sexta-feira, 10 de abril de 2020

LIÇÃO 2: A SUBLIMIDADE DAS BÊNÇÃO ESPIRITUAIS EM CRISTO



COMENTÁRIO E SUBSÍDIO I
Resumo da lição
Com o propósito delineado acima mencionado, o primeiro tópico faz uma reflexão acerca das bênçãos espirituais que os salvos receberam da parte de Deus. O tópico menciona que essas bênçãos possibilitam uma nova vida em Cristo e por causa delas devemos cultivar um coração grato a Deus. Isso é decorrente da nova posição em Cristo em que os salvos estão. Esse tema pode e deve ser bem explorado por você neste tópico.
Uma vez desfrutando de uma nova posição em Cristo, o segundo tópico aponta para uma vida cristocêntrica no mundo, onde há uma consciência de que o plano de Deus elaborado desde a fundação do mundo, e executado por Cristo Jesus, leve em conta a salvação dos pecadores e a restauração de todas as coisas.
Neste planejamento salvífico, o Espírito Santo tem um papel preponderante, por isso, o terceiro tópico explicita como o Espírito Santo faz morada na vida do salvo, o identifica como propriedade de Cristo e garante-lhe a vida eterna.   
Uma sugestão
A lição diz respeito a assuntos como “plano de salvação”, “nova vida em Cristo”, “bênçãos espirituais” e o “Espírito Santo como agente sustentador de tudo isso”. É muito importante que você destaque o papel do Espírito Santo no plano divino de salvação. Para isso, o subsídio bíblico-teológico do terceiro tópico da lição lhe ajudará. Ali, o texto mostra o Espírito Santo como o “selo” da nossa fé em Cristo. Aqui é bom também fazer uma distinção entre “selo do Espírito Santo” e “Batismo no Espírito Santo”. Algumas pessoas tendem a confundir essas expressões. Como fica claro no texto, o selo do Espírito confirma o papel do Espírito Santo na redenção do pecador. Essa analogia que o apóstolo Paulo faz é uma assertividade grandiosa, pois isso revela que pelo Espírito do Senhor somos propriedade exclusiva de Deus (1 Pe 2.9).
 Subsídio extraído da Revista Ensinador Cristão - Ano 21 nº81 (Jan/Fev/Mar) 
COMENTÁRIO E SUBSÍDIO II

INTRODUÇÃO
Nesta lição, veremos a definição da palavra “bênção”; pontuaremos as bênçãos de Deus ministradas por meio da santíssima Trindade destacando cada uma das pessoas; mostraremos que Deus planejou de antemão conceder bênçãos espirituais aos seus servos e que essas bênçãos revelam a grandeza, a excelência e a perfeição do projeto divino.
I – DEFINIÇÃO DA PALAVRA BÊNÇÃO
A palavra “benção” segundo o dicionarista Houaiss significa: “graça concedida por Deus” (2001, p. 432). Teologicamente benção significa: “todo e qualquer bem dispensado por Deus ao homem” (ANDRADE, 2006, p. 81 – acréscimo nosso). A palavra grega é “eulogia” que significa: “benefício, graça divina”. No capítulo 1 de Efésios Paulo destacou a fonte das bênçãos: “Deus pai”; a natureza das bênçãos: “bênçãos espirituais”; e, por fim, a esfera das bênçãos: “nos lugares celestiais”. Matthew Henry (2008, p. 578) alerta que: “deveríamos aprender a reconhecer as coisas espirituais e celestiais como as coisas principais, as bênçãos espirituais e celestiais como as melhores bênçãos”.
II – AS BÊNÇÃOS DE DEUS MINISTRADAS POR MEIO DA SANTÍSSIMA TRINDADE
O crente é apresentado como o recipiente de toda sorte de bênção espiritual (Ef 1.3). O Pai decidiu redimir as pessoas para si próprio (Ef 1.3-6); o Filho, pelo preço de sua morte sacrificial, também é o Redentor, e aquEle através do qual a Igreja é a escolhida (Ef 1.7-12), e o Espírito Santo aplica a presença viva e a obra de Cristo à Igreja e à experiência humana (Ef 1.13-14) (ARRINGTON, 2003, p. 1197). Todas as três Pessoas da Santíssima Trindade participam desta provisão de bênçãos espirituais. Notemos:
2.1 O Pai, a fonte das bençãos. Paulo iniciou a epístola aos Efésios reconhecendo e louvando o Pai como a fonte de todas as bênçãos: “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou [...]” (Ef 1.3). Bendito é, em grego, “eulogetos”, que é palavra composta de “eu”, que significa “bem”, e “logetos”, que significa “falar”. Literalmente, o grego transmite a ideia de “falar bem” ou “elogiar” (BEACON, 2006, p. 119). O apóstolo bendiz ao Pai porque Ele nos bendisse: “o qual nos abençoou” (Ef 1.3-b); e, isto Ele fez “para louvor e glória da sua graça” (Ef 1.6). Tiago nos diz que: “toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vem do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação” (Tg 1.17).
2.2 O Filho Jesus, o agente e a condição das bençãos. As bênçãos decorrentes da salvação, são condicionais, ou seja, elas são pertencentes aqueles que estão em Cristo: “Bendito o Deus e Pai [...] o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo” (Ef 1.3). A expressão “em Cristo” aparece aproximadamente 30 vezes na epístola inteira, e as expressões relacionadas — “nele”, “em quem” e “no qual” — ocorrem 11 vezes (Ef 1.1,3,4,5,6,7,9,10,12 e 13). Esses dois vocábulos “em Cristo” aparecem 164 vezes nas epístolas paulinas. Isso significa que é exclusivamente em conexão com Cristo que somos abençoados com todas as bênçãos espirituais. Em termos gerais, revela que nenhuma dessas maravilhosas dádivas seria possível sem Cristo (BAPTISTA, 2020, p. 25).
2.3 O Espírito, o aplicador das bençãos. O Pai a planejou a salvação, o Filho a providenciou e o Espírito Santo a aplicou. É a terceira pessoa da Trindade quem nos leva a nos apropriarmos dessas bençãos, sendo o selo, a garantia de que somos sua propriedade (Ef 1.13); e, o penhor da nossa herança (Ef 1.14).
III – AS BÊNÇÃOS QUE OBTIVEMOS DO PAI
3.1 Ele nos elegeu (Ef 1.3,4). A primeira coisa que Paulo destacou como bênção, é que o Pai nos elegeu (Ef 1.3). A expressão grega que aparece é “eklegomai” que significa: “selecionar, escolher, escolher para si mesmo”. É bom dizer que essa escolha foi baseada na presciência divina, atributo que lhe dá condições de antever as coisas antes que aconteçam. Deus viu aqueles que, mediante a pregação evangélica, receberiam a Cristo como Salvador e a estes Ele elegeu: “Eleitos segundo a presciência de Deus [...]” (1 Pd 1.2). Confira ainda: (Rm 8.29). Certo teólogo disse: “a eleição ou escolha de Deus não é arbitrária, de forma que alguns sejam destinados à salvação e outros à perdição, sem levar em conta a disposição de cada indivíduo. O âmbito da salvação é a todos os homens, como a Bíblia copiosamente declara (Jo 3.16; Rm 10.13). Os eleitos são constituídos, não por decreto absoluto, mas por aceitação das condições do chamado de Deus, as quais são arrependimento (Mt 4.17; 9.13; Lc 24.47; At 2.38; 3.19; 8.22) e da fé (Mc 16.16; Rm 10.9; Ef 2.8)” (BEACON, 2006, p. 121 – acréscimo nosso). É bom destacar também que o apóstolo deixou claro que esta eleição foi: (a) coletiva, não individual: “nos elegeu”; (b) condicional: “nos elegeu nele” (em Cristo); e, (c) proposital: “para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em caridade” (Ef 1.4-b).
