sábado, 22 de setembro de 2018

LIÇÃO 13: AS ORAÇÕES DOS SANTOS NO ALTAR DE OURO


 

SUBSÍDIO I

A Teologia da Oração

Existe, sim, uma teologia da oração. Ela permeia toda a Bíblia; vai do Gênesis ao Apocalipse. Encontra-se na boca dos profetas, nos lábios dos apóstolos e na alma do próprio Cristo. Neste tópico, apesar da exiguidade do espaço de que dispomos, faremos um pequeno esboço dessa teologia, que, embora desconhecida, é preciosa; imprescindível.

A oração, a voz da alma

A palavra “oração”, proveniente do vocábulo latino orationem, comporta ricos enunciados à nossa vida espiritual.
Num primeiro momento, pode ser compreendida como a súplica que o peregrino, assediado por ânsias e almejos, endereça ao Pai Celeste. Nesse sentido, a oração é rogo, pedido e prece. Num segundo momento, a oração pode ser vista como a petição que esse mesmo peregrino, agora já não preocupado consigo, faz em favor do companheiro que desmaia na jornada à Jerusalém Celestial; intercessão amorosa.
Recorramos ao idioma do Antigo Testamento, para vermos como a palavra “oração” foi usada pelo cantor-mor de Israel. No quarto salmo do saltério hebreu, Davi roga ao Senhor num momento de grande e inesperada angústia: “Responde-me quando clamo, ó Deus da minha justiça; na angústia, me tens aliviado; tem misericórdia de mim e ouve a minha oração” (Sl 4.1, ARA).
O termo utilizado pelo autor sagrado, em sua prece, é o que melhor descreve a atitude do homem que, exilado no mundo, busca a face de Deus. O vocábulo hebraico tĕphillah significa oração, súplica, intercessão e hino. Este último significado encerra muita beleza. Até este momento, humildemente confesso, eu ainda não tinha olhado a oração como um hino que, na angústia, entoamos a Deus. Bem cantou o poeta sacro: “Os mais belos hinos e poesias foram escritos em tribulação, e do céu, as mais lindas melodias, se ouviram na escuridão”.
Sim, querido leitor, a oração é poesia e hino.
Já imaginou se nos fosse possível registrar todas as orações que chegam ao Pai Celeste num só dia? Quantas obras-primas, partidas do mais fundo da alma, não teríamos. Aqui, uma prece em português; cântico mais alto que o de Camões. Ali, uma oração em italiano; poesia mais sublime que a de Dante. Mais além, uma petição em língua alemã; verso mais belo que o de Goethe. Na Rússia, uma intercessão que supera a maravilhosa prosa de Tolstói. Já na China, apesar de todos os empecilhos do regime comunista, ouviríamos confissões que superam a sinceridade de Confúcio e a força de Lao-Tsé.
Entremos a examinar, agora, a língua na qual foi escrito o Novo Testamento. No capítulo cinco de Apocalipse, assistimos à instalação da corte celestial, reunida solenemente para a abertura do livro que, seguro na destra de Deus, encontrava-se sob o poder de sete selos. Quando Jesus, ali identificado como o Leão de Judá, tomou o livro das mãos do Todo-Poderoso, algo ocorreu entre os moradores do Céu, conforme a narrativa de João, o Teólogo: 
Veio, pois, e tomou o livro da mão direita daquele que estava sentado no trono; e, quando tomou o livro, os quatro seres viventes e os vinte e quatro anciãos prostraram-se diante do Cordeiro, tendo cada um deles uma harpa e taças de ouro cheias de incenso, que são as orações dos santos. (Ap 5.7,8, ARA)
Analisemos a palavra grega, usada nessa passagem, para o substantivo “oração”.  Nesse caso, como em outros do Novo Testamento, o autor sagrado utiliza o termo proseuchē; em sua essência, em nada difere do tĕphillah hebreu. Além de seu primordial significado, lembra o próprio lugar da oração. Em português, possuímos também um vocábulo para designar o local consagrado aos rogos e petições: o oratório. Entre nós, evangélicos, o termo é quase desconhecido. Mas, na igreja católica, é bastante comum; descreve as capelinhas e nichos destinados às rezas e veneração de imagens.
No deslinde do vocábulo proseuchē, deveríamos ver, além da preocupação linguística, o chamamento ao lugar das preces e das intercessões, conforme exorta-nos o Senhor Jesus: “Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto e, fechada a porta, orarás a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará” (Mt 6.8, ARA).
Que em cada domicílio evangélico, haja uma capela de oração; nosso quarto. Nesse aposento tão reservado e querido, no qual descansamos e reavemos as forças, depositemo-nos diariamente aos cuidados divinos. Antes de dormirmos e depois de acordamos, conversemos com o Pai; confessemos-lhe as faltas e as transgressões; narremos-lhe o nosso cotidiano; abramos-lhe a alma. Daí, sairemos renovados para mais uma jornada, não de lutas e entreveros, mas de vitórias e triunfos. 

ANDRADE, Claudionor de. Adoração, Santidade e Serviço: Os Princípios de Deus para a sua Igreja em Levítico. 1 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2018. 

COMENTÁRIO E SUBSÍDIO II

INTRODUÇÃO

No Antigo Testamento, o incenso era a oferenda mais preciosa e excelente que se podia oferecer ao Senhor. Ali, no limiar do lugar Santíssimo, o sacerdote entrava, com temor e tremor, para adorar a Deus com um incenso preparado exclusivamente àquela ocasião.
Hoje, o sacrifício mais sublime que devemos oferecer ao Senhor são as orações, súplicas e ação de graças. Por esse motivo, o Senhor Jesus recomenda-nos a entrar em nosso quarto, fechar a porta, e, no segredo de nossos aposentos, oferecer clamores e ação de graças ao Pai Celeste (Mt 6.6-13). 
No pátio do Tabernáculo estava o altar sobre o qual se ofereciam todos os sacrifícios animais, agora Moisés recebe a ordem para construir um segundo altar (Êx 30.1-10). Este altar não se destinava a oferecer sacrifícios animais, mas apenas a queimar incenso, foi chamado o altar de incenso. Também denominava-se altar de ouro, e altar interior. Neste altar, o incenso era queimado e subia perante Deus como cheiro suave. Na dispensação da graça não há altar, incenso, templo ou fogo próprio para queimar o incenso e fazê-lo subir, porém, há as orações dos remidos, que sobem e chegam até o trono de Deus, tal qual o incenso aromático determinado a Moisés: “E havendo tomado o livro, os quatro animais e os vinte e quatro anciãos prostraram-se diante do Cordeiro, tendo todos eles harpas e salvas de ouro cheias de incenso, que são as orações dos santos” (Ap 5.8). O incenso da Nova Aliança é mais precioso do que o incenso preparado com as especiarias de Sabá. As orações dos santos, postas sobre o altar de ouro, com muito incenso, levadas pela mão do anjo até diante de Deus, enchem os céus de aromas santificadores, onde outros incensos, os de Sabá, não poderiam chegar. 

I. O LUGAR SANTÍSSIMO

Para se oferecer o incenso ao Senhor, três coisas eram necessárias: o lugar, o altar e a cerimônia. Apenas o sumo sacerdote estava autorizado a conduzir esse ato de adoração.
1. O Lugar Santo. No Lugar Santo, ficavam três mobílias: o candelabro, à esquerda de quem entrava; a mesa dos pães da proposição, à direita; e, no limiar, entre o Lugar Santo e o Santíssimo, bem em frente ao véu que os separava, estava o altar do incenso (Êx 26.35). Há algo muito importante que devemos considerar. Embora o altar de incenso estivesse no Lugar Santo, era considerado também parte da mobília do Santo dos Santos juntamente com a arca da aliança (Hb 9.1-10). 
“Desde que o Lugar Santo era o lugar de comunhão com Deus e do ministério do Sacerdote na adoração de Deus, o Altar de Incenso e o seu incenso nos ensina da importância do agrado de Deus com reverência em nossa adoração e comunhão. A presença do Altar de Incenso nesta parte do Tabernáculo nos ensina que um coração puro faz a nossa adoração e as nossas orações a Deus aceitáveis diante de Deus. Essa pureza de coração que agrada a Deus não vem dos exercícios da nossa 'religiosidade' mas do Espírito Santo conformando-nos à imagem de Cristo. Ele não somente nos move à uma obediência maior da Palavra de Deus mas, ajuda-nos a orar segundo a vontade de Deus (Rm 8.26). No foco da salvação e na vida cristã, não podemos agradar o Pai sem a Pessoa de Cristo (Jo 14.6) e não há participação em Cristo sem a operação do Espírito Santo (Jo 3.5; II Ts 2.13, 14; Tt 3.5). Tudo isso operado pela Palavra de Deus (a salvação - Rm 10.17; a vida Cristã - Jo 17.17)” (leia mais em:PALAVRAPRUDENTE).

