O movimento pentecostal em solo brasileiro foi marcado por
manifestações espirituais gloriosas que ratificaram a experiência do batismo no
Espírito Santo como um evento histórico não apenas restrito aos discípulos da
Igreja Primitiva, mas também aos crentes de nossos dias. Outrossim, a
atualidade dos dons espirituais entre os brasileiros comprova que a promessa
bíblica estaria disponível a muitos povos distantes (At 2.39). No presente
século, a igreja brasileira desfruta literalmente do cumprimento dessa
promessa.
Vale destacar que a manifestação do poder do Espírito trouxe mudanças
significativas para a nossa nação. Dentre as tais podemos citar o acelerado
crescimento do número de conversões alcançado, graças à simplicidade da pregação
do Evangelho por meio dos crentes pentecostais. O poder de Deus tem se
manifestado em vários lugares do território nacional, alcançando todas as
camadas da sociedade, trazendo o calor do Espírito para muitos cultos dantes
marcados pela rigidez litúrgica e institucional.
Além da influência na vida religiosa, a Igreja tem se tornado cada vez
mais atuante na sociedade em defesa dos valores da família e como fiel
combatente às falsas ideologias e sofismas do nosso tempo com a finalidade de fazer
a nação voltar-se para os valores da Palavra de Deus.
Atentar para a verdade bíblica de que o Senhor continua curando,
salvando e batizando no Espírito Santo não se trata apenas de obedecer à
Palavra de Deus, mas também de zelar pela preservação da identidade doutrinária
da Assembleia de Deus, o maior bastião pentecostal existente no Brasil. Cada
crente pentecostal, formado na Escola Dominical, deve compreender a importância
da experiência do batismo no Espírito Santo como o revestimento de poder para o
exercício do serviço cristão por intermédio dos dons espirituais e ministeriais
(At 1.8).
A Declaração de Fé das Assembleias de Deus discorre sobre a extensão da
promessa do Espírito: "Jesus disse que é uma dádiva do Pai para qualquer
crente que crê e busca, homens e mulheres de todas as idades, independentemente
de seu status social. A promessa do Espírito Santo diz respeito principalmente
aos 'últimos dias' (At 2.17), e não somente à era dos apóstolos. [...] Isso
mostra que o Pentecostes foi o início da dispensação do Espírito Santo
(conhecida como Dispensação da Graça ou da Igreja) e que a efusão do Espírito
seria na sua plenitude nos 'últimos dias', os dias em que estamos vivendo"
(2017, pp. 167,168). Cabe à Igreja assumir o compromisso com o avivamento
espiritual, incentivando os crentes a buscarem com perseverança o batismo no
Espírito Santo a fim de que as promessas do Espírito se cumpram nesta geração.
Extraído da Revista
Ensinador Cristão, ano 24, nº 92, p. 40. Rio de Janeiro: CPAD 2023.
A educação cristã não pode ser vista dissociada da prática pedagógica.
O professor deve buscar recursos que facilitem o processo de aprendizagem do
aluno. Jesus, durante o seu ministério, ao ensinar, usou recursos pedagógicos e
os aplicou à luz das especialidades humanas. Muitos recursos adotados por ele
são hoje usados pela pedagogia contemporânea.
Existem muitas abordagens possíveis para o exercício do ato educativo.
Dentre elas está a Psicopedagogia. A Psicopedagogia reúne conhecimentos de
várias áreas como a Pedagogia, a Psicologia, a Neurociência, a Fonoaudiologia e
a Psicolinguística, entre outras. Buscar conhecimento nessas áreas é
imprescindível para compreender a Psicopedagogia e os benefícios desta para o processo
da aprendizagem.
O que é
Psicopedagogia
A Psicopedagogia é uma área do conhecimento que estuda e se aprofunda
no processo de aprendizagem humana e está presente no desenvolvimento
intelectual de crianças, adolescentes e adultos.
O uso de elementos da Psicopedagogia na educação contribui para
melhorias no processo de aprendizagem. Por meio da Psicopedagogia é possível a identificação
de dificuldades e falhas no processo de ensino, proporcionando a implementação
de métodos e estratégias eficazes que corrijam os problemas e dificuldades de
aprendizagem.
A psicopedagogia identifica os problemas e as dificuldades de aprendizagem
não somente pelo aspecto cognitivo, mas também emocional e social, podendo
ajudar a escola a lidar melhor com a questão da diversidade e o processo da inclusão.
Ao entender como cada aluno aprende pode realizar meios que previnam o problema
da aprendizagem identificando quais são os elementos facilitadores ou dificultadores
desse processo.
O Desenvolvimento
Cognitivo e a Aprendizagem
O desenvolvimento cognitivo é fundamental para o aprendizado. É a
partir da cognição que somos capazes de assimilar e processar informações,
assim como tomar decisões e interagir com o mundo e as pessoas ao nosso redor.
O desenvolvimento cognitivo é um campo de estudo da Neurociência e da
Psicologia que explora vários aspectos do desenvolvimento humano que envolve a
aquisição de recursos conceituais, habilidades perceptivas, aprimoramento da
linguagem além de outros aspectos do desenvolvimento do cérebro.
O desenvolvimento cognitivo ocorre de forma gradual. À medida que o
cérebro vai amadurecendo o indivíduo gradualmente vai ampliando sua capacidade
de assimilar informações e elaborar novos conhecimentos.
