sexta-feira, 14 de março de 2014

LIÇÃO 11 - DEUS ESCOLHE ARÃO E SEUS FILHOS PARA O SACERDÓCIO







SUBSÍDIO I

INTRODUÇÃO
A escolha dos sacerdotes, na família de Arão, tinha o propósito do serviço, eles também tinham a responsabilidade de representar a Deus diante do povo. Na aula de hoje atentaremos para a importância do serviço sacerdotal diante de Deus e do Seu povo. Ao final, mostraremos que esse ofício deveria ser exercitado com temor ao Senhor, e que, no Novo Pacto, formos escolhidos para sacerdotes, ministros na igreja de Cristo.

1. SACERDÓCIO: SERVIÇO PARA DEUS
A expressão “para que me ministre”, nesse texto, ocorre cinco vezes, ressaltando a relevância do ofício sacerdotal. Antes de ministrar ao povo, os sacerdotes deveriam ministrar, isto é, servir, diante de Deus. Essa é uma valiosa lição para aqueles que ministram na igreja de Cristo, não podem se esquecer de que estão diante de Deus. A burocratização na administração eclesiástica tem feito com que muitos obreiros deixem de levar o ministério cristão. Isso acontece principalmente no contexto de igrejas que são tratadas como empresas, e em alguns casos, como grandes negócios. A escolha de Arão, e da sua família, para ministrar como sacerdotes, foi um ato gracioso de Deus. Ele é soberano, e escolhe as pessoas para o Seu trabalho, conforme Lhe apraz (Jo. 15.16). Após a morte de Arão, Eleazar tornou-se seu sucessor (Nm. 20.22-29), o trabalho prossegue, as pessoas passam, mas a obra continua. Ninguém deve se achar insubstituível, mesmo depois do cativeiro babilônico, os descendentes de Itamar deram continuidade ao ministério sacerdotal (Ed. 8.1,2). Nós, obreiros e obreiras no trabalho do Senhor, devemos buscar, primordialmente, agradá-Lo. Como escreveu Paulo a Timóteo, não devemos ter do que nos envergonhar, manejando bem a palavra da verdade (II Tm. 2.15). O Amor ao Senhor deve ser o grande crivo na escolha de obreiros para a seara do Senhor, isso porque antes de partir, Jesus perguntou a Pedro se esse O amava, responsabilizando-o para o ministério (Jo. 21.17). Há obreiros que amam a obra, o dinheiro que obra dar, até as pessoas da obra, mas não amam a Deus, por isso fracassam. Quando amamos a Deus, tudo o mais flui naturalmente, não precisamos fazer esforço, acabamos parecendo artificial (Mt. 22.34-40) Em relação às vestes sacerdotais, essas tinham um papel importante na identificação do serviço. As vestimentas davam dignidade e glória (Ex. 28.1), distinguindo-os do restante do povo, o uso daquelas roupas os colocava em posição de risco, caso as instruções não fossem obedecidas (Ex. 28.35,43). Como cristãos, devemos estar revestidos da justiça de Deus em Cristo (Gl. 3.27,28), para nos apresentarmos diante de Deus de acordo com Sua vontade. 

2. SACERDÓCIO: SERVIÇO PARA O POVO
As peças da vestimenta sacerdotal não eram meros adereços, elas tinham uma simbologia própria, representavam o ministério diante do povo. As peças de roupas eram sete: calções (Ex. 28.42,43), uma túnica branca (Ex. 28.39), e por cima desta uma sobrepeliz azul, com campainhas e romãs na orla (Ex. 28.3-35); a estola sacerdotal, que era composta por uma veste sem mangas, feita de ouro, estofo azul, púrpura e carmesim e presa por ombreiras incrustadas de joias, e um cinto; e um peitoral com joias, colocado por cima da sobrepeliz com correntes de ouro presas às ombreiras (Ex. 28.9-30), com uma lâmina de ouro em que estava escrito: “Santidade ao Senhor” (Ex. 28.36). A estola era uma veste simples de linho, sem mangas, que ia até os calcanhares. Juntamente com o cinto era feita de linho branco, bordado com estofo azul, púrpura e fios carmesins. Nas ombreiras da estola tinha os nomes de seis tribos de Israel, de acordo com sua ordem de nascimento, gravados em uma pedra ônix. Isso mostra que o sumo sacerdote entrava na presença do Senhor em nome do povo. As duas pedras de ônix revelam a importância do povo, uma lição primorosa para os líderes eclesiásticos. Parece redundante, mas o povo de Deus a Ele pertence, e a Ele prestaremos contas da forma como conduzimos o rebanho (At. 20.28-31). Não apenas os líderes, mas toda a igreja está no mundo para servir ao Senhor, e também às pessoas, Cristo é o maior exemplo de liderança servidora (Lc. 22.27; Jo. 13.12-17). O peitoral era um pedaço de tecido quadrado e duplo, com muitos bordados, que tinha um palmo de cumprimento, e um de largura, localizado no peito do sacerdote, pendurado por duas correntes de ouro. Nesse peitoral havia doze pedras, cada uma delas representando uma tribo de Israel. O sacerdote, por conseguinte, carregava o povo no peito, próximo ao coração. Os obreiros do Senhor devem ter o povo no coração, amá-lo como fez Cristo, e se necessário, entregar a vida por ele (I Jo. 3.16-18), como também fez Paulo (Fp. 1.7). Como as pedras eram diferentes, as pessoas da igreja também as são, e devem ser respeitadas na sua diversidade. Ainda dentro do peitoral ficavam o Urim e o Tumim, que quer dizer “luzes e perfeições”, eram usadas para determinar a vontade de Deus. Não existem informações detalhadas como elas eram utilizadas, mas era de responsabilidade do sacerdote identificar a revelação de Deus através delas (Ex. 28.30). O Urim e o Tumim da igreja do Senhor é a Sua palavra (Sl. 119.105), ela revela a vontade de Deus, a qual deve ser obedecida (J. 7.17; Sl. 25.8-11; Rm. 12.1,2).

3. SACERDÓCIO: NO TEMOR DO SENHOR
A sobrepeliz azul, usada por baixo da estola, não tinha costuras, representando a perfeição. O colarinho em torno da abertura para a cabeça era tecido de modo que não se rasgasse, isso diz respeito à reputação do sacerdote, ninguém poderia desabonar sua conduta. Na orla de suas vestes existiam romãs, feitas de estofo azul, púrpura e carmesim, que ficavam dependuradas. Essas romãs apontavam para a abundância de frutos, que deveriam ser produzidos pelos sacerdotes. Junto a essas romãs ficavam as campainhas, que indicavam a ministração do sacerdote no Lugar Santo. As campainhas indicam que devemos demonstrar ao mundo que estamos ministrando não para nós mesmos, antes para o Senhor, e para o povo. A mitra era usada pelo sumo sacerdote, os demais sacerdotes usavam apenas turbantes de linho, com a mensagem: “Santidade ao Senhor”. Essa é uma mensagem na qual devemos meditar, muitos cristãos atualmente pensam que foram chamados para serem felizes. Mas, na verdade, o chamado de Deus para nós é para a santificação (Lv. 11.44,45), esse ensinamento foi enfatizado por Pedro aos cristãos do Sec. I, e serve também para nós hoje (I Pe. 1.15,16). O sacerdote carregava a mitra para demonstrar seu temor diante da santidade de Deus, o sacrifício de Cristo nos torna aceitável diante do Senhor (I Pe. 2.5). Os sacerdotes morreriam se não observassem as orientações de Deus em relação as vestes, sobretudo a purificação (Ex. 28.35,43). Como cristãos devemos demonstrar reverência ao Senhor, e santo temor (Hb. 12.28). Isso não significa que devemos estar tristes, muito pelo contrário, o temor a Deus deve nos conduzir à alegria (Sl. 2.11). Temor nada tem a ver com medo, é bem verdade que estremecemos diante da grandeza de Deus, mas podemos nos aproximar dEle, pelo caminho que Cristo nos consagrou (Hb. 9.1-14). 

CONCLUSÃO 
A igreja do Senhor Jesus é, neste mundo, sacerdócio santo, e um sacerdócio real, adquirido pelo Seu sangue, derramado na cruz (I Pe. 2.5,9). Para tanto, deve ser fiel na proclamação das virtudes daquele que nos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz (I Pe. 2.9). Como cristãos no mundo, devemos ministrar às pessoas, debaixo da orientação da Palavra, e conduzidos pelo Espírito, com temor e tremor (Fp. 2.12). O mundo precisa do sacerdócio da igreja, ainda que não saiba, e a igreja, não pode se identificar com o mundo, sob pena de deixar de ser sal e luz (Mt. 5.13,14).


Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa



SUBSÍDIO II

INTRODUÇÃO



Palavra Chave

Sacerdócio: Ofício, o ministério e a função do sacerdote.



O capítulo 28 de Êxodo trata da chamada divina para o sacerdócio em Israel. O povo precisava aprender a adorar a Deus. Era necessário que homens chamados por Deus cuidassem da prática do culto ao Senhor no Tabernáculo e também através da congregação de Israel. Logo, o Senhor separou a tribo de Levi para o serviço no Tabernáculo e para o santo ministério sacerdotal. Os levitas serviam a Deus e auxiliavam os sacerdotes. Assim, todo sacerdote em Israel era levita, mas nem todo levita era sacerdote como veremos na lição. [Comentário: Constuma-se esquecer que antes da entrega da lei por Deus a Israel, havia sacerdotes, uma vez que a Bíblia menciona o rei de Salém, Melquizedeque, como “sacerdote do Senhor” (Gn 14.18; Hb 7.1-3). Antes da lei, qualquer homem podia desempenhar esse papel desde que possuísse a capacidade para tanto. Já no período patriarcal, o sacerdócio era desempenhado pelo cabeça de cada família, conforme lê-se em Gn 8.20; 22. 13; 26.25; 33.20. Com a entrega da Lei, o sacerdócio foi organizado e separou-se os descendentes de Arão. Todavia, isso não sucedeu de modo absoluto, pelo que, se é geralmente correto dizer que todos os sacerdotes pertenciam à tribo de Levi (através de Arão), isso não ocorria no caso de todos eles. Pode-se dizer que, se um levita pudesse ser achado, ele era a preferência natural; mas houve exceções a essa regra. Assim, Samuel exercia poderes sacerdotais, mas ele mesmo não era da tribo de Levi. Talvez seja correto dizer que Salomão foi um rei - sumo sacerdote; e, no entanto, era da tribo de Judá. Os profetas também desempenhavam certa função sacerdotal, posto que não formal, no tabernáculo ou no templo. Em face de sua ocupação, os sacerdotes também eram juízes. O filho de Mica, que era efraimita, atuou como sacerdote (Jz 17.5). Outro tanto fizeram alguns dos filhos de Davi (2Sm 8.18), Gideão (Jz 6.26) e Manoá, este da tribo de Dã (Jz 13.19). Hoje, é comum alguns se arvorarem levitas por exercerem alguma atividade ligada ao “louvor” dentro da liturgia, dado as informações acima, sem uma exegese mais profunda, essa ideia cai por terra.]. Tenhamos todos uma excelente e abençoada aula!



