sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

LIÇÃO 6: QUEM DOMINA A SUA MENTE

SUBSÍDIO I

A MENTE DE QUEM ESTÁ EM CRISTO

Estando em Cristo, a pessoa se torna nova criatura; há mudança de caráter. Esse é o pensamento paulino presente em diversas epístolas. Antes, a pessoa pensava de determinada forma e tinha um modo de agir; em Cristo, a transformação deve ser completa. Nos escritos paulinos, há uma descrição não-exaustiva de alguns elementos do comportamento da nova criatura. São instruções para ajudar na vida cristã.
Em Cristo, a pessoa completa – corpo, intelecto e emoções – deve estar voltada para viver conforme o propósito divino. Ter a nova identidade é revestir-se de Cristo, ou seja, aprender as virtudes do seu caráter. A santificação consiste, de acordo com a Declaração de fé das Assembleias de Deus, na separação do pecado e dedicação a Deus. Assim, sendo nova criatura, esse processo de santificação envolve prática das virtudes, mudança de comportamento e desenvolvimento de novos hábitos.
Uma maneira de aprender é imitando exemplo de outras pessoas. O apóstolo Paulo recomenda que os filipenses imitem seu modo de viver (Fp 3.17), o que aparece também nas cartas aos coríntios (1 Co 4.16; 11.1) e aos tessalonicenses (1 Ts 1.6; 2.14; 2 Ts 3.7-9). A imitação era um exemplo moral no mundo antigo, como aparece em Sêneca na obra Epistulae Morales ad Lucilium (Cartas morais a Lucílio). O discípulo aprendia com os mestres, que já tinham mais experiência. Dessa forma, as instruções do mestre Paulo para fazer como ele, seguindo a cruz, seriam para a formação dos discípulos que iniciam a vida em Cristo.
Servir aos outros e não somente a si próprio é uma característica que deve ser desenvolvida na vida daquele que serve a Deus. Jesus Cristo é o modelo essencial, “que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus” (Fp 2.6). Keener aponta que pensar como Cristo (1.7; 2.2, 5; 3.15, 19; 4.2, 10) era apelo à unidade e comunhão, assunto comum no Mediterrâneo por conta das divisões. A preocupação deveria ser servir aos outros e não ocupar uma posição. Além de Paulo (Fp 2.17; 4.9), Timóteo (Fp 2.19-22) e Epafrodito (Fp 2.25-30) são outros nomes mencionados como modelos a serem imitados pela postura de servos.
Além da imitação, a prática também é uma maneira de desenvolver o novo caráter (Fp 1.9, 25). A alegria é uma virtude explorada na carta aos filipenses, virtude que é fundamentada no Senhor. Tendo em vista o futuro glorioso com Cristo e a presente intervenção divina que dá esperança em meio à tribulação, os filipenses deveriam praticar a alegria. Fowl explica que a alegria “é resultado da formação disciplinar da maneira de pensar e agir no mundo [...] é o sinal de que os filipenses estão sendo formados na maneira que Paulo defende” (p. 181). A tolerância com todas as pessoas também é uma qualidade a ser trabalhada. James Smith, em Você é aquilo que ama, mostra que a virtude não se adquire pelo intelecto, mas pelo afeto. “O ensino da virtude é um tipo de formação, uma reciclagem de nossas disposições” (p.39). Assim, é importante que as práticas se tornem hábitos. Os filipenses, então, deveriam voltar suas disposições ao regozijo e à gentileza, para que eventualmente elas moldassem o caráter e formassem a nova identidade.
A formação da vida cristã vista desse contexto aponta para o desenvolvimento de um estilo de vida baseado na maneira de analisar e decidir pelas coisas excelentes que levam ao caminho da salvação em Jesus Cristo. A maneira como o crente se comporta e trata as pessoas irradia de diversas maneiras no mundo ao seu redor, dando oportunidade para que a redenção aconteça. Em primeiro lugar, há um ganho individual que é o amadurecimento espiritual, por conhecer cada vez mais a Deus por meio das experiências. Em segundo, a Igreja como um todo se enriquece com a comunhão daqueles que se dedicam a servir a Deus e aos outros. Isso é o testemunho de Cristo, é o evangelho proclamado para alcançar aqueles que ainda não receberam a salvação.

Texto extraído da obra “Batalha Espiritual”, editada pela CPAD 

COMENTÁRIO E SUBSÍDIO II

INTRODUÇÃO

A mente é um campo de batalha, Satanás busca ter o controle das nossas emoções, a fim de nos levar a pensar em coisas negativas. Na aula de hoje, estudaremos Fp. 4.4-9, um texto bíblico no qual Paulo nos instrui não vivermos inquietos, antes a confiar em Deus. E mais importante, a necessidade de preencher nossas mentes com tudo o que agrada a Deus, sobretudo o que é verdadeiro, honesto, justo, puro, amável, de boa fama, e também, meditando no que aprendemos a respeito de Cristo.

I. ANÁLISE TEXTUAL

A Epístola aos Filipenses foi escrita por Paulo por volta do ano 62 d. C, com o objetivo de instruir os irmãos daquela cidade a viverem em alegria – a palavra grega chara ocorre várias vezes nessa carta. No texto em foco, o Apóstolo inicia conclamando os irmãos a se alegrarem – chairete, um imperativo ativo. Essa charis deve ser no Senhor – en kuriô, e mais ainda deve, deve ser sempre – pantote, em todo tempo. E isso é tão importante que Paulo repete: chairete (v. 4). Ele deseja que a equidade – epiekes, razoabilidade – seja notória, essa palavra tem a ver com o bom senso, a capacidade de discernir entre o que é certo e o errado. E essa não apenas entre os membros da igreja de Cristo, mas também entre todos os homens, partindo da premissa que he kurios engus – perto está o Senhor (v. 5). A consciência da presença de Cristo deve nos motivar a agir em conformidade com a fé que defendemos. Por isso, não deveriam estar inquietos – merimnate – cuidadosos, preocupados – com coisa alguma. Paulo apresenta uma alternativa à ansiedade, a oração: apresentar vossas petições – aitema – que essas sejam conhecidas diante de Deus, com oração – proseuche – e súplicas – dêesei, sem esquecer das ações de graça – eucharistias (v.6). Fazendo assim, Paulo diz que a paz – eirene – que excede todo entendimento – guardará os vossos corações – kardias, o centro das emoções para o mundo greco-romano, e para ser mais específico, também vossos sentimentos – noemata, mente e pensamentos – em Cristo Jesus (v. 7). E quanto ao mais, o que deve está na mente dos irmãos é o que é verdadeiro – alethe, real, tudo o que é honesto – semna – digno de honra e respeito, tudo o que é justo – dikaia, correto, tudo o que é  puro – hagna, inocente, tudo o que é amável – prosphile, que possa ser amado, e tudo o que é de boa fama – euphema, digno de louvor, e se há alguma virtude – arete, coisa excelente, diz o Apóstolo, nisto pensai – logizesthe, imperativo, com ideia de raciocinar, refletir a respeito. A base dessa reflexão é o que aprendestes – emathete, estudastes, recebestes – parelabete, tomastes, e o ouvistes – ekousate, com atenção e compreensão, e isso fazei – prassete, cumprir, se comportar, assim o Deus de paz – eirenes – será convosco.

II. INTERPRETAÇÃO TEXTUAL

A fé cristã não tem uma relação direta com a felicidade, o maior anseio da sociedade contemporânea, propalando pelos vendedores de sucesso. A promessa de Cristo é alegria – chara – a qual é produzida em nós pelo Espírito Santo (Gl. 5.22). Ao mesmo tempo, precisamos também nos alegrar, ou buscar a alegria da salvação. Essa alegria precisa nos acompanhar em todas circunstâncias, ainda que estejamos em momentos de adversidade. A vida em comunidade deve ser pautada pela equidade, ou mais precisamente, pelo bom senso, a fim de que as pessoas não busquem apenas o que é melhor para elas mesmas, mas também para os outros. A volta do Senhor está muito próxima, e esse deve ser um dos motivos para uma vida em unidade, fundamentada na genuína comunhão cristã. Não podemos esquecer que o Senhor retornará como Juiz, e que haverá de avaliar as nossas obras (Tg. 5.9), ainda que não saibamos quando isso irá acontecer (II Pe. 3.1-13). As palavras de Paulo, em relação a uma vida moderada, que não se deixa conduzir pela ansiedade, encontra eco nos ensinamentos de Jesus, quanto às solicitudes da vida (Mt. 6.25-34). A confiança em Deus é aprendida, como resultado de uma comunhão contínua, dependendo dEle em todas as circunstâncias. O melhor a fazer, como demonstração dessa confiança, é ser grato a Deus, e aprender a desfrutar de tudo aquilo que Ele nos provê. O contentamento é um excelente antídoto contra a ansiedade, é um estilo de vida alternativo contra tudo aquilo que tira nossa atenção das coisas de Deus. Precisamos reconhecer que existe uma batalha espiritual na mente, e que essa precisa ser vencida, para tanto devemos pensar em coisas que edificam, tudo aquilo que é nobre e agradável. Mas somente pensar não é suficiente, devemos também colocar em prática o que aprendemos, desde que as fontes sejam confiáveis, e o mais importante, estejam fundamentadas na Palavra de Deus.

III. APLICAÇÃO TEXTUAL


Os pastores mais antigos costumavam dizer que “mente desocupada é oficina de Satanás”. Somos pessoas que podem ser afetadas pela cultura na qual estamos inseridos. Como esponjas, podemos absorver tudo aquilo que se encontra ao nosso redor. É preciso ter cuidado para não se deixar levar por coisas que nos afastem de Deus, e que roubem nossa verdadeiro eu, cuja identidade se encontra em Deus. Somente Ele sabe o que é melhor para cada um de nós, por isso devemos ter cuidado para nos preocupar demasiadamente. Ao invés de nós preocupar com as coisas que nos distraem do que é de cima, devemos nos ocupar com o Deus que está no comando de todas as circunstâncias (Cl. 3.1). Existem muitos cristãos que estão com a mente afetada por pensamentos negativos porque se interessam apenas por práticas que não edificam. A internet e a televisão têm afastado muitos crentes do seu foco, principalmente quando se trata de sensacionalismo, ou mesmo de informações equivocadas. Há uma indústria de fake news – notícias falsas – nos dias atuais, causando terrorismo psicológico, sendo também uma ferramenta para manipular as pessoas. Ao invés de ficar pensando nessas coisas, e de ficar preocupado com as ameaças que nos chegam, sejam elas reais ou fictícias, devemos alimentar nossa mente com a Palavra de Deus. A leitura diária da Bíblia, e dos bons livros cristãos, associados a uma vida de oração, é fundamental para ter saúde espiritual. Isso porque nossa espiritualidade pode ser atingida pela mente, se ficarmos muito tempo pensando negativamente, isso irá afetar diretamente nosso pensamento. Ao acordar, bem cedo pela manhã, devemos ler a Bíblia, fazer uma oração, a mesma atitude deve ser observada a noite, antes de dormir. Assistir televisão ou ficar na internet pode causar danos, não apenas ao corpo e a mente, mas também à vida espiritual. Ouvir músicas edificantes, ou mesmo textos bíblicos gravados, é uma alternativa viável, para que mantenhamos nossa mente nos Senhor.