2. O altar do incenso. Feito de madeira de acácia, o altar de incenso era revestido de ouro, sendo estas as suas medidas: um côvado de comprimento, um de largura e dois de altura (Êx 30.1-10; 37.25-28). Os seus ornatos compunham-se de quatro chifres, bordas, quatro argolas e dois varais; tudo revestido de fino ouro. 
“Tinha o formato de uma pequena pilastra truncada, com pequeninos chifres nos quatro cantos. Como os outros objetos no Tabernáculo, era feito de madeira de acácia, revestido de ouro, e possuía argolas laterais através das quais, varais podiam ser colocados para o seu transporte"”.(COLE, Alan, Ph.D. Êxodo, Introdução e Comentário. Sociedade Religiosa Edições Vida Nova. São Paulo, 1963. Pág. 189.). Em relação às suas dimensões: seu comprimento, um côvado; sua largura, um côvado; e altura, dois côvados. Ele era quadrado: meio metro por meio metro de largura e um metro de altura.
“O altar do incenso ficava diretamente defronte do véu que ocultava a arca, que estava dentro do santo dos santos; aquele altar estava intimamente associado ao lugar santíssimo, pois a arca, sobre a qual ficava o propiciatório, era o lugar onde Deus se encontrava com Seu povo (Êx 30.6), e, visto como o incenso representa oração (Sl 141:2), o altar do incenso era apropriadamente colocado próximo da arca, ainda que do lado de fora do véu, pois o sacerdote tinha de usá-lo diariamente. Conf. Hb 9:4”.(SHEED, Russel. O Novo Comentário da Bíblia. Edições Vida Nova. São Paulo. Vol. I, pág. 148.)
“O altar de ouro, ou o altar do incenso que estava diante do véu que pendia ante a arca do testemunho, tinha um côvado de comprido, um côvado de largo e dois côvados de alto, e era feito de pau de setim revestido de chapas de ouro, e tinha uma cornija em roda, também argolas e varais para o seu transporte e os cornos em cada um dos cantos. Sobre ele se queimava o incenso preparado conforme as prescrições dadas de manhã e à tarde, à luz do candeeiro. Significava a obrigação que o povo tinha de adorar a DEUS, e ao mesmo tempo, que esta adoração lhe era agradável, Ex 30: 1-10, 28:34-37; 40:5; comp. com Hb 9:4, e 1 Rs 6:22; Lv 16: 19. Quando se construiu o templo de Salomão, o novo altar de bronze tinha cerca de quatro vezes mais as dimensões primitivas, 1 Rs 8: 64; 2 Cr 4: 1. Também foi construído um novo altar de ouro, 1 Reiss 7: 48; 2 Cron 4: 19. Eram estes os únicos altares permanentes, em que se deviam oferecer os sacrifícios e o incenso aceitáveis a DEUS, Dt 12: 2, 5, 6, 7.” (Dicionário da Bíblia de John D. Davis)
“O ritual sacerdotal incluía a queima do incenso tanto pela manhã, como também à tarde, como estatuto perpétuo ao Senhor, Êx 30.7-8, "7 E Arão queimará sobre ele o incenso das especiarias; cada manhã, quando puser em ordem as lâmpadas, o queimará. 8 Também quando acender as lâmpadas à tardinha, o queimará; este será incenso perpétuo perante o Senhor pelas vossas gerações". "Duas vezes por dia o incenso deveria ser oferecido pelo sacerdote sobre este altar em miniatura, quando viesse verificar o pavio e o azeite das lâmpadas”.(COLE, Alan, Ph.D., op. cit., pág. 199). Assim escreve Mesquita: “Cada tarde, ao acender do candeeiro, seria queimado incenso, enquanto o povo fora orava a Deus, e cada manhã, ao serem apagadas as luzes, novamente era queimado o incenso. Era o incenso da manhã e da tarde por todas as gerações”. (MESQUITA, Antônio Neves de, Dr. em Teologia. Estudo do Livro de Êxodo. Casa Publicadora Batista. Rio de Janeiro-RJ. 1971. Pág. 261)

3. A composição do incenso. O incenso destinado ao altar de ouro não podia ser usado indistintamente; era de uso exclusivo do Senhor (Êx 30.38). Esta era a sua composição: estoraque, ônica e gálbano (Êx 30.34-36). A receita do perfume não constituía nenhum segredo. Todavia, se alguém o reproduzisse para uso profano seria punido severamente. 
Neste texto de Êxodo encontramos a mais antiga receita de perfume que se tem conhecimento. Sua composição é descrita em Êx 30.34-38. Sobre a composição do incenso nos escreve Mesquita:
“Estoraque, ônica, e gálbano, incenso puro, e sal puro e santo. A fórmula era propriedade divina e ninguém podia usar dela em casa. O estoraque é uma resina comum da Arábia e que produz grande fumaça ao ser queimada, tendo a propriedade de ser microbicida É usado em medicina. A ônica não é muito conhecida, mas supõe-se ser a blatta bysantina, uma espécie de concha marinha muito comum no Mar Vermelho e que desprende grande cheiro ao ser queimada, O gálbano é muito conhecido dos perfumistas; quando queimado só, tem um cheiro desagradável; mas, combinado com outras especiarias, tem um cheiro ativo e agradável e em conjunto desenvolve as propriedades dos outros elementos com que entra em combinação”.(MESQUITA, Antônio Neves de, Dr. em Teologia., op. cit., pág. 261)
Note que havia um cuidado todo especial na preparação do incenso, com uma fórmula minuciosa dada pelo Senhor, e que não podia ser alterada em hipótese alguma. Caso a fórmula do incenso fosse adulterada, se tornava “incenso estranho” perante o Senhor, “isto é, não preparado da maneira prescrita, ou então oferecido impropriamente” (SHEDD Russel, op. cit., pág. 148). A fórmula do incenso também não podia ser copiada para uso pessoal, sob pena de excomunhão, ou seja quem assim o fizesse seria banido do meio do povo de Deus.

4. A cerimônia. O incenso só podia ser queimado com as brasas do altar de bronze (Lv 16.12). E, já de posse destas, o sacerdote aproximava-se do altar de ouro para queimar o incenso no altar de ouro. Dessa forma, a nuvem do incenso cobria o propiciatório, mostrando à Casa de Israel o favor divino (Lv 16.13). Observemos que, antes de achegar-se ao altar de ouro, o sacerdote tinha de passar, necessariamente, pelo altar de bronze. Isso significa que, sem o sangue de Cristo, jamais teremos acesso ao trono da graça (Hb 9.12). 
O encargo de queimar incenso estava confiado aos sacerdotes e nenhum estranho poderia oferecê-lo ou queimá-lo. A Bíblia assim registra a penalidade para quem desrespeitasse a ordem divina: “O homem que fizer tal como este [isto é, que misturar incenso] para cheirar, será extirpado de seu povo” (Êx 30.38).
Observe o texto de Números 16.17, “Tomou, pois, cada qual o seu incensário, e nele pôs fogo, e nele deitou incenso; e se puseram à porta da tenda da revelação com Moisés e Arão”. De acordo com este texto, notamos que o incenso até poderia ser oferecido em outros lugares, fora do Altar do Incenso, mas teria que ser queimado nos recipientes apropriados (do hebraico “mahtãh”), e somente pelos sacerdotes. Note o comentário de Cole:
“É claro que, como demonstrado em Números 16.17, o incenso poderia ser oferecido à parte de qualquer altar, sendo queimado nos incensários; este altar específico, todavia, só poderia ser usado para o incenso”.(COLE, Alan, Ph.D. op. cit., pág. 199.)

SUBSÍDIO DIDÁTICO
                               
Professor(a), o livro de Levítico está intrinsecamente ligado ao Tabernáculo. Por isso, é importante que você e seus alunos conheçam bem as divisões e todo o mobiliário do lugar que simbolizava a presença de Deus. Sugerimos que reproduza a imagem abaixo no PowerPoint e apresente para sua classe.


