sábado, 10 de novembro de 2018

LIÇÃO 6: SINCERIDADE E ARREPENDIMENTO DIANTE DE DEUS



SUBSÍDIO I

INTERPRETANDO A PARÁBOLA

Estamos diante de uma parábola narrativa, direta e simples. É uma comparação de dois personagens opostos por meio de uma justaposição: o fariseu e o publicano. Depois de haver ensinado a respeito da necessidade e do poder da oração por meio da parábola “do juiz iníquo”, Jesus conta essa parábola com o objetivo de ensinar a atitude correta na hora da oração. Agora somos ensinados que não basta perseverarmos na oração, é preciso cultivarmos uma atitude correta.
O fariseu pertencia a uma das principais seitas dos judeus, muito mais numerosa do que a dos saduceus, e de mais influência entre o povo. Insistia no cumprimento rigoroso da Lei e das tradições dos anciãos. Fariseu significa “separado”, porque não somente se separava dos outros povos, mas também dos outros israelitas. Os fariseus observavam as práticas de forma minuciosa; contudo, esqueciam do espírito da Lei, como se nota na forma como se lavavam antes de fazer as refeições, na lavagem dos copos, dos jarros, etc (Mc 7.3,4); em pagar escrupulosamente o dízimo (Mt 23.23); na observância do sábado, etc.
Elwell destaca que "segundo o ponto de vista tradicional, embora nem todos os fariseus fossem peritos na Lei, o farisaísmo era a ideologia da vasta maioria dos escribas e mestres da Lei, assim, os fariseus eram os guardiães e intérpretes da Lei e as instituições judaicas associadas com a Lei, tais como a sinagoga e o sinédrio, eram farisaicas”. As denúncias de Jesus contra os fariseus encontram-se em Mateus 23.13-30 e Marcos 7.9. Nesta última passagem Jesus disse: “Bem invalidais o mandamento de Deus para guardardes a vossa tradição”.
Em Isaías 29.13 o profeta criticava os hipócritas: “Porque o Senhor disse: Pois que este povo se aproxima de mim e, com a boca e com os lábios, me honra, mas o seu coração se afasta para longe de mim, e o seu temor para comigo consiste só em mandamentos de homens, em que foi instruído”. O Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal destaca que “Jesus aplicou as palavras de Isaías a esses líderes religiosos, porque eles podiam proferir as palavras corretas e fingir sua devoção a Deus, mas seu coração estava longe dele e Jesus atacou a verdadeira condição do seu coração”. Pois se preocupavam com detalhes do cotidiano e desprezavam a observância da Lei de Deus e seu verdadeiro significado.
Os publicanos eram cobradores de impostos públicos entre os antigos romanos. Os judeus consideravam os publicanos traidores e apóstatas porque cobravam os impostos para a nação que os oprimia. Eles eram julgados como pessoas de vil caráter, porque, também, acabavam extorquindo grandes quantias de dinheiro do seu próprio povo (Lc 3.12, 13; 19.8). Eles estavam classificados sempre entre os pecadores (Mt 9.10, 11), os pagãos (Mt 18.7) e as meretrizes (Mt 21.31). O povo murmurava pelo fato de Jesus comer com eles (Mt 9.11; 11.19; Lc 5.29; 15.1,2). Mateus era um publicano.
Champlin destaca que “na antiguidade, as taxas e impostos frequentemente eram coletados por indivíduos privados empregados com esse propósito, e não por agentes governamentais oficiais, assim, tais indivíduos tiravam proveito da situação a fim de auferirem ganhos desonestos”. É por esta razão que os publicanos estão associados aos pecadores, reunindo assim “duas classes que tinham grande afinidade de espírito. Pensava-se que nenhum publicano podia ser homem honesto, tão má era a reputação da categoria”.
Os judeus da cidade de Jerusalém tinham o costume de fazer orações nas horas costumeiras (9h da manhã e 3h da tarde). Entretanto, mesmo fora dos horários regulares havia pessoas orando no templo (Lc 2.37; At 22.17). Um fariseu e um publicano subiram ao templo com o fim de orar à mesma hora. No aspecto religioso e moral reinava no judaísmo daquele tempo uma grande distância entre essas duas classes do povo.
O fariseu, como vimos, era tido como um homem que cumpria a Lei com exemplar rigorismo inatacável. Já o publicano era considerado uma pessoa que vivia em flagrantes pecados e vícios, era mesmo equiparado aos gentios. Essas duas figuras estão orando juntos à mesma hora no templo. Eis o que diz a parábola.
Esta parábola nos ensina que a religiosidade não tem valor para Deus quando não existe sinceridade de coração. O fariseu e o publicano tiveram atitudes semelhantes, ou seja, estavam buscando ao Senhor em oração, porém, o fariseu é reprovado por causa de sua hipocrisia, enquanto que o publicano, mesmo sendo pecador, tem a aprovação divina. “Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele; porque qualquer que a si mesmo se exalta será humilhado, e qualquer que a si mesmo se humilha será exaltado” (Lc 18.14).
O publicano é um exemplo de alguém que tem consciência de sua condição espiritual. Diferente do fariseu, o publicano coloca-se na presença de Deus com coração contrito, reconhecendo-se como pecador e completamente dependente de Deus. Nesta parábola somos ensinados sobre a necessidade de avaliarmos nossa condição espiritual quando nos colocamos na presença de nosso Deus.
Lockyer destaca que “os dois homens que subiram para orar no templo são diferentes em caráter, credo e na forma de auto-exame, e, ambos se apresentam diante do Santo Deus, mas com uma diferença radical de atitude”. Este autor também destaca que “aqui estão dois indivíduos amplamente apartados um do outro, tanto em seu modo de viver como na opinião que o público tinha deles; são representantes de duas classes — (o primeiro) dos arrogantes mantenedores da lei e (o segundo) os desprezados transgressores da lei”.
Esta parábola destaca a necessidade de uma vida de oração realizada com propósito correto, de maneira constante e com humildade no coração, reconhecendo a necessidade de ser alcançado pela graça de Deus. Em Tiago 5.16 a Bíblia diz que “a oração feita por um justo pode muito em seus efeitos”. Shedd e Bizerra destacam que a “oração serve para acalmar o espírito e para receber do Senhor sabedoria, de perceber mais claramente que o Senhor é bom e que sua misericórdia dura para sempre, mesmo quando passamos pela tempestade”. O publicano entendeu essa realidade, ao passo que o fariseu não julgava-se necessitado.

Texto extraído da obra: As Parábolas de Jesus: As verdades e princípios divinos para uma vida abundante. 1. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2018

COMENTÁRIO E SUBSÍDIO II

INTRODUÇÃO

Nos tempos de Jesus, fariseus e publicanos se colocavam em lados opostos, os primeiros defendiam a moral religiosa, os últimos coletavam impostos, e os entregavam aos romanos. Na aula de hoje estudaremos sobre sinceridade, tendo por base a parábola que Jesus contou a respeito das orações de um fariseu e de um publicano. Aprenderemos a importância de uma vida sincera, não pautada em mero formalismo religioso, mas na graça oferecida por Deus.

I. FARISEUS E PUBLICANOS
                                                                 
Os fariseus faziam parte de uma seita judaica bastante numerosa, que se destacava pelo rigor religioso, sobretudo no cumprimento das tradições (Mt. 15.1,2). A palavra fariseu significa “separado”, e assim eles se consideravam, como um povo eleito de Deus. A doutrina dos fariseus, em linhas gerais, não se diferenciava da ortodoxia judaica. O principal problema deles era o excesso de normas, que iam além daquelas estabelecidas pelo judaísmo clássico. Além disso, eles valorizavam demasiadamente as exterioridades, em detrimento de uma espiritualidade genuína. Por causa desse tipo de comportamento, foram duramente repreendidos por Jesus, que os chamou de sepulcros caiados (Mt. 23.27-32). Na verdade, grande parte dos discursos de Jesus, bem como das suas parábolas, foram direcionadas aos escribas e fariseus, que cultivavam uma religiosidade de aparência, destituída de autenticidade espiritual. Esses fariseus se opunham com veemência a outro grupo daquela época, os publicanos. Estes eram cobradoras de impostos, e eram considerados traidores porque cobravam dos judeus para entregarem aos romanos. Por esse motivo, geralmente eram postos na lista dos pecadores (Mt. 9.10,11), e eram associados às meretrizes (Mt. 21.31).  Os fariseus, ao se compararem com os publicanos, achavam que eram superiores àqueles. Eles se consideravam “cidadãos de bem”, enquanto que os publicanos seriam a escória da sociedade.