3.2 Ele nos adotou (Ef 1.5). Em Efésios 1.4,5 está escrito que fomos predestinados por Deus para adoção de filhos “e nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo […]”. A palavra grega traduzida para “adoção” é “huiothesia” é uma palavra composta formada de “huios” que significa: “filho”, e “thesis” que por sua vez é “posição ou colocar” (Rm 8.15,23; 9.4, Gl 4.5; Ef 1.5). Portanto, seu sentido primário é: “colocar como filho”, “dar a alguém a posição de filho”. Os principais textos que tratam dos crentes como filhos de Deus são (Ef 1.5; Gl 4.4,5; Rm 8.15-17; Jo 1.12; 2 Co 6. 18; Rm 8.15; 23; Gl 4.6; Hb 12.6; Hb 6.12; 1Pe 1.3,4; Hb 1.14). Como consequência dessa filiação, o crente passa a ter todos os direitos e privilégios de filho: “E, se nós somos filhos, somos, logo, herdeiros também, herdeiros de Deus e coerdeiros de Cristo […]” (Rm 8.17). O status de filhos traz-nos alguns privilégios, a saber: (a) tratar a Deus como Pai nas nossas orações e de receber o perdão de nossos pecados (Mt 6.9); (b) ter o testemunho do Espírito acerca da nossa salvação, o qual clama “Aba, Pai”, dando-nos o testemunho de que somos filhos de Deus (Rm 8.15,16); (c) sermos amados por ele, enquanto ignorados pelo mundo (1Jo 3.1); (d) ter o privilégio de sermos guiados pelo Espírito Santo (Rm 8.14), (e) gozamos do cuidado do Pai (Mt 6.32) e da liberdade de lhe pedir o suprimento das nossas necessidades (Mt 7.11); (f) podemos lhe pedir o Espírito Santo (Lc 11.13) e gozarmos do direito a ter uma herança nos céus (G1 4.7; 1Pd 1.4).
3.3 Ele nos fez agradáveis (Ef 1.6). O pecado nos tornou inimigos de Deus (Rm 5.10), pois estávamos fazendo o que agradava a nossa carne e desagradava a Deus, sendo assim por natureza filhos da ira (Ef 2.3). No entanto, ao recebermos Cristo, como nosso Salvador, Ele nos tornou agradáveis a Deus, por Sua graça maravilhosa: “Para louvor da glória de sua graça, pela qual nos fez agradáveis a si no Amado” (Ef 1.6).
IV - AS BÊNÇÃOS QUE OBTIVEMOS DO FILHO
Ainda no capítulo primeiro da epístola aos Efésios, Paulo elencou as bênçãos que recebemos por meio do Filho de Deus, Jesus Cristo. Vejamos:
4.1 Ele nos redimiu (Ef 1.7-a). Paulo diz que Jesus nos redimiu (Ef 1.7-a). Aqui, a palavra-chave é redenção no grego “apolytrosis”. E o substantivo do verbo “apolytroo”, que no grego clássico significa “libertar por meio de resgate”. Era termo usado para falar de “comprar de volta um escravo ou cativo, libertá-lo mediante o pagamento de um resgate” (BEACON, p. 124). Paulo diz que Cristo nos resgatou com o preço de sangue (Ef 1.7). Outras passagens paulinas também enfatizam a questão do custo (1Co 6.20; 7.23; 1Tm 2.6), coisa que o próprio Jesus afirmou (Mt 20.28). Os fariseus fizeram a observação de que nenhum homem pode perdoar pecados a não ser Deus (Mc 2.7). O fato do Senhor Jesus Cristo perdoar é evidência de que é Deus (Mc 2.10).
4.2 Ele nos congregou (Ef 1.10). Paulo afirmou que Cristo veio “congregar” em si todas as coisas (Ef 1.10). A palavra grega “anakephalaiõsasthai” que significa: “fazer convergir”, e era usada no sentido de juntar várias coisas e apresentá-las como sendo uma só (FOULKES, 2011, p. 45). Devido ao pecado, vieram ao mundo desordem e desintegração intermináveis; mas ao final, todas as coisas serão restauradas à sua função original e à sua unidade pelo fato de terem sido trazidas à obediência a Cristo (Cl 1.20). A expressão “todas as coisas” inclui “tanto as que estão nos céus como as que estão na terra” (Cl 1.16-19) e devem ser reunidas em Cristo.
V - AS BÊNÇÃOS QUE OBTIVEMOS DO ESPÍRITO SANTO
Nessa última estrofe da doxologia de Efésios, o Espírito Santo pelo menos recebe duas designações: “um selo e uma garantia” (Ef 1.13,14). Notemos:
5.1 O Espírito Santo como um selo (Ef 1.13). Os que recebem o Espírito Santo são identificados por Deus como pertencentes a Cristo. Esses crentes são “selados” como propriedade particular de Cristo no momento da conversão (Ef 1.13; 4.30). Acerca do selo, convém afirmar que:
a) O selo fala de um direito de posse. Deus nos selou com o seu Espírito porque agora somos seus (1 Co 6.19).
b) O selo fala de segurança e proteção. O selo romano sobre a tumba de Jesus era a garantia de que ele não seria violado (Mt 27.62-66). Assim o crente pertence a Deus (1 Co 6.19).
c) O selo fala de autenticidade. Fomos selados com o Espírito Santo (Ef 4.30), como propriedade de Deus (Rm 8.9).
5.3 O Espírito é o penhor (Ef 1.14). O penhor era o primeiro pagamento efetuado na aquisição de uma propriedade. Paulo usou em suas epístolas a linguagem de que o Espírito Santo nos foi dado como penhor (2 Co 1.22; 5.5; Ef 1.14), deixando claro que o Senhor deu-nos o Espírito Santo, como garantia de que somos sua propriedade exclusiva.
CONCLUSÃO
Vimos nesta lição que Deus planejou de antemão conceder bênçãos espirituais aos seus servos. Essas bênçãos revelam a grandeza, a excelência e a perfeição do projeto divino. O plano de salvação arquitetado pelo nosso Criador é algo incomensurável. Em Cristo, Ele estava reconciliando o mundo consigo mesmo. Essa é uma doutrina gloriosa que revela o imenso amor de Deus. Em Cristo, fomos eleitos para desfrutar desse maravilhoso plano.

Ev. Caramuru Afonso Francisco. Disponível em: https://www.portalebd.org.br
COMENTÁRIO E SUBSÍDIO III

   INTRODUÇÃO
Nesta lição vamos abordar a grandeza, a excelência e a perfeição do projeto divino para conceder bênçãos espirituais aos seus escolhidos. Desde a eternidade, aprouve a Deus executar um plano de restauração e reconciliação com a humanidade caída. Por isso que, na Carta, o apóstolo Paulo se mostra profundamente agradecido pela revelação do mistério que estivera oculto desde todos os tempos. Ele nos convida a louvar e a glorificar a Deus pela sua bondade e misericórdia para com todos os pecadores. [Lições Bíblicas CPAD, Revista Adultos, 2º Trimestre 2020. Lição 2, 12 Abril, 2020]
A Leitura Bíblica em Classe base para esta lição descreve o plano principal de Deus para a salvação no que diz respeito ao passado (a eleição, vs. 3-6a), ao presente (a redenção, vs. 6b-l 1) e ao futuro (a herança, vs. 12-14). Pode ser vista também como enfatizando o Pai (vs. 3-6), o Filho (vs. 7-12) e o Espírito (vs. 13-16). Paulo escreve essa carta para falar que a igreja é um povo muito abençoado. Ao focar sua atenção nessas bênçãos superlativas, o apóstolo prorrompe em bendita doxologia, dizendo: “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo”. De acordo com Westcott, essa passagem (Ef 1.3-14) é “um salmo de louvor pela redenção e consumação das coisas criadas, cumpridas em Cristo peio Espírito segundo o propósito eterno de Deus” (Westcott, B. F. St. Paul’s Epistle to the Ephesians. Grand Rapids, MI: William B. Eerdmans Publishing Company, 1950, p. 4.). William Barclay afirma que, “Em grego a longa passagem que vai do versículo 3 ao 14 é uma só oração. É tão longa e tão complicada porque representa nem tanto o enunciado de um raciocínio como um lírico canto de louvor. A mente de Paulo avança, não porque esteja pensando logicamente, mas sim porque os dons e as maravilhas de Deus desfilam perante seus olhos e penetram em sua mente” (O NOVO TESTAMENTO Comentado por William Barclay. p. 24)Vamos pensar maduramente a nossa fé cristã?
   I. A NOVA POSIÇÃO EM CRISTO
No passado estávamos perdidos e condenados à morte eterna, mas por sua infinita graça, Deus nos outorgou em Cristo o privilégio da salvação.