II. AS ORAÇÕES DOS SANTOS

As orações dos santos, qual incenso precioso, são inimitáveis em seus efeitos. Eis por que não podemos relaxar quanto à nossa comunhão com Deus.
“O principal simbolismo ligado ao incenso é a oração feita a Deus, "Suba a minha oração, como incenso, diante de ti, e seja o levantar das minhas mãos como o sacrifício da tarde!", Sl 141.2. O perfume característico produzido pela queima do incenso subia às narinas de Deus, da mesma maneira que sobem aos céus as orações do justo. É dentro deste contexto que temos a visão de João em Apocalipse, quando ele vê o anjo com um incensário na mão com as orações dos santos para oferecer sobre o Altar de ouro que está diante do Trono de Deus, "3 Veio outro anjo, e pôs-se junto ao altar, tendo um incensário de ouro; e foi-lhe dado muito incenso, para que o oferecesse com as orações de todos os santos sobre o altar de ouro que está diante do trono. 4 E da mão do anjo subiu diante de Deus a fumaça do incenso com as orações dos santos", Ap 8.3-4”. (leia mais em: (ALTAR DO INCENSO).

1. A receita para uma oração perfeita: nosso incenso. O Senhor Jesus, no Sermão da Montanha, entregou a seus discípulos o modelo de uma oração perfeita (Mt 6.9-13). Ele exorta-nos também a não imitarmos os gentios e hipócritas, pois estes imaginam que, pelo seu muito falar, serão ouvidos (Mt 6.7). Portanto, fechemo-nos em nosso quarto, e, ali, no lugar santíssimo, falemos com o Pai Celeste (Mt 6.5,6). E, dessa forma, entraremos com ousadia e confiança no trono da graça (Hb 4.16). Pode haver incenso mais excelente do que a oração dos santos? Além do mais, todas as nossas súplicas chegarão aos céus por intermédio do Espírito Santo, que intercede por nós com gemidos inexprimíveis (Rm 8.26). 
“ORAÇÃO - Tesouro de Conhecimentos Bíblicos - Emílio Conde – CPAD - O termo grego que significa orar é “proseucho-mai”. Denota a oração em geral, e pode ser empregado sem mais qualificação. A oração deve ser espontânea, deve vir do âmago do coração, mas Jesus nos ensinou como orar: “Portanto, vós orareis assim: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome; Venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu; o pão nosso de cada dia nos dá hoje; e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores; e não nos induzas à tentação, mas livra-nos do mal; porque teu é o reino, e o poder, e a glória, para sempre, Amém” (Mt 6.9-13). Esta oração se compõe de seis petições, sendo três para a honra de Deus e três para as nossas necessidades. A primeira petição é a reformulação do Terceiro Mandamento; declara de modo positivo o que aquele mandamento afirmava de modo negativo. Ao assim fazer, não somente exclui o tomar o nome do Senhor em vão, mas garante aquilo que se subentende no Primeiro e no Segundo Mandamentos, a respeito de outros deuses e de imagens de escultura (Êx 20.3-6). A quarta petição relembra a descida do maná, fornecido por Deus (Êx 16.15). O pão é “e-piousios”, cotidiano. Indica a provisão para as necessidades imediatas, bem como a no reino vindouro, simbolizado pelo banquete messiânico. Do mesmo modo, a quinta e a sexta petições pelo perdão e pela libertação da tentação aplicam-se também aos Dez Mandamentos. O exemplo de Jesus a respeito da oração é decisivo. Ele nos indicou o fundamento da oração e o cuidado providencial de Deus. Ele ensinou os discípulos como deviam orar, e como não deviam orar. Assegurou-lhes a certeza da resposta de Deus a uma oração reta. Associou a oração a uma vida de obediência. Também nos anima a sermos persistentes e mesmo importunos na oração. Procurou os lugares retirados para orar, e fez uso da oração intercessora na súplica, conhecida pela designação de Oração Sacerdotal (Jo 17.1-26). A oração é a chave da vitória. Consiste na manutenção do contato com o Criador. Isto significa que Deus existe, que pode ouvir-nos, que criou todas as coisas, que preserva e governa todas as suas criaturas e dirige as ações delas. Ele não se escraviza às leis que ordena; pode produzir resultados suspendendo as leis da natureza ou operando por meio delas; pode dirigir os corações e as mentes mais eficientemente do que possamos fazer. Deus estabeleceu tanto a oração como a sua resposta, pois tem um plano traçado desde a criação, pela sua constante presença no universo mantendo-o e dirigindo-o. A oração é a principal fonte de socorro do homem que em suas aflições clama por Deus. Por isso, Ele exige que o ser humano ore, para ter direito ao suprimento de suas necessidades. A oração bem aceita é a dirigida pelos justos, mas a dos ímpios lhe é abominável (Pv 15.29). Somente os que têm os pecados apagados podem se aproximar de Deus em oração. Aqueles que se revelam contra a autoridade divina não são aceitos antes de renunciarem a seus pecados e receberem o perdão. A oração é a comunhão dos filhos com o Pai que está nos céus, e consiste em adoração, ação de graças, confissão de pecados e petições (Ne 1.4-11). Deus responde a qualquer tipo de oração que lhe é feita de conformidade com as diretrizes por Ele estabelecidas; compreende os pássaros quando a Ele se dirigem pedindo alimento, e atende também as orações dos seus eleitos (Sl 65.2). Tiago afirma que “a oração feita por um justo pode muito em seus efeitos” (Tg 5.16). Cristo também declara: ‘‘Tudo o que pedirdes ao Pai em meu nome, isso vos farei” (Jo 14.13). O povo de Deus sabe que Ele responderá de acordo com o bem de seus filhos. O apóstolo João confirma esta assertiva: “Esta é a confiança que temos nele, que se pedirmos alguma coisa, segundo a sua vontade, ele nos ouve” (1 Jo 5.14). A oração deve ser feita em nome de Jesus, porque o pecador não pode se aproximar de Deus em seu próprio nome. Reconheçamos que não temos merecimentos para irmos à presença do Criador, a não ser somente em nome do que nos lavou e purificou em seu sangue. A oração é dirigida à Trindade em sua plenitude, pois a bênção apostólica assim determina: “A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo seja com vós todos. Amém” (2 Co 13.13). O segredo da vitória está numa vida de íntima comunhão com Deus através da oração A oração é a principal fonte de socorro do homem que em suas aflições clama por Deus. A oração feita por um justo pode muito em seu efeito”. (A PAZ DO SENHOR)

2. A oração como sacrifício ao Senhor. O salmista, conhecendo perfeitamente a simbologia do incenso sagrado, assim orou ao Senhor: “Suba a minha oração perante a tua face como incenso, e seja o levantar das minhas mãos como o sacrifício da tarde” (Sl 141.2). Quando nos dedicamos integralmente ao Senhor, toda a nossa vida torna-se uma oferenda a Deus (Ef 5.2; Fp 2.17; 2 Tm 4.6). 
“O Altar de Incenso pela sua posição diante do véu que está diante da Arca do Testemunho, diante do Propiciatório, onde Deus Se ajunta com o Sumo sacerdote (30.6) ensina-nos que a oração no culto à Deus pede reverência. Note também que o Altar de Incenso foi carregado com varais forradas de ouro puro (30.4,5). Tudo disso nos ensina que mesmo que por Cristo temos ousadia a entrar na presença de Deus (Hb 10.19; Ef 3.12, “No qual temos ousadia e acesso com confiança, pela nossa fé nele”), não entramos nEsta Presença Augusta de qualquer jeito. Entramos com louvor à santidade do Seu nome (Mt 6.9, “Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome”). E entramos com reverência, pois, invocamos o “Pai” nosso. É relembrada essa devida reverência no culto pela ênfase dada à posição do Altar do Incenso em relação da presença de Deus repetidas vezes (“diante do véu que está diante da arca do testemunho, diante do propiciatório, que está sobre o testemunho, onde Eu me ajuntarei contigo”, 30.6; “diante do testemunho”, 30.36). É relembrada essa reverência exigente pela ênfase dada por Deus nas instruções também: Não oferecerá certas coisas (30.9), e a insistência por Deus de instruir que deve ser “coisa santíssima vos será” (30.36) e “santo será para o Senhor” (30.37)”. (Leia mais em: PALAVRA PRUDENTE)

