sexta-feira, 17 de março de 2017

LIÇÃO 12: QUEM AMA CUMPRE PLENAMENTE A LEI DIVINA


SUBSÍDIO I

Na lição de número 12 estudaremos somente um aspecto do fruto do Espírito, o amor. Todos os aspectos do fruto do Espírito Santo são importantes se queremos viver de modo que Deus seja glorificado em nossas vidas. Porém, sem esse aspecto do fruto é impossível ser manso, paciente, longânimo, etc. Por isso, trataremos em uma única lição somente esse fruto que é o vinculo da perfeição e que confirma a nossa filiação divina (Cl 3.14; 1Jo 4.7).
Para auxiliar na compreensão do tema da lição, vamos refletir a respeito de três tipos de amor:

“1. Amor divino (Jo 3.16). O amor divino é expresso pela palavra grega ágape que significa ‘amor abnegado: amor profundo e constante’, como o amor de Deus pela humanidade. Esta perfeita e inigualável virtude abrange nosso intelecto, emoções, vontade, enfim, todo o nosso ser. O Espírito Santo manifestará em nós, à proporção que lhe entregamos inteiramente a vida. Este predicado flui de Deus para nós que o retornamos em louvor a Deus, adoração, serviço e obediência a sua Palavra: ‘Nos o amamos porque ele nos amou primeiro’ (1 Jo 4.19). É o amor ágape descrito em 1 Coríntios 13.

2. Amor fraterno. Em 2 Pedro 1.7, encontramos o amor expresso pela palavra original philia, que significa ‘amor fraternal ou bondade fraterna e afeição’. É amizade, um amor humano, limitado. Esse tipo é essencial nos relacionamentos interpessoais, no entanto, é inferior ao ágape, porquanto depende de uma reciprocidade; ou seja, somos amigáveis e amorosos somente com os que assim agem (Lc 6.32).

3. Amor físico. Há outro aspecto do amor humano, o qual não é mencionado na Bíblia, contudo, está fortemente subentendido através de fatos: Este é o amor físico proveniente dos sentidos naturais, instintos e paixões. Costuma basear-se no que vemos e sentimos; pode ser egoísta, temporário e superficial, e tornar-se concupiscência. É inferior aos outros porque muitas vezes é usado levianamente. 
O maior desses é o amor ágape — o amor de Deus, que foi manifestado na vida de Jesus. Este possui três dimensões: amor a Deus, a si mesmo e ao próximo (Lc 10.27).

Amar a Deus e ao próximo

Amar a Deus é o nosso maior dever e privilégio. Como fazer isso? De todo o coração, alma, força e entendimento. A palavra coração refere-se ao homem interior, isto é, envolve espírito e alma. Devemos amar a Deus com toda a plenitude de nosso ser, acima de tudo. Assim sendo, também amaremos o que Ele ama e lhe pertence: sua Palavra, seus filhos, sua obra, sua igreja e as ovelhas perdidas, pelas quais estaremos dispostos a sofrer (Fp 1.29). Quando sofremos por Cristo, dispomo-nos a padecer perseguições a fim de glorificá-lo, e revelarmos seu amor ao pecador. Ao sofrermos com Cristo, sentimos o que Ele sentiu pelo pecado e pelo pecador, conforme está descrito em Mateus 9.36.
Não conseguiremos amar nosso semelhante com amor ágape, salvo se amarmos a Deus primeiro. É o Espírito Santo que nos capacita para cumprir o segundo maior mandamento da lei (Lv 19.18). O apóstolo João enfatizou a importância do amor ágape ao próximo: ‘Amados, amemo-nos uns aos outros, porque a caridade [o amor] é de Deus; e qualquer que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. Aquele que não ama não conhece a Deus, porque Deus é caridade [amor]. [...] Se nós amamos uns aos outros, Deus está em nós, e em nós é perfeita a sua caridade [amor]. Se alguém diz: Eu amo a Deus e aborrece a seu irmão, é mentiroso. Pois quem não ama seu irmão, ao qual viu, como pode amar a Deus, a quem não viu?’ (1 Jo 4.7,8,12,20).
Ao exortar um intérprete da lei a amar a Deus e ao próximo, Jesus afirmou: ‘Faze isso e viverás’, e ele, porém, perguntou-lhe: “Quem é o meu próximo?” Leia a resposta do Mestre em Lucas 10.30-37.”

Sugestão didática:

“Professor, sugerimos que você reproduza o esquema abaixo segundo as suas condições. Utilize-o para mostrar os termos que definem os três tipos de amor que serão estudos no tópico II da lição.”

GREGO
DESCRIÇÃO
CONTEXTO
FONTE
Ágape
Amor abnegado
Divino
Deus
Philia
Amor fraterno
Amizade
Homem
Eros
Amor físico
Erótico 
Sentidos
Storge
Amor familiar 
Familiar
Família

(Extraído de GILBERTO, Antonio. O Fruto do Espírito: A plenitude de Cristo na vida do crente. Rio de Janeiro: CPAD, 2005, p. 20).

Telma Bueno
Editora responsável pela Revista Lições Bíblica Adultos

SUBSÍDIO II

INTRODUÇÃO

Dando sequência aos estudos sobre o fruto do Espírito, na aula de hoje nos voltaremos para o amor, aquele aspecto que é propulsor de todas as virtudes espirituais. Na verdade, o amor-agape, expressão maior da fé cristã, e uma das virtudes capitais de I Co. 13, é a demonstração mais sublime do caráter cristão. Inicialmente, definiremos o amor cristão, em seguida mostraremos como ele é identificado, e ao final, ressaltaremos exemplos, com destaque para Jesus, como o Modelo do genuíno amor.

1. AMOR-AGAPE, A VIRTUDE DAS VIRTUDES

A vida cristã é um chamado para o amor, sem esse é impossível nos identificarmos com Jesus. Na verdade, é no amor que demonstramos que pertencemos a Ele, pois está escrito que o Mestre se dispôs a amar os Seus discípulos até o fim (Jo. 13.1). Por isso deixou a seguinte ordenança para Seus seguidores: “que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei” (Jo. 15.12). A palavra mais sublime no Novo Testamento Grego para amor é agape, com o significado de “amor desinteressado, profundo e constante”. Essa é a mesma palavra que encontramos em Jo. 3.16, por meio do qual sabemos que Deus amou o mundo de maneira tal que entregou Seu Filho Unigênito para morrer pelos que nEle creem”. João afirma, em I Jo. 4.19, que nós somente amamos a Deus porque Ele nos amou primeiro”. Mas existem outras palavras gregas para expressar o amor: philia – que carrega o sentido de amor fraternal, e eros – que emana dos sentidos naturais. O maior desses amores certamente é o AGAPE, por possuir uma dimensão vertical – em direção a Deus, horizontal – em direção ao próximo, e interior – em direção a nós mesmos. É importante que essas dimensões do amor-agape sejam consideradas, pois alguém que se fia demasiadamente no amor a Deus pode se tornar um fanático, o que busca apenas o amor ao próximo se torna um mero filantropo; e o amor somente a si mesmo, favorece ao egocentrismo. Por isso Jesus foi enfático ao ressaltar a natureza tríplice do amor-agape (Mc. 12.28-34; Mt. 22.34-40). A observância aos mandamentos de Cristo passa inclusive pelo amor, pois somente aqueles que O amam podem guardar Seus ensinos (Jo. 14.15).

2. A IDENTIFICAÇÃO ESPIRITUAL DO AMOR-AGAPE

O amor-agape é identificado com maior propriedade em I Co. 13, que ressalta esse como uma característica da vida genuinamente cristã. Nesse texto Paulo também faz um contraponto entre o amor-agape e os dons espirituais,  abordados nos capítulos 12 e 13. Nada há de errado em buscar os dons espirituais, mas é preciso que esse esteja em consonância com o amor-agape (I Co. 14.1). A partir desse texto depreendemos que o amor é sofredor – que se sacrifica pelo outro; é benigno – demonstrado através de ações; não é invejoso – não se ressente com o sucesso dos outros; não trata com leviandade, não se ensoberbece – não se coloca acima dos demais; não se porta com indecência – não destrata as pessoas, principalmente em público; e não busca seus interesses -  mostra disposição para o serviço; não se irrita – não se chateia com as pessoas; não suspeita mal – não guarda rancor das pessoas; não folga com a injustiça – antes se deleita com a verdade. Paulo concluiu esse trecho da sua Epístola assegurando que “permanecem a fé, a esperança e o amor, estres três; porém, o maior deste é o amor” (I Co. 13.13). É interessante observar que os cristãos geralmente se lembram de Jo. 3.16, mas poucos guardam na memória I Jo. 3.16, que diz: Conhecemos o amor nisto: que Jesus Cristo deu a sua vida por nós, e nós devemos dar a vida pelos irmãos.

3. EXEMPLOS PARA O VIVER NO AMOR-AGAPE

Existem vários exemplos bíblicos de amor-agape, certamente o mais emblemático entre eles é o de Jesus, que amou Seus discípulos, e entregou a Sua vida pelos pecadores. Ele é a expressão maior do amor divino, na verdade, Deus prova Seu amor para conosco pelo fato de Cristo ter morrido por nós, sendo nós ainda pecadores (Rm. 5.8). Entre aqueles que serviram ao Senhor no primeiro século, muitos se destacaram na manifestação do genuíno amor. Os cristãos de Colossos desenvolveram essa virtude do fruto do Espírito, pelo qual foram elogiados por Paulo (Cl. 1.3-8). A Igreja de Éfeso também era amorosa, tendo recebido com cuidado o Apóstolo Paulo (At. 20.20-31), ainda que, em Ap. 2.4, são advertidos pelo Senhor, por terem esquecido o primeiro amor. Uma igreja é realmente promissora quando cresce no amor-agape, o restante é apenas adereço, e não pode ser supervalorizado. Cada discípulo de Jesus deve cultivar o amor-agape, como fez João que ficou reconhecido como o discípulo do amor (Jo. 19.25,26). Antes de partir, Jesus também desafiou Pedro, como um daqueles que seriam colunas da igreja, para que amasse a Cristo, bem como as Suas ovelhas (Jo. 21.15-17). O amor-agape é um critério fundamental para aqueles que desejam servir no ministério cristão. Muitos líderes foram reprovados nesse particular, pois amam mais o presente século do que a Cristo, e as ovelhas servem apenas para que delas tirem proveito. Jesus é o exemplo de Pastor, que conhece cada uma das Suas ovelhas, e que se sacrifica por elas, e lhes mostra o caminho correto (Jo. 10.1). Cada cristão deve estar disposto a se entregar a Deus, e a servir o próximo em amor, somente assim mostraremos que somos dEle. 