1. A Doxologia. Após expor os versículos de abertura da Epístola (1.1,2), o apóstolo Paulo apresenta uma sequência de texto que se caracteriza pela verdadeira adoração e bondade ativa de Deus (1.3-14). Ele começa pela frase “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo” (v.3), onde “bendito” significa “digno de louvor”. O apóstolo dá sequência até o versículo 14 por meio de um maravilhoso tributo ao Eterno e suas muitas bênçãos concedidas aos homens. Nesse trecho bíblico trata-se de um hino teológico de gratidão, caracterizado pela repetição do seguinte refrão: “Para louvor e glória da sua graça” (v.6) ou “para louvor da sua glória” (vv.12,14). Aquele ao qual devemos adorar está identificado na expressão “Deus e Pai de Jesus Cristo”, uma clara referência à Santíssima Trindade com ênfase na natureza divina de Jesus, seu Filho. [Lições Bíblicas CPAD, Revista Adultos, 2º Trimestre 2020. Lição 2, 12 Abril, 2020]
Bendito deriva da mesma palavra grega para "elogio", que quer dizer louvar ou recomendar. Essa é a suprema obrigação de todas as criaturas. O propósito último da salvação é a glória de Deus (Fp 2.13; 2Ts 1,11-12). No Novo Testamento, a palavra grega eulogetos, “bendito”, é usada somente com referência a Deus. Só ele é digno de ser bendito. Os homens são benditos quando recebem suas bênçãos; Deus é bendito quando é louvado por tudo o que gratuitamente confere ao homem e ao seu mundo. Aqui podemos destacar três verdades: 1ª. A fonte de nossas bênçãos: Deus, o Pai, nos faz ricos em Jesus Cristo; 2ª. A natureza de nossas bênçãos: nós temos toda sorte de bênção espiritual, e 3ª. A esfera das bênçãos: “Nas regiões celestiais em Cristo”.
2. As bênçãos espirituais. Obviamente que as bênçãos espirituais não são materiais, mas provenientes dos “lugares celestiais”, isto é, do reino espiritual. Essas bênçãos são mencionadas na longa passagem de Efésios (1.3-14), tais como: Deus nos elegeu para sermos santos (1.4); predestinou-nos para sermos filhos (1.5); nos fez agradáveis para si (1.6); remiu-nos por meio do sangue de Cristo (1.7); acolheu-nos por sua vontade redentora (1.8-12); revelou-nos a Palavra da verdade (1.13a); selou-nos com o Espírito Santo da promessa (1.13b); ainda garantiu a validade da promessa (1.14). Tais bênçãos provêm de Deus, que planejou a redenção; do Filho, que a realizou; e do Espírito Santo, que a garante. Essas bênçãos nos conduzem a exclamar como Paulo: “Bendito Seja Deus!”. [Lições Bíblicas CPAD, Revista Adultos, 2º Trimestre 2020. Lição 2, 12 Abril, 2020]
Em sua graça providencial, Deus já deu aos cristãos toda sorte de bênçãos (Rm 8.28; Cl 2.10; Tg 1.17; 2Pe 1.3). "Espiritual" não se refere às bênçãos não materiais como contrárias às materiais, mas à obra de Deus, o qual é a fonte divina e espiritual de todas as bênçãos. “nas regiões celestiais” diz respeito à esfera do domínio completo e celestial de Deus, do qual provem todas as bênçãos. Todas as bênçãos elencadas são “Em Cristo”; As bênçãos superabundantes de Deus pertencem somente aos cristãos que são seus filhos pela fé em Cristo, de modo que o que ele tem pertence a eles — incluindo a sua justiça, os seus recursos, os seus privilégios, a sua posição e o sou poder (Rm 8.16-17).
3. A nova condição. A expressão “em Cristo” significa que somos abençoados com toda bênção espiritual, a partir de Sua pessoa e obra realizada no calvário (Jo 1.3; Hb 5.9; 9.12); relaciona-se ainda com a nossa experiência de conversão a Ele (2 Co 5.17). Essa nova vida é conferida somente para quem está “em Cristo”, isto é, o oposto da antiga vida “em Adão” escravizada pelo pecado (Rm 5.11-15). Desse modo, não andamos mais em trevas, mas como filhos da luz (Rm 5.8). Portanto, nossa nova posição é caracterizada pela salvação “em Cristo” e, por isso, desfrutamos de todos os benefícios advindos dessa redenção. [Lições Bíblicas CPAD, Revista Adultos, 2º Trimestre 2020. Lição 2, 12 Abril, 2020]
A nossa vida está “em” Cristo, em união com Ele, para ser vivida na harmonia prática que esta relação gera e implica. No Céu (regiões celestiais) – Estamos em Cristo (Ef 1.3); Na terra – Cristo está em nós (1Co 1.30; 3.22,23; 2Co 2.14).
“Gálatas 3:26-28 nos dá uma compreensão da frase "em Cristo" e o que significa. "Pois todos vós sois filhos de Deus mediante a fé em Cristo Jesus; porque todos quantos fostes batizados em Cristo de Cristo vos revestistes. Dessarte, não pode haver judeu nem grego; nem escravo nem liberto; nem homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus." Paulo está falando com os cristãos na Galácia, lembrando-lhes de sua nova identidade desde que colocaram sua fé em Jesus Cristo. Ser "batizado em Cristo" significa que se identificam com Cristo, tendo deixado suas velhas vidas pecaminosas e recebendo plenamente a nova vida em Cristo (Marcos 8:34, Lucas 9:23). Quando respondemos à atração do Espírito Santo, Ele "nos batiza" na família de Deus. 1 Coríntios 12:13 diz: "Pois, em um só Espírito, todos nós fomos batizados em um corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos, quer livres. E a todos nós foi dado beber de um só Espírito." Vários lugares da Escritura se referem ao crente estando "em Cristo" (1 Pedro 5:14; Filipenses 1:1, Romanos 8:1).” (gotquestions)
SUBSÍDIO DIDÁTICO-PEDAGÓGICO
O primeiro tópico tem por objetivo refletir a respeito da nova posição em Cristo que o crente agora desfruta diante de Deus. Assim, você pode abrir esta lição indagando aos alunos a respeito do que eles entendem por “nova posição em Cristo”. É importante que você estabeleça o mínimo de tempo para ouvir as respostas e considerações deles. Aqui, a fim de adentrar na explicação do tópico, há a oportunidade de você fazer uma recapitulação do conceito e consequências do Pecado na vida do Homem e da provisão de Deus para a salvação do ser humano como introdução ao fato de que, hoje, o crente tem uma nova posição diante de Deus. Assim, você pode expor com clareza o conteúdo do primeiro tópico
  II. UMA VIDA CRISTOCÊNTRICA NESTE MUNDO
Embora o pecado tenha adentrado ao mundo, Deus projetou a primazia de Cristo na remissão dos pecadores e na restauração de todas as coisas para o louvor de Sua glória.
