sábado, 14 de fevereiro de 2015

LIÇÃO 7: HONRARÁS PAI E MÃE



LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Êxodo 20.12; Ef 6.1-3; Mc 7.10-13


Êxodo 20:12

Honra a teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o SENHOR, teu Deus, te dá.

Efésios 6.1-3

1 Vós, filhos, sede obedientes a vossos pais no Senhor, porque isto é justo.
2 Honra a teu pai e a tua mãe, que é o primeiro mandamento com promessa,
3 para que te vá bem, e vivas muito tempo sobre a terra.

Marcos 7.10-13

10 Porque Moisés disse: Honra a teu pai e a tua mãe e: Quem maldisser ou o pai ou a mãe deve ser punido com a morte.
11 Porém vós dizeis: Se um homem disser ao pai ou à mãe: Aquilo que poderias aproveitar de mim é Corbã, isto é, oferta ao Senhor,
12 nada mais lhe deixais fazer por seu pai ou por sua mãe,
13 invalidando, assim, a palavra de Deus pela vossa tradição, que vós ordenastes. E muitas coisas fazeis semelhantes a estas.


OBJETIVO GERAL


Estimular um profundo respeito aos pais e às mães, não somente de palavras, mas de obras, de amor e carinho.


OBJETIVOS  ESPECÍFICOS


Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

I.    Mostrar que “honrar pai e mãe” é o primeiro mandamento do Decálogo que se refere ao relacionamento com o próximo.
II.   Destacar que, na família, os pais representam a Deus.
III.  Apontar que, segundo as Escrituras, os filhos devem aos pais o respeito, a atenção e a devida obediência.
IV.  Conscientizar os alunos de que os filhos têm responsabilidades econômicas com os pais.


SUBSÍDIO I




INTRODUÇÃO


Um dos sinais dos últimos dias da igreja na terra é a desobediência aos pais, uma demonstração de apostasia (II Tm. 3.9). Essa é uma realidade evidente, o espírito de rebeldia está se difundindo cada vez mais na sociedade. Conforme estudaremos na lição de hoje, a orientação de Deus, em resposta a essa constatação, é a obediência aos pais, dando-lhes a honra devida. Na primeira parte da aula faremos uma apresentação contextualizada do mandamento. Na segunda, ressaltaremos as promessas de Deus no prolongamento dos dias vidas àqueles que obedecem ao mandamento do Senhor.


I. HONRAR PAI E MÃE


O verbo honrar, em hebraico, é kaved, e se encontra no modo imperativo, cujo significado é “levar em consideração”. Essa palavra hebraica, literalmente, significa “pesado” ou “que pesa”, com o sentido de “demonstrar peso”. Esse termo é usado inclusive para ressaltar a glória de Deus, dando o devido “peso” à Sua condição. Esse mandamento é de capital importância, haja vista esse ser o primeiro mandamento da segunda tábua da torah (Ex. 31.18). Em se tratando dos mandamentos sociais, a honra aos pais tem proeminência. Isso também mostra o valor dado por Deus à família, o relacionamento saudável entre seus membros é fundamental. Agostinho de Hipona perguntou certa feita: “Se alguém não honrar os pais, haverá alguém que ele poupará?” Ao que tudo indica, parece que não, tendo em vista que a forma como nos relacionamos com os outros se sustenta na maneira como tratamos os membros da família. No Antigo Testamento a honra aos pais é posta na mais elevada posição, por isso, está escrito que “Quando um homem amaldiçoar a seu pai ou a sua mãe, certamente morrerá: amaldiçoou a seu pai ou a sua mãe; o seu sangue é sobre ele” (Lv. 20.9). A penalidade para a desonra aos pais era a morte, o filho rebelde deveria ser levado aos anciãos da cidade, ser apedrejado (Dt. 21.18-21). O livro de Provérbios, carregado de sabedoria judaica, apresenta orientações práticas a fim de que os filhos atentem para esse importante mandamento (Pv. 1.8; 3.1,2; 6.20; 23.22).



II. UM MANDAMENTO COM PROMESSA


Estamos inseridos em uma sociedade contestadora, nossos filhos estão sendo ensinados pela mídia, e até mesmo nas escolas, a não obedecerem aos seus pais. Em oposição a essa filosofia pós-moderna, a Palavra de Deus nos instrui à obediência, a considerar aquilo que os pais dizem. Muitos filhos estão pagando alto preço por causa da desatenção que deram às palavras dos seus pais. Se muitos que se encontram nos presídios atualmente tivessem ouvindo os conselhos paternos, certamente não estariam atrás das grades. A obediência a esse mandamento está atrelada a uma promessa, a de uma vida longa (Ex. 20.12). O apóstolo Paulo lembra que esse é o primeiro mandamento com promessa (Ef. 6.2) e reforça que “isto é agradável ao Senhor” (Cl. 3.20). Essa mensagem deve ser reafirmada nos dias atuais, os filhos precisam saber que poderão colher frutos amargos se decidirem contrariar a orientação de seus pais. Há aqueles que consideram seus pais ultrapassados, e querem ter um estilo de vida diferenciado, comprometendo a integridade da vida na desobediência. Os pais, principalmente aqueles que se fundamentam na Palavra de Deus, têm condições de nortear as decisões dos filhos. A experiência também não pode ser descartada, é preciso ouvir os mais velhos, coadunando-se às instruções do Senhor (Lv. 19.32). Os pais também não podem fugir da responsabilidade de dar as instruções necessárias aos seus filhos (Pv. 22.6). Existem pais que estão relaxando no ensinamento da Palavra aos seus filhos, deixando de cria-los “na doutrina e admoestação do Senhor” (Ef. 3.21; 6.4).


III. A APLICABILIDADE DO MANDAMENTO


É responsabilidade dos pais a instrução dos filhos no caminho do Senhor, especialmente dos obreiros (I Tm. 3.5; Tt. 1.6). Evidentemente esse texto se aplica aos filhos em idade de sujeição, existem aqueles que ao cresceram se distanciam dos conselhos dos pais, e se afastam do evangelho de Cristo. Esses são os filhos pródigos, que devem ser tratados com amor, e pelos quais os pais devem orar, na expectativa de que retornem à casa do Pai (Lc. 15.19). O tempo, e as adversidades, poderão atuar na vida deles, e como aconteceu com o filho perdido, poderão reencontrar o caminho de volta, e saber que não existe lugar melhor que nos braços do Pai. Aos filhos que estão na igreja, a admoestação bíblica é a de que honrem seus pais, a menos que esses se interponham ao discipulado de Cristo (Mt. 10.37). Jesus é o maior exemplo de filho que soube honrar seus pais, o evangelista narra que desceu Ele com seus pais para Nazaré, e em conformidade com o costume judaico, era-lhes sujeito (Lc. 2.41-50). Até mesmo nos momentos finais de vida na terra, Jesus se lembrou da sua mãe, entregando-a aos cuidados de João, o discípulo amado (Jo. 19.26,27). Essa é um modelo que deve ser seguido pelos filhos crentes, para que não se deixem levar pelo utilitarismo da sociedade contemporânea. Nossos pais, ainda que não consigam produzir como antes, e demandem cuidados por causa da idade avançada, devem ser honrados pelo desprendimento que tiveram a fim de nos provê o necessário para a existência.




CONCLUSÃO


O princípio da honra aos pais permanece como mandamento do Senhor aos filhos cristãos. A promessa de vida longa é reafirmada no Novo Testamento. Aqueles que quiserem longevidade, deverão ouvir os conselhos dos seus pais, ainda que parecem ser ultrapassados. O reflexo de uma sociedade decadente é percebido na medida em que essa se distancia dos marcos antigos (Pv. 22.28). Atitudes simples podem fazer muita diferença, pedir a benção aos pais era um costume normal antigamente, mas que, infelizmente, está desaparecendo dos lares.  
Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa



SUBSÍDIO II



INTRODUÇÃO


O quinto mandamento era originalmente uma ponte entre as obrigações do israelita com Deus e as do israelita com seu próximo, e liga os quatro primeiros mandamentos aos cinco seguintes. Oito dos dez mandamentos do Decálogo são proibições e dois são positivos, o quarto e o quinto. Temos aqui o segundo mandamento apresentado em fórmula positiva. [Comentário: "honra":1. Sentimento do dever, da dignidade e da justiça; Conjunto de ações e qualidades que fazem com que alguém seja respeitado = DIGNIDADE, HONRADEZ, PROBIDADE, RETIDÃO; Distinção que resulta de ações ou qualidades que nobilitam; Manifestação de apreço ou de homenagem a alguém = DISTINÇÃO, GRAÇA, MERCÊ, PRIVILÉGIO. Honrar seu pai e mãe é demonstrado através de palavras e ações que surgem de uma atitude interior de estima e respeito pela posição que ocupam. A palavra grega para honra significa reverenciar, estimar e valorizar. Honrar é dar respeito não apenas pelo mérito, mas pela posição. Todas as ações humanas estão alicerçadas na obediência aos pais, é na família que se aprende esse valor que cimenta toda a sociedade É tão vital que Deus incluiu esse princípio nos 10 mandamentos (Êx 20.12) e novamente no Novo Testamento: “Vós, filhos, sede obedientes a vossos pais no Senhor, porque isto é justo. Honra a teu pai e a tua mãe, que é o primeiro mandamento com promessa, para que te vá bem, e vivas muito tempo sobre a terra” (Ef 6.1-3). Durante a época do Velho Testamento, falar mal contra os pais ou rebelar-se contra as suas instruções resultava em punição capital (Êx 21.15-17; Mt 15.14). Note-se, ainda, que esta é uma marca distintiva daqueles com uma “mente corrompida” e que não agradam a Deus nos últimos dias (Rm 1.30; 2Tm 3.2). Honrar traz consigo a ideia de dar glória a alguém. 1Co 10.31 nos diz que qualquer coisa que façamos deve ser feita para a glória de Deus. Devemos procurar honrar nossos pais da mesma forma que Cristãos tentam trazer glória a Deus – em nossos pensamentos, palavras e ações. Note o que diz Eugene H. Merrill em sua obra ‘Teologia do Antigo Testamento’ (Shedd Publicações); “O primeiro dos seis últimos mandamentos toca diretamente em um ponto teológico muitíssimo relevante em torno do qual gira boa parte da nossa abordagem, e este é a inter-relação inerente à criação e à ordem da criação (Êx 20.12). Deus, como Criador, é soberano, mas ele escolheu executar seu governo por intermédio da humanidade. Contudo, há esferas de soberania na humanidade, pessoas ou instituições que, por natureza ou indicação, são designadas para exercer senhorio benemérito sobre outros. Isso começa na esfera do casamento e da família, matéria de que tratamos de passagem. O modelo do Antigo Testamento é claramente patriarcal, mas não patriarcal ditatorial. Conforme observaremos, muitas estipulações da aliança que regulamentam o comportamento dos filhos exigem que eles tratem pai e mãe exatamente da mesma maneira”. Eugene H. Merrill. Teologia do Antigo Testamento. Editora Shedd Publicações. pag. 334.] Convido você para mergulharmos mais fundo nas Escrituras!


