles (Lc 9.52,53). – Apesar disso, Ele recebeu com carinho a mulher samaritana e anunciou a ela o Reino de Deus, mostrando a fonte da água que sacia a sede de forma a nunca mais ter sede. Jesus também a informou sobre qual é o verdadeiro lugar de adoração diante da dúvida dela quando afirmou que o coração é o lugar mais ideal para praticar a adoração, e não um lugar geográfico específico. Jesus desmontou o antagonismo entre judeus e samaritanos que existia há séculos quando afirmou que até mesmo os sincretistas samaritanos seriam aceitos por Deus se o adorassem em espírito e em verdade. – Outro episódio de Jesus que envolve samaritanos é a parábola do Bom Samaritano. Nesse caso, Jesus está contrastando a religiosidade excessiva dos líderes religiosos judeus com a espiritualidade cotidiana do samaritano, que, indigno e idólatra aos olhos da liderança religiosa judaica, mostrou compaixão para com o ferido à beira do caminho, contrastando com o cerimonialismo religioso do levita e do sacerdote. “Mas um samaritano que ia de viagem chegou ao pé dele e, vendo-o, moveu-se de íntima compaixão” (Lc 10.33). Jesus quebrou paradigmas de religiosidade e espiritualidade quando contou essa parábola e, por conseguinte, quando se relacionou de forma acolhedora com os samaritanos.

SUBSÍDIO DOUTRINÁRIO

“Israel é levada cativa. Finalmente, Israel teve de pagar pelos seus pecados. Deus permitiu que a Assíria derrotasse e dispersasse o povo. Eles foram levados em cativeiro, engolidos pelo poderoso e ímpio Império Assírio. O pecado sempre traz disciplina, e as consequências do pecado são, às vezes, irreversíveis.

O Senhor julgou o povo de Israel, porque ele havia copiado os maus costumes das nações vizinhas, adorando falsos deuses, adotando costumes pagãos, e seguindo seus próprios desejos. Aqueles que criam sua própria religião tendem a viver de maneira egoísta. E viver para si mesmo, como Israel aprendeu, traz sérias consequências da parte de Deus. Às vezes, seguir a Deus é difícil e doloroso, mas considere a alternativa. Você pode morrer com Deus, ou morrer sozinho. Decida ser uma pessoa de Deus, e fazer o que ele diz, independentemente do custo que isso lhe traga. O que Deus pensa a seu respeito é infinitamente mais importante do que pensam os que estão à sua volta.

A destruição veio a Israel, tanto por causa de seus pecados públicos como pelos secretos. Os israelitas não apenas toleravam a iniquidade e a idolatria em público, como cometiam pecados ainda piores em particular. Os pecados secretos são aqueles que não desejamos que os outros conheçam, porque são vergonhosos ou incriminadores” (Veja Rm 12.1-2; 1 Jo 2.15-17)” (Bíblia de Estudo Cronológica Aplicação Pessoal. Rio de Janeiro: CPAD, 2015, p. 830).

CONCLUSÃO 

Não faltou advertências para que Israel abandonasse a idolatria e fosse poupado do cativeiro. Todavia, nada surtiu efeito. Cada vez mais a nação afundava em seus pecados. A maneira drástica, porém misericordiosa e amorosa, de Deus retornar seu povo ao aconchego do seu amor, foi, infelizmente, conduzi-lo ao cativeiro e à dispersão. – Que Deus nos ajude a atentarmos mais para a sua Palavra a fim de não colhermos os amargos frutos da desobediência. – Como os profetas de Deus haviam advertido, Israel foi levado ao exílio. Tudo aquilo que o Senhor prediz acontece. Isto é claro, é uma boa notícia para aqueles que confiam nEle e lhe obedecem – podem acreditar em suas promessas; porém é uma triste notícia para aqueles que o ignoram e lhe desobedecem. Tanto as promessas como as advertências que Deus tem apresentado em sua palavra seguramente se cumprirão.

REFERÊNCIAS

BÍBLIA, Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Rio de Janeiro: CPAD, 1995, p. 535.

LIÇÕES BÍBLICAS. 3º Trimestre 2021 - Lição 9. Rio de Janeiro: CPAD, 29, ago. 2021. 

