sexta-feira, 10 de abril de 2015

LIÇÃO 2: O NASCIMENTO DE JESUS






TEXTO ÁUREO
“E deu à luz o seu filho primogênito, e deitou-o numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na estalagem.”

VERDADE PRÁTICA

Deus revelou seu amor à humanidade ao enviar a este mundo o seu Filho Jesus.



LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Lucas 2.1-7


1 - E aconteceu, naqueles dias, que saiu um decreto da parte de César Augusto, para que  todo o mundo se alistasse.
2 - (Este primeiro alistamento foi feito sendo Cirênio governador da Síria).
3 - E todos iam alistar-se, cada um à sua própria cidade.
4 - E subiu da Galileia também José, da cidade de Nazaré, à Judeia, à cidade de Davi chamada Belém (porque era da casa e família de Davi),
5 - a fim de alistar-se com Maria, sua mulher; que estava grávida.
6 - E aconteceu que, estando eles ali, se cumpriram os dias em que ela havia de dar à luz.
7 - E deu à luz o seu filho primogênito, e envolveu-o em panos, e deitou-o numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na estalagem.

  



SUBSÍDIO I


INTRODUÇÃO

Na aula de hoje estudaremos sobre o nascimento de Jesus, destacaremos que o milagre da encarnação foi singular, e trouxe implicações diretas para a vida dos cristãos. Inicialmente meditaremos a respeito do nascimento propriamente dito, e o contexto no qual ocorreu. Em seguida, nos voltaremos para aqueles que testemunharam essa ocorrência, notadamente os anjos e pastores. Ao final, faremos uma interpretação teológica, do significado desse episódio para história da humanidade.


1. O NASCIMENTO


Cesar Augusto era o governante da Palestina, talvez como político pensasse que estava no controle das situações. Mas Deus, em Sua soberania, estava regendo todas as coisas, usando inclusive o imperador para levar Maria e José até Belém, uma pequena cidade da Judeia que distava cerca de 130 quilômetros de Nazaré. Aquele casal, após receber a revelação do anjo, aprendeu a depender da orientação divina. Maria declarou: “que se cumpra em mim conforme a tua palavra” (Lc. 1.38). O anjo Gabriel foi enviado a Nazaré, onde moravam José e Maria, sendo ela ainda noiva daquele. O anjo anunciou a Maria que ela teria um filho, sem que tivesse relações sexuais, quando descesse sobre ela o Espírito Santo (Lc. 1.35). O nascimento de Jesus, por conseguinte, foi sobrenatural. Nossas vidas, assim como a de Maria, devem estar nas mãos de Deus, nada deve nos dissuadir da fé (Hb. 11.1,6). Não podemos esquecer que Deus está no comando da história, portanto, não temos motivos para temer o futuro. Ele é o Deus dos impossíveis, aquilo que o homem não pode fazer, o Senhor é capaz, pelo Seu poder. Quando Jesus estava para nascer, não houve lugar nos alojamentos de Belém. Restou um estábulo, no qual se encontrava uma manjedoura, que Lhe serviu de berço. Aquele objeto era uma espécie de cocho para os animais (Lc. 2.7-16), naquele pequeno recipiente se encontra o próprio Deus. Em Belém, cujo nome em hebraico significa “casa de pão”, nasceu aquele que é o “Pão da vida” (Jo. 6.35). Nele encontramos a plenitude da divindade (Cl. 2.9).  Em Cristo, o Verbo se fez carne, e habitou no meio de nós, cheio de graça e de verdade (Jo. 1.1,14), esvaziando-se, e assumindo a condição de servo (Fp. 2.7).

2. ANJOS E PASTORES

Quando Jesus nasceu os anjos se maravilharam, por isso Paulo se referiu a esse acontecimento ressaltado a grandeza do mistério da piedade (I Tm. 3.16). A mensagem chegou primeiramente aos pobres, um grupo de pastores desconhecidos, que se encontrava no campo. O evangelho alcança prioritariamente os pobres, aqueles que são considerados escória da sociedade (Lc. 1.51-53; I Co. 1.26-29). Esses pastores testemunharam a glória do evento, o cumprimento da revelação angelical: “Eis aqui vos trago boa-nova de grande alegria, que o será para todo o povo”. Essa declaração nos mostra que a salvação é para todos, que se trata de uma notícia de paz, que nos traz grande alegria. Conforme declarou o filósofo Epiteto, “o imperador pode fazer cessar a guerra, dando paz a terra e aos mares, mas não é capaz de fazer cessar a paixão, aflição e inveja. Não é capaz de dar a paz ao coração, pela qual o homem anseia mais do que qualquer outra paz interior”. Jesus é o Príncipe da paz (Is. 9.6), Ele prometeu nos dá a paz que o mundo não conhece (Jo. 14.27), essa paz é produzida em nós pelo Espírito (Fp. 4.7). O evangelho de Jesus Cristo, ainda que alguns religiosos queiram transformá-lo em más notícias, é uma mensagem alvissareira, que deve nos fazer saltitar de alegria. Os pastores foram impactados pela boa-nova, o espanto da visitação de Deus aos homens deve sempre ser motivo de espanto. Como declarou certo pregador, após a nave espacial Apolo 11 pousar o solo lunar, “o maior acontecimento de todos os tempos não foi o homem ter pisado na lua, mas Deus ter pisado na terra em Cristo Jesus”. Devemos, assim como fizeram os pastores ao encontrar a criança, adorá-Lo, em gratidão pela sua graça maravilhosa (Lc. 2.13,14).

3. O SIGNIFICADO

Jesus nasceu sob a lei, obedecendo a seus preceitos (Gl. 4.1-7), de modo que Ele não veio para abolir, mas para cumprir a lei (Mt. 5.17,18).  Por isso fez-se necessário que Ele fosse circuncidado ao oitavo dia, mostrando Sua ligação com o pacto abraaonico (Gn. 17). O nome da criança traz um significado profundo “Yahweh é a salvação” (Mt. 1.21). Jesus não foi apenas um iniciador religioso, muito menos um líder revolucionário. A vinda de Jesus a terra é a manifestação do próprio Deus, que se fez gente a fim de salvar a humanidade do pecado (Lc. 2.10). Os antigos aguardavam ansiosamente a vinda do Messias prometido. Simeão e Ana representam essa expectação, que se cumpriu em Cristo (Lc. 2.29). Simeão, em sua idade avançada, identificou Jesus como “a consolação de Israel”. Ele somente pode fazê-lo porque estava em consonância com a Palavra de Deus. Somente os que se firmam nas Escrituras podem testemunhar o cumprimento das promessas divinas. A morte e a ressurreição de Jesus trariam dores para Maria, mas através desses eventos, o mundo seria salvo do pecado (I Tm. 2.5,6). Ana, uma mulher cujo nome significava graça, também de idade avançada, foi uma das 43 mulheres citadas no evangelho segundo Lucas. Ela se encontrava no templo, uma pobre viúva que colocava sua esperança em Deus. Aquela mulher idosa foi usada pelo Senhor para transmitir a mensagem salvadora do Senhor. As vidas de Simeão e Ana mostram o significado que os idosos têm no reino de Deus, ninguém despreze as pessoas idosas por causa da sua idade avançada. Devemos fazer coro às palavras do salmista: “na velhice ainda darão frutos, serão viçosos e florescentes” (Sl. 92.14).

CONCLUSÃO

O nascimento de Jesus foi um evento singular, com significado especial para todos aqueles que creem. Ele foi desprezado até mesmo em Seu nascimento, mas aprouve a Deus revelá-Lo aos pobres, aqueles que se consideravam indignos. Ainda hoje, todos aqueles que se dobram diante dessa mensagem, jubilam com a declaração angelical, reconhecendo que essa é uma boa notícia, que enche nossas almas de paz, e que nos traz grande alegria.

Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa




SUBSÍDIO II

INTRODUÇÃO

Lucas narra o nascimento de Jesus, situando-o no contento das profecias bíblicas e do judaísmo dos seus dias. O "silêncio profético", que já durava quatrocentos anos, foi rompido pelas manifestações divinas na Judeia. A plenitude dos tempos havia chegado e o Messias agora seria revelado! O nascimento de Jesus significava boas novas de alegria para todo o povo. Os pobres e os piedosos seriam os primeiros a receberem a notícia. Dessa forma. Deus mostrava que a salvação, por Ele provida, alcançaria a todos os homens.[Comentário: Após uma rápida introdução (1.1-4), Lucas relata o anúncio dos anjos com respeito aos nascimentos vindouros de João Batista (w 5-25) e de Jesus (w. 26-38), narra a alegria das duas parentas, Isabel e Maria (vv. 39-45) e inclui uma cópia do magnífico cântico de louvor, em forma de poema, “o cântico de Maria”, comumente conhecido como “o Magnificat” (w. 46-56). Lucas descreve as circunstâncias extraordinárias do nascimento de João e o sentimento pela expectativa criada na região (vv. 57-66). Finalmente, Lucas inclui uma declaração profética de Zacarias, o pai de João, ao identificar a missão de seu filho como o precursor do Messias {w. 67-80). Ao juntar todo esse material, muitos dos quais exclusivos de seu Evangelho, Lucas chama a atenção para o clima de expectativa que Deus começava a criar entre seu povo como preparativo para o aparecimento do Salvador. Todavia, o autor também chama nossa atenção para as magníficas características de Maria e Isabel, mulheres de fé e compromissoRICHARDS. Lawrence O. Guia do Leitor da Bíblia. Uma análise de Gênesis a Apocalipse capítulo por capítulo.Editora CPAD. pag. 652. O termo plenitude significa literalmente "completude", com isso o texto de Lucas nos diz que Cristo veio no momento certo, na hora que deveria, Ele veio na Plenitude dos tempos; se Cristo fosse enviado em qualquer outro momento da história o cristianismo não teria o mesmo impacto como tem hoje, como diz o Rev. Herminsten Maia (pastor presbiteriano, teólogo e escritor. Coordenador do Departamento de Teologia Sistemática no Seminário Presbiteriano Rev. José Manoel da Conceição, em São Paulo.): "Deus não intervém na história, Ele controla a história". Deus é soberano. O tempo entre a última parte do Antigo Testamento e a aparição de Cristo é conhecido como o "silêncio profético", porque não houve nenhuma palavra profética de Deus durante esse período, alguns o chamam de “400 anos de silêncio”. A atmosfera política, religiosa e social da Palestina mudou significantemente durante esse período. Muito do que aconteceu foi predito pelo profeta Daniel (veja Daniel capítulos 2,7,8 e 11 e compare os eventos históricos).]  Convido você para mergulharmos mais fundo nas Escrituras!

