sábado, 20 de agosto de 2016

LIÇÃO 8: EVANGELIZAÇÃO DOS GRUPOS RELIGIOSOS






SUBSÍDIO I

A Evangelização dos Grupos Religiosos

Um fenômeno que nos traz espanto é o crescimento exponencial da religião num mundo em que a Ciência e a Tecnologia avançam drasticamente. Ora, o sentimento religioso é um elemento intrínseco ao ser humano e, por isso, não sobreviveu nem sobreviverá à concepção de um homem ideal arreligioso. A natureza religiosa do ser humano é inerente à constituição da própria natureza. Ainda que o seu objeto de contemplação seja de natureza meramente material, mas o sentimento, a necessidade e a consciência da existência de algo maior que o ser humano está no âmago do pensamento do homem moderno.
Neste contexto, a Igreja de Cristo se coloca à disposição da sociedade para levar esperança e respostas às pessoas que peregrinam esta existência por descobrir o sentido da vida. Até ocorrer o encontro com Cristo, é comum ouvirmos de irmão o caminho que trilhou por outras religiões até encontrar a pessoa de Jesus e desfrutar do seu amor e da sua paz. Embora não seja muito comum falarmos, mas a verdade que muitas religiões escravizam e esmagam a consciência e a liberdade da pessoa humana neste aspecto, o cristianismo não está a salvo, pois a história mostra que houve tempos sombrios, onde se perseguiu e matou em nome de Deus.

Portanto, precisamos de alguns cuidados:

1. Tratar a religião do outro com o devido respeito.

Nosso senhor não tratou a mulher samaritana de maneira grosseira, nem deixou de atender o clamor da mulher sírio-finícia. Ambas as mulheres, por certos, adoravam outros deuses e praticavam uma religião que, do ponto de vista das Escrituras, não dignificavam o ser humano. Mas com todo carinho e amor, Cristo Jesus se pôs a falar com essas mulheres de maneira respeitosa e amorosa.

2. Não detratar a religião alheia. 

Não é fazendo “guerra santa” que pessoas crerão no Senhor. É constrangedor quando sabemos de casos de completa falta de sabedoria e bom senso, em que o anunciante da Palavra põe-se a agredir a religião alheia. É importante ressaltar que, da mesma forma que nos sentiríamos ultrajados se alguém entrasse em nosso prédio e quebrasse o púlpito à machadadas, igualmente o mesmo sentimento se passa na mente e no coração do adepto de determinada religião em que vê o seu símbolo sendo maltratado. A atitude de “guerra” e agressividade nada tem haver com o nosso Senhor e o seu método de propagar o Evangelho e o Reino de Deus.

 Fonte: Revista Ensinador Cristão, Ano 17 - nº 67 – julho/agosto/setembro de 2016. 


SUBSÍDIO II

INTRODUÇÃO

Na aula de hoje estudaremos a respeito da evangelização dos grupos religiosos. Essa não é uma tarefa fácil, considerando que cada religião pressupõe deter a verdade divina. Diante dessa realidade, destacaremos, inicialmente, os (des)caminhos da religião, ressaltando que essas, na medida em que tenta aproximar o ser humano de Deus, também dEle se distancia. Em seguida, mostraremos que nem todas as religiões levam a Deus, conforme pressupõe o pluralismo pós-moderno, e que a evangelização dos religiosos é um desafio do qual a igreja não poderá fugir.

1. OS (DES)CAMINHOS DAS RELIGIÕES

A palavra religião vem do verbo latino religare – que aponta para a tentativa de se ligar à divindade. Nesse sentido, toda religião é uma empreitada humana, mais ou menos como aquela da construção da torre de Babel, a fim de encontrar uma alternativa ao caminho de Deus (Gn. 11). O pressuposto da religião é que essa detém o oráculo, isto é, a revelação da divindade. As religiões, com base em seus fundamentos, afirmam que podem conduzir o ser humano à transcendência. Existem posicionamentos distintos no contexto da pós-modernidade em relação ao papel da religião. Os materialistas defendem que essa serve apenas para alienar as pessoas da realidade, sobretudo da opressão daqueles que estão empoderados. Para outros, mais idealistas, a religião tem seu papel na sociedade, há aqueles que a abordam a partir de uma perspectiva pragmática – sua utilidade social, até os mais entusiastas, que argumentam que qualquer religião é um caminho para a transcendência. Uma análise ponderada da religião precisará considerar que nem todas as religiões são iguais. Com base em uma perspectiva antropológica, as religiões são construtos culturais, resultantes das impressões que uma comunidade tem sobre a vida e a morte. Nesse sentido, podemos afirmar que todas elas são diferentes, nenhuma pode ser assumida como se fosse superior a outra. No entanto, mesmo entre os cientistas religiosos, há discordância sobre a função das várias religiões. Há os que defendem que algumas são predominantemente violentas, enquanto outras são mais pacifistas. Mas é preciso avaliar os casos individualmente isso porque há religiões que servem apenas para justificar interesses econômicos. A religiosidade humana, enquanto fenômeno científico, é bastante complexa, e deve ser avaliada com base em critérios definidos, a fim de evitar generalizações indevidas. 

2. NEM TODAS AS RELIGIÕES LEVAM A DEUS

A partir de uma perspectiva bíblica, nem todas as religiões conduzem o ser humano a Deus. Desde a Antiga Aliança se reconheceu que há religiões danosas à sociedade. Entre os deuses estranhos, adorados pelos povos antigos, existiam aqueles que exigiam sacrifícios de crianças, como o deus-moloque (Lv. 18.21; Jr. 32.35). Por esse motivo, os evangélicos defendem que “nem todos os caminhos levam a Roma”, considerando que determinadas religiões levam à promiscuidade sexual (Os. 9.10), bem como a práticas abomináveis perante Deus (Nm. 25). Por isso, devemos assumir que há pessoas que ao invés de adorarem a Deus estão adorando aos ídolos (I Co. 10.20,21). Se existem religiões que são falsas, existe, por assim dizer, uma que é verdadeira, e a esse respeito escreveu Tiago: “A religião pura e imaculada para com Deus e Pai, é esta: Visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações, e guardar-se da corrupção do mundo” (Tg 1.27). O termo grego usado pelo apóstolo é threskeía, e que significa mais do que uma religião, diz respeito à adoração a Deus. Nesse sentido, a verdadeira espiritualidade tem a ver não apenas com um conjunto de dogmas, mas principalmente com uma prática de vida voltada para os outros, sobretudo aos mais pobres. Evidentemente Tiago se refere à religião judaico-cristã, que deveria se fundamentar não apenas na fé teórica, mas é uma fé prática, demonstrada em boas obras (Tg. 2.17). Para esse fim, faz-se necessário destacar que a fé cristã está fundamentada tanto em uma doutrina correta (ortodoxia) quanto em prática correta (ortopraxia). O fundamento da revelação cristã é que todos pecaram, por isso estão destituídos da glória de Deus (Rm. 3.23), que o salário do pecado é a morte (Rm. 6.23), demandando das pessoas arrependimentos dos seus pecados (At. 2.38). É preciso também enfatizar que Deus amou o mundo de uma maneira tal que enviou Seu Filho Unigênito, para que todo aquele que nEle crê não seja condenado, mas tenha vida eterna (Jo. 3.16). Esse é o Caminho providenciado por Deus, o próprio Cristo, que é O Caminho, a Verdade e a Vida (Jo. 14.6). Ao contrário do que se costuma afirmar, Deus não é exclusivista, antes inclusivista, na pois decidiu conduzir os pecadores à salvação, não por meio das obras humanas (Ef. 2.8,9), mas através da fé na graça de Deus.

3. O DESAFIO DE EVANGELIZAR GRUPOS RELIGIOSOS

Esse é justamente o problema da religião, pois nega o plano salvador de Deus, e defende que as pessoas são salvas – ou conduzidas a Deus – por meio dos seus méritos. Se quisermos saber identificar a veracidade ou falsidade de uma religião, devemos fazer a pergunta que o próprio Jesus fez: que dizem os homens ao meu respeito? (Mt. 16.17). Para algumas religiões Jesus não passa de um grande iniciador religioso, uma espécie de profeta enviado, ou mesmo um deus menor. Essa declaração não corresponde à revelação bíblica, que ressalta a divindade de Jesus, por meio do Qual todas as coisas foram criadas (Jo. 1.1-3). Ele é o Salvador do mundo, somente Ele, e não outro, é a Verdade, o Único Mediador entre Deus e os homens (I Tm. 2.5), o Único Nome pelo qual importa que as pessoas sejam salvas (At. 4.12). Existem religiões com muitos intermediários, e que se firmam em divindades mediadoras, que servem como meio de relação entre o homem e Deus. Contudo essas religiões são contrárias à Palavra de Deus, pois pretendem ter outros caminhos para chegar a Deus. Há aqueles que acreditam que o homem pode se aproximar da divindade por causa dos seus esforços, tendo inclusive os que argumento a favor da existência de um estágio de (de)gradação espiritual, dependo das realizações durante a vida. O texto bíblico, no entanto, é enfático ao declarar que depois da morte segue-se a juízo (Hb. 9.27). A religião, por causa dos fardos que impõe às pessoas, acaba servindo de impedimento para que os pecadores se aproximem de Deus (Mt. 23). Por isso, ao evangelizar os religiosos, devemos mostrar a simplicidade do evangelho, destacando o valor da graça maravilhosa que se manifestou em Cristo (Tt. 2.11).

