sexta-feira, 17 de maio de 2019

LIÇÃO 7: O LUGAR SANTO


SUBSÍDIO I

O LUGAR SANTO

O homem pecador sai da parte exterior por meio do sumo sacerdote para descobrir que, para chegar ao Lugar Santíssimo, a caminhada é progressiva. O homem também descobre que o Tabernáculo foi projetado para passar ao povo uma noção de relacionamento progressivo com Deus. Dentro dessa conscientização, o homem descobre ainda que, quanto mais próximo de Deus, maior é a responsabilidade, porque Deus é Santo, e nenhuma possibilidade de sujeira entra na sua presença. Também veremos que o Senhor deseja uma relação íntima com o seu povo, de tal modo que a ordem para construir o Tabernáculo era para que Ele pudesse habitar com o seu povo e no meio dele. 
O texto neotestamentário em Hebreus 9.2,3 mostra a distinção dos dois compartimentos do Tabernáculo e chama ao primeiro “Santuário” e ao segundo “Santo dos Santos”. O texto bíblico diz: “Porque um tabernáculo estava preparado, o primeiro, em que havia o candeeiro, e a mesa, e os pães da proposição; ao que se chama o Santuário. Mas, depois do segundo véu, estava o tabernáculo que se chama o Santo dos santos” (Hb 9.2,3). Os dois compartimentos do Tabernáculo também eram identificados como “Lugar Santo” e “Lugar Santíssimo”.

I – LUGAR SANTO: UM LOCAL DE SERVIÇO E COMUNHÃO COM DEUS 

1. Que Lugar É esse?

O “Lugar Santo” era um lugar de serviço, onde somente os sacerdotes podiam entrar para ministrar (Hb 9.6). Os israelitas apenas podiam trazer suas ofertas ao Altar de holocaustos e não podiam passar dali. O povo tinha acesso ao Pátio (Átrio), mas a entrada para o Tabernáculo era proibida. Porém, quando Cristo entrou no Lugar Santo e no Lugar Santíssimo com o seu próprio sangue, todos os crentes em Cristo, havendo sido redimidos e santificados, têm o privilégio de entrar na presença de Deus e exercer uma nova posição em Cristo como “sacerdotes de Deus” (ver Ef 2.18,19; Hb 10.19-22).

2. Um Lugar de Serviço e Adoração

O Modelo Divino do Tabernáculo

A morada terrenal levantada chamada “Tabernáculo” (do hebraico, misklan = “morada”) não ficava exposta, mas tinha uma cobertura de peles que a protegia do sol causticante do deserto. Era a casa que Deus ordenou a Moisés construir para sua morada do Altíssimo (ver Êx 25.8). A parte interna tinha um caráter bem particular. Era um lugar especial, de privilégio e com exclusividade para o serviço dos sacerdotes diante de Deus.
Esse modelo foi dado a Moisés quando subiu ao Sinai. Era a revelação do lugar no qual Deus habitaria com o seu povo, ou seja, a primeira morada de Deus sobre a terra (ver Êx 25.8). Durante os quarenta dias em que Moisés esteve no alto do monte, aquela montanha alta tornou-se um lugar santo, de exclusividade divina, pois Deus mostraria sua glória a Moisés no ponto mais alto. Imaginem um lugar ermo e de pedras esquecidas dos homens que, de repente, se torna num lugar da manifestação da glória de Deus. 
Naquele monte, Moisés recebeu a planta de tudo quanto o Senhor queria no Tabernáculo. Deus foi o arquiteto e concedeu a ajuda do seu Espírito na seleção das pessoas habilitadas em várias atividades que envolviam habilidade com madeira e metais. Nesse modelo divino do Tabernáculo, está revelado tipologicamente que Jesus Cristo edificou sua Igreja, o Tabernáculo espiritual aqui na terra. Na verdade, todos os detalhes do Tabernáculo demonstram em seu conjunto a revelação de Jesus Cristo, em sua pessoa, em seu sacrifício e em seu sacerdócio eterno. 

3. O Propósito do Lugar Santo 

Antes de adentrar no Santuário, do lado de fora, dentro da cerca de linho fino retorcido, estava o Altar de Sacrifícios, que representa a Cruz de Cristo, na qual Ele, como verdadeira vítima expiatória, seria oferecido por nossos pecados (ver 1 Jo 2.2). Isso significa que, antes de entrar no Santuário, o pecador precisa passar pelo Altar de Sacrifícios. 
Outrossim, os móveis e outros materiais utilizados no Tabernáculo possuem um significado simbólico para cada elemento. A sua distribuição nos lugares certos passa a ter um sentido espiritual simbólico. A partir do Pátio (ou Átrio) até entrar no Santuário, todos os objetos do Tabernáculo, tanto os que estão fora quanto os que estão dentro, servem de “exemplar e sombra das coisas celestiais” (Hb 8.5). O autor da carta aos Hebreus reconhece o significado simbólico e diz: “Olha, faze tudo conforme o modelo que, no monte, se te mostrou” (Hb 8.5). O Novo Testamento reforça o projeto celestial do Tabernáculo para fortalecer o fato de que a Igreja seria a demonstração da presença de Deus na terra e que Jesus Cristo foi a manifestação do “Verbo [que] se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1.14). A palavra “habitou”, de João 1.14, aparece na língua grega do NT como “skenoo”, que significa “tenda, habitação, tabernáculo”. O apóstolo João, portanto, declara que Jesus foi o verbo que se encarnou, habitou entre nós e que fez da Igreja o seu Tabernáculo, isto é, o lugar onde Ele habita. 

4. Lições da Tipologia do Tabernáculo em Relação a Israel e à Igreja 

Em relação a Israel, aprendemos que apenas Arão e seus filhos, da tribo de Levi, eram sacerdotes escolhidos por Deus para essa função na vida religiosa de Israel (Êx 28.1; Nm 3.5-10). Para ser um sacerdote em Israel, era preciso ser nascido na família de Levi e pertencer a sua tribo.
Em relação à Igreja, nenhuma pessoa por nascimento natural tem direito a um sacerdócio espiritual (ver Rm 3.23; Ef 2.12). A Igreja, porém, é fruto de um nascimento espiritual, que, na linguagem neotestamentária de Jesus, se refere ao novo nascimento, que torna filhos de Deus todos quantos aceitam a Cristo Jesus como Senhor e Salvador (ver Jo 1.12,13; Ef 2.13; 1 Pe 2.9), tornando-se, assim, “sacerdotes para com Deus”. 
Em relação a Israel, a aceitação dos israelitas diante de Deus era mediante os sacrifícios do Altar de Sacrifícios e, depois, lavados pela água límpida da Pia Lavatório, bem como a unção com azeite da Santa Unção (ver Êx 30.25-30). 
Em relação à Igreja, nossa aceitação para com Deus, o Pai, foi feita no Amado, limpos pela regeneração do Espírito Santo e da Palavra de Deus e ungidos com o Espírito Santo. Esse direito de aceitação diante de Deus foi, portanto, conquistado pelo sangue de Cristo Jesus (Hb 10.17-25).
Para entendermos a importância do “Lugar Santo” e a sua tipologia na vida cristã, precisamos entender que, na esfera celestial, os objetos do Lugar Santo são tipificados pelas coisas que estão no céu. Precisamos, portanto, descobrir a tipologia dos objetos que estavam na parte interna do Lugar Santo (ver Êx 26.35; Hb 9.1,2). 

Texto extraído da obra “O TABERNÁCULO”, editada pela CPAD. 

COMENTÁRIO E SUBSÍDIO II

INTRODUÇÃO

Nesta lição falaremos sobre a parte interior do tabernáculo ou da tenda, chamada de lugar santo; pontuaremos detalhadamente os utensílios pertencentes a este lugar; e , finalizaremos destacando que cada móvel pertencente ao lugar santo aponta para uma atribuição de Cristo Jesus.

I – INFORMAÇÕES SOBRE O LUGAR SANTO

Todo o tabernáculo junto com os seus utensílios eram sagrados. No entanto, no tabernáculo propriamente dito, havia um lugar chamado de “lugar santo” (Êx 26.33). Este espaço media cerca de cinco metros de largura e de altura e dez metros de comprimento (CONNER, 2015, p. 52). Abaixo destacaremos algumas informações sobre isso:

1.1 A primeira parte do tabernáculo. Internamente a tenda, estava dividida em duas partes: lugar santo e lugar santíssimo. O escritor aos hebreus chama de “primeiro tabernáculo” e “segundo tabernáculo” (Hb 9.6,7).

1.2 Um lugar de acesso restrito aos sacerdotes. O acesso ao tabernáculo era cheio de restrições. O povo comum só podia entrar até o pátio. Somente os sacerdotes podiam entrar até o “lugar santo”; já no santíssimo só entrava o sumo sacerdote, uma vez por ano (Êx 30.10; Lv 16.34; Hb 9.7).

1.3 Um lugar com três utensílios importantes. No lugar santo haviam três móveis, a saber: o castiçal, a mesa com os pães e o altar de incenso, todos de ouro, embora somente o castiçal fosse completamente de ouro.

II – O CANDELABRO E A SUA MANUTENÇÃO

2.1 Descrição. Em hebraico a palavra que indica o candeeiro, castiçal, candelabro ou simplesmente lâmpada que era usado no tabernáculo e posteriormente no templo de Jerusalém é “menorah” (Êx 25.31-40; 37.17-24; Zc 4.2-5,10-14). Notemos algumas informações importantes sobre este utensílio: (a) era totalmente de “ouro puro e batido” bem como os seus utensílios (Êx 25.31,36,39; 31.8; 37.24; 39.37); (b) tinha sete hásteas com sete lâmpadas; uma localizada na coluna central, e três saindo de cada lado em braços separados (Êx 25.37; 37.17-22; Nm 8.2); (c) seu peso era cerca de um talento (cerca de 40 a 50 kg), e segundo a tradição judaica media 1,5 metro de altura por 1,0 metro de largura de uma extremidade a outra; (d) era formado de uma única peça de ouro, pelo que não havia partes separadas ou emendadas (Êx 25.31; 37.17). A coluna ou talo central do candelabro era decorada com quatro cálices esculpidos em forma de flores de amendoeira, alternando-se entre botões e flores e cada uma das hastes laterais tinha três cálices, alternando-se da mesma forma entre botões e flores (Êx 25.31-36; 37.17-22); (e) Uma das principais finalidades do candeeiro era trazer luminosidade na parte interior do Tabernáculo (Êx 27.20,21; Lv 24.1-4).