I. O SACERDÓCIO (ÊX 28.1-5)



1. O sacerdote. Deus ordena que Moisés separe Arão e seus filhos para o ministério sacerdotal. O sacerdote deveria não somente pertencer à tribo de Levi, mas era preciso que fosse um descendente de Arão, que teve o privilégio de ser o primeiro sacerdote de Israel. Pertenciam à classe sacerdotal em Israel o sumo sacerdote, os sacerdotes e também os levitas. O sacerdócio de Arão apontava para Cristo, nosso Sumo Sacerdote eterno (Hb 6.20). Arão era um ser humano e, portanto, um pecador que carecia de se apresentar diante de Deus com sacrifícios pelos seus próprios pecados. Mas Cristo é perfeito e seu sacrifício por nós foi único, completo e aceito pelo Pai. [Comentário: Apesar da ordem divina de separar Arão e seus descendentes para o sacerdócio, um estudo minuncioso do tema nos levará à conclusão de que houveram sacerdotes em Israel que não eram da genealogia Aarônica. Foi somente no período pós-exilico que o sacerdócio foi “monopolizado” pelos descendentes reais ou supostos de Arão, enquanto que outros levitas ocuparam posições subordinadas. Foi durante esse último estágio de desenvolvimento que emergiu o verdadeiro sumo sacerdote de Israel, embora Arão tivesse sido um protótipo do oficio. Embora o Velho Testamento apresente claramente a noção de um ofício sacerdotal exercido por elementos da tribo de Levi em benefício do povo de Israel, existem passagens que antecipam um entendimento mais amplo dessa função. Êxodo 19.5-6: “Se diligentemente ouvirdes a minha voz, e guardardes a minha aliança, então sereis a minha propriedade particular dentre todos os povos... vós me sereis reino de sacerdotes e nação santa”. Outro texto relevante é Isaías 61.6: “Vós sereis chamados sacerdotes do Senhor, e vos chamarão ministros de nosso Deus”.].



2. O ministério dos sacerdotes. Quais eram as funções de um sacerdote? Sua principal missão era apresentar o homem pecador diante do Deus santo. Eram, especificamente, três as obrigações básicas do sacerdote: “santificar o povo, oferecer dons e sacrifícios pelo povo e interceder pelos transgressores”. Eles também atuavam como mestres da lei (Lv 10.10,11). O sacerdócio de Arão apontava para Cristo, nosso único mediador diante de Deus. Como Sumo Sacerdote, Cristo intercede diante do Pai por nós (1Tm 2.5). [Comentário: Os sacerdotes eram ordenados a seu oficio e às suas funções mediante um elaborado ritual (Êx 29; Lv 8). Os sacerdotes tinham o direito de receber dízimos e porções determinadas das oferendas. Cuidavam do santuário e das formas externas do culto, e envolviam-se no sistema sacrificial. Eram os guardiões das tradições e protegiam a pureza da adoração. Os sacerdotes comuns realizavam todos os sacrifícios (Lv 1-6), cuidavam de questões sobre alimentos próprios e impróprios (Lv 13-14), e estavam encarregados de diversos outros deveres secundários (Nm 10.10; Lv 23.24; 25.9). No judaísmo posterior, o sacerdote (no hebraico, cohen) retinha o privilégio de pronunciar a bênção sacerdotal, e de ser o primeiro a ler o livro da lei. Quando o sacerdócio formal caiu e desapareceu da história, os rabinos retiveram o trabalho dos sacerdotes, em forma simbólica, embora também literal em outros sentidos, tomando-se então os líderes espirituais do povo de Israel. Os sacerdotes eram guardiões dos ritos sagrados, os quais promoviam o conhecimento sobre a santidade de Deus e a necessidade de os homens se aproximarem dele sem a polução do pecado. mediante os holocaustos apropriados e a mudança de vida correspondente. Eles queimavam o incenso sobre o altar de ouro, no lugar santo, o que era mesmo um símbolo das funções sacerdotais. Também cuidavam das lâmpadas, acendendo-as a cada novo começo de noite; e arrumavam os pães da proposição sobre a mesa própria a cada sábado (Êx 27.21; 30.7,8; Lv 24.5-8). Eles mantinham a chama sempre acesa no altar dos holocaustos (Lv 6.9,12); limpavam as cinzas desse altar (vss. 10,11); ofereciam sacrifícios matinais e vespertinos (Êx 29.38-44); abençoavam o povo após os sacrifícios diários (Lv 9.22; Nm 6.23-27); aspergiam o sangue e depositavam sobre o altar as várias porções da vítima sacrificial; sopravam as trombetas de prata e o chifre do jubileu, por ocasião de festividades especiais; inspecionavam os imundos quanto à lepra (Nm 6.22 ss. e capítulos 13 e 14); administravam o juramento que uma mulher deveria fazer quando acusada de adultério (Nm 5.15); eram os mestres da lei e agiam como juízes quanto às queixas do povo, tomando decisões válidas quanto aos casos apresentados (Du 17.8 ss.; 19.17; 21.5) CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Vol. 6. Editora Hagnos. pag. 16; 17-19.].



3. O sumo sacerdote. As nações que estavam ao redor dos hebreus já conheciam o serviço sacerdotal. Os sacerdotes não receberam nenhuma herança de terras quando as tribos entraram na Terra Prometida, pois a sua recompensa era servir ao Todo-Poderoso. Eles eram sustentados pelas ofertas e os sacrifícios levados ao Tabernáculo. Viviam de modo simples e dependiam única e exclusivamente da obediência e fidelidade do povo ao trazer seus dízimos (Nm 18.3-32). [Comentário: O sumo sacerdote estava encarregado de certos deveres especiais, que só ele podia cumprir, como oficiar no dia da expiação, entrando no Santo dos Santos com esse propósito, e servir de principal oráculo do sacerdócio. Também tinha o dever de oferecer a refeição diária (Lv 6.19). O termo sumo sacerdote só começou a ser usado após o exílio babilônico; e aqui 0 título é conferido a Arão, porque essa tinha sido a sua função original, embora ela não fosse chamada por esse nome. Ver sumo sacerdote (2Cr 19.11; 24.11; Ed 7.5); príncipe da casa de Deus (1Cr 9.11). Na época dos hamoneus, o sumo sacerdote tornou-se uma poderosa figura política, mas foi então que o oficio sofreu várias corrupções. Funções sacerdotais existiam em uma religião de tendências predominantemente reconciliadoras; de outra sorte, elas nem seriam necessárias. Os sacerdotes aarônicos eram mediadores do pacto mosaico. O sumo sacerdote destacava o conceito da necessidade que o homem tem de reconciliar-se com Deus (Êx 33.12-23). Arão mediava as graças e dons de YAHWEH ao povo de Israel. Mas foi através de Moisés que Arão havia recebido seu ofício e sua autoridade. CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 429. Os sumos sacerdotes antes de Davi, sete em número, foram os seguintes: Aarão, Eleazar, Finéias. EIi, Aitúbe (l Crô.9: 11; Nee, 11: 11; 1 Sam. 14:3), Alas e José. Josefo assevera que o pai de Buqui a quem ele chamou de José (mas que na Bíblia é chamado de Abiezer, equivalente a Abísua), foi o último sumo sacerdote da linhagem de Finéias, antes de Sadoque. Nos dias de Davi havia dois sumos sacerdotes, a saber, Sadoque e Abiatar, que parecem ter brandido igual autoridade (1Cr 15.11; 2Sm 8.17; 15.24,25). Alguns estudiosos têm conjeturado que Sadoque era um aliado importante de Davi, embora tendo sido nomeado por Saul. Davi não perturbou a situação, mas a sucessão coube, por direito, a seu amigo, Abiatar. Diplomaticamente, Davi deixou ambos no cargo; mas o Urim e o Tumim, com a estola sacerdotal, permaneceram com Abiatar, o qual, por  isso mesmo, ficou encarregado dos serviços especiais que circundavam a arca da aliança.].



SINOPSE DO TÓPICO (I)

Deus ordena o ministério sacerdotal por intermédio de Moisés, separando Arão e seus filhos para o santo ofício.




II. A INDUMENTÁRIA DO SACERDOTE



1. A túnica de linho e o éfode (Êx 28.4-28). As vestes do sacerdote deveriam ser santas (Êx 28.3). Eles não poderiam se apresentar diante do Senhor de qualquer maneira. O linho fino apontava para a pureza, perfeição e justiça de Cristo, nosso sacerdote. Segundo a Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal, “o éfode era um tipo esmerado de avental bordado, unido nos ombros e ligados por uma faixa na cintura”. No éfode havia duas pedras de ônix com os nomes das doze tribos. Arão deveria levar e apresentar diante de Deus as doze tribos de Israel. Cristo carregou sobre si os nossos pecados e os apresentou diante do Pai (1Co 15.3). Sobre o éfode estava o peitoral contendo doze pedras preciosas com os nomes dos doze filhos de Israel. Esta peça ficava sobre o coração de Arão — o sumo sacerdote (Êx 28.15,17,21,29). [Comentário: As vestes destes sacerdotes eram especiais e consideradas santas. Duas coisas chamam a atenção de início no texto bíblico que fala das vestes dos sacerdotes. Em primeiro lugar, quem confeccionou essas vestimentas não foram quaisquer alfaiates em Israel. O texto bíblico afirma que foram homens “sábios de coração”, a quem DEUS havia “enchido do ESPÍRITO de Sabedoria” (Ex 28.3). Em segundo lugar, o propósito da indumentária sacerdotal era “santificar”, isto é, distinguir, destacar, honrar os sumos sacerdotes, dar-lhes ornamentação, beleza e glória diante do povo; enfim, enfatizar o significado e a importância do seu ofício perante todos. Suas vestes foram pensadas para refletir a dignidade do seu ofício. Os materiais para fazer as vestes sacerdotais eram os mesmos das cortinas e do véu do Tabernáculo (Ex 26.1,31,32; 28.5,6). Ou seja, o sacerdote não poderia ministrar “com roupas simples e sem brilho” em um Tabernáculo que era “graciosamente colorido”. DEUS, “o Autor de tudo o que é bom e bonito, deseja que seu povo seja formoso e que haja beleza nos procedimentos de adoração”. Típico da pureza interior do povo de Deus, os objetos externos eram separados para propósitos santos. Estas roupas também eram para glória e ornamento. Seria incompatível e desprovido de glória o sacerdote ministrar com roupas simples e sem brilho no Tabernáculo graciosamente colorido. Deus, o Autor de tudo que é bom e bonito, deseja que seu povo seja formoso e que haja beleza nos procedimentos de adoração. Deus concedeu espírito de sabedoria (3) a homens sábios para capacitá-los a fazer estas vestes. Deus, que criou a beleza, dá ao homem a apreciação divina pela beleza e a aptidão divina para criá-la. Certas produções que o mundo chama arte não passam de imoralidade, mas a verdadeira arte é de Deus. No versículo 4, há uma lista dividida em grupos dos artigos para o sumo sacerdote, os quais são detalhados separadamente nos versículos seguintes. Os materiais eram os mesmos para as cortinas do Tabernáculo (5), exceto que havia ouro. Leo G. Cox. Comentário Bíblico Beacon. Editora CPAD. Vol. 1. pag. 214.].