POMMERENING, Claiton Ivan. O plano de Deus para Israel em meio à infidelidade da nação. Rio de Janeiro: CPAD, 2021. 

STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1997. 

WIERSBE, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo. Antigo Testamento, v. II Históricos, p. 449. Santo André: Geográfica, 2010. 


sexta-feira, 27 de agosto de 2021

LIÇÃO 9: O REINADO DE JOÁS


COMENTÁRIO E SUBSÍDIO

 INTRODUÇÃO 

Com apenas sete anos de idade, Joás começou a reinar. Como era muito jovem, recebia orientações e conselhos do sacerdote Joiada. Durante os anos em que foi orientado, teve um brilhante reinado e fez o que era reto aos olhos do Senhor. Porém, como as suas convicções sobre Deus não eram suficientemente fortes, após a morte de Joiada, Joás deixou-se influenciar por maus conselhos que fizeram Judá retornar à idolatria.

O rei Joás governou o reino de Judá logo após a sua avó Atalia ter usurpado o trono de Judá com a morte de Acazias, pai de Joás, cujo reinado foi bastante curto, de apenas um ano. Acazias era filho de Jorão e sucedeu-lhe no trono. Este se casara com Atalia, filha de Acabe. Portanto, Jorão e Atalia eram pais de Acazias, que era pai de Joás. Tanto Jorão quanto Acazias foram péssimos reis no sentido de promover a idolatria em Judá, incentivados por Atalia, que aprendera muito bem adorar a Baal e a Aserá com os seus pais Acabe e Jezabel. Acazias foi morto por Jeú enquanto visitava o seu tio Jorão (rei de Israel), que estava convalescendo de um ferimento de guerra (2 Rs 9.16-18; 24-26; 2 Cr 22.6-9). A morte de Acazias foi cumprimento de profecia (2 Cr 22.8) proferida por um dos filhos dos profetas da escola de Eliseu. Conforme o relato bíblico, ele profetizou assim: “E ferirás a casa de Acabe, teu senhor, para que eu vingue o sangue de meus servos, os profetas, e o sangue de todos os servos do Senhor da mão de Jezabel. E toda a casa de Acabe perecerá; e destruirei de Acabe todo varão, tanto o encerrado como o livre em Israel (2 Rs 9.7,8).”

 I. O LIVRAMENTO DE JOÁS

1. As tramas reais. Tanto em Israel quanto em Judá, existiam acirradas disputas pelo poder, envolvendo interesses políticos e econômicos. A casa real de Judá havia se aparência com a casa real de Israel através de Atalia, neta de Acabe e Jezabel Atalia se casou com Jorão, filho de Josafá, rei de Judá. Quando Jorão foi assassinado por Jeú (2 Rs 9.24), Atalia usurpou o trono e começou a reinar em seu lugar (2 Cr 22.12b).

2. A coragem do sacerdote Joiada. Atalia herdara a perversidade de Acabe e Jezabel. Para se assentar no trono ela matou todos os membros da família real, incluindo seus próprios netos (2 Cr 22.10). Apenas Joás, filho de Acazias, escapou. Ele tinha um ano de idade e foi escondido em uma sala por sua tia Jeoseba, esposa do sacerdote Joiada, e lá ficou durante seis anos (2 Rs 11.2,3). Nesse período, Joiada preparou lhe ensinou as leis mosaicas.

3. A estratégia bem-sucedida. Quando Joás completou sete anos, Joiada armou uma estratégia para empossar o legítimo rei. Combinou com os capitães da guarda e, no dia planejado por eles, destituíram Atalia do trono e proclamaram Joás como rei (2 Cr 23.11). Joiada naturalmente passou a ser corregente com Joás, pois este não tinha condições de reinar por ainda ser criança (2 Rs 12.2). O sacerdote, como um homem temente a Deus, destruiu os sacerdotes de Baal e conclamou o povo para remover seu templo, despedaçar imagens e altares, e refazer a aliança com Deus (2 Cr 23.16,17).