2.2 O castiçal e a sua manutenção. Arão e seus filhos deviam preparar as lâmpadas cada vez que oferecessem incenso no altar de ouro: “manhã e tarde” (Êx 30.7,8). Para que as lâmpadas permanecessem acesas era ordenado que trouxessem “azeite puro” (Êx 27.20; Lv 24.1,2). O sacerdote tinha duas tarefas diárias que não podiam ser esquecidas: manter aceso o fogo sobre o altar (Lv 6.12,13) e manter acesas as lâmpadas do candelabro dentro da tenda durante todo o dia, sendo assim, a luz não podia ser apagada em momento algum. A expressão “continuamente” aparece por três vezes (Lv 24.2-4). Era função do sacerdote: (a) aparar os pavios, retirando a parte queimada, e, (b) manter o suprimento de azeite (Êx 27.21; Lv 24.3; Nm 8.1-3). Arão usava cortadores de pavio e apagadores para cumprir suas funções sacerdotais (Êx 37.23,24) (HENRY, 2010, p. 427).

III - A MESA DOS PÃES E A SUA MANUTENÇÃO

3.1 Descrição. A mesa com os pães da proposição era feita de: (a) madeira de acácia ou cetim; (b) tinha dois côvados de comprimento (100 cm), um côvado de largura (50 cm) e, um côvado e meio de altura (75 cm), revestida ao redor com ouro puro e uma moldura de ouro em volta (Êx 37.10-12). Para a ministração na mesa da proposição, Deus estabeleceu a fabricação de alguns utensílios, que deveriam ficar sobre ela (Êx 25.29). Os pratos serviam para colocar os pães; as colheres eram cálices para colocar o incenso sobre os pães, identificando-o como sacrifício (Lv 24.7). As galhetas (tigelas) e as taças (copos), eram para armazenar e despejar o vinho (não alcoólico) em oferta de libação. Todos estes utensílios eram feitos de ouro puro (BEACON, 2010, p. 208 – acréscimo nosso). A parte superior da mesa descansava sobre uma armação, e em volta dela havia uma coroa ou moldura de ouro, projetando-se sobre a parte de cima para impedir que os objetos caíssem dela. Na mesa havia ainda, uma argola em cada esquina para permitir que ali fossem introduzidas os varais, a fim de transportar a mesa (Êx 25.23-28).

3.2 A mesa e a sua manutenção. Os coatitas eram responsáveis de assar os pães da proposição de “sábado em sábado”, bem como de transportá-los quando o tabernáculo mudava (Nm 4.7; 1Cr 9.32; 23.28,29). Cada pão era feito de farinha finíssima, ou seja, a farinha de trigo da melhor qualidade. Os sacerdotes comiam dele no Lugar Santo, quando era trocado no sábado (Lv 24.7-9).

IV - O ALTAR DO INCENSO E SUA MANUTENÇÃO

4.1 Descrição. Deus mostrou a Moisés que este altar deveria ser: (a) de madeira de acácia (Êx 30.1); (b) com um formato “quadrado” ou “quadrangular” e precisas medidas que equivalem a “50 cm de comprimento, 50 cm de largura e 100 cm de altura” (Êx 30.2); (c) forrado de “ouro puro” completamente (Êx 30.3); (d) deveria ter “quatro pontas”, uma em cada canto (Êx 30.2); (e) duas argolas nos cantos, para receber os varais e ser transportado junto com o tabernáculo, quando necessário (Êx 30.4; 37.25-27); e, (f) uma moldura (coroa) desenhada a volta do altar e abaixo desta (Êx 30.3-b).

4.2 O altar do incenso e a sua manutenção. O altar de ouro foi construído para que unicamente nele se queimasse incenso ao Senhor (Êx 30.7,8). Neste, não poderia ser oferecido incenso estranho nem ofertas de sangue, nem libações (Êx 30.9). Somente uma vez no ano, o altar do incenso era purificado com sangue de um sacrifício oferecido no altar do holocausto (Êx 30.10). Os sacerdotes tinham acesso ao altar de ouro para oferecer incenso no tempo aprazado (Êx 30.7,8). Era neste altar que Deus se encontrava particularmente com a pessoa que, dia a dia, oferecia o incenso (Êx 30.6-b).

V – OS MÓVEIS DO LUGAR SANTO APONTAM PARA CRISTO JESUS

5.1 O castiçal aponta Jesus como a luz do mundo. O castiçal no seu formato prefigura o Messias. Assim como o castiçal tinha sete braços (Êx 25.31-36); do Messias procederia o Espírito com Suas sete virtudes: “E repousará sobre ele o Espírito do SENHOR, o espírito de sabedoria e de entendimento, o espírito de conselho e de fortaleza, o espírito de conhecimento e de temor do SENHOR” (Is 11.2). O castiçal também prefigura Cristo na sua função iluminadora. O profeta Isaías anunciou que a vinda do Messias traria luz ao mundo (Is 9.2; 60.1-2). Por ocasião do nascimento de Jesus, o evangelista Mateus afirmou que a profecia de Isaías se cumpriu: “O povo, que estava assentado em trevas, viu uma grande luz; e aos que estavam assentados na região e sombra da morte a luz raiou” (Mt 4.16). O apóstolo João afirmou o seguinte acerca de Jesus: “E a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam” (Jo 1.5). O apóstolo ainda declara em João 3.19-20: “[…] a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz […]”. O próprio Jesus disse: “Eu sou a luz do mundo” (Jo 8.12 ver 9.5).

5.2 A mesa dos pães aponta para Jesus como o pão vivo. Os pães da proposição também apontam tipologicamente para o Senhor Jesus Cristo. Vejamos:
· Sua perfeição moral. Como o pão da proposição não tinha em sua composição o fermento (JOSEFO apud CHAMPLIN, 2001, p. 419), que em alguns textos bíblicos é um símbolo da corrupção moral (Mt 16.11; Mc 8.15; 1Co 5.6-8; Gl 5.9), serve como figura da pureza de Jesus (Lc 1.35; 2Co 5.21; Hb 4.15; 1Pd 1.18,19);
· Seu sofrimento. Para a preparação do pão da proposição, foi usada da melhor farinha obtida de grãos inteiros do trigo. Para que esse trigo se tornasse adequado, ele tinha que ser triturado até se tornar pó finíssimo. O Senhor Jesus Cristo, como trigo, foi moído (Is 53.7,10), sendo Ele o nosso pão da vida (Jo 12.24). Não menos importante, para o pão servir de alimento precisava ser assado (Lv 24.5). Sendo também esse processo uma alusão ao intenso sofrimento do Filho de Deus no Calvário (Mt 3.11; Lc 3.16; Hb 9.14; 12.29);
· Sua provisão. Jesus é o Pão da Vida (Jo 6.48), que se fez carne para morrer por nossos pecados (Jo 6.38,51), que sustenta os homens também no âmbito espiritual (1Pd 2.9; Ap 1.6). O pão da proposição prefigura “o grão de trigo” (Jo 12.24), que foi sujeitado ao fogo do julgamento divino em lugar dos homens (Jo 12.32,33). Cristo é o nosso pão espiritual, descido do céu (Jo 6.33,38,50,58), que provisionou a toda humanidade (Jo 3.16) através da fé em sua morte e ressurreição (Ef 2.8; 1Pd 1.21), a vida eterna: “Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em mim tem a vida eterna” (Jo 6.47; ver 6.54-58). 5.3 O altar o incenso aponta para a intercessão de Jesus. Somente os sacerdotes estavam habilitados para a queima do incenso na presença do Senhor (Êx 30.7,8), pois eles eram mediadores entre Deus e o povo (Hb 5.1). Cristo, como nosso sacerdote eterno (Sl 110.4; Hb 6.20), que está a destra do Pai (Cl 3.1; Hb 1.3; 8.1; 10.12; 12.12), intercede por nós (Rm 8.34; Hb 7.25). É em seu nome que oramos e obtemos a resposta (Jo 14.13,14; 16.24). Por sua morte na cruz, fomos feitos sacerdotes (1 Pd 2.9; Ap 1.6; 5.10), e com isso podemos comparecer a presença de Deus por meio da oração e sermos atendidos segundo a Sua vontade (1 Jo 5.14), em tempo oportuno (Hb 4.16).

CONCLUSÃO

Cristo é retratado no lugar santo por meio dos utensílios que nele estão: o castiçal aponta para Cristo como a luz do mundo; a mesa dos paẽs remete-nos a Cristo como o pão da vida; e, por fim, o altar do incenso fala-nos da contínua intercessão de Cristo pelos Seu povo.


COMENTÁRIO E SUBSÍDIO III

INTRODUÇÃO

Local de serviço e de comunhão com Deus, as peças do Tabernáculo denotavam a sacralidade do lugar; os dois véus realçavam a santidade que o local requeria. O Lugar Santo tem muito a nos dizer. Por isso, estudaremos a sua simbologia, pois esta tem muito a ensinar-nos nestes dias difíceis e trabalhosos. Há consolação neste estudo.
Como já sabemos, o Tabernáculo possuía duas divisões, sendo a primeira o Lugar Santo, onde haviam três das sete peças de móveis feitas para o Tabernáculo: o Candelabro (Êx. 37:17:23), a Mesa dos Pães (Êx. 37:10-16) e o Altar do Incenso (Êx. 30:1-8). Na mesa eram postos os pães da proposição, em número de doze (um para cada uma das doze tribos), que eram apresentados quentes cada sábado (Êx 25.30). Era uma oferta de ação de graças, e o seu nome provinha de ser posto esse pão continuamente diante da face do Senhor. Aqueles pães só podiam ser comidos legitimamente pelos sacerdotes, e unicamente no pátio do lugar santo (Lv 24.9). Neste primeiro compartimento acontecia todo ritual de ofertas e sacrifícios - "Ora, estando estas coisas assim preparadas, entram continuamente na primeira tenda os sacerdotes, celebrando os serviços sagrados" (Hb 9.6) – Dito isto, convido-o a pensar maduramente a fé cristã!