2. O Urim e Tumim (Êx 28.30). Eram pedras que os sacerdotes utilizavam na hora de tomar decisões. Eles deveriam carregar estas peças junto ao coração, mostrando a importância delas. Isso nos mostra que nossas decisões devem ser tomadas de acordo com a Palavra de Deus. [Comentário: Urim e Tumim (do hebraico אורים ותמים luzes e perfeições) é o nome dado à um processo de adivinhação utilizado pelos antigos israelitas para descobrir a vontade de Deus sobre determinado evento. O Urim e o Tumim, por cujo intermédio à vontade de Deus era conhecida em casos duvidosos, foram colocados neste peitoral, que é, por isto, chamado de peitoral do juízo,].



SINOPSE DO TÓPICO (II)

A túnica de linho, o éfode, o Urim e o Tumim eram elementos sagrados que compunham a indumentária sacerdotal.




III. MINISTROS DE CRISTO PARA A IGREJA



1. Chamados por Deus. Os verdadeiros ministros da igreja são chamados e vocacionados pelo Senhor. O ministério pastoral não é simplesmente um cargo ou uma forma de se alcançar status seja ele qual for. Muitos querem viver da obra e não para ela. Quem exerce o santo ministério sem a direta chamada do Senhor — o Dono da obra — é um intruso e está profanando a obra de Deus. [Comentário: No Novo Testamento, o conceito de sacerdócio tem dois aspectos: (a) Jesus Cristo é o grande sumo sacerdote: todas as funções do sacerdócio da antiga dispensação concentram-se nele, e são por ele transformadas. Ele é o único mediador entre Deus e os seres humanos (1 Tm 2.5). Ele é o representante de Deus junto aos homens e o representante dos homens junto a Deus. Ele é, ao mesmo tempo, o sacerdote e o sacrifício. A Carta aos Hebreus expõe claramente a superioridade do sacerdócio de Cristo sobre o sacerdócio levítico e apresenta o caráter definitivo e totalmente eficaz do seu auto-sacrifício sobre a cruz (Hb 2.17; 3.1; 4.14s; 5.10; 6.20; 7:24-27; 9:12,26; 10.12). A literatura joanina também fala repetidamente do sacerdócio de Cristo, como em João 1.29. (b) Todos os crentes partilham desse sacerdócio: isso se expressa principalmente nas áreas da adoração, serviço e testemunho. 1 Pedro 2.5: “Também vós mesmos, como pedras que vivem, sois edificados casa espiritual para serdes sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais, agradáveis a Deus por intermédio de Jesus Cristo”. 1 Pedro 2.9: “Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz”. O Apocalipse destaca o aspecto governamental desse sacerdócio: “Àquele que nos ama, e pelo seu sangue nos libertou dos nossos pecados, e nos constituiu reino, sacerdotes para o seu Deus e Pai...” (1.5-6); “Digno és de tomar o livro e de abrir-lhe os selos, porque foste morto e com o teu sangue compraste para Deus os que procedem de toda tribo, língua, povo e nação, e para o nosso Deus os constituíste reino e sacerdotes” (5.9-10). O Novo Testamento não menciona a existência de um ofício sacerdotal na Igreja. Essa idéia surgiu posteriormente, em escritores como Clemente (ministério cristão composto de sumo sacerdote, sacerdote e levita), a Didaquê (chama os profetas cristãos de “vossos sumos sacerdotes” e refere-se à eucaristia como um sacrifício) e, mais especificamente, em Tertuliano e Hipólito, que se referem aos ministros cristãos como “sacerdotes” e “sumos sacerdotes”. Alderi Souza de Matos, O SACERDÓCIO UNIVERSAL DOS FIÉIS. http://www.mackenzie.com.br/6967.html].



2. Qualificações. O sacerdote não podia se apresentar diante de Deus e da congregação de qualquer maneira. Um pastor deve sempre agir de modo a dar um bom testemunho (1Tm 3.7). O bom testemunho deve vir não somente dos que estão fora da igreja, mas especialmente pelos irmãos em Cristo. É preciso viver uma vida digna diante dos homens e também diante de Deus (1Tm 6.11,12). O pastor deve em tudo ser o exemplo (Tt 2.7). [Comentário: I Tm 3.7 Mas ele também precisa ter um bom testemunho dos de fora, a fim de não cair na difamação e no laço do diabo. Já em sua carta mais antiga o apóstolo exorta a congregação para que tenha uma “conduta decente (honrada)” aos olhos dos de fora. Não ser tropeço nem causar escândalo! Essa exortação vale para a conduta diante de todos: judeus, gregos, cristãos. Isso não tem nada a ver com uma falsa adaptação aos padrões e costumes do mundo, porque a igreja deve ser irrepreensível e pura em meio a esta geração pervertida e corrupta. Suas boas obras devem poder ser vistas à luz do dia e se diferenciar das inúteis obras das trevas. Porque “enquanto os cristãos se preocupam sacerdotalmente pelo mundo, o mundo lança o afiado olhar da hostilidade sobre a igreja, a fim de encontrar pontos vulneráveis. Por isso não será recomendável colocar na liderança da igreja homens que eram notórios na cidade por seus pecados ou fraquezas passadas, ainda que se tenham emendado sinceramente”. Os de fora na realidade estão fora da igreja, mas nem por isso fora do alcance do juízo e da graça de DEUS. Os que estão fora da igreja possuem uma percepção implacável e um juízo insubornável para os pecados daqueles que se dizem cristãos. Com essa atitude na verdade condenam a si mesmos, porque confessam que sabem muito bem o que é certo e como deveriam viver. Contudo, isso não desculpa a igreja. Ela mesma deve manter um juízo vigilante acerca das próprias transgressões e por isso ir com humildade e mansidão ao encontro dos “de fora”. Quando se pondera como os meios de comunicação de massa vasculham a vida passada e atual de líderes políticos, econômicos e religiosos com a criatividade de um detetive, desnudando-a em público (em geral por motivos ignóbeis de luta pelo poder), torna-se ainda mais atual a exigência do bom testemunho de fora. Pois quando a difamação circula em lugar do bom testemunho, ela pode influir de modo tão terrível sobre o envolvido que lhe rouba a fé no perdão de DEUS, lançando-o no desespero. Como uma mosca na teia da aranha, ele ficará então emaranhado nos laços do diabo, do acusador originário. A lista das 16 “virtudes” começa de forma aparentemente inofensiva com a irrepreensibilidade como premissa fundamental para o serviço de presidente. O catálogo termina com a condição quase idêntica do bom testemunho dado pelos de fora da igreja, anunciando surpreendentemente a verdadeira razão e a grave conotação de toda a listagem: laço e juízo do diabo, esses são a ameaça e o risco reais daquele que visa servir a outros sendo seu presidente. Enquanto assim se abre a visão para o pano de fundo da sedução demoníaca, o catálogo de virtudes perde sua limitação helenista e o sabor pequeno-burguês resultante da apreciação meramente superficial. Hans Bürki. Comentário Esperança Cartas aos I Timóteo. Editora Evangélica Esperança.].



3. Comprometidos com a Palavra. Os sacerdotes também tinham a função de ensinar a Palavra de Deus. Da mesma forma, Paulo recomenda que o ministro seja apto para ensinar (1Tm 3.2). É preciso que seja alguém capacitado na Palavra. A missão dos ministros de Cristo consiste no serviço, na mordomia, isto é, na administração dos negócios de Deus e, sobretudo, em sua fidelidade e santidade. [Comentário: Convém, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma mulher, vigilante, sóbrio, honesto, hospitaleiro, apto para ensinar. No total, há 15 qualificações estipuladas pelo apóstolo, sete das quais ocorrem no versículo 2. E importante que a primeiríssima destas seja a irrepreensibilidade. O significado da palavra é “acima de repreensão”, “de reputação irrepreensível” (cf. CH), “de caráter impecável”, “que ninguém possa culpar de nada” (NTLH). Por qualquer método que avaliemos, esta é a virtude mais inclusiva que aparece na lista. Significa que o líder na igreja de CRISTO não pode ter defeito óbvio de caráter e deve ser pessoa de reputação imaculada. Dificilmente se esperaria que não tivesse defeito, mas que fosse sem culpa. E apropriado que o ministro seja julgado por um padrão mais rígido que os membros leigos da igreja. Os leigos podem ser perdoados por defeitos e falhas que seriam totalmente fatais a um ministro. Há certas coisas que um DEUS misericordioso perdoa em um homem, mas que a igreja não perdoa no ministério deste. A irrepreensibilidade do candidato é requisito no qual devemos ser insistentes hoje em dia, como o foi Paulo no século I. O líder da igreja deve ser exemplar especialmente em assuntos relativos a sexo. Este é o destaque da segunda estipulação do apóstolo: Marido de uma mulher (2). Trata-se de precaução contra a poligamia, que gerava um problema sério para a igreja cujos membros eram ganhos para CRISTO vindos de um paganismo que tolerava abertamente casamentos plurais. Em todo quesito que a igreja com seus altos padrões éticos relativos a casamento confrontar o paganismo de nossos dias, em regiões incivilizadas ou não, a insistência cristã na pureza deve ser enunciada de forma clara e seguida com todo o rigor. Mas temos de perguntar: A intenção de Paulo era desaprovar o segundo casamento? Alguns dos manuscritos antigos requerem a tradução “casado apenas uma vez” (conforme nota de rodapé na NEB). “Sobre este assunto, como em muitos outros”, comenta Kelly, “a atitude que vigorava na antiguidade difere notadamente da que prevalece em grande parte dos círculos de hoje. Existem evidências abundantes provenientes da literatura e inscrições funerárias, tanto gentias quanto judaicas, que permanecer solteiro depois da morte do cônjuge ou depois do divórcio era considerado meritório, ao passo que casar-se outra vez era visto como sinal de satisfação excessiva dos próprios desejos”.1 E óbvio que em alguns segmentos da igreja primitiva esta era a opinião prevalente, chegando ao extremo último da ordem de um ministério celibatário. Mas esta não é a interpretação do ensino de Paulo que prevalece hoje. E bem conhecida sua própria preferência da vida solteira em comparação ao estado casado; e há passagens nos seus escritos em que ele recomenda este estado aos outros (e.g., 1 Co 7.39,40). Talvez o melhor resumo da intenção do apóstolo para os nossos dias seja a declaração de E. F. Scott: “O bispo tem de dar exemplo de moralidade rígida”. As próximas três especificações — vigilante, sóbrio, honesto (2) — têm relação próxima entre si e descrevem a vida cristã ordeira. Moffatt traduz estas qualidades pelas palavras: “temperado [NVI; cf. RA], mestre de si, calmo”. A temperança neste contexto transmite a ideia de autocontrole (cf. CH) ou autodisciplina. O próximo quesito qualificador é apresentado pelo apóstolo na palavra descritiva hospitaleiro (2). Esta mesma característica é mais detalhada em Tito 1.8: “Dado à hospitalidade, amigo do bem”. Nesses primeiros dias da igreja, esta era uma virtude muito importante. Havia poucos albergues no mundo do século I, e os apóstolos e evangelistas cristãos que eram enviados de lugar em lugar ficavam dependentes da hospitalidade de cristãos que tivessem um “quarto de profeta”, mantido com a finalidade de atender essas necessidades. Em nossos dias de hotéis, expressamos nossa hospitalidade cristã de modo diferente. Mas quando a igreja era jovem, essa hospitalidade era extremamente primordial. O dever e privilégio de ministrá-la recaíam naturalmente sobre o bispo ou pastor. O espírito essencial do ato é tão importante hoje como era outrora. Igualmente essencial e até mais importante é a sétima qualidade que Paulo menciona: Apto para ensinar (2). Pelo visto, nem todos os pastores eram empregados no ministério de ensino. E o que mostra 5.17: “Os presbíteros que governam bem sejam estimados por dignos de duplicada honra, principalmente os que trabalham na palavra e na doutrina”. Mas a aptidão para ensinar era rendimento certo para o ministro cristão. Era importante então como é hoje. Sempre haverá indivíduos que possuem maior capacidade nesta ou naquela área que outros, mas certa habilidade para ensinar é de extrema necessidade ao ministério completo e frutífero. J. Glenn Gould. Comentário Bíblico Beacon. Editora CPAD. Vol. 9. pag. 469-470.].