II. UMA PARÁBOLA SOBRE SINCERIDADE

A interpretação de Jesus, a respeito de quem era pecador, era diferente do aparato exegético dos fariseus. E para mostrar sua diferença, contou uma parábola a respeito de um fariseu e um publicano que oravam. De acordo com o relato de Lucas, o Mestre contou que dois homens subiram ao tempo para orar, um fariseu e um publicano (Lc. 18.9,10). A oração do fariseu estava fundamentada na justiça própria, pensando que seria aceito por Deus por causa das suas práticas religiosas (Lc. 18.12). O publicano, por sua vez, sabia que nada merecia aos olhos de Deus, por isso tão somente dizia: “Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador!” (Lc. 18.13). Na avaliação de Jesus, o publicano seguiu justificado para sua casa, e acrescentou: “qualquer que a si mesmo se humilha será exaltado” (Lc. 18.14). A mensagem dessa parábola é bastante apropriada, sobretudo nos dias atuais, que as pessoas se consideram “de bem”, em detrimento das outras que consideram “do mal”. De acordo com os ensinamentos de Jesus, o ser humano é mal, nada há nele que possa ser digno de justificação (Mt. 7.11). Não podemos esquecer que todos pecaram e foram destituídos da glória de Deus, que o salário do pecado é a morte, o dom gratuito de Deus é a vida eterna, em Cristo Jesus (Rm. 3.23; 6.23).

III. UMA ORAÇÃO SINCERA

A oração que é aceita diante de Deus é aquela feita de acordo com a revelação da Sua Palavra. Os discípulos pediram a Jesus para que ensinasse a eles a orar, demonstrando a necessidade de orar apropriadamente. As orações podem não ser fundamentadas na revelação de Deus, mas podem revelar as intenções do nosso coração, e mais que isso, podem refletir nosso caráter. A oração de muitas evangélicos, como aquela do fariseu da parábola, revelam apenas a percepção meritória de justiça. Há pessoas nas igrejas que acham que são merecedoras da salvação. Elas se acham melhores dos que os outros, em uma escala de graus sociais, se colocam acima dos demais. Mas o evangelho de Jesus nivela a todos debaixo da condenação do pecado. Paulo escreveu a Epístola aos Romanos para denunciar essa crença, a de que a religiosidade é suficiente para a justificação. A justificação acontece simplesmente por meio da fé em Cristo Jesus, ninguém é justificado por meio das obras da lei (Rm. 3.20; Ef. 2.8,9). Deus não nos aceita por intermédio dos nossos critérios religiosos, mas através do sacrifício vicário de Jesus na cruz do calvário. O sangue dEle derramado, como bem expressa o autor da Epístola aos Hebreus, é o fundamento da nossa salvação (Hb. 9.14). Essa é uma doutrina que percorre cada página do Novo Testamento, a fim de ressaltar que somente o sangue de Jesus nos purifica do pecado (I Jo. 1.7).

CONCLUSÃO

Evidentemente, para ser agraciado com o perdão divino, faz-se necessário demonstrar arrependimento, e se humilhar perante Deus (Lc. 14.11). Aqueles que cometem pecados morais costumam fazê-lo com maior rapidez, por isso publicanos e prostitutas precederão os religiosos no reino de Deus (Mt. 21.31). A razão é bastante simples, os religiosos legalistas tendem a se considerar retos aos olhos de Deus, por isso não percebem sua condição de pecado (Lc. 5.32).

José Roberto A. Barbosa
Disponível no Blog subsidioebd.blogspot.com


COMENTÁRIO E SUBSÍDIO III

INTRODUÇÃO

Talvez a parábola do fariseu e do publicano seja uma das mais conhecidas. Ela mostra que a dependência humilde diante de Deus, em vez de justiça própria, é a base para a resposta de oração. Muitas pessoas acreditam que Deus deve responder suas orações com base naquilo que elas fazem para Ele. Contudo, na contramão da meritocracia religiosa, e dentro da gloriosa graça de Deus, que faz cair chuva sobre justos e injustos (Mt 5.45), a lição de hoje nos ensina que o que Deus quer é que nossas orações sejam permeadas de sinceridade e arrependimento. Quando oramos a Deus, devemos confiar em quem Ele é, e não em quem nós somos. Jesus ensina que são felizes os humildes de espírito (Mt 5.3), aqueles que reconhecem a sua real condição diante de Deus. Por isso, hoje vamos falar sobre a sinceridade e o arrependimento para com o Senhor.
A Parábola do Fariseu e do Publicano aparece apenas em Lucas (18.9-14), um fariseu, obcecado por sua própria virtude, é contrastado com um publicano (Coletor de Impostos) que, humildemente, pede a Deus misericórdia. Os fariseus eram judeus zelosos, com muitas regras, se dedicavam a obedecer a toda a Lei de Deus e a interpretar corretamente as Escrituras. Eles também seguiam muitas tradições orais. Os fariseus acreditavam que para agradar a Deus cada pessoa tinha de obedecer fielmente a todas as regras das Escrituras e da tradição. Os publicanos eram funcionários públicos a serviço do Império Romano, eram detestados pelos judeus e muitas vezes envolviam-se em corrupção cobrando das pessoas além do que deveriam. E sofriam um grande repúdio da casta religiosa dos fariseus. Esta parábola sobre dois pecadores foi contada pelo Senhor Jesus com o objetivo de atingir alguns homens que confiavam em si mesmos, se consideravam justos e desprezavam os outros. Jesus contou que os dois subiram ao templo com um único objetivo: orar. O publicano reconheceu que era pecador e confessou diante de Deus. Enquanto o fariseu preferiu se gabar de sua própria justiça e omitiu seus pecados. Essa parábola de Jesus fala de um homem que pensava ser bom, mas que foi rejeitado por Deus e de outro que reconheceu ser mau e foi alcançado pela misericórdia de Deus. Dito isto, vamos pensar maduramente a fé cristã?

I. INTERPRETAÇÃO DA PARÁBOLA DO FARISEU E DO PUBLICANO
                                                                 
Estamos diante de uma parábola narrativa indireta simples, ou seja, uma comparação entre dois personagens opostos - o fariseu e o publicano -, colocando-os lado a lado. Depois de haver ensinado a respeito da necessidade e do poder da oração por meio da parábola do "juiz iníquo", Jesus conta essa parábola com o objetivo de ensinar a atitude correta na hora da oração. Agora somos ensinados que, além de perseverarmos na oração, é preciso uma atitude correta.
1. O fariseu. Pertencente a uma das principais seitas dos judeus, muito mais numerosa do que a dos saduceus, e de mais influência entre o povo, os fariseus insistiam no cumprimento rigoroso da Lei e das tradições dos anciãos (Mt 15.1,2). Fariseu significa "separado". Esta classe de pessoas assim era identificada porque não somente se separava dos outros povos, mas também dos outros judeus. Eles observavam as práticas de forma minuciosa, contudo, esqueciam do espírito da Lei, como se nota na forma como se lavavam antes de fazer as refeições, no lavar dos copos, jarros, os vasos de metal e as roupas de cama (Mc 7.3,4), em pagar cuidadosamente o dízimo (Mt 23.23), na observância do sábado, etc.
Antes de qualquer coisa, é preciso alertar que os Fariseus não foram rejeitados por Jesus por seus esforços em observar a Lei escrita/oral. O motivo da rejeição, de fato, foi a hipocrisia daqueles que agiam religiosamente só para manter as aparências. Muitos deles caíram no legalismo: obedecer a todas as regras se tornou mais importante que um coração sincero e arrependido. Seu desprezo e sua falta de compaixão por todos que não conseguiam seguir seu alto padrão de vida também foi combatido por Jesus. Os Fariseus eram membros de uma seita judaica caracterizada por aspectos político-religioso e provavelmente surgiram durante o cativeiro de Judá em Babilônia ou durante o período interlinear, naqueles quase quatro séculos antes de Cristo. Segundo o Dicionário Bíblico de Wycliffe, é incerta a origem tanto da palavra quanto do grupo religioso judeu que recebem este nome, mas provavelmente, como sugere a palavra hebraica “parash”, fariseu queira dizer “separado” e faça alusão ao partido religioso que ao menos em tese pretendia demonstrar uma vida moral elevada e distinta dos impuros.