1. A revelação do mistério. A frase “descobrindo-nos o mistério da sua vontade” (1.9) sinaliza a revelação da verdade que estava oculta aos santos de Deus (Cl 1.26). Essa verdade diz respeito aos decretos eternos que Deus planejara, por sua soberana vontade, com o propósito de salvar os pecadores (Jo 3.16). Essa vontade divina é revelada segundo o seu beneplácito, isto é, de acordo com o que Lhe agrada fazer por amor e misericórdia (Rm 9.15,16; 11.32). Sua vontade foi executada conforme o seu desígnio por intermédio de Cristo para que o Filho em tudo tivesse a preeminência (Cl 1.16-20). [Lições Bíblicas CPAD, Revista Adultos, 2º Trimestre 2020. Lição 2, 12 Abril, 2020]
Do mistério. No Novo Testamento, essa palavra não tem a sua conotação atual, ao contrário, refere-se a algo escondido em épocas passadas, mas que foi dado a conhecer agora (1Co 4.1; Ef 5.32; 6.19; Cl 1.25-26; 1Tm 3.9,16). O mistério mais comum no Novo Testamento é que Deus concederia salvação aos gentios, bem como aos judeus (Ef 3.3-9). Essa palavra é usada para referir-se à verdade do Novo Testamento não revelada anteriormente. William Barclay cai dizer que “Este mistério consistia em que o evangelho estava aberto também aos gentios. Aqui radicava o grande segredo de Deus. Até Jesus chegar tinha parecido que os judeus eram o povo escolhido de Deus. Agora Deus tinha revelado que seu amor e seu cuidado, sua graça, sua misericórdia, as boas novas de Deus, estavam destinados não só aos judeus, mas também a todo mundo”. (O NOVO TESTAMENTO Comentado por William Barclay. p. 32)
2. A plenitude dos tempos. Paulo revela que o plano divino é fazer convergir em Cristo todas as coisas (1.10). Isso inclui tudo o que foi criado por Cristo, para Cristo e o que subsiste em Cristo (Jo 1.1-3; Hb 1.2,3). Implica dizer que todo o universo, céus e terra estarão submissos a autoridade e soberania de Cristo (Rm 14.11; 2 Co 10.5). Nesse sentido, a ruptura provocada pelo pecado de Adão é restaurada completamente em Cristo. Essa declaração não tem conotação universalista, a idéia de que no fim todos serão salvos, mas que finalmente tudo será como Deus planejou: Cristo a cabeça da Igreja e também a cabeça do Universo (1.21-23). A dispensação ou a administração desse plano será na plenitude dos tempos (1.10). Aqui, a palavra grega para “tempos” não é chronos, que traz uma ideia de cronologia, mas kairos, que se refere ao tempo divino previamente determinado para que todas as coisas estejam sob o domínio de Cristo (At 1.7). [Lições Bíblicas CPAD, Revista Adultos, 2º Trimestre 2020. Lição 2, 12 Abril, 2020]
No final da história deste mundo, Deus reunirá os cristãos no reino milenar, que Paulo denomina aqui de "dispensação da plenitude dos tempos", que significa o final da História (Ap 20.1-6). Depois disso, Deus reunirá todas as coisas com ele mesmo na eternidade e o novo céu e a nova terra serão criados (Ap 21,1ss). O novo universo será totalmente unificado sob Cristo (1Co 15.27-28; Fp 2.10-11). Hernandes Dias Lopes citando John Stott (A mensagem de Efésios, p. 20,21), diz: “O plano de Deus para a plenitude dos tempos, quando o tempo voltar a fundir-se na eternidade, é fazer convergir nele (em Cristo) todas as coisas, tanto as do céu como as da terra (1.10). No tempo presente, ainda há discórdia no Universo, mas, na plenitude do tempo, esta cessará, e aquela unidade pela qual ansiamos virá com o domínio de Jesus Cristo”. (Lopes, Hernandes Dias. Efésios: igreja, a noiva gloriosa de Cristo — São Paulo: Hagnos, 2009. p. 29). Encerrando essa discussão, William Barclay afirma que “Acontece que estamos vivendo numa época em que os homens perderam a fé em que este mundo tenha algum sentido. Mas o cristão tem fé em que neste mundo está-se desenvolvendo o propósito divino; e Paulo tem a convicção de que esse propósito é que um dia todas as coisas e todos os homens cheguem a ser uma família em Cristo. Paulo vê que toda a história esteve partindo neste sentido. Em seu conceito, este segredo, este mistério, não foi captado até que veio Jesus. E — segundo Paulo — a Igreja tem a grande missão de realizar esse desígnio de unidade que é o propósito divino revelado em Jesus Cristo” (O NOVO TESTAMENTO Comentado por William Barclay. p. 34). “Assim, a grande surpresa foi a descoberta que, no plano divino, tanto judeus quanto gentios desfrutam das mesmas bênçãos celestiais (Ef 3.6), e o impacto mais surpreendente foi saber que Deus projetara reconciliar ambos os povos — judeus e gentios formando um único povo, a Igreja (2.1-22)”. (BAPTISTA, Douglas. A IGREJA ELEITA – Redimida pelo Sangue de Cristo e Selada com o Espírito Santo da Promessa. CPAD, 1ª edição, 2020. p. 29).
3. Louvor da sua glória. O apóstolo enfatiza que as bênçãos são destinadas aos crentes judeus e gentios – a Igreja. Paulo muda do pronome “nós” (ele e os judeus) para o “também vós” (os gentios), indicando que em Cristo os crentes de ambos os povos são herdeiros da promessa (1.11-13). Ele ratifica igualmente que o propósito da eleição não é outro senão louvar e glorificar a Deus (1.12,14). Isso assinala não somente adorá-Lo com palavras e ações, mas também levar outros a fazer o mesmo (1 Pe 2.12). Por conseguinte, tudo o que somos, fazemos ou possuímos vem de Deus, pois começa na Sua vontade e culmina na Sua glória (At 17.28). [Lições Bíblicas CPAD, Revista Adultos, 2º Trimestre 2020. Lição 2, 12 Abril, 2020]
Cristo é a fonte da herança divina do cristão, a qual é tão certa que é mencionada como se já tivesse sido recebida (1Co 3.22-23; 2Pe 1.3-4). A glória de Deus é o supremo propósito da redenção. Em Cristo, temos uma linda herança (1Pe 1.1- 4) e também somos uma herança.
SUBSÍDIO TEOLÓGICO
“Devemos reconhecer, já de início, ser o conhecimento a respeito de Jesus Cristo igual e ao mesmo tempo diferente ao de outros assuntos. Como líder espiritual do Cristianismo, Jesus é o objeto do conhecimento e também da fé. Ele produz ainda, dentro de nós e mediante o Espírito Santo, conhecimentos espirituais. Os cristãos acreditam universalmente que Jesus continua vivo hoje, séculos depois da sua vida e morte na Terra, e que Ele está na presença de Deus Pai, no Céu. Mas esta convicção certamente provém da fé salvífica, mediante a qual a pessoa encontra Jesus Cristo e é regenerada, por meio do arrependimento e da fé, tornando-se assim nova criatura. O conhecimento de Jesus como Salvador leva, através da experiência, ao reconhecimento imediato da existência pessoal de Jesus no presente. Dessa maneira, o conhecimento de Jesus é diferente do conhecimento do de outras figuras históricas” (HORTON, Stanley (Ed.). Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, p. 302).
  III. O ESPÍRITO SANTO, PENHOR DA NOSSA HERANÇA
O Espírito Santo desempenha importante papel no plano de salvação idealizado por Deus Pai.
1. O selo do Espírito Santo. Aquele que ouve a Palavra de Deus – o Evangelho da Salvação – e que por meio da fé, se rende a Cristo, recebe o selo do Espírito Santo no momento da conversão (Tt 3.5-7). Nos tempos bíblicos, o selo era usado como sinal de propriedade e posse pessoal. Ao conceder o Espírito Santo ao crente, Deus identifica os que pertencem a Cristo, pois o Espírito testifica daqueles que são filhos de Deus (Rm 8.9,15,16) e o Maligno não lhes toca (1 Jo 5.18). Assim, a terceira pessoa da Santíssima Trindade tem o papel fundamental de regenerar, purificar e santificar o pecador (1 Co 6.11). Ele é quem convence o ser humano do pecado, da justiça e do juízo (Jo 16.7,8); e que também produz no crente o verdadeiro relacionamento com Deus por meio do fruto do Espírito (Gl 5.22,23). [Lições Bíblicas CPAD, Revista Adultos, 2º Trimestre 2020. Lição 2, 12 Abril, 2020]
O Espírito Santo é referido como o "penhor", "selo" e "garantia" no coração dos cristãos (2Co 1.22; 5.5, Ef 1.13-14; 4.30). Um selo é aquilo que transmite autoridade, ou estabelece a autenticidade, a validade, e veracidade de um documento ou de uma declaração. No mundo antigo, quando se despachava um vulto, uma cesta ou um pacote, era selado como garantia de que procedia do remetente e que estava intacto. O selo indicava de onde procedia o pacote e a quem pertencia. O Espírito Santo é o selo de Deus sobre o Seu povo, a Sua reivindicação sobre nós como pertencentes a Ele. É o Espírito Santo aquele que conduz o homem ao conhecimento de Deus; aquele que o capacita para enfrentar a vida e não desfalecer; aquele que lhe diz o que deve fazer e lhe dá forças para fazê-lo. O Espírito Santo nos mostra a vontade de Deus e nos capacita a realizá-la.
Relativo à citação “e o Maligno não lhes toca (1 Jo 5.18)”, uma vez que o cristão pertence a Deus, Satanás deve operar dentro da soberania de Deus e não pode ir além do que Deus permite, como no exemplo de Jó (Jó 2.5; Rm 16.20). Embora Satanás possa perseguir, tentar, provar e acusar o cristão, Deus protege seus filhos e estabelece limites definidos para a influência ou poder de Satanás (2.13; Jo 10.28; 17.12-15).
O Espírito produz o fruto (atitudes piedosas que caracterizam a vida somente daqueles que pertencem a Deus pela fé em Cristo e possuem o Espírito de Deus) que consiste de nove características ou atitudes as quais estão, de modo insolúvel, ligadas umas às outras e são ordenadas aos cristãos ao longo de todo o Novo Testamento.
