sexta-feira, 12 de outubro de 2018

LIÇÃO 2: PARA OUVIR E ANUNCIAR A PALAVRA DE DEUS


 
SUBSÍDIO I

O CHAMADO PARA ANUNCIAR O EVANGELHO

O termo grego kerigma está associado a ideia de “proclamar”, ou seja, “pregar”. Sua origem está na palavra latina missio, que significa “ato de enviar”; “incumbência”; “encargo”; “enviado” e “correio”. Refere-se à obrigação da igreja em proclamar o evangelho a todos os homens em todas as partes do mundo. Esta é a missão principal da igreja, expressa em Marcos 16.15 que nos diz: “E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura”. O cumprimento desta missão é entendido pelo apóstolo Paulo como uma preciosidade, conforme Atos 20.24: “Mas em nada tenho a minha vida por preciosa, contanto que cumpra com alegria a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus, para dar testemunho do evangelho da graça de Deus”. Nas últimas considerações aos seus discípulos, Jesus enfatizou a necessidade do cumprimento da missão da igreja, de acordo com Atos 1.8, dizendo: “Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria e até aos confins da terra”.
Champlin, no comentário de Rm 10.17, destaca que “o propósito da pregação cristã é o de despertar a fé nos homens, dirigindo-lhes a alma para o seu destino apropriado”,1 através do compartilhamento de uma mensagem genuinamente cristocêntrica. Este autor também destaca que “os pregadores do evangelho não deveriam preocupar-se em entreter suas respectivas congregações, impressionando os crentes com os seus conhecimentos pessoais ou proferindo declarações espirituosas, conforme faziam os antigos sofistas da Grécia, pensando estes que essa era a grande finalidade de suas ativiades intelectuais e retóricas. Pelo contrário, a exemplo dos primeiros pregadores cristãos, os pregadores de todos os tempos devem mostrar-se sérios quanto à sua mensagem, a mensagem de Cristo”.2
Coleman, na obra “Plano mestre de evangelismo” destaca na refelxão da passagem bíblica de Mt 28.19 em que mostra que “esse trecho bíblico significa que aos discípulos cabia irem pelo mundo, conquistando a outros, que se tornariam no que eles mesmos já eram – discípulos de Cristo. Essa missão se destaca ainda mais enfaticamente quando estudamos o original grego dessa passagem, onde se verifica que os vocabulários “ir”, “batizar” e “ensinar” são todos particípios, que derivam a sua força do verbo controlar traduzido aqui por “fazer discípulos”. “Isso significa que a grande comissão não consiste meramente dos discípulos irem até às extremidades da terra a pregar o evangelho, nem de batizar muitos convertidos em nome do Deus triúno, nem de ensinar-lhes os preceitos de Cristo, mas sim em levar outros a seguir os caminhos do Senhor. Assim, na proporção que fossem  feitos outros discípulos é que as demais atividades da grande comissão poderiam preencher o seu propósito”.3
O maior serviço que qualquer cristão (ministros, pregadores, ensinadores, autores, professores da Escola Bíblica Dominical) pode e deve realizar é semear a boa semente da Palavra de Deus através do testemunho pessoal, dos lábios e da literatura. A mesma Palavra de Deus pode ser plantada em nossos dias; mas os resultados serão determinados pelo coração daquele que ouve. Alguns são solo de beira de estrada, duro, impermeável. Eles não têm uma mente aberta e receptiva para permitir que a Palavra de Deus os transforme. O Evangelho nunca transformará corações como estes porque eles não lhes permitem entrar. Quando Jesus terminou de contar a parábola do Semeador, exclamou: "Quem tem ouvidos para ouvir, ouça!" (Mt 13.9). É importante que nós ouçamos bem quando a Palavra de Deus está sendo proclamada, para obter fé por meio dela (Rm 10.17). O quadro abaixo sintetiza o testemunho de alguns homens na história que marcaram o seu tempo pelo desejo em ganhar almas através da proclamação da mensagem de Cristo:

v George Whitefield: “Se não queres dar-me almas, retira a minha!”
v Dwight L. Moody: “Usa-me, então, meu Salvador, para qualquer alvo e em qualquer maneira que precisares. Aqui está meu pobre coração, uma vasilha vazia, enche-me com a Tua graça.”
v Henrique Martyn:  “Aqui quero ser inteiramente gasto por Deus.” 
v Davi Brainerd: “Eis-me aqui, Senhor. Envia-me a mim! Envia-me até os confins da terra: envia-me aos bárbaros habitantes das selvas; envia-me para longe de tudo que tem o nome de conforto, na terra; envia-me mesmo para a morte, se for no Teu serviço e para o progresso do Teu reino.” 
v Elton Trueblood: "O evangelismo ocorre quando o crente fica tão inflamado em contato com o fogo central de Cristo, que, por sua vez, põe fogo nos outros.”
v Dick Hills: "Cada coração com Cristo é um missionário e cada coração sem Cristo é um campo missionário.”
v Walter B. Knight:  "Quando Jesus diz: "Vinde" - Ele vem nos encontrar. Quando Ele diz: "Ide" - Ele vai conosco.”
v Matthew Henry: “Sinto maior gozo em ganhar uma alma para Cristo, do que em ganhar montanhas de ouro e prata, para mim mesmo.”
v Bill Bright:  “Não existe chamado mais alto ou privilégio algum maior, conhecido para o homem, do que envolver-se em completar a Grande Comissão.”
v Peter Taylor Forsyth:  “Não é nossa escolha levarmos ou não o Evangelho. É nossa morte se não o fizermos”.
v S.D. Gordon: “Se perdermos o espírito do ‘Ide’, perdemos o espírito cristão. Uma igreja desobediente se converterá em uma igreja morta; morrerá de uma parada cardíaca.” 
v J. Blanchard: "A grande necessidade da igreja é ter um espírito de evangelização, não um esforço evangelístico temporário."
v E. Wilson Carlisle: "Evangelização é a tarefa perpétua de toda a igreja, não o passatempo peculiar de alguns de seus membros".
v Marvyo Darley: “Da mesma forma como os bombeiros têm pressa em apagar as chamas de um grande fogo para salvar as vidas, deveríamos ter pressa em incendiar o mundo com o fogo do Espírito Santo para realmente salvar as vidas.” 
v David Brainerd: “Nunca me preocupei com onde viveria, nem como viveria, nem que provações teria que sofrer, desde que assim eu pudesse ganhar mais almas para Cristo.”
v Reinhard Bonnke: “O Evangelho é eterno, porém não temos a eternidade para pregá-lo… Nós só temos o tempo que vivemos para alcançarmos aqueles que vivem enquanto vivemos.” 
v Arthur Skevington Wood: “Nenhum refinamento de técnica pode suprir a falta do reconhecimento de que a Palavra de Deus é, por si mesma, o verdadeiro método de evangelização.”
v Robert E. Coleman:  “Quando o nosso coração está cheio da presença de Cristo, a evangelização é tão inevitável quanto contagiante.”
v Richard C. Halverson: “Parece que a evangelização nunca foi um ‘problema’ no Novo Testamento. Isso quer dizer que não encontramos os apóstolos recomendando, exortando, repreendendo, planejando e organizando programas evangelísticos... A evangelização acontecia! Emanando sem esforços da comunidade de crentes como a luz emana do sol, era automática, espontânea, contínua, contagiante.”
v Richard Cecil:  “Amar a pregação é uma coisa  ̶  amar as pessoas a quem pregamos é outra.”
v Richard Baxter: “Se conseguirmos pregar somente Cristo para nosso povo, teremos pregado tudo a eles.”
v John Wesley: “Deem-me cem pregadores que não temam nada a não ser o pecado e não desejem nada a não ser Deus, e eu não darei a mínima atenção ao fato de serem eles ministros ou leigos; sozinhos abalarão as portas do inferno e implantarão o reino dos céus na terra.”

Texto extraído da obra: As Parábolas de Jesus: As verdades e princípios divinos para uma vida abundante. 1. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2018

COMENTÁRIO E SUBSÍDIO II

INTRODUÇÃO

A parábola do Semeador é a chave para a compreensão das outras parábolas de Jesus. Ela trata a respeito do coração do homem, destacando sua disposição para receber a semente, que é a palavra de Deus. Na aula de hoje estudaremos a respeito dessa parábola, inicialmente explanando-a, e em seguida, a interpretaremos à luz do contexto da época. Ao final, faremos as devidas aplicações da parábola, com destaque para a importância de semear a palavra de Deus, orando para que essa produza frutos nos corações.

I. A PARÁBOLA DO SEMEADOR
                                                                 
A parábola do semeador se encontra no contexto dos ensinamentos de Jesus a respeito do reino de Deus. No evangelho segundo Marcos, Jesus é apresentado como o Filho de Davi, que foi o maior rei da história de Israel. Mateus destacou que Jesus pregava a respeito do reino dos céus (Mt. 4.17), com destaque para a ética do reino, que se encontra no Sermão do Monte (Mt. 5-7), seus milagres (Mt. 8-12), que demonstram o poder do Seu reino. A parábola do semeador se encontra nessa perspectiva, por isso Jesus inicia sua narrativa afirmando que o semeador saiu a semear (t. 13.3-9). Uma das especificidades dessa parábola é que Jesus oferece sua interpretação, algo que não costuma ocorrer nas demais parábolas. A semente, conforme a explanação do Senhor, é o evangelho do reino, a terra é o coração do homem (v.19), e o que diferencia são os tipos de coração – ou de solos – e sua disposição de aceita ou rejeitar a mensagem de Cristo. Jesus é o próprio Semeador, pois Ele é aquele que sai a pregar a mensagem do Reino, trazendo a boa nova que alcança o coração dos pecadores. O significado do reino de Deus, nas parábolas de Jesus, precisa ser compreendido, e que esse não pode ser confundido com um governo humano. O reino de Jesus se encontra na tensão entre o “já” e o “ainda não”, e encontrará sua plenitude no escathos, quando Cristo retornar para reina, como Rei dos reis e Senhor dos senhores (Ap. 19.16,17)

II. A INTERPRETAÇÃO DA PARÁBOLA

O primeiro tipo de solo diz respeito ao coração endurecido, e pode ser descrito como a semente que é lançada a beira do caminho (Mt. 13.4), que ao ser pisada pelas pessoas no chão endurecido, além de não frutificar ainda é levada pelas aves, que na parábola são comparadas ao diabo. Esse solo é aquele que é pisoteado pelo pecado, e que se torna inóspito para que a palavra de Deus seja semeada. Corações desse tipo podem ser comparados àqueles descritos por Paulo em Rm. 1.21-31, por tratar-se de pessoas que se entregam à devassidão, acatam o pecado com naturalidade, por esse motivo não se abrem para a Palavra de Deus. O segundo tipo de solo, que nos é apresentado por Jesus na parábola, é o superficial, descrito como a terra que se encontra lugar pedregoso. Essa pessoa até ouve a palavra, e a recebe com bastante alegria, mas se perde em meio ao ativismo, e as muitas preocupações, e as dificuldades da vida. Há pessoas que não conseguem desfrutar da paz de Deus, que excede a todo e qualquer entendimento. Por esse motivo, ficam ansiosas com muitas coisas, e são incapazes de se deixar conduzir pela suficiência que Cristo nos dá (Mt. 6.25-34). O terceiro tipo de solo que nos é apresentado na parábola é aquele que é sufocado pelos espinhos, essas são as pessoas que se apegam às riquezas deste mundo. Na verdade, não podemos deixar de considerar que dificilmente os ricos entrarão nos céus (Mt. 19.23), e que é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulho que entrar um rico no reino de Deus (Mc. 10.25).