1. O NASCIMENTO DE JESUS NO CONTEXTO PROFÉTICO

1. Poesia e profecia. No relato do nascimento de Jesus há duas belíssimas poesias conhecidas na teologia cristã como Magnificat de Maria, a mãe de Jesus, e o Benedictus de Zacarias, o sacerdote (Lc 1.46-55,67-79). Esses cânticos são de natureza profética e como tal contextualizam o nascimento de Cristo dentro das promessas de Deus a seu povo. Maria, por exemplo, diz que, ao nascer Jesus, Deus estava se lembrando das promessas feitas a Abraão {Lc 1.55). Por outro lado, Zacarias afirma da mesma forma que tal visitação era o cumprimento do que Deus havia prometido na antiguidade aos profetas (Lc 1.70). 0 nascimento de Jesus não se tratava, portanto, de um evento sem nexo com a história bíblica. Foi um fato que aconteceu na plenitude dos tempos e testemunhou o cumprimento das promessa de Deus (Gl 4.4). [Comentário: O Magnificat (1.46-56). Alguns questionam se uma jovem e inculta criatura poderia compor esse magnífico poema profético. Não obstante, Maria estava bem familiarizada com as passagens do Antigo Testamento, pois as ouvia nos momentos de louvor na sinagoga e em sua casa. Maria, sem dúvida alguma, sabia tudo sobre a visita do anjo e pode ter escrito seu salmo durante semanas, orientada pelo Espírito que falava através dela. Seu poema em formato de louvor é dividido em quatro partes distintas. 1) louvor e agradecimento pessoal (w. 46-48); 2) celebração aos atributos de Deus (w. 49,50); 3) proclamação da correção da injustiça (w. 51-53); e 4) louvor pela misericórdia demonstrada a Israel (vv. 54,56). O Benedictus (1.67-80). O poema profético de louvor de Zacarias a Deus, pelo Messias (vv. 68-75) e o papel de seu filho, João (w. 76-79). RICHARDS. Lawrence O. Guia do Leitor da Bíblia. Uma análise de Gênesis a Apocalipse capítulo por capítulo.Editora CPAD. pag. 652.] 

2. A restauração do Espírito profético. Já observamos que, na teologia lucana, o Espírito Santo ocupa um lugar especial. Encontramos 17 referências ao Espírito Santo no terceiro Evangelho e 54 no livro de Atos dos Apóstolos. Isso é significativo se levarmos em conta que Mateus fala apenas 12 vezes no Espírito Santo e Marcos 6. Lucas focaliza o revestimento do Espírito, mostrando que o dom profético, silenciado no período Interbíblico, foi revivificado com a vinda do Messias. Não é à toa que a maioria das referências ao Espírito, nesse Evangelho, ocorra nos dois primeiros capítulos que relatam o nascimento de Jesus (Lc 1.41,67; 2.25-27). [Comentário: Já foi dito neste livro que Lucas demonstra um interesse ímpar na pessoa do Espírito Santo e como Ele se relaciona com o ministério de Jesus. Lucas faz um desenho detalhado do contexto profético a fim de mostrar que o Espírito profético havia sido revivificado. Os expositores bíblicos David W. Pao e Echard J. Schnabel denominam esse aspecto da teologia carismática de Lucas de “o alvorecer da era escatológica”, e escrevem: “O surgimento de João Batista significa o retorno da profecia e dos atos salvíficos de Deus na história, essa sessão destaca o despertar da era escatológica. A intensidade da presença do Espírito Santo enfatiza essa afirmação: Isabel “ficou cheia do Espírito Santo” (1.41), e assim também Zacarias (1.67). O ministério de João Batista é caracterizado como um ministério do Espírito (1.15). Simeão, que aguarda com expectativa a consolação de Israel (cf. Is 40.1), recebe o Espírito (2.25) e a revelação do Espírito Santo de que “ele não morreria antes de ver o Cristo da parte do Senhor” (2.26). Embora a presença do Espírito possa ser encontrada nos relatos de personagens do AT (e.g., Josué [Nm 27.18], Sansão [Jz 13.25], Davi (1 Sm 16.13], essa intensidade só encontra correspondência no acontecimento do Pentecostes, relatado no segundo volume de Lucas (At 2), no qual as promessas proferidas por João (Lc 3.16) e por Jesus (Lc 11.13; 12.12; At 1.8) são cumpridas. Esses acontecimentos apontam para o cumprimento de antigas promessas que falam do papel do Espírito no tempo do fim (v. esp. Is 32.14-17 [cf. Lc 24.49; At 1.8]; J1 2.28-32 [cf. At 2.17-21]), quando Deus restaurará seu povo para sua glória (At 3.19-20)”. A teologia de Lucas, portanto, tanto no terceiro evangelho como nos Atos dos Apóstolos é uma teologia da Salvação de Deus. Durante seu ministério terreno, capacitado pelo Espírito Santo, conforme o testemunho do terceiro evangelho, Jesus a proclamou (Lc 4.18; At 10.38). Glorificado à direita do Pai nos céus, e através do mesmo Espírito que outorgou aos que lhe obedecem, conforme o testemunho de Atos dos Apóstolos (At 2.33; 5.32), o Senhor está dando-lhes continuidade. O Espírito Santo sempre esteve presente na história do povo de Deus. Ele esteve presente na história do antigo Israel, esteve presente no ministério de Jesus e dos apóstolos e agora está presente na igreja hodierna! José Gonçalves. Lucas, O Evangelho de JESUS, o Homem Perfeito. Editora CPAD. pag. 32-33. . Simeão é descrito como justo. Também o era José, o esposo de Maria (Mt 1.29); e o era a própria Maria, bem como Zacarias e Isabel (Lc 1.6). E não nos esqueçamos de José de Arimatéia (23.50). Simeão “era justo e devoto”. Veja outros exemplos de pessoas devotas em Atos 2.5; 8.2; 22.12. Com a máxima prudência, essas pessoas se encarregaram dos deveres que Deus lhes designara. São conscientes em seus planos, tendo sempre como objetivo melhorar o bem-estar delas mesmas e de seu próximo, para a glória de Deus. A combinação “justo e devoto” bem que poderia indicar que Simeão se conduzia de tal modo que sua conduta com respeito aos homens (era justo) e para com Deus (era piedoso) era alvo da aprovação divina. Este homem “estava esperando a consolação de Israel”. Realmente, as condições em Israel eram bem precárias, precaríssimas no tempo em que Jesus nasceu em Belém. Pense na perda da independência política, no cruel rei Herodes, na degeneração da religião que passara a ser algo completamente externo, no legalismo de escribas e fariseus e de seus muitos seguidores, no mundanismo dos saduceus, no silêncio da voz profética etc. Mas em meio a toda essa obscuridade, degradação e desespero havia homens que olhavam com esperança, com sinceridade, “para a consolação de Israel”. Havia homens ... e também mulheres! Já foram mencionadas Maria e Isabel. Um pouco mais adiante Lucas porá Ana na lista. A frase “todos os que estavam esperando a redenção de Jerusalém” (2.38) indica que esse grupo de homens e mulheres piedosos era considerável. Que esses homens e mulheres eram deveras justificados nessa esperança é evidente à luz da profecia. Por exemplo, estude as muitas profecias de Isaías nas quais se prometem bênçãos tais como consolo, paz e alegria, associando-as com a era messiânica (Is 7.14; 9.1-7; 11.1- 10; 40.1-11; 49.8-13; 51.1-6, 12-16; 52.13-55.13; 60.1-3; cap. 61; 66.13). Simeão fora dotado com uma bênção muito rara e especial. De alguma forma, mesmo antes do Pentecostes, o Espírito Santo já estava habitando nele. Ele estava constantemente sob a influência do Espírito. Esse mesmo Consolador lhe revelara que não morreria sem antes ver o Cristo de Deus. Para ter mais luz sobre a expressão, o Cristo de Deus, ou do Senhor, veja Salmo 2.2; 45.7; 110.1; Isaías 61.1; Lucas 4.18. HENDRIKSEN. William. Comentário do Novo Testamento. Lucas I. Editora Cultura Cristã. pag. 230-231.
  
SÍNTESE DO TÓPICO I
 0 nascimento de Jesus se deu na plenitude dos tempos, cumprindo todas as profecias bíblicas.


2. O ANÚNCIO DO NASCIMENTO DE JESUS

1. Zacarias e Izabel. Em sua narrativa dos fatos que precederam o anúncio do nascimento de Jesus, Lucas diz que o sacerdote Zacarias havia entrado no "templo para ofertar incenso" (Lc 1.9). A queima do incenso fazia parte do ritual do Templo e ocorria no período da manhã e à tarde (Êx 30.1-8; 1 Rs 7.48-50). Foi durante um desses turnos que um anjo de Deus apareceu a Zacarias para informar-lhe que a sua oração havia sido ouvida pelo Senhor e que a sua mulher, embora já não fosse mais fértil, geraria um menino, cujo nome seria João (Lc 1.13). João, o Batista, nasceu para ser o precursor do Messias, anunciando a sua missão. Ele seria a "Voz do que clama no deserto" e precederia o Senhor, preparando o seu caminho (Lc 3.4,5).[Comentário: Exercendo ele o sacerdócio diante de Deus (8) indica que se tratava de um sacerdote - em uma época em que o sacerdócio era frequentemente corrupto e secularizado - que percebia o caráter sagrado do seu trabalho e o relacionamento, tanto do seu trabalho quanto da sua pessoa, com Deus. Deus não somente escolhe grandes homens para executarem grandes tarefas, mas Ele também destina grandes pais para esses homens - grandes, de acordo com o padrão de Deus. Na ordem da sua turma significa a ordem de Abias (veja o comentário sobre o versículo 5). Na Páscoa, no Pentecostes, e na Festa dos Tabernáculos todos os sacerdotes serviam simultaneamente, mas durante o resto do ano cada uma das 24 ordens servia durante uma semana a cada seis meses. Zacarias estava servindo durante uma dessas semanas no Templo. Depois de terminar o seu período de serviço, ele retornaria à sua casa. Os deveres do sacerdote eram atribuídos por meio da sorte sagrada (9). A maior honra que um sacerdote poderia ter era a de oferecer incenso, e um sacerdote não poderia tirar outra sorte melhor durante aquela semana de serviço. O incenso era oferecido antes do sacrifício matinal, e depois do sacrifício vespertino, no altar do incenso. Este altar se localizava no Tempo, imediatamente antes do véu que separava o Lugar Santo do Lugar Santíssimo. Toda a multidão... estava fora, orando, à hora do incenso (10). Esta era uma ocasião altamente sagrada. O incenso oferecido simbolizava as orações do povo, que eram ofertadas ao mesmo tempo, pelas mulheres no pátio das mulheres, pelos homens no pátio dos homens e pelos demais sacerdotes no pátio dos sacerdotes. Então, um anjo do Senhor lhe apareceu [a Zacarias] (11). A voz divina da revelação não havia se pronunciado durante quatro séculos. Então, de repente, apareceu o anjo do Senhor. Observamos que o anjo não “se aproximou”, ele apareceu - de repente, sem aviso. O fato de ele ter aparecido a um sacerdote no Templo ressalta as características de Antigo Testamento desse início da revelação do Novo Testamento. João seria um precursor do Cristo que viria e do seu Reino. Ele também seria um elo com a revelação do Antigo Testamento, que agora estava chegando ao seu final. A direita do altar do incenso é o lado norte, entre o altar do incenso e a mesa dos pães da proposição. Observamos como Lucas é específico com os mínimos detalhes. Esta é uma característica que podemos observar em todo o seu Evangelho, e é mais uma prova da sua autenticidade. Zacarias... turbou-se... e caiu temor sobre ele (12). Esta era uma reação natural sob estas circunstâncias incomuns. O anjo lhe disse... não temas (13). Embora o medo fosse a reação humana natural, a missão do anjo proporcionava motivo para alegria. A sua presença não era uma indicação do desagrado de Deus, mas da Sua aprovação, e da adequação de Zacarias para uma tarefa divina muito significativa. ... a tua oração foi ouvida, e Isabel, tua mulher, dará à luz um filho. A oração à qual o anjo se refere deve ter sido feita em um período anterior da vida de Zacarias; a sua dificuldade em acreditar na promessa do anjo evidencia que há muito tempo ele já tinha deixado de orar por um filho, ou até mesmo de esperar por ele. Mas Deus não se esquece das orações passadas. O que parece ser uma demora ou uma recusa da parte de Deus, é somente a Sua perfeita sabedoria e o Seu perfeito planejamento. Alguns estudiosos opinam que a oração mencionada aqui foi para a vinda do Messias ou para a libertação de Israel, mas isto não seria coerente com o contexto. Sem dúvida, Zacarias orava frequentemente pedindo essas coisas, mas a oração mencionada era aquela em que ele pedia um filho. E lhe porás o nome de João. Deus não apenas convocava e enviava os seus profetas, mas também frequentemente lhes dava o nome. “João” significa “Jeová mostra graça” ou “a misericórdia” ou “a graça de Jeová”.2 Este era um nome apropriado para alguém cujo ministério demonstra tão claramente a lembrança e a misericórdia de Deus para com o seu povo. Charles L. Childers. Comentário Bíblico Beacon. Lucas. Editora CPAD. Vol. 6. pag. 358-359.]