2. O penhor da nossa herança. O termo grego arrabon pode ser traduzido como “depósito”, “penhor”, “garantia” ou ainda “primeira parcela” (1.14). A palavra tem origem semítica e era usada nas transações comerciais para assegurar o preço ou garantir o pagamento de algo. Paulo ensina que o Espírito Santo é o depósito que garante a nossa herança em Cristo (2 Co 1.21,22). Tudo isso significa que aquele que tem o selo do Espírito Santo tem a salvação garantida (1.14). Isso não quer dizer que o crente está salvo para sempre, independente de sua conduta, mas que a redenção está validada aos eleitos em Cristo que permanecem fiéis (Mt 24.13). [Lições Bíblicas CPAD, Revista Adultos, 2º Trimestre 2020. Lição 2, 12 Abril, 2020]
O próprio Espírito de Deus vem habitar no cristão, assegurar a sua salvação eterna e preservá-la. Esse selo do qual Paulo fala diz respeito a uma marca oficial de identificação colocada numa carta, num contrato ou em qualquer outro documento. Por meio disso, esse documento estava, oficialmente, sob a autoridade da pessoa cujo timbre estava no selo. O selo expressa quatro verdades principais: 1) segurança (Dn 6.17; Mt 27.62-66); 2) autenticidade (1Rs 21.6-16); 3) domínio (Jr 32.10); e 4) autoridade (Et 8.8-12). O Espírito Santo é dado por Deus como garantia da herança futura do cristão em glória (2Co 1.21). William Barclay diz que, “no grego clássico, arrabon significava o sinal em dinheiro que um comerciante tinha de depositar com antecedência ao fechar um contrato, dinheiro que perderia caso a operação não se consumasse”. (Barclay, William. Palabras Griegas Del Nuevo Testamento). A possessão do Espírito Santo é o selo e o sinal de que o homem pertence a Deus. A experiência do Espírito Santo que temos neste mundo é uma antecipação das alegrias e bênçãos do céu; e ao mesmo tempo é a garantia de que um dia entraremos na plenitude do conhecimento, do poder e da alegria. É a garantia de que algum dia entraremos na plena possessão da felicidade e a bem-aventurança de Deus.
SUBSÍDIO BÍBLICO-TEOLÓGICO
“O Espírito Santo como o Selo de nossa Fé em Cristo (1.13). Essa é a primeira referência que aparece em Efésios a respeito do papel do Espírito Santo na redenção. Daí em diante, Paulo raramente deixa de mencionar os aspectos de sua atuação na vida cristã. O crente é marcado, ou selado, em Cristo com o selo do Espírito Santo da promessa. Aqui encontramos duas questões: ‘selo’ e o Espírito Santo da “promessa”:
1) Na antiguidade, o selo era um sinal de propriedade ou de posse pessoal. Concedendo o Espírito Santo como um selo, Deus nos marca em Cristo, como aqueles que autenticamente lhe pertencem (cf.2 Co 1,2) [...].
2) A designação ‘prometido’, referindo-se ao dom do Espírito, como aparece em Atos 2, está relacionada principalmente à promessa de Joel 2.28,29, tal como foi interpretada e aplicada por Pedro no livro de Atos, e no restante do Novo Testamento. Quando Paulo empregou essa expressão em Efésios, quis dizer que o Espírito Santo virá para transmitir ‘sabedoria e revelação’, a fim de podermos conhecer melhor a Deus e sermos informados a respeito das implicações de nossa vida ‘em Cristo’ (1.17-20) [...]” (ARRINGTON, French L.; STRONSTAD, Roger (Eds.). Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento. Vol.2. Rio de Janeiro: CPAD, 2017, p.402).
  CONCLUSÃO
Nessa porção da Epístola aos Efésios o plano divino revelado resulta na reconciliação do ser humano com Deus por meio de Cristo e na restauração de todas as coisas visíveis e invisíveis. Ambos os propósitos devem redundar em louvor e glória ao Deus Eterno. Na plenitude dos tempos todo o desígnio divino estará plenamente executado. [Lições Bíblicas CPAD, Revista Adultos, 2º Trimestre 2020. Lição 2, 12 Abril, 2020]
Para concluir, notemos que o penhor da nossa herança é o próprio Espírito Santo, e, de forma muito interessante, a palavra grega usada para penhor também pode ser usada para indicar um anel de noivado! Cristo é o Noivo, e a Igreja a noiva, o Espírito Santo é o sinal, o pagamento antecipado para o casamento há muito esperado entre os dois (Ap 19.7,8). Em Efésios, ficamos sabendo que nós, os remidos do Senhor, somos descritos como bens do Senhor, que custaram o sangue de Seu próprio Filho.

Francisco Barbosa
Disponível no blog: auxilioebd.blogspot.com.br

sexta-feira, 3 de abril de 2020

LIÇÃO 1: CARTA AOS EFÉSIOS – SAUDAÇÃO AOS DESTINATÁRIOS


COMENTÁRIO E SUBSÍDIO I
CARTA AOS EFÉSIOS

Mais um trimestre inicia-se e, com ele, o desafio de formarmos pessoas que se pareçam mais com Jesus. Esse é um dos mais nobres propósitos da Escola Dominical. Para esse fim, o assunto que estudaremos neste trimestre é a Carta do Apóstolo Paulo aos Efésios. Nesta primeira lição o seu objetivo geral é mostrar o panorama da epístola, trabalhando as questões de autoria e data; identificando o destinatário da carta; e, finalmente, mostrando o propósito divino da Epístola aos Efésios. Ao longo do trimestre veremos que grandes temas doutrinários e pastorais são abordados na Carta.  
Resumo Trimestre
O que podemos destacar como ponto central na Carta aos Efésios é que Cristo é a Cabeça e a Igreja, o seu Corpo. Esse ponto é importante deixar claro na primeira lição, pois tal verdade teológica perpassará toda a epístola.
Nesse sentido, o primeiro tópico apresentará o apóstolo Paulo como o autor da Carta aos Efésios e mostrará que a provável data de autoria da Epístola se deu por volta dos anos 61-62 d.C., durante sua prisão em Roma. Aqui, sugerimos que, ao final do tópico, você use o esboço da Epístola que se encontra no auxílio didático-pedagógico da revista do professor a fim de apresentar o panorama da Carta ao aluno. 
O segundo tópico tem o objetivo de identificar o destinatário da Epístola, passando pela cidade de Éfeso e a igreja que se encontra na cidade. Nesse aspecto, a epístola é considerada uma carta circular dirigida às igrejas da Ásia. Ela começa pela cidade de Éfeso, pois esta era um centro político, comercial e religioso da época. Não por acaso a cidade apresentava monumentos cívicos impressionantes, dentre eles, o templo de Artemis (deusa Diana), considerado uma das sete maravilhas do mundo antigo.
Finalmente, o terceiro tópico aborda o propósito, a mensagem que a epístola traz aos crentes de efésios. Logo, a abordagem da carta gira em torno de duas temáticas fundamentais: Jesus Cristo, a Cabeça; a Igreja, seu Corpo. Tudo culmina nessa verdade teológica.
Um importante lembrete
Há assuntos complexos ao longo do trimestre tais como: Eleição e Predestinação; Iluminação espiritual do crente; o Mistério da Unidade; a Relação Familiar do Crente; Batalha Espiritual, dentre outros. Por isso, prepare-se com bons Comentários Bíblicos e Bíblias de Estudos a fim de que você tenha o máximo de domínio do assunto. Bom trimestre! 

 Subsídio extraído da Revista Ensinador Cristão - Ano 21 nº81 (Jan/Fev/Mar)
COMENTÁRIO E SUBSÍDIO II

   INTRODUÇÃO
A Epístola aos Efésios é denominada de “a coroa dos escritos de Paulo” e ainda de “a rainha das epístolas”. Nela, o propósito eterno de Deus para a Igreja está revelado por meio de Cristo Jesus. Nesta lição, estudaremos os aspectos introdutórios e as principais abordagens doutrinárias da Epístola. Durante esse estudo, o conteúdo da Epístola deve nos levar à adoração a Deus e ao aperfeiçoamento de nossa vida cristã. [Lições Bíblicas CPAD, Revista Adultos, 2º Trimestre 2020. Lição 1, 5 Abril, 2020]
A Carta aos Efésios foi descrita como a “coroa e clímax da teologia paulina”. Também como a “destilada essência da religião cristã, o mais autorizado e o mais consumado compêndio da nossa santa fé cristã”. Da Epístola aos Efésios D M Lloyd Jones diz: “ela é a expressão mais sublime e majestosa do evangelho”. Há passagens nos capítulos 1 e 3 em que o apóstolo Paulo é transportado para além de si mesmo e se perde e se abandona numa explosão de louvor, adoração e ações de graças (Ef 1.3,16; 2.20,21).
“O grande poeta e filósofo Coleridge disse de Efésios que era "a mais divina composição humana". E adicionava: "Abrange em primeiro termo aquelas doutrinas peculiares ao cristianismo e, logo, os preceitos comuns à religião natural". Efésios é sem dúvida uma carta que tem um lugar próprio na correspondência paulina.(EPHESIANS, WILLIAM BARCLAY - The Letter to the Ephesians, pág 9).
