quinta-feira, 11 de abril de 2019

Lição 2: OS ARTESÕES DO TABERNÁCULO

SUBSÍDIO I

Cheios do Espírito de Deus para Realizar a Obra

Ao escolher Bezalel e Aoliabe, Deus investiu em suas vidas para que os mesmos fossem inspirados e inventivos para fazerem cada peça do Tabernáculo. Toda a criatividade de Bezalel e Aoliabe obedeceria ao plano original de Deus entregue a Moises. Nada poderia ser feito ao bel-prazer, mas, sim, de acordo com o plano original. Moisés teve a garantia de que aqueles dois homens e todos aqueles que os ajudariam nas várias atividades seriam cheios do Espírito de Deus (Êx 31.3). Essa concessão seria manifestada em sabedoria, entendimento e ciência para a realização de todas as atividades que envolviam habilidades com metais, madeiras e peles. Todas as peças fabricadas para o Tabernáculo tinham significados especiais. Esse era o modo de Deus fazer conhecida a sua vontade e o seu desejo de habitar com o povo de Israel. Toda a simbologia constitui-se figura de representação da realidade espiritual. Para o ministério cristão, o requisito para a obra de Deus ser feita é ser cheio do Espírito Santo (ver Ef 5.18). 

A Prerrogativa de Deus (Êx 31.1,2)

É prerrogativa de Deus o direito de chamar quem Ele quiser. Quando Ele chama, assim o faz por nome, como fez com Moisés, Bezalel e Aoliabe. Deus é Soberano e conhece particularmente cada pessoa no mundo. Na Igreja, o método divino é o mesmo. Para o serviço do Tabernáculo, o Senhor escolheu aqueles que tinham habilidade para fazer determinada obra e encheu-os de conhecimento e ciência. Quando Jesus escolheu seus discípulos, Pedro foi especialmente escolhido para trabalhar com os judeus; mais tarde, Paulo foi escolhido para evangelizar os gentios. 
Para tornar suas habilidades ainda mais precisas, Bezalel e Aoliabe tiveram a provisão de Deus, que lhes concedeu sabedoria e ciência. Na Igreja, Deus tem concedido dons a pessoas que são investidas de sabedoria para edificarem espiritual, moral e doutrinariamente o corpo de Cristo. Os ministros de Deus tornam-se sábios arquitetos e construtores da Igreja de Deus (ver 1 Co 3.9). 

Os Talentos (Habilidades) de Bezalel e Aoliabe (Êx 31.1-6)

Bezalel fora especialmente escolhido por Deus por ser um artesão altamente profissional e por saber trabalhar com ouro, prata e cobre, além de outros materiais como madeira e pele. Bezalel sabia lavrar esses metais com esmero, bem como madeira para a confecção das peças sob medida que seriam utilizadas no Tabernáculo. Ele e Aoliabe estariam submetidos às revelações de Deus para a confecção das peças que envolviam os altares, as colunas e as cortinas com suas cores. Como escultores, artesãos, carpinteiros e marceneiros, Bezalel e Aoliabe eram especialistas, e tudo quanto fizeram no Tabernáculo, independentemente da estrutura, da estética e da beleza de seus trabalhos, eram feitos para a glória de Deus. Seus talentos pessoais seriam efetivados com a supervisão de uma equipe de obreiros qualificados para moldarem os muitos objetos sagrados com ouro, prata e cobre, e até mesmo os vestidos dos sacerdotes, que eram usados nas ministrações sacerdotais no culto do Tabernáculo, seriam lavrados com pedras preciosas. 

Os Talentos Revelados na Igreja (Mt 25.14-30)

A parábola de Jesus sobre os talentos envolvia a história de um homem rico que, precisando viajar e ausentar-se da sua terra, resolveu distribuir responsabilidades de negociação com os seus servos. Mateus utilizou o termo grego talanton, que significa “talento”, e referia-se a uma moeda de alto valor. O homem da parábola distribuiu os talentos aos seus servos de acordo com a capacidade de cada um deles para negociar com aqueles talentos, que podem representar qualidades naturais e graças espirituais que qualificam pessoas a realizarem determinados serviços para o Reino de Deus. Cada crente é dotado de algum talento com o qual poderá trabalhar para o Senhor Jesus e receber a devida recompensa pelo seu trabalho. Esses talentos podem representar “dons” concedidos pelo Espírito Santo, tanto em relação a talentos naturais quanto a talentos espirituais, os quais são identificados pelas habilidades úteis para os serviços da Igreja de Cristo. 

Texto extraído da obra “O TABERNÁCULO”, editada pela CPAD. 

COMENTÁRIO E SUBSÍDIO II

INTRODUÇÃO

Na aula de hoje estudaremos a respeito dos artesãos do Tabernáculo: Bazalel e Aoliabe. Aproveitaremos para destacar a importância de desenterrar os talentos, a partir da parábola contada por Jesus. É importante também sabermos que fomos capacitados por Cristo, e pelo Seu Espírito, para desenvolvermos ministérios e dons, com vistas à edificação da Igreja.

I. BEZALEL E AOLIABE
                                                                 
Bezalel e Aoliabe foram chamados por Deus para executar uma grande obra no Tabernáculo. O primeiro, pertencente a tribo de Judá, e o segundo, a tribo de Dã (EX. 31.1-6), se tornaram instrumentos nas mãos de Deus, para dar realce a construção daquela importante tenda móvel. O texto bíblico é enfático ao reconhecer que esses foram cheios do Espírito Santo, para realizar aquilo que Deus estabeleceu, com vistas não apenas a funcionalidade, mas também a estética do Tabernáculo. É digno de destaque que desde a Antiga Aliança Deus usa pessoas, dando a elas a capacitação necessária, para que Seu propósito seja alcançado. Existem várias personagens bíblicas no Antigo Testamento, cada uma delas com suas particularidades, a começar por Moisés e Arão, que foram guiadas por Deus, cada um sendo usado com sua especialidade. No Novo Testamento, percebemos o mesmo princípio, Paulo e Pedro foram discípulos de Jesus, um se destacou na pregação do evangelho aos judeus (Gl. 2.8), enquanto que o outro o fez entre os gentios (Rm. 11.13). Esse princípio é importante no contexto eclesiástico, a fim que possamos reconhecer as diversidades, e saber que o Espírito faz como lhe apraz.

II. DESENTERRANDO OS TALENTOS

Jesus contou uma parábola a respeito da importância de fazer os talentos prosperar. A Parábola dos Talentos, que se encontra em Mt. 25.14-30, é uma advertência a respeito da necessidade de desenvolvermos a obra de Deus, de acordo com os dons que recebemos da parte do Senhor. Jesus conta que um homem, partindo para fora da terra, chamou seus servos, entregando-lhe bens. Ele entregou a esses servos alguns talentos, considerando a capacidade de administrar cada um deles. A um entregou cinco, que granjeou mais cinco, a outro entregou dois talentos, que ganhou outros dois, mas o que recebeu apenas um talento, talvez por achar que era pouco, e por ter uma visão deturpada do seu senhor, decidiu esconder na terra o talento, para devolvê-lo quando o Senhor retornasse. Os servos que duplicaram seus talentos foram elogiados pelo senhor, por ocasião da sua volta, mas esse que escondeu o talento na terra foi repreendido pelo senhor. Esse servo é identificado pelo Senhor como “inútil”, tendo sido lançado nas trevas exteriores. Essa parábola revela a importância de se dedicar ao desenvolvimento do reino de Deus, e foi justamente isso que Cristo fez durante os dias em que esteve na terra. Os religiosos do seu tempo, principalmente os escribas e fariseus, ao invés de propagaram a boa mensagem, resolveram escondê-la e enterrando-a, privando as pessoas de conheceram a verdade do evangelho. A partir dessa Parábola somos advertidos a trabalho pelo Reino de Deus, atentando para o valor dessa preciosa mensagem.

III. OS DONS MINISTERIAIS E ESPIRITUAIS

Há diferentes palavras para dons em hebraico, destacamos: berekah, minhah, korban e teruma. Berekah é geralmente traduzida por benção, e diz respeito aos pronunciamentos de coisas boas em relação a outros (I Sm. 25.27; II Rs. 5.15-18). A palavra minhah traz o significado de oferta, geralmente entregue como parte do culto. Korban também significa oferta ou dádiva, trata-se de um dos termos mais gerais no hebraico para a oferta. Teruma pode ser traduzido como oferta, porção, dom ou contribuição. O verbo dar é natan em hebraico, que comunica a ação de entregar algo a alguém (Lv. 26.4; Dt. 11.14). No grego do Novo Testamento, temos as palavras doreá, no sentido de dádiva, sendo Cristo a maior dádiva de Deus (II Co. 9.15; Rm. 5.15; Ef. 3.4). O próprio Espírito Santo é uma dádiva de Deus, depois que o pecador se arrepende dos seus pecados (At. 2.38; 8.20; 10.45; 11.17). O termo dóron também transmite o significado de dádiva, relacionado especificamente às ofertas a Deus (Mt. 5.23,24; Lc. 21.1-4). Outra palavra grega associada às dádivas é eleemosuné, de conotação mais social, relacionada à contribuição aos necessitados (Mt. 6.2; Lc. 11.41; At. 9.36; 10.2). Palavras de bênçãos também podem ser pronunciadas na Nova Aliança, são as eulogias, cujo significado é o de expressar nosso desejo de que Deus abençoe os outros. A palavra charisma, em grego, está associada aos dons do Espírito Santo (I Co. 12). Mas tem uma dimensão mais ampla, tendo em vista que Timóteo recebeu um charisma, quando lhe impuseram as mãos, um dom para o exercício ministerial (I Tm. 4.14; II Tm. 1.6). Dentre os charisma que Paulo recebeu, destacamos o do celibato, tratando-se, portanto, de uma capacitação de Deus, não de uma imposição humana (I Co. 7.7). As palavras gregas relacionadas aos dons espirituais são charismata e pneumatikon, o primeiro diz respeito aos aspectos da graça na capacitação dos dons, e o segundo, ressalta o Espírito Santo como a fonte dos dons (I Co. 12.11).