2. José e Maria. Cerca de seis meses após o anúncio do nascimento de João, o Batista, o anjo Gabriel é enviado a Nazaré, lugar onde moravam José e sua noiva, Maria. Ela era uma virgem e estava noiva de José. O anúncio de que ela geraria um filho, sem que para isso fosse necessário haver intercurso sexual, deixou-a apreensiva (Lc 1.34). 0 anjo informa-lhe que desceria sobre ela o Espírito Santo e o poder de Deus a envolveria com a sua sombra (Lc 1.35). Aqui está o milagre da encarnação - O Filho de Deus fazendo-se carne, a fim de que, através desse grande mistério, possamos alcançar a salvação (Jo 1.1,14). [Comentário: «...como será isto...». Este versículo afirma a intenção do autor de ensinar o nascimento virginal de Jesus. Ver Luc. 1:27. Neste ponto começou o segundo estágio da experiência espiritual de Maria—a perplexidade. (Ver notas, no vs. 29, sobre os quatro estágios dessa experiência: temor e perplexidade (vss. 29 e 34) e administração da graça divina e, finalmente, obediência (vss. 37 e 38). O pronunciamento do anjo causou-lhe espanto, porque suas implicações eram gigantescas, e a perplexidade foi, aprofundada pelo pensamento, que Maria compreendeu pelo menos em parte, que aquele grande Filho haveria de nascer de uma virgem. Maria ficara perplexa ante o fato de que ela haveria de ser a progenitora do Messias davídico, e também porque isso era um anúncio virtual de que teria um filho antes da consumação de seu matrimônio, como ocorrência inteiramente desvinculada desse casamento. Maria, mostrando-se digna representante das mulheres da mais profunda confiança no Senhor,—não requereu um sinal—ou qualquer espécie de confirmação, mas aceitou a declaração por um notável ato de fé. O vs. 45 afirma a sua crença: «Bem-aventurada a que creu, porque serão cumpridas as palavras que lhe foram ditas da parte do Senhor». «...descerá sobre ti o Espirito Santo. ..» Diz Bengel, in loc: «O que denota a operação mais suave e gentil do poder divino, indicando que o fogo divino não consumiria a Maria, mas a tornaria frutífera». (Ver também Êx. 33:33 e Marc. 9:7). O mito clássico a respeito de Semele e Jove apresenta-o aparecendo a ela com o mesmo aspecto que ele tinha no mais alto céu, e o resultado foi que ela foi consumida pelo seu relâmpago, com todos os seus terrores e trovões. Mas aqui é prometida a Maria—a glória—do resplendor divino, porém para encobrir a Maria e servir-lhe de consolo, tal como uma nuvem que oculta os raios consumidores do sol. A referência a Deus Pai, com o título de «Altíssimo», é repetida neste caso. Ver vs. 32. «Filho de Deus». Embora esse apelativo tenha uma aplicação mais ampla do que apenas o nome de «Cristo», e talvez não contenha qualquer ideia de deidade, dependendo do contexto em que se encontra, aparece aqui para indicar uma relação toda especial com Deus—provavelmente a participação na mesma essência—assim ensinando indiretamente a divindade de Cristo. Foi atribuído, sob diferentes circunstâncias a Israel, a reis e a sacerdotes, como título. Em algumas referências, quando Cristo está em foco, não há qualquer intenção de destacar essa relação especial com Deus ou com a natureza divina de Jesus. Se acompanhar o uso dessa expressão pelas páginas sagradas, haveremos de encontrar as seguintes declarações: 1. Jesus é identificado com o personagem profético do Messias davídico do V.T. 2. Reivindica uma relação especial, existente entre Jesus e Deus Pai. 3. Às vezes indica a natureza divina de Jesus, e até mesmo a perfeita união com o Pai (João 5:19,30; 16:32; Heb. 1:3,4). 4. Embora tenha sido inicialmente aplicada ao Messias davídico, posteriormente assume qualidades transcendentais e se torna um título de Jesus Cristo, com o intuito de indicar a sua natureza divina. CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 2. pag. 16. A informação adicional que o anjo transmite a Maria, respondendo à sua pergunta a respeito do nascimento deste príncipe. 1. A pergunta que ela faz é apropriada: “Como se fará isto?”, v. 34. Como eu posso conceber um filho na atualidade (pois foi isto o que o anjo quis dizer), se eu “não conheço varão”? Deverá ser de outra maneira, e não pelo modo normal de concepção? Se for assim, diga-me “como se fará isto?” Ela sabia que o Messias devia nascer de uma virgem; e, se ela devia ser a sua mãe, ela queria saber como isto aconteceria. Estas não eram palavras resultantes da sua falta de confiança, ou de qualquer dúvida sobre o que o anjo lhe havia dito, mas de um desejo de receber mais orientação. 2. A resposta que ela recebe é satisfatória, v. 35. (1) Ela irá conceber pelo poder do “Espírito Santo”, cuja obra é santificar, e portanto, santificar a virgem, para este propósito. O Espírito Santo é chamado de “virtude do Altíssimo”. Ela pergunta “como se fará isto? Isto é suficiente para ajudá-la a superar as dificuldades que parecem existir. Um poder divino o realizará, não o poder de um anjo empregado para isto, como em outros milagres. Mas, o poder do próprio “Espírito Santo”. (2) Ela não deve fazer perguntas a respeito da maneira como isto se realizará, pois o Espírito Santo, sendo “a virtude do Altíssimo”, irá cobri-la “com a sua sombra”, como a nuvem cobriu o tabernáculo quando a glória de Deus tomou posse dele, para escondê-lo daqueles que poderiam - com excessiva curiosidade - observar o que acontecia, “bisbilhotando” os seus mistérios. A formação de cada bebê no útero, e a entrada do espírito da vida nele, são mistérios da natureza; ninguém conhece “o caminho do vento, nem como se formam os ossos no ventre da que está grávida”, Eclesiastes 11.5. Nós fomos formados no oculto, Salmos 139.15,16. A formação do menino Jesus é um mistério ainda maior, sem controvérsia, “grande é o mistério da piedade”, Deus manifestado em carne, 1 Timóteo 3.16. E uma coisa nova criada na terra (Jr 31.22), a cujo respeito nós não devemos cobiçar conhecer além do que está escrito. (3) A criança que ela irá conceber é santa, e portanto não deve ser concebida da maneira normal, porque ela não deverá compartilhar da corrupção e da contaminação comuns à natureza humana. O bebê é mencionado enfaticamente como “o Santo”, como nunca houve; e Ele será chamado de “Filho de Deus”, como o Filho de Deus por geração eterna, o que indica como Ele será formado pelo Espírito Santo, nesta concepção. A sua natureza humana deveria ser produzida desta maneira, como era adequado que fosse, pois se uniria à natureza divina. HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento MATEUS A JOÃO Edição completa.Editora CPAD. pag. 517.]

SÍNTESE DO TÓPICO II
0 anjo Gabriel anunciou a Maria o nascimento do Filho de Deus.




3. O NASCIMENTO DE JESUS E OS CAMPONESES

1. A nobreza dos pobres. É um fato de fácil constatação o destaque que os pobres recebem no Evangelho de Lucas. Quando deu início ao seu ministério, Jesus o fez dizendo as seguintes palavras: "0 Espírito do Senhor é sobre mim, pois que me ungiu para evangelizar os pobres" (Lc 4.18). Os pobres faziam parte das bem-aventuranças de Jesus (Lc 6.20). Pobres são os carentes tanto de bens materiais como espirituais. No anúncio do nascimento de Jesus, um anjo do Senhor é enviado especialmente aos camponeses pobres que pastoreavam os seus rebanhos no campo. Jesus veio para todos, independente da condição social. O Filho de Deus dedicou total atenção as minorias do seu tempo: as mulheres, crianças, gentios, leprosos, etc. Ele chegou a ser chamado de amigo de publicanos e pecadores, pois estava sempre perto dos mais necessitados. Como Igreja do Senhor, temos atendido os desvalidos em suas necessidades? Será que temos seguido o exemplo do Salvador? Como "sal" da terra e "luz" do mundo precisamos revelar Cristo aos carentes e necessitados, pois eles conhecerão o amor de Cristo mediante as nossas ações. [Comentário: Evangelizar os pobres (18), ou “pregar o evangelho aos pobres”. O termo evangelho significa “boas-novas” ou “boas notícias”. Os pobres pareciam mais dispostos a ouvir Jesus. As suas necessidades faziam com que eles se voltassem para o Salvador. Ninguém, rico ou pobre, consegue encontrar Jesus até que perceba sua destituição espiritual, busque a Cristo, e confesse a Ele as suas necessidades. Charles L. Childers. Comentário Bíblico Beacon. Lucas. Editora CPAD. Vol. 6. pag. 387. Por isso, a segunda coisa que Jesus diz para caracterizar a proclamação que lhe fora confiada é que ela precisa ser levada aos pobres, aos pedintes e mendicantes, isto é, aos que se encontram fracos e com o coração deprimido, prostrando-se por isso em súplica perante Deus, uma boa mensagem que alegra justamente a estes. – Por isso, lemos no v. 18: Ele me enviou para evangelizar aos indigentes. A expressão “indigente” refere-se aos materialmente pobres e que se tornaram também interiormente pobres pelo Espírito Santo (cf. Comentário Esperança, Mateus, o exposto sobre Mt 5.3, p. 76s). Aqueles que têm consciência dessa sua miséria (cf. a primeira bem-aventurança do Sermão da Montanha) são receptivos para a boa nova da graça. “Jesus não se considera enviado aos que acreditam que não precisam de ajuda nem de quem os auxilie, mas àqueles que sofrem com a própria situação e com a situação do mundo, esperando por socorro. É para estes que a mensagem de Jesus é notícia alegre”, diz um comentarista. O fato de que as ilustrações são retiradas da esfera social, anunciando primeiro aos indigentes e desprezados na vida a salvação e alegria, não constitui apenas uma predileção de Lucas, mas está profundamente embasado em toda a revelação de Deus com tal, porque representava a vinda de Deus aos humanos. Não obstante Lucas não perde nenhuma oportunidade para dar destaque especial a esse aspecto. Afinal, não há melhor forma de retratar a graça do que pela condescendência com o que não é nada. Fritz Rienecker. Comentário Esperança Evangelho de Lucas. Editora Evangélica Esperança.] 