2. O publicano. Os publicanos, geralmente judeus, eram cobradores de impostos que trabalhavam para os romanos. Os judeus consideravam os publicanos traidores e apóstatas, porque cobravam os impostos para a nação que os oprimia. Eles eram julgados como pessoas de vil caráter, porque alguns também acabavam extorquindo grandes quantias de dinheiro do seu próprio povo (Lc 3.12,13; 19.8). Os publicanos sempre eram classificados entre os pecadores (Mt 9.10,11), os pagãos e as meretrizes (Mt 21.31). 0 povo murmurava pelo fato de Jesus comer com eles (Mt 9.11; 11.19; Lc 5.29; 15.1,2). Chama a atenção o fato de Jesus ter escolhido um publicano, Mateus, para segui-lo, tornando-se apóstolo (Mt 9.9).
Essa classe era odiada pelos judeus não apenas a corrupção com a qual agiam, mas eram considerados traidores por servirem ao império.
Quando falamos em publicanos, precisamos diferenciar duas classes semelhantes, mas com diferenças bem importantes. A primeira classe de publicanos era formada de homens muito ricos, normalmente romanos, que venciam o leilão para adquirir o direito de cobrar os impostos em determinada região. Zaqueu provavelmente foi esse tipo de publicano, da região de Jericó, pois ele é chamado de “chefe dos publicanos” (Lc.19.2), apesar de ser um judeu. Já a segunda classe de publicanos era de trabalhadores contratados pelos primeiros, normalmente judeus e não tão ricos quanto aqueles. Eram esses que faziam as cobranças de fato das taxas e dos impostos. Sentavam em suas coletorias e eram acompanhados de soldados romanos. Essa segunda classe de publicanos era ainda mais odiada do que a primeira, pois era formada de judeus aliados a romanos, e por isso eram considerados tanto ladrões quanto traidores do seu povo. Eram chamados de “pecadores” (Mt.9.10-11).” (ALMANAQUE DA BÍBLIA)
Os publicanos tinham uma reputação muito ruim. O publicano era conhecido como ladrão, avarento, sem coração. Os fariseus e outros religiosos se recusavam a conviver com publicanos, para não serem contaminados.

3. A oração. Os judeus da cidade de Jerusalém tinham o costume de fazer orações nas horas costumeiras (9 da manhã e 15 da tarde). Entretanto, mesmo fora dos horários regulares havia pessoas orando no Templo (Lc 2.37; At 22.17). Um fariseu e um publicano subiram ao Templo com o fim de orar à mesma hora. Como já foi dito, nos aspectos religioso e moral reinava no judaísmo daquela época uma grande distância entre essas duas classes do povo. O fariseu, como vimos, era tido como um homem que cumpria a Lei com rigor exemplar. O outro, publicano, era considerado uma pessoa que vivia em grandes pecados e vícios, sendo mesmo equiparado aos gentios. Essas duas figuras estão orando juntas à mesma hora no Templo. É o que informa a parábola.
Os judeus separavam o dia em duas partes: a primeira parte correspondia ao dia claro, e era contado desde o nascer do sol (por volta das 6 da manhã, a hora primeira), até o pôr-do-sol (por volta das 18 horas, a hora décima), portanto, tinha 12 horas. Já a noite, era contada das 18 horas até as 6 da manhã do dia seguinte, separadas em 3 vigílias de 4 horas cada uma, sendo.
Historicamente falando, os judeus desenvolveram a oração de hora fixa enquanto estavam no cativeiro babilônico, quando eles não tinham acesso ao Templo. Isso é exatamente o que Daniel estava fazendo. Por não terem mais o templo, os sacrifícios ou o seu antigo ritmo de vida, no esforço de manter alguma sanidade em meio às grandes mudanças na Babilônia, o povo de Deus desenvolveu a prática de manter essas horas de oração. Os Apóstolos também observavam este costume judeu de orar na terceira, sexta e nona horas, e também à meia-noite. Se você olhar através do livro de Atos você descobrirá várias referências a isso, embora você possa não ter percebido isso pelo que era”. (A Oração de Hora Fixa. Disponível em: https://lecionario.com/ora%C3%A7%C3%A3o-de-hora-fixa-aff5979ecc86. Acesso em: 5 Nov, 2018)
Note que Jesus foi chamado de “amigo de publicanos e pecadores” com o objetivo de denegrir sua imagem e reputação. Isso denota qual era o conceito dessa classe naquela época. Acontece que esse título grudou em Jesus, e em vez de denunciá-lo, apenas serviu para mostrar seu interesse e misericórdia para com os que pecam.

SUBSÍDIO HISTÓRICO-CULTURAL
                               
“Dois homens subiram ao templo, a orar; um, fariseu, e o outro, publicano (10). Eles não entraram no santuário, mas em um dos átrios do templo onde eram oferecidas as orações. Este era o pátio das mulheres. Ao escolher um fariseu e um publicano para esta ilustração, Jesus escolheu dois extremos. Os fariseus eram a mais rígida, mais conservadora e mais legalista de todas as facções dos judeus. Os publicanos eram oficiais judeus do governo romano, cujo trabalho era recolher taxas para Roma. Eles eram odiados pelos judeus tanto pelas taxas recolhidas para os dominadores estrangeiros, como por serem geralmente desonestos” (CHILDERS, Charles L. Comentário Bíblico Beacon. Vol.6. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2006, pp.467,468).

II. A HIPOCRISIA DO FARISEU

1. A postura do fariseu no momento da oração. Inicialmente a parábola contada por Jesus se detém no fariseu, com o objetivo de dizer como este formulava a sua oração. De acordo com uma das interpretações, o fariseu postou-se em local isolado e ali orou (Lc 18.11). O texto enfatiza a posição distinta, separada, do fariseu. Ele postou-se de maneira que chamava a atenção e atraía sobre si todos os olhares dos presentes (Mt 6.5). Ele ora como todos os devotos judeus: de pé, com os braços erguidos e a cabeça levantada. Ele agradece a Deus. Esta é a forma clássica da oração bíblica judaica: o louvor e o agradecimento a Deus. O fariseu, antes de tudo, agradece a Deus por estar isento dos vícios dos outros homens, e em seguida porque é rico em obras meritórias.
Conseguimos extrair desta parábola o perigo da arrogância espiritual a que estão sujeitos os cristãos. De todas as formas de arrogância, com certeza, essa é a pior de todas por envolver a pessoa divina nesta questão. Como já explicado, o nome fariseu significa “separado”. Em Mateus 3.7 Jesus denuncia sua hipocrisia e orgulho pela maneira corno desprezavam a essência da lei e se apegavam a minúcias e práticas externas, esquecendo-se do mais importante. O ápice da parábola é aquilo que é dito no versículo 9: a arrogância espiritual – “...uns que confiavam em si mesmos, crendo que eram justos, e desprezavam os outros”. O fato do fariseu se considerar melhor do que o publicano caracteriza a arrogância espiritual. Talvez possamos enxergar isso hoje em nosso meio, alguns que se acham em um nível superior de espiritualidade e desprezam os demais; Supondo-se especial, despreza o trabalho em equipe, isola-se e, normalmente são insubmissos a seus líderes. Nada é mais abominável aos olhos de Deus do que o orgulho.
O fariseu mostrou o quanto estava distante de Deus quando exaltou suas próprias obras como sendo, na visão dele, o motivo de Deus o “aceitar” em Sua presença. Porém, ele apenas mostrou o quanto adorava a si mesmo e não a Deus. Observe esse trecho de sua fala: “O fariseu, posto em pé, orava de si para si mesmo, desta forma: Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros, nem ainda como este publicano; jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo quanto ganho.” (Lucas 18.11). Quando Jesus diz que o fariseu orava “de si para si mesmo” mostra que Deus não o ouvia, pois o seu orgulho matara sua comunhão com Deus.” (Presbítero André Sanchez, em Explicando as parábolas de Jesus. Disponível em:https://www.esbocandoideias.com/2013/03/explicando-as-parabolas-de-jesus-o-fariseu-e-o-publicano.html. Acesso em: 5 Nov, 2018)

2. Uma "oração comum". Tudo indica que o tipo de oração que encontramos no texto, apesar de transparecer arrogante, não era completamente desconhecido, pois há relatos na literatura rabínica do judaísmo de que tal comportamento era comum. Alguns autores mostram exemplos de orações cujo teor é similar à do fariseu da parábola. Isso, porém, não justifica a atitude e nem a torna aceitável.
Em Mateus 23 encontramos Jesus descrevendo as características dos escribas e dos fariseus de sua época, e no versículo 5 ele diz que os fariseus usavam largos filactérios, e que alargavam as franjas das suas vestes. Filactérios eram duas caixinhas de couro presas a uma tira de couro, utilizadas na testa e na mão direita, e dentro delas estavam os 4 trechos da Torá em que se baseia o seu uso (Êx 13.1-10, Êx 13.11-16, Dt 6.4-9; 11.13-21). Usavam o Talit e Tsitsi, cujas pontas continham franjas (Nm 15.38; Dt 22.12). Ocorre que naquela época, os fariseus usavam os filactérios e as franjas em suas vestes, a fim de serem vistos pelos homens nas ruas, para talvez, demonstrarem o quão santos e religiosos eles eram.
Assim, como nos dias de hoje, os fariseus agiam de forma egocêntrica, e não cristocêntrica. Também se comportavam de forma altiva em vez da humildade. Aquele fariseu passou a listar tudo o que (aos seus olhos) parecia ser a mais nobre forma de servir a Deus, ovacionando-se em benefício de justiça própria. Este glorificava-se a si mesmo. Nada, nenhum necessidade espiritual, nada mesmo o havia feito ficar de joelhos, mas orgulhava-se de sua posição e vida religiosa. Era um relatório que parecia levar ao engano de uma vida de “santidade”. Este “homem de oração” parecia não ter pontos fracos em sua vida com Deus, mas apenas destaques de fé e firmeza que o pudessem encaixar num mundo evangélico. Mas, aquela oração de autoglorificação e exigência de nada valia perante os olhos de Deus.” (O orgulho religioso: O fariseu e o publicano. Disponível em: https://artigos.gospelprime.com.br/o-orgulho-religioso-o-fariseu-e-o-publicano/. Acesso em: 5 Nov, 2018)

