sábado, 13 de janeiro de 2018

LIÇÃO 2: UMA SALVAÇÃO GRANDIOSA


SUBSÍDIO I

O PERIGO DO DESVIO ESPIRITUAL É REAL

Na lição passada, vimos que uma das características da Carta aos Hebreus é seu apelo exortativo, ao ponto de os principais comentaristas bíblicos concordarem de que não há em nenhum outro documento essa característica de maneira tão intensa. Vimos também que sua autoria é desconhecida, entretanto, considerar assim foi a melhor decisão adotada, pois não há unanimidade quanto a identificação do autor já na tradição apostólica – Clemente de Roma, Clemente de Alexandria, Orígenes, Tertuliano – e, também, na hermenêutica dos reformadores – Martinho Lutero e João Calvino. Porém, aprendemos que esse fato não depõe contra a autoridade inspirada deste documento.
Estudamos também que a carta foi endereçada a uma igreja de cristãos judeus, localizada provavelmente próxima de Roma. Essa comunidade de cristãos dava indícios de desânimo e de enfraquecimento espiritual. Logo, o propósito da carta é exortar e animar os cristãos a não retrocederem na fé. Por isso, o escritor aos Hebreus inicia sua carta fazendo menção da supremacia de Cristo em relação aos profetas e aos anjos, duas imagens muito importantes para os judeus daquela época. Assim, a revelação de Deus foi manifesta “nestes últimos dias” por intermédio de seu Filho, Jesus Cristo, a plenitude da divindade. Diferente dos profetas, e dos anjos, Ele morreu e ressuscitou para trazer salvação às nossas vidas. Por isso, não podemos retroceder porque Ele não recuou. Nesse contexto, o autor aos Hebreus faz a primeira exortação de advertência grave no capítulo dois.

O Perigo do Desvio Espiritual

Nesse segundo capítulo, o autor mostra que toda transgressão e desobediência receberam justa retribuição na Antiga Aliança (v.3). Por que não receberiam hoje? A transgressão e a desobediência praticadas por cristãos atualmente não são dignas de correção divina? Não é isso que o capítulo dois de Hebreus ensina.
Ali, o autor inicia com a sentença objetiva de que é possível, sim, um cristão se desviar da “verdade” se não atentar para ela de maneira intensa, “diligente” (ARC), “mais assiduamente” (TB), “com mais firmeza” (ARA). A ideia aqui é a de que é preciso fazer esforço para o cristão não desviar das “verdades ouvidas” (v.1). Ou seja, essas “verdades ouvidas” referem-se “à revelação de Deus em seu Filho, sobre a salvação (cf. 2.3a)”, ou seja, a doutrina da fé apostólica (ARRINGTON; STRONSTAD, 2003, p.1549). Desviar dessas verdades é perder a espiritualidade. E não se trata de não crentes, ou pessoas longe da fé. A carta é endereçada ao grupo de cristãos judeus que tiveram um encontro com Cristo e foram confirmados pela efusão dos dons do Espírito Santo (Hb 2.4).

Desviar agora é pior do que antes

No Antigo Testamento, a Lei foi dada no Sinai por intermédio dos “anjos” (v.2). Aqui, há um claro contraste entre “Cristo” e “os anjos”. Ora, se no tempo da Lei, numa legislação intermediada por anjos, que são menores que o nosso Senhor, o povo de Israel sofreu severo juízo ao desviar-se da Lei de Deus; agora, no tempo em que foi constituída a preciosa graça por quem é “a Luz do Mundo” e o “Autor da maravilhosa salvação”, não há possibilidade de escapar de sua justa ira. O autor aos Hebreus deixou claro que “o resultado de se desviar de Cristo é um fim pior do que experimentado por aqueles que desobedeceram à lei de Moisés sob a antiga aliança (vv.2,3; cf.10.28)” (ARRINGTON; STRONSTAD, 2003, p.1550). 

A Advertência de Hebreus é urgente num tempo de “Graça Barata”

A expressão “graça barata” foi usada pelo teólogo luterano Dietrich Bonhoeffer na introdução de seu importante livro “Discipulado”. Com a expressão, Bonhoeffer está denunciando o cristão que confia muito em sua “expressão verbal” a respeito da graça de Deus, mas a despreza na vida prática. Graça sem arrependimento pelo pecado não é graça; graça sem disciplina espiritual não é graça; graça sem mortificar a “carne” não é graça; graça sem a disciplina da oração não é graça; graça sem compromisso sério com a Palavra não é graça; graça sem a disciplina da santidade não é graça; graça sem a compreensão de que a fé cristã tem limites morais bem delimitados não é graça. É vã filosofia. É debilidade espiritual. É cinzas que ainda não foram removidas.
Vivemos num tempo que para alguns é como se fosse “pecado” afirmar que o crente pode desviar da fé. Entretanto, trata-se de uma verdade bíblica e expositiva. Não é apenas um versículo solto ou de uma citação secundária do escritor aos Hebreus, mas o propósito da carta é visível do início ao fim da epístola: o caráter admoestativo acerca da possibilidade do desvio espiritual. 

Algumas aplicações a partir da lição:

1. É perigoso não atentar “com firmeza” para a nossa salvação diante da vida cotidiana.
2. Conhecer a Deus e retroceder depois é pior do que não conhecê-lo.
3. A vida cristã requer disciplinas espirituais: oração; jejum; leitura da Palavra; exercício da santidade.
4. Vida disciplinada não é legalismo, mas a predisposição em fazer a vontade de Deus. Há de se ter disciplina para o exercício de uma vida piedosa.
5. Há limites bem estabelecidos para a moralidade cristã a partir das Escrituras.
6. Há uma verdade objetiva no capítulo 2 de Hebreus da qual não podemos desviar: atentar para tão grande salvação.
Marcelo Oliveira de Oliveira 
SUBSÍDIO II

INTRODUÇÃO

Os cristãos hebreus arriscavam-se, caso deixassem de atentar para a grandiosa salvação, providenciada por Deus. Por isso, conforme estudaremos na lição de hoje, fazia-se necessário persistir, mesmo diante do sofrimento, tendo Jesus como Expoente. Isso porque, através do Seu sacrifício, nos proveu a libertação, dando-nos, também, pelo Seu Espírito, a capacidade para vencer as provações.
                                                                                                       
1. UMA TÃO GRANDE SALVAÇÃO

A salvação que nos foi favorecida em Cristo é superior a atuação dos anjos, por isso não pode ser ignorada, ou mesmo esquecida. Essa “tão grande salvação” não foi trazida por intermédio dos anjos, como se acreditava ter ocorrido no judaísmo (Dt. 33.2; Gl. 3.19). A salvação tem relação direta com sua mensagem, não se trata, portanto, apenas de uma experiência subjetiva, distanciado do conteúdo bíblico. E essa mensagem foi declarada inicial pelo Senhor, e se encontra registrada nos Evangelhos, mas que também foi confirmada por aqueles que a ouviram, e pode ser conferida no texto neotestamentário. O testemunho desses é confirmado pelo próprio Deus, que se revelou nesses últimos dias através do Seu Filho (Hb. 1.1,2). Jesus é o Logos que se fez carne, e por esse motivo, nenhuma revelação pode ser comparada a Ele, pois nEle habita a plenitude da divindade, sendo Ele a Palavra Definitiva de Deus à humanidade (Jo. 1.1,14; Cl. 2.9). Por esse motivo, aqueles que se apartam dessa “grandiosa salvação” correm grave risco, pois se colocam debaixo da justa retribuição divina. Nesses tempos de lassidão evangélica, que não leva a sério a mensagem salvífica de Deus em Cristo, é preciso lembrar que há um juízo para aqueles que desconsideram o evangelho.

2. ALCANÇADA PELO SOFRIMENTO

Conforme ressaltamos anteriormente, os anjos eram estimados naquela comunidade, por isso são abordados pelo autor, principalmente para ressaltar a supremacia de Cristo sobre eles. A fim de mostrar essa distinção e superioridade, o autor recorre a várias passagens do Antigo Testamento, que apontam para a autoridade de Cristo. Com base no Sl. 8, enfatiza não apenas que Jesus assumiu nossa humanidade, mas que também é o Homem Ideal, o projeto inicial de Deus (Hb. 2.9). E digno de destaque, para concretizar a salvação da humanidade, precisou adentrar pelo caminho do sofrimento (Hb. 2.10). Devemos atentar para essa condição, sobretudo nos dias atuais, nos quais os cristãos querem a glória, antes de carregarem a cruz. Aqueles que são discípulos de Jesus devem saber que existe uma cruz a ser carregada, e essa é uma demonstração de que nos identificamos com Ele (Mt. 16.24). O slogan evangélico “pare de sofrer” nada tem a ver com a mensagem genuinamente cristã. O próprio Cristo disse: “no mundo tereis aflições” (Jo. 16.33), e Paulo declarou que: “todos aqueles que piamente querem viver em Cristo Jesus padecerão perseguições” (II Tm. 3.12). O cristianismo sem sofrimento, que não admite uma cruz, é um cristianismo sem Cristo.