O
desenvolvimento cognitivo depende de dois fatores: A plasticidade do Sistema
Nervoso e a influência do ambiente. Conclui-se que ambas são determinantes para
a maturidade do organismo.
1. A
plasticidade do Sistema Nervoso
A cada novo comportamento aprendido desde o nascimento até a fase
adulta, várias conexões neurais ocorrem e se fixam no SNC, contribuindo para
seu desenvolvimento normal e evolutivo. À medida que a criança recebe mais e
mais estímulos aumentam suas experiências e aprendizado.
2. A
influência do ambiente
A influência do ambiente são aspectos determinantes para o desenvolvimento
cognitivo. É necessário um ambiente favorável para que a criança desenvolva as
suas capacidades e garanta a realização das suas potencialidades de
crescimento.
Uma forma eficaz de estimular a criança e ajudá-la no desenvolvimento
cognitivo é através do brincar. Estudos mostram que a criança manifesta suas potencialidades
numa atmosférica lúdica.
A Utilização de Elementos da Psicopedagogia na Educação Cristã
O professor lida, no dia a dia, com alunos que apresentam os mais
diversos históricos. Para que ele tenha êxito se faz necessário que aplique
metodologias que se encaixem com o perfil de cada um dos alunos, considerando
aqueles que apresentam dificuldades de aprendizagem, quer seja pela não
adaptação aos métodos pedagógicos, ou por alguns transtornos que apresentem.
Para que alcancemos bons resultados em qualquer área da vida,
precisamos de estratégias e métodos adequados. Se pretendemos fazer algo
bem-feito, precisamos seguir um método que já tenha sido testado e comprovado.
Se seguimos rigorosamente a esse método as chances de alcançarmos êxito são bem
prováveis.
Na aprendizagem isso não é diferente, no entanto, algumas vezes fazemos tudo corretamente e não conseguimos êxito. O método que estamos aplicando funciona,
normalmente, para a maioria, mas não especificamente para os alunos que
apresentam problemas e dificuldades de aprendizagem. Nestes casos esse método
se torna ineficaz.
Um método se torna eficaz quando aplicado de forma correta. Cada faixa
etária exige uma atenção especial. Um método usado para um adulto, por exemplo,
dificilmente servirá para a criança ou o adolescente. Vejamos como usar o
potencial do aluno, de acordo com cada faixa etária.
1. A criança
As atividades propostas às crianças devem ser graduadas conforme o seu
nível mental, de acordo com sua etapa de desenvolvimento. O professor deve
tomar por base o estágio em que se encontra a criança, tendo em vista sempre o
estágio seguinte ao seu desenvolvimento genético. Para Piaget, inteligência é o
mecanismo de adaptação do organismo a uma situação nova e como tal, implica a
construção contínua de novas estruturas.
O professor precisa ter cuidado para não subestimar a criança quanto a
suas capacidades. É muito comum esperarmos que elas não sejam capazes de
realizar determinadas tarefas.
Não devemos fazer pela criança aquilo que ela pode fazer sozinha, mas
sempre propor que ela resolva por si mesma. Quando muito, dar uma pequena
ajuda, mas nunca substituir a ação da criança pela nossa.
É imprescindível o envolvimento da criança em atividades que a levem a
uma experiência com a Palavra de Deus. Os conteúdos são fundamentais, mas não existem
sem a atividade. Ensinar falando pressupõe o esquecimento, ao passo que tudo
que se aprende com a ação, pela experiência, fica para sempre.
2. O adolescente
Quando se trata do adolescente, devem ser levados em consideração os
seguintes aspectos: Primeiro: a capacidade intelectual. O professor deve levar
em conta o desenvolvimento mental do adolescente e sua faculdade para
estabelecer relações e para resolver problemas de complexidade cada vez maior.
A mente do adolescente é um poderoso instrumento que, muitas vezes, se
torna para ele uma fonte de alegria, através da excitação da curiosidade, da
sensação da descoberta, da sensação de triunfo decorrente de ter solucionado um
quebra-cabeça de ter resolvido um problema desafiante. O professor precisa
aproveitar esse potencial e levar o seu aluno a adquirir uma visão significativa
de suas experiências subjetivas.
O segundo aspecto importante que não pode ser esquecido pelo professor,
é a capacidade que o adolescente tem, para lidar com abstrações. O adolescente
é capaz de dominar uma proporção maior do saber, relacionado a símbolos e artes
do que às coisas concretas. O professor deve desenvolver métodos e técnicas
adequados para ensinar a Bíblia e os valores cristãos.
3. Jovens e adultos
Cada etapa da vida exige aprendizagens peculiares a fase em que o
indivíduo vive. Isto é perceptível na infância, adolescência e nas diferentes
etapas adultas.
O jovem adulto, além de conquistar sua identidade profissional e
alcançar sua independência pessoal tão sonhada, na infância e adolescência,
atinge também seu desenvolvimento cognitivo máximo e o pleno vigor físico.
O professor ou líder de jovens e adultos não pode esquecer que os
adultos continuam adquirindo novos conhecimentos e estão aptos para aprender. A
diferença entre a educação de adultos e a infantil está na motivação de ambas
as fases. A criança e o adolescente muitas vezes veem a escola secular e/ou a
EBD como uma obrigação, enquanto o adulto está motivado para aprender. O
preparo do professor desta faixa etária é fundamental, para que o aluno se
mantenha sempre motivado.