III. A APLICAÇÃO DA PARÁBOLA

Mas há um tipo de solo que é receptivo à mensagem de Cristo, esse é o coração aberto à palavra de Deus. Quando a semente cai nessa terra, produz frutos a cem, sessenta e a trinta por um (Mt. 13.23). É digno de destaque que existem diferentes tipos de solos, e que cada um deles tem uma capacidade distinta para a produção do fruto. Isso mostra que nem todos produzem o mesmo fruto, o mais importante, porém, é que haja frutificação. Precisamos considerar, nesse contexto, que existe um Jardineiro Divino, que é capaz de tornar o solo propício para a frutificação. Em Ez. 36.25-27, o Senhor promete dar um novo coração ao povo de Israel, a fim de que esse pudesse se converter, e fazer a vontade de Deus. Um jovem rico indagou a Jesus: o que preciso fazer para ser salvo?  O Mestre destacou a dificuldade dos ricos se voltarem para Deus, pois há uma tendência do coração humano colocar sua confiança nas riquezas terrenas, e mais que isso, transformar Mamom em um Deus (Mt. 6.24). Mas tudo é possível ao Senhor, o que é impossível aos homens, pode se tornar realidade, quando o Agricultor Celestial, com sua graça e misericórdia, prepara o solo para receber a palavra de Deus (Lc. 18.26,27). Vivemos em uma sociedade que se baseia no que vê e no que pega, e que cada vez mais é solapada pelo materialismo. Somos chamados, através dos ensinamentos do Senhor Jesus, a ouvir o que o Espírito tem a nos dizer através da Sua palavra. E assim, a mensagem do evangelho poderá habitar em nós, e produzir muitos frutos, e nos conduzir à obediência para a glória de Deus (Cl. 3.16).

CONCLUSÃO

A boa semente da Palavra de Deus se encontra disponível aos corações, a igreja é comissionada por Cristo a levar essa mensagem até aos confins da terra (At. 1.8). Estamos cientes que nem todos darão o mesmo valor ao conteúdo da pregação, mesmo assim não podemos deixar de anunciar essa boa nova, a fim de que outros também possam se tornar discípulos do Mestre Amado (Mt. 28.18-20), sabendo que compete ao Espírito Santo convencer o homem do pecado, da justiça e do juízo (Jo. 16.8-11).

Francisco Barbosa
Disponível no blog: auxilioebd.blogspot.com.br

COMENTÁRIO E SUBSÍDIO III

INTRODUÇÃO

Para ilustrar verdades espirituais, Jesus frequentemente contava, por parábolas, histórias sobre os acontecimentos do dia a dia. A parábola do semeador é uma das narrativas de Jesus encontrada nos três Evangelhos sinóticos (Mt 13.1-9, Mc 4.3-9 e Lc 8.4-8) e relata de que forma a mensagem de salvação será recebida no mundo. Um dos seus propósitos é prevenir os discípulos com relação ao triste fato de a pregação da Palavra de Deus não produzir "colheita de cem por cento" em todos os ouvintes. Além disso, a parábola do semeador pode ser interpretada como "a parábola do coração", pois mostra como é o interior de cada pessoa.
Ao ensinar a vida e princípios do Reino, Jesus guia seus discípulos a pensar, viver e orar para que seu Reino alcance todo o planeta (Mt 6.10). Isso é visto claramente nos ensinos de suas parábolas no capítulo 13 de Mateus. A missão de pregar em ‘todos os lugares’ que ‘o reino de Deus está chegando’ dada por Jesus aos discípulos também reflete esse caráter expansivo do reino. Não podemos esquecer que a intenção das parábolas é transmitir uma verdade eterna, então, usam elementos diários de tal forma que ainda hoje, podem ser facilmente entendidas por todos. Permanece ainda, a verdade de que sua compreensão só é possível mediante a iluminação do Espírito Santo, por que as coisas de Deus só são perfeitamente compreendidas por quem é espiritual.

I. INTERPRETAÇÃO DA PARÁBOLA DO SEMEADOR
                                                                 
1. A importância em compreender a parábola. A parábola do semeador é uma das mais importantes, não apenas por constar nos três primeiros Evangelhos, mas também por ser fundamental para o entendimento de outras. Por essa razão, é necessário comparar e contrastar as referências paralelas a cada narrativa. Desse modo, teremos um quadro completo do que o Senhor Jesus disse sobre o Reino do Céu, já que a narrativa refere-se ao Reino. Essa história fala de um agricultor que lançou sementes em vários lugares com diferentes resultados, dependendo do tipo do solo (Mc 4.3-20). Para se entender essa parábola, é preciso recorrer ao contexto de Mateus 13.18-23, quando o próprio Senhor Jesus a interpretou.
Como ensina o teólogo Vincent Cheung, a Parábola do Semeador é uma parábola fundacional, é a primeira parábola dita por Jesus e contém elementos para entendermos melhor as outras parábolas, assim como o Reino de Deus; Jesus diz aqui que falhar em entender essa parábola implica que a pessoa falhará também em entender todas as outras parábolas. Agora, note que até mesmo os discípulos não entenderam essa parábola até que receberam do Senhor a explanação detalhada. Portanto, é um engano dizer que Jesus usou parábolas para tornar as verdades espirituais mais fáceis de entender, visto que até mesmo aqueles que deveriam entendê-la falharam em fazê-lo. Mas os discípulos parecem não ter tido nenhum problema para entender a explicação da parábola, dada em discurso claro.

2. Os elementos que constituem a Parábola: o Semeador, a semente e o solo. No mesmo capítulo da parábola do semeador, ao explicar a parábola do trigo e do joio, o Mestre apresenta-se como o semeador (Mt 13.36-43). Daí, ainda que não especificamente mencionado, é possível inferir que o Semeador é Jesus, pois se compararmos o texto dessa parábola com o de Mateus 13.37, podemos concluir que há uma referência imediata com o Senhor. Contudo, por extensão, podemos igualmente entender que o semeador também pode ser qualquer pessoa que fielmente proclama a mensagem do Evangelho nos nossos dias. Quanto à semente, esta é a Palavra de Deus ou "a palavra do Reino" (Mt 13.19a) que, como sabemos, era o tema da pregação de Jesus (Mt 4.23) e da pregação apostólica (At 8.12; 28.30,31). Já o "solo", é algo muito importante para qualquer planta. Por isso, os cristãos precisam desenvolver suas raízes por meio da fé em Cristo e do estudo da Palavra cada vez mais profundo. Tempos difíceis virão, e somente aqueles que tiverem desenvolvido suas raízes abaixo da superfície, sobreviverão.
Os três elementos que constituem essa parábola são: o semeador, a semente e o solo. Hillyer H. Straton fala da "regra três" nos contos populares: "Na história infantil há três tigelas de mingau, três cadeiras e três ursos. O mesmo acontece nas parábolas. Três tipos de reação, na Parábola dos talentos; três viajantes, no caminho para Jerico; três tipos de solo e três proporções de crescimento". O dr. Straton também mostra que "a regra dois" opera em algumas parábolas: os dois filhos, os dois devedores, o fariseu e o cobrador de impostos, etc.” (ESTUDOS GOSPEL)
"Semearei a casa de Israel e a casa de Judá com a semente de homens e com a semente de animais" (Jr 31.27) - Deus compara-se a um semeador. Também Jesus é um semeador, como Ele mesmo compara-se e proclama-se ‘O Semeador’. Em Mateus 13.37, Jesus fala de si mesmo como "O que semeia a boa semente, é o Filho do homem". Esse título é muito apropriado a ele. A semente é a Palavra de Deus (Lc 8.11) que o habilidoso semeador espalha por igual - a semente é, indiscutivelmente, boa, mas a capacidade de germinação da semente depende da natureza do solo, e este é o centro da parábola. Ainda que não seja a mensagem primária desta parábola, o fato que a palavra de Deus é o poder que constrói o reino de Deus precisa de ênfase.
O outro elemento decisivo é o terreno, que responde de diferentes maneiras segundo a “qualidade” da terra. A boa disposição de cada pedaço da parcela constitui o fator decisivo para o êxito do empreendimento. A semente é boa, mas nem sempre o terreno, que deverá responder de maneira desigual. A vida humana, por sua vez, é um portento, um fenômeno que não se compara a nenhuma outra forma de vida, tantas são as experiências possíveis, algumas até prodigiosas, que se dá a qualquer homem ou mulher. As que se perdem ou se diluem na memória, e as que vencem as barreiras do tempo e permanecem vivas para sempre.” (ULTIMATO ONLINE)