CONCLUSÃO

Os grupos religiosos também precisam ser alcançados pelo evangelho – as boas novas – de Jesus Cristo. Há várias pessoas que estão carregando o fardo pesado da religiosidade, tentando chegar a Deus através dos seus méritos – as más notícias impostas pela religiosidade humana. A esses devemos declarar, com amor, graça e misericórdia, que Jesus os chama para conduzi-los ao Seu rebanho (Jo. 10.14). Aqueles que estão cansados e sobrecarregados – das regras e normas que os afastam de Deus - poderão encontrar descanso no Senhor, pois o jugo de Jesus é suave, e o Seu fardo é leve (Mt. 11.28).

Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Extraído do Blog subsidioebd

COMENTÁRIO E SUBSÍDIO III

INTRODUÇÃO

Evangelizar os religiosos é um dos maiores desafios da Igreja de Cristo no século XXI. Ao contrário do que supunham os racionalistas, o sentimento religioso do ser humano não foi destruído pelo avanço da ciência. Hoje, pessoas de todas as classes sociais continuam a procurar refúgio na religião. Nessa busca, milhões de almas famintas deixam-se enredar por guias inescrupulosos, demônios e falsos deuses. Falar de Cristo aos religiosos também é nossa missão. No Brasil, deparamo-nos com estes grupos altamente desafiadores e prioritários: católicos, espíritas, judeus, muçulmanos, ateus e desviados. Com base na ação evangelística de Cristo, veremos como falar da verdadeira religião aos religiosos. [Comentário: Cristo não veio fundar uma religião, ensinar doutrinas atraentes, deixar um exemplo, reformar a nossa vida; Sua encarnação teve um propósito bem definido: ‘buscar e salvar o que se havia perdido’ (1Tm 1.15; Lc 19.10). Ele mesmo diz que não veio chamar os justos, mas os pecadores (Mt 9.13) e podemos chegar confiadamente a Ele e isso implica dizer que, aquele que não crê está condenado (v.18). É a fé o meio pelo qual o homem recebe a vida eterna. O que crê, tem a vida eterna, agora, e o que não crê “já está julgado”, apesar de muitos pensarem que a condenação é somente futura. O fato é que as Escrituras tem razão quando afirma que ‘Os homens amaram mais as trevas do que a luz’ (v. 19): As trevas na esfera moral e mental, o pecado, a superstição. Os homens não podem aceitar a Jesus sem abandonar tudo isso. E tanto amam o mundo, que não querem abandoná-lo. Como Adão, no Éden, ao tomar conhecimento que estava nu, coseu folhas de figueira para encobrir sua vergonha, a humanidade entenebrecida tem sua religiões nessa tentativa de ‘encobrir’ seu pecado e religar-se com o divino. O que a humanidade precisa saber, é que essa ‘religação’ já aconteceu, pela cruz ensangüentada, e somente por ela, estaremos em paz com Deus! Essa é a boa-nova, esse é o Evangelho. O mundo possui grandes religiões: cristãos, islâmicos, budistas, hinduístas, animistas e outras religiões minoritárias. Nessa lição, há um tópico sobre os Católicos, mas eles não são Cristãos? O catolicismo praticado no Brasil é fortemente influenciado pelo espiritismo, enquanto o animismo de muitos grupos indígenas é influenciado pelo catolicismo e em alguns casos também pelo candomblé. Este fenômeno também acontece com outras religiões. Assim, estes também devem ser evangelizados, e também muitos ditos evangélicos, devem ser alcançados com as boas-novas do Evangelho.] Dito isto, vamos pensar maduramente a fé cristã?

I. OS MITOS DA RELIGIÃO

Genericamente, a religião é definida como um sistema doutrinário e litúrgico, que facilita o acesso do ser humano a Deus. A partir desse conceito, foram criados três mitos que barram o acesso do pecador ao céu.
1. Mito um: todas as religiões são boas. Não podemos afirmar que todas as religiões são boas. Vejamos, por exemplo, o caso de Moloque. Em sua adoração, os amonitas queimavam suas criancinhas (Lv 18.21; Jr 32.35). E, no culto a Baal-Peor, divindade venerada pelos midianitas e moabitas, os desregramentos sexuais não tinham limites (Os 9.10). A prática de tais abominações levaram o Senhor a castigar severamente a Israel (Nm 25). Vê-se, pois, que nem todas as religiões são boas. [Comentário: Moloch ou Moloque na tradição bíblica, é o nome do deus adorado pelos amonitas, uma etnia de Canaã (povos presentes na península arábica e na região do Oriente Médio), e no seu culto, sacrificavam seus recém-nascidos, jogando-os em uma fogueira – desse culto vem a palavra ‘moleque’, a criança oferecida à Moloque, estas eram jogadas em uma cavidade da estátua, onde havia fogo consumindo assim a criança viva. ‘Moleque’ éuma palavra africana proveniente do noroeste da Angola, onde tribos que adoravam Moloque, colocavam o nome de moleque ou moleka, em crianças que estavam destinadas ao dêmonio Moloque.]
2. Mito dois: todas as religiões levam a Deus. Com base nos casos mencionados no tópico anterior, como podemos alegar que todas as religiões levam a Deus? No tempo de Paulo, a civilização greco-latina dava-se ao culto aos demônios (l Co 10.20,21). Hoje, não é diferente. Muitos são os que sacrificam animais e Viveres aos ídolos. E, nos últimos dias, a humanidade adorará a Besta, o Falso Profeta e o Dragão (Ap 13.4). Tais religiões não conduzem o homem a Deus. Muitos, declaradamente, prestam culto a Satanás. [Comentário: A Bíblia não fala de muitos caminhos que levam ao céu, senão só de um. Só um: “E porque estreita é a porta, e apertado o caminho que leva à vida, e poucos há que a encontrem” (Mt 7.14). A Bíblia também fala de outro caminho, mas, este não leva ao céu. Leva a destruição. “Larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela” (Mt 7.13). Então, de qual religião será esse caminho que leva ao céu? Qual denominação pode nos salvar? Nenhuma! Jesus é esse caminho que nos pode levar ao céu. Ele disse: “Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim” (Jo 14.6). O apóstolo Pedro disse a respeito de Jesus: “Debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos (At 4.12).]
3. Mito três: nenhuma religião é Verdadeira. Tiago afirma que a religião pura e imaculada é visitar os órfãos e viúvas em suas necessidades (Tg 1.27). Por conseguinte, não podemos nivelar, por baixo, a religião que nos foi concedida pelo Senhor, por meio de seus santos profetas e apóstolos. Receber a Jesus como Único e Suficiente Salvador não faz da pessoa um religioso, mas sim alguém que foi transformado pela misericórdia divina. [Comentário: não é o fato de pertencer a qualquer religião que garante a chegada ao céu, porque somente uma religião é o caminho ao céu - Jesus. E somente conhecer que ele é o caminho ao céu, tampouco nos leva ali. Temos que tomar esse caminho se quisermos chegar ao céu. Teremos que andar com Jesus. Ele tem que viver e governar nossos corações não somente em palavras, “mas por obra e em verdade” (1Jo 3.18). A Bíblia não fala de diferentes religiões ou denominações das quais temos que escolher ‘a melhor’, a ‘mais certa’ ou a mais ‘bonita’, todas são ‘folhas de figueira’, e como tal, não servem para encobrir a vergonha do pecado. Há na Bíblia não uma religião, mas uma irmandade de crentes que mesmo estando no mundo, não fazem parte do mundo. “Não são do mundo, assim como eu não sou do mundo” (Jo 17.14); congregações compostas de pessoas humildes que seguiam a Jesus, que trabalhavam juntos para espalhar o evangelho do Senhor. Interessante notar que, por se parecerem tanto com aquele que pregavam, os moradores de Antioquia da Síria passaram a chamá-los de “cristãos”. Não basta pertencer a uma Igreja Cristã, tem que se parecer com Cristo!]