Para facilitar o processo de aprendizagem adulta, é fundamental
levarmos em consideração as experiências, conhecimentos e habilidades trazidos
pelo aluno. O professor precisa ter um preparo intelectual que corresponda com
o desenvolvimento cognitivo que o aluno possui. A inserção de novos
conhecimentos e habilidades deve estar vinculada à realidade dessas pessoas.
A metodologia de ensino aplicada para jovens e adultos precisa
integrar, quanto mais possível, as atividades de ver, ouvir, pensar, falar e
fazer (atividades perceptivas, motoras e cognitivas). O professor deve usar
estratégias de ensino adequadas aos adultos. Quanto mais estas atividades são
introduzidas, maior e mais estável é a aprendizagem do aluno. Esta dinâmica
pode ser descrita como eminentemente participativa, favorecendo a permanência
do processo de aprendizagem.
4. O idoso
Ensinar pessoas da terceira idade é um grande desafio. Esta fase exige
alguns cuidados especiais. O professor precisa ter consciência de que está
lidando com uma faixa etária de pessoas que têm algumas limitações como:
enfraquecimento da memória, retardo do pensamento, acentuação dos traços de caráter,
tendência à rigidez mental e afetiva, dificuldade de mudar de hábitos,
egocentrismo etc.
A prática educativa envolvendo pessoas da terceira idade deve
considerar, além das limitações descritas, o contexto de vida do idoso e seu desenvolvimento
pessoal e social. A aprendizagem adulta tende a ser influenciada pelas
condições nutricionais infantis e pela fadiga. Por esta razão, há necessidade
de adequar as estratégias de ensino à realidade destes sujeitos.
O ensino na terceira idade é facilitado, quando oferecemos um ambiente
que propicie ao indivíduo segurança pessoal e possibilite a prática de conhecimentos
e habilidades significativas. A estratégia mais adequada à aprendizagem adulta
é a dinâmica participativa, que consiste em integrar atividades perceptivas,
motoras e cognitivas.
CONCLUSÃO
É importante compreendermos como se dá a aprendizagem, para que
saibamos usar elementos da Psicopedagogia nas salas da EBD; de igual modo, é
fundamental entendermos também o porquê do não aprender, mesmo quando o aluno
não apresenta nenhum comprometimento mental que explique tal dificuldade.
Jamiel de Oliveira Lopes é pastor; articulista; comentarista das
revistas juvenis da CPAD; mestre em Psicologia Clínica pela PUC-Campinas (SP); psicopedagogo;
professor universitário; psicólogo clínico; atuando profissionalmente com
adolescentes; adultos e casais; autor dos livros “Psicologia Pastoral"; “Psicologia
Aplicada a Educação Cristã"; “E Agora o que fazer?”, todos editados pela CPAD.
Extraído da Revista Ensinador Cristão, ano 24,
nº 92, p. 6. Rio de Janeiro: CPAD 2023.
Mais uma vez a Assembleia de Deus em Vitória do Mearim, liderada pelo pastor Osvanildo Farias de Albuquerque, entra na história das Assembleias de Deus no Maranhão hospedando o maior Congresso já conhecido no Estado. O 38º Congresso Estadual das Missionárias e Dirigentes de Círculo de Oração (UNEOMAD), que transcorreu nos dias 13 a 15 de julho com o tema: O Centenário do Movimento Pentecostal no Maranhão.
O Congresso reuniu mais de 3 mil mulheres assembleianas de todo o Estado do Maranhão, e, segundo os organizadores do evento, o número de mulheres inscritas foi ainda maior que o de 2016, superando assim todas as expectativas da igreja anfitriã do Congresso! Quem esteve presente neste congresso pode ver um dos maiores templos da Assembleia de Deus no Maranhão tornar-se pequeno para a quantidade de pessoas que ali se reuniram para adorar ao Senhor e aprender de Sua Palavra! O Congresso da UNEOMAD foi conduzido pelo presidente da CEADEMA, Francisco Raposo.
A Igreja
de Vitória hospedou no ano de 2011 o 29º Congresso da UNEOMAD que na época foi,
deveras, grande para o porte da nossa cidade. Alguns até comentaram que a
Igreja não tinha condições para tal. Deus nos surpreendeu. Todas as irmãs e
alguns obreiros foram hospedados nas residências dos irmãos e levaram uma boa
impressão desta Igreja, razão porque o de 2013 o 31º Congresso, foi maior
que o de 2011 (o 29º) e, de 2016 (o 34º) foi maior que o de 2013 e o atual (38º
- 2022) foi maior de todos.
Nossos
agradecimentos a todos os irmãos que contribuíram de forma dinâmica nos grupos
de apoio. Podemos destacar os líderes dos
grupos:
1.COORDENAÇÃO
GERAL – Pr. Marley Mendes, Pr. Everaldo Junior, Pr. Emerson, Pr. João Marcos, Pr. Abdiel Passos
2.INSCRIÇÃO – Diáconos: Ribamar Nogueira e Joacy Barros
3.HOSPEDAGEM – Diac. Paulo Nunes e Pr. Raimundo Maciel
4.RECEPÇÃO – Rute Samia
5.TRANSPORTE – Raimundo José Sá e Silva (Zuca)
6.CERIMONIAL e ORNAMENTAÇÃO – Missionária Aurilene Tavares
7.SONORIZAÇÃO – Jonielson Carvalho da Silva
8.PRIMEIROS SOCORROS – Helmaceny Prazeres Gomes
9.LIMPEZA – Pr. Gloudielson Santos (Branco)
10.REFEITÓRIOS – Pr. Jhonny Michael
11.SEGURANÇA – Rogério e Diac. Bina
12.ELETRICIDADE – Aldo Melo
Todos esses líderes montaram sua equipe, se dispuseram e foram à luta. Por esse motivo, esse 38º Congresso foi
uma bênção para todos que participaram.