I. LUGAR SANTO: UM LOCAL DE SERVIÇO E COMUNHÃO COM DEUS
                                                                 
1. Que lugar é esse? O texto de Êxodo 26.33 mostra a distinção dos dois compartimentos do Tabernáculo. O primeiro é chamado de “Santuário” ou Lugar Santo, e o segundo “Santo dos Santos” ou Lugar Santíssimo. O primeiro aparece como local de serviço, no qual somente os sacerdotes podiam entrar para oficiar diante de Deus (Hb 9.6). Os israelitas limitavam-se a trazer suas ofertas ao altar dos holocaustos. O povo tinha acesso ao Pátio (Átrio), mas não ao Lugar Santo.
O tabernáculo era uma tenda retangular muito grande, feita de várias camadas de cortinas apoiadas em colunas de madeira revestidas com metais preciosos. À volta da tenda havia um pátio retangular, delimitado por mais cortinas e colunas. O povo ficava no pátio do tabernáculo, onde os sacerdotes ofereciam os sacrifícios no altar dos holocaustos e abençoavam o povo. Uma bacia de bronze com água ficava à entrada da tenda, para os sacerdotes se lavarem antes de entrarem (Êx 30.19-21). A tenda possuía dois compartimentos, o primeiro, era chamado ‘Lugar Santo’ e dentro, havia um candelabro, que iluminava o local, e uma mesa, onde se colocavam 12 pães. Apenas os sacerdotes podiam entrar. Junto do véu, ficava o altar do incenso.

2. Um lugar de serviço e adoração. No Tabernáculo, havia uma porta e dois véus. Esses três elementos impediam a entrada de pecadores na presença de Deus. O caminho para Deus começava com o derramamento do sangue inocente dos animais, a fim de restaurar a vida do pecador. Era um lugar de serviço, porque ali eram ministrados sacrifícios ao Senhor. Mas também era um local de adoração e profunda reverência. Nos dias atuais, devemos ter o mesmo espírito quando exercemos um ministério na igreja local ou apresentamos o nosso culto ao Pai Celestial (Rm 12.1,2). Quando nos reunimos, ministramos uns aos outros, mas, sobretudo, todos estão reunidos para adorar ao Criador. 
- Somente os sacerdotes podiam entrar no Lugar Santo do tabernáculo, se aproximando de Deus depois de se purificarem e com roupas especiais. Só podemos nos aproximar de Deus quando somos purificados dos pecados. A Bíblia diz que todos os que são salvos por Jesus são sacerdotes e podem entrar na presença de Deus, porque Jesus nos purificou (1Pd 2.9; Hb 10.21-22). Agora podemos participar das coisas sagradas, sem medo nem culpa. Para aqueles em Cristo, a única adoração aceitável é oferecer a si mesmo completamente ao Senhor. Debaixo do controle de Deus, o corpo ainda não redimido do cristão pode e deve ser rendido a ele como um instrumento de justiça (Hb 6.1,13; 8.11-13). A luz de todas as riquezas espirituais que os cristãos desfrutam exclusivamente como o fruto das misericórdias de Deus (Rm 11.33,36), segue-se logicamente que eles elevem a Deus a sua mais elevada forma de culto.

3. O propósito do Lugar Santo. Tinha-se como principal função ser o local onde os sacerdotes ministravam sacrifícios pelas diversas espécies de pecados cometidos pelo povo israelita. A cada violação individual, familiar ou nacional, o sacerdote entrava no Lugar Santo e apresentava a Deus um sacrifício. Ali, estava explícita a santidade de Deus, pois esse lugar era o local adequado para restaurar a vida do pecador diante de Deus. Entretanto, a apresentação dos sacrifícios não era perfeita nem suficiente, como registra a Epístola aos Hebreus (Hb 9.11-14). Hoje, sabemos que foi Cristo quem apresentou um sacrifício perfeito e suficiente no “Lugar Santo”, por meio de seu próprio sangue, garantindo-nos, em seu nome, a remissão de todos os nossos pecados. Por isso, quem está em Cristo tem o privilégio de entrar na presença de Deus (Ef 2.18,19; Hb 10.19-22). 
Como já citando anteriormente, nesta primeira parte da tenda, somente os sacerdotes e sumos-sacerdotes podiam entrar e ministrar, sendo proibida a entrada dos demais levitas, auxiliares do culto, que só podiam trabalhar no pátio. Também já foi dito sobre a mobília que estava nesta parte, três utensílios revestidos de ouro: o candelabro, a mesa dos pães da proposição, com doze pães representando as tribos de Israel e o alimento que Deus era para elas; e o altar do incenso, junto ao véu que separava o Santo do Santíssimo. Diariamente os sacerdotes entravam nesse ambiente para ministrar ao Senhor. Interessante notar que ali, os sacerdotes apenas mantinham o candelabro (Menorah) aceso, substituía os pães e oferecia incenso, não “ministravam sacrifícios pelas diversas espécies de pecados cometidos pelo povo israelita”, como escreveu o comentarista. Os sacerdotes do Velho Testamento entravam diariamente no Lugar Santo, executando o seu serviço. Uma vez por ano, no Dia da Expiação, o sumo sacerdote entrava no Lugar Santíssimo com o sangue de um touro, por seus próprios pecados e, novamente, com o sangue de um bode, pelos pecados do povo. Ele aspergia o sangue sobre o propiciatório, a cobertura da arca da aliança, oferecendo-o a Deus.

SUBSÍDIO TEOLÓGICO

“Porque o ministério à Igreja reflete uma figura bíblica que representa a Igreja como um organismo, podemos ver como a dimensão relacional da vida na Igreja é dinâmica, e não estática. Certamente exercemos algum efeito uns sobre os outros. O ministério à Igreja corrige a tendência da sociedade ocidental de enfatizar o indivíduo mais do que a comunidade. O ministério da Igreja inclui equipar um grupo de pessoas que vivem em mútua comunhão, capacitando-as a crescer até formarem uma entidade amorosa, equilibrada e madura. Paulo diz claramente em Efésios 4.11-16 que a equipagem dos santos para o serviço compassivo em nome de Cristo deve acontecer numa comunidade. O crescimento espiritual e o contexto em que ele ocorre de modo mais eficaz não surgem por mera coincidência. O amadurecer do crente não poderá acontecer fora da comunidade da fé. O discipulado não possui nenhum outro contexto que não seja a igreja de Jesus Cristo, porque não se pode seguir fielmente a Jesus à parte de uma participação cada vez mais madura com outros crentes na vida e no ministério de Cristo” (HORTON, M. Horton (Ed.). Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2018, pp.601-02).

II. AS TRÊS PEÇAS QUE COMPUNHAM O INTERIOR DO LUGAR SANTO

1. Os mobiliários do lugar. O Lugar Santo era o espaço de preparação dos sacerdotes para a entrada na segunda divisão do Tabernáculo, o Lugar Santíssimo. No Lugar Santo, havia três peças que compunham um ambiente perfeito de oração, intercessão, adoração e louvor: o castiçal de ouro (candeeiro ou candelabro), a mesa para os pães da proposição e o altar de ouro para os incensos (este ficava no centro do Lugar Santo e de frente para o véu que dava para o Lugar Santíssimo).
 A lugar santo continha uma mobília que simbolizavam o nosso relacionamento com o Senhor. “Muitos dos móveis do tabernáculo tinham um propósito funcional. O candelabro iluminava um recinto escuro, enquanto a mesa fornecia um lugar para colocar os pães da proposição. Enquanto isso, o altar de incenso servia ao propósito prático de perfumar agradavelmente o ar. Esses itens eram, em muitos aspectos, peças comuns de mobília, embora feitas de ouro puro e ricamente ornamentadas de forma a se adequarem à mobília de um rei. Todos os cinco sentidos eram ministrados pelo ritual sacerdotal diário: visão, olfato e paladar eram dirigidos através do candelabro, do altar de incenso e da mesa dos pães da proposição, enquanto a audição era ministrada pelos sinos nas vestes do sumo sacerdote. Tudo era concebido como uma rica experiência multissensorial voltada para Deus, não porque ele tenha sentidos como os nossos, mas como um reconhecimento da bondade de cada um dos diversos sentidos que ele nos deu. Somente o melhor de tudo poderia ser bom o suficiente para se oferecer ao Criador do universo.” (MINISTERIOFIEL)

2. O castiçal de ouro (Êx 25.3137). O castiçal era feito de uma só peça de ouro, e sustentado por uma coluna central, de onde saiam três braços de cada lado, formando assim, sete lâmpadas. Essas lâmpadas eram, interiormente, alimentadas por dutos, nos quais havia uma mecha embebida no azeite, fornecendo dessa forma, um combustível que, uma vez aceso, fazia o Castiçal iluminar todo o ambiente. Ou seja, as sete lâmpadas produziam uma só luz. Nos Evangelhos, o Senhor Jesus é apresentado como “a luz do mundo” (Jo 8.12). Ele, por sua vez, disse aos discípulos: “vós sois a luz do mundo” (Mt 5.16). Da mesma forma que o castiçal de ouro iluminava o ambiente escuro, Jesus é a luz que ilumina o mundo em trevas. A Igreja também tem essa mesma função na Terra até a volta do Senhor (Fp 2.15,16). Ela possui o verdadeiro azeite como a marca da unção do Espírito Santo (Jo 14.26). Assim, somos chamados por Cristo a iluminar o mundo, pregando o Evangelho com poder, autoridade e ousadia (At 1.8). 
No lado esquerdo do lugar santo estava a menorá (do hebraico מנורה menorah, “lâmpada, candelabro”), um candelabro de ouro batido com sete braços. As sete lâmpadas no candelabro simbolizavam a bênção de Deus brilhando sobre os doze pães da proposição que representavam as doze tribos de Israel. O próprio candelabro era uma espécie de coluna de fogo em miniatura, lembrando a presença de Deus com o seu povo no deserto. De fato, tipificava Jesus como a luz do mundo. A luz da vida é a mesma que deu forma ao mundo no princípio e que iluminará a Jerusalém celestial, nosso novo lar, eternamente “Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida” (Jo 8.12)

3. A Mesa com os Pães da Proposição (Êx 25.30). A mesa era feita com madeira de acácia e recoberta de ouro. Nela, eram colocados os doze pães da proposição (Lv 24.5-9; Êx 35.13). Os pães eram feitos sem fermento (Lv 24.5). Deviam estes ser comidos pelos sacerdotes, a fim de que os ministrantes estivessem nutridos para exercer o ofício na presença de Deus. O Senhor Jesus é o “pão da vida”. E todos os obreiros devem alimentar-se de Cristo. Só assim poderão ministrar com graça e autoridade diante da Igreja de Deus. Nesse sentido, todo crente é um sacerdote. Logo, devemos nutrir-nos do “pão da vida” (Jo 6.35,58). Somos o sacerdócio real feito por Deus (1 Pe 2.9)! 
A mesa dos pães da proposição ficava no lado direito do lugar santo. Havia 12 pães da proposição sobre a mesa, representando as 12 tribos de Israel. Os pães da proposição tipificavam Jesus. Ele é o pão que desceu do céu, e todo aquele que comer desse pão, que é o seu corpo, partido na cruz, tem a vida eterna. O pão da vida sustenta a vida espiritual de todos aqueles que Dele se alimentam. Estes já passaram da morte para a vida.