   I. AUTORIA E DATA
1. Autoria. Conforme o costume da época, o autor inicia a carta declarando sua identidade: “Paulo, apóstolo de Jesus Cristo” (1.1a). O livro de Atos menciona que ele se chamava Saulo (nome hebraico), mas que também era conhecido como Paulo (At 13.9). Em hebraico “Saulo” significa “solicitado”, provavelmente uma homenagem a “Saul”, o primeiro Rei de Israel que pertencia à mesma tribo do apóstolo (At 13.21; Fp 3.5). Já Paulo significa “pequeno”, era o seu nome romano (At 22.25). [Lições Bíblicas CPAD, Revista Adultos, 2º Trimestre 2020. Lição 1, 5 Abril, 2020]
Efésios evidentemente foi escrita estando Paulo preso. Ele é indicado como o autor na saudação inicial (1.1). Ele se chama a si mesmo "prisioneiro de Cristo Jesus" (3.1); "detento no Senhor" que lhes roga (4.1); em sua famosa frase é um "embaixador em cadeias" (6:20). Paulo estava preso e muito perto de seu fim quando escreveu Efésios. Agora, preso em Roma, Paulo escreve esta mensagem superna, e envia-a por Tíquico juntamente com as cartas a Filemon e aos Colossenses.
É importante esclarecer que não houve uma mudança de nome, como aconteceu em outros casos (Abrão – Abraão; Jacó – Israel), mas e o que a Bíblia diz a respeito da mudança de nome é o seguinte:”Então Saulo, também chamado Paulo, cheio do Espírito Santo, olhou firmemente para Elimas e disse” (At 13.9), ou seja, até este versículo, o apóstolo é chamado de Saulo; a partir de então passa a ser chamado de Paulo. De fato, a Bíblia diz era que ele tinha dois nomes diferentes, fato comum para um judeu que também tinha cidadania romana, como era o caso de Paulo. (EPHESIANS, WILLIAM BARCLAY - The Letter to the Ephesians, pág 9).
2. A assinatura apostólica. Nas treze cartas de sua autoria o Apóstolo se identifica como Paulo, nunca como Saulo. Provavelmente por considerar o nome mais apropriado para evangelizar o mundo gentílico (Rm 11.13). Outro detalhe relevante é a reivindicação de sua autoridade apostólica com a ressalva “pela vontade de Deus” (Ef 1.1), isto é, não escolhido por homens (Gl 1.1). [Lições Bíblicas CPAD, Revista Adultos, 2º Trimestre 2020. Lição 1, 5 Abril, 2020]
“Paulo começa sua Carta mencionando os únicos dois títulos de fama que possui.
(1) Era um apóstolo de Cristo. Nesta afirmação tinha em mente três coisas.
(a) Significava que pertencia a Cristo. Sua vida não era sua própria para dispor dela a seu gosto: era possessão de Jesus Cristo e devia vivê-la de acordo com o que Cristo exigia.
(b) Significava que tinha sido comissionado e enviado por Jesus Cristo. A palavra apóstolos vem do verbo apostellein que significa despachar ou enviar. Podia usar-se, por exemplo, para um esquadro naval enviado a uma expedição ou para um embaixador enviado por seu país nativo. Descreve ao que é enviado para desempenhar uma tarefa especial. O cristão se considera a si mesmo, durante toda sua vida, como membro de uma força de trabalho de Cristo. Tem uma missão: a de servir a Cristo no mundo.
(c) Finalmente dá a entender que todo o poder que possuía era um poder delegado. O sinédrio era a corte suprema dos judeus. Em matéria de religião mantinha sua autoridade sobre cada judeu em todo mundo. Quando o sinédrio tinha chegado a uma decisão entregava-a a um apostolos para que por sua vez este a transmitisse às pessoas interessadas e verificasse seu cumprimento. Quando esse apostolos partia não o fazia simplesmente por autoridade e poder próprios: estava respaldado e acreditado pela autoridade do sinédrio a quem representava. O cristão é representante de Cristo no mundo. Mas não leva a cabo esta tarefa por virtude e poder próprios; com ele estão a virtude e o poder de Jesus Cristo.
    (2) Paulo continua dizendo que era apóstolo por vontade de Deus. Ao dizer isto não há nenhum acento de vanglória, mas sim de pura admiração. Paulo vivia no final de seus dias o assombro de que Deus tivesse eleito um homem como ele para esta tarefa.
O cristão nunca deve inflar-se de vanglória pela tarefa que Deus o encomenda; antes, tem que sentir-se maravilhado porque Deus o tenha considerado digno de desempenhá-la.” (EPHESIANS, WILLIAM BARCLAY - The Letter to the Ephesians, pág 22).
3. Uma epístola da prisão. A Epístola foi escrita no período em que Paulo se encontrava preso em Roma. Ele se identifica como “o prisioneiro de Jesus Cristo” (3.1), “o preso do Senhor” (4.1) e o “embaixador em cadeias” (6.20). Isso indica que era uma carta enviada do cárcere. Por essa razão, ela integra o rol das Epístolas da Prisão redigidas aos Efésios, aos Filipenses, aos Colossenses e a Filemom. [Lições Bíblicas CPAD, Revista Adultos, 2º Trimestre 2020. Lição 1, 5 Abril, 2020]
As Epístolas da Prisão é um conjunto de cartas paulinas tradicionalmente associadas ao período em que Paulo esteve preso em Roma, em meados do primeiro século: Efésios, Filipenses, Colossenses e Filemom. Em cada uma destas quatro cartas é feita referência a estar em cadeias (Ef 3.1; 4.1;6.20; Fp 1.17,13,14;1.17; Cl 4.18; Fl 1.9).
4. Data. De acordo com Atos, após realizar três viagens missionárias e implantar igrejas na região do Mediterrâneo, Paulo esteve em prisão domiciliar por cerca de dois anos (At 28.30), entre 60 e 62 d.C. aproximadamente. A partir dessa premissa, a data provável da redação da Epístola aos Efésios ocorreu por volta de 61 e 62 d.C., tendo Tíquico como o seu portador (6.21). [Lições Bíblicas CPAD, Revista Adultos, 2º Trimestre 2020. Lição 1, 5 Abril, 2020]
A carta foi escrita da prisão em Roma (At 28.16-31), talvez, entre 60-62 d.C. Paulo estava preso e muito perto de seu fim quando escreveu Efésios. Tiquico é o portador de Efésios e Colossenses (Ef 6.21; Cl 4.7), Onésimo é um companheiro de viagem de Tíquico (Cl 4.9) e parece ser o escravo fugitivo de Filemom (Fl 10 e SS).
SUBSÍDIO DIDÁTICO-PEDAGÓGICO
A primeira lição deste trimestre tem por objetivo apresentar a Epístola aos Efésios de forma panorâmica. Por isso, ao expô-la, apresente os grandes pontos da epístola conforme eles estão organizados no material didático: Autoria e data; a questão de quem são os efésios, o contexto sociocultural da cidade e a inserção da igreja nela; e, finalmente, o porquê de o apóstolo escrever a carta para os crentes efésios.
Para ajudá-lo na exposição desta lição, esteja acompanhado de um bom Comentário Bíblico ou uma boa Introdução ao Estudo do Novo Testamento. A Bíblia de Estudo Pentecostal, editada pela CPAD, também é uma boa ferramenta para a exposição dos assuntos que serão tratados aqui. Por último, sugerimos que você apresente aos alunos o esboço da Epístola, conforme quadro abaixo:
  II. DESTINATÁRIOS
1. A cidade de Éfeso. Fundada por volta de 1050 a.C., tornou-se num centro político, comercial e religioso da Ásia Menor, atual país da Turquia. Era uma cidade litorânea, cujo porto desaguava no mar Egeu. Sua rua principal era pavimentada em mármore com colunas trabalhadas em ambos os lados. Era considerada uma metrópole com cerca de 500 mil habitantes. Tinha o maior anfiteatro do mundo, com capacidade para 25 mil espectadores. Próximo dali ficava o estádio com a pista de corridas e a arena onde ocorriam as lutas entre animais selvagens, como também entre homens e animais. [Lições Bíblicas CPAD, Revista Adultos, 2º Trimestre 2020. Lição 1, 5 Abril, 2020]
Localizada na foz do rio Cayster, do lado leste do mar Egeu, a cidade de Éfeso era talvez mais bem conhecida pelo seu magnificente templo — dedicado a Ártemis, ou Diana — uma das sete maravilhas do mundo antigo. Ela era também um importante centro político, educacional e comercial, equiparado a Alexandria, no Egito, e Antioquia da Pisídia, na Ásia Menor meridional.