JoãodizquetodosquantosreceberamaCristocomosalvador tornaram-sefilhosdeDeus,issoporquenãonasceramdacarnee nem do sangue, nem da vontade do homem, mas de Deus.
Nós nostornamosfilhos
de Deus por meio do novo nascimento (Jo 3.3,5),doravante,passamosaportaremnossoseraverdadeiraidentidadede filhosdeDeus,poisopropósitodoPaipelamortedeseuFilhoJesus
Cristo, é nos tornar semelhantes a Ele
(Rm 8.29). O Pai quer que tenhamosseustraços.
Portar a verdadeira identidade é ser idêntico, parecido com
Cristo, o Filho de Deus; é viver e andar como Ele andou, exercendo o papelde sal e luz neste mundo; é ser sincero em
sua atitudes, é ter umacasa, ou melhor,
uma vida firmada naquilo que é certo
e verdadeiro,demodoqueelapermanecerá firmecontratodotipodetempestade.
Para se ter a identidade defilho de Deus não basta simplesmenteconhecer manuais de como ser religioso, ou
fazer meditações. De nósmesmosjamaisproduziremosopadrãodevidaqueDeusdeseja; a final, nossa justiça é como um
trapo imundo (Is 64.6) e a purificaçãoverdadeirasóvemmedianteaféemJesus(1Jo3.3).
Quando fizemos a
leitura dos versículos anteriores, fazendomenção aos falsos profetas, ainda que se disfarçassem de
ovelhas, nãodemoraria para que a verdadeira identidade deles fosse
revelada,porém, logo que chegamos em Mateus 7.21-23, Jesus passa a
dirigir-separa cada um de nós e mostra que o que realmente tem valor
paraDeus é um viver em total retidão
e santidade. Sem essa verdadeninguémjamaisveráaDeus(Hb12.14).
ACONDENAÇÃODOSFALSOSSEGUIDORESDEJESUS
Umareligião verbalista –Muitos dos escribas e dos fariseus tinham
em sua mente que aforma como
procediam nos seus ensinos e no relacionamento comDeus, o Senhor, na
verdade, seria a crença correta, contudo, a crençadeles era mais verbalista. Jesus esclarece que algumas pessoas
podemchamá-lodeSenhor,vivercomosefossemverdadeiroscristãos,mas Jesus
não é o seu Senhor. Muitos podem usar o nome de Jesusaparentandoservi-lodeverdade,mastudonãopassadeilusão.
Existem pessoas que são ortodoxas quanto à doutrina,
aprendem eensinam sobre Cristo, sua
natureza e chamam-no de Senhor, todavia,não farão parte do Reino. É importante levar em
consideração queJesusnãoestácomesseensinocombatendoaortodoxia,vistoserela de vitalimportânciaparaocristão.Nãopodemosviveravidacristãse não acreditarmos que Jesus é o Filho de Deus, o qual foi enviado peloPai,sefezcarneehabitouentrenós(Jo1.14;Fp2.1-5),eéclaroque
devemos chamá-lo de Senhor, pela ação direta do
Espírito Santo (1Co12.13). Mas a grande questão é que quando passo a depender
daminhaortodoxia,issopoderámelevaràcondenação.
NinguémentraránoReinodoscéussemqueaomenosreconheçaJesus como Senhor (Fp 2.11). Nem todo grupo
religioso que dizSenhor, Senhor, entrará em seu Reino. Tiago é bem incisivo
em afirmar que até os demônios creem (Tg 2.19); lendo Marcos 5.7, uma legiãode demônios sabia e reconhecia Jesus como Filho de Deus, mas esseconhecimentonãoalteravanadanavidadeles.
Talvez você me pergunte: como é possível alguém ler a Bíblia,
falarsobre Cristo e não ser verdadeiramente cristão? Sem que
haja aimplantação da nova natureza
divina no homem, vindo do alto pelonovo nascimento (Jo 3.3,5), as verdades das Escrituras
serão para eleum tipo de filosofia
de vida, buscarão viver para o Senhorsimplesmente por temer o castigo eterno, e não por
reconheceremque são pecadores que
necessitam do Salvador, sua fé é apenasmental.
Além do elemento de uma crença mental, existe também oelemento do fervor carnal, ou seja, por vezes, um pregador ou irmãopoderá ser muito fervoroso, levando as
pessoas a julgarem-no comoespiritual,
zeloso com as coisas de Deus, mas devemos ter todo ocuidadonessequesito,poispodeserapenasdeumzelocarnal,mas
que não é marcado pelo verdadeiro conhecimento
(Rm 10.2). Onosso fervor deve se firmar
no servir a Cristo com amor (Rm 12.11),casocontrário,tudoserápuracarnalidade.