SINOPSE DO TÓPICO (III)

Os ministros de Cristo são dados por Deus à Igreja. Eles devem manifestar um caráter que honre ao Pai e que, igualmente, demonstre o compromisso com o ministério da Palavra.





CONCLUSÃO

Os sacerdotes levavam os israelitas até a presença de Deus. O sacerdócio de Arão apontava para o sacerdócio perfeito de Cristo. Atualmente, todos os que creem em Jesus e no seu sacrifício na cruz foram feitos, pela fé, reis e sacerdotes do Deus Altíssimo (1Pe 2.5,9). Você é um representante de Deus aqui na terra, e nessa posição, você tem levado outros até Cristo? [Comentário: Em síntese, o sacerdote deveria ministrar no santuário perante Deus e ensinar ao povo a guardar a Lei de Deus. E eventualmente, ele também tomava conhecimento da vontade divina em situações muito difíceis por meio da consulta ao Urim e Tumim (Êx 29.10; Nm 16.40; 27.21; Ed 2.63). No Novo Testamento, o Sumo Sacerdote é Cristo, que através do Seu sacrifício acabou com a necessidade de novas ofertas e sacrifícios (Hb 7.1-8.13); e todos os cristãos são sacerdotes (Ap 1.6; 5.10). Aliás, a Bíblia diz que originalmente Deus desejava tornar a nação de Israel, como um todo, em um reino sacerdotal (Êx 19.6). Há características do ministério sacerdotal que são, de forma geral, princípios válidos para todo ministro do Senhor até hoje. As características gerais do ministério sacerdotal são: chamado divino (Hb 5.4); purificação (Êx 29.4); unção e santificação (Lv 8.12); submissão (Lv 8.24-27) e vestes santas para glória e ornamento (Êx 28.2; 29.6,9). Tais características resultam do caráter regenerado pela mensagem do Evangelho]. “NaquEle que me garante: "Pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus" (Ef 2.8)”,
Graça e Paz a todos que estão em Cristo!


 
Francisco Barbosa

quinta-feira, 13 de março de 2014

NO VALE DA SOMBRA DA MORTE

O Salmo 23 e versículo 4 diz: "Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal nenhum, porque tu estás comigo; o teu bordão e o teu cajado me consolam".  

Estes versículo mostra entre outras atitudes do PASTOR para conosco confiança e proteção:

Confiança: "Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal nenhum". Este vale é bem diferente dos caminhos de paz, justiça e quietude. As terras montanhosas de Judá contêm muitos vales escuros onde animais selvagens traiçoeiros ficam de espreita, e servem de ilustração para fazer o homem ter uma ideia do escuro vale da morte por onde terá de passar. 

Proteção: "Porque tu estás comigo". "Tu", o mesmo Deus misericordioso que acompanha o crente quando o leva a pastos verdejantes e às águas de descanso. "O teu bordão e o teu cajado me consolam". O bordão "consola" no sentido de forçar os animais, tais como lobos e leões, a saírem em retirada. E o cajado "consola" porque é usado para direcionar a ovelha no meios dos obstáculos e até para retirá-la dalgum buraco ou despenhadeiros em que caiu. Garantem segurança e acalmam os temores. O mesmo instrumento tem o emprego duplo, representado pelas duas palavras diferentes.

PASSANDO PELO VALE

A noite do terceiro sábado de fevereiro de 2014 foi muito longa para mim. Parecia que nunca ia chegar o amanhecer, eu ansiava pela aurora! A dor terrível que sentia no abdome parecia me dizer que eu não ia ver a luz do domingo.

Finalmente estava pronto para mais uma Escola Dominical, mesmo ameaçado pela dor, a vontade de estar na Casa do Senhor superou aquele mau estar e então me dirigir ao Templo. Ao tentar amenizar a dor com um comprimido de Ranitidina senti o meu corpo gelado, pois o mau estar agravou-se ainda mais e senti sensação de desmaio, então percebi que estava impotente para assumir compromissos naquela manhã. Voltei às pressas para minha residência e então continuou a tortura no meu corpo.

Após ser levado ao centro de emergência do Hospital Kalil Moisés da Silva, sentindo calafrios, o médico me medicou com remédios para verminose (Secnidazol 1000 e Helmiben NF 200 mg + 332 mg) o que agravou ainda mais o meu quadro clínico.

[Essa atitude médica de Vitória do Mearim, mostra o descaso da nossa saúde pública. Não há investimentos nesse setor, e, desta forma, os funcionários têm boa vontade em ajudar os pacientes, mas não podem fazer milagres.]

Então amparado pela família e amigos (Edith, Lanucy, Jemerson, Débora, Manoel e Priscila) fui a São Luis no quarto sábado de fevereiro (22/02/14), juntamente com a minha esposa e os irmãos Edith, Lanucy e Manoel que foi o condutor do veículo. Após os exames o médico não diagnosticou nenhum problema que me desse direito a uma internação, solicitou, então, mais exames para a semana seguinte, inclusive uma ultrassonografia total do abdome. Na segunda feira (24/02) enquanto fazia o último exame o médico me informou que deveria fazer uma cirurgia urgentemente, pois a vesícula estava com traços de infecção.

Voltei, então ao Hospital São Luiz. Foram feitos novos exames e uma tomografia, foi então confirmado o que a ultrassonografia detectou. A cirurgia a vídeo foi marcada e então fui submetido a ela no dia 26 de fevereiro de 2014.

No primeiro dia foi muito complicado, pois não podia falar, me alimentar e nem mesmo beber água. A barriga estava inflada devido a grande quantidade de ar que foi colocado para facilitar na hora da cirurgia para não comprometer outros órgãos. Dessa forma senti falta de ar devido os gases comprimirem os órgãos internos, inclusive os pulmões.

No dia seguinte a recuperação foi mais visível, pois comecei a fazer caminhada dentro do hospital e, então, as melhoras foram aparecendo até que o médico me deu alta no dia 03 de março.

Em minha casa, me recuperando, resolvi então postar essa experiência pela qual passei para compartilhar com os amigos e, assim, agradecer pelos telefonemas, mensagens no Facebook, no WhatsApp; pelas orações feitas a meu favor. Agradecer a todos os funcionários do HSLZ, inclusive o médico, Dr. Jordano e sua equipe, pelas mãos abençoadas, usadas por Deus para cuidar de mim.

Agora, volto a dizer como o salmista: "Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal nenhum, porque tu estás comigo".
Muitas são as aflições do justo, mas o Senhor o livra de todas. 

Graça e paz.  

Algumas Fotos que marcaram essa experiência

Fique hospedado na Casa do Educador - Rua do Egito



O sol raiou e já estávamos prontos para fazermos novos exames

No CADH o meu filho me acompanhou e ficou na fila para receber a senha

Esperando a hora de ir ao centro cirúrgico
Após o banho, esperando a hora dos curativos
A hora de tormento, pois o esparadrapo arrancava os pelos e causava ainda mais dor



A dor é superada ao receber o carinho do filho (DENNIS)


... do filho e da esposa...

    
Todas as tardes, na hora da visita, o Dennis era incansável, me botando para fazer caminhada.


No meio da madrugada, o sono falhou, a respiração estava pouca, e então fui ao corredor andar de cadeira de rodas.

E então, a acompanhante também merece todo o conforto.

terça-feira, 11 de março de 2014

ECUMENISMO RELIGIOSO: uma armadilha de Satanás


Assistiu ao vídeo acima? Agora, leia o artigo que escrevi para o jornal Mensageiro da Paz de março de 2012.

ECUMENISMO RELIGIOSO: uma armadilha do Diabo



Houve um tempo em que o ecumenismo religioso era considerado um grande perigo para as igrejas cristãs. Pastores verberavam contra ele. E qualquer comunhão ecumênica entre evangélicos, católicos romanos e espíritas era inimaginável. Mas os tempos mudaram. Hoje, o relacionamento entre padres galãs e celebridades gospel é tão bom que estas até fornecem suas composições àqueles. Certa cantora gospel, inclusive, fez uma canção dedicada a Maria. Juntos, romanistas e evangélicos participam de shows ecumênicos e programas de auditório. “O que nos une é muito maior do que o que nos divide”, argumentam.