SUBSÍDIO APOLOGÉTICO

Há uma crença comum de que todas as religiões basicamente contêm a mesma verdade, embora se apresentem de maneiras distintas. Esse é o conceito de que Deus, mesmo quando chamado por outro nome, é ainda Deus, Deus habita no topo de uma enorme monta­nha, e todas as religiões e sistemas de crenças do mundo são como caminhos distintos que nos levam ao topo. Como todos os caminhos, por fim, levam ao cume, assim todas as religiões também levam a Deus.
Há apenas um problema com esse pensamento: todas as religiões não po­dem ser verdadeiras. Como podemos ter tanta certeza? Porque todas as religiões são diferentes e, em vários pontos, mutuamente exclusivas. Em vez de dizer que todas as religiões são verdadeiras, seria mais razoável acreditar todas são falsas, ou que apenas uma delas é verdadeira, e as outras, falsas.
Neste ponto, você pode estar imagi­nando: Mas será que todas as religiões não contêm uma verdade?' Carreto, Mas isso não significa que toda religião é verdadeira. Como gostamos de dizer: Há verdade em tudo, mas nem tudo é verdade. (RUCE, Bickel; JANTZ, Stan. Guia de Seitas e Religiões: Uma visão panorâmica, 5.ed, Rio de Janeiro: CPÂD, 2012, pp. 11,12).

II. COMO EVANGELIZAR OS RELIGIOSOS

Tendo como exemplo a ação evangelística de Jesus, vejamos como expor o Evangelho aos religiosos.
1. Não discuta religião. Ao receber Nicodemos na calada da noite o Senhor Jesus não perdeu tempo discutindo os erros e desacertos do judaísmo daquele tempo. De forma direta e incisiva, falou àquele príncipe judaico sobre o novo nascimento (Jo 3.3). Sua estratégia foi certeira. Mais tarde, Nicodemos apresenta-se voluntariamente como discípulo do Salvador (Jo 7.50; 19.39). Em vez de contender com os religiosos, fale que Cristo é a única solução para a humanidade caída e carente da glória de Deus. [Comentário: Existe um ditado que diz: “religião, política e futebol, não se discute”. Esses temas tendem a ser objeto de debates acalorados, que podem gerar brigas até entre amigos. Mas será que esse conselho deve ser obedecido no que tange à religião? Qual é a principal mensagem do cristianismo? O Calvário. Quais foram as últimas palavras de Jesus ao ser assunto ao céu? A Grande Comissão. Qual o exemplo de Paulo ao entrar em Atenas? Usou a religiosidade deles para apresentar o Deus desconhecido. Ele não os criticou por sua superstição ou disse-lhes que estavam irremediavelmente condenado ao inferno – e estavam. Tão somente anunciou-lhes as boas-novas. Pedro 3.15, diz: “...estando sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir a razão da esperança que há em vós”; isso não é uma autorização para discutir religião, mas, como cristãos, devemos estar em condições de falar sobre a nossa fé e justificá-la.]
2. Não deprecie religião alguma. Em seu encontro com a mulher samaritana, Jesus não depreciou a religião de Samaria, nem sublimou a de Israel, mas ofereceu-lhe prontamente a água da vida (Jo 4.10). A partir da conversão daquela religiosa, houve um grande avivamento na cidade, repercutindo pentecostalmente em Atos (At 8.5-14). Se depreciarmos a religião alheia, não teremos tempo para falar de Cristo, pois a evangelização exige ações rápidas e efetivas. [Comentário: Em primeiro lugar, devemos ter sempre em mente que nossa luta não é contra carne e sangue, mas contra as potestades que estão por trás das crenças erradas que as pessoas porventura sigam. Se formos mansos como Jesus era manso, se falarmos de Deus sem arrogância, sem querer impor nossas ideias, sem querer convencer as pessoas “custe o que custar”, sem levantar a voz, sem ofender quem quer que seja, estaremos agindo com mansidão e respeito. Quanta falta de mansidão e respeito encontramos em alguns líderes e alguns cristãos hoje em dia. Responder de maneira calma afasta a ira (Pv 15.1), a paciência e a “língua branda” têm forte poder de persuasão (Pv 25.15) e (2Tm 2.24 e 25)]
3. Mostre a verdadeira religião. Sem ofender a religiosidade de seus ouvintes, mostre, em Jesus Cristo, a verdadeira religião. Foi o que Paulo fez em Atenas. Tendo como ponto de partida o altar ao Deus Desconhecido, anunciou-Ihes Cristo como o único caminho que salva o pobre e miserável pecador (At 17.26-34). Se agirmos assim, teremos êxito na evangelização dos católicos, espíritas, judeus, muçulmanos, ateus e desviados. [Comentário: É lógico que aquele altar de Atenas oferecido ao ‘deus desconhecido’ não era o Deus de Israel. Se este não era o Deus verdadeiro, porque Paulo mencionou em Atos 17.23, durante o discurso que ele proferiu no Areópago de Atenas? Em Tiago 1:27 diz que "A religião pura e imaculada para com Deus, o Pai, é esta: Visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações, e guardar-se da corrupção do mundo". Considerando que o contexto todo da epístola de Tiago nos fala do aspecto exterior da religião, isto é, de suas consequências práticas na vida das pessoas, muitas religiões se enquadrariam nesta definição. Mas o que dizer da fonte da religião, daquilo que leva a pessoa agir dessa maneira? Efésios 2.8 diz que “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus”; é Deus que, por meio de Jesus e sua morte e ressurreição, apaga as transgressões do homem, dá a ele uma nova vida e o ressuscita, capacitando-o a morar na esfera celestial. E tudo isso vem pela fé em Jesus, uma fé que nem sequer brota na pessoa convertida, mas que é um dom de Deus – e isto é algo único, nenhuma outra religião tem. Ao mostrar a fé cristã e este diferencial, precisamos olhar para Paulo e sua criatividade ao usar o tema de um dos altares para anunciar Jesus. A primeira reação de Paulo foi oposta a de qualquer outra pessoa da época. A Bíblia nos diz que ele “ficou profundamente indignado ao ver que a cidade estava cheia de ídolos” (At 17.16). Em sua investigação sobre o politeísmo, ele começa a visitar os altares de outros deuses lendo suas inscrições, até chegar a um altar com a seguinte inscrição: “Ao Deus Desconhecido” (At 17.23). O resultado: uns escarneceram, outros ficaram indiferentes; mas outros aceitaram. Dionísio, o areopagita e uma mulher chamada Dâmaris, e outros atenienses, creram. Hoje não é diferente, O Deus desconhecido - Jesus, precisa ser anunciado para muitas pessoas que ainda não lhe conhece, sendo necessário crer nele, para serem libertas e perdoadas.]

SUBSÍDIO APOLOGÉTICO

Professor, procure enfatizar neste tópico que o "cristianismo é mais do que uma religião sobre Jesus. Para sermos mais exatos, diz respeito ao relaciona­mento com Jesus, a quem Deus enviou à terra para salvar a humanidade da morte espiritual Esse é o coração e a alma do cristianismo. É por essa razão que o cristianismo fica separado de qualquer seita, religião ou sistema de crenças no mundo. Um cristão é aquele acredita e aceita as afirmações de Jesus.
Jesus afirma ser Deus em forma humana, Jesus não disse que era como Deus. Ele disse que era Deus (Jo 10.30). As pessoas ao redor de Jesus sabiam exatamente o que Ele queria dizer. Seus inimigos compreenderam essa afirmação e procuravam matá-lo por essa razão (Jo 5.18). Os seguidores de Jesus tam­bém compreenderam essa afirmação e estavam dispostos a morrer por ela. O apóstolo Paulo escreveu: 'Porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade' (Cl 2,9). [BRUCE, Bickel; JANTZ, Stan. Gyia de Seitas e Uma visão panorâmica, S.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2012, p, 33].