3. A oração arrogante. O fariseu diz a respeito de si mesmo o que era rigorosamente verdadeiro, mas o que o motivava a orar era completamente errado. Não existe nenhuma consciência do pecado, nem da necessidade, nem da humilde dependência de Deus. O fariseu quase que comete a loucura de "parabenizar" a Deus por ter um servo tão excelente como ele! Depois de suas primeiras palavras, não se lembra mais de Deus, mas apenas de si mesmo. 0 centro de sua oração é o que ele faz. A oração do fariseu inicialmente mostra quem ele é. Em seguida, ele passa a destacar as obras excedentes, ou seja, "a mais" que ele realiza. Excedia o jejum prescrito na Lei, o "Dia da Expiação", acrescentando à prática anual (Lv 16.29,31; 23.27), mais dois jejuns semanais. Excedia o dízimo normatizado pela Lei (Lv 27.30,32; Nm 18.21,24), chegando a separar o dízimo dos "temperos" ou condimentos (Mt 23.23). Ele realmente "agradece" por ser quem é, mas, não contente com isso, "agradece" também pelo que supostamente faz para Deus.
O que caracteriza a oração arrogante do fariseu? Ele orou para si mesmo. Na verdade deixou de ser uma oração e passou a ser um discurso para Deus, descrevendo todos os seus méritos, fazendo-O saber todas as coisas boas que tinha feito. Gabou-se de sua moralidade, de sua honestidade e de sua vida religiosa. Este orante não era imoral, mas era orgulhoso - “Eu não sou como os demais…” (v 11). Temos textos neo-testamentários afirmando que os fariseus gostavam de ficar em pé nas praças e orar em voz alta, a fim de serem ouvidos pelos homens. O fariseu, do ponto de vista da religiosidade, era irrepreensível; cumpria as normas e preceitos nos mínimos detalhes e que jejuava frequentemente, sendo zeloso ao extremo. Aos olhos humanos, um fariseu era puro e corretíssimo - separado. Porém, o coração deles não condizia com as suas palavras. Considerando-se os guardiões da pureza doutrinária, acabaram por se constituírem em uma aberração religiosa aos olhos de Deus. Esse perigo é real, ainda hoje. É possível amar prédios, estatutos, placas e costumes, e deixar de amar pessoas. Como tem sido o conteúdo das nossas orações?

SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO

“O tríplice uso da expressão ‘hipócritas’ [hypokritēs] ([utilizada por Jesus em Mateus 6] vv.2,5,16), termo grego originalmente utilizado no teatro para os atores que representavam, denota a seriedade com que são encarados os que fazem o bem com motivações escusas. É impossível não lembrar-se de Mateus 25.31-46, quando as ovelhas forem separadas dos bodes, justamente por causa das boas obras executadas. Obras que, vale ressaltar, eram praticadas sem nenhum outro interesse por parte de quem praticava a não ser o bem da pessoa necessitada. Aliás, os benfeitores estavam fazendo ao próprio Filho de Deus, mas eles sequer sabiam disso! Nada fora feito para representar, pois eles sequer sabiam que estavam sendo observados e suas obras anotadas e contabilizadas. É assim que, conforme observa Dumais, uma ‘ação praticada diante do Pai ‘em segredo’ (vv. 4.6.18) não significa uma ‘ação secreta’; designa toda ação, até pública, que se faz de verdade diante do Pai, ‘que vê o que está oculto’, isto é, que penetra a intenção profunda dos corações’. O feito de qualquer um, isto é, qualquer obra, jamais será ‘oculta’ diante dos olhos de quem tudo vê e conhece. Inclusive as ações, não precisam ser necessariamente ocultas, escondidas, pois se não houver outra forma ou local, elas podem ser realizadas publicamente” (CARVALHO, César Moisés. O Sermão do Monte. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2017, pp.102-03).

III. A SINCERIDADE DO PUBLICANO

1. A oração do publicano. O cobrador de impostos parece não estar à vontade no local de culto. Ele não está apto nem mesmo para assumir o comportamento normal de quem ora. Bate no peito como aquele que está numa situação de desespero, suplica com a fórmula do pecador que não sabe fazer o elenco de seus pecados (Sl 51.3). É a oração do pobre que confia totalmente em Deus. Com profunda dor ele exclama: "Deus, tem misericórdia de mim, pecador!" Nessa breve, porém, sincera e humilde oração, a ênfase recai sobre a palavra "pecador".
A oração do publicano descreve uma pessoa convicta de seu grande pecado, demonstra que ele está arrependido no fato que nem mesmo ergue os olhos ao céu, tamanho o seu senso de indignidade. O bater no peito era sinal de profunda dor e tristeza. Ele também se coloca numa classe à parte, mas diametralmente diferente da do fariseu. Não tem nada a oferecer a Deus, somente clama por misericórdia – isso é arrependimento - dar-se conta de quem realmente é. Metanoia é a palavra grega para arrependimento; ela carrega a ideia de virar a mente do avesso, profundo pesar e um desejo radical de mudar. Ele veio à presença de Deus humildemente. "Ficou de longe". Evitou a familiaridade com o grande e santo Deus. Estava diante dEle em reverência. Viera para orar, não pregar a Deus.

2. Sinceridade e arrependimento. Além de golpear o próprio peito, o publicano nem conseguia levantar os olhos. O termo grego utilizado é uma expressão forte e definida para uma contrição dolorosa e arrependida, tal como aparece em Lucas 23.48. O publicano sequer consegue formular muitas palavras. Nem mesmo fazendo promessas ele conseguiria obter quaisquer direitos. Ele tem consciência de sua condição, por isso, prostra-se em sinal de sinceridade e arrependimento. A sua condição o permite apenas render-se inteiramente às mãos de Deus. É possível notar, pelas palavras do fariseu, que todos os seres humanos eram pecadores e "apenas" ele era justo. De forma contrária, na confissão do publicano, porém, todos eram justos, "somente" ele era o pecador. Nisto também vemos a comparação entre ambos. Na verdade, estamos diante de uma oração que saía das profundezas de um coração completamente dilacerado pela dor.
O texto descrito na parábola aplica mais palavras à oração feita pelo fariseu, ela foi longa em comparação com a oração feita pelo publicano, mas ele por nada agradece, nada confessa, não adora e, principalmente, não há nenhuma consciência de pecado e dependência de Deus. Não podemos esquecer que é o muito falar que fará nossas orações serem ouvidas, ou fará que seja mais eficaz ou piedosa. Jesus orou noites inteiras (Lc 6.12), mas também fez orações curtíssimas e igualmente poderosíssimas, como antes de ressuscitar seu amigo Lázaro (Jo 11.41 e 42). De fato precisamos orar mais e continuamente, sem cessar, mas sempre lembrando que a motivação deve ser um coração puro, uma disposição mental que agrada a Deus.

3. A oração aceita. As pessoas que ouvem atentamente a narração de Jesus talvez tivessem esboçado sinais de aprovação inclinando-se para a atitude do fariseu. Porém, num dado momento, o Mestre desconcerta a todos os ouvintes com uma conclusão inesperada. O publicano, que era odiado por todos, isto é, o pecador, recebe o dom de Deus, a justiça, ou seja, o perdão e a misericórdia divina. Já o fariseu, que ostentava a justiça perante Deus como conquista pessoal, não obteve o mesmo favor. O publicano recebeu o favor divino como dom misericordioso de Deus. Esta é a verdadeira justiça, posto ser proveniente de Deus (Rm 1.17). Assim, a oração aceita é a do publicano. Ela vem permeada de sinceridade e arrependimento diante de Deus. Por isso, ele voltou para casa "justificado", ou seja, perdoado e "inocentado" dos seus pecados. O princípio por trás de toda a parábola está muito claro: aquele que se exalta, será humilhado. Ninguém possui algo de que possa se orgulhar diante de Deus. Quem se humilha, será exaltado (Lc 14.11). O pecador arrependido que humildemente busca a misericórdia de Deus, certamente, a encontrará.
Algumas orações são apenas palavrórios (Mt 6.7), e outras, são desprezíveis como a oração de Tiago e João pedindo grandeza e superioridade sobre os demais (Mc 10.37). O pastor anglicano itinerante George Whitefield, declarou o seguinte sobre o publicano desta parábola: “Pobre alma! Como devia estar se sentindo?… Não duvido que ele tenha clamado: ‘Deus tenha misericórdia de mim desde o nascimento, um pecador em pensamentos, atitudes, palavras…’ mas de coração quebrantado, voltou para a sua casa justificado aos olhos de Deus mais do que qualquer outra alma que não tenha feito o mesmo”. Ninguém poderá se apresentar diante do Senhor e se orgulhar de algum mérito, não temos nada que seja perfeito diante dEle. Na verdade, não sabemos orar, é o Espírito Santo que aperfeiçoa nossas orações para que elas cheguem diante de Deus. Encontramos em Mateus 6.9-13 o modelo da oração agradável a Deus; ela contém os seguintes ‘ingredientes’: Reconhecimento da soberania de Deus, humildade, honestidade e agradecimento.