3. A oração dos santos na Grande Tribulação. No período da Grande Tribulação, logo após o Arrebatamento da Igreja, haverá um grande número de mártires (Ap 9.9-17). Todos estes, apesar da perseguição do Anticristo, atuarão como fiéis testemunhas de Jesus Cristo. As orações desses santos serão recebidas nos céus como incenso de grande valor (Ap 5.8; 8.3). Ninguém pode deter o poder de um santo que, no oculto de seu quarto, roga a intervenção do Santo dos Santos (Tg 5.16). Irmãos, “Orai sem cessar” (1 Ts 5.17). 
Incenso representa e purifica as orações dos santos, pecadores redimidos, que são apresentadas pelos vinte e quatro anciãos. As orações de todos os santos ajudam a trazer à terra os julgamentos de Deus, que convocam os rebeldes ao arrependimento e defendem parcialmente a justiça de Deus. As orações dos santos representam uma parte notável na iniciação dos julgamentos (Ap 8.3-4). Apocalipse 5.8: “Tendo cada um deles uma harpa e taças de ouro cheias de incenso, que são as orações dos santos”: “Num trecho cheio de símbolos baseados no Velho Testamento, encontramos mais dois. Harpas foram usadas no louvor dos judeus no templo (Salmo 43:4; 81:2), e o incenso fazia parte integral do serviço a Deus no tabernáculo (Êxodo 30:1-9) e no templo (1 Reis 7:48-50). Nesta cena, em que os anciãos se prostram diante do Santo dos Santos celestial, eles vêm com suas harpas e taças de incenso. O significado do incenso é explicado: são as orações dos santos. Embora o altar do incenso tenha ficado do lado de fora do véu, ele pertencia ao Santo dos Santos (Hebreus 9:3-4) porque o aroma passava pelo véu e chegava à presença de Deus. Aqui entendemos que o incenso representava as orações dos santos chegando a Deus (veja Salmo 141:2).” (Estudos da Bíblia).
Orar sem cessar significa ter sempre o coração voltado para Deus e para as coisas de Deus. Orar cria intimidade com Deus e ajuda em todas as situações da vida. Orar sem cessar é estar sempre consciente da presença de Deus e convidá-lo a participar de sua vida. Leia mais sobre “por que precisamos orar sem cessar” aqui.

SUBSÍDIO BÍBLICO-TEOLÓGICO

“A oração modelo do crente
Devemos dar atenção a cada detalhe da oração modelo, que Jesus prefaciou com estas palavras: ‘Portanto, vós orareis assim’ (Mt 6.9). Embora seja sempre recomendável repetir a oração do Pai Nosso, é muito importante que, quando orarmos, nos deixemos guiar pelos princípios providos por nosso Senhor nessa e em outras orações. A palavra ‘assim’ é tradução do vocabulário grego boutos, e deveria ser entendido como ‘desta maneira’. Jesus estava dizendo: ‘Deixem-se guiar por estes princípios gerais quando forem orar’” (BRANDT, Robert L; BICKET, Zenas J. Teologia Bíblica da Oração: O Espírito nos ajuda a orar. 6.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2013, pp. 196,197).

CONCLUSÃO

Zacarias, pai de João Batista, ao ser escolhido para queimar o incenso sagrado na Casa de Deus, teve uma experiência que retrata ricamente por que o incenso, na Bíblia, simboliza a oração dos santos. Foi ali, no lugar Santíssimo, se levarmos em consideração Hebreus 9.2, que teve a sua oração respondida (Lc 1.5-23). Sua experiência com o Senhor foi completa. Ele viu o anjo, ouviu deste o anúncio profético sobre a vinda do Messias, e, finalmente, sua velhice foi consolada com a promessa de um filho, que seria o precursor do Filho de Deus. 
Zacarias era um Sacerdote da casa de Abias, que passou a denominar a sua descendência, a partir do reinado de Davi, na divisão das ordem sacerdotais em 24 seções. O rei Davi tinha dividido os sacerdotes em vinte e quatro turnos, e a ordem de Abais, à qual Zacarias pertencia, era a oitava da fila. Cada turno era chamado a ministrar no templo em apenas duas ocasiões durante o ano, cada uma delas com duração de uma semana. Tendo cada turno cerca de mil sacerdotes, é evidente que seria impossível a cada um deles entrar no Santo Lugar e queimar o incenso sobre o altar de ouro mais de uma vez na vida. Entretanto, este era o dia de Zacarias. Tanto a vida de Zacarias quanto a de Isabel eram agradáveis a Deus. Eles eram submissos à Sua vontade e obedeciam a Sua Palavra (Lc 1.6).
“Depois que Zacarias entregou seu problema ao Senhor, ele simplesmente continuou a fazer o serviço que Deus lhe confiara. Ele não parou de orar e abandonou o barco porque sua situação parecia sem esperança. E nós também não devemos. Nosso Deus é o Deus do impossível! Ele Se deleita em fazer coisas impossíveis por nós quando sabe que daremos a Ele toda a glória. É muito mais fácil desistir e fugir das situações difíceis, no entanto, normalmente isso só agrava o problema. Deus quer que levemos a Ele em oração todas as nossas dificuldades, buscando na Palavra encorajamento e direção e, então, esperemos pacientemente Ele agir.” (Bible.Org).

“Achando-se as tuas palavras, logo as comi, e a tua palavra foi para mim o gozo e alegria do meu coração; porque pelo teu nome sou chamado, ó Senhor Deus dos Exércitos”. (Jeremias 15.16).

Francisco Barbosa
Disponível no blog: auxilioebd.blogspot.com.br

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

LIÇÃO 12: OS PÃES DA PROPOSIÇÃO


SUBSÍDIO I

Uma Breve História do Pão

Nas linhas a seguir, esboçaremos rapidamente a história do pão que, conforme já dissemos, é o mais universal dos alimentos. Nos mais diversos formatos e nos mais variados sabores, é encontrado em todas as sociedades. Feito de trigo, de cevada ou de milho, o pão orna a mesa do rico e não deixa de embelezar a mesa do pobre. Comecemos por estudar essa palavra tão abençoada. 

A origem da palavra “pão”

A palavra “pão”, em português, origina-se do substantivo latino panis que, por seu turno, provém de um termo antiquíssimo: pa, que significa nutrição.
Para os romanos, acostumados ao amanho do trigo, o pão é aquilo que nutre o homem. Acredito que, desse conceito, ninguém discorda. Hoje mesmo, antes de assentar-me a escrever, precisei alimentar-me com uma gostosa fatia de pão integral. A partir daí, ganhei forças e disposição para dar sequência a este trabalho. Senhor, ajuda-me.    

A origem do pão

A história tem o Egito como a primeira padaria do mundo. Ali, às margens do Nilo, onde a fertilidade já era proverbial há cinco mil anos, os trigais espalhavam-se do Alto ao Baixo Egito. E, muito cedo, o egípcio veio a descobrir que o grão do trigo, se esfarinhado, levedado e levado ao forno, transforma-se num alimento nutritivo e delicioso.
No Egito, havia mais de trinta variedades de pães. Ovais, cônicos ou triangulares, eram tidos como a iguaria predileta dos deuses. Conta-se que o Faraó Ramsés III (1194 – 1163 a.C.) teria ofertado aos ídolos mais de duzentos mil pães.
Os padeiros tornaram-se tão requisitados no Egito, que não demoraram a organizar suas guildas e aquilo que, modernamente, chamamos de sindicato. Eram orgulhos de seu ofício; exigentes ao extremo. Às vezes, insuportáveis. Não foi sem motivo que o Faraó, nos dias de José, filho de Jacó, mandou executar o seu padeiro-mor. 
Antes de avançarmos, neste tópico, ressalvamos que há uma leve controvérsia quanto à origem do pão. Para alguns historiadores, este alimento teria surgido não no vale do Nilo, mas no vale entre os rios Tigre e Eufrates. Mas, se perguntarmos a um chinês acerca da proveniência do pão, é bem provável que ele nos responda que este não proveio nem do Egito, nem da Mesopotâmia, mas apareceu no vale do rio Huang He. Não obstante as controvérsias acadêmicas, o certo é que o pão aí está, em nossas mesas, todos os dias. Obrigado, Senhor.