3. NOSSO LIBERTADOR

     Uma das principais necessidades do homem é a de um Libertador, ainda que esse o busque onde não pode ser encontrado. Uma das maiores ilusões da filosofia moderna é a política, pois promete aquilo que não pode oferecer à humanidade. O grande mal que assola a sociedade é o pecado, com seu poder destrutivo, além de corromper os relacionamentos humanos, ainda distancia o pecador dAquele que o criou (Rm. 3.23). O salário desse é terrível, e o conduz à angústia extrema, por não saber como lidar com a morte (Rm. 6.23). Esta certamente era temida por alguns daqueles crentes hebreus, que estavam sendo perseguidos, e não sabiam o que lhes aconteceria, depois que a morte os alcançasse. Muitos cristãos, influenciados pela cultura moderna, também vivem assustados diante da morte, desconsiderando que essa é uma inimiga vencida no calvário (I Co. 15.54,55). Reconhecemos, no entanto, que essa vitória será consumada em sua plenitude no futuro, por ocasião da vinda de Jesus para ressuscitar e arrebatar os Seus (I Ts. 4.13-17). Enquanto esse dia não chega, devemos permanecer firmes nas promessas divinas, não podemos vacilar diante das perseguições. E temos motivos para perseverar, pois temos um Sacerdote que se idêntica com nossos sofrimentos, “sendo tentado, padeceu, pode socorrer aos que são tentados” (Hb. 2.18). A palavra peirazo, no grego do Novo Testamento, tanto pode significar “tentação” quanto “provação”. Nessa passagem, é mais apropriado considerar que Jesus foi provado, que sabe o que é ser testado, por isso se identifica com nossas dores.

CONCLUSÃO

Jesus é superior aos anjos, a mensagem por Ele anunciado, e confirmada pelos discípulos, é digna de crédito. Ela nos liberta dos medos, especialmente da morte, pois Ele é a ressurreição e a vida (Jo. 11.24,25). A grandiosa salvação que nos foi favorecida, através do sacrifício vicário de Cristo, é a garantia de que seremos alcançados por Sua misericórdia, sendo Ele nosso Sacerdote. E mais, nos dará forças para prosseguir, e sermos mais do que vencedores (Rm. 8.37).
 
Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Extraído do Blog subsidioebd

COMENTÁRIO E SUBSÍDIO III

INTRODUÇÃO

O autor dá início à seção de Hebreus 2.1-18 com uma forte exortação. Era necessário por parte dos crentes maior firmeza em relação as coisas espirituais. O que o autor observava entre eles era certa letargia e negligência diante de um fato de tão grande importância como é a salvação. Nesse aspecto a resposta devia ser dada por meio do retorno às verdades anteriormente ouvidas e que haviam sido esquecidas. Isso era de suma importância porque evitava que algum deles viesse a se desviar. De fato, o vocábulo grego usado pelo autor – pararreo –, traduzido como "desviar", significa originalmente "perder o rumo". O termo era usado também em relação a um barco que acidentalmente era desancorado e lançado à deriva em alto mar. No pensamento do autor só havia uma maneira de manter-se no rumo certo: ancorando o barco no porto seguro, Jesus.
O primeiro capítulo de Hebreus afirma, claramente, a superioridade de Jesus sobre profetas e anjos. O capítulo 2 estabelece a superioridade da mensagem de Cristo. Um contraponto com o que foi mostrado no capítulo um onde a mensagem transmitida por anjos não podia ser tratada com desdém e desprezo, o que dizer, então, da palavra do Senhor Jesus quando rejeitada ou desprezada? A Tão Grande Salvação já foi referida em 1.14 e agora vem uma advertência contra a negligência (2.1-4). A salvação é através do Filho exaltado e ungido. Como assevera o Comentário Biblico Moody:

“[...] Por esta razão relaciona-se com o Filho e também com a salvação que Ele concede. Às verdades ouvidas. O Evangelho, que fornece um ponto fixo ao qual os crentes podem recorrer. Só aqui existe um lugar seguro. Nada deve ter a permissão de fazer que nos desviemos (pararyomen) desse ponto fixo de segurança. Nenhuma calamidade, influência, força ou circunstância deveria ser tolerada se enfraquece a nossa esperança de salvação. Um barco sem piloto lançado no meio de um rio desvia-se do seu ponto de atracamento sendo levado para a margem oposta pela correnteza que opera. Assim as correntezas da vida operam contra nós se não nos apegar (mos). Esta é uma advertência dirigida especificamente àqueles por causa de quem a epístola foi escrita, significando que a advertência foi necessária. Hebreus (Comentário Bíblico Moody). Disponível em: http://www.ibanac.com/wp-content/uploads/2016/01/58Hebreus.pdf. Acesso em 6 jan, 2018

Destaca-se, ainda, que o escritor da carta faz advertências aos seus leitores, como já vimos na lição 1, crentes que estavam pensando em voltar ao judaísmo por causa da grande perseguição. Estas advertências são duras e mostram que é possível para o crente ser condenado eternamente em caso de negligência e abandono ao Senhor (2.1-4; 3.7-4.13; 5.11-6.20; 10.19-39; 12.25-29). 

I. UMA SALVAÇÃO GRANDIOSA
                                
1. Testemunhada pelo Senhor. O autor faz um contraste entre as alianças do Sinai e do Calvário. Enquanto a Antiga Aliança foi intermediada por anjos (v.2), a Nova Aliança tinha Jesus, o Filho de Deus, como seu mediador. O autor, então, faz uma analogia entre as duas Alianças para que o contraste entre ambas fique bem definido. Foi Jesus, o Filho de Deus, e não os anjos, que anunciou essa tão grande salvação. Por serem mediadores da Lei, os anjos despertavam grande estima e respeito dos judeus por eles. Se uma Aliança firmada na Lei, mediada por anjos, imperfeita e transitória, requeria obediência por parte dos crentes, muito mais a Nova Aliança que é perfeita e eterna. Se quem não observava os princípios do Antigo Pacto, quebrando os seus preceitos, era punido de forma dura, que castigo merecia quem ultrajava a Nova Aliança, que em tudo era superior? (Lições Bíblicas CPAD, 1º Trim 2018, Lição 2)
O autor da carta defende a ideia da superioridade de Jesus sobre profetas e anjos usando uma forma de argumento que aparecerá várias vezes. No Antigo Testamento, os que foram desobedientes à Lei de Moisés entregue pelos anjos, foram justamente punidos; assim, Jesus sendo superior aos anjos, é ainda mais certo que a desobediência de sua lei será punida (veja 2.2-4). A Lei foi vindicada por intermédio de severos juízos (Lv 10.1-7; Nm 16; Js 7).Tinha as suas penalidades que eram fielmente cumpridas. Sendo este o caso, como escaparemos nós se negligenciarmos esta salvação? Não é só o fato de rejeitar a mensagem do Evangelho, mas inclusive, negligenciá-lo, não cuidar; não cuidar de nossa salvação é “encará-la de modo leviano” (veja Mt 22.5); é não “dar-lhe o devido valor” (veja 8.9). Quão mais severo será o castigo divino para estes?
Agora veja os versículos 6 a 8.

O escritor cita Salmo 8, uma passagem que observa que o homem foi criado um pouco mais baixo do que os anjos. Este fato, provavelmente, levantou uma questão na mente de seus leitores. Se Jesus é superior aos anjos, por que ele tomou a forma de um homem, que foi feito inferior aos anjos? A resposta a esta pergunta é encontrada no papel redentor que Jesus desempenha. O homem precisa de um mediador entre Deus e si mesmo. Porque Jesus sofreu e foi tentado como são os homens neste mundo, ele pode, portanto, ajudar os homens como um misericordioso e fiel Sumo Sacerdote (2.17-18). O autor de Hebreus voltará ao assunto do sumo sacerdócio de Jesus para uma extensa discussão, mais tarde neste livro. Neste capítulo, contudo, ele afirma que Jesus tinha que se tornar como seus irmãos, de modo a servir como Sumo Sacerdote. Ele tinha que tomar um corpo humano para experimentar a morte por todos os homens. Através de sua morte e ressurreição, ele derrotou Satanás, que tem o poder da morte (2.14). Ele tinha que se tornar como os homens, isto é, partilhar da carne e do sangue (2.14), porque dá ajuda aos homens, e não aos anjos (2.16). Deus seja louvado por termos um Sumo Sacerdote que entende nossa situação! (DVORAK. Allen, O Livro de Hebreus. ©1996. Estudo Textual: Hebreus 2.1-18 Jesus: Feito como seus Irmãos. Disponível em:https://www.estudosdabiblia.net/hebreus.htm#Hebreus 2:1-18. Acesso em 6 jan, 2018)

Observe que o termo ‘salvação’ se aplica à doutrina, se Deus quer que todos os homens sejam salvos através do Evangelho, assim também, quando essa mensagem é negligenciada, se rejeita toda a salvação divina. Não há outro meio pelo qual importa sejamos salvos “Porquanto ele é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que Crê” (Rm 1.16).