CONCLUSÃO

Muitos querem ser identificados como seguidores de Jesus, mas somente aqueles que O servem em amor podem assim serem vistos. Em Jo. 13.35 o próprio Cristo afirma que somente podem ser classificados como seguidores dEle aqueles que O seguem em amor. A verdade evangélica, comumente defendida com muita veemência em alguns arraiais, especialmente os televisivos, deve ser mostrada em amor e mansidão (I Pe. 3.15). É assim que o nome de Jesus é glorificado, e a Igreja é vista como instrumento de graça, e alcança o mundo distanciado de Deus (At. 2.47).  
Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Extraído do Blog subsidioebd

COMENTÁRIO E SUBSÍDIO III

INTRODUÇÃO

Já estudamos alguns aspectos do fruto do Espírito e obras da carne, Deixemos para tratar a respeito do amor em uma única lição, pois o objetivo é que venhamos compreender a singularidade e a importância desse aspecto do fruto do Espírito.
Podemos agrupar os nove aspectos do fruto do Espírito Santo da seguinte maneira: Os atributos que tratam do nosso com Deus: amor, paz e alegria. Os que tratam do nosso relacionamento com o próximo: longanimidade, benignidade e bondade. Os que tratam do nosso relacionamento com nós mesmos: fidelidade, mansidão e domínio próprio. Porém, nesta lição, veremos o aspecto do amor. A maior marca de uma igreja não é sua teologia, seu templo, tradições, mas sim o seu amor para com o Senhor Jesus e para com o próximo. [Comentário: Quem ama ao próximo, tem cumprido a lei. "Próximo" é literalmente "o outro", isto é, o próximo de alguém. É muito possível traduzir assim esta sentença: "Aquele que ama, tem cumprido a outra lei" - a "outra lei" sendo, neste caso, o "segundo" mandamento de Mateus 22.39 e Marcos 12.31: "Amarás ao teu próximo como a ti mesmo." Contudo, é preferível a tradução que consta do texto, e a referência é, em todo caso, ao mandamento que Jesus citou como "o segundo" que é semelhante ao primeiro. Quem paga esse débito cumpre a lei - citação de Levitico 19.18, "Amaras ao teu próximo como a ti mesmo", como um sumário dos mandamentos, introduz Paulo diretamente na tradição de Jesus, que colocou estas palavras como o segundo grande mandamento ao lado de "Amarás o Senhor teu Deus ..." (Dt 6.5), "o grande e primeiro mandamento", acrescentando: "Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas" (Mt 22.37-40; ver Mc 12.28-34). Paulo menciona o segundo aqui, e não o primeiro, porque a questão imediata relaciona-se com os deveres do cristão para com o seu próximo - tema dominante dos mandamentos da segunda tábua do Decálogo. Estes mandamentos nos proíbem prejudicar o nosso próximo de qualquer modo, Visto que o amor nunca prejudica a outros, o amor cumpre a lei. Por que o amor é a marca distintiva de uma Igreja forte? Em João 13.35 Jesus afirma que os seus discípulos seriam identificados pelo amor; Ágape deve ser a marca distintiva dos seguidores de Cristo (1 Jo 3.23; 4.7-21). Este amor é, em suma, um amor abnegado e sacrificial, que visa o bem do próximo (1Jo 4.9,10). Por isso, o relacionamento entre os crentes deve ser caracterizado por uma solicitude dedicada e firme, que vise altruisticamente promover o sumo bem uns dos outros. Os cristãos devem ajudar uns aos outros nas provações, evitar ferir os sentimentos e a reputação uns dos outros e negar-se a si mesmos para promover o mútuo bem-estar (cf. 1 Jo 3.23; 1 Co 13; 1 Ts 4.9; 1 Pe 1.22; 2 Ts 1.3; Gl 6.2; 2 Pe 1.7).] Dito isto, vamos pensar maduramente a fé cristã?

I. A SINGULARIDADE DO AMOR AGÁPE

1. Amor, um aspecto do fruto. O amor é o primeiro aspecto do fruto que encontramos na relação de Gálatas 5.22. Podemos afirmar que tal sentimento é o solo onde os demais aspectos do fruto devem ser cultivados. Paulo relata a suprema excelência do amor em l Coríntios 13. A Língua grega possui três vocábulos para denominar o amor: ágape, amor divino; philéo, amor entre amigos e eros, amor entre cônjuges. [Comentário: O comentarista afirma que ágape é sentimento, no entanto, ágape, o amor que só possui quem nasceu de novo, o amor de Deus, é condicional e não sentimental - “Se me amais, guardareis os meus mandamentos” (Jo 14.15) – está intimamente ligado à obediência - "Porque este é o amor de Deus: que guardemos os seus mandamentos; e os seus mandamentos não são pesados" (1Jo 5.3). "Eu amo aos que me amam e os que cedo me buscarem, me acharão" (Pv 8:17). O amor de Deus para com o homem é condicional, pois Ele ama aos que O amam. É condicional por haver um quesito e demanda reciprocidade. Concluir que o amor de Deus é incondicional, geralmente decorre da má leitura dos seguintes versículos: “Nisto consiste o amor, não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou (...) Nós o amamos a Ele, porque ele nos amou primeiro” (1Jo 4.10 e 19). "Mas, Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores" (Rm 5.8). Só é possível ao homem amar a Deus porque Ele amou primeiro, ou seja, se Deus não houvesse primeiramente dado um mandamento aos homens, seria impossível aos homens amarem a Deus. A Bíblia afirma que antes de conhecermos a Cristo, éramos "odiosos, odiando-nos uns aos outros" (Tt 3.3). Jesus afirmou que seus discípulos seriam conhecidos pelo amor com que se amavam. "Ágape" é o termo grego para o mais profundo e o mais sublime amor. Ágape sempre caracterizou Deus. Em João 3.16 a Bíblia nos mostra o tão grande amor do nosso Deus quando diz: "Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu Filho..." Existe maior amor do que este? Encontramos também este amor expresso em 1Co 13.4-7. Note a explicação do comentarista para as três palavras gregas para amor. De fato,Eros se refere ao amor sexual e, como sabemos, Eros deve existir dentro do casamento; de igual forma, phileo, o amor que existe entre pais e filhos, e entre irmãos, é o tipo de amor que se desenvolve com o tempo, e também deve existir no casamento! Mas o amor que realmente sustenta um relacionamento cristão é o ÁGAPE – um casamento fundamentado no ágape pode sobreviver a qualquer tipo de tempestade, desencontros, desavenças, etc. Se alicerçamos nosso casamento no amor ágape, a palavra de Deus se torna realidade quando Ele diz: "o amor nunca acaba". Certamente este tipo de amor precisa ser aprendido e esta aprendizagem exige muito esforço e conhecimento. Todos precisamos aprender a amar. Mas, para que um casamento seja feliz é necessário existir estes três tipos de amor.Este texto foi extraído em parte do site http://solascriptura-tt.org/DoCoracaoDeValdenira/AmorQDevemosAprender-Valdenira.htm.. Nesta relação, está faltando o termo grego Storgé - o mais benéfico dos afetos, acontece especialmente com a família e entre seus membros, normalmente afeição de Pais aos filhos. ]
2. O amor ágape. O amor de Deus é expresso no grego pela palavra ágape. Tal vocábulo significa "amor abnegado e profundo". Um dos atributos do nosso Deus é o amor (1Jo 4.8). Seu amor por nós é ímpar. Não podemos nos esquecer que hoje amamos ao Pai e ao próximo porque o amor divino nos alcançou primeiro: "Nós o amamos porque ele nos amou primeiro" (1Jo 4.19). O que fizemos para merecer tal amor? Nós não fizemos nada. O mérito de tal sentimento não é nosso. Mas Ele nos amou quando éramos ingratos e maus e nos deu o seu Filho Unigênito para morrer em nosso lugar (Jo 3.16). [Comentário: Ágape é aquele amor que se dá e se sacrifica pelo mais alto bem da outra pessoa. Tal sublime amor prático é completamente abnegado, ou seja, busca o que é melhor para aquele que ama. O amor ágape também é dedicado, ou seja, continua amando aconteça o que acontecer. No site do Centro Apologético Cristão de Pesquisas (CACP), no artigo de Marcos Brito, ‘Os quatro tipos de amor’, lemos: “Amor “ágape”: Dos quatro, este é o amor maior, pois tem origem no próprio Deus que é a revelação clara desse amor (Jo 3.16; 1Jo 4.8-18; 1Co 13.1-13; Ef 5.25). Esse amor é incondicional. Ou seja, não espera nada em troca. Não preciso esperar que alguém me ame para amá-lo. Aliás, com esse amor é possível amarmos até os nossos inimigos (Mt 5.44). Ele também é infalível e eterno, como se pode ver em 1Coríntios 13.8,13. É bom salientar que, todos os seres humanos possuem, por natureza, os três tipos de amor já mencionados (“eros”, “fileo” e “storge”), entretanto, o amor “ágape” só se adquire quando se nasce de novo, ou seja, ele passa a operar na vida do homem, quando este se torna templo do Espírito Santo (Gl 5.16-22). Com o amor “ágape” devemos amar a Deus e ao próximo: “Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças; este é o primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes.” (Mc 12.30-31 – grifo meu). Na Bíblia, o termo “ágape” ocorre com mais frequência que os outros. Isso demonstra a importância desse amor! Já, no versículo bíblico seguinte, o apóstolo Paulo cita dois dos quatro tipos de amor: “Quanto, porém, ao amor fraternal (amor “fileo”, no original “filadélfias”), não necessitais de que vos escreva, visto que vós mesmos estais instruídos por Deus que vos ameis (“ágape”) uns aos outros” (1Ts 4.9 – grifo meu). O mesmo apóstolo também escreveu: “Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal (no original, “filadelfia”), preferindo-vos em honra uns aos outros.” (Rm12.10 – grifo meu). Temos no primeiro versículo a junção do “fileo” e do “ágape”, enquanto que, no segundo, a expressão “amor fraternal” é a tradução do grego “filadelfia”. Amar é um sentimento que nunca deveria ser extinto do ser humano, apesar de a Palavra de Deus afirmar que, “por se multiplicar a iniquidade(o pecado), o amor(“ágape”) de muitos esfriará.”(Mt 24.12 – grifo meu).” Continue lendo em: http://www.cacp.org.br/os-quatro-tipos-de-amor/.]
3. O amor ágape derramado em nós. Quando recebemos, pela fé, o Senhor Jesus, nos tornamos uma nova criatura (Jo 3.3). E, assim, foi-nos enxertado o amor que é a essência do Pai. Se somos discípulos de Cristo, amamos ao Pai e ao próximo. O amor de Deus em nós nos proporciona paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão e temperança (G15.22). Quem tem o amor de Deus considera o próximo e está sempre disposto a servir a todos, assim como o nosso Mestre (Mc 10.45). [Comentário: Como fruto do Espírito, logicamente só possui ágape que foi regenerado, e quem verdadeiramente foi regenerado deve demonstrar sempre ser possuidor de ágape! “Se me amais, guardareis os meus mandamentos” (Jo 14.15). O amor que Jesus exige é serviçal, sujeição ao seu senhorio. O amor de Deus está expresso em seus mandamentos e os homens, por sua vez, amam a Deus, obedecendo-O. Quando Deus dá um mandamento, há um objetivo: a obediência de um coração puro. "Ora, o fim do mandamento é o amor de um coração puro, de uma boa consciência e de uma fé não fingida" (1Tm 1.5). Ao escrever a Timóteo, o apóstolo Paulo não falou do fim da lei, antes, do objetivo do mandamento de Deus: a obediência. O termo grego τέλος (telos), traduzido por ‘fim’, na verdade significa ‘finalidade’, ‘objetivo’. O mandamento que o apóstolo Paulo destaca, refere-se à doutrina do evangelho (1Tm 1.3). O mandamento de Deus expressa o Seu cuidado e tem por objetivo a obediência do homem e quando a obediência ocorre, o homem estará ao abrigo do cuidado de Deus. O leitor deve estar atento, pois, algumas vezes, os escritores bíblicos fazem referência ao amor de Deus e outras vezes, ao amor do homem. Por exemplo, neste verso da epístola de João, o amor em destaque é o do homem: “No amor não há temor, antes o perfeito amor lança fora o temor; porque o temor tem consigo a pena e o que teme não é perfeito em amor” (1Jo 4.18). O amor que não remete ao medo, não diz do amor de Deus, mas, sim, do amor do homem. O amor como obediência, não tem espaço para o medo, antes a perfeita obediência lança fora o medo. O medo só vem à tona por causa da pena e, qualquer que tem medo, é porque não é um obediente perfeito. Extraído de: http://www.estudobiblico.org/pt/detalhe/ver/o-amor-de-deus-328.]