CONCLUSÃO

A igreja deve favorecer a manifestação das capacitações do Espírito, com vistas à edificação do Corpo de Cristo. Ao invés de enfatizar demasiadamente os cargos, devemos estimular as funções ministeriais, dadas por Cristo e pelo Espírito Santo. Deus distribuiu talentos para a Igreja, agradecemos ao Senhor porque temos pessoas com dotes para a música, outros para o ensino ou para a evangelização. Todos, no entanto, devem respeitar as diferenças, e saber que somos partes do mesmo corpo, e que os ministérios são mais importantes do que os cargos.

José Roberto A. Barbosa
Disponível no Blog subsidioebd.blogspot.com

COMENTÁRIO E SUBSÍDIO III

INTRODUÇÃO

Nesta lição, veremos que Deus chama pessoas especiais para realizar obras especiais. Estudaremos a respeito da importância de ser cheios do Espírito para realizar uma grande obra. E concluiremos a lição com um chamado à consciência a respeito do uso do talento dado por Deus para a glória dEle. Ora, o Criador concedeu a Moisés instruções e capacitou pessoas para construir o Tabernáculo e executar obras especiais. Não é diferente hoje, pois Ele continua a capacitar os escolhidos para a sua obra e espera que a façamos.
No capítulo 31 de Êxodo temos o registro da escolha dos artífices da obra do tabernáculo bem como a orientação sobre o sábado santo e as duas tábuas do Testemunho. Temos que distinguir a soberania divina no ato de eleger, chamar, capacitar e enviar. Deus identificou dois homens por nome como especialmente escolhidos e divinamente habilitados, ou cheios do Espírito, para fazer tudo o que Deus revelara a Moisés (Êx 28.3; 36.1). Nenhum dos obreiros ficou isento de entendimento divinamente concedido para a complexidade da tarefa. Eles foram chamados de "artífices dotados", o que sugere habilidade previamente desenvolvida, Eles deveriam fazer tudo quanto fora prescrito (Êx 25—30).

I. HOMENS ESPECIAIS PARA SERVIÇOS ESPECIAIS (Êx 31.1,2,6)
                                                                 
1. Bezalel e Aoliabe, chamados por Deus (Êx 31.2,6). Na lição passada, vimos que o Tabernáculo devia ser construído, bem como suas peças habilidosamente talhadas. Para executar essa obra, Deus chamou Bezalel e Aoliabe. O primeiro era da Tribo de Judá; o segundo, da Tribo de Dã (Êx 31.2,6). Ambos foram capacitados pelo Espírito de Deus a fim de trabalharem em toda sorte de obra em ouro, prata, bronze e madeira.
Eu chamei pelo nome de Bezaleel” - Isto é, eu particularmente nomeei essa pessoa para ser o superintendente-chefe de todo o trabalho. Seu nome é significativo, בצלאל betsal - el , ‘dentro ou sob a sombra de Deus’, ou seja, sob a proteção especial do Altíssimo . Era filho de Uri, filho de Hur, filho de Calebe ou Chelubai, filho de Esron, filho de Perez, filho de Judá (Veja 1Cr 2.5, 9, 18-20). Aoliabe da tribo de Dan é nomeado ao lado de Bezaleel e faz parceria com ele. Note que aquele Hirão, que era o cabeça-trabalhador na construção do templo de Salomão, também era da tribo de Dan (2Cr 2.14).

2. A prerrogativa de Deus (Êx 31.1,2). O texto bíblico de nossa lição mostra que Deus chama a quem Ele quer para executar sua obra. Ele conhece a natureza de cada filho e, de acordo com ela, distribui talentos conforme a capacidade de cada um. Não por acaso, para construir o Tabernáculo, o Criador chamou pessoas inclinadas às artes e às ciências, capacitando-as para potencializar essas habilidades. Essa forma de Deus chamar está registrada ao longo das Escrituras. Pedro foi convocado para exercer seu ministério entre os judeus (Gl 2.8); e Paulo, com os gentios (Rm 11.13). Tratava-se de pessoas estratégicas para fazer obras estratégicas. É assim que Deus age.
Ao longo da história da Igreja, o Pai Celestial capacitou pessoas e deu-lhes sabedoria para edificarem o Corpo de Cristo. Ele pode falar ao seu coração agora acerca de um chamado. Seja sensível a voz dEle! Deus é quem chama!
 Filipenses 2.13 diz que “... pois é Deus quem produz em vós tanto o querer como o realizar, de acordo com sua boa vontade”. Embora o crente seja responsável pelo trabalho, na verdade, o Senhor mesmo é quem, em última instancia, produz as boas obras, e o fruto do Espírito na vida dos crentes (Jo 15.5; 1Co 12.6). Isso é realizado porque ele opera por nosso intermédio pelo seu Espírito que habita em nós (At 1.8; 1 Co 3.16-17; 6.19-20; cf. Gl 3.3). É Deus quem estimula tanto os desejos do cristão quanto suas ações. A palavra grega para "querer" indica que ele não está focando em meros desejos ou em emoções caprichosas, mas na intenção pensada de cumprir um propósito planejado. O poder de Deus faz a sua igreja desejar viver uma vida piedosa (cf. SI 110.3). O alvo de Deus é que os cristãos façam o que o agrada (Ef 1.5.9; 2Ts 1.11). O Espírito Santo, o qual não tem outro senão um evangelho, havia capacitado tanto Pedro quanto Paulo para os seus respectivos ministérios. A única conclusão a que esses líderes podiam chegar era de que a graça de Deus era a responsável pela poderosa pregação do evangelho e edificação da igreja por meio dos esforços de Paulo.

3. A pluralidade do serviço cristão (Rm 12.4-8; 1Co 12.8-10,28). Muitas são as necessidades da igreja local, tanto de ordem espiritual quanto material (At 6.14). Elas manifestam-se na manutenção da comunhão cristã entre os irmãos, bem como na organização dos elementos funcionais do culto cristão. Para isso, na obra do Senhor, há lugar para diversidades de dons e talentos que envolvam liderança espiritual, musical, ação social e muitas outras esferas que exponham a necessidade da obra. Que você aplique o seu talento na obra de Deus!
Romanos 12.4-8 é uma das duas passagens do Novo Testamento (a outra é 1Co 12.12-14) que apresenta as características gerais dos dons espirituais. A ênfase de cada lista não está em os cristãos identificarem o seu dom de maneira perfeita, mas em usar fielmente a capacidade exclusiva que Deus deu a cada um. O fato das duas listas diferirem sugere claramente que os dons são como uma paleta de cores básicas, as quais Deus combina a fim de obter uma tonalidade exclusiva para a vida de cada discípulo. Para exemplificar isso, o apóstolo utiliza a simbologia do corpo humano e afirma que, exatamente como corpo natural, Deus, de modo soberano, deu ao corpo de Cristo uma diversidade especial. Deve ficar muito claro em nossa mente que o próprio dom (1Co 12.4), a maneira específica na qual é usado (1Co 12.5) e os resultados espirituais (1Co 12.6) são iodos escolhidos de maneira soberana pelo Espirilo, totalmente à parte de mérito pessoal (1Co 12.11). O Espírito Santo tem muitas funções, papéis e atividades. Primeiro, Ele trabalha nos corações de todas as pessoas em todos lugares. Jesus disse aos seus discípulos que enviaria o Espírito ao mundo para convencer “o mundo do pecado, da justiça e do juízo” (Jo 16.7-11). Todas as pessoas têm uma consciência de que Deus existe, quer admitam ou não, pois o Espírito aplica as verdades de Deus às mentes dos homens para convencê-los com argumentos suficientes e justos de que são pecadores. Responder a essa convicção leva os homens à salvação.

SUBSÍDIO DIDÁTICO-PEDAGÓGICO
Após fazer a revisão da aula anterior nos primeiros cinco minutos, revele os objetivos e o ponto central da presente aula. Mostre o esboço da aula desta semana: (I) Homens Especiais para Serviços Especiais; (II) Cheios do Espírito, Sabedoria, Entendimento e Ciência; (III) Usando os Talentos para a Glória de Deus.
Esses passos são importantes porque, diferentemente de nós, os professores, o aluno quase sempre não tem o arcabouço da aula na mente. Você pode aproveitar essa oportunidade para estimular o aluno a ler a lição na semana anterior à ministração da aula.
O processo do ensino-aprendizagem só acontece quando o professor e o aluno têm a consciência do mesmo objeto de estudo. Diferente disso, não há aprendizado.
II. CHEIOS DO ESPÍRITO, SABEDORIA, ENTENDIMENTO E CIÊNCIA (Êx 31.3-5)

1. Cheios do Espírito para realizar a obra (v.3). O texto bíblico diz: “o enchi do Espírito de Deus”. Essa afirmativa vai ao encontro do que nós, pentecostais, sempre afirmamos: não há nada que possamos fazer na vida sem a direção e a ação poderosa do Espírito Santo. O texto em destaque declara que toda a criatividade, sabedoria, entendimento e ciência para construir o Tabernáculo e talhar cada peça em ouro, prata, bronze e madeira promanavam do Espírito de Deus. Aqui, há uma verdade maravilhosa para nós: para realizarmos uma obra espiritual, precisamos estar capacitados pelo Espírito Santo. Nessa perspectiva colocamos todas as nossas habilidades aprendidas nos bancos das escolas, das faculdades e da jornada da vida a serviço do Rei Jesus. Assim, Deus nos usará poderosamente!
Portanto, a simbologia da capacitação espiritual para a construção do Tabernáculo se constitui figura de realidade espiritual do povo de Deus no ministério cristão (At 6.3; Ef 5.18).
Há uma ordem de Paulo em Efésios 5.18 de buscarmos o enchimento do Espírito. A verdadeira comunhão com Deus é induzida pelo Espírito Santo. Notemos que nesse texto, o apóstolo não está falando a respeito da habitação do Espírito Santo como no texto de Romanos 8.9, pois todo cristão é habitado pelo Espírito no momento da salvação. Em vez disso, ele está dando uma ordem aos cristãos para viverem continuamente sob a influência do Espírito, deixando a Palavra controlá-los (Cl 3.16), buscando uma vida pura, confessando todo pecado conhecido, morrendo para si mesmos, rendendo-se à vontade de Deus e dependendo do seu poder em todas as coisas. Ser cheio do Espírito é viver na presença consciente do Senhor Jesus Cristo, deixando a mente dele, por meio da Palavra, dominar tudo que é pensado e feito. Ser cheio do Espírito é o mesmo que andar no Espírito (Gl 5.16-23). Cristo exemplificou esse modo de vida (Lc 4.1). Efésios 5.19-21 resumem as imediatas consequências pessoais de obedecer à ordem de ser cheio do Espírito, ou seja, cantando, dando graças e submetendo-se humildemente aos outros. O restante da epístola apresenta a instrução com base na obediência a essa ordem. Em Ef 5.18, o poder e a motivação para todos os efeitos é o enchimento do Espírito Santo.

