sexta-feira, 22 de março de 2019

LIÇÃO 12: VIVENDO EM CONSTANTE VIGILÂNCIA


 
SUBSÍDIO I

EXORTAÇÃO A VIGILÂNCIA

A vigilância é um tema significativo no relato da angústia de Jesus no Getsêmani. Jesus disse a Pedro, João e Tiago, seu irmão: “A minha alma está cheia de tristeza até à morte; ficai aqui e vigiai comigo” (Mt 26.38). Outra vez, disse a esses três discípulos, depois de ter orado ao Pai pedindo que, se possível, passasse dele o cálice: “Meu Pai, se é possível, passa de mim este cálice” (v.39), e a seguir: “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; na verdade, o espírito está pronto, mas a carne é fraca” (v. 41). O termo grego para “vigiar” nessas duas passagens é o mesmo, gregoréo, mas o sentido em cada uma delas difere pelo contexto. No v. 38, indica ficar despertado, acordado. O Dicionário exegético do Novo Testamento, de Horst Balz e Gerhard Schneider, explica que esse verbo “significa em primeiro lugar não dormir” e justifica esse significado primário pelo fato de Jesus exortar três vezes os seus discípulos no relato do Getsêmani a permanecerem acordados com ele, e o dicionário acrescenta ainda que a parábola do servo vigilante (Lc 12.36-38) “deve ser entendida no sentido de não dormir” (p. 801). O grifo não é nosso. De fato, o verbo é derivado de egrégora, perfeito de egeiro, “levantar, acordar, despertar”. O apóstolo Paulo usa esse verbo em contraste com dormir (1 Ts 5.6). A ideia de vigiar e vigilância é figurada. Devemos estar atentos a tudo sobre as especulações da falsa batalha espiritual.
Mas o v. 41 parece ser uma reminiscência ao Pai nosso, “não nos induzas à tentação” (Mt 6.13). O “vigiai” (Mt 26.41) ensina outra coisa, diferente do v. 38, pois lá a ideia é de ficar despertado, acordado, na companhia de Jesus, no momento tão crucial em toda a sua vida terrena; mas, aqui, significa estar vigilante e atento para evitar o fracasso espiritual e ficar distante do pecado. Trata-se de um aviso contra o vacilo. A advertência é esclarecida pelo próprio Senhor Jesus, “para que não entreis em tentação”; e mais: “o espírito está pronto, mas a carne é fraca”. E isso não somente por causa das astúcias de Satanás, mas também por causa da tendência humana para o pecado.
O “espírito” aqui não se refere ao Espírito Santo nem ao espírito satânico, mas ao espírito humano no crente, que adora a Deus em espírito (Jo 4.24); fala línguas em espírito (1 Co 14.3), ora e canta com o espírito (1 Co 14.14-16). O contraste bíblico entre carne e espírito revela, muitas vezes, o conflito entre a santificação e a tendência pecaminosa (Rm 8.5-9; Gl 5.17). Mas o termo “carne” tem um significado amplo nas Escrituras; é usado de modo geral para toda a criação, os seres humanos e os animais (Gn 6.13, 17; 1 Co 15.39), para se referir ao corpo humano (Jó 33.21); ao gado, quando se trata de alimento (Lv 7.19); e também para se distinguir do espírito (Jó 14.22; 1 Co 5.5). Quando Jesus expressa o contraste: “o espírito está pronto, mas a carne é fraca”, há quem interprete “carne” aqui como a natureza física considerando o estado de exaustão dos discípulos, até certo ponto aceitável (Sl 78.39). O contexto parece indicar o sentido de fraqueza moral e espiritual, pois a vigilância é para não cair em tentação. Sêneca, senador romano e maior expoente do Estoicismo do século 1, dizia: Errare humanum est, “Errar é humano”. Veja que até mesmo dos pagãos reconheciam a fraqueza moral dos seres humanos.
A vigilância em Mateus 26.41 significa estar vigilante para manter a fidelidade ao Senhor Jesus e nunca se apartar dele. Trata-se de uma advertência solene a todos os crentes em todos lugares e em todas as épocas para viverem atentos em todos os momentos da vida (Ef 6.18)
Texto extraído da obra “Batalha Espiritual”, editada pela CPAD 

COMENTÁRIO E SUBSÍDIO II

INTRODUÇÃO

Em uma batalha, os soldados se mantêm alerta, ficam em suas torres, vigiando para não serem pegos de surpresa. Na batalha espiritual acontece a mesma coisa, devemos permanecer atentos, evitando o ataque inesperado do inimigo. Na aula de hoje, estudaremos a respeito da importância de viver em constante vigilância, sobretudo na expectativa da bendita esperança da igreja, quando a trombeta soar e os mortos em Cristo ressuscitarem.

I. ANÁLISE TEXTUAL
                                                                 
Antes de ser conduzido ao calvário, Jesus seguiu para o Getsêmani, com a intenção de orar. Mateus registra esse momento difícil no final do ministério terreno do Senhor, e se encontra no cap. 26, versículos 36 a 41. Nesse texto, é narrado que Jesus chegou ali com seus discípulos, dando-lhes uma orientação expressa: kathisate autou heos os apelthon ekei proseuxomai. O Senhor ordena que os discípulos fiquem naquele lugar, enquanto ele iria mais adiante, para orar (v. 36). Ele levou consigo Pedro e os dois filhos de Zebedeu, o escritor diz que começou a entristecer-se, lupeisthai em grego, com a ideia de prantear, como resultado do sofrimento, e também a angustiar-se, admonein em grego, com o sentido de ficar ansioso ou de sentir dor (v. 37). Então Jesus disse aos seus discípulos: a minha alma está cheia de tristeza até a morte, ficai aqui e vigiai comigo. A palavra alma em grego é psuche, que pode ser traduzida por vida ou pessoa, assim, compreendemos que Jesus sofreu profunda angústia em sua existência terrena, naquele momento específico. A tristeza era imensa, a palavra é perilypos, destacando a intensidade da dor enfrentada pelo Senhor. Diante daquela situação, roga para que os discípulos vigiem com ele: gregoreite, verbo que se encontra no imperativo, com o sentido de ficar em alerta, ou mais precisamente, ficar acordado (v. 38). Mateus diz que Ele foi um pouco adiante, e que prostrou-se sobre seu rosto e orou: Pater mou, ei dunaton estin, parelthatô ap emo uto potérion touto. Jesus se dirige ao Pai, o termo em hebraico provavelmente foi Aba, uma demonstração de intimidade. E pede que que, se possível – ei dunaton estin – o cálice ou taça – poterion, passasse – parelthatô, o verbo está no imperativo. Mesmo assim, a vontade que deve prevalecer é a do Pai, pois acrescenta: ou hos ego thelô ala hos su. Que não prevalecesse seu ego – seu eu – mas a thelos, vontade do Pai (v.39). Ao retornar da oração, Jesus achou Seus discípulos adormecidos – katheudontas, que se encontra no presente, portanto, eles estavam dormindo. Então, se dirigiu a Pedro, e pergunta: houtos ou ischuo heis hora gregoreo meta ego? O verbo vigiar – gregoreo – é repetido na indagação de Jesus, e a expressão de espanto, por eles não serem capazes de vigiar com o Senhor por tão pouco tempo (v. 40). Em seguida, dar uma orientação aos discípulos, o verbo grego gregoreite mais uma vez aparece no texto: gregoreite kai proseuchesthe – vigiai e orai – com um propósito: hina me eiselthe eis peirasmon, para que não entrem – eiserchomai – em tentação ou em provação. Na verdade, diz o Senhor, o espírito – pneuma – está pronto – prothumon, ou mais precisamente, o espírito está disposto, mas a carne – sarx – é fraca – asthenes, a carne fraqueja (v. 41).

II. INTERPRETAÇÃO TEXTUAL

De acordo com Mateus, antes de Jesus ser crucificado como o Messias, aconteceu a Páscoa, a celebração da Ceia e os eventos no Getsêmane, em seguida o Senhor é preso, julgado e condenado pelas autoridades romanas, por fim é flagelado, crucificado, morte e sepultado, com parte da trama entre os líderes religiosos. Jesus não ficou surpreso com tudo que aconteceu, pois Ele mesmo previu Sua crucificação, e destacou tudo que haveria de ocorrer quando foi ungido em Betânia (Mt. 26.6-13), e sabia que seria traído por Judas (Mt. 26.14-16). O Getsêmane, cujo significado é “prensa de azeite”, era um jardim, no Monte das oliveiras, onde o azeite era preparado (v. 36). O Senhor conduz os discípulos que faziam parte do Seu círculo íntimo – Pedro, Tiago e João – para partilhar com Ele esse momento de angústia intensa, diante das agruras da cruz do calvário que O esperavam (v. 37). A dor era profunda, naquele momento Jesus sentiu tristeza, a sua alma estava angustiada, ao ponto de morrer. Era uma antecipação do que sobreviria a Ele, por ocasião da crucificação, quando seria separado do Pai, por levar sobre si a culpa dos pecados da humanidade (v. 38). Ele prostrou-se sobre o seu rosto, uma demonstração de humildade na oração, o Senhor estava rendendo Sua vontade diante do Pai, colocando-se a Sua disposição para enfrentar a maior provação da Sua vida, pois teria que beber aquele cálice (v. 39). Além disso, naquele momento tão difícil, ficou sozinho com Seu sofrimento, nenhum dos discípulos teve disposição de vigiar e orar com o Senhor. É angustiante não ter com quem partilhar nossas dores, a solidão e o desprezo daqueles que não se identificam com nossas provações (v. 40). É preciso andar no Espírito, mas não satisfazer as concupiscências da carne, há uma luta renhida entre a carne e o espírito, e se não estivemos atentos, poderemos até mesmo negar ao Senhor, quando a hora da provação chegar, como fez Pedro depois da prisão de Jesus, talvez por isso o Senhor chamou a atenção especificamente desse discípulo (v.41). Pedro negou Jesus por três vezes, quando foi identificado como um provável seguidor do Mestre, mas esse não foi esquecido do Senhor, que lembrou da condição de Pedro, após Sua ressurreição (Mc. 16.7).

