sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

LIÇÃO 3: A NATUREZA DOS DEMÔNIOS – AGENTES DA MALDADE NO MUNDO ESPIRITUAL


 
SUBSÍDIO I

DEMÔNIOS NA VISÃO BÍBLICA

Os demônios aparecem com frequência no Novo Testamento como “espírito imundo” (Mt 12.43; Mc 1.23, 26; 3.30; 5.2, 8; 7.25; 9.25; Lc 8.29; 9.42; Lc 11.24); “espírito mudo” (Mc 9.17); “espírito” (Mc 9.20); “um espírito” (Lc 9.39); “espírito de demônio” (Lc4.33); “espírito de adivinhação” (At 16.16) e “espírito maligno” (At19.15, 16). Já nos Evangelhos e em Atos, os demônios aparecem em oposição Jesus, com ênfase na superioridade de Cristo sobre eles. Nos escritos paulinos, são principados, dominações e potestades (1 Co 15.24, 27; Cl 1.15-20; Ef 1.20-2.2). No Apocalipse, os demônios com o diabo estão presentes na luta final contra Jesus e a igreja.
Apesar da sua presença nos relatos dos evangelhos sinóticos e em Atos dos Apóstolos, a origem deles é considerada obscura por alguns. A melhor compreensão de como esses espíritos surgiram depende também da origem de Satanás, pois ele é chamado de Belzebu, “o príncipe dos demônios” (Mt 12.24; Mc 3.22; Lc 11.25). Jesus faz menção do “diabo e seus anjos” (Mt 25.41). Quem são esses anjos e qual a origem deles e do seu chefe? O Novo Testamento faz menção de anjos rebeldes que foram expulsos do céu (2 Pe 2.4; Jd 6). Muitos consideram Isaías 14.12-15 e Ezequiel 28.12-15 como referências à origem e à queda de Satanás.
Gustav Davidson, em A Dictionary of angels including the fallen angels (Dicionário dos anjos incluindo os anjos caídos), afirma que essas palavras em Isaías se referem a Nabucodonosor, rei de Babilônia, e que são interpretadas erroneamente como se referindo à queda de Satanás. Mas Orígenes disse: “O que caiu do céu não pode ser Nabucodonosor nem nenhum outro ser humano”. E, em outras palavras, ele reitera essa ideia no Tratado sobre os princípios, livro 1.5.5; livro 4.3.9. Agostinho de Hipona segue também nessa mesma linha de pensamento em Sobre a doutrina cristã e A cidade de Deus.
A passagem de Ezequiel 28.12-15 sobre o rei de Tiro é também vista pelos pais da Igreja como referência à queda de Satanás, tal como Isaías 14.12-15, com discordância da maioria dos reformadores do século 16. O texto sagrado descreve esse rei como o aferidor da medida: “Tu eras o selo da simetria e a perfeição da sabedoria e da formosura” (v. 12, TB); que estava no Éden, jardim de Deus, mas um jardim de pedras preciosas (vv. 13, 14); era o querubim ungido e perfeito em todos os seus caminhos (vv. 14, 15). Essas características ultrapassam a de qualquer ser humano.
Uma passagem no Novo Testamento está em Lucas 10.18, quando Jesus disse: “Eu via Satanás, como raio, cair do céu” ou “Eu vi Satanás caindo do céu como relâmpago”. A questão é: quando aconteceu ou vai acontecer essa queda de Satanás? O ponto-chave é o tempo verbal, “eu via”, imperfeito, segundo a Chave linguística do Novo Testamento grego, “indica aquilo que era constantemente repetido”, ou seja, uma ação contínua; em seguida, vem um comentário de Lucas: “Cada expulsão de demônios importava numa queda de Satanás” (p. 126). Jesus via a derrocada do reino das trevas enquanto os setenta discípulos pregavam. A segunda interpretação considera as palavras de Jesus como referência à queda de Satanás como apresentada em Isaías 14.12-15 e Ezequiel 28.12-15, ideia aceita por pais da Igreja como Cipriano, Ambrósio e Jerônimo, entre outros. O comentário bíblico NVI, de F. F. Bruce, afirma:

Visto que esse dito lembra Isaías 14.12 – “Como você caiu dos céus, ó estrela da manhã, filho da alvorada!” – tem sido interpretado ao longo da história cristã como uma referência a uma queda cósmica de Satanás no passado remoto, Gregório, o Grande, já interpretava no longínquo século VI. Mas Plummer (p. 278) diz: ‘O aoristo indica a coincidência entre o sucesso dos Setenta e a visão de Cristo da derrota de Satanás” (p. 1668).

Comentário bíblico pentecostal do Novo Testamento apresenta três opiniões: 

1) Baseado em Isaías 14.12, o Cristo preexistente testemunhou a queda de Satanás.
2) Jesus testemunhou a queda de Satanás na tentação do deserto (Lc 4.1-12), quando Jesus estabeleceu sua autoridade sobre todas as forças das trevas.
3) Jesus teve uma visão enquanto os setenta e dois estavam ministrando sob sua autoridade. Esta terceira opção é provavelmente a explicação correta. Enquanto eles estavam desempenhando a missão, Jesus viu Satanás cair do céu como a subtaneidade de um raio. Esta visão se relaciona com as vitórias dos discípulos sobre os poderes do mal.

A descrição Apocalipse 12.7-10 parece ter acontecido com a chegada de Jesus no céu: “E deu à luz um filho, um varão que há de reger todas as nações com vara de ferro; e o seu filho foi arrebatado para Deus e para o seu trono” (v. 5). Na sequência, apartir do v. 7 vem a batalha do arcanjo Miguel contra o Dragão em Apocalipse. Se realmente é isso, logo não se deve aplicar essa batalha à queda original de Satanás descrita em Isaías 14.12, mas nem por isso deixa de ser a uma guerra cósmica espirituale invisível aos olhos humanos.
Satanás tinha acesso ao céu depois de sua queda conforme Isaías 14.12? Muitos expositores bíblicos admitem essa ideia, mas que se tratava de um acesso com certa restrição. Essas evidências aparecem em algumas passagens do Antigo Testamento (1 Rs 22.23; Jó 1.6-9; 2.1-6; Zc 3.1, 2). É com base nessas passagens que Satanás é chamado de “o acusador de nossos irmãos” (Ap 12.10). A Bíblia de Estudo Pentecostaldeixa transparecer essa interpretação: “Satanás é derrotado, precipitado, na terra” (cf. Lc 10.18) e não lhe é mais permitido acesso ao céu”. Stanley M. Horton segue também nessa mesma linha de pensamento em seu comentário sobre o livro de Apocalipse.
Mas, com a chegada vitoriosa de Jesus ao céu, não se achou lugar para o acusador dos irmãos, e assim não foi mais possível o acesso de Satanás e seus correligionários ao céu, pois eles “não prevaleceram; nem mais o seu lugar se achou nos céus” (Ap 12.8). Jesus morreu por todos os pecadores e intercede por sua Igreja, e nisso temos o grito de vitória:

E foi precipitado o grande dragão, a antiga serpente, chamada o diabo e Satanás, que engana todo o mundo; ele foi precipitado na terra, e os seus anjos foram lançados com ele. E ouvi uma grande voz no céu, que dizia: Agora chegada está a salvação, e a força, e o reino do nosso Deus, e o poder do seu Cristo; porque já o acusador de nossos irmãos é derribado, o qual diante do nosso Deus os acusava de dia e de noite (Ap 12.9, 10).

O Senhor Jesus já tinha visto essa derrota de Satanás. Ele disse: “Eu via Satanás, como raio, cair do céu” (Lc 10.18).

Texto extraído da obra “Batalha Espiritual”, editada pela CPAD 

COMENTÁRIO E SUBSÍDIO II

INTRODUÇÃO

A batalha espiritual continua, desta feita nos voltaremos para a natureza dos demônios, ressaltando o agenciamento desses seres no mundo na maldade. Para tanto, partiremos do texto de Ap. 12.7-10, a fim de mostrar a atuação demoníaca no contexto escatológico. Ao final, enfocaremos o poder dos demônios, evitando supervaloriza-lo, a fim de mostrar que Jesus é o Grande Vencedor, e Aquele a quem devemos proclamar, como o Valente de Deus.

I. ANÁLISE TEXTUAL
                                                                 
O livro do Apocalipse foi escrito por João na Ilha de Patmos, quando ali esteve como prisioneiro, por causa do Evangelho do Senhor Jesus. Esse texto trata a respeito dos eventos que acontecerão por ocasião da Grande Tribulação, que antecede a volta de Cristo em glória, para estabelecer o reino no Milênio. João diz que houve uma batalha – polemos – e que Moisés e os seus anjos, e batalhavam – polemesai – o dragão e os seus anjos. Esse verbo polemesai, em consonância com o substantivo polemos, dão ideia não apenas de uma luta, mas também da manifestação de hostilidade (v. 7, 8). Há uma disputa e uma desconsideração dos poderes das trevas pelos mensageiros de Deus. Mas o grande dragão, a antiga serprente, chamado o diabo em grego e Satanás em hebraico, foi precipitado – eblethe – foi derrotado, tendo sido lançado na terra, esse mesmo que engana – plana – dando ideia de alguém que conduz as pessoas a se desviarem, e que as leva pelo caminho do engano (v.9). Satanás é finalmente derrotado, pois o próprio João escuta uma grande voz do céu, dizendo que a salvação era chegada, e a força e o reino do nosso Deus, e o poder – dunamis, um poder para realizar milagres  - do Seu Cristo. Isso porque o acusador – kategor – de nossos irmãos foi derrotado. A principal característica de Satanás é a de acusar- kategoron – e isso ele faz dia e noite (v. 10).

II. INTERPRETAÇÃO TEXTUAL

Ao estudarmos o assunto da batalha espiritual, precisamos ter cuidado para não dar ideia que existem poderes iguais, como se fossem forças antagônicas em condições semelhantes, disputando território e poder. Qualquer perspectiva dessa natureza se assemelha a um dualismo grego, que não encontra respaldo nas Escrituras. As hostes satânicas não podem deter o poder de Deus, muito menos do Seu reino. No texto em foco, João viu sinais nos céus, uma mulher que dá à luz e um dragão que pretende destruir sua descendência. Há várias interpretações desse texto, a mais apropriada é a de que Jesus é o filho da mulher – Israel – que é perseguido pelo dragão, justamente no período da Grande Tribulação. Deus envia Miguel e suas hostes celestiais, a fim de pelejar contra Satanás. Miguel é um arcanjo e guardião do povo de Deus (Dn. 10.13; 12.1; Jd. 9). A vitória de Miguel e das suas hostes sobre o dragão é resultante do poder triunfante de Jesus na cruz do calvário (Cl. 2.15). A batalha de Satanás contra os anjos de Deus remete aos tempos antigos, e talvez, anterior a criação dos homens. Satanás é o príncipe dos demônios (Mt. 12.24; 25.41). Ele era um querubim ungido, perfeito em sabedoria e formosura, mas que se rebelou (Ez. 28.12-15; Is. 14.12-15), sendo destituído da sua condição, alguns anjos que o apoiaram nessa rebelião já estão presos (II Pe. 2.4; Jd. 6).