3. Os diferentes tipos de solos infrutíferos. As pessoas que ouvem a Jesus são comparadas com vários tipos de solo (Lc 8.5-8). O solo duro e compactado da estrada impediu que as sementes penetrassem, permitindo que ficassem na superfície, expostas às aves que vieram e as comeram. Este solo representa aqueles que "ouvem e não entendem" (Mt 13.19a), por isso endurecem o coração para não receberem a Palavra (Mt 13.15). As aves representam Satanás (Mc 4.15), que arrebata a Palavra dessas pessoas, cujos corações estão endurecidos. As sementes que caíram sobre pedregais (vv.16,17), onde não havia muita terra, e, como consequência, cresceram rapidamente, acabaram secas num instante (v.6). Este solo raso representa as pessoas que ouvem a Palavra e a recebem com grande alegria, porém, quando surgem as dificuldades, as tribulações ou as perseguições por causa do Evangelho, elas não resistem e imediatamente tropeçam (Mt 13.20,21). Daí a necessidade de um maior embasamento na Palavra de Deus recebido através de um bom discipulado e frequência na Escola Dominical. Já as sementes que caíram entre espinhos são sufocadas quando estes crescem e roubam o alimento, a água, a luz e o espaço dos brotos. Infelizmente existem forças capazes de sufocar a mensagem, de forma a torná-la infrutífera (v.18). Este solo representa aqueles que "ouvem a palavra", mas cuja capacidade para gerar fruto é sufocada. Jesus descreveu os espinhos como "os cuidados deste mundo", "a sedução das riquezas" e "os prazeres da vida" (Mt 13.22; Mc 4.19; Lc 8.14; 12.29-32; 21.34-36). As distrações e os conflitos impedem os novos crentes de refletir e aprender a Palavra de Deus a fim de crescerem. Essas coisas, produzidas pela ambição das coisas materiais atormentaram os discípulos do primeiro século, da mesma forma como acontece nos dias atuais, distraindo os crentes de maneira que permaneçam infrutíferos, não produzindo nenhuma colheita.
O trabalho habilidoso do semeador e a germinação da semente dependem da qualidade e natureza do solo para ter sucesso. Havia vários tipos de terrenos na parábola contada. Jesus fala de quatro tipos de solos: o solo impenetrável (beira do caminho); o solo superficial (o rochoso); o solo ocupado (cheios de espinhos) e o solo fértil (terra boa e frutífera). Nos três primeiros tipos de solo houve uma resistência para a semente produzir. Há na parábola uma clara analogia entre o solo e o coração. Isso porque o alvo da pregação da Palavra não é apenas a mente, mas principalmente o coração. Se este estiver fechado, nada adianta. Mas, quanto à pregação do Evangelho, não nos cabe escolher o tipo de solo para semearmos. Devemos apenas semear sempre que tivermos oportunidade, pois, em última instância, quem conhece os corações é o Senhor. Talvez por isso Paulo, apóstolo, ordena a Timóteo para pregar quer seja ou não oportuno (2Tm 4.2). A grande necessidade da igreja é ter um espírito de evangelização, não um esforço evangelístico temporário.”  (John Blanchard)”
O solo superficial. O coração descrito como solo rochoso representa aqueles que não possuem profundidade. A semente chega a brotar, mas falta a estabilidade que vem de raízes profundas. Abaixo da pequena camada de terra, o que existe são rochas e lajeados. Não podendo aprofundar suas raízes, a planta tem curta duração. Há gente assim: superficial, rasa, sem a estrutura que vem de um alicerce profundo e firme. Falta dedicação, falta perseverança, falta disposição de ir até o fim.
O solo ocupado. Temos um terceiro tipo de solo: o solo congestionado. A semente que caiu no meio do espinheiro germinou e cresceu, mas a concorrência pelos nutrientes, pela água e pela luz solar por parte de plantas nocivas fazem com que a planta se mantenha mirrada e murcha. Jesus interpreta a parábola e diz que se trata do coração dividido com muitas outras paixões, como, por exemplo, a sedução das riquezas. Em outras palavras, trata-se daqueles que, divididos e distraídos por outros interesses, não creem nem se entregam exclusivamente a Jesus como seu Salvador e Senhor.
Não nos iludamos: no nosso terreno podem, sim, nascer e crescer espinhos que sufocarão a ação e obra do Espírito Santo em nossas vidas. Interesses legítimos podem ser perigosíssimos quando ocupam o espaço e a lealdade que pertence a Cristo. Cedo ou tarde Jesus será expulso dessa vida. Ele não fica em um coração que o trata como um coadjuvante ocasional.
O solo fértil. Esse é o último dos terrenos. A semente cai aqui e nasce, floresce, cresce e frutifica. Glória a Deus! Essa frutificação tem escalas, sendo uns mais produtivos do que outros (trinta, sessenta e cem por um). Mas a mensagem principal é essa: Deus nos chamou para sermos frutíferos. Nada é mais destoante de um coração que anda com Deus do que a esterilidade. 0 solo estava preparado e acolheu a semente, nele não havia concorrentes. Aqui o acolhimento foi completo. Que sejamos assim.’ (Extraído de: O SEMEADOR: QUE TIPO DE SOLO EU SOU? Disponível em:https://adarsenal.com.br/licao-2-o-semeador-que-tipo-de-solo-eu-sou/. Acesso em: 9 Out, 2018)

SUBSÍDIO EXEGÉTICO
                               
“Se o leitor mesmo que subliminarmente entendeu que o agricultor é Jesus, então o restante da parábola será ligado às prósperas e declinantes venturas do ministério de Jesus. Nesta tendência, [John Paul] Heil mostrou corretamente que as várias maneiras nas quais a semente caiu lembrará, no mínimo, a hostilidade personificada pelos escribas (Mc 2.6,16; 3.22), pelos fariseus (Mc 2.16,24; 3.6) e pela própria família de Jesus (Mc 3.21,31- 35). Da mesma sorte, a descrição de uma colheita excepcionalmente abundante na conclusão da parábola (Mc 4.8) recorda o sucesso crescente do ministério de Jesus a despeito da oposição (cf. ‘toda a cidade’ [Mc 1.33]; ‘se ajuntaram tantos’ [Mc 2.2]; ‘toda a multidão ia ter com Ele’ [Mc 2.13; 3.7,8,20; 4.1]; ênfases minhas). Assim, em seus movimentos metafóricos a parábola expressa os movimentos maiores do ministério de Jesus, e as várias terras representam as personagens da história” (CAMERY-HOGGATT, Jerry In ARRINGTON, French L.; STRONDAD, Roger (Eds.). Comentário Bíblico Pentecostal. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2003, p.206).

II. A IMPORTÂNCIA DE OUVIR O EVANGELHO

1. O tipo ideal de solo. A parábola do semeador é uma descrição das várias respostas ao "ouvir" a Palavra de Deus e, seguramente, retrata as reações que Jesus encontrou no seu próprio ministério. A parábola adverte contra o ouvir superficial, mas também alimenta a expectativa do ouvir real e produtivo, que leva à obediência, e não devemos esquecer que o verbo grego correspondente a "ouvir" é frequentemente traduzido como "obedecer". Por isso, o Mestre falou que algumas sementes caíram em boa terra (v.20). Tal terra tinha profundidade, espaço e umidade para crescer, multiplicar e produzir uma boa colheita. Este solo representa as pessoas que "ouvem" a Palavra e a "entendem", frutificando abundantemente (Mt 13.23; Lc 8.15). Elas são como os bereanos que foram recomendados "porque de bom grado receberam a palavra, examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim" (At 17.11). São, na verdade, os verdadeiros discípulos, aqueles que aceitaram Jesus, creram em sua Palavra e permitiram que Ele fizesse a diferença em suas vidas (At 17.12).” (LB CPAD, 4º Trim 2018, Lição 1, 7 Out 18).
O cerne da parábola é justamente o tipo de solo onde a semente é lançada, ela descreve as várias respostas ao “ouvir” a Palavra de Deus. Note que a semente foi lançada zelosamente em todos os tipos de solos, mas os resultados foram muito diferentes. “A semente é boa, mas nem sempre o terreno, que deverá responder de maneira desigual. A vida humana, por sua vez, é um portento, um fenômeno que não se compara a nenhuma outra forma de vida, tantas são as experiências possíveis, algumas até prodigiosas, que se dá a qualquer homem ou mulher. As que se perdem ou se diluem na memória, e as que vencem as barreiras do tempo e permanecem vivas para sempre.” (ULTIMATO ONLINE). O tipo de solo ideal representa a pessoa que acolhe a mensagem do reino dos céus no próprio coração.
2. O tipo ideal de ouvinte. Jesus mostrou que o ato de "ouvir" representa um solo fértil para a mensagem do Reino. Se produzirmos frutos, isso provará que ouvimos. Se aqueles a quem pregamos o Evangelho produzirem frutos, isso mostrará que a semente que plantamos fincou raízes em seus corações. Jesus inicia a parábola do semeador com a palavra "ouvi" (v.3a) e termina com a seguinte advertência: "quem tem ouvidos para ouvir, ouça" (v.9). Analisando o aspecto material, o solo não é culpado se estiver duro, cheio de pedras ou de espinhos, enquanto que no aspecto espiritual, somos responsáveis se o nosso coração estiver endurecido, ou seja, se não estiver aberto para a Palavra de Deus arraigar-se profundamente, ou deixarmos as coisas deste mundo sufocarem a Palavra.” (LB CPAD, 4º Trim 2018, Lição 1, 7 Out 18).
Há em última análise, só duas espécies de terreno: aquele que genuinamente recebe a palavra para produzir fruto e aquele que não a recebe. Enquanto que nos outros terrenos as sementes não tiveram como germinar, crescer e frutificar, neste último terreno haverá bons resultados. Neste, a semente frutifica. Neste terreno, que representa o coração receptivo à Palavra de Deus, a semente não será roubada por Satanás; não será sufocada pelos espinhos; o calor das aflições não lhes desanimará. É o terreno bom, fértil. Este é o tipo de ouvinte ideal. Importante lembrar que é o Espírito Santo quem prepara este terreno, afinal, é Ele quem convence do pecado, da justiça e do juízo (Jo 16.8).
3. A importância de "ouvir". Ao descrever o tipo ideal de solo, Jesus destaca o melhor perfil de ouvinte, mas também a importância de ouvir a Palavra e a conservar "num coração honesto e bom" a fim de dar "fruto com perseverança" (Lc 8.15). Aqui há uma lição para o ouvinte também. 0 fruto produzido depende da resposta à Palavra. É importante ler, estudar e meditar sobre as Escrituras. A Palavra tem que vir habitar em nós (Cl 3.16), para ser implantada em nosso coração (Tg 1.21). Temos que permitir que nossas ações, nossas palavras e nossas próprias vidas sejam formadas e moldadas pela Palavra de Deus.
Paulo afirma em Romanos 10.17 que a fé vem pelo ouvir, só encontramos fé para sermos salvos quando ouvimos, ou entramos em contato, com a verdade do Evangelho. A semente da parábola precisa ser lançada para alcançarmos mais vidas, precisamos pregar a palavra de Deus. Não sabemos qual o perfil de nossos ouvintes, esse papel cabe ao Espírito Santo; o nosso papel é tão somente semear. Note que quando a semente conseguiu encontrar uma boa terra, isto é, aquela que não possui os acréscimos oferecidos por este mundo por meio dos homens, ela produziu fruto bom. “Quanto melhor o indivíduo compreende a vontade do Eterno (Ef 5.16,17), a recebe e conserva num coração honesto e bom, maior a produtividade. E não pense que isto é apenas momentâneo. Tais indivíduos dão fruto com perseverança. No entanto, a semente tem que nascer, vingar, crescer para, então, dar fruto. Ou seja, só é possível alcançar isto quando o indivíduo habita no esconderijo do Altíssimo (Sl 91.1,2), faz Dele seu prazer (Sl 37.4), descanso (Sl 37.7; Mt 11.28-30), lugar de permanência (Jo 15.9), refúgio e fortaleza (Sl 46.1). Quando Jesus semeia a Si mesmo, à Sua Palavra e a Seus filhos neste tipo de coração, não existe interesse neste mundo para gerar facção. A união se dá em torno dos valores espirituais. Ou seja, o importante não é fazer obrar, mas sim desenvolver conceitos e valores, a fim de que os mesmos possam ser vistos na perfeita unidade (Jo 17.11,21-23), quando todos os envolvidos pensarem e sentirem a mesma coisa (At 4.32; Rm 12.16; 1Co 1.10; Fp 4.2). O esforço é para preservar a unidade do Espírito Santo pelo vinculo da paz (Ef 4.3-6)”. (Batalha da Fé)

SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO

“Ajuntou-se a ele grande multidão (v.1). Nesta ocasião, o povo afluía ‘de todas as cidades’ para ouvir a pregação de Cristo (Lc 8.4). O Mestre, porém, conhecia o coração das pessoas. Um propósito da parábola do semeador foi prevenir os discípulos quanto ao triste fato de a pregação da Palavra, mesmo do Deus Todo-Poderoso, não produzir colheita de cem por cento em todos os ouvintes. “O que semeia semeia a palavra (v.14). O fiel semeador semeia a Palavra a eito – ‘junto a todas as águas’, em todas as qualidades de terra (Is 32.20; Mc 16.15), não sabendo onde ela vai ficar. Semeia a Palavra sem observar o vento, nem as nuvens (Ec 11.4-6). Semeia a Palavra; não passa o tempo explicando-a, interpretando-a ou discutindo-a. Semeia a Palavra; não desperdiça o tempo censurando qualquer uma das várias seitas do mundo. Semeia a Palavra, nas suas próprias ideias e opiniões. Ele não se mostra a si mesmo, mas proclama a Palavra, pois sente o mesmo peso que pesa sobre o coração do Senhor (Compare ‘peso’; Is 13). O humilde servo ‘leva a preciosa semente, andando e chorando’” (BOYER, Orlando. Espada Cortante 1. 2.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2006, p. 491).

III. O CHAMADO PARA ANUNCIAR O EVANGELHO

1. A obra da maior importância. Uma vez que a condição das pessoas sem Deus é de ignorância espiritual, pois Satanás "encobre" os seus corações para não ouvir o Evangelho (2 Co 4.3,4), o maior serviço que qualquer cristão pode, e deve realizar, é semear a boa semente da Palavra de Deus (Ec 11.6). Isso não apenas com os seus lábios, mas também através do testemunho pessoal e da literatura (Fp 1. 18). Cristo morreu e ressuscitou para nos salvar de nossos pecados. Agora, todo aquele que nEle crê, e for batizado, não mais será condenado, antes receberá a vida eterna (Mc 16.16; Ef 1.13,14).
Todo cristão foi convocado para anunciar as Boas Novas; Pregar o Evangelho é a missão mais urgente e importante nesses últimos dias, e por isso mesmo, é o dever de todo Cristão. O caminho é estreito, porém, “quão formosos os pés dos que anunciam o evangelho de paz; dos que trazem alegres novas de boas coisas” (Rm 10.15). Podemos pregar de várias maneiras diferentes. Algumas pessoas são chamadas para pregar com sermões e estudos bíblicos, mas todos podemos pregar de outras maneiras:
Com a vida – muitas vezes as ações falam mais alto que as palavras; viver o evangelho é uma forma de pregar o evangelho.
Em conversas – uma conversa sobre Jesus e a fé é uma forma de pregar a palavra de Deus
Com testemunho pessoal – você pode explicar a palavra de Deus contando sobre sua experiência de vida com Jesus.

2. Jesus e a ordem para pregar. Recordando que Evangelho significa "boas novas", "boa notícia", e que tal boa notícia nada mais é que a salvação em Jesus (Mt 28.18-20; Mc 16.15-18), todos precisam ouvir o evangelho. Jesus nos encarregou de contar as boas notícias às pessoas à nossa volta, pois o evangelho é uma notícia tão boa que não podemos guardar só para nós!
Em suas últimas palavras, o Rei deu-nos a ‘Grande Comissão’, a incumbência máxima de ir a todas as nações, ensinando e batizando a fim de integrá-las ao seu Reino. Escatologicamente, Cristo afirma que o fim somente chegaria quando ‘este evangelho do Reino’ fosse pregado ‘em todo o mundo’ (Mt 24.14). “Ide... ensinai...batizando”, estas palavras constituem a Grande Comissão de Cristo a todos os seus seguidores, em todas as gerações. Declaram o alvo, a responsabilidade e a autorga da tarefa missionária da Igreja. A igreja deve ir a todo o mundo e pregar o evangelho a todos de conformidade com a revelação do Novo Testamento, da parte de Cristo e dos apóstolos. Esta tarefa inclui a responsabilidade primordial de enviar missionários a todas as nações (At 13.1-4). O evangelho pregado centraliza-se no arrependimento e na remissão de pecados (Lc 24.47), na promessa do recebimento de ”o dom do Espírito Santo” (At 2.38), e na exortação de separar-nos desta geração perversa (At 2.40), ao mesmo tempo em que esperamos a volta de Jesus, do céu (At 3.19, 20; 1Ts 1.10) (Adaptado de Bíblia de Estudo Pentecostal, CPAD, Nota textual de Mt 28.19, p.1452).

3. A importância de pregar o Evangelho. É muito importante pregar o evangelho, para que mais pessoas ouçam, creiam e sejam salvas (Rm 10.14,15). Aplicando-se espiritualmente, todos aqueles que seguem a Cristo devem estar sempre ensinando a Palavra, pois quanto mais ela é plantada nos corações, maior a colheita (1 Co 3.6,7). É preciso, porém, saber que o que semeia a Palavra (v.14) o faz em todas as qualidades de solo (Is 32.20; Mc 16.15), semeia a Palavra sem observar o vento, nem as nuvens (Ec 11. 4-6), semeia a Palavra sem gastar tempo com outra coisa (2 Tm 2.4).
O próprio Cristo instituiu a obra missionária cristã como uma tarefa santa e obrigatória da Igreja. “E, quando saiam, encontraram um homem cirineu, chamado Simão, a quem constrangeram a levar a sua cruz” (Mt 27.32) – esse texto nos lembra de que as diferentes culturas foram representadas no Calvário e na Igreja:
1) Simão: homens sábios de todas as idades teriam a honra de poder realizar a tarefa que era concedida a Simão de Cirene, um homem negro do noroeste da África. Independentemente de serem voluntárias ou obrigadas, as mãos negras foram estendidas para ajudar o Salvador a carregar sua cruz;
2) O eunuco etíope da África (At 8.26) foi o primeiro convertido gentio citado pelo nome nos Atos dos Apóstolos. A história relata que ele retornou à Etiópia para fundar a Igreja Cristã Abssínia, que existe até hoje (Adaptado de Bíblia de Estudo Plenitude, Barueri, SP, Sociedade Bíblica do Brasil, 2001,Dinâmica do Reino, p.990). O termo grego ethne, traduzido por nações em Mateus 28.19, significa ‘grupos de pessoas’ – hoje em dia estima-se que haja cerca de 24.000 etnias no mundo. A exemplo de Paulo, que centralizou seu esforço ministerial nas missões, principalmente nas áreas onde o evangelho não tinha sido pregado suficientemente e assim facultou áqueles que não tinham ouvido a oportunidade de aceitarem a Cristo. Paulo questiona: “Como ouvirão, se não há quem pregue?” (Rm 10.14). Um ‘púlpito’ pessoal é designado a cada crente – em casa, na comunidade, no trabalho ou na escola – para mostrar e contar aos outros as boas novas. Como diz Paulo: ‘eu sou devedor’, para demonstrar seu senso de obrigação de anunciar o evangelho.
SUBSÍDIO EVANGELÍSTICO

“Ganhar almas foi a suprema tarefa do Senhor Jesus aqui na terra (Lc 19.10; 1 Tm 1.15). Paulo, o grande homem de Deus, do Novo Testamento, tinha o mesmo alvo e visão (1 Co 9.20). Uma grande parte dos crentes pensa que a obra de ganhar almas para Jesus está afeta exclusivamente aos pregadores, pastores e obreiros em geral. Contentam-se em, comodamente sentados, ouvir os sermões, culto após culto, enquanto os campos estão brancos para a ceifa como disse o Senhor da seara em João 4.35. O ‘ide’ de Jesus para irmos aos perdidos (Mc 16.15), não é dirigido a um grupo especial de salvos, mas a todos, indistintamente, como bem revela o texto citado. Portanto, a evangelização dos pecadores pertence a todos os salvos” (GILBERTO, Antonio. A Prática do Evangelismo Pessoal. 14.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2003, p. 10).