III. APLICAÇÃO TEXTUAL

Os servos de Deus devem permanecer vigilantes em relação à vinda do Reino de Deus, e esse já está no meio de nós, ainda que não seja pleno. Não podemos perder a dimensão escatológica de vista, o interesse nas coisas deste mundo está cegando espiritualmente muitos cristãos. A próprio religião pode nos distanciar do Reino de Deus, há líderes religiosos que se embriagaram com seus cargos, servem apenas suas posições eclesiásticas, estão distantes da vontade de Deus. Alguns deles utilizam seus cargos a fim de abusar espiritualmente das pessoas, impondo sobre elas padrões e regras que eles mesmo não seguem. Paulo também teve que lidar com esse tipo de religiosidade quando escreveu sua Epístola ao Gálatas. Alguns crentes daquela cidade, incitados pelos falsos mestres judaizantes, abandonaram o verdadeiro evangelho, substituindo por um outro, totalmente diferente daquele ensinado por Jesus (Gl. 1.8-9). O abuso do poder religioso tem causado sérios danos, inclusive no contexto das igrejas evangélicas. Em nome de Deus, muitas pessoas estão sendo feridas, ovelhas que gemem, maltratadas pelos seus “pastores”. Quando a religião enfoca apenas a dimensão material, perde a visão do Reino de Deus, torna-se apenas uma engrenagem, põe em evidências as coisas e esquece das pessoas. Os cristãos precisam reconhecer que não passam de servos, a liderança evangélica também deve saber que não é dona do rebanho (At. 20.28; I Co. 4.1,2;  I Pe. 5.2). Jesus voltará em breve, essa é uma verdade bíblica, que muitas igrejas não consideram mais. Certo pastor destacou que antigamente a expressão JESUS VEM BREVE era bastante comum nos púlpitos das igrejas evangélicas. Mas aos poucos resolveram colocar apenas JESUS VEM, e nesses últimos dias, escrevem apenas JESUS. Infelizmente, em algumas igrejas evangélicas, nem mesmo o nome de JESUS está presente. Evidentemente, não podemos avaliar o compromisso de uma igreja com Jesus pela presença ou ausência de uma expressão. Mas essa metáfora nos ajuda a refletir sobre a expectativa escatológica da igreja. Precisamos manter a vigilância espiritual, compreender que Jesus virá, por isso devemos viver debaixo dessa verdade. Não sabemos QUANDO Ele virá, mas sabemos COMO devemos viver. Como o servo prudente da parábola, quando Cristo voltar devemos ser achados “servindo assim”. Aqueles que não estão preparados, que não consideram a realidade do Reino, serão surpreendidos, de modo que o “Dia do Senhor virá como ladrão de noite” (I Ts. 5.2). Sejamos, portanto, cautelosos, cientes da nossa missão, enquanto despenseiros (I Pe. 4.10). A santificação deve ser o alvo na vida de todo cristão, considerando que ninguém verá o Senhor, a menos que esteja consagrado a Deus (Hb. 12.14). E que sejamos bons mordomos, administradores fieis do que não é nosso (I Pe. 5.2), principalmente nesses tempos trabalhosos (II Tm. 3.1-5).

CONCLUSÃO

A mensagem de Jesus foi enfática: “eis que cedo venho, guarda o que tens, para que ninguém tome a tua coroa” (Ap. 3.11). Devemos, portanto, permanecer vigilantes, na expectativa do Vinda do Senhor. Caso contrário, como o servo mau da parábola, seremos envergonhados, por desconsiderar a expressas orientações do Senhor. Saibamos, a todo tempo, que não passamos de despenseiros, e que haveremos de prestar contas do que recebemos dAquele que nos comissionou para Sua obra.


José Roberto A. Barbosa
Disponível no Blog subsidioebd.blogspot.com

COMENTÁRIO E SUBSÍDIO III

INTRODUÇÃO

A exortação à vigilância na presente lição abrange dois aspectos da vida cristã. O primeiro diz respeito às palavras de Jesus na agonia em Getsêmani, na noite em que Ele foi preso. O outro aspecto refere-se ao contexto escatológico no sermão profético registrado nos Evangelhos Sinóticos. A presente lição mostra os aspectos da vigilância na fé cristã.
O retorno de Cristo, como defendemos em nossa base de fé, será evidente, sem ambiguidade e visível a todos (Mt 24.27). Este texto de Mateus nos garante que os verdadeiros seguidores de Cristo não serão enganados, mas saberão aguardar a chegada do seu Senhor dos céus. Sua vinda será tão repentina, quanto visível, quanto a isso, vale a exortação (ato ou efeito de exortar; encorajamento, estímulo, incitação) à vigilância quanto ao retorno de Jesus diz respeito às diversas vezes em que o Mestre alertou para a natureza súbita de sua vinda. Mesmo assim, pode-se observar, sem muito esforço, que grande parte dos crentes está descuidada, envolvida com os afazeres da vida e não se prepara para aquele grande momento em que Jesus voltará. É o que veremos no estudo desta lição. Deus tem falado, não só pela sua Palavra, mas através dos sinais da vinda de Jesus, que está chegando a hora. – Dito isto, convido-o a pensar maduramente a fé cristã!

I. O SIGNIFICADO DA VIGILÂNCIA
                                                                 
A vigilância é o ato ou efeito de vigiar, o estado de quem permanece alerta, de quem procede com precaução para não correr risco. E isso nos mais diversos aspectos da vida humana. O verbo “vigiar” aparece na Bíblia no sentido de estarmos atentos em todos os aspectos da vida cristã.

1. Vigiar, estar alerta. A palavra que mais aparece no Novo Testamento grego para “vigiar” é o verbo gregoréo, “vigiar, estar alerta, ser vigilante”, que aparece 22 vezes. A ideia principal dessa vigilância é escatológica (Mt 24.42,43; 25.13), e isso se mostra nas passagens paralelas de Marcos e Lucas. Mas, quando Jesus disse a Pedro, Tiago e João: “ficai aqui e vigiai comigo” (v.38), isso significa que Ele queria que seus discípulos ficassem acordados e continuassem a orar ou, talvez, se protegessem de alguma intromissão enquanto oravam. Mas gregoréo é usado para denotar uma vigilância mais geral (1Co 16.13; Cl 4.2; 1Pe 5.8).
O verbo “vigiar” segundo o Aurélio quer dizer: “observar atentamente; estar atento a; tomar cuidado” (FERREIRA, 2004, p. 2061). No hebraico o verbo é “shamar” que significa: “vigiar, guardar”. No grego o termo é “gregoreo” que significa literalmente “vigiar” e é encontrado em 1 Ts 5.6,10 e em mais 21 outros lugares nos quais ocorre no Novo Testamento (por exemplo, em 1 Pe 5.8).  É usado acerca de: (a) “manter-se acordado” (Mt 24.43; 26.38.40.41): (b) “vigilância espiritual” (At 20.31; 1 Co 16.13; Cl 4.2; 1 Ts 5.6.10; 1 Pe 5.8; Ap 3.2.3; 16.15) (VINE, 2002, p. 323 – acréscimo nosso). A palavra “vigiar” tem conotação exortativa, visando chamar a atenção dos ouvintes a estarem prontos para o retorno do Messias.

2. Vigiar, guardar, cuidar. É o verbo grego agrypnéo, “manter-se acordado, vigiar, guardar, cuidar”, e só aparece quatro vezes no Novo Testamento, duas delas no sentido escatológico no sermão profético (Mc 13.33; Lc 21.36). O vocábulo é usado para indicar a vigilância nas orações e súplicas (Ef 6.18) e apresenta ainda a ideia de cuidar ou velar: “Obedecei a vossos pastores e sujeitai-vos a eles; porque velam por vossa alma” (Hb 13.17).
A noção presente no verbo grego agrypnéo é de um cuidado constante e sem descanso, por isso mesmo é usado para falar sobre a necessidade de estamos alertas quanto aos fatos relacionados ao futuro (escatológicos) como também, é usado para falar acerca do cuidado pastoral.

3. Vigiar, ser sóbrio. É o verbo nepho, literalmente “ser sóbrio”, mas que aparece no sentido figurado de vigilância combinado com gregoréo (1Ts 5.6; 1Pe 5.8). Seu uso no sentido próprio pode ser visto em outras partes do Novo Testamento (1Ts 5.8; 2Tm 4.5; 1Pe 1.13). Existe ainda o verbo eknepho, que só aparece uma vez no Novo Testamento (1Co 15.34), traduzido por “vigiar”, na ARC; por “tornar à sobriedade”, na ARA e na Nova Almeida Atualizada; e por “despertar” na TB.
Sóbrio: grego: νηφω nepho, literalmente: livre da influência de intoxicantes; metaforicamente: calmo e sereno de espírito; ser moderado, controlado; lúcido, com plena capacidade de avaliar. Diversas vezes Jesus chamou a atenção dos seus seguidores quanto à importância de estarem vigilantes para o seu retorno (Mt 24.22; 25.13; Mc 13.33,35; 37; Lc 21.36; Ap 3.3; 16.15). Muitas dessas exortações se percebem através das parábolas, tais como: das dez virgens (Mt 25.1-13); do senhor que confiou o cuidado das coisas que lhe pertenciam aos seus servos, prometendo voltar em breve (Mc 13.34-37); dos servos que aguardam o seu senhor quando voltar das bodas (Lc 12.36-37). “O chamado à vigilância, no entanto, não foi dirigido apenas a eles, mas a todos nós (Mc 13.37)” (ADEYEMO, 2010, pp. 1222,1223).

SUBSÍDIO DIDÁTICO-PEDAGÓGICO

Prezado(a) professor(a), a aula desta semana trata a respeito da importância da vigilância no viver diário do cristão. É relevante explicar aos seus alunos que devemos estar alerta quanto à Segunda Vinda do Senhor Jesus, pois não sabemos o dia e nem a hora que Ele há de retornar para buscar a Sua Igreja. Para auxiliá-lo (a) na compreensão deste aspecto, leia para a classe o significado do conceito abaixo: “Escatologia – O termo escatologia (gr. eschatos, ‘últimos’; logos, ‘raciocínio’), significando ‘a teologia das últimas coisas’, tem sido usado desde o século XIX para designar a divisão da teologia sistemática que lida com tudo o que era profeticamente futuro na época em que foi escrito, isto é, profecias que já se cumpriram, como também profecias que ainda não se cumpriram. Importantes assuntos de profecia incluem predições com relação a Jesus Cristo, tanto em sua primeira vinda como na segunda, Israel, os gentios, Satanás, cristianismo, os santos de todas as eras, a futura Grande Tribulação, o estado intermediário, a ressurreição dos mortos, o reino milenial, o juízo final e o estado eterno. Estes temas podem ser classificados como a revelação divina do programa quádruplo de Deus para: (1) Israel, (2) os gentios, (3) a igreja e (4) Satanás e seus anjos caídos” (Dicionário Bíblico Wycliffe. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2006, p. 662).