O pão em Israel

Antes mesmo de os israelitas descerem ao Egito, precedidos por José e liderados por Jacó, o pão já fazia parte da dieta hebreia. A primeira referência que aparece, na Bíblia, acerca do pão é feita pelo próprio Deus ao disciplinar Adão: “No suor do rosto comerás o teu pão, até que tornes à terra, pois dela foste formado; porque tu és pó e ao pó tornarás” (Gn 3.19, ARA). Até aquele momento, o homem não havia precisado amanhar a terra para arrancar dela o seu sustento; vivia da coleta exuberante do Éden. No entanto, a partir do juízo divino, teria ele de trabalhar arduamente, a fim de prover o seu pão diário.
Teria Deus se referido indiretamente ao trigo ao mencionar o pão? Vejamos o significado dessa palavra no idioma original do Antigo Testamento. A palavra hebraicalechem significa, além de pão, alimento, refeição, comida, mantimento e, também, pão sagrado ou da proposição.
Quer direta, quer indiretamente, o Senhor alertava Adão de que, a partir de agora, teria ele de processar arduamente o seu sustento diário. E, nessa proposição, temos bem presente a palavra de Paulo aos irmãos de Tessalônica. Aos desocupados daquela congregação, afirmou energicamente o apóstolo: “Porque, quando ainda convosco, vos ordenamos isto: se alguém não quer trabalhar, também não coma” (2 Ts 3.10, ARA).
Sem trabalho não há pão; a agricultura é a base da riqueza das nações.
Acostumados a uma dieta rica e variada, os hebreus, já no final de sua estadia no Egito (cativeiro escancarado), tiveram de adaptar-se a um cardápio pobre e ralo; subsistência amarga. Nas panelas que lhes dava Faraó, havia carne e peixe; pão não havia. É o que inferimos deste lamento proferido numa das apostasias de Israel no Sinai: “Lembramo-nos dos peixes que, no Egito, comíamos de graça; dos pepinos, dos melões, dos alhos silvestres, das cebolas e dos alhos” (Nm 11.5).
Por que o rei do Egito não lhes dava pão? Alimento destinado à comunhão social egípcia e à liturgia dos templos faraônicos, o pão jamais poderia, no imaginário egípcio, ser destinado a uma sociedade abominável e servil como a hebreia. Então, que o trigo do Nilo fosse trazido a Rá-Atum, a Hathor e a Osíris. Quanto aos filhos de Israel, que se contentassem com o refugo da mesa de seus amos.
De acordo com nossos padrões nutricionais, a dieta descrita no murmúrio hebreu parece rica. Mas, se numa mesa israelita faltasse o pão, nenhuma refeição estaria completa.
Libertos do cativeiro, os israelitas puderam retornar à sua dieta. Como não havia trigo para alimentar toda a multidão que atravessara o mar Vermelho, os levitas houveram por bem reservar o trigo, que ainda tinham e que de alguma maneira produziam, ao uso litúrgico. Para que o povo não viesse a desnutrir-se, proveu-lhes o Senhor o maná; pão dos anjos comungado aos homens.

O pão na Grécia

O trigo começou a ser processado como pão, na Grécia, quando as várias famílias helenas, chegadas do Leste, por volta do século XII a.C, instalaram-se naquelas paragens, que, ainda hoje, são acariciadas pelos ventos elísios. Para aquela gente de terra pobre e mente rica, os cereais eram considerados um dom dos deuses. Ou, mais propriamente, de uma deusa que, embora gentil e prestativa, era malcomportada e vingativa.
Filha de Cronos e de Reia, Deméter saiu pelo mundo, na companhia de Dionísio, a ensinar os homens a plantar e a colher. Por isso, reverenciavam-na como a divindade responsável pela agricultura. Em Roma, ela receberia outro nome: Ceres; daí a palavra cereal.
Por que os egípcios, gregos e romanos atribuíam o seu sustento a deuses nulos e inúteis, e não ao Todo-Poderoso? Que eles não ignoravam a existência de Deus, todos o sabemos. Pelo menos os gregos, conforme a narrativa lucana, haviam consagrado um altar ao Deus Desconhecido. Mas, tendo eles os moradores de Heliópolis (morada dos deuses egípcios) e do monte Olimpo (albergue das divindades gregas) como mais acessíveis, pois eram estes tão dissolutos e imorais quanto aqueles, ignoravam os benefícios que, diariamente, recebiam do Senhor.
Em seu discurso em Listra, o apóstolo Paulo, depois de ser confundido com o deus Mercúrio, deixou bem patente aos moradores daquela antiga cidade da Licaônia, que a subsistência de todos os seres humanos depende unicamente do Deus Único e Verdadeiro, e não dos ídolos que, a bem da verdade, não passam de coisas bizarras e grotescas:
Senhores, por que fazeis isto? Nós também somos homens como vós, sujeitos aos mesmos sentimentos, e vos anunciamos o evangelho para que destas coisas vãs vos convertais ao Deus vivo, que fez o céu, a terra, o mar e tudo o que há neles; o qual, nas gerações passadas, permitiu que todos os povos andassem nos seus próprios caminhos; contudo, não se deixou ficar sem testemunho de si mesmo, fazendo o bem, dando-vos do céu chuvas e estações frutíferas, enchendo o vosso coração de fartura e de alegria. (At 14.15,16, ARA)
Dizendo isto, relata ainda Lucas, “foi ainda com dificuldade que impediram as multidões de lhes oferecerem sacrifícios”. Que provação para Barnabé e Paulo. Como tinham suficiente maturidade, não se deixaram enredar pelo marketing do Diabo.
Em seu discurso, o apóstolo elaborou, rápida e profundamente, o que podemos chamar de teologia do pão.

ANDRADE, Claudionor de. Adoração, Santidade e Serviço: Os Princípios de Deus para a sua Igreja em Levítico. 1 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2018. 

COMENTÁRIO E SUBSÍDIO II

INTRODUÇÃO

Os pães da proposição ficavam num dos lugares mais nobres e reservados do Tabernáculo. Ali, em frente ao candelabro de ouro, eram iluminados durante toda a noite. A simbologia é claramente cristológica: a luz do Evangelho mostra ao pecador faminto que somente Cristo pode saciar-nos plenamente. Nesta lição, veremos como Deus foi didático a Israel ao mostrar-lhe a suficiência de sua Palavra nos pães da proposição. 
É útil estudar sobre o tabernáculo e suas peças por que não apenas o Novo Testamento ensina-nos de Cristo, mas, o Velho Testamento também. Como já sabemos, o Tabernáculo possuía duas divisões, sendo a primeira o Lugar Santo, onde haviam três das sete peças de móveis feitas para o tabernáculo: o Candelabro (Êx. 37:17:23), a Mesa dos Pães (Êx. 37:10-16) e o Altar do Incenso (Êx. 30:1-8). Na mesa eram postos os pães da proposição, em número de doze (um para cada uma das doze tribos), que eram apresentados quentes cada sábado (Êx 25.30). Era uma oferta de ação de graças, e o seu nome provinha de ser posto esse pão continuamente diante da face do Senhor. Aqueles pães só podiam ser comidos legitimamente pelos sacerdotes, e unicamente no pátio do lugar santo (Lv 24.9). Todavia, uma exceção foi feita por Aimeleque, quando ele deu a Davi e aos seus companheiros os pães da proposição, que tinham sido retirados de diante do Senhor (1 Sm 21.1 a 6 – Mt 12.4). “Estes pães têm o nome 'Hapanim' (faces) derivado do fato de que possuem "duas faces". Eram moldados em forma de uma matsá grossa e quadrada, com ambos extremos dobradas para cima... D'us ordenou: "Que haja pães sobre a mesa constantemente!" A mesa nunca podia ficar vazia. Por conseguinte, os pães novos eram colocados antes dos velhos serem retirados. (Os pães permaneciam sobre a mesa mesmo quando a nação de Israel viajava.)”(CHABAD) 