I. O QUINTO MANDAMENTO


1. Os pais biológicos. O propósito divino aqui é a sustentabilidade da estrutura familiar e a santificação da ordem social. Os pais são representantes de Deus na família; honrá-los e temê-los significa fazer o mesmo em relação a Deus. São eles que geram os filhos e são responsáveis pelo bem-estar deles, pelo seu sustento, alimentação, vestes, saúde e educação. Não existe na vida alguém mais importante para o filho do que o pai e a mãe, pois eles são seus heróis. Esse relacionamento é semelhante ao de Javé com o seu povo Israel (Dt 1.31; Ml 1.6). [Comentário: Os termos mãe e pai veem do Latim mater e pater, equivalentes ao grego, pater, palavra relacionada à raiz que significa «nutridor» ou «protetor». A palavra hebraica correspondente à mãe é ’em; e no grego é meter. O Rev. Hernandes Dias Lopes escreve em sua obra ‘MALAQUIAS A Igreja no tribunal de Deus’ (Editora Hagnos): Malaquias inicia essa mensagem fazendo uma declaração indiscutível: “O filho honra o pai e o servo ao seu Senhor” (1.6). Assim, ele conquista a atenção dos sacerdotes antes de acusá-los.51 A primeira relação envolve afeição e a segunda respeito. Mas os sacerdotes não demonstraram amor nem respeito a Deus. Desde o início, Deus tratou Israel como um filho amado, tirando-o do Egito, dando-lhe uma herança, proteção, revelação sobrenatural e missão especial. Não obstante Israel ser o filho primogênito de Deus (Êx 4.22), ele tornou-se um filho ingrato (Os 11.1) e rebelde (Is 1.2). Malaquias, também, acusa Israel de uma ingratidão inegável. Como foi que Israel retribuiu ao Senhor Seu amor gracioso? Do amor de Deus, o profeta volta-se para a ingratidão do povo. Deus o tratou como filho, mas Israel não o honrou como pai. Não houve honra nem respeito a Deus. LOPES. Hernandes Dias. MALAQUIAS A Igreja no tribunal de Deus. Editora Hagnos.]

2. Os pais espirituais. A expressão "o teu pai e a tua mãe" se aplica também aos pais espirituais, que devem ser honrados e respeitados pelos filhos na fé. Isso é visto na lei (2 Rs 2.12; 13.14) e na graça (1 Tm 1.2; 2 Tm 1.2; 2.1; Tt 1.4). A figura do governante também se assemelha à dos pais; veja como Débora se considera mãe de Israel (Jz 5.7). Assim, o mandamento abrange as autoridades espirituais e civis, que devemos respeitar. [Comentário:  O pai espiritual pode ser o pastor, líder, ou pessoa mais madura na fé. O tempo não cura ferida gerada por problemas de paternidade. Eliseu falou de Elias de forma muito honrável, mostrando o motivo de tanto lamentar sua ausência. Ele próprio tinha perdido o guia de sua mocidade: Meu pai, meu pai. Ele viu sua própria condição como a da criança sem pai atirada ao mundo, e lamentou isto da forma adequada. Quando Cristo deixou seus discípulos, não os deixou órfãos (Jo 14.15), mas Elias teve que fazê-lo.]

3. Os pais intelectuais. O respeito e a honra se devem também a quem se destaca pelo conhecimento em qualquer área. Isso é visto no Faraó que constituiu José como primeiro ministro do Egito (Gn 45.8). Isso deve servir como exemplo nas igrejas atuais. Muitos cristãos hoje precisam aprender a lição desse Faraó. Em qualquer lugar em que chegarmos, iremos sempre encontrar alguém melhor do que nós em alguma área, e devemos ter humildade suficiente para reconhecer essa autoridade. [Comentário: O quinto mandamento se aplica também ao relacionamento secular, pois a figura do governante se assemelha à de um pai. Débora se considera mãe de Israel (Jz 5.7). O respeito e a honra se devem também a quem se destaca pelo conhecimento em qualquer área. Embora Faraó fosse a maior autoridade no Egito, ele honrou e respeitou um escravo hebreu simplesmente porque este tinha o conhecimento da vontade de Deus: "senão Deus, que me tem posto por pai de Faraó, e por senhor de toda a sua casa" (Gn 45.8). O rei do Egito nos dá o exemplo mesmo séculos antes da promulgação da lei. Isso deve servir como exemplo hoje nas igrejas. Esse respeito e essa consideração não se restringem apenas aos membros da Igreja e a seu pastor, mas vale também entre os próprios pares e companheiros de ministério. A hierarquia, portanto, é esta: Deus, os pais e as autoridades eclesiásticas e civis. Esequias Soares. Os Dez Mandamentos. Valores Divinos para uma Sociedade em Constante Mudança. Editora CPAD. pag. 80-81.]


SÍNTESE DO TÓPICO I


O quinto mandamento revela a sustentabilidade divina da estrutura familiar e da ordem social.

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II. OBEDIÊNCIA


1. O verbo honrar. Honrar pai e mãe é mandamento divino, e não sugestão humana (Êx 20.12; Dt 5.16; Mt 15.4). O verbo honrar, kaved, é um imperativo intensivo hebraico, do qual vem o substantivo kavod, "honra, glória". A raiz desse verbo aparece em todas as línguas semíticas, com exceção do aramaico, e o significado é de "ser pesado", sentido figurado, cuja ideia é de ser importante (Nm 22.15). É usado no Antigo Testamento com vários significados. Um deles diz respeito ao temor, ao reconhecimento, responsabilidade e autoridade; em nosso contexto, refere-se a alguém merecedor de respeito, atenção e obediência (Lv 19.3).  [Comentário: A honra é o alto respeito ou estima mostrada a uma outra pessoa ou recebida dela, ou ainda uma demonstração de tal respeito. O conceito é expresso figurativamente no AT por palavras que também são traduzidas como beleza, majestade, talento, preciosidade, valor e glória. Os paralelos são significativos: glória e honra (1 Cr 16.27; SI 8.5); glória e majestade (SI 21.5; 96.6; 104.1); honra e distinção (Et 6.3); dádivas, prêmios e grandes honras (Dn 2.6); riquezas e glória (1 Rs 3.13). Dessa forma, o conceito insere-se na adoração (q.v.), que é o reconhecimento do valor. O próprio Deus merece toda a honra: o reconhecimento daquilo que Ele é, e a atribuição do louvor que lhe é devido. Deus também pode fazer com que os homens sejam reconhecidos pelos outros: "Deus deu riquezas, fazenda e honra" (Ec 6.2). Ele ordenou que fosse mostrado respeito aos pais (Êx 20.12) e aos mais velhos (Lv 19.32). Uma esposa virtuosa merece a estima de seu marido (Pv 31.25; 11.16; 1 Pe 3.7). Aqueles que honram a Deus serão por sua vez honrados (1 Sm 2.30). O homem que persegue a justiça e a lealdade da aliança encontrará a honra (Pv 21.21). Uma sugestão para o motivo pelo qual Deus restaura a honra aos homens de modo redentor é dada no Salmo 8.5: Deus fez o homem um pouco menor do que os anjos. O homem mais representativo, o Senhor Jesus, coroado com glória e honra por seu sofrimento de morte, traz a redenção e a glória final para os seus redimidos (veja Hb 2.5-10). A honra, como um subproduto da sabedoria e da piedade, é associada à vida no sentido de que só poderia encontrar seu cumprimento em uma imortalidade abençoada (Pv 3.16; 8.18; 21.21; 22.4; cf. Rm 2.7,10). No NT grego, palavras significando valor e glória são traduzidos como honra. Os valores éticos estão em perspectiva. A honra descreve de forma majestosa a aprovação e a estima mútua entre o Pai e o Filho (2 Pe 1.17; Hb 2.9; Jo 8.49,54). A honra em glória redentora é concedida por Deus aos homens (Rm 2.10; 1 Pe 1.7; Jo 12.26). Os homens e os anjos dão glória e honra a Deus (1 Tm 1.17; Ap 4.9; 19.1) e a Cristo (Jo 5.23; Ap 5.12ss.). Os homens devem buscar a honra ou a aprovação que vem de Deus ao invés da aprovação dos homens (Jo 12.43). Entretanto, não devemos negar a honra que é devida aos outros (Rm 12.10): aos pais (Mt 15.4), às viúvas (1 Tm 5.3), aos mestres (1 Tm 6.1), e ao rei (1 Pe 2.17). O casamento, também, deve ser honrado por todos (Hb 13.4). PFEIFFER .Charles F. Dicionário Bíblico Wycliffe. Editora CPAD. pag. 936.]

2. Filho adulto. A ordem divina é para os adultos; não se restringe à infância e adolescência. Não importa o estado civil ou o status social, todos devem respeitar e reverenciar de coração os pais. Em nenhum lugar da Bíblia ensina que essa ordem seja somente para crianças e adolescentes. Quando o moço e a moça chegam à maioridade, ou mesmo se casam, seus pais continuarão sendo os seus genitores e os filhos devem honrá-los e respeitá-los.  [Comentário: Salomão, o homem mais sábio que já existiu, encorajou os filhos a respeitarem seus pais (Pv 1.8; 13.1; 30.17). Apesar de que talvez não estejamos mais sob sua autoridade, não podemos ignorar o comando de Deus de honrar nossos pais. Até Jesus, Deus Filho, submeteu-se aos Seu pais terrenos e ao seu Pai Celestial (Mt 26.39; Lc 2.51). Ao seguir o exemplo de Cristo, como Cristãos devemos tratar nossos pais da mesma forma reverencial com a qual nos aproximaríamos de nosso Pai Celestial (Hb 12.9; Ml 1.6).]