III. RELIGIOSOS QUE REPRESENTAM DESAFIOS

Na evangelização dos grupos acima mencionados, temos de adotar a estratégia certa, para que o nosso trabalho não redunde em fracasso. Daremos algumas informações, neste tópico, que poderão ser bastante úteis.
1. Católicos romanos. Embora normalmente cristãos, os católicos acham-se presos à idolatria, ao misticismo, boa parte deles, a um perigoso sincretismo. Por isso, em sua evangelização, não ofenda Maria, nem os santos gerados por eles. Evite apontar a Igreja evangélica como superior à católica. Antes, exponha-lhes Jesus como o caminho, a verdade e a vida (Jo 14.6). Entregue-lhes folhetos com o endereço de sua igreja, para que os convertidos sejam bem discipulados. [Comentário: Interessante a inserção dos católicos aqui, haja visto que são cristãos, herdeiros das tradições mais antigas da cristandade e, normalmente, não são colocados como seita. Não é fácil convencer os católicos de que a idolatria é pecado; eles não se consideram idólatras, inclusive afirmam que suas imagens são apenas objetos de culto ou veneração, e não ídolos. Mesmo lendo em Salmos 135.15-17 “Os ídolos dos gentios são prata e ouro, obra das mãos dos homens. Têm boca, mas não falam; têm olhos, e não vêem, Têm ouvidos, mas não ouvem, nem há respiro algum nas suas bocas”, não lhes abre-se o entendimento. É preciso dizer que idolatria não se restringe à adoração de imagens, mas sim a ocupação com qualquer coisa que acharmos poder nos deixar felizes e realizados, e que muitos membros de igrejas evangélicas cometem esse pecado – são muitas as denominações que pregam apenas saúde e prosperidade e atraem multidões - Saúde e prosperidade são seus ídolos. Evangelizando um católico, entrar em um debate sobre o significado da idolatria é perda de tempo porque o assunto vai ficar no âmbito filosófico, lingüístico etc. Tentar combater cada um de seus erros seria contraproducente, pois são muitos. Transcrevo a seguir, um trecho do artigo ‘Como convencer católicos do pecado da idolatria?’, de autoria de  Mario Persona, disponível no site O QUE RESPONDI: “...Se você quiser que um cão largue o osso, não tente tirar dele. Mostre um filé. Minha mãe (morando no céu desde 2005), católica praticante durante décadas, se converteu e passou a pregar o evangelho para suas amigas católicas. A abordagem dela com suas amigas que adoravam (ou cultuavam como preferem os católicos) uma miríade de "santos" era muito interessante e o diálogo era mais ou menos assim:
"Você conhece a história de Santo Antonio, não é mesmo? De quem Santo Antonio era devoto?"
"De Jesus".
"E Santa Rita?"
"De Jesus".
"São Pedro?"
"Jesus também".
"São Benedito?"
"Devoto de Jesus".
"Então siga o exemplo dos santos" - concluía minha mãe.
At 10:25-26 "E aconteceu que, entrando Pedro, saiu Cornélio a recebê-lo, e, prostrando-se a seus pés o adorou. Mas Pedro o levantou, dizendo: Levanta-te, que eu também sou homem".
Para as adoradoras de Maria a abordagem era a de obediência ao mandamento de Maria: "Façam tudo o que ELE (Jesus) mandar". E se ela podia ir direto àquele que disse "Vinde a mim", por que iria à mãe que era tão necessitada como qualquer um de nós ao ponto de precisar ser amparada e cuidada pelo discípulo João após a morte de seu filho?
João 19:27 "Depois disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. E desde aquela hora o discípulo a recebeu em sua casa" http://www.respondi.com.br/2012/05/como-convencer-catolicos-do-pecado-da.html.]
2. Espíritas. Na evangelização dos espíritas e dos adeptos dos cultos afros, evite toda e qualquer discussão. Mas, com amor e sabedoria, convença-os, pela Bíblia, de que aos homens está or­denado morrerem uma única vez, e que o sacrifício de Jesus Cristo é suficiente para levar-nos ao Pai (Hb 9-27; l Pé 3.18). [Comentário: Um espírita (kardecista) é como qualquer outra pessoa, “pois todos pecaram e carecem da glória de Deus,” Rm 3:23. Talvez, pelo fato histórico de ter alcançado primeiro as camadas mais cultas da população, aqueles que podiam ler seus tratados pseudo-científicos em francês, o kardecismo tenha mantido uma tradição de bastante leitura e um discurso algo ilustrado. Mas isso não deve intimidar quem tenha um testemunho de verdadeira experiência pessoal com Deus. Como qualquer pessoa, o espírita não é um vaso vazio, esperando um evangélico para enchê-lo da verdade. Cada pessoa já tem um conjunto de crenças e valores. Portanto, toda evangelização é apologética, mas nem toda apologia é bíblica. A apologia ensinada nas Escrituras, principalmente por Pedro (1Pe 3:15) não é provocativa e nem contenciosa, antes consiste em estarem sempre “…preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós…”. Tendo o coração inteiramente dominado por Cristo, ouça a pessoa que você quer evangelizar, conheça-a. Quais são suas dúvidas, quais suas ansiedades e angústias? Que perguntas faz, o que deseja saber? Então responda, com mansidão e honestidade. Sabemos que “Responder antes de ouvir é estultícia e vergonha.” Pv 18:13, e até mesmo o povo sabe que “Quem fala o que quer, ouve o que não quer”. Evangelizar depois de ouvir é muito mais eficaz.http://www.evangelizabrasil.com/2010/08/24/sobreespirita/]
3. Judeus e muçulmanos. Embora os judeus sejam o povo da promessa, eles são tão necessitados de Cristo quanto os muçulmanos (Rm 3.23). Por isso, prepare estratégias distintas e adequadas para ganhar tanto os primeiros quanto aos segundos. Na evangelização dos muçulmanos, não ofenda Maomé. Todavia, não deixe de proclamar-lhes a supremacia de Cristo na salvação de todos os que creem (Rm 1.16). [Comentário: Estamos tratando aqui de dois povos extremamente difícil de serem alcançados devido seu apego às tradições religiosas. Não vai ser em duas ou três linhas que vamos chegar a um denominador comum. A evangelização dos muçulmanos sempre foi uma tarefa muito difícil ao longo da história. Com freqüência, ao serem tratados com hostilidade, os missionários simplesmente seguiam adiante na busca de grupos mais receptivos à mensagem de Cristo. Entretanto, Jesus morreu também pelos muçulmanos, e é Seu desejo que eles venham a conhecê-lO (Mt 24.14). Felizmente, nos dias de hoje vemos crescer o interesse pela evangelização dos muçulmanos, são muitos os missionários que não tem por valorosa a sua vida, mas decidiram gastá-la para ver se alcançam alguns muçulmanos para o reino. O Alcorão menciona Jesus 93 vezes. Em geral tem uma atitude positiva para com ele, mas nega fortemente Sua deidade, sua crucificação e sua ressurreição. As passagens que contêm uma visão positiva de Jesus podem ser usadas para gerar interesse em um muçulmano, para que ele conheça mais sobre Jesus. Passamos, a seguir, a estudar as passagens que são tratam favoravelmente acerca de Cristo, e outras que demonstram a visão distorcida que o Alcorão tem sobre ele. Visão Favorável de Jesus: O Alcorão apresenta Jesus como um profeta em linha com outros profetas, como Abraão, Moisés etc (2:137). Ao contrário do ministério dos outros, o de Jesus foi validado por sinais (quer dizer, milagres; 2:253ss).]
4. Ateus. Apesar de os ateus se apresentarem como não religiosos e descrentes da existência de Deus, são tão religiosos quanto os demais homens. Não tente provar-lhes que Deus existe. Mas, com poder e graça, deixe-lhes bem claro que Jesus salva e liberta o mais vil dos pecadores. Contra o ateísmo, somente o Evangelho eficaz da graça divina. [Comentário: Biblicamente falando, não existe tal coisa como um ateu. Salmo 19.1-2 nos diz que os céus declaram a glória de Deus. Vemos o Seu poder criativo em tudo o que Ele fez. Romanos 1.19-20 desenvolve essa ideia, dizendo-nos que o que pode ser conhecido sobre Deus foi revelado a nós através da criação e quem nega isso está detendo "a verdade pela injustiça" (v. 18). Salmo 14.1 e 53.1 declaram que aqueles que negam a existência de Deus são tolos. Assim, o ateu ou está mentindo, ou é um tolo, ou ambos. Então, o que é que faz que alguém negue a Deus? O principal objetivo daqueles que estão sob a influência da natureza do pecado é fazer de si mesmo um deus e ter controle completo sobre a sua vida, ou assim pensam. Em seguida, aparece a religião com tantas obrigações, julgamentos e restrições, enquanto os ateus presumem definir a moralidade e o significado de sua própria vida. Eles não querem se submeter a Deus porque seus corações estão em "inimizade contra Deus", e não têm qualquer desejo de serem sujeitos à Sua lei. Na verdade, são incapazes de fazer isso porque o seu pecado os cegou para a verdade (Romanos 8:6-7). É por isso que os ateus passam a maior parte do seu tempo reclamando e discutindo não sobre as provas escriturísticas, mas sobre a lista de "faça ou não faça." Sua rebeldia natural detesta os mandamentos de Deus. Simplesmente odeiam a ideia de que qualquer coisa - ou qualquer Um - deva ter controle sobre eles. O que não percebem é que o próprio Satanás os controla, cegando-os e preparando as suas almas para o inferno. Em termos de evangelizar os ateus, não devemos conter o evangelho de alguém só porque afirma ser um ateu. Não se esqueça de que um ateu é tão perdido quanto um muçulmano, hindu ou budista. Deus certamente quer que propaguemos o evangelho (Mateus 28:19) e defendamos as verdades de Sua Palavra (Romanos 1:16). Por outro lado, não somos obrigados a perder nosso tempo tentando convencer o relutante. Na verdade, somos advertidos a não gastar esforço excessivo sobre aqueles que são claramente desinteressados em quaisquer discussões honestas (Mateus 7:6). Jesus disse aos apóstolos para irem pregar a Palavra, mas Ele não esperava que eles permanecessem em qualquer lugar até que a última pessoa tivesse se convertido (Mateus 10:14).http://www.gotquestions.org/Portugues/cristaos-evangelizar-ateus.html]
5. Os desviados do Evangelho. Não nos esqueçamos dos que estão afastados do Evangelho. Se Cristo se deu por eles, empenhemo-nos, nós também, em sua recuperação plena (Mt 18.11; Lc 15.4). Falar de Cristo aos religiosos não é tarefa simples, mas necessária e urgente. Por essa razão, prepare-se adequadamente, visando alcançar os grupos mencionados e, também, outros, dentro e fora do país. Ninguém pode ser esquecido em nossas ações missionárias e evangelísticas. [Comentário: “O desviado de coração dos seus próprios caminhos se farta, como do seu próprio proceder, o homem de bem”. (Pv 14.14). Um cristão desviado é aquele cuja comunhão com Cristo está definhando e cuja fé está se enfraquecendo. A cura para um estado de desvio não é “deixar nas mãos de Deus”, tampouco se encontra em nossa própria atitude de nos “rededicarmos” a Deus. A cura para a nossa condição é o próprio Senhor Jesus. Ele é o Bom Pastor que restaura a alma. Ele busca e resgata aquele que deixou o rebanho. "Meus irmãos, se algum entre vós se desviar da verdade, e alguém o converter, sabei que aquele que converte o pecador do seu caminho errado, salvará da morte a alma dele, e cobrirá multidão de pecados" (Tg 5.19-20). Não é somente os pecadores perdidos que precisam ser alcançados pela graça salvadora de Deus, mas também aqueles que se desviam da verdade, esses precisam ser restaurados. Observem cuidadosamente que esta palavra é dirigida aos cristãos. Alguém "entre" os crentes, os "irmãos", pode se desviar da verdade.]