SUBSÍDIO DEVOCIONAL

“A oração que o pecador faz com humildade e arrependimento leva à conversão genuína, que, por sua vez, se evidencia pela conversão comprovada, pela reparação dos erros cometidos e a volta às atividades que honram a obra de Deus e o glorificam. Os atos falam mais alto que as palavras. São os atos da pessoa que atestam a sinceridade da sua conversão. Se você está em falta diante de Deus, quanto maior for seu erro, tanto maior deve ser a humildade e o arrependimento demonstrados em sua oração. Você estará orando a um Deus vivo que conhece tudo que é rico em misericórdias” (SOUZA, Estevam Ângelo de. Guia Básico de Oração. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2002, pp.124,125-26).

CONCLUSÃO

Na parábola que aprendemos na Lição de hoje, o fariseu representa aquele tipo de pessoa que ora bastante, mas não tem uma atitude sincera. O publicano, apesar da classe a que pertence, no momento da oração representa aquele tipo de pessoa que, com sinceridade e arrependimento, se prostra diante do Pai e, por isso, encontra favor. Será que o nosso coração, naturalmente, não é sempre semelhante ao do fariseu? Vê severamente os pecados de outras pessoas, mas esquece dos próprios. O fariseu deixou o Templo da mesma maneira que entrou nele. Devemos orar como publicanos, pois todos somos pecadores. Devemos orar com sinceridade e arrependimento diante de Deus. Quem se humilhando, curva-se até ao pó, será amorosamente conduzido ao coração do Pai (Sl 51.17).
O Mestre por excelência não está preocupado em agradar os seus ouvintes, antes, ele deseja que aprendam, e utiliza um método que seria reprovado hoje, o choque. Ele conclui a parábola de forma chocante para seus ouvintes. Sua posição foi paradoxal e surpreendente, e certamente inaceitável para alguns. Por permanecer cego diante das suas falhas e da sua pecaminosidade, o fariseu nada alcançou. Já o desprezado publicano, orou com poucas palavras, mas cheia de confissões. Quando finalizou a parábola, Jesus não poderia ter sido mais chocante: “Porque todo o que se exalta será humilhado; mas o que se humilha será exaltado” (Lc 18.14). A lição da parábola está destacada no verso 14: “Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele; porque qualquer que a si mesmo se exalta será humilhado, e qualquer que a si mesmo se humilha será exaltado”.

Achando-se as tuas palavras, logo as comi, e a tua palavra foi para mim o gozo e alegria do meu coração; porque pelo teu nome sou chamado, ó Senhor Deus dos Exércitos”. (Jeremias 15.16).

Francisco Barbosa
Disponível no blog: auxilioebd.blogspot.com.br

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

LIÇÃO 5: AMANDO E RESGATANDO A PESSOA DESGARRADA



SUBSÍDIO I

Amando e resgatando a pessoa desgarrada

A quantidade de pessoas que estão nos tráficos de drogas, nos roubos ou em ato de corrupção, e que um dia teve acesso à igreja local, é grande. A verdade é que muitas delas que um dia frequentaram nossos cultos, ouviram nossas pregações e participaram de nossas ceias, hoje, não estão mais entre nós. A causa disso pode ser variada, mas o Evangelho nos mostra que é o nosso dever buscar quem se desgarrou do aprisco. Por isso a lição desta semana (1) tratará da interpretação de duas parábolas, a da ovelha e a da dracma perdida; (2) mostrará que precisamos buscar quem se desgarrou; (3) conscientizará o fator teológico do que acontece no céu quando um pecador se arrepende: há alegria, festa.

Deixemos de justificativas para não buscar quem se desgarrou

É muito fácil justificar a decisão das pessoas que deixaram a igreja local. Os religiosos da época de Jesus faziam a mesma coisa. Neste contexto, o nosso Senhor contou as duas parábolas. O público que lhe ouvia estava acostumado rotular pessoas, ou a receber esse rótulo, que não seguiam oficialmente a religião judaica: pecadoras.
Hoje, em pleno século XXI, corremos também o risco de rotular os que saíram do nosso meio, apaziguando nossas consciências com afirmações tais: não eram do nosso meio; eram rebeldes; só davam dor de cabeça.

Cuidemos para não sermos insensíveis

Antes de nos insensibilizar, devemos lembrar alguns princípios que norteiam a fé evangélica: Deus quer que todos se salvem; foi ordem de Jesus que buscássemos quem se desgarrou; Deus está interessado no arrependimento do pecador.
Independente do pecado que alguém cometeu, se houver arrependimento, há remissão de todo o pecado. Aqui, o papel do pastor local e da comunidade de santos é fundamental. Embora o pastor não perdoe os pecados, nem a igreja também, todavia, o ministério pastoral, bem como o Corpo de Cristo, pode atuar como um instrumento poderoso de reconciliação do pecador.
Outrossim, não podemos esquecer que também é possível que a liderança da igreja, ou pessoas, precise confessar seus pecados contra o próximo e pedir o perdão. O afastamento de uma pessoa pode esconder um equívoco oficial da comunidade de crentes. Nesse sentido é preciso ter a humildade para reconhecer erros, pedir perdão e restabelecer a comunhão. Isso é desejo do Pai que seja assim.
Não esqueçamos: o nosso ministério é o da reconciliação!

Texto extraído da revista “Ensinador Cristão”, nº 76, p.36, editada pela CPAD.

COMENTÁRIO E SUBSÍDIO II

INTRODUÇÃO

O capítulo 15 do Evangelho segundo Lucas é uma resposta aos religiosos moralistas dos tempos de Jesus. A palavra “perdido” é bastante significativa nesse contexto, considerando que a mensagem do Mestre nessas parábolas é a de ressaltar o amor de Deus, e Seu interesse por aqueles que se desgarraram. Na aula de hoje estudaremos a respeito das três parábolas do amor de Deus pelos perdidos: a ovelha perdida, a dracma perdida e o filho perdido.

I. A PARÁBOLA DA OVELHA PERDIDA
                                                                 
Essa parábola responde aos escribas e fariseus, que consideravam apenas os publicanos e pecadores como perdidos. Em sua narrativa, Jesus conta a respeito de um pastor que tinha cem ovelhas, e que uma delas se desgarrou do rebanho (Lc. 15.3-7). O fato de o pastor da parábola ir após a ovelha perdida é uma demonstração do amor de Deus pelas pessoas individualmente. Vivemos em uma sociedade que somente conhece as pessoas pelo quantitativo, não se importa pelas vidas daquelas que se encontra em condições mais vulneráveis. Os religiosos moralistas somente veem pecados nos outros, são incapazes de perceberam sua decadência espiritual. Há quem considere de maior importância os pecados sexuais, pessoas são disciplinadas rapidamente por causa das suas transgressões nessa área, mas o mesmo não acontece com indivíduos que se entregam dissolutamente às práticas pecaminosas espirituais. A corrupção na esfera política, a ostentação em detrimento dos mais pobres, o orgulho da religião desumana são pecados tão graves quanto os sexuais. Aqueles que professam a fé cristã devem cuidar para não se tornarem meros fariseus, como aqueles dos tempos de Jesus, que buscavam converter as pessoas, para torna-las piores do que eles mesmos (Mt. 23). Quando isso acontece, a religião se torna um fardo terrível que as próprias pessoas que o impõe sobre os outros não é capaz de carregar. Por isso Jesus destacou que seu fardo era leve e seu jugo suave, diferentemente daqueles dos religiosos do seu tempo (Mt. 11.28).   “Entre

II. A PARÁBOLA DA DRACMA PERDIDA

A pobre ovelha, da parábola que destacamos anteriormente, se perdeu por sua falta de direção, mas a dracma foi perdida pelo descuido de alguém. Na cultura antiga, quando uma moça judia se casava, começava a usar na cabeça um diadema com dez moedas de prata, isso servia para indicar que a partir de então ela não era mais uma menina, havia se tornado uma mulher casada. Quando se perdia uma dessas moedas, a condição era de desespero, pois se constituía em uma tragédia, a situação tornava-se ainda mais problemática porque as casas na palestina eram bastante escuras, dificultando, assim, que a moeda fosse encontrada. Essa é outra parábola apresentada a fim de mostrar o amor de Deus pelos pecadores, algo que escandalizou os fariseus legalistas daquele tempo. A concepção de Deus daqueles religiosos era equivocada, há pessoas que constroem uma imagem de um deus iracundo, diferente daquele retratado nos Evangelhos, em conformidade com os ensinamentos de Jesus. Existem arquétipos da divindade, inclusive no meio dos cristãos, que não passam de projeções subjetivas. Existem pessoas que passaram a fazer parte das igrejas, mas que não foram transformadas pelo evangelho. Existem pessoas que se aproximam de igrejas, sobretudo daquelas mais legalistas, apenas para dar vazão aos seus ressentimentos. Esses ambientes se tornam doentios, o nome de Deus é usado a fim de ferir, não para propagar amor, graça e misericórdia.