3. À luz da exegese. O termo grego usado em Efésios para "filhos" é tekna, plural de teknon; que indica descendente imediato sem especificar sexo ou idade. Aparece cinco vezes nesta epístola: "filhos da ira" (2.3); "filhos amados" (5.1); "filhos da luz" (5.8). Somente 6.4 sugere criança ou adolescente. Em 6.1 parece ambíguo; seria precipitação aplicar esse ensino apenas às crianças e adolescentes. O verbo "obedecer" está na voz ativa, mostrando que se trata de pessoas moralmente livres para assumir uma responsabilidade diante de Deus (Ef 6.1). [Comentário: A palavra «...obedecei...», no original grego, é «upakouo», que quer dizer «obedecer», «seguir», «estar sujeito a». Fica subentendido que aquilo que aos filhos é ordenado, seja justo, moral, correto, visando o desenvolvimento espiritual da criança, ou simplesmente apropriado para a vida e a conduta diárias. Seu trecho paralelo, de Cl 3.20, acrescenta «em tudo». Mas tudo deve estar sujeito à mesma condição de justiça, incluindo até mesmo questões indiferentes, atinentes à vida diária, que não têm conteúdo «certo» ou «errado». O pai da família deve assumir a «direção» do lar, tanto nas coisas importantes como nas incidentais. Mas, ao assim fazer, o pai deve manter uma atitude razoável, a fim de não alienar de si os seus filhos, satisfazendo os desejos razoáveis dos filhos o tanto que lhe for possível, para que seja reputado como gentil e cheio de consideração por eles, que dessa maneira o amarão e respeitarão, sujeitando-se naturalmente à sua autoridade, não querendo subjugá-los pelo temor ou pelo mero senso de obrigação. Devemos notar que, em Rm 1.30, a desobediência aos pais é nomeada entre os pecados sérios dos povos pagãos, que são reprovados por Deus. E a própria natureza nos ensina a conveniência dos mais jovens e menos experientes se sujeitarem aos mais velhos, que já têm bastante experiência de vida, em suas exigências e inúmeras situações. Outrossim, dos pais crentes se espera que entendam as implicações espirituais da necessidade de obediência, para que assim exerçam a devida autoridade sobre seus filhos. CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 5. pag. 635.] 


SÍNTESE DO TÓPICO II


A Bíblia declara que “honrar pai e mãe” é mandamento divino, não sugestão humana.




III. SUSTENTO


1. Cuidado. O sentido de deixar pai e mãe quando se casa (Gn 2.24) é a construção de um novo lar, e não o abandono dos pais. Deus é justo e retribuirá tudo o que o filho fizer com o pai e com a mãe. Quem age dessa forma está semeando para o seu próprio futuro, pois colherá isso na velhice. Há inúmeros exemplos no Antigo Testamento da responsabilidade do filho em cuidar do sustento dos pais (Gn 47.12; Js 2.13,18; 6.23; 1Sm 22.3). O Senhor Jesus citou e viveu este mandamento (Mt 15.4, 5; 19.19; Mc 7.10-12; Lc 2.51). [Comentário: Honrar pai e mãe é muito abrangente e envolve cuidar dos pais, principalmente na velhice: "Ouve a teu pai, que te gerou, e não desprezes a tua mãe, quando vier a envelhecer” (Pv 23.22). O termo "filho meu", frequentemente empregado em Provérbios, em geral se aponta para o aconselhamento de um mestre a seus discípulos, mas aqui ambos são mencionados, pai e mãe, referindo-se, portanto, aos pais naturais. O quinto mandamento vai além do sustento dos pais na velhice. É dever dos filhos proteger os pais, a sanção da lei é dura contra os que descumprem o quinto mandamento: "O que ferir a seu pai ou a sua mãe certamente morrerá... E quem amaldiçoar a seu pai ou a sua mãe certamente morrerá" (Êx 21.15, 17). O v. 15 fala sobre violência fisica, e o v. 17, que é reiterado mais adiante de forma expandida (Lv 20.9), vai além do desprezo e do abandono. Amaldiçoar aqui significa depreciar e repudiar a autoridade dos pais. Além da agressão e do menosprezo em relação aos progenitores, a lei estabelecia a pena capital para o filho desobediente, o rebelde contumaz (Dt 21.18-21). Qualquer atitude de desonra era um grave insulto, e a punição da lei era a mesma para ambos os casos: agressão física e moral, violência e desrespeito. Por isso, a lei impõe respeito e honra aos pais (Êx 20.12; Dt 5.16). Desonrar a pai e mãe é desonrar a Deus. Esequias Soares. Os Dez Mandamentos. Valores Divinos para uma Sociedade em Constante Mudança. Editora CPAD. pag. 63.]

2. Oferta Corbã. O termo "corbã", korban, é aramaico e significa literalmente "sacrifício", mas o contexto aqui é algo muito triste. Trata-se de um artifício para fugir "legalmente" do compromisso de sustentar pai e mãe na velhice. O filho podia ser absolvido dessa responsabilidade se fizesse uma promessa de doação em dinheiro destinada ao Templo (Mc 7.11,12). Era uma desculpa para não ajudar os pais, pois se consagrava a Deus tudo o que possuía. Assim, ele dizia aos pais que não podia oferecer ajuda nem fazer nada por eles porque tudo já estava comprometido diante de Deus. [Comentário: Corbã (a transliteração do hebraico é “Qorban”) é uma palavra hebraica que significa “Sacrifício”, “oferta”, “oblação”. Literalmente, descreve aquilo que é levado para junto do altar (do verbo qarab). Matthew henry explica o seguinte: “E fácil deduzir que é dever dos filhos, se os pais são pobres, ajudá-los, conforme a sua capacidade; e se os filhos que maldizem os seus pais merecem a morte, muito mais a merecem aqueles que não os sustentam. Se alguém estivesse de acordo com todos os pontos da tradição dos anciãos, eles descobririam um expediente pelo qual ele poderia ser liberado dessa obrigação (v. 11). Se os pais estivessem em necessidade, e o filho tivesse os recursos necessários para ajudá-los, mas não tivesse a intenção de fazer isso, ele poderia jurar pelo Corbã, ou seja, pelo “ouro do templo”, e pela “oferta que está sobre o altar”, e assim os seus pais não seriam beneficiados por ele; esse filho não os ajudaria. E, se eles lhe pedissem qualquer coisa, bastava que ele lhes respondesse isso, e seria suficiente. Como se pela obrigação desse juramento iníquo alguém pudesse se liberar da obrigação imposta pela santa lei de Deus. Observe a interpretação do Dr. Hammond: Um antigo cânone dos rabinos diz que os juramentos devem acontecer com referência a coisas ordenadas pela lei, e também a coisas indiferentes, para que, se alguém fizer um juramento (ou um voto) que não possa ser ratificado sem infringir um mandamento, o juramento seja ratificado, e o mandamento violado. Esta opinião está de acordo com a interpretação do Dr. Whitby. Os papistas ensinam uma doutrina como essa, isentando os filhos de qualquer obrigação para com os seus pais, por meio dos seus juramentos (ou votos) monásticos, e da sua admissão à religião, como eles os chamam. O Senhor Jesus conclui: “E muitas coisas fazeis semelhantes a estas”. Onde os homens irão parar, quando tiverem feito com que a Palavra de Deus dê lugar às suas tradições? Esses que avidamente impunham tais cerimônias, no início somente menosprezavam os mandamentos de Deus em comparação com as suas tradições; mas, posteriormente, anulavam os mandamentos de Deus, se estes entrassem em conflito com as suas tradições. Tudo isso, na verdade, Isaías tinha profetizado; aquilo que ele dizia sobre os hipócritas na sua época, aplicava-se também aos escribas e fariseus (v. 6). Observe que quando vemos a iniquidade dos tempos atuais, e reclamamos dela, se dissermos que os dias passados foram melhores do que estes, estaremos mostrando que não investigamos esse assunto mais a fundo (Ec 7.10). O pior dos hipócritas e malfeitores já teve os seus predecessores”. HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento MATEUS A JOÃO Edição completa. Editora CPAD. pag. 441.]

3. Ensino de Jesus. Deus não exige esse tipo de oferta de ninguém em sua Palavra, por isso o Senhor Jesus foi contundente com as autoridades religiosas de Israel. Essa doutrina dos fariseus era uma afronta a Deus e à sua Palavra (Mc 7.13). Eles violavam a lei sob um manto de santidade, exibindo uma religiosidade externa e falsa. Ninguém precisa sacrificar a família pela causa do evangelho. Quem cuida do pai e da mãe já está fazendo a obra de Deus; o cuidado da família deve ser prioritário, só depois é que vem a Igreja (1 Tm 5.8). Esse é o pensamento cristão, que muitas vezes, infelizmente, é invertido entre nós. [Comentário: A Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal (CPAD), traz o seguinte: “Mc 7.13. O voto Corbã colocava efetivamente a tradição acima da Palavra de Deus. Ser capaz de se isentar de um dos mandamentos de Deus, adotando um voto humano, significava que os fariseus estavam invalidando a Palavra de Deus. Jesus acrescentou que os fariseus faziam muitas e muitas coisas como essa. E esse era apenas um exemplo da premeditada mesquinhez desses líderes religiosos que se colocavam acima de todas as pessoas, mas que, de fato, destruíam as leis que tinham tanto orgulho de parecer obedecer. Nesse exemplo, Jesus deixou claro a esses líderes religiosos hipócritas que a lei de Deus, e não a tradição oral, deveria ser a verdadeira autoridade na vida das pessoas”. Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. Vol. 1. pag. 234.]


SÍNTESE DO TÓPICO III


Os filhos não podem se esconder das suas responsabilidades para com os seus pais.



IV. ENTRE A LEI E A GRAÇA


1. Autoridade dos pais. Honrar e respeitar pai e mãe é um ensinamento que ocupa um lugar de elevada consideração na Bíblia. Desobedecer aos pais é desobedecer a Deus, pois estão investidos de autoridade divina sobre a vida dos filhos e receberam de Deus a responsabilidade pelo bem-estar deles. A observação "porque isto é justo" (Ef 6.1) ou "porque isto é correto",  como diz outra tradução (NTLH), significa tratar-se de uma lei natural que existe desde o princípio do mundo. Deus já havia colocado a sua lei no coração de todos os homens, mesmo antes de se revelar a Moisés no Sinai (Rm 1.19; 2.14,15). Essa norma existe em todas as civilizações antes e depois de Moisés, e foi dada a Israel como revelação e mandamento divinos (Mt 15.4). [Comentário: Os judeus colocam o quinto mandamento como dever do homem para com Deus. Os mandamentos de caráter vertical, do compromisso do israelita com Deus, de amar a Deus acima de todas as coisas, de acordo com o ensino de Jesus, são teológicos e estão registrados na primeira tábua; os outros são de caráter horizontal, são preceitos éticos que constam da segunda tábua, resumidos no segundo mandamento de amar o próximo como a si mesmo. Esta é a interpretação judaica. Esta linha de pensamento mostra a relevância de honrar os pais, os quais são representantes de Deus. Honrar pai e mãe ocupa um lugar de elevada consideração na lei porque a autoridade deles foi delegada por Deus. Desobedecer a eles, portanto, é desobedecer a Deus, pois eles estão investidos de autoridade sobre a vida e receberam a responsabilidade do bem-estar dos filhos. O apóstolo Paulo ensina obedecer aos pais e explica, "porque isto é justo" (Ef 6.1). Ele está falando a respeito de uma lei natural que existe desde o princípio do mundo. Deus já havia colocado a sua lei no coração de todos os homens, mesmo antes de se revelar a Moisés no Sinai (Rm 1.19; 2.14, 15). Essa prática existe em todas as civilizações antes e depois de Moisés. Todos esses povos já reconheciam a importância de obedecer e respeitar aos pais como fundamento para uma sociedade estável. Sua inobservância sinaliza a decadência da estrutura social. Infelizmente, o que se vê na atualidade é inversão desses valores; os pais estão perdendo o direito de opinar e decidir sobre a vida dos filhos adolescentes por imposição até do Estado. Esequias Soares. Os Dez Mandamentos. Valores Divinos para uma Sociedade em Constante Mudança. Editora CPAD. pag. 81.]