II. JESUS NO GETSÊMANI

Depois que Jesus instituiu a Ceia do Senhor, Ele seguiu com os seus discípulos para o jardim de Getsêmani. Em oração, o Senhor Jesus rogou ao Pai, três vezes, para que passasse dEle “esse cálice”.
1. Getsêmani. O lugar é assim identificado em Mateus (v.36) e Marcos (14.32). Lucas se refere ao local como “àquele lugar” (22.40) e João registrou: “o outro lado do ribeiro Cedrom, onde havia um jardim” (18.1, Nova Almeida Atualizada). O nome “Getsêmani” vem de um termo aramaico que parece significar “prensa de azeite”. Era uma área localizada no sopé do monte das Oliveiras, onde o Senhor Jesus costumava se reunir com os discípulos e para onde se retirou na noite em que foi preso (Lc 22.39; Jo 18.2).
Getsêmani significa “lagar de azeite”. O Getsêmani era um jardim onde Jesus e seus discípulos se reuniam. Também foi o lugar onde Jesus orou antes de ser preso. O jardim do Getsêmani era um olival no monte das oliveiras, perto da cidade de Jerusalém. Jesus e seus discípulos gostavam de se reunir nessa zona. Depois da Última Ceia, Jesus foi para o Getsêmani para orar com seus discípulos, se preparando para o sofrimento que estava prestes a suportar (Mateus 26:36). (RESPOSTAS.COM).

2. A angústia de Jesus. O Senhor Jesus, durante todo o tempo do seu ministério, encarava a sua morte de maneira serena (Mt 16.21; 17.22,23; 20.17-19; 26.1,2 e passagens paralelas em Marcos e Lucas). Alguns estudiosos do Novo Testamento se perguntam por que só agora “começou a entristecer-se e a angustiar-se muito” (v.37) a ponto de dizer: “A minha alma está cheia de tristeza até à morte” (v.38)? O seu pavor não era a morte, mas o ser separado do Pai ao assumir os pecados de toda a humanidade na cruz (2Co 5.21), pois Ele já estava decidido quanto a isso (Mc 10.33,34) e tinha consciência de que a sua morte era a vontade do Pai (Jo 12.27). Esse era o momento mais crucial para a humanidade, pois estava em jogo a salvação dos pecadores.
No jardim do Getsêmani, afastando-Se dos discípulos e ficando apenas com Pedro e os dois filhos de Zebedeu a Seu lado foi orar. Quando Ele ficou sozinho, mais tarde, “adiantando-se um pouco, prostrou-se sobre o seu rosto, orando…” (Mt 26.39). Qual foi a Sua oração?“ Meu Pai, se possível, passe de mim este cálice! Todavia, não seja como eu quero, e sim como tu queres” (v. 39). Jesus não recebeu resposta. “É verdade que Jesus usou a condicional “se possível” na oração do Getsêmani. Mas não era possível, a bem do pecador, afastar de Jesus o cálice da salvação. Desde o Jardim do Éden, desde a queda, “não havendo derramamento de sangue, não há perdão de pecados” (Hb 9.22, NTLH). Nossa redenção não é por meio de coisas perecíveis como prata ou ouro, “mas pelo precioso sangue de Cristo, como um cordeiro sem mancha e sem defeito”, planejada antes da criação do mundo (1Pe 1.18-21). É o sangue de Jesus que nos purifica de todo pecado (1Jo 1.7). Todo o processo depende de Jesus, dependia da cruz. Jesus não podia falhar -- e não falhou.”. (ULTIMATO). Não há nenhuma insinuação nem no Salmo 22, nem nos Evangelhos, de que Cristo orou para ser poupado do mero ato de morrer. O que ele temia era o Pai esconder Seu rosto dEle. Lembremos que 700 anos antes, Isaías previu o real motivo da cruz: "Ele foi traspassado por causa das nossas transgressões, foi esmagado por causa de nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas feridas fomos curados". Jesus, perfeito Deus e perfeito homem, que nunca pecou e nem poderia pecar por não ter a mesma natureza pecaminosa que herdamos de Adão, seria feito pecado na cruz. É importante frisar que ter ficado passivo ou satisfeito e contente com a aproximação de tal separação, não teria sido uma demonstração de fé, mas pecado. O cálice da morte a respeito do qual Ele orou para ser libertado foi, não a morte física, mas a separação de Sua alma humana da luz do semblante de Deus. Ele não obteve resposta, no entanto, Sua oração foi "ouvida" em Seu Pai o fortalecer, de modo a manter a Sua fé inabalável e sem oscilar, durante todo o teste e sofrimento.

3. O cálice. A expressão usada por Jesus: “Meu Pai, se é possível, passa de mim este cálice” (v.39) deve ser entendida à luz do Antigo Testamento. O cálice ou copo aparece com frequência na Bíblia e mui especialmente na sua aplicação metafórica. É usada para indicar uma situação miserável (Sl 11.6) e também de felicidade (Sl 16.5; 23.5). Da mesma forma, indica a manifestação da ira de Deus (Sl 75.8; Is 51.17). Essa linguagem aparece no Novo Testamento (Ap 14.10; 1Co 10.16). O Senhor Jesus se referia ao cálice da ira de Deus como castigo da separação do Pai no momento da cruz (Mt 27.46; Mc 15.34). Estava chegando a hora de ser submerso na maldição, por nós, pecadores (Gl 3.13).
Essa ira de Deus simbolizada pelo cálice, estava destinado a todos nós. O ato de Jesus verter este cálice, desviou de nós a santa e justa ira de Deus e direcionou a Cristo na sua morte na cruz. Foi esse o cálice que Jesus bebeu, e agora nos proporciona outro cálice: “Tomarei o cálice da salvação e invocarei o nome do SENHOR” (Sl 116.13) e também nos diz que: “Este cálice é a nova aliança em meu sangue, derramado em favor de vós” (Lc 22.20). O cálice da ira de Deus foi tomado por Cristo, por isso lemos no evangelho: “Podeis beber o cálice que eu bebo, ou ser batizados com o batismo com que sou batizado?" (Mc 10.38). No livro O verdadeiro Evangelho, do pastor Paul Washer, ele nos trás uma ilustração do que aconteceu conosco: “Imagine uma represa de dez mil metros de altura e dez mil metros de largura transbordando, e você está a dez metros dela. De repente essa represa desmorona e todo aquele turbilhão de água furioso está vindo em direção a você de forma violenta e destruidora. No entanto, a dez segundos de lhe atingir, o chão se abre e engole toda aquela água. Isso foi o que Deus fez por você. Isso foi o que Deus fez por nós. Cristo levou sobre si a ira de Deus contra o pecado para nos justificar”. Quando o comentarista afirma: “O Senhor Jesus se referia ao cálice da ira de Deus como castigo da separação do Pai no momento da cruz”, eu quero entender que “castigo da separação do Pai no momento da cruz”, ele quis dizer o mesmo chão que se abriu e engoliu toda aquela água que vinha contra nós, porque se não for isso, corre risco de termos aqui uma falsa afirmativa, já que cálice, muitas vezes é símbolo da retribuição divina ou da ira de Deus.

SUBSÍDIO BÍBLICO-TEOLÓGICO

“[...] É importante observar o uso de uma condicional de primeiro tipo na expressão ‘se é possível’ (Mt 26.39). Isto normalmente sugere que se supõe que a condição é cumprida – isto é, que era possível evitar o ‘cálice’ que Jesus tinha em mente. Esta interpretação recebe o apoio de Hebreus 5.7, que observa que quando Jesus ‘oferecendo com grandes lágrimas, orações e súplicas ao que o podia livrar da morte, foi ouvido quanto ao que temia’. A morte biológica não causava terror a Jesus. Ela não causa terror em nós. Como Jesus carregou nossos pecados e sentiu a ira de Deus em nosso lugar, nós também fomos libertados. Nem a morte biológica nem a espiritual têm qualquer influência sobre aqueles que, por meio de Cristo, receberam a vida eterna” (RICHARDS, Lawrence O. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2007, pp. 83,84).

III. EXORTAÇÃO À VIGILÂNCIA

Depois de uma breve explicação sobre Jesus no Getsêmani, retornamos ao tema da lição. Entendemos que o ponto central dessa seção do Evangelho de Mateus (26.36-41) é a exortação à vigilância, apesar de outros temas serem importantes aqui.
1. No contexto escatológico. A exortação à vigilância é um dos pontos centrais do sermão profético porque não se sabe o dia e a hora da vinda de Jesus (Mt 24.36; Mc 13.32). O ensino do Senhor nas diversas parábolas desse discurso escatológico dá muita ênfase à necessidade de os crentes estarem atentos. Apesar de ser vedada aos humanos a data da segunda vinda de Jesus, a Bíblia indica os sinais que precederão a vinda de Cristo em Mateus 24 e Lucas 21. Os acontecimentos de hoje nos mostram o cumprimento das profecias bíblicas, sinalizando que essa vinda está próxima. Se os cristãos da primeira hora deviam estar vigilantes quanto ao grande evento, o que não diremos nós, que somos a Igreja da última hora? Por isso devemos estar ainda mais firmes e atentos, continuamente.
Ninguém sabe a data quando Jesus voltará. É impossível prever quando esse dia será porque acontecerá quando não estivermos à espera (Mt 24.36). Se alguém diz que sabe quando vai acontecer, está enganado. Se alguém disser que Jesus já voltou, não devemos acreditar porque quando acontecer o mundo todo saberá (Mc 13.21-22).
Três pontos sobre a doutrina da segunda vinda são absolutamente claros. Primeiro, a volta de Jesus será evidente, sem ambiguidade, visível a todos. O Senhor mesmo explica: “Assim como o relâmpago sai do Oriente e se mostra no Ocidente, assim será a vinda do Filho do homem” (Mt 24.27, NVI). A mensagem apocalíptica afirma que Ele “vem com as nuvens, e todo olho o verá, até mesmo aqueles que o traspassaram” (Ap 1.7). Segundo, a volta de Jesus será “com poder e muita glória” (Mt 24.30). Ele não levará sobre si as nossas enfermidades nem será esmagado por causa das nossas iniqüidades. Não será oprimido nem afligido nem levado ao matadouro. Terceiro, a volta de Jesus será em dia e hora que ninguém sabe (Mt 24.36). Ele mesmo avisou: “O Filho do homem virá numa hora em que vocês menos esperam”. No último livro da Bíblia, lê-se esta declaração pessoal e enfática: “Eis que venho como ladrão!” (Ap 16.15.) A igreja é qual a noiva à espera do noivo. De repente, ela ouvirá um grito: “O noivo se aproxima! Saiam para encontrá-lo!” (Mt 25.6.) Enquanto Ele não chega, tanto a igreja como o Espírito fazem esta pequena oração litúrgica: “Vem, Senhor Jesus!” (Ap 22.20.)” (ULTIMATO)