As tramas reais envolvendo interesses políticos, tanto no reino de Israel quanto no de Judá, estavam acirradas na época anterior a Joás. A casa real de Judá havia-se aparentado com a casa real de Israel, que era muito perversa e idólatra, por meio da filha de Acabe e Jezabel, que haviam sido reis de Israel. Atalia, a filha de Acabe, casou-se com Jorão, rei de Judá, que era filho de Josafá. Atalia, mãe de Acazias, usurpou o trono e começou a reinar no seu lugar quando este foi assassinado por Jeú (2 Rs 9.24), como cumprimento da profecia de que todos os descendentes de Acabe seriam mortos (2 Rs 10.10). – A filha da casa real de Israel, Atalia, viu a morte de seu filho não como uma tragédia, mas como uma maneira de submeter Judá ao controle de Israel. Atalia supunha que isto seria vital para que a linhagem de Omri [pai de Acabe], fosse restabelecida em Samaria. – O povo de Judá estava, de certa forma, acostumado com a adoração a Baal e Aserá, mas a inventiva de Atalia de aprofundar e incrementar a adoração a esses falsos deuses foi demais para o povo, especialmente para o sacerdote Joiada, cujo zelo por Jeová estava aceso e fez de tudo para que a idolatria cessasse e a adoração a Deus fosse novamente implantada. Portanto, a sedição para derrubar a rainha-mãe foi bem-sucedida porque os intentos malignos e a astúcia de Atalia logo se tornaram um pesado fardo para o povo; por isso, foi fácil para Joiada conseguir derrubar a usurpadora do trono e colocar o legítimo descendente de Davi. Um dos artífices usados por Atalia para incrementar a adoração a Baal foi a apropriação dos utensílios sagrados do Templo do Senhor, que foram levados para o templo de Baal. Também havia um sumo sacerdote dessa falsa divindade que se chamava Matã, que foi morto na época da restituição do trono para a dinastia de Davi através de Joás. – Certamente que a ascensão prematura ao trono de um menino em Judá reflete a situação periclitante em que o povo vivia sob o reinado de Atalia, a tal ponto de ela nem ser considerada rainha, apesar de assim ter sido, na linhagem dos reis de Judá. Atalia foi uma rainha perversa e má, tanto ao cometer assassinatos em série quanto em promover a adoração a falsas divindades. Seguramente, ela era uma rainha difícil de conviver, tendo em vista a sua índole de matar os próprios familiares para ter acesso ao trono. Sendo assim, qualquer outra atrocidade cometida contra o povo seria possível da parte dela.

Como Atalia havia herdado a perversidade de Acabe e Jezabel, ela matou todos os membros da família real para assentar-se no trono, inclusive os seus próprios netos, ao extremo de somente Joás, filho de Acazias, com apenas um ano de idade, ter escapado porque foi escondido numa sala do Templo pela sua tia Jeoseba, irmã de Acazias (pai de Joás), que era esposa do sumo sacerdote Joiada. A loucura de Atalia quase dizimou a casa real davídica, restando apenas Joás. Portanto, Joiada e Jeoseba passaram a ser os tutores de Joás, que ficou escondido durante seis anos nessa sala do Templo e foi ensinado nas leis mosaicas por esse sumo sacerdote, que o preparou para assumir o trono. A linhagem messiânica por pouco não foi extirpada, e a lâmpada de Davi, apagada (1 Rs 11.36; Sl 132.17). Somente foi poupada por causa do zelo do sacerdote Joiada, usado por Deus, que prometeu a Davi um herdeiro perpétuo: “A sua descendência durará para sempre, e o seu trono será como o sol perante mim” (Sl 89.36).