SUBSÍDIO APOLOGÉTICO

 Professor, o islamismo representa um desafio para a Igreja do Senhor. esta é uma das religiões que mais crescem no mundo. no Brasil temos um grupo grande de mulçumanos. estes, fora de seus países, ficam mais susceptíveis a ouvir as Boas-Novas. Utilize o quadro abaixo para mostrar aos alunos as principais crenças desse grupo.

CONCLUSÃO

Falar de Cristo aos religiosos não é tarefa simples, mas necessária e urgente. Por essa razão, prepare-se adequadamente, visando alcançar os grupos mencionados e, também, outros, dentro e fora do país. Ninguém pode ser esquecido em nossas ações missionária e evangelística. [Comentário: Quando evangelizamos, estamos alcançando grupos religiosos, dependendo da região do país, encontramos pessoas muito apegadas às tradições religiosas herdadas, e isso é uma barreira que dificulta muito a ação evangelizadora. Mas basta lembrarmos que foi bem mais difícil para os pioneiros e primeiros crentes... hoje, estamos vivendo dias mais fáceis e receptivos, no entanto, a barreira religiosa ainda permanece. Lembremos que nesse negócio, a parte mais difícil ficou com o Espírito Santo, é Ele que convence o homem do pecado, da justiça e do juízo (Jo 16.8)! Assim, a parte que nos cabe é a do testemunho, como atalaias, anunciando as boas-novas (Ez 3.17,18)!] “NaquEle que me garante: "Pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus" (Ef 2.8)”.



Francisco Barbosa

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

LIÇÃO 7: O EVANGELHO NO MUNDO ACADÊMICO E POLÍTICO


SUBSÍDIO I

Entrar na universidade é uma tarefa complexa e requer muita força de vontade e esforço. Na perspectiva cristã, ela se torna mais complexa ainda, pois sob o ponto de vista do pensamento, as universidades são hostis aos alunos oriundos da tradição cristã. Essa hostilidade é sentida principalmente nos cursos das áreas de humanas. Somando ao fato de que a maioria dos nossos jovens não está preparada evangelicamente para defender sua fé; muitas vezes o desespero toma conta do jovem cristão. Ora, além da pressão do processo de vestibular, mais o ataque gratuito por parte de professores universitários, os jovens cristãos sentem-se isolados e não fazem uso do seu direito constitucional de manifestar a sua fé de maneira inteligente e coerente. Essa regra vale tanto para os jovens quanto para os adultos cristãos que ingressam mais tarde numa universidade.

Uma proposta?

Para falarmos sobre evangelização em universidade, ou do mundo político, primeiramente, deve haver um estágio intenso de treinamento das mentes de nossos irmãos, como num treinamento de um candidato às missões transculturais, pois ele tem de se preparar muito para exercê-las, dominando a cultura e a língua, em primeiro lugar; e as particularidades dos países em que se deseja evangelizar. No caso do evangelismo universitário não é diferente.
O primeiro estágio passa pelo contato da historicidade da fé cristã. Nossos irmãos precisam ter o contato com a história a fim de conhecer a herança histórica e filosófica da própria fé, bem como ter contatos com obras dos primeiros pais da Igreja, o pensamento de Agostinho, Tomas de Aquino, Martinho Lutero, João Calvino, João Armínio, John Wesley etc. Em outro momento, servir aos nossos irmãos de bons filósofos e apologistas cristãos mais contemporâneos de grande envergadura intelectual: Chesterton, C.S. Lewis, Alister Mcgrath, Willian Lane Craig, Alvin Platinga e outros. Para introduzir nossos irmãos ao diálogo das principais cosmovisões de pensamento no mundo, a CPAD tem uma série de obras disponíveis para esse objetivo: “Sua Igreja está preparada?”; “Panorama do Pensamento Cristão”; “E Agora como Viveremos”; “Verdade Absoluta”.
Não há outra instituição especializada e capacitada, senão a Escola Dominical, para desenvolver com seriedade e qualidade esse urgente trabalho. Preparar nossos irmãos para este trabalho é fundamental para a evangelização universitária e a consequente sobrevivência nas comunidades acadêmicas atuais.

 Fonte: Revista Ensinador Cristão, Ano 17 - nº 67 – julho/agosto/setembro de 2016. 


SUBSÍDIO II

INTRODUÇÃO

Na aula de hoje estudaremos a respeito de mais dois grupos desafiadores para a evangelização: os acadêmicos e os políticos. A partir do exemplo de Daniel, faremos incursões bíblicas a respeito dessa tarefa. Inicialmente, destacaremos como esse profeta orientou-se a partir dos padrões divinos, a fim de dar testemunho do Deus de Israel em terra estranha. Em seguida, enfocaremos mais propriamente a evangelização nesses dois contextos, ressaltando a importância da preparação espiritual, bem como apologética.

1. DANIEL, NA ACADEMIA E NA POLÍTICA

Daniel, que em hebraico quer dizer “juiz de Deus”, tornou-se um arauto entre os não-judeus, entre os quais viveu. Seu testemunho foi contundente, e serve de exemplo para todos aqueles que desejam evangelizar com sabedoria, sobretudo em ambientes de ceticismo e corrupção, como o acadêmico e o político. Quando foi levado ao cativeiro babilônico, Daniel revelou seu compromisso com a fé que professava, e não fez concessões, diante das propostas indecentes que recebeu (Dn. 1.4). A vida de Daniel é uma prova que não precisamos ser aculturados para influenciar aqueles que estão em nosso convívio estudantil ou profissional (Dn. 1.8). Daniel viveu a partir de uma disciplina que decidiu seguir, a fim de não se coadunar aos valores comumente aceitos pela cultura babilônica. Entre os jovens estudantes, revelou-se um servo de Deus, um homem de oração, e temor a Sua palavra. Ao mesmo tempo, não fez uso desse procedimento para agir com mediocridade, deixando de investir em seus estudos (Dn. 1.20,21). Há alunos e alunas que, sob a justificativa da confiança em Deus, não se dedicam suficientemente aos estudos. Esses têm responsabilidade ainda maior nas academias, mostrando desempenha satisfatório em relação aos seus colegas. No campo da política, Daniel também deixou seu legado para aqueles que desejam atuar na vida pública. Em meio à corrupção que grassava na Babilônia, fez um pacto com Deus, para não se deixar coagir, ou se cooptar, contrariando a vontade de Deus. O profeta do Senhor sabia que estava na política com uma missão, e que deveria cumprir seu papel com lisura, sem se contaminar com as iguarias do rei. E mais que isso, assumiu um papel profético, denunciando os desmandos daqueles que se gloriavam da posição, para satisfazer apenas seus desejos.