4. O Altar de Incenso (Êx 30.1-10). O altar de incenso era também identificado como “o altar de ouro” ou “altar do cheiro suave”, em virtude do perfume, feito à base de plantas aromáticas, que queimadas sobre ele, exalavam um agradável perfume (Lv 16.12). Esse altar também ficava diante do véu que dava acesso ao “Lugar Santíssimo”. A Palavra de Deus correlaciona o incenso como uma figura da oração (Sl 141.2; Lc 1.10; Ap 5.8; 8.3). Nosso Sumo Sacerdote, Jesus Cristo, intercede por nós. Ele cumpriu sua tarefa de intercessor supremo quando, através de sua morte, fez-se nosso único Mediador entre Deus e o homem (Hb 4.14,15; 1 Tm 2.5).
O altar de incenso formava a adequada coluna de fumaça para acompanhar a coluna de fogo do candelabro. Ficava no lugar santo, bem em frente do véu que o separava do local santíssimo. Brasas retiradas do altar de bronze eram colocadas sobre o altar de incenso, sobre o qual era derramado um suave incenso diariamente. A fumaça, que subia do incenso sobre as brasas, representava as orações do povo de Deus “Suba a minha oração perante a tua face como incenso, e as minhas mãos levantadas sejam como o sacrifício da tarde” (Sl 141.2). “E ainda mais, a fumaça do próprio incenso, subindo constantemente do altar, passou a simbolizar as orações do povo de Deus subindo constantemente diante do Senhor. No tabernáculo, o incenso só podia ser oferecido pelos sacerdotes, que assim serviam como mediadores entre o povo e Deus, trazendo simbolicamente suas orações à presença do Altíssimo. Essa ideia é expressa no Salmo 141.2, onde Davi ora ao Senhor: “Suba à tua presença a minha oração, como incenso,”. Uma notável violação deste protocolo está registrada em 2 Crônicas, quando o rei Azarias (também conhecido como Uzias) tentou entrar no Santo Lugar e queimar uma oferta de incenso em seu próprio nome, diante dos protestos dos sacerdotes. Em lugar do status elevado que buscava, ele foi atingido pela lepra, o que o tornou impuro e, portanto, incapaz de, no futuro, voltar a entrar em qualquer parte do complexo do templo (26.16-21). O altar de incenso também estava ligado aos rituais de sacrifício de Israel. Quando uma oferta de sacrifício era exigida devido a um pecado do sumo sacerdote, o sangue do novilho ofertado deveria ser colocado nos chifres do altar do incenso e derramado na sua base (Lv 4.3-7). Já uma oferta de sacrifício pelo pecado da comunidade como um todo requeria um sacrifício similar, com o sangue também sendo colocado nos chifres do altar do incenso, entretanto, o sangue do novilho ofertado deveria ser derramado no altar menos sagrado do holocausto (vv. 13-18). Contudo, mesmo essas ofertas regulares de sacrifícios pelos pecados não eram suficientes para lidar com a contaminação acumulada causada pelo pecado das pessoas; a fim de evitar que a terra se tornasse imprópria para a habitação divina, o sumo sacerdote tinha que entrar no Santo dos Santos uma vez por ano no Dia da Expiação. Ele carregava consigo um incensário portátil que forneceria uma nuvem protetora de fumaça, sob a qual ele poderia levar, com segurança, o sangue das ofertas de purificação e aplicá-lo ao propiciatório no topo da arca da aliança (Levítico 16.12-13).” (MINISTERIOFIEL)

SUBSÍDIO VIDA CRISTÃ

“A Oferta do Cristão
Nós nos aproximamos hoje do Senhor não com uma pomba, ou um cordeiro, ou uma cabra, ou um novilho. Nós chegamos com o nosso tudo, oferecendo-o ao Senhor. Não barganhando com Ele para obter a bênção.
Muita raramente sei de pessoas que perderam a bênção de Deus quando se achegaram abertamente e disseram: ‘Eu desejo receber; eu quero dar tudo de mim’. Este é o segredo de todo o afeto entre pessoa e pessoa, entre os sexos. As pessoas nem sempre estão procurando alguém que as ame; estão procurando alguém que elas possam amar.
Quando duas almas estão buscando aquela a quem possam amar, há união, e o mundo constata gradualmente que há verdadeiros casamentos. Há uma união de espírito tão indissolúvel, que nada na terra ou no céu o divide.
Cristo está buscando a alma que receberá o seu amor, e o cristão, o verdadeiro, está buscando Cristo, que receberá o amor dele. Ambos estão praticando a inalterável lei de Deus: ‘Dai, e ser-vos-á dado” (LAKE, John G.Devocional. Série: Clássicos do Movimento Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2003, pp.161-62).

III. O VÉU QUE DEMARCA O LUGAR SANTO E O LUGAR SANTÍSSIMO

1. O primeiro véu (Êx 26.36). Depois de passar pelo Altar dos Holocaustos e pelo Lavatório no Pátio, havia no Tabernáculo um véu que dava acesso ao Lugar Santo. Esse véu ficava na entrada do “Lugar Santo”. Ele era feito com linho torcido bordado. E só depois de passar pelo Altar dos Holocaustos e pela Bacia do lavatório, o sacerdote poderia entrar no Lugar Santo. Logo, esse primeiro véu tinha o objetivo de demarcar o espaço entre o Pátio o Lugar Santo. Aqui, começava a ficar claro os espaços permeados de sacralidade no Tabernáculo. O primeiro véu deixava patente o propósito sacro do lugar.
O propósito de um Véu é cobrir ou ocultar da vista (2Co 3.13-16, Is 25.7). O véu do tabernáculo ocultava da vista o Santo dos Santos. Ele formava uma barreira entre a glória de Deus e o homem pecador (Lv 16.2). O primeiro véu era na verdade a porta da estrutura (Êx 26.36-37). Embora suas cores fossem as mesmas do segundo véu não há menção de querubins nele. Ele ficava suspenso em cinco colunas de ouro, que eram fixadas por encaixes de cobre.

2. O segundo véu (Êx 26.32,33). Esse é o véu que ficava entre o Lugar Santo e o Lugar Santíssimo (ou Santo dos santos). No Santuário, somente o sumo sacerdote podia entrar, representando todo o povo de Israel. No Lugar Santíssimo encontramos apenas a Arca da Aliança. O segundo véu tinha objetivo de demarcar o espaço entre o Lugar Santo e o Lugar Santíssimo. Aqui, a sacralidade inspirava uma consciência de intimidade com o Altíssimo. O segundo véu deixava claro que a partir daquele espaço havia um propósito santo e remidor no lugar sagrado. Os dois véus são uma imagem para nós. Antigamente, havia uma gradação e divisão do propósito sacro no Tabernáculo. Mas em Cristo, o nosso Sumo Sacerdote, por intermédio de seu próprio sangue, o acesso à presença santa de Deus está aberto (Hb 9.6,7). Assim, a Igreja de Cristo tem a liberdade de exercer seu sacerdócio na presença de Deus (1 Jo 1.3,7).
O véu interior (Hb 9.3) era confeccionado de azul, púrpura, carmesim e de linho fino torcido bordado com querubins. Ele ficava suspenso em quatro colunas de ouro fixadas por quatro encaixes de prata. Separava o Lugar Santo do Santo dos Santos (Êx 26.33). Em Hebreus 10.19-20 aprendemos que a carne de Cristo foi simbolicamente tipificada pelo véu interno do tabernáculo. Nosso Salvador tomou sobre Si mesmo a forma humana ocultando assim a Sua glória (Fp 2.5-11, Rm 8.3). Somente no Monte da Transfiguração é que Sua glória divina refulgiu (Mt 17.1-2). Da mesma maneira, o véu do tabernáculo ocultou da vista dos homens a glória e a presença de Deus.


SUBSÍDIO DIDÁTICO-PEDAGÓGICO

Ao final da exposição do tópico é importante que você faça uma revisão de toda a lição. Essa revisão pode ser feita por meio de algumas ênfases em cada tópico ou por meio das perguntas do questionário. Revisar é fundamental para garantir o processo de ensino-aprendizagem do aluno.

CONCLUSÃO

Acheguemo-nos, com ousadia e confiança, diante de Deus. Através do sangue de Jesus, fomos salvos, justificados, adotados como filhos de Deus e santificados. As cortinas que nos separavam do Pai Celeste foram removidas pelo Cordeiro através de sua morte no Calvário. Portanto, não deixe de usufruir desse glorioso privilégio.
Finalmente, note o que está implícito na existência destes símbolos. Durante o tempo em que o véu do Templo permaneceu como um símbolo, isto era uma prova de que Cristo não tinha ainda nos feito o acesso á presença de Deus (Hebreus 9:7-9). Enquanto o sumo sacerdote terreno entrava pelo véu isto era uma prova que a verdadeira expiação ainda não tinha sido feita (Hebreus 10:1-4). Alegramo-nos pelos símbolos, mas somos agradecidos por eles já terem passado. Cristo o grande antítipo cumpriu todos os tipos do Velho Testamento”. (PALAVRAPRUDENTE)
Agora não precisamos mais de mediadores sacerdotais para levar nossas orações e petições a Deus, pois podemos nos aproximar dele em nome de Cristo, nosso grande Sumo Sacerdote. Ele não é apenas nosso advogado, mas ele próprio, o sacrifício expiatório pelos nossos pecados (1Jo 2.2). Como nosso verdadeiro Sumo Sacerdote, ele levou seu próprio sangue ao arquétipo celestial, para o qual o tabernáculo e o templo apontavam e aplicou-o ao propiciatório celestial, purificando assim seu povo para sempre (Hb 9.11-14). Isto é o que nos permite aproximarmo-nos de Deus sem medo, sem uma cobertura protetora de incenso, seguros através do sangue aspergido de Cristo, que é o mediador da nova aliança (12.24). Como o escritor aos Hebreus resume: “Por isso, recebendo, nós, um reino inabalável, retenhamos a graça, pela qual sirvamos a Deus de modo agradável, com reverência e santo temor” (v. 28). Que nossas orações de gratidão subam, como incenso, diariamente diante de Deus” (MINISTERIOFIEL).