Quando Joás, cujo nome significa “Yahweh é forte”, completou sete anos, Joiada armou a estratégia para empossar o legítimo rei no trono, e foi combinado que seria num dia de sábado, quando o povo vinha ao Templo para oferecer os seus sacrifícios e para não despertar suspeitas. A estratégia envolveu os capitães da guarda e os levitas que trabalhavam no Templo. Na hora combinada, Joás foi proclamado rei. Assim, destituíram Atalia do trono e, em seguida, quando ela veio depressa ao Templo para ver o que estava acontecendo, foi levada para fora e morta. – Logicamente que Joiada passou a ser corregente com Joás (2 Rs 12.2), pois este não tinha condições de reinar sendo criança. O sacerdote Joiada, por ser temente a Deus, destituiu os sacerdotes de Baal e conclamou o povo para derribar o seu templo, despedaçar as imagens e os altares, além de refazer a aliança do povo com Deus. Iniciou-se, portanto, um grande reavivamento do culto a Jeová em Judá. Essas atitudes de Joiada tiveram uma influência muito positiva sobre o reinado de Joás. No reinado de Joás e sob a influência de Joiada, foram feitas várias reformas religiosas importantes, dentre elas: extirpou-se parcialmente o culto a Baal e foi derrubado o seu templo; renovou-se o pacto com o Deus de Israel; os levitas foram reorganizados em grupos conforme havia sido na época de Davi e descritas por Moisés; e foram feitas reparações importantes no Templo, como veremos adiante

SUBSÍDIO DIDÁTICO-PEDAGÓGICO

Um elemento importante para se conseguir e conservar a atenção é o envolvimento pessoal dos alunos. Qualquer tempo gasto sem que o aluno esteja profundamente envolvido na lição é tempo perdido. O que fazer para se obter esse interesse? Primeiro precisamos conhecer bem as necessidades básicas de cada aluno, e os problemas que aparecem em cada área da vida deles. O que os motiva? De que gostam? Nós professores não temos obrigação de criar a atenção, mas de captá-la, de tornar cativante até mesmo a situação mais desinteressante. Temos que fazer o aluno envolver-se na lição.

II.  O REINADO DE JOÁS E A REPARAÇÃO DO TEMPLO

1. A arrecadação para reparar o templo. O reinado de Joás foi muito próspero enquanto Joiada o aconselhava (2 Rs 12.2). Como a adoração a Baal havia sido muito incentivada pelos reis anteriores, nenhuma manutenção fora feita no Templo do Senhor e, por isso, ele estava em condições precárias. Logo, Joás incentivou o povo e os sacerdotes a arrecadarem ofertas para a manutenção do Templo (2 Rs 12.4.5).

2. A fidelidade dos tesoureiros. Um detalhe muito importante nessa arrecadação foi a fidelidade com que os sacerdotes e tesoureiros reais administravam o dinheiro (2 Rs 12.15). Numa época, como hoje, esse exemplo dos funcionários de Joás é um importante modelo a ser seguido para desfrutarmos das bênçãos do Senhor.

3. Fidelidade, um atributo que enobrece. Não importa a quantia que está sendo administrada. Deus jamais se agradará de qualquer subtração de valores financeiros ou vantagens pessoais. A Palavra de Deus incentiva a prática da fidelidade: “Não te desamparem a benignidade e a fidelidade; ata-as ao teu pescoço; escreve-as na tábua do teu coração e acharás graça e bom entendimento aos olhos de Deus e dos homens” (Pv 3.3,4). A fidelidade enobrece a alma e traz respeito a quem a pratica. 

Enquanto Joás era aconselhado por Joiada o seu reinado foi muito próspero (2 Rs 12.2). Nesse tempo, aconteceu a restauração do Templo de Jerusalém, que havia sido construído por Salomão. Como a adoração a Baal fora muito incentivada pelos reis anteriores, nenhuma manutenção havia sido feita no Templo do Senhor; por isso, ele estava em condições precárias. Portanto, Joás incentivou o povo e os sacerdotes a arrecadarem ofertas para a manutenção do Templo. O povo contribuiu com muita liberalidade (2 Rs 12.10), e a reforma foi efetivada, e ainda sobraram recursos para ornamentar o Templo. A reforma demorou muitos anos a ser feita entre a ordem dada por Joás até a sua consumação, pois o sacerdote Joiada não deu andamento às obras, até que Joás interveio e mudou a forma de arrecadação, e o plano de reformas para, então, as obras terem início. – No Novo Testamento, o salvo, que é o templo do Espírito Santo, conforme Paulo escreveu: “Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?” (1 Co 3.16). Dessa forma, é preciso que o crente cuide desse templo, não apenas do corpo, mas também do coração, cuidando deles para que não sejam destruídos pela lassidão e relaxamento espiritual, bem como pela falta de manutenção, de modo que outras coisas ocupem o lugar de Deus no coração. A advertência de Joás ao sacerdote Joiada, “Por que não reparais as fendas da casa?” (2 Rs 12.7b), ainda serve para os dias atuais. A diligência em reparar as fendas que se instalam no coração no decorrer do tempo (Jo 13.10a) são responsabilidade do crente que quer manter a habitação do Espírito Santo em bom estado.