2. O sistema mosaico. A promessa aos filhos que honram e obedecem aos pais, descrita no Decálogo, é a longevidade: "para que se prolonguem os teus dias na terra que o SENHOR, teu Deus, te dá" (Êx 20.12). A passagem paralela de Deuteronômio acrescenta o sucesso econômico: "para que te vá bem" (Dt 5.16). Temos aqui uma prova incontestável de que originalmente este mandamento era exclusividade de Israel, pois fala sobre herdar a terra de Canaã. [Comentário: Os quatro primeiros mandamentos da lei mosaica tratam dos deveres do homem para com Deus. Os últimos seis, tratam dos relacionamentos humanos. Por isso mesmo, as tábuas do testemunho, onde tinham sido inscritos os mandamentos, eram duas. Essas duas tábuas da lei incorporavam todas as atitudes apropriadas aos seres humanos. Honrar aos próprios progenitores não somente é uma forma de piedade do mais alto calibre, como também é uma regra social de suprema importância, pois os conflitos domésticos naturalmente têm reflexos sobre a sociedade como um todo. Visto que os pais atuam como representantes de Deus, ocupando o lugar de Deus no seio da família, este quinto mandamento, na realidade, é uma aplicação dos dois primeiros mandamentos. Assim, honrar a Yahweh implica em honrar aos pais. A solidariedade familiar jamais poderá tomar-se um fato nos lugares onde houver filhos desobedientes, que tentem impingir sua voluntariedade às expensas dos pais. Dentro do contexto hebreu, honrar os próprios pais era uma parte vital da existência, tão vital quanto a respiração. Um filho que ousasse ferir seus pais sofria a pena de morte (Êx 21.15). Idêntico castigo cabia a quem amaldiçoasse qualquer de seus pais (Êx 21.17). Somente os zombadores insensatos rejeitariam esse princípio de respeito pelos próprios pais, e o fim deles é triste (Pro. 30.17). Paulo reitera esse mandamento em Efésios 6.1-3. Todavia, o apóstolo também frisou sabiamente a responsabilidade dos pais para com seus filhos (vs. 4). E lembrou que o quinto mandamento é o primeiro mandamento que envolve uma promessa, ou seja, que os filhos obedientes serão abençoados com uma vida longa e feliz (Ef 6.3). Nesse ponto, Paulo citou o trecho de Deuteronômio 5.16. A punição capital (ver a esse respeito no Dicionário) era imposta no caso de quatro crimes, mencionados em Êx 21.12-17 (que vide). Entre esses queremos destacar aqui a quebra do sexto mandamento (o homicídio; Êx 21.12,14) e a quebra do quinto mandamento (os abusos contra os pais; Êx 21.17). Entre certas tribos indígenas do Rio Negro, no estado do Amazonas, Brasil, somente dois atos são tidos como aquilo que chamamos de pecados, ou seja, atos errados: abusar de qualquer modo da própria mãe e furtar. Entre eles, esses atos são considerados piores do que o homicídio, o qual, entre eles, é tão comum que deixou de ser censurado. Assim sendo, o código de ética daqueles indígenas incorpora somente o quinto e o oitavo mandamentos do decálogo mosaico. Aristóteles pensava que as relações entre filho e progenitor são análogas àquelas que existem entre o homem e Deus (Ethics, Nic. vii.12 par.5). O confucionismo alicerça toda a sua moralidade sobre as relações entre pais e filhos. Os egípcios enfatizavam a questão a ponto de ameaçarem a uma má vida pós-túmulo aos filhos que fossem desobedientes a seus pais (apud Lenormant, Histoire Ancienne, vs. 1, pág. 343 s.). Interessante é notar que se os egípcios prometiam uma boa vida pós-túmulo aos filhos obedientes, o código mosaico só prometia uma boa vida neste mundo, uma vida longa e abençoada, mas nenhuma promessa de vida pós-túmulo, o que é típico no Pentateuco. Se existem alguns indícios sobre uma vida para além da morte biológica (como na doutrina do homem como partícipe da imagem divina; Gên. 1.26,27), essa doutrina só passou a ser destacada formalmente, no Antigo Testamento, nos Salmos e nos Profetas. CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 392.]

3. Adaptado sob a graça. O apóstolo Paulo deliberadamente combina as palavras do quinto mandamento em ambos os textos do Decálogo, Êxodo e Deuteronômio: "Honra a teu pai e a tua mãe, que é o primeiro mandamento com promessa, para que te vá bem, e vivas muito tempo sobre a terra" (Ef 6.2,3). Aqui, a Terra Prometida não é citada nem especificada como no Decálogo: "que te dá o SENHOR, teu Deus". A Igreja, o povo de Deus do novo concerto, não tem terra para herdar, pois a nossa herança é o céu (Fp 3.20). Somos uma congregação de estrangeiros e peregrinos no mundo (1 Pe 2.11). [Comentário:  Nós vivemos essas coisas como resultado da nossa nova vida em Cristo e não por coerção da lei, que condena à morte os filhos rebeldes (Êx 21.15,17; Lv 20.9; Dt 21.18-21). O cristão está debaixo da graça e é guiado pelo Espírito Santo para as boas obras que "Deus preparou para que andássemos nelas" (Ef 2.10). Cabe a cada um de nós não desperdiçarmos o privilégio e a oportunidade de honrar pai e mãe para não perdermos as bênçãos de Deus. Esequias Soares. Os Dez Mandamentos. Valores Divinos para uma Sociedade em Constante Mudança. Editora CPAD. pag. 85.]



SÍNTESE DO TÓPICO IV


Dentro da perspectiva da graça, o quinto mandamento tem o mesmo valor que os outros. Uma lei que existe desde que o mundo existe.



CONCLUSÃO


O quinto mandamento é de fundamental importância para conservar uma sociedade estável. Todavia, o cristão o observa como resultado da sua nova vida em Cristo, e não por coerção da lei, que condena à morte os filhos rebeldes (Êx 21.15,17; Lv 20.9; Dt 21.18-21), pois na graça somos guiados pelo Espírito Santo para as boas obras que Deus preparou para andarmos nelas. Não desperdice, portanto, o privilégio e a oportunidade de honrar seu pai e sua mãe, para não perder as bênçãos de Deus. [Comentário: “Ao honrarmos os nossos pais estamos honrando a autoridade do Deus Todo-Poderoso, na medida que isto é delegado ao homem. O quinto mandamento realmente trata a respeito da atitude do homem para com a autoridade outorgada por Deus. A mais antiga e básica forma desta autoridade é aquela manifestada através da paternidade.  Ao honrarmos os nossos pais nós estamos nos submetendo ao Senhor que instituiu e autorizou a família. Considere o fato de que Deus mesmo se revela como o nosso Pai (Mt 6.9)]. A “NaquEle que me garante: "Pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus" (Ef 2.8)”.

Francisco Barbosa
Disponível no blog: auxilioebd.blogspot.com.br.



sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

LIÇÃO 6: SANTIFICARÁS O SÁBADO




LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Êxodo 20.8-11; 31.12-17


Êxodo 20:8-11

8. Lembra-te do dia do sábado, para o santificar.
9. Seis dias trabalharás e farás toda a tua obra.
10. Mas o sétimo dia é o sábado do SENHOR teu Deus; não farás nenhuma obra, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o teu estrangeiro, que está dentro das tuas portas.
11. Porque em seis dias fez o SENHOR os céus e a terra, o mar e tudo que neles há e ao sétimo dia descansou; portanto abençoou o SENHOR o dia do sábado e o santificou.

Êxodo 21:12-17

12 Falou mais o SENHOR a Moisés, dizendo:
13 Tu, pois, fala aos filhos de Israel, dizendo: Certamente guardareis meus sábados; porquanto isso é um sinal entre mim e vós nas vossas gerações; para que saibais que eu sou o SENHOR, que vos santifica.
14 Portanto guardareis o sábado, porque santo é para vós; aquele que o profanar certamente morrerá; porque qualquer que nele fizer alguma obra, aquela alma será extirpada do meio do seu povo.
15 Seis dias se fará obra, porém o sétimo dia é o sábado do descanso, santo ao SENHOR; qualquer que no dia do sábado fizer algum trabalho, certamente morrerá.
16 Guardarão, pois, o sábado os filhos de Israel, celebrando o sábado nas suas gerações por concerto perpétuo.
17 Entre mim e os filhos de Israel será um sinal para sempre; porque em seis dias fez o SENHOR os céus e a terra, e ao sétimo dia descansou, e restaurou-se.


OBJETIVO GERAL


Compreender o significado do sábado para os cristãos.


OBJETIVOS  ESPECÍFICOS


Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

I.    Analisar o conceito do sábado.
II.   Considerar a forma da instituição do sábado.
III.  Explicar os aspectos legais e cerimoniais do sábado.
IV.  Destacar o preceito cerimonial.
V.   Apresentar Jesus como o Senhor do Sábado.


SUBSÍDIO I




INTRODUÇÃO


Desde os tempos antigos o ser humano está voltado à ação, e nesses últimos tempos, no contexto da modernidade, o espaço predomina sobre o tempo. Por isso, a mensagem do quarto mandamento continua atual, a fim de diminuir o ativismo, e desperta o homem para o descanso. Na aula de hoje meditaremos a esse respeito, antes faremos uma incursão teológica sobre o shabat bíblico, após discorrer sobre a opção cristã pelo domingo, faremos uma aplicação sobre a importância do descanso.


I. O SHABAT


O shabat bíblico é sinônimo de descanso, por isso, ao invés de ser traduzido para sábado, como acontece em algumas línguas, há quem prefira a permanência do termo hebraico. Existiam vários shabat a serem observados pelo povo judeus, o shabat semanal (Ex. 16.23), o Dia da Expiação (Lv. 16.31; 23.32), o primeiro dia da Festa das Trombetas (Lv. 23.24), o primeiro e o oitavo dias da Festa dos Tabernáculos (Lv. 23.39) e o ano sabático (Lv. 25.4,5). Essa orientação bíblica, que também era um mandamento de Yahweh, revelava que Deus tem consideração tanto pelo trabalho quanto pelo descanso (Ex. 20.11). O fundamento para a observância do shabat está no próprio Deus, que após ter trabalhado, descansou no sétimo dia (Gn. 2.1-3). O povo de Israel deveria separar, guardar ou santificar (hb. qadash) o shabat para o Senhor como lembrança de que foram escravos no Egito, e que foram libertados pela mão poderosa de Yahweh (Dt. 5.15). Eles foram libertos da tirania da opressão, agora poderiam parar para descansar, e usufruir a providência de Deus. Essa também era uma demonstração de confiança no Senhor, de que o essencial não lhes faltaria, e que poderiam aprender a depender dEle. A observância ao shabat era um sinal específico para Israel, exclusivo para aquela nação, um testemunho para os povos (Ex. 31.13-17; Ez. 20.12,20). Jesus reinterpretou a observância ao Shabat, isso porque os religiosos da sua época, ao invés de o desfrutarem, transformaram em mero legalismo, deturpando a essência da instrução dada pelo Senhor (Mc. 6.31). Mas o próprio Jesus considerou o shabat, Ele mesmo se dirigiu nesse dia à sinagoga (Lc. 4.16).