CONCLUSÃO

O cristão, para ser identificado como tal, precisa ter a mente de Cristo (I Co. 2.16), e isso acontece através da meditação na Sua Palavra. Cristo em nós deve ser o alvo de todo crente sincero, e isso acontece na medida que O imitamos. Jesus estava sempre centrado no Pai, e quando se sentia ameaçado pela multidão, ia para o deserto, a fim de orar e meditar. Não podemos fugir do real, muito menos das responsabilidades, mas precisamos, sempre que possível, buscar refrigério na presença de Deus.

José Roberto A. Barbosa
Disponível no Blog subsidioebd.blogspot.com

COMENTÁRIO E SUBSÍDIO III

INTRODUÇÃO

Quem nasceu de novo é nova criatura, e assim a vida cristã é norteada pelo Espírito Santo. Isso significa que nós, como cristãos, não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito. A presente lição é uma reflexão introspectiva sobre a nossa maneira de viver, as nossas atitudes e as nossas decisões, e se realmente Jesus é o Senhor de nosso pensamento.
O relato da estada de Paulo em Filipos encontra-se em Atos 16; é uma história interessante. Nenhum capítulo do Novo Testamento mostra melhor a universalidade do chamado de Cristo. A narração se centra em torno de três personagens: Lídia, a vendedora de púrpura; a jovem escrava demente usada por seus donos com fins de lucro; e o carcereiro romano. Estamos diante de um período extraordinário da vida antiga. Os três personagens são de diferente nacionalidade. Lídia era asiática; não é necessário que estejamos diante de um nome próprio, mas sim simplesmente diante do qualificativo "a senhora da cidade Lídia". A jovem escrava era grega. O carcereiro era cidadão romano”. (Filipenses (William Barclay)).
E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas” (2 Co 5.17). A expressão “Nova criatura” utilizada por Paulo é muito comum no meio da Igreja, mas, será que ela é bem entendida? Ser “nova criatura” significa estar em Cristo, isto é, dentro da nova aliança fundamentada no sacrifício do Filho de Deus. Ser “nova criatura” é crer que aquEle que não conheceu pecado o fez pecado por nós (v21). É ter a consciência de que foi aceito por Deus mediante os méritos vicários de Jesus. Esta consciência produz mudança de vida, o “eu” morre. Aqueles que foram beneficiados pela morte e ressurreição de Jesus não podem viver mais para si mesmos (v15). Com esta clara definição de termos, vamos refletir como estamos vivendo e para quem estamos vivendo! 

I. SOBRA A EPÍSTOLA AOS FILIPENSES
                                                                 
Filipos era uma colônia romana e uma das principais cidades da Macedônia. Paulo esteve na cidade por ocasião de sua segunda viagem missionária e ali fundou a primeira igreja europeia. Isso aconteceu na casa de uma empresária chamada Lídia, vendedora de púrpura. O apóstolo deixou a cidade por causa das pressões locais, mas o relacionamento entre ele e os filipenses continuou. Cerca de dez anos depois, Paulo escreveu de Roma a esses irmãos, por volta do ano 62 ou 63 d.C.
Filipos era uma cidade estratégica pela sua geografia. Ela ficava entre o Oriente e o Ocidente. Era a ponte de conexão entre dois continentes. William Barclay diz que Filipe da Macedônia (pai do grande imperador Alexandre Magno, de quem recebeu o nome) fundou a cidade, que levava seu nome por uma razão muito particular. Em toda a Europa, não existia um lugar mais estratégico. Há aqui uma cadeia montanhosa que divide a Europa da Ásia, o Oriente do Ocidente. Assim, Filipos dominava a rota da Ásia à Europa. Filipe da Macedônia tomou a cidade dos tracianos por volta do ano 360 a.C., na Macedônia oriental, a 16 km do Mar Egeu. Nos dias de Paulo, era uma cidade romana privilegiada, tendo uma guarnição militar. A igreja de Filipos foi fundada por Paulo e sua equipe de cooperadores (Silas, Timóteo, Lucas) na sua segunda viagem missionária, em obediência a uma visão que Deus lhe dera em Trôade (At 16.9-40). Um forte elo de amizade desenvolveu-se entre o apóstolo e a igreja em Filipos. Várias vezes a igreja enviou ajuda financeira a Paulo (2Co 11.9; Fp 4.15,16) e contribuiu generosamente para a coleta que o apóstolo providenciou para os crentes pobres de Jerusalém (cf. 2 Co 8-9). Parece que Paulo visitou a igreja duas vezes na sua terceira viagem missionária (At 20.1,3,6). A primeira igreja estabelecida na Europa, na colônia romana de Filipos, nos revela o poder do evangelho em alcançar pessoas de raças diferentes, de contextos sociais diferentes, com experiências religiosas diferentes, dando a elas uma nova vida em Cristo. De todas as igrejas que Paulo plantou, essa foi a mais ligada ao apóstolo e a que nasceu num parto de mais profunda dor. Filipe fundou essa cidade para dominar a rota do Oriente ao Ocidente. Alcançar Filipos era abrir caminhos para a evangelização de outras nações. A evangelização e a plantação de novas igrejas exigem cuidado, critério e planejamento. Precisamos usar de forma mais racional e inteligente os obreiros de Deus e os recursos de Deus.
1. A doutrina. O objetivo da carta não era solucionar problemas doutrinários nem de relacionamentos entre os filipenses, pois eles haviam amadurecido rapidamente. Um dos propósitos estava vinculado à amizade e ao amor recíproco do apóstolo (Fp 1.7-9; 4 .1). Os problemas referentes às heresias eram periféricos. O apóstolo trata desse assunto mais como precaução. Paulo menciona os legalistas no capítulo 3, mas não era algo agudo na igreja, visto que em Filipos nem sequer havia sinagoga (At 16.13). Isso mostra que a população judaica não era significativa na cidade. Note que seus habitantes consideravam-se romanos (At 16.21). Não havia nada de muito grave na igreja que o apóstolo precisasse corrigir.
Filipenses é uma das cartas mais pessoais de Paulo e, como tal, tem várias aplicações pessoais aos crentes. Foi escrita em Roma. Foi em Filipos, onde Paulo visitou em sua segunda viagem missionária (At 16.12), que Lídia e o carcereiro e sua família foram convertidos a Cristo. Agora, alguns anos mais tarde, a igreja estava bem estabelecida, como se pode deduzir pelo seu tratamento inicial, o qual diz: "bispos (presbíteros) e diáconos" (Fp 1.1). O motivo para a epístola foi reconhecer uma oferta monetária procedente da igreja em Filipos e levada ao apóstolo por Epafrodito, um dos seus membros (Fp 4.10-18). Esta é uma delicada carta para um grupo de cristãos que eram especialmente próximos ao coração de Paulo (2Co 8.1-6) e, comparativamente, pouco é dito sobre o erro doutrinário.

2. O relacionamento. Havia entre os filipenses alguns problemas que são próprios da natureza humana e comuns nas igrejas ainda hoje (Fp 1.27; 2.3,14). É possível que o pedido do apóstolo para ajudar as irmãs Evódia e Síntique indique algum problema de desentendimento entre elas (Fp 4.2). O apóstolo pede que haja unidade e harmonia entre os crentes, tendo por base a humildade e o exemplo de Cristo. O apelo paulino é para que haja entre os filipenses “o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus” (Fp 2.5).
Esta carta tem, entre outra aplicações, a necessidade dos cristãos permanecerem unidos em humildade. Estamos unidos com Cristo e temos que nos esforçar para estar unidos uns aos outros da mesma maneira. Paulo nos encoraja a “ter o mesmo modo de pensar, o mesmo amor, um só espírito e uma só atitude” e a repudiar a vaidade e egoísmo, mas “humildemente considerem os outros superiores a si mesmo”, prestando atenção aos interesses dos outros e cuidando uns aos outros (Fp 2.2-4). Haveria muito menos conflito nas igrejas hoje se todos seguíssemos o conselho de Paulo. A desunião dos crentes era um pecado que atacava o coração da igreja. Era uma arma destruidora que estava roubando a eficácia da igreja diante do mundo. Ralph Martin diz que a igreja filipense sofria com problemas de presunção (2.3), de vaidosa superioridade (2.3), que induziam ao egoísmo (2.4), quebrando a koinonia, espírito de boa vontade para com a comunidade. Isso gerava pequenas disputas (4.2) e espírito de reclamação (2.14). Havia um espírito individualista e elitista em alguns membros da igreja de Filipos que colocava em risco a harmonia na igreja. Havia partidarismo e vanglória. Havia falta de comunhão entre os crentes. Problemas pessoais interferiam na unidade espiritual da igreja. Até mesmo duas irmãs, líderes da igreja, estavam em desacordo dentro dela (4.2). Nas duas principais ocasiões quando Paulo chama os crentes de Filipos à unidade (2.2; 4.2), ele introduz seu mandamento alertando os crentes sobre dois fatos ou verdades sobre a igreja. Em Filipenses 2.1, Paulo os relembra de que eles estão em Cristo, que o amor do Pai foi derramado sobre eles e que, pelo Espírito, a eles foi dado o dom da comunhão. É essa obra trinitariana que fez deles o que são. Viver em desarmonia, em vez de em união, é um pecado contra a obra e a Pessoa de Deus. Em Filipenses 4.1, não é acidentalmente que Paulo se dirige a eles duas vezes, chamando-os de “amados” e uma vez de “irmãos”. Antes de exortá-los à unidade, ele os relembra de sua posição: eles pertencem à mesma família (irmãos) em que o espírito vivificador é o verdadeiro amor (amados). À luz desses fatos, a desunião é uma ofensa abominável [Motyer, J. A. The message of Philippians, 1991: p. 19.].

3. O ensino. Filipenses é uma epístola prática, e os pensamentos teológicos aparecem casualmente, como no parágrafo teológico por excelência, no capítulo 2.5-11, e no lar celestial prometido aos cristãos, no final do capítulo 3. O sentimento de gozo e regozijo dominava os crentes de Filipos, e este é um dos temas da carta: a alegria. A Igreja de Filipos é um exemplo a ser seguido por todos; isso porque havia nela o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus.
Uma outra aplicação de Filipenses é a do gozo e alegria encontrados ao longo de sua carta. Ele se alegra que Cristo está sendo proclamado (Fp 1.8), em sua perseguição (2.18), exorta os outros a se alegrarem no Senhor (3.1), e refere-se aos irmãos de Filipos como a sua “alegria e coroa” (4.1). Ele resume com esta exortação aos crentes: "Alegrem-se sempre no Senhor. Novamente direi: alegrem-se!" (4.4-7). Como crentes, podemos nos alegrar e experimentar da paz de Deus quando lançamos todos os nossos cuidados sobre Ele: "Não andem ansiosos por coisa alguma, mas em tudo, pela oração e súplicas, e com ação de graças, apresentem seus pedidos a Deus" (4.6). A alegria de Paulo, apesar da perseguição e prisão, brilha através desta carta e temos a promessa da mesma alegria quando focalizamos nossos pensamentos no Senhor (Fp 4.8).