III. A PARÁBOLA DO FILHO PRÓDIGO

Há outra parábola contada por Jesus que revela a grandeza do amor de Deus, e ao mesmo tempo, o perigo do legalismo religioso. Um filho perdido, ou mais comumente conhecido como pródigo, que significa esbanjador, partiu para uma terra distante. Essa parábola poderia muito bem ser denominada de Parábola do Pai Amoroso, pois põe em evidência o amor de Deus por aqueles que são desprezados pelo moralismo religioso. O filho mais jovem recebeu a herança do seu pai ainda quando esse estava vivo, em busca de uma vida dissoluta, totalmente entregue ao pecado. Mas o salário do pecado é a morte (Rm. 6.23), e conduz o ser humano a uma vida de escravidão (Jo. 8.34). Depois de perder tudo que tinha, e se encontrar em condição deplorável, o filho esbanjador resolve retornar para casa do Pai, tendo a pretensão de ser aceito tão somente como um empregado (Lc. 15.17-19). Ele admitiu que era um pecador, necessitado da graça e do perdão do pai a quem havia abandonado. O arrependimento é condição necessária ao recebimento do perdão divino (At. 11.18). Muitas vezes, nos voltamos apenas para a primeira parte da parábola, e silenciamos em relação à segunda parte, que trata a respeito do filho que ficou. Através deste Jesus quis desvelar a insensibilidade dos religiosos do seu tempo. Os escribas e fariseus diziam fazer a vontade de Deus, mas na verdade serviam apenas a eles mesmos. Eles não reconheciam a graça amorosa de Deus, pautavam-se apenas em regras humanas, estabelecidas por eles mesmos.

CONCLUSÃO

É bastante expressivo, nessas parábolas dos perdidos, a alegria nos céus por aqueles que se arrependem, e se voltam para Deus em arrependimento. Lucas aponta que “há alegria diante dos anjos de Deus por um pecador que se arrepende” (Lc. 15.10). Devemos atentar para essa verdade, sem deixar de atentar para a graça maravilhosa de Deus, atrai para Si todos aqueles que reconhecem sua condição de dependência dEle. Apenas aqueles que se aferram à mera religiosidade, deixam de desfrutar desse amor incondicional, cujo fundamento é o próprio Deus.

José Roberto A. Barbosa
Disponível no Blog subsidioebd.blogspot.com

COMENTÁRIO E SUBSÍDIO III

INTRODUÇÃO

O que levou Jesus a apresentar a parábola da ovelha perdida (Lc 15.3- 7), a parábola da dracma perdida (Lc 15.8-10) e a parábola do filho pródigo (Lc 15.11-32), antes de dirigir-se novamente aos discípulos no próximo capítulo (16.1-13), foi a insensata murmuração dos fariseus e dos escribas, exposta nos dois primeiros versículos de Lucas 15, mostrando o quanto eles eram ignorantes do verdadeiro propósito da missão e ministério de Cristo (Lc 5.32). Portanto, essas parábolas tratam do mesmo assunto: buscar quem se perdeu e a espera de Deus em receber o pecador de volta!
Esta parábola ensina o quanto Deus nos ama, mesmo quando estamos caminhando longe do redil. Nos mostra que em momento algum o pecador se volta para Deus, mas +e Deus que sai em nossa busca e fica feliz quando nos encontra, carregando-nos em seus ombros – note que não é a ovelha que volta, é o Pastor que vai buscá-la. Jesus contou a parábola da ovelha perdida para mostrar quanto Deus ama os pecadores e como Ele aceita quem se arrepende. Cada pessoa é importante para Deus. Assim também, como a mulher procurou sua dracma perdida, Deus nos busca e nos salva. Quem é salvo por Deus não está mais perdido. A mulher na história tinha dez dracmas,mas perdeu uma. Por isso, ela acendeu uma candeia e procurou pela casa toda até encontrá-la. Dracma é uma moeda grega de prata com valor equivalente a diária de um trabalhador. Em Lucas 15; Jesus contou a parábola da moeda perdida junto com outras duas parábolas: a ovelha perdida e o filho pródigo. Essas três parábolas têm um tema em comum: falam sobre algo ou alguém que fica perdido, depois é recebido de volta e tudo acaba em festa.

I. INTERPRETANDO AS PARÁBOLAS DA OVELHA E DA DRACMA PERDIDA
                                                                 
1. A parábola da ovelha perdida. Esta parábola, que também fora contada em outra ocasião (Mt 18.12), ilustra a busca pelo perdido. Uma ovelha perdida é um símbolo do descuidado e desatento pecador que anda sem rumo e afasta-se totalmente de Deus, inclinando-se para o pecado e prosseguindo nele sem atentar para o fim que tal vida leva (Pv 29.1; Rm 6.23). Nenhuma criatura se distrai mais facilmente que uma ovelha, nenhuma é mais incapaz de encontrar normalmente o seu caminho para casa. Nenhuma é mais indefesa à destruição por outros animais. A ovelha que não está com as noventa e nove está perdida (v.4), por isso, o pastor sai angustiado e pronto para dar a sua vida para resgatá-la. A parábola não constrange pelo valor da ovelha, mas pelo amor evidenciado na atitude do pastor. Ao encontrar a ovelha perdida, o pastor demonstra compaixão, pois não a repreende ou censura, não a arrasta, obriga ou ordena, mas a leva nos seus ombros!
A parábola da ovelha perdida é muito aplicável à grande obra da redenção do homem. A ovelha representa o pecador separado de Deus e exposto à ruína segura, se não for levado de volta a Ele, mesmo que não deseje regressar. Cristo é fervoroso quando se trata de levar os pecadores de volta para o lar.
Na parábola da Ovelha perdida Jesus a propõe com a intenção de mostrar que Deus se preocupa com qualquer ovelha que se perde do seu rebanho, em que ele vai a procura até encontrá-la. Deus não desiste dos que dele se afastam. Veja bem como termina no v. 7: haverá maior júbilo no céu por um pecador que se arrepende do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento. E na última parábola proposta por Jesus  do filho pródigo, o pai fica ansioso e feliz pela volta do seu filho mais novo que pediu os bens a que tinha direito, gastou tudo que volta arrependido querendo apenas ser como um empregado do pai. Nesta parábola Deus é apresentado como um pai amoroso e que se alegra com a volta dos filhos que dele se afastam e por isso se rejubila e faz festa. A volta para Deus precisa ser muito bem comemorada. Veja como termina no v. 32: “era preciso que nos regozijássemos e nos alegrássemos, porque este teu irmão estava morto e reviveu, estava perdido e foi achado”.(CACP)
2. A parábola da dracma perdida. A parábola da dracma perdida (Lc 15.8-10) para ser mais bem compreendida precisa ser lida à luz das outras duas: a da ovelha perdida (Lc 15.3-7) e a do filho pródigo (Lc 15.11-32), uma vez que ela está entre essas duas e é relatada unicamente em Lucas. Deus é comparado com a mulher que se preocupa em procurar o que se perdeu. Muito embora a mulher tivesse ainda nove moedas, ela se empenha em procurar a que se perdera. O termo “dracma” designa uma moeda grega que era compatível ao denário romano, valor que era equivalente a um dia de salário de um trabalhador agrícola. Assim, quando se considera que aquela mulher tinha somente dez moedas, tratava-se de uma perda significativa. Por isso, ela acende a lâmpada, varre a casa, e a procura diligentemente, fazendo uma verdadeira faxina, não deixando um só canto sem ser revistado em busca da pequena moeda que se perdeu. Quando a encontra reúne as amigas e pede que se alegrem com ela. Da mesma forma, disse Jesus, “há júbilo diante dos anjos de Deus por um pecador que se arrepende” (v.10). Quando alguém peca e se afasta de Deus, é como se quisesse se esconder do Senhor, por isso essa afirmação de Jesus. A respeito de se “esconder” de Deus, lembramos o que fizeram Adão e Eva quando desobedeceram ao Criador (Gn 3.8).
Na parábola da Dracma perdida é a menor moeda que se perde. Deus é comparado com a mulher que se preocupa em procurar o que se perdeu não importando o seu valor. Ela tinha 9 moedas e se empenha ainda em procurar a outra. Acende a lâmpada, varre a casa, e a procura diligentemente faz uma verdadeira faxina, não deixa um só canto sem ser revistado em busca da pequena moeda que se perdeu. Quando a encontra reúne as amigas e pede que se alegrem com ela. No v. 10 Jesus afirma: “de igual modo há júbilo diante dos anjos de Deus por um pecador que se arrepende”. Quando alguém peca se afasta de Deus, é como se escondesse de Deus, por isso essa afirmação de Jesus. A respeito de se esconder de Deus, veja o que fizeram Adão e Eva quando desobedeceram a Deus em Gn 3,8. Veja também como Deus vai novamente conquistar seu povo que dele se tinha afastado Os 2,14, em que Deus atrai seu povo para si, o leva ao deserto e lhe fala ao coração. (CACP)
A parábola da Dracma perdida era parecida com a da ovelha perdida; donos de rebanhos de ovelhas e mulheres trabalhadoras eram situações do cotidiano, algo que obviamente qualquer um deles faria pois uma ovelha rende lã e uma dracma é um dia de trabalho. Ninguém quer perder algo precioso. Da mesma forma Jesus estava procurando pecadores perdidos. Quem não se reconhece como pecador não vai se reconhecer perdido, e como será achado? Essa era a lição para os Fariseus; voltem como o filho pródigo que Deus já está esperando e correrá ao nosso encontro primeiro.
O interessante é das 2 primeiras parábolas é que a fala da Graça, semelhantemente Deus enviou a luz que é Jesus para achar dracmas perdidas, pois Ele vê como algo especial, Ele nos ama, e se alegram os céus quando um pecador é salvo.
É como se Jesus tivesse mostrando que os Fariseus tinham seus negócios; ovelhas, lã, dracmas, salários e trabalho. E naquele momento o fato de ter publicanos e pecadores ouvindo Jesus, eram os negócios de Deus, Deus estava trabalhando, salvando. (ULTIMATO)