III. APLICAÇÃO TEXTUAL

Estamos diante de uma luta contra os poderes das trevas, e essa teve início na esfera humana no jardim do Eden (Gn. 3.1-15). Depois de ter sido expulso do céu, Satanás busca desviar o ser humano do objetivo para o qual foi criado: viver para a glória de Deus. Mas seus dias estão contados, e eles sabe muito bem disso, ademais, mesmo sendo um Acusador, não há mais condenação para aqueles que estão em Cristo (Rm. 5.1; 8.33), por causa da justificação. Jesus se fez pecado por nós, Seu sacrifício na cruz do calvário foi suficiente para que tenhamos a garantia da vida eterna. Por causa de Jesus, esses espíritos imundos (Lc. 4.33; 8.29; Ap. 18.2) e os espíritos malignos (Lc. 8.2) estão limitados, até o dia em que finalmente serão vencidos, por Aquele que é o Rei dos reis e o Senhor dos senhores. A vitória de Jesus contra Satanás está na esfera da implantação do reino de Deus, ao mesmo tempo que existe um “já”, há um “ainda não” que terá sua plenitude quando o reino de Deus for finalmente estabelecido. Por isso, devemos ter cuidado, e não devemos ignorar as astúcias do Inimigo, sendo capaz de colocar espinhos na carne (II Co. 12.7), e até mesmo impedir o avanço da obra de Deus, sobretudo da obra missionária (I Ts. 2.18). Não devemos desconsiderar seus ardís, muito menos sua astúcia (II Co. 2.11), sabendo que chegará o dia em que ele será esmagado (Rm. 16.20).

CONCLUSÃO

Satanás é o adversários daqueles que creem em Deus, devemos estar cientes de que uma batalha existe, e que essa é real no mundo espiritual. Mas devemos saber também que Jesus, o mais Valente que o inimigo, está do nosso lado, Ele é o Capitão da nossa salvação, e por causa dele, temos a certeza de que o Reino de Deus virá, e certamente teremos um governo de plena paz, e de justiça para todas as pessoas. Essa é nossa expectativa, e deve continuar sendo, a grande esperança da igreja.

José Roberto A. Barbosa
Disponível no Blog subsidioebd.blogspot.com

COMENTÁRIO E SUBSÍDIO III

INTRODUÇÃO

A Demonologia é uma parte da Angelologia, a doutrina dos anjos, porque tanto demônios quanto anjos são criaturas espirituais e invisíveis. A presente lição pretende mostrar a origem, a natureza e os objetivos dos demônios e do seu maioral.
 De início é fundamental distinguir duas formas de estudo do assunto: demonologia e demonologia cristã. Temos que distinguir dois pontos de vista sobre o assunto: o ponto de vista das religiões em geral, e o ponto de vista da religião cristã. Nas religiões em geral, o termo descreve o estudo de seres espirituais, enquanto que no ensino cristão, “o ensino de poderes pessoais, criaturas malditas por Deus por causa de sua maldade”. (WISSEN: Dämonologie). A demonologia cristã é o estudo do que a Bíblia ensina sobre os demônios. O que a Bíblia diz sobre os demônios? A Bíblia indica que os demônios são anjos caídos - anjos que juntamente com Satanás se rebelaram contra Deus. Satanás e seus demônios agora desejam enganar e destruir todos aqueles que seguem e adoram a Deus. Uma passagem importante relacionada à demonologia cristã é 2 Coríntios 11.14-15: "E não é de admirar, porquanto o próprio Satanás se disfarça em anjo de luz. Não é muito, pois, que também os seus ministros se disfarcem em ministros da justiça; o fim dos quais será conforme as suas obras." – Dito isto, convido-o a pensar maduramente a fé cristã!

I. ORIGEM DOS DEMÔNIOS
                                                                 
1. Os anjos caídos e os demônios. Eles são os restantes dos anjos que seguiram Satanás após a sua rebelião contra Deus (v.9). A tradição judaica antiga descreve essa queda de maneira mais ampla na literatura apocalíptica do período interbíblico como os Oráculos Sibilinos e os livros de Enoque.
 Não há uma informação concreta nas Escrituras quanto ao tempo em que Deus criou os anjos, mas a declaração de Gênesis é que Deus criou tudo bom porque Deus, em Sua santidade, não pode criar nada mal e pecaminoso. Pelo relato de Ezequiel 28 sabemos que houve uma espécie de rebelião no mundo angelical, sem especificar o momento, quando Lúcifer rebelou-se contra Deus e foi expulso do céu juntamente com um terço do grupo angelical (Is 14; Ez 28; Ap 12.3-4;9). Estes seres caídos são agora conhecidos como demônios. Alguns tentam dar nomes a muitos destes seres caídos, mas o único anjo caído com nome na Bíblia é Satanás, que aliás, não é um nome próprio, mas um adjetivo originado no hebraico “שטן satan” e do grego “σατανας satanas”, significando “adversário”. Os nomes do diabo na Bíblia nos ajudam a entender melhor quem ele é:
● Satanás – significa acusador – Jó 1.6; 2Co 11;14; Zc 3.1; 1Ts 2.18
● Destruidor – que em hebraico é Abadom e em grego é Apoliom – Apocalipse 9.11
● Belial – significa imprestável – 2 Coríntios 6.15
Outros nomes e suas referências:
● Diabo -- caluniador (Mt 4.1)
● Serpente -- enganador (Ap 12.9)
● Lúcifer -- portador de luz (Is 14.12)
● Maligno (1Jo 5.19)
● Dragão (Ap 12.17)
● Príncipe deste mundo (Jo 12.31)
● O deus deste século (2Co 4.4)
● Acusador dos irmãos (Ap 12.10)
● Belzebu -- príncipe dos demônios (Mt 12.24).
● Belial (2Co 6.15).
Certamente este ente espiritual desvirtuado é citado como o grande inimigo de Deus e dos homens. Interessante notar que Paulo lhe atribui um título: “príncipe deste mundo” (Ef 2.2). Mas seu fim está decretado por Deus.

2. A expulsão do querubim ungido. A Bíblia diz que Satanás é o maioral dos demônios (Mt 12.24; 25.41). No princípio, Deus criou o querubim ungido, perfeito em sabedoria e formosura, o qual era o selo da simetria (Ez 28.12-15). Ele se rebelou contra Deus e foi expulso do céu (Is 14.12-15). Com sua queda, saíram com ele os anjos que aderiram à rebelião, e uma parte deles continua em prisão (2 Pe 2.4; Jd 6). Apesar de a Bíblia não fornecer detalhes sobre os demônios, essas passagens bíblicas podem apontar a sua origem.
 Este é um resumo simplório para um assunto complexo e de poucas informações claras nas Escrituras. Lúcifer é chamado também de “querubim da guarda ungido”, uma categoria angelical elevada. Pode-se deduzir dos vários textos bíblicos que Lúcifer governava e liderava anjos, guiando-os em louvor e júbilo a Deus. Estudiosos da gramática hebraica afirmam que a palavra “da guarda”, em Ezequiel 28.14-16, significa literalmente “quem conduz”, visto que, antes da queda de Lúcifer não havia inimigos e nem nada para ser guardado.
A maior catástrofe da história da criação universal foi sem dúvida, a desobediência a Deus por parte de Lúcifer, e a consequente queda de talvez um terço dos anjos que se juntaram a ele em sua maldade. Sua queda ocorreu quando o orgulho tomou conta do seu ser. Isso foi procedido de cinco “eis”, que demonstravam o seu espírito insubmisso e exaltado, e foram:
● “Eu subirei ao céu”.
● “Acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono”.
● “No monte da congregação me assentarei”.
● “Subirei acima das mais altas nuvens”.
● “Serei semelhante ao altíssimo”.
O orgulho tomará conta da mente e do coração dessa criatura, a qual foi criada para ser uma benção, mas que escolheu ser contrário ao Seu Criador. São fatos como esses que nos mostram a grandeza do nosso Deus. Na queda dos anjos vemos o quanto o Senhor é perfeito e maravilhoso. Ele nunca criou uma criatura robótica, que simplesmente recebe ordens, mas sim a todos concedeu o livre arbítrio (o fato de podermos escolher o nosso destino). Saber que Lúcifer caiu, que o homem seguiu o mesmo destino, nos leva a contemplar quão grandioso é o Senhor. Hoje de livre e espontânea vontade podemos escolher servir ao Senhor. Aleluia!!!” (Anjos do Mal, CACAP. Disponível em: http://www.cacp.org.br/anjos-do-mal/. Acesso em: 12 Jan, 2019)
Quando exatamente ele pecou não está registrado nas Escrituras. Pode ter ocorrido fora do tempo como nós o conhecemos, isto é, antes da criação do tempo e do espaço.

3. Os demônios na cultura pagã. Os termos gregos traduzidos por "demônio" no Novo Testamento são daimonion, "demônio, um deus, uma divindade", para designar os deuses pagãos (Dt 32.17); e daimon, "um espírito mal, demônio". Os demônios foram posteriormente concebidos como seres espirituais intermediários bons ou maus, ou seja, os anjos e os espíritos malignos. A natureza inconsequente desses espíritos os associa com o mal, com toda a maldade do mundo.
A palavra grega Daemon significa “espirito” e “divindade”, e é utilizada nos escritos gregos para se referir tanto a seres espirituais bons quanto maus. A outra palavra citada pelo comentarista é um plural. Com a palavra daimónion, as crenças populares gregas descrevia espíritos de falecidos que dispunham de poderes sobrenaturais e que intervinham na natureza e sobre os homens de forma sobrenatural. Contra estes ataques o homem precisava se defender através da magia. Mais tarde a filosofia grega os elevou a semi-deuses, ou seja, intermediários entre os deuses e os homens. (v. d. Born: 1987: Demônios). Daemones designa um ser mitológico grego muito semelhante a um gênio, comum na mitologia árabe. Se analisar a origem da palavra Daemon em latim ela significa nada menos que demônio.
Não faz parte deste tópico, mas, a primeira ocorrência se encontra em Levitico 17.7: “Nunca mais oferecerão os seus sacrifícios aos demônios, com os quais eles se prostituem; isso lhes será por estatuto perpétuo nas suas gerações

SUBSÍDIO DIDÁTICO-PEDAGÓGICO

Quem são os demônios? O que eles fazem? Essas perguntas podem ser elaboradas na lousa ou em um slide, ou ainda, em um retroprojetor. Iniciar a aula fazendo essas perguntas ajuda os alunos a reflexão acerca da identidade das dos espíritos malignos que a Bíblia descreve. O professor, ou a professora, pode usar esta citação para uma resposta mais elaborada sobre os anjos caídos: “São os que se rebelaram contra Deus. Eles foram criados por Deus e eram originalmente bons e, assim como o ser humano, dotados de livre-arbítrio; porém, sob a direção de Satanás, eles pecaram e rebelaram-se contra Deus, tornando-se maus. São identificados como ‘espíritos imundos’, ‘espíritos malignos’, ‘demônios’” (Declaração de Fé das Assembleias de Deus. Rio de Janeiro: CPAD, 2017, p.89).