Quando atentamos bem para Mateus 7.21, Jesus mostra que nemtodosquepregam,ensinamoufazemsupostasmaravilhassãoverdadeiros,
porque o que falam de seus lábios jamais condiz com oque fazem. A expressão Senhor, Senhor, proferida de sua boca
nadamais é do que uma artimanha. Os tais se mostram servos fiéis de Jesus,porém, a vida prova o contrário (Ml 1.6; Lc
6.46). Por vezes, uma pessoa pode
querer apresentar uma santidade ou piedade tremenda,mas, na verdade, o que busca são lucros, vantagens humanas,
tudonão passa de mentira, como falou
Paulo e Pedro (1Tm 6.5; At 19.24;Fp
3.7). Os verdadeiros servos de Deus são pobres de espírito (Mt5.3).
Maravilhasnãocontribuemparatransformaçãodecaráter
– Todo cristão deve ser consciente de que
vivemos em um mundo defenômenos sobrenaturais. Os que lidam com as pesquisas
de taisfenômenos mostram que há pessoas que possuem ou
demonstram terpoderes psíquicos para realizar curas, adivinhar o
futuro, falar outrosidiomas sem
haver estudado, expulsar demônios, lidar com espíritos. Não negamos que
fenômenos sobrenaturais possam acontecer, mas existemtrêsfontesparaisso:ohomem,SatanásouDeus.Épreciso reconhecerqualéafontecerta.Poressemotivo,Joãodizquenão
se devecreremqualquerespírito(1Jo4.1).
É fácil para o mundo aplaudir aqueles que exibem seus
supostospoderesmiraculosos,porquetais“obras”podemparecerverdadeiras,mas não são. Devemos ser conscientes de que o simples fato dealguém realizar grandes feitos em nome de Cristo não é o critério correto para se dizer que ele tem comunhão com Deus.
Outrossim,a aprovação da maioria não quer dizer que tal profeta seja
verdadeiro.As realizações poderão vir de uma das três fontes acima
mencionadas,daí a necessidade de seter toda a cautela necessária.
No versículo 22 de Mateus 7, Jesus menciona três atitudes
quealguémpoderáfazerusandooseunome.Aprimeiraéprofetizar,cujosentido
é falar sob a inspiração divina uma mensagem espiritual,como também fazer predição do futuro. Seria uma
pessoa que,dotada do dom de profecia, ministra ao Corpo de Cristo (1Co
12.28;Ef 4.11). O uso de profecia em
Mateus fala de alguém que estavaexercendoaposiçãodemestrenaigreja.
Alguém pode profetizar algo verdadeiro sem que sua vida
sejaverdadeiramentetransformada.PodemosverissonapessoadeBalaão: o que ele falava acerca de Israel era verdade, mas era um falsoprofeta(Jd1.11;Ap2.14).
É possível sim que uma pessoa, em uso do nome de Cristo,
façagrandes maravilhas, cure, pregue, profetize, fale línguas,
sem que sejavindodafonteverdadeira,Cristo,originando-sedohomemsobo
poder e eficácia de Satanás. Quando lemos 1
Coríntios 13.1-3, Paulo deixabemclaroqueumapessoapodefazertodasessasobras mencionadas acima sem caráter, sem vida, sem comprometimentocom Cristo, sem amor. Isso prova que
maravilhas ou grandes feitosnão
contribuem para a mudança de caráter, nem para a entrada noReino.
Asegundaquestãoéquantoaoatodeexpulsardemônios.Nãosepode negar a realidade do mundo espiritual;
para combatê-lo, ocristão precisa estar revestido da armadura de Deus (Ef
6.10-20). Jesusdeupoderaosseusdiscípulosparaexpulsaremdemônios(Mt10.1), e a igreja, ao longo de sua existência, tem se valido dessa
autoridadepara combater esse poder
maléfico. Porém, nesse ensino de Cristo,uma pessoa pode até expulsar demônios e ficar fora do Reino deDeus,pelofatodesuavidanãoserrealmentetransformada.Mateus 10.1falaqueosdozeapóstolosreceberampoder.IssoincluíaJudas, cujo fimtrágicorevelouqueelenãoerarealmentetransformado.
Por fim, tem-se o uso do substantivo feminino milagres, que
do grego é dúnamis, poder, força, habilidade. Poder
inerente, poder quereside numa coisa
pela virtude de sua natureza, ou que uma pessoa, ou coisa, mostra e desenvolve,
poder para realizar milagres, podermoral e excelência de alma, poder e influência própria dos
ricos eafortunados, poder e riquezas que crescem pelos números,
poder queconsiste em ou baseia-se em
exércitos, forças, multidões, sendo maisdiretofalardeobraspoderosas,admiráveiseincríveis.
O apóstolo Paulo mostra que o cristão pode receber de Deus
odom de realizar milagres (1Co
12.10). O ministério desse próprioapóstolofoiconfirmadocomsinaisemaravilhas(Rm15.19).Observe que aqui Jesus não combate a
prática de sinais e maravilhas, mas asentença vem para aqueles que usavam o seu nome para esse fim semquerealmentetivessemsuasvidastransformadas.
Antes falamos das fontes por intermédio das quais esses
milagres podem acontecer. É preciso saber que os verdadeiros têm sua fonteem Deus, e os pseudo milagres têm sua
fonte em Satanás. Paracompreendermosisso,bastalermosÊxodo7.11-22,emqueéditoque os magos de Faraó fizeram o
mesmo que Moisés, em relação atransformar o cajado em serpente e as águas do Nilo em
sangue, maslogoemÊxodo8.18,comsuasciênciasocultas,nãopuderamfazeromesmo. Em Mateus 24.24, Jesus falou sobre os falsos profetas e seusmilagres não verdadeiros; Paulo revela tudo e diz que a operaçãodessesmilagresépelopoderdeSatanás(2Ts2.8.9).