2. Proclamada pelos que a ouviram. Essa salvação grandiosa foi primeiramente anunciada pelo Senhor e, posteriormente, por "aqueles que a ouviram" (Hb 2.3). Fica evidente nesse texto que o autor não foi uma testemunha ocular dos feitos de Jesus, mas recebera a Palavra por meio dos que a "ouviram". Mesmo não tendo recebido a Palavra de Deus diretamente do Senhor, o autor não tem dúvida que a mensagem apostólica era essencialmente a mesma Palavra de Deus. Esse fato deveria fazer com que os crentes fossem mais diligentes na observância dos preceitos neotestamentários. De fato, a palavra bebaioô, aqui traduzida como "confirmar", tem o sentido de algo que transmite segurança e confiança. Em outras palavras, o que o Senhor anunciou e que, posteriormente, foi proclamado por testemunhas oculares, deve servir de fundamento da nossa fé.
O autor da carta agora reforça o fato de que a mensagem que receberam é de fato a mensagem de Jesus, ainda que não a tenham ouvido dos lábios do Messias, a quem a maioria jamais chegou a conhecer, podiam ter a certeza de que a doutrina que lhes foi ensinada por outros procedia de Cristo. O Comentário Bíblico Moody assevera:
O próprio Deus alia-se ao testemunho por meio de sinais (semeia), prodígios (terata) e milagres (poderes, dynameis). Estas são as evidências confirmantes que de modo nenhum não devem ser desconsideradas na avaliação do Evangelho. Estas evidências foram ainda mais ampliadas pela concessão de distribuições aos crentes por intermédio do Espírito Santo.” Hebreus (Comentário Bíblico Moody). Disponível em: http://www.ibanac.com/wp-content/uploads/2016/01/58Hebreus.pdf. Acesso em 6 jan, 2018
Assim, é garantido que Deus estava em Cristo e no Evangelho, motivo pelo qual a mensagem proclamada pelos que a ouviram deve ser levada a sério. Negligenciar é incorrer na ameaça de juízo. Desse fato, insisto, que não há outra maneira pela qual o homem seja salvo.

3. Confirmada pelo Espírito Santo. A mensagem, que primeiramente fora anunciada pelo Senhor e testemunhada pelos que a ouviram, foi instrumentalizada pelo Espírito Santo. Nesse aspecto, as traduções — "distribuições feitas pelo Espírito Santo" ou "distribuições do Espírito Santo" (Hb 2.4) — expressam bem o que o autor quis dizer. O Espírito Santo é o agente por trás de cada milagre e sinal operados na história do povo de Deus, tanto do passado quanto do presente. O autor quer chamar a atenção de seu público leitor mais uma vez para a importância da mensagem recebida, ou seja, ela fora também testemunhada de uma forma concreta e palpável pelo Espírito Santo por intermédio da distribuição de seus muitos dons.
O autor tem um alto conceito da atividade do Espírito, e esta primeira menção dEle será seguida por várias outras declarações importantes (3.7; 6.4; 9.9,14; 10.15,29). No verso 4 lemos que "dando Deus testemunho juntamente com eles, por sinais, prodígios e vários milagres e por distribuições do Espírito Santo, segundo a sua vontade". ‘Sinaisprodígios e vários milagres’ são termos usados no Novo Testamento para descrever os milagres especiais que Deus usou para demonstrar a autoridade do Salvador (veja At 2.22), bem como para atestar os ministérios dos apóstolos e de Estêvão (At 6.8; 14.3; Rm 15.19; 2Co 12.12). Ao longo da história, Deus vem manifestando o mesmo poder, para o bem da humanidade, mas sobretudo para a salvação das pessoas.

SUBSÍDIO TEOLÓGICO
                               
Hebreus 2.1-4
 “Esta é a primeira de sete passagens em Hebreus onde o autor combina uma urgente exortação com uma solene advertência a fim de mover seus leitores a uma confiança renovada, a uma esperança e fé perseverante em Cristo. Estas sete advertências não são divagações, no entanto se relacionam diretamente com o principal propósito do autor. A íntima conexão entre este parágrafo e a interpretação em 1.5- 14 demonstra que a exposição bíblica do autor não era propriamente um fim, mas originou-se de sua preocupação por seus leitores e sua perigosa situação. O rico vocabulário e os dons do autor como orador são novamente evidentes. A construção grega de 2.1-4 consiste em duas sentenças: uma declaração direta (2.1), seguida por uma longa sentença explicativa (2.2-4), que inclui uma pergunta retórica (‘como escaparemos nós?’) com uma condição (‘se atentarmos para [ou negligenciarmos] uma tão grande salvação’, 2.3a). A expressão “Portanto” (2.1) liga este parágrafo ao esplendor e à incomparável supremacia do Filho no capítulo 1. Pelo fato de o Filho ser superior aos profetas e aos anjos, se o que Deus ‘nos falou pelo Filho’ (1.2) for negligenciado, seremos muito mais culpáveis: ‘Portanto, convém-nos atentar, com mais diligência, para as coisas que já temos ouvido, para que, em tempo algum, nos desviemos delas” (ARRINGTON, French L.; STRONSTAD, Roger (Ed.). Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento. 2.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2004, p.1549)

II. UMA SALVAÇÃO NECESSÁRIA

1. Por intermédio da humanização do Redentor. Na seção vv.5-9, o autor toma o Salmo 8 como pano de fundo de seu argumento (SI 8.4-6). Nesse aspecto, ele segue a Septuaginta que usa o termo "anjo", em vez do texto massorético, que traz a palavra "Deus". Na mentalidade judaica, da qual o autor participa, o homem foi feito como coroa da criação e a ele foi confiado todo o domínio. Todavia, devido à queda, esse domínio fora perdido. Na mente do autor dessa Escritura, portanto, o Salmo 8 não pode se aplicar a Adão, nem tampouco a raça pós-queda, mas a Jesus, o Messias, que por meio da cruz, veio restaurar a humanidade caída.

O autor de Hebreus usa o salmo 8 como apoio do seu grande argumento, dizendo: “Que é o homem, que dele te lembres? Ou o filho do homem, que o visites? Fizeste-o, por um pouco, menor que os anjos, de glória e de honra o coroaste. Todas as coisas sujeitaste debaixo dos seus pés. Ora, desde que lhe sujeitou todas as coisas, nada deixou fora do seu domínio. Agora, porém, ainda não vemos todas as coisas a ele sujeitas” (Hb 2.6-8). Foi Jesus quem cumpriu plenamente em Sua vida a mensagem do salmo 8, usado como argumento pelo autor de Hebreus. Paulo diz: “A si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até a morte e morte de cruz”. Em uma boa hermenêutica, não podemos deixar fora o texto de Filipenses 2.5-11, que trata da humilhação e exaltação de Cristo.

O escritor passa agora a lembrar seus leitores de que, apesar da posição de dignidade dos anjos, não é a eles que o mundo vindouro será sujeitado. Isto, também, visa ressaltar a superioridade do Filho, conforme demonstra a citação do Salmo 8.4-6. O pensamento-chave é que Deus sujeitou, isto é, Ele tomou a iniciativa. O sujeito da sentença não está presente no grego, mas claramente é transportado do v. 4, conforme demonstra a palavra inicial Pois (gar); e deve, portanto, ser Deus. O significado de o mundo que há de vir é questão de debate. A expressão grega (hè oikoumenê hè mellousa) pode ser entendida de várias maneiras, como, por exemplo, (i) a vida do porvir, (ii) a nova ordem inaugurada por Jesus Cristo, isto é, o cumprimento da “era vindoura” tão esperada, que agora veio no reino de Deus presente, ou (iii) o fim da era atual. (GUTHRIE, Donald.Hebreus introdução e comentário – Ed Vida Nova e Mundo Cristão. Disponível em:https://teologiaediscernimento.files.wordpress.com/2014/08/hebreus-introduc3a7c3a3o-e-comentc3a1rio-donald-guthrie.pdf. Acesso em 6 jan, 2018)

2. Por meio do sofrimento do Redentor. Para um judeu do primeiro século era escandalosa a ideia de um Messias sofredor. Como então assegurar que Jesus era superior aos anjos se Ele morrera em uma cruz? O autor de Hebreus usa o versículo cinco do Salmo 8 para explicar esse aparente paradoxo. Sim, argumenta ele, Jesus de fato foi feito um "pouco" menor do que os anjos por causa da sua humanização. Os intérpretes entendem que as palavras "pouco" e "pouco tempo" (Hb 2.7,9) podem denotar posição ou tempo. Em outras palavras, Jesus se tornou "menor" que os anjos enquanto vivia os limites da condição humana e experimentou o sofrimento advindo desse estado de humilhação. Todavia, foi por meio deste mesmo sofrimento de Cristo que os homens tornaram-se livres.
O autor de Hebreus vê um cumprimento do Salmo 8 de uma maneira que os judeus nunca previram. O mesmo Salmo é citado por Jesus (Mt 21.16) e Paulo (1 Co 15.27), ambos de uma maneira que indica que seu cumprimento se acha no próprio Jesus.

Desde os tempos do apóstolo Paulo, muitos consideravam a pregação sobre a morte de Jesus uma loucura: “Certamente, a palavra da cruz é loucura para os que se perdem” (1Co 1.18, 23). Não é apenas nos dias de hoje que as pessoas se recusam a aceitar que Jesus precisava morrer para salvar o mundo. A ideia de que Jesus se sacrificou para substituir o pecador é rejeitada por muitos como algo inconcebível, animalesco e desprovido de sentido. Eles argumentam, “Como poderia Deus matar o seu próprio Filho inocente pelos pecados dos outros? Como poderia isso ser aceitável diante de Deus? Que Deus é esse que se propõe a aceitar tal troca?” Daí o esforço antigo e moderno por encontrar outros modos de salvação, e outros significados para a morte de Jesus. (LIMA, Leandro. A morte do Mediador. Disponível em: http://ipsantoamaro.com.br/artigos/a-morte-do-mediador.html. Acesso em 6 jan, 2018)

O mundo descrente rejeita o sofrimento e a morte que Jesus teve que enfrentar. Mas às vistas de Deus, o curso de ação de Jesus foi mais apropriado: “Sem derramamento de sangue, não há remissão de pecados”.