II. A BATALHA NO CÉU

1. O arcanjo Miguel e o dragão (v.7). Miguel é anjo, o príncipe dos filhos de Israel, na qualidade de arcanjo, e lidera uma guarnição angelical (Dn 10.13, 21; 12.1; Jd 9). O dragão é identificado com o próprio Diabo e Satanás, a antiga serpente (v.9), em uma referência à serpente do Éden (Gn 3.1-4,13-15). Miguel é mais poderoso do que o dragão, pois peleja pelo poder de Deus e, juntamente com os seus liderados, expulsa Satanás e seus anjos do céu (Ap 12.8).
O versículo 7 lança luz sobre a identidade da serpente em Gênesis – ela na verdade é Satanás. Esta é a primeira de doze vezes que a palavra dragão aparece no Apocalipse. Não há dúvida sobre a identidade do dragão (12.9).
Miguel é um arcanjo e aparece 5 vezes na Bíblia:
● em Daniel 10.13 – um anjo apareceu ao profeta Daniel em uma visão e lhe explicou que só não tinha chegado mais cedo porque o príncipe da Pérsia (um agente de satanás) o impediu. Mas quando o arcanjo Miguel chegou e o ajudou, ele conseguiu chegar a Daniel.
● em Daniel 10,20-21; 11:1 - Miguel ajudou a lutar contra o príncipe da Pérsia e da Grécia e tinha recebido ajuda do anjo da visão de Daniel
● em Daniel 12.1 – diz que o arcanjo Miguel virá no fim dos tempos e terá um papel importante que não é explicado
● em Judas 1.9 – está escrito que o arcanjo Miguel entrou em uma disputa com o diabo pelo corpo de Moisés quando ele morreu. Nessa disputa Miguel mostrou sabedoria ao não entrar em difamações, mas deixou a repreensão para Deus
● em Apocalipse 12.7-9 – João tem uma visão sobre uma grande batalha nos céus entre o exército dos anjos de Deus, liderado por Miguel, e o exército de Satanás.
Por essas 5 referências sabemos que Miguel é um arcanjo – um príncipe entre os anjos, ou anjo principal. Ele tem mais poder que alguns anjos e ajuda a lutar contra os elementos mais poderosos do exército de satanás. Miguel é um grande guerreiro e defende o povo de Deus.
A literatura judaica ensinava que em toda a esfera celestial havia “sete arcanjos”: (Gabriel, Miguel, Remuel, Raquel, Rafael e Saracael e Uriel). Os autores do livro de Enoque falam disso, mas as Escrituras só designam apenas um: Miguel como Arcanjo (1Ts 4.16; Jd v.9). Podemos depreender que antes de sua queda Lúcifer era também um arcanjo, igual a Miguel (cf. Ez 28.1 e ss).” (Apocalipse 12:7 Explicado. Disponível em https://bibliotecabiblica.blogspot.com/2014/12/apocalipse-127-explicado.html. Acesso em: 12 Jan, 2019).
2. A expulsão de Satanás (v.8). Essa passagem é muito disputada pelos expositores bíblicos e há diversas interpretações. Nessa guerra escatológica, há os que acreditam que se trata da queda original de Satanás, e outros afirmam que não há ligações com essa queda. Outra interpretação é que Satanás teria acesso ao céu antes da ascensão de Jesus. O argumento usado se baseia em algumas passagens do Antigo Testamento (1 Rs 22.23; Jó 1.6-9; 2.1-6; Zc 3.1,2). De uma forma ou de outra, a derrota do Inimigo já está decretada, conforme revelou o próprio Senhor: "Eu via Satanás, como raio, cair do céu" (Lc 10.18). A expressão "eu via" diz respeito a uma ação contínua, e isso mostra que Jesus contemplava, em visão, a queda de Satanás, enquanto os setenta pregavam o evangelho.
O capítulo 12 de Apocalipse mostra o poder dos servos de Deus sobre o diabo. Ele tenta de várias maneiras derrotar os fiéis, mas não consegue. Nesta batalha no mundo espiritual, mais uma vez não prevaleceram, perderam a batalha contra Miguel. O resultado desta batalha é importante, o diabo perdeu e saiu enfraquecido. O poder dele depois da vitória de Jesus na cruz é menor do que o poder que tinha anteriormente. Qualquer aspiração de Satanás de dominar os servos de Deus, ou até de vencer o próprio Cristo, foi negada pela vitória de Jesus e a vitória resultante de Miguel. Os versículos seguintes frisarão alguns aspectos importantes desta derrota do diabo.
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3. A vitória final sobre Satanás. A derrota final de Satanás, na verdade, teve início com a morte, ressurreição e ascensão de Jesus. A partir daí, as acusações do Diabo contra nós caíram por terra, porque quem nos justifica diante de Deus é o próprio Cristo (Rm 5.1; 8.33). No Apocalipse, vemos que Miguel e seus anjos vencem o dragão e seus demônios (Ap 12.7-9). O mérito da vitória, porém, não cabe ao arcanjo, pois este sempre atuou em nome do Senhor (Jd 9). Mais adiante, o Diabo é amarrado por mil anos, para, finalmente, ser lançado no lago de fogo (Ap 20.3,10). Diante das arremetidas do adversário, sejamos valentes e confiantes na pronta intervenção divina, pois temos, nesta luta, uma gloriosa promessa (Rm 16.20).
- A derrota dele já está decretada desde sua queda. Em João Jesus afirma que “o príncipe deste mundo já está julgado” (Jo 16.11). O autor de Hebreus diz de Jesus: “para que, por sua morte, destruísse aquele que tem o poder da morte, a saber, o diabo, e livrasse todos que, pelo pavor da morte, estavam sujeitos à escravidão por toda a vida” (Hb 2.14-15). Jesus triunfou dos principados e potestades na cruz (Cl 2.15). “Para isto se manifestou o Filho de Deus: para destruir as obras do diabo” (1Jo 3.8). Quando foi derrotado por Miguel, como resultado da vitória de Jesus, restou somente a possibilidade de afligir as pessoas na terra. Como um exército que perde e se retira do campo da batalha, atacando com raiva as pessoas desprotegidas que encontram no caminho para casa, o diabo e seus anjos são expulsos do céu e conseguem apenas afligir os que habitam na terra (versículo 12). O fato de o diabo ainda agir na terra não nega a vitória total de Jesus. Satanás foi derrotado, e jamais terá a vitória.

SUBSÍDIO DOUTRINÁRIO

“Nesta ocasião [Grande Tribulação], de acordo com Apocalipse 12.7, ‘houve batalha no céu’. Os adversários são Miguel e seus anjos que lutam contra o dragão (Satanás) e seus anjos (demônios). A batalha é curta e o resultado, indiscutível – Satanás e seus anjos ‘não prevaleceram; nem mais o seu lugar se achou nos céus’ (Ap 12.8). Embora este evento ainda seja futuro, o seu acontecimento e resultado são tão certos que são descritos no tempo passado do verbo. Com resultado desta batalha, Satanás e seus anjos serão lançados à terra, e virão com uma vingança contra a nação de Israel, em um inútil esforço de destruí-la e frustrar a promessa que Deus fez a Abraão, de fazer de Israel uma grande nação (Dn 12.1; Ap 12.9-17)” (LAHAYE, Tim; HINDSON, Ed. Enciclopédia Popular de Profecia Bíblica. Rio de Janeiro: CPAD, 2017, p.102).

III. O MAIORAL DOS DEMÔNIOS

1. A Serpente. O termo "dragão" é drakon em grego e é usado na Septuaginta para traduzir algumas palavras hebraicas, como tanim e leviatan, cujo sentido é diversificado como "monstros, animais do deserto, serpentes". No Novo Testamento, só aparece em Apocalipse, e aqui é chamado de "o grande dragão, a antiga serpente, chamada o diabo e Satanás, que engana todo o mundo" (v.9). A serpente que enganou Eva é o próprio Satanás (Gn 3.1-4; 14,15). Ele é perito em enganar como fez com Eva e ainda hoje esta é uma de suas especialidades (2 Co 2.11; 11.3).” [Lições Bíblicas CPAD, Revista Adultos, 1º Trimestre 2019. Lição 3, 20 Jan, 2019]
Desde a primeira vez que Satanás aparece na Bíblia, ele é descrito como uma serpente, destacando a sua sagacidade (Gn 3.1). É o mesmo que tentou Eva e continua lutando contra e seduzindo os homens desde o princípio. Ele cresceu em astúcia e maldade e poder sobre os homens ao longo da história.

2. Satanás. Não é possível descrever todos os nomes do inimigo de Deus e do seu povo. O nome mais conhecido vem do hebraico satan, "Satanás, adversário". É no prólogo do livro de Jó que Satanás aparece pela primeira vez como ser espiritual que acusa os justos diante de Deus. As Escrituras o revelam primeiramente com nome pessoal quando induz o rei Davi a fazer o recenseamento: "Então, Satanás se levantou contra Israel e incitou Davi a numerar a Israel" (1 Cr 21.1).
 O dragão é o inimigo que procura derrotar e destruir os homens e se opõe a Deus e a todas as coisas boas e santas. “Satanás (adversário); Diabo (difamador); Lúcifer (O filho da Alva). A)Ele é uma criatura (Ez.28:14); B) Ele é um ser espiritual (Ef.6:11-12); C) Ele pertence a ordem dos Querubins (Ez.28:14); D) Ele é homicida e mentiroso (Jo.8:44); E) Ele é um pecador obstinado (IJo.3:8); F) Ele é um adversário (IPe.5:8)”. (Bíblia Anotada). Deve ficar claro que a figura de Satanás não é uma questão de dualismo entre o bem e o mal. A despeito da clareza que a Palavra de Deus quanto à onipotência de Deus muitos evangélicos estão agindo dentro do pensamento dualista, entendendo que Deus e Satanás são forças iguais, porém opostas, e a todo o momento o Reino de Deus está ameaçado pela derrota, estando os cristão chamados a uma guerra para defender a soberania de Deus e seus territórios neste mundo.

3. O Diabo. O termo grego diábolos, “caluniador", é usado com frequência na Septuaginta para traduzir a palavra hebraica satan, "adversário". O termo vem do verbo diabállo, "acusar, difamar, enganar, provocar um desacordo". A especialidade dele é enganar e acusar (v.10). Jesus disse que a essência da natureza dele é a mentira: "Vós tendes por pai ao diabo e quereis satisfazer os desejos de vosso pai; ele foi homicida desde o princípio e não se firmou na verdade, porque não há verdade nele; quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira" (Jo 8.44). Sua habitação ainda não é o inferno; ele ainda será lançado nesse lugar, "o fogo eterno preparado para o diabo e seus anjos" (Mt 25.41).
 Do grego diabolos, significa acusador, difamador, caluniador. A palavra bem descreve o caráter e o procedimento do dragão. é o título mais comum atribuído à Lúcifer. É o inimigo, ou seja o inimigo de Deus e dos cristãos, e de todas as pessoas. Uma distinção muito importante é que, apesar de ter certo poder, não é onipotente. Não é correto falarmos de “diabos”, pois só existe um, ou seja, Satanás. (BOL dicionário Almeida: DIABO, e v. d. Born 1987: Demônios)