II. SÁBADO OU DOMINGO?


No Novo Testamento a palavra é sabaton, com o mesmo sentido de descanso da língua hebraica. Os primeiros cristãos, por se tratarem de judeus, mantinham a observância do shabat (At 13.5, 14; 42-44; 14.1; 16.13; 17.12,16; 18.4; 19.8). Mas seguindo as instruções de Jesus, os primeiros cristãos, diferentemente dos religiosos da época, não eram legalistas em relação a esse dia (Mt. 12.9-14; Mc. 3.1-6; Lc. 6.6-11). O princípio deixado pelo Mestre foi o de que é sempre bom fazer o bem no shabat (Mc. 2.27,28). Existe uma controvérsia entre os cristãos a respeito da guarda desse dia, alguns defendem sua permanência, outros optam pelo domingo. Essa opção está fundamentada no tratamento dado por Cristo ao shabat, bem como pelos cristãos ao longo da história. Jesus deixou claro que o sábado foi estabelecido por causa do homem, e não o homem por causa do sábado (Mc. 2.27,28). Isso quer dizer que não estamos mais presos à guarda de um dia específico da semana, contanto que o façamos para o Senhor (Rm. 14.5,6). A igreja cristã optou pelo domingo porque Jesus ressuscitou nesse dia (Mc. 16.9), foi o dia em que Ele se manifestou ressurreto (Lc. 24.13-36; Jo. 20.13-26). O Espírito Santo também foi derramando sobre a igreja em um domingo de Pentecoste (Lc. 23.15-21; At. 2.1-4). Esse era o dia no qual os primeiros crentes se reunião para celebrar a Ceia do Senhor, pregar e coletar ofertas (At. 20.7; I Co. 16.1,2). Há evidências históricas que comprovam a observância do domingo, e não do sábado pelos cristãos. Para Justino Martir, um dos pais da igreja, “o domingo é o dia em que todos temos nossa reunião comum, porque é o primeiro dia da semana, e Jesus Cristo, nosso Salvador, neste mesmo dia ressuscitou da morte”. De modo que, conforme explicitou Paulo: “ninguém, pois, vos julgue por causa de comida e bebida, ou dia de festa, ou lua nova, ou sábado, porque tudo isso em sido sombra das coisas que haviam de vir; porém o corpo é de Cristo” (Cl. 2.16-19).



III. O PRINCÍPIO PERMANECE


Ainda que não estejamos mais presos à guarda de um dia da semana, seja ele o sábado e/ou domingo, o princípio do shabat bíblico permanece. Nas palavras da Confissão de Fé de Westminster, santificar o shabat é “um preceito positivo, moral e perpétuo”. Tomando os devidos cuidados, e evitando legalismos, é necessário considerar o princípio do descanso. Não podemos esquecer que o shabat “foi feito por causa do homem” (Mc. 2.27). Isso que dizer que precisamos dele, nenhum homem é uma máquina, carecemos de descanso. A era da industrialização transformou o trabalho em tirania, e nesses últimos anos, por causa do consumismo desenfreado, muitas pessoas querem ter cada vez mais, e valorizam o tempo cada vez menos. O homem moderno está obcecado por espaço, quer conquistar tudo o que for possível, esquecendo-se que o tempo é muito mais importante. Como estabeleceu o Senhor: “seis dias trabalharás e farás toda a sua obra” (Ex. 10.9), mas é preciso santificar ou separar o shabat, o descanso necessário para a alma e para o corpo. Ninguém deve ser escravo do trabalho, fomos libertados da angústia da ansiedade. Devemos trabalhar para ter o suficiente, e com isso vivermos contentes, é preciso ter cuidado para não se tornar escravo da ganância (I Tm. 6.6-8). Ao invés do nos deixar conduzir pelo espírito desta era, que nos lança na tirania do consumo, e nos conduz à preocupação, devemos aprender a confiar mais em Deus (Mt. 6.31-34). Em Cristo, temos agora um descanso, Ele é o nosso shabat, por causa do trabalho dEle, podemos agora descansar (Hb. 4.9,10).


CONCLUSÃO


Há quem diga que não devemos parar para descansar, existem até os que citam as Escrituras indevidamente (Mq. 2.10). Mas o texto precisa ser compreendido em seu contexto, de fato não podemos descansar no momento que devemos agir, mas isso não significa que devemos nos entregar ao ativismo. É necessário reconhecer que tudo tem o seu tempo determinado, e que há tempo para todo propósito debaixo do céu, inclusive para o descanso (Ec. 3.1).
Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa



SUBSÍDIO II



INTRODUÇÃO


As controvérsias deste mandamento giram em torno da sua interpretação. Temos aqui a relação trabalho-repouso e ao mesmo tempo o relacionamento de Deus com Israel. A necessidade de um dia de repouso após seis jornadas de trabalho é universal, mas o sábado é um presente de Deus para Israel. O mandamento de santificar o sábado é mais bem compreendido quando se conhece o propósito pelo qual ele foi dado. [Comentário: Foi dito na primeira lição que as tábuas da Lei possuem 4 mandamentos em uma tábua e 6 em outra e que os quatro primeiros se referem ao relacionamento do homem com Deus, e os outros seis dizem respeito ao relacionamento com nossos semelhantes. O quarto mandamento se coloca, em termos de relacionamento vertical e horizontal, nos dois planos, é uma ponte que liga os mandamentos teológicos com os mandamentos éticos. Ele possui caráter social e humanitário e também função religiosa. Muitas são as controvérsias em torno deste mandamento, e todas se referem à sua interpretação. O Pr Esequias Soares, comentarista deste trimestre, informa o seguinte a esse respeito: “O que acontece é que existe o sábado institucional e o sábado legal, e quem não consegue separar estas duas instituições terminam radicalizando indo aos extremos. Esse é o principal problema dos sabatistas da atualidade, como os adventistas do sétimo dia. Todos os mandamentos do Decálogo dependem de definições e de como aplicá-los na vida diária, e essas instruções são dadas no próprio sistema mosaico. Mas as definições nem sempre são conclusivas. Por exemplo, o que a Bíblia define como trabalho?” Esequias Soares. Os Dez Mandamentos. Valores Divinos para uma Sociedade em Constante Mudança. Editora CPAD. pag. 61-62. O quarto mandamento será melhor entendido quando analisarmos o propósito para o qual ele foi dado.]  Convido você para mergulharmos mais fundo nas Escrituras!


I. O SÁBADO DA CRIAÇÃO


1. O shabat. Deus celebrou o sétimo dia após a criação e abençoou este dia e o santificou (Gn 2.2,3). Aqui está a base do sábado institucional e do sábado legal. O sábado legal não foi instituído aqui; isso só aconteceu com a promulgação da lei. O substantivo shabbat, "sábado", não aparece aqui, na criação. Surge pela primeira vez no evento do maná (Êx 16.22, 23). A Septuaginta emprega a palavra sabbaton, "sábado, semana", a mesma usada no Novo Testamento grego.  [Comentário:  Shabat (hebraico שבת, shabāt, "descanso/inatividade"), é o nome dado ao dia de descanso semanal no judaísmo, simbolizando o sétimo dia em Gênesis, após os seis dias de Criação. A palavra hebraica שבת, shabāt, tem relação com o verbo שבת, shavāt, que significa "cessar", "parar". Apesar de ser vista quase universalmente como "descanso" ou um "período de descanso", uma tradução mais literal seria "cessação", com a implicação de "parar o trabalho". Portanto, Shabat é o dia de cessação do trabalho; enquanto que descanso é implícito, mas não é uma denotação da palavra em si. O Pr Esequias Soares, em obra já citada anteriormente, sobre o sábado, diz o seguinte: “O sábado e a semana tiveram a sua origem em Deus. A divisão hebdomadária (adj. Semanal; que se realiza, acontece ou surge a cada semana; que se refere à semana, observação nossa.)do tempo aparece desde os dias pré-diluvianos e no período patriarcal (Gn 7.4, 10, 12; 29.27, 28). Mas a semana na Mesopotâmia seguia as fases da lua, por isso nem sempre o sábado coincidia com o sétimo dia. A semana dos egípcios era de dez dias. Aqui está a base do sábado institucional e do sábado legal.” Esequias Soares. Os Dez Mandamentos. Valores Divinos para uma Sociedade em Constante Mudança. Editora CPAD. pag. 61-62..  O sentido de Shabat aqui é cessar, logo é sinonimo de cessar de criar indicando a obra concluída e não um período de ociosidade, pois segundo se infere dos textos de Is 40.28 e Jo 5.17, Deus não descansa, Ele continua ativo sustentando todas as coisas (Hb 1.3)]

2. Deus concluiu a criação no dia sétimo. Deus completou a sua obra da criação no sétimo dia. Deus "descansou" ou seja, cessou, é o significado do verbo hebraico usado aqui, shabat, "cessar, desistir, descansar" (Gn 8.22; Jó 32.1; Ez 16.41). Esse descanso é sinônimo de cessar de criar, e indica a obra concluída. Não se trata de ociosidade, pois Deus não para e nem se cansa (Is 40.28; Jo 5.17).  [Comentário:  Dada a explicação do subtópico anterior, acrescento que Jesus também assentou-se à destra de Deus depois de concluir a obra da redenção (Hb 8.1; 10.12). Ainda na obra suprareferenciada, do Pr Esequias Soares, ele afirma que “A expressão ‘acabado no sétimo dia’ parece indicar que houve mais alguma atividade de Deus na criação nesse dia. É o que pensam muitos expositores da atualidade. Deus terminou a sua obra no dia sexto – segundo a Septuaginta e o Pentateuco Samaritano”.]