3. Por intermédio da glorificação do Redentor. Na mente do autor, Cristo não sofreu para ser glorificado, mas Ele foi glorificado porque sofreu. Foi por intermédio do sofrimento que Ele foi "coroado de glória e de honra, [...] para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todos" (Hb 2.9). Para os crentes que viam no sofrimento algo incompatível com o viver cristão, e que, devido a isso estavam desanimados, essas palavras serviam de ânimo e consolo.
O Autor da nossa gloriosa salvação é Jesus, coroado de honra e de glória por causa do Seu sofrimento e morte em favor do Seu povo. O resultado do sacrifício e da glorificação de Jesus é declarado assim:

“[...] para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todo homem. Posto que provar a morte é sinônimo de padecer a morte, esta declaração constitui-se em enigma para o intérprete, e muitas sugestões têm sido feitas. A questão é complicada por um texto alternativo: chòris (à parte de Deus) ao invés de chariti (pela graça de Deus), que é passível de várias interpretações.22 Aceitando “graça” como o texto melhor atestado, a ênfase no provar da morte deve cair sobre seu resultado, ou seja: “por todo homem.” É importante notar que a morte de Jesus está relacionada como homem, não somente coletivamente, como também individualmente. Embora o grego pudesse ser compreendido como sendo uma referência a “tudo,” ou “todas as coisas,” o pensamento principal na presente passagem é tão claramente pessoal que “todo homem” é o significado mais provável.” (GUTHRIE, Donald.Hebreus introdução e comentário – Ed Vida Nova e Mundo Cristão. Disponível em:https://teologiaediscernimento.files.wordpress.com/2014/08/hebreus-introduc3a7c3a3o-e-comentc3a1rio-donald-guthrie.pdf. Acesso em 6 jan, 2018)
 
SUBSÍDIO TEOLÓGICO

“Jesus, superior aos anjos em sua missão redentora (Hb 2.5-18)
Esta seção dá continuidade ao pensamento iniciado em 1.5-14 a respeito da superioridade do Filho em relação aos anjos, porém sob uma perspectiva diferente. No capítulo 1 a ênfase estava na divindade da natureza do Filho; aqui o enfoque está em sua humanidade e no sofrimento como componentes necessários de sua missão redentora. Os anjos, por um lado, são servos; sua missão para o homem como ‘espíritos ministradores’ é ‘servir a favor daqueles que hão de herdar a salvação’ (1.14). O Filho, por outro lado, é o Salvador; sua missão para o homem como ‘o Príncipe da salvação deles’ (2.10) é ‘salvar perfeitamente os que por ele se chegam a Deus’ (7.25). Entretanto, como Salvador, a missão redentora do Filho envolvia tanto a humilhação como a glória.
Como o homem perfeito, Jesus se tornou o verdadeiro representante da raça humana e o cumprimento absoluto do Salmos 8. Somente Ele poderia cumprir ‘o propósito declarado do Criador quando trouxe a raça humana à existência. Mas, assim fazendo, Ele teve de se identificar plenamente com a condição humana, incluindo o sofrimento humano (cf. Hb 4.15,16; 5.6), a fim de ‘abrir o caminho da salvação para a humanidade e agir eficazmente como o Sumo Sacerdote de seu povo na presença de Deus. Isto significa que Ele não é apenas aquEle em quem se cumpre a soberania destinada à humanidade, mas também aquEle que, por causa do pecado humano, deve concretizar esta soberania por meio do sofrimento e da morte. Portanto, o Filho, que já foi apresentado como superior aos anjos, teve de ser feito ‘um pouco menor do que os anjos’ (2.7a) antes de poder ser ‘coroado de glória e de honra’ (2.7b) como Senhor sobre todas as coisas” (ARRINGTON, French L.; STRONSTAD, Roger (Ed.). Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento. 2.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2004, pp. 1551,52).

III. UMA SALVAÇÃO EFICAZ

1. Vitória sobre o Diabo. Na conclusão de seu argumento o autor mostra os métodos e os resultados dessa grandiosa salvação. Para que a salvação se efetivasse o Salvador precisava sofrer e morrer pelos homens. Somente por meio da morte na cruz, o Diabo, arqui-inimigo dos homens, seria derrotado (Hb 2.14). O autor usa o verbo grego catargeo para se referir à derrota de Satanás. Esse verbo tem o sentido de "destronar" ou "tornar inoperante". Por intermédio da cruz. Cristo destronou e desarmou Satanás das armas que este possuía. Foi na cruz que Ele despojou os principados e as potestades e nos garantiu a vitória (Cl 2.15).
A derrota de Satanás e da morte testifica que a obra expiatória de Cristo foi eficaz. Mas não houve só derrota; também houve libertação. Embora o medo possa escravizar, e o medo de morrer há muito que persegue a humanidade, Cristo resolveu o problema com a Sua própria morte e ressurreição. Ele morreu como homem. Ele participou da carne e do sangue e assim morreu, mas pela Sua morte veio o livramento. Portanto, o poder de Satanás foi tornado inoperante (katargeo), e Cristo fez uma expiação pelo pecado inteiramente satisfatória diante de Deus (Is 53.11). Que grande vitória é a dEle! E que grande vitória todos os crentes têm nEle! Satanás e a morte estão derrotados e o temor da morte desapareceu! O homem que é livre em Cristo é na realidade o mais livre de todos os homens. Hebreus (Comentário Bíblico Moody. Disponível em:http://www.ibanac.com/wp-content/uploads/2016/01/58Hebreus.pdf. Acesso em 6 jan, 2018).

2. Vitória sobre a morte. Com a entrada do pecado no mundo a morte passou a ser um inimigo temido. Essa arma poderosa era usada por Satanás para manter os homens debaixo do jugo do medo (Hb 2.15). Todavia, ao morrer na cruz por todos os homens, Jesus venceu a morte. Os homens continuam a morrer, mas os que o recebem como Salvador tem a vida eterna, pois a morte não tem mais domínio sobre eles.
A mais fantástica de todas as afirmações cristãs é que Jesus Cristo ressuscitou dentre os mortos. Ela força a nossa credulidade ao limite. Os seres humanos têm tentado da maneira mais ingênua possível desafiar e negar a morte. Contudo, somente Cristo afirmou tê-la conquistado, ou seja, tê-la derrotado em sua própria experiência e destruído seu poder sobre os outros. Em nossos dias, ao menos no Ocidente, ninguém exemplifica a angústia generalizada, e particularmente o medo da morte, de maneira mais tragicômica que o cineasta Woody Allen. Ele considera a morte e a decomposição com terror. Ela se tornou uma obsessão para ele. Na verdade ele ainda consegue fazer piada sobre o assunto. “Não que eu tenha medo de morrer, só não quero estar lá quando acontecer” — graceja. Ele chama a morte de algo “absolutamente assombroso”. Jesus Cristo, porém, resgata seus discípulos desse horror. Consideremos uma de suas grandes declarações que se iniciam com a expressão “Eu sou”: “Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, ainda que morra, viverá; e quem vive e crê em mim, não morrerá eternamente” (Jo 11.25-26). Esses versículos contêm uma dupla promessa de Jesus a seus seguidores. Quem crê e vive nunca morrerá, porque Cristo é a sua vida, e a morte lhe parecerá apenas um episódio trivial. Quem crê e morre, no entanto, viverá outra vez, porque Cristo é a sua ressurreição. Assim, Cristo é tanto a vida para aqueles que vivem como a ressurreição para aqueles que morrem. Ele transforma tanto a vida como a morte. Conta-se que Henry Venn, evangélico anglicano do século 18, quando foi informado de que estava morrendo, ficou tão alegre que sua alegria o manteve vivo por duas semanas! Tal atitude destemida e alegre diante da morte só é possível por causa da ressurreição de Jesus e de sua vitória sobre a morte. (STOTT, John. A Bíblia Toda, O Ano Todo. Editora Ultimato, 2007. Disponível em:http://ultimato.com.br/sites/john-stott/2013/03/27/a-vitoria-sobre-a-morte/. Acesso em 6 jan, 2018).

3. Vitória sobre a tentação. Pela primeira vez na epístola o autor usa a denominação "sumo sacerdote" em relação a Jesus (Hb 2.17). O tema do sacerdócio de Cristo será explorado pelo autor com maior profundidade em passagens posteriores (Hb 3.1; 4.14-16; 5.1-10; 6.20; 7.14-19,26-28; 8.1-6; 9.11-28; 10.1-39). Todavia, aqui o seu uso é justificado no contexto da identificação de Jesus com seus "irmãos", os salvos. Esse sumo sacerdote é misericordioso e fiel. Por ter assumido a natureza humana, e se identificado com os homens nos seus limites, Ele sabe o que é ser tentado e por essa razão está pronto a ajudá-los.
Aqui está a primeira menção do assunto que ocupa o lugar central no argumento da epístola – o ministério de Cristo como sumo sacerdote. Nesse ofício a humanidade de Jesus está novamente à vista, mas aqui só se deu uma pista quanto ao significado completo de Cristo como sumo sacerdote. Por enquanto Ele ministra e socorre os homens tomando-os pela mão. Isto Ele pode fazer como o Irmão mais velho e como o capitão de sua salvação. Duas palavras indicam a qualidade auxiliadora da função do sumo sacerdócio. São misericordioso (eleemon) e fiel (pistos). Para com os homens Cristo é misericordioso e para com Deus Ele é fiel. Na verdade, a misericórdia e a verdade encontraram-se nEle. Sua fidelidade percebe-se em Sua firmeza na tentação, a qual foi parte do Seu sofrimento. Agora Ele é capaz de vir ajudar todos os que são tentados porque Ele passou pelos mesmos testes e emergiu vitorioso, e como Homem Ele conhece nossas necessidades. Propiciação pelos nossos pecados. (Hebreus (Comentário Bíblico Moody). Disponível em:http://www.ibanac.com/wp-content/uploads/2016/01/58Hebreus.pdf. Acesso em 6 jan, 2018)