IV. O PODER DE JESUS SOBRE OS DEMÔNIOS

1. O contexto bíblico. Há relativamente pouco registro sobre os demônios no Antigo Testamento. A Septuaginta traduz quatro termos hebraicos por daimonion, "demônio", e um por daimon (Is 65.11). A tradição judaica considera os demônios como anjos caídos que se uniram a Satanás na sua rebelião contra Deus. Os demônios são identificados no Novo Testamento como os espíritos imundos (Lc 4.33; 8.29; Ap 18.2) e os espíritos malignos (Lc 8.2). Eles são malévolos, podem entrar nas pessoas (Lc 11.24-26) e causam todo o tipo de doença (Lc 9.39-42), embora nem todas enfermidades sejam de origem demoníaca (Lc 13.32).
No NT recebe vários nomes, Satanás, Satã, Diabo, Belial, Belzebu. Recebe também títulos como O príncipe deste mundo, acusador, maligno, inimigo. O conceito que o NT transmite é o seguintes aspectos: anjo caído (2Pe 2.4; Jd 6), o grande adversário de Deus e senhor deste mundo. O armado forte (Mt 12.29 par) O seu escopo é tentar os homens (Mt 4.3; 1 Ts 3.5; 1 Co 7.5) e perdê-los (Jo 8.44). pela sua própria culpa tornam-se seus escravos (Hb 2.14; 1 Jo 3.8,10). O pecado é a própria esfera em que ele vive (1 Jo 3.8) ele é sua origem (2 Co 11.3; Jo 8.44), instigador (1 Ts 3.5; Mt 4.1 ) e perpetuador (Ef 2.2). Os maus espíritos lhe são submissos (Mt 25.41; 2 Co 12.7 Ef 2.2; 6.12 Ap 10.9). Ele está atrás do paganismo com sua idolatria e magia (At 13.10), é o príncipe (Jo 12.31; 14.30; 16.11; 1 Jo 5.19) e até o deus deste mundo (2 Co 4.4). S. É chamado também serpente, como em Sab 2.24 (2 Co 11.3; Ap 12.9). (De Fraine 1987: Satanás). Sabemos que Satanás tem poder e está ativo no mundo. Citamos alguns exemplos das suas artimanhas. Sua maldade invisível (cf “poder das trevas” em Cl 1.13) está atrás da traição de Judas (Lc 22.3; Jo 6.70; 13.2, 27); ele impugna a obra dos discípulos de Jesus (Lc 22.31, a jovem comunidade cristã (At 5.3) a pregação dos apóstolos (1Ts 2.18); até certas doenças lhe são inculpadas (Lc 13.16; 1Co5.5;2Co12.7). Espreita as comunidades cristãs, mas na forço da fé podem resistir-lhe (Rm 16.20; Ef 6.16; 1Pe 5.8 etc). (De Fraine 1987 (Demonologia e Batalha Espiritual. Disponível em:http://www.ibpan.com.br/images/stories/Downloads/Estudos_Biblicos/Demonologia%20e%20Batalha%20Espiritual.pdf. Acesso em: 12 Jan, 2019)
2. O triunfo de Cristo. A vitória preliminar de Jesus sobre Satanás começa na tentação do deserto (Mt 4.11). O Diabo já está derrotado preliminarmente (Jo 12.31). Jesus disse que o príncipe desde mundo já está julgado (Jo 16.11). Mesmo assim, ele continua se opondo à obra de Deus. Satanás causou diversos infortúnios ao apóstolo Paulo, com o espinho na carne (2 Co 12.7) e o impedimento nas jornadas missionárias (1 Ts 2.18). Nós não devemos ignorar as suas astúcias (2 Co 2.11). Em breve, Deus "esmagará Satanás debaixo de nossos pés" (Rm 16.20).
 Devido à vitória de Jesus na morte e ressurreição, o diabo não tem o mesmo poder de antes. Quando chegou em Jerusalém na semana da Páscoa para ser crucificado, Jesus disse: “Chegou o momento de ser julgado este mundo, e agora o seu príncipe será expulso” (João 12:31) e “o príncipe deste mundo já está julgado” (João 16:11). Frustrados pelas derrotas já sofridas, ele e seus anjos tentarão derrotar os habitantes da terra. Este trecho esclarece o significado de outras passagens que falam sobre a vitória de Jesus sobre o diabo. Na sua morte e ressurreição, Jesus venceu Satanás. O autor de Hebreus diz de Jesus: “para que, por sua morte, destruísse aquele que tem o poder da morte, a saber, o diabo, e livrasse todos que, pelo pavor da morte, estavam sujeitos à escravidão por toda a vida” (Hebreus 2:14-15). Jesus triunfou dos principados e potestades na cruz (Colossenses 2:15). “Para isto se manifestou o Filho de Deus: para destruir as obras do diabo” (1 João 3:8). Jesus já venceu. O diabo já perdeu. Ele não tem mais o mesmo poder de antes. Quando foi derrotado por Miguel, como resultado da vitória de Jesus, restou somente a possibilidade de afligir as pessoas na terra. Como um exército que perde e se retira do campo da batalha, atacando com raiva as pessoas desprotegidas que encontram no caminho para casa, o diabo e seus anjos são expulsos do céu e conseguem apenas afligir os que habitam na terra (versículo 12). O fato de o diabo ainda agir na terra não nega a vitória total de Jesus. Satanás foi derrotado, e jamais terá a vitória”. (A Derrota do Dragão (Apocalipse 12:1-17). Disponível em:https://www.estudosdabiblia.net/b09_21.htm. Acesso em: 12 Jan, 2019)


SUBSÍDIO DOUTRINÁRIO

“A vitória de nosso Senhor sobre os ataques de Satanás qualificaram-no para ir à cruz. Ali Satanás parecia ter conseguido a sua vitória, evitando o estabelecimento de um reino messiânico, mas, ironicamente, esta vitória de curta duração na realidade destruiu o reino do próprio Satanás. Na cruz, os pecados da humanidade foram completamente pagos, e a derrota de Satanás foi garantida, embora não seja até o final do Milênio que ele, por fim e permanentemente, seja confinado ao eterno lago de fogo” (LAHAYE, Tim; HINDSON, Ed. Enciclopédia Popular de Profecia Bíblica. Rio de Janeiro: CPAD, 2017, p.412).

CONCLUSÃO

Os demônios são reais, são espíritos maus e imundos, o oposto dos anjos. Jesus é a única garantia de que eles nada podem contra nós; antes, Jesus disse: "Eis que vos dou poder para pisar serpentes, e escorpiões, e toda a força do Inimigo, e nada vos fará dano algum" (Lc 10.19).
A salvação vem pela graça mediante a fé (Efésios 2:8), mostrando a obra divina e a resposta humana. A vitória sobre o diabo e seus anjos também depende da obra divina e da resposta dos servos. O sangue do Cordeiro é absolutamente fundamental à vitória. Nenhuma doutrina que omite a cruz nos leva ao galardão preparado por Deus. O único caminho é Jesus (João 14:6), o único evangelho é a mensagem de “Jesus Cristo e este crucificado” (1 Coríntios 2:2), e o único meio pelo qual obtemos a redenção é o sangue do Filho Amado (Efésios 1:6-7). “E por causa da palavra do testemunho que deram e, mesmo em face da morte, não amaram a própria vida” (v. 11). A resposta dos servos, os irmãos (versículo 10), envolve uma dedicação total ao Senhor. Nesta descrição da obediência dos fiéis, encontramos as exigências básicas do discipulado dadas por Jesus em Marcos 8:34:
1. “A si mesmo se negue” – “não amaram a própria vida”.
2. “Tome a sua cruz” – “mesmo em face da morte”.
3. “E siga-me” – “por causa da palavra do testemunho que deram”.” (ESTUDOS DA BIBLIA)

Achando-se as tuas palavras, logo as comi, e a tua palavra foi para mim o gozo e alegria do meu coração; porque pelo teu nome sou chamado, ó Senhor Deus dos Exércitos”. (Jeremias 15.16)


Francisco Barbosa
Disponível no blog: auxilioebd.blogspot.com.br

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

LIÇÃO 2: A NATUREZA DOS ANJOS – A BELEZA DO MUNDO ESPIRITUAL



SUBSÍDIO I

DESENVOLVIMENTO DA ANGELOLOGIA

O desenvolvimento da teologia dos anjos, ou angelologia, deu-se logo no início da história da Igreja, condicionado pelo crescimento das igrejas e da necessidade de esclarecimento de pontos doutrinários da fé cristã. Os principais eventos que motivaram a discussão do assunto foram o problema da influência da angelologia judaica, do imaginário popular quanto à dimensão espiritual, do culto aos anjos e das ideias gnósticas. O resultado foi a afirmação da transcendência absoluta do Deus Criador, dos anjos como criaturas e da distinção entre os anjos de Jesus Cristo e o Espírito Santo.
A tradição judaica influenciou a teologia cristã nos primeiros séculos do cristianismo, em parte porque os escritores do Novo  Testamento estavam vinculados ao mundo judaico e também porque os primeiros pensadores e líderes cristãos ou eram judeus ou haviam estudado segundo a linha do pensamento judaico. Alguns livros apócrifos e pseudoepígrafos trazem informações sobre a crença nos anjos naquele período. Os anjos eram entendidos como ministros de Deus, que executavam os desígnios divino no mundo. Alguns foram nomeados, como Uriel (1 Enoque 75.3). E apareceram sete arcanjos em Tobias 12.15. Em 1 Enoque 20.1-8 apresenta os nomes dos sete arcanjos: Uriel, Rafael, Raquel, Miguel, Saracael, Gabriel e Remiel. Em Apocalipse de Moisés 33-35, os anjos Miguel e Gabriel chegam a ser retratados como intercessores pelos seres humanos diante do trono de Deus.
O conteúdo dos livros apócrifos e pseudoepígrafos estava bem presente no imaginário dos primeiros cristãos, e esses livros tratam de assuntos envolvendo anjos. A ideia de que Jesus era um anjo mais elevado pode ser lida em O Pastor de Hermas (150). A teologia do livro é controversa, pois primeiro trata o Filho de Deus e o Espírito Santo como sendo os mesmos: “quero mostrar-te outra vez tudo o que te mostrou o Espírito Santo, que falou contigo sob a figura da Igreja; porque aquele Espírito Santo é o Filho de Deus” (Parábola IX.1). Segundo, a imagem de Miguel se assemelha à de Jesus. Miguel aparece com poder sobre o povo de Deus e autoridade para pronunciar juízo (Parábola VIII.69). Pela leitura do texto, a identidade do arcanjo Miguel confunde-se com a do Filho de Deus. Essa confusão ainda sobrevive no pensamento de alguns grupos contemporâneos como os adventistas do sétimo dia e as testemunhas de Jeová.
O gnosticismo foi um fenômeno cristão dividido em diversas seitas e escolas de pensamento nos primeiros séculos. Claudio Moreschini, estudioso da história do pensamento pagão e cristão tardio-antigo, em História da filosofia patrística, define gnosticismo como:
Qualquer movimento de pensamento segundo o qual a verdade divina de salvação está contida numa revelação acessível somente a poucos eleitos, os quais podiam obtê-la ou por meio da experiência direta da revelação ou mediante a iniciação à tradição secreta e esotérica de tais revelações (p. 43).
Segundo o gnosticismo, o mundo consiste na dimensão material e na dimensão espiritual, sendo mau tudo aquilo que é material porque é criação de um deus inferior, o Deus de Gênesis, que surgiu da ruptura do domínio maior do Deus verdadeiro, o Pleroma. Além dos seres humanos, uma variedade de seres habita o espaço entre o Pleroma e o mundo material. Os anjos, então, seriam esse tipo de criatura, os demiurgos e as emanações de eones superiores. Alguns nomes ligados à teologia gnóstica incluem Marcião, Valentim, Basilides.
Irineu (130-202) foi o primeiro a sistematizar uma doutrina sobre os anjos, segundo Basilio Studer (DPAC). Em Contras as heresias, Irineu respondeu:

[...] aquele que fez todas as coisas é o Deus único, o único Onipotente, o único Pai, [...] Com o Verbo de seu poder tudo compôs e tudo ordenou por meio da sua Sabedoria; ele que tudo contém e que nada pode conter. Eleé o Artífice, o Inventor, o Fundador, o Criador, o Senhor de todas as coisas e não existe outro fora e além dele, nem a Mãe que eles se arrogam, nem o outro deus que Marcião inventou, nem o Pleroma dos 30 Éões [...] Só umé o Deus Criador que está acima de todo Principado, Potência, Dominação e Virtude [...] ele é o Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó, o Deus dos viventes, anunciado pela Lei, pregado pelos profetas, revelado por Cristo, transmitido pelos apóstolos, crido pela Igreja; ele é o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo [...] O Filho que está sempre com o Pai e que desde o princípio sempre revela o Pai aos Anjos e Arcanjos, às Potestades e Virtudes e a todos a quem Deus quer revelar (Livro II.30.9).