I. OS PÃES DA PROPOSIÇÃO
                                                                 
A fim de que os pães da proposição fossem introduzidos no tabernáculo, Deus ordenou o fabrico de uma mesa especial. Quanto aos pães, deveriam estes ser preparados de acordo com uma receita bastante específica.
1. A mesa dos pães. A mesa que receberia os pães da proposição, feita de madeira de acácia, tinha essas medidas: dois côvados de cumprimento (90 centímetros), um côvado de largura (45 centímetros) e sua altura, um côvado e meio (70 centímetros) (Êx 25.23-30). A mesa, toda revestida de ouro fino, recebeu adornos da altura de quatro dedos, bastante apropriados para conter os pães sagrados. Suas argolas serviam para transportá-la. A madeira de acácia, por ser medicinal, evitava fungos e parasitas que poderiam contaminar os pães sagrados. 
Dentre as três peças do Lugar Santo, a mesa da proposição, chamada também a mesa de madeira de acácia (Ex 25.23; 37.10), a mesa pura (2Cr 13.11), a mesa do Senhor (Ml 1.12) ou simplesmente, a mesa (Hb 9.2). Confeccionada em madeira de acácia (setim) e revestida de ouro. Estes materiais nos lembram para a dupla natureza de Cristo: humana e divina. No templo, a sua importância é notada pois é determinada “a mesa que está perante a face do Senhor” (Ez 41.22). Mesas pela Bíblia representam aceitação e comunhão (II Sm 9.7-13; Lc 22.30). Essa mesa da proposição é de grande importância pois “está perante a face do Senhor.” Quem participa desta mesa tem direito a estar na presença do Senhor. Sabemos que Cristo é o Pão da Vida e por Ele temos ousadia a entrar na presença do Senhor (Hb 10.19-22). Note que as medidas e a sua altura desta mesa eram iguais à arca da propiciação que estava no Lugar Santíssimo, enquanto a sua largura e o seu comprimento eram menores do que às da arca.
“A comunhão que temos em Cristo é realmente comunhão com o próprio Deus. Porém, a inteira largura e profundidade dessa comunhão são limitadas por estarmos ainda na carne, nessa peregrinação terrena. Que benção de sermos levados à presença real de Deus por Cristo, e que desafio temos em aprender tudo que podemos das glórias de Deus em Cristo (II Co 3.18; Cl 3.10). Também podemos entender pelas medidas da mesa que a mesa do pão da proposição é limitada. Não são todos os que desejam aproximar a ela que podem, mas somente o sacerdote e a sua família (Mt 12.4; Lv 24.9). Ainda mais, a participação nesta mesa não era para todos os sacerdotes e seus filhos, mas restrita para o sacerdote que ministrava e sua família. Isso claramente representa que a Ceia do Senhor, na mesa do Senhor, como ordenança da igreja seja limitada somente aos membros daquela igreja que está administrando-a (I Co 5.11-13)”. (Extraído de: O Tabernáculo. Disponível em: https://www.palavraprudente.com.br/estudos/calvin_d/tabernaculo/cap18.html. Acesso em: 10 Set, 2018).

2. Os pães da proposição. Os pães da proposição eram preparados todos os sábados pelos coatitas (1 Cr 9.32). Em sua composição, usava-se a flor da farinha de trigo (Lv 24.5). Ou seja, a parte mais fina e nobre deste produto. Depois de cozidos, eram postos em duas fileiras sobre a mesa, sendo entremeados por incenso (Lv 24.6,7). Doze pães, um para cada tribo de Israel.
Pão da proposição (em hebraico: lechem haPānīm לחם הפנים, literalmente: "Pão da Presença"), em um contexto bíblico ou judaico, refere-se aos bolos ou pães que estavam sempre presentes em uma mesa especialmente dedicada, no Templo de Jerusalém, como uma oferenda a Deus. (WIKIPÉDIA). O Dicionário Strong’s diz que “O pão da proposição significa literalmente “as faces apresentadas”” (# 6440). Este “pão sagrado” (1Sm 21.4-6) e “pão contínuo” (Nm 4.7) significa a aceitação de Deus por todos que comem e deleitam-se com Cristo (Jo 6.31-40; 10.9). O pecador arrependido que confia pela fé na vitória de Cristo sobre o pecado e a morte como a sua vitória pode com “rosto descoberto” entrar e sair e achar pastagens (Jo 10.9,10; 2Co 3.18). Graças a Deus pela aberta comunhão com Deus por Jesus Cristo.

3. A simbologia dos pães. Os pães da proposição simbolizavam a presença sempre providencial de Deus no meio de seu povo (Jr 32.38). Desta forma, os israelitas deveriam saber que o homem não vive só de pão, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus (Mt 4.4). Quanto ao pão estar acompanhado de incenso, significa isso que a presença do Senhor sempre vem acompanhada pelas orações dos santos (Ap 5.8; 8.3,4). Os pães da proposição, ou da presença, representam ainda a Palavra de Deus, que, através do Evangelho, alimenta o mundo faminto (Jo 1.1). 
Os doze pães, um para cada tribo de Israel, representados ou revelados diante do Senhor. O número doze que aparece aqui é símbolo da totalidade e autoridade apostólica. A mesa e os pães eram considerados uma coisa só, a comunhão de Cristo com sua Igreja, eis aqui outros símbolos da mesa de ouro ou dos pães da proposição:
a)- União da família sacerdotal: A Igreja e Cristo, um só Corpo, um só pão. Cristo sustenta a sua Igreja e a apresenta ao Pai continuamente (Jd 24,25).
b)- Centro da alimentação sacerdotal: Os pães foram comidos pelos sacerdotes em cada sábado, onde eram substituídos por outros novos. A Igreja é um sacerdócio que se reúne ao redor de Jesus Cristo (Sl 133).
c)- Os pães eram redondos e tinham um buraco no meio e foram assados no fogo: O pão redondo (sem começo e fim) revela o memorial eterno do intenso sofrimento (fogo) de Cristo o Pão da Vida, que foi transpassado (buracos no meio) na Cruz do Calvário (Jo 19.34-37). A melhor farinha: obtida de grãos inteiros do trigo, tinha que ser triturado até virar pó. Representam as tribulações, provações e sofrimentos do Senhor Jesus Cristo que foi esmagado e triturado para tornar-se nosso Pão da Vida. Na farinha não havia impureza, significa que não havia nenhuma impureza em Sua humanidade perfeita e sem pecado (Jo 12.24).
1. A Bíblia chama esses pães sobre a mesa de vários nomes que demonstram verdades de Cristo e de sua Igreja:
• Pão da Presença - “revelação” (1 Co 11.26).
• Pão de Deus (ERA) - “amor” (Lv 21.21).
• Pão Contínuo - (ERA) - “fidelidade” (2 Cr 2.4).
• Pão Presente - “comunhão” (Mt 18.20).
• Pão da Face - “glória” (2 Co 4.6).
• Pão da Ordem - “santidade” (1 Co 11.34).
• Pão do Memorial - “gratidão” (1 Co 26).
• Pão Transpassado - “vitória” (Jo 20.20).
Os doze pães representam as doze tribos de Israel que descansavam sobre a Mesa (Cristo) o verdadeiro “shabat” descanso. O pleno descanso somente é encontrado em sua obra consumada no Calvário. Eis aqui o significado e a mensagem que traz cada tribo de Israel, revelada na “mesa do Senhor”: Zebulon “Graça” (Ef 2.8); Ruben “Visão” (Ef 1.18); Dã “Confissão” (1 Jo 1.9); Manasses “Perdão” (Cl 1.14); Leví “Comunhão” (1 Jo 1.7); Simeão “Obediência” (Jo 8.51); Aser “Bem-Aventurança” (Mt 5.3-11); José “Vitória” (1 Jo 5.4); Issacar “Galardão” (Hb 11.6); Naftali “Conquista” (Hb 11.34); Gade “Prosperidade” (Dt 28.11) e Judá “Triunfo ou Louvor” (2 Cr 20.27). (Pr Antonio Romero Filho. A mensagem dos 12 pães asmos sobre a Mesa de Ouro do Senhor. Disponível em: http://christiannewsbrasil.blogspot.com/2015/12/a-mensagem-dos-12-paes-asmos-sobre-mesa.html. Acesso em: 10 Set, 2018).