Queridos irmãos, estejamos atentos para uma coisa: apenas arealização de obras espetaculares e
milagres não serve como sinalparaconfirmarouautenticarqueumadeterminadapessoaé escolhida ou usada por Deus. Somos alertados na Bíblia
quanto aosfalsos profetas (Dt 13.1-5) e falsos milagres, os quais se
realizam pelopoder de Satanás (2Ts
2.8-12). Quandofalamosemprofecias,expulsardemôniosemilagres, semprehaveráaquelesqueirãoquererimitaropoderdeCristoedos
seusseguidores.OstaisnãotêmaaprovaçãodeDeus,porissoserão julgadosecondenados,nãotendopermissãoparaentrarnoReino.
Ocritérioparaidentificaroverdadeirocrente –OapóstoloJoãofalouqueexisteo filhodeDeuseo filhodoDiabo(1Jo 3.10). Ninguém vai sair por aí dizendo que é filho do Diabo, mas eles existem sim. O grande problema de
Satanás é fazer com que as pessoas que são seus filhos pensem que são filhos
de Deus. Como édito em 2 Coríntios
11.14,15, ele se transforma em anjo de luz. Fazisso porque seu desejo é que as pessoas vivam
uma vida de aparências, pensando estar
caminhando para o céu, dizendo Senhor, Senhor, semdefatoestarcomprometidascomEle.
Satanás consegue seduzir pessoas para que vivam uma vida
cristãsuperficial, um cristianismo nominal, e, para consolidar
seu intentomaléfico,concedeaelaspoderpararealizarossupostossinais, levando a realmente crer que estão em Deus. Para vencer tal
engano éque Jesus adverte seus discípulos a não ouvir os falsos
profetas eidentificá-los por suas
doutrinas erradas e seus frutos podres. Não há comoserenganadopormilagresporqueJesusfalouaosseusseguidores que o mais importante não seriam os sinais, mas,
sim, ter aciência de que seus nomes estariam escritos no livro da
vida (Lc10.20).
Não se pode identificar o verdadeiro pastor, cristão,
pregador,mestre, profeta, os quais realizam feitos admiráveis,
somente pelossinais, uma vez que, aparentemente, estes podem apresentar
um estilodevidadesupostacomunhãocomDeus,mas,naverdade,não obedecem a sua Palavra, antes, andam segundo o seu querer. Nãodemoraráparaqueasuarealidentidadesejarevelada,quando perante os olhos daquEle que tudo vê será dito: “Nunca vos
conheci, apartai-vos demim,vós quepraticaisainiquidade”(Mt7.23).
EMQUEESTAMOSALICERÇADOS?
OuvindoomaiorPedagogodomundo
– Quem deseja
entender a importância do ouvir deve atentar para oque falou Salomão. Ele disse que a sabedoria vem pelo ouvir,
falouque o ouvir é melhor do que
qualquer sacrifício (Ec 5.1). Aquele quedespreza o ouvir, até sua oração será abominável (Pv 28.9), eresponderantesdeouviréestultícia(Pv18.13).Masaquiiremosfalar daimportânciadeouvirJesus.Nossavidaespiritualsópodecomeçar bem se procurarmos ouvi-lo, pois Ele é o dono da vida e somente dElevêmaspalavrasdevidaeterna(Jo6.68).
Mateus 7.24 (ARA) começa com Jesus se expressando: “Todo
aquele,pois que ouve estas minhas palavras [...]”. Na verdade, Ele
estava sereferindo à aplicação do
Sermão do Monte. O que se tem nosversículos24-27éaseçãoquepodemosconsiderarcomoodesfecho
ou o epílogo. Interessante começarmos dando uma
definição doverbo ouvir, que do grego é akoúo, estar dotado com a
faculdade deouvir,nãosurdo.Ouvir,prestaratenção,consideraroqueestáoutem
sidodito,entender,perceberosentidodoqueédito;ouviralguma
coisa.
Sequisermosterumaverdadeiravidaespiritual,nãopodemossairpor
aí ouvindo qualquer pessoa ou mestre. O essencial é começarouvindo a Cristo, pois só poderá ter
acesso aos portais do Reinocelestial,
à verdadeira salvação, ao destino verdadeiro, aqueles queprocurarem ouvi-lo. Jesus é o maior
Pedagogo do mundo, pois suaspalavras são cheias de vida e de verdade, elas vinham
diretamente doPai(Jo14.10).
Quem começa ouvindo o maior Pedagogo do mundo vai tersabedoria para escolher as coisas excelentes e praticar o que há demelhor, e do modo certo. É ouvindo a Cristo que não apenas seremosdiferentes, mas viveremos de modo diferente. Por meio do genitivogrego µου τοὺς λόγους (Minhas palavras), o
que procede dos lábios deJesusCristodaráumavidadequalidadeeestabilidade.
ABíbliadescreveSalomãocomoohomemmaissábiodaterra.Ele foi o terceiro rei do reino unido de Israel, reinou de 970 a 931 a.C., emlugardeDavi,seupai.Esse homem era grandemente sábio e sabemos que tal sabedoria
vinha do Senhor, porém, com toda sabedoria o
final de sua vida foitotalmente
um fracasso (1Rs 1-11). Creio que para alguém naquelaépoca ouvir Salomão falar era por demais
valioso, agora imagine ouvirJesus falar, ensinar, posto que Ele mesmo disse: “A rainha do Sul
se levantará, no juízo, com esta geração e a condenará; porque veio dos confinsdaterraparaouvirasabedoriadeSalomão.Eeisaquiestáquemémaior queSalomão”(Mt12.42,ARA).