2. Habilidades especiais para obras especiais (vv.4,5). A Bíblia mostra uma diversidade de dons relacionados ao serviço cristão (Rm 12.3-8; 1Co 12.4-6) — dons esses que foram distribuídos pelo Espírito Santo, segundo o apóstolo Paulo — na mesma perspectiva do processo de escolha de Bezalel e Aoliabe para a construção do Tabernáculo (vv.4,5).
Na igreja local, muitos trabalhos requerem habilidades especiais. Por exemplo, quem escreve precisa ser habilidoso no ofício da escrita; quem canta precisa ser habilidoso no ofício do canto; quem toca precisa ser habilidoso no ofício instrumental; quem prega precisa ser habilidoso no ofício da interpretação de texto e da retórica. Enfim, as necessidades de habilidades especiais para realizar obras especiais são inúmeras. Por isso que o Espírito Santo capacita pessoas para atividades bem específicas. É verdade que os dons de Deus não dependem de habilidades naturais. No entanto, o Senhor chama pessoas que tenham habilidades especiais para potencializá-las e, assim, executarem serviços complexos na igreja local.
Precisamos entender que ao falarmos de dons, não estamos falando de talentos, perícias ou habilidades naturais que tanto os cristãos quanto os incrédulos possuem. Estes são, de maneira soberana e sobrenatural, concedidos pelo Espírito Santo a todos os cristãos (1Co 12.7,11) visando capacitá-los a edificar espiritualmente uns aos outros de modo efetivo e, assim, honrar ao Senhor. A variedade de dons pode ser classificada em dois tipos gerais: fala e serviço (1Co 12. 8-10; Rm 12.6-8; 1Pe 4.10-11). Os dons da fala, ou verbais (profecia, conhecimento; sabedoria, ensino e exortação) e os dons do serviço, não verbais (liderança, socorro, contribuição, misericórdia, fé e discernimento) são todos dons permanentes que atuarão ao longo de toda a existência da igreja. O propósito deles é edificar a igreja e glorificar a Deus. Tanto essa lista como a de Rm 12.3-8 são mais bem vistas como uma representação das categorias dos dons entre os quais o Espírito Santo escolhe para dar a cada cristão aquele ou aqueles conforme lhe apraz (1Co 12.11). Alguns cristãos podem ser dotados com dons semelhantes a de outros quanto à categoria, mas são pessoalmente únicos, pois o Espírito ajusta cada dom da graça divina à pessoa. Existe um grupo cristão protestante que afirma que os dons de milagres, cura, variedade de línguas e interpretação de línguas foram de manifestação temporária, restritos à era apostólica e, portanto, cessaram – são conhecidos por ‘cessacionistas’; afirmam isso baseados em textos como o de 1 Co 13.8-10, afirmando que estes dons cessaram por ocasião do Canon do Novo Testamento estar concluído. Nós pentecostais cremos na atualidade desses dons e no seu propósito de autenticar a mensagem como a verdadeira Palavra de Deus. O Senhor concede aos cristãos áreas exclusivas para o ministério, nas quais eles podem exercer seus dons, e fornece todo o poder a fim estimulá-los e realizá-los (Rm 12.6).
SUBSÍDIO TEOLÓGICO

“Cultive a disposição de compartilhar com os outros. Os dons são manifestos quando as pessoas têm a expectativa de ouvir um recado de Deus, quer através das Escrituras, dos cânticos ou de um sussurro suave. Ensine-as a ouvir a voz de Deus. Ofereça aplicações práticas com exemplos pessoais e da vida de outras pessoas. Quando os dirigentes determinam um horário para compartilhar os dons, eles mesmos devem ter uma bênção para contar. Não deixe que ninguém diga, depois de longo período de silêncio: ‘Ninguém ouviu um recado de Deus’. Pelo contrário, devemos dizer: ‘Permaneçamos na presença do Deus que nos inspira reverência, e, se alguém tiver uma bênção para contar, fale’. Chegue, então, a um término positivo, contando aos demais as impressões de Deus sobre você. Como líder, esteja disposto a compartilhar. Seja um exemplo de semelhante expectativa” (HORTON, M. Horton (Ed.). Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2018, p.492).
III. USANDO OS TALENTOS PARA GLÓRIA DE DEUS

1. Os talentos (habilidades) de Bezalel e Aoliabe. Já vimos que Bezalel e Aoliabe eram artesãos altamente capacitados para trabalhar com ouro, prata e cobre, além de outros materiais como madeira. Mas algo devemos destacar: ambos se submeteram à revelação de Deus para executar com maestria as peças dos altares, colunas, cortinas e cores. Assim, revestidos do Espírito de Deus, Bezalel e Aoliabe passaram a ser especialistas para fazer tudo quanto fosse necessário para construir a estrutura do Tabernáculo de maneira esteticamente bela. Eles primeiro submeteram-se! Por isso o que faziam era para a glória de Deus!
Para fazermos alguma tarefa que glorifique a Deus precisamos ter a consciência profunda de que foi Ele quem nos chamou. Esse é o passo fundamental para que o nosso trabalho glorifique a Deus. Depois, é preciso admitir que, embora você tenha a mais importante capacitação secular, Deus sempre é quem dá a última instrução. Experimente submeter-se a Deus e fazer qualquer tarefa para a glória dEle!”.
1 Coríntios 12 descreve os dons espirituais outorgados aos crentes para que possamos funcionar como o corpo de Cristo na terra. Todos esses dons, grandes e pequenos, são dados pelo Espírito para que possamos ser Seus embaixadores ao mundo, mostrando Sua graça e glorificando a Ele. Agora, temos que distinguir a diferença entre talentos e dons, não são a mesma coisa. O que é certo é que ambos são dádivas divinas, aumentam em efetividade com o uso, são para ser usados a favor de outras pessoas, não para propósitos egoístas. O apóstolo afirma em 1 Coríntios 12.7 que os dons espirituais são dados para beneficiar outras pessoas.... não a nós mesmos. Como os dois maiores mandamentos são para amar a Deus e a outras pessoas, dá-se a entender que talentos devem ser usados para esse propósito. No entanto, talentos e dons espirituais diferem em para quem são dados e quando. Uma pessoa (independente de sua crença em Deus e Cristo) recebe talento/habilidade natural (alguns têm a habilidade natural para música, arte ou matemática), isso fruto da genética, ambiente (crescendo em uma família musical vai ajudar o desenvolvimento do talento em música), ou simplesmente porque Deus quis favorecer certas pessoas com certos talentos (por exemplo, Bezalel em Êxodo 31.1-6). Já os dons espirituais são dados àqueles que foram recebidos no Corpo de Cristo, pelo Espírito Santo (Rm 12.3,6) no mesmo tempo em que colocam sua fé em Cristo para obter perdão de seus pecados. Naquele momento, o Espírito Santo dá ao novo crente um ou mais dons espirituais que deseja que aquele crente tenha (1Co 12.11).
 Neste caso em particular, Bezalel e Aoliabe foram homens hábeis escolhidos por serem os melhores artesões da sua nação, e trabalharam com todo o apoio do líder nacional. Registros históricos desta nação mencionaram as contribuições destes homens ao patrimônio público quase 500 anos depois. Já eram habilidosos, ainda mais depois de serem cheios do Espírito... Seu trabalho durou séculos e foi reconhecido por pessoas em países ao redor do mundo. Até aos dias de hoje, artistas procuram imitar sua obra na forma de réplicas e ilustrações. Assim, vemos alguns critérios nessa chamada:
Deus vê o interior e não o exterior.(1Sm 16.7)
Deus escolhe aqueles cujo coração é totalmente dele.(2Cr 16.9)