CONCLUSÃO

Não há como perceber, nem entrar, no Reino de Deus, sem ter nascido de novo (Jo 3.3-8), por isso, a salvação da alma é parte integrante das parábolas. Você já renasceu? Já se arrependeu dos seus pecados e confiou em Jesus Cristo e em seu sacrifício pelos seus pecados? Você conhece o Rei deste Reino? Seu coração já se prostra diante deste Rei? Ou vive em rebeldia contra Ele ainda? Os verdadeiros súditos reconhecem a soberania do Rei e submetem-se a ela.
Esta parábola mostra o que acontece quando Jesus, Sua Palavra e Seus filhos são gerados no coração de um homem. Este dá a luz à semente da vida na forma de um relacionamento sadio com base na Palavra do Eterno.
Se o coração do indivíduo que está a receber este relacionamento tiver sido muito pisado, esta semente de relacionamento acabará sendo engolida pelos inimigos e acusadores malignos enviados por Ha-Satan. Em outras palavras, só irá fortalecer o império das trevas na vida do indivíduo.
Se o coração que receber este relacionamento estiver repleto de entulho proveniente das frustrações trazidas pelo mundo (é bom lembrar que o mundo só privilegia coisas elevadas, as quais são abominação diante do Eterno – Lc 16.15), as quais produzem sentimento de inferioridade ou medo de sofrer nos relacionamentos, esta semente será queimada pelas lutas em virtude dos conceitos e valores da Escritura Sagrada. Resultado: o indivíduo terminará na solidão de uma vida seca e estéril, mesmo que esteja rodeado de indivíduos.
Se o coração que receber este relacionamento possuir também semente espinhosa, o indivíduo pode até conseguir relacionamentos duradouros produtivos, mas tal produção, além de nunca dar sentido à vida, sempre trará algum desgosto em ambas as partes, o qual terá que ser engolido para não comprometer o relacionamento.
Se o coração que receber este relacionamento for puro e santo, o indivíduo experimentará uma qualidade de relacionamento que o fará mudar interiormente e fazer dele alguém cada vez mais parecido com Jesus (2Co 3.18), que realmente manifesta a glória do Eterno por onde passa (Mt 5.14-16).
Percebeu que a ênfase da parábola está no que o Eterno faz no coração do homem que crê e no de quem recebe este em quem o Eterno trabalhou os conceitos e valores de Sua Palavra? Daí ser Parábola do Semeador (e não do terreno).
Achando-se as tuas palavras, logo as comi, e a tua palavra foi para mim o gozo e alegria do meu coração; porque pelo teu nome sou chamado, ó Senhor Deus dos Exércitos”. (Jeremias 15.16)

Francisco Barbosa
Disponível no blog: auxilioebd.blogspot.com.br

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

LIÇÃO 1: PARÁBOLA: uma lição para a vida



SUBSÍDIO I

A PARÁBOLA

A parábola é uma “narração alegórica que encerra uma doutrina moral”  e tem como propósito facilitar a compreensão de uma mensagem através do compartilhamento de uma história, fixando assim conceitos essenciais em nossa mente, e isto é possível, uma vez que a parábola contém sempre uma lição central. Para Champlin ‘parábola’ “indica, literalmente, comparação, e é comumente usada para indicar uma história breve, um exemplo esclarecedor, que ilustra uma verdade qualquer”2.  Assim, a parábola é uma história que objetiva que algo seja claramente compreendido a partir de uma ilustração com base na situação vivencial da vida comum.
A parábola é diferente de uma fábula e de um mito. Sobre a diferença existente entre a parábola e a fábula, Champlin destaca que “a fábula é uma forma de história ilustrativa fictícia e que ensina através da fantasia, mediante a apresentação de animais que falam ou de objetos animados. A parábola nem sempre lança mão de histórias verídicas, mas admite a probabilidade, ensinando mediante ocorrências imaginárias, mas que jamais fogem à realidade das coisas”3.  Em relação à diferença entre a parábola e o mito é necessário verificar que este “narra uma história como se fosse verdadeira, mas não adiciona nem a probabilidade e nem a verdade. A parábola não tenta contar uma história que deve ser aceita como história real e, sim, um tipo de narrativa que nem sempre sucedeu realmente”.4
Para Cope, a “parábola é justaposição, isto é, colocação de uma coisa ao lado de outra com a finalidade de comparação e ilustração; indicação de casos paralelos ou análogos; é o caso do argumento da analogia. [...] Aristóteles distingue parábola em geral da fábula dizendo que a primeira descreve relações humanas, com o que as parábolas do N.T. concordam; inventa casos análogos que não são históricos, mas sempre verossímeis, isto é, sempre prováveis e correspondendo ao que de fato ocorre na vida real”.5 
É comum limitarmos o significado e alcance das parábolas somente no Novo Testamento, porém, sua verificação é ampla na história antiga e também está presente no Antigo Testamento. Apesar de Cristo ter se utilizado de parábolas para transmitir sua mensagem de forma simples e clara, fato este marcante inclusive no seu ministério terreno, não foi ele o criador desse recurso. As parábolas são verificadas entre os povos orientais da antiguidade, e, na literatura judaica eram usadas de maneira abundante na literatura dos rabinos com o objetivo de explicar verdades e doutrinas. O modo de vida agrário era o ambiente inspirador para o uso da parábola para atingir o objetivo de compartilhar uma mensagem. “Os escritos rabínicos estão cheios de histórias, alegóricas ou parabólicas quanto ao caráter, com a intenção de deixar claro algum ponto do ensino ou ilustrar alguma passagem na Bíblia Hebraica”.6  As parábolas estão presentes nos textos do Antigo Testamento devido ao fato de serem os hebreus exímios contadores de histórias, ou seja, era natural a presença das parábolas na cultura literária dos hebreus.
No que diz respeito ao uso de parábolas por outros povos na história, Charles Salmond destaca que “a utilização desse tipo de linguagem exercia atração especial sobre os povos orientais, para quem a imaginação era mais rápida e também mais ativa que a faculdade lógica. A grande família das nações conhecidas como semitas, aos quais pertencem os hebreus, junto com os árabes, os sírios, os babilônios e outras raças notáveis já demonstraram a especial tendência à imaginação, como também um gosto particular por ela”.7  A palavra hebraica mashal tem o significado de provérbio, analogia e parábola, e apesar de ser aplicada de forma variada e abrangente, a ideia essencial de seu significado faz referência a produção textual na forma de parábola.

Texto extraído da obra: As Parábolas de Jesus: As verdades e princípios divinos para uma vida abundante. 1. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2018

COMENTÁRIO E SUBSÍDIO II

INTRODUÇÃO

Quando estudamos as parábolas de Jesus, com os corações abertos e dispostos a aprender como discípulos verdadeiros, em busca de sabedoria e entendimento das verdades espirituais profundas, nos deparamos com as sábias lições que Ele nos deixou para sermos bem-sucedidos em nossa vida aqui no mundo. Estudar este conteúdo, como disse Jesus aos seus primeiros discípulos, é um privilégio: “Bem-aventurados são os olhos que veem o que vós vedes, pois vos digo que muitos profetas e reis desejaram ver o que vós vedes e não o viram; e ouvir o que ouvis e não o ouviram” (Lc 10.23,24). Assim, as parábolas do Senhor possuem preciosas promessas de bênçãos para todos quantos acolhem sua mensagem e se dispõem a compreender as verdades que elas ensinam.
Jesus falava por parábolas para explicar verdades complexas de uma forma simples. Era sua maneira predileta de ensinar verdades e mistérios profundos (Mt 13.34-35), e para responder as perguntas e dúvidas. Usar parábolas era um método de ensino muito comum no tempo de Jesus. Ele falava por parábolas para cumprir a profecia de Salmos 78.2, e não dizia nada a eles sem ser por meio de parábolas. Qual é a importância de estudarmos este assunto? Ora, Jesus explicou aos seus discípulos que quem conhece a Deus receberá mais conhecimento, mas quem não conhece a Deus perderá até o pouco de conhecimento que tem (Mt 13.11-12). As parábolas de Jesus eram simples, mas quem não amava Jesus não as entendia. Deus estava humilhando quem se achava sábio, mas rejeitava Jesus (1Co 1.20-21).
Nosso Senhor Jesus compreendia que a verdade não é uma doce música para todos os ouvidos. Na verdade, há aqueles que não têm nenhum interesse ou estima pelas coisas profundas de Deus. Por que, então, Ele falava em parábolas? Para aqueles com uma verdadeira fome de Deus, a parábola é um veículo tanto eficaz quanto memorável para a transmissão das verdades divinas. As parábolas de Nosso Senhor contêm grandes volumes de verdade em poucas palavras-- e Suas parábolas, ricas em imagens, não são facilmente esquecidas. Assim, então, uma parábola é uma bênção para aqueles com ouvidos dispostos. Entretanto, para aqueles com corações endurecidos e ouvidos lentos para ouvir, uma parábola é também uma declaração de julgamento. (Why did Jesus teach in parables? Disponível em: https://www.gotquestions.org/Jesus-parables.html. Acesso em: 28 Set, 2018).