2. A realeza do Messias. A mensagem angélica anunciada aos pastores que se encontravam no campo era que havia nascido na ''cidade de Davi, [...] o Salvador, que é Cristo, o Senhor" (Lc 2.11). Lucas lembra o fato de que Cristo nasceu em Belém, cidade de Davi, cumprindo dessa forma a profecia bíblica (Mq 5.2). Mas o Messias não apenas nasce em Belém, cidade de Davi, Ele também possui realeza porque é da descendência de Davi, como atesta a sua árvore genealógica (Lc 3.23-38). Mas não era só isso. Lucas também detalha como o anjo de Deus falou da realeza do Messias aos camponeses! Ele é o Salvador, o Cristo, o Senhor (Lc 2.11). Essas palavras proferidas pelo anjo, além de mostrar a realeza do Messias, destacam também a sua divindade. Jesus é Deus feito homem! [Comentário: «...nasceu na cidade de Davi...». Aqui encontramos o paradoxo da encarnação. Quão estranhamente se combinam as palavras destes versículos: «...o Salvador...Cristo, o Senhor...uma criança envolta em faixas e deitada em manjedoura... Essas frases têm sido ouvidas e lidas tão frequentemente que a primeira impressão deixada por elas já se embotou para muitos. Não obstante, por si mesmas devem ter parecido a princípio impossíveis e inacreditáveis. Seria uma manjedoura lugar próprio para aquele que foi enviado pelo Deus altíssimo? Um estábulo seria o lugar onde se esperaria encontrar o Salvador recém-nascido? No entanto, o mistério e a maravilha da encarnação se fazem presentes precisamente no fato que essas coisas assim aconteceram. Pois por ocasião do nascimento de Jesus, em Belém, e em tudo que a vida de Jesus haveria de revelar posteriormente, encontramos a mensagem de que não somente existe Deus, mas também que Deus se aproxima extraordinariamente de nós. Crer que Deus está acima de nós é uma coisa. Crer que Deus é uma força suficiente para nós é uma confiança inteiramente diferente, inspiradora. E crer que Deus é não somente todo-poderoso, mas também se mostra todo-suficiente, e é Deus conosco, Deus próximo de nós, é algo que nem podemos começar a compreender, e é a melhor de todas as coisas» (Walter Russel Bowie, in loc.). Naturalmente que devemos observar, em companhia de quase todos os comentaristas das Escrituras, que a humildade do nascimento de Jesus concorda com a posição por ele ocupada na vida, e com as suas maneiras. E também se coaduna com aqueles para quem veio ministrar. Ele tratava com as pessoas em suas ocupações ordinárias, trabalhou como carpinteiro, falava sobre mulheres que teciam e amassavam a massa, sobre o semeador em seu trabalho de semeadura, e sobre os pastores que vigiavam os seus rebanhos. Jesus cresceu como todo homem deve crescer, e desenvolveu-se como todo homem deveria fazê-lo. Aprendeu a andar com Deus, e, na qualidade de homem, desenvolveu grandes poderes espirituais. Jesus foi, ao mesmo tempo, o caminho e o indicador do caminho. E do modo como ele andou também nos compete andar; e assim como ele compartilhou plenamente de nossa natureza, assim também haveremos de compartilhar plenamente da dele. (Ver humanidade de Cristo e sua importância para nós, em Fil. 2:7, bem como a transformação de nossa natureza na dele, em Rom. 8:29 e Efé. 1:23). «Existem alguns trechos, nas Escrituras, onde as palavras Cristo e Senhor aparecem juntas. No cap. 23:2 temos Cristo, o Rei, e em Atos 2:36 encontramos Cristo e Senhor. E não vejo outra maneira de compreender a palavra ‘Senhor’ senão como um paralelo do termo hebraico Jeová» (Alford, in loc., apoiado por outros comentaristas e intérpretes, como Wordsworth). A conexão entre Cristo e Senhor também ocorre em Col. 3:24. O povo, ao tempo do império romano, acostumara-se a intitular o imperador de «Salvador»; mas os cristãos aplicam esse titulo a Jesus Cristo. Muitas dificuldades e perseguições houve contra os cristãos, por causa dessa doutrina. CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 2. pag. 29.] 


SÍNTESE DO TÓPICO III
 Os pastores que estavam no campo foram os primeiros a saber que o Filho de Deus havia nascido.





4. O NASCIMENTO DE JESUS E O JUDAÍSMO

1. Judeus piedosos. Lucas mostra que o nascimento de Jesus aconteceu sob o judaísmo piedoso. Ele ocorre dentro do contexto daqueles que alimentavam a esperança messiânica. São pessoas piedosas que aguardavam o Messias e, quando Ele se revelou, elas prontamente o reconheceram. Primeiramente, Lucas cita Zacarias, um sacerdote piedoso e sua esposa, Isabel. A Escritura sublinha que ambos eram justos diante de Deus e viviam irrepreensivelmente nos preceitos e mandamentos do Senhor (Lc 1.6). Lucas apresenta também Simeão, outro judeu piedoso de Jerusalém, e que esperava a consolação de Israel. A ele foi revelado, pelo Espírito Santo, que não morreria antes que visse o Messias {Lc 2.25,26). Da mesma forma a profetisa Ana, uma viúva piedosa, que continuamente orava a Deus e jejuava. Quando viu o menino Jesus, deu graças a Deus por Ele e falava da sua missão messiânica (Lc 2.36-38). [Comentário:  Simeão era nome bem comum, e com esse nome figuram diversos personagens bíblicos bem conhecidos. Alguns têm pensado que esse Simeão tivesse sido filho dó famoso rabino Hilel e pai de Gamaliel, mencionado em Atos 5:34, e que foi o mestre de Saulo de Tarso. Acerca disso não possuímos qualquer informação segura. Mas os pormenores com que contamos são suficientes em si mesmos. Simeão era homem justo, piedoso, devoto (palavra empregada somente por Lucas, neste ponto, e em parte alguma do N.T. encontrada além desta passagem; significa temente a Deus, e os seus cognatos podem ser encontrados em Heb. 4:5-7 e 12:28. Quando aplicada a questões religiosas enfatiza o elemento da circunspecção, da cautela, da observância cuidadosa dos preceitos divinos, e por isso mesmo expressa muito bem a ideia da piedade, segundo é retratada no V.T., com suas muitas leis e ordenanças. Ver também Atos 2:5). Esse homem, pois, esperava a consolação de Israel, o que é uma referência direta à promessa e às profecias messiânicas. Pelo texto também ficamos sabendo que ele recebeu uma revelação especial para entender aquele acontecimento, e que o mesmo deveria estar bem próximo. (Ver os vss. 35 e 30). O vs. 35 indica, igualmente, que ele percebeu que o sofrimento faria parte do destino do Messias, tanto quanto a glória; mas essa glória futura do Messias não é omitida. Se Simeão entendeu ou não perfeitamente tudo quanto estava envolvido nessas profecias, não sabemos dizer; mas o mais certo é que ele não percebia todo o seu alcance. Lemos, na história, que Simeão não era o único a esperar pelo Messias, naqueles dias, pois através da leitura das profecias de Daniel, tal como aquela encontrada em Dan. 9:26, um remanescente esperava o cumprimento das promessas messiânicas justamente no tempo de Jesus Cristo. Algumas lendas se têm desenvolvido em torno da pessoa de Simeão, como no caso de muitas outras histórias presas ao Antigo ou ao Novo Testamentos, onde realmente não possuímos qualquer informação sólida que esclareça as identidades. Entretanto, o evangelista teve o cuidado de tornar conhecida a identidade desse homem quanto ao seu estado espiritual, embora não nos informasse sobre as suas circunstâncias humanas. A inscrição na lápide de um soldado, no estado de Virgínia, nos Estados Unidos da América do Norte, expressa a mesma ideia, ao dizer: «Quem foram eles, ninguém sabe; que foram eles, todos sabem». «Revelara-lhe o Espírito Santo...». Certa passagem, em Eyth. Zig,, menciona uma tradição com esse sentido; mas provavelmente não é uma tradição separada, mas apenas uma tradição que procura ornar o texto. Sabemos tão-somente que Simeão gozava de uma presença especial do Espírito Santo e sua orientação, análoga àquela forma superior de vida espiritual que, em dias mais antigos, era expressa pela expressão «andar com-Deus». Lucas indica que, por causa dessa unção especial do espírito, Simeão foi conduzido ao templo naquele dia particular, e que reconheceu ao Cristo. Tudo isso parece indicar alguma forma especial de manifestação do Espírito Santo em sua vida. Não lemos que a Simeão tivesse sido revelado qualquer coisa sobre Jesus, sobre as narrativas acerca de seu nascimento, sobre o milagre de sua concepção virginal ou sobre as visitações angelicais; não obstante, reconheceu a identidade da criança. Bengel observa a doce antítese que aqui aparece entre dois espetáculos, o fato de ter visto «o Cristo do Senhor», antes que ele «visse a morte». Lange observa admiravelmente que «Simeão, no sentido mais nobre do termo, é o eterno judeu do Velho Pacto que não pode morrer antes de ter visto o Messias prometido. Foi-lhe permitido dormir na paz de seu Senhor, antes da crucificação dele». A expressão «o Cristo do Senhor » é um título judaico, anterior ao cristianismo, que significa «o Messias de Deus», isto é, o ungido de Deus. CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 2. pag. 33.]