2. A EVANGELIZAÇÃO AOS ACADÊMICOS

A evangelização no contexto acadêmico é bastante desafiadora, considerando que as universidades estão marcadas pelo materialismo e relativismo. A evangelização dos universitários precisa ser bem direcionada, é importante que seja realizada por estudantes capacitados. Para isso, faz-se necessário a criação de grupos de evangelismo, e que esses estejam preparados para mostrar a razão da nossa esperança (I Pe. 3.15). A preparação apologética é fundamental para esse tipo de evangelização. Existem situações nas quais os evangelizados querem provas da existência de Deus, bem como os fundamentos éticos da fé cristã. Um trabalho dessa natureza deve ser realizado não apenas com a razão, devemos lembrar que o conhecimento sem amor de nada vale (I Co. 8.1). Lembremos também que a evangelização no contexto acadêmico é bastante complexa, pois depende da formação dos grupos a serem evangelizados. Os estudantes das ciências exatas exigem uma demonstração mais lógica dos fundamentos da fé. Os das ciências sócias e humanas ficam mais entusiasmados ao constatarem a supremacia do amor divino, e a própria encarnação divina a fim de dar dignidade aos seres humanos. Aqueles mais efeitos à filosofia podem ser tocados pela mensagem de sabedoria de Deus, através de Jesus Cristo, testemunhada por vários pensadores. Os que gostam de linguística e literatura podem se deslumbrar com os textos escritos por mestres da prosa e poesia, e se envolverem com afinco à análise textual com base nas línguas originais. É importante que se aprenda a dialogar com as pessoas, e o mais importante, saber fazê-lo com moderação, sobretudo prudência, os acadêmicos não toleram evangelizadores arrogantes, muito menos aqueles que querem convencê-los, sem mostrar fundamentos razoáveis. É importante que as igrejas locais também oportunizem eventos que integrem acadêmicos à igreja, esse tipo de atividade fortalecerá também servirá para fortalecer a fé dos jovens crentes, algumas vezes abalados pela contestação acadêmica.

3. A EVANGELIZAÇÃO AOS POLÍTICOS

A evangelização dos políticos também não é tarefa fácil, principalmente quando a corrupção se tornou endêmica, e naturalizou-se na esfera pública. Uma pergunta crucial pode ser feita: quem deve evangelizar os políticos, a igreja como um todo, ou os políticos evangélicos? A resposta mais apropriada seria: ambos. Defendemos, no entanto, que a primeira terá maior independência para fazê-lo. A igreja precisa se aproximar dos políticos, não apenas para tirar proveito eleitoral, como infelizmente costuma acontecer, mas para que esses se tornem cientes da sua responsabilidade na polis. Todas as pessoas podem adentrar ao mundo da política, mas nem todas estão preparadas para nele atuar. A política, para algumas pessoas, se tornou um meio de enriquecimento ilícito, e de tirar proveito dos recursos, que deveriam ser investidos, prioritariamente, em educação, saúde e segurança. Por isso a evangelização dos políticos deve ter também um caráter profético, denunciando os desmandos daqueles que se apropriem indevidamente do que é público, como se privado o fosse. Quando Jesus evangelizou Zaqueu, esse não apenas reconheceu seu pecado, e se voltou para Deus, mas também mudou sua prática de vida, passando a agir com honestidade (Lc. 19.1-10). Os políticos evangélicos devem dar exemplo, não podem se inserir na vida pública por motivos errados. Há um equívoco entre esses, o de acharem que são responsáveis apenas pelos interesses cristãos. O político cristão está a serviço do povo, e deve agir de modo a proporcionar o bem-estar social. A evangelização dos políticos não pode ter como alvo primordial o benefício para a igreja, mas a concretização de políticas que favorecem a cidade, para que essa se torne um ambiente mais agradável para se viver.

CONCLUSÃO

A igreja tem o desafio de evangelizar os estudantes das academias, bem como os professores. Para tanto, precisa saber dialogar, com moderação e humildade, sem fazer concessões com a verdade evangélica. Isso também deve acontecer no campo da política, mostrando aos representantes públicos que esses têm uma missão a cumprir, e que essa deve ser desempenhada com responsabilidade. A vida do profeta Daniel inspira a todos aqueles que estão em contextos acadêmicos e políticos, a fim de que procedam como luz do mundo e sal da terra, para a glória de Deus (Mt. 5.13).

Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Extraído do Blog subsidioebd

COMENTÁRIO E SUBSÍDIO III

INTRODUÇÃO

A evangelização nas universidades também deve ser uma prioridade máxima da igreja, pois do universo acadêmico saem os cientistas, educadores, formadores de opinião e boa parte dos governantes e legisladores. Cabe-nos, pois, preparar adequadamente nossos irmãos em Cristo, a fim de que, no campus, atuem como reais testemunhas de Jesus Cristo. Somente desta maneira viremos a ter um país mais justo e comprometido com a Ética Cristã.
Nesta lição, veremos o exemplo de Daniel e seus três companheiros. Exilados em Babilônia, destacaram-se como acadêmicos, servidores públicos e políticos. Eles mostraram, em atos e palavras, a supremacia do Deus de Israel.
A vida desses hebreus serve de exemplo aos acadêmicos e políticos cristãos, que lutam por levar o Evangelho às mais altas esferas do conhecimento e do poder. [Comentário: Dados do Ministério da Educação e Cultura (MEC) mostram que no Brasil há quase seis milhões de estudantes universitários. O ‘mundo acadêmico’ pode ser muito chocante para alguém que vive em um ambiente separado como a igreja, mas esse ambiente é na verdade um extrato social com a diferença de ser mais refinado intelectualmente, assim, a evangelização universitária se torna um braço da igreja dentro dos campus, onde estudam e convivem os jovens da igreja, onde se deparam com toda sorte de filosofia anticristã, além de outras mazelas que também estão presentes na vida secular comum. Nisto é imprescindível que o jovem crente tenha uma boa e sólida formação cristã, caso contrário, poderá ser tragado pelas fortes ondas da sedução. Nesse aspécto, os quatro jovens escolhidos de todas as tribos de Judá, exilados na Babilônia - Daniel, Hananias, Misael e Azarias, são um excelente exemplo de como deve-se portar os jovens crentes no ambiente acadêmico. Daniel passou por várias provações e permaneceu em posições importantes até o fim do império babilônico, que caiu perante os medo-persas em 539 a.C. Daniel, então velho, ainda serviu por alguns anos no governo do novo império. Foi neste período que ele se mostrou fiel na sua provação mais conhecida, sobrevivendo uma noite na cova dos leões. Devido à sua fidelidade e determinação de fazer a vontade de Deus, Daniel foi chamado de “homem muito amado” e foi usado pelo Senhor para revelar aos seus servos algumas das mensagens mais importantes do Antigo Testamento. Agora, vamos observar a determinação deste servo de Deus.] Dito isto, vamos pensar maduramente a fé cristã?