3. A bênção de Deus sobre o sétimo dia. Ele abençoou e santificou o sétimo dia como um repouso contínuo, na dispensação da inocência, mas isso foi interrompido por causa do pecado. Agostinho de Hipona lembra que não houve tarde no dia sétimo, e afirma que Deus o santificou para que esse dia permanecesse para sempre (Confissões, Livro XIII, 36). O sábado da criação aponta para o descanso de Deus ao mundo inteiro no fim dos tempos: "Portanto, resta ainda um repouso para o povo de Deus" (Hb 4.9). [Comentário:  “Deus abençoou e santificou o sétimo dia como um repouso contínuo, a dispensação da inocência, interrompido por causa do pecado. Agostinho de Hipona lembra que não houve tarde no dia sétimo, pois Deus o santificou para que ele permanecesse para sempre: "Ora o sétimo dia não tem crepúsculo. Não possui ocaso porque Vós o santificastes para permanecer eternamente" [Confissões, Livro XIII.36). Adão e Eva viveram esse repouso durante a inocência até a Queda: "Foi o princípio e o tipo de repouso ao que a criação, depois que caiu da comunhão com Deus pelo pecado do homem, recebeu a promessa de que uma vez mais seria restaurada pela redenção, em sua consumação final" (KEIL & DELITZSCH, tomo 1, 2008, p. 41). O sábado da criação aponta para o descanso de Deus para o mundo inteiro no fim dos tempos: "Portanto, resta ainda um repouso para o povo de Deus" (Hb 4.9). O sábado legal não foi instituído aqui. Isso só aconteceu com a promulgação da lei. O sétimo dia é o fundamento da guarda do sábado dada aos israelitas, visto que este dia foi santificado desde o princípio do mundo. O sábado institucional é para toda a humanidade e por isso Deus o santificou antes de estabelecê-lo como mandamento para Israel. "A santificação do sábado institui uma ordem para a humanidade segundo a qual o tempo é dividido em tempo e tempo sagrado... Por santificar o sétimo dia, Deus instituiu uma polaridade entre o dia a dia e o solene, entre dias de trabalho e dias de descanso, a qual deveria ser determinante para a existência humana" (WESTERMANN, 1994, p. 171). O sábado institucional não é necessariamente o sétimo dia da semana, mas um a cada seis dias”. Esequias Soares. Os Dez Mandamentos. Valores Divinos para uma Sociedade em Constante Mudança. Editora CPAD. pag. 65-66.]


SÍNTESE DO TÓPICO I


A base institucional e legal do sábado foi a celebração de Deus no sétimo dia, após a criação. O Criador abençoou e santificou esse dia.


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II. O SÁBADO INSTITUCIONAL


1. Desde a criação. É o sábado para descanso de todos os povos. É uma questão moral que Deus estabeleceu para a raça humana ao comemorar a criação. Tornou modelo e uma forma natural para toda a raça humana. É a ordem natural das coisas: os campos precisam de repouso, as máquinas necessitam parar para manutenção e assim por diante (Lv 25.4). O sábado institucional, portanto, não se refere ao sétimo dia da semana; pode ser qualquer dia ou um período de descanso (Hb 4.8).  [Comentário:  Solano Portela escreve em seu artigo ‘O Quarto Mandamento’, o seguinte: “Em nossas bíblias o quarto mandamento está redigido assim – "Lembra-te do dia de sábado para o santificar...". A palavra que foi traduzida "sábado", é a palavra hebraica shabat, que quer dizer descanso. É correto, portanto, entendermos o mandamento como "... lembra-te do dia de descanso para o santificar". Esse "dia de descanso" era o sétimo dia no Antigo Testamento, ou seja, o nosso "sábado". No Novo Testamento, logo na igreja primitiva, vemos o dia de ressurreição de Cristo marcando o dia de adoração e descanso. Isso é: o domingo passa a ser o nosso "dia de descanso". Os apóstolos acataram esse dia como apropriado à celebração da vitória de Jesus sobre a morte (At 20.7; 1 Co 16.2; Ap 1.10). A igreja fiel tem entendido a questão da mesma maneira, ou seja: não é a especificação "do sétimo", que está envolvida no mandamento, mas o princípio do descanso e santificação” Presbítero da Igreja Presbiteriana do Brasil, membro da Igreja Presbiteriana de Santo Amaro-SP. http://www.monergismo.com/textos/dez_mandamentos/quarto_solano.htm.]

2. Não era mandamento. O sétimo dia da criação não era mandamento, mas revela a necessidade natural do descanso de toda a natureza. O repouso noturno de cada dia não é suficiente para isso. Deus abençoou e santificou esse dia não somente para comemorar a obra da criação mas para que, nesse dia, todos cessem o trabalho e assim descansem física e mentalmente para oferecer o seu culto de adoração a Deus.  [Comentário:  O Pr Esequias Soares comenta o seguinte: “O sétimo dia da criação não era mandamento, mas revela a necessidade natural do descanso de toda natureza, homem, animal, máquina, agricultura. O repouso noturno de cada dia não é suficiente para isso. Deus abençoou e santificou esse dia não somente para comemorar a obra da criação, mas para que nesse dia todos cessem o trabalho tendo em vista o descanso físico e mental e também o culto de adoração a Deus. É importante que todos os seres humanos possam refletir que o universo foi criado por um Deus pessoal, Todo-poderoso, sábio e transcendente, que planejou todas as coisas que foram criadas. Parece que esse dia foi logo esquecido pelo gênero humano, mas há resquício dele em muitos povos da antiguidade.” Esequias Soares. Os Dez Mandamentos. Valores Divinos para uma Sociedade em Constante Mudança. Editora CPAD. pag. 63-65.]

3. Os patriarcas não guardaram o sábado. O livro de Gênesis não menciona os patriarcas* Abraão, Isaque e Jacó observando o sábado. Segundo Justino, o Mártir, Abraão e seus descentes até o Sinai agradaram a Deus sem o sábado (Diálogo com Trifão 19.5). Irineu de Lião diz que Abraão, "sem circuncisão e sem observância do sábado, 'acreditou em Deus e lhe foi imputado a justiça e foi chamado amigo de Deus'" (Contra as Heresias, Livro IV, 16.2). [Comentário: O apóstolo Paulo, judeu, doutor da Lei  e guardador do sábado, em Gálatas 3.17, escreve que a Lei só veio 430 anos (depois de Abraão), sendo assim, o sábado só passou a ser instruído e guardado pelos hebreus após a saída do Egito e isso pode ser conferido a partir do capítulo 16 de Êxodo que mostra claramente as primeiras instruções sobre o dia judaico.]


SÍNTESE DO TÓPICO II


O sábado institucional se refere à necessidade de um período de descanso para a Criação e para o homem.




III. O SÁBADO LEGAL


1. Significado. É o sétimo dia da semana no calendário judaico, marcado para repouso e adoração. Foi introduzido no mundo pela lei; é o sábado legal dado aos israelitas no Sinai. Nenhum outro povo na história recebeu a ordem para guardar esse dia; é exclusividade de Israel (Êx 31.13, 17). O sábado e a circuncisão são os dois sinais distintivos do povo judeu ao longo dos séculos (Gn 17.11).  [Comentário:  O sábado legal é exclusividade dos israelitas e nenhum povo da terra recebeu tal responsabilidade, nem mesmo a Igreja (Êx 31.13- 17). A adoração no tabemáculo acontecia semanalmente e isso justifica a instrução da lei do sábado na presente seção que aborda a ordem do culto e demais serviços no tabemáculo. O tema do sábado havia sido tratado por ocasião do maná (Êx 16.23-30) e no quarto mandamento (Êx 20.8-11); no entanto, Javé retoma o assunto aqui para que o presente preceito seja observado de maneira apropriada. A observância do sábado legal é perpétua, sob pena de morte para quem violar (vv. 14-6) e isso por se tratar de um sinal entre Javé e Israel (Êx 31.13, 17). Não é mandamento para todos os povos nem para a Igreja. É o segundo sinal para os israelitas, que já tinham a circuncisão como primeiro sinal desse concerto (Gn 17.10-14). Ao longo dos séculos, os judeus trataram esses dois preceitos com a mesma atenção. O Decálogo registrado em Deuteronômio apresenta o sábado como memorial da saída dos israelitas do Egito: "Porque te lembrarás que foste servo na terra do Egito e que o SENHOR, teu Deus, te tirou dali com mão forte e braço estendido; pelo que o SENHOR, teu Deus, te ordenou que guardasses o dia de sábado" (Dt 5.15). O sábado legal é mandamento exclusivo para o povo de Israel. Esequias Soares. Os Dez Mandamentos. Valores Divinos para uma Sociedade em Constante Mudança. Editora CPAD. pag. 68-69.]

2. O sábado do Decálogo. A expressão "Lembra-te do dia do sábado, para o santificar" (Êx 20.8), remete a uma reminiscência histórica e, sem dúvida alguma, Israel já conhecia o sábado nessa ocasião. Mas parece não ser referência ao sábado da criação. Ele aparece na promulgação da lei (Êx 20.11), contudo, essa reminiscência não reaparece em Deuteronômio (Dt 5.12-15). Trata-se, com certeza, do sábado que o povo não levou a sério no deserto (Êx 16.22-29).  [Comentário:  O quarto mandamento é o mais longo do Decálogo e difere dos três primeiros, cuja formulação é negativa. O versículo 8 introduz o mandamento positivo que impõe a obrigação de santificar o sábado, e o versículo 9 fala sobre a obrigação de trabalhar seis dias. Isso se repete no sistema mosaico (Êx23.12; 31.13-17; 34.21; Lv 23.3), mas aqui aparece também a formulação negativa. Quando Moisés no seu discurso em Deuteronômio repete o Decálogo substitui o verbo hebraico usado para "lembrar" zãchor, "recordar, lembrar", por outro, "guardar", shãmôr,72 "guardar, cuidar, vigiar", quando diz: "Guarda o dia de sábado" (Dt 5.12). Os dois verbos estão no infinitivo absoluto, que tem função de um forte imperativo, bastante comum em leis e mais próximo de um futuro cominatório, ameaçador. O propósito do uso deste verbo "lembrar" aqui em Êxodo é manter o sábado como dia santo. Isso mostra que o povo já conhecia esse dia, mas parece que a sua observância não era levada a sério antes da revelação do Sinai. As palavras "como te ordenou o SENHOR, teu Deus" (Dt 5.12b) não aparecem em Êxodo e são uma referência ao Sinai, quando a lei foi promulgada, visto que Moisés está relatando um fato acontecido no passado. Fica evidente que houve um sábado antes da promulgação da lei. Muitos acreditam que o verbo "lembrar" se refere ao relato do maná no deserto (Êx 16.22-30). Isto fica claro pelo fato de que "a maneira incidental em que a matéria é introduzida e a repreensão do Senhor pela desobediência do povo sugerem que o sábado já era previamente conhecido" (TENNEY, vol. 5, 2008, p. 267). No entanto, segundo o rabino Benno Jacob, "lembrar" aqui não tem conotação de "não esquecer", como aconteceu com o evento do maná, mas de um "memorial do passado para estabelecer um relacionamento especial para o futuro" (1992, p. 563). Esequias Soares. Os Dez Mandamentos. Valores Divinos para uma Sociedade em Constante Mudança. Editora CPAD. pag. 67]

3. Propósito. A instituição do sábado legal no Decálogo tinha um propósito duplo: social e espiritual. Cessar os trabalhos a cada seis dias de labor era dar descanso aos seres humanos e aos animais e dedicar um dia para adoração a Deus. É um memorial da libertação do Egito (Dt 5.15). Duas vezes é dito que o sábado é um sinal distintivo entre Deus e a nação de Israel (Êx 31.13,17). [Comentário: A instituição do sábado legal no Decálogo tinha o propósito duplo, social e espiritual, de cessar os trabalhos a cada seis dias de labor para dar descanso aos seres humanos e aos animais e dedicar um dia inteiro para adoração a Deus: 8 Lembra-te do dia do sábado, para o santificar. 9 Seis dias trabalharás e farás toda a tua obra, 10 mas o sétimo dia é o sábado do SENHOR, teu Deus; não farás nenhuma obra, nem tu, nem o teu filho, nem a tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o teu estrangeiro que está dentro das tuas portas. 11 Porque em seis dias fez o SENHOR os céus e a terra, o mar e tudo que neles há e ao sétimo dia descansou; portanto, abençoou o SENHOR o dia do sábado e o santificou (Êx 20.8-11). Esequias Soares. Os Dez Mandamentos. Valores Divinos para uma Sociedade em Constante Mudança. Editora CPAD. pag. 66.]