2. Os talentos revelados na Igreja (Mt 25.14,15). Embora Mateus 25 seja uma passagem bíblica que trata acerca da volta de Jesus, ela é uma bela ilustração para mostrar o que Deus espera que nós façamos com a nossa vocação. O que Ele exigiu de Bezalel e Aoliabe também está contemplado na Parábola dos Talentos. Nessa parábola a palavra grega talanton, que significa “talento”, ganha destaque. O termo refere-se à moeda de alto valor. Nesse contexto, o homem rico distribuiu vários talentos aos servos de acordo com a capacidade de cada um para negociar. Naturalmente, o homem rico esperava receber retorno dos servos. A mensagem aqui é clara: quando o Senhor voltar, Ele deseja nos encontrar trabalhando de acordo com as habilidades que Ele nos capacitou para o seu reino. Desenvolver os talentos simboliza perseverar na fé e o comprometer-se em colocar a serviço do Corpo de Cristo tudo o que o Senhor nos concedeu.
Cada crente é dotado de algum talento com o qual poderá trabalhar para o Senhor Jesus e receber a devida recompensa pelo trabalho quando nos encontrarmos no Tribunal de Cristo (2Co 5.10). Não desperdice o talento que Deus lhe deu. Honre ao Senhor com os seus talentos!
O apóstolo em 2º Coríntios 5.10 descreve a motivação mais profunda do cristão e o maior propósito em agradar a Deus — a compreensão de que cada cristão deve, enfim e de modo inevitável, prestar contas a Ele. O tribunal de Cristo refere-se, metaforicamente, ao lugar onde o Senhor se sentará para avaliar a vida dos cristãos com o objetivo de entregar a eles os galardões eternos. É uma tradução da palavra grega bema, uma plataforma elevada onde os atletas vitoriosos (Olimpíadas) se colocavam para receber a coroa. O termo também é usado no Novo Testamento para se referir ao lugar do julgamento, como quando Jesus ficou diante de Pôncio Pilatos (Mt 27.19; Jo 19.13), mas, aqui, a referência é, definitivamente a analogia atlética. Corinto possuía tal plataforma onde tanto os prêmios dos atletas quanto a justiça legal eram dispensados (At 18.12-16), de modo que os coríntios compreenderiam a referência de Paulo.. As ações ocorridas durante o tempo do ministério terreno do cristão, não incluindo os pecados, uma vez que o julgamento deles ocorreu na cruz (Ef 1.7). Paulo se refere a todas aquelas atividades realizadas pelos cristãos durante a sua vida, as quais dizem respeito ao galardão eterno deles e ao louvor a Deus. O que os cristãos fizerem com o seu corpo temporário terá, à vista dele, um impacto para a eternidade (1Co 4.3-5; Rm 12.1-2; Ap 22.12).
O que é certo é que Deus deu a cada um de nós dons e talentos para a Sua própria glória e Ele deseja que usemos nossos dons/talentos/habilidades para honrá-Lo. Ele tem um propósito nessa Terra que só pode ser cumprido por mim e por você, com a capacitação que Ele nos entregou. Por isso, é muito importante que entendamos que somente cumprindo esse propósito, nos sentiremos plenos, realizados e felizes. Fora dele, só resta constante frustração.


SUBSÍDIO VIDA CRISTÃ

“Ministros – Labaredas de Fogo
Os ministros de Deus são ‘labaredas de fogo’. Ele quer que todos os homens e mulheres estejam em chamas. O seu desejo não é apenas que sejamos salvos do pecado, mas que estejamos ardendo em fogo espiritual. O Espírito Santo é dinamite e fogo na alma do crente. Ele deseja que tenhamos o poder do trovão do raio. O Espírito Santo é o raio. Ele atinge os homens com a convicção, mata-os para o mundo e os faz reviver em Cristo.
Eu coloquei tudo no altar, entreguei ao Senhor tudo pelo que havia esperado e desejado. Então, quando orei, o fogo desceu e Deus me santificou e tornou-me santo. Depois fui para a casa e disse: ‘Tenho outra religião’. Na verdade, não era outra religião. O velho Ismael fora expulso, e a natureza carnal, destruída. Deus encheu-me de amor, fechou a porta e deixou-me naquele estado. E nada podia entrar, senão o amor” (SEYMOUR. Devocional: O Avivamento da Rua Azusa. Série: Clássicos do Movimento Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2003, pp.139-40).
Que estejemos prontos como instrumentos disponíveis a serem usados na maravilhosa obra de Deus.

CONCLUSÃO

No Reino de Deus muitas habilidades poderão ser utilizadas, não somente as de caráter espiritual, mas também as de caráter social, educacional e material. Quantos templos, por exemplo, têm sido construídos por pessoas dotadas de talentos especiais para esse trabalho? A recompensa dos que dão o melhor de suas vidas será dada por Deus aos que forem fiéis em toda boa obra. Esforce-se com esmero e amor!
Deus identificou dois homens por nome como especialmente escolhidos e divinamente habilitados, ou cheios do espírito, para fazer tudo o que Deus revelara a Moisés (confira Êx 28.3). Habilidades, talentos e dons são presentes dados por Deus a fim de que possamos usá-los para a honra e glória dEle. Nesta conclusão, acho importante deixar um alerta:
Muitas pessoas gostariam de cantar em um ministério de louvor, se tornar pastor, evangelista, missionário(a), pregar no púlpito da igreja, gravar um CD e coisas assim. Tudo isso, se vem de Deus para o seu coração, certamente irá se cumprir. Porém, é comum encontrarmos pessoas frustradas porque sonham os seus próprios sonhos, e não os sonhos de Deus. Elas insistem em fazer algo no qual não foram chamados para fazer e com isso nunca se sentem realizadas. Se você está confuso em relação aos seus dons e talentos, analise quais são as suas habilidades, o que você mais gosta de fazer e o que mais "arde" dentro do coração. Peça a Deus para te revelar em qual área você pode ser mais útil para o Seu Reino e Ele te mostrará no dia-a-dia, nos pequenos detalhes, os propósitos Dele para a sua vida.” (Pr ANTONIO JUNIOR).

Achando-se as tuas palavras, logo as comi, e a tua palavra foi para mim o gozo e alegria do meu coração; porque pelo teu nome sou chamado, ó Senhor Deus dos Exércitos”. (Jeremias 15.16)
   
Francisco Barbosa
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quinta-feira, 4 de abril de 2019

LIÇÃO 1: TABERNÁCULO – UM LUGAR DA HABITAÇÃO DE DEUS


  

SUBSÍDIO I

O TABERNÁCULO

Uma das lições que aprendemos em Hermenêutica Bíblica é que todos os fatos e princípios do Antigo Testamento constituem-se em sombras ou tipos das realidades das coisas celestiais, uma vez que não há dúvida de que todo o conteúdo da Bíblia é a Palavra de Deus e que ela é proveitosa e útil em sua totalidade para instruir os que desejam conhecer o Senhor (Is 55.11; 2 Tm 3.16,17).
Qual a importância em estudar sobre o Tabernáculo? Que lições podemos tirar dessa história e tipo? Se o sistema sacrificial e o próprio Tabernáculo foram abolidos do sistema de culto dos judeus, que valor terá o estudo sobre esse assunto hoje? A resposta é dada pelo apóstolo Paulo quando ele diz que Israel havia bebido de águas no deserto e que Cristo era a rocha espiritual, da qual beberam os judeus (1 Co 10.4,5). Ora, subentende-se, portanto, que a rocha da qual beberam os israelitas continua sendo a rocha da qual verte água para saciar a sede da Igreja hoje. Quando estudamos sobre o Tabernáculo, que é a figura do próprio Cristo, tornamos evidente que Ele é a realidade do Tabernáculo. Cristo, portanto, é nosso Tabernáculo neotestamentário. Por isso, tudo na história de Israel, desde sua saída do Egito até chegar à terra de Canaã, constitui-se em exemplo e tipo de uma realidade ainda a aparecer. Essa realidade fez-se conhecida em Jesus Cristo. 
Na tradução da Bíblia King James, Paulo diz em sua epístola aos coríntios que “todas estas coisas lhes aconteceram como exemplos, e elas estão escritas para nossa admoestação”; já na ARC, a tradução do texto está assim: “Tudo isso lhes sobreveio como figuras, e estão escritas para aviso nosso [...]” (1 Co 10.11). Ambas as traduções estão corretas quando usam as palavras “exemplos” e “figuras”, que aparecem no grego como typos, referindo-se ao modelo de alguma realidade que está por aparecer. Portanto, typos é, na verdade, um protótipo daquilo que pode ser reconhecido na realidade. No Novo Testamento, um typos pode caracterizar algum fato histórico que serve como modelo e que tenha um propósito didático e interpretativo. Assim sendo, vários textos do Novo Testamento são antytipos que servem como figura de alguma realidade espiritual (Hb 9.24 e 1 Pe 3.21). Em Hebreus 9.24, o santuário verdadeiro é o tipo e o antítipo. Subentende-se, portanto, que esse santuário é a cópia do Tabernáculo que Moisés construiu. 
Devemos ter em mente que nenhum tipo pode existir sem seu correspondente antítipo, assim como nenhuma sombra pode existir sem sua pertinente realidade; por isso, o estudo do Tabernáculo ensina-nos e mostra-nos a realidade das coisas celestiais (Hb 9). Há muita revelação embutida nas Escrituras que requer de quem estuda o cuidado para entender sua linguagem. 
No estudo do Tabernáculo, não devemos apenas considerar a sua bonita história. Devemos entender que o emprego tipológico do Tabernáculo não apenas objetiva a apreciação da sua história, como também oferece lições preciosas que estão implícitas nos elementos tipológicos que revelam verdades espirituais para a nossa vida hoje. 
A tipologia deve ter sua base na autoridade da Bíblia, não na imaginação do intérprete. É lamentável a banalização feita por pretensos intérpretes que, à revelia do que está revelado na Bíblia, engenham interpretações que tornam a Bíblia um livro de historinhas fantasiosas e antibíblicas. 

Texto extraído da obra “O Tabernáculo”, editada pela CPAD 

COMENTÁRIO E SUBSÍDIO II

INTRODUÇÃO

Neste trimestre, estudaremos o Tabernáculo, enquanto símbolo da obra redentora de Cristo. É importante, ao longo das lições, enfatizar os aspectos teológicos do Novo Testamento, a respeito desse assunto. Ao adotar esse procedimento hermenêutico, evitaremos aplicações indevidas dos textos, bem como alegorias que não têm respaldo escriturístico. Na aula de hoje, detalharemos as partes do Tabernáculo, e principalmente, a vontade soberana de Deus em habitar no meio dos homens.

I. A CONSTRUÇÃO DO TABERNÁCULO
                                                                 
O Tabernáculo era uma tenda móvel, cujo projeto foi dado pelo próprio Deus. Esse santuário deveria ser construído para Deus (Ex. 28.9; 29.46,47), por se tratar de um lugar para a manifestação da glória divina. Esse Tabernáculo foi construído através de ofertas voluntárias (Ex. 25.2), o povo demonstrou interesse em contribuir com a edificação daquele projeto, com disposição para ver a obra seguir adiante (Ex. 35.21-26), com muito ânimo (Ex. 35.5; 25.1,2). A obra deveria ser realizada pelos homens, mas se tratava de um projeto divino, por isso o próprio Deus concedeu destreza e habilidade para tal (Ex. 35.10,25; 36.1-8). Deus estabeleceu os critérios para edificação daquela Tenda Móvel, não poderia ser feita de acordo com os interesses humanos. O Espírito Santo atuou diretamente naquela edificação, dando habilidade artística, para executar os trabalhos (Ex. 35.30-35). Por isso, o padrão divino deveria ser observado, tudo deveria ser feito conforme o modelo que foi mostrado a Moisés no monte (Hb. 8.5; Ex. 25.40; Nm. 8.4; At. 7.44). A glória divina – shekinah – somente pode habitar no contexto em que o padrão dado pelo Senhor é respeitado. A Palavra de Deus é a Verdade, é o modelo pelo qual a Igreja se guia (Cl. 4.17; Jo. 17.1-6).