Achando-se as tuas palavras, logo as comi, e a tua palavra foi para mim o gozo e alegria do meu coração; porque pelo teu nome sou chamado, ó Senhor Deus dos Exércitos”. (Jeremias 15.16)

Francisco Barbosa
Disponível no blog: auxilioebd.blogspot.com.br

sexta-feira, 10 de maio de 2019

LIÇÃO 6: AS CORTINAS DO TABERNÁCULO


SUBSÍDIO I

AS CORTINAS DO TABERNÁCULO

“Deus tomou coisas simples do Tabernáculo para compará-las com coisas celestiais a fim de que aprendamos verdades espirituais em linguagem figurada.” (Êx 26.1-14)
Num capítulo anterior, tratamos do cortinado do pátio do Tabernáculo, que cercava aquele lugar sagrado do povo de Israel. Alguns estudiosos fazem distinção entre o Santuário, que o veem como sendo o Lugar Santo, e o Tabernáculo como o hamiskhan de Yahweh, o Deus de Israel. Entretanto, toda a estrutura do Tabernáculo é, sem dúvida, o Santuário do Altíssimo. 
As cortinas internas e as externas do Tabernáculo foram feitas com especial primor e beleza para, em primeiro lugar, enaltecer a presença divina no Tabernáculo e, em segundo lugar, para dar um sentido de santidade aos serviços sacerdotais no seu interior. As cortinas externas eram para cobrir o Tabernáculo. Portanto, toda a sua estrutura teve o trabalho inspirado dos artesãos, os quais receberam de Deus todo o desenho do projeto do Tabernáculo para ser o lugar da habitação de Deus com o seu povo. Era o hamiskhan de Deus, que, em hebraico, significa “habitação, morada” de Deus no meio do seu povo.
Para que as cortinas pudessem ser armadas, toda a construção requereu uma base especial que incluía madeira e metais. A madeira era de cetim, serrada em tábuas lisas, as quais eram ligadas uma a outra e, em seguida, revestidas com ouro, sendo toda a base de sustentação de prata. 
Todo aquele lugar tornou-se santo, um lugar de habitação, uma morada especial para o Deus de Israel, que veio habitar numa “morada santa” com o seu povo. Como era uma habitação especial, todos os materiais utilizados no Tabernáculo tinham um significado especial e celestial, começando com a cobertura de cortinas internas e externas. 
Essas cortinas e cobertas feitas para o Tabernáculo eram figuras e tipos de Jesus Cristo, visto que cada elemento material tinha um tipo celestial e mostrava, numa linguagem figurada, algumas características da obra redentora de Jesus. Num sentido especial, Cristo tornou-se a nossa cobertura perfeita porque Ele cobriu o nosso pecado (ver Sl 32.1,2; Rm 4.6-8).

I – AS COBERTAS E AS CORTINAS DO TABERNÁCULO (ÊX 26.1-14)
A despeito dos detalhes especificados dos materiais e cores utilizadas para compor a estética do Tabernáculo, a construção tinha de ser de fácil montagem e desmontagem por causa das mudanças de locais na vida desértica de Israel. 

1. A Coberta Exterior
Qual a diferença das cortinas internas para as externas? A coberta exterior era rústica, contrastando com a beleza interior. Por isso, tanto as cortinas internas quanto as externas revelam tipologicamente a figura de Jesus, que, sendo Deus, “aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo” (Fp 2.6-8). Os olhos humanos não podiam vê-lo como Deus, e sim como “o filho do carpinteiro” (Mt 13.55). Ele, no entanto, era o Verbo (a Palavra viva) feito carne (Jo 1.14). 
Esta coberta era feita de peles de animais marinhos (texugos ou golfinhos) e não tinha beleza exterior que chamasse a atenção (ver Is 53.2). Simbolicamente, a cobertura exterior do Tabernáculo representava a humanidade de Jesus; por isso, sendo Deus fez-se carne (ver Jo 1.14). Uma das finalidades da coberta exterior era resistir às intempéries climáticas do deserto e, por isso, era rústica. Essa coberta tinha uma estrutura de madeira de cetim cortada em tábuas que servia para as partes internas e externas (Êx 26.15-30), a qual recebia uma lâmina de ouro que sustentava as peles estendidas sobre o Tabernáculo. As peles que ficavam por cima de tudo eram de um animal aquático identificado como texugo, mas, de fato, eram de foca ou golfinho. Quem olhasse para a Tenda do lado de fora nada veria de especial, porque essa coberta era parecida com a cor do deserto, ou seja, não tinha beleza alguma. Essa tenda é um tipo de Jesus quando se fez homem, cumprindo, assim, a profecia de Isaías 53.2: “Porque foi subindo como renovo perante ele e como raiz de uma terra seca; não tinha parecer nem formosura; e, olhando nós para ele, nenhuma beleza havia, para que o desejássemos”.

2. As Cortinas Internas
Indiscutivelmente, as cortinas internas do Tabernáculo feitas com linho retorcido branco, estofo azul, púrpura e carmesim revelavam, tipologicamente, o caráter de Jesus. O linho retorcido é um símbolo de justiça (ver Ap 19.8). Por baixo da primeira cobertura de peles, eram colocadas peles de carneiro tingidas de vermelho (ver Êx 26.14), que representam a Cristo em seu sacrifício na cruz do Calvário. A cor vermelha representa o seu sangue, que remiu nossos pecados. Ainda por baixo das peles de carneiro de cor vermelha, havia outras peles que eram de cabra, e eram brancas, sem ser tingidas (26.7-13), e elas falam da pureza do Senhor Jesus e da sua justiça perfeita para com os que confiam nEle e no seu sangue (ver 2 Co 5.21; Fp 3.9). Por último, havia uma quarta cortina que podia ser vista apenas do lado de dentro do Tabernáculo. Ela era feita de linho branco e fino com bordados das figuras de querubins (ver Êx 26.1-6) e tinha as cores de púrpura, escarlate e azul. A visão que se tinha dessa cortina interna lembrava o céu de glória. As figuras de querubins, impressas e bordadas naquela cortina, representavam tipos de seres angelicais que servem junto ao Trono de Deus. As cores eram branco, azul, carmesim e púrpura. As cortinas e cobertas do Tabernáculo significavam a morada de Deus e tipificavam o próprio Senhor Jesus, por cujas características a obra redentora de Cristo está expressa e que, em seu conjunto, nos fala claramente daquEle que é nossa cobertura perfeita, pois foi Ele quem cobriu o nosso pecado com seu sangue (ver Sl 32.1,2; Rm 4.6-8). O azul é a cor celestial, símbolo do céu; todavia, os fios entrelaçados de púrpura falam da realeza de Cristo, pois Ele é o Rei dos reis e Senhor dos senhores.

Texto extraído da obra “O TABERNÁCULO”, editada pela CPAD. 

COMENTÁRIO E SUBSÍDIO II

INTRODUÇÃO

Adentrando ao Tabernáculo, nos deparamos com um cortinado, confeccionado com múltiplas cores. É justamente sobre essas cortinas que estudaremos na aula de hoje. Inicialmente, destacaremos sua composição, em seguida, nos voltaremos para seu significado, fazendo aplicações em relação às cores. Ao final, lembraremos que a multiforme graça de Deus opera na igreja, através do Espírito Santo, como lhe apraz, com dons espirituais e ministeriais.

I. AS CORTINAS

O Tabernáculo era coberto com cortinas, sendo uma cobertura interior e a outra exterior. Essa cobertura era feita de peles de animais marinhos, sustentada por vigas de madeira de acácia, forrada com ouro. As cortinas internas eram feitas de peles de carneiro, bem como de peles de cabras brancas, havia ainda uma cortina que podia somente ser vista do lado de dentro, feita de linho branco e fino, com bordados das figuras de querubins. As cores desse cortinado era púrpura, escarlate e azul. Essas cortinas, além de seu efeito estético, tinha também a função de separar, de controlar o acesso. Nem todos podiam adentrar a determinadas partes daquele santuário, contemplá-lo da parte de dentro era uma prerrogativa do ofício sacerdotal. Essa cortina fazia separação entre o pecador e a santidade de Deus. Apenas o sumo-sacerdote, uma vez por ano, poderia adentrar ao Santo dos Santos. As cortinas impediam o acesso as partes mais singelas do Tabernáculo.

II. CORES E SIGNIFICADOS

Existe uma ciência da linguagem que estuda as cores, trata-se da semiótica ou semiologia. Os estudiosos dessas áreas investigam os significados que determinadas cores têm nas culturas. A cor vermelha, por exemplo, pode ser relacionada a uma ideologia, mas isso depende do contexto sociocultural. Nas Escrituras também encontramos diferentes cores, algumas delas têm significado especial, se considerarmos o contexto, e o próprio sentido atribuído pelo texto bíblico. As cores das cortinas do Tabernáculo carregam significados, que podem ser lembrados ao longo desse estudo: o azul lembra a cor do céu, ressaltando a provisão divina, que vem de cima. O próprio Cristo, que veio do céu, e habitou no meio de nós (Jo. 1;14). A cor púrpura tem a ver com realeza, o Senhor Jesus Cristo deve ser lembrado como o Rei dos reis e Senhor dos senhores (Ap. 19.11-16). A cor escarlate projeta o sangue, tanto o daqueles animais, quanto o do próprio Cristo, derramado pelos pecadores (Ap. 19.13)

III. A MULTIFORME GRAÇA DE DEUS

As diferentes cores do Tabernáculo lembram a multiforme graça de Deus (I Pe. 4.10). A graça é o favor imerecido de Deus aos pecadores, ninguém é salvo pelo que faz ou deixa de fazer (Ef. 2.8), pois todos pecaram e foram destituídos da glória de Deus (Rm. 3.23), mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por intermédio de Cristo Jesus (Rm. 6.28). Há uma tendência das pessoas quererem padronizar a forma de Deus agir na igreja, é bem verdade que Jesus é o Único Caminho e Salvador (Jo. 16.4; At. 4.12; I Tm. 2.3-6), mas o Espírito Santo atua na igreja com muitos dons, de acordo com Sua soberana vontade (I Co. 12.6). Existem muitas “cores” na igreja, e Deus usa as pessoas de maneira diferente, respeitando suas individualidades, a fim de cumprir Seus desígnios. É humano querer padronizar todos, e querer que as pessoas sejam iguais na igreja. Precisamos aprender a lidar com a diferença, desde que mantenhamos unidade no essencial.