SUBSÍDIO DIDÁTICO-PEDAGÓGICO

Para introduzir a lição desta semana, sugerimos reproduzir para a classe o esquema proposto conforme a sua possibilidade e fazer uma exposição geral sobre a epístola.
II. SOBRE A “MENTE” NO CONTEXTO BÍBLICO

Há diversos termos nas línguas originais da Bíblia para “mente” e seus derivados. Vamos estudar alguns deles aqui. Cada termo apresenta diferenças sutis, mas significativas.
1. A mente como faculdade psicológica. O Novo Testamento grego emprega o termo nous, de amplo significado, como “mente, entendimento, intelecto, pensamento, sentido” (Rm 11.34; 1 Co 2.16; 14.14; 2 Co 11.3). Na presente lição, o sentido dessas palavras é de uma faculdade psicológica que envolve compreensão, raciocínio, pensamento e decisão: “De maneira que eu, de mim mesmo, com a mente, sou escravo da lei de Deus, mas, segundo a carne, sou escravo da lei do pecado” (Rm 7.25, Nova Almeida Atualizada). O apóstolo Paulo está se referindo ao “eu” regenerado em contraste com a carne, sem o controle do Espírito Santo. É com essa mente cristã que desejamos a lei de Deus, ou seja, “a lei do Espírito de vida, em Cristo Jesus” (Rm 8.2).
‘nous’ (3563) STRONG: “Mente, incluindo igualmente as faculdades de perceber e entender bem como a habilidade de sentir, julgar, determinar. Faculdades mentais, entendimento. Razão no sentido mais estreito, como a capacidade para verdade espiritual, os poderes superiores da alma, a faculdade de perceber as coisas divinas, de reconhecer a bondade e de odiar o mal. O poder de ponderar e julgar sobriamente, calmamente e imparcialmente; um modo particular de pensar e julgar, isto é, pensamentos, sentimentos, propósitos, desejos”.
O apóstolo Paulo nos lembra que nossa mente só nos levará a viver como queremos, experimentando a paz (o melhor sinônimo para felicidade), quando ela (a nossa mente) se desintoxicar dos valores próprios do pecado, deixando de se governar apenas pelos instintos, e desejar ser encharcada por Deus e querer ser programada por Cristo.

2. A mente como forma de pensar. A mente aparece também no Novo Testamento como uma maneira ou forma especial de pensar. A ideia nesse caso é de disposição e de atitude, tanto no sentido negativo: “estando cheio de orgulho, sem motivo algum, na sua mente carnal” (Cl 2.18, Nova Almeida Atualizada); como positivo: “armai-vos também vós com este pensamento” (1 Pe 4.1). Assim, ter “a mente de Cristo” (1 Co 2.16) significa pensar como Ele.
A mente programada por Cristo, e para Cristo, é aquela que tem prazer na lei de Deus e se assemelha a uma árvore plantada junto às correntes de águas, a qual dá o seu fruto na estação própria, e cuja folha não cai; e tudo quanto fizer prosperará (Salmo 1.2,3). O segredo da vitória do cristão é estar conectado à Fonte divina. O resultado desta conexão é uma vida que produz vida, para si mesmo e para os outros. É a mente de Deus que nos instrui e não nós a Ela. Como pergunta o apóstolo Paulo, quem jamais conheceu a mente do Senhor, para que possa instruí-lo? Sua resposta é que nós temos a mente de Cristo (1Coríntios 2.16), no sentido de que Ele nos capacita a pensar como Cristo, desde que estejamos unidos a Ele, conectados a Ele, cativos dEle, ressuscitados com Ele, escondidos nEle. Em Filipenses 4.5-9; Colossenses 3.1-4, o apóstolo Paulo nos apresenta as características daqueles que estão em Cristo, daqueles que têm suas mentes programadas pelo Senhor. (PRAZERDAPALAVRA)

3. Espírito. O substantivo grego pneuma, traduzido geralmente por “espírito”, é usado ainda de forma metafórica como modo de ser, atitude, forma de pensar: “se algum homem chegar a ser surpreendido nalguma ofensa, vós, que sois espirituais, encaminhai o tal com espírito de mansidão” (Gl 6.1). É uma atitude ou modo de ser que reflete a forma como uma pessoa encara ou pensa sobre um assunto. Essa expressão é usada em contraste entre o divino e o meramente humano (Mc 2.8; At 17.16; 1 Co 2.11; 5.5; Cl 2.5).
πνευμα pneuma (STRONG):
1) terceira pessoa da trindade, o Santo Espírito, co-igual, co-eterno com o Pai e o Filho;
1a) algumas vezes mencionado de um modo que enfatiza sua personalidade e caráter (o Santo Espírito);
1b) algumas vezes mencionado de um modo que enfatiza seu trabalho e poder (o Espírito da Verdade);
1c) nunca mencionado como um força despersonalizada.
2) o espírito, i.e., o princípio vital pelo qual o corpo é animado
2a) espírito racional, o poder pelo qual o ser humano sente, pensa, decide
2b) alma
3) um espírito, i.e., simples essência, destituída de tudo ou de pelo menos todo elemento material, e possuído do poder de conhecimento, desejo, decisão e ação
3a) espírito que dá vida
3b) alma humana que partiu do corpo
3c) um espírito superior ao homem, contudo inferior a Deus, i.e., um anjo
3c1) usado de demônios, ou maus espíritos, que pensava-se habitavam em corpos humanos
3c2) a natureza espiritual de Cristo, superior ao maior dos anjos e igual a Deus, a natureza divina de Cristo
4) a disposição ou influência que preenche e governa a alma de alguém
4a) a fonte eficiente de todo poder, afeição, emoção, desejo, etc.
5) um movimento de ar (um sopro suave)
5a) do vento; daí, o vento em si mesmo
5b) respiração pelo nariz ou pela boca
Diz o apóstolo Paulo, em Gálatas 6.1: “Irmãos, se algum homem chegar a ser surpreendido nalguma ofensa, vós, que sois espirituais, encaminhai o tal com espírito de mansidão; olhando por ti mesmo, para que não sejas, também, tentado”. Ser espiritual no sentido bíblico significa que o Espírito Santo está a residir no indivíduo, controlando-o e dirigindo-o, em lugar do mero espírito humano controlando tudo. O comentarista disse que é uma forma de pensar, o que eu discordo, nessa passagem, ser espiritual indica uma pessoa totalmente controlada pelo Espírito Santo! Uma pessoa espiritual é:
● Alguém que é nascido de Deus o Espírito Santo. “O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito” [espiritual] (Jo 3.6).
● Alguém que tem conhecimento e discernimento espiritual. “Mas, como está escrito: As coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, e não subiram ao coração do homem são as que Deus preparou para os que o amam. Mas Deus no-las revelou pelo seu Espírito; porque o Espírito penetra todas as coisas, ainda as profundezas de Deus” (1Co 2.9,10).
● Alguém que pensa nas coisas espirituais. “Porque os que são segundo a carne inclinam-se para as coisas da carne; mas os que são segundo o Espírito, para as coisas do Espírito” (Rm 8.5).
● Alguém que é guiado pelo Espírito de Deus. “Porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus, esses são filhos de Deus” (Rm 8.14).
● Alguém que é engajado no conflito espiritual com a carne. “Porque a carne cobiça contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne; e estes opõem-se um ao outro; para que não façais o que quereis” (Gl 5.17).
● Alguém que manifesta o fruto do Espírito. “Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei” (Gl 5.22,23).

4. Coração. O coração aparece em toda a Bíblia como o centro da vida física, espiritual e mental; emotiva e volitiva. É a fonte de vários sentimentos e afeições, como alegria e tristeza (Pv 25.20; Is 65.14). O coração é a sede do pensamento e da compreensão (Dt 29.4; Pv 14.10). Seu uso metafórico aparece como a fonte causativa da vida psicológica de uma pessoa em seus vários aspectos, mas a ênfase especial nos pensamentos significa o “homem interior” (Mt 22.37; 2 Co 9.7; Rm 2.5). Esse sentido aparece também no Antigo Testamento: “guarda o teu coração, porque dele procedem as saídas da vida” (Pv 4.23).
Na linguagem bíblica, o coração é aquela parte espiritual dentro de nós onde os nossos desejos e emoções habitam. “Antes de darmos uma olhada no coração humano, vamos mencionar que, uma vez que Deus tem emoções e desejos, pode-se dizer que Ele também tem um "coração". Nós temos um coração porque Deus o tem. Davi era um homem "segundo o coração de Deus" (Atos 13:22). E Deus abençoa o Seu povo com líderes que conhecem e seguem o Seu coração (1 Samuel 2:35, Jeremias 3:15).” (GOTQUESTIONS). Para os hebreus antigos, a sede das emoções eram as entranhas, intestinos, (coração, pulmão, fígado, etc.). As entranhas eram consideradas como a sede das paixões mais extremas, tal como o ódio e o amor; também a sede das afeições mais sensíveis, esp. bondade, benevolência, compaixão; daí, nosso coração (misericórdia, afetos, etc.). Em grego, é psuche; além dealma, o lugar dos sentimentos, desejos, afeições, aversões (nosso coração, alma etc.). O coração humano, em sua condição natural, é perverso, traiçoeiro e enganador. Jeremias 17:9 diz: "Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o poderá conhecer?" Em outras palavras, a Queda nos afetou no nível mais profundo – a nossa mente, emoções e desejos foram manchados pelo pecado e somos cegos para o quão penetrante o problema realmente é.