2. Na vida cristã. É o estado de alerta para não cairmos em pecado, para nos abstermos de tudo aquilo que desagrada a Deus (1Co 16.13; 1Ts 5.6; 1Pe 5.8). Mas essa vigilância não deixa de ser um exercício contínuo da fé até que Jesus venha. Ele pode voltar a qualquer momento; os sinais de sua vinda estão aí, como o avanço da imoralidade e da corrupção (Ap 9.21), a evangelização mundial por meio de recursos das redes sociais (Mt 24.14) e a posição de Israel no Oriente Médio (Lc 21.29-31).
Os sinais que prenunciam a volta de Jesus estão se cumprindo a cada dia - falsos cristos e falsos profetas; apostasia, Doutrinas de demônios, Perseguição aos crentes, sinais no céu, Guerras e conflitos, terremotos. A apostasia tem se evidenciado, no meio de igrejas evangélicas, a ponto de a Bíblia não ser mais referência para a conduta de muitos que se dizem cristãos. Na natureza, há fenômenos que indicam o cumprimento das previsões apocalípticas. Na vida moral, certamente, há o maior grau de fatos que comprovam o aumento da iniquidade humana. Mas a Igreja de Jesus Cristo deve continuar em oração e vigilância como “coluna e firmeza da verdade” (1Tm 3.15), aguardando em santificação a volta de Jesus. A vigilância na vida cristã deve nos levar à santidade. Jesus exortou os discípulos a serem vigilantes. Ele afirmou: “Vigiai, pois, porque não sabeis a que hora há de vir o vosso Senhor” (Mt 24.42). Por não sabermos a data da segunda Vinda de Jesus, temos de ter uma conduta ilibada em nosso dia a dia. Temos que aguardar a volta de Cristo em santidade e com o coração repleto de fé. Precisamos também desejar a volta de Cristo, como os crentes de Tessalônica. Eles ficaram tão convictos e anelantes ante a mensagem que os missionários lhes pregaram concernente à segunda Vinda de Cristo, que entendiam que a mesma ocorreria naqueles dias enquanto estavam vivos (1Ts 4.15,17).

3. “Vigiai e orai” (v.41a). O sentido da vigilância aqui difere daquele mencionado no v.38, em que “vigiar” indica ficar despertado, acordado. Mas aqui significa estar vigilante para manter a fidelidade ao Senhor Jesus e nunca se apartar dEle. Isso fica claro pelas palavras seguintes: “para que não entreis em tentação”. É uma advertência solene a todos os crentes em todos lugares e em todas as épocas para viverem atentos em todos os momentos da vida (Ef 6.18). O Comentário Bíblico Beacon diz: “A eterna vigilância é o preço da liberdade.
A palavra vigiai não é entendida muitas vezes pelos cristãos, pode ser considerado um aviso em estar atento para não pecar, mais do que isso, estar alerta para não se perder com as distrações desse mundo, que em um sentido mais amplo nos tornaria aptos com ações sempre voltadas ao Reino. “Jesus nos disse para vigiar e orar porque nossa carne é fraca e enfrentamos muitas tentações. Quando vigiamos e oramos, ficamos mais fortes para resistir à tentação. Na noite em que foi preso, Jesus foi para o jardim do Getsêmani com seus discípulos para orar. Mas, enquanto ele orava sozinho, os discípulos adormeceram. Quando voltou, Jesus repreendeu os discípulos e os avisou que deveriam vigiar e orar, para não caírem em tentação (Mateus 26:40-41). No entanto, eles adormeceram outras duas vezes!” (RESPOSTAS).

4. O espírito e a carne (v.41b). Temos aqui o contraste entre o espírito e a carne, muito comum no Novo Testamento (Rm 8.5-9; Gl 5.17). Seria esse o sentido aqui? A “carne” é um termo frequentemente usado nas Escrituras, com variação semântica tão ampla que não é possível descrever todos os seus significados neste espaço. Aqui essa palavra pode indicar a fragilidade da nossa natureza física (Sl 78.39), visto que os discípulos estavam cansados, exaustos e entristecidos; mas também pode ser uma referência à fraqueza da natureza humana decaída (Ef 2.3), por causa da associação com a palavra “tentação”. A expressão pode indicar as coisas simultâneas ou qualquer uma dessas interpretações.
Os discípulos precisavam ficar acordados e orar porque em breve seriam provados. A palavra carne aqui se refere à natureza humana. O contraste entre a natureza dos discípulos e a força do Senhor é impressionante. Já que a carne é fraca, todo filho de Deus precisa de poder sobrenatural (Rm 8.3,4)” (BIBLIOTECABIBLICA). W. Hendriksen diz que a palavra “carne”, no sentido que lhe é atribuído na expressão “a carne é fraca”, indica a natureza humana considerada do prisma de sua fragilidade e necessidades, tanto físicas quanto psíquicas (Is 40.6-8). J. MacArthur diz que o próprio Cristo também estava familiarizado com o sentimento das fraquezas humanas (Hb 4.15). Essas fraquezas, no entanto, devem ser subjugadas à vontade divina. Então ao dizer que “o espírito está pronto, mas a carne é fraca”, basicamente Jesus estava dizendo que o espírito está sempre disposto, mas a carne, com suas debilidades naturais, não acompanha essa disposição. Isso ficou muito claro no comportamento dos discípulos. Este texto não é somente escatológico, mas ele é para agora, é para refletirmos como está nosso relacionamento com Deus. Com as tribulações da vida temos tido o cuidado de buscar a Deus sempre? Ou somente quando estamos necessitados? O nosso Deus Pai está de braços abertos esperando nossa súplica, nossa oração para que Ele na sua infinita glória derrame suas bênçãos sobre nós e sobre nossos familiares.


SUBSÍDIO TEOLÓGICO

“Iniquidade e esfriamento do amor. Em Mateus 24.12, Jesus mencionou mais dois alarmantes sinais, um decorrente do outro: ‘E por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos se esfriará’. E o que assusta, neste duplo sinal, é mais uma vez a palavra ‘muitos’, cujo significado é ‘quase todos’. Não foi por acaso que Jesus ensinou: ‘Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela’ (Mt 7.13). A cada dia, a aceitação da verdade da Palavra de Deus torna-se mais difícil. Doutrinas que outrora, ao serem ensinadas, geravam temor, têm levado muitos crentes a fazerem questionamentos. Vemos que os mensageiros mais conservadores — mas conservadores do ponto de vista bíblico (2 Tm 1.13,14) — são vistos por muitos como extremistas, descontextualizados ou politicamente incorretos. Isso, com certeza, é reflexo do dúplice sinal em questão. O amor ao mundo faz-nos perder o amor a Deus (Tg 4.4; 1 Jo 2.15- 17). E muitos líderes, à semelhança de Demas (2 Tm 4.10), perderão a visão espiritual, nesses últimos dias. Os cultos, que deveriam ter como objetivos o louvor a Deus e a exposição da Palavra (1 Co 14.27), se transformarão — como já vem ocorrendo — em programas de auditório, shows, com muito entretenimento e pouco ou nenhum quebrantamento de espírito na presença do Senhor. Esse sinal indica que, nos últimos dias, o mundo se tornará tão religioso, e a igreja — quer dizer, uma boa parte dela — tão mundana, que não saberá onde começa um e termina o outro. Sabendo que tudo isso aconteceria, Jesus alertou: ‘Vigiai, pois, a todo tempo, orando, para que possais escapar...’ (Lc 21.36, ARA). E, como escapar? O caminho é dar ouvidos à Palavra de Deus e se arrepender, a fim de que o nosso amor não se esfrie (Ap 2.4,5)” (ZIBORDI, Ciro S, Et al. Teologia Sistemática Pentecostal. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2008, pp. 493-94).

CONCLUSÃO

O enfoque no relato do Getsêmani é a vigilância e por essa razão não entramos em outros pontos do texto. Finalizamos dizendo que, na tentação do deserto, o Senhor Jesus recusou o domínio do mundo sem o Pai, mas aqui Ele aceita sofrer e morrer por nós com Deus. A experiência de Jesus e dos seus discípulos no jardim nos ensina que cada cristão tem o seu Getsêmani e cada um de nós deve-se submeter à vontade do Pai.
Naquela noite no Getsêmani, os discípulos de Jesus estavam numa verdadeira batalha entre seu espírito pronto e sua carne fraca. O espírito de cada um deles estava disposto a atender ao pedido de Jesus e permanecer alerta em oração; mas a fraca carne estava conduzindo-os ao sono, e assim, de certa forma, tornando-os vulneráveis aos desejos de Satanás. Certamente não iríamos querer espontânea e voluntariamente “pular” em pecados, sabendo que o salário do pecado é a morte, mas não podemos resistir cair nele porque a nossa carne não é forte o suficiente para resistir. Nós nos colocamos em situações ou preenchemos nossas mentes com paixões sensuais, e isso nos leva a pecar; somos seres caídos e fracos como já antes mencionei. A única forma de sermos fortes em meio às tentações é estarmos verdadeiramente em Cristo; a Cruz como meio e Cristo como a fonte de nossa esperança por meio da graça dada por Deus Pai (Ef 1.4). Fomos chamados para sermos santos e irrepreensíveis diante de Deus. E ser santo é ser separado para Deus e do mundo.