II. AS PARTES DO TABERNÁCULO

O Tabernáculo recebe vários nomes nas Escrituras, geralmente é mencionado como uma Tenda (Ex. 25.9), ou um Santuário separado (Ex. 25.8), às vezes, como Tenda do Testemunho (Nm. 9.15), como Casa de Deus (Ex. 34.26) e Tenda do Encontro (Ex. 40.34). Esse Tabernáculo era composto por vários utensílios: a arca da aliança, que estava posicionada no Lugar Santíssimo, as varas de madeira que ficavam nas laterais da arca (Ex. 25.13,14), os querubins que ficavam nas extremidades da tampa do propiciatório (Ex. 25.18), e o propiciatório que ficava direcionado para o leste (Lv. 16.14). O altar do incenso foi colocado em frente do véu (Ex. 30.4), diante da arca (Ex. 40.5), diante do propiciatório (Ex. 30.6). A mesa dos pães foi colocada no lado norte do Tabernáculo (Ex. 40.22), o candelabro no lado sul (Ex. 40.24), em frente à mesa, ambos no Lugar Santo, um em frente do outro (Ex. 26.35). No pátio externo, estava o altar de bronze (dos holocaustos), em frente à porta (Ex. 40.6), também se encontrava nesse pátio a pia de bronze (Ex. 40.7). Vários materiais foram utilizados na construção: ouro, prata, bronze e pedras preciosas. Além de linho finíssimo, madeira de acácia, óleo para iluminação, especiarias para unção e incenso aromático. Tecidos, de várias cores, feitos de peles de animais, também foram usados.

III. DEUS HABITA ENTRE OS HOMENS

O tema da habitação de Deus entre os homens é recorrente ao longo das Escrituras. A Bíblia dedica 43 capítulos consecutivos (Ex. 25 a 40 e Lv. 1-27) e mais algumas partes das Escrituras (Números, Hebreus e Apocalipse) para tratar do assunto da habitação de Deus. O Senhor sempre desejou fazer morada no meio dos homens, desde os tempos do Éden, quando caminhava e conversava com Adão (Gn. 3.8). Posteriormente, Deus conversou com Noé, sendo esse um dos patriarcas da sua época (Gn. 6.9), até a construção do Tabernáculo (Ex. 25.8,22). Mas a perfeita habitação divina entre os homens se deu por intermédio de Jesus Cristo, considerando que Ele é a expressa plenitude da divindade (Cl. 1.19; 2.9). João é enfático ao declarar que “o Verbo se fez carne e habitou entre nós” (Jo.1.14-18), merece destaque o verbo skenoô que significa, literalmente em grego, “tabernaculou”. E porque Deus se fez gente e habitou no meio de nós, a Igreja tornou-se lugar da habitação de Deus, pois Cristo habita individualmente nos coração daqueles que creem (II Co. 5.1; Ef. 3.17 e II Pe. 1.13,14), e também coletivamente em Seu corpo (I Tm. 3.15; Jo. 14.23; I Pe. 2.5; II Co. 6.15-18; I Co. 3.16,17 e Ef. 2.20-24). Essa habitação será plena no futuro, na dimensão escatológica, quando Deus estabelecer seu Tabernáculo com os homens, com os quais Ele viverá (Ap. 21.1-3).

CONCLUSÃO

De acordo com os estudiosos, esse Tabernáculo demorou nove meses para ser construído, tendo se tornado o lugar da habitação de Deus. Talvez essa data seja mera especulação teológica, mas sabemos que Cristo, Aquele que se fez Carne, e habitou no meio os homens, esteve nove meses no ventre de Maria (Mt. 1.21,23; Cl. 1.19). Não podemos esquecer que Jesus é a morada de Deus entre nós, como disse certo mensageiro, o maior evento de todos os tempos não foi o homem ter ido a lua, mas Deus ter posto os pés na terra, através de Cristo.


José Roberto A. Barbosa
Disponível no Blog subsidioebd.blogspot.com

COMENTÁRIO E SUBSÍDIO III

INTRODUÇÃO

Deus sempre desejou se relacionar com o seu povo. Ao longo das Escrituras Sagradas, o Pai Celestial buscou se revelar ao ser humano para relacionar-se com ele. Deus é um ser pessoal. Nesta primeira lição, veremos que o Tabernáculo foi construído para que Deus habitasse nele e se encontrasse com o seu povo. Assim, compreenderemos que essa construção requereu a participação humana por meio de ofertas voluntárias, que esse projeto veio da mente de Deus e que há uma relação tipológica entre o Tabernáculo e a Igreja de Cristo.
O Tabernáculo foi instituído por Deus para ser o local de sua habitação entre os homens, particularmente seu povo, Israel (Êx 25.8 e 29.46,47). Este templo acompanhou o povo de Deus durante toda a peregrinação no deserto e foi substituído pelo Templo de Salomão. O Tabernáculo tipifica o Senhor Jesus Cristo (Jo 1.14; 5.46;  Hb 10.7; Lc 24.44; Ez 3.16,17; Is 8.14), também é tipo da Igreja, que agora é a morada de Deus, sua habitação. Assim, o Tabernáculo é cópia e sombra daquele que está no céu (Hb 8.5; Ef 3.16,17; Cl 1.19, 2.9,17). As escrituras são claras em dizer que o Tabernáculo retrata o santuário celestial (Hb 8.9.21-24; Ap 15.5; Jr 17.12). Durante a narrativa bíblica vemos que Senhor habitou com o homem, entre os homens e finalmente nos homens. O propósito final do Senhor está revelado em Apocalipse 21.3: “Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens, pois com eles habitará, e eles serão o seu povo, e o mesmo Deus estará com eles, e será o seu Deus.” – Dito isto, convido-o a pensar maduramente a fé cristã!

I. A PARCERIA DE COM SEU POVO PARA A CONSTRUÇÃO DO TABERNÁCULO (Êx 25.1-7)
                                                                 
1. Por que construir um Tabernáculo no deserto? O pioneiro pentecostal, Gunnar Vingren, que redigiu uma monografia para sua graduação teológica, na qual foi escrita à mão, e apresentada no Seminário Teológico Sueco, em Chicago, USA, em 1909, iniciou seu texto monográfico assim: “Por ordem divina, o Tabernáculo propriamente dito, a mosaica tenda do Testemunho, constituiria uma morada sagrada, erguida segundo um modelo celestial”. Desde que os israelitas saíram do Egito e caminharam até as cercanias do Monte Sinai, onde Deus falou com Moisés e revelou-lhe suas Leis, o Altíssimo quis habitar entre o seu povo. Para isso, Ele concedeu a Moisés a planta de uma “Tenda”, a fim de construí-la para reunir o povo de Israel diante dEle e, assim, receber sua Palavra. Essa tenda, denominada “Tabernáculo”, era de caráter provisório, pois podia ser armada e desarmada durante a caminhada israelita pelo deserto. Entretanto, conforme escreveu Gunnar Vingren, a razão principal de sua existência era a de servir como uma morada sagrada, o lugar de encontro entre Deus e seu povo.
O elemento histórico fornecido pelo comentarista é interessante, do ponto de vista histórico-denominacional, mas é pouco esclarecedor do por quê Deus ordenou que se construísse um templo desmontável no deserto. O tabernáculo era um aparato muito funcional. O tabernáculo servia como lugar de encontro entre Deus e os homens, e desta forma ficou conhecido como a "tenda da congregação". Aliás, Tabernáculo significa ‘tenda’. O tabernáculo era a tenda onde o povo de Israel se reunia para adorar a Deus. Seu propósito era permitir que as pessoas se aproximassem de Deus, porque o tabernáculo representava a presença de Deus (Êx 25.8-9). Ali, os israelitas poderiam oferecer sacrifícios para o perdão dos pecados e adorar a Deus.

2. A materialização da obra de Deus (Êx 25.1,2). O projeto de Deus teve origem no céu, e se materializou na Terra por meio de seus filhos. A construção do Tabernáculo se efetivou mediante a participação do povo de Deus através de ofertas alçadas e voluntárias como o ouro, prata, cobre, pano azul, púrpura e carmesim. A obra de Deus requer parceria humana! No tempo da graça, o princípio da manutenção da igreja local é o mesmo. O dízimo e as ofertas alçadas são para o sustento das necessidades que envolvem uma igreja: projeto de construções de templo, de sustento de obreiros, de evangelização, de ações sociais, de educação cristã. Em vez de cultivarmos uma postura contrária, deveríamos voluntariamente ofertar à Obra de Deus como fruto de gratidão e reconhecimento de suas bênçãos em nossas vidas (2Co 9.7).
Tabernáculo deriva do verbo "habitar", era o nome apropriado para a construção que seria o lugar da presença de Deus com seu povo. Sua presença estaria entre os querubins, e dali Deus se encontraria com Moisés (Êx 25.22). O Pentateuco registra cinco nomes para o tabernáculo:
1) "santuário", que denotava o lugar sagrado ou posto à parte, ou seja, lugar santo;
2) "tenda", que indicava a habitação temporária ou desmontável;
3) "tabernáculo", de "habitar", que designava o lugar da presença de Deus (bem como outros títulos);
4) "tabernáculo da congregação ou reunião"; e
5) "tabernáculo do testemunho".
Sua origem encontra-se Deus e foi entregue a Moisés por meio de revelação especial (Êx 25.9,40; 26.30; Hb 8.5). Interessante notar que foi dada ao povo a oportunidade de contribuir pessoalmente de maneira voluntária e livre para a construção deste centro cultual, conforme uma lista de 14 componentes e materiais necessários para a construção. É importante frisar que os israelitas saíram do Egito com grande despojo, tinham abundância para contribuir e o fizeram com tanta alegria e entusiasmo que tiveram que ser impedidos de dar mais (35.21-29; 36.3-7). Uma resposta semelhante ocorreu anos depois, quando o rei Davi pediu ofertas para construir o Templo (1Cr 29.1-9).