CONCLUSÃO

O Tabernáculo de Deus é a Igreja do Deus Vivo, e Ele atua pelo Seu Espírito, a fim de conduzir a Noiva para o encontro triunfal com o Noivo. Quando Cristo morreu na cruz do calvário, o véu se rompeu de alto a baixo (Mt. 27.51-53). Quando Ele subiu, entregou dons aos homens e as mulheres, esses não devem ser confundidos com cargos, mas com a multiforme graça de Deus, para a edificação do Seu corpo (I Co. 12; Ef. 4.11).


José Roberto A. Barbosa
Disponível no Blog subsidioebd.blogspot.com

COMENTÁRIO E SUBSÍDIO III

INTRODUÇÃO

As cortinas do Tabernáculo têm muito a dizer-nos acerca da maravilhosa obra redentora de Cristo. Pelas suas estruturas, simbologia e cores, veremos como esse utensílio importante do Tabernáculo se fez figura e estímulo para adentrarmos à presença de Deus de maneira confiante e ousada.
Quando Adão e Eva viviam no jardim, estavam na presença absoluta de Deus. Depois de sua transgressão foram expulsos, separados da presença de Deus. Querubins com uma espada flamejante estavam posicionados a leste do jardim para impedir seu retorno e para impor a separação da presença de Deus. Homens poderiam oferecer sacrifícios a Deus, poderiam orar a ele, mas o caminho para a sua presença permaneceria fechado. Os querubins, embora não estivessem mais visíveis, permaneciam em guarda. E esta separação permaneceu por gerações. Quando Moisés recebeu a lei no Monte Sinai, essa lei incluía instruções para a construção do tabernáculo, entre essas instruções estava a confecção de uma cortina ou véu (Êx 26.30-35). O propósito desta cortina era estabelecer uma divisão entre o Santo Lugar e o Santo dos Santos. No Santo Lugar estavam o candelabro, a mesa para o pão da proposição e o altar do incenso. No Lugar Santíssimo estava a arca da aliança, coberta pelo propiciatório, sobre a qual dois querubins guardavam a presença de Deus. Este era o lugar onde Deus tornava visível sua presença e de onde falava a Moisés. O véu que dividia o Santo Lugar do Lugar Santíssimo era bordado com querubins, representando os querubins a leste do Éden, mantendo a humanidade longe da presença de Deus. Mas uma mudança aconteceu. A proibição absoluta de entrar na presença de Deus agora já não era tão absoluta. A porta para a presença de Deus que tinha sido tão firmemente fechada no Éden agora apresentava uma fenda. Era, na verdade, ainda uma fenda muito pequena, mas era uma fenda verdadeira. Agora o sumo sacerdote, uma vez por ano, acompanhado pela fumaça que se levantava do incenso, e pelo sangue dos sacrifícios, podia entrar no Lugar Santíssimo (Lv 16). Ele poderia entrar no lugar da presença de Deus.” (VOLTEMOSAOEVANGELHO) – Dito isto, convido-o a pensar maduramente a fé cristã!

I. AS COBERTAS E AS CORTINAS DO TABERNÁCULO
                                                                 
Embora fosse complexa em detalhes e específica nos materiais e cores, a estética do Tabernáculo tinha de apresentar uma leitura fácil, pois a montagem e desmontagem do santuário tinham de ser de acordo com a simplicidade do cotidiano da vida no deserto. As cobertas e as cortinas do Tabernáculo estavam assim classificadas:
1. A coberta exterior. A coberta era feita de peles de animais marinhos (texugos ou golfinhos). O desenho não expressa beleza exterior ou algo que chamasse a atenção. Tratava-se de um material para resistir as intempéries do deserto; era rústico. A estrutura na qual repousava a coberta era feita de madeira de acácia e revestida com ouro para sustentá-la (Êx 26.18-30). Ora, imagine uma estrutura de madeira de acácia forrada com ouro por dentro e coberta de peles de animais diversos por fora. Assim era o Tabernáculo. É inevitável não correlacionar a estética exterior do Tabernáculo com a humanidade do nosso Salvador, Jesus Cristo, que se fez carne entre nós (Jo 1.14). A profecia de Isaías acerca da humanidade de Jesus é vívida: “Porque foi subindo como renovo perante ele e como raiz de uma terra seca; não tinha parecer nem formosura; e, olhando nós para ele, nenhuma beleza víamos, para que o desejássemos” (53.2).
A coberta com peles finas eram feitas com couro de um animal conhecido como Texugo (Espécie de animal marinho (Ez 16.10)) - O texugo não é nativo do norte da África, a tradução do hebraico takhashpor "texugo" é uma conjectura muito improvável, é aplicado com alguma imprecisão a vários animais marinhos, como focas, dugongos, golfinhos, tubarões e lobos marinhos. Eles formaram a cobertura externa do Tabernáculo. A coberta de peles de texugos foi a coberta mais visível pelo lado de fora. Não era bonita, nem formosa, mas foi muito útil. Sem dúvida alguma, essas peles de Texugo apontam para Isaías 53.2 – “terra seca... nenhuma beleza havia que nos agradasse”. O servo surgiria em condições humilhantes e não se vestiria com nenhuma das vestes características da realeza, permitindo que sua identidade fosse perceptível apenas aos que o olhassem com os olhos da fé.

2. As cortinas internas. Por baixo da coberta exterior havia uma coberta de peles de carneiro tingidas de vermelho (v.14). Por debaixo das peles de carneiro, havia outras cortinas feitas de peles de cabras brancas, sem ser tingidas (26.7-13). Por último, havia uma quarta cortina que podia ser vista somente do lado de dentro do Tabernáculo. Era uma cortina feita de linho branco e fino com bordados das figuras de querubins (26.1-6). Suas cores eram púrpura, escarlate e azul. A visão dessa cortina lembrava o céu de glória (Jo 14.1-3).
Toda essa imagem nos aponta alguns símbolos importantíssimos:
As cores: Azul, Púrpura, Carmesim e a Branca do linho fino apontam para Cristo, e para àquele que está em Cristo.
Elas simbolizam o caráter de Jesus. Deus mandou fazer as cortinas de linho retorcido, estofo azul, púrpura e carmesim.
O linho retorcido é símbolo de justiça, o termo aqui é no sentido de ‘ser justo’ (Ap 19.8). O linho retorcido apontava para alguém que haveria de ter a natureza perfeita. Esse alguém seria sem sombra de dúvida Jesus Cristo. N’Ele seria encontrada a retidão desejada por Deus.
O linho retorcido das cortinas do Tabernáculo também representa a humanidade perfeita de Jesus. Entrar no Tabernáculo a ver as cortinas de linho retorcido, com fios de azul, púrpura e carmesim, era ver, pela fé, toda a beleza que estaria presente no Segundo Homem.
O azul é cor celestial, é símbolo do Céu. E os fios de púrpura entrelaçados na cortina, tornou-se símbolo de Realeza. A púrpura era um tecido caríssimo, usado somente pelos ricos, pelos nobres, tecido próprio dos reis.
Jesus Cristo é Rei, conforme simbolizado pela púrpura.
Os fios carmesim (escarlate) tornaram-se o símbolo do sofrimento. O carmesim era obtido mediante o esmagamento de um molusco.
O azul, a púrpura e o carmesim apresentam Jesus como o Filho de Deus, e como Rei sobre todas as coisas, mas que deveria seguir o caminho da cruz para realizar a redenção da humanidade.” (ESCOLADABIBLIA)
1) a coberta tingida de vermelho aponta para Cristo e seu sacrifício na cruz, pois o vermelho é o símbolo do sangue de Cristo para a remissão do pecado;
A cor vermelha ou carmesim aponta para o sacrifício (Ap 5.9-10; Nm 19.6; Lv 14.4; Hb 9.11-14, 19, 23, 28). A cor carmesim, pelas escrituras, e especialmente quando se refere a Cristo, manifesta o Cristo Sacrificatório e a Sua humildade. A cor carmesim, para os usos no tabernáculo foi conseguida do corpo da fêmea do “coccus ilicis” - um verme (Sl 22.6), a palavra hebraica para escarlata e carmesim). É interessante notar que o nome ‘Adão’, é uma palavra babilônica, cujo significado é ‘vermelho’, por ser feito da terra (#0121, Strong’s).
2) as cortinas feitas de peles de cabras brancas, sem serem tingidas, revela uma ideia de pureza e justiça do nosso Salvador (2 Co 5.21; Fp 3.9); 3) a última cortina revela a natureza dos seres angelicais que servem junto ao Trono de Deus. Assim, o Tabernáculo tipificava a morada de Deus e as características redentoras e salvíficas expressas na obra expiatória de Jesus Cristo (Sl 32.1,2; Rm 4.6-8).
A cor branca do linho fino é emblemática da perfeição, pureza, e santidade de Deus em Cristo, e aos que são lavados no sangue de Crist (Ap 7.9-17; Sl 132.9). A cor branca refere-se ao efeito da obra de Cristo no lugar do Seu povo. Ele os faz perfeitos, santos e justos, propícios para serem na presença de Deus. Ap 7. 9-17: “Depois destas coisas olhei, e eis aqui uma multidão, a qual ninguém podia contar, de todas as nações, e tribos, e povos, e línguas, que estavam diante do trono, e perante o Cordeiro, trajando vestes brancas … (Ap 19. 7-9). Deus veste Seus sacerdotes de justiça, como são vestidos os sacerdotes do tabernáculo (Ex 28.39; Sl 132.9; Zc 3.3,4). Não podemos pensar que tenhamos a justiça de Deus se estamos fora de Cristo. Temos que ser lavados pelo Seu sangue se esperamos ser redimidos da nossa vã maneira de viver (I Pd 1.18,19). Entramos em Cristo pelo arrependimento dos pecados e fé no sacrifício de Cristo em nosso lugar. Nessa maneira o pecador é feito limpo, perfeito, puro e justo diante de Deus. Está nEle? Se arrependa e creia nEle já! De outra maneira as suas vestes sujas continuam e no fim, será lançado “nas trevas exteriores; ali haverá pranto e ranger de dentes” Mt 2.13. (NUCLEODEAPOIOCRISTAO)