Achando-se as tuas palavras, logo as comi, e a tua palavra foi para mim o gozo e alegria do meu coração; porque pelo teu nome sou chamado, ó Senhor Deus dos Exércitos”. (Jeremias 15.16)




Francisco Barbosa
Disponível no blog: auxilioebd.blogspot.com.br

sexta-feira, 15 de março de 2019

LIÇÃO 11: DISCERNIMENTO DE ESPÍRITOS – UM DOM IMPRESCINDÍVEL


 
SUBSÍDIO I

O QUE É DISCERNIMENTO

O discernimento é uma prática espiritual que todo crente deve desenvolver no seu relacionamento com o Senhor. O apóstolo Paulo recomendou aos filipenses que eles crescessem em sabedoria e conhecimento para que pudessem escolher as coisas excelentes. Assim, poderiam viver sem culpa e agradar a Deus até a volta de Cristo (Fp 1.9-11). Ter sabedoria e conhecimento remete a discernir, julgar ou escolher entre duas ou mais opções. O conselho paulino, então, expressa que devemos desenvolver uma reflexão crítica que nos ajude na nossa santificação para sermos melhores servos de Deus e cumprirmos os propósitos divinos na nossa vida.
Praticar o discernimento é reconhecer quando Deus está se comunicando com alguém, ou se é alguma distração. Como escreveu Richard Peace, teólogo e professor de formação espiritual, discernimento é uma maneira para distinguir as diversas vozes, impulsos, conselhos e intuições. Isso não é fácil para aqueles que vivem uma rotina carregada de atividades. A sensibilidade do reconhecimento depende da intimidade que se tem com o Senhor, de quanto se está atento para ouvir e seguir as orientações dadas pelo Espírito Santo (1 Co 2.11-16). Terão dificuldades em identificar a voz divina aqueles que não buscam a presença do Senhor.
O uso do discernimento considera tanto a tomada de decisão em assuntos corriqueiros da vida humana como também o discernimento de espíritos. Há diferentes tipos de discernimentos porque as escolhas também variam. O teólogo A. W. Tozer exemplifica esse ponto no seu artigo “Como o Senhor guia”. Ele classificou quatro tipos de escolhas com que os cristãos se deparam no cotidiano. As duas primeiras estão relacionadas às coisas que foram proibidas ou permitidas por Deus e estão registradas na Bíblia. A terceira é aquela em que usamos o bom senso, a inteligência e a preferência que Deus nos dá. A quarta refere-se aos problemas que não se encaixam nas três anteriores, por isso exigem atuação especial do Senhor para evitar enganos. Independentemente do tipo de escolha, podemos perceber que o Senhor é quem guia em todas elas, seja uma decisão simples ou complicada.
A passagem de 1 Coríntios 12.8-10 fala sobre dons espirituais relacionados ao ato de discernir; são eles: sabedoria, conhecimento e discernimento de espíritos. Seguindo a interpretação dos assembleianos brasileiros, como expresso na Declaração de fé das Assembleias de Deus, “o dom da sabedoria é um recurso extraordinário proveniente do Espírito Santo, cuja finalidade é a solução de problemas igualmente extraordinários” (p. 173). É para resolver algo que está além das condições humanas e que só a intervenção divina soluciona. O outro dom, o do conhecimento, é uma compreensão que também só provém de Deus, manifestada pelo Espírito Santo. Da mesma forma é o discernimento de espíritos: só pelo Espírito Santo é possível identificar as imitações malignas. Esses dons apresentados em 1 Coríntios 12 são aqueles relacionados a situações excepcionais que somente a atuação divina pode solucionar, independentemente do esforço ou da inteligência humana. Na classificação de Tozer, são esses os casos do quarto tipo de escolha.
Nós, que vivemos o período da igreja, temos o privilégio de desfrutar da operação do Espírito Santo no mundo. Podemos ter conhecimento da vontade de Deus porque o Espírito Santo foi dado à igreja e a cada crente para nos guiar em toda a verdade (Jo 16.12-15). Essa atuação é consequência de Pentecostes (At 2). Dessa forma, nossa capacidade de discernir qualquer que seja o caso, algo básico do cotidiano ou uma situação impossível, depende de quanto estamos aptos a escutar a voz divina.
Esse privilégio, no entanto, pode se tornar uma distração que confunde o ato de julgamento da pessoa. Isso ocorre quando se fala que Deus disse algo quando, na verdade, Deus não disse. Embora seja resultado da ação do Espírito Santo, há o risco de subestimar ou superestimar a voz divina, acrescentando ou reduzindo a mensagem conforme a vontade pessoal desejar. Esse tipo de abuso é um perigo porque impede alguns de viverem de maneira que glorifique o nome de Deus, levando outros a desconfiarem da atuação do Espírito Santo e escandalizando outros, que se afastam da presença do Senhor. A manifestação do Espírito Santo é vista com reservas por alguns, que acreditam que as pessoas se deixam dominar pelas emoções. O desafio, então, é deixar que Deus use mente e emoções

Texto extraído da obra “Batalha Espiritual”, editada pela CPAD 

COMENTÁRIO E SUBSÍDIO II

INTRODUÇÃO

Conforme temos estudado a respeito de Batalha Espiritual, o espírito do engano campeia na sociedade, muitos distorcem o conteúdo da mensagem evangélica. Há também os que são instrumentalizados para ludibriar, até mesmo os crentes. Diante dessa realidade, faz-se necessário nos fundamentar nas Escrituras, e do dom de discernimento de espíritos, a fim de não se tornar prisioneiros das hostes malignas de Satanás.

I. ANÁLISE TEXTUAL
                                                                 
Esse relato lucano se refere a entrada de Paulo na Europa, depois da visão do homem que em sonho clama para que ele passe a macedônia para ajudá-los. Quando o Apóstolo chega a Filipos decidiu ir a oração, quando se deparou com uma jovem – paidisken, alguém que se encontra escravizada – pois tinha um espírito de adivinhação – pneuma puthon – um tipo de espírito com capacidade de revelar coisas sobrenaturais. Aquela mulher estava escravizada pelo mundo dos negócios religiosos, pois dava grande lucro – ergasia – aos senhores que escravizavam aquela jovem, pois essa tinha a capacidade de adivinhação – manteuomene, essa palavra grega dá a ideia de revelar a sorte das pessoas (v. 16). Essa mulher seguia os apóstolos, e clamava – ekrazen, com o sentido de gritar em alta voz, reconhecendo que eles anunciavam a salvação – hodon sôtêria, e que eram servos do Deus Altíssimo – theos ho hupsistos (v. 17). É digno de destaque que ela não fez isso apenas uma vez, mas muitas vezes – polás hêmeras. Paulo, ao invés de se gloriar com aquela afirmação, ficou perturbado – piaponeomai, incomodado – com aquelas palavras, voltou-se para a jovem e disse ao espírito: en onomati Iêsou Christou exelthein ap autês. O verbo encontra-se no imperativo, e é uma ordem para que o espírito saísse imediatamente. Como resultado, o espírito saiu na mesma hora – tô ôra. Os senhores daquela jovem não gostaram, por causa do lucro que a jovem lhes dava, a expressão grega é hê elpis tes ergasias autôn, denotando que aqueles senhores – kurioi – tinha esperança naquele negócio. E por causa da frustração, por saberem que iriam ter prejuízo, prenderam Paulo e Silas e os levaram à praça – agora em grego, seria uma espécie de mercado público, à presença dos magistrados, os archontas – que eram as autoridades da cidade (v. 19). Os senhores viram em Paulo e Silas uma ameaça aos negócios religiosos da cidade, e os identificou como judeus – Ioudaioi, e acusaram-nos e perturbarem – ektarassousin – causarem agitação na cidade. A acusação deles, além de religiosa, também foi cultural, por exporem costumes – ethos, comportamentos – não acharam lícitos, e também uma prática, que não era condizente com romanos – rhomaios (v. 21). Por causa daquela acusação, a multidão – ochlos, as pessoas – se levantou unida – sunepeste, em ajuntamento, contra eles, incitados pela tumba, os magistrados mandaram açoitá-los com, mas antes rasgaram as vestes deles (v. 22).

II. INTERPRETAÇÃO TEXTUAL

Durante a passagem de Paulo, e os demais missionários, pela cidade de Filipos, esse se depararam com uma jovem que tinha um espírito de adivinhação, de procedência demoníaca, com capacidade para conter segredos das vidas das pessoas. Essa prática sempre foi proibida no contexto da religiosidade judaica (Dt. 18.10; I Sm. 28.8; II Rs. 17.17; Mq. 3.11). A palavra grega usada nessa passagem – manteuomai – é a mesma na Septuaginda que se encontra nessas passagens do Antigo Testamento (v. 16). Ao que tudo indica, as adivinhações dessa jovem eram verdadeiras, essa foi uma das razões da perturbação de Paulo, pois poderia parecer que ela estava do mesmo lado do Apóstolo, e que teria alguma identificação com o evangelho pregado pelos missionários (v. 18). O Espírito Santo deu a Paulo a capacidade para discernir a procedência das declarações daquele espírito de adivinhação, e com autoridade espiritual ordenou que deixasse a menina, como fez Jesus em várias ocasiões (Mt. 8.16; 12.28). Aquela jovem era escravizada pelo comércio religioso, os senhores daquele mercado se aproveitavam desse poder, por isso ficaram revoltados quando Paulo expulsou aquele espírito (v. 19). Há vários relatos em Atos de pessoas que queriam ganhar dinheiro por meio da religião, tais como Simão, o mago (8.18-24), Elimas (13.8-12) e Demétrio (19.24). Paulo e Silas foram levados aos magistrados, que eram as pessoas responsáveis por manterem a ordem civil, como oficiais das colônias Romanas (v. 20). Eles estavam a serviço do império, para que as leis fossem cumpridas, principalmente quando comportamentos ameaçavam a prática romana. A multidão ficou polvorosa, e tomou logo partido contra os apóstolos, argumentando que esses contrariavam os costumes romanos, tentando impor práticas judaicas sobre o povo. Esses missionários foram açoitados com varas (v. 23). Na verdade, eles foram injustiçados, pois a opinião pública foi usada contra eles, ainda que Paulo fosse cidadão romano, recebeu açoitado sem que fosse ouvido, como preconizava a lei.

III. APLICAÇÃO TEXTUAL

O dom de discernimento de espírito é uma capacitação sobrenatural, dada pelo Espírito Santo, para identificar manifestações que não procedem de Deus. Nada tem a ver com o julgamento humano, partindo de critérios analíticos, fundamentados na psicologia. Há quem pense que o dom de discernimento de espírito serve para identificar as falhas dos outros, ou que é uma antecipação do pensamento alheio, com base em técnicas humanas e/ou satânicas. O dom de discernimento de espíritos (gr. diakrisis pneumaton) é uma habilitação sobrenatural que permite a identificação da natureza e do caráter dos espíritos. Não podemos esquecer que Satanás pode se transformar em anjo de luz, para difundir o engano inclusive dentro da igreja (II Co. 11.14). Estamos diante de uma batalha espiritual, portanto, precisamos estar preparados, inicialmente com toda armadura de Deus, para vencer as hostes celestiais do Maligno (Ef. 6.11,12). Para tanto devemos cingir os lombos com a verdade, vestir a couraça da justiça, calçar os pés com a preparação do evangelho da paz, o escudo da fé, o capacete da salvação e a espada do Espírito (Ef. 6.13-17). Precisamos, para vencer as hostes satânicas, permanecer atentos quanto ao “espírito que agora atua nos filhos da desobediência” (Ef. 2.2). E saber que o espírito do Anticristo, está presente no mundo (I Jo. 4.1-3). Existem manifestações desse dom no ministério de Cristo, Ele revelava que seus opositores agiam pelo espírito do Diabo (Lc. 13.11-16), que algumas enfermidades eram provenientes de opressão maligna (Mt. 12.22; Mc. 9.25; Lc. 8.29). Paulo, que foi usado pelo Espírito para revelar que havia um espírito de adivinhação em uma jovem em Filipos (At. 16.16-18), admoesta os crentes, através de Epístola a Timóteo, quanto às falsas doutrinas dos últimos dias (I Tm. 4.1). O engano na igreja pode ser identificado através do ensinamento bíblico, por isso Paulo instrui Timóteo a ensinar (I Tm. 4.11). Mas em alguns casos, de modo sobrenatural e instantâneo, o Espírito Santo pode capacitar a igreja a identificar uma atuação enganosa. Isso evita que a igreja seja conduzida ao erro, e se deixe levar pelo ensino dos falsos mestres, que querem desvirtuar o rebanho de Deus (At. 20.30).