2. Rituais sagrados. Lucas coloca o cristianismo dentro do contexto do judaísmo e não como uma seita derivada deste. Como qualquer judeu de seu tempo, Jesus se submete aos rituais da religião judaica (Lc 2.21-24). Como Homem Perfeito, Ele cumpriu toda a lei de Moisés.[Comentário: «...circuncidado o menino, deram-lhe o nome Jesus...» Uma vez mais vemos que uma criança recebe nome por ocasião de sua circuncisão. Quanto a uma explicação completa a esse respeito, bem como acerca do sentido e da história do rito da circuncisão, ver as notas em Luc. 1:59. «Jesus». (Luc. 1:31). Lucas teve o cuidado de salientar que esse nome foi dado de acordo com a proclamação angelical (1:31). «..purificação deles...» Alguns manuscritos, principalmente o códex (D) dizem dela, referindo-se à purificação de Maria após o parto, e isso é seguido por algumas traduções, tal como a KJ; mas essa alteração de «deles» para «dela» foi efetuada a fim de fazer o texto conformar-se à regulamentação de Lev. 12:6. Assim sendo, quase todos os mss e traduções dizem «deles». Após o parto, a mulher ficava cerimonialmente impura (separada da adoração formal) durante quarenta dias, se o filho fosse do sexo masculino, e durante oitenta dias, se fosse uma menina. (Ver Lev. 12:1-8. onde se leem esses regulamentos bíblicos). A impureza podia ser física. cerimonial ou moral. Aquele que participasse da adoração deveria ser fisicamente puro, além de estar cerimonialmente limpo (mediante observância de muitas leis variegadas concernentes ao que podia ser tocado, comido, etc.) e moralmente limpo, através da observância da lei moral, Principalmente os dez mandamentos. É possível que o fluxo de sangue, após o nascimento de uma criança, assim tomando a mãe supostamente «fisicamente inquira», tivesse dado lugar a esse regulamento e à subsequente cerimônia de purificação da mãe. No N .T., o evangelho eliminou tais leis como princípios de adoração. Embora muitas delas são proveitosas como medidas de higiene. Os judeus ampliavam a grandes proporções as coisas mais comezinhas, e algumas leis, que eles mesmos reputavam secundárias, acerca da impureza, eram observadas como grandes questões religiosas. No fim do período do tempo designado pela lei, a mãe oferecia certos sacrifícios no templo, estipulados pela lei, devido à sua impureza, e assim ela ficava cerimonialmente limpa. «.. .para o apresentarem ao Senhor. » Isso foi feito de conformidade com a estipulação de Êx. 13:2, quando o primogênito era criança do sexo masculino. Obviamente era um testemunho da ideia do sacerdócio dos primogênitos, como sobrevivente da ideia em prática, mesmo depois das funções desse sacerdócio terem sido superadas pelo sacerdócio dos filhos de Aarão. Os primogênitos de cada família ainda tinham por obrigação levar uma vida consagrada e tinham de reputar-se pessoas dedicadas a certos misteres especiais. (Ver Heb. 12:23, que indica que todos os crentes devem pensar sobre si mesmos nesses termos, porquanto todos os crentes são «primogênitos» e «primícias» da humanidade, segundo aprendemos em Tia. 1:18). Como expressão formal dessa obrigação, o pagamento de pequena quantia em dinheiro era esperado, feito ao sacerdócio aarônico (ver Núm. 18:15). O rito da apresentação era diferente do rito da purificação, mas é patente que os dois ritos são mesclados nesta narrativa de Lucas. A lei provia a «redenção» dos meninos primogênitos mediante a oferta de um substituto (Êx. 13:13), mas Lucas omite qualquer menção sobre isso. Lucas apresenta—o quadro inteiro—como apresentação do menino Jesus ao serviço de Deus, e a história foi arranjada de acordo com a narrativa acerca de Samuel, que encontramos na passagem de I Sam. 1:24-28. «...para oferecer um sacrifício... » A citação é tirada de Lev. 12:8, e isso fala sobre o sacrifício que deveria ser oferecido pela mãe pobre, incapaz de oferecer um cordeiro; em outras palavras, era o sacrifício oferecido pelos pobres, o que nos serve para indicar o estado financeiro da família de José. O preço dos pombos seria o equivalente a alguns poucos centavos. De conformidade com o trecho de Êx. 13:2-12, todos os primogênitos deveriam ser redimidos por tal orientação como—memorial— do fato que as famílias israelitas foram poupadas, quando o anjo destruidor passou por cima do sangue, durante a «páscoa». Também lemos que se dois pombinhos fossem dispendiosos demais para uma família, então poderia ser oferecida uma porção de farinha de trigo, embora sem os usuais acompanhamentos fragrantes de azeite e incenso, o que também se dava no caso da oferta pelo pecado. (Ver Lev. 12:6-8 e 5:7-11). Assim sendo, vemos que a família do Senhor Jesus era pobre, embora não vivesse em pobreza abjeta, posto que preferiram a categoria intermediária. (Á visita dos magos, segundo ficou registrada exclusivamente pelo evangelho de Mateus—2:1-12—mui provavelmente antecedeu a essa ação no templo. CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 2. pag. 32-33.]


SÍNTESE DO TÓPICO IV
 José e Maria, como pais piedosos, seguiram todos os rituais do judaísmo no nascimento de Jesus.



CONCLUSÃO

Já observamos que Lucas procura situar o nascimento de Jesus dento do contexto histórico. Dessa forma ele dá detalhes sobre fatos da história universal mostrando que Deus foi, é e continuará sendo Senhor da História. É dentro dessa história que se cumpre as profecias. O Messias prometido, diferentemente do Messias esperado pelos judeus, nasce em uma manjedoura e não em um palácio. Os pobres, e não os ricos, são os convidados a participar do seu natal. A Lógica do Reino de Deus se manifesta oposta à do reino dos homens. Todos aqueles que se sentem carentes e necessitados são convidados a participarem dele. [Comentário: “A religião judaica foi tipo que uma "terra arada" e o cristianismo foi a semente plantada nessa terra. Quando ocorreu a diáspora judaica, os judeus espalharam a ideia de que: iria vir um messias, e ele ia ser a esperança do mundo, ele ia ter a salvação” Plenitude dos tempos (Gálatas 4:4)-Danyllo Gomes, em http://verdadedocristianismo.blogspot.com.br/2012/03/plenitude-dos-tempos-galatas-44.html. Deus é soberano na história, preparou o cenário para a aparição do Messias, no tempo exato. A “plenitude dos tempos” é o tempo pré-determinado por Deus desde antes da fundação do mundo, para libertar os que estavam debaixo da Lei, nos tornar Seus filhos pela adoção de filhos que há em Jesus Cristo e tornar a congregar em Cristo todas as coisas. A plenitude dos tempos é o momento histórico em que Deus se fez carne para manifestar a Sua Graça e Verdade aos Seus filhos gentios.] “NaquEle que me garante: "Pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus" (Ef 2.8)”.

Francisco Barbosa
Disponível no blog: auxilioebd.blogspot.com.br.



sábado, 4 de abril de 2015

LIÇÃO 1: O EVANGELHO SEGUNDO LUCAS


  
TEXTO ÁUREO
“Para que conheças a certeza das coisas de que já estás informado.” (Lc 1.4).

VERDADE PRÁTICA

O Cristão possui uma fé divinamente revelada e historicamente bem fundamentada.



LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Lucas 1.1-4

1 - Tendo, pois, muitos empreendido pôr em ordem a narração dos fatos que entre nós se cumpriram,
2 - segundo nos transmitiram os mesmos que os presenciaram desde o princípio e foram ministros da palavra,
- pareceu-me também a mim conveniente descrevê-los a ti, ó excelentíssimo Teóflo, por sua ordem, havendo-me já informado minuciosamente de tudo desde o princípio,

4 - para que conheças a certeza das coisas de que já estás informado.



  

SUBSÍDIO I

INTRODUÇÃO

Este trimestre da Escola Bíblica Dominical será predominantemente cristocêntrico. Estudaremos o evangelho segundo Lucas, enfocando a vida e o ministério de Jesus. Na aula de hoje faremos uma incursão sobre os aspectos contextualizadores desse livro: autoria, data, local e destinatário. Trataremos também a respeito do gênero, contexto e ênfase teológica. Ao final, ressaltaremos a pessoa de Jesus na teologia lucana, como Servo e Filho do Homem.


1. AUTORIA, LOCAL, DATA E DESTINATÁRIO


Esse evangelho não explicita diretamente quem teria sido o autor do livro. Irineu, um dos pais da igreja, escreveu que “Lucas, companheiro de viagem de Paulo, registrou o evangelho por este pregado em um livro”. O médico amado, como ficou conhecido esse evangelista, escreveu depois da ascensão de Jesus, durante o período que acompanhava Paulo em suas viagens missionárias (Cl. 4.14; Fm. 24; II Tm. 4.11). O autor se aproxima da teologia paulina, principalmente em relação à universalidade da salvação (Lc. 4.27; 24.47), a necessidade da fé para a salvação (Lc. 8.12; 18.8), o amor de Deus pelos pecadores (Lc. 15.11), bem como a identificação de Jesus como Senhor (Kyrios em grego). Como Paulo, Lucas não viu o Senhor em carne, por isso dependeu de informações coletadas. Esse evangelho foi escrito por volta do ano 60 d. C., provavelmente fora da Palestina, considerando que Lucas era um cristão gentio. Os estudiosos admitem que Mateus tenha escrito para os judeus, Marcos para os romanos, e Lucas para os gregos. O evangelista destinou o seu livro a Teófilo, um homem culto e influente, a quem também dedicou o livro de Atos (At. 1.1-4). É possível que Teófilo tenha recebido a fé cristã, e tenha sentido a necessidade de conhecer melhor o Salvador. Esse deveria circular entre os gentios, a fim de que todos os povos fossem alcançados pela graça salvadora de Jesus Cristo.

2. DIVISÃO, GÊNERO E ÊNFASE TEOLÓGICA

Esse evangelho, diferentemente dos demais, inicia com um prólogo, no qual o autor expõe o material que dispôs para escrever (Lc. 1.1-4). O autor destaca, em sua narrativa, a infância de Jesus, dando atenção especial também às mulheres e aos pobres. O texto pode ser assim dividido: Introdução (1.1-4.13), o ministério de Jesus na Galileia (4.14 – 9.50), relato de viagem e sermões (9.51-19.27) e o ministério de Jesus em Jerusalém (19.28 – 24;53). No texto grego esse evangelho é o maior livro do Novo Testamento, com aproximadamente 96 páginas, sendo caracterizado por um estilo literário mais refinado, bastante próximo do grego que lembra a erudição da Septuaginta, tradução grega do Antigo Testamento hebraico. A fim de evitar confusão em relação à cultura judaica, o autor deixa de enfocar aspectos tratados nos outros sinópticos, tais como os sentimentos de Jesus (Lc. 6.10; 18.22), a cura de Jesus pelo toque (Lc. 6.19;b5.13), entre outros. Logo no início Jesus é identificado como Kyrios, o Senhor (Lc. 5.8; 7.13; 10.1,41; 22.61). A narrativa lucana é caracterizada pela acuidade histórica, pois mesmo não tendo sido uma testemunha ocular, busca informações confiáveis das testemunhas oculares. Ele investigou tudo cuidadosamente, “desde o princípio” (1.3), com a meticulosidade de um historiador. O resultado pode ser identificado na exposição de relatos desconsiderados nos outros evangelhos, tais como a infância de Jesus, a pesca maravilhosa, o chamado de Pedro, as parábolas da ovelha perdida, moeda perdida e do filho perdido, do rico insensato, do administrador infiel, do fariseu e do publicano, entre outros. Lucas também é considerado um evangelista pentecostal, considerando suas alusões ao Espírito Santo, tanto no evangelho quanto em Atos.