SÍNTESE DO TÓPICO III


O sábado legal é um dia de descanso, introduzido na cultura do povo judeu por meio da Lei.



IV. UM PRECEITO CERIMONIAL


1. O sacerdote no Templo. O Senhor Jesus Cristo disse mais de uma vez que a guarda do sábado é um preceito cerimonial. Ele colocou o quarto mandamento na mesma categoria dos pães da proposição (Mt 12.2-4). Veja ainda a que Jesus se referia quando falou a respeito desse ritual mencionado em Êxodo 29.33, Levítico 22.10 e 1 Samuel 21.6. Disse igualmente que "os sacerdotes no templo violam o sábado e ficam sem culpa" (Mt 12.5), ao passo que não existe concessão para preceitos morais.  [Comentário:  A oposição crescente ao ministério de Jesus pelos líderes religiosos encontra sua expressão total na observância do sábado, a instituição mais sagrada entre os judeus. Em Mt 12.3, Jesus apoia a ação de seus discípulos através de seu apelo ao exemplo de Deus (1Sm 21.1-6), verificando que as regulamentações normais do sábado podem precisar render-se às necessidades humanas. A necessidade humana tem precedência em uma rigorosa interpretação da Lei, que deixa escapar seu propósito mais amplo. Jesus reivindica sua divindade em Mt 12.6-8, logo, como Senhor do sábado, ele poderia fazer o que bem entendesse com o mesmo!]

2. A circuncisão no sábado. Se o oitavo dia da circuncisão do menino coincidir com um sábado, ela tem que ser feita no sábado, nem antes e nem depois. Assim, Jesus mais uma vez declara o quarto mandamento como preceito cerimonial e coloca a circuncisão acima do sábado (Jo 7.22,23 cf. Lv 12.3). Um mandamento moral é obrigatório por sua própria natureza. [Comentário:  O Centro Apologético Cristão de Pesquisas, citando a Bíblia Apologética, escreve sobre João – 7.21-24: “Frequentemente Jesus enfrentava polêmica com os judeus por causa do sábado. Os judeus eram ferrenhos guardadores do sábado e sempre estavam discutindo com Jesus sobre o assunto.
O que é admirável no texto é Jesus afirmar que a guarda do sábado fica subordinada à circuncisão. Uma criança que devesse ser circuncidada no oitavo dia do seu nascimento (Gn 17.10; Lv 12.3; Jo. 7:21-24) para que a Lei não ficasse invalidada, colocava a guarda do dia em posição inferior à circuncisão. Se a circuncisão é de valor secundário, inexpressivo, e nenhum cristão hoje a pratica, como terá a guarda do sábado como preceito? Ellen Gould White ensinava que a guarda do sábado implicava em salvação. O ensino de Jesus sobre o sábado é diferente, Ele é Senhor do Sábado”. http://www.cacp.org.br/o-sabado-e-a-circuncisao/]


SÍNTESE DO TÓPICO IV


Segundo Jesus Cristo, a guarda do sábado é um preceito cerimonial.



V. O SENHOR DO SÁBADO


1. O sábado e a tradição dos anciãos. Os quatro evangelhos registram os conflitos entre Jesus e os fariseus sobre a interpretação do sábado. A tradição dos anciãos criou 39 proibições concernentes ao sábado, mas o Senhor Jesus disse que é "lícito fazer bem no sábado" (Mt 12.12). Isso Ele fez (Mc 3.1-5; Lc 13.10-13; 14.1-6; Jo 5.8-18; 9.6,7,16) e, por isso, nós devemos fazer o bem, não importa qual seja o dia da semana.  [Comentário:  “A observância do sábado nos dias do ministério terreno de Jesus havia se tornado externa e formal. As autoridades religiosas de Israel haviam criado muitas restrições e estabeleceram regras meticulosas. A Mishnah, antiga literatura religiosa dos judeus, nos tratados Shabbat e Erub, registra minúcias de como o sábado deve ser observado. A tradição dos anciãos criou 39 proibições concernentes ao sábado. Por essa razão, o Senhor Jesus entrou diversas vezes em conflito com os escribas e fariseus. Uma delas aconteceu quando ele defende os seus discípulos por colherem espigas no sábado (Mt 12.1-5). 1 Naquele tempo, passou Jesus pelas searas, em um sábado; e os seus discípulos, tendo fome, começaram a colher espigas e a comer. 2 E os fariseus, vendo isso, disseram-lhe: Eis que os teus discípulos fazem o que não é lícito fazer num sábado. 3 Ele, porém, lhes disse: Não tendes lido o que fez Davi, quando teve fome, ele e os que com ele estavam? 4 Como entrou na Casa de Deus e comeu os pães da proposição, que não lhe era lícito comer, nem aos que com ele estavam, mas só aos sacerdotes? (Mt 12.1-4). A passagem paralela aparece em Marcos 2.23-26 e Lucas 6.1-4. Em todas elas, o Senhor Jesus mencionou um trecho do Antigo Testamento em que Davi comeu o pão da proposição na casa do sacerdote Abiatar, quando estava sob a perseguição de Saul (1 Sm 21.6). Assim, ele colocou a guarda do sábado na mesma categoria do preceito cerimonial. A lei proibia que estranhos comessem do pão sagrado da proposição, o qual era restrito aos sacerdotes (Êx 29.33; Lv 22.10). Jesus foi além e disse que os sacerdotes no templo podiam violar o sábado e ficar sem culpa (Mt 12.5). Um mandamento moral é obrigatório por sua própria natureza. Não existe concessão para preceitos morais; aqui, a vida está acima do sábado. Em outra ocasião, o Senhor Jesus torna a considerar o sábado um preceito cerimonial com base na própria lei de Moisés. Ele nem precisou reivindicar a sua autoridade de Filho de Deus e Messias, ao lembrar às autoridades religiosas que a circuncisão de uma criança pode ser feita num dia de sábado. A lei prescreve que o menino deve ser circuncidado no oitavo dia de seu nascimento (Lv 12.3). Jesus disse que a circuncisão pode ser feita mesmo quando o oitavo dia coincide com sábado (Jo 7.22, 23). Jesus declarou: "O sábado foi feito por causa do homem, e não o homem, por causa do sábado" (Mc 2.27). Muitos comparam essas palavras a uma frase do Talmude creditada ao rabi Simeon ben Menasya, cerca de 180 d.C.: "O sábado foi dado a vocês, não vocês entregues a ele". A interpretação judaica diz respeito à permissão da quebra do sábado em casos especiais, como a vida em perigo. Mas o que Jesus disse significa que os seres humanos não foram criados para observar o sábado, mas que o sábado foi criado para o benefício humano. Ele não disse que o sábado foi feito por causa dos judeus ou de Israel, mas por causa de todos os seres humanos. O sábado legal, do Decálogo, foi dado a Israel como sinal entre Javé e os israelitas (Êx 31.13, 17; Dt 5.15; Ez 20.12). Aqui, o Senhor Jesus se refere ao sábado institucional que Deus estabeleceu para o bem-estar e gozo de todos os seres humanos, e isto está acima de observância meticulosa do sábado”. Esequias Soares. Os Dez Mandamentos. Valores Divinos para uma Sociedade em Constante Mudança. Editora CPAD. pag. 69-71.]