SUBSÍDIO DOUTRINÁRIO

“A palavra grega metanoia sugere, fortemente, que o pecador mergulhe para além da mera consciência intelectual quanto à pecaminosidade. Mas que o faça com tal ímpeto e repulsa, que o leve a rejeitar o mal e a seguir a Cristo, desejando aprender cada vez mais do Salvador (Mt 3.8; At 5.31; 20.21; Rm 2.4; 2 Co 7.9,10; 2 Pe 3.9). Vejamos, agora, o lado positivo da conversão. O pecador deve não somente ‘voltar-se de’ mas ‘voltar-se para’. Assim, voltamo-nos do pecado para voltarmo-nos para Deus. O voltar-se para Deus é um ato de fé. Consiste em se entrar numa relação positiva com Deus. É algo central na experiência cristã; enfatiza a importância da fé. ‘Ora, sem fé é impossível agradar-lhe; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam’ (Hb 11.6). Todas a nossas relações com Deus acham-se ancoradas na fé” (MENZIES, William W; HORTON, Stanley M. Doutrinas Bíblicas: Os Fundamentos da Nossa Fé. Série: Clássicos do Movimento Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2003, p.86)

III. SOBRE A MENTE DE CRISTO

O sentimento que norteava a vida dos irmãos filipenses era de alegria e de comunhão. É isso que deve prevalecer na vida cristã em todos os lugares e em todas as épocas.
1. O sentimento de alegria. “Regozijai-vos” é uma saudação grega, mas aqui Paulo exorta os filipenses e todos os cristãos à alegria. O apóstolo acrescenta: “sempre, no Senhor”. O Senhor Jesus é a fonte inesgotável de gozo e alegria, e isso dá à saudação um sentido complemente novo. Como resultado desse estado de graça está o bom relacionamento do cristão com as demais pessoas. O termo “equidade” (v.5) é a tradução do adjetivo grego epieikés, “compreensivo, bondoso, benigno”. A Almeida Revista e Atualizada traduz por “moderação”. Essa deve ser a atitude de quem tem a mente de Cristo em relação às pessoas que nos rodeiam. É o que Deus espera de todos nós. A expressão “perto está o Senhor” (v.5) diz respeito à vinda de Jesus que se aproxima (Ap 1.3; 22.10) e nos inspira a essa moderação.
Elicott comenta: “(5) Sua moderação. - A palavra aqui traduzida "moderação", denota adequadamente uma sensação do que é aparente, ou equitativa, como distinta do que é exigido por dever rígido ou lei formal. Tal distinção que o mundo reconhece quando fala do que é enunciado, não tanto pelo dever quanto pelo "bom gosto, ou" sentimento correto ", ou (com alguma peculiaridade de aplicação) pelo sentimento" cavalheiresco ", ou o" espírito de um Cavalheiro. "Aqui denota o sentido geral do que é aparentemente em um tom de caráter cristão. Em 2Co. 10: 1 (onde é traduzida "gentileza") é atribuído enfaticamente ao próprio Senhor. Mas o uso do Novo Testamento apropria-se especialmente da "delicadeza doce" que a "gentileza" pode designar. Assim, em At. 24: 4 significa claramente paciência ou tolerância; em 2Co. 10: 1 está associado à mansidão; em 1Ti. 3: 3 , Tit. 3: 2 , com pacificidade; em 1Pe. 2: 8 , com gentileza; em Jas. 3:17 a palavra "gentil" é colocada entre "pacífico" e "fácil de implorar" (ou melhor, persuadido ) . Este espírito é, sem dúvida, "moderação", mas é algo mais. Pode referir-se aqui tanto à exortação à unidade em Php. 4: 1-3 , e à exortação de alegria imediatamente anterior. Isso ajudaria a pessoa e castigará o outro. O Senhor está à mão. - Uma tradução do Syriac "Maran-atha" de 1Co. 16:22 - obviamente, uma palavra de ordem cristã, provavelmente referindo-se ao Segundo Advento tão próximo; embora, é claro, não excluamos a idéia maior dessa presença de Cristo em Sua Igreja, da qual esse Segundo Advento é a consumação”. (BIBLIACOMENTADA). John Wesley comenta: “Deixe a sua gentileza - A entrega, doçura de temperamento, o resultado da alegria no Senhor. Seja conhecido - pelo seu comportamento todo. Para todos os homens - bons e maus, gentis e perversos. Aqueles dos temperamentos mais duros são de boa índole para alguns, da simpatia natural e de vários motivos; um cristão para todos. O Senhor - O juiz, o recompensador, o vingador).

2. Nossa gratidão a Deus. Os filipenses viviam num clima de perseguição religiosa. Paulo estava na prisão. Mas nada disso era problema suficiente para roubar a alegria dos crentes: “a alegria do SENHOR é a vossa força” (Ne 8.10). Mesmo nas dificuldades, quem tem uma mente guiada por Cristo não se desespera; antes, as suas petições são levadas à presença de Deus “pela oração e súplicas, com ação de graças” (v.6).
Paulo teve que deixar Filipos depois de desatar-se a tormenta da perseguição que o reduziu a uma prisão ilegal. Esta perseguição foi herdada pela Igreja de Filipos. O apóstolo conta que tinham participado de suas prisões e em sua defesa do evangelho (1.7); que não temam a seus inimigos porque estão passando pelo que ele mesmo passou e suporta no presente (1.28-30). “É bonito quando, como o expressa Ellicott, a lembrança se liga à gratidão. É algo grande quando não temos senão lembranças felizes de todas nossas relações pessoais e assim se sentia Paulo com respeito aos cristãos de Filipos. A lembrança não trazia coisas lamentáveis, mas sim só felicidade.” (Filipenses (William Barclay))

3. A paz de Deus. O termo noema, “pensamento, mente”, diz respeito à faculdade geral de julgamento para tomar decisões, no sentido de bem ou mal, certo ou errado. A ideia dessa palavra é de entendimento da vontade divina concernente à salvação (2 Co 10.5). Esse noema pode se corromper (2 Co 11.3) e se tornar endurecido (2 Co 3.14), a ponto de impedir a iluminação do evangelho de Cristo (2 Co 4.4). Mas a paz de Deus na vida cristã está acima de todos os bens que uma pessoa pode adquirir e sobrepuja a todo entendimento, pois vai além da razão humana. Ela excede “os vossos corações e os vossos sentimentos em Cristo Jesus” (v.7).
A paz que Deus dá é aqui particularmente referida é aquela que é sentida quando não temos nenhum cuidado ansioso com o suprimento de nossas necessidades, e quando vamos confiantemente e entregamos tudo nas mãos de Deus. "Tu o manterás em perfeita paz, cuja mente está firme em ti" (Is 26.3). Charles John Ellicott (Bispo da sé unida de Gloucester e Bristol – 1819-1905) comentando o versículo 7, escreve: “A paz de Deus - ie (como a "justiça de Deus", "a vida de Deus"), a paz que Deus dá a todas alma que repousa sobre ele em oração. É a paz - o sentimento de unidade no maior sentido - a "paz na terra" proclamada no nascimento de nosso Senhor, deixada como Seu último legado aos Seus discípulos, e pronunciada na Sua primeira volta a eles do túmulo ( Lc 2.14 ; Jo 14.27 ). Por isso, inclui paz com Deus, paz com os homens, paz com si mesmo. Isso mantém, isto é, vigia com a vigilância que "nem dormem nem dorme" - tanto "os corações e as mentes" (ou, mais propriamente, as almas e os pensamentos se formaram neles ) , protegendo toda a nossa ação espiritual, tanto em sua origem quanto em seus desenvolvimentos. É "através de Cristo Jesus", porque "Ele é a nossa paz (Ef 2.14 ), como" fazer tudo "e" reconciliando tudo com Deus ". A abrangência e a beleza da passagem naturalmente o fizeram (com a mudança característica do" dever "de promessa ao" poder "de bênção) a bênção final do nosso mais solene serviço da igreja da" Santa Comunhão " "Com Deus e com o homem”.

SUBSÍDIO VIDA CRISTÃ

“Rios de Água Viva
[...] No Evangelho de João, lemos as palavras: ‘Jesus respondeu e disse-lhe: Se tu conheceras o dom de Deus e quem é o que te diz: Dá-me de beber, tu lhe pedirias, e ele te daria água viva’ (Jo 4.10). Louvado seja Deus pelas águas vivas que hoje fluem livremente, pois elas vêm de Deus a todo coração faminto e sedento. No poderoso nome de Jesus, podemos ir aos confins da terra e aos lugares secos e ermos, pois até os corações ressequidos, tristes e solitários foram feitos para se alegrar no Deus da sua salvação. Clamemos hoje pelos rios. Em Jesus Cristo, recebemos o perdão dos pecados e a santificação de nosso espírito, alma e corpo e, em santificação, recebemos o dom do Espírito Santo prometido por Jesus aos discípulos – a promessa do Pai. Recebemos tudo isso pela reconciliação. Aleluia! O profeta declarou que Jesus tomou sobre si as nossas aflições e carregou as nossas tristezas. ‘Mas ele foi ferido pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e, pelas suas pisaduras, fomos sarados’ (Is 53.5). Cura, saúde, salvação, alegria, vida: temos tudo isso em Jesus. Glória a Deus!” (SEYMOUR. Devocional: O Avivamento da Rua Azusa. Série: Clássicos do Movimento Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2003, pp.148-49).

CONCLUSÃO

O nosso comportamento na vida diária, no lar, na Igreja, no trabalho e na sociedade reflete o que há em nosso coração, e isso mostra por si só quem domina a nossa mente. Há pontos na fé cristã que são inegociáveis, e quem é dominado pelo Espírito não abre mão de sua fé nem cede um milímetro sequer de sua fidelidade a Deus. É esse espírito que domina a mente dos crentes fiéis em Cristo Jesus.
Filipenses apresenta muitas lições práticas, entre elas, a de que os crentes se alegram na contemplação da redenção de Deus - Perto está o Senhor. Não andem ansiosos por coisa alguma (4.5b–6a). Chegando ao âmago do comportamento, as Escrituras ensinam que o coração é o centro de controle da vida e que a vida de uma pessoa reflete o que se passa em seu coração. Os santos refletem profundamente sobre si mesmos e sabem que não podem sujar o coração, e procuram enche-lo com a Palavra de Deus e entregá-lo ao completo domínio do Espírito Santo “Cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova em mim um espírito reto. ... quebrantado; a um coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus.” (Sl 51.10)


Francisco Barbosa
Disponível no blog: auxilioebd.blogspot.com.br

quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

LIÇÃO 5: UM INIMIGO QUE PRECISA SER RESISTIDO


 
SUBSÍDIO I

RESISTINDO O INIMIGO

O capítulo 4 deste livro apresenta um estudo sobre a origem, a natureza e as ações de Satanás e seus correligionários, os demônios, de modo que não há necessidade de descrevê-los aqui. O objetivo deste capítulo é mostrar e explicar como resistir o diabo para que ele se afaste cada vez mais de nós. O Senhor Jesus provou na tentação do deserto que o diabo não é invencível, desde que se resista a ele com a Palavra de Deus. Veja que Jesus resistiu às três últimas investidas do diabo no deserto com um “está escrito” que não deu chance alguma ao Maligno, de modo que “o diabo o deixou” (Mt 4.11). O relato de Lucas afirma que o diabo se ausentou de Jesus temporariamente: “E, acabando o diabo toda a tentação, ausentou-se dele por algum tempo” (Lc 4.13). Quando os crentes se revestem do Senhor Jesus e da força do seu poder contra as astutas ciladas do diabo (Ef 6.10, 11), devem depois de tudo isso “ficar firmes” (v. 13). Isso porque o diabo volta a atacar. Mesmo depois de derrotado no deserto, o diabo continuou insistindo; o Novo Testamento conta que Jesus foi tentado não somente nos quarenta dias imediatamente após o batismo no rio Jordão, mas durante todos os dias do seu ministério (Lc 22.28; Hb 4.15). Isso mostra que Satanás é persistente no ataque, e na vida cristã não é diferente. O fato de ele fugir de nós pela nossa resistência não significa que a vitória seja definitiva, por essa razão devemos estar atentos em todo o tempo. 
A primeira parte do capítulo 4 de Tiago apresenta uma lista de comportamentos que devem estar longe da vida cristã. São as paixões resumidas em quatro categorias: 1) contenda entre irmãos, 2) mundanismo, 3) insubmissão a Deus e 4) maledicência.
[...] A batalha espiritual é uma realidade. A luta de todo aquele que serve ao Senhor Deus é contra o pecado, que pode ser uma tentação do diabo ou da própria carne. Muitas vezes, o desafio surge no modo como tratamos os irmãos e as irmãs, daí a necessidade de prestar atenção para apresentar diante de Deus todas as coisas, inclusive nosso comportamento. A contenda entre irmãos, o mundanismo, a insubmissão a Deus e a maledicência são alguns aspectos que devem estar sob vigilância na batalha. Devemos, portanto, nos colocar na presença de Deus a fim de resistir a esses inimigos.