Assim, contra a teologia gnóstica escreveram os pais da Igreja, afirmando que o Deus da Bíblia é o verdadeiro e o Criador do mundo material. Portanto, são os anjos criaturas de Deus.
A problemática dos anjos entrou na grande discussão teológica sobre a Trindade, quando se formalizava Deus como três pessoas distintas de uma mesma substância. Assim, a ideia de que Jesus e o Espírito Santo eram um tipo de anjo logo foi refutada. O contexto antiariano deu espaço para diferenciar os anjos de Jesus.
Alguns confundiam o Espírito Santo com anjo. O grupo dos chamados “tropicianos”, em Tmuis, Egito, dizia que o Espírito foi criado do nada e era um anjo superior aos outros.1 Eles usavam Hebreus 1.14 para sustentar essa ideia, classificando o Espírito como um dos “espíritos ministradores”, e também Amós 4.13, Zacarias 1.9 e 1 Timóteo 5.21. Atanásio (296-373) refutou essa ideia, na epístola dirigida a Serapião, bispo de Tmuis, defendendo que o Espírito não é criatura, mas sim uma pessoa que compartilha da mesma substância indivisível do Pai e do Filho: “A santa e bendita Trindade é indivisível e uma em si mesma. Quando se faz menção do Pai, o Verbo também está incluído, como também o Espírito que está no Filho. Se o Filho é citado,o Pai está no Filho, e o Espírito não está fora do Verbo. Pois há uma só graça que se realiza a partir do Pai, por meio do Filho, no Espírito Santo” (Epístola a Serapião sobre o Espírito Santo, livro I 14.4).
Basílio de Cesareia (330-379) explicou que a comunhão entre Pai, Filho e Espírito Santo pode ser vista nos seres criados – todas as coisas visíveis e invisíveis – desde o princípio. Em O Espírito Santo, ele escreveu: “de modo que os espíritos com missão de serviço subsistem pela vontade do Pai, existem pela ação do Filho e se aperfeiçoam pela presença do Espírito” (16.38). A perfeição dos anjos é entendida como “a santidade e sua permanência nela” (16.38). Portanto, Basílio considerou o Espírito como digno de adoração tanto quanto o Pai e o Filho; e foi o Senhor dos anjos quem os aperfeiçoou.
Agostinho de Hipona (354–430) dedicou-se a entender os anjos com o devido cuidado de fundamentar sua doutrina nas Escrituras. Em A Cidade de Deus, ele explica que os anjos foram criados antes de todas as criaturas corpóreas, quando Deus disse “haja luz!” (Gn 1.3). Isso porque as passagens bíblicas contam que as obras do Senhor o louvam, e os anjos estão na lista da criação divina. Além disso, as Escrituras afirmam que os anjos louvaram a Deus no momento em que os astros foram criados. Isso aconteceu no quarto dia; portanto, a criação angelical foi anterior a esse dia. “Diremos, acaso, haverem sido feitos no terceiro dia? Nem pensá-lo. [...] No segundo, porventura? Tampouco” (11, IX). Logo, só poderia ter sido no primeiro dia, “se os anjos fazem parte das obras de Deus realizadas nesses dias, são a luz que recebeu o nome de dia” (11, IX). O pensamento de Agostinho reforça o que já vinha sendo ensinado: que os anjos são criaturas de Deus, no entanto, o momento exato em que essa criação aconteceu não está explícito. Embora esse raciocínio seja compreensível, a origem dos anjos continua sendo uma especulação.
A passagem de Gênesis 6.1-4 era controvérsia, pois muitos interpretavam que os anjos tiveram relações sexuais com os seres humanos. Essa interpretação, como ressalta Bruce Waltke no seu comentário ao livro de Gênesis, não só é antiga como permaneceu nos escritos apocalípticos, no judaísmo rabínico e nos escritos do Novo Testamento (1 Enoque 6.1-7; Testamento de Ruben 5.6) e também nos escritos canônicos (1 Pe 3.19, 20; 2 Pe 2.4; Jd 6, 7). Agostinho, em A Cidade de Deus (25, XXIII), escreveu contra essa tradição, pois a passagem não trata de pecado de anjos, mas sim de uma ação humana. Ele explica que o termo “os filhos de Deus” (v. 2) na Bíblia pode se referir tanto a homens quanto a anjos. Se o problema é que da relação entre “os filhos de Deus” e “as filhas dos homens” nasceram outro tipo de criatura, os gigantes, por isso seriam anjos, Agostinho argumentou que era possível nascerem pessoas de estatura elevada em qualquer época. Além disso, ressaltou que o próprio texto já apontava a prévia existência de gigantes na terra, ou seja, não era nada extraordinário.
Outro tema da angelologia é a hierarquia angelical. Seguindo o raciocínio da proximidade de Deus, embora o texto bíblico não ofereça muitos detalhes sobre a hierarquia dos anjos, Pseudo-Dionísio, o Areopagita (cerca do ano 500 d.C.), em sua obra Hierarquia celeste, elaborou uma das estruturas mais conhecidas na tradição. A ordem seria a seguinte:
·      Primeira hierarquia: Serafim, querubim e tronos;
·      Segunda hierarquia: Dominações, virtudes e potestades;
·      Terceira hierarquia: Principados, arcanjos e anjos.
A primeira hierarquia dos seres superiores abrangeria os que estão mais perto de Deus, e a terceira pertenceria às criaturas que ajudam os seres humanos chegarem a Deus. A ideia é que, ao mesmo tempo que do topo a luz divina ilumina os seres humanos, estes se elevam por meio da purificação. Essa doutrina desenvolvida por Pseudo-Dionísio buscava dar aplicação ao pensamento teológico, a fim de aprimorar a vida espiritual do fiel.
É interessante observar que tradições extrabíblicas fortaleceram determinados pontos da angelologia. Além de algumas crenças da tradição judaica, há também a influência do pensamento filosófico platônico. A cosmologia platônica baseada no princípio da hierarquia de todos os seres criados ajudava a sustentar a doutrina de Pseudo-Dionísio. Era compreensível porque haveria criaturas mais próximas ou mais distantes de Deus. Portanto, os anjos seriam criaturas superiores aos seres humanos.

Texto extraído da obra “Batalha Espiritual”, editada pela CPAD 

COMENTÁRIO E SUBSÍDIO II

INTRODUÇÃO

A definição funcional dos anjos se encontra em Hb. 1.14, de acordo com o autor dessa Epístola, são espíritos ministradores a serviço daqueles que hão de herdar a salvação. Em geral, assumimos que existem poucas passagens bíblicas que nos permitam descrever com propriedade que são os anjos e sua atuação na obra de Deus. Por isso, na aula de hoje, estudaremos um caso específico, o do anúncio do nascimento de Jesus, em seguida, faremos uma incursão bíblica a respeito dos anjos.

I. ANÁLISE TEXTUAL
                                                                 
Lucas narra que no sexto mês, foi enviado um anjo – angelos – um mensageiro a uma cidade da Galileia, chamada Nazaré. Gabriel, o nome desse mensageiro, deveria se dirigir à Maria, uma virgem – parthenon, uma donzela – que havia sido desposada – emineustemenen, ou melhor, prometida em casamento a José, sendo este da casa de Davi. Ao entrar, o anjo o anjo saldou-a, dizendo: o Senhor é contigo; bendito és tu entre as mulheres. Maria ficou perturbada – dietarachthe, agitada – a respeito do que seria a saudação do anjo. Por isso, disse: não temas, porque achaste graça – charin – foste agraciada. Isso porque no ventre dela iria conceber e dar a luz um filho, no qual poria o nome de Jesus – Iesoun – que quer dizer Jeová Salva. E mais, esse será grande e chamado Filho do Altíssimo – huios hupsistos; e o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai. Ele reinará – basieluo – estabelecerá o Seu reino, o qual jamais terá fim. Maria ficou surpresa com a mensagem, e questiona: como se fará isso, visto que não conheço – ginoskõ – não tive relação sexual – com homem algum. A maneiro como isso se daria é explicada pelo anjo: descerá sobre ti o Espírito Santo – pneuma hagion – e a virtude – dunamis – poder do Altíssimo para realizar milagres – te cobrirá com a Sua sombra; bem como o próprio Santo – Hagion – que há de ti nascer – será chamado Filho de Deus – huios theós.

II. INTERPRETAÇÃO TEXTUAL

Esse episódio, segundo o relato de Lucas, aconteceu no sexto mês da gravidez de Isabel (v. 24), e especifica o lugar do ocorrido, detalhando que se deu na cidade da Galileia, isso sugere que seus leitores não eram da Palestina, portanto não estariam familiarizados com tal localização (v. 4.31). De acordo com o texto, maria foi virgem antes da concepção e durante a gravidez (Mt. 1.25), pois nela estava Aquele que foi gerado pelo Espírito Santo, tendo sido ela agraciada (Lc. 1.30), isso é digno de destaque porque mostra que foi recebedora e não doadora da graça, como propõe o credo romano. O Deus doador da graça é o Altíssimo (Gn. 14.18). A causa do espanto de Maria é que ela era ainda virgem – não tinha tido relação sexual. O anjo explica que isso seria resultante de um milagre do Espírito Santo. Isso fez com que ela reconhecesse que não passava de uma serva do Senhor, por isso não cabe qualquer posicionamento elevado, maior do que aquele revelado no texto bíblico, em relação ao papel de Maria na história da salvação. Reconhecemos que ela foi agraciada por Deus, e que foi uma mulher a serviço da salvação providenciada pelo Senhor, mas precisamos ter cuidados para não atribuir a ela uma condição que o texto bíblico não fundamenta. Mais importante, nesse texto lucano, é identificar o personagem principal da narrativa, e esse é Jesus – o Salvador.

III. APLICAÇÃO TEXTUAL

Os anjos – malak em hebraico e angelos em grego – são criaturas espirituais, que podem ou não se tornarem visíveis aos seres humanos – e que se encontram em grandes multidões nos céus (Hb. 12.22; Ap. 5.11), sendo criaturas divinas e dependentes do Senhor. Eles atuam em diversas esferas, tanto no céu quanto na terra, principalmente no louvor a Deus (Sl. 148.2; Ap. 7.11,12). Durante o ministério de Jesus, os anjos atuaram, quando Gabriel anunciou a Zacarias o nascimento de João Batista (Lc. 1.18, 19), e seis meses depois, o nascimento de Jesus a Maria (Lc. 1.26-31). Os anjos também assistiram a Jesus durante seu ministério terreno, especialmente na tentação do deserto na agonia do Getsêmani e em sua ressurreição e ascensão ao céu (Mc. 1.13; Oc. 22.43; Mt. 28.2-6; At. 1.10). Existem hostes angelicais, e pelo que inferimos de algumas passagens bíblicas, uma hierarquia angelical (Ef. 1.20,21), dentre essa os serafins, querubins e arcanjos (Is. 6.2; I Sm. 4.4). Em Jd. 9, encontramos o nome de um arcanjo que é Miguel, e a esse respeito, é preciso ter cuidado para não apresentar nomenclaturas, e categorias angelicais que não encontram respaldo no texto bíblico. Além disso, há igrejas que adoram anjos, como faziam os gnósticos do Sec. I da Era Cristã, a fim de coibir a angelolatria Paulo escreveu a Epístola aos Colossenses (Cl. 2.18), o próprio anjo que apareceu a João em Patmos, renunciou qualquer tipo de adoração (Ap. 22.8).

CONCLUSÃO

Algumas igrejas evangélicas, pela falta de ensinamento bíblico, estão se deixando conduzir por idolatrias a anjos. Esse tipo de adoração não encontra respaldo no texto bíblico, não podemos esquecer a funcionalidade deles, e de deixar de dar glória Aquele que é o Único: Jesus Cristo. Igrejas cristocêntricas, fundamentadas na Palavra de Deus, não se deixam levar por modismos travestidos de espiritualidade, que na verdade não passam de vaidade da carne (Cl. 2.21-23).