SUBSÍDIO DIDÁTICO-PEDAGÓGICO

Ao introduzir o assunto acerca da coberta e das cortinas, reproduza a imagem desta página. Enfatize aos alunos o cortinado do pátio, a coberta exterior sobre o santuário e as cortinas internas. Essa imagem reforçará a ideia sobre a estética do santuário divino.
Todo o cortinado do Tabernáculo era colorido. As cores sempre tiveram uma significação especial na cultura do povo judeu. A diversidade dessas cores, bem como a matéria-prima material, apontava para uma completude salvívica.
Refletir sobre a completa obra da salvação é o nosso objetivo. Por isso a a imagem abaixo está disponível para guiar os alunos neste entendimento.
É uma maravilhosa oportunidade para refletir sobre a salvação.
II. O CORTINADO DO PÁTIO DO TABERNÁCULO

1. A simbologia descritiva das cortinas do Tabernáculo. Descrever a importância das cortinas do Tabernáculo e não considerar seu valor espiritual e tipológico significa ignorar o propósito integral do texto narrativo acerca do santuário. Ora, a precisão dos detalhes de cada peça e material usados para construir o Tabernáculo servia de ensino das verdades acerca das coisas espirituais. Por isso, a madeira, metais, tecidos e tintas especiais usadas no Pátio do Santuário remontam a uma tipologia singular com relação a pessoa e obra de Jesus, o Senhor e Redentor nosso.
A tipologia é um tipo especial de simbolismo. (Um símbolo é algo que representa outra coisa.) Podemos definir um tipo como um "símbolo profético" porque todos os tipos são representações de algo ainda futuro. Mais especificamente, um tipo nas Escrituras é uma pessoa ou coisa no Antigo Testamento que prenuncia uma pessoa ou coisa no Novo Testamento. Por exemplo, o dilúvio dos dias de Noé (Gênesis 6-7) é usado como um tipo de batismo em 1 Pedro 3:20-21. A palavra para tipo que Pedro usa é figura” (GOTQUESTIONS). É importante que se diga que o Tabernáculo seria algo que homem algum jamais teria imaginado. Foi construído para que as verdades fundamentais no Novo Testamento fossem compreendidas. Cada detalhe e objeto falava da obra redentora de Jesus Cristo. Glória a Deus! Jesus, como sumo sacerdote de uma nova dispensação, abriu caminho para Santo dos Santos a todos os crentes, porque o véu de separação foi rasgado de cima abaixo, na ocasião da sua morte na cruz (Hb 9.6-14).

2. O significado de separação. O ambiente entre a cerca e o Tabernáculo era o pátio. Havia um cortinado branco de linho fino torcido que tinha por objetivo fazer a separação dos pecadores. Para adentrar ao Pátio, o pecador deveria levar a sua oferta pelo pecado. Assim, as cortinas faziam a separação entre o santo e o profano (Êx 38.9-13). Nesse sentido, a imagem do cortinado de linho torcido simboliza a pureza de Deus num mundo de impurezas. É o símbolo da santidade e pureza de Jesus, pois, como homem, nosso Senhor não teve mácula, conforme Ele mesmo indagou de seus opositores: “Quem dentre vós me convence de pecado?” (Jo 8.46). Aqui, há uma distinção importante que deve ser feita em relação à Antiga Aliança: na Nova Aliança, a Igreja de Cristo não se fecha dentro de uma “cerca”, mas está pronta para receber qualquer tipo de pecador, uma vez arrependido, que confessa o senhorio de Jesus Cristo em sua vida.
A tenda e seus objetos apontam para Cristo. Olhando de longe, vê-se um cercado em forma de retângulo demarcado por uma cortina (50m x 25m) de linho branco (pureza e santidade), com 2,5m de altura, sustentado por 60 firmes colunas, apoiadas em base de cobre (Ex 27:9 e 12). Por cima da cerca ainda se pode ver o teto da tenda, que está do lado de dentro deste cercado. Não havia exteriormente beleza alguma (Is 53.2-3). Dentro desse cercado de linho branco, chamado de Átrio ou Pátio, podia-se ver em sua primeira metade o Altar de Holocausto; mais à frente a Pia de Bronze cheia de água. Na segunda metade desse Pátio ficava uma espécie de casa que seria exatamente a tenda.

3. O significado de santidade. Santidade é a separação absoluta do pecado e dedicação exclusiva a Deus. Por isso, as cortinas da cerca do Pátio e do Tabernáculo, bem como tudo dentro dele, revelam santidade. Não podemos jamais desconsiderar a seriedade do chamado para vivermos uma vida santa. Os tempos atuais nos desafiam a viver um estilo de vida na presença de Deus, manifestando a santidade e a pureza de Cristo Jesus. Ter a consciência da santidade bíblica significa ter a disposição para viver na contramão do mundo (1 Jo 2.15).
 Dependendo do contexto onde o vocábulo está inserido, ele adquire significados distintos. Em relação ao atributo divino, Santidade é a pureza perfeita de Deus, que não tem mancha alguma de pecado. A Bíblia diz que Deus é santo. Esse é Seu caráter. Deus é perfeito, Ele não tem falha nem erro algum. O pecado nem sequer pode entrar em Sua presença! Somente o que é santo pode se aproximar de Deus (Hb 12:14). Na Bíblia, santidade também pode significar a dedicação a Deus, se afastando da impureza do pecado, e nesse sentido, todo crente é chamado para ser santo. Uma ausência de amor ao mundo deve ser a característica habitual da vida de amor daqueles que são considerados genuinamente nascidos de novo. "Amor" aqui significa afeto e devoção. É Deus, e não o mundo, que deve ter o primeiro lugar na vida do cristão (Mt 10.37-39; Fp 3.20). É importante lembrar que quando se faz referência à ‘mundo’, não se trata do mundo físico e material, mas do sistema espiritual invisível do mal dominado por Satanás (2Co 10.3-5) e tudo o que ele oferece em oposição a Deus, à sua Palavra e ao seu povo (1Jo 5.19; Jo 12.31; 1Co 1.21; 2Co 4.4; Tg 4.4; 2Pe 1.4). Ou somos cristãos genuínos cuja marca é o amor e a obediência a Deus ou seremos cristãos em rebelião contra Deus, ou seja, apaixonados e escravizados pelo sistema mundano controlado por Satanás (Ef 2.1-3; Cl 1.13; Tg 4.4). Não há meio-termo entre essas duas alternativas para alguém que se diz nascido de novo. Os falsos mestres não tinham esse tipo de amor singular, mas se dedicavam à filosofia e à sabedoria do mundo, revelando, com isso, o seu amor pelo mundo e a sua condição de não salvos (Mt 6.24; Lc 16.13; ITm 6.20; 2Pe 2.12-22)

SUBSÍDIO VIDA CRISTÃ

“Santificados pela Cruz
Jesus ainda faz a mesma oração hoje em dia, para que todo crente seja santificado. A santificação nos torna um com o Senhor Jesus (Hb 2.11) e nos faz santos como Jesus.
Paulo escreve em 1 Tessalonicenses 4.3: ‘Esta é a vontade de Deus, a vossa santificação’. Assim, é da vontade de Deus que todas as almas sejam salvas de todos os pecados – os atuais e o original. Os pecados atuais são os que cometemos voluntariamente, ao passo que o pecado original é o que herdamos do primeiro Adão. Todo pecado é limpo pelo sangue de Jesus Cristo. Temos de morrer para o velho homem. ‘Sabendo isto: que o corpo do pecado seja desfeito, a fim de que não sirvamos mais ao pecado’ (Rm 6.6). Deus está chamando o seu povo à verdadeira santidade nestes dias. Agradecemos a Ele pela bendita luz que está nos dando. ‘De sorte que, se alguém se purificar destas coisas, será vaso para honra, santificado e idôneo para uso do Senhor e preparado para toda boa obra’ (2 Tm 2.21). Ele quer dizer que temos de ser purgados da impureza e de todos os tipos de pecado. A santificação nos torna santos e destrói a linhagem do pecado, o amor ao pecado e a carnalidade. Ela nos purifica e tornamos mais brancos que a neve” (SEYMOUR. Devocional: O Avivamento da Rua Azusa. Série: Clássicos do Movimento Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2003, pp.123-22).

III. AS CORES DAS CORTINAS DO TABERNÁCULO

1. O significado especial das cores. As cores usadas na estrutura do Tabernáculo tinham um significado especial. Por meio delas, o povo de Israel perceberia o símbolo da manifestação da glória de Deus nos sacrifícios que fossem apresentados.
Havia uma ordem em que as cores eram mencionadas:
(1) azul; - Aponta para o Céu, de onde veio e para onde retornou o Senhor Jesus Cristo. Tipifica sua "divindade" e está presente no livro de João. A genealogia não é apresentada, pois Deus não tem ascendência. Ele existe para sempre.
(2) púrpura; - Cor da realeza. O evangelho de Mateus cita Jesus como o "Filho de Davi", enfatizando que Jesus é o nosso Rei. Todo soberano deve provar sua descendência real, e isto é feito em sua genealogia.
(3) carmesim; - Cor de sangue e aponta para Jesus como "servo sofredor". Marcos destaca esta condição em seu evangelho. Aqui não há genealogia, o destaque é para o "servo".
(4) branco. - Lembra a pureza e a santidade de Cristo, salientado por Lucas. Este é o evangelho do Filho do Homem. Jesus é mostrado como o "homem perfeito", e seu caráter justo. Apresenta a genealogia do homem ilustre e nobre.
Essas cores estavam na porta de entrada que dava acesso ao lugar sagrado, onde, por meio do ministério do sacerdote, o pecador encontrava-se com Deus. Assim, toda vez que alguém entrava por essa porta, deparava-se com a simbologia das cores. Para nós, os discípulos de Cristo, essas cores apontavam para a obra de Cristo que envolve a remissão do passado, do presente e do futuro. É a obra completa da salvação.
 Nos dois reposteiros (cortinas) do átrio e da tenda, aparecem as mesmas cores: púrpura, carmesim, branco e azul. Todas essas cores apontam para Jesus e são descritas nos quatro evangelhos.