I. DANIEL NA UNIVERSIDADE DA BABILÔNIA

Em Babilônia, Daniel e seus três companheiros foram reeducados na língua e na cultura dos caldeus (Dn 1.4). Eles, porém, jamais renunciaram o seu temor a Deus, que é o princípio de toda a sabedoria (Pv 1.7).
1. Uma vida testemunhal. Antes mesmo de serem matriculados na universidade babilônica, eles resolveram firmemente, em seu coração, não se contaminar com a cultura caldaica (Dn 1.8). O seu objetivo não era destruí-la, mas transformá-la através de uma postura santa e testemunhal. Mais adiante, eles vieram a influenciar até mesmo a classe política do império.
Os crentes devem ser orientados para que testemunhem de Cristo também no campus universitário. Em primeiro lugar, o universitário crente evangeliza através de um testemunho santo e irrepreensível que, por si mesmo, é uma mensagem. E, também, por meio de uma abordagem sábia e oportuna, que mostre a razão de nossa esperança (1Pe 3.15). Nenhum universitário cristão deve sacrificar o Evangelho no altar da pós-modernidade. Antes, que seja oportuno na proclamação de Cristo. [Comentário: Jovens longe de casa enfrentam tentações. Se cruzar a linha e violar alguns princípios ensinados pelos pais, quem vai saber? Imagine, então, jovens levados de uma maneira violenta para uma terra estranha. Eles nem sabiam se os pais ainda estavam vivos. Poderiam até duvidar o poder do Deus que serviam, pois ele não protegeu seu povo dos ataques da Babilônia. E agora o imperador mandou que eles fossem preparados para servir no governo dele. Seria grande coisa se submeter às ordens deste rei poderoso? Daniel percebeu que alguma coisa dos alimentos e bebidas fornecidos pelo rei traria contaminação. É provável que alguns destes alimentos fossem proibidos para os judeus na lei dada no monte Sinai 800 anos antes. Como este jovem reagiu? Poderia ter oferecido desculpas, dizendo que ele não tinha controle da situação e teria que ceder às ordens do rei. Daniel não tinha controle da situação, nem do rei, nem do homem encarregado da responsabilidade de supervisionar os jovens em treinamento. Mas ele tinha controle de si, e tomou a sua própria decisão. “Resolveu Daniel, firmemente, não contaminar-se com as finas iguarias do rei, nem com o vinho que ele bebia; então, pediu ao chefe dos eunucos que lhe permitisse não contaminar-se” (v. 1.8). Deus abençoou esta decisão de Daniel, e o chefe permitiu que ele e os seus companheiros fizessem uma experiência, comendo comidas mais simples durante dez dias. Deus estava com eles, e o chefe viu que progrediram mais do que os jovens que comiam os alimentos do rei. http://www.estudosdabiblia.net/d174.htm. Certamente Deus honrará qualquer decisão como esta que venha glorificar Seu santo Nome.]
2. Uma carreira acadêmica testemunhal. Incentivemos nossos irmãos(as) a que sobressaiam pela excelência acadêmica. Se apresentarem rendimentos medíocres, como poderão demonstrar que o amor a Cristo conduz à verdadeira sabedoria? Vejamos o exemplo de Daniel e seus companheiros. Eles formaram-se com louvor máximo: “E em toda matéria de sabedoria e de inteligência, sobre que o rei lhes fez perguntas, os achou dez vezes mais doutos do que todos os magos ou astrólogos que havia em todo o seu reino” (Dn 1.20).
A mediocridade acadêmica depõe contra o Evangelho. O crente que ama a Cristo adora-o também com as suas notas, graduações, mestrados e doutorados. [Comentário: O ambiente acadêmico, secularizado e muitas vezes abertamente incrédulo da universidade, o jovem crente fica exposto a idéias e teorias que se chocam frontalmente com a sua fé; Os professores, os livros, as aulas e as conversas com os colegas têm mostrado outras perspectivas sobre vários assuntos, as quais parecem racionais, científicas, evoluídas; não demora muito e alguns valores e crenças parecem agora menos convincentes e, naturalmente, o cristão se sentirá pouco à vontade para expressá-los. Vejamos o exemplo de Daniel, que enfrentou esta mesma situação no ambiente Babilônico: as forças ocultas não eram compatíveis com o Espírito de Deus. Crentes que andam segundo o Espírito descobrirão, assim como os hebreus descobriram, que, em toda matéria de sabedoria e de inteligência, eles são dez vezes mais doutos do que aqueles que buscam à parte de Deus.]
3. Uma carreira testemunhal. Daniel e seus três companheiros foram inseridos, imediatamente, na elite cultural e científica de Babilônia. E, nessa posição, Daniel ficaria por mais de 70 anos (Dn 1.21). Jesus precisa de testemunhas em todas as áreas do saber humano. Ele também morreu pelos cientistas, médicos, advogados, sociólogos e educadores. Se prepararmos devidamente os crentes, levaremos Cristo à elite cultural de nossa nação e do mundo. Por conseguinte, treinemos os crentes para que formem, no campus, grupos de oração, estudo bíblico e evangelismo. Desses núcleos, Deus haverá de suscitar testemunhas irresistíveis de sua Palavra. O Evangelho de Cristo não pode ausentar-se das áreas cultas. [Comentário: A formação de Daniel nas escolas dos sábios, na Babilônia (Dn 1.4) foi para caber-lhe para prestação de serviço para o império. Ele foi distinguido durante este período de sua piedade e observância daquilo que a Lei Mosaica requeria (1.8-16), e conquistou a estima e a confiança dos que estavam com ele. No fim dos seus três anos de formação e disciplina na escola real, Daniel foi distinguido pela sua proficiência na "sabedoria", e foi trazido para a vida pública. Por 70 anos ele influenciou o reino. O ambiente universitário é constituído de pessoas imperfeitas e limitadas, que lidam com seus próprios conflitos, dúvidas e contradições, e que muitas dessas pessoas foram condicionadas por sua formação familiar ou educacional a sentirem uma forte aversão pela fé religiosa. Tais indivíduos, sejam eles professores ou alunos, precisam não do nosso assentimento às suas posições anti-religiosas, mas do nosso testemunho coerente, para que também possam crer no Deus revelado em Cristo e encontrem o significado maior de suas vidas. Como Daniel, podemos influenciar o meio acadêmico e para isso mesmo, Deus tem colocado os seus no Campus!]

SUBSÍDIO TEOLÓGICO

“Arqueólogos revelam que os quatro jovens devem ter estudado por exemplo: língua caldeia, textos cuneiformes em caldeu e acádio, uma vasta gama de resumos sobre religião, magia, astrologia e ciências, além de falarem e escreverem em aramaico. Aproveite para mostrar aos alunos que quando o nosso compromisso com Deus é forte, isso não significa necessariamente que seremos corrompidos por uma educação pagã, numa sociedade pagã” (RICHARDS, Lawrence O. Guia do Leitor da Bíblia: Uma análise de Gênesis a Apocalipse capítulo por capítulo. 10ª Edição. RJ: CPAD, 2012, p.513).

II. DEUS NA ACADEMIA BABILÔNICA

Daniel e seus três companheiros estavam a serviço de um governante que desconhecia por completo a soberania divina. Entretanto, souberam como, num momento crítico, realçar a soberania do Único e Verdadeiro Deus.
1. A crise escatológica. O rei Nabucodonosor estava preocupado com o futuro de seu império, quando Deus lhe mostrou, em sonho, o estabelecimento do Reino do Céu, na Terra. Como nenhum de seus magos ou astrólogos fora capaz de interpretar-lhe o sonho, decretou a morte da elite intelectual de Babilônia (Dn 2.5). A academia babilônica era inútil naquele momento.
Crises semelhantes desafiam os acadêmicos cristãos nas diversas áreas do conhecimento. Por essa razão, precisam estar alicerçados na Palavra de Deus, a fim de mostrar o Evangelho de Cristo como a única solução a todos os problemas humanos. [Comentário: No auge da sua pompa e arrogância, ele recebeu uma dura lição da parte de Deus. Passada essa experiência, ele a publicou a todos os povos, nações e línguas que moram em toda a terra, para que ficassem conhecendo quão grande e poderoso era Deus o Altíssimo. A proclamação começa com palavras de louvor a Deus, realçando os Seus sinais, as Suas poderosas maravilhas, a eternidade do Seu reino e a continuidade do Seu domínio. Ele havia aprendido a lição, e se apresentava agora humilde diante do Altíssimo Deus. Vemos que nada acontece ao acaso, Deus estava executando Seu plano a fim de que Seu nome fosse conhecido em toda a terra. Foi preciso que os servos de Deus estivessem atentos, “sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós” (1Pe 3.15); esta recomendação de Pedro para os cristãos da Ásia do primeiro século é atualíssima para nós, nos dias de hoje.]
2. A resposta teológico-evangélica. Naquele momento de crise, e diante da própria morte, Daniel apresenta corajosamente a resposta divina: “Mas há um Deus nos céus, o qual revela os segredos; ele, pois, fez saber ao rei Nabucodonosor o que há de ser no fim dos dias [...]” (Dn 2.28). E, assim, o profeta fez saber a Nabucodonosor o programa divino para os últimos dias.
Somente o Evangelho de Cristo pode responder às questões que tanto angustiam a humanidade. Aproveite, pois, a crise atual, para proclamar a todos, inclusive aos sábios e poderosos, que somente Cristo pode resgatar a sociedade atual de uma ruína certa e anunciada. [Comentário: Depois que todos os sábios do reino haviam falhado em explicar o sonho do monarca, Daniel entrou na presença do rei. Neste relato, depois de toda a ocorrência, Nabucodonozor disse que Daniel tinha o “espírito dos deuses santos”. Esse era o entendimento do idólatra Nabucodonozor, que cria numa multiplicidade de deuses, mas veio a reconhecer que o Deus de Daniel era o Altíssimo Deus. Nabucodonosor fala da grandeza de Deus e da sua capacidade de fazer com que os homens orgulhosos se humilhem (Jr 27.4-6) e também reconhece a permanência do reino de Deus (Sl 145.13). Em todas as situações, mesmo quando impressionado pela grandeza das revelações, não se negou a entregar a mensagem completa.]