CONCLUSÃO

Existem forças poderosas que se opõem a Palavra de Deus, espíritos demoníacos que trabalham contra o evangelho de Jesus Cristo. Precisamos do poder do Espírito Santo, e principalmente do dom de discernimento, para identificar a manifestação diabólica. Esse é um dom imprescindível, ou seja, que não pode ser dispensado, sob o risco de ser conduzidos facilmente pelo espírito do engano. Dependamos cada vez mais de Deus, e do poder do Seu Espírito, para que possamos agradá-LO, com vistas a liberação de vidas escravizadas por satanás, ainda que o mercado religioso se incomode com nosso testemunho.

José Roberto A. Barbosa
Disponível no Blog subsidioebd.blogspot.com

COMENTÁRIO E SUBSÍDIO III

INTRODUÇÃO

O homem espiritual é a pessoa com o Espírito Santo e que, por isso, tem melhores condições para entender cada situação. Isso é diferente daquele que não conhece a Deus. Mas o relato da libertação da adivinhadora de Filipos, por ocasião da segunda viagem missionária do apóstolo Paulo, revela que o discernimento espiritual vai além, pois diz respeito ao "dom de discernir os espíritos (1 Co 12.10). 
O Homem Espiritual é aquele que recebeu a Cristo e tem a sua vida dirigida pelo Espírito de Deus - "O homem espiritual discerne todas as coisas" (1Co 2.15,16). Tem discernimento espiritual para qualquer situação.
Sabemos que somos espirituais quando buscamos a santidade antes da felicidade; quando desejamos ver a honra de Deus promovida através de nossa vida, mesmo que isto signifique desonra ou perda temporária para nós; O homem espiritual; deseja levar a sua cruz. Muitos cristãos aceitam a adversidade ou a tribulação como um suspiro e dizem que é a sua cruz, esquecidos de que essas coisas sobrevêm igualmente ao santo e ao pecador. A cruz é aquela adversidade extraordinária que nos sobrevêm como resultado da nossa obediência a Cristo. Esta cruz não nos é imposta; nós a tomamos voluntariamente com pleno conhecimento das consequências. Ainda, o cristão é espiritual quando vê todas as coisas do ponto de vista de Deus. A capacidade de pesar todas as coisas na balança divina, e de atribuir-lhe o mesmo valor atribuído por Deus, é sinal de vida cheia do Espírito. Outro desejo que caracteriza o homem espiritual é morrer com retidão antes que viver no erro. O desejo de ver outros progredirem às suas custas é outra característica do homem espiritual. Quer ver outros cristãos acima dele, e fica feliz quando eles são promovidos e ele é deixado de lado. O homem espiritual habitualmente faz julgamentos segundo a eternidade, e não julgamentos temporais.
Quando se trata do dom de discernir espíritos, cada crente nascido de novo tem uma certa quantidade de discernimento, o qual aumenta à medida que o crente amadurece no Espírito. Em Hebreus 5:13-14, lemos que um crente que tem amadurecido além de usar o leite da Palavra como um bebê em Cristo é capaz de discernir tanto o bem quanto o mal. O crente que está amadurecendo é capacitado pelo Espírito de Deus através das Escrituras para distinguir a diferença entre o bem e o mal e, além disso, também entre o que é bom e o que é melhor. Em outras palavras, qualquer crente nascido de novo que escolhe se concentrar na Palavra de Deus é espiritualmente discernente.

I. DISCERNIR E DISCERNIMENTO
                                                                 
No seu uso geral, discernimento é, na vida cotidiana, a capacidade de compreender e avaliar as coisas com bom senso e clareza, de separar o certo do errado com sensatez. O termo aparece nessa acepção na Bíblia (2 Sm 19.35; Jn 4.11). Mas, no contexto teológico, o seu uso é muito mais amplo, como veremos a seguir.
Discernimento é capacidade de compreender situações, de separar o certo do errado; de avaliar as coisas com bom senso e clareza; juízo, tino.
Discernimento espiritual significa ter a capacidade de distinguir entre o que é certo ou errado, verdadeiro ou falso na área espiritual. A pessoa que tem discernimento espiritual sabe a diferença entre o que vem de Deus e o que não vem. O discernimento espiritual é um dom de Deus. Discernimento é a capacidade para compreender o que é bom ou ruim, o que é certo ou errado, o que é sensato ou irresponsável... Quem tem discernimento não cai facilmente em armadilhas, porque consegue ver a intenção por trás de ações e palavras (Provérbios 20:5).” (RESPOSTAS.COM).

1. O verbo "discernir". O Novo Testamento grego apresenta dois verbos traduzidos em nossas versões bíblicas por "discernir", anakrino e diakrino. O significado do primeiro é amplo, como "perguntar, interrogar, investigar, examinar" (Lc 23.14; At 17.11), e aparece também com o sentido de "discernimento" (1 Co 2.14,15). O segundo verbo apresenta grande variedade semântica e uma das variações é a de discernir (1 Co 11.29).
A Concordância Strong traz a palavra grega kathoraó, significando: verdiscernir claramente. No Novo Testamento encontramos varias palavras que expressam algo como discernimento, tal qual entendemos hoje. Algumas destas palavras são variações do verbo krino, cujo significado básico é separardistinguirestimar,  julgar. Veja por exemplo, Ana-krinoatravéspenetrar até o fundo; Assim, entendemos que discernir, em termos bíblicos, é a capacidade de compreender o que o Senhor está revelando através dos acontecimentos do momento.

2. O substantivo "discernimento". O termo grego é diákrisis, que só aparece três vezes no Novo Testamento e, em cada uma delas, o significado é diferente: uma vez com o sentido de "briga" ou "julgamento" (Rm 14.1); outra, como "distinção" em que se julgam pelas evidências se os espíritos são malignos ou se provém de Deus (1 Co 12.10); e, finalmente, para discernir entre o bem e o mal (Hb 5.14).
A palavra grega para “discernimento” é diakrisis. O termo aparece três vezes com o sentido de contenda (Rm 14.1). Discernimento, pois, é a capacidade de escolher entre o bem e o mal em virtude do crescimento espiritual (Hb 5.14). É a capacidade sobrenatural para se distinguir a fonte da manifestação espiritual, se é de fato do Espírito Santo, de um espírito demoníaco ou meramente humano (1 Co 12.10).

3. Atualidade. Há manifestações sobrenaturais por meio de falsos profetas (Dt 13.1-3). Jesus disse que o Anticristo aparecerá fazendo sinais, prodígios e maravilhas de tal maneira que, se possível fora, enganaria até os escolhidos (Mt 24.24). Os agentes de Satanás transformam-se em anjos de luz, e seus mensageiros, em ministros de justiça (2 Co 11.13-15). Em todos os lugares e em todas as épocas, sempre existiram falsas imitações, e só com o discernimento do Espírito Santo é possível identificar a fonte de tais manifestações. Isso mostra a importância e a atualidade do dom de discernir os espíritos (1 Co 12.10).
O Pr Antônio Gilberto discorre sobre o texto de Atos 16: “O fato narrado em Atos 16.16-18 é claramente um caso de operação do dom de discernimento de espíritos através de Paulo. O demônio que atuava naquela moça escrava procurou agir de forma mascarada, tentando enganar os servos de Deus, proferindo inclusive palavras elogiosas e verdadeiras em relação a Paulo e Silas, bem como a Deus mesmo, pois ele disse (por meio da moça) que aqueles homens anunciavam o caminho da salvação e, em seguida, referiu-se a Deus como “Deus Altíssimo”, reconhecendo a sua soberania sobre tudo e sobre todos. Mas Paulo logo viu que era um demônio que estava camuflado ali, e em nome de Jesus ordenou que fosse embora. Este dom do Espírito, como os demais, não agem segundo a vontade do seu portador, mas segundo a vontade de Deus e para a sua glória. Isto é, não é a todo instante que ele está em ação no seu portador, mas sim conforme a vontade de Deus. Outrossim, o discernimento de espíritos não é simples empatia do espírito humano, mais avolumado em certas pessoas e noutras não. Certamente, o dom de que estamos tratando, discernimento de espíritos, está implícito no julgamento das profecias da igreja, como em 1Co. 14.29. Vê-se, pois, que este dom divino é de grande valia para desmascarar enganadores e falsários, que se apresentam como pessoas inofensivas, cooperadoras e santificadas, sem, no entanto, apresentarem frutos que os comprovem.” (CACP)

SUBSÍDIO DOUTRINÁRIO

“Discernimento de espíritos. A expressão inteira, no grego, apresenta-se no plural. Este fato indica uma variedade de maneiras na manifestação desse dom. Por ser mencionado imediatamente após a profecia, muitos estudiosos o entendem como um dom paralelo responsável por ‘julgar’ as profecias (1 Co 14.29). Envolve uma percepção capaz de distinguir espíritos, cuja preocupação é proteger-nos dos ataques de Satanás e dos espíritos malignos (cf. 1 Jo 4.1). O discernimento nos permite empregar a Palavra de Deus e todos os demais dons para liberar o campo à proclamação plena do Evangelho. ‘Da mesma forma que os demais dons, este não eleva o indivíduo a um novo nível de capacidade. Tampouco concede a alguém a capacidade de sair olhando as pessoas e declarando do que espírito são. É um dom específico para ocasiões específicas’” (HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996, p.475).