José Roberto A. Barbosa
Disponível no Blog subsidioebd.blogspot.com

COMENTÁRIO E SUBSÍDIO III

INTRODUÇÃO

Os anjos estão presentes na Bíblia desde o livro de Gênesis até o livro de Apocalipse, e o número deles é incontável. Eles apareceram a muitas pessoas na história do povo de Deus, trazendo uma missão específica. A presente lição pretende mostrar que eles não são mitos nem lendas, mas seres reais, e continuam atuando na vida da Igreja.
- Estamos sendo treinados para passarmos a eternidade com o Senhor e ao lado destes seres criados para servir, então será muito útil aprendermos tudo o que pudermos a partir das Escrituras sobre os anjos e elas indicam que no céu nos uniremos aos anjos para adorar a Deus ao redor do Seu trono. Apocalipse 4 descreve a primeira cena que João testemunhou em sua visão do céu: “Ao redor do trono, há também vinte e quatro tronos, e assentados neles, vinte e quatro anciãos vestidos de branco, em cujas cabeças estão coroas de ouro” (Ap 4.4). Os anciãos representam a igreja. O fato de haver lugares permanentes para eles indica que o povo redimido de Deus perpetuamente adorará ali ao lado dos anjos. O escritor de Hebreus diz que os anjos são espíritos ministradores, enviados para servir os que hão de herdar a salvação (Hb 1.14). Deus ordena aos Seus anjos que cuidem dos Seus santos, mas não há apoio escriturístico que apontem anjos governando nem sobre eles ou receberem adoração. Os anjos, como servos de Deus, interferem de tempos em tempos nos assuntos humanos, mas a forma como isso acontece, sabemos muito pouco. Na verdade, a Bíblia não revela tudo o que gostaríamos de saber sobre os anjos. Os anjos são seres espirituais que podem, até certo ponto, assumir forma humana. A maior coisa que podemos aprender dos anjos é sua obediência instantânea e sem questionamentos às ordens de Deus. “A  existência dos anjos, conforme veremos a  partir  de agora,  é  claramente demonstrada pelo ensino, tanto  do  Antigo, quanto do Novo Testamentos. São inúmeros os textos do AT que comprovam a realidade da existência dos anjos: Gn 32:1,2; Jz 6:11ss; 1Rs 19:5; Ne 9:6; Jó  1:6; 2:1;  Sl  68:17; 91:11; 104:4; Is 6:2,3; Dn 8:15-17;  Nos  textos alistados  anteriormente, vemos os anjos em suas funções principais  de  servir e louvar a Yahweh, transmitir  as mensagens  de Deus, obedecer Sua vontade, executar a vontade de Deus, e  também como guerreiros. No contexto do NT, os anjos não são apresentados  simplesmente como “mensageiros de Deus”, mas também como  “ministros aos herdeiros da salvação” (Hb 1:14). Outrossim, a existência dos anjos é apresentada de  maneira inequívoca no NT: Mt  13:39;  13:41; 18:10; 26:53; Mc 8:38; Lc 22:43; Jo  1:51;  Ef 1:21; Cl 1:16; 2Ts 1:7; Hb 1:13,14; 12:22; 1Pe 3:22; 2Pe 2:11; Jd 9; Ap 12:7; 22:8,9.” (CACP). O termo teológico apropriado para esse estudo que ora iniciamos é Angelologia (do grego angelos, “anjo” e logia , “estudo”, “dissertação”). Angelologia, se constitui, portanto, de doutrina específica dentro do contexto daquilo que denominados de Teologia Sistemática, a qual se ocupa em estudar a existência, as características, natureza moral e atividades dos anjos. Iniciaremos, portanto, pelo estudo da existência dos anjos. – Dito isto, convido-o a pensar maduramente a fé cristã!

I. OS ANJOS
                                                                 
1. Quem são eles? Os anjos são uma classe de seres criados por Deus, assim como os seres humanos foram também criados. A palavra "anjo" chegou à nossa língua pelo latim angelus, uma transliteração do termo grego angelos, que a Septuaginta empregou para traduzir o hebraico mal'ak, "mensageiro, anjo". Na nossa cultura, quando se fala em anjo, todos entendemos o que isso significa; vêm à nossa mente os seres espirituais e sobrenaturais que habitam o céu. Mas o termo tem significado mais amplo.
 Os anjos foram criados por Deus (Sl 148.2 e 5); O fato de serem criaturas está implícito em 1 Timóteo 6.16. O tempo da criação dos anjos é deixado indefinido na Bíblia, apenas sabemos que quando foram lançados os fundamentos da Terra os anjos já existiam (Jó 38.4,7; Is 14.12); são de uma ordem completamente diferente da dos humanos. Em nenhum lugar a Bíblia afirma que os anjos foram criados à imagem e semelhança de Deus, como foram os humanos (Gn 1.26). Interessante notar que Jesus ensinando sobre nosso estado na ressurreição “Porque na ressurreição nem casam nem são dados em casamento; mas serão como os anjos de Deus no céu” (Mt 22.30) assevera que nós seremos “como os anjos” - espírito, e não anjos.

2. Os gregos e os romanos. O mundo grego usava angelos para um mensageiro ou embaixador em assuntos humanos, alguém que fala ou age em nome de quem o enviou. Foi essa a palavra usada na Septuaginta para traduzir o hebraico mal'ak. Entre os romanos, a ideia não era diferente dos gregos.
 Como expliquei no subtópico anterior, a palavra original correspondente no grego ‘angelos’ é usado tanto para mensageiros humanos (1Rs19.2; Lc 7.24 e 9.52), quanto divinos. O primeiro tipo de anjo mencionado na Bíblia são os querubins, que foram enviados por Deus para proteger a árvore da vida no Gan Éden - Jardim do Éden (Gn 3.24). A Escritura usa várias expressões para descrever os anjos. Eles são chamados de “seres celestiais” (Sl 89.6); “Filhos de Deus” (Jó 1.6; 2.1; 38.7); “Santos” (Sl 89.5); “estrelas da alva” (Jó 38.7), “príncipes” (Dn 10.13); e “principados e potestades” (Ef 3.10).

3. Na Bíblia. O termo mal'ak, na cultura judaica, indicava um ser celeste e espiritual dotado de poderes sobrenaturais e acima de qualquer humano (Sl 103.20; 2 Pe 2.11). Eles pertencem à corte de Javé no céu, onde o louvam e o servem (Is 6.2,3; Ap 5.11; 7.11). Convém nunca perder de vista que essa palavra se aplica também a mensageiros humanos; o profeta Ageu foi chamado de mal'al Yahweh, "o embaixador do SENHOR" (ARC) ou "enviado do SENHOR" (ARA). João Batista é outro exemplo do uso do termo para os humanos (Ml 3.1; Mc 1.2-4).
O termo português ‘anjo’ é derivado do latim ‘angelus’, que por sua vez deriva-se do grego ‘angelos’ (lê-se ‘anguelos’). No hebraico o termo é ‘malak’, que pode ser traduzido por “mensageiro”, o que designa a ideia de ofício de mensageiro. O grego clássico emprega o termo angelos para mensageiro, embaixador em assuntos humanos, que fala e age no lugar daquele que o enviou. No Antigo Testamento, onde o termo malak ocorre 108 vezes, os anjos aparecem como seres celestiais, membros da corte de Yahweh, que servem e louvam a Ele (Ne 9.6; Jó 1.6), são espíritos ministradores  (1Rs 19.5), transmitem a vontade de  Deus (Dn 8.16,17)), obedecem a vontade de Deus (Sl 103.20), executam os propósitos de Deus (Nm 22.22), e celebram os louvores de Deus (Jó 38.7; Sl 148.2). No Novo Testamento, a palavra angelos aparece por 175 vezes, aparecem como representativos do mundo celestial e mensageiros de Deus. Funções semelhantes às do Antigo Testamento são atribuídas a eles, tais como: servem e louvam a Cristo (Fp 2.9-11; Hb 1.6), são espíritos ministradores (Lc 16.22; At 12.7-11; Hb 1.7,14), transmitem a vontade de Cristo (Mt 2.13,20; At 8.26), obedecem a vontade dEle (Mt 6.10), executam os Seus propósitos (Mt 13.39-42), e celebram os louvores de Cristo (Lc 2.13,14). Ali, os anjos estão vinculados a eventos especiais, tais como: a concepção de Cristo (Mt 1.20,21), Seu nascimento (Lc 2.10-12), Sua ressurreição (Mt 28.5,7) e Sua ascensão e Segunda Vinda (At 1.11). Foi Agostinho no século IV d.C. quem desenvolveu o estudo acerca do mundo angelical. Segundo esse Pai da Igreja, os anjos teriam uma natureza puramente espiritual e livre. Comentando o Gênesis, Agostinho definiu as funções destes seres celestes, que seriam responsáveis pela glorificação de Deus e pela transmissão da vontade divina. Agostinho afirmava que os anjos estariam voltados tanto para o mundo espiritual quanto para o mundo visível, no qual interviriam com certa frequência.

SUBSÍDIO DIDÁTICO-PEDAGÓGICO

Quem são os anjos? O que eles fazem? Essas perguntas podem ser elaboradas na lousa ou em um slide, ou ainda, em um retroprojetor. Iniciar a aula fazendo essas perguntas, levando os alunos à reflexão acerca da identidade das criaturas espirituais que eles conhecem desde a infância. É possível que haja na classe pessoas que ouviram sobre a existência de anjos em outras tradições religiosas, mas nunca tiveram a oportunidade de refletirem de maneira madura sobre o que a Bíblia diz a respeito deles. Esta é uma grande oportunidade de apresentar o que as Escrituras dizem a respeito desses seres espirituais. Aproveite também para mostrar a herança da palavra portuguesa “anjo” pela palavra latina “angelus”. Mostre como exemplo de quanto somos devedores ao idioma que ajudou a fundar o Ocidente: o Latim.

II. OS SERES CELESTIAIS PARA SERVIR

1. Natureza. Os anjos são criaturas espirituais e invisíveis aos seres humanos. Eles são sobrenaturais e, como os humanos, possuem natureza racional. São em grandes multidões no céu (Hb 12.22; Ap 5.11). Como criaturas, não são autônomos nem independentes; não agem como tal e nunca receberam adoração. A habitação deles é o céu, e eles veem sempre a face do Pai (Mt 18.10). Não possuem corpo físico ou material, mas podem se apresentar na forma humana, quando ocorrem as manifestações angelofânicas. Essas aparições ocasionais são bíblicas (Jz 13.6; Hb 13.2). Os anjos são assexuados, não se reproduzem nem estão sujeitos à morte (Mc 12.25; Lc 20.36).
- É importante ressaltar que os anjos não existem desde a eternidade, eles foram criados por Deus no momento de sua criação (Ne 9.6; Sl 148.2; Cl 1.16). A bíblia não indica com precisão em que parte foram criados, mas podemos entender que isso deve ter acontecido imediatamente após ter criado os céus e antes de ter criado a terra, segundo podemos ver em Jó 38.4-7 e Gn 1,1; 2.1. Não podemos também definir número, mas sabemos que um ‘exercito’ compreende grande quantidade, uma ‘legião’compreende um número grandioso (Dn 7.10; Mt 26.53; Hb 12.22); Segundo Apocalipse 5.11, eles são milhões de milhões e milhares de milhares. Deus certamente criou todos de uma só vez, pois os anjos não tem capacidade de propagar-se como o homem (Mt 22.30). “São seres espirituais – incorpóreos (Hb.1.14). Não tem corpo físico, mas podem assumir forma corpórea (Gn 18.19; Sl 104.4; Hb 1.7; Ef 6.2; Mt 8.16; 12.45; Lc 7.21; Ap 16.14). São imortais – Os anjos não estão sujeitos à dissolução: nunca morrem. A imortalidade dos anjos se deriva de Deus e depende de Sua vontade. Os anjos são isentos da morte, porque assim Deus os fez (Lc 20.35,36). Não se reproduzem conforme sua espécie – As Escrituras em parte alguma ensina que os anjos são seres assexuados. Inferências encontramos referindo-se aos anjos, com o uso de pronomes do gênero masculino (Dn 8.16,17; Lc 1.12,29,30; Ap.12.7; 20.1; 22.8,9). Mas, não obstante, o casamento, a reprodução, não é da ordem ou do plano de Deus. São poderosos – Dotados de poder sobre-humano (Sl 103.20; 2Pd 2;11). São uma classe de seres criados superiores aos homens (Sl 8.5; Hb 2.10). Contudo, esse poder tem seus limites estabelecidos, não são Onipotentes (2Ts 1.7; 2Sm 24.16,17). Veja demonstração de poder dos anjos: At 5.19; 12.7,23; Mt 28.2).” (SOLASCRIPTURA).