SUBSÍDIO BÍBLICO-TEOLÓGICO

“Daniel resolveu desde o início não se contaminar. Não abriria mão de suas convicções, mesmo se tivesse de pagar com a vida por isso. Note-se que Daniel não tinha agora a presença dos seus pais para orientá-lo nas suas decisões; mas seu amor a Deus e à sua lei achava-se de tal modo arraigados nele desde a infância, que ele somente desejava servir ao Senhor de todo coração.
Aqueles que resolvem permanecer fiéis a Deus, enfrentando a tentação, receberão forças para permanecerem firmes por amor ao Senhor. Por outro lado, aqueles que antes não tomam a decisão de permanecer fiéis a Deus e à sua Palavra, terão dificuldade para resistir ao pecado ou evitar conformar-se com os caminhos do mundo" (Lv 19.29; 21.7,14; Dt 22.2)” (Bíblia de Estudo Pentecostal. RJ: CPAD, p.1244).

III. A INTERVENÇÃO DE DEUS NA POLÍTICA BABILÔNIA

Daniel já era bastante idoso quando foi convocado a gerir a pior crise do Império Babilônico. Naquele instante, ele não poderia ser politicamente correto. Por isso, proclamou corajosamente a sentença divina sobre o reino de Belsazar.
1. A corrupção de Babilônia. Embora Nabucodonosor tenha reconhecido o senhorio divino em três ocasiões, seu filho, Belsazar, ao substituí-lo, não demorou a levar o império à ruína. Numa noite de orgia e insultos ao Deus de Israel, ele profanou os utensílios sagrados do Santo Templo na presença de suas mulheres, concubinas e grandes (Dn 5.1-3). Naquela mesma hora, o Senhor escreveu, na parede do palácio, a sentença de morte daquele reino. O mesmo acontece no Brasil. Deus está a requerer de seu povo uma atitude mais evangélica, santa e decisiva (2Cr 7.14). [Comentário: O capítulo cinco do livro de Daniel começa narrando a respeito de um grande banquete oferecido por Belsazar, rei de Babilônia, para mil líderes nacionais. Era o ano de 538 a.C., vinte e quatro anos depois da morte de Nabucodonosor. Filho de Nabonidus, genro de Nabucodonosor, foi na verdade, co-regente em Babilônia enquanto seu pai, o rei Nabonidus, transferiu-se para Temã na Arábia. O banquete oferecido tinha como objetivo afrontar o Deus vivo. De modo blasfemo, quando o vinho começou a surtir efeito, Belsazar ordenou a seus mordomos que trouxessem os utensílios sagrados que Nabucodonosor havia removido do templo de Jerusalém. Dentre esses utensílios havia vasos sagrados que tinham sido dedicados ao Senhor, os quais foram utilizados pelos convivas para oferecerem brindes a seus ídolos (Dn 5.1-4). Esse foi o último desafio do imoral Belsazar. Belsazar tomou as decisões que afetaram sua vida. Deus pesou essas decisões a fim de constatar o quanto elas valiam. Deus entregou Belsazar às conseqüências naturais do curso de vida por ele escolhido. Em Romanos 1.18 a 32, o apóstolo Paulo revela a atitude de Deus para com todos aqueles que, à semelhança de Belsazar, escolhem seus próprios caminhos.]
2. Daniel, o incorruptível. Como nenhum acadêmico babilônico fosse capaz de ler a sentença divina escrita na parede, o nome do velho profeta é evocado. Já na presença do rei, e rejeitando todos os dons e agrados que este lhe oferecera, Daniel leu a sentença (Dn 5.25-31). Mais uma vez, ele não se deixou enlaçar pelo charme do politicamente correto. Interpretando a inscrição, repreendeu energicamente o monarca. Que os homens públicos cristãos não se furtem ao seu dever.
Que venhamos, neste momento de crise econômica e política que debilita o Brasil, anunciar que Jesus Cristo é o caminho, a verdade e a vida e que bem-aventurada é a nação cujo Deus é o Senhor. Os governantes, legisladores e juízes também precisam ouvir que Jesus salva, cura, batiza com o Espírito Santo e, em breve, virá nos buscar. [Comentário: Belsazar pediu aos astrólogos, aos adivinhadores e aos sábios a interpretação daquelas palavras. Como a inscrição foi escrita em aramaico, ninguém foi capaz sequer de ler a escrita, muito menos de interpretá-la (Dn 5.7-9). Somente Daniel estaria apto a interpretar a escrita em aramaico. Deus usaria mais uma vez o idoso Daniel. Então a rainha-mãe entrou na casa do banquete e orientou ao rei a chamar o profeta Daniel (Dn 5.10-12). Durante todo o reinado de Nabucodonosor, passando pelo rei Nabonidus e agora pelo extravagante Belsazar, Daniel se mantive incorruptível e mesmo na sua velhice, glorificou o nome do Deus vivo. Que lição para a Igreja Brasileira nesse momento turbulento - moral, ética e política - pelo qual atravessa nossa nação.]

SUBSÍDIO BÍBLICO-TEOLÓGICO

A Religião Babilônica
“Com a ascensão da supremacia da cidade da Babilônia, Marduque, o patrono da cidade, tornou-se a principal divindade do panteão babilônico. Uma festa de ano novo chamada de festa de ‘akitu’ era realizada anualmente em sua honra, na qual uma batalha simulada entre o rei e o dragão das profundezas era encenada repetidamente para comemorar a primitiva vitória de Marduque sobre o caos.
O propósito da festa era anunciar o ano novo com um ritual para assegurar paz, a prosperidade e a felicidade por todo o ano.
Outras divindades adoradas pelos babilônicos eram Anu, deus do céu; Enlil, deus do vento e da terra. Ea, deus do submundo — juntos, eles formavam uma tríade de divindades. Outra tríade importante era Sin, o deus-sol de Ur, e Harã, os primeiros abrigos da família de Abraão; Samas, a divindade do sol; e Istar, deusa do amor e da guerra, equivalente à Astarte dos fenícios, Astarote mencionada na Bíblia, e Afrodite dos gregos. Outras divindades significativas foram Nabu, o deus da escrita e Nergal (irmão de Marduque), o deus da guerra e da fome.
Os deuses da Babilônia eram, em sua origem, personificações das várias forças da natureza. A religião babilônica era, dessa forma, uma adoração à natureza em todas as suas partes, prestando homenagem a seres super-humanos que eram ao mesmo tempo amigáveis e hostis, com frequência representados por formas humanas, animais” (Bíblia de Estudo Pentecostal. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2009, pp.213,1697).

CONCLUSÃO

Que os líderes saibam como preparar aqueles que vão frequentar uma universidade. À semelhança de Daniel e seus companheiros, estes poderão fazer uma grande diferença no mundo acadêmico e na esfera política. O Senhor Jesus precisa de crentes em todas as camadas sociais. [Comentário: O Rev Franklin Ferreira escreve em seu artigo “O Jovem Cristão e Seus Estudos” o seguinte: “O dilema do estudante: uns dividem a fé em compartimentos estanques, um destinado à fé (vista como o lado "espiritual" da vida), outro aos estudos (o lado "secular" da vida). Alguns descartam simplesmente a fé cristã. Outros não têm coragem de afirmar sua fé em Cristo, pois ainda não conseguiram descobrir uma forma de explicar esta relevância. - A melhor opção é a do estudante que se dedica às diversas disciplinas com uma mente aberta à sabedoria originada na Palavra de Deus”. Nossos aspirantes à academia devem ser instruídos no sentido de que receberão ataques à mente e ao estudo, porque fé e razão são vistas como antagônicas (Rm 10.2). A fé e a razão não se opõem. Aceitamos como verdade os fatos do Evangelho, para depois buscar compreendê-los (Rm 10.8-17). A Universidade de hoje não lembra mais que Harvard, uma das mais prestigiadas universidades do mundo, exigia que os seus estudantes fossem capazes não apenas de ler as Escrituras, mas também "de interpretá-las corretamente". Este é o exemplo de Esdras (Ed 7.6,10) e de Paulo e Timóteo (1Tm 4.13-16; 2Tm 4.13). Somente um alicerce sólido garantirá a firmeza não só para o período de formação, mas também para toda a vida.] “NaquEle que me garante: "Pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus" (Ef 2.8)”.

Francisco Barbosa

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