Texto extraído da obra “Batalha Espiritual”, editada pela CPAD 

COMENTÁRIO E SUBSÍDIO II

INTRODUÇÃO

A Epístola de Tiago foi escrita por volta do ano 45 d. C., sendo um dos primeiros textos apostólicos. Essa carta foi destinada aos primeiros cristãos dispersos, de origem judaica no contexto do império romano (Tg. 1.1). Esses crentes faziam parte do “movimento de Jesus”, e ainda se reuniam nas sinagogas, seu principal objetivo era integrar fé e obras, enquanto sabedoria prática, que provém do alto (Tg. 3.14,15).

I. ANÁLISE TEXTUAL
                                                                 
No texto em foco, a ênfase é posta na causa das guerras – pólemos -  e pelejas – machai, que também pode ser traduzido por disputas. Tiago diz que elas provém dos vossos deleites – hedonon, ou prazeres ou paixões, que guerreiam – strateomai – que entram em confronto – em vossos membros? (v. 1). Ao invés de pedir a Deus, e buscar o que edifica, muitos preferem cobiçar – epithumeite – desejar ardentemente, e isso leva a um tipo de frustação, por não ser capaz de alcançar – epithuchein. Ao invés de orar com sabedoria, e pedir as coisas que são do alto, as pessoas pedem mal, para gastar – depanesete – esse verbo expressa o desejo de consumir (v. 3). O grande problema é que as pessoas se deixam controlar pela filosofia deste mundo – kosmu – aqui se referindo aos padrões anti-Deus, que regem a esfera humana. O que tem neste kosmos é adultério – moichalides – não apenas no sentido sexual, mas também de se deixar contaminar com os valores desta era. Aqueles que se tornam amigos do mundo, acabam por se tornarem inimigos de Deus (v. 4). A Escritura é bastante clara, ao afirmar que o Espírito que habita no crente tem ciúmes - phthonos – tanto pode ter um sentido negativo, como ciúme e inveja, quanto positivo, que é o caso nessa passagem, com o sentido de zelo (v. 5). Há um paradoxo no texto, pois Deus dá graça – charin – aos humildes – tapeinos – no contexto de Tiago, aquelas pessoas que são marginalizadas, mas aos soberbos – huperefanois – arrogantes e orgulhosos, com base no que possuem (v. 6). A opção apresentada pelo apóstolo é sujeitar-se – hupotagete – colocar-se sob o controle – de Deus, e resistir – antistete – também se opor – ao Diabo, então esse fugirá de vós (v. 7). É preciso se chegar mais a Deus, e ele se chegar a vós, diz Tiago. E mais, limpai as mãos, e purificai o coração – kardia, sobretudo aqueles de ânino dobre – dipsuchoi – que ficam entre dois pensamentos, não se definem a quem agradar, se a Deus ou ao mundo (v. 8). Para tanto, devem sentir as vossas misérias – telaporeisate – lamentar e chorar – converter o riso em pranto; e o gozo, em tristeza. E mais: humilhar-se – tapenoithete perante o Senhor, somente ele pode exaltar – hupsosei – no futuro, de maneira oportuna.

II. INTERPRETAÇÃO TEXTUAL

O pecado da dissensão, naquela comunidade eclesiástica, era resultante da falta de sabedoria do alto (Tg. 3.13-18), que tinha relação com a mundanidade, ou seja, aos valores daquela época que estavam adentrando à igreja. Muitas disputas que acontecem no seio da igreja são provenientes dos desejos (gr. hedone – paixões), que fazem com que as pessoas entrem em conflito umas com as outras (v.1). É muita cobiça envolvida, sobretudo nos tempos atuais, marcado pelo consumismo, as pessoas estão deixando de valorizar o que é espiritual, e se tornando extremamente mundanas, se apegando ao que é da terra, em detrimento do que é do céu. Essa condição se reflete na própria oração, pois as pessoas expressam em suas palavras aquilo que desejam. Uma demonstração prática disso é a famigerada teologia da ganância, que incita os crentes a buscarem enriquecimento terreno, trazendo sobre elas mesmas sofrimento e frustração (v. 2). Por causa disso, as orações são equivocadas, pessoas que pedem apenas para satisfazerem seus deleites, não que o prazer seja pecado em si, mas esse não pode controlar as pessoas (v. 3). Quando isso acontece, nos tornamos adúlteros e adúlteras, no sentido espiritual, pois desejamos o mundo, como se esse fosse a razão da existência (v. 4). Ninguém que ama este mundo pode dizer que é amigo de Deus, pois são incompatíveis (I Jo. 2.15,16; 5.19). O mundo, nesse contexto, não se refere ao mundo físico, muito menos às pessoas, mas ao sistema anti-Deus, que se opõe aos valores do Reino de Deus (Mt. 6.24). O Espírito que habita em nós é um real, e tem sentimentos e vontades, por isso sente zelo por aqueles que se entregam aos prazeres do mundo (v. 5). A graça de Deus é para aqueles que se humilham, ou seja, que se submetem à vontade de Deus (I Pe. 5.5), se opõem à arrogância e ao orgulho, e se fiam na providência divina, dependem daquilo que Deus dá, o pão nosso de cada dia (v. 6). É preciso resistir ao diabo, e uma das melhores maneiras de fazê-lo é se aproximando de Deus (I Co. 10.13), pois somente assim Satanás fugirá de nós, como aconteceu com Cristo, ao ser tentado (Lc. 4.13). Se quisermos nos aproximar de Deus, devemos purificar nossas vidas, chorar nossa condição de pecado, reconhecer a misericórdia divina (v. 8,9), como orientaram os profetas do Antigo Testamento (Is. 15.2; Jr. 6.26). E para concluir, de maneira resumida, Tiago reforça que devemos ser humildes – viver um estio de vida simples – se quisermos ser exaltados por Deus (Mt. 23.12), ter cuidado para não se deixar levar por um modelo de religiosidade que apenas valoriza o que se tem, diferente daquele ensinado por Jesus, sobretudo no sermão do monte (Mt. 5-7).

III. APLICAÇÃO TEXTUAL

O mundo é movido pela ganância, essa é a causa das guerras e conflitos, não apenas entre os não-cristãos, mas também entre os cristãos. O mundo jaz no maligno (I Jo. 5.19), e esse é inimigo de Deus, por se opor à sua vontade (Rm. 8.6-8; 12.1,2). Uma das formas de Satanás, que é o deus deste século, manipular as pessoas (II Co. 4.4), é através do desejo desenfreado, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba dos olhos (I Jo. 2.16-17). O pecado dos nossos primeiros pais no Jardim do Éden se deu através do olhar, e o desejo de ser igual a Deus, se apropriando daquilo que Ele havia proibido (Gn. 3.6). O desejo de enriquecer, inspirado na inveja do outro, está levando muitas pessoas à ruina, afinal o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males (I Tm. 6.10-12). Mamom é o deus que governa o mundo dos negócios, e sacrifica muitas vidas, a fim de ser adorado, por isso Jesus advertiu quando a essa divindade, e foi categórico ao afirmar que ninguém pode servir a dois senhores (Mt. 6.24). A alternativa cristã contra a idolatria do dinheiro é um estilo de vida simples, pautado no contentamento, pois é assim que Deus deseja que vivamos (Lc. 3.14; Fp. 4.12; Hb. 13.5). Contentamento não significa comodismo, ninguém está proibido de buscar viver melhor, e até mesmo de prudentemente reservar um pouco para os dias difíceis, mas não se pode confiar nas riquezas. Jesus nos ensinou a viver sem o frenesi das preocupações, sobretudo em relação ao que teremos para viver no futuro (Mt. 6.24-33).  O problema é que as pessoas estão sendo seduzidas pelo consumismo, comprando coisas que não precisam, apenas para agradar as outras pessoas. Essas pessoas, ainda que não percebam, estão no ritmo de vida do mundo, e por essa razão, estão adulterando espiritualmente, pois amam mais o presente século do que a Deus. A cobiça e o hedonismo não é um estilo de vida compatível com o cristão, ainda que tenhamos sido criados para o prazer, não podemos deixar que os deleites da vida nos controlem (I Co. 6.12).

CONCLUSÃO

As advertências de Tiago são necessárias, caso queiramos resistir ao diabo. A melhor maneira de fazê-lo, conforme instrução do próprio apóstolo, é sujeitar-se e se achegar cada vez mais a Deus. A vitória sobre os poderes do mundo depende de Deus, mas nós também somos participantes, na medida em que buscamos viver no Espírito (Gl. 5.22), não satisfazendo os desejos desenfreados da carne (Gl. 5.16). É preciso se arrepender dos pecados, sentir as misérias, lamentar e chorar, a fim de receber a graça de Deus, pois o Senhor abate os orgulhosos, mas eleva os humildes (Tg. 4.6,10).
José Roberto A. Barbosa
Disponível no Blog subsidioebd.blogspot.com