“A cidade como tal foi construída nas encostas dos montes Coresso e Piom. Atualmente, o que mais se destaca no local é o enorme teatro que fica de frente para o antigo porto e o mar. Construído originalmente no período helenista, esse teatro foi ampliado durante o governo de Cláudio, e tinha capacidade para 24.000 pessoas. Foi ao teatro que uma multidão furiosa arrastou dois dos companheiros de Paulo, quando os ourives causaram um tumulto por causa dos prejuízos no comércio de imagens de Ártemis (Diana, para os romanos), decorrentes da pregação de Paulo.” Leia mais em: costumesbiblicos
2. A religiosidade em Éfeso. A cidade abrigava o templo de Ártemis (Diana – a deusa da fertilidade), construído em mármore. A economia da cidade dependia dos milhares de turistas que a visitavam. Sua maior fonte de renda era o comércio de nichos de prata vendidos no templo, razão pela qual seus moradores ficaram alarmados com a pregação de Paulo contra a idolatria (At 19.27-29). [Lições Bíblicas CPAD, Revista Adultos, 2º Trimestre 2020. Lição 1, 5 Abril, 2020]
“Ártemis (arte-mis) — Na mitologia clássica, a irmã de Apolo, filha de Leto e Zeus, equiparada com a Diana romana, a deusa-lua, que era uma caçadora e protetora da feminilidade. No entanto, Ártemis (At. 19:23-40) (NVI) tem pouco em comum com o seu homônimo clássico. Ela era realmente uma deusa-mãe lidiana, adorada na foz do rio Cayster muito antes dos gregos chegar a Éfeso. Em Éfeso, Ártemis era a deusa da fertilidade. Sua comitiva no templo incluía sacerdotes eunucos, assistentes, e prostitutas sagradas. Sua imagem (At. 19:35), provavelmente era um meteorito. Os santuários de prata (At. 19:24), bem como modelos de argila e mármore, podem ter sido réplicas do santuário primitivo. O templo dos dias de Paulo era uma das sete maravilhas do mundo. A adoração da Artemis em Éfeso estendia-se para a Grécia, Gália, em Roma, e da Síria. Os nabateus do 1º séc. AD adoravam a divindade Atargatis, que é equiparada a Ártemis. Nos tempos do NT havia um templo de Ártemis em Gerasa”. (Fonte: PFEIFFER, C. F., VOS, H. F.; REA, J. The Wycliffe Bible Encyclopedia. Moody Press. 1975; 2005).
O culto a Diana estava disseminado pelo Império Romano. É possível que o alvoroço descrito em At 19.27-29 tenha acontecido durante o festival anual da primavera realizado em honra à deusa. Esse alvoroço foi liderado por Demétrio, que pode ter sido o chefe da associação dos artífices, e isso explicaria a sua proeminência na oposição aos pregadores cristãos. Alegando ruína financeira, o zelo religioso e a preocupação com o prestígio da cidade dos ourives, ele provocou a massa contra os crentes, argumentando que os pregadores cristãos ameaçavam a continuidade da prosperidade de Éfeso. A reação violenta do seu público mostra que eles levaram a sério a ameaça.
3. A igreja de Éfeso. Paulo evangelizou a cidade e seus arredores durante três anos (At 20.31). Quando chegou a Éfeso, o Apóstolo encontrou doze discípulos, os quais batizou nas águas e conduziu a receber o batismo no Espírito Santo (At 19.5-7). Em seguida evangelizou os judeus na sinagoga por um espaço de três meses (At 19.8). E como alguns judeus resistiram ao Evangelho, voltou-se para os gentios pregando num salão alugado na escola de Tirano (At 19.9). Em Éfeso, Deus usou Paulo poderosamente e a igreja crescia, pois até os lenços e aventais do apóstolo foram usados para curar os enfermos e expulsar demônios (At 19.12). Grandes líderes da igreja também passaram por Éfeso: Apolo ministrou ali e foi instruído por Priscila e Áquila (At 18.24-28); Timóteo também foi designado para pastorear na cidade (1 Tm 1.3); e segundo Irineu (130-202 d.C.), bispo grego do primeiro século, o apóstolo João também liderou a igreja. [Lições Bíblicas CPAD, Revista Adultos, 2º Trimestre 2020. Lição 1, 5 Abril, 2020]
A igreja de Éfeso foi muito bem estabelecida na doutrina apostólica. É provável que o evangelho tenha sido primeiramente levado a Éfeso por Priscila e Áquila, um casal excepcionalmente dotado (At 18.26), o qual foi deixado lá por Paulo durante a sua segunda viagem missionária (At 18.18-19). Paulo mesmo pastoreou essa Igreja por cerca de três anos. Depois de Paulo ter saído, Timóteo pastoreou a congregação, possivelmente por um ano e meio, em especial para reagir contra o falso ensino de uns poucos homens influentes (tais como Himeneu e Alexandre), os quais eram, provavelmente, presbíteros nessa congregação (1Tm 1.3,20). Todos os ensinos básicos lhe foram ministrados. “porque jamais deixei de vos anunciar todo o desígnio de deus” (At 20.27). Pelo teor e conteúdo da Epístola de Paulo aos Efésios, observa-se que aquela igreja era espiritual. É interessante notar que, mesmo com tão fantástica equipe doutrinária, depois de 30 anos ou mais, Cristo deu ao apóstolo João a carta para essa igreja, indicando que as pessoas de lá haviam abandonado o seu amor inicial por ele (Ap 2.1-7).
4. A saudação epistolar. A saudação é a mais breve dentre todos os escritos de Paulo. Ele se dirige “aos santos e fiéis em Cristo Jesus” (1.1), isto é, aqueles que foram separados e consagrados para ser a propriedade exclusiva de Deus (1 Pe 2.9). Paulo os cumprimenta com as palavras “graça e paz” (1.2), uma expressão que lembra o favor gratuito e imerecido de Deus. Quanto aos destinatários, a maioria dos intérpretes considera que a Epístola era uma carta circular destinada aos cristãos de maioria gentílica das muitas igrejas da Ásia, provenientes de Éfeso, a metrópole mais importante daquela região. [Lições Bíblicas CPAD, Revista Adultos, 2º Trimestre 2020. Lição 1, 5 Abril, 2020]
‘Graça a vós outros e paz’ era uma saudação comum na Igreja primitiva e que Paulo usa em todas as suas cartas, e aqui, ele acrescenta ‘Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo’, por que, Deles vinha a autoridade com que Paulo falava, bem como as bênçãos da graça e da paz a todos os cristãos. A conjunção "e" indica equivalência; ou seja, o Senhor Jesus Cristo é tão divino quanto o Pai. É interessante notar que, como o nome Éfeso não é mencionado em todos os manuscritos antigos, alguns estudiosos acreditam que a carta era uma encíclica, escrita com a intenção de que fosse circulada e lida por todas as igrejas da Ásia Menor e que, simplesmente, foi primeiro enviada para os cristãos em Éfeso.
“"Graça e paz a vós." Aqui há duas palavras de enorme significado na fé cristã. A palavra graça contém sempre duas ideias principais. A graça é sempre algo amável. O termo grego caris pode traduzir-se por encanto. Na vida cristã deve haver certa bondade e certo encanto. Um cristianismo que não tem atrativos não é verdadeiro cristianismo. Graça descreve sempre um dom e um dom que o homem não pode obter por si mesmo, e que nunca ganhou nem mereceu em forma alguma. O tratamento que Deus nos dá, e seus dons, são coisas que recebemos por pura generosidade do coração de Deus. Cada vez que mencionamos a palavra graça pensamos no puro encanto da vida cristã e na pura e imerecida generosidade do coração de Deus. Devemos tomar cuidado ao relacionar à vida cristã a palavra paz. Em grego o termo é eirene, mas traduz o hebreu shalom. Na Bíblia a palavra paz nunca é puramente negativa: nunca descreve simplesmente a ausência de tribulações, dificuldades e aflições. Shalom significa tudo o que se relaciona com o bem supremo do homem; todo aquilo que contribui a fazê-lo homem no mais alto sentido da palavra; tudo o que faz com que a vida seja verdadeiramente digna de ser vivida. A paz cristã é algo absolutamente independente das circunstâncias externas.” (EPHESIANS, WILLIAM BARCLAY - The Letter to the Ephesians, pág 23).