SUBSÍDIO DIDÁTICO

Professor, inicie o primeiro tópico da lição fazendo a seguinte indagação: "Quais são as três dimensões do amor ágape?" Ouça os alunos e incentive a participação de todos para que aula se torne dinâmica. Em seguida, desenhe no quadro duas linhas: uma vertical e uma horizontal. Depois desenhe um ponto. A seguir explique que o amor divino possui três dimensões: (1) A dimensão vertical (aponte para a linha vertical). Diga que é o amor em direção a Deus. (2) Dimensão horizontal (aponte para a linha horizontal). Fale que é amor em direção ao nosso semelhante. (3) Dimensão interior (mostre o ponto). É o amor em direção a nós mesmos. Diga que se conseguirmos cumprir essas três dimensões, cumprimos toda a lei. Para concluir, peça que um aluno leia Lucas 10.27: "Amarás ao Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento e ao teu próximo como a ti mesmo." Explique que como crentes precisamos viver esses três aspectos.

II. AMAR A DEUS E AO PRÓXIMO

1. O amor a Deus. O amor de Deus por nós é altruísta, abnegado e impar. E a única coisa que Ele nos pede é que também venhamos a amá-lo com todo o nosso coração: [...] "Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração [...]" (Mt 22.37). Como podemos expressar nosso amor a Deus? De diferentes formas: sendo fiéis em nossos dízimos e ofertas, louvores, orações, lendo a Bíblia, etc. Mas a melhor maneira de expressar nosso amor a Deus é abandonar o pecado e procurar ter uma vida santa. Quem ama a Deus não tem prazer na prática do pecado. Quem se encanta com o pecado não ama ao Senhor e nunca o conheceu. Por isso, Jesus afirmou que muitos dirão naquele Dia: "Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? E, em teu nome, não expulsamos demônios? (Mt 7.22). A resposta do Senhor para estes é apenas uma: [...] "Nunca vós conheci [...]" (Mt 7.23). [Comentário: Como podemos expressar nosso amor a Deus? Só existe uma forma: sendo obedientes à Sua Palavra! “Se me amais, guardareis os meus mandamentos” (Jo 14.15). O amor exigido de nós é serviçal, sujeição ao senhorio de Cristo! "E o amor é este: que andemos segundo os seus mandamentos. Este é o mandamento, como já desde o princípio ouvistes, que andeis nEle" (2Jo 1.6); "Porque este é o amor de Deus: que guardemos os seus mandamentos; e os seus mandamentos não são pesados" (1Jo 5.3). Sobre o uso do termo amor, Jesus deixou explicito, de como amar a Deus: “Mas, é para que o mundo saiba, que eu amo o Pai e que faço como o Pai me mandou. Levantai-vos, vamo-nos daqui” (Jo 14.31). Jesus amava a Deus, fazendo, especificamente, o que Ele ordenou e qualquer que diz amar a Deus, tem que fazer, exatamente, o que Jesus fez: obedecer a Deus! Nesse mesmo sentido, qualquer que diz ‘amar’ a Jesus, tem que obedecer aos Seus mandamentos, pois, se não obedecer aos mandamentos de Jesus, significa que não O ama (Jo 14.21 e 23-24). O fato de ser fiel nos dízimos e ofertas, louvores, orações, ler a Bíblia, não serve como instrumento medidor do nosso amor por Deus. São as Escrituras que dizem como sabemos que o amamos: “Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; e aquele que me ama, será amado de meu Pai, e eu o amarei e me manifestarei a ele” (Jo 14.21); “Jesus respondeu e disse-lhe: Se alguém me ama, guardará a minha palavra e meu Pai o amará, viremos para ele e faremos nele morada. Quem não me ama. não guarda as minhas palavras; ora, a palavra que ouvistes não é minha, mas do Pai que me enviou” (Jo 14.23-24). Quanto à afirmativa “O amor de Deus por nós é altruísta, abnegado e impar”, um exemplo claro do amor de Deus, nas Escrituras, encontramos na pessoa de Naamã, o capitão do exército do rei da Síria. Naamã não nutria nenhuma sensibilidade ou afeição pelo Deus de Israel, visto que ele nem mesmo sabia que somente em Israel havia Deus. Ao saber que teria de mergulhar sete vezes no rio Jordão, a reação de Naamã foi de indignação. Do mesmo modo, Deus não fez concessões e nem se sensibilizou com Naamã, por causa da sua enfermidade. Se Deus não se sensibilizou para atender aos milhares de leprosos que haviam em Israel, não seria o caso de se sensibilizar por um único homem estrangeiro (Lc 4:27). O amor de Deus foi demonstrado por intermédio de um mensageiro do profeta, que disse: - “Vai e lava-te sete vezes no Jordão, que a tua carne será curada e ficarás purificado” (2Rs 5:10). Deus não se ocupou com o fato de Naamã ficar indignado e nem com a ideia que ele possuía acerca de Deus e do seu profeta (2Rs 5:11), mas, sim, em que se obedecesse à Sua palavra. Deus não se sensibilizou e nem sentiu qualquer afeto pela viúva de Sarepta, de Sidom, pois, em igual situação, estavam muitas outras viúvas em Israel. Ele atendeu a viúva, por ela se dispor a atender a ordem de Deus: sustentar o profeta de Deus, mesmo não tendo recursos para fazê-lo: “Levanta-te e vai para Sarepta, que é de Sidom, e habita ali; eis que eu ordenei ali a uma mulher viúva que te sustente” (1Rs 17.9). Este último texto foi extraído de:http://www.estudobiblico.org/pt/detalhe/ver/o-amor-de-deus-328]
2. O amor a si mesmo. Amar a si mesmo pode parecer narcisismo, mas não é. Pois se você não se amar e aceitar-se, como poderá amar a Deus? Amar a si mesmo é acima de tudo um mandamento divino:"[...] Amarás o teu próximo como a ti mesmo" (Mt 24.9). Certamente não gostamos das nossas falhas e imperfeições. Não somos perfeitos, mas precisamos colocar diante do Senhor tudo o que somos para que Ele venha nos transformar. [Comentário: O amor a si mesmo é a fonte de todo egoísmo. Então, como entender Mt 24.9? Amar as outras pessoas como amamos a nós mesmos pode ser entendido de diferentes modos, mas de modo algum Jesus está querendo dar a entender que devemos ser egoístas – A Bíblia condena os “egoístas” (2 Tm 3.2). Ela nos exorta a não considerarmos apenas os nossos próprios interesses, mas também o interesse de outros (Fp 2.4). Norman L. Geisler em Manual popular de dúvidas, enigmas e contradições da Bíblia, escreve: “Jesus poderia ter em mente que deveríamos amar os outros tanto quanto amamos a nós mesmos, (isto é, que deveríamos medir o quanto) devemos amar os outros com a mesma medida com que de fato amamos a nós próprios, não significando isso que o modo como nos amamos esteja correto. Antes, Deus pode estar simplesmente apontando para o amor próprio como sendo o padrão pelo qual devemos julgar até que ponto amar os outros. Dessa forma, haverá um monitoramento automático do nosso amor próprio, já que será com essa mesma intensidade que teremos de amar os outros também. Manual popular de dúvidas, enigmas e contradições da Bíblia, Norman L. Geisler – Thomas A. Howe]
3. O amor ao próximo. Para amar o próximo com o amor ágape é preciso amar a Deus primeiramente. O apóstolo João diz que Deus é amor, quem não ama, jamais o conheceu (l1Jo 4.7,8,12,20). Certa vez, um fariseu perguntou a Jesus qual era o grande mandamento da Lei. Então, o Mestre ensinou que amar ao Senhor de todo o coração e ao próximo é um resumo de todos os mandamentos (Mt 22.37-40). É importante ressaltar que amor não é somente sentimento, mas ação. Não basta amar somente de palavras. O amor como fruto do Espírito faz que eu queira para os outros aquilo que desejo para mim. Faz com que eu tenha prazer em doar meu tempo, meus dons e talentos para o bem do próximo. [Comentário: As seguintes declarações de William Barclay, em New Testament Words, págs. 20-23 ao comentar ágape são importantes: “A grande razão por que o pensamento cristão se fixou em ágape é que esta palavra exige o exercício do homem todo. O amor cristão não deve apenas se estender aos nossos mais próximos e mais queridos, nossa parentela, nossos amigos e aqueles que nos amam; o amor cristão deve estender-se à comunidade cristã, ao próximo, ao inimigo, a todo o mundo. Ágape tem a ver com a mente: não é simplesmente uma emoção que surge espontaneamente em nosso coração; é um princípio pelo qual vivemos deliberadamente. Ágape tem a ver supremamente com a vontade. É uma conquista, uma vitória, uma realização. Ninguém jamais amou naturalmente os seus inimigos. Amar os inimigos é uma conquista de todas as nossas inclinações naturais e emoções”. A passagem principal para a interpretação do significado de ágape é Mt 5.43-48. Ali estamos sob a obrigação de amar os nossos inimigos. Por quê? A fim de que sejamos semelhantes a Deus. E qual é a ação típica de Deus que é citada? Deus envia sua chuva sobre os justos e injustos e sobre os maus e os bons, o que equivale a dizer – não importa a que um homem é semelhante, Deus nada procura senão seu mais elevado bem. Quer o homem seja um santo, quer seja um pecador, o único desejo de Deus é o maior bem daquele homem, Ora, isto é o que significa ágape. Ágape é o espírito que diz: ‘Não importa o que qualquer homem faz a mim, eu nunca procurarei o seu mal; eu nunca procurarei vingança; eu sempre procurarei apenas o seu mais elevado bem. O ágape cristão é impossível para qualquer um, exceto para um homem cristão.Extraído de: https://ligadonavideira.wordpress.com/2013/03/04/explicacao-de-textos-dificeis-da-biblia-o-amor-a-maior-das-virtudes/]