3. JESUS, O HOMEM PERFEITO EM LUCAS

O tema central do evangelho segundo Lucas é Jesus Cristo, reconhecido como o Senhor (Lc. 2.1), e o Homem Perfeito (Lc. 5.24). Em sua narrativa Lucas ressalta a identificação de Jesus com os marginalizados, notadamente as mulheres, as crianças e os pobres. Os pecadores que eram desprezados pela sociedade eram acolhidos por Jesus (Lc. 5.1; 7.36) Até mesmo os samaritanos, que eram desdenhados pelos judeus, são alcançados pela graça de Cristo (Lc. 10.30). Lucas mostra que o amor de Deus se destina a todos, principalmente aos grupos minoritários, como os pobres. Historicamente, o autor responsabiliza a liderança judaica, em consonância com as autoridades romanas, pela morte de Jesus (Lc. 20.20,26; 23.2-25). Lucas utiliza expressões messiânicas, que aludem à divindade de Jesus, como Deus Verdadeiro. Ele faz referência ao título “Filho do Homem”, que Jesus atribuiu a Si mesmo, a fim de demonstrar sua natureza humana. Por outro lado, o Senhor também estava ciente da Sua natureza divina (Lc. 2.4-52), sendo Ele o modelo de Homem Perfeito, que enfrenta e derrota Satanás (Lc. 4.1-13). Como Homem Perfeito, Jesus dependeu da atuação do Espírito Santo, realizando por intermédio dEle, milagres e maravilhas (Is. 11.1,2; 42.1). O Messias tinha uma missão a cumprir, e essa seria realizada pelo poder do Espírito (Lc. 4.16-19; Is. 61.1). Jesus não deixou de ser Deus ao se fazer Homem, mas abdicou das prerrogativas de usar Seu poder para fazer milagres, dependendo dos dons do Espírito Santo.

CONCLUSÃO

Que dizem ser o Filho do Homem? Perguntou certa feita o próprio Jesus (Mt. 16.13-20). A resposta a esse pergunta é crucial a fim de distinguir uma cristologia falsa ou verdadeira. Ao longo das próximas aulas estudaremos com maiores detalhes a respeito da vida e ministério de Jesus, com base no evangelho segundo Lucas. Esperamos que, ao longo das próximas semanas, possamos reconhecer o senhorio de Cristo, como fez Tomé, prostrando-se aos Seus pés, chamando-O de “meu Senhor, e Deus meu” (Jo. 20.28).

Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa


SUBSÍDIO II


INTRODUÇÃO


O Evangelho de Lucas é um dos livros mais belos e fascinantes do mundo. De fato, o terceiro Evangelho se distingue pelo seu estilo literário, pelo seu vocabulário e uso que faz do grego, considerado pelos eruditos como o mais refinado do Novo Testamento. Mas a sua maior beleza está em narrar a história da salvação (Lc 19-10). O autor procura mostrar, sempre de forma bem documentada, que o plano de Deus em salvar a humanidade, revelado através da história, cumpriu-se cabalmente em Cristo quando Ele se deu como sacrifício expiador pelos pecadores (Jo 10.11). Deus continua sendo Senhor da história e o advento do Messias para estabelecer o seu Reino é a prova disso. Lucas mostra que é através do Espírito Santo, primeiramente operando no ministério de Jesus e, posteriormente na Igreja, que esse propósito se efetiva. [Comentário: Lucas, o médico amado, não foi um apóstolo nem tampouco foi uma testemunha ocular da vida de Jesus, todavia deixou uma das mais belas obras literárias já escritas sobre os feitos do Salvador e os primeiros anos da comunidade cristã. Homem crente, cheio do Espírito do Senhor, com ampla visão da necessidade da obra, Lucas empregou seus dons ligados à palavra escrita para proclamar o que sabia a respeito de Jesus Cristo. Ele fora evangelista, pastor e chamado de “médico amado”, um tratamento afetivo que lhe dispensa Paulo em Cl 4.14. Seus pais eram de origem grega. Provavelmente converteu-se com a pregação de Paulo. Por ter amplo vocabulário e dom da comunicação, ao escrever o terceiro Evangelho e Atos, Lucas oferece-nos maior quantidade de informações históricas do que qualquer outro autor do Novo Testamento. Lucas é o autor do terceiro Evangelho e do livro de Atos (At 1.1-5). Os dois livros mostram uma similaridade de estilo. O escritor foi um companheiro de viagem de Paulo (At 16. 10-17).  E os dois documentos são dirigidos à mesma pessoa: Teófilo. O evangelho de Lucas foi escrito por volta do ano 60 d.C.]. Convido você para mergulharmos mais fundo nas Escrituras!

1. O TERCEIRO EVANGELHO

1. Autoria e data. Lucas, "o médico amado" (Cl 4.14), a quem é atribuída a autoria do terceiro Evangelho, é citado no Novo Testamento três vezes. Todas as citações estão nas epístolas paulinas e são usadas no contexto do aprisionamento do apóstolo Paulo (Cl 4.14; Fm 24; 2 Tm 4.11). Embora o autor do terceiro Evangelho não se identifique pelo nome, isso não depõe contra a autoria lucana. Desde os seus primórdios, a Igreja Cristã atribui a Lucas a autoria do terceiro Evangelho. A crítica contra a autoria de Lucas não tem conseguido apresentar argumentos sólidos para demover a Igreja de sua posição. A erudição conservadora assegura que Lucas escreveu a sua obra (aproximadamente) no início dos anos sessenta do primeiro século da era cristã.  [Comentário: O Evangelho Segundo Lucas (em grego: Τὸ κατὰ Λουκᾶν εὐαγγέλιον; transl.: To kata Loukan euangelion) é o terceiro dos quatro evangelhos canônicos. Ele relata a vida e o ministério de Jesus de Nazaré, detalhando a história dos acontecimentos de Seu nascimento até Sua Ascensão. O autor é tradicionalmente identificado como Lucas, o evangelista. Certas histórias populares, como o Filho Pródigo e o Bom samaritano, são encontrados somente neste evangelho. A obra tem uma ênfase especial sobre a oração, a atividade do Espírito Santo, a alegria e o cuidado de Deus para com os pobres, as crianças e as mulheres. Lucas apresenta Jesus como o Filho de Deus, mas volta sua atenção especialmente para a humanidade dEle, com Sua compaixão para com os fracos, os aflitos e os marginalizados. Com base em Lucas 1.1-4 e Atos 1.1-3, é evidente que o mesmo autor escreveu ambos Lucas e Atos, dirigindo os dois ao "excelentíssimo Teófilo", possivelmente um dignitário romano. A tradição desde os primeiros dias da igreja foi que Lucas, um médico e companheiro próximo ao Apóstolo Paulo, escreveu tanto Lucas e Atos (Colossenses 4.14; 2 Timóteo 4.11). Isto faria de Lucas o único gentio a escrever um dos livros da Escritura. De acordo com o prefácio do livro, o propósito de Lucas é relatar o início do Cristianismo, enquanto procura o significado teológico da história. A erudição cristã tradicional tem datado a composição do evangelho para o início dos anos 60 d.C., enquanto a alta crítica data para décadas mais tarde do século. Irineu, um dos pais da Igreja, já citava o Evangelho Segundo Lucas em seus escritos, por volta do ano 180 d.C. Alguns intérpretes argumentam a favor de uma data entre 75 e 85 d.C., afirmando que algumas passagens de Lucas pressupõem a destruição de Jerusalém, fato ocorrido em 70 d.C. (ex. 19.43; 21.20, 24). Mas essas passagens falam daquilo que era costumeiro quando um exército sitiava uma cidade da época, e não se podem acrescentar novas conclusões além daquilo que foi profetizado por Jesus. Jesus profetizou que as políticas em vigência levariam à ruína da nação no devido tempo. Alguns poucos críticos argumentam a favor de uma data no século II, mas parece não haver boas razões para isso. Com as informações que dispomos a data mais razoável é no início dos anos 60.] 

2. A obra. Lucas era historiador e médico. Ele escreveu sua obra em dois volumes (Lc 1.1-4; At 1.1,2). 0 terceiro Evangelho é a primeira parte desse trabalho e é uma narrativa da vida e obra de Jesus, enquanto os Atos dos Apóstolos compõem a segunda parte e narram o caminhar espiritual dos primeiros cristãos da Igreja Primitiva.  [Comentário: Muitos acreditam que o Evangelho de Lucas e os Atos dos Apóstolos originalmente constituíam uma obra de dois volumescompostos em grego koiné, que os estudiosos chamam de Lucas-Atos. O Evangelho de Lucas é único por ser uma narração meticulosa -- uma "exposição em ordem" (Lucas 1.3) compatível com a mente médica de Lucas -- muitas vezes dando detalhes que as outras narrativas omitem. A história de Lucas da vida do Grande Médico enfatiza o seu ministério - e compaixão – aos gentios, samaritanos, mulheres, crianças, cobradores de impostos, pecadores e outros considerados marginalizados em Israel. O estilo de Lucas é o mais literário de todos eles. Graham Stanton avalia a abertura do Evangelho de Lucas como "a frase mais refinada de todo o período pós-clássico da literatura grega". Linguisticamente, o Evangelho de Lucas divide-se em três seções. O prefácio (1:1-4), escrito num bom estilo clássico. O restante do capítulo 1 e o capítulo 2 têm um sabor nitidamente hebraico. É tão marcante que certo número de estudiosos chegou à conclusão de que aqui temos uma tradução de um original em hebraico. A partir de 3:1, Lucas escreve num tipo de grego helenístico que relembra fortemente a Septuaginta, versão grega do Antigo Testamento. O vocabulário é extensivo e Lucas utiliza 266 palavras (além dos nomes próprios) que não são achados noutras partes do Novo Testamento. O estilo do Evangelho constantemente lembra a septuaginta. As citações do Antigo Testamento de Lucas são comumente tiradas daquela versão, e normalmente o autor emprega as formas de nomes próprios achadas ali. Às vezes a linguagem de Lucas contém hebraísmos e, às vezes, aramaísmos. Além disso, sua linguagem é mais semítica nalguns trechos do que noutros. Esses fatos parecem melhor explicados como sendo a reflexão das fontes de Lucas.Texto extraído de http://pt.wikipedia.org/wiki/Evangelho_segundo_Lucas