O ecumenismo — gr. oikoumenikós, “aberto para o mundo inteiro” — prega a tolerância à diversidade religiosa e a oposição a quem defende uma verdade exclusiva. Trata-se de uma armadilha de Satanás, com o objetivo de calar os pregadores da Palavra de Deus. Ele se baseia no princípio “democrático” de que cada pessoa possui a sua verdade. Mas o Senhor asseverou que não existe unidade motivada pelo amor divorciada da verdade da Palavra: “Se me amardes, guardareis os meus mandamentos. [...] Se alguém me ama, guardará a minha palavra” (Jo 14.15-24).


Causa estranheza o fato de uma parte do evangelicalismo moderno considerar o ecumenismo religioso biblicamente aceitável. Já ouço pastores dizendo: “A doutrina bíblica divide. É o amor que nos une. A igreja deve ser inclusiva”. A despeito de o Senhor Jesus ter afirmado: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida” (Jo 14.6), está crescendo no meio evangélico a simpatia pelo movimento ecumênico. Nos Estados Unidos, pastores renomados deixaram de falar de Jesus com clareza. Pregam sobre Deus de maneira generalizante, a fim de não ofenderem romanistas, muçulmanos, budistas etc. E, no Brasil, alguns acontecimentos têm preocupado aqueles que ainda preservam a sã doutrina.


Recentemente, um conhecido pastor realizou — dentro de um templo evangélico! — um culto ecumênico juntamente com a liderança da Igreja da Unificação, do “reverendo” coreano Sun Myung Moon. “Qual é o problema de um pastor de renome ter amizade com o líder de uma seita? Afinal, todos devem se unir pela paz mundial”, alguém poderá dizer. Não devemos, de fato, odiar o “reverendo” Moon. Mas, como ter comunhão com alguém que, de modo blasfemo, desdenha do sangue derramado pelo Cordeiro de Deus, considerando-o insuficiente para nos purificar de todo o pecado? Moon também se considera um novo Messias que precisou vir ao mundo para concluir a obra que o Senhor não conseguiu realizar. Que blasfêmia! A Palavra de Deus não aprova esse tipo de aliança (2Co 6.14-18).


Outro exemplo de ecumenismo religioso é o envolvimento de pastores com o unicismo, uma seita que diz ter a “voz da verdade” e vem tendo livre acesso, através de suas celebridades, às igrejas evangélicas. O pentecostalismo da unicidade é herético, visto que se opõe à doutrina da Trindade, a base das principais doutrinas cristãs. Quem se opõe à tripessoalidade divina (confundindo-a com o triteísmo) nega não apenas a teologia, mas também a própria Bíblia (Gn 1.26 e Jo 14.23), o cristianismo (Mt 28.19 e 2Co 13.13), a deidade do Espírito Santo (Jo 14.16-17 e 16.7-10), a clara distinção entre o Pai e o Filho (Jo 5.19-47 e 14.1-16) e o plano da redenção da humanidade (Jo 3.16 e 17.4-5). Atentemos para a verdadeira voz da verdade, a do Bom Pastor: “As minhas ovelhas ouvem a minha voz” (Jo 10.17).


Pastores e cantores, por falta de vigilância ou movidos por interesses pessoais, estão se prendendo a jugos desiguais com os infiéis, deixando-se enganar pelo ecumenismo religioso. A maior emissora de televisão do Brasil — que sempre estereotipou e ridicularizou os evangélicos — descobriu que nem todos os cristãos são “extremistas” e “fanáticos”. Há um grupo de celebridades gospel que não tem coragem de dizer clara e objetivamente que o Senhor Jesus é o único Mediador entre Deus e os homens (1Tm 2.5 e At 4.12).


Em um programa dominical, certa “pastora” resolveu tripudiar sobre os seus “inimigos”, rodopiando com baianas e cantando com sambistas no ritmo das religiões afro-brasileiras. Enquanto ela dançava, a apresentadora, seus convidados e a plateia riam sem parar, numa grande celebração. Que tipo de evangelho “agradável” e “inclusivo” é esse? Lembrei-me imediatamente do que o Senhor Jesus disse, em Mateus 5.11-12: “Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem, e mentindo, disserem todo o mal contra vós por minha causa. Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os profetas por minha causa”.


Há poucos dias, uma conhecida cantora gospel admitiu, de modo tácito, que o sincretismo religioso é aceitável. Ao concordar com a seguinte frase, dita por um famoso apresentador: “O Caldeirão é uma mistura de religiões”, ela respondeu: “Tem espaço pra todo mundo”. E o pior: depois, escreveu nas redes sociais que se sentiu como Paulo no Areópago... Ora, esse apóstolo não pregou a convivência ecumênica nem apresentou uma mensagem que os atenienses queriam ouvir. Ele disse o que todos precisavam ouvir. Ao chegar a Atenas, “o seu espírito se comovia em si mesmo, vendo a cidade tão entregue à idolatria” (At 17.16). Já a aludida celebridade, deslumbrada, estava sorridente e saltitante.


Tenho visto muitos incautos felizes pelo fato de celebridades gospel estarem aparecendo na televisão. Mas não nos iludamos, pois a porta não foi aberta para o Evangelho. O que existe, na verdade, é um projeto ecumênico em andamento, o qual visa a enfraquecer a pregação de que o Senhor Jesus é o único Salvador. Tais celebridades — certamente, orientadas a não falar claramente da salvação em Cristo — têm empregado bordões antropocêntricos, que massageiam o ego das pessoas. Elas não têm a coragem de confrontar o pecado. E apresentam um evangelho light, agradável, apaziguador, simpático, suave, aberto ao ecumenismo.


O que está escrito em 1Coríntios 16.9? “Porque uma porta grande e eficaz se me abriu, e há muitos adversários”. Quando Deus verdadeiramente abre-nos a porta da pregação do Evangelho, como a abriu para o apóstolo Paulo, os adversários — Satanás, os demônios e todos os seus emissários — se voltam contra nós. Mas a mídia está aplaudindo de pé esse “outro evangelho” aberto à convivência ecumênica. Preguemos, pois, como Paulo, nesse mundo, que é um grande caldeirão religioso: “Deus, não tendo em conta os tempos da ignorância, anuncia agora a todos os homens, em todo lugar, que se arrependam” (At 17.30).


Ciro Sanches Zibordi

sexta-feira, 7 de março de 2014

LIÇÃO 10 - AS LEIS CIVIS ENTREGUES POR MOISÉS AOS ISRAELITAS



SUBSÍDIO I

INTRODUÇÃO
O livro de Êxodo contem algumas leis básicas que visavam à proteção da vida e da propriedade humana. Isso mostra que o Pacto com Deus implicava em um posicionamento ético, em um relacionamento diferenciado das demais nações (Ex. 24.3-8). Na aula de hoje atentaremos para algumas dessas leis, ressaltando a necessidade de segui-las, confiando nas instruções de Deus, que são sempre para o nosso bem individual e coletivo. Inicialmente faremos uma apresentação geral das leis civis entregues por Moisés aos israelitas, em seguida, mostraremos a importância de esses as seguirem, e ao final, ressaltaremos a lei de Cristo, enquanto valor ético a ser observado.

1. AS LEIS DE DEUS
As leis humanas, por seu caráter impositivo, não podem mudar as pessoas, elas apenas regulam os comportamentos. Mas elas têm sua serventia, pois nada há mais perigoso para uma sociedade do que o caos, nenhum povo subsiste se decidir viver em anarquia. O povo de Israel experimentou dias difíceis na sua história, quando cada homem decidiu agir de acordo com o que achava correto aos seus próprios olhos (Jz. 17.6; 18.1; 19.1; 21.25). A sociedade contemporânea, influenciada pelas abordagens da psicologia moderna, optou pelo relativismo cultural. Ao invés de se dobrarem diante da Palavra de Deus, muitos estão se voltando para seus próprios intentos, dando vasão à natureza pecaminosa. As leis de Deus, inicialmente direcionadas ao povo de Israel, apontavam para princípios de justiça, tendo em vista que o Senhor ama a retidão e a justiça (Sl. 33.5; Is. 30.18; 61.8). Existe muita injustiça na sociedade atual, o direito dos pobres e necessitados está sendo vituperado, mas chegará o dia em que o Salvador julgará a todos (At. 17.31). O povo de Israel recebeu leis em relação aos servos, considerando que era permitida, no contexto da época, a propriedade de escravos de outras nações. Mas existiam restrições, a fim de preservar o direito à sobrevivência dos servos (Ex. 21.1-11). Ninguém deverá se assenhorar sobre o indivíduo de modo a oprimi-lo, a riqueza não poderia resultar da exploração do trabalho do seu próximo. Deus também deu leis em relação aos crimes capitais, tendo em vista que somos a imagem de Deus, ninguém deveria tirar a vida do outro (Gn. 9.6). Os crimes eram dignos de julgamento, testemunhas deveriam ser ouvidas a fim de validar o homicídio (Nm. 35.30,31). Havia, já naquele tempo, orientações quanto às mortes acidentais, que garantiam segurança (I Rs. 2.29), o próprio Deus instituiu seis cidades de refúgios para tais casos (Nm. 35; Dt. 19; Js. 20). As pessoas devem ser julgadas, e se forem o caso, penalizadas, mas nunca sem que tenham amplo direito à defesa. E essas, por sua vez, não devem ser feitas para priorizar privilegiados, em detrimento dos mais necessitados, que mais carecem de amparo (Is. 10.1,2).

2. SEGUINDO AS LEIS DE DEUS
Algumas leis eram mais específicas, como as que tratavam da desobediência aos pais (Ex. 21.15-17; Lv. 20.9; Dt. 27.16). Mas a lei também favorecia ao filho pródigo (Ex. 21.18-21), dando a esse a oportunidade de arrependimento. A orientação aos filhos, em meio a essa sociedade permissiva, que perdeu a afeição pelos seus pais (Ef. 6.2; II Tm. 3.3), é a de que honrem seus pais, dando-lhes o devido respeito. A propriedade privada deveria ser preservada, ninguém deveria se apropriar daquilo que não lhe pertencia (Ex. 21.16; Dt. 24.7). O povo de Israel não poderia se exasperar a ponto de causar dano ao próximo (Ex. 21.18-32), sob o risco de sofrer pena capital. Alguns países aplicam a pena capital em casos de homicídios hediondos, nos quais fique comprovada a impossibilidade de reversão do comportamento do criminoso. Para tanto alguns cristãos remetem às leis do Antigo Pacto (Ex. 21.12-16), bem como às palavras de Jesus (Mt. 26.52) e Paulo (Rm. 13.4). Mas é preciso cautela na interpretação dessas passagens, considerando que o governo humano é injusto, portanto, pode punir indevidamente. Os cristãos devem promover a vida, e como acreditam no arrependimento, devem defender a oportunidade para que a pessoa venha a se voltar para Deus, tal como fez Jesus com a mulher flagrada em adultério (Jo. 8.1-11). A orientação geral de Jesus é a do perdão (Mt. 5.38-44; I Pe. 2.19-21), como cristãos temos o direito de abdicar dos direitos legais para glória de Deus, não demandando compensação (I Co. 6.1-8). Além disso, para Jesus, alguém pode assassinar o próximo não apenas fisicamente, mas também através das palavras (Mt. 5.21,22). Em relação à ecologia, no contexto de uma sociedade dependente da agricultura, Israel deveria saber tratar bem a terra, para evitar desgaste (Ex. 21.33,34). De igual modo, nós os cristãos, diante da selvageria consumista, devemos ter cuidado para não degradar a natureza. Os cristãos devem cuidar da terra, pois ela, e tudo que nela existe, pertence ao Senhor (Sl. 24.1). Como foi o projeto inicial de Deus, devemos agir com responsabilidade diante da criação (Gn. 2.15).