3. Três verdades bíblicas que o ofertante deve saber (Êx 25.2):
(1) A oferta foi um plano de Deus para o sustento de sua obra. No Antigo Testamento há uma promessa de bênçãos materiais para os que reconhecessem essa verdade. Aqui, não há o estímulo para se negociar oferta e bênçãos, mas a afirmação de que é a vontade do Senhor que contribuamos generosa e voluntariamente para a sua obra, reconhecendo que Ele domina até as nossas finanças. Isso deve ser voluntário, jamais por coação.
É importante esclarecer que a Lei do Antigo Testamento não nos domina hoje, estamos sujeitos às regras da Nova Aliança; o modelo da Antiga Aliança só é aplicável naquilo que o Novo Testamento ratifica. Quando falamos sobre ofertas, achamos exemplos em todas as épocas da história bíblica. Caim e Abel ofertaram ao Senhor (Gênesis 4:3-5; Hebreus 11:4). Além dos dízimos exigidos do povo de Israel, eles levaram ofertas para propósitos definidos por Deus (Êx 25.1-9). No Novo Testamento, dízimo e ofertas também estão com seus propósito bem definidos, por exemplo, temos no Novo Testamento instruções sobre a coleta nas igrejas locais para cuidar dos santos necessitados (1Co 16.1-2). Também, ele falou que o dinheiro ofertado para divulgar o evangelho era um sacrifício aceitável a Deus (Fp 4.18). É assim que alguns evangelistas e presbíteros recebiam sustento de igrejas no primeiro século (1Co 9.14; Fp 4.14-17; 1Tm 5.17-18).
(2) O ato de ofertar é voluntário. O versículo 2 mostra que o Senhor aceitaria a oferta “de todo homem cujo coração se mover voluntariamente” (cf. Êx 35.29). Deus conhece cada um dos seus servos e servas, por isso, reconhece quem faz essa obra de maneira generosa ou egoísta. Jamais nosso Senhor aceitaria ofertas por coação, mas Ele deseja ver, em nós, uma atitude voluntária e amorosa: “Porque, dou-lhes testemunho de que, segundo as suas posses, e ainda acima das suas posses, deram voluntariamente” (2Co 8.3). Portanto, na Igreja de Cristo, não pode haver mercantilismo da fé! Você não pode se deixar coagir para trocar ou negociar o que é espiritual, a fim de receber bênçãos materiais. O que a Palavra de Deus diz é que você precisa amar ao Senhor de todo o coração e, constrangido por esse amor, doar voluntariamente. Essa perspectiva humilde gera bênçãos da parte de Deus.
Todos os israelitas que se dispuseram, tanto homens como mulheres, trouxeram ao Senhor ofertas voluntárias para toda a obra que o Senhor, por meio de Moisés, ordenou-lhes que fizessem. Em 2Co 8.3, Paulo destacou três elementos referentes à oferta dos macedônios, os quais resumiram o conceito da oferta voluntária:
1) "na medida de suas posses". A oferta é proporcional — Deus não estabelece nenhuma quantidade ou porcentagem, e espera que seu povo oferte com base em suas posses (Lc 6.38; 1Co 16.2);
2) "e mesmo acima delas". A oferta é sacrifical. O povo de Deus deve dar de acordo com suas posses, embora deva ser em proporções que sejam sacrificiais (cf. Mt 6.25-34; Mc 12.41-44; Fp 4.19); e
3) "se mostraram voluntários" - literalmente "aquele que escolhe seu próprio curso de ação". A oferta é voluntária - o povo de Deus não deve doar por compulsão, manipulação ou intimidação. À oferta voluntária sempre foi o plano de Deus (2Co. 9.6; G n 4.2-4; 8.20; Fx 25.1-2; 35.4-5,21-22; 36.5 -7; Nm 18.12; Dt 16.10.1 7; 1Cr 29.9; Pv 3.9-10; 11.24; Lc 19.1-8). A oferta voluntária não deve ser confundida com o dízimo, o qual era relacionado com o sistema de tributação nacional de Israel (Lv 27.30-32) e é comparado ao pagamento dos impostos (Mt 22.21; Rm 13.6-7).

(3) Fidelidade ao Senhor trará abundância. A Bíblia nos ensina que quem é fiel no pouco será muito recompensado (Mt 25.21). Moisés foi um líder que compreendeu bem essa verdade e a viveu, pois o povo trouxe tanta oferta em ouro, prata, cobre, pedras preciosas e madeiras, que encheram os depósitos, e “disseram a Moisés: o povo traz muito mais do que é necessário para o serviço da obra que o Senhor ordenou” (Êx 36.5). Seja fiel ao Senhor!
É interessante notar o que diz a passagem de Mateus 25.21, onde temos que, tanto o homem com cinco talentos quanto o que tinha dois receberam exatamente a mesma recompensa, indicando que a recompensa está baseada na fidelidade e não nos resultados. Como mordomos de Deus devemos entender que tudo pertence ao Senhor e que Ele manifestou em sua Palavra os nossos deveres para com sua Criação. É necessário que saibamos que, mordomia é um princípio divino para abençoar as nossas vidas enquanto aqui vivermos. Se formos bons mordomos seremos recompensados pelo Justo Juiz naquele dia, senão, sofrere­mos o dano por nosso desprezo a administração aos bens temporais e espirituais. Precisamos nos certificar de que, como despenseiros, devemos ser fiéis. Agora quanto ao texto de Êx 36.5, a abundância de oferta não derivou da fidelidade de Moisés, mas da disposição do povo em ofertar motivado pelo propósito divino. As ofertas sobejaram não porque Moisés foi fiel, note que o texto diz que o povo levou voluntariamente muito mais do que o necessário para a construção do tabernáculo.

SUBSÍDIO DIDÁTICO-PEDAGÓGICO

Ao introduzir a lição desta semana, revele o propósito do trimestre. Responda a seguinte pergunta: “Por que estudaremos o Tabernáculo?”. A resposta a essa pergunta permitirá que você faça um panorama geral do trimestre. Em seguida, indague aos alunos o que eles esperam acerca desse estudo. Aqui, a ideia é perceber o entusiasmo dos alunos quanto ao tema.
Em seguida, exponha o primeiro tópico com clareza e objetividade. Como o nosso tempo não é extenso, você pode períodos para a exposição do conteúdo e outros períodos para perguntas. Por exemplo: Você pode expor o conteúdo do primeiro tópico e, depois, abrir para uma ou duas perguntas da classe.
Sugerimos que na exposição do primeiro tópico você enfatize a citação do comentarista a respeito da monografia de Gunnar Vingren, a fim de que fique claro o percurso do anúncio do projeto de Deus e da materialização dele no deserto.

II. O TABERNÁCULO FOI UM PROJETO DE DEUS (Êx 25.8,9)

Após estudarmos a primeira seção de versículos (vv.1-7) que mostra a conclamação do Senhor ao seu povo para a construção do Tabernáculo por meio das ofertas alçadas, agora nos deteremos nos versículos 8 e 9, pois estes revelam como Deus elaborou esse projeto.
1. Deus arquitetou o Tabernáculo (Êx 25.8). “E me farão um santuário, e habitarei no meio deles”. Assim inicia o versículo oito. O Tabernáculo seria um santuário em pleno deserto, onde Deus habitaria entre o seu povo. Desde o início, é perceptível o caráter provisório do projeto divino, pois o povo de Israel não faria uma peregrinação perpétua no deserto. Deus elaborou a engenharia e arquitetou toda a construção do Tabernáculo, dando a Moisés a relação dos materiais que deveriam ser utilizados. Por meio do legislador de Israel, o Senhor conduziu seu povo desde a saída do Egito até o Monte Sinai. Nesse monte, Ele revelou-se a Moisés e aos setenta anciãos do povo, bem como a Arão, Nadabe e Abiú, que viram a glória de Deus (Êx 24.9-11). Ali, a glória do Senhor estava presente e uma nuvem cobria o monte: “o aspecto da glória do Senhor era como um fogo consumidor no cume do monte” (Êx 24.15-17). Por quarenta dias e quarenta noites Moisés entrou no meio da nuvem e subiu até o cume do monte para ouvir a Deus (Êx 24.18). Ali, o Altíssimo deu a Moisés as diretrizes para construir o lugar onde Ele habitaria.
 Deus entregou a Moisés o padrão que deveria ser seguido. Foi Deus quem mostrou a Moisés:
(1) uma estrutura material, fornecida com objetos materiais, como o modelo que ele deveria seguir ao fazer o Tabernáculo e suas dependências;
(2) a representação pictórica do todo;
(3) uma série de visões nas quais as formas foram representadas ao olho da mente. Toda a analogia dos tratos Divinos é a favor da última visão mencionada. O tabernáculo e tudo o que estava relacionado a ele deveria estar em estrita conformidade com as ideias reveladas pelo Senhor a Moisés (compare Êx 25.40; 26.30; At 7.44; Hb 8.5). A palavra aqui traduzida “pattern" também é usado para denotar os planos para o templo que foram dados por Davi a Salomão (1Cr 28.11-12,19), e é em outra parte traduzida como "forma, semelhança”; (Dt 4.16-17; Ez 8.3,10)
Sobre os representantes que acompanharam Moisés no monte, segundo instruções de Deus, foram privilegiados em ver Deus sem serem consumidos pela santidade dele. O que precisamente viram permanece ponto ignorado e deve ser mantido dentro da descrição dada, a qual focaliza somente sobre o que estava sob os pés de Deus. Talvez isso indique que somente houve uma manifestação parcial, como aquela verificada por Moisés (Êx 33.20), ou que os anciãos, na presença da divina majestade, beleza e força (SI 96.6), não ousaram levantar os olhos acima do estrado dos pés. Essa foi a primeira (terminando em 32.6) de duas (40 dias e 40 noites) viagens ao Sinai (cf. 34.2-28). Durante esses dias Moisés recebeu todas as instruções sobre o tabernáculo, sua mobília e adornos (caps. 25—31).