3. Os destinatários originais. O doutor Lucas endereçou seu Evangelho a Teófilo, certamente uma pessoa importante que devia ocupar uma alta posição social, sendo citado como "excelentíssimo". Pode se dizer que além deste ilustre destinatário, Lucas também escreveu aos gentios. O terceiro Evangelho pode ser classificado como sendo de natureza soteriológica e carismática. Soteriológica, porque narra o plano da salvação, e carismática porque dá amplo destaque ao papel do Espírito Santo como capacitador do ministério de Jesus Cristo. [Comentário: Tal como Marcos (mas ao contrário de Mateus), o público alvo é a população de gentios de língua grega, assegurando aos leitores que o cristianismo não uma seita exclusivamente judaica, mas uma religião mundial. O Evangelho de Lucas é especificamente endereçado a Teófilo (Lucas 1:3), cujo nome significa "aquele que ama a Deus". A maneira mais natural de entender a expressão é que Teófilo ("θεόφιλος" (Theóphilos), neles citado, significa "amigo de Deus", "amado por Deus" ou "amando a Deus" em grego clássico.) é uma pessoa de verdade e o mecenas de Lucas, provavelmente pagando os custos da publicação do livro, sendo por isso a ele dirigido. O adjetivo "excelentíssimo" significa que Teófilo era uma pessoa de posição. Teófilo, no entanto, era mais que um publicador. A mensagem desse evangelho visava à instrução não só daqueles entre os quais o livro circularia, mas também dele próprio (Lucas 1:4). O fato do evangelho ser dirigido a Teófilo não reduz nem limita seu propósito. O livro foi escrito para fortalecer a fé de todos os crentes e para reagir aos ataques dos incrédulos. Foi apresentado para substituir relatórios desconexos e infundados a respeito de Jesus. Lucas queria demonstrar que o lugar ocupado pelo gentio convertido no reino de Deus baseia-se nos ensinos de Jesus. Queria recomendar a pregação do evangelho ao mundo inteiro. Texto adaptado, com alguns acréscimos, de:http://pt.wikipedia.org/wiki/Evangelho_segundo_Lucas. Não se conhece a verdadeira identidade de Teófilo e há variadas conjecturas e tradições sobre quem poderia sê-lo: O Easton's Bible Dictionary, considerando que Lucas se refere a Teófilo com o mesmo honorífico que Paulo se dirige a Félix, supõe que Teófilo era uma pessoa importante, possivelmente um oficial romano. Segundo John Wesley, o honorífico era usado para os governadores romanos. Teófilo seria um personagem importante de Alexandria. Teófilo seria o patrono de Lucas, a quem ele dedica o livro, segundo Matthew Henry. Albert Barnes comenta sobre a hipótese de que Teófilo não seria o nome de uma pessoa, mas teria o significado literal de "amigo de Deus", ou um homem piedoso, porém rejeita esta hipótese por causa do tratamento honorífico. Teófilo provavelmente seria um grego ou romano convertido, um amigo de Lucas, que havia pedido um relato sobre os eventos, e havia recebido uma carta privada, que ele mesmo publicou.http://pt.wikipedia.org/wiki/Te%C3%B3filo_(B%C3%ADblia)] 


SÍNTESE DO TÓPICO I


 Lucas, o médico amado, é o autor do terceiro Evangelho, que foi endereçado a Teófilo, um gentio.



2. OS FUNDAMENTOS E HISTORICIDADE DA FÉ CRISTÃ

1. O cristianismo no seu contexto histórico. Lucas mostra com riqueza de detalhes sob que circunstâncias históricas se deram os fatos por ele narrados. Vejamos: "E, no ano quinze do império de Tibério César, sendo Pôncio Pilatos governador da Judeia, e Herodes, tetrarca da Galileia, e seu irmão Filipe, tetrarca da Itureia e da província de Traconites, e Lisânias, tetrarca de Abilene, sendo Anás e Caifás sumos sacerdotes, veio no deserto a palavra de Deus a João, filho de Zacarias" (Lc 3.1,2). Esses dados têm um propósito claro: mostrar que o plano da salvação no cristianismo pode ser localizado com precisão dentro da história. A fé cristã, portanto, não se trata de uma lenda ou fábula engenhosamente inventada. São fatos históricos que poderiam ser testados e provados e, dessa forma, podem ser aceitos por todos aqueles que procuram a verdade.  [Comentário: Todo cristão deve buscar na História da Igreja as origens para a defesa de sua fé, já que o Cristianismo é uma religião histórica e apela para os fatos da história como argumento comprobatório de sua veracidade. O ambiente histórico em que Cristo surgiu cooperou de modo colossal para a disseminação do evangelho. Dentro desse período três povos merecem destaque pela sua rica contribuição: os Judeus, os Romanos e os Gregos. A longa referência cronológica de Lucas começa com o ministério de João Batista, provavelmente cerca de 27 a 29 d.C. Diz-se que um tetrarca era um rei sem importância. Lucas cita Herodes Agripa como tetrarca da Galiléia. É dito, ainda, de dois sumos sacerdotes, Anás e Caifás. Os judeus tinham um só sumo sacerdote por vez. Anás tinha sido deposto pelos romanos, que, para o seu lugar, escolheram Caifás, seu genro. Os romanos cuidavam para que Caifás exercesse as funções oficiais, porém muitos judeus ainda consideravam Anás o verdadeiro sumo sacerdote e sua influência era grande por traz do genro.] 


2. Discipulado através dos fatos. A palavra grega katecheo, traduzida como "informado" ou “instruído" no versículo 4, deu origem à palavra portuguesa catequese. Esse vocábulo significa também: doutrinar, ensinar e convencer. Nesse contexto possui o sentido de "discipular". Lucas escreveu o seu Evangelho para formar discípulos. O discipulado, para ser autêntico, deve fundamentar-se na veracidade dos fatos da fé cristã. Nos primeiros versículos do seu Evangelho, Lucas revela, portanto, quais seriam as razões da sua obra (Lucas 1.1-4). O terceiro Evangelho foi escrito para mostrar os fundamentos das verdades nas quais os cristãos são instruídos. [Comentário: A fé cristã está bem fundamentada. Mas, quais são exatamente os fundamentos? Isso é um pouco mais difícil. Há uma série de maneiras de se responder a esta pergunta. Poderíamos olhar para a história da igreja e o que o povo de Deus sempre acreditou. Poderíamos olhar para os antigos credos e confissões da igreja. Poderíamos olhar para os maiores temas da Bíblia (por exemplo, a aliança, o amor, a glória, a expiação) e as passagens mais importantes (por exemplo, Gênesis 1, Êxodo 20, Mateus 5-7, João 3, Romanos 8).]


SÍNTESE DO TÓPICO II


 A veracidade dos fatos narrados por Lucas pode ser comprovada pela história.




3. A UNIVERSALIDADE DA SALVAÇÃO

1. A história da salvação. A teologia cristã destaca que Lucas divide a história da salvação em três estágios: o tempo do Antigo Testamento; o tempo de Jesus e o tempo da Igreja. O terceiro Evangelho registra as duas primeiras etapas e o Livro de Atos, a terceira (Lc 16.16). No contexto de Lucas a expressão a "Lei e os Profetas" é uma referência ao Antigo Testamento, onde é narrado o plano de Deus para o povo de Israel. A frase "anunciado o Reino de Deus" se refere ao tempo de Jesus que, através do Espírito Santo, realiza manifesta o Reino de Deus. O tempo da Igreja ocorre quando o Espirito Santo, que estava sobre Jesus, é derramado sobre todos os crentes.  [Comentário: O Evangelho de Lucas testemunha uma proposta de libertação e salvação universal, se estende a todos e a tudo, não porque o povo judeu a recusou, mas porque está no plano libertador e salvífico do Deus da vida favorecer toda a humanidade e toda a biodiversidade. O plano libertador-salvífico, segundo o evangelista Lucas, começa com o movimento de Jesus Cristo, no evangelho, e continua no livro de Atos dos Apóstolos sob a ação do Espírito Santo prolongando-se na(s) Igreja(s) – comunidades de fé, amor e esperança - pelo mundo afora. No plano teológico da obra de Lucas, o tempo da promessa é o Primeiro Testamento, o tempo de Jesus é o evangelho e o tempo da(s) Igreja(s) está em Atos dos Apóstolos. Assim Lucas apresenta uma visão unitária de um único projeto de libertação-salvação, querido pelo Deus da Bíblia, para o ser humano de todos os tempos e testemunhado em sua plenitude em Jesus de Nazaré por meio do dom e da presença do Espírito Santo nas comunidades cristãs. A cristologia de Lucas revela Jesus como eminentemente compassivo-misericordioso (Lc 7,13; 10,33; 15,20), Salvador de todos (Lc 2,32), curador de todas as doenças (Lc 19,5; 15,2); acolhedor dos samaritanos (Lc 10,29-37; 17,11-19); acolhedor amoroso das mulheres (Lc 8,2-3; 23,49) e praticamente da “comunhão de mesa” com pecadores ao sentar-se à mesa e comer junto com eles (Lc 5,29-30; 15,2; 19,7). O templo e a cidade de Jerusalém como lugares exclusivos de salvação ou revelação são superados. O povo de Israel, segundo Lucas, não é mais o “povo eleito” por excelência. Basta perceber a prioridade que Lucas dá aos samaritanos e aos gentios. Lucas nos alerta que o lugar por excelência da revelação de Deus é a pessoa de Jesus. O Menino Jesus é reconhecido como “bendito” (Lc 1,42); na sua humanidade “visita” o seu povo e toda a humanidade (Lc 1,68.78; 3,6). Deus, em Jesus, visita amorosamente o povo e dá início, assim, a um tempo de salvação, paz, reconciliação e perdão. http://www.ihu.unisinos.br/noticias/517759-evangelho-de-lucas-teologia-da-historia]