SUBSÍDIO BÍBLICO-DIDÁTICO
                               
Prezado(a) professor(a), antes de falar a respeito da mesa e dos pães da proposição no Tabernáculo, é importante conversar com seus alunos e explicar a importância do pão na alimentação dos hebreus. Para auxiliá-lo no trabalho de pesquisa, leia os textos abaixo. Pão – “A alimentação da maioria dos hebreus era simples. Pão, azeitonas, queijo, frutas e vegetais formavam a dieta fixa. Carne só era comida em raras ocasiões. O pão era um alimento tão básico que se tornou sinônimo da própria vida. ‘Comer pão’ equivalia a ‘fazer uma refeição’. Os egípcios não podiam ‘comer pão’ com os hebreus (Gn 43.31,32). ‘Dá-nos cada dia o nosso pão cotidiano’ (Lc 11.3) era uma oração para a provisão diária do alimento. O pão era algo tão básico que Jesus se referiu a si mesmo como o ‘Pão da vida’ (Jo 6.35). O pão parece ter sido sempre partido, e nunca cortado com uma faca, o que fez surgir a frase ‘partir o pão’, usada em Atos 20.7 para descrever o serviço de comunhão” (GOWER, Ralph. Novo Manual dos Usos & Costumes dos Tempos Bíblicos. 2.ed. Rio de Janeiro, 2012, pp. 47,48,52).

II. A PALAVRA DE DEUS, O PÃO DA VIDA

O povo de Israel, desde o início de sua história, sempre teve uma convivência cerimonial e tipológica com o pão (Gn 14.18-20). Quer no tabernáculo quer fora do tabernáculo, o pão sempre simbolizou a presença de Deus entre o seu povo.
1. A Palavra de Deus é vida. Durante a peregrinação de Israel no Sinai, os israelitas conscientizaram-se de que nem só de pão vive o homem, mas da Palavra de Deus (Dt 8.3). Durante 40 anos, Deus os sustentou com o maná, o pão que descia dos céus, a cada manhã (Êx 16.31-35). Portanto, a presença divina era perceptível tanto no lugar Santo do Tabernáculo quanto no arraial. Todos sabiam que, apesar das asperezas do deserto, o Senhor jamais os abandonaria naquela árdua caminhada. 
Como já definido, os pães da proposição lembravam que Israel era formado de 12 tribos e as representava. O incenso que era colocado sobre os pães e posteriormente queimado (sacudiam o incenso do pão e queimavam o incenso), simbolizava a inteira consagração de Israel ao Senhor. Lendo Hebreus 9.24, entendemos que estes eram símbolos de Cristo. Jesus está diante do Pai representando-nos continuamente. Ao voltar para o Reino dos Céus levou Consigo a natureza humana. A mesa e os pães são tipo de Jesus, o Pão da Vida (Jo 6.32-33), assim como o altar do incenso representa a Cristo, como nosso intercessor e o Castiçal, representa a Cristo como a luz do mundo.
“Os Pães da Proposição eram uma figura de Cristo como o pão da vida (João 6:32-33), a comida espiritual do povo de Deus. Cristo está sempre diante da face do Pai. O Incenso revelava a morte de Cristo como sendo de cheiro suave a Deus (Efésios 5:2). Assim como o pão fora feito de trigo que havia sido moído e assado, assim também o sofrimento de Cristo o capacitou para tornar-se o pão das nossas almas. O fato de haver doze pães demonstrava a identificação de Cristo para com Seu povo (ex: as doze tribos).” (Pr Ron Crisp. A Mesa dos Pães. Disponível em: https://www.palavraprudente.com.br/estudos/ron_c/guiaexodo/cap28.html. Acesso em: 10 Set, 2018)
“Na verdade, pão significa "suprimento", "alimentação". Devemos lembrar que "pão" no Velho Testamento, sempre foi símbolo de suprimento alimentar, Gn 28.20, "Fez também Jacó um voto, dizendo: Se Deus for comigo e me guardar neste caminho que vou seguindo, e me der pão para comer e vestes para vestir". Ver ainda Gn 47.12; Dt 8.9; Sl 132.15. Foi por esta razão que Jesus ordenou a seus discípulos que orassem pedindo, não somente refeições diárias, mas o "pão-nosso" de cada dia, Mt 6.11, "o pão nosso de cada dia nos dá hoje"”.(Pr. José Antônio Corrêa. O LUGAR SANTO A MESA E OS PÃES ÊX 25.26-30. Disponível em: http://ibvir.com.br/tabernaculo/tabernaculo_a_mesa_e_os_paes.htm. Acesso em: 10 Set, 2018)
"Várias vezes na Escritura, a palavra de Deus é comparada com alimento que deve ser assimilado. Ezequiel, como João, experimentou uma profecia doce-amarga (Ezequiel 2:8; 3:1-3). Da mesma forma, Jeremias teve de consumir a palavra divina (Jeremias 15:16). O primeiro efeito da comunicação profética foi doce como o mel à boca, e trouxe deleite indizível a João ao ver que as predições passadas estavam prestes a cumprir-se. Foi-lhe doce ao paladar compreender que finalmente o domínio da terra passaria de Satanás para Cristo, e que uma era perversa estava prestes a terminar e uma nova era a começar. Mas então o apóstolo meditou no efeito do juízo sobre as multidões sem Deus, e pensou na ira final sob as sete taças e nos terrores do Senhor que em breve sobreviriam aos ímpios. Ao meditar no destino final dos perdidos, a angústia apertou-lhe o coração. O que lhe era doce ao paladar teria um efeito amargo para os habitantes rebeldes da terra. Sua comissão foi renovada e João teve de sair, profetizando para as multidões a respeito do juízo vindouro. O mesmo princípio está em vigor, nesta era da graça, para todos os pregadores. Uma mensagem dada por Deus deve ser recebida e absorvida em seu próprio ser. A verdade de segunda mão e não experimentada nunca é dinâmica. Tanto a doçura como a amargura de um evangelho revelado por Deus devem fazer parte do treinamento espiritual dos arautos. A verdade que eles têm deleite em receber exige a morte da vida do ego e o sabor amargo das durezas e desapontamentos de ser testemunhas verdadeiras".(SHEED, Russel. O Novo Dicionário da Bíblia. Edições Vida Nova. São Paulo. Vol. II, pág. 613.).

2. A Palavra de Deus é o nosso sustento diário. Além do pão, Deus proporcionava cotidianamente ao seu povo água, direção, proteção e iluminação (Êx 13.21; 15.22-27; 17.1-16). Por conseguinte, os israelitas eram sustentados, orientados e protegidos pelo Senhor a cada dia. À semelhança de Davi, eles podiam declarar que o Senhor era o seu pastor; nada lhes faltava (Sl 23.1). 
Estes pães também nos lembram da Palavra de Deus agindo em nossas vidas. Observe que a Palavra de Deus deve ser também ingerida pelos filhos de Deus (“Achando-se as tuas palavras, logo as comi, e a tua palavra foi para mim o gozo e alegria do meu coração; porque pelo teu nome sou chamado, ó Senhor Deus dos Exércitos”. Jr 15.16). Note que esta mesma Palavra pode ser amarga em nosso ventre, em virtude de seu poder corretivo (Ap 10.10).

3. A Palavra de Deus é o nosso sustento específico. Na mesa do Tabernáculo, havia, como já vimos, doze pães distribuídos em duas fileiras, sendo um pão para cada tribo de Israel (Lv 24.6). Entre as fileiras de pães, o incenso (Lv 24.7). O que isso significa? Antes de tudo, que Deus alimenta o seu povo tanto coletiva quanto individualmente. Ele conhece perfeitamente nossas necessidades (Sl 103.14; Mt 6.8). O que podemos inferir desta lição? Deus tem uma comida personalizada para mim, para você e para cada servo seu em particular. 
Cristo é o Pão (Jo 6.35, 48, 53-58, 63). Para o mundo e para nós mesmos morremos, mas por Ele vivemos (Gl 2.20).
“Não é por acaso que o Senhor ao instituir a sua Ceia, coloca como um dos elementos, o pão, que simboliza o Seu corpo que foi partido na cruz, e que deve ser ingerido por todos aqueles que foram regenerados pela sua graça, Mt 26.26, "Enquanto comiam, Jesus tomou o pão e, abençoando-o, o partiu e o deu aos discípulos, dizendo: Tomai, comei; isto é o meu corpo". Embora seja a Ceia uma ordenança para manter a união e comunhão do povo de Deus, também nos fala de alimento espiritual! É por esta razão que Jesus no Evangelho de João afirma que a sua carne é "comida" e seu sangue é "bebida", "55 Porque a minha carne verdadeiramente é comida, e o meu sangue verdadeiramente é bebida. 56 Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele. 57 Assim como o Pai, que vive, me enviou, e eu vivo pelo Pai, assim, quem de mim se alimenta, também viverá por mim".”.(Pr. José Antônio Corrê. O LUGAR SANTO A MESA E OS PÃES ÊX 25.26-30. Disponível em: http://ibvir.com.br/tabernaculo/tabernaculo_a_mesa_e_os_paes.htm. Acesso em: 10 Set, 2018)