2. O Tabernáculo foi um projeto de Deus. Embora Moisés haja sido formado academicamente no Egito, nenhum item do Tabernáculo era fruto de sua mente engenhosa e disciplinada. Recebendo instruções diretas de Deus, Moisés persuadiu ao povo hebreu a construir o Tabernáculo, pois este era um projeto celestial. O Pai desejava habitar entre os homens e derrubar a parede de separação erguida pelo pecado no Éden. Ele queria fundir o Céu com a Terra. Esse projeto glorioso só alcançaria o objetivo máximo na encarnação e crucificação de Jesus Cristo, seu amado Filho “na plenitude dos tempos” (Gl 4.4; Ef 1.5-10).
O Tabernáculo nos apresenta a obra expiatória de Jesus e como ela se aplica a nós. Por causa do pecado, todos estamos separados da presença de Deus. O altar dos holocaustos, onde sacrifícios eram constantemente queimados, lembrava o povo do preço do pecado – a morte. Somente a morte de um sacrifício podia pagar pelo pecado. Os holocaustos também apontavam para o sacrifício de Jesus na cruz, que paga por todos os pecados e nos purifica (Hb 9.27-28).No tempo designado por Deus, quando as precisas condições religiosas, culturais, e políticas exigidas pelo seu piano perfeito haviam atingido o auge, Jesus veio ao mundo. Deus enviou seu Filho. Assim como um pai marca a data da cerimônia da maioridade de seu filho e da liberdade de seus protetores, curadores e tutores. Deus enviou o seu Filho no momento certo para libertar da escravidão da lei todo aquele que crê — uma verdade que Jesus afirmou várias vezes (Jo 5.30,36-37; 6.39,44,57; 8.16,18,42; 12.49; 17.21,25; 20.21). O fato de o Pai ter enviado Jesus ao mundo ensina a respeito de sua preexistência como o eterno segundo membro da trindade. Veja notas em Fp 2.6-7; Hb 13-5: cf. Rm 8.3-4. nascido de mulher. Enfatiza a plena humanidade de Jesus, e não simplesmente o fato de ter nascido de uma virgem (Is 7.14; Ml 1.20-25). Jesus tinha de ser totalmente Deus para que o seu sacrifício tivesse o valor ilimitado necessário para que pudesse suportar o castigo do pecado como substituto rio ser humano. Veja Lc 1.32,35; Jo 1.1,14,18. sob a lei. Como todos os seres humanos, Jesus foi obrigado a obedecer à lei de Deus. Diferente de qualquer outro, ele obedeceu perfeitamente a essa lei (Jo 8.46; 2Co 5.21; I Ib 4.13; 7.26; lPe 2.22; 1 Jo 3.5). Sua impecabilidade fez dele o sacrifício imaculado pelos pecados, aquele que "cumpriu toda a justiça", ou seja, que obedeceu a Deus em tudo de modo perfeito. E essa justiça perfeita que é imputada àqueles que creem nele.

3. O plano térreo do Tabernáculo (25.9). O plano térreo do Tabernáculo continha um espaço físico de 100 por 50 côvados aproximadamente, 50 por 25 metros, uma vez que um “côvado” equivale de 45 a 50 centímetros, pois a medida do côvado naqueles tempos era “a distância entre o cotovelo e a ponta do dedo médio de um homem”.
a) O Pátio. Esse espaço do Tabernáculo era chamado “Átrio” (ou Pátio) e era fechado por uma cerca feita de cortinas de “linho fino torcido” e presas por ganchos e pinos em pilares de madeira de acácia (Êx 27.18).
As dimensões do átrio retangular, envolto por cortinas e varais ao redor do tabernáculo, foram fornecidas com precisão (vs. 9-19; 44 m de comprimento por 22 m de largura). As cortinas externas eram altas o suficiente, 5 côvados ou 2,4 m, para bloquear toda visão do interior do átrio (v. 10). O acesso geral e livre pelos lados ao átrio onde Deus habitava não era permitido. A cortina que formava a cobertura, para a entrada no átrio tinha cor diferente daquela que circundava o átrio retangular. Claramente não havia somente um caminho para adentrar-se nesse lugar especialíssimo escolhido por Deus e enfaticamente indicado como o lugar de sua habitação com o povo.

b) O Altar dos holocaustos. No espaço externo dentro do Átrio, desde a Porta de entrada, havia o “altar de bronze” (ou cobre), onde eram feitas as ofertas queimadas e, principalmente, onde era feito o sacrifício pelos pecados do povo (Êx 27.1-8; 38.1-6).
A maior peça de mobília, também conhecida como "altar do holocausto" (Lv 4.7,10,18), situava-se no átrio do tabernáculo. Era coberto não com ouro, como as peças no interior do Santo Lugar, mas com bronze. Semelhante às outras peças de mobília e equipamento, esse altar também foi construído de tal modo a poder ser carregado em varais (vs. 6-7). “x

c) A Pia de bronze (ou cobre). Havia, também, “uma bacia de bronze (ou cobre)” para que os sacerdotes lavassem as mãos e os pés antes de entrarem no interior do Tabernáculo (Êx 30.18-21; 38.8).
Lavar as mãos e os pés era obrigatório antes do envolver-se nos deveres sacerdotais. Novamente, a seriedade de estar cerimonialmente purificado é vista na advertência de morte caso essa lavagem fosse negligenciada. Nada era feito casualmente no santuário ou no átrio!

d) A Tenda do Testemunho. O Tabernáculo, propriamente dito, era a parte interna e ficava dentro do Pátio, composto por duas partes: o Lugar Santo e o Lugar Santíssimo (ou Santo dos Santos).
O tabernáculo (do hebreu mishkan, que significa moradia). Ele era chamado:
● tenda da congregação (capítulo 29.42), ou melhor, de reunião, pois ali o SENHOR desceria para encontrar-se com Moisés e com o povo de Israel (capítulo 29.42-43), substituindo a tenda que Moisés usara até então (capítulo 33.7).
● tenda do testemunho (capítulo 38.21; Números 1.50, 9.15, 17.8), porque nela era guardado o Testemunho: as duas tábuas da Lei (capítulo 25.16, 22).
● casa do SENHOR (Deuteronômio 23.18).
● templo do SENHOR (Josué 6.24).
● santuário (capítulo 25.8).

e) O Lugar Santo. No Lugar Santo havia três elementos: o Candeeiro (Candelabro, ou Castiçal) de Ouro com suas sete lâmpadas; a mesa feita de madeira de acácia e coberta de ouro, era chamada “Mesa dos pães da proposição”. Por fim, ainda no “Lugar Santo”, de frente para a entrada de cortinas bordadas que dava para o “Lugar Santíssimo”, estava o “Altar de Incenso” revestido de ouro, no qual se faziam intercessões pelo povo de Deus (Êx 30.1-6; 37.25-28).
O Candelabro: Em frente à mesa dos pães da proposição, no lado sul do Santo Lugar, localizava-se o candelabro adornado, ou menorá, que tinha a forma de um pé de amêndoa em flor. O candelabro fornecia luz para os sacerdotes enquanto estes serviam no Santo Lugar. De acordo com as instruções de Deus (27.20-21; 30.7-8; Lv 24.1-4), era providenciado para que ele fosse mantido bem abastecido com azeite de oliva para que nunca se extinguisse. O candelabro é interpretado como tipificando o Senhor Jesus Cristo, que é a verdadeira luz que veio ao mundo (Jo 1.6-9; 8.12).
A mesa: A cada semana uma nova fornada de 12 pães era colocada na mesa no lado norte do Santo Lugar. Os utensílios dessa mesa também eram feitos de ouro refinado (v. 29). Esse "pão da sua presença" não era colocado para que Deus alimentasse o seu povo, diferentemente de alimento posto nas colunas e templos pagãos, mas para reconhecer que as 12 tribos eram sustentadas constantemente sob o olhar vigilante e o cuidado do Senhor. A cada sábado, o pão era consumido no Santo Lugar pelos sacerdotes em serviço (Lv 24.5-9). Os pães da proposição tipificavam o Senhor Jesus Cristo como o pão que veio do céu (Jo 6.32-35).
O projeto do Altar do Incenso para o Santo Lugar não foi dado junto com os outros dois (25.23-40), mas segue as instruções sobre o sacerdócio, talvez porque se tratasse da última poça à qual o sumo sacerdote se achegava antes de entrar no Santo dos Santos, uma vez por ano. Logo depois que a cerimônia de consagração de Arão fora observada, receberam atenção seus deveres de 1) garantir que incenso devido fosse oferecido continuamente sobre esse altar e que 2) ele também deveria purificá-lo uma vez por ano com o sangue da oferta de expiação (v. 10).
f) O Lugar Santíssimo (Santo dos Santos). Por último, e de fato, em primeiro lugar, estava “O lugar Santíssimo”, onde se encontrava a única mobília, chamada de “Arca do Concerto” (Nm 10.33) ou “Arca do Testemunho” (Êx 25.22), ou também “Arca da Aliança”, na qual se guardavam as “Tábuas da Lei” (Êx 31.18).
O Santo dos Santos ou Lugar Santíssimo, era a parte do templo onde ficava a Arca da Aliança, que representava a presença de Deus. Neste ambiente, somente o sumo sacerdote podia entrar no Santo dos Santos e uma vez por ano, no dia da Expiação, para oferecer o sacrifício a Deus. Essa era uma ocasião muito solene e ninguém mais podia entrar na presença de Deus (Lv 16.15-17). Mas agora todos que creem em Jesus podem entrar na presença de Deus. O Santíssimo Lugar era particularmente santo porque Deus abençoava esse lugar com Sua presença. Quem entrasse no Santo dos Santos estava chegando o mais perto possível de Deus! E não existe nada mais santo que Deus.