COMENTÁRIO E SUBSÍDIO III

INTRODUÇÃO

Essa seção da epístola de Tiago é, em outras palavras, um chamado à santidade. A carta é dirigida aos cristãos do primeiro momento da história sagrada. Tiago mostra que resistir ao Diabo já era um bom começo. A presente lição esclarece por que devemos resistir às paixões e mostra ainda que a amizade com o mundo é inimizade contra Deus. Um bom início de preparação para a aula desta semana é estudar a Carta de Tiago. Assim, é possível compreender bem contexto em que se encontra a seção que nos interessa. Logo, será possível perceber em seus estudos que o contexto da seção versa a respeito do "chamado à santidade". Esse procedimento é importante porque a ausência dele permite ao movimento moderno de "batalha espiritual" distorcer e forçar tanto o texto bíblico.
Tiago, o Justo, um dos irmãos de Jesus (Mt 13.55; Mc 6.3), é o autor dessa epístola. Convertido após a ressurreição de Jesus (Jo 7.3-5; At 1.14; 1 Co 15.7; Gl 1.19), tornou-se líder da igreja em Jerusalém, e é apontado por Paulo como um dos pilares da igreja (Gl 2.9). No capítulo 4.4-7, Tiago afirma que amar ao mundo é inimizar-se com Deus e que aquele que é amigo do mundo por isso mesmo se constitui em inimigo de Deus. É importante o que Tiago quer dizer. Note o que disse Jesus: "Ninguém pode servir a dois senhores" (Mt 6.24). Todo o capítulo nos fala de Purificação para cristãos (1 Co 3.1-4):
(1) a luta com o pecado (v. 1-4);
(2) o desejo de Deus de liberar maior graça (v. 5,6);
(3) o caminho da bênção (v. 7-1 O).
Tiago explica que o conflito dentro de nós está entre nossos deleites pecaminosos e o desejo de cumprir a vontade de Deus, uma atitude que o Espírito Santo colocou dentro de nós (v. 5). A fonte do conflito entre os cristãos muitas vezes são coisas materiais, ele então, atribui dissensões, assassinatos e guerras ao materialismo – o que João também adverte os cristãos sobre cobiçar o que no mundo há (1Jo 2.15,16). No versículo 7 encontramos duas ordens: primeiro, devemos sujeitar-nos a Deus, abandonando nosso orgulho egoísta (v. 1-6). Sujeitar-se ao Senhor também implica revestir-se de toda a armadura de Deus, uma imagem que inclui tudo, desde depositarmos nossa fé nele a mergulharmos na verdade da Palavra de Deus (Ef 6.11-18). Segundo, devemos resistir a qualquer tentação que o diabo lançar em nosso caminho. Então o maligno não terá outra escolha: ele fugirá, pois pertenceremos ao exército do Deus vivo. – Dito isto, convido-o a pensar maduramente a fé cristã!

I. A EPÍSTOLA DE TIAGO
                                                                 
A Epístola de Tiago é o escrito mais antigo do Novo Testamento e tem por objetivo evitar desentendimentos entre os discípulos de Cristo. Segundo a maioria dos expositores bíblicos, a sua composição não vai além do ano 45 d.C.
 A epístola de Tiago é datada por volta de 45 d. C., bem antes do primeiro concílio em Jerusalém, que se deu por volta de 5 O d. C., o que torna a mais antiga epístola do Novo Testamento. Segundo o historiador Flávio Josefo, Tiago foi morto por volta do ano 62 d. C.

1. Destinatários. A carta foi dirigida especificamente aos primeiros cristãos dispersos, de origem judaica, pelo vasto império romano (Tg 1.1); e, de maneira geral, a todos os crentes em Jesus em todos os lugares e em todas as épocas. Trata-se de um livro prático, muito próximo do Sermão do Monte proferido por Jesus em Mateus 5 a 7 e importantíssimo para a conduta do cristão.
 Os destinatários da epístola são os judeus dispersos convertidos ao cristianismo, daí o tom austero e a linguagem peculiar aos judeus. Nesta epístola, Tiago faz uma contraposição entre o ensinamento judaico de ter fé no único Deus, com o ensinamento do evangelho, que é ter fé em Jesus Cristo, pois de nada adianta alguém dizer que crê em Deus, mas que não obedece o mandamento de Deus, que é crer em Cristo.
Os destinatários da carta são identificados como as “doze tribos que se encontram na Dispersão” (Tiago 1:1). Esta linguagem admite duas interpretações. No Antigo Testamento, a nação de Israel foi conhecida como as doze tribos, descendentes dos filhos de Jacó. Se Tiago usa o termo neste mesmo sentido, o conteúdo do livro mostra que esses judeus seriam pessoas já convertidas a Cristo. No Novo Testamento, porém, o foco está em Israel espiritual, aqueles que imitam a fé de Abraão, independente da sua descendência carnal. O próprio Jesus introduziu esta ideia (João 8:39-40), e seus seguidores empregaram termos como judeus e as doze tribos neste mesmo sentido (Romanos 2:28-29; Apocalipse 7:4 comparado com 14:3-5).” (ESTUDOS DA BÍBLIA)

2. Conteúdo. O conteúdo da epístola parece confirmar essa antiguidade, isso pelos aspectos cristológicos praticamente ausentes. O nome de Jesus só aparece duas vezes nos seus cinco capítulos (Tg 1.1; 2.1). Há pouco ensino doutrinário, pois a assembleia dos discípulos era ainda tida como sinagoga: "Porque, se entrar na sinagoga de vocês um homem" (Tg 2.2, Nova Almeida Atualizada). O termo "igreja" aparece aqui (Tg 5.14), mas o emprego da palavra "sinagoga" como alternativa mostra que Tiago vem de uma época em que os discípulos eram chamados de "o movimento de Jesus”.
- O Reformador Martinho Lutero via esta epístola com muita ressalva, ele não conseguiu enxergar nela os mesmos ensinos paulinos. A má compreensão da abordagem de Tiago fez com que Martinho Lutero detestasse a essa epístola, denominando-a “epístola de palha”. Diferente das epístolas de Paulo, Pedro e João, a carta de Tiago não inclui saudações pessoais. As exortações começam no segundo versículo e continuam até o último. É uma carta didática e moral, não aparece um plano doutrinal previamente elaborado, vemos um desenrolar de temas ao sabor da pena do autor, mas sem fugir ao tema “santidade”, numa convocação a que os crentes vivam o espírito cristão em todas as circunstâncias de um modo coerente com a fé, em perfeita unidade de vida - o comportamento dos crentes tem de ser um reflexo da sua fé. É interessante notar que encontramos apenas em Tiago a ordem de ungir os enfermos (5.13-15). O fato de que o termo ‘sinagoga’ seja utilizado com frequência pode ser explicado pelo público-alvo da carta: os judeus-cristãos dispersos.

3. Tema. Ao separar a fé das obras, a epístola enfatiza o cristianismo prático e nos dá munição para resistir ao Inimigo e ao pecado. Tiago retoma o tema tratado no capítulo anterior sobre a "amarga inveja em sentimento faccioso em vosso coração" (Tg 3.14), próprio de uma sabedoria "terrena, animal e diabólica" (Tg 3.15) e presente na vida daqueles primeiros cristãos. Esses problemas vêm atravessando os séculos e hoje não é diferente, pois o problema da natureza humana permanece o mesmo. O ensino aqui está tratando do caráter cristão que precisa ser afinado com o sentimento de Cristo.
A pequena epístola de Tiago, provavelmente um dos primeiros livros do Novo Testamento, oferece orientações práticas para conduzir cristãos no seu serviço ao Senhor. É interessante notar a praticidade do conteúdo apresentado, sem rodeios e sem enfeites, Tiago trata de temas do cotidiano, por exemplo, ele afirma sobre a sabedoria humana (v. 15,16), que nada mais é que interesse próprio, então não se deve vangloriar-se dela; Não ser apenas tardio para falar, mas deve-se abandonar também a mentira! Se a sabedoria se manifesta sem boa conduta e mansidão, ela não vem do alto. Na verdade, ela é caracterizada como terrena; prudente, segundo os padrões do mundo; sensual (do grego psuchikos), no sentido de natural em oposição a espiritual, e diabólica.
Os temas abordados nos cinco capítulos de Tiago são diversos, todos focando a importância de viver conforme a fé:
● Capítulo 1 enfatiza as atitudes certas diante de provações e tentações e chama os leitores a serem praticantes, e não apenas ouvintes, da palavra do Senhor.
● Capítulo 2 aborda dois assuntos: (1) a condenação de preconceitos socioeconômicos na igreja e (2) a necessidade de obras que demonstram a autenticidade da fé.
● Capítulo 3 apresenta uma das advertências mais fortes do Novo Testamento sobre o uso errado da língua e nos chama a buscar a sabedoria divina.
● Capítulo 4 condena várias atitudes carnais que atrapalham o serviço a Deus.
● Capítulo 5 encerra a epístola com várias instruções que exigem uma perspectiva eterna e espiritual, e não materialista e carnal.” (ESTUDOS DA BÍBLIA)

SUBSÍDIO DIDÁTICO-PEDAGÓGICO

Para introduzir a lição dessa semana, sugerimos reproduzir o esquema proposto conforme a sua possibilidade e fazer uma exposição geral a respeito da epístola.
 
II. OS DELEITES DA VIDA

Tiago emprega aqui uma metáfora que ainda hoje usamos em nossos debates, discussões e conversas sobre dificuldades nas mais diversas áreas da vida.

1. Guerras e pelejas (v.1). Há quem afirme que essas guerras e pelejas sejam uma referência às disputas internas que havia entre os judeus de Jerusalém nos levantes contra Roma. A população da Judeia estava dividida nessa época sobre a luta pela libertação do poder romano. Mas não é disso que Tiago está falando aqui. Essas palavras metafóricas são pesadas e mostram o nível das disputas entre os crentes por causas dos deleites, ou seja, os maus desejos interiores (v.2). Não se trata aqui de debates teológicos entre os mestres. A expressão "guerras e pelejas" refere-se às discussões acirradas sobre "o meu e o teu", e isso é muito grave.
Por que existem conflitos, discórdias e males entre as pessoas cristãs? Tiago, o meio-irmão do Senhor, retoricamente, pergunta: "Porventura, não vêm disto, a saber, dos vossos deleites que nos vossos membros guerreiam?" (v.1). Esta é a origem dos conflitos e das discórdias que o autor da epístola descreve na seção bíblica 3.1-3. Quão enganoso e destrutivo é o coração humano! No terceiro capítulo, Tiago demonstra que a maioria das nossas desavenças e tramas perversas é fruto da ambição, ignomínia e sede de vermos o nosso desejo realizado. E qual o objetivo desta realização? O deleite! O líder da igreja de Jerusalém expõe a nudez da alma humana. Daí é que surgem muitas frustrações espirituais e da própria alma. O indivíduo tem uma relação com Deus não segundo a vontade divina, mas a sua própria, pois colocaram em sua cabeça que as bênçãos de Deus são para os seus deleites e prazeres. Neste ponto, Tiago é taxativo: "Cobiçais e nada tendes; sois invejosos e cobiçosos e não podeis alcançar; combateis e guerreais e nada tendes, porque não pedis. Pedis e não recebeis, porque pedis mal, para o gastardes em vossos deleites" (4.2,3). "Porque não pedis", Tiago destaca esta expressão para compará-la, logo em seguida, com a outra posterior: "Pedis e não recebeis". Porque alguém pede a Deus e não recebe, já que o nosso Senhor prometeu dar-nos tudo o que pedíssemos em seu nome? Esta é uma pergunta que só pode ser respondida à luz de um autoexame sincero, pois a Palavra responde com clareza: "Pedis e não recebeis, porque pedis mal, para o gastardes em vossos deleites". Temos de ter o cuidado, para não confundirmos a vontade de Deus com a nossa própria. Não podemos usar o nome de Deus para realizar as vontades e os prazeres particulares. Deus não se usa! Portanto, desafie a classe para um autoexame honesto, sincero e transparente à luz da Palavra de Deus. Nada é melhor que o homem desnudar-se na presença do Altíssimo. O nosso Pai sabe o que está em nosso coração e qual a nossa verdadeira motivação de vida diante dEle. Num tempo dominado pelas ambições e prazeres humanos, a palavra ensinada por Tiago chega a uma ótima hora e desafia-nos a olharmos para nós e perguntarmo-nos: o que há em meu coração?” (Revista Ensinador Cristão CPAD, n° 59, p.41.)