3. A CONFIANÇA NAS LEIS DE DEUS
As leis de Deus não são para o mal, antes para o bem daqueles que as observam, por esse motivo o Senhor as instituiu para o Seu povo no Sinai. Deus preparou um lugar para o Israel, mas para que esse povo chegasse à terra prometida, deveriam trilhar um longo caminho. Jesus também foi preparar lugar para aqueles que creem nEle (Jo. 14.1), até chegarmos lá devemos nos voltar para os mandamentos do Senhor. Agora somos filhos de Deus, e como tais, precisamos viver com responsabilidade, tanto em relação a Deus quanto ao próximo. O cumprimento da lei é o amor, a partir dele os cristãos demonstram sua confiança nas leis de Deus (Rm. 13.9,10). O próprio Senhor Jesus Cristo estabeleceu um princípio ético que fundamenta a observância a todas as leis. Devemos fazer aos outros o que desejamos que seja feitos a nós (Mt. 7.12). Esse é o novo mandamento, a Lei de Cristo, que exercitemos o amor (Jo. 13.34). A sociedade contemporânea desconhece essa lei, pois está pautada no princípio da causa-efeito, da ação-reação. Mas em Cristo somos chamados para um discipulado diferenciado, que não se pauta na forma como os outros nos tratam, mas em nosso relacionamento com Cristo, que nos amou primeiro (I Jo. 4.19). A lei do pecado, que impulsiona o ser humano para a desobediência, é mortificada na medida em que, o novo homem, se deixa conduzir pelo Espírito (II Co. 5.17; Gl. 5.16-17). Essa é a lei que se sobrepõe às tendências pecaminosas, fundamentadas na natureza carnal, e que as leis civis apenas coíbem. A base do relacionamento com outros, de acordo com Ef. 5.26-27, é o exemplo de Cristo, que a si mesmo se entregou por Sua igreja. Certamente o mundo não compreende esse ensinamento, pois o amor de Cristo excede todo o entendimento (Ef. 3.19). O evangelho é loucura, tanto para os judeus quanto para os gregos, pois os primeiros querem sinais, e os últimos, sabedoria. Mas nós pregamos, e somos chamados a pregar e viver a partir do Cristo Crucificado, essa é a dimensão que deve conduzir os relacionamentos humanos (I Co. 1.18-21).

CONCLUSÃO
As leis existem para controlar os comportamentos humanos em virtude da natureza caída, e nesse sentido, se tornaram necessárias, a fim de evitar a anarquia. O próprio Deus, em seu tratamento inicial com Israel, deu-lhe normas que deveriam ser obedecidas. No entanto, em Cristo, temos contato com uma nova dimensão legal, o amor encarnado em Sua pessoa para um viver em graça (Mt. 18.21.22). Esse é o desafio para a sociedade contemporânea, que desconhece a lei do amor de Deus, enquanto que nós somos desafiados a vivê-la, como discípulos do Cristo Crucificado (Mt. 16.24-28).


SUBSÍDIO II



INTRODUÇÃO


Palavra Chave


Lei: Prescrição religiosa, conjunto de regras que emanam da providência divina e dada ao homem pela revelação.

 
Deus entregou a Israel o Decálogo e algumas leis civis que regeriam aquela nação. O Decálogo pode ser considerado, em nossos dias, à nossa legislação constitucional, civil e penal. Tanto no seu caminhar no deserto, como depois já em Canaã, o povo de Israel viveu rodeado de povos ímpios, incrédulos, idólatras, perversos, enfim, grandes pecadores contra o Senhor e contra o próximo. Como nação, o povo precisava de leis que os orientasse e os levasse a uma convivência ideal.


Na lição de hoje, estudaremos algumas destas leis e a sua aplicação, tendo como referencial no Novo Testamento passagens como Mateus 5 a 7 e Romanos 12 e 13. [Comentário: Entramos agora nos capítulos 21 a 23 do livro de êxodo, vamos estudar o conjunto de leis, o chamado “código da aliança”, que o Senhor deu a Moisés para regular a convivência entre os israelitas. Aquele grupo de ex-escravos, agora possuía um código de leis, em muito superior aos demais códigos conhecidos da época. Deus planejou organizá-los como nação, uma nação santa e justa. Deus iria fazer dos hebreus uma nação modelo, para isso o povo precisava de leis, de uma constituição que os ensinassem a respeitar a Ele e ao próximo. Warren W. Wiersbe escreve em seu Comentário Bíblico Expositivo. A.T. Vol. I, editado pela Central Gospel, que “esta seção de Êxodo inclui as leis básicas que tratam especialmente da proteção à vida humana e à propriedade. Ao aceitar "O Livro da Aliança"(Êx 24:3-8), o povo entrou num relacionamento especial com Jeová e comprometeu-se a lhe obedecer. Essas leis não são arbitrárias; baseiam-se no caráter de Deus e nos princípios morais imutáveis expressos nos dez mandamentos. A lei não tem poder algum de mudar a natureza humana. Pode apenas proteger a vida e a propriedade ao regular o comportamento humano. Um dos períodos mais críticos e malsucedidos da história de Israel foi o tempo dos juízes, quando "cada qual fazia o que achava mais reto"(Jz 1 7:6; 18:1; 19:1; 21:25). A imposição de boas leis não garante uma sociedade perfeita, mas promove a ordem e evita a anarquia.” (WIERSBE. Warren W. Comentário Bíblico Expositivo. A.T. Vol. I. Editora Central Gospel. pag. 293.)]. Tenhamos todos uma excelente e abençoada aula!

 

I. MOISÉS, O MEDIADOR DAS LEIS DIVINAS


1. O mediador (Êx 20.19-22). Deus falou diretamente com o seu povo. Todavia, eles temeram e não quiseram ouvir a voz do Todo-Poderoso diretamente. Então, os israelitas disseram a Moisés: “Fala tu conosco, e ouviremos; e não fale Deus conosco, para que não morramos”. Diante do Senhor o povo reconhecia as suas iniquidades e fragilidades. Moisés foi o mediador entre o povo e Deus. Hoje, Jesus é o nosso mediador. Sem Cristo não podemos nos aproximar de Deus nem ouvir a sua voz (1Tm 2.5). [Comentário: Antes de Moisés subir ao monte Sinai, YAHWEH ordena que ele oriente o povo quanto à sua proteção. Eles não poderiam contemplar a Deus e permanecerem vivos. Além disso, não possuíam um espírito desenvolvido a ponto de poder ouvir a voz de Deus com entendimento. Isso acontece em nosso meio, acerca daquelas pessoas menos desenvolvidas e que são precisamente aquelas que se mostram mais ruidosas acerca de seu pouco conhecimento, praticam uma apologética brava de suas teologias deficientes. Em Êx 19.22 também os sacerdotes corriam perigo! Talvez alguns deles julgavam-se pessoas altamente espirituais, poderiam ousar tentar ver a YAHWEH. YAHWEH desceu ao cume do monte, o que já tinha sido dito, em termos gerais, no versículo 18. Foi ao topo do monte, pois, que Deus chamou Moisés. No versículo 19 está evidente a relutância de Israel, devido à consciência de seu próprio pecado, em se apresentar diante do Senhor, e nem sequer, ouvir Sua voz. Tal qual Adão e Eva ao se esconderem no Gan Eden ao ouvirem a voz do Eterno; tal qual o crente que sente a vergonha do seu pecado (Is 6.5). Interessante notar o contraste entre o temor dos israelitas e o desejo ardente de Moisés (33.18). Provavelmente esta teofania ruidosa e assombrosa visasse saber se os israelitas realmente possuíam verdadeiro temor a YAHWEH, que leva o indivíduo a guardar-se do mal. Em outras palavras, a presente reação dos israelitas era basicamente certa, levando-se em conta a pecaminosidade da natureza humana. O  Comentário Bíblico Beacon traz o seguinte quanto ao Medo do Povo (20.18-20): “Os israelitas estavam perto de uma montanha em chamas e ouviram a voz do Deus Todo-poderoso. Que experiência tremenda! Quando viram esse cenário, afastaram-se e se puseram de longe (18). O medo tomou conta deles. Pediram a Moisés que lhes servisse de intermediário, dizendo: Fala tu conosco, e ouviremos; e não fale Deus conosco, para que não morramos (19). Nestas circunstâncias, sentiram que não estavam tão preparados para questionar a posição de Moisés como profeta de Deus como antes estiveram (17.1-4). Moisés lhes deu uma palavra tranqüilizadora. Não havia necessidade de temerem excessivamente, pois Deus veio para provar-vos (20), ou seja, “testar se vós respeitareis seus mandamentos”. Não precisavam ter medo dos relâmpagos, mas deviam ter um temor santo para que não pecassem contra Deus. Os filhos de Deus não precisam ter medo das providências divinas, mas é essencial possuírem um temor piedoso que os leve à reverência e obediência.” Leo G. Cox.  Comentário Bíblico Beacon. Editora CPAD. Vol. 1. pag. 192..].