2. Ofício. Não é possível descrever todas as atividades dos anjos em tão pouco espaço. A Bíblia mostra a atuação deles nas diversas esferas no céu e na terra. Uma de suas atividades, e a principal delas, é louvar e glorificar a Deus (Sl 148.2; Ap 7.11,12). Eles executam obras em favor de homens e mulheres para socorrer e ajudar nas suas dificuldades, e são eles que levam os salvos ao lar eterno (Lc 16.22).
Apesar de terem vontade, os anjos são, como todas as criaturas, sujeitos à vontade de Deus. Os anjos bons são enviados por Deus para ajudar os crentes (Hb 1.14). A seguir, algumas atividades que a Bíblia atribui aos anjos:
● Eles louvam a Deus (Salmos 148:1,2; Isaías 6:3).
● Eles adoram a Deus (Hb 1.6; Ap 5.8-13).
● Eles se regozijam nos feitos de Deus (Jó 38.6-7).
● Eles servem a Deus (Sl 103.20; Ap 22.9).
● Eles se apresentam perante Deus (Jó 1.6; 2.1).
● Eles são instrumentos dos julgamentos de Deus (Ap 7.1; 8.2).
● Eles trazem respostas às orações (At 12.5-10).
● Eles ajudam a ganhar pessoas para Cristo (At 8.26; 10.3).
● Eles observam a ordem cristã, obra e sofrimento (1Co 4.9; 11.10; Ef 3.10; 1Pd 1.12).
● Eles dão encorajamento em tempos de perigo (At 27.23-24).
● Eles cuidam dos justos no momento da morte (Lc 16.22).
O que a Bíblia diz sobre anjos da guarda? Embora a expressão “anjo da guarda” não ocorre na Bíblia, muitas pessoas acreditam que cada indivíduo recebe um “anjo da guarda” no dia do nascimento ou no dia do batismo. Porém, a Bíblia não diz nada sobre isso. Uma das passagens bíblicas mais conhecidas para defender esta interpretação está registrada no Salmo 34: “O anjo do SENHOR acampa-se ao redor dos que o temem e os livra” (Sl 34.7). Outra passagem encontra-se no Evangelho de Mateus, quando o Senhor Jesus, falando acerca dos pequeninos, declarou: “Vede, não desprezeis a qualquer destes pequeninos; porque eu vos afirmo que os seus anjos nos céus vêem incessantemente a face de meu Pai celeste” (Mt 18.10). Porém, essas passagens não provam nada. Essas passagens não ensinam que cada crente ou criança tem seu próprio “anjo da guarda”, mas, simplesmente expressam o cuidado geral de Deus por Seu povo através dos anjos. Uma interpretação provável para expressão “seus anjos nos céus” é que eles estão prontos para a ação por ordem de Deus. Sabemos que os anjos são “espíritos ministradores” enviados para servir os cristãos (Hb 1.14). Mas se cada pessoa possuiu um anjo da guarda, a Bíblia não diz nada especificamente. A Bíblia fala de um “exército celestial” – Todos os anjos que velam pelo povo de Deus. Assim, neste exato momento, há um pelotão de forças angelicais cuidando de sua vida. Assim, a noção popular de um anjo da guarda para cada crente não tem base Bíblica. Ao invés disso, a Escritura afirma uma verdade ainda mais preciosa: o cuidado de um crente não é a tarefa de apenas um anjo; todo o exército angelical, em consenso, cuida de cada crente e de sua salvação (Gn 32.1-2; 2Rs 6.17; Lc 15.10; 16.22).” (IPBTABUAZEIRO).

3. A ação dos anjos durante o ministério de Jesus. Sua participação já começa antes mesmo do nascimento de Jesus, quando o anjo Gabriel anunciou a Zacarias o nascimento de João Batista (Lc 1.18,19), e seis meses depois, o nascimento de Jesus a Maria (vv. 26-31). Os anjos assistiram a Jesus durante todo o seu ministério terreno, na tentação do deserto, na agonia do Getsêmani, na sua ressurreição e na ascensão ao céu (Mc 1.13; Lc 22.43; Mt 28.2-6; At 1.10).
“● Em seu nascimento
1. Previsão. Gabriel predisse o nascimento de Jesus (Mt 1.20; Lc 1.26-28).
2. Anúncio. Um anjo anunciou o nascimento de Jesus aos pastores e foi acompanhado em seu louvor por uma multidão de anjos (Lc 2.8-15).
Durante sua vida
1. Alerta. Um anjo alertou José e Maria a que fugissem para o Egito, escapando, assim, da ira de Herodes (Mt 2.13-15).
2. Direção. Um anjo orientou a família para retornar a Israel após a morte de Herodes (Mt 2.19-21).
3. Ministração. Anjos ministraram a Jesus após sua tentação no deserto (Mt 4.11) e seu conflito no Getsêmani (Lc 22.43).
4. Defesa. Jesus disse que havia legiões de anjos preparadas para defendê-lo se ele os chamasse (Mt 26.53).
Após sua ressurreição
1. Na pedra. Um anjo rolou para longe a pedra que fechava a entrada do sepulcro de Jesus (Mt 28.1-2).
2. Anúncio. Anjos anunciaram a ressurreição para as mulheres na manhã do domingo de Páscoa (Mt 28.5,6; Lc 24.5-7).
3. Ascensão. Anjos estavam presentes na ascensão de Jesus (At 1.10-11).
Na Segunda Vinda de Jesus
1. Arrebatamento. A voz do arcanjo será ouvida no arrebatamento da Igreja (1Ts 4.16).
2. Segunda Vinda. Os anjos vão acompanhá-lo na Segunda Vinda (Mt 25.31; 2Ts 1.7).
3. Juízo. Os anjos vão separar o joio do trigo na Segunda Vinda (Mt 13.39-40).” (MUNDOCRISTÃO)

SUBSÍDIO DOUTRINÁRIO

“Esses seres angelicais executam as obras de Deus tanto no julgamento dos inimigos do povo de Deus como também dos crentes quando estes desobedecem a Deus. Eles revelam e comunicam a mensagem de Deus aos seres humanos. Há inúmeros fatos dessa natureza nas Escrituras, como o anúncio a Zacarias sobre o nascimento de João Batista e a Maria, sobre o nascimento do Senhor Jesus. Esses mensageiros celestiais assistiram os apóstolos Pedro e Paulo e o próprio Senhor Jesus. Foram eles que anunciaram às mulheres a ressurreição de Jesus e estiveram presentes na sua ascensão. [...] A Bíblia mostra diversas vezes os anjos socorrendo os servos e servas de Deus em suas lutas e dificuldades” (Declaração de Fé das Assembleias de Deus. Rio de Janeiro: CPAD, 2017, p.87).

III. AS HOSTES ANGELICAIS

A Bíblia menciona as categorias angelicais sem apresentar detalhes de sua natureza; somente se manifesta em alguns casos, como veremos a seguir.
1. Ás hierarquias angelicais. O apóstolo Paulo inclui nessas hierarquias duas duplas de seres: "tronos e dominações" e "principados e potestades" (Cl 1.16). Alguns acham que a primeira dupla seja uma referência às "coisas visíveis"; e as outras duas, às "coisas invisíveis". Uma tentativa sem sucesso. Os tronos estão localizados no céu (Dn 7-9; Ap 4.4), mas a literatura pseudoepígrafa dos antigos rabinos tem os tronos como seres celestes. A maioria dos expositores do Novo Testamento reconhece o termo "tronos" nesse contexto como classificação angelical. As dominações se referem aos poderes celestes (Ef 1.20,21). A explicação sobre os principados e potestades foi dada na lição passada.
A única referência clara a uma hierarquia é Apocalipse 12.7, que mostra que o arcanjo Miguel tem outros anjos debaixo de seu comando. No entanto, não há dúvidas de que encontramos na Bíblia evidências da existência de uma hierarquia entre os anjos, isto é, se acham organizados de forma hierárquica, numa forma de graduação, de autoridade. Essa graduação‚ destacada pelo tipo de atividade que os anjos exercem em todo o Universo e na presença de Deus. Paulo aponta diretamente para isto quando usa a expressão “principados e potestades“. Essa designação indica a existência de certos anjos que ocupam lugares de autoridade no mundo angélico. Paulo emprega essa expressão tanto para se referir aos anjos caídos como para se referir aos anjos de Deusm sendo que, em duas ocasiões ele fala de anjos maus, isto é, demônios (Ef 6.12; Cl 2.13); e em outras duas ele fala dos santos anjos de Deus (Ef 3,10; Cl 1.16). O apóstolo Pedro também emprega essa mesma expressão para se referir aos anjos do Senhor (1Pd 3.22). Não confunda essa hierarquização com o assunto estudado na lição anterior sobre espíritos territoriais. Nos últimos tempos muitas heresias surgiram relacionadas à hierarquia dos anjos. Os propagadores dessas heresias defendem a ideia de que existem seres angelicais que se ocupam em uma organização hierárquica territorial. Nas Escrituras encontramos três classes ou tipos de anjos:
Querubins: anjos dotados de grande poder e majestade. São frequentemente mencionados em conexão com a adoração a Deus e a revelação de sua glória (Êx 25.18; 2Sm 22.11; Sl 18.10; 80.1; 99.1; Is 37.16; Hb 9.5).
Serafins: anjos que parece próxima à classe dos querubins. São mencionados apenas pelo profeta Isaías. Os serafins são descritos pelo profeta com uma riqueza de detalhes que revela seu serviço em torno do trono de Deus (Is 6.2,6).
Arcanjo: apenas Miguel é mencionado na Bíblia pertencente a esta classe (Jd 9). Alguns estudiosos acreditam que possa haver mais arcanjos, enquanto outros afirmam que apenas Miguel ocupa esse posto. Ele é retratado na Bíblia como um comandante do exército celestial a serviço de Deus, ou seja, ele ocupa o posto mais elevado na hierarquia dos anjos (Dn 10.13-21; Jd 9; Ap 12.7).