SUBSÍDIO TEOLÓGICO

Amor fraternal (philia)
“Como visto em 2 Pedro 1.7, há um segundo tipo de amor, o qual é chamado amor fraternal ou bondade fraterna. Este amor é amizade, um amor humano que é limitado. Amamos se somos amados.
Lucas 6.23 diz: 'Se amardes aos que vos amam, que recompensa tereis? Também os pecadores amam aos que os amam'. A bondade ou amizade fraterna é essencial nas relações humanas, mas é inferior ao amor ágape, porque depende de uma recíproca; quer dizer, somos amigáveis e amorosos com aqueles que são amigáveis e amorosos conosco” (GILBERTO, António. O Fruto do Espírito: A Plenitude de Cristo na vido do crente, 2.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2004, p. 36).
“Todos os que se dedicam a Jesus Cristo pela fé, também devem dedicar mútuo amor uns aos outros, como irmãos em Cristo (1Ts 4.9,10), com afeição sincera, bondosa e terna. Devemos preocupar-nos com o bem-estar, as necessidades e a condição espiritual dos nossos irmãos, sendo solidários e assistindo-os nas suas tristezas e problemas. Devemos referir-nos em honra uns aos outros, devemos estar dispostos a respeitar e honrar as boas qualidades dos outros crentes” (Bíblia de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1995, p. 1723).
III. SOB A TUTELA DO AMOR, REJEITEMOS AS OBRAS DAS TREVAS

1. Debaixo da tutela do amor. O que é uma tutela? A tutela é um "encargo jurídico de vetar por, representar na vida civil e administrar os bens de menor, interdito ou pessoa desaparecida". Logo, ter um tutor significa ter alguém para amparar, defender e proteger. Fora da tutela do amor ágape, amor divino, o crente pode voltar à prática das velhas obras infrutuosas da carne. Sem o amor de Deus, em nós, somos capazes de amar mais as trevas que a luz (Jo 3.19). [Comentário: O verdadeiro cristão se achega à Luz Verdadeira. O texto de Jo 3.19 nos fala das pessoas que andam nas trevas, elas estão nesta situação porque amam as trevas, preferem as trevas que a luz. Elas rejeitam a luz! E por que rejeitam a luz? Porque as suas obras são más; o crente verdadeiro, nascido de novo, só pode desejar andar na luz. É o que vemos nas Escrituras. Paulo termina o capítulo 12 de sua primeira epístola aos coríntios com as seguintes palavras: "E eu vos mostrarei um caminho ainda mais excelente" (1Co 12.31). Nas palavras do apóstolo, o exercício dos dons espirituais é algo excelente, mas existe algo "sobremodo" excelente. No texto de 1 Co 13.1-3, o autor afirma que sem amor nada teria valor. A omissão ao amor anula tudo; nenhuma prática legalista pode substituir seu exercício.]
2. Amor, antídoto contra o pecado. Quem ama não trai o seu cônjuge, não mata, não rouba, não cobiça, não dá falso testemunho, ou seja, não faz nada que possa desagradar ao Pai Celeste. Se quisermos evitar as obras da carne, precisamos nos encher do Espírito Santo e do seu amor (Ef 5.18). O amor nos faz agir de modo cortez e paciente, demonstrando ao mundo que somos discípulos de Cristo (Jo 13.35). [Comentário: O crente se desenvolve e cresce espiritualmente quando se põe atento ao processo de transformação em que o Espírito Santo o colocou. Ele está sendo transformado a fim de alcançar a estatura de varão perfeito, e isto tem tudo a ver com o amor derramado em nossos corações pelo Espírito Santo. No jardim do Éden, o homem pecou, comprometendo a imagem de Deus recebida na criação; porém, quando é salvo e redimido no sangue de Jesus, o Espírito Santo lhe ensina que a bandeira maior do Senhor sobre seus filhos é o amor. Desta forma, ele resgata progressivamente a natureza de Deus outrora perdida. Devemos duvidar de todo crescimento espiritual que não esteja relacionado com o amor. O crescimento é diretamente proporcional ao amor.]
3. O amor leva à obediência. O amor, fruto do Espírito, não é um mero sentimento. Amar envolve ação, atitude (1Jo 3.18). O que torna uma igreja forte não são seus recursos financeiros, seus líderes ou o número de membros, mas o amor revelado em atitudes e palavras. Quem ama tem prazer em ouvir e obedecer a Palavra de Deus: "Se alguém me ama, guardará a minha palavra. [...] Quem não me ama não guarda as minhas palavras" (Jo 14.23,24). Quem ama obedece e vive de modo a agradar o Pai. [Comentário: Em Mt 22.37, Jesus expõe o modo como Deus deve ser amado: "de todo teu coração, de toda tua alma, de todo teu pensamento". A adoração do homem a Deus deve ser com todo o seu ser, com toda sua personalida­de. Claro está que isto não significa a mera prática de algum ritual ou de leis cerimoniais, mas é, antes de tudo, o resultado da devoção pesso­al e da operação de Deus no coração humano. O amor a Deus é um sumário de nossa comunhão e obediência a seus mandamentos (Js 22.5).]

SUBSÍDIO TEOLÓGICO

Romanos 13.10
Pratica-se o amor não somente por mandamentos positivos (Rm 12.9-21; 1Co 13.4,6,7), mas também por negativos. Todos os mandamentos mencionados aqui são negativos na sua forma (v, 9; 1Co 13.4-6).
(1) O amor é positivo, e ao mesmo tempo é negativo, pelo fato da propensão humana para o mal, o egoísmo e a crueldade. Oito dos dez mandamentos da Lei são negativos, porque o mal surge naturalmente e o bem, não. A primeira evidência do amor cristão é apartarmos do pecado e de tudo aquilo que causa dano e tristeza ao próximo.
(2) A ideia de que a ética cristã deve ser novamente positiva é uma falácia baseada nas ideias da presente sociedade, que procura esquivar-se das proibições que refreiam os desejos descontrolados da carne (Gl 5.19-21) (Bíblia de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1995, p. 1723).

CONCLUSÃO

Como nova criatura, você precisa amar e evidenciar esse amor mediante suas atitudes e palavras. Que venhamos rogar ao Pai um coração amoroso, capaz de amar até mesmo aqueles que se declaram nossos inimigos (Mt 5.44). [Comentário: "O amor de Deus está der­ramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado" (Rm 5.5). O amor é a comprovação e o aferidor da espiritualidade; é o solo onde o Espírito Santo produz no crente a condição de verdadeiro filho de Deus. O amor não é somente superior aos dons, mas é o elemento legitimador de seu uso na edificação da igreja. Ele leva ao equilíbrio; é o grande princípio de toda ação; ele supera tudo. O amor pode ser definido como "a mais profunda expressão pessoal possível". Jesus em Mt 22.35-37 definiu o amor como uma atitude que envolve o coração, a mente e a vontade. Ágape não se define como um mero sentimento; mas é o poder de Deus que atua na personalidade inteira do homem transformando e capacitando a amar nas três dimensões acima estudadas. Por fim transcrevo as palavras do Pr Geremias Couto: “Nossa insistência em desenvolver por nós mesmos as virtudes do fruto do Espírito será sempre um fracasso. Essa é a razão pela qual há muitos cristãos frustrados. Tentam e não conseguem. Não custa lembrar mais uma vez que é o Espírito Santo quem as desenvolve em nós. Lembremo-nos que as misericórdias de Deus nos sustentam. Dependamos delas e não dos nossos esforços. Estes nada têm de bom em si mesmos. Que a correnteza do Espírito nos carregue. Extraído do Facebook] “NaquEle que me garante: "Pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus" (Ef 2.8)”.

Francisco Barbosa
Disponível no blog: auxilioebd.blogspot.com.br


sábado, 11 de março de 2017

LIÇÃO 11: VIVENDO DE FORMA MODERADA

SUBSIDIO I

Vivendo de Forma Moderada

Vivemos numa sociedade onde os excessos da vida são estimulados diariamente, como o acesso ao consumo diante das propagandas midiáticas prometendo “céus e terras”. Os shoppings Centers  talvez seja o maior exemplo do reflexo desse espírito consumista. A imagem dos rodízios, onde as pessoas comem muito mais do que seria o adequado para o seu bem estar. Os valores exorbitantes de aparelhos de telefone celular, bolsas importadas e tantos outros itens que não fazem parte da realidade econômica da maioria das pessoas, mas que impõem a ela a necessidade de adquirir sem poder. Esse é o “espírito” do nosso tempo!
O ser humano anda na corda bamba entre o equilíbrio e a falta de moderação. Em Gálatas, a palavra grega que aparece para prostituição é porneia. O termo se refere a todo tipo de imoralidade sexual. Note que as três palavras que aparecem no texto bíblico de Gálatas 5 – prostituição, impureza e lascívia –, embora tenham significados distintos, têm a mesma conotação: imoralidade sexual. Ou seja, a conduta que vai à contramão da vontade de Deus em relação à vida sexual. Aqui, há um grande apelo do apóstolo aos crentes de gálatas para cultivarem uma vida íntima de acordo com a vontade de Deus. Isso demandaria equilíbrio espiritual!
Junto com a glutonaria, podemos destacar também as bebedices. Com glutonaria, o texto bíblico se refere ao ato de comer demasiadamente ao ponto de se tornar em vício. Ao lado das bebedices, a glutonaria está numa posição onde o apóstolo Paulo rechaça o vício na vida dos que seguem a Jesus. Os vícios descritos em Gálatas revelam um estilo de vida hedonista, fruto da cultura pagã dos tempos de Paulo. Cada um vivia conforme seu gosto e sua maneira de ver a vida. O que não é diferente da realidade atual. Por isso, somos instados pelo apóstolo a ter uma vida equilibrada, manifestando a virtude da temperança em toda a nossa maneira de viver.
A palavra “temperança” também é apontada como “domínio próprio” ou “autodomínio”. Conforme 1 Coríntios 9.27, a palavra mostra que a temperança ou o autodomínio é uma virtude do Espírito Santo que nos ajuda a dominar nossos impulsos carnais. É a virtude de conter a si mesmo, conter todos os vícios enumerados pelo apóstolo Paulo: a prostituição, a impureza, a indecência, a glutonaria e as bebedices. Deus nos dar poder para resistir e nunca nos deixarmos dominar por esses vícios.