2. Leis concernentes à escravidão (Êx 21.1-7). As leis civis foram dadas a Israel tendo em vista o meio e a condição social em que viviam. O Senhor nunca acolheu a escravidão, mas, já que ela fazia parte do contexto social em que Israel vivia, era preciso regulamentar esta triste condição social. Deus ordenou que o tempo em que a pessoa estaria na condição de escravo seria de seis anos (Êx 21.2). Segundo o Comentário Bíblico Beacon, “a lei não exigia que houvesse escravidão, mas visto que existia, estas leis regulamentares regiam a manutenção das relações certas”. O Senhor sabia da existência da escravidão, porém, Ele nunca aprovou esta condição. [Comentário: Parece complicado em nosso contexto sócio-cultural compreender a normalidade da escravidão no passado. Ficamos desolados quando vemos a escravidão ser regulamentada, e não eliminada, no Antigo e no Novo Testamentos. A existência da escravidão, apesar de algumas provisões humanitárias, mostra a baixa natureza espiritual dos povos antigos, a despeito de quaisquer outras vantagens que tenham tido. Mas é preciso entender que, no passado, a idéia de escravidão não possuía a carga negativa que tem hoje. Aquilo que nos vem à mente hoje, não retrata fielmente o que era a escravidão naquele período da história. As ideias de prisão, privação de direitos, trabalhos forçados, humilhação, castigos físicos, seres humanos tratados como animais ou pior, enfim, tudo aquilo que temos conhecimento do que foi a escravidão negreira em tempos mais recentes, não serve como exemplo da escravidão no médio Oriente bíblico. Não advogo que não tenha havido os excessos, injustiças e abusos no trato com os escravos na antiguidade, mas, entre os hebreus e os primeiros cristãos, as relações entre senhores e servos não eram abusivas (Ef 6.5-9; Cl 3.22-4.1; 1 Tm 6.1,2; 1 Pe 2.18-25 e Fm 8-21). Naquele contexto, a pobreza era muito grande, razão por que, infelizmente, era comum pessoas que eram muito pobres, que não tinham como se sustentar, se oferecerem como escravas de outras pessoas mais abastadas para que, assim, pudessem sobreviver. Havia até casos de pobres que nem tentavam se esforçar para conseguir a sua independência, preferindo partir logo para uma vida à custa e ao serviço dos mais ricos. A cultura daquela época via assim, a atitude de oferecer-se como escravo, uma medida legítima. Havia também leis que regulavam o pagamento de dívidas, às vezes a pessoa não era pobre, mas acumulava uma dívida impagável, e se oferecia para servir como forma de pagar a dívida. Não era imoral o credor ter propriedade sobre o trabalho do devedor até que a dívida daquele fosse paga. Todos consideravam mais do que justo. Inclusive, por causa das dívidas dos pais, os filhos, após o falecimento destes, trabalhavam também como servos do credor até que o restante da dívida paterna fosse paga (1 Reis 4.1,7). Outro tipo de escravidão é aquele oriundo de guerras. Povos conquistados tinham geralmente parte de sua população poupada para servir como escrava à gente da nação vencedora. É neste último caso que se origina o mercado escravagista como temos conhecido em história recente. Para os hebreus, as questões relativas à escravidão, encontraram lugar dentro do código civil. Essa regulamentação era considerada sagrada e divinamente inspirada, pelo que não se podia evitar obedecê-la. Algum tipo de justiça e de equidade teria que ser aplicado à escravidão. As decisões judiciais futuras teriam que obedecer ao espírito destes estatutos. Surgiriam situações em que teria de ser aplicada a legislação por analogia (Dt 15.12-18). Os estatutos dados por deus ao povo israelita refletem costumes de uma comunidade tipicamente agrícola (Êx 22.5,6), e o seu conteúdo é bastante parecido com outros códigos legais de povos antigos daquela região do mundo. Por fim, esclareço que o texto referido não alude à escravidão de estrangeiros em Israel ou de prisioneiros de guerra. Estão em pauta somente escravos hebreus. Havia uma legislação limitada ao benefício de escravos hebreus. Um tratamento humano era requerido, mas um escravo não podia pensar em liberdade enquanto não chegasse o sétimo ano.].


3. Ricos e pobres (Dt 15.4-11; Jo 12.8). Deus sustentou o seu povo durante sua caminhada no deserto. Agora, quando entrassem na terra, deveriam trabalhar, e haveria entre os israelitas ricos e pobres. O contexto era outro. Em geral, a pobreza era resultado de catástrofes naturais, problemas com as colheitas, guerras e rebeldia do povo em obedecer aos mandamentos divinos. Deus sempre quer o melhor para o ser humano, que Ele criou e abençoou (Gn 1.27,28). Isso abrange os pobres: “Aprendei a fazer o bem; praticai o que é reto; ajudai o oprimido; fazei justiça ao órfão; tratai da causa das viúvas” (Is 1.17). Uma parte do ministério de vários profetas que Deus levantou no Antigo Testamento era denunciar e advertir os israelitas contra a injustiça social e trabalho mal renumerado e opressão dos ricos e poderosos. [Comentário: Afirma-se aqui, de acordo com a perspectiva geral de Deuteronômio, que a completa obediência a Javé e Seus mandamentos resultaria no derramamento das bênçãos divinas. Isto significava, entre outras coisas, que não haveria pobres na terra (e assim a lei do versículo 2 jamais precisaria ser executada), mas também que Israel, como nação, jamais ficaria em débito com outras nações mas, pelo contrário, lhes emprestaria dinheiro. Tampouco seria Israel dominado pelas nações, sendo antes seu dominador. Idealmente, não haveria pobres na terra, se Israel fosse totalmente obediente. Mas a experiência de Moisés o leva a duvidar do cumprimento das condições, por isso elabora leis a favor dos pobres. Esta promessa se cumpriu em eras como os reinados de Davi e Salomão. Quando os israelitas passaram da agricultura para as finanças, exerceram grande poder como financistas, embora até que ponto esta condição se deveu a obediência à lei seja questão de debate. Não endurecerás o teu coração, nem fecharás a tua mão a teu irmão que for pobre (7). Há indivíduos que não se importarão com a necessidade do irmão, mas privilegiarão a possibilidade de pagamento. A recusa em emprestar, porque o ano da remissão (9) se aproximava, é atribuído a um “pensamento vil no teu coração” (ARA). Dar voluntariamente e de bom grado desencadeia bênçãos divinas sobre todos os nossos trabalhos (10). Talvez Jesus tivesse este capítulo em mente quando proferiu as palavras registradas em Lucas 6.30-36. Nestes versículos, vemos “Coração e Atitude”. Coração endurecido e mão fechada (7; 2) Coração mau e olhos maus (9; 3) Coração generoso e mão-aberta e abençoada por Deus, (10,11). Jack Ford; A. R. G. Deasley.  Leo G. Cox.  Comentário Bíblico Beacon. Editora CPAD. Vol. 1. pag. 449-450.].




SINOPSE DO TÓPICO (I)


Assim como Moisés fez a mediação entre Deus e Israel, Cristo é o único mediador entre Deus e os homens.




II. LEIS ACERCA DE CRIMES


1. Brigas, conflitos, lutas pessoais (Êx 21.18,19). Deus criou o homem, logo, Ele conhece bem a sua natureza. Para orientar o povo em casos de agressões e brigas, o Senhor determinou leis específicas. Na Nova Aliança, aqueles que já experimentaram o novo nascimento, pelo Espírito Santo (Jo 3.3), não devem se envolver em brigas, disputas e contendas, pois a Palavra de Deus nos adverte: “E ao servo do Senhor não convém contender” (2Tm 2.24). Na igreja de Corinto faltava comunhão fraterna e em seu lugar havia disputas e contendas. Paulo denunciou e criticou duramente os coríntios por esta falta (1Co 6.1-11). [Comentário: Os versículos 12 ao 17 tratam dos crimes capitais; e os versículos 18 em diante, abordam os crimes não-capitais. Estão envolvidos animais, e não somente pessoas. Do começo ao fim encontramos paralelos ao código de Hammurabi. Faz-se a distinção entre atos intencionais e não-intencionais, conforme se vê em quase todos os códigos legais. A justiça era ágil, mas a fim de prevenir o ridículo, era garantido o direito de asilo, até que as questões pudessem ser devidamente julgadas (Nm 35.12; Dt 4.41-43; 19.1-13; Js 20). O asilo mais antigo era o altar. E também havia cidades de refúgio (não consideradas nesta seção). A punição de acordo com o crime tinha a vantagem de não permitir castigos excessivos. Esta seção também inclui a proteção à propriedade privada. Quatro Crimes que Requeriam Punição Capital: 1. Homicídio premeditado, vss. 12,14; vero sexto mandamento (Êx 20.13; Gn 9·6); 2. Violência física contra os pais (Êx 21.15); 3. Seqüestro (vs. 16; Dt 24.7); 4. Abuso verbal contra os próprios pais (Êx 21.17. Êx 20.12, onde isso aparece como o quinto mandamento). Tal desrespeito era considerado como se fosse homicídio].


2. Crimes capitais. Deus já havia ordenado no Decálogo: “Não matarás” (Êx 20.13). Na expressão “não matarás”, o verbo hebraico exprime a ideia de matar dolosamente, perfidamente, por traição. Na Antiga Aliança, o sistema jurídico era bem intolerante com os transgressores: “olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé”. Todavia, havia casos onde a morte era, na verdade, uma fatalidade. Pouco depois, Deus, em sua misericórdia e bondade, estabeleceu as “cidades de refúgio”, para socorrer aqueles que cometessem homicídio involuntário, ou seja, morte acidental (Nm 35.9-11). As cidades de refúgio apontavam para Jesus Cristo, nosso abrigo e socorro. Elas também serviam para evitar que as pessoas fizessem vingança com as próprias mãos. [Comentário: Esse mandamento proíbe o homicídio. O Antigo Testamento justificava, contudo, certas formas de homicídio. Um escravo podia ser morto sem que seu proprietário fosse punido (Êxo. 21.21). Quem invadisse uma casa podia ser morto, sem sanções contra quem lhe tirasse a vida (Êxo. 22.2). O sexto mandamento não proibia os sacrifícios de animais. Matar alguém, durante as batalhas, não era considerado um crime (Deu. 20.1-4). Presume-se que o suicídio era proibido, embora não seja especificamente mencionado. A lei proíbe o abuso da propriedade por meio do furto (Êxo. 20.15, o oitavo mandamento). Ora, a vida de um homem é sua mais preciosa possessão, bem como o veículo de que ele precisa para cumprir o desígnio divino em sua vida. Portanto, o homicídio insulta DEUS, e não somente o homem, porquanto interfere no propósito de DEUS que se está cumprindo nos homens. Desde os dias do Antigo Testamento, tem aumentado o respeito pela vida humana; mas o homem está ainda muito longe de ter um autêntico respeito pela sacralidade da vida humana. Há ocasiões em que se torna imprescindível guerrear contra os psicopatas, como certamente foi Hitler, a fim de serem salvas muitas vidas. Mas mesmo assim, muitas vítimas inocentes são ceifadas, até mesmo por parte dos chamados poderes justos. O trecho de Mateus 5.21,22 expande o sexto mandamento para que inclua o ódio, a inveja, a má vontade e o assassinato de caráter. A ira indevida e pensamentos maliciosos, que se expressem em palavras ou ações, devem ser compreendidos como implicações desse sexto mandamento. CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 392-392.].