SUBSÍDIO TEOLÓGICO

“[...] Pela graça de Deus, Jesus provou a morte por todos os homens (Hb 2.9). Três verdades importantes estão sucintamente incorporadas aqui:
1. A morte de Jesus na cruz, para realizar a salvação, foi um ato da graça de Deus.
2. Sua morte foi em favor de (byper) cada pecador; um claro ensino de Hebreus é que sua morte foi uma expiação substitutiva pelo nosso pecado (cf. 5.1; 7.27).
Sua morte não foi uma ‘expiação limitada’ — isto é, para algumas pessoas seletas, como alguns reivindicam — mas Ele provou temporariamente a morte por todos os homens. Sua morte é de proveito para todo aquele que por fé se submete a Ele como Senhor e Cristo.
Para os judeus daqueles dias, ‘a ideia de um Messias em sofrimento era detestável e a reivindicação cristã de que isto convinha, deveria ser vista contra este panorama. Qualquer que seja a razão para a cruz, não há dúvida alguma de que tais fatos revelam a natureza de Deus. É neste sentido que ‘convinha’ que as coisas ocorressem como de fato ocorreram” (ARRINGTON, French L.; STRONSTAD, Roger (Ed.). Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento. 2.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2004, p. 1553).

CONCLUSÃO

Por meio da sua humanização e humilhação Jesus se tornou o legítimo Sumo Sacerdote representante da humanidade. Os anjos de fato são seres especiais a serviço de Deus, entretanto, Jesus não veio socorrê-los, mas buscar a descendência de Abraão, os crentes. Por intermédio de seu sofrimento e morte. Ele pode dar vida aos que estão mortos.
O autor de Hebreus declara que Jesus também é um sumo sacerdote (Hb 2.17; 3.1; 4.14). O profeta Zacarias predisse que Jesus seria um sacerdote em seu trono, isto é, Jesus seria tanto sacerdote quanto rei ao mesmo tempo (Zc 6.12-13). Jesus nasceu judeu, descendente de Davi e, assim, da linhagem da tribo de Judá. Contudo, Deus escolheu os descendentes de Levi para serem sacerdotes. Assim Jesus, vivendo sob a Lei de Moisés, poderia ser rei porque era da tribo real (Judá) e ainda mais da de Davi (veja 2Sm 7.12-16; At 2.29-31). Mas Jesus não poderia ser um sacerdote segundo a Lei de Moisés porque não era da tribo certa. O escritor de Hebreus afirma que Jesus era sumo sacerdote segundo uma ordem diferente, não segundo a ordem de Arão (ou da tribo de Levi), mas segundo a ordem de Melquisedeque (5:6,10; 6:20). [...] O autor de Hebreus também observa a consequência inevitável do sacerdócio de Jesus Cristo. Se o sacerdócio for mudado da ordem de Arão para a de Melquisedeque, necessariamente a lei associada com o sacerdócio levítico tem que ser mudada. "Pois, quando se muda o sacerdócio, necessariamente há também mudança de lei" (7:12). A Lei de Moisés, associada com o sacerdócio levítico, foi anulada quando o sacerdócio foi mudado (7:18-19). A obra sacerdotal de Jesus é explicada pelo escritor de Hebreus em termos de atos do sumo sacerdote levita no Dia da Expiação. Exatamente como o sumo sacerdote levita entrava no Santo dos Santos do tabernáculo, isto é, na presença de Deus, com sangue para fazer a expiação pelos pecados, assim Jesus entrou no Santo dos Santos com sangue (9:11-12). Mais ainda, Jesus não ofereceu seu sangue num tabernáculo físico, feito por mãos humanas. Ele ofereceu seu sangue na presença de Deus, no céu. (DVORAK. Allen, Jesus: Perfeito Sumo sacerdote. Disponível em: https://www.estudosdabiblia.net/d48.htm. Acesso em 6 jan, 2018)
“... corramos, com perseverança, a carreira que nos está proposta, olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus ...” (Hebreus 12.1-2),

Francisco Barbosa

Disponível no blog: auxilioebd.blogspot.com.br

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

LIÇÃO 1: CARTA AOS HEBREUS E A EXCELÊNCIA DE CRISTO

 
SUBSÍDIO I

A Carta aos Hebreus e a excelência de Cristo

O tema deste 1º trimestre é sobre uma importante epístola, Hebreus, por isso, leve em conta algumas sugestões abaixo:
• Estude com afinco a Carta aos Hebreus, lendo quantas vezes puder, e for necessário, os 13 capítulos da carta;
• Faça uma análise histórico-cultural da carta. Para essa atividade, leia a introdução da Bíblia de Estudo Pentecostal (editada pela CPAD) da Carta aos Hebreus e a introdução do Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento (editado pela CPAD). Por meio desse exercício é possível complementar mais informações importantes como: o propósito do autor, o contexto histórico dos destinatários da epístola.
• Faça uma análise teológica da carta. Aqui o assunto “Lei e Evangelho” tem grande relevância. Nesse aspecto, as obras mencionadas acima, bem como outras editadas pela CPAD, muito o ajudarão.
Ao iniciar seus estudos, tenha sempre em mente os objetivos gerais da lição, por exemplo, os da primeira lição: (I) Objetivo Geral: Apresentar as características da Carta aos Hebreus e a superioridade de Cristo; (II) Objetivos específicos: [1] Pontuar a autoria, o destinatário e o propósito da Carta de Hebreus; [2] Expor a superioridade de Cristo em relação aos profetas; [3] Mostrar a superioridade de Cristo em relação aos anjos.
Note como os objetivos específicos obedecem rigorosamente cada Tópico e subtópico da lição. E que o objetivo geral é o resultado do desdobramento de todos esses tópicos e subtópicos: ou seja, as características da carta e superioridade de Cristo. É importante ter toda essa estrutura da lição bem construída e compreendida na mente, pois esse entendimento é essencial para elaborar uma aula objetiva e com conteúdo.

COMENTÁRIO E SUBSÍDIO II

INTRODUÇÃO

Nesta lição introdutória do nosso estudo da Carta aos Hebreus, queremos iniciar dizendo que assim como todos os escritos da Bíblia, esta carta é um documento especial. Em nenhum outro documento do Novo Testamento encontramos um apelo exortativo tão forte. Isso possuía uma razão de ser — os crentes hebreus davam sinais de enfraquecimento espiritual e até mesmo o risco de abandonarem a fé! Era, portanto, urgente admoestá-los a perseverarem. Jesus, a quem o autor mostra ser maior do que os profetas, maior do que todas as hostes angélicas, maior do que Arão, Moisés, Josué e até mesmo os céus, é nosso grande ajudador nessa jornada. [Comentário: O falecido Dr. Walter Martin, fundador do Instituto de Investigação Cristã e autor do best-seller Kingdom of the Cults (Reino das Seitas), disse em sua sarcástica e habitual forma de falar que o livro de hebreus foi escrito por um hebreu para outros hebreus para dizer-lhes que deixassem de agir como hebreus. Na verdade, muitos dos primeiros crentes judeus estavam caindo de volta aos rituais do judaísmo a fim de escaparem da crescente perseguição. Esta carta, então, é uma exortação para esses crentes perseguidos a continuarem na graça de Jesus Cristo(1). A Carta aos Hebreus é apropriadamente chamada de ‘o quinto evangelho’, isso por que se nos evangelho temos o que Cristo fez, em Hebreus encontramos o que Ele continua fazendo – o ministério de Cristo pós ascensão, à destra de Deus como nosso intercessor. Seu tema é a superioridade de Cristo. Hebreus 10.34 nos dá o contexto do enfraquecimento daqueles crentes – perseguição e saque de seus bens. No capítulo 12.4 a perseguição ia ainda mais além: o martírio por causa de sua fé! O Comentário Bíblico Moody traz ainda: “Os judeus cristãos, de simples congregações ou em grupos maiores, geograficamente mais espalhados, estavam em perigo de apostatar de Cristo, retomando a Moisés. Esta condição de apostasia era um perigo imediato (2:1), com base na incredulidade (3:12). A conduta insinuava uma possível apostasia (5:13, 14). A negligência dos cultos públicos (10:25), a fraqueza na oração (12:12), uma certa instabilidade doutrinária (13:9), a recusa em ensinar os outros, que é dever do crente maturo, (5:12), e a negligência das Escrituras (2:1) eram outros sintomas de fraqueza espiritual. O perigo estava em que aqueles que eram "santos irmãos, participantes da vocação celestial" (3:1) pudessem "cair" (6:6).”(2)    1. Got Questions.org. Livro de Hebreus. Disponível em:https://www.gotquestions.org/Portugues/Livro-de-Hebreus.html. Acesso em 20 dez, 2017
2. Hebreus (Comentário Bíblico Moody). Disponível em: http://www.ibanac.com/wp-content/uploads/2016/01/58Hebreus.pdf. Acesso em 20 dez, 2017