I. O QUE É PARÁBOLA
                                                                 
1. Conceito. Parábola, no hebraico mashal, dependendo do contexto, refere-se a um dito profético, um provérbio, uma analogia, um enigma, um discurso, um poema, um conto, um símile. Essa palavra ocorre aproximadamente quarenta vezes no Antigo Testamento, sendo normalmente traduzida como “provérbio”. A palavra grega traduzida como parábola, em o Novo Testamento, é parabolé, “por ao lado de”, com o sentido de “comparar” como ilustração de alguma verdade ou ensino. Nesse sentido, torna-se um instrumento didático. Ela é usada cinquenta vezes no Novo Testamento, sendo duas para indicar uma fala figurativa (Hb 9.9; 11.19) e quarenta e oito vezes traduzida no singular ou no plural, sempre se referindo às histórias de Jesus. Em síntese, parábola significa, literalmente, “comparação”, e como tal, comumente utilizada para indicar uma história breve, um exemplo esclarecedor para ilustrar uma verdade.
As Parábolas como temos conhecimento é um gênero literário de uso muito comum no judaísmo e na literatura rabínica, na explicação da doutrina. Vincent Cheung em ‘As Parábolas de Jesus’, diz: “A palavra grega para parábola é parabole – ela é uma palavra grega composta que significa “colocar de lado”. No uso bíblico, uma parábola compara ou contrasta uma realidade natural com uma verdade espiritual. E assim, quando lendo os Evangelhos, algumas vezes você verá Jesus dizendo tais coisas como: “O Reino dos céus é como...” (Mateus 13:24), ou “Com que se parece o Reino de Deus? Com que o compararei?” (Lucas 13:18)”. (CHEUNG, 2003). O Dicionário online Priberam define: “(latim parabola, -ae, do grego parabolé, -és, comparação, analogia, discurso alegórico, movimento paralelo, parábola). substantivo feminino 1. Narração alegórica que envolve algum preceito de moral, alguma verdade importante”. (PRIBERAM). De acordo com o dicionário bíblico universal, Bucklan & Williams (2007, p.446):
Parábola é uma narrativa imaginária ou verdadeira que se apresenta com o fim de ensinar uma verdade. Difere do provérbio porque sua apresentação não é tão concentrada como a daquele; contém mais pormenores, exigindo menor esforço mental para ser compreendida. Difere da alegoria, porque esta personifica atributos e as próprias qualidades, ao passo que a parábola nos faz ver as pessoas na sua maneira de proceder e viver, também difere da fábula, visto que a parábola se limita ao que é humano e possível.”

2. Distinção entre a parábola e outras figuras de linguagem. A Bíblia Sagrada emprega várias figuras de linguagem que são necessárias para ilustrar verdades divinas e profundas. Algumas delas são o símile, o provérbio, a metáfora, a alegoria, a fábula e o tipo, e é importante não confundi-las com a parábola. É oportuno destacar que a parábola também não é um mito, tendo em vista que ele narra uma história como se fosse verdadeira, mas não adiciona nem a probabilidade e nem a verdade. Já a parábola ilustra verdades por meio de símbolos: “o campo é o mundo”, “o inimigo é o Diabo”, “a boa semente são os filhos do reino”, etc.
Neste subtópico é importante diferenciarmos a parábola do mito, isso por algumas acusações de que determinadas parábolas não passam de mito. Como já explicado no subtópico 1, parábola é uma narrativa curta, um discurso que faz entender outro. “É uma espécie de alegoria apresentada sob forma de uma narração, relatando fatos naturais ou acontecimentos possíveis, sempre com o objetivo de declarar ou ilustrar uma ou várias verdades”.(DICIONÁRIO INFORMAL). Já o mito, é uma “representação fantasiosa, espontaneamente delineada pelo mecanismo mental do homem, a fim de dar uma interpretação e uma explicação aos fenômenos da natureza e da vida” (*).Segundo George Eldon Ladd (2003, p.126) “uma parábola é uma estória extraída da vida diária, com a finalidade de comunicar uma verdade de cunho moral ou religioso”. Logo, as parábolas são recursos que quando empregados no ensino de Jesus, deve-se ter em consideração todo o contexto histórico empregado no processo narrativo para sua compreensão correta”.

3. Aplicação de uma parábola. Ao se dirigir aos discípulos e aos fariseus, seus adversários, Jesus adotou o método de ensino por parábolas com a finalidade de convencer aqueles e condenar estes. Em Mateus 13.10, os discípulos perguntaram a Jesus o porquê de Ele falar por parábolas. Jesus usava esse método em razão da diversidade de caráter, de nível espiritual e de percepção moral de seus ouvintes (Mt 13.13). Em Marcos 4.10-12, ao ser inquirido sobre o uso de parábolas, Jesus respondeu que as usava nos seus ensinamentos por duas razões distintas: para ilustrar a verdade para aqueles que estavam dispostos a recebê-la, e para obscurecer a verdade daqueles que a odiavam. Assim, para que a parábola seja explicada e aplicada, primeiramente é indispensável examinar sua relação com o que a precede e a segue, e descobrir, com base nisso, antes de qualquer outra coisa, a sua ideia principal.
Em ‘As Parábolas de Jesus’, Vincent Cheung afirma que o uso do ensino por parábolas não tinha como fim ‘aclarar’ o entendimento de verdades espirituais, haja visto que os próprios discípulos, aqueles que deveriam ser iluminados pelos ensinamentos de Cristo, eles mesmos não entenderam nem mesmo a parábola fundacional até que Jesus a explicasse para eles. Após contar à sua audiência a parábola do semeador em Marcos 4.2-9, seus discípulos chegaram até ele no versículo 10, pedindo a interpretação: “Quando ele ficou sozinho, os Doze e os outros que estavam ao seu redor lhe  fizeram  perguntas acerca  das  parábolas”. Até mesmo seus discípulos mais íntimos, incluindo os Doze, não entenderam a parábola. Em João 16:29-30, os próprios discípulos declaram que era mais fácil entender o que Jesus estava dizendo quando ele falava “claramente” do que quando usando “figuras [de linguagem]”. O autor afirma que provérbios, parábolas, e figuras de linguagem não tornam necessariamente as verdades espirituais mais fáceis de entender; antes, elas frequentemente obscurecem as verdades espirituais até que as explicações sejam dadas em discurso claro. Os  discípulos obviamente preferiam a linguagem direta e não-metafórica. Nesse sentido, Jesus utilizou este método para obscurecer a verdade daqueles que a odiavam:
Então, o próprio Jesus admitiu que o uso das parábolas evitaria que muitas pessoas entendessem seus ensinos, e que essa era a sua própria intenção: Ele respondeu: “A vocês foi dado o conhecimento dos mistérios do Reino dos céus, mas a eles não... Por essa razão eu lhes falo por parábolas: ‘Porque vendo, eles não veem e, ouvindo, não ouvem nem entendem’. Neles se cumpre a profecia de Isaías: ‘Ainda que estejam sempre ouvindo, vocês nunca entenderão; ainda que estejam sempre vendo, jamais perceberão’” (Mateus 13:11, 13-14). Jesus usou parábolas principalmente, não para tornar as verdades espirituais mais fáceis de entender; antes, o próprio oposto era verdade, de forma que pelo menos uma das razões pelas quais ele usou parábolas foi para obscurecer o significado de seus ensinos.” (CHEUNG, 2003)



SUBSÍDIO ETIMOLÓGICO
                               
“Entre as formas literárias encontradas na Bíblia, a mais conhecida, talvez, seja a parábola. O fato é especialmente verdade em se tratando das parábolas de Jesus, tais como a do bom samaritano, do filho pródigo, das dez virgens e do semeador. Porém, definir exatamente o que é uma parábola no Antigo Testamento (mashal) ou no Novo (parabole) é difícil. Em ambos os casos, os termos podem referir-se a um provérbio (1 Sm 24.13; Ez 18.2,3; Lc 4.23; 6.39); uma sátira (Sl 44.11; 69.11; Is 14.3,4; Hc 2.4); uma charada (Sl 49.4; 78.2; Pv 1.6); um dito simbólico (Mc 7.14,17; Lc 5.36,38); um símile extensa ou similitude (Mt 13.33; Mc 4.30,32; Lc 15.8-10); uma parábola histórica (Mt 25.1-13; Lc 14.16,24; 15.11-32; 16.1-8); um exemplo de parábola (Mt 18.23-25; Lc 10.29-37; 12.16-21; 16.19-31); e, até mesmo, uma alegoria (Jz 9.7-20; Ez 16.1-5; 17.2-10; 20.49–21.5; Mc 4.3- 9,13-20; 12.1-11). Esses dois termos bíblicos possuem vasta extensão de significados, mas o sentido básico de cada um é a comparação entre duas coisas diferentes. Algo parecido com algo que não é” (STEIN, Robert H. Guia Básico de Interpretação da Bíblia. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1999, p.143).

II. CONTEXTO SOCIAL E LITERÁRIO

1. Galileia no tempo de Jesus. A Galileia compreendia todo o território ao Norte de Samaria até ao Monte Líbano, estendendo-se de leste a oeste, entre o Mar da Galileia e o Mar Mediterrâneo e Fenícia. Situava-se nas grandes rotas comerciais que cruzavam o Oriente Próximo, e muitos estrangeiros atravessavam a área. A conservação de peixes pela salgadura e sua exportação para todos os lugares do Império Romano era a principal indústria. Era uma região muito mais próspera que a Judeia e abrigava uma grande população. Importante para a região era o mar da Galileia, um extenso lago de água doce, localizado ao norte da Palestina, também conhecido como mar de Tiberíades ou lago de Genesaré (Mt 4.18; Lc 5.1). Esse lago, que ficava cerca de 96 quilômetros ao norte de Jerusalém, ajudava a determinar o tipo de vida que se levava em toda a região ao derredor. As ocupações dos habitantes incluíam a agricultura, a fruticultura, a pecuária, o tingimento de tecidos, o curtume, a pesca e a fabricação de embarcações. Na Galileia, Jesus reforçou seu ensino com parábolas memoráveis, ilustrando o amor de Deus pelos pecadores, a necessidade de confiança na misericórdia de Deus, o amor que devemos ter uns aos outros, a maneira como a Palavra de Deus vem e o Reino de Deus cresce, a responsabilidade de o discípulo desenvolver seus dons e o julgamento daqueles que rejeitam o evangelho (Mt 4.23; 13.1-52).
Galiléia vem do hebraico גָּלִיל Galil, empregada desde o Antigo Testamento, que significa círculo ou distrito. O historiador Flávio Josefo desde o primeiro século já descrevia a Galiléia em seus escritos. Seu texto nos oferece uma boa oportunidade de conhecer melhor os aspectos físicos e limites territoriais da Galiléia.
Nos tempos do Novo Testamento, Israel era dividido em três regiões principais. No centro estava Samaria, habitada por um povo miscigenado (de raça mista) e sincretista (de religião misturada), odiado pelos judeus. No sul estava a Judeia, região nobre, onde ficava o templo, o sinédrio, os principais mestres da lei, as melhores faculdades, as pessoas mais ricas e influentes. Ali estava Jerusalém, onde aconteciam as concorridas festas judaicas, e outras influentes cidades como Jericó, Hebrom e Cesareia. No norte estava a Galileia, região dos pobres, iletrados, menos privilegiados, simples pescadores, trabalhadores braçais, gente desprezada e menosprezada, marginalizada e motivo de chacota para os importantes habitantes do sul. É por isto que quando alguém mencionou que Jesus era da Galileia os líderes religiosos logo retrucaram: “Da Galileia não se levanta profeta”. Natanael também questionou: “De Nazaré pode sair alguma coisa boa?” (Jo 1.46)” (Opção Galiléia – Parte I. Disponível em:http://ultimato.com.br/sites/paralelo10/2010/04/opcao-galileia/. Acesso em: 28 Set, 2018)