3. Uma terra pura. Deus libertou seu povo da escravidão e os estava conduzindo para uma nova terra. As leis serviriam para ensinar, advertir e impedir que o povo Israel profanasse Canaã (Nm 35.33,34). [Comentário: O sangue derramado poluía a terra, razão pela qual tanto o assassinato quanto o homicídio involuntário requeriam que a lei fosse seguida de forma exata: era mister aplicar O castigo: a morte do assassino, o exílio do homicida involuntário. Somente então seria purificada a terra poluída. E sangue também purificava. O sangue do assassino seria derramado; e, por meio desse ato, a terra era purificada da polução do sangue criminosamente derramado (Gn 9.6). O assassinato é um crime hediondo, só podendo ser expiado mediante meios radicais, ou seja, mais derramamento de sangue (Nm 35.34) Não contaminareis... a terra. “A vingança do sangue não era uma opção, mas uma necessidade teológica” (Eugene H. Merrill, in Ioc.). YAHWEH habitava na terra; e a terra era Dele; e o Seu povo devia evitar que a terra fosse poluída. Os cananeus tinham poluído a terra com toda espécie de crimes de violência. Mas uma nova ordem de coisas estava prestes a instalar-se. YAHWEH queria que a terra fosse purificada. Somente o sangue de um assassino podia expiar o seu crime e purificar a terra (ver Dt 19.10,13). YAHWEH é o autor da vida e assim determinou as condições favoráveis à vida. A vida é um tempo de preparação  para a vida eterna, e os crimes não resolvidos somente servem para corromper a alma. CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 741.].




SINOPSE DO TÓPICO (II)


As leis acerca de crimes versavam sobre as brigas, conflitos, lutas pessoais e crimes capitais.




III. LEIS CONCERNENTES À PROPRIEDADE


1. O roubo (Êx 22.1-15). A ovelha e o boi são citados porque os israelitas eram um povo pastoril, rural. Segundo a Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal, “tais leis visavam proteger a nação e organizá-la e voltar sua atenção para Deus”. O Senhor havia retirado os israelitas do Egito, porém, o “Egito” não saiu da vida de muitos deles. Por isso eram necessárias leis rígidas quanto ao direito do próximo e a propriedade privada, sabendo-se que toda a terra é do Senhor; nós somos apenas inquilinos nela (Dt 10.14). [Comentário: Êx 22.1: “Se alguém furtar”: Temos aqui um caso de furto complicado. Em outras palavras, um homem furtava não por ser pobre, mas com o propósito de comer ou vender o animal. Havia algo de especialmente desagradável quando um homem matava um animal que tivesse furtado, e, pior ainda, quando o vendia. Se um homem se tornasse culpado de tal coisa, teria que devolver ao dono cinco bois por um boi furtado, e quatro ovelhas por uma ovelha furtada (2Sm 12.4). Nessa passagem a Septuaginta fala em sete animais devolvidos para cada animal furtado. O código de Hammurabi era ainda mais exigente. A taxa de restituição podia subir até trinta animais para cada animal furtado, e nunca era menor do que dez animais para cada animal furtado! No extremo oeste norte-americano, os ladrões de cavalos eram executados, o que significa que ali a lei ainda era mais dura que o código de Hammurabi. Os cavalos eram o bem supremo. Outros animais eram menos valorizados. A pesada compensação tinha por intuito deter o furto. Não é fácil impedir a ação de um ladrão astucioso, porquanto exprime corrupção interior em seus atos, e não apenas a esperança de ser menos pobre. Essa corrupção vai crescendo a tal ponto que o ladrão termina sendo também um homicida CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 401. Bois e ovelhas são usados como exemplos de roubo, porque eram animais muito comuns. O texto não indica a razão de pagar cinco bois por um boi e quatro ovelhas por uma ovelha (1). Talvez a perda de bois fosse mais grave, porque eram animais utilizados no trabalho, ao passo que as ovelhas eram criadas para o fornecimento de lã e carne. Minar (2) era a ação de cavar uma parede de barro em propriedade alheia. Se o intruso fosse pego no ato e morto, não haveria culpa a quem o matasse. Tratava-se de homicídio justificável. Se houvesse decorrido tempo, como dão a entender as palavras se o sol houver saído sobre ele (3), então matar o ladrão não seria justificável e tal assassinato estaria sujeito à pena. E possível que o significado desta cláusula seja que não havia culpa matar o ladrão à noite, mas que constituía delito fazê-lo durante o dia. Em todo caso, se o ladrão vivesse, teria de fazer restituição total ou, se não pudesse pagar, seria vendido como escravo (3). Se o ladrão não tinha matado ou vendido o animal que roubara, ele poderia fazer restituição pagando em dobro (4) em vez de quatro ou cinco vezes mais (1). Neste caso, ele devolveria o animal roubado e acrescentaria mais um. A violação dos direitos de propriedade (22.5). Embora pareça que em certas áreas os animais tinham liberdade de andar a esmo (21.33-36), também havia campos ou vinhedos particulares onde era proibido entrar. Os hebreus reconheciam terras particulares e propriedades privadas . Se alguém propositalmente deixasse o gado pastar na vinha ou campo de outra pessoa, ele teria de reembolsar com o melhor produto do seu campo e vinha. Leo G. Cox.  Comentário Bíblico Beacon. Editora CPAD. Vol. 1. pag. 197.].


2. Profanação do solo e o fogo (Êx 21.33,34; 22.6). Naquelas terras e naqueles tempos era comum os habitantes perfurarem ou escavarem o solo em busca de água para o povo e os animais e as lavouras. Quem fizesse tal abertura no solo era também responsável pela sua proteção para a prevenção de acidentes. Segundo o Comentário Bíblico Beacon, “estas normas ensinavam o cuidado e promoviam o respeito pelos direitos de propriedade dos outros”. Atualmente muitas reservas ecológicas são queimadas e espécies em extinção eliminadas pela ação inconsequente, criminosa e irresponsável daqueles que se utilizam dos recursos naturais de forma indevida. [Comentário: Êx 21.33,34. Outro Tipo de Negligência (ver o vs. 29) consistia em cavar uma cova que se tornaria um perigo para pessoas e animais que por ali passassem. A cova em foco poderia ser uma cisterna ou um poço, algo tão necessário que, sem dúvida, covas abertas eram algo freqüente em qualquer redondeza. Ver no Dicionário os artigos intitulados Cisterna e Poço. A lei original era que o escavador negligente teria de substituir o animal perdido. Posteriormente, uma multa passou a ser paga, correspondente ao valor do animal. A carcaça do animal passava a pertencer ao homem negligente. É provável que, na antiguidade, o animal podia ser consumido como alimento, o que reduzia a perda. Depois, entretanto, quando foi proibida a ingestão de sangue, tal animal não podia ser comido, porque seu sangue não fora devidamente drenado. Ver Deuteronômio 14.21 quanto ao fato provável que estrangeiros ou forasteiros na Terra Prometida não precisavam sujeitar-se a tais regras. O vs. 34 quase por certo projeta a ideia de que o animal podia ser comido, pois, de outra sorte, que vantagem haveria para a pessoa negligente ficar com a carcaça do animal? Talvez devamos entender que a necessidade de sepultar o animal morto (uma carga adicional) recaía sobre o culpado. Alguns eruditos pensam que a carcaça ficava com o proprietário, e não com o ofensor. Nesse caso, poderíamos somente pensar que sua carne era usada na alimentação. Mas outros estudiosos têm sugerido que o couro do animal podia ser usado, embora não a carne do mesmo. Isso reconciliaria a passagem com as referências onde a ingestão de sangue é proibida. O animal morto será seu. Essas leis refletiam uma cultura agrícola, e também de criadores de gado. Nessas sociedades, animais domésticos eram os principais itens de propriedade. Outras perdas de propriedade ou abusos contra a propriedade tinham que ser compensados por atos análogos, visto que não havia leis específicas. Assim, o decálogo original (os Dez Mandamentos) foi submetido a um incrível desdobramento de leis e preceitos, alguns análogos e outros novos. Quanto a isso, ver a introdução ao capitulo dezenove do livro de Êxodo.CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 401. A respeito de danos causados pelo fogo, v. 6. Aquele que desejou queimar somente os espinhos pode tornar-se cúmplice da queima do trigo, e não será considerado inocente. Homens de espírito acalorado e ansioso devem tomar cuidado, para que, enquanto pretendem somente extirpar as ervas daninhas, não extirpem também o trigo. Se o fogo provocou dano, aquele que o acendeu deve responder por isto, ainda que não possa ser provado que ele desejasse o prejuízo. Os homens devem sofrer pelos seus descuidos, assim como pela sua maldade. Nós devemos tomar cuidado para não iniciar rixas. Pois, embora possam parecer pequenas, nós não sabemos quão grande pode resultar a questão, cuja culpa deveremos suportar se, como o louco, lançarmos faíscas, flechas e mortandades, e fingirmos que não desejávamos nenhum mal. Nós nos tornaremos muito cuidadosos a nosso respeito, se considerarmos que devemos responder, não somente pelo mal que causamos intencionalmente, mas também pelo mal que causamos pela inadvertência. HENRY. Matthew.  Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Gênesis a Deuteronômio. Editora CPAD. pag. 301-302.].




SINOPSE DO TÓPICO (III)


As leis concernentes ao direito de propriedade garantiam o direito do próximo à terra. Todavia, a terra é do Senhor e os seres humanos são apenas os seus mordomos.




CONCLUSÃO


As leis abordadas nesta lição foram entregues a Israel, porém, aprendemos com os conceitos destas leis a respeitar a vida e os direitos do próximo. Quando os direitos do próximo não são respeitados, a convivência em sociedade se torna um verdadeiro caos. [Comentário: Os seres humanos não foram criados autônomos, seres livres para seguirem sua própria lei, mas fomos criados como seres teônomos, dependentes da lei de Deus, e isto não era um peso ao homem, mas a obediência agradecida era fonte da mais alta felicidade; dever e prazer eram sinônimos assim mesmo como era com Cristo (Jo 4.34; Sl 112.1). Somente o coração humano decaído odeia a lei de Deus, pelo fato de ser lei e também pelo fato de vir de Deus! Mas para nós, que conhecemos a Cristo, contudo, não apenas amamos a lei e desejamos observá-la, mas também o espírito Santo nos leva a um grau de obediência que nunca tivemos antes (Rm 7.6; 8.4-6; Hb 10.16). Deus exige a total obediência de cada pessoa de todas as implicações de sua lei. Como diz o Catecismo Maior de Westminster, na página 99: “ A lei... obriga todos à plena conformidade do homem integral à retidão dela e à inteira obediência para sempre”]. “NaquEle que me garante: "Pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus" (Ef 2.8)”,


 


Graça e Paz a todos que estão em Cristo!


 
Francisco Barbosa