I. AUTORIA, DESTINATÁRIO E PROPÓSITO
                                
1. Autoria. A Carta aos Hebreus não revela o nome do seu autor. Esse fato fez com que surgissem inúmeras controvérsias em torno de sua autoria. É certo que os cristãos primitivos sabiam quem realmente a escreveu; todavia, já por volta do segundo século da nossa era não havia mais consenso quanto a isso. Clemente de Alexandria, no final do segundo século, atribuiu ao apóstolo Paulo a sua autoria, contudo, ao afirmar que Paulo a escreveu em hebraico e que Lucas a teria traduzido para o grego, passou a ser duramente questionado. As razões são basicamente duas: O texto de Hebreus, um dos mais rebuscados do Novo Testamento grego, não parece ser uma tradução. Por outro lado, o estilo usado na carta não parece ser de forma alguma de Paulo. Outros nomes surgiram como possíveis autores de Hebreus: Barnabé, Apolo, Lucas, Clemente Romano, etc. O certo é que somente Deus sabe quem é o seu autor. Por outro lado, o fato de ter sua autoria desconhecida em nada diminui a sua autoridade. [Comentário. Ela não é igual a nenhuma outra epístola do Novo Testamento, e apresenta problemas que são peculiares em si mesmos. Na forma de construção, no estilo, na argumentação e em relação aos outros livros da Bíblia, Hebreus se destaca. Quanto à data de composição, não pode aceitar-se uma época muito tardia, pois Clemente de Roma cita-a por volta do ano 95. Por outro lado, a relativa afinidade entre a sua teologia e a das Cartas do cativeiro, aponta para uma data próxima do martírio de Paulo, situado pelo ano 67. Uma vez que o autor se refere à liturgia do templo de Jerusalém como uma realidade ainda atual, tudo parece convergir para que os últimos anos antes da destruição de Jerusalém e do Templo, ocorrida no ano 70, sejam a data mais provável da sua composição. Não há uma resposta segura quanto ao seu autor. Além do que já está exposto pelo comentarista, recomendo a leitura deste artigo.]
2. Destinatários. Não há dúvida de que a Carta aos Hebreus foi escrita para cristãos judeus. Deve ser observado que essa carta foi endereçada a uma comunidade específica de cristãos e não a um grupo indeterminado. O autor conhece o público a quem endereça o seu texto e espera até mesmo encontrar-se com eles (Hb 13.19,23). Onde viviam esses crentes é um ponto debatido pelos teólogos. Baseados na expressão “os da Itália vos saúdam” (Hb 13.24), muitos eruditos argumentam que esses crentes se encontravam fora de Roma, capital do Império Romano. A data da carta é motivo de disputa, mas as evidências internas permitem-nos situá-la antes da destruição do Templo de Jerusalém no ano 70 d.C. [Comentário.Ainda o Comentário Bíblico Moody: “Quanto ao destino, três teorias principais têm prevalecido, cada uma delas apontando para uma cidade grande, do mundo romano e mediterrâneo. Alguns acrescentam uma quarta opinião, que na realidade é uma modificação de uma das teorias principais.
1) Os judeus cristãos em Jerusalém e à volta dela, foram os destinatários da carta.
2) Ela foi enviada aos cristãos judeus que moravam em Alexandria. Esta opinião costuma ser defendida por aqueles que apoiam o argumento de um forte sabor alexandrino na carta aos hebreus.
3) Era destinada a uma congregação de cristãos judeus que se reuniam na cidade de Roma, os quais estavam enfrentando uma severa provação e perseguição. A teoria da "igreja em Roma" tende também a defender a teoria da "congregação única", onde os destinatários originais da carta seriam membros de uma "pequena congregação" ou uma "igreja reunida na casa de alguém" em Roma.
4) Uma modificação da terceira. A congregação destinatária de Hebreus era pequena, mas poderia estar em qualquer parte do Império Romano, e não necessariamente em Roma. [...] Uma coisa está clara. Aqueles a quem a epístola foi escrita eram hebreus por identidade nacional e cristãos por profissão de fé.”(3)3. IBDEM 2
3. Propósito. De fato, essa carta possui uma grande carga exortativa. Ela exorta os crentes a terem ânimo, confiança e fé em um tempo marcado pela apostasia. Muitos pareciam estar desanimados com a oposição que a nova fé vinha sofrendo e em razão disso estavam voltando às antigas práticas judaicas. A carta, portanto, exorta esses crentes a suportarem as pressões e perseguições, lembrando-os que não haviam ainda derramado sangue pela sua fé (Hb 12.4). Essas palavras continuam ecoando nesses dias quando muitos crentes demonstram apatia e falta de fervor espiritual diante de um mundo hostil. [Comentário O livro de Hebreus trata de três grupos distintos: seguidores de Cristo, incrédulos que tinham conhecimento e uma aceitação intelectual dos fatos de Cristo, e incrédulos que tinham sido atraídos a Cristo mas que acabaram rejeitando-o. É importante entender a qual grupo cada passagem está se dirigindo, pois deixar de fazer isso pode levar-nos a tirar conclusões inconsistentes com o restante das Escrituras. O escritor de Hebreus menciona continuamente a superioridade de Cristo, tanto de Sua pessoa como do Seu trabalho ministerial. Nos escritos do Antigo Testamento, entendemos que os rituais e cerimônias do judaísmo simbolicamente apontavam para a vinda do Messias. Em outras palavras, os ritos do judaísmo eram sombras das coisas futuras. Hebreus nos diz que Jesus Cristo é melhor do que aquilo que qualquer mera religião tem a oferecer. Toda a pompa e circunstância da religião empalidecem em comparação com a pessoa, trabalho e ministério de Jesus Cristo. É a superioridade do nosso Senhor Jesus, então, que continua a ser o tema desta eloquente carta(4). Note o seguinte, a apostasia que marcava aqueles dias não se compara em nada ao que encontramos hoje, uma apostasia marcada pelo secularismo e hedonismo. Aquela apostasia era fruto da extrema perseguição à fé cristã! Note ainda, esta explicação encontrada no Comentário Bíblico Moody: “A linha do raciocínio desenvolvida pelos leitores-ouvintes era atraente. Se seguir a Cristo produzia perseguição, e o antigo carrinho da prática judia não, por que não retomar ao Judaísmo, reter uma religião e ao mesmo tempo ficar livre da perseguição? Opção atraente, é verdade. A resposta a tudo isto foi apresentada na Epístola aos Hebreus, conforme a superioridade de Cristo foi comprovada, passo a passo, contra as reivindicações do Judaísmo.(5).4. IBDEM 1  4. IBDEM 2

SUBSÍDIO DIDÁTICO
                               
Professor(a), para introduzir o primeiro tópico desta lição, se possível, reproduza o quadro-resumo que se encontra abaixo. O objetivo é pontuar as questões de autoria, destinatário e propósito da carta em estudo.

AUTORIA
Desconhecida.
DESTINATÁRIO
Cristãos judeus, provavelmente.
PROPÓSITO
Exortar os cristãos a terem ânimo e fé em tempos da apostasia.