2. A cor azul celeste (Êx 27.16). É uma cor que remete ao céu e indica a origem celestial de Cristo e sua divindade. Nosso Senhor era verdadeiramente homem e verdadeiramente Deus. Ele veio do céu, mas fez-se homem na Terra (Jo 1.14). Depois da sua ressurreição e vitória contra a morte, Ele foi recebido no céu, reavendo aquela mesma glória de antes que o mundo existisse (Jo 17.5 cf. Fp 2.5-11; Ef 1.20-23). Por intermédio do Espírito Santo, nosso Senhor edifica e zela pela sua Igreja, a Noiva em que um dia brevemente buscará (Hb 12.24; Jo 17.9,20; Rm 8.34; 1 Ts 4.16,17).
- A cor Azul aponta para Cristo, o celestial, de natureza divina; Em João 1.14, a palavra "tornou-se" enfatiza Cristo assumindo a humanidade (Hb 1.1-3; 2.14-18). Esse fato é certamente o mais profundo de todos porque indica que o infinito tornou-se finito; o Eterno foi conformado ao tempo; o Invisível tornou-se visível; o Ser sobrenatural reduziu-se ao natural. Na encarnação, entretanto, o Verbo não deixou de ser Deus, mas tornou-se Deus em carne humana, ou seja, plena divindade em forma humana como um homem (1Tm 3.1b), e não somente isso, mas veio e tabernaculou/habitou - significa "fincar o tabernáculo" ou "morar numa tenda". O termo lembra o tabernáculo do Antigo Testamento, onde Deus se encontrava com Israel antes do templo ser construído (Êx 25.8), onde "falava o Senhor a Moisés face a face, como qualquer fala a seu amigo'' (Êx 33.11). Na nova dispensação, Deus escolheu habitar entre o seu povo de uma maneira muito mais pessoal, tornando-se homem. Quando o tabernáculo foi concluído, a gloriosa presença de Deus encheu toda a estrutura (Êx 40.34; cf. I Rs 8.10); Quando o Verbo se tornou carne, a gloriosa presença da divindade estava incorporada nele (Cl 2.9). Havendo completado a sua obra, Jesus olhou para além da cruz e pediu para ser retornado à glória da qual participava com o Pai antes da criação do mundo. O ponto final de suportar a ira pelos pecados foi declarado por Cristo no brado: "Está consumado" (Jo 19.30).

3. A cor púrpura (Êx 27.16). A púrpura era um tecido roxo obtido de moluscos que estão no fundo dos mares. É uma cor que remete à ideia de realeza e que aponta para o futuro. Em relação a Cristo, a cor é uma figura da realeza e divindade de Jesus (Ef 1.20,21), bem como a sua manifestação triunfal para implantar o Reino Milenial (Sl 110; Is 9.6; Lc 1.32). O nosso Deus jamais perdeu o controle da história! 
A cortina de cor púrpura aponta para Cristo o Rei. Em Efésios 1.20,21, esse mesmo poder que ressuscitou Jesus da morte e o elevou de volta pela ascensão para a glória a fim de fazê-lo sentar-se à direita de Deus, é dado a todo cristão no momento da salvação e está sempre disponível (At 1.8; Cl 1.29). Paulo, portanto, não ora para que o poder de Deus seja dado aos cristãos, mas para que eles se conscientizem do poder que já possuem em Cristo e façam uso dele. Paulo queria que os crentes entendessem a grandeza de Deus comparada a outros seres celestiais. "Principado, potestade, poder e domínio" eram os termos tradicionais judaicos para designar seres angelicais que tinham unia alta posição no exército de Deus. Deus está acima deles todos (cf. Ap 20.10-15).

4. A cor escarlate (carmesim) (Êx 27.16). O carmezim é uma cor de sangue, vermelho vivo. Se, por um lado, a cor projeta o vitupério do Calvário e o triunfo da obra salvífica de Cristo, por outro, ela aponta para a glória vindoura do reinado do “Rei dos reis e Senhor dos senhores” (Zc 14.9; 1 Tm 6.14,15; Ap 19.11-16). Nosso Senhor sofreu, foi ferido e derramou seu sangue remidor como nos revela Apocalipse 19.13: “E estava vestido de uma veste salpicada de sangue, e o nome pelo qual se chama é a Palavra de Deus”. 
-.A cortina carmesim/escarlata aponta para Cristo o Sofredor. Sua morte. Esta cor foi obtida de um bichinho de cor escarlata. Foi esmagado para fornecer o corante. Quando Jesus descer dos céus outra vez para reinar (Ap 11.1), haverá apenas uma religião no mundo inteiro durante se reinado milenar. O Senhor governará com cetro de ferro (Ap 19.15) e eliminará as religiões criadas por Satanás. Será o cumprimento final:
(1) da aliança abraâmica segundo a.qual ele daria origem ao povo judeu, a nação de Israel, e da terra que daria a Abraão;
(2) da aliança davídica com sua promessa de um rei da tribo de Judá e da continuidade da linhagem de Davi e
(3) da nova aliança que oferece a esperança de redenção espiritual para judeus e gentios. Tudo isso se cumprirá no Senhor Jesus Cristo e por meio dele.
O manto tinto de sangue de Cristo simboliza as grandes lutas que ele já enfrentou contra o pecado, Satanás e a morte, e seu manto foi manchado com o sangue dos seus inimigos.

5. A cor branca do linho torcido. Em ponto anterior, tratamos dessa cor para falar da santidade de Cristo. Num sentido especial, o linho torcido é o tecido rústico e batido que lembra a humanidade de Jesus e seu sofrimento em nosso lugar. Lembra também o fato de que a morte de Cristo tornou-se o fundamento da justiça em nosso favor (1 Pe 1.18,19; Ap 1.5).
A cortina na cor branca aponta para Cristo o Puro, Imaculado. Fomos resgatados, ou seja, comprados mediante pagamento para livrar-nos da escravidão; fomos postos em liberdade mediante o pagamento de um resgate. "Resgate" ou "redenção" era um termo técnico que se aplicava ao dinheiro pago para comprar a liberdade de um prisioneiro de guerra. Em 1Pe 1.18,19 é usado como referência ao preço pago para comprar a liberdade de alguém que é escravo do pecado e está sob a maldição da lei (ou seja, a morte eterna, - Gl 3.13). O preço pago a um Deus santo foi o sangue derramado de seu próprio Filho (cf. Cx 12.1-13; 15.13; Sl 78.35; At 20.28; Rm 3.24; Cl 4.4-5; Ef 1.7; Cl 1.14; Tt 2.14; Hb 9.11-17). Por isso mesmo Jesus é o Primogênito; De todos os que foram ou serão ressuscitados dos mortos, ele é o proeminente, o único herdeiro legal (cf. 3.14; SI 8 9.27; Cl 1.15).


SUBSÍDIO VIDA CRISTÃ

“Até à Morte
Chegamos à última noite da vida do Senhor. Ele está com os discípulos no Cenáculo. Aqui acontecerá o ato final entre eles, a consumação de toda a sua vida. Há um detalhe nesse ato que o Senhor não deixou claro para muitos.
Eles se sentaram em volta da mesa para cearem. Jesus tomou o pão, partiu-o e os instruiu a tomar e comer. O que Ele quis dizer com isso? Considerando que Ele estava presente na carne, qual foi o significado de partir o pão?
Através deste ato, o Senhor Jesus Cristo declarou diante de Deus, diante dos anjos e diante dos homens que Ele não hesitaria em morrer pelo mundo. Não havia limites. Ele seria fiel até à morte.
Assim como Ele tinha sido fiel em vida e vivido cada dia consciente de tudo o que acontecia ao seu redor, agora Ele cravaria o seu inteiro na cruz. Seria fiel até à morte.
O real propósito de tornar-se cristão não é tão somente ser salvo do inferno e ir para o céu. É tornar-se filho de Deus, assumir o caráter de Jesus Cristo para permanecer diante dos homens, e, caso necessário, até ser sentenciado à pena máxima, à morte, recusando-se a pecar, não aceitando curvar a cabeça diante de Satanás, preferindo morrer a desonrar o Filho de Deus.
Se o caráter de Jesus Cristo entrou em você e em mim, então, em termos de propósito, isso nos tornou como Ele. Fez-nos de fato como Ele. Bendito seja Deus! O seu Espírito nos é dado. Bendito seja Deus! O seu Espírito nos é dado. Bendito seja Deus por essa mesma fidelidade inextinguível que caracterizou o Filho de Deus” (LAKE, John G. Devocional. Série: Clássicos do Movimento Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2001, pp.51-52).

CONCLUSÃO

O autor da Epístola aos Hebreus exorta-nos a chegar com confiança ao trono da graça, pois assim alcançaríamos misericórdia e acharíamos graça para, num tempo oportuno, sermos auxiliados (4.16). Jesus, o Sumo Sacerdote perfeito, deu-nos esse privilégio para desfrutarmos da presença santa de Deus mediante a fé. Não tenhamos receio de adentrar a presença santa do Pai!
Os governantes antigos, em sua maioria, não eram acessíveis para ninguém que não fizesse parte de seus principais conselheiros (Et 4.11). Em contrapartida, o Espírito Santo pede a todos que se acheguem com confiança ao trono de Deus para receber misericórdia e graça por meio de Jesus Cristo (Hb 7.25; 10.22; Mt 27.51). A arca da Aliança era vista como o lugar na terra onde Deus se assentava em seu trono entre os querubins (2Rs 19.15; Jr 3.16-17). Foi no trono de Deus que Cristo fez expiaçâo pelos pecados, e é ali que a graça é dispensada aos cristãos para todas as questões da vida (2Co 4.15; 9.8; 12.9; Ef 1.7; 2.7). Quando os evangelistas registram que após a morte de Jesus o véu do Templo se rasgou, estão indicando que, cumprida a missão de Jesus naquele momento, Deus abriu o acesso, através de Jesus Cristo, à Sua presença. O véu foi rasgado e o acesso a Deus foi aberto. Agora já não somos mediados por Sumos Sacerdotes, mas cada crente em Jesus Cristo é um sacerdote e tem livre acesso à presença de Deus (1Pd 2.9). Somos mediados apenas por Jesus Cristo, ou seja, cada um de nós agora pode se dirigir diretamente a Deus, buscando o perdão dos pecados, sem a necessidade de ninguém (humano) que nos represente. Essa é uma das maiores bênção que foram dadas a nós! E por isso ficou registrado nos evangelhos de forma preciosa essa grandiosa revelação.

Achando-se as tuas palavras, logo as comi, e a tua palavra foi para mim o gozo e alegria do meu coração; porque pelo teu nome sou chamado, ó Senhor Deus dos Exércitos”. (Jeremias 15.16)

Francisco Barbosa
Disponível no blog: auxilioebd.blogspot.com.br