SUBSÍDIO EXEGÉTICO
                               
“Esta segunda parábola é paralela com a precedente. Aqui, é uma moeda de prata (drachme, cerca do salário de um dia para um trabalhador comum) que foi perdida, em vez de uma ovelha. Esta parábola focaliza uma mulher que mora numa casa do interior. Normalmente tais casas não têm janela; assim, tão logo perde a moeda, ela começa a procurá-la. Ela acende uma luminária e varre a casa, procurando cuidadosamente até encontrá-la. Ela fica grandemente aliviada, e, como o pastor (v.6), ela convida as amigas e vizinhas para um jantar de comemoração. A aplicação de Jesus desta parábola é semelhante à prévia [da ovelha perdida], embora desta vez ‘há alegria diante dos anjos de Deus por um pecador que se arrepende’ em vez de ‘alegria no céu’ (v.7). Ambas as parábolas se referem à alegria de Deus quando um pecador volta a Ele” (ARRINGTON, F. L. In ARRINGTON, French L.; STRONDAD, Roger (Eds.). Comentário Bíblico Pentecostal. 1. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2003, p.420).

II. PRECISAMOS BUSCAR QUEM SE DESGARROU

1. A vontade de Deus é que todos os homens sejam salvos. Na condição de perdidas, todas as pessoas precisam de salvação (Rm 3.23) e o Senhor está disposto a salvá-las (Jo 3.16; 1 Tm 2.4; 2 Pe 3.9). Contudo, apenas serão salvas as que aceitarem ao Senhor Jesus e reconhecerem suas condições (Jo 3.16-20; Rm 1.16; 10.9,10; Ef 2.8,9; 1 Jo 1.9). O interesse de Deus em salvar está claro desde o Antigo Testamento quando o Senhor, através do profeta Ezequiel, disse que Ele mesmo procuraria as suas ovelhas (Ez 34.12).
A salvação se dá por meio do arrependimento como uma resposta humana à pregação do Evangelho. Arrependimento é uma mudança de atitude, mudança de direção ou mudança de pensamento. É Deus quem nos ajuda a chegar ao verdadeiro arrependimento (2Tm 2.25). Na Bíblia, arrependimento é reconhecer o pecado. Para se arrepender, a pessoa precisa entender que pecou. Note que no texto de 1Tm 24 diz, em algumas versões, que "todos os homens se salvem", mas o correto é: "sejam salvos", porque sabemos que ninguém se salva a si mesmo (Ef 2.8).
Considerando os versículos anteriores fica claro que aqui Paulo está falando da disposição que devemos ter para com todos os homens, que é também a disposição de Deus. Mas sabemos que nem todos serão salvos e este conhecimento pode nos levar a tratar alguns com menor atenção do que outros, ou limitar a pregação do evangelho apenas àqueles que "achamos" que serão salvos, o que é um erro grave. (Disponível em: https://www.respondi.com.br/2009/11/se-deus-quer-que-todos-sejam-salvos-por.html. Acesso em: 29 Out, 2018)

2. Jesus é um Pastor que está sempre em ação. Incansável em sua tarefa, Cristo, como Pastor, conduz suas ovelhas (Jo 10.4), e Ele assim o faz por conhecê-las (Jo 10.3-5). O Senhor não pastoreia apenas “praticamente”, mas também guia e conduz suas ovelhas mediante o seu exemplo (Jo 13.15; 1 Pe 2.21; 1 Jo 2.6). O pastoreio de Jesus é feito com amor, pois Ele trata suas ovelhas com ternura e mansidão (Is 40.11; 1 Pe 5.2). Tal Pastor tem o reconhecimento de suas ovelhas (Jo 10.4; 1 Pe 2.25), pois dá a sua vida por elas (Jo 10.11).
Notando o texto de João 10.3, aparece a figura do porteiro, este era o auxiliar do pastor. Notemos, ainda, que a descrição ‘chama pelo nome’ expressa um convite pessoal, e não uma ordem autoritária dada a todos. O nosso Pastor nos chama pelo nome, como era uma prática antiga (SI 147.4; Is 40.26) e era realizada pelos auxiliares dos pastores que tinham aos seus cuidados uma porção do rebanho de Deus (1 Pe 5.2). ‘Ele vai adiante deles’ - Em todos os caminhos de Deus, ensinando-os em todos os pontos, por exemplo, bem como por preceito; e as ovelhas o seguem - Eles pisam em seus passos, porque conhecem a sua voz - Tendo em si o testemunho de que suas palavras são a sabedoria e o poder de Deus. Notemos também a expressão ‘...porque eles conhecem sua voz’ no versículo 4 - a palavra é mais forte que a um em João 10.3, "e a ovelha ouve sua voz". Ela expressa o conhecimento familiar que o pequeno rebanho tem da voz de seu próprio pastor que os leva dia a dia.

3. Resgatando a ovelha desgarrada. A ovelha que acaba se desgarrando o faz pelo fato de que ainda não está firme e precisa encontrar meios para estruturar sua fé evitando que se afaste das demais (v.4). Por isso, além da intercessão, há quatro passos mínimos para se resgatar uma ovelha desgarrada:
1º) Procure pela pessoa, demonstre interesse e evite julgamentos e questionamentos sobre os motivos de seu afastamento;
2º) Comprometa-se com a responsabilidade assumida. Resgatar é muito mais trabalhoso do que converter. Esteja disposto a apoiar a pessoa, colocando-se ao seu lado em todos os momentos possíveis; 3º) Envolva a pessoa em atividades e pequenas responsabilidades com outras pessoas ou grupos, para que ela sinta o desejo de ser útil e de se envolver com as atividades da igreja.
4º) Nutrir com a boa palavra significa não julgar, mas estender as mãos em sinal de boas-vindas; significa ajudar a entender e buscar a compreensão das doutrinas e princípios da igreja, para que, aos poucos, compreenda por si próprio o que a doutrina ensina e com esta compreensão encontre razões para adquirir firmeza.
O Bom Pastor conduz o rebanho e os guia sem deixar nenhuma para traz. Ele vai à frente delas para procurar os melhores pastos e mananciais e está sempre atento para defendê-las do perigo. Nisto está lindamente representado o terno ‘cuidado’ daquele que cuida das almas como alguém que deve prestar contas. Elicott comenta: “Ele vai antes deles, e a ovelha o segue. - Este é um dos incidentes na gestão de um rebanho oriental, que atinge todos os que a veem pela primeira vez, e é abundantemente ilustrado nos livros de viagens orientais. Os detalhes são fornecidos com pouca precisão. Quando a última ovelha foi trazida para fora, o pastor se colocou na cabeça deles, e o rebanho junto o segue.
Agora, note que em certo sentido, todos nós já fomos ovelhas desgarradas. Já estivemos longe de Deus e, Ele, amorosamente, nos resgatou e nos trouxe de volta à Sua presença. Assim, devemos também, amorosamente, cooperar com Deus na busca das ovelhas perdidas que estão por esse mundo afora. Essa é uma mensagem muito forte que a parábola passa e que Jesus quis incutir na mente dos religiosos daquele tempo.