SUBSÍDIO BÍBLICO-TEOLÓGICO

“Em Levítico 24.5-9 somos instruídos com relação à fabricação do pão, tipo de farinha, quantidade, o arranjo do pão sobre a mesa, bem como quem deve comê-lo. Os pães deveriam ser feitos de farinha fina e são símbolo de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo (Jo 6.35). A Palavra de Deus é o Pão da Vida para nós. A cada sábado era colocado pão fresco na Mesa da Proposição, doze pães em duas pilhas organizadas contendo seis cada. Bem-aventurados são aqueles que diariamente se alimentam da Palavra. Quando se ajuntarem no Dia do Senhor, encontrarão um novo suprimento de Pão da Vida esperando por eles. O pão que se retirava da mesa seria comido por Arão e seus filhos em um lugar santo. Tomar tempo para alimentar a alma com a Palavra Viva é essencial à nossa experiência. ‘Escondi a tua palavra no meu coração, para eu não pecar contra ti’ (Sl 119.11). Muitas vezes o salmista usa a palavra ‘Selá’ para lembrar-nos de meditar na Palavra” (SPRECHER, Alvin. Tabernáculo no Deserto: O lugar do seu encontro com Deus. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2002, p. 115,116).

III. JESUS CRISTO, O PÃO QUE DESCEU DO CÉU

Os pães da proposição são o mais perfeito símbolo do Senhor Jesus Cristo, pois a sua missão, neste mundo, foi (e sempre será) alimentar-nos com a Palavra de Deus (Jo 1.1).
1. Jesus, o pão da vida. O Senhor Jesus, através de sua palavra, revela-se como a água e o pão da vida (Jo 4.13,14; 8.32; Ap 7.17). Certa vez, Ele foi tão claro acerca de sua missão redentora, que levou alguns de seus discípulos mais chegados a escandalizarem-se com o seu discurso (Jo 6.48-60). O Senhor Jesus, como o pão vivo, não se limitou a ficar no santuário, mas, encarnando-se, trouxe a presença do Pai Celeste a toda a humanidade (Mt 1.23; Hb 1.3). 
““Declarou-lhes, pois, Jesus: Eu sou o pão da vida; o que vem a mim jamais terá fome...” (Jo 6.35) A fome é uma dramática realidade que assola o mundo ainda hoje. Apesar da abundância de pão, muitos ainda morrem de fome. Há fome física e espiritual. O pão da terra não satisfaz a alma. Aqueles que comem desse pão voltam a ter fome. Os banquetes da terra, as aventuras sexuais, os prazeres da vida e as riquezas deste mundo não podem preencher o vazio que existe dentro de você. Na verdade, Deus colocou a eternidade em seu coração. Há um vazio em sua alma com o formato de Deus. Nada, nem ninguém, pode dar sentido à sua vida. Por isso, Jesus veio ao mundo como o Pão da vida. Ele é o Pão vivo que desceu do céu. Aquele que comer deste pão nunca mais terá fome, para sempre. Jesus satisfaz plenamente sua mente, sua emoções e sua vontade. Ele traz refrigério para seu corpo e descanso para sua alma. Nele você encontra provisão abundante para o tempo e para a eternidade. Você, que está faminto, venha agora mesmo para Jesus, o Pão da vida. Entre na sala do banquete. Há pão com fartura na casa do Pai. Há vida abundante no banquete de Deus à sua espera. Jesus oferece a você perdão e vida eterna!” (Jesus, o Pão que satisfaz. Disponível em: http://www.ipb.org.br/blog/21/api-view?page=24&blog=835. Acesso em: 10 Set, 2018)

2. Jesus, o pão de nossa comunhão com o Pai. Jesus, como o pão vivo que desceu do céu, não precisa ser trocado todos os sábados, como os pães da proposição (Lv 24.8). Nosso Salvador, além de ser um sumo sacerdote infinitamente superior a Arão, é o pão divino; e, do próprio sábado é Senhor (Mt 12.8; Jo 6.41; Hb 7.17-25). Aliás, Jesus Cristo é o próprio tabernáculo de Deus. Ao encarnar-se, tornou-se semelhante a nós (Jo 1.14; Hb 9.11,12). E, com a sua morte e ressurreição, fez-nos acessível o trono da graça, no qual, hoje, entramos ousadamente (Hb 4.16). 
“O pão e o vinho são sinais de uma realidade espiritual. Antes de tudo, os sinais são o pão e o vinho; os quais representam o mantimento espiritual que recebemos do corpo e sangue de Cristo. Porque como no Batismo, ao regenerar-nos, Deus, nos incorpora a Sua Igreja e nos faz Seus por adoção, assim também temos dito que com este desempenha o papel de um zeloso pai de família proporcionando-nos continuamente o alimento com o qual nos conserva e mantém naquela vida que nos gerou com Sua Palavra; Agora bem, o único sustento de nossas almas é Cristo, e por isso nosso Pai Celestial nos convida para que venhamos a Ele, para que alimentados com este sustento possuamos dia após dia maior vigor até chegar por fim à imortalidade no céu. E como este mistério de nos unirmos com Cristo é por sua natureza incompreensível, Ele nos mostra a figura e imagem com sinais visíveis mui próprios de nossa débil condição. Mais ainda; como se nos desse um presente, nos dá tal segurança disso, como se O víssemos com os nossos próprios olhos; porque esta semelhança tão familiar: que nossas almas são alimentadas com Cristo, exatamente igual o pão e o vinho natural alimentam nossos corpos, penetra nos entendimentos, por mais rudes que sejam” (Porque Cristo instituiu a Ceia. Disponível em: http://www.ibrmec.com.br/artigos/a-santa-ceia-do-senhor-e-os-beneficios-conferidos-por-ela/. Acesso em: 10 Set, 2018)

3. Dai-lhes vós de comer. Hoje, ao proclamarmos o Evangelho, outra coisa não fazemos senão alimentar os famintos com a Palavra de Deus (Mt 28.18-20; Lc 9.13). Portanto, evangelizemos e façamos missões enquanto há tempo. A fome espiritual nunca foi tão acentuada como nos dias de hoje (Am 8.11,12). 
“Quando Jesus ordenou: “dai-lhes, vós mesmos, de comer.” Ele estava afirmando que o que eles possuíam era o suficiente para ser multiplicado e repartido à multidão; acontece que eles desconheciam o que o Senhor era capaz de fazer com tão pouco (cinco pães de cevada e dois peixes) para tantos (cinco mil homem, exceto mulheres e crianças)”. (Ultimato). Precisamos compreender que neste momento existem multidões famintas esperando ser “alimentadas” com este Pão da Vida, e nós temos essa responsabilidade e privilégio de poder “distribuir” esse “Pão” a essas multidões por meio do “semear a boa semente do Evangelho”. Sejamos obedientes!
SUBSÍDIO BÍBLICO-TEOLÓGICO

“Jesus é a Palavra (Verbo) viva. A Bíblia é a Palavra escrita. Jesus é o ‘pão da vida’ e em Mateus 4.4 Ele disse: ‘Nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus’. Portanto, comemos a sua carne ao receber à Palavra de Deus” (Bíblia de Estudo Pentecostal. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2009, p. 1584).

CONCLUSÃO

No Antigo Testamento, apenas o sumo sacerdote e seus filhos tinham direito de comer dos pães da proposição. A única exceção foi Davi e seus homens (Mc 2.25,26). Através de Cristo, porém, temos acesso não somente aos pães da proposição como também ao lugar mais santo do tabernáculo. E, todas as vezes que nos reunimos para celebrar a Ceia do Senhor, lembramo-nos de que Jesus é a presença eterna do Pai entre nós (1 Co 11.23,24). Ele é o pão da vida. Amém. 
Cristo é o Pão (Jo 6.35, 48, 53-58, 63). Para o mundo e para nós mesmos morremos, mas por Ele vivemos (Gl 2.20). Temos comido de Cristo?
“Achando-se as tuas palavras, logo as comi, e a tua palavra foi para mim o gozo e alegria do meu coração; porque pelo teu nome sou chamado, ó Senhor Deus dos Exércitos”. (Jeremias 15.16),

Francisco Barbosa
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