Revista Ensinador Cristão, Ano 18 - Nº 69 – Jan./ Fev./Mar. 2017

SUBSIDIO II

INTRODUÇÃO

Dando prosseguimento ao estudo das obras da carne e do fruto do Espírito, estudaremos na aula de hoje a prostituição e a glutonaria, opondo a essas a moderação ou o domínio próprio, que é a própria temperança, pois se trata de uma demonstração de equilíbrio espiritual, produzido pelo Espírito Santo. Inicialmente abordaremos essas duas obras da carne, em seguida, mostraremos a necessidade de cultivar o domínio próprio, ou melhor, o domínio que vem de Deus, para não vir a perder o controle espiritual. Ao final, defenderemos que fomos chamados para a santidade, e que essa deve ser buscada integralmente: corpo, alma e espírito (I Ts. 5.23).

1. A PROSTITUIÇÃO E A GLUTONARIA

O vocábulo prostituição, no grego do novo testamento, é porneia e seria melhor traduzido como “imoralidade sexual”. A sexualidade humana é uma dádiva de Deus, e deve ser desfrutada dentro do casamento (Gn. 2.24; Hb. 13.4). O homem caído, por causa da sua natureza pecaminosa, deturpa a sexualidade. Vivemos em uma cultura sexualizada, de modo que tudo gira em torno do sexo. A mídia favoreceu essa explosão, principalmente no que tange à pornografia. A facilidade de acesso a vídeos dessa natureza, e aos sites de relacionamentos, tem contribuído consideravelmente para os casos de fornicação e adultério. Mas essas práticas pecaminosas não são recentes, Paulo teve sérios problemas a esse respeito na igreja de Corinto (I Co. 5.1). O Apóstolo orientou para que os pecados sexuais fossem disciplinados, a fim de que o transgressor se arrependesse, e se voltasse para Deus (I Co. 5.6-8). Ele foi bastante enfático, advertindo aos crentes de Corinto para que fugissem da prostituição (I Co. 6.13). Além da prostituição, os crentes são orientados por Paulo para que não se entreguem à glutonaria. A palavra grega para esse pecado é truphe ou gaster e está relacionada a uma série de práticas. Algumas pessoas estão literalmente “morrendo pela boca”, pois se entregam dissolutamente ao pecado da gula. Não é pecado se alimentar bem, mas é preciso ter cuidado, pois o corpo é templo e morado do Espírito Santo (I Co. 6.19). É preciso ser moderado na escolha dos alimentos, o excesso de sal e açúcar, por exemplo, pode causar danos à saúde, a curto, médio ou longo prazo. A alimentação saudável deve ser equilibrada, priorizando frutas e verduras, e evitando gorduras.

2. CULTIVANDO O DOMÍNIO PRÓPRIO

Os crentes foram salvos para viver de forma moderada, desenvolvendo a virtude da temperança (Gl. 5.21). O termo grego para esse aspecto do fruto do Espírito é engkrateia, que aparece na forma substantivada somente em três passagens: Gl. 5.22, At. 24.25 e II Pe. 1.6. Em todos esses textos fica evidente o sentido de domínio sobre o eu. Como um atleta que disciplina seu corpo, a fim de chegar ao propósito desejado, também os crentes devem fazê-lo, para alcançarem o prêmio espiritual (I Co. 9.24,25). Esse tipo de autocontrole tem relação direta com os pecados sexuais, bem como a moderação no comer e no beber. A vontade de Deus é que o crente tenha uma vida equilibrada, que não se deixar dominar pelos excessos. Isso começa pelo controle da língua, para que não venhamos a tropeçar em palavras (Tg. 3.2). Os impulsos sexuais também devem ser freados, aqueles que são casados devem fugir do adultério, e os solteiros da fornicação. Paulo esclarece aos crentes coríntios que é melhor casar que abrasar-se (I Co. 7.9), os jovens devem fugir das tentações sexuais, e não se entregarem aos desejos da mocidade (II Tm. 2.22). Jesus nos deixou o exemplo de vida moderada, controlada e equilibrada no Espírito, pois sendo tentado em tudo, não pecou (Hb. 4.15). A liderança espiritual deve seguir esse modelo, considerando que o pastor deve ser temperado (I Tm. 3.1,2), santo e equilibrado (Tt. 1.7.8). O domínio próprio é um processo, e se inicia com pequenas atitudes, que serão aprimoradas ao longo da vida cristã. Conforme defende um determinado grupo, é preciso evitar o contato inicial com o pecado, e lutar diariamente contra a tentação, sem nunca desistir.

3. ANDANDO EM SANTIDADE

Para andar em santidade, não há outra saída, senão andar com Cristo, e ser cheio do Espírito (Ef. 5.18). A vontade de Deus é nossa santificação (I Ts. 4.3-8), Ele espera que tenhamos uma vida totalmente consagrada. Essa é uma disciplina cristã, que começa pelo controle da mente (Fp. 4.8). Muitos cristãos permitem que suas mentes vagueiem por lugares perigosos, que acaba por distanciá-los da vida piedosa. O autor da Epístola aos Hebreus destaca que devemos buscar a santificação, sem a qual ninguém poderá ver a Deus (Hb. 12.14). O cristianismo, ao contrário do que defendem alguns críticos, não nega a dimensão física, muito pelo contrário, concebe o valor do corpo. Mas é preciso que esse seja utilizado com responsabilidade, para glória de Deus, e preservação da própria vida. De modo que, conforme adverte Paulo, “cada um de vós saiba possuir o seu vaso em santificação e honra” (I Ts. 4.4). Uma vertente da filosofia helenista negava o corpo, e defendia que esse poderia ser desgastado, pois Deus valorizava apenas a parte espiritual. Essa perspectiva nada tem de bíblica, é contrária ao plano de Deus para o corpo, que tem seu devido valor, inclusive no ato da ressurreição (I Co. 15.22,23). Por desconsiderarem o valor do corpo muitas pessoas estão sofrendo com enfermidades, e tantas outras atraindo problemas sobre elas mesmas, por causa da falta de moderação. A esse respeito adverte Paulo: "os que são segundo a carne inclinam-se para as coisas da carne; mas os que são segundo o Espírito, para as coisas do Espírito". E mais, “a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus, nem, em verdade, o pode ser” (Rm. 8.5.-8).

CONCLUSÃO

A vontade de Deus é que vivamos em santidade, sem nos deixar controlar pelos desequilíbrios carnais. Aqueles que alimentam a natureza pecaminosa, e se entregam dissolutamente aos prazeres pecaminosos, trarão sobre eles mesmo consequências drásticas. A santificação é o plano de Deus para nosso próprio bem, a fim de que venhamos a desfrutar da boa, agradável e perfeita vontade de Deus. As advertências de Deus, para que fujamos do pecado, é com vistas à maturidade espiritual, para que desfrutemos de uma vida saudável, na presença do Senhor.

Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa

Extraído do Blog subsidioebd

COMENTÁRIO E SUBSIDIO III

INTRODUÇÃO

Nesta lição, veremos que o crente deve ser livre de qualquer intemperança. Ele precisa ter o fruto do Espírito Santo, vivendo com equilíbrio, em tudo sendo moderado a fim de que o nome do Senhor seja exaltado mediante suas ações. Estudaremos a temperança como um dos aspectos do fruto do Espírito em oposição à glutonaria e à prostituição. [Comentário: Temos estudado até aqui o contraste entre as obras da carne e o fruto do Espírito defendido que somente aquele que evidencia os aspectos do fruto do Espírito tem a possibilidade de uma vida digna e honrosa diante de Deus e da sociedade. As obras da carne vêm contrapondo a obra do Espírito, que para Paulo é uma só - o amor. Paulo usa muito este expediente, na apresentação de suas ideias. Ele contrapõe conceitos, ideias, jogando uma contra outras, segundo características próprias da literatura de sua época, e no final conclui com seu pensamento. Estas virtudes do fruto do Espírito torna o crente participante do caráter e da natureza de Cristo - importante: se é crente, tem que refletir o caráter de Cristo (o fruto do Espírito). Estas virtudes são demonstradas no relacionamento com Deus (amor, alegria e paz), no relacionamento com as pessoas (longanimidade, benignidade e bondade) e na nossa conduta (fé, mansidão e temperança). Este último aspecto é aquela capacidade dada pelo Espírito Santo para dominarmos nossas ações em qualquer situação, seja no vestir ou no falar, ou no agir. Faremos o contraste entre temperança e a glutonaria/prostituição, aspectos das obras da carne que se são contrarias à temperança. Lemos em 2ª Pedro 1.6 colocando a temperança como uma das virtudes a ser buscada pelo cristão, ao lado do conhecimento, da perseverança e da piedade. (2Pd 1.6). Como os demais aspectos do fruto do Espírito, este também é bastante problemático para nossa geração, focada no hedonismo, acostumada à ideia de que a felicidade decorre do desprezo à ideia de disciplina e autocontrole. O cristão, na contramão, não permite que o pecado tenha a primazia em sua vida (Rm 6.14), já que não estamos mais debaixo da lei, mas sob a graça, que nos deve levar a frutificar, além do domínio próprio, em alegria, amor, benignidade, bondade, fidelidade, longanimidade, mansidão e paz.] Dito isto, vamos pensar maduramente a fé cristã?