Quando lemos sobre a fidelidade dos Sacerdotes lembramos que numa época como hoje, muitas pessoas importantes acabam achando normal desviar dinheiro e misturar as contas pessoais com as contas das instituições, de forma que não se sabe o que é uma coisa ou outra. Ou, ainda, onde algumas vezes os honestos são tratados como bobos e muitas vezes são coagidos a agirem de forma desonesta; esse exemplo dos funcionários de Joás é um importante modelo para ser seguido.

A Bíblia incentiva a honestidade da seguinte maneira: “Não te desamparem a benignidade e a fidelidade; ata-as ao teu pescoço; escreve-as na tábua do teu coração e acharás graça e bom entendimento aos olhos de Deus e dos homens” (Pv 3.3,4). Portanto, a fidelidade enobrece a alma da pessoa e ainda faz com que a pessoa seja benquista e respeitada em todos os lugares, pois o Senhor faz com que o caminho do justo seja todo plano (ver Is 26.7).

Fidelidade (pistis) é a característica da pessoa que é fiel, que não trai alguém, que não desvia recursos ou, ainda, que não se esquiva de um princípio importante. Ela materializa-se em lealdade constante e inabalável a alguém com quem se está unido por promessa, compromisso ou convicções. É uma das partes do Fruto o Espírito (Gl 5.22), que significa uma convicção inabalável de que certos valores são inegociáveis na vida, ainda que se corram sérios riscos e que se possa ter perdas financeiras, de reputação ou mesmo da vida para mantê-los. A fidelidade não se dá apenas na presença da parte interessada ou quando ninguém está vendo. Ela é uma característica que acompanha o sujeito em qualquer lugar ou situação.

SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO

“A religião de Baal, introduzida por Atalia, havia ocasionado uma séria negligência em relação aos serviços e a adoração no Templo. A rainha, de fato, era a responsável por uma considerável destruição do ambiente sagrado e de seus objetos, e pelo confisco de ofertas destinadas a Deus, que ela reverteu para a causa de Baal (2 Cr 24:7).

Joás confia aos sacerdotes a tarefa de reparar o Templo (12.4-8). Os recursos destinados aos sacerdotes e a manutenção do Templo normalmente provinham de três origens: (a) o dinheiro daquele que passa (4), isto é, o dinheiro da análise do censo (Êx 30.13); (b) o dinheiro de cada uma das pessoas, o dinheiro da alma ou da redenção (cf. Nm 18.15.16), e, (c) o dinheiro que trouxer cada um voluntariamente, as ofertas espontâneas. Os sacerdotes deveriam utilizar esses recursos para reparar o Templo. O fato de terem deixado de fazer esses reparos quando Joas já tinha chegado aos vinte e três anos não indica necessariamente que houve uma apropriação indébita. Parece, antes, que os proventos esperados, através das fontes naturais, não eram tão elevados quanto o necessário, e que os sacerdotes talvez não tivessem sido muito cuidadosos a respeito da apropriação do dinheiro para seu uso pessoal, como deveriam ser. “Conhecidos” (5,7) significa ‘eleitores ou ‘apoiadores” (Comentário Bíblico Beacon: Josué a Ester. Rio de Janeiro: CPAD, 2005, pp.358,359)

III. A CONSPIRAÇÃO CONTRA JOÁS

1. O declínio do reinado. A história de Joás nos revela que ele não tinha firmeza em suas convicções e se deixava levar facilmente por qualquer sugestão (2 Cr 24.17). Quando o sacerdote Joiada morreu, o rei não conseguiu manter-se inteiramente fiel ao Senhor, passou a adorar ídolos (2 Cr 24.18) e a confiar em suas próprias forças (2 Rs 12.17,18). As más decisões de Joás e sua desobediência resultaram na falta de prosperidade do reino, na perda de sua confiança em Deus, e, mais tarde, na conspiração de assassinato contra ele (2 Cr 24.25). 