II. CRISTO – A PALAVRA SUPERIOR A DOS PROFETAS

1. A revelação profética e a Antiga Aliança. Ao falar da supremacia de Jesus, o autor de Hebreus primeiramente o faz em relação aos profetas. Deus falou no passado pelos profetas e no presente pelo Filho (Hb 1.1). A revelação profética no antigo Israel fez com que esse povo se distinguisse dos demais. O autor mostra um Deus que se revela, que se comunica com os seus. Ele fala de uma forma direta a seu povo, não é um Deus mudo! Os advérbios gregos polymerôs (“muitas vezes”) e polytropos (“muitas maneiras”), que modificam o verbo falar, mostram a intensidade dessa comunicação. Deus, em nenhum momento da história, deixou o seu povo sem orientação. Ele fala, e fala sempre o que é necessário. [Comentário. Talvez nenhum outro lugar do Novo Testamento esclareça o Antigo Testamento como faz o livro de Hebreus, o qual tem como seu fundamento o sacerdócio levítico. O escritor aos hebreus compara constantemente as insuficiências do sistema sacrificial do Antigo Testamento com a perfeição e realização em Cristo. Enquanto o Antigo Testamento exigia sacrifícios contínuos e uma expiação pelo pecado uma vez por ano, os quais eram oferecidos por um sacerdote humano, a Nova Aliança proporciona um sacrifício final através de Cristo (Hebreus 10:10) e acesso direto ao trono de Deus para todos os que estão nEle (5). A pergunta implícita que está sendo respondida é: Quem foi o último e o mais autorizado porta-voz de Deus?
1. Muitas vezes (polymeros), ou passo a passo, fragmentariamente, e de muitas maneiras (polytropos), de muitos e variados modos, Deus (Jeová) falou no tempo do V.T, através dos profetas, muitos dos quais contaram em seus escritos por meio de qual método ele se comunicou com eles, Prophetais é uma palavra de significado amplo que inclui todos aqueles que Deus usou nos dias do V.T.
2. Nestes últimos dias. No fim destes dias é a tradução literal de uma expressão hebraica comum encontrada em Nm. 24:14, possuindo tonalidades messiânias. Deus falou conosco através de Um que tem com Ele o relacionamento de um filho e completa autoridade como porta-voz. Neste relacionamento, Cristo é especial e assim está descrito aqui no sentido clássico, sob compromisso divino porque é um Filho. Ele é ambos, herdeiro e agente da criação. O universo. O grego aiones, "eternidade", incluindo o mundo espacial. (cons. 11:3)(5).4. IBDEM 1   5. IBDEM 2
2. A revelação profética e a Nova Aliança. Aos cristãos da Nova Aliança, Deus falou por intermédio do seu Filho (Hb l.l). O uso das expressões “havendo falado” ou “depois de ter falado” (Hb 1.1,2) por parte do autor mostra que essa ação de Deus foi um fato consumado. Isso tem levado alguns intérpretes a dizer que a partir daquele momento. Deus não falaria mais diretamente com ninguém. Mas isso é ir além daquilo que o autor tencionava dizer. O uso dessa expressão é mais bem entendida como significando que Deus falou de forma completa nos dias do autor, todavia, sem a conotação temporal de que não falaria mais no futuro. O Espírito profético, que é o Espírito de Cristo (1 Pe 1.11; Rm 8.9,10), continua dando à Igreja hoje a percepção do plano e vontade de Deus para o seu povo (Jo 14.26; 15.26; 16.13). E isso sempre em consonância com as Escrituras. [Comentário. O prólogo introduz as duas épocas na história, quando Deus falava com seu povo em termos de “outrora” (v. 1) e nestes “últimos dias” (v. 2). A vinda de Cristo estabeleceu a nossa época como os prometidos “últimos dias” da salvação que os profetas previram (Jr 23.30; Os 3.5; Mq 4.1; cf 1Co 10.11)(6). O Filho falou (Hebreus 1.1 – 2.4) A mensagem merece maior atenção porque o mensageiro é superior. O argumento introduzido no primeiro capítulo e defendido de várias maneiras no resto do livro depende da primazia de Jesus Cristo. Uma vez provado que Jesus é maior do que qualquer outro mensageiro, a revelação que ele trouxe tomará seu devido lugar acima de todas as outras. Os primeiros capítulos de Hebreus mostram que Jesus é superior aos mensageiros do Velho Testamento – sejam anjos ou homens(7). Há quem negue a atualidade profética como cremos, nós pentecostais, e usam como apoio este texto. De fato, a revelação bíblica está completa, nada mais pode ser acrescido às Escrituras. Contudo, Deus ainda usa os seus servos com profecias a fim de exortar e orientar a sua Igreja militante, e a régua para aferirmos a veracidade dessas profecias são as Escrituras. A Bíblia não diz em lugar algum que o dom de profecia era temporário. Os verdadeiros profetas de hoje não acrescentam doutrinas novas à igreja. Além do que, Paulo em 1 Coríntios 14 exorta os crentes a buscar o dom de profecia para ajudar a igreja.] 6. Bíblia de Estudo de genebra; SBB e Editora Cultura Cristã. Nota Hebreus 1.1-4. Pág. 1463  7. O livro de Hebreus (2). Disponível em: https://www.estudosdabiblia.net/2005119.htm. Acesso em: 20 dez, 2017
3. Cristo: a revelação final. O objetivo do autor aqui, evidentemente, é mostrar que Cristo é o clímax da revelação profética. Ele é a revelação final! O ministério profético na Antiga Aliança era de importância ímpar. O Senhor disse que falaria por intermédio de seus profetas: “Certamente o Senhor Jeová não fará coisa alguma, sem ter revelado o seu segredo aos seus servos, os profetas” (Am 3.7). O silêncio profético, portanto, era a pior forma de castigo que poderia vir ao antigo Israel. Os profetas eram importantes, mas a relevância deles estava muito longe daquela possuída por Jesus Cristo, o Filho de Deus. Os profetas eram apenas servos, mas o Filho era o herdeiro de Deus e o agente da Criação (Hb 1.2). Ele é o redentor do mundo! Nenhum profeta morreu de forma vicária pelo povo de Deus. [Comentário.Para quem já teve a oportunidade de visitar Israel e os pontos sagrados daquela terra, pôde constatar a intensa religiosidade daquele povo; cegamente – como diz Paulo: “Pois até o dia de hoje, à leitura do velho pacto, permanece o mesmo véu, não lhes sendo revelado que em Cristo é ele abolido; sim, até o dia de hoje, sempre que Moisés é lido, um véu está posto sobre o coração deles. Contudo convertendo-se um deles ao Senhor, é-lhe tirado o véu” (2 Co 14.16) – lêem as Escrituras constantemente, batem a testa no muro das lamentações, pedem a vinda do Messias, e não entendem que o Messias já veio! Isso nos mostra que somente com a ajuda do Espírito Santo removendo o véu, podemos enxergar a verdade! O véu nos foi tirado pelo Espírito, e, por isso, exultamos com alegria santa! A idéia de contraste no pensamento de tão superior (kreiton, "superior", "tornando-se superior") foi usada treze vezes. Os anjos eram importantes na transmissão da mensagem divina aos homens. Desde a doação da Lei no Sinai até a assistência angélica concedida a Daniel e os últimos profetas, estes mensageiros de Deus serviram a Deus, mas como seus subordinados. Cristo é superior aos anjos em Sua pessoa, nome, função, poder e dignidade. Quanto ao Seu nome, só Ele pode salvar os perdidos (Atos 4:12), e é o nome acima de todo nome (Fp 2.10). Através do Seu nome, Sua reputação ficou estabelecida, pois é um nome poderoso.]

SUBSÍDIO LEXICOGRÁFICO

REVELAÇÃO – [Do gr. apokalupsis; do lat. revelatio, tirar o véu] Manifestação sobrenatural de uma verdade que se achava oculta. Tendo em vista o caráter e a urgência das profecias do último livro da Bíblia, Apocalipse é considerado a revelação por excelência (Ap 1.1-3).
REVELAÇÃO BÍBLICA – Conhecimento divino preservado nas Sagradas Escrituras, e posto à disposição da humanidade. Consta do Antigo e do Novo Testamento. É a nossa única regra de fé e prática.
REVELAÇÃO PROGRESSIVA – Evolução progressiva e dispensacional das verdades divinas que, tendo a sua gênese no Antigo Testamento, culminaram e se completaram no Novo. O texto-áureo da revelação progressiva acha-se em Hebreus 1.1,2” (ANDRADE, Claudionor Corrêa de. Dicionário Teológico. Rio de Janeiro: CPAD, 1999, pp.255,56).


III. CRISTO – SUPERIOR AOS ANJOS

1. Cristo: superior em natureza e essência. Devemos ter sempre em mente que o autor de Hebreus tenciona mostrar a superioridade de Cristo em relação às demais ordens da criação. O seu foco aqui são os anjos. A cultura judaica via os anjos como seres de uma ordem superior e mediadores da revelação divina (At 7.53; Gl 3.19; Hb 2.2). Mesmo cercados de força e poder, os anjos eram inferiores ao Filho (Hb 1.4). Jesus é o reflexo da glória de Deus e possuidor da mesma essência divina (Hb 1.3). O autor usa dois vocábulos gregos que deixam isso bem definido: apaugasmae character, que significam respectivamente “radiância” e “reflexo”, traduzidos aqui como resplendor e “caráter”, com o sentido de expressão exata do seu ser. Embora sendo pessoas diferentes, tanto o Filho como o Pai possuem a mesma essência. Cristo é o Deus revelado! [Comentário. O livro de Hebreus argumenta que Cristo é superior em todas as coisas. Cristo como o nosso Grande Sumo Sacerdote é superior ao sacerdote que oficiava no sistema levítico. A aliança de Cristo é superior à Velha Aliança dada aos judeus no Sinai. Cristo é maior que Moisés e Arão. Estes argumentos têm o propósito de levar à conclusão de que a salvação que Cristo fornece (já que é predicado no seu próprio precioso sangue e não no de bois e bodes) é certamente grande (Hebreus 2:1-4). Se ignorarmos ou “negligenciarmos” esta grande salvação, seria para a nossa própria ruína espiritual. Cristo também é superior aos anjos, que é o tema de Hebreus 1:4-14. Os anjos são destacados no Velho Testamento. Geralmente pensamos em anjos como mensageiros de Deus; serviam para este propósito (Gênesis 19:1-22). Daniel fala de Miguel (Daniel 12:1-2). Os anjos têm um papel de destaque em muitas religiões do Oriente. Os pergaminhos do Mar Morto sugerem que os antigos especularam a respeito do papel dos anjos no serviço de Deus. Nos tempos do Novo Testamento, o louvor dos anjos evidentemente se tornou um problema, provavelmente em parte pelo gnosticismo (Colossenses 2:18). Os anjos têm (e tiveram) a ver com o ensinamento de Paulo em 1 Coríntios 11. Hoje, o movimento da Nova Era novamente deixou populares os anjos; são o foco de muitos livros e alguns filmes. Que lugar que os anjos ocupam em Hebreus? Primeiro, Cristo é melhor que os anjos: "quanto herdou mais excelente nome do que eles" (1:4). A exaltação pela mão direita do Pai marca Cristo como maior que os anjos. Além disso, o seu nome é maior. Neste contexto, isso parece se referir, como cita o versículo, ao fato de Cristo ser identificado como o Filho (confere Filipenses 2:9-11, onde se usa Senhor). Enquanto esteve na terra Jesus era claramente o Filho (Hebreus 5:9), mas nesta posição exaltada de honra, Jesus é mostrado muito acima dos anjos; ele é classificado ou renomado acima dos anjos. O Pai jamais falou aos anjos: “Tu és meu Filho, eu hoje te gerei” (1:5). Esta é uma citação de Salmo 2:7, que fala do triunfo do Rei sobre seus inimigos. Paulo, em Atos 13:33, aplica a passagem de Salmos à ressurreição de Cristo dentre os mortos. Não só o nome de Cristo é acima do dos anjos, como também é a sua própria essência. A sua divindade foi demonstrada na sua ressurreição da sepultura (confira Romanos 1:4). Nenhum anjo poderia alegar isso. Segundo, alguma vez o Pai disse a respeito de um anjo: “Eu lhe serei Pai, e ele me será Filho”? Não, mas ele disse isso sobre Cristo (1:5). Esta citação do Velho Testamento é de 2 Samuel 7:14. O rei Davi pediu permissão para construir uma casa apropriada para Jeová. Depois de negar a Davi, o Senhor disse que um dos descendentes de Davi se levantaria e que o seu reino seria estabelecido para sempre. Sim, o filho de Davi, Salomão, mais tarde construiria o templo em Jerusalém; Deus lhe seria pai. Mas o cumprimento final não poderia ser separado de Cristo, o Filho, que senta no trono de Davi (confira Atos 2:29-36). Poderiam os anjos fazer tal alegação de superioridade? Não, porém Cristo alega. Ele é digno? Devemos ouvi-lo? Os receptores originais do livro de Hebreus precisavam ser lembrados da superioridade de Cristo. Nós precisamos ser relembrados da mesma forma hoje também.(8)]
8. Randy Harshbarger. A superioridade de Cristo. Disponível em:https://www.estudosdabiblia.net/2002318.htm. Acesso em: 20 dez, 2017