2. Jerusalém no tempo de Jesus. Jerusalém é uma das mais antigas cidades do mundo. É a mais sagrada cidade da Palestina e tem existido como cidade e como capital, além de lugar sagrado, há mais de três mil anos. À época de Jesus, Jerusalém contava com uma superpopulação, sendo que a maioria das pessoas estava desesperada em decorrência da opressão do Império Romano, da miséria, da opressão aos pequenos produtores que estavam praticamente falidos, tendo de pagar elevados impostos a Roma. Nessa época, grande parte da população dependia de esmolas do Templo. Enquanto o povo comum estava vivendo em situação de extrema pobreza, padecendo por terríveis privações, os grandes produtores, os grandes comerciantes e as famílias mais abastadas estavam satisfeitas com o sistema vigente controlado pelo governo de Roma. Diante desse contexto, o povo judeu aguardava com ansiedade o Messias que viria em glória, conforme profetizado por Zacarias (Zc 14.4).
Jerusalém significa em hebraico, habitação de paz. Seu nome é mencionado pela primeira vez nas escrituras em Josué 10.3, onde é relatada a conquista de Jerusalém, quando Josué derrotou uma coligação de cinco reis, entre eles o rei Adoni-Zedeque, rei de Jerusalém (Js 10.1-27). Entretanto, em Gênesis 14.18, encontramos uma referência sobre a cidade, que aparece com o nome de Salém. De acordo com a tradição, assim era chamada a capital judaica.
Leia mais sobre descobertas arqueológicas aqui
Leia também ‘A Palestina no Tempo de Jesus’ aqui

3. Contexto literário: os Evangelhos. Os quatro primeiros livros do cânon do Novo Testamento, chamados de Evangelhos, são os registros escritos das primeiras pregações das Boas Novas a respeito de Cristo. Eles constituem um tipo distinto de literatura. Não são biografias completas, pois não tentam narrar todos os fatos da carreira de Jesus; nem são apenas histórias; nem são sermões, embora incluam pregações e discursos; também não são apenas relatos de notícias. Os três primeiros Evangelhos – Mateus, Marcos e Lucas – são chamados sinóticos, termo que vem do grego synoptikos, que significa “ver junto”, “ver da mesma perspectiva”, “vistos de um ponto de vista comum”. Os Sinóticos apresentam a vida, os ensinamentos e a significação de Jesus do mesmo ponto de vista, em contraste com o Evangelho de João, o qual se limita quase inteiramente ao que Jesus disse e fez na área de Jerusalém.
Os Evangelhos nos dão um retrato completo de quem Jesus era e realizou, Trazem relatos da vida de Jesus, escritos pelos apóstolos ou pessoas próximas. Cada um dos Evangelhos apresentam a história de Jesus de uma perspectiva um pouco diferente. Cada evangelista escreveu aquilo que julgava ser importante para o seu público. Quanto aos autores, somente João e Mateus foram apóstolos de Jesus. Marcos era discípulo de Paulo e Lucas, autor também de Atos, era um médico, amigo de Paulo que escreveu seu evangelho e Atos para um senhor chamado Teófilo. Hoje tem-se descoberto outros escritos aos quais chamaram de ‘evangelhos’, no entanto, apenas estes que estão em nossas bíblias são canônicos, isto é, aceitos pela cristandade como inspirados. Estes escritos apócrifos foram compostos bem mais tarde e refletem doutrinas particulares, nem sempre conforme a tradição.
Evangelho significa “boa notícia”. O propósito dos quatro evangelhos e contar a boa notícia sobre Jesus, o Salvador do mundo (Marcos 1:1). Como cada um foi escrito por uma pessoa diferente, cada evangelho apresenta Jesus de uma perspectiva diferente, mas sem contradizer uns aos outros. Todos os evangelhos relatam a morte e ressurreição de Jesus.” (O que são os evangelhos? Por que existem quatro? Disponível em:https://www.respostas.com.br/os-quatro-evangelhos/. Acesso em: 29 Set, 2018) 

SUBSÍDIO SOCIOLÓGICO

“A Galileia era um região muito mais próspera que a Judeia e abrigava uma grande população. Os galileus eram menosprezados pelos líderes religiosos de Jerusalém. Muitos não eram de descendência judaica, pois seus antepassados foram violentamente convertidos por Alexandre Janeu. Os galileus estavam mais estreitamente em contato com a realidade diária do Império Romano, visto que a Galileia situava-se nas grandes rotas comerciais que cruzavam o Oriente Próximo, e muitos estrangeiros atravessavam a região” (DOWLEY, Tim. Pequeno Atlas Bíblico. 1. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2005, p. 73).

III. COMO LER UMA PARÁBOLA

1. Entendendo a narrativa como a síntese das experiências cotidianas. Uma das questões mais importantes ao ler uma parábola é procurar entender os elementos culturais operados em cada uma delas, pois apesar de elas serem uma síntese das experiências humanas, são histórias contadas a partir de outra cultura e tempo. Torna-se impossível entender as parábolas sem vinculá-las ao seu contexto social, pois elas se referem às experiências de pessoas que viveram na época de Jesus. Para tanto, torna-se necessário identificar a conexão com as estruturas daquela sociedade. Quase um terço dos ensinamentos de Jesus foi realizado através de parábolas. Ele contou parábolas sobre a natureza (Mt 13.24-30), trabalho e salário (Lc 17.7-10), e até sobre casamentos e festas (Mt 25.1-13). Jesus não falava de forma genérica acerca da busca de Deus pelo perdido, mas sempre através de histórias de experiências cotidianas, tais como a história sobre uma mulher que perdera uma de suas dez moedas de prata, e que não descansou até encontrá-la (Lc 15.8-10).
A interpretação adequada de uma parábola é de extrema importância, pois somente depois de entendida é que ela poderá ser aplicada em nossas vidas. A hermenêutica, com seus métodos, contribui grandemente nesse processo e por isso não devemos negligenciá-los durante esse processo interpretativo. Grant Osborne (2009, p. 386) nos diz a respeito: Sem uma interpretação perde-se o poder da parábola, porque toda parábola deve ser compreendida antes de ser aplicada. Seu “poder evocativo” é melhor discernido quando se entende o que Jesus pretendeu; isto é, de acordo com o pano de fundo do século I e com o contexto do próprio Evangelho. De qualquer modo, não devemos reduzir a parábola a uma simples análise palavra por palavra. É preciso preservá-la para que sua capacidade de surpreender e comover o ouvinte não se perca.” (AprendizemTeologia)
As parábolas constituem aproximadamente 35% dos ensinos de Jesus nos Evangelhos Sinóticos. Algumas premissas são fundamentais e servem como um guia, ao nos dedicarmos à tarefa de compreender e interpretar as parábolas. Para tanto, é importante considerar o contexto, levando em consideração a audiência, a ocasião e o objetivo específico a qual foi aplicada. Depois, é preciso procurar a verdade central, deixando os apêndices de lado, como exemplo, a parábola do Rico Insensato em Lucas 12.13-21, onde Jesus deseja falar dos perigos da ganância e avareza. Ainda, é necessário fazer uma aplicação pessoal.

2. Procurar as declarações explícitas e implícitas do agir de Deus no contexto literário. Tendo a parábola o objetivo de transmitir uma mensagem e, no caso específico, tal comunicação procede de Deus, é imperioso que o leitor procure as declarações explícitas e implícitas do agir de Deus em tal contexto literário. Somente após esse exercício é possível pensar na aplicação da parábola.
Certas parábolas têm reviravoltas chocantes e inesperadas que nos ajuda a entender o ponto de vista que Jesus estava tentando transmitir. Embora uma leitura cuidadosa geralmente exponha os detalhes especiais, às vezes esses detalhes são difíceis de pegar, devido às diferenças culturais e nossa pouca familiaridade com as parábolas. Um exemplo de um detalhe importante e surpreendente é encontrada na parábola do servo impiedoso. Mt 18. 23-35. O detalhe surpresa desta parábola é a diferença entre os montantes de dinheiro perdoados pelo rei e pelo servo (milhares de reais em comparação com milhões de reais), o que mostra a grande magnitude do perdão de Deus e como isso deve nos levar a perdoar os outros.

3. Identificar a aplicação prática da parábola. Uma vez que a maneira predileta de Jesus ensinar era através de parábolas, tais textos contêm lições profundas e de aplicação prática no campo da ética e da vida espiritual das pessoas. Por meio de suas parábolas Jesus levou aos seus ouvintes a mensagem de salvação, conclamando-os a se arrependerem e a crerem. Aos crentes, desafiava-os a colocarem a fé em prática, exortando seus seguidores à vigilância. Quando seus discípulos tinham dificuldade para entenderas parábolas, Jesus as interpretava (Mc 4.13-20). Assim, uma boa maneira de identificar a aplicação prática de uma parábola é fazer as seguintes perguntas: Para quem a parábola foi contada? Por que a parábola foi contada? Qual é a moral da parábola? Existe algum ponto culminante na parábola? Alguma interpretação é dada na passagem para a parábola?.
Jesus ensinava com parábolas com dois propósitos principais: para explicar a verdade para alguns (ver Lucas 10:36-37) e para manter a verdade escondida dos outros (ver Marcos 4. 10-12 abaixo). Para aqueles ansiosos para seguir a Deus, as parábolas eram ilustrações memoráveis de um princípio de reino. Para aqueles que se opõem aos planos de Deus, o significado das parábolas estaria escondido em uma forma de julgamento”. (Filhos de Ezequiel). “É necessário, então, mais cuidado durante o processo interpretativo de uma parábola. O leitor na busca de uma compreensão mais adequada e real do ensino de Jesus deve estar disposto a buscar os pontos de referências e reconstruir todo o cenário original em que a parábola foi apresentada por Cristo aos seus ouvintes. O nosso contexto por se encontrar tão distante do original atrapalha a nossa compreensão da reação do público e uma reconstrução do cenário para os nossos dias seria de uma grande ajuda para um melhor entendimento” (AprendizemTeologia).