I. TEMPERANÇA, O DOMÍNIO DAS INCLINAÇÕES CARNAIS

1. Vivendo de modo sóbrio. Podemos comparar o crente que vive segundo a carne, dominado pela velha natureza, a um vulcão ativo que está sempre prestes a entrar em erupção. O que o vulcão lança de seu interior? Gases venenosos, lava incandescente e fogo. A erupção pode devastar cidades inteiras e fazer milhares de vítimas. Assim é o crente que não tem o fruto do Espírito. Do seu interior, procede somente aquilo que é mau (Lc 6.45). Precisamos ser comedidos em nossas palavras e atitudes, procurando ser cheios do Espírito Santo diariamente (Ef 5.18). Fomos salvos pela graça divina e essa graça nos ensina a rejeitar as obras da carne e a vivermos de modo sóbrio, justo e piedoso (Tt 2.11). No grego, a palavra temperança é enkráteia, que significa autocontrole, disciplina (2 Pe 1.6; Tt 1.8). Este vocábulo é também utilizado por Paulo para tratar a respeito da pureza sexual (1Co 7.9). Já em 1Coríntios 9-25, ele é empregado para destacar a disciplina de um atleta. Paulo desejava que os crentes entendessem que é o Espírito Santo que nos ajuda a ser disciplinados e comedidos. Com a ajuda de Deus, Paulo tinha suas vontades e desejos em sujeição (1Co 9.27). Talvez você pense que as palavras mansidão e temperança sejam sinónimas, porém existe diferença entre elas. Mansidão é saber se controlar em um momento de ira, ou irar-se no momento certo. Já a temperança está relacionada à questão do impulso sexual, glutonaria e às questões da carne. [Comentário: Não podemos esquecer, como tenho repetido em nossos comentários, que a vida cristã é aquela vivida no Espírito Santo. Na verdade, a vida cristã só é possível no Espírito. Fora dEle, nossa vida é como a de qualquer pessoa. Não existe tal coisa como ‘crente carnal’, que não tem o fruto do Espírito, entendemos que uma vez selados pelo Espírito Santo, estamos habilitados a produzir fruto. A afirmativa do subtópico “Assim é o crente que não tem o fruto do Espírito. Do seu interior, procede somente aquilo que é mau (Lc 6.45)” não pode ser verdadeira porque o que é nascido do Espírito é espírito, logo vive de modo equilibrado e não tem prazer nas concupiscências desse mundo (Jo 3.6), logo, não se aplica à um cristão, a menos que aceitemos há crentes nominais. Quando relaciona as qualidades de um cristão, Paulo inclui o domínio próprio (Tito 1.8), junto com hospitalidade, benignidade, sobriedade, justiça e piedade. O apóstolo dava muita importância ao termo egkrateia, uma vez que o usa várias vezes. Em 1 Coríntios 9.25, trata-se da virtude de um atleta em disciplinar seu corpo em busca da vitória; em 1 Coríntios 7.9, trata-se da capacidade do cristão em controlar sua sexualidade. É curioso que, quando comparece perante o procurador romano Antonio Felix, que governou a Judéia de 52 a 60, o acusado apóstolo se defende falando de justiça, de juízo final e de domínio próprio, para irritação do representante de Nero (At 24.25). A expressão "domínio próprio" aparece sob diferentes palavras nas versões bíblicas, tendo então como sinônimos principais autocontrole e temperança. Podemos entender melhor o que é domínio próprio pensando no seu oposto. Quem tem domínio próprio se autodomina. Quem não tem é dominado por algo ou por alguém. Quem tem domínio não permite que sentimentos e desejos o controlem; antes, controla-os, não se permitindo dominar por atitudes, costumes e paixões. Domínio próprio, portanto, é a capacidade que o cristão deve ter de controlar seu corpo e sua mente.]

2. Temperança e qualidade de vida. Temperança significa ter controle sobre seus desejos e atitudes. Quem tem temperança tem qualidade de vida. Deus não proíbe você de comer, beber e ter uma vida de conforto e felicidade. Contudo, Ele deseja que vivamos de modo sóbrio e equilibrado. Uma pessoa que tem domínio próprio sabe se controlar em toda e qualquer situação. Por não terem a temperança como fruto do Espírito, muitos estão vivendo sem pudor, cometendo toda a sorte de excessos, envergonhando o nome de Cristo e a Igreja do Senhor.  Sabemos que o que é nascido da carne é carne, mas o que é nascido do Espírito é espírito, logo vive de modo equilibrado e não tem prazer nas concupiscências desse mundo (Jo 3.6). Precisamos diariamente nos encher rio Espírito Santo para não cumprirmos os desejos da carne (Gl 5.16). As obras da carne são conhecidas, e sua mortificação só é possível quando somos completamente dominados pelo poder do Espírito Santo. [Comentário: Quando fez o homem, Deus deu-lhe o privilégio de dominar sobre todas as coisas: também disse Deus: “Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; tenha ele domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos, sobre toda a terra e sobre todos os répteis que rastejam pela terra” (Gn 1.26). O salmista relembra esta competência humana, ao dizer que Deus deu ao homem domínio sobre todas as obras das suas mãos e dos seus pés (Sl 8.6). Esta competência, no entanto, nem sempre se realiza quando se trata de o homem dominar a si mesmo. Embora possa estar em nós desejar fazer o bem, nem sempre o fazemos. Afinal, como aprendemos também com Paulo, na nossa carne, não habita bem nenhum, pois o querer o bem está em cada um de nós; não, porém, o efetuá-lo, porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço (Rm 7.18-19). Por isso, parecemos, por vezes, em cidades derrubadas, pois que cidade que não tem muros, assim é o homem que não tem domínio próprio (Pv 25:28). Esta percepção não pode é um convite à passividade, mas um desafio a nos conhecermos mais e a nos esforçarmos mais para viver segundo o padrão de Deus, por difícil que seja.http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/licao6discipulado2.htm]

3. A temperança na vida de Cristo. Jesus se fez homem e habitou entre nós (Jo 1.14), mas Ele não pecou e jamais experimentou as obras da carne. Jesus era cheio do Espírito Santo (Lc 4.18), razão pela qual pôde vencer as tentações da carne, do mundo e do Diabo (Hb 4.15). A velha natureza deseja o que é desse mundo: comida, bebida e prazeres pecaminosos. Porém, quando vivemos orientados e guiados pelo Espírito, somos equilibrados e não deixamos que as paixões carnais nos vençam. [Comentário: Há aqui outra afirmativa que não é verdadeira: “[...] razão pela qual pôde vencer as tentações da carne, do mundo e do Diabo (Hb 4.15).”. Alguns usam de linguagem dúbia e deixam uma brecha para a possibilidade de Jesus pecar – quando ele afirma: “razão pela qual pôde vencer as tentações da carne, do mundo e do Diabo”. Isso é um erro crasso. Sem deixar claro o que quer dizer, acaba incorrendo naquilo que o Senhor nos exorta a não fazermos: "Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim; Não, não; porque o que passa disto é de procedência maligna" (Mt 5.37). O ensinamento claro das Escrituras é que Jesus era impecável – Ele não poderia ter pecado. A confusão toda está em não entender que Jesus nunca deixou de ser Deus, mesmo ao assumir a humanidade. E se perguntarmos se "Seria possível Deus pecar?", a resposta será um sonoro "NÃO!". Seria possível Deus mentir? Não! Seria possível Deus roubar, matar, adulterar, cobiçar... NÃO! Se Ele pudesse ter pecado, Ele poderia pecar ainda hoje, pois ainda retém a mesma essência de quando estava aqui na terra. Ele é o Deus-homem – e vai permanecer para sempre assim, possuindo divindade completa e humanidade completa; ambas fazem parte de Seu ser de tal forma que não poderiam ser divididas. Acreditar que Jesus poderia pecar é acreditar que Deus poderia pecar. Paulo escreve em Colossenses 1.19: "porque aprouve a Deus que, nele, residisse toda a plenitude", e em Colossenses 2.9: "porquanto, nele, habita, corporalmente, toda a plenitude da Divindade". Jesus não nasceu com a mesma natureza pecaminosa com a qual nascemos. Mesmo diante das tentações que foram a Ele apresentadas por Satanás, permaneceu sem pecado porque Deus é incapaz de pecar. É contra a Sua natureza (Mt 4.1; Hb 2.18, 4.15; Tg 1.13). Pecado é por definição uma transgressão da Lei. Deus criou a Lei, e a Lei é por natureza o que Deus faria ou não; portanto, pecado é qualquer coisa que Deus não faria por Sua própria natureza. Para concluir esta explicação contrária à afirmativa do comentador da revista, transcrevo o que diz sobre isto Ronald HANKO no artigo “A Natureza Humana Sem Pecado de Cristo”: “Devemos lembrar que não é uma natureza que peca, mas uma pessoa, e Cristo é uma pessoa somente, o Filho de Deus. Como uma pessoa divina, ele não poderia pecar. Dizer que era possível que ele pecasse em sua natureza humana é dizer que Deus poderia pecar, pois pessoalmente, mesmo em nossa natureza humana, ele é o Filho eterno de Deus. Essa, cremos, é uma das verdades ensinadas em 2 Coríntios 5:21, que diz que ele não conheceu pecado, e em Hebreus 7:26, que diz que ele era “santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores”. HANKO, Ronald. A Natureza Humana Sem Pecado de CristoDisponível em http://www.monergismo.com/textos/cristologia/natureza-humana-sem-pecado-cristo_hanko.pdf.. A temperança a que estamos nos referindo aqui não se trata de um auto-controle que nos faz doentes, aquele falso, aquele apenas de aparência, mas aquela resultante de um desejo profundo, gerada em nós pelo Espírito Santo. É Ele quem gera em nós o fruto e é Ele que nos fortalece para exercitarmos todos os aspectos do fruto. Assim, desejamos coisas legítimas e coisas ilegítimas e nem todos os nossos desejos são pecaminosos. Sejam quais forem, no entanto, se eles nos controlarem, passam a ser pecaminosos. A maior desgraça do desejo é quando ele se converte em vício. Nada mais blasfemo do que um cristão viciado. Há cristãos viciados em falar da vida alheia; até reunião de oração se transforma em espaço privilegiado para a fofoca. São cristãos que não refreiam as suas línguas. Há cristãos viciados em guardar dinheiro; eles guardam sempre e de modo tão doentio que nunca usufruem dele. São cristãos que não refreiam sua cobiça. Há cristãos viciados em mentir; dizem a Deus que O estão adorando, mas estão apenas buscando uma bençãozinha; dizem que têm apreço por seu irmão, sendo até capazes de abençoá-los da boca para fora, mas não têm a menor disposição de ajudá-lo a carregar as suas cargas. São cristãos escravos da aparência. Ter domínio próprio é controlar os próprios vícios, não os vícios dos outros, que este já é um outro vício. Extraído dehttp://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/licao6discipulado2.htm..]

SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO

“A palavra grega egkrateia significa 'temperança' ou 'domínio próprio' até sobre paixões sensuais. Inclui, portanto, a castidade. Essa ênfase não aparece nos textos de Romanos 12 e 1Coríntios 12—14. Por outro lado, o contexto anterior oferece um tratamento completo do assunto. Em Efésios 4-17-22, a vida nova é contrastada nitidamente com a antiga. A imoralidade não tem lugar na vida de uma pessoa que procura ser vaso de bênçãos nas mãos de Deus. Se o viver santo não acompanhar os dons, o nome de Cristo é envergonhado. O ministério verdadeiramente eficaz perde seu impacto. Os milagres talvez continuem durante algum tempo, mas Deus não recebe nenhuma glória. Os milagres não garantem a santidade, porém a santidade é vital para o verdadeiro ministério espiritual” (HORTON, Stanley H. Teologia Sistemática: Uma perspectiva pentecostal 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1996, p. 492).

II. PROSTITUIÇÃO E GLUTONARIA, O DESCONTROLE DA NATUREZA HUMANA

1. Fugi da prostituição. O vocábulo prostituição no grego é porneia e significa imoralidade, relações sexuais ilícitas. Como novas criaturas, precisamos abster-nos da prostituição e de todo o tipo de infidelidade conjugal. Vivemos em uma sociedade que aceita e propaga o sexo antibíblico e profano. Não podemos nos conformar com esse mundo e não podemos jamais esquecer de que devemos ser "sal" e "luz" neste mundo (Mt 5.13-16; Rm 12.2). [Comentário: A Bíblia nos diz que a prostituição é imoral. Provérbios 23.27-28 diz: "Pois cova profunda é a prostituta, poço estreito, a alheia. Ela, como salteador, se põe a espreitar e multiplica entre os homens os infiéis." A prostituição não só destrói casamentos, famílias e vidas, mas destrói o espírito e a alma de uma forma que leva à morte física e espiritual. O desejo de Deus é que permaneçamos puros e usemos os nossos corpos como instrumentos para o Seu uso e glória (Rm 6.13). 1º Coríntios 6.13 diz: "O corpo não é para a impureza, mas, para o Senhor, e o Senhor, para o corpo." Porneia é um termo abrangente, e tem a ver com "relação sexual ilícita", "adultério", "fornicação", "homossexualidade", "lesbianismo", "relação sexual com animais", "relação sexual com parentes próximos", etc. Tudo isso sem levar em conta que podemos também praticar a prostituição mental, conforme nos assevera Jesus: "Porque de dentro, do coração dos homens, é que procedem os maus desígnios, a prostituição, os furtos, os homicídios, os adultérios" (Mc 7.21). Pela abrangência do termo, podemos falar do cuidado que devemos tomar, para não sermos envolvidos nela. Ela é característica dos homens ímpios: "Estando cheios de toda a iniquidade, prostituição, malícia, avareza, maldade; cheios de inveja, homicídio, contenda, engano, malignidade" (Rm 1.29); Sua abstenção é a vontade de Deus para nós: "Porque esta é a vontade de Deus, a vossa santificação; que vos abstenhais da prostituição" (1 Ts 4.3); Não devemos nem fazer menção dela em nosso meio: "Mas a prostituição, e toda a impureza ou avareza, nem ainda se nomeie entre vós, como convém a santos" (Ef 5.3); Deve ser mortificada pelos filhos de Deus: "Mortificai, pois, os vossos membros, que estão sobre a terra: a prostituição, a impureza, a afeição desordenada, a vil concupiscência, e a avareza, que é idolatria" (Cl 3.5). Deus julgará aqueles que dela não se abstêm: "Venerado seja entre todos o matrimônio e o leito sem mácula; porém, aos que se dão à prostituição, e aos adúlteros, Deus os julgará" (Hb 13.4).]

2. A disciplina em casos de prostituição. Paulo teve sérios problemas com a imoralidade na igreja em Corinto (1Co 5.1). Um dos crentes estava mantendo relacionamento sexual com sua madrasta. O apóstolo tratou esse caso de imoralidade com seriedade e temor. O pecado precisa de disciplina, pois, caso contrário, haverá a corrupção generalizada (vv. 6-8). O propósito da disciplina não é humilhar ou ferir aquele que pecou, mas preservar a pureza moral na igreja. A Palavra de Deus nos adverte a fugir da prostituição: "Fugi da prostituição [...]" (1Co 6.18). Nosso corpo pertence ao Senhor, pois Ele nos criou (1Co 6.13). Que jamais venhamos a usar nossos membros para a prostituição, mas para manifestar a glória de Deus. [Comentário: O texto que trata da disciplina na igreja é 1 Co 5. O seu contexto: Tendo tratado de problemas mais “filosóficos” de divisão na igreja, nos capítulos 5 e 6 Paulo fala sobre problemas bem mais específicos, dificuldades e desgraças na família de Deus. No final do capítulo 4 Paulo adotou a atitude de um pai espiritual carinhoso, um pai que ama tanto seus filhos que não admite que fiquem sem disciplina e correção (4.14,21). Como Provérbios diz, “O que retém a vara aborrece a seu filho, mas o que o ama, cedo o disciplina” (Pv 13.24). A igreja é uma família. Por isso, 1 Coríntios 5 trata do difícil problema do que fazer com membros da igreja, a família de Deus, que vivem em pecado. Assim como muitas igrejas hoje, a igreja em Corinto havia optado pelo caminho mais fácil. Em nome da graça e da tolerância haviam decidido não fazer absolutamente nada para limpar a igreja do pecado. Talvez pensavam que, pelo fato de que o espírito já era salvo, não importava o que faziam com seus corpos. Talvez achavam que, uma vez que chegaram num patamar de compreensão espiritual da graça, tinham total liberdade para fazer com o corpo o que bem entendiam. Talvez haviam caído no erro do “pré-modernismo”- uma vida sem absolutos, sem padrão, mas de tolerância total do pecado. Mas Paulo, quando ouviu o relatório de pessoas da casa de Cloe (1.13) não se continha. Ele escreveu esses capítulos do livro justamente para corrigir ideias errôneas sobre a igreja, seu testemunho na comunidade, e o lugar de disciplina na família de Deus. Em Corinto, Paulo define o caso específico como sendo de incesto. “possuir a mulher de seu próprio pai”- Parece que alguém da igreja, um suposto irmão, estava dormindo com sua madrasta. Sabemos que foi com a madrasta porque não diz, “com sua própria mãe.” Também parece que ela ainda era casada com o pai dele, pois é chamada “a mulher de seu próprio pai”. Alguns acham que houve divórcio ou morte do pai, mas não sabemos. Mas, conforme lemos no VT, foi um ato de incesto, confusão e desonra ao pai (Dt. 27.20, 22.30, Lv 18.6,8). O que deixa o apóstolo ainda mais indignado é o fato de que, nem entre os gentios pagãos, alguém ousaria fazer tal coisa.  Códigos civis da época proibiam tal besteira.  Mas a igreja em Corinto ficou orgulhosa por esse exemplo de tolerância! (Ler vs. 2). A denúncia de Paulo nos vss. que seguem deixa claro que pecado público, que envolve e denigre o nome de Cristo na igreja local, tem que ser tratado pública e abertamente.  O “cristão” é um “pequeno cristo” na comunidade, intimamente associado com Cristo e com a igreja local. Somos vigiados pela comunidade ao nosso redor, gostando ou não!  Não adianta varrer os problemas debaixo do tapete, como tantas igrejas tentam fazer hoje—ignorar o problema, na esperança de que vá embora.  Quando um pecado afeta o bom nome de Cristo na igreja local, precisa ser tratado aberta e definitivamente. Leia mais sobre isto em:http://www.palavraefamilia.org.br/site1/index.php?option=com_content&view=article&id=153:14-principios-de-disciplina-biblica-na-igreja-1-co-51-13&catid=49:1-corintios&Itemid=111]

3. A glutonaria e seus males. Glutão é aquele que come em excesso e com voracidade. Tal atitude revela falta de equilíbrio espiritual e emocional. Até mesmo na hora de nos alimentarmos precisamos ter parcimônia. Enquanto a prostituição é um pecado com o corpo, a glutonaria é um pecado contra o corpo. Salomão adverte aos que comem em excesso (Pv 23.2). Nosso corpo é templo do Espírito Santo, por isso, precisamos cuidar bem dele, tendo uma alimentação saudável e equilibrada (1Co 6.19). Muitos estão enfrentando sérios problemas de saúde porque não foram equilibrados em sua alimentação. Sabemos que a gordura, o sal e o açúcar em excesso trazem sérios prejuízos para a nossa saúde. Porém, muitos continuam a ingerir tais alimentos, mesmo sabendo que trarão sérios prejuízos à saúde. Muitos maltratam o corpo e depois ficam a clamar a Deus por um milagre. Façamos a nossa parte. [Comentário: Confesso não entendi a afirmativa: “Enquanto a prostituição é um pecado com o corpo, a glutonaria é um pecado contra o corpo”. Ambas são obras da carne e praticadas com o corpo e contra o corpo! Romanos 14.17, exorta dizendo: “O Reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo”. E nos versículos 20 e 21 adverte: “Não destruas por causa da comida a obra de Deus. É verdade que tudo é limpo, mas mal vai para o homem que come com escândalo. Bom é não comer carne, nem beber vinho, nem fazer outras coisas em que teu irmão tropece, ou se escandalize, ou se enfraqueça.” Observe a recomendação do Senhor, comer carne ou qualquer outro alimento não é pecado, mas o hábito de comer em demasia é algo que desagrada a Deus, abomina ao Senhor. O ajuntamento em festas onde predominam a comilança e a bebedeira é algo aborrecedor aos olhos de Deus. Devemos evitar a glutonaria não por causa da saúde, mas por ser ela um pecado! É verdadeiro que muitos enfrentam problemas de saúde em virtude da falta de controle, mas essa não deve ser a motivação para evitarmos a glutonaria.]
SUBSÍDIO TEOLÓGICO

Prostituição
“A Bíblia defende consistente mente a pureza moral e mantém urna posição firme contra a prostituição de qualquer tipo. Várias proibições podem ser encontradas na lei mosaica (Lv 19.29; 21.7,14; Dt 22.21). O livro de Provérbios está repleto de advertências àqueles que desejam procurar prostituías. Os mesmos riscos eram enfrentados pelos crentes do Novo Testamento, pois vários cultos da fertilidade ainda prevaleciam no Império Romano e o aspecto geral da moralidade no primeiro século era bastante baixo. A proibição contra a prostituição era incluída nas proibições gerais sobre os relacionamentos sexuais ilícitos, claramente expressas no Novo Testamento” (Dicionário Bíblico Wycliffe. 1.ed. Rio de Janeiro; CPAD, 2009, p. 1254).
Glutonaria
"Truphe, 'luxo, suntuosidade, afetação, diversão, festança, folia', é encontrado em 2 Pe 2.13 ('deleites', literalmente, 'contando se divertir no o prazer'). Em Lucas 7.25, é usada com  preposição em, 'em', e traduzido por delícias'.
Komos, 'divertimento, folia, pândega, orgia', a concomitância e consequências da bebedeira, é traduzido no plural em Romanos 13.13; Gl 5.21 e 1Pe 4.3 (glutonarias).
Gaster (glutão) denota "barriga. É usado em Tito 1.12, com o adjetivo argos ‘ocioso’, preguiçoso', metaforicamente, para significar glutão; em outro lugar ocorre em Lucas 1.31.