Aimportânciadobomalicerce – No aspectogurativo,
somos comparados a uma casa. Isso está bemclaro em Apocalipse 3.20. Assim, podemos começar fazendo
umapergunta: Por que grandes casas
humanas caem? Por que grandesministériosfracassam?Porquemuitoscasamentosacabam?Aresposta é:porquemuitascasassãoconstruídascomtijoloserrados,rebocadas e pintadas com a
tinta da aparência (At 23.3). Para a casa ser bemedificada espiritualmente e não cair, a construção precisa ser
feitacombonsmateriais(1Co3.10,12;Lc14.28),sobreumbomalicerce.
A vida espiritual não pode ser construída de qualquer
maneira,colocando qualquer tipo de material como palha, feno,
madeira,ouvindo qualquer pessoa (Sl 1.1,2). Daí a razão de Paulo
dizer: “Vejacada um como edifica”
(1Co 3.10,12). É preciso, da parte do edificante,muita sabedoria e prudência na edificação de sua vida
espiritual. Quemprocura edificar sua vida nas palavras dos homens, e não
nas palavrasde Cristo, pode ter certeza de que a sua construção caírá,
poissomenteJesusedificaacasa(Sl127.1).
Arelevânciadopraticar –O verbo praticar no grego é poiéô, e quer
dizer produzo, ganho,provejo, pratico, uso de construir, formar, modelar.
Note que está notempo presente, voz ativa, modo indicativo. O verbo
edificar dogrego, que aparece no texto, é okodómêse
(tempo-aoristo, voz ativa,modo
indicativo). Fala do ato de alguém construir uma casa, fazeruma construção, mas no sentido metafórico
significa construir comsabedoriaparapromovercrescimento(1Co3.10;Tg1.5).
Importante dizer que só pode se lançar ao ato da construçãoaquelequeforsábio,poisoinsensatoouveoensinodeJesus,masoignora,istoé,nãopraticaoqueEledisse;porém,háalgodeespecialparaaquelequebuscafazeravontadedeDeus.Primeiramente,revelaoquantoésábioeprudente,ealémdissohaverárecompensaparaa suavida.
Vemos em Mateus 7.24-27 o contraste entre os dois tipos deconstrutores. Os dois constroem as suas casas, inclusive ambas têm amesma aparência. Contudo, apenas uma delas suportará o testequando vier a tempestade. O que ouviu as palavras de Jesus, mas nãofezcasodelas,frenteaosvendavaisquevirão,comonãotemraiz,
firmeza, sua construção será de pouca duração (Mt 13.21), sua vidasofrerá destruição total, que é uma referência ao juízo divino (Mt7.13,14), sendo separado definitivamente de Deus (Mt 7.22,23). Dessaforma ficou revelado que aquele
que aparentava ser realmente deCristo, de estar firmado
nEle, sua fé não passou pelo teste datempestade,masreveloudefatocomoeraaconstruçãodesuavida. Queridos,
saibamos que o ouvir e o praticar não podem estardesassociados da vida cristã. Essas duas
palavras precisam andar eestar
juntas em nossa vida. Se assim não for, a imprudência e a escolhade materiais péssimos para a construção de
nossas casas espirituais iráacontecer;
não somente isso, a queda é certa. Os falsos profetas serãocondenadosporqueouvemosensinosdeCristo,masoignoram,nãopraticando; já os autênticos servos de Cristo são ouvintes
e praticantesdaPalavra.
JESUS:ANOSSAVERDADEIRAIDENTIDADE
Jesus,nossomaiorpregador
– Duas coisas caracterizavam o ministério de
Jesus: o ensino e apregação (Lc
4.23). Ele fazia isso nas sinagogas. O culto que eradesenvolvido nas sinagogas era marcado pelo
louvor, oração, leitura eexposição da Lei feita por um rabino ou outra pessoa qualificada.
Ointeressante é saber a razão de
Jesus ter sido aceito para ensinarnessas sinagogas, visto que Ele não vinha de uma tradição
judaica daépoca,tendoseguidograndesescolas.Naverdade,oquese conjecturaéquedevidoaosgrandesmilagresoperadosepelos ensinosqueproferia,eravistopormuitoscomoumbommestre,o quelevouàsuaaceitação.
Opropósitodoensinoétransmitirconhecimento,porém,émais do que isso. Trata-se da capacidade
que uma pessoa tem de tirar dateoria e levar outra pessoa a colocar em prática aquilo que
lhe foitransmitido, explicando de modo pormenorizado como deve
viver eobedeceràféquelhefoipregada.
Mas é dito de Jesus também que Ele pregava. Do grego é o
verbo kerússo, ser um arauto, oficiar como um arauto, proclamar como umarauto,semprecomsugestãodeformalismo,gravidadeeumaautoridade que deve ser escutada e obedecida; publicar,
proclamarabertamente algo que foi
feito. Usado na proclamação pública doevangelho e assuntos que pertencem a ele, realizados por
João Batista,por Jesus,pelos apóstolose outrosmestrescristãos.