Essa é uma trágica consequência da desobediência: perder a confiança em Deus por causa de uma consciência contaminada. Assim aconteceu com o rei Joás. Quando conhecemos bem os caminhos do Senhor, e entramos pelo caminho tortuoso, o da apostasia, a consequência trágica é inevitável.

2. Conspiração e morte no reino. A idolatria de Joás teve início após a morte do sacerdote Joiada. O rei, em vez de seguir tudo o que o sacerdote lhe ensinara, passou a tomar conselhos com os príncipes de Judá (2 Cr 24.17), abandonou o Senhor e se voltou aos ídolos. Sua capacidade de discernir estava tão prejudicada que, ao ser repreendido por Zacarias, filho de Joiada, o matou (2 Cr 24.20,21). O juízo de Deus veio até Joás através do exército sírio, que pelejou contra ele. Após a batalha, ferido, os próprios servos de Joás conspiram contra ele e o matam em sua cama (2 Cr 24.25). 

Quão perigoso é abandonar os bons conselhos do céu para buscar os maus conselhos terrenos (cf. Fp 4.8,9). Não podemos deixar de discernir as coisas do Espirito, pois a Palavra de Deus diz que nós temos a mente de Cristo (1 Co 2.16). 

O Declínio do Reinado A herança espiritual pervertida dos antepassados de Joás não foi de todo eliminada da sua vida, pois, quando morreu o seu tutor e principal conselheiro, o sacerdote Joiada, Joás não conseguiu manter-se inteiramente fiel ao Senhor. O texto bíblico dá a entender que Joás não tinha muita determinação nem convicções firmes e deixava-se levar facilmente por qualquer sugestão (2 Rs 12.6,7). Os seus súditos sugeriram-lhe que voltassem a adorar imagens, e ele consentiu. – Assim, eles afastaram-se do caminho do Senhor, o que atraiu sérias consequências sobre Judá (2 Cr 24.17-18). Essa situação de Joás ilustra o seu “caráter fraco, que depende da boa ou má influência de outros. Ser fraco conduz ao mal, tarde ou cedo, e o mal leva ao desastre.” Uma das consequências dessa desobediência foi que a ira de Deus veio sobre Judá, mas, antes, a desobediência foi denunciada pelo sacerdote Zacarias, filho de Joiada, como também por outros profetas (ver 2 Cr 24.19). – A desobediência de Joás fez com que Hazael, o rei da Síria, invadisse Judá. Com medo do rei sírio e para livrar-se do ataque dele, Joás deu todos os utensílios de ouro do Templo do Senhor (2 Rs 12.18) em vez de confiar no livramento divino. Essa é uma trágica consequência da desobediência. Joás perdeu a confiança em Deus com a sua consciência culpada, pois conhecia muito bem os caminhos do Senhor, e entrou por caminhos tortuosos e empobrecedores. Por fim, houve uma conspiração contra o rei, e este foi assassinado, findando-se, assim, o seu reinado de forma triste (2 Cr 24.21). – Os bons inícios do reinado de Joás e o fracasso final atestam para o fato de que o excesso de poder e a proximidade de pessoas de má influência facilmente corrompem a pessoa que já tem inclinações para o mal. É o mesmo caso de Salomão, que, inicialmente, fez um bom reinado, mas depois se deixou influenciar por pessoas com interesses próprios e escusos. Ainda hoje em dia, vemos muitos líderes que entram por esse mesmo caminho. No início, parecem muito sinceros e assertivos, mas, ao longo da sua caminhada, corrompem-se e, muitas vezes, o final é trágico. 