III.  VIVENDO EM SANTIFICAÇÃO E DEIXANDO OS EXCESSOS

1. Agradando a Deus em tudo. Pela graça de Jesus, somos salvos e já experimentamos a regeneração. Como novas criaturas, precisamos viver de modo a agradar ao Senhor. Seja santo na sua maneira de vestir, falar, comer, em seus relacionamentos, etc. Quem ama a Deus, deseja agradá-lo em tudo e tem prazer em cumprir a sua lei. A Bíblia diz que nos últimos dias, por aumentar a iniquidade, o amor de muitos esfriaria (Mt 24.12). É o que temos visto. Falta amor genuíno para com o Pai e, logo, também falta santidade, moderação e bom senso. [Comentário: A través da Bíblia, a única abordagem que agrada a Deus é lhe obedecer no que ele manda. Porém esta questão envolve muito mais do que isso. Deve-se lembrar que ao lidar com a palavra de Deus, estamos lidando com Deus. A coisa que Deus exige é uma reverência para com ele que comove até a obediência, seja esta obediência em relação a uma proibição, ou uma questão de honrar o silêncio de Deus, ou de examinar as Escrituras para ter certeza daquilo que ele quer. Quando Deus repetiu a Isaque as promessas dadas a Abraão, ele disse que cumpriria estas promessas, “Porque Abraão obedeceu à minha palavra e guardou os meus mandados, os meus preceitos, os meus estatutos e as minhas leis” (Gênesis 26:4-5). Quando Saul falhou em cumprir o que Deus lhe havia dito, Samuel disse a ele: “Tem, porventura, o Senhor tanto prazer em holocaustos e sacrifícios quanto em que se obedeça à sua palavra? Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar, e o atender, melhor do que a gordura de carneiros” (1 Samuel 15:22). O coração de um filho amável procura obedecer ao pai. Se amarmos a Deus, vamos querer fazer a sua vontade, independente de como ele expressá-la. Jesus falou daqueles que estavam dispostos a fazer a vontade do Pai (João 7:17). A prova mais verdadeira da devoção a Deus não é simplesmente fazer a sua vontade, mas fazer a sua vontade porque assim desejamos. http://www.estudosdabiblia.net/d156.htm]

2. Santificação. Que venhamos abandonar o pecado e buscar a santificação, pois sem ela não poderemos ver ao Senhor (Hb 12.14). Quando falamos em pecado, em geral, as pessoas pensam logo em adultério, homossexualismo e roubo. Mas pecado significa tudo o que não agrada a Deus. O Senhor deseja que tenhamos uma vida santa, produzindo o fruto do Espírito. Vida santa significa honrar o próprio corpo, evitando os pecados sexuais: "Que cada um de vós saiba possuir o seu vaso em santificação e honra" (1Ts 4.4). É importante ressaltar que "vaso" neste contexto significa o corpo do crente. O sexo entre os cônjuges não é pecado, mas precisamos compreender que nossos corpos são santos. Marido e a esposa precisam respeitar um ao outro e cuidar um do outro. [Comentário: Somos movidos pelos nossos sentimentos. Se, por exemplo, amamos, a Deus, ao próximo ou a nós mesmos, somos levados a querer bem, adorando a Deus, respeitando o outro e gostando de nós mesmos. Se, doutro lado, em nós o ódio é forte, seja a Deus pela figura do pai que representa, seja ao próximo, por ser a fonte de nosso sofrimento (o inferno são os outros, já dizia Sartre), seja a nós mesmos, pela incapacidade ser o que gostaríamos de ser, somos levados ao vale do vazio.
Ter domínio próprio é fazer com que os sentimentos bons sejam fortalecidos e canalizados para que possam ser aperfeiçoados. Assim, o amor deve alcançar o seu objeto. Desde Platão, existe uma modalidade de amor silencioso. Há homens que amam mulheres que jamais retribuirão o seu amor pelo simples fato de não saberem que sem amadas. Há, pois, um amor erótico platônico. Há também um amor fraternal platônico, que é aquele que nunca passa ao campo da ação. Há ainda um amor espiritual platônico. Há gente que só Deus, que sonda os corações, sabe que é amado por ela, porque dos lábios desse tipo de adorador não sai um cântico, não sai uma palavra de gratidão ou de exaltação a Deus. Quando temos domínio sobre o sentimento do amor, fazemos com que ele se torne operativo. Quando ao ódio, bem, simplesmente não devemos odiar e poderíamos encerrar a discussão aqui. No entanto, somos também capazes de odiar; este é um gigante da alma, como o descreveu um antigo psicólogo (Emílio Mira y Lopez). Se o Espírito Santo habita em nosso coração, ele não pode conviver com o ódio. Contudo, sabemos que, embora não o desejando, nós odiamos. Por isto, a recomendação bíblica é que, mesmo nos irando, não devemos pecar e nem permitir que o sol se ponha sobre a nossa raiva. Antes, consultemos nosso travesseiro e sosseguemos (Salmo 4.4). Em outras palavras, o ódio não pode ser um sentimento permanente em nós, para que não nos destrua. O ódio é, portanto, um sentimento a ser controlado ou ele nos dominará e nos levará a fazer o que não queremos. A ambição é um sentimento que também deve ser controlado. Não devemos ser acomodados; antes, devemos querer o máximo para nós. A ambição destrói quando não vê métodos e se baseia na comparação com o que os outros são ou alcançaram. Controle a sua ambição e ela não controlará você. A vaidade é um sentimento que também deve ser controlado. Não devemos nos achar que nada valemos e que os outros são melhores ou fazem as coisas melhores que nós. Nem sempre... A vaidade mata quando nos leva a nos achar onipotentes e oniscientes, acima da média humana. Controle a sua vaidade e ela não controlará. http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/licao6discipulado2.htm.]

3. Deixando os excessos. Viver de maneira que agrade a Deus é difícil, mas é possível. É possível porque não estamos sozinhos. O Espírito Santo, que habita em nós, deseja nos ajudar a abandonar todo excesso e todo o pecado. Ele nos ajuda a ter uma vida equilibrada, sadia e santa. [Comentário: Há certas ocasiões que, antes de perceber o que está fazendo, você perde o controle, e passa ser vítima do seu descontrole, velada ou violentamente. Os resultados são prostituição, impureza, lascívia, que nos sobrevêm quando perdemos o controle sobre a paixão e nos deixamos levar por ela; idolatria e feitiçarias, quando desesperamos diante das circunstâncias e buscamos bênçãos de todo tipo; inimizades, porfias, ciúmes, iras, discórdias, dissensões, facções e invejas, que nos dominam quando damos lugar aos desejos de superação do outro; bebedices e glutonarias, quando nos deixamos escravizar pelo desejo do nosso ventre. (Gálatas 5.19-20)
O fruto do Espírito, no entanto, é o autocontrole.
1. Conheça-se e use o conhecimento a seu respeito a seu próprio favor. Tendemos a não perceber como somos, mas devemos nos esforçar para tal. Se você, no trânsito, é um pé de chumbo, vigie seu comportamento, para que controle o seu ímpeto de sair em disparada. A velocidade não é mais importante que você. Se você se ira com facilidade, evite as situações que a provocam a sua raiva. Desenvolva métodos para que a irritação fique em níveis aceitáveis. Use o que você sabe a seu próprio respeito para se dominar melhor.
2. Aprenda a tomar atitudes diferentes das que toma hoje. Faça com que seus sentimentos e desejos não redundem sempre nos mesmos atos. Você nasceu assim, mas não precisa morrer assim. Abra-se para o diferente. Faça o que nunca fez antes.
3. Valorize a disciplina. Quando Jesus disse que, se o nosso olho nos levar ao escândalo, devemos arrancá-lo, ele estava lembrando que precisamos subjugar o nosso corpo, quando este nos subjuga. Ponha objetivos na vida e se empenhe para alcançá-los. O autocontrole é o resultado da disciplina e do esforço próprio.
4. Deixe-se conduzir pelo Espírito de Deus. O domínio próprio é um esforço de quem vive pelo Espírito. Os homens em geral não pensam em disciplina, mas os cristãos nos esforçamos para viver de modo organizado, coordenado e harmônico. Neste ministério, o Espírito Santo quer nos apoiar, para nos conduzir. Deixe-se dirigir pelo Espírito. O domínio próprio só é possível por meio de Sua ação em nós. http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/licao6discipulado2.htm]

SUBSÍDIO TEOLÓGICO

Embora vivessem numa sociedade onde o pecado sexual era comum e aceitável, os apóstolos não transigiam com a verdade e a santidade de Deus. Não rebaixaram os padrões morais para acomodá-los às ideias e tendências daquela sociedade. Sempre que se deparavam com baixo padrões morais em alguma igreja (Ap 2.14,15,20), repreendiam-na e procuravam corrigi-la. Considerando padrões a baixa moralidade que prevalece em nossos dias, precisamos de dirigentes do tipo dos apóstolos, para conclamar a igreja a obedecer aos padrões divinos de retidão (Bíblia de Estudo Pentecostal, Rio de Janeiro: CPAD, 1995, p. 1847).

CONCLUSÃO

A temperança, como fruto do Espírito Santo, nos ajuda a ter uma vida disciplinada e feliz. Que venhamos ser cheios do Espírito, aprendendo com Ele a disciplina espiritual em todas as áreas de nossa vida. [Comentário: Como foi definido acima, a temperança em nós produzida não é apenas de aparência, mas resulta de um desejo profundo gerado em nós pelo Espírito Santo. Por isto, evite começar a fazer aquilo que o controla. Se você perde o controle da sua língua, quando o assunto é a vida alheia ou quando a conversa descamba para assuntos pouco edificantes, não entre na conversa. Recuse participar desde o princípio. Se já começou, deixando-se dominar por sentimentos, desejos e atitudes, procure parar. O Espírito Santo o ajudará, se houver arrependimento no seu coração. Afinal, a vida cristã é aquela vivida no Espírito Santo. Na verdade, a vida cristã só é possível no Espírito. Fora dEle, nossa vida é como a de qualquer pessoa.] “NaquEle que me garante: "Pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus" (Ef 2.8)”.

Francisco Barbosa
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