2. Os deleites. Ou maus desejos que eram a motivação dessas pelejas: "dos vossos deleites" (v.1).  O termo "deleites" (vv. 1,3) é hedoné que aparece cinco vezes no Novo Testamento para descrever deleites ou prazeres ilícitos (Lc 8.14; Tt 3.3; Tg 4.1,3; 2 Pe 2.13). Originalmente significava o prazer experimentado pelo sentido do paladar, posteriormente por meio dos outros sentidos e da mente; no período helenista, o conceito se restringiu ao significado de "gozo sensual, deleite sexual". É a procura indiscriminada do prazer. O hedonismo permeia o pensamento pós-moderno. Hoje, qualquer esforço disciplinado ou o mínimo de sacrifício para se atingir um objetivo são tratados com profundo desgosto.
 1. Desejos Errados e Desastre Espiritual (4.1,2b) - Tiago dá uma resposta afirmativa à sua própria pergunta, mas ele sabe que é a mesma resposta que seus leitores ouvirão de uma consciência acusadora. Vocês colocaram seu coração naquilo que o mundo pode lhes dar e, como resultado, vocês estão em dificuldade. Desejos mundanos conflitam uns com os outros. Esses deleites (“prazeres”, ARA), que nos vossos membros guerreiam (v. 1), perturbam vossa própria paz de espírito, por isso vocês brigam e matam e espalham o conflito aos outros. O principal problema é que vocês permitem que desejos profanos possuam seu espírito. Esses desejos, se impuros e incontrolados, levam ao desastre espiritual. Se analisarmos esse texto de acordo com 3.14, ele é melhor interpretado por: sois invejosos (“matam”, cf. KJV e NVI e ARA), combateis e guerreais de maneira figurativa. Não é provável que essas coisas tenham, na verdade, ocorrido na comunidade cristã. Tanto Tiago quanto seus leitores cristãos estariam familiarizados com a interpretação de Jesus de que abrigar o desejo perverso consistia, na ótica de Deus, na violação dos mandamentos (cf. Mt 5.21-22). A maioria dos tradutores modernos entende que o versículo 2 apresenta duas sentenças equilibradas, ou seja: “Vocês desejam, mas não possuem; por isso cometem assassinato. E vocês são invejosos e não conseguem obter; por isso, lutam e brigam” (NASB). (A. F. Harper. Comentário Bíblico Beacon. Tiago. Editora CPAD. Vol. 10. pag. 181-182).

3. Cobiçosos e invejosos (v.2). A versão bíblica ARC (Almeida Revista e Corrigida) omite aqui o verbo "matar" que consta do texto grego: "Vocês cobiçam e nada têm; matam e sentem inveja" (Nova Almeida Atualizada). Esse homicídio não é literal; diz respeito ao ódio, que é como homicídio aos olhos de Deus (Mt 5.21,22; 1 Jo 3.15). A cobiça é o desejo excessivo de possuir o que pertence ao outro, e a inveja é um sentimento de tristeza e pesar pela alegria, felicidade e sucesso de outra pessoa. O cristão deve se contentar com o que tem (Lc 3.14; Fp 4.12; Hb 13.5). Cabe aqui ressaltar que esse ensino não é uma apologia à pobreza e à miséria, pois não é pecado desejar e buscar, de maneira lícita, tudo o que é útil à vida, desde que os nossos desejos sejam afinados com os de Deus.
Cobiçais” No grego é ‘nepithumeo’desejaranelar por, em bom ou em mau sentido. É óbvio que aqui isso deve ser entendido de maneira prejudicial. Tal palavra era com frequência usada para indicar as paixões sexuais descontroladas; mas o presente contexto não limita seu sentido a isso. “Os desejos aqui descritos tornam-se tão fortes, que as pessoas estão prontas até para matar (versão NTLH), com a finalidade de conseguir aquilo que querem. A palavra “matar” pode ser interpretada como uma hipérbole para o ódio e a amargura. Em lugar de reavaliarem os seus desejos, as pessoas descritas por Tiago recorrem à inveja, a lutas, a disputas, e a coisas piores do que estas. Mas, apesar de todo o seu egoísmo e antagonismo para conseguirem o que desejam, elas ainda não podem alcançar estas coisas. Por que? Nós aprendemos (desde quando tivemos o nosso primeiro triciclo até quando dirigimos o nosso primeiro automóvel) que os desejos satisfeitos não trazem tanta satisfação quanto prometem. Algumas vezes, conseguimos realmente aquilo que queríamos, e então descobrimos que ainda não temos aquilo de que realmente necessitávamos - a profunda satisfação que somente nos vem quando somos justificados para com Deus. Se confiarmos somente nos nossos desejos, eles apenas nos levarão às coisas desta terra, e não às coisas de Deus. Em resumo, a mensagem de Tiago é: Nada tendes, porque não pedis a Deus. Em outras palavras: “Vocês não têm o que querem porque não querem a Deus””. (Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. Vol. 2. pag. 682).

4. Adúlteros e adúlteras (v.4). Tiago continua a linguagem metafórica usada desde o Antigo Testamento para descrever a apostasia de Israel e sua infidelidade a Javé, seu Deus. A infidelidade a Deus é em si mesma um adultério espiritual. Tiago especifica que se trata de um assunto que envolve homens e mulheres. Assim como a intimidade, o amor, a beleza, o gozo e a reciprocidade que o casamento proporciona fazem dele o símbolo da união e do relacionamento entre Cristo e a sua Igreja (2 Co 11.2; Ef 5.31-33; Ap 19.7). A antítese segue nessa mesma linha de pensamento, pois de igual modo a infidelidade de Israel, da Igreja ou de um cristão é chamada na Bíblia de adultério espiritual, ou prostituição e fornicação espiritual (Jr 3.8; Ez 16.32; Ap 2.20).
- “A chocante palavra “adúlteros” descreve claramente a infidelidade espiritual das pessoas e tenciona despertá-las para que encarem a sua verdadeira condição espiritual. Estes crentes estavam tentando amar a Deus e ter um romance com o mundo. O fato de Deus expressar, nos termos mais fortes possíveis, a importância da fidelidade deve nos inquietar. Os padrões bíblicos de comportamento pessoal, conjugal e espiritual estão sob constante ataque de erosão. Nós somos constantemente bombardeados pela mensagem da transigência. Do ponto de vista do mundo, nós devemos ser flexíveis, tolerantes ao pecado, e complacentes. Mas isto não funciona, porque a amizade do mundo é inimizade contra Deus. Para os crentes, o mundo e Deus são dois objetos distintos de afeto, mas são completamente opostos. O mundo é o sistema do maligno, que está sob o controle de Satanás; ele representa tudo o que é contrário a Deus. Ter amizade com o mundo, portanto, é adotar os seus valores e desejos (veja também Rm 8.7,8; 2 Tm 4.10; I Jo 2.15-17). Estes crentes podem amar verdadeiramente a Deus, mas também são atraídos pelos benefícios do sistema deste mundo. Eles adoram a Deus, mas podem desejar a influência, os padrões de vida, a segurança financeira, e talvez um pouco da liberdade que o mundo oferece. A busca destas coisas só irá minar a generosidade, os cuidados, e a divisão de recursos que deveriam caracterizar os cristãos. Qual é, então, o relacionamento adequado de um crente com o mundo? Alguns usaram declarações bíblicas como esta de Tiago como a base para uma retirada radical do “mundo”. Mas a retirada não é a solução. Embora seja verdade que nós somos chamados para estar no mundo mas não pertencer a este mundo (Tg 17.14), deveríamos amar as pessoas deste mundo o suficiente para lhes transmitirmos o Evangelho. Para fazermos isto, precisamos nos relacionar com elas sem nos relacionar com as coisas deste mundo que são contrárias a Deus (veja 1 Jo 3.15-17).”(Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. Vol. 2. pag. 682-683).

SUBSÍDIO DOUTRINÁRIO

Para contrapor a ideia de vida egoísta e de pecado, leve em conta este belíssimo texto doutrinário sobre o ensino de John Wesley: “[...] Wesley incita os cristãos no caminho da perfeição completa para empreender obras de misericórdia e de piedade. Ele observa: ‘É por meio da paciente continuação em fazer o bem, em usar toda a graça que já lhe foi concedida, que você deve buscar o dom completo de Deus, a completa renovação de sua alma, a completa libertação do pecado’. Em termos de obras de misericórdia em particular, os crentes devem servir os pobres com vigor e sacrifício diligente, ministrando acerca de suas necessidades materiais e espirituais. Na verdade, em 1748, Wesley escreve que as pessoas engajadas em ministrar aos oprimidos ‘fazem o bem o máximo que podem, até mesmo para o corpo dos homens”. Mas, a seguir, indicando sua preferência por um ministério global, ele acrescenta: ‘Muito mais ele se regozijará se puder fazer algum bem para a alma de algum homem’. E dois anos depois, Wesley continua esse tema em seu sermão [...] (Sobre o Sermão do Monte de nosso Senhor, Décimo Terceiro Discurso) em que escreve: ‘Além de tudo isso, você é zeloso com as boas obras? Você, quando tem tempo, faz o bem a todos os homens? Você alimenta o faminto, e veste o nu, e visita o órfão e viúva em sua aflição? Você visita os que estão doentes? Ajuda o que está preso? Você acolhe o estrangeiro? Amigo, suba mais alto. [...] Ele capacita-o a trazer os pecadores das trevas para a luz, do poder de Satanás para o de Deus’” (COLLINS, Kenneth. Teologia de John Wesley: O Amor Santo e a Forma da Graça. Rio de Janeiro: CPAD, 2010, pp.372-73)

III. RESISTINDO AO INIMIGO

A ideia de Tiago, ao concluir essa seção da epístola, é a mesma exortação que fez o apóstolo Pedro, inspirado por Levítico 11.44; 19.2; 2 O.7: "mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver, porquanto escrito está: Sede santos, porque eu sou santo" (1 Pe 1.15,16).