SUBSÍDIO BÍBLICO-TEOLÓGICO
A CIDADE DE ÉFESO
Situada em uma baía interior (hoje em dia coberta de lodo), a cidade se ligava, através de um canal estreito do Rio Cyster, ao mar Egeu, a uma distância aproximada de 3 milhas (4.8 quilômetros). A cidade ostentava impressionantes monumentos cívicos, incluindo-se entre eles o proeminente templo de Artemis (Diana), uma das sete maravilhas do mundo antigo. As moedas da cidade orgulhosamente exibiam o ‘slogan’ Neokoros, isto é, ‘guardiã do templo’. Paulo pregou a grandes multidões nessa cidade. Os artesãos se queixavam de que ele havia influenciado um grande número de pessoas em Éfeso e em praticamente toda a província da Ásia (At 19.26). Em um dos eventos mais dramáticos registrados no Novo Testamento, o apóstolo conseguiu desvencilhar-se de uma grande multidão no teatro. Essa estrutura, localizada na ladeira do monte Pion, no final do ‘Caminho da Arcádia’, podia acomodar 25.000 pessoas sentadas” (ARRINGTON, French L.; STRONSTAD, Roger (Eds.). Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento. Vol.2. Rio de Janeiro: CPAD, 2017, p.387).
  III. PROPÓSITO E MENSAGEM
1. O propósito. Aparentemente a Epístola não aborda nenhum problema específico como em outras de Paulo. Porém, nos capítulos iniciais da Carta percebemos algumas ênfases que sinalizam a solução de certas questões. Por exemplo, havia novos convertidos que vinham do mundo helênico e praticavam religiões de mistérios e magia, mas que agora se reuniam com os santos de Éfeso. Não por acaso, o apóstolo Paulo mostra àqueles crentes que Cristo está no controle do universo inteiro (1.20-22).
Também é possível perceber outro tipo de ênfase do apóstolo. O passado daqueles cristãos era marcado pela imoralidade e bebedeiras, mas uma vez salvos pela graça, eles deveriam adotar um novo estilo de vida em Cristo (2.1-10).
Destaca-se ainda uma preocupação com a unidade e a paz entre judeus e gentios cristãos, enfatizadas pelo plano universal da redenção para ambos (2.11-18).
Sob essas premissas, então, podemos considerar que uma das intenções do autor aos Efésios era a de atender as múltiplas necessidades da igreja numa perspectiva pastoral. Por isso a Carta é apontada por estudiosos como o tratado teológico sobre a Igreja, o Corpo de Cristo. [Lições Bíblicas CPAD, Revista Adultos, 2º Trimestre 2020. Lição 1, 5 Abril, 2020]
Os primeiros três capítulos são inteiramente teológicos, com ênfase na doutrina do Novo Testamento, e os três últimos são práticos, Paulo trata do comportamento cristão. Nos três primeiros capítulos da Carta Paulo oferece sua concepção sobre a unidade em Cristo. Nos seguintes três diz muito sobre o lugar da Igreja no plano de Deus para levar a cabo esta unidade. Paulo busca encorajar e admoestar os efésios, lembrando-os a respeito das imensuráveis bênçãos em Jesus Cristo; e por isso mesmo, deveriam viver de maneira digna delas. A verdade importante enfatizada é a igreja como o atual corpo espiritual e terreno de Cristo.
2. A mensagem. A mensagem de Efésios gira em torno de duas temáticas: Jesus Cristo, a cabeça (1.22; 4.15; 5.23); a Igreja, o corpo (1.23; 4.12; 5.30). Assim, podemos classificar os desdobramentos desses assuntos nos seguintes eixos temáticos: (1) A consumação do plano eterno de Deus na pessoa de Jesus Cristo (1.3-5); (2) a atuação do Espírito Santo como o penhor da experiência de salvação (1.13,14); (3) a reconciliação dos povos por intermédio da cruz de Cristo (2.16); (4) a revelação do mistério da vontade de Deus por obra do Espírito Santo (3.5); (5) um novo estilo de vida baseado na unidade, na comunhão com o Espírito, na frutificação, na adoração e na intercessão no Espírito (4.3,30; 5.9,18,19; 6.18); os novos relacionamentos conjugais e a luta contra o Diabo (5.21 – 6.20). Portanto, a Epístola contém uma combinação de doutrina, fé e prática da vida cristã, ou seja, de tudo o quanto Deus fez e do que se espera que a Igreja faça. [Lições Bíblicas CPAD, Revista Adultos, 2º Trimestre 2020. Lição 1, 5 Abril, 2020]
A ideia chave de Efésios é a reunião de todas as coisas em Jesus Cristo. Cristo é o centro em quem se unem todas as coisas e o laço que todo o liga. Cristo é o cabeça do corpo e o Espírito Santo a sua força vital, por assim dizer. O corpo funciona por meio do uso fiel dos diversos dons de seus membros, concedidos de maneira soberana e única pelo Espírito Santo a cada cristão. Outros temas importantes incluem as riquezas e a plenitude das bênçãos para os cristãos. Paulo escreve a respeito da "riqueza de sua (de Deus) graça” (1.7), das "insondáveis riquezas de Cristo" (3.8) e da "riqueza da sua glória" (3.16). Paulo admoesta os cristãos a serem "tomados de toda a plenitude de Deus" (3,19) até que "cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo" (4.13) para encher-nos "do Espírito" (5.18). As riquezas que eles têm em Cristo são baseadas em sua graça (1.2.6-7; 2.7), sua paz (1.2), sua vontade (1.5), seu prazer e seu propósito (1.9), sua glória (1.12,14), seu chamado e sua herança (1.18), sua força e poder (1.19; 6.10), seu amor (2.4), o fato de tê-los criado (2.10), seu Espírito Santo (3.16), sua oferta e sacrifício (5.2) e sua armadura (6.11,13).
SUBSÍDIO TEOLÓGICO
Não deixe de mencionar a questão do Espírito Santo na Carta aos Efésios, por isso, leve em conta o seguinte fragmento textual:
O Ministério do Espírito Santo em Efésios
Embora os temas mais importantes em Efésios sejam Cristo, a igreja e o plano eterno de Deus para redenção, é o Espírito Santo e o seu papel em relação ao crente e à Igreja, como presença poderosa de Deus, que faz de nós o povo de Deus e corpo de Cristo na terra. Em relação à proeminência do Espírito Santo em Efésios, Gordon Fee comenta (732): ‘Existem raros aspectos da vida cristã em que o Espírito Santo não assume o papel principal, e são raros os aspectos sobre o papel do Espírito que não tenham sido mencionados nessa carta’.
Em 1.13, o Espírito Santo é chamado (lit.) de ‘o Espírito Santo da promessa’, cuja importante promessa divina é um sinal de que os últimos dias já chegaram (Jl 2.28-32; At 2.16-21). Jesus promete batizar seus discípulos com o (ou no) Espírito Santo (At 1.5), assim como João Batista havia pregado (Mc 1.8; Jo 1.33) e nesse contexto refere-se ao Espírito como aquEle que o Pai havia prometido (Lc 24.49; At 1.4). [...] Além disso, em Efésios, o Espírito Santo é descrito como a marca ou o selo da propriedade de Deus (1.13), a primeira parte da herança do crente através de Cristo (1.14), ‘o Espírito de sabedoria e revelação’ (1.17), aquEle que capacita o crente a ter intimidade com o Pai (2.18), aquele pelo qual Deus habita na Igreja (2.22), o revelador do mistério de Cristo (3.4,5) e a pessoa que fortalece os crentes em seu íntimo (3.16)” (ARRINGTON, French L.; STRONSTAD, Roger (Eds.). Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento. Vol.2. Rio de Janeiro: CPAD, 2017, p.389).
  CONCLUSÃO
A Epístola revela um elaborado resumo da salvação e suas implicações para a vida cristã. Seu conteúdo recorda o favor imerecido que recebemos gratuitamente da parte de Deus. Suas exortações nos impelem a viver em santidade e, alicerçados em Cristo – a cabeça da Igreja (1.22), a batalhar contra as forças das trevas. [Lições Bíblicas CPAD, Revista Adultos, 2º Trimestre 2020. Lição 1, 5 Abril, 2020]
Para que existe a Igreja? Qual é sua verdadeira função no plano de Deus? Onde intervém a Igreja neste propósito de trazer uma nova unificação a um mundo desunido? A Carta aos Efésios traz a resposta com uma das frases mais importantes do apóstolo: A Igreja é o corpo de Cristo! A Igreja tem que ser as mãos para a obra de Cristo, pés para correr atrás dos que se desviam, uma boca que fala por Ele, um instrumento e um corpo pelos quais pode operar. Efésios nos instrui que Cristo é o instrumento de Deus para a reconciliação, e que a Igreja é o instrumento de Cristo para essa reconciliação.

Francisco Barbosa
Disponível no blog: auxilioebd.blogspot.com.br