Um Assassinato Conveniente A principal tragédia do reinado de Joás foi o assassinato do sacerdote Zacarias, que, por denunciar os desmandos do reino e as transgressões dos mandamentos divinos, foi trágica e ingratamente morto pelo rei, mesmo sendo filho do homem que preparou a sua condução ao trono quando Joás estava destinado a ser morto. – A referência que Jesus faz a Zacarias em Lucas (11.51) talvez seja desse sacerdote morto por Joás. Jesus estava censurando a hipocrisia das autoridades do Templo e dos detentores do poder eclesiástico por rejeitarem a palavra dos profetas. Com essa rejeição, estavam concordando com aqueles que mataram os profetas do passado. A censura de Jesus faz a denúncia de que as autoridades do Templo estavam sobrecarregando o povo com ordenanças e leis, mas eles mesmos não as cumpriam. Eles levavam ao pé da letra ordenanças simples, mas recusavam-se a praticar a justiça e o amor e procuravam ser honrados nas reuniões e, também, os assentos mais destacados (Lc 11.37-44). Mais tarde, essas mesmas autoridades mataram Jesus, comprovando o que Ele estava dizendo. – Mas também podem acontecer assassinatos de pessoas sem que haja morte física. Basta que, para tal, as vozes proféticas sejam silenciadas pelos detentores do poder com as mais variadas formas e artimanhas. Os poderosos, como Joás, erroneamente acham que podem fazer qualquer coisa, mas os olhos do Senhor estão voltados para os seus filhos que são justos, assim como Jesus denunciou este pecado de Joás muito tempo depois. – As consequências para Joás por causa da morte do sacerdote Zacarias é a prova de que Deus está assentado no trono e governa tudo de forma absoluta, muito embora Ele dê plena liberdade para os seus filhos.

SUBSÍDIO HISTÓRICO

“As razões da conspiração contra Joás não foram explicadas nos livros dos Reis. Podemos supor, com base em 2 Crônicas 24 15-22, que ele havia contrariado os interesses da religião quando se voltou para o culto a Baal depois da morte do sumo sacerdote. Ac ser condenado devido a esse ato por Zacarias, filho de Joiada, ordenou que este fosse apedrejado. A expressão casa de Milo (20) possivelmente seja uma referência a uma estrutura construída sobre uma plataforma de terra batida, provavelmente localizada na região noroeste da cidade de Davi. O local chamado Sila não pode ser identificado; talvez esta seja uma referência a um bairro da cidade” (Comentário Bíblico Beacon: Josué a Ester. Rio de Janeiro: CPAD, 2005, p.359).

CONCLUSÃO 

Joás foi levado ao trono por uma ação divina organizada pelo sacerdote Joiada. No início de seu reinado, ele reparou o Templo e mandou construir vários artefatos para o ofício sagrado. Porém, após a morte do sacerdote Joiada, começou a fazer o que era mau aos olhos do Senhor. Passou a adorar ídolos e perdeu completamente a noção de justiça ao mandar assassinar o profeta Zacarias. Seu reino entrou em decadência e ele acabou assassinado por dois de seus servos.

Vemos pela Palavra de Deus como Joás deliberadamente matou Zacarias, desta forma ele colheu as consequências do seu ato injusto quando os siros, com um pequeno exército menor que o de Judá, invadiram o reino, mataram vários príncipes e feriram gravemente a Joás. Este, para aplacar a avidez de Hazael, rei da Síria, enviou-lhe todo o ouro do Templo como presente para Hazael desistir de atacar Jerusalém (2 Rs 12.17-28; 2 Cr 24.23,24). – O medo do rei sírio, aliado à morte de Zacarias, fez com que dois dos oficiais de Joás tramassem e executassem a sua morte. No seu leito de enfermidade, eles assassinaram-no, entronizando o seu filho no seu lugar. A lição desse rei nos mostra que devemos em tudo obedecermos ao Senhor, pelo contrário sofreremos as duras consequências.

REFERÊNCIAS

LIÇÕES BÍBLICAS. 3º Trimestre 2021 - Lição 9. Rio de Janeiro: CPAD, 29, ago. 2021. 

POMMERENING, Claiton Ivan. O plano de Deus para Israel em meio à infidelidade da nação. Rio de Janeiro: CPAD, 2021. 

STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1997. 

WIERSBE, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo. Antigo Testamento, v. II Históricos, p. 449. Santo André: Geográfica, 2010.