1. Tiago apresenta a receita para resistir ao Inimigo. Ele mostra que o Espírito Santo está em nós (v.5), o que é confirmado em outras partes do Novo Testamento (1 Co 3.16; 6.19; Ef 2.22). Na verdade, o cristianismo é a única religião do planeta que tem o Espírito Santo (Jo 14.16,17). Assim, o Espírito Santo em nós não quer um coração dividido: "É com ciúme que por nós anseia o espírito, que ele fez habitar em nós?" (v.5, Nova Almeida Atualizada). Essa vantagem nos permite viver uma vida santa e resistir ao Inimigo. Nisso temos a ajuda de Deus, que "resiste aos soberbos, dá, porém, graça aos humildes" (v.6).
O Espírito tem “ciúmes” (Tg 4.5). Nessa passagem, um aspecto muito importante ressaltado por Tiago sobre o nosso relacionamento com Deus é que o “Espírito, que em nós habita, tem ciúmes” (v. 5). A construção do versículo 5 no original grego não é muito clara, podendo esse texto significar que o espírito humano tem a tendência natural “de opor-se a Deus e ao próximo”, o que estaria implícito na expressão traduzida como “ciúmes”; ou então que o Espírito Santo tem ciúmes de nós, isto é, zelo intenso por nós. A maioria esmagadora dos comentaristas bíblicos, à luz do que afirmam o final do versículo 4 e o início do versículo 6, prefere a segunda interpretação para o versículo 5, que é também a interpretação aceita por mim: Tiago quer dizer aqui que o Espírito Santo de Deus tem ciúmes de nós. O Consolador, aquEle que intercede por nós e em nós com gemidos inexprimíveis (Rm 8.26,27) e se entristece frente aos nossos pecados (Ef 4.30), o nosso Ajudador, que nos guia na caminhada espiritual e no relacionamento com o Pai celestial através de Cristo (Rm 8.5-11), tem um forte, intenso e amoroso zelo por nós.” (Alexandre Coelho e Silas Daniel. Fé e Obras, Ensinos de Tiago para uma Vida Cristã Autêntica. Editora CPAD. pag. 119-120).

2. A submissão a Deus. Essa submissão e humildade a Deus é descrita de várias maneiras, como "resistir ao diabo" (v.7) e se aproximar de Deus; limpar as mãos, "vós de duplo ânimo" (v.8). O duplo ânimo diz respeito aos crentes indecisos e divididos em suas decisões entre Deus e o mundo (Tg 1.8). Jesus disse que ninguém pode servir a dois senhores (Mt 6.24). As mãos são instrumentos das ações e o símbolo de toda a conduta. Para que elas sejam limpas, é necessário primeiro um coração purificado (Sl 24.4; 1 Pe 1.22).
O apóstolo explica em detalhes como se dá essa submissão a Deus, no que ela consiste. Em primeiro lugar, diz ele que é preciso se aproximar de Deus, isto é, buscá-lo sinceramente: “Chegai-vos a Deus” (v.8a). A consequência disso é que Deus se chegará a nós (v. 8b) — ou seja, teremos comunhão com Ele e seremos abençoados pela sua presença em nossas vidas. “Buscar-me-eis, e me achareis, quando me buscardes com todo o vosso coração” (Jr 29.13). Em segundo lugar, é preciso se arrepender dos pecados e mudar de atitude: “Limpai as mãos, pecadores” (v.8c). Ter as mãos limpas fala de chegar-se a Deus com a consciência limpa devido ao arrependimento sincero. Paulo fala de levantar as mãos em oração diante do Senhor “sem ira nem contenda” (1 Tm 2.8), purificado. Em terceiro lugar, é preciso dar fim ao “duplo ânimo” (v.8d), isto é, ao hesitar entre Deus e o mundo, ao coxear entre a vontade de Deus e as paixões pecaminosas. Em quarto lugar, “purificai o coração” (v.8e), que significa aqui ter um coração sincero, sem falsidade, sem maldade. Só os puros de coração verão a Deus (Mt 5.8), isto é, só os sinceros de coração poderão ter um relacionamento real com Deus. Ao final, Tiago reforça a necessidade de arrependimento sincero, de quebrantamento verdadeiro perante Deus: “Senti as vossas misérias, e lamentai, e chorai; converta-se o vosso riso em pranto, e o vosso gozo, em tristeza” (v.9)”. (Alexandre Coelho e Silas Daniel. Fé e Obras, Ensinos de Tiago para uma Vida Cristã Autêntica. Editora CPAD. pag. 122-123).

3. Os lamentos e os resultados. Tiago continua com as suas exortações: sentir as nossas misérias, lamentar, chorar, substituir o riso pelos lamentos, sentir angústia e nos humilhar diante de Deus (v.9). Essas exortações resultam em bênçãos, entre elas, a de que o Diabo fugirá de nós, e o Senhor nos "exaltará" (v.10. Trata-se de uma vitória completa em Cristo.
- “À medida que Deus se aproxima de nós, devemos sentir a nossa falta de merecimento. Afinal, estamos obtendo a permissão de nos aproximarmos do Deus santo e perfeito. Tiago descreveu um longo processo espiritual nos oito últimos versículos. Ele começou descrevendo as pessoas em conflito umas com as outras e consigo mesmas. A seguir, ele descreveu a origem de tais conflitos nos desejos inapropriados, que são motivados, em grande parte, pela tentativa de permanecer próximas tanto do mundo como de Deus. O desmascarar de uma vida como esta e a convocação dos crentes à humildade pode não ser uma mensagem bem recebida. A rendição pode não vir com facilidade. Desejos arraigados há muito tempo podem reagir com desobediência. O arrependimento poderá ter que incluir a recordação do quanto nós nos afastamos do caminho de Deus antes de termos retornado. Estes termos diferentes, misérias, lamentações, pranto e tristeza captam a luta de uma alma que se aproxima de Deus. Existe uma morte que está acontecendo. É um chamado ao arrependimento profundo e sincero. O riso das pessoas (o riso escarnecedor que se recusou a levar o pecado a sério) e a sua alegria com os prazeres do mundo precisam ser completamente transformados - em tristeza pelos seus pecados (veja também Lc 6.25). Até que isto ocorra, não há espaço para o riso da liberdade verdadeira e a alegria do Senhor. A vida cristã envolve alegria, mas, quando nós percebemos os nossos pecados, precisamos nos lamentar, para que possamos nos arrepender. Somente depois da lamentação é que podemos passar para a alegria na graça que Deus nos dá”. (Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. Vol. 2. pag. 684). “Sujeitar-se a Deus, submeter-se a Ele, ou, como acrescenta Tiago ainda, humilhar-se diante do Senhor. O resultado dessa atitude é claro: “Humilhai-vos perante o Senhor, e Ele vos exaltará” (v. 10 — grifo meu). Em suma, Tiago nos ensina nessa bela passagem de sua epístola que não há vitória sobre as paixões pecaminosas e nem exaltação espiritual na vida do cristão sem humilhação diante de Deus, sem submissão total à sua vontade, que se dá através desses quatro passos acima elencados a partir de seu próprio texto. E mais: vivendo assim, não teremos, inclusive, conflitos entre nós, porque nossas motivações, desejos e formas de agir estarão completamente harmonizados com a perfeita vontade do Senhor.” (Alexandre Coelho e Silas Daniel. Fé e Obras, Ensinos de Tiago para uma Vida Cristã Autêntica. Editora CPAD. pag. 123). “Humilhar-nos perante o Senhor e admitir a nossa dependência dele significa reconhecer que o nosso valor vem somente de Deus. É reconhecermos a necessidade desesperada que temos de sua ajuda e sujeitarmo-nos à sua vontade para a nossa vida. Embora nós não mereçamos a graça de Deus, Ele nos alcança no seu amor e nos dá valor e dignidade, apesar dos nossos defeitos humanos. Quando fazemos isto, a promessa é certa: Ele nos exaltará e nos dará honra. Um dos exemplos bíblicos mais comoventes desta verdade é encontrado na parábola de Jesus sobre o pai que perdoa (veja Lc 15.11-32). O filho tinha tomado a sua herança e saído de casa para ser amigo do mundo. Somente depois que se encontrou falido em todos os aspectos é que ele se arrependeu e, entristecido, voltou para casa. O filho confessou ao seu pai que era indigno de ser chamado de filho. Mas o pai o exaltou e o recebeu de volta à família. O ato de retornar exigiu submissão. As palavras de arrependimento do filho rebelde exigiram humildade. O resultado final foi uma grande alegria. A humildade perante Deus será seguida da nossa exaltação.” (Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. Vol. 2. pag. 685).

SUBSÍDIO VIDA CRISTÃ

Para concluir a lição desta semana, sugerimos uma reflexão com os alunos acerca do “ser cristão”. Ora, ser cristão é submeter-se inteiramente a Cristo. Mas o que isso significa na prática? Faça essa reflexão a partir deste texto da espiritualidade clássica pentecostal: “O segredo do Cristianismo está em ser. Está em ser possuidor da natureza de Jesus Cristo. Em outras palavras está em ser: Cristo em caráter; Cristo em demonstração; Cristo em poder de transmissão. Quando o indivíduo se entrega ao Senhor e se torna filho de Deus, ele passa a ser como um cristo-homem – um cristão. Tudo o que a pessoa faz e diz dali em diante deve ser a vontade, as palavras e as obras de Jesus, da mesma maneira como Jesus falou e fez absoluta e completamente a vontade do Pai” (LAKE, John G. Devocional. Série: Clássicos do Movimento Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2003, pp.43-44)

CONCLUSÃO

Tiago relaciona uma série de exortações que, se praticadas em conjunto, resultarão na completa resistência ao Inimigo de nossa alma.  O que Deus espera de nós é que sejamos santos como Ele é santo. Resistir ao Inimigo, no contexto de Tiago, resume-se em que cada um de nós sujeitemos-nos à vontade de Deus e cheguemos-nos a Ele; e devemos ainda purificar as mãos e limpar o coração. É essa dependência de Deus que nos leva à vitória em Cristo.
- Tiago abre o capítulo 4 perguntando: “Donde vêm as guerras e pelejas entre vós?”. Em seguida, responde retoricamente: “Porventura, não vêm disto, a saber, dos vossos deleites, que nos vossos membros guerreiam?” (v.1). Aqui, o líder da igreja de Jerusalém denuncia o tipo de sabedoria que estava predominando na igreja: a terrena, animal e diabólica. Por quê? Ora, entre aqueles crentes havia “guerras e pelejas” e “interesses dos próprios deleites”, enquanto os menos favorecidos estavam à margem dessas ambições. Estava nítido que eles não semeavam a paz. Nós possuímos desejos legítimos à luz da Bíblia, a realização profissional, pessoal e o desejo de uma melhor qualidade de vida são anseios de todo homem, e as Escrituras não proíbem isso. Entretanto, o problema existe quando esse anseio torna-se uma obsessão, um desejo cego, colocando o Senhor nosso Deus à margem da vida para eleger um ídolo: o sonho pessoal. A partir dos ensinamentos do Senhor Jesus, desfrutaremos da verdadeira felicidade em Deus. Que venhamos atentar para o ensinamento desta lição, humilhando-nos na presença de Deus através de Cristo Jesus. Ao concluirmos o estudo dessa semana veremos que não se pode abrir mão de Deus para realizarmos os nossos sonhos, pois os dEle devem estar em primeiro lugar!

Achando-se as tuas palavras, logo as comi, e a tua palavra foi para mim o gozo e alegria do meu coração; porque pelo teu nome sou chamado, ó Senhor Deus dos Exércitos”. (Jeremias 15.16).
  
Francisco Barbosa
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