SUBSÍDIO DIDÁTICO-PEDAGÓGICO
Reserve para o dia da aula um gráfico sobre o Tabernáculo que reproduzimos na página seguinte. Antes de iniciar o subtópico três, “O plano térreo do Tabernáculo”, faça a seguinte pergunta: “Para você, como era o Tabernáculo?”. Ouça as respostas dos alunos, anote algumas na lousa. Em seguida, apresente o gráfico do Tabernáculo à medida que você expõe o conteúdo do subtópico.
O objetivo dessa atividade é dar um panorama geral acerca da estrutura do santuário, pois a veremos detalhadamente ao longo da lição. Por isso, essa imagem panorâmica ajudará os alunos a compreender as partes específicas da “Tenda da Congregação”. O Método que usaremos neste trimestre é simples: partiremos do todo para o específico.

III. RELAÇÃO TIPOLÓGICA ENTRE O TABERNÁCULO E A IGREJA

1. A importância dos aspectos tipológicos do Tabernáculo. O apóstolo Paulo deu importância a essa relação tipológica quando escreveu: “tudo que dantes foi escrito para nosso ensino foi escrito, para que, pela paciência e consolação das Escrituras, tenhamos esperança” (Rm 15.4). O Tabernáculo de Moisés, no deserto, deixou profundas lições para a Igreja. Nessa tipologia, descobrimos uma relação com a Igreja e com o Senhor Jesus. Nas lições seguintes, veremos a importância simbólica do Tabernáculo em seus adereços, utensílios e cultos, seus ministros e ajudantes, sua ordem e o significado de cada item na relação espiritual-tipológica com a Igreja de Cristo.
O Antigo Testamento revelado de maneira divina, para o nosso ensino foi escrito. Embora os cristãos vivam debaixo da nova aliança e não estejam debaixo da antiga aliança, a lei moral de Deus não mudou e toda a Escritura é para benefício espiritual (1Co 10.6,10-11; 2Pe 1.20-21). A descrição de Paulo dos benefícios da Escritura certamente inclui o Novo Testamento, mas fala, em especial, a respeito "das sagradas letras" — ou o Antigo Testamento (2Tm 3.1 5-17). Como já vimos, o tabernáculo era uma tenda onde o povo de Israel se reunia para adorar a Deus. Seu propósito era permitir que as pessoas se aproximassem de Deus, porque o tabernáculo representava a presença de Deus. Hoje em dia, não precisamos mais de um tabernáculo, porque esse era apenas um símbolo da realidade espiritual. Jesus cumpre todas as funções do tabernáculo dentro de nossos corações.

2. A Igreja de Cristo é o Tabernáculo de Deus na Terra. O Tabernáculo e o Templo de Salomão simbolizam a Igreja de Cristo edificada para “morada de Deus em Espírito” (Ef 2.22). Alguns textos do Novo Testamento fazem da tipologia o modo de comparação entre o Tabernáculo e a Igreja. Paulo tipificou a Igreja como edifício de Deus para falar de crescimento coerente e organizado da comunidade cristã (1Co 3.9). Neste edifício, os crentes em Cristo são identificados como “pedras vivas”, as quais são edificadas umas sobre as outras. Portanto, a Igreja é o edifício espiritual construído para morada de Deus como o Tabernáculo no Antigo Testamento. Ela também é tratada como “Templo de Deus” (1Co 3.16). A figura do templo, aqui, tem dupla referência, pois refere-se à Igreja e, também, ao lugar da presença de Deus. A Igreja é tipificada como a Casa de Deus, de caráter familiar, porque a palavra “casa”, nesse contexto, refere-se à família que mora na casa (1Tm 3.15). O tabernáculo de Moisés era material, e Deus habitava nele; a Igreja é o tabernáculo espiritual onde o Altíssimo habita e se manifesta gloriosamente (Ef 2.22).
- “Ao considerarmos o significado do tabernáculo (e depois do templo) nas Escrituras, será útil manter dois pontos em mente. Primeiro, o tabernáculo era a casa de Deus, o lugar de sua morada. Cortinas azuis, púrpura e com fios carmesim, uso abundante de ouro puro e um véu dividindo suas duas salas definiam o tabernáculo como o palácio do mais sagrado rei. Segundo, o tabernáculo era também o caminho para Deus, os rituais de sacrifício proporcionavam a expiação e a purificação necessárias para habitar com Deus. Uma visão geral simplificada do sistema sacrificial apresenta o caminho para Deus como envolvendo um movimento triplo na presença de Deus, uma “jornada” traçada através da ordem ritual de três sacrifícios primários. A adoração frequentemente começava com a oferta de purificação, com sua ênfase no sangue, ressaltando a necessidade de expiação pela humanidade, isto é, ser perdoado e purificado por Deus. Então seguia-se todo o holocausto que, com sua ênfase em queimar o animal inteiro à parte de sua pele, simbolizava uma vida de total consagração a Deus. A liturgia terminaria com uma oferta de paz na qual o adorador banqueteava-se com uma refeição sagrada, juntamente com a família e amigos, na presença de Deus. A expiação, então, como a jornada do sacrifício ensina, leva à santificação, e a santificação produz comunhão jubilosa com Deus. Em suma, o relacionamento de Israel com Deus foi preservado e cultivado pelo ritual sacrifical do tabernáculo, possibilitando que o Criador do céu e da terra habitasse com seu povo em comunhão. Para entender a profundidade e a maravilha de tal propósito, refletiremos sobre o significado do tabernáculo primeiro dentro do propósito de Deus para a criação e depois representando o coração da aliança de Deus com o Seu povo – um propósito assumido e cumprido por Jesus Cristo.” (VOLTEMOSAOEVANGELHO).
 Todo cristão nova é uma nova pedra no templo de Cristo, a igreja, o corpo de Cristo formado pelos crentes (1Pe 2.5). A edificação de Cristo da sua igreja não se completará até que cada pessoa que deverá crer nele o tenha feito (2Pe 3.9). O termo para "habitação" indica um lar permanente. Deus, o Espírito Santo, passa a residir de modo permanente no seu santuário terrestre, a igreja, o vasto corpo espiritual formado por iodos os remidos (cf. ICo 6.19-20; 2Co6.16). Como pedras que vivem, os cristãos têm uma identificação e união tão íntima com Cristo que a vida que existe em Cristo existe neles também (Cl 2.20; 3.3-4; 2Pe 1.4). No sentido metafórico, “edificados casa espiritual” implica em que Deus está edificando uma casa espiritual, colocando todos os cristãos no devido lugar e integrando-os uns com os outros e cada um deles com a vida de Cristo (Ef 2.19; Hb 3.6).



SUBSÍDIO TEOLÓGICO

A obra de Gunnar Vingren acerca do Tabernáculo está dividida em três capítulos: (1) Introdução, (2) O Tabernáculo e (3) Comparações e contraposições ao Tabernáculo. No terceiro capítulo, ele faz uma comparação do Tabernáculo, pelo qual o chama de “tenda do testemunho”, com a Igreja de Cristo. Veja:
“Assim como a tenda do testemunho, com todos os seus utensílios, foi ordenada por Deus, a igreja cristã recebeu de Deus suas normas e seus mandamentos. A tenda no Antigo Testamento era o lugar onde Deus se revelava, enquanto as igrejas cristãs são, hoje, o lugar da presença de Deus, o lugar onde se faz a sua vontade. O primeiro era constituído de riquezas e material precioso, o segundo é constituído também de material precioso, isto é, de almas humanas redimidas do pecado por meio da graça de Cristo Jesus. Desta forma, à tenda do Antigo Testamento se contrapõe a igreja cristã do Novo Testamento. A bacia com água ficava em frente da tenda e, na água, Arão e seus filhos limpavam seus pés e suas mãos antes de adentrarem o santuário para que não morressem. Já o batismo é a maneira pela qual o cristão ingressa na Igreja de Deus. Aquele que crê e recebe o batismo será salvo. Após o batismo, seremos sepultados com Deus, e assim como Cristo ressuscitou dos mortos, passaremos a caminhar em uma nova vida” (VINGREN, Gunnar. O Tabernáculo e Suas Lições: Monografia de graduação em Teologia do fundador das Assembleias de Deus no Brasil, defendida em 1909 no Seminário Teológico Sueco de Chicago (EUA). Rio de Janeiro: CPAD, 2011, pp.76-77).

CONCLUSÃO

Esta lição teve por objetivo levar ao aluno à compreensão da tipologia do Tabernáculo em relação à Igreja. O Tabernáculo seria mais do que um protótipo ou modelo futuro da Igreja, no qual Deus revelaria a sua glória. Esse Tabernáculo aparece como “um bem futuro” (Cl 2.17), que aponta para a Pessoa de Jesus Cristo, que veio a esse mundo mostrar, na prática, o desejo de Deus em habitar com os homens. Ele fez isso na encarnação de seu Filho, o tabernáculo divino.
O tabernáculo e o templo revelavam não apenas que Deus viria na carne para habitar conosco, mas também que, por seu Espírito, faria de seu povo o templo em quem ele habitaria para sempre. Somos agora o templo de Deus pela obra regeneradora, interior e purificadora do Espírito Santo. Paulo escreve que em Cristo “todo o edifício, bem ajustado, cresce para santuário dedicado ao Senhor” (Ef 2.21). O Espírito nos transformou em uma habitação santa para o nosso santo Senhor. Somos a casa de Deus, composta de membros de todas as tribos e nações, edificada sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, tendo Cristo como a principal pedra angular. Pedro, para quem o grande templo de Jerusalém era uma visão familiar, diz: “Vós também, como pedras vivas, sois edificados casa espiritual e sacerdócio santo, para oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por Jesus Cristo” (1Pe 2.5). (VOLTEMOSAOEVANGELHO)
   
Francisco Barbosa
Disponível no blog: auxilioebd.blogspot.com.br