II. A ADIVINHADORA DE FILIPOS

Quem realmente já experimentou o poder de Deus na vida não pode ser levado por impostores. Deus permite, às vezes, o sobrenatural vindo de fontes estranhas para provar a fé do crente e sua experiência espiritual.
Há duas maneiras para se discernir a fonte da mensagem ou dos milagres: pelo conteúdo doutrinário (Hb 5.14; 1 Jo 4.1) ou pela revelação do Espírito Santo (At 5.1-5). O apóstolo Pedro não teria como saber o propósito de Ananias e Safira sem a intervenção do Espírito de Deus. Em Filipos, diz o texto sagrado que a jovem com poderes de adivinhação “isto fez por muitos dias” (v.18): “Estes homens, que nos anunciam o caminho da salvação, são servos do Deus Altíssimo” (v.17). Isso parece mostrar que o discernimento foi tanto pelo conteúdo doutrinário como também pela revelação do Espírito Santo.

1. Uma avaliação sensata. A jovem adivinha estava possessa, tomada pelo espírito das trevas; logo, a mensagem dela não vinha de si mesma, mas do espírito que a oprimia. Satanás é o pai da mentira (Jo 8.44) e o principal opositor da obra de Deus (At 13.10). Por que, então, o espírito adivinho elogiaria os dois mensageiros de Deus, Paulo e Silas, ao confirmá-los como anunciadores do caminho da salvação? É óbvio que havia algo de errado nisso.
O Diabo é o pai da mentira (Jo 8.44), logo seus filhos espelham suas qualidades. A jovem advinha também era dessa ‘família’ – a filiação é manifesta pela conduta. O filho manifesta as características do pai (Ef 5.1-2). Esta moça mantinha contato com demônios que supostamente podiam prever o futuro (Dt 18.9-12). Paulo sabia que Deus não permite adivinhos, logo, as palavras daquela moça não podiam ter origem no Senhor. A palavra grega usada para “adivinhação” é python, nome de um dragão que, segundo a mitologia clássica, era guardião do templo de Apolo e do oráculo de Delfos. Acreditava-se que Apolo se encarnava nessa serpente para inspirar as pitonisas. Os gregos chamavam de python, portanto, ao adivinho que previa o futuro. Adivinhação consiste na revelação de segredos do passado, do presente e do futuro. Essa prática associa-se à feitiçaria, cujo intento é usar poderes do mundo espiritual para influenciar as pessoas ou até eventos.

2. O espírito de adivinhação. A jovem pitonisa "tinha espírito de adivinhação" (v. 16). O termo grego usado aqui é python, "Píton, espírito de adivinhação", de onde vem o termo "pitonisa", associado à feitiçaria. Píton era a serpente que guardava o oráculo em Delfos, na antiga Grécia, a qual, segundo a mitologia, Apolo matou. Com o tempo, python passou a ser usado para designar adivinhação ou ventríloquo, que em grego é engastrimythos, de gaster, “ventre", e mythos, "palavra, discurso", cuja ideia é dar oráculos ou predições desde o ventre, pois se imaginava alguém ter tal espírito em seu ventre. O vocábulo engastrimythos não aparece no Novo Testamento, mas está presente na Septuaginta (Lv 19.31; 20.6) e é aplicado à feiticeira de En-Dor (1 Sm 28.7,8).
O subtópico descreveu bem a origem do termo pítonpitonisa. Acredito mais viável aqui diferenciar o espírito de adivinhação dos casos bíblicos desse conhecimento sobrenatural, através do Espírito Santo: podemos ver em Samuel, tendo conhecimento antecipado sobre as jumentas perdidas de Quis (1Sm. 9.15-20) e também seu conhecimento antecipado dos sinais de confirmação do reinado de Saul (1Sm. 10.2-9). É o caso do profeta Eliseu, que sobrenaturalmente conheceu os movimentos do exército da Síria (2Rs. 6-8) e também o que se passava no íntimo de Geazi (2Rs. 5.20-26). É ainda o caso do profeta Aías, identificando e apontando a mulher de Jeroboão, antes que se aproximasse (1Rs. 14.6). Certamente temos casos desse dom operando em escala incomparável em Jesus (Mt. 16.23; Lc. 19.5; Jo. 1.48; 2.25; 4.18).

3. Adivinhações ontem e hoje. Moisés enumerou algumas práticas divinatórias comuns entre os cananeus (Dt 18.14) e os egípcios (Is 19.3), as quais Israel deveria rejeitar. Isso vale também para os cristãos, pois essas práticas estão presentes ainda hoje na sociedade. Parece que essas coisas encantam o povo, como aconteceu em Samaria com Simão, o mágico (At 8.9-11). Tais práticas envolvem, direta ou indiretamente, magia, astrologia, alquimia, clarividência, tarô, búzios, quiromancia, necromancia, numerologia etc. São práticas repulsivas aos olhos de Deus porque trata-se de uma forma de idolatria (Ap 21.8; 22.15). Como parte da magia, a adivinhação é uma antiga arte de predizer o futuro por meios diversificados: intuição, explicação de sonhos, cartas, leitura de mão etc.
A Lei proibia todo tipo de adivinhação, não somente algumas elencadas por Moisés. Em Deuteronômio 18.9-11 está escrito: "Quando entrares na terra que o Senhor, teu Deus, te der, não aprenderás a fazer conforme as abominações daqueles povos. Não se achará entre ti quem faça passar pelo fogo o seu filho ou a sua filha, nem adivinhador, nem prognosticador, nem agoureiro, nem feiticeiro; nem encantador, nem necromante, nem mágico, nem quem consulte os mortos". A Bíblia com Anotações de Scofield comenta a respeito: As oito práticas anatematizadas para determinação do futuro são estas: 1. do adivinhador – os métodos são apresentados em Ez 21.21; 2. do prognosticador – possivelmente referindo-se à feitiçaria ou astrologia; 3. do agoureiro – aquele que usa prognósticos; 4. do feiticeiro – aquele que faz uso da magia, de fórmulas ou encantamentos; 5. dos encantadores – Sl 58.4-5; 6. de quem consulta um espírito adivinhante – veja o número 7; 7. do mágico, geralmente usado com o número 6 – Is 8.19 descreve a prática; e 8. do necromante – aquele que procura interrogar os mortos. Duas coisas precisam ser mantidas em mente: 1) este mandamento tinha aplicações específicas a Israel que estava entrando na terra; foram feitas para preservar os israelitas das abominações dos seus predecessores (vv. 9, 12 e 14) e 2) para se perceber claramente o contraste entre esses falsos profetas e os profetas como Moisés (vv. 15-19).

SUBSÍDIO DIDÁTICO-PEDAGÓGICO

Para lição desta semana é importante você estudar o tema dos Dons Espirituais de um modo geral e específico com relação ao dom de discernimento de espíritos. Para isso, sugerimos a obra “Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal”, editada pela CPAD. Lembre que o planejamento e a organização são fundamentais para uma aula eficaz. Não deixe para se organizar em cima da hora. Antecipe-se!

III. DESMASCARANDO OS ARDIS DE SATANÁS

O Senhor Jesus colocou à disposição de cada crente as condições necessárias para discernir entre o falso e o verdadeiro, habilitando-o a fazer a obra de Deus. Ele disse: "Eis que vos envio como ovelhas ao meio de lobos" (Mt 10.16) e para isso nos equipou com armas espirituais de defesa e de ataque ao reino das trevas (2 Co 10.1-5). 0 discernimento espiritual é importante arma do arsenal do Espírito Santo.
O que é esse discernimento? A palavra usada no Salmo 119:66 significa “provar, testar”. É a capacidade de fazer julgamentos discriminativos, de distinguir e reconhecer as implicações morais de diferentes situações e cursos de ação. Inclui a capacidade de “ponderar” e avaliar o status moral e espiritual de indivíduos, grupos e até mesmo de movimentos. Assim, enquanto nos guardamos do criticismo, Jesus nos insta a discernir as coisas, a fim de não lançarmos nossas pérolas aos porcos (Mateus 7:1, 6). Um notável exemplo de discernimento é descrito em João 2:24–25: “Mas Jesus não confiava neles, pois conhecia a todos. Não precisava que ninguém lhe desse testemunho a respeito do homem, pois ele bem sabia o que havia no homem” (NVI). Isso é discernimento sem julgamento. Envolvia o conhecimento de nosso Senhor sobre a Palavra de Deus e Sua observação dos caminhos de Deus com os homens (Ele, oportunamente, havia orado: “Ensina-me bom juízo e conhecimento, pois creio nos teus mandamentos”. – Salmos 119:66). Indubitavelmente, o discernimento de Jesus aumentou quando Ele experimentou o conflito com Satanás no deserto e a vitória sobre a tentação, e como Ele avaliou todas as situações à luz da Palavra de Deus. O discernimento de Jesus penetrou nas profundezas do coração. E o cristão é chamado a desenvolver um discernimento semelhante, pois o único discernimento que necessitamos é o que recebemos na união com Cristo, pelo Espírito, através da Palavra de Deus. Portanto, o discernimento é aprender a pensar os pensamentos de Deus e praticá-los espiritualmente; significa ter uma ideia de como as coisas parecem aos olhos de Deus e vê-las em alguma medida “descobertas, desnudadas” (Hebreus 4:13)”. (REFORMADOS21)