SUBSÍDIO HERMENÊUTICO

“Parábola, do grego parabolé, significa ‘colocar ao lado de’, e leva a ideia de colocar uma coisa ao lado de outra com o objetivo de comparar. A parábola envolve uma contradição aparente apresentada em forma de narração, relatando fatos naturais ou acontecimentos possíveis, sempre com objetivo de declarar ou ilustrar uma ou várias verdades importantes” (BENTHO, Esdras Costa. Hermenêutica Fácil e Descomplicada. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2003, p.321).

CONCLUSÃO

Não há como perceber, nem entrar, no Reino de Deus, sem ter nascido de novo (Jo 3.3-8), por isso, a salvação da alma é parte integrante das parábolas. Você já renasceu? Já se arrependeu dos seus pecados e confiou em Jesus Cristo e em seu sacrifício pelos seus pecados? Você conhece o Rei deste Reino? Seu coração já se prostra diante deste Rei? Ou vive em rebeldia contra Ele ainda? Os verdadeiros súditos reconhecem a soberania do Rei e submetem-se a ela.
O Mestre Jesus não deixou nenhum escrito de sua própria autoria, todo o seu ensino foi registrado pelos evangelistas e grande parte dele foi dado por meio de parábolas. Não podemos esquecer que a intenção das parábolas é transmitir uma verdade eterna, então, usam elementos diários de tal forma que ainda hoje, podem ser facilmente entendidas por todos. Permanece ainda, a verdade de que sua compreensão só é possível mediante a iluminação do Espírito Santo, por que as coisas de Deus só são perfeitamente compreendidas por quem é espiritual. As perguntas do comentarista são pertinentes. Se você não sabe como ter a certeza de que nasceu de novo, faça este exame rápido:
- Ouve a palavra de Deus? - João 8.47;
- Crê no Filho de Deus? -  1João 5.1;
- Ama a Jesus Cristo? - João 8.42; João 14.23; 1João 5.3;
- Ama os irmãos? - 1João 4.7, 5.1; João 13.35;
- É um pacificador? Isaías 57.21; Gl 5.17;
- Conserva-se a si mesmo? - 1João 5.18; 1Pd 1.5;
- Pratica a justiça: - 1João 2.29; Rm 8.3-4;
- Não vive na prática de pecado? - 1João 3.9; João 3.6 e Rm 7.20.
- É corrigido? - Hb 12.5-8.
- Vence o mundo? - I João 5:4Você já nasceu de novo? Examine-se à luz da Palavra de Deus. "Aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus." João 3:3

Achando-se as tuas palavras, logo as comi, e a tua palavra foi para mim o gozo e alegria do meu coração; porque pelo teu nome sou chamado, ó Senhor Deus dos Exércitos”. (Jeremias 15.16)

Francisco Barbosa
Disponível no blog: auxilioebd.blogspot.com.br



quarta-feira, 3 de outubro de 2018

PROFESSOR DESNECESSÁRIO À IGREJA: o leigo que é desleixado

Novos professores e uma nova realidade

Não haverá uma nova safra de crentes se não houver uma nova classe de professores da Escola Dominical! Não se pode imaginar um futuro para a igreja sem educadores. Muitos acreditam que o professor da Escola Dominical é dispensável. E de fato o é, mas de qual docente estamos falando?
Certos professores são dispensáveis, assim como certos pregadores também o são. E claro que assim como não posso generalizar o último também não devo fazê-lo em relação ao primeiro. A falácia de que os professores dominicais são desnecessários à igreja é uma tentativa malsã de, parafraseando Paulo Freire, "retirar a boniteza do sonho de ser professor de tantos jovens cristãos nesse Brasil". Em um país que ideologicamente aprendeu a escamotear e a desvalorizar o professor, não ignoro que muitos líderes cristãos também desprezem esse importante e insubstituível ofício na igreja. Nalgumas vezes, eles parecem ter razão. Alguns docentes há muito deveriam ter pendurado a batuta:
• Ainda continuam lendo integralmente a revista da Escola Dominical diante da classe;
• Não usam qualquer tipo de método;
• São incapazes de comentar com profundidade teológica o tema da lição;
• Reclamam que o assunto é repetido, pois não sabem o que ensinar quando o aluno sabe o que ele sabe;
Sim, esse é o perfil do professor desnecessário, substituível, que não interessa à igreja. Tal ensinante é inútil à renovação da igreja.

Ele é:

• Monocultural, como afirma Luiza Cortesão, incapaz de abrir-se ao novo, à renovação;
• Taciturno, perdeu a alegria de ensinar e, por pouco, não perde a satisfação de viver.
• Incapaz de refletir a teologia, porquanto não compreende o contexto epocal da teologia e, por isso, preserva uma linguagem antiquada sobre a doutrina bíblica;
• Iludido, pensa estar cumprindo os propósitos do Reino de Deus. Na verdade, ele se colocou na porta, da ED e não permite que ninguém mais atravesse.
• Resistente, não admite qualquer mudança de paradigma na educação cristã, embora ele mesmo não saiba explicar suas práticas de ensino-aprendizagem.
Não resta dúvida, o professor desnecessário é aquele que perdeu o rumo, o telos, o sentido da vocação, o sentido que move e dirige toda ação pedagógica: o amor, o respeito e a edificação do indivíduo. Ele se perdeu na formação do ser e não reconstruiu-se no sendo. Ele não faz as perguntas: "Por que ensino?", "Por que sou professor?", e quando as faz não encontra respostas que o recoloque em direção ao telos. O máximo que encontra são feixes de escusas emaranhadas que inebriam sua consciência incorrigível. Todavia, professores renovados produzirão uma igreja viva e saudável.

O leigo-desleixado

Um dos tipos de professores desnecessários à igreja contemporânea é o leigo-desleixado. Leigo, inicialmente, é aquele que não tem formação pedagógica; depois, o professor que não é ordenado ministro. No âmbito da educação cristã, temos milhares de professores valorosos nas igrejas brasileiras que são leigos em ambos os sentidos. Eu mesmo iniciei a prática da educação cristã como professor leigo. Tanto na educação cristã quanto nos corredores da educação brasileira ver-se-á o leigo transitando e atuando na educação. Da reforma pombalina ao final da Década da Educação, a presença do professor leigo é incontestável.
A esta altura de nosso tema, posso correr o risco de classificar alguns tipos de laicado:
a) leigo, em sentido próprio, isto é, não ordenado;
b) leigo, considerando o elemento prático, ou seja, sem qualificação ou formação, mas que exerce uma função no lugar de um qualificado;
c) leigo-desleixado, o negligente, preguiçoso, descuidado.
Assim, não vejo qualquer problema em ser leigo em sentido próprio na igreja. Eu mesmo iniciei o ministério de ensino como leigo durante muitos anos. Contudo, existe uma diferença entre o leigo das categorias "a" e "b" com o da categoria "c", o desleixado. O primeiro não foi ordenado ao ministério, mas, potencialmente, é um obreiro. Ele possui ou está em processo de formação e até mesmo de ordenamento ou, mesmo que não seja assim, ele é qualificado para aquilo a qual é responsável. O segundo exerce uma função - no caso, a docência - mesmo sem estar formalmente qualificado. Ele é, como afirma Martins, "professor prático experimentado-leigo na docência". Essa classe de professor não possui a teoria que deve embalar a formação, mas desenvolveu uma prática que o "qualifica", pela experiência e conhecimento, ao exercício magisterial, mesmo que limitado. Embora o leigo-prático não tenha a formação técnica ou acadêmica, ele se preocupa com sua formação, fazendo aqui e ali cursos de pequena duração para o exercício do magistério eclesiástico. E fácil identificá-lo:
1) Sua presença é certa em seminários para professores da ED;
2) Sempre está presente nas reuniões de professores;
3) Busca capacidade adequada; 
4) Costuma variar os métodos em sala de aula, conforme a necessidade de seus alunos;
5) Busca formação teológica em nível fundamental ou superior;
6) Reconhece suas limitações e, caso não tenha completado os estudos, empenha-se em concluí-los para exercer o ministério mais eficientemente;
7) Não se aparta dos livros de teologia, didática e formação geral;
8) Tem em grande estima aqueles que, como ele, se dedicam ao ministério do ensino;
9) Esforça-se para aprender e melhorar a si mesmo.
O terceiro, o leigo-desleixado, diferente dos anteriores, não tem qualquer interesse em sua própria formação. Ele é fácil de identificar, pois, como o próprio termo designa, é indolente, preguiçoso, relapso e não tem qualquer interesse em ser um docente mais qualificado. Está mais interessado no título e na ocupação, que lhe dão status na comunidade, do que preocupado em exercer o magistério cristão com eficiência. Ele:
1) Falta constantemente aos seminários para professores;
2) Dificilmente aparece nas reuniões de professores;
3) Enfada aos alunos pela falta de método e didática;
4) Não tem qualquer interesse em buscar formação teológica;  na verdade, ele é contra a teologia;
5) Jamais reconhece suas limitações e não tem qualquer interesse em estudar ou concluir os estudos;
6) Não lê qualquer manual didático, com exceção da Bíblia, a qual não entende apropriadamente;
7) Critica os professores que se dedicam ao magistério cristão porque entende que o dom é suficiente para o desempenho do munus docendi;
8) E desleixado com sua própria formação.
 Essa categoria de professor é um estorvo para a formação do aluno e crescimento da Escola Dominical. Todavia, será possível restaurar o sabor do sal depois de insosso? Pergunta o Mestre dos mestres!