2. Jesus é o Senhor do sábado (Mc 2.28). O sábado veio de Deus e somente Ele tem autoridade sobre essa instituição. Então, não há outro no universo investido de tamanha autoridade, senão o Filho de Deus. A expressão "o Filho do Homem", no singular, é título messiânico, não é usual ou comum às outras pessoas. Está claro que Jesus se referia a Ele mesmo. Jesus disse que os seres humanos não foram criados para observar o sábado, mas que o sábado foi criado para o benefício deles (Mc 2.27).  [Comentário:  A frase "Assim, o Filho do Homem até do sábado é senhor" (Mc 2.28) e as passagens paralelas (Mt 12.8; Lc 6.5) são disputadas pelos expositores do Novo Testamento. Há duas linhas principais de interpretação: a) a autoridade sobre o sábado foi conferida aos seres humanos, e b) trata-se do próprio Senhor Jesus. A primeira nos parece menos aceitável porque Deus nunca delegou autoridade sem limites aos humanos e, também, porque a expressão grega ho huios tou anthrõpos, "o Filho do Homem", no singular, é título messiânico e não relativo a humanos. Está claro que Jesus se referia a si mesmo. Esta é a melhor interpretação. Ele revelou seu poder e sua autoridade sobre as enfermidades, sobre a natureza, sobre todos os poderes das trevas, sobre a morte e o inferno; assim, nada mais natural ser mesmo o Senhor do sábado. O sábado veio de Javé e somente ele tem autoridade sobre a instituição. Então, não há outro no universo investido de tamanha autoridade, senão o Filho de Deus. Mais uma vez, o Senhor Jesus Cristo apresenta o profeta Oseias como autoridade para fundamentar seu ensino (Mt 12.7; Os 6,6). Ele acrescentou ainda que é "lícito fazer bem nos sábados" (Mt 12.12). Isso o próprio Jesus o fez (Mc 3.1-5; Lc 13.10- 13; 14.1-6; Jo 5.8-18; 9.6, 7, 16), e nós também devemos fazer o bem, não importa qual seja o dia da semana. Como o sábado do relato da criação, não é regra legal opressiva; é chamado de sábado institucional que se transferiu para o domingo por causa da ressurreição de Jesus, mas não como mandamento. Assim, como nada há no Novo Testamento que indique a sua observância, isso por si só mostra que o quarto mandamento não é um preceito moral. Esta interpretação é corroborada pelo fato de nem Jesus nem os apóstolos ensinarem a guarda do sábado. O sábado não foi mencionado quando Jesus citou os mandamentos para o moço rico (Mt 19.17-19). Toda a lei se resume no amor a Deus e ao próximo (Mt 7.12; 22.40; Mc 12.31; Rm 13.10). O apóstolo Paulo omitiu o quarto mandamento (Rm 13.9). Ele considerava retrocesso espiritual guardar dias, meses e anos (G1 4.10, 11). Os primeiros cristãos eram judeus de origem e era natural para eles observar os serviços da sinagoga; ainda hoje, muitos judeus que são convertidos à fé cristã preferem não abrir mão de sua identidade judaica, principalmente aqueles que residem em Israel. É mais uma questão cultural. Paulo via o sábado e os preceitos dietéticos, o kashrut, como mera opção pessoal. E, mesmo não havendo prova de que o apóstolo distinguisse preceitos morais e cerimoniais, aqui ele coloca o sábado e o kashrut na mesma categoria (Rm 14.1-6). Segundo Paulo, o antigo concerto foi abolido (2 Co 3.7-14) , incluindo o sábado (Os 2.11). De fato, isso já era anunciado desde o Antigo Testamento (Jr 31.31-34). Paulo disse que Jesus riscou na cruz "a cédula que era contra nós nas suas ordenanças" (Cl 2.14). O substantivo grego para "cédula" é cheirgraphon, um hapax legomenon, literalmente, "escrito à mão”. É um documento escrito à mão usado aqui metaforicamente. O termo aparece na literatura grega extrabíblica com vários significados: "lei mosaica, obrigação escrita, contrato (ROBINSON, 2012, p. 984); "registro de uma conta financeira, conta, registro de dívida" (LOUW & NIDA, 2013, pp. 352, 353). É um certificado de dívida, uma nota promissória. A ordenança, ou dogma, significa "decreto, ordenança, edito", um termo usado também em referencia à lei de Moisés (Ef 2.15). É esse o sentido aqui, pois Jesus disse que a lei nos acusa (Jo 5.45). O pensamento paulino revela o aspecto condenatório da lei mosaica (Dt 27.26; 1 Co 15.56; Gl 3.10) e também o padrão divino para a vida humana (Rm 7.13, 14). A acusação da lei contra nós foi cancelada na cruz do Calvário, e aí o apóstolo inclui o sábado. O apóstolo emprega os dois termos "cédula" e "ordenança" metaforicamente para dizer que fomos perdoados e estamos livres de legalismo: "Portanto, ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias de festa, ou da lua nova, ou dos sábados, que são sombras das coisas futuras, mas o corpo é de Cristo" (Cl 2.16, 17). Com exceção do sangue (At 15.20, 28), as restrições dietéticas de Levítico foram removidas, pois Deus purificou os animais cerimonialmente imundos (At 10.12-15). Nenhum alimento é imundo por si mesmo (Rm 14.14, 20; 1 Tm 4.3, 4). O que contamina o ser humano é o que sai dele, não o que entra (Mt 15.11-20). O sábado cerimonial é um termo para designar os festivais de Israel que englobam as festas anuais, mensais e semanais (1 Cr 23.31; 2 Cr 2.4; 8.13; 31.3; Ez 45.17). O sábado cerimonial já está incluído na expressão "dias de festa". Assim, a "lua nova", refere-se à festa mensal e a expressão "dos sábados" diz respeito aos sábados semanais. O novo concerto nos isenta de todas essas coisas. Paulo parece empregar uma linguagem platônica no tocante ao mundo real e ao mundo das ideias no v. 17. A sombra é temporária e identifica com imperfeição o objeto que a projetou, sendo portanto inferior a ele. O apóstolo afirma nesta metáfora que a lei é uma projeção, uma sombra da realidade, que é o corpo de Cristo. Esequias Soares. Os Dez Mandamentos. Valores Divinos para uma Sociedade em Constante Mudança. Editora CPAD. pag. 71-74.]

3. Dia do culto cristão. O primeiro culto cristão aconteceu no domingo e da mesma forma o segundo (Jo 20.19,26). Nesse dia o Senhor Jesus ressuscitou dentre os mortos (Mc 16.16). O dia do Senhor foi instituído como o dia de culto, sem decreto e norma legal, pelos primeiros cristãos desde os tempos apostólicos (At 20.7; 1 Co 16.2; Ap 1.10). É o "sábado" cristão! O sábado legal e todo o sistema mosaico foram encravados na cruz (Cl 2.16,17), foram revogados e anulados (2 Co 3.7-11; Hb 8.13). O Senhor Jesus cumpriu a lei (Mt 5.17,18), agora vivemos sob  a graça (Jo 1.17; Rm 6.14). [Comentário:  O sábado legal do Decálogo foi estabelecido para Israel se lembrar da escravidão no Egito (Dt 5.15). Há certa analogia com o sábado cristão, o domingo, que, sem precisar de imposição legal, passou a ser o dia de adoração cristã coletiva em memória à ressurreição de Cristo que ocorreu num domingo (Mc 16.1-6; Lc24.1-6). Éosábado institucional. Isso está claro em três passagens do Novo Testamento: "No primeiro dia da semana, ajuntando os discípulos para o partir do pão" (At 20.7). Era um domingo, "talvez 24 de abril de 57 d.C.", segundo F. F. Bruce (apud STOTT, 1994, p. 360). O "partir do pão" é um termo usado para a Ceia do Senhor (At 2.42; 1 Co 10.16; 11.20-26). Segundo o autor citado, essa passagem "é a evidência inequívoca mais primitiva que temos da prática cristã de reunir-se para a adoração nesse dia". Isso se confirma mais adiante no Novo Testamento: "No primeiro dia da semana, cada um de vós ponha de parte o que puder ajuntar, conforme a sua prosperidade, para que se não façam as coletas quando eu chegar" (1 Co 16.2). Temos aqui outra prova de que o primeiro dia da semana era o dia de culto regular. O apóstolo recomendou que nessas reuniões se levantasse uma coleta para socorrer os irmãos pobres de Jerusalém. O apóstolo João foi arrebatado no dia do Senhor: Eu fui arrebatado em espírito, no dia do Senhor, e ouvi detrás de mim uma grande voz, como de trombeta" (Ap 1.10). A expressão dia do Senhor" não é escatológica, pois a construção grega aqui, en tê kyriakê hêmera, se refere ao domingo. Versões católicas como Figueiredo, Matos Soares e a Bíblia do Peregrino empregam "num dia de domingo" para traduzir a referida frase. Esta tradução é aceitável porque está de acordo com o contexto bíblico e histórico. A palavra kyriakê significa "domingo" ainda hoje na Grécia. O termo "domingo", literalmente quer dizer, "dia do senhor , do latim, dominus, "senhor", e dies, "dia". Inácio de Antioquia usa a mesma frase grega do apóstolo João em Apocalipse, para indicar o primeiro dia da semana: "Aqueles que viviam na antiga ordem de coisas chegaram à nova esperança, e não observam mais o sábado, mas o dia do Senho em que a nossa vida se levantou por meio dele e da sua morte" (Magnésios 9-1, Coleção Patrística 1, Padres Apostólicos). Inácio foi o terceiro bispo de Antioquia e conheceu os apóstolos Paulo e João. Preso em 110 no reinado de Trajano, foi levado a Roma e atirado às feras. Trata-se de alguém da segunda geração dos apóstolos. Outra razão que confirma essa interpretação é o fato de a Septuaginta usar uma forma diferente para o "dia do Senhor escatológico, hêmera tou kyriou ou hêmera kyriou. E o mesmo acontece nas cinco vezes que a frase aparece no Novo Testamento grego (At 2.20; 1 Co 5.5; 2 Co 1.14; 1 Ts 5.2; 2 Pe 3.10). Os primeiros pais da Igreja mostram que nos três primeiros séculos da história da Igreja o domingo continuava sendo o dia de reunião dos cristãos. Além de Inácio de Antioquia, isso pode ser ainda visto na Epístola de Barnabé (que não era o Barnabé citado do Novo Testamento). Trata-se de um documento da primeira metade do século 2, que declara: "Eis por que celebramos como festa alegre o oitavo dia, no qual Jesus ressuscitou dos mortos e, depois de se manifestar, subiu aos céus" (Epístola de Barnabé, 15.9). Herdamos dos dias apostólicos essa prática que foi perpetuada pelo tempo. Os preceitos cerimoniais não desobrigam os seres humanos de cultuarem a Deus, mas estes não precisam de rituais e nem lhes é exigido irem a Jerusalém. Da mesma forma, o sábado não precisa ser o sétimo dia da semana. Os adventistas do sétimo estão equivocados quando afirmam que o imperador Constantino substituiu o sábado pelo domingo, e sua doutrina não tem sustentação bíblica. É um erro teológico e histórico. Esequias Soares. Os Dez Mandamentos. Valores Divinos para uma Sociedade em Constante Mudança. Editora CPAD. pag. 74-76.]


SÍNTESE DO TÓPICO V


Em o Novo Testamento, Jesus é o Senhor do sábado e somente Ele tem autoridade sobre esta instituição.




CONCLUSÃO


A palavra profética anunciava o fim do sábado legal (Jr 31.31-33; Os 2.11). Isso se cumpriu com a chegada do novo concerto (Hb 8.8-12). Exigir a guarda do sábado como condição para a salvação não é cristianismo e caracteriza-se como doutrina de uma seita. [Comentário: “Quase toda a instrução dos capítulos 3, 4 e 5 de Gálatas aborda a questão da lei e do evangelho, donde se conclui que: 1) A lei foi ordenada por causa das transgressões, ATÉ que viesse a posteridade (3.19). 2) A lei não pôde comunicar vida; por isso, a Escritura encerrou tudo debaixo do pecado, para que a promessa pela fé em Jesus Cristo fosse dada aos crentes. 3) A lei serviu para nos conduzir a Cristo, para que pela fé fôssemos justificados, não pela fé na obediência à lei. 4) Depois que a fé veio, já não estamos debaixo da lei, mas da graça (3.25). 5) Cristo veio para libertar os que estavam debaixo da lei. Não somos mais meninos necessitados de tutores, reduzidos à escravidão. Agora somos filhos de Deus (4.1-7). 6) Não mais estamos sujeitos a guardar dias, meses e anos, rudimentos fracos e pobres aos quais alguns querem continuar servindo (4.9-10). 7) Somos filhos não da escrava Agar, que simboliza o velho concerto. Somos filhos da promessa, como Isaque. Lancemos fora a escrava e seu filho, porque, “de modo algum, o filho da escrava herdará com o filho da livre” (4.21-31). 8) Não devemos retornar ao jugo da servidão, pois Cristo nos libertou (5.1). 9) Os que buscam justificação na lei, separados estão de Cristo (5.4).]. “NaquEle que me garante: "Pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus" (Ef 2.8)”.


Francisco Barbosa
Disponível no blog: auxilioebd.blogspot.com.br.