2. Cristo: superior em majestade e deidade. O autor passa então a mostrar a supremacia de Cristo em relação aos anjos por meio de vários fatos documentados nas Escrituras. Os anjos são criaturas, o Filho é Criador. O filho é gerado, não criado. C. S. Lewis observa que o que Deus gera é Deus; assim como o que o homem gera é homem. O que Deus cria não é Deus; da mesma forma que o que o homem faz não é homem. Daí a razão de os homens não serem filhos de Deus no mesmo sentido que Cristo. Eles podem assemelhar-se a Deus em certos aspectos, mas não pertencem à mesma espécie. O mesmo se pode dizer dos anjos. Eles não possuem a mesma essência divina que o Filho. É por essa razão que o autor destaca que o Filho é chamado de “Deus” (v.8) e que por isso merece adoração (v.6). A Ele toda honra e glória! [Comentário. Na Antiga Aliança, os anjos eram muito considerados. Na epístola aos Hebreus, o escritor ressalta, de modo enfático, a superioridade de Cristo em relação aos seres angelicais e, ao mesmo tempo, afirma que Ele, ao se encarnar, fez-se “um pouco menor que os anjos” (Hb 2.9). Os anjos tiveram papel muito importante entre o povo de Deus no Antigo Testamento. (Ver Gn 19.1,15; 28.12; Êx 3.2; 23.20; Sl 103.20). No Novo, não foi diferente. Um anjo apareceu a José, revelando o nascimento sobrenatural de Jesus (Mt 1.20); um anjo removeu a pedra do sepulcro de Jesus, após sua ressurreição (Mt 28.2). Hoje, há uma verdadeira idolatria em torno desses seres celestiais. A Bíblia adverte: “Ninguém vos domine a seu bel-prazer, com pretexto de humildade e culto dos anjos” (Cl 2.18). Outras referências demonstram claramente a ação dos anjos, não só em favor de Israel, mas de todos os servos de Deus, em todo o mundo (cf. Sl 34.7). O texto bíblico nos revela alguns aspectos relativos à natureza dos anjos. No v. 7, lemos que Deus “de seus anjos faz ventos, e de seus ministros labaredas de fogo”. É uma citação de Salmos 104.4. Eles são ministros usados por Deus segundo a sua vontade, submissos a cada convocação sua, portanto, ficam muito aquém da natureza e das funções do Filho de Deus. Por maiores que sejam os anjos, em comparação com Cristo são apenas bafos de ventos e fagulhas de fogo. Eles são criaturas. Jesus é Criador, inclusive dos anjos (ver Jo 1.3). No v. 14, os anjos são chamados “espíritos ministradores, enviados para servir a favor daqueles que hão de herdar a salvação”. No v.5, o escritor indaga: “a qual dos anjos disse jamais: Tu és meu Filho, hoje te gerei? E outra vez: Eu lhe serei por Pai, e ele me será por Filho?”. Estas perguntas trazem em seu bojo a afirmativa de que Cristo é superior aos anjos, por ter sido gerado pelo Pai. Ver também Rm 1.4. O escritor sacro reporta-se a Salmos 7.2, que diz: “Recitarei o decreto: O SENHOR me disse: Tu és meu Filho; eu hoje te gerei”. Essa questão é realmente difícil de entender. Sendo Deus, em que sentido Jesus poderia ser gerado? A resposta está no grandioso milagre e ministério da sua encarnação, incompreensível à mente humana, que só entende um pouco das coisas terrenas. O escritor Lucas, no Livro de Atos, declara: “E nós vos anunciamos que a promessa que foi feita aos pais, Deus a cumpriu a nós, seus filhos, ressuscitando a Jesus, como também está escrito no Salmo segundo: Meu filho és tu; hoje te gerei” (At 13.32-33). Sem ter deixado jamais de ser Deus, Jesus foi apresentado ao mundo publicamente, como Filho de Deus, na ressurreição. Veja o que Paulo diz: “Declarado Filho de Deus em poder, segundo o Espírito de santificação, pela ressurreição dos mortos – Jesus Cristo, nosso Senhor” (Rm 1.4). De fato, se Jesus tivesse feito milagres, mas não houvesse ressuscitado, ninguém poderia crer que fosse o divino Filho de Deus (Ver Mt 3.17; 17.5; Rm 1.4). Seria como Buda, Maomé, Chrisna, etc. No v. 8, lemos: “Mas do Filho diz: ó Deus, o teu trono subsiste pelos séculos dos séculos, cetro de equidade é o cetro do teu reino”. Aqui o Filho é chamado Deus, como de fato Ele o é, além de ser também Rei, cujo cetro (símbolo da autoridade real) é de retidão. Os anjos não têm poder de reino ou soberania. Nos vv. 9-12, vemos que Jesus é apresentado como o Ungido, o Messias, e, ao mesmo tempo, como Aquele de quem a terra e “os céus são obra” de suas mãos. O v. 13 prossegue exaltando a superioridade de Cristo como o vencedor, pondo seus inimigos debaixo de seus pés(9).] 9. Pastor Elias Ribas. CRISTO, SUPERIOR AOS ANJOS. Disponível em:https://pastoreliasribas.blogspot.com.br/2013/11/cristo-superior-aos-anjos.html. Acesso em 20 dez, 2017.

SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO

ANJOS. A palavra ‘anjo’ (hb. Malak; gr. angelos) significa ‘mensageiro’. Os anjos são mensageiros ou servidores celestiais de Deus (Hb 1.13.14), criados por Deus antes de existir a terra (Jó 38.4-7; Sl 148.2,5; Cl 1.16).
(1) A Bíblia fala em anjos bons e em anjos maus, embora ressalte que todos os anjos foram originalmente criados bons e santos (Gn 1.31). Tendo livre-arbítrio, numerosos anjos participaram da rebelião de Satanás (Ez 28.12-17; 2 Pe 2.4; Jd 6; Ap 12.9; Mt 4.10) e abandonaram o seu estado original de graça como servos de Deus, e assim perderam o direito à sua posição celestial.
(2) A Bíblia fala numa vasta hostes de anjos bons (1 Rs 22.19; Sl 68.17; 148.2; Dn 7.9,10; Ap 5.11), embora os nomes de apenas dois sejam registrados nas Escrituras: Miguel (Dn 12.1; Jd 9; Ap 12.7) e Gabriel (Dn 9.21; Lc 1.19,26). Segundo parece, os anjos estão divididos em diferentes categorias: Miguel é chamado de arcanjo (lit.: ‘anjo principal’, Jd 9; 1 Ts 4.16); há serafins (Is 6.2), querubins (Ez 10.1-3), anjos com autoridade e domínio (Ef 3.10; Cl 1.16) e as miríades de espíritos ministradores angelicais (Hb 1.13,14; Ap 5.11)” (Bíblia de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1995, p.386).

CONCLUSÃO

O autor de hebreus não quis se identificar, mas isso em nada compromete a autoridade desse documento. Desde os primórdios, a igreja valeu-se dos ensinos dessa carta para fortalecer a fé dos crentes. Clemente de Alexandria fez amplo uso das exortações encontradas nessa carta e, ao assim fazer, reconhecia o profundo valor espiritual de Hebreus. Nesses últimos dias, onde os joelhos de muitos cristãos parecem vacilantes, faz-se necessário atentarmos diligentemente para o conselho encontrado em Hebreus, “se ouvirdes hoje a sua voz, não endureçais o vosso coração” (3.7). [Comentário. O escritor de Hebreus proporciona um grande incentivo aos crentes, mas há cinco advertências solenes às quais devemos prestar atenção. Há o perigo da negligência (Hebreus 2:1-4), o perigo da incredulidade (Hebreus 3:7 - 4:13), o perigo da imaturidade espiritual (Hebreus 5:11-6:20), o risco de deixar de perseverar (Hebreus 10:26-39) e o perigo inerente de recusar a Deus (Hebreus 12:25-29). Assim encontramos então, nesta obra-prima suprema, uma grande riqueza de doutrina, um refrescante manancial de encorajamento e uma fonte de advertências práticas e sãs contra a preguiça em nossa caminhada cristã. Entretanto, ainda há mais, pois em Hebreus encontramos um retrato magnificamente do nosso Senhor Jesus Cristo, o Autor e consumador da nossa grande salvação (Hebreus 12:2).] “... corramos, com perseverança, a carreira que nos está proposta, olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus ...” (Hebreus 12.1-2) IBDEM 1,

Francisco Barbosa

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