SUBSÍDIO EVANGELÍSTICO

Em seu livro A Prática do Evangelismo Pessoal, o pastor Antonio Gilberto fala acerca do fato de que há pessoas afastadas “por toda a parte. Há os que caíram de vez, por tentação direta e laço do Diabo, e há os que esfriaram aos poucos até perderem todo o primeiro amor. Há ainda os que se desviaram por verem escândalo no meio cristão, por sofrerem injustiça ou ficaram melindrados. Outros não resistiram às zombarias, aflições e perseguições por causa da fé. Há também os problemas domésticos que tanto desvio têm consumado” (GILBERTO, Antonio. A Prática do Evangelismo Pessoal. 14.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2003, p.92).

III. HÁ ALEGRIA NO CÉU QUANDO UM PECADOR SE ARREPENDE

1. Deus não analisa os motivos pelos quais alguém se perde, mas o reencontro exige arrependimento. Jesus não se preocupa em dizer o porquê de a ovelha ter se perdido. Ele não está preocupado se ela é uma ovelha “rebelde” que gostava de fugir. A primeira preocupação do pastor é encontrar a ovelha. Jesus age da mesma forma com quem se afastou do redil, da Igreja. Por isso, contou essa história, para mostrar que Ele está à procura da ovelha perdida (Lc 15.3,4,7). Na verdade, a mais simples resposta para ser encontrado por Jesus, e cuidado por Ele, se chama “arrependimento”. Temos de entender que, sem arrependimento, será impossível salvar-nos e ficar firmes com Cristo (Lc 15.17,18).
Qual a diferença entre um ladrão e o salteador? Um ladrão rouba em segredo; um salteador age abertamente e com violência. Note que as ovelhas permaneciam em um curral com apenas uma entrada. Somente o Pastor entra por ela. Ao contrário do ladrão, o verdadeiro pastor entra pela porta, e ao conferir o rebanho notou a falta de uma; esta parábola mostra quanto Deus no ama, mesmo quando nos desviamos para o pecado. Deus sai em nossa busca e fica feliz quando uma de Suas “ovelhas” se arrepende e volta para Ele. Note que não é a ovelha que volta para o redil, é o Pastor que vai procurá-la até encontrar; Sozinhos, não conseguimos encontrar o caminho de volta. Por isso, Jesus saiu em nosso encontro para nos salvar! Quando cremos nele, ele nos leva de volta para casa, para Deus.
O Senhor Jesus disse que há alegria diante dos anjos de Deus por um pecador que se arrepende. (Lucas 15.10). Podemos imaginar que há grande festa no céu no momento em que uma alma perdida se encontra com o seu Salvador e se arrepende sinceramente e O aceita incondicionalmente. E como é essa festa no céu? Certamente as nossas palavras não podem descrever a sua beleza e grandiosidade, mas podemos, sim, imaginar.” (ULTIMATO)
Nesta função de procurar ovelhas desgarradas a Igreja cumpre o papel do Porteiro, o auxiliar do Pastor - Pregar o Evangelho é a função da Igreja. A agência do reino de Deus aqui na terra é a Igreja, é a única que tem o direito e o dever de pregar o Evangelho. Paulo disse que o Evangelho é poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê. (Rm 1.16).

2. Deus está disposto a perdoar. Não há pecado que Deus não possa perdoar se nós verdadeiramente estivermos dispostos a pedir perdão (Is 1.18). Conforme pode ser visto na parábola do filho pródigo, não há pecador arrependido que Deus não acolha em seus braços, console o coração e lhe dê paz (Lc 15.20-24). Na primeira das parábolas estudadas, lemos que Jesus diz que o pastor colocou a ovelha em seus ombros e a carregou (v.5). Provavelmente isso seja necessário porque a ovelha caminhou demais, está cansada e talvez tenha se machucado no caminho que percorreu para longe do seu pastor.
Alguém pode perguntar: “e o pecado da blasfêmia?” (Mc 3.28-30). Deus certamente tem prazer em nos perdoar, no entanto, somente a blasfêmia contra o Espírito Santo não tem perdão. Notemos que essa impossibilidade não parte de Deus, de Sua obra expiatória, mas essa condição se dá justamente porque o pecado foi cometido contra o Espírito Santo, que é o Agente divino responsável pelo convencimento do pecado, da justiça e do juízo (Jo 16.8). É o homem blasfemo que se torna incapacitado ao arrependimento e não Deus que se omite em perdoar.

3. A alegria da salvação. Se por um lado o pecador encontra paz na salvação outorgada pelo Senhor, é também um fato de que ele torna-se uma pessoa feliz (Sl 51.12). Ao terminar de contar cada uma das duas parábolas que estudamos, Jesus disse que, da mesma forma, “há alegria diante dos anjos de Deus por um pecador que se arrepende” (Lc 15.10). Portanto, para que a nossa alegria seja completa precisamos da alegria do Senhor, pois ela é a nossa força (Jo 15.11; Ne 8.10).
A alegria da salvação acontece na vida de uma pessoa quando ela se entrega a Jesus, e confessa-O como seu único e suficiente Senhor e Salvador pessoal. Toda alma tem um lugarzinho reservado para a moradia do Senhor Jesus. Caso este lugar esteja vazio, a pessoa sente este vazio em todo o seu ser. Muitas vezes, a pessoa tenta preencher este lugarzinho com muitas coisas diferentes, mas o Dono dele é inflexível não abre mão de Seu lugarzinho reservado desde antes do nascimento da pessoa. (TOQUE CRISTÃO
O Salmo 51 não é apenas um poema de natureza mística. Ele foi o resultado do reconhecimento de um servo de Deus, após cometer adultério e homicídio. Reconhecendo, com lágrimas, sua indignidade, Davi suplica: "Dá-me novamente a alegria da Tua salvação e conserva em mim o desejo de ser obediente" (Salmo 51:12). Perdemos a alegria da salvação dada por Cristo, quando perdemos a alegria de obedecer ao Senhor. Escrevendo aos Romanos, Paulo diz: "Que a esperança que vocês têm os mantenha alegres; aguentem com paciência os sofrimentos e orem sempre" (Romanos 12:12). Em outras palavras, a alegria da salvação não é um objetivo a ser conseguido, mas a resultante de uma vida de comunhão obediente com Cristo, a despeito das tentações, provações e sofrimentos. Não faltam razões para vermos diminuída a alegria da nossa salvação. Como Davi, nosso pecado está sempre diante de nós. Como Davi, quando nos arrependemos e pedimos a restauração que Deus nos dá, a alegria volta a fluir em nossa vida de salvos por Cristo. Cristo não nos quer tristes, mas alegres. Ele nos prometeu: "Eu estou dizendo isso para que a Minha alegria esteja com vocês e a alegria de vocês seja completa" (João 15:21).” Renova a alegria da salvação - Pr. Olavo Feijó

SUBSÍDIO DEVOCIONAL

“Foi a insensata murmuração dos fariseus, querendo calcar a graça de Deus aos pés, que levou Jesus a dar estas três incomparáveis parábolas. O Senhor dá o doce dos céus pelo amargo dos homens. Onde abunda o pecado, aí superabunda sua graça. Quem pode calcular o número de pessoas, através dos séculos, contentíssimos com a esperança desfrutada com este capítulo? Note-se, também, como o Senhor revela, em cada parábola, Seu ardente desejo pessoal de salvar o perdido” (BOYER, Orlando. Espada Cortante 2. 2.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2006, p. 131).

CONCLUSÃO

Deus está esperando a sua volta (Lc 15.20). Ele perdoará os seus pecados, não os lançará em seu rosto. Tirará de você as vestes imundas (Is 64.6), e lhe dará novas roupas que são os dons do Espírito Santo (At 2.39). Quer voltar aos braços do Pai celeste? Aceite Jesus e terá um lugar à mesa do banquete com Ele, no céu! Grande será a alegria ali com sua volta (Lc 15.7,32). Venha sem demora!
A graça de Deus é um favor imerecido. Deus nos concede seu favor quando somos merecedores de seu juízo. A graça de Deus é uma âncora firme nas tempestades da vida. É um refúgio seguro no temporal. Quando confiamos na graça de Deus, marchamos resolutos diante dos inimigos e vencemos todas as turbulências da nossa alma. Como resultado, podemos nos regozijar na salvação de Deus. É do alto que brota a nossa cura. É de Deus que vem o livramento. É do céu que emana a nossa salvação. Em vez de nos capitularmos ao medo e ficarmos esmagados pela tristeza, podemos nos alegrar na salvação que vem de Deus. É impossível experimentar essa exuberante alegria sem ter a salvação; porém, há pessoas salvas que se privam dessa alegria. Você já está desfrutando da alegria da salvação?

Francisco Barbosa
Disponível no blog: auxilioebd.blogspot.com.br