Apregaçãotemcomoobjetivoinstruiroscristãos,desejandoardentementequecadaumcresçanaféenaPalavra.Porintermédio da mensagem
pregada, o pregador, no poder do Espírito, conseguepenetrar na mente e no coração do ouvinte, razão pela qual Pauloincumbiu Timóteo dessa grande responsabilidade (2Tm 4.2). Apregação não pode ser descartada por um pastor, pois ela é umaordemdeCristo(Mc16.15). Podemos dizer que Jesus é o nosso maior ensinador e
pregador,modeloquedeveserseguidoportodosospregadoresdaatualidade.
Em Mateus 4.23, seu ministério era desenvolvido de três
maneiras:ensinando, pregando e
curando. Quando ensinava, mostrava queestavainteressadonoaprendizadodetodos;pelapregação,evidenciava seu cumprimento no dever e na missão para a qual veio aestemundo,salvarospecadores;e,quandocurava,buscavaa integridade física das pessoas. No demais, esses milagres
confirmavamouautenticavamseuensinoepregação,mostrandoquerealmenteera oenviadodeDeus.
Jesus sabia do valor da pregação, pois falou que a geração
dotempo de Jonas se arrependeu pelo
poder dela (Mt 12.41). Ele nãopregava
por fama, nem buscando posição ou reconhecimento porparte das pessoas, mas fazia isso procurando cumprir o seu
dever,sabendo que somente pela
pregação verdadeira e sincera é que aspessoaspoderiamsearrependerevoltarparaDeus.
Aautoridadedo ensinode Cristo – OquesetememMateus7.28,29éaconclusãodetudoqueJesus
ensinou,masotextomostraoefeitoquesuaspalavrascausaramemseus ouvintes. Psicologicamente, os ouvintes de Cristo estavam comofora de si, fascinados, em grande espanto. Atente para a expressão“maravilhado”, que do grego é o verbo
ekplesso,comumente,entrarempânico,ficarchocado,espantar-se,ficarassombrado.
É por demais difícil no nosso português ou em outro idiomatraduzirrealmenteoqueaquelaspessoasestavamsentindonamente e no coração, ainda que se fale em extasiado, maravilhado,
pânico,admiração, perplexidade, não
tem como dissecar sua essência. Ocertoéqueficaramforadesi.
O que causou impacto no coração dos ouvintes arrebatando
seussentidos foram duas coisas: a primeira, a doutrina que
Jesus ensinava(do grego é didache, ensino, aquilo que é ensinado,
doutrina, ensino arespeito de algo,
o ato de ensinar, instrução); em segundo lugar, suaautoridade, que não vinha dos escribas nem dos fariseus, os
quaisquando iam ensinar apelavam
para as escolas tradicionais da época, seus antigos professores, as opiniões
dos mais notáveis rabinos eseguiam as tradições das interpretações. Isso era
repetitivo e cansativo,pois muitos já sabiam de suas falas tediosas. A autoridade
do ensino de Jesus vinha diretamente do Pai (Jo 7.16),
tocava o espírito e a almahumana, gerava sede no coração dos mais humildes e conflito
nasmentesmaisbrilhantes(Lc15.1;Jo3.4,4.29).
Mas podemos analisar que as pessoas sentiam satisfação em
ouvirJesus porque viam sinceridade e verdade em suas palavras
(Jo 14.6;18.37), ao passo que o
ensino dos escribas e dos fariseus estava em boa parte marcado de velhas
tradições e inverdades (Mt 5.21). Outro motivo pelo qual o povo gostava de ouvir Jesus é que Ele nãocomplicava, mas descomplicava, procurava tratar de assuntos não parapolemizar, mostrar erudição, mas para que cada pessoa encontrasse umarazãoparaviver,umavidamelhor,pensassenaeternidade,no céu,nãoseprendiaemcoisastriviais(Mt23.23;Lc11.42).Jesusera
bemsistemáticoedireito,nemprolixoenemdivagavanoquefalava.
O povo via que o ensino de Jesus não vinha dosmeros livros de tradições humanas, as
fontes da época, das escolas deHillel e Shamai, as quais eram fontes rotas (Jr 2.13); o
seu ensinovinha do Pai (Jo 8.26),
fazia parte de sua natureza, de modo que aofalar
era algo que brotava do fundo do coração (Mt 5.17; 4.4,7,10). Apalavra autoridade é um substantivo
feminino grego, eksousía, poderde
escolher, liberdade de fazer como se quer, licença ou permissão,poder físico e mental, habilidade ou força com a qual alguém édotado,queelepossuiouexercita.
Jesuscomonossaidentidade – O conceito de identidade é
a qualidade do que é idêntico, do latimidentitas,ātis,omesmo.Jesusdissequedevemosserperfeitoscomoo
Pai, isto é, nos identificarmos
com Ele. Observe que o adjetivoperfeito,
téleios, fala de algo que é levado a seu fim, finalizado, que não carece de nada para
estar completo, adulto, maduro, maioridade.NomomentoemquenosidentificamoscomCristopormeio
desuamorte,depoispormeiodosseusensinosedesuasverdades, que
sempre apontam para o Pai celestial, haveremos de sempre nos esforçarmos
para expressar as características do Pai, amaremos atodosincondicionalmente,teremosfomeesededejustiça. (GOMES, Osiel. Os valores
do reino de Deus: a relevância do Sermão do Monte para a Igreja de Cristo.
Rio de Janeiro: CPAD, 2022. p. 147-157.)