2. A salvação em seu aspecto universal. O aspecto universal da salvação, revelado no terceiro Evangelho pode ser facilmente observado pelo seu amplo destaque dado aos gentios. O próprio Lucas endereça a sua obra a um gentio, Teófilo (Lc 1.1,2). A descendência de Cristo, o Messias prometido, vai até Adão, o pai de todos, e não apenas até Abraão, o pai dos judeus (Lc 3.23-38). Fica, portanto, revelado que os gentios, e não somente os judeus, estão incluídos no plano salvífico de Deus (Lc 2.32; 24.47). Destaque especial é dado para os samaritanos (Lc 9.51-56; 10.25-37; 17.11-19). Há ainda outras particularidades do Evangelho de Lucas que mostram o interesse de Deus por toda a humanidade, especialmente os pobres e excluídos (Lc 19-1-10; 7.36-50, 23.39-43; 18.9-14). [Comentário: A genealogia de Lucas difere da que está em Mt 1.2-17, começando com Adão, ao invés de Abraão. Vemos a largura desse grande amor de DEUS na universalidade da salvação acerca da qual Lucas escreve. A própria palavra “salvação” está ausente de Mateus e Marcos e ocorre uma só vez em João. Lucas, no entanto, empregou soteria quatro vezes e soterion duas vezes. Além disto, emprega o termo “Salvador” duas vezes (e duas vezes mais em Atos), e empregou o verbo “salvar” mais frequentemente do que qualquer outro Evangelista. Lucas nos conta que a mensagem do anjo dizia respeito aos homens em geral, e não a Israel especialmente (2:14). Faz a genealogia de Jesus remontar até Adão (3:38), o progenitor da raça humana, não parando em Abraão, o pai da nação judaica (conforme faz Mateus). Conta-nos acerca dos samaritanos, como, por exemplo, quando os discípulos queriam invocar fogo contra eles (9:51-54), ou na bem conhecida parábola do Bom Samaritano (10:30-37), ou na informação de que o leproso agradecido era desta raça (17:16). Refere-se aos gentios no cântico de Simeão (2:32) e nos conta que Jesus falou com aprovação acerca de não israelitas tais como a viúva de Sarepta e Naamã, o sírio (4:25-27). Conta-nos acerca da cura do escravo de um centurião (7:2-10). Registra palavras acerca de pessoas que vem de todas as direções da bússola para assentarem-se no reino de Deus (13:39) e da grande comissão para pregar o evangelho em todas as nações (24:47). Sustenta-se geralmente que sua história da missão dos setenta (10:1-20) tem relevância para os gentios. Fica claro que Lucas tinha profundo interesse pela solicitude de Deus para com todas as pessoas. Não devemos, no entanto, entender tudo isto como se ele quisesse dizer que todos seriam salvos. Vê a igreja existente num mundo hostil. Distingue entre “os filhos do mundo” e “os filhos da luz” (16.8; cf. 12.29-30, 51 ss.). O evangelho é oferecido gratuitamente a todos os homens, mas eles têm uma responsabilidade no sentido de se arrependerem, e serão julgados no devido tempo (Atos 17:30-31). O julgamento não é um tema infrequente neste Evangelho (cf. 12.13ss.; 17.26ss.). Nem devemos entender isto no sentido de depreciar a importância de Israel no propósito de Deus. Uma das coisas fascinantes no escrito de Lucas é a maneira em que este gentio ressalta a importância do Templo e de Jerusalém. Começa e termina seu Evangelho com pessoas no templo em Jerusalém, em contraste com o Evangelho “judaico” de Mateus, cuja cena de abertura ressalta o lugar dos magos gentios e que termina com uma comissão na Galiléia no sentido de os seguidores de Jesus irem para todo o mundo. Lucas menciona que Jesus foi apresentado no Templo como nenê, e que o visitou como menino. Ocorre de novo como o clímax da narrativa da tentação de Jesus, e como o lugar para o clímax da obra de Jesus em prol dos homens. Entre estas referências, uma seção considerável do Evangelho é ocupada com uma viagem para Jerusalém (9.51-19.45; note a ênfase em Jerusalém como o destino, 9.51, 53; 13.22; 17.11; 18.31; 19.28; cf. 13.33-34). Ao todo, refere-se a Jerusalém 31 vezes em contraste com 13 vezes em Mateus, 10 vezes em Marcos e 12 vezes em João. O universalismo de Lucas é real, mas não devemos deixar que ocultasse de nós uma “qualidade judaica” muito real.] 




SÍNTESE DO TÓPICO III


 Todos estão incluídos no plano salvífico de Deus: gentios e judeus.



4. A IDENTIDADE DE JESUS, O MESSIAS ESPERADO


1. Jesus, o homem perfeito. No Evangelho de Lucas, Jesus aparece como o "Filho de Deus" (Lc 1.35) e Filho do Homem" (Lc 5.24). São expressões messiânicas que revelam a deidade de Jesus. A primeira expressão mostra Jesus como verdadeiro Deus enquanto a segunda, que ocorre 25 vezes no terceiro Evangelho, mostra-o como verdadeiro homem. Ele é o Filho do Homem, o Homem Perfeito. Ao usar o título "Filho do Homem" para si mesmo, Jesus evita ser confundido com o Messias político esperado pelos judeus. Como Homem Perfeito, Jesus era obediente a seus pais. Todavia, estava consciente de sua natureza divina (Lc 2.4-52). É como o Homem Perfeito que Jesus enfrenta, e derrota, Satanás na tentação do deserto (Lc 4.1-13).[Comentário: O Novo Testamento se refere a Jesus como o “Filho do Homem” 88 vezes. O que isso significa? A Bíblia não diz que Jesus era o Filho de Deus? Então como Jesus também poderia ser o Filho do Homem? O primeiro significado para o termo "Filho do Homem" é usado em referência à profecia de Daniel 7:13-14: "Eu estava olhando nas minhas visões da noite, e eis que vinha com as nuvens do céu um como o Filho do Homem, e dirigiu-se ao Ancião de Dias, e o fizeram chegar até ele. Foi-lhe dado domínio, e glória, e o reino, para que os povos, nações e homens de todas as línguas o servissem; o seu domínio é domínio eterno, que não passará, e o seu reino jamais será destruído." O termo "Filho do Homem" era um título Messiânico. Jesus é o único a quem foi dado domínio, glória e o reino. Quando Jesus usou esse termo em referência a Si mesmo, Ele estava atribuindo a profecia do “Filho do Homem” a Si mesmo. Os judeus daquela época com certeza estariam bem familiarizados com o termo e a quem se referia. Ele estava proclamando ser o Messias. O segundo significado para o termo "Filho do Homem" é que Jesus realmente era um ser humano. Deus chamou o profeta Ezequiel de "filho do homem" 93 vezes. Deus estava simplesmente chamando Ezequiel de um ser humano. Um filho do homem é um homem. Jesus era 100% Deus (João 1:1), mas Ele também era um ser humano (João 1:14). 1 João 4:2 nos diz: "Nisto reconheceis o Espírito de Deus: todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus." Sim, Jesus era o Filho de Deus – Ele era Deus em Sua essência. Sim, Jesus também era o Filho do Homem – Ele era um ser humano em Sua essência. Em resumo, a frase "Filho do Homem" indica que Jesus é o Messias e que Ele realmente é um ser humano. Leia mais:http://www.gotquestions.org/Portugues/Jesus-filho-homem.html#ixzz3VjhVKV9u.]

2. O Messias e o Espírito Santo. Lucas revela que Jesus, o Messias, como Homem Perfeito, dependia do Espírito Santo no desempenho do seu ministério (Lc 4.18). Isaías, o profeta messiânico, mostra a estreita relação que o Messias manteria com o Espírito do Senhor (Is 11.1,2; 42.1). 0 Messias seria aquele sobre quem repousaria o Espírito do Senhor, tal como profetizara Isaías e Jesus aplicara a si, na sinagoga em Nazaré (Lc 4.16-19; Is 61.1).[Comentário: Os escritores dos evangelhos, especialmente Lucas, concebiam em todo o ministério de Jesus como estando sob o poder do Espírito Santo. Depois de declarar que Jesus estava “cheio do Espírito Santo” e que foi levado pelo Espírito no deserto por quarenta dias, em Lc 4.1, ele declara, em Lc 4.14, que Jesus “retornou no poder do Espírito para a Galiléia.” Isto é seguido no versículo seguinte, um resumo geral de suas atividades: “E ensinava nas sinagogas, sendo glorificado por todos.” Então, como que para completar o ensino como a relação entre o Espírito de Jesus, ele narra a visita à Nazaré e a citação por Jesus na sinagoga das palavras de Isaías: “O Espírito do Senhor está sobre mim”, com a descrição detalhada da sua atividade messiânica, ou seja, a pregação aos pobres, o anúncio da liberação aos cativos, a recuperação da vista aos cegos, e para proclamar o ano aceitável do Senhor (Is 61.1). Jesus proclama o cumprimento desta profecia em si mesmo (Lc 4.21). Em Mt 12.18 uma citação de Is 42.1-3 é feita em conexão com o trabalho de cura milagrosa de Jesus. É uma passagem de rara beleza e descreve o Messias como um tranquilo e discreto ministro das necessidades humanas, dotado de poder irresistível e paciência infinita. Assim, os ideais do Antigo Testamento sobre as operações do Espírito de Deus se realizam, especialmente no ministério público de Jesus. Os termos globais da descrição tornam incontestavelmente claros em que os escritores do Novo Testamento encaravam toda a vida pública de Jesus como sendo dirigida pelo Espírito de Deus.]


SÍNTESE DO TÓPICO IV


 Lucas apresenta Jesus como o Filho de Deus e o Filho do Homem, ressaltando tanto a sua humanidade quanto a sua divindade.






CONCLUSÃO


O terceiro Evangelho é considerado a coroa dos Evangelhos sinóticos. Enquanto o Evangelho de Mateus enfoca a realeza do Messias e Marcos o poder, Lucas enfatiza o amor de Deus. Lucas é o Evangelho do Homem Perfeito; da alegria (Lc 1.28; 2.11; 19-37; 24.53); da misericórdia (Lc 1.78,79); do perdão (7.36-50; 19.1-10); da oração (Lc 6.12; 11.1; 22.39-45); dos pobres e necessitados (Lc A.18) e do poder e da força do Espírito Santo (Lc 1.15,35; 3-22; 4.1; 4.14; 4.17-20; 10.21; 11.13; 24.49). Lucas é, portanto, o Evangelho do crente que quer conhecer melhor o seu Senhor e ser cheio do Espírito Santo.  [Comentário: “Visto que muitos houve que empreenderam uma narração coordenada dos fatos que entre nós se realizaram, conforme nos transmitiram os que desde o princípio foram deles testemunhas oculares e ministros da palavra, igualmente a mim me pareceu bem depois de acurada investigação de tudo desde sua origem, dar-te por escrito, excelentíssimo Teófilo, uma exposição em ordem” (Lc 1.1-4). O Evangelho de Lucas apresenta Jesus não somente como o Messias prometido por Deus ao povo de Israel, mas como Salvador da Humanidade. Ele nos conta sobre os pais de Jesus, conta também sobre o nascimento de seu primo João Batista (Lc 3.16), a trajetória de José e Maria até Belém, lugar em que Jesus nasceu, e ficou numa manjedoura (Lc 2. 4-7). O Evangelho de Lucas apresenta muitos fatos importantes e lições significantes sobre Jesus Cristo. Primeiro, o Evangelho claramente estabelece que Jesus Cristo é o Messias profetizado no Velho Testamento. Segundo, o Evangelho prova que Jesus é o Filho de Deus, assim como Ele clama. Terceiro, esse evangelho confirma que Jesus tem autoridade completa sobre qualquer coisa nesse mundo, incluindo o mal (Lucas 4.12, 35, 9.38, 11.14), a natureza (Lucas 8.22-25, 9.12-17, 5.4-11), a morte (Lucas 8.41-42, 7.11-15), doenças (Lucas 5.12-13, 7.1-10, 4.38-35, 5.18-25, 6.6-10, 18.35-43), perdão de pecados (Lucas 5.24, 7.48), bênçãos (Lucas 6.20-22) e a autoridade de dar vida eterna no céu (Lucas 23.43). Jesus demonstrou o milagre de superar Sua própria morte através da Sua ressurreição depois de ter sido crucificado na cruz romana. O Evangelho de Lucas providencia uma narrativa de primeira mão dos eventos da vida de Cristo, baseado nos próprios Apóstolos ou outras testemunhas.]  “NaquEle que me garante: "Pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus" (Ef 2.8)”.

Francisco Barbosa
Disponível no blog: auxilioebd.blogspot.com.br.