2. Serafins e querubins. São outras duas categorias de anjos sobre as quais a Bíblia revela algo mais do que as categorias anteriores. O termo serafim significa "flamejante, brilhante, refulgente". Os serafins são criaturas sobrenaturais associadas à glória de Javé e representam a presença, a grandeza e a majestade divinas (Is 6.2). Os querubins simbolizam a transcendência de Deus, o qual "habita entre os querubins" (1 Sm 4.4). Eles são representados como criaturas aladas colocadas no propiciatório da Arca do Concerto (Êx 25.18-20:37.7-9).
O vocábulo serafim deriva do "saraph" e significa ardente, refulgente ou brilhante, nobres ou afogueados. Esta classe de anjos aparece uma só vez na Bíblia em Isaías 6.1-3. Nesta escritura, os serafins estão intimamente ligados ao serviço de adoração e louvor ao Senhor. Nesse serviço, eles promovem, proclamam e mantém a santidade de Deus. Na visão de Isaías, os serafins são representados como tendo seis asas. As asas de cada serafim tinham funções específicas. Com duas asas cobriam o rosto, numa atitude de reverência perante o Senhor. Com as outras duas asas cobriam os pés, falando de santidade no andar diante de Deus, e com as duas últimas asas, eles voavam. Essa visão de seres alados não significa que todos os anjos, obrigatoriamente, têm de Ter asas. As asas desses serafins tinham por objetivo mostrar ao profeta a capacidade de movimento e locomoção dos anjos para realizarem a vontade de Deus. É uma forma materializada que os seres espirituais usam para serem compreendidos, porque, de fato, os anjos são incorpóreos.
Querubins - Essa classe de anjos criados por Deus se destaca pela ligação que eles têm com o trono de Deus. A palavra querubim, no original hebraico "querub" , tem o sentido de guardar, cobrir. Eles aparecem pela primeira vez na Bíblia em Gn 3.24 no Jardim do Éden para guardar a entrada oriental a fim de que o homem que havia pecado contra o seu Criador não tivesse acesso ao caminho da árvore da vida. 0 que aprendemos acerca dos querubins ‚ que eles possuem uma posição elevada na corte celestial e estão diretamente ligados ao trono de Deus (I Sm 4.4; II Rs 19.15; Sl 80.1; 99.1; Is 37.16). Em Ezequiel 10, os querubins aparecem cheios de olhos e o trono de Deus está acima deles. A ligação dos querubins com o trono de Deus nos ensina que eles guardam o acesso á presença de Deus. Só nos é possível entrar no Santo dos Santos ou " Lugar Santíssimo " com o sangue da aliança em nossas vidas (Hb 10.19-22)”. (PIBMILIONARIOS);

3. Arcanjos. Esse termo significa chefe ou líder dos anjos. Essa palavra só aparece duas vezes na Bíblia, em: "com voz de arcanjo" (1 Ts 4.16) e "mas o arcanjo Miguel, quando contendia..." (Jd 9). Os tratados de teologia costumam incluir Gabriel como arcanjo. Miguel e Gabriel são os únicos anjos mencionados por nome na Bíblia. O nome "Miguel", mikhael em hebraico, significa "quem é semelhante a Deus?"; e "Gabriel", gvriel, "varão de Deus". As Escrituras Sagradas revelam existir mais seres no céu, da mesma natureza e com a mesma posição de arcanjo: "e eis que Miguel, um dos primeiros príncipes, veio para ajudar-me, e eu fiquei ali com os reis da Pérsia" (Dn 10.13). Veja que a expressão "um dos primeiros príncipes" mostra existirem outros como Miguel.
A palavra "arcanjo" representa a mais elevada posição na hierarquia angelical. O prefixo "arc", do grego "arch", sugere tratar-se de um chefe, um príncipe, um primeiro- ministro. Entre os livros apócrifos, existe o livro de Enoque, que apresenta sete arcanjos, a saber: Uriel, Rafael, Raquel, Saracael, Miguel, Gabriel e Remiel. Mas o único nome dessa lista que aparece nos livros canônicos da Bíblia que usamos é o do arcanjo Miguel (Jd 9). Esse arcanjo se destaca biblicamente como uma espécie de administrador e protetor dos interesses divinos em relação a Israel) (Jd 9; Dn 12.1). O arcanjo Miguel ‚ denominado "príncipe dos filhos de Israel" porque é o guardião dessa nação. Na visão apocalíptica e escatológica (futura) que João teve na Ilha de Patmos, o arcanjo Miguel surgirá como o grande comandante dos exércitos celestiais contra as milícias satânicas, representadas pelo dragão, símbolo de Satanás (Ap 12.7-12). Na vinda pessoal de Jesus Cristo, na primeira fase de convocação dos remidos do Senhor, a escritura não dá nome ao arcanjo, mas declara que a voz do arcanjo será ouvida pelos mortos santos, os quais ressuscitarão e se levantarão de suas sepulturas para ir ao encontro do Senhor nos ares (I Ts 4.16)”. (PIBMILIONARIOS).

IV. JESUS E O ARCANJO MIGUEL

O ministério dos anjos em relação a Jesus vem desde o anúncio do seu nascimento até a sua ascensão ao céu. Miguel é anjo e se inclui também nesse ministério.
1. A identidade de Miguel. As Escrituras falam muito pouco a respeito desse anjo. O seu nome aparece cinco vezes na Bíblia, como "príncipes" (Dn 10.13,21; 12.1), arcanjo (Jd 9) e combatente contra Satanás e seus anjos (Ap 12.7). Alguns grupos religiosos ensinam que Miguel é o próprio Jesus Cristo. Esse pensamento não nos surpreende, pois um desses grupos é arianista. O que nos chama a atenção é o fato de outros grupos cristãos, que afirmam crer na Trindade, confundam o Criador com a criatura.
Esclarecendo o termo ‘arianismo’: doutrina de Ário 250-336, um professor do início do século 4 d.C., de Alexandria (Egito), que afirmava ser Cristo a essência intermediária entre a divindade e a humanidade, negava-lhe o caráter divino e ainda desacreditava a Santíssima Trindade. O Arianismo, então, é a crença de que Jesus era um ser criado com atributos divinos, mas não era divindade em Si mesmo. Hoje, existem seitas que advogam esse ensino e que afirmam que sempre que Miguel é mencionado na Bíblia, refere-se à Pessoa de Jesus como Comandante dos exércitos celestiais em direta disputa com Satanás e os anjos maus. (Leia mais sobre este assunto aqui). Judas 9 é a única passagem das Escrituras que mostra ser Miguel um arcanjo. “O termo grego ἀρχ (gr. arch) significa, “chefe, líder” ou “cabeça”. Isto mostra que Miguel é um líder dos anjos. Seu nome em hebraico é מִֽיכָאֵ֗ל (Michael), significa ‘Quem é semelhante a Deus?’. O hebraísta Heinrich Friedrich Wilhelm Gesenios, declara que a tradição rabínica afirma ser Miguel “um dos sete arcanjos”. Esses arcanjos aparecem na literatura rabínica apocalíptica, em que esses nomes são apresentados no livro pseudoepífrafo de Enoque: Uriel, Rafael, Raquel, Miguel, Saracael, Gabriel e Remiel (1Enoque 20.2-8; Tob 12:15)”. (CACP).

2. Uma diferença abissal. Não é verdade que o Senhor Jesus Cristo seja o mesmo Miguel, pois há uma diferença abissal entre ambos: Jesus é Deus, o Criador e transcendente, Miguel é anjo, portanto, criatura (Jo 1.1-3; Cl 1.16,17; Jd 9). Jesus é adorado até pelos anjos, e isso inclui o próprio Miguel; no entanto, Miguel, sendo anjo, não pode ser adorado (Hb 1.6; Ap 19.10; 22.8,9).  Jesus é o Senhor dos senhores, e Miguel é príncipe (Ap 17.14; Dn 10.13,21). Não se deve, portanto, confundir o Criador com a criatura.” [Lições Bíblicas CPAD, Revista Adultos, 1º Trimestre 2019. Lição 2, 13 Jan, 2019]
Distinções entre Jesus e Miguel:
● Jesus é chamado de Filho, mas Miguel não, por ser ele anjo;
● Jesus é Criador (Jo1.3; Ap 1.18), Miguel é criatura que obedece ao Criador (Mt 26.53; Cl 1.16);
● Jesus é adorado por Miguel (Hb 1.6), Miguel não pode ser adorado (Ap 22.8-9);
● Jesus, é o Senhor dos senhores (Ap 17.14), Miguel é um dos príncipes (Dn 10.13);
● Jesus é Rei dos reis (1Tm 6.15), Miguel é príncipe dos judeus (Dn 12.1).
Jesus não é o Arcanjo Miguel. A Bíblia em nenhum lugar identifica Jesus como Miguel (ou como qualquer outro anjo). Hebreus 1:5-8 estabelece uma clara distinção entre Jesus e os anjos: "Pois a qual dos anjos disse jamais: Tu és meu Filho, eu hoje te gerei? E outra vez: Eu lhe serei Pai, e ele me será Filho? E, novamente, ao introduzir o Primogênito no mundo, diz: E todos os anjos de Deus o adorem. Ainda, quanto aos anjos, diz: Aquele que a seus anjos faz ventos, e a seus ministros, labareda de fogo; mas acerca do Filho: O teu trono, ó Deus, é para todo o sempre; e: Cetro de equidade é o cetro do seu reino." A hierarquia dos seres celestiais é esclarecida nessa passagem – os anjos adoram a Jesus, o qual, como Deus, é o único digno de adoração. Nenhum anjo é jamais adorado nas Escrituras; portanto, Jesus (digno de adoração) não pode ser Miguel ou qualquer outro anjo (não digno de adoração). Os anjos são chamados de filhos de Deus (Gênesis 6:2-4; Jó 1:6, 2:1, 38:7), mas Jesus é o Filho de Deus (Hebreus 1:8, Mateus 4:3-6). O Arcanjo Miguel talvez seja o maior de todos os anjos. Miguel é o único anjo na Bíblia que é chamado de "Arcanjo" (Judas versículo 9). O Arcanjo Miguel, porém, é apenas um anjo. Ele não é Deus. A clara distinção no poder e autoridade de Miguel e de Jesus pode ser vista através da comparação de Mateus 4:10, onde Jesus repreende Satanás, com Judas, versículo 9, onde o Arcanjo Miguel "não se atreveu a proferir juízo infamatório" contra Satanás e chama o Senhor para repreendê-lo. Jesus é Deus encarnado (João 1:1,14). O Arcanjo Miguel é um anjo poderoso, mas ainda só um anjo.” (Is Jesus Michael the archangel? Disponível em: https://www.gotquestions.org/Jesus-Michael-Archangel.html. Acesso em: 4 Jan, 2019)

SUBSÍDIO DOUTRINÁRIO

“A Bíblia afirma com frequência que Jesus é Deus: ‘No princípio, era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus’ (Jo 1.1); ‘Porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade’ (Cl 2.9). [...] As suas obras revelam também a sua divindade. Ele é o absoluto soberano e criador de todas as coisas. Ele é a fonte de vida, autor do novo nascimento, habita nos fiéis, dá a vida eterna, inspirou também os profetas e apóstolos, perdoa pecados, é adorado pelos humanos, pelos anjos, na terra e no céu. Possui títulos divinos, como “Eu Sou”, o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim, e o Senhor dos Senhores” (Declaração de Fé das Assembleias de Deus. Rio de Janeiro: CPAD, 2017, p.51).

CONCLUSÃO

A Bíblia traz muitas informações acerca dos anjos e, apesar das inúmeras referências bíblicas, ainda muito pouco sabemos a respeito de quem eles são e do que fazem. A diferença entre os anjos e os humanos está, entre outras, no fato de que a nós o Criador deu a capacidade reprodutiva e, para tal, quando criou o ser humano, criou um casal que geraria outros da mesma espécie. Os anjos não se reproduzem.
A Escritura ensina que anjos ministram aos santos (Hb 1.14), e que algumas pessoas “hospedaram anjos sem saber” (Hb 13.2). Em nenhum lugar nas Escrituras somos encorajados a procurar evidências de anjos na vida cotidiana, além do que, Paulo adverte os crentes a não se tornarem adoradores de anjos (Cl 2.18). “Os anjos não dormem, não tiram férias. Eles são ministros. São feitos ventos. Eles agem diuturnamente. O diabo tenta se fazer de anjo para enganar as pessoas. Eles estão ao nosso redor. Eles nos vigiam, nos guardam. Eles estão perto de nós. O mundo está povoado deles. Eles são milhões de milhões. Eles são guerreiros. Eles são adoradores. Eles trabalham em nosso favor. Eles são em maior número que os nossos adversários. Estamos do lado do vencedor!” (Rev. Hernandes Dias Lopes)

Francisco Barbosa
Disponível no blog: auxilioebd.blogspot.com.br