1. O dom do Espírito Santo. O dom de discernir os espíritos aparece logo após o dom de profecia (1 Co 12.10); por essa razão, muitos associam o referido dom como meio de "julgar" as profecias (1 Co 14.29). Mas o contexto do Novo Testamento mostra que essa não é a sua única função. Serve também para distinguir a manifestação do Espírito Santo das manifestações de profecias, línguas, visões, curas provenientes de fontes demoníacas, e para proteger-nos dos ataques satânicos. Manifesta-se em situações nas quais não é possível, com recursos humanos, identificar a origem da manifestação sobrenatural.
O dom de discernir espíritos, ou de "discernimento" de espíritos, é um dos dons do Espírito Santo descrito em 1 Coríntios 12:4-11. Como todos esses dons, o dom de discernir espíritos é dado pelo Espírito Santo, o qual os dispersa para que os crentes possam servir no corpo de Cristo. Cada crente tem uma capacitação espiritual para um serviço específico, mas não há espaço para a autoescolha. O Espírito distribui os dons espirituais de acordo com a soberania de Deus e de acordo com o seu plano para a edificação do corpo de Cristo. Ele dá esses dons "como lhe apraz" (1 Coríntios 12:11). Quando se trata do dom de discernir espíritos, cada crente nascido de novo tem uma certa quantidade de discernimento, o qual aumenta à medida que o crente amadurece no Espírito. Em Hebreus 5:13-14, lemos que um crente que tem amadurecido além de usar o leite da Palavra como um bebê em Cristo é capaz de discernir tanto o bem quanto o mal. O crente que está amadurecendo é capacitado pelo Espírito de Deus através das Escrituras para distinguir a diferença entre o bem e o mal e, além disso, também entre o que é bom e o que é melhor. Em outras palavras, qualquer crente nascido de novo que escolhe se concentrar na Palavra de Deus é espiritualmente discernente. Há certos crentes, no entanto, que têm o dom espiritual de discernir espíritos – ou seja, a capacidade dada por Deus para distinguir entre a verdade da Palavra e as doutrinas enganosas veiculadas por demônios. Somos todos exortados a ser espiritualmente discernentes (Atos 17:11; 1 João 4:1), mas alguns no corpo de Cristo têm recebido a capacidade única de detectar as "falsificações" doutrinais que têm assolado a igreja desde o primeiro século. Este discernimento não envolve revelações extra-bíblicas místicas ou uma voz de Deus. Em vez disso, os que possuem esse dom estão tão familiarizados com a Palavra de Deus que instantaneamente conseguem reconhecer o que é contrário a ela. Eles não recebem mensagens especiais de Deus; apenas usam a Palavra de Deus para "testar os espíritos" e ver quais se alinham com Deus e quais estão em oposição. Os que possuem esse discernimento espiritual são diligentes para "manejar bem" (2 Timóteo 2:15) a Palavra de Deus.” (PORTALEBD.ORG)

2. Uma estratégia demoníaca para confundir o povo. É muito estranho que o espírito maligno que atuava na vida da jovem viesse gritando publicamente por muitos dias e elogiando Paulo e Silas com as palavras: "Estes homens, que nos anunciam o caminho da salvação, são servos do Deus Altíssimo" (v.17). Essa não foi a única vez em que Satanás procedeu dessa maneira (Mc 5.7). Adam Clarke comenta que o "testemunho sobre os apóstolos, em essência, era verdadeiro, com o fim de destruir sua reputação e arruinar a sua utilidade". O propósito diabólico aqui era transmitir ao povo a falsa ideia de que a mensagem que Paulo e Silas pregavam seria a mesma da jovem adivinhadora.
O intuito do espírito adivinhador não era elogiar o ministério de Paulo e Silas, mas sim, importunar enquanto anunciavam a Cristo, Deus não permite o testemunho do diabo a Seu respeito! Numa situação semelhante, Jesus estava na sinagoga e um homem com espírito imundo começou a gritar: “Dizendo: Ah! que temos contigo, Jesus Nazareno? Vieste destruir-nos? Bem sei quem és: o Santo de Deus.” (Marcos 1:24).  Na mesma hora Jesus o repreendeu e disse: “Cala-te, e sai dele.” (Mc 1.23-25). E o texto diz que o espírito imundo saiu do homem clamando em alta voz.
- “Espírito de adivinhação é uma especialidade do diabo e é através da adivinhação do futuro que muitos são atraídos ao engano. Pense um pouco: tudo o que Deus quer revelar ao homem está escrito na Bíblia, o que exceder à Palavra escrita é mera especulação, e/ou adivinhação. É através da adivinhação que o diabo amaldiçoa muitas vidas e todos conhecem casos em que alguém foi “avisado” por espíritos imundos de tragédias que estavam para acontecer e depois que aconteceram, estas pessoas passaram a depender de tais “adivinhações”.” (SOMBRADOONIPOTENTE)
A jovem estava possessa, tomada pelo espírito das trevas, logo, a mensagem não vinha de si mesma, mas do espírito que a oprimia. Satanás é o pai da mentira (Jo 8.44) e o principal opositor da obra de Deus (At 13.10). Por que, então, o espírito adivinho elogiou os dois mensageiros de Deus, dizendo a todos que eles eram anunciadores do caminho da salvação e “servos do Deus Altíssimo”? Porque era uma estratégia demoníaca para confundir o povo. 2. O termo “salvação” (v.17). O texto não esclarece a que salvação o espírito imundo referia-se, considerando ser um termo comum entre os pagãos. Essa técnica é usada, ainda hoje, pelas seitas. A salvação dos mórmons, por exemplo, apresenta sentido diferente daquela pregada pelo cristianismo bíblico: como libertação dos pecados (Mt 1.21), livramento da condenação eterna (Rm 8.1) e transformação pelo poder do Espírito Santo (Tt 3.5). 3. Qual a intenção do espírito de adivinhação? O propósito diabólico era dizer a todos que a mensagem que Paulo e Silas pregavam seria a mesma da jovem adivinhadora. Ainda hoje, Satanás usa essa estratégia para fazer o povo acreditar na falsa idéia de que todas as religiões levam a Deus. Essa mensagem é absolutamente oposta à Bíblia; Jesus é singular, o cristianismo é exclusivo; somente Jesus conduz o homem a Deus (Jo 14.6; At 4.12)” (ESTUDANTESDABIBLIA)

3. A libertação da jovem adivinhadora. A moça era uma escrava que dava muito lucro aos seus senhores com essa prática ocultista (v. 16). Ao ser liberta pelo poder do nome de Jesus, os seus proprietários viram nisso um prejuízo econômico e foram denunciar os missionários às autoridades locais. A população não viu a maravilha da grande libertação da moça, e Paulo e Silas não foram denunciados por causa da expulsão do espírito maligno da jovem. Eles foram acusados de perturbar a ordem pública e nem sequer foram ouvidos, ou seja, não tiveram o direito de resposta. Foram açoitados e colocados na prisão (vv.19-22). Jesus tornou-se também persona non grata em Gadara por causa do prejuízo dos porqueiros (Mc 5.16-18). Infelizmente, o lucro fala mais alto ainda hoje.
Durante muitos dias aquela cena se repetiu, até que Paulo, perturbado, voltou-se e disse ao demônio que agia através daquela jovem: “Em nome de Jesus Cristo, te mando que saias dela. E na mesma hora saiu.” (Atos 16:18). O problema é que aquele espírito de adivinhação gerava grande lucro para os senhores daquela jovem e quando eles viram a esperança de lucro “descer pelo ralo”, eles foram denunciar Paulo e Silas aos magistrados da cidade. Os servos de Deus foram presos e açoitados, mas não perderam a fé e o texto diz que mesmo presos, com os pés amarrados ao tronco, eles oravam e cantavam hinos a Deus.” (SOMBRADOONIPOTENTE)

4. A necessidade do dom de discernir. O discernimento do Espírito nos permite conhecer tudo aquilo que é impossível saber por meio de recursos humanos. O caso de Paulo e da adivinha de Filipos é emblemático, um exemplo clássico do uso desse dom na vida real. Reconhecer a origem maligna de uma manifestação contra a Igreja não é tão difícil, mas, no contexto de Paulo, diante dos elogios da adivinhadora, isso era praticamente impossível sem a atuação do Espírito Santo.
Deus deu a Israel profetas legítimos, os quais falaram inspirados pelo Espírito Santo. Mesmo no reino dos profetas, Deus permitiu o surgimento de falsos profetas (2 Pe 1.19-21; 2.1). Como distinguir o falso do verdadeiro? O texto sagrado diz: “profeta ou sonhador... te der um sinal ou prodígio” (v.1). Isso fala de sinais grandiosos que podem impressionar os imprudentes. O termo: “Vamos após outros deuses” (v.2), trata-se de milagres estranhos. Qualquer um, portanto, mesmo com o mínimo de discernimento, tem condições de discernir a fonte desses aparentes milagres. Já vimos em lições anteriores a possibilidade de manifestações sobrenaturais por meio de homens não comprometidos com a verdade. Jesus disse que o Anticristo virá fazendo sinais, prodígios e maravilhas de maneira tal que, se possível fora, enganaria até os escolhidos (Mt 24.24). Os agentes de Satanás transformam-se em anjo de luz, e seus mensageiros em ministros de justiça (2 Co 11.13-15). O crente depende da ajuda do Espírito Santo para discernir a verdade, e, para isso, é necessário estar em comunhão com Ele”. (ESTUDANTESDABIBLIA)


SUBSÍDIO VIDA CRISTÃ

“Dei uma conferência na África sobre os demônios. Sobre o assunto argumentei: ‘Espanta-me constatar que durante todos esses anos em que houve missões nesta terra, as mãos de vocês estivessem amarradas por causa de médiuns feiticeiros. Por que vocês não saem e expulsam o Diabo das pessoas e as livram do poder que as escraviza?’
O segredo de nossa obra, a razão de Deus nos ter dado cem mil almas, o motivo por que temos mais mil e duzentos pregadores nativos em nossa obra na África, é devido ao fato de crermos na promessa: ‘Filhinhos, sois de Deus e já os tendes vencido, porque maior é o que está em vós do que o que está no mundo’ (1 Jo 4.4).
Nós não apenas saímos para buscá-las, mas as desafiamos individual e coletivamente, e pelo poder de Deus libertamos as pessoas do poder que as acorrenta. Quando são libertas, elas se rejubilam pela libertação da escravidão na qual estavam presas. ‘Porque Deus não nos deu o espírito de temor, mas de fortaleza, e de amor, e de moderação’ (2 Timóteo 1.7)” (LAKE, John G. Devocional. Série: Clássicos do Movimento Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2003, pp.146-47).

CONCLUSÃO

Satanás é perito no engano e no disfarce, na mentira e na aparência: “porque o próprio Satanás se transfigura em anjo de luz” (2 Co 11.14). Ele é um ser habilidoso e acima de qualquer ser humano na arte do engano e da mentira; os seus disfarces só são discerníveis pelo Espírito Santo: “porque não ignoramos os seus ardis” (2 Co 2.11). Às vezes, até mesmo os crentes, por falta de vigilância, terminam caindo no laço do Diabo.
É dever do cristão não se levar pela manifestação de sinais sobrenaturais sem antes ter certeza de sua origem. Há quem defenda a ortodoxia cristã, mas não tem qualidade ética, não vive o que prega e nem prega o que vive. Por outro lado, há quem viva uma vida exemplar, mas cuja doutrina é heresia. Que Deus abençoe e ajude-nos! Fiquemos sempre na Palavra de Deus.

Achando-se as tuas palavras, logo as comi, e a tua palavra foi para mim o gozo e alegria do meu coração; porque pelo teu nome sou chamado, ó Senhor Deus dos Exércitos”. (Jeremias 15.16)

Francisco Barbosa
Disponível no blog